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Nobody's Bizness - Donkey

Segunda-feira, 17.02.14

Formados por  Petra Pais, Luís Ferreira, Pedro Ferreira e Luís Oliveira, os lisboetas Nobody's Bizness são uma banda nacional muito curiosa e original, que nasceu em 2003 da vontade de recriar o blues de raiz e resgatar ao pó dos tempos e às estrias de velhos 78 rpm, lendas dos blues como Robert Johnson, Tampa Red, Ida Cox, Alberta Hunter, Bessie Smith, Willie Dixon, Skip James ou Muddy Waters com os seus arranjos pessoais. Estrearam-se em 2010 nos discos com It’s Everybody’s Bizness Now, um trabalho que continha algumas versões e originais.

A completarem dez anos de vida e de estrada, acabam de editar Donkey, o segundo disco da banda, um nome escolhido devido à vontade dos Nobody's Bizness em ajudar a Associação para a Preservação do Burro – Burricadas, uma associação que recolhe e protege burros maltratados, depois do Pedro Ferreira ter visitado uma associação de preservação do burro Mirandês. Ganhou forma quando descobriram o trabalho da Burricadas, que procura dar uma vida digna (ou um final de vida, na maior parte dos casos) a burros mal tratados, burros de trabalho que foram abandonados ou vendidos para abate depois de uma vida inteira de serviço.

Donkey é um disco composto quase exclusivamente por originais e para suportar os custos de produção deste disco, que foi, à semelhança do trabalho de estreia, uma edição de autor, os Nobody’s Bizness promoveram promover uma campanha de angariação de fundos que, de acordo com a entrevista que a banda me concedeu e que podes conferir abaixo, superou todas as expetativas.

Escutar Donkey é aceitar entrar numa visagem até à América mais profunda, tão genuína em Señorita Carolina, ao som de guitarras, mandolins e todo o outro arsenal instrumental de cordas que personifica e dá vida ao que de melhor tem o blues. Disco excelente para se escutar enquanto se conduz, Donkey não é, contudo, um álbum linear e totalmente homógeneo, sendo esse um dos maiores elogios que se pode fazer ao trabalho e que o single People I Wish For tão bem nos mostra. Donkey coloca-nos, logo em (We're) Evilbound, nos trilhos de um género sonoro raramente replicado deste lado do atlântico, com o banjo e a guitarra, não só desse tema, mas também, por exemplo, do homónimo, a fazer-nos crer que a costa leste dos Estados Unidos pode ser, se acreditarmos, algures entre Alfama e o Cais do Sodré.

Em Mister Simon e Married By Fall, fazemos um desvio até Nova Iorque, para escutarmos, primeiro, uma espécie de homenagem a Paul Simon e depois deixarmo-nos envolver por um qualquer salão de jazz, que prolifera na cidade que nunca dorme certamente à mesma escala propocional que as casas de fados da nossa capital. Married By Fall é, na sua essência, intrigante e sedutora e tem aspetos e detalhes que voltam a ser escutados mais à frente, noutros momentos do disco em que a banda procura ampliar as suas capacidades de beliscar novos e diferentes territóros e que poderão ser pistas valiosas para o próximo trabalho da banda.

Não é justo escrever sobre este disco e terminar sem destacar a voz única de Petra Pais, sublime no single People I Wish For; Quando, no blues, a vertente instrumental assume quase sempre o lugar de destaque e a voz é, tantas vezes, um complemento ou um mero acessório, em Donkey Petra é uma peça fulcral do puzzle intrincado de arranjos, melodias e sons que sustentam as dez músicas deste disco e fazem dele um dos destaques nacionais do início deste ano. Espero que aprecies a sugestão... 

Donkey é o novo marco do percurso discográfico dos Nobody’s Bizness, um trabalho que surge após dez anos de carreira e que ganhou vida através de uma edição de autor. Como correu a campanha de angariação de fundos através da plataforma de crowdfunding? Deu para os gastos?

Correu muito bem e excedeu todas as nossas expectativas, que por sinal eram muito baixas. Ultrapassámos o valor que pedimos e sem isso não teríamos o Donkey cá fora.

 

O nome escolhido para o álbum, Donkey, nasceu da vontade da banda de ajudar a Burricadas - Associação para a Preservação do Burro, uma associação que recolhe e protege burros maltratados. Como surgiu a ideia?

A ideia surgiu inicialmente depois do Pedro Ferreira ter visitado uma associação de preservação do burro Mirandês. Ganhou forma quando descobrimos o trabalho da Burricadas, que não faz distinção de raça e faz o que não vimos mais ninguém fazer, dar uma vida digna (ou um final de vida, na maior parte dos casos) a burros mal tratados, burros de trabalho que foram abandonados ou vendidos para abate depois de uma vida inteira de serviço. Sensibilizou-nos e quisemos de alguma forma dar visibilidade ao projeto.

 

Depois da excelente trabalho de estreia It’s Everybody’s Bizness Now, quais são as vossas expectativas para Donkey? Querem que o disco vos leve até onde?

Antes de mais agradecemos o “excelente” ali! E para o nosso Donkey, a expectativa é levá-lo o mais longe possível. Gostávamos de poder apresentá-lo em palco em todo o país e angariar muitos padrinhos, para nós e para a Burricadas.

 

E quais são as grandes diferenças entre It’s Everybody’s Bizness Now e Donkey?

Desde logo, a formação: passámos de sexteto a quarteto, deixámos de ter uma das vozes principais e a bateria. Depois a sonoridade. Assumimos uma postura menos presa aos blues do primeiro registo de estúdio e só temos originais, está mais presente aquilo que somos enquanto ouvintes, reconhecemos mais tudo o que ouvimos naquilo que escrevemos.

 

Além de ter apreciado a riqueza instrumental e também a criatividade com que selecionaram os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas vossas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota, todos juntos e depois existe um processo de agregação?

Regra geral, surge primeiro um esboço do tema pelas mãos do Luís Ferreira (e do Pedro, que neste disco também já nos trouxe uma ou outra prenda :)). Depois juntamo-nos todos na sala de ensaio e desconstruímos o que ele traz e o resto vai surgindo naturalmente. Vamos para onde as canções nos permitem ir.

 

Adorei o artwork de Donkey. A quem se devem os créditos da fotografia?

A fotografia é do nosso grande amigo Bruno Espadana, que nos acompanha desde o início do nosso percurso. É um fotógrafo absolutamente divino.  Podem descobrir o trabalho dele no site: http://www.brunoespadana.com/

 

Estou viciado no tema People I Wish For, por sinal, single do disco. E o banda, tem um tema preferido ou que dê mais gozo tocar em Donkey?

Cada um de nós tem o seu. Para mim (Petra) é o Señorita Carolina, para o Luís F. é o Donkey, para o Luís O. é o (We're) Evil Bound e para o Pedro, diz ele, tal é o nível de prazer que tem a tocá-los todos que não consegue escolher um tema favorito.

 

O que vos move é apenas estes blues cruzados com a folk norte-americana, o jazz ou a música country, ou gostariam no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Nobody’s Bizness?

Nem nós sabemos ainda! Como dizia acima, vamos até onde as canções nos permitirem, nunca se sabe se o próximo disco não será um disco de mornas ou de punk rock!

 

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

Não é necessariamente uma opção consciente. As letras surgem e não penso muito nisso. Se eventualmente surgirem em português, em espanhol ou em francês, abraço-as com o mesmo prazer.

 

Têm andado em digressão a promover o álbum. Como tem corrido?

Ainda não andamos, temos o concerto de lançamento no Teatro da Trindade em Lisboa a 2 de Março e mais uma ou outra coisa na calha que iremos anunciando na página do inevitável facebook.

 

Apenas em jeito de curiosidade e para terminar… Quais são as três bandas ou projetos atuais que mais admiram?

Penso que falo por todos quando menciono Old Jerusalem, DD Peartree e o JP Simões. Não são só amigos, são músicos com trabalhos extraordinários.

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publicado por stipe07 às 18:07

Clouder - Lost In Reverie and Phantom Girl

Segunda-feira, 17.02.14

Liderados por Eric Gilstrap, os Clouder preparam-se para editar Syster Raygun, o trabalho de estreia desta banda de Brooklyn, Nova Iorque e que irá ver a luz dia a quatro de março, em formato digital e cassete, através da Fleeting Youth Records.

Lost In Reverie e Phantom Girl são dois avanços já divulgados de Syster Raygun, duas canções disponibilizadas gratuitamente e que demonstram a capacidade dos Clouder em reproduzir um rock de garagem, genuíno e visceral, melodicamente muito assertivo, como todos os ingredientes para ampliar ainda mais a notoriedade de uma banda que, pelos vistos, já se destaca no meio local pela atuações ao vivo.

Syster Raygun pode ser encomendado através do Bandcamp dos Clouder. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 17:16

The High Wire - Still

Segunda-feira, 17.02.14

Os britânicos The High Wire acabam de divulgar um novo single. Disponibilizada para download gratuíto, a canção chama-se Still e causou-me impacto pela aproximação melódica aos Beach Boys e pelo muro de sintetizadores, pianos e percurssão que fará feliz os admiradores mais nostálgicos da fase The Soft Bulletin de uns tipos de Oklahoma, liderados por Wayne Coyne. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:02






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