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Armada - Clássico (com Entrevista)

Segunda-feira, 16.12.13

David Ferreira (guitarra elétrica, guitarra acústica e coros), David Pires (bateria, percussões e coros), Pedro da Rosa (voz, guitarra elétrica, teclas e trompete), João Miguel Matos (voz e baixo elétrico) e Ricardo Amaral (guitarra elétrica, guitarra slide e coros), são o núcleo duro que começou a gravar Clássico, o EP de estreia dos Armada, um conjunto de cinco canções editadas no passado dia vinte e cinco de novembro e que catapultam mais um novo grupo para a linha da frente do indie rock português, num ano fértil em novos projetos que prometem imenso. Estas cinco canções são uma espécie de preparação de terreno para a produção de um longa duração que verá a luz do dia já no próximo ano, conforme a banda confidenciou numa entrevista que me concedeu, transcrita abaixo.

Logo a abrir, Maria Guilhotina é a música que apresenta a sonoridade típica de um grupo que canta em português e que, dos Rolling Stones, aos Beatles, passando pelos Smiths, apostam num indie rock clássico, luminoso e vibrante, com travos de folk, mas que também não dispensa uma sonoridade urbana e clássica. É uma espécie de rock n'roll suave e ligeiro, bem disposto e divertido, que aposta em refrões orelhudos, simples mas eficazes. Os detalhes melódicos são feitos com uma guitarra que nunca se perde. Depois,  Seguimos com Afinal e Má Rês, dois temas que não defraudam o espírito e a sonoridade do tema de abertura e depois Bandidos do Cais abana os espíritos mais incautos e desprevenidos e impressiona pela letra incisiva.

O final, com Sinceramente, atrai de novo a simplicidade com que as guitarras e os instrumentos de percussão parecem ganhar vida e uma personalidade muito própria nas mãos deste grupo de músicos que esbanjam criatividade e que têm no rock n'roll o veículo de eleição para conseguirem ser maiores e irem o mais longe possível. Como poderás perceber na entrevista abaixo, vontade e sonhos não lhes faltam! E quando a isso se alia uma incontestável competência, parece-me que o destino terá pouco a fazer para contrariar o futuro risonho que certamente está à espera dos Armada.

Termino realçando a importância da componente visual para os Armada que decidiram apresentar um vídeo para cada uma das cinco canções do EP e que pretendem, de algum modo, representar o que a Armada foi nestes últimos quatro anos, o resultado de uma série de mutações desde a banda punk sem aspirações de grandeza até à banda rock n’roll que não quer parar de crescer. Espero que aprecies a sugestão... 

Maria Guilhotina

Afinal

Má Rês

Bandidos do Cais

Sinceramente

Os Armada começaram a carreira em 2009, por Lisboa, onde, de acordo com a vossa biografia, iam apresentado esporadicamente o vosso repertório. Como foram esses primeiros tempos? E já agora, que repertório era esse? Apenas originais ou também tocavam algumas covers?

Os primeiros tempos foram bastante divertidos e inconsequentes. Tocávamos em qualquer lado sem pensar sequer em receber um tostão! Éramos uma banda claramente punk, quer na atitude quer na sonoridade, o que chocou algumas pessoas que conheciam o Pedro dos Golpes e o David dos Pontos Negros, e que talvez esperariam uma sonoridade parecida a essas bandas. Tal como acontece hoje, produzia-se muito, talvez não com o cuidado com que se escreve hoje, mas sempre muito genuinamente e com muita urgência. Tocávamos apenas uma cover, que ainda tocamos hoje em dia e que é a Codinome Dinamite da banda brasileira Garotas Suecas. Fazemo-lo porque é uma canção cheia de groove que tivemos a oportunidade de gravar para o Projecto Visto.

 

É impressão minha ou há também uma grande componente cinéfila nos Armada? Digo isto porque já consta do vosso historial a curta metragem A Armada – Nos Bastidores da Verdade e o vídeo de Bandidos no Cais assumiu o desafio de usar imagens dos fãs captadas em concertos vossos e tratadas posteriormente.

A banda é e sempre foi vista como uma oportunidade de fazermos arte e de nos divertirmos pelo caminho. O que nos juntou foi a música, mas gostamos muito de produzir filmes, telediscos, sessões fotográficas e concertos. Em 2011 tivemos a ideia de escrever uma curta-metragem de ficção onde nos transformávamos em heróis caídos do hard rock da década de 70. Como muito pouca gente nos conhecia, chegou a acontecer recusarem-nos concertos porque pensavam que nos vestíamos com aquelas perucas e spandex. Quando estávamos a preparar o EP Clássico tivemos a ideia de fazer cinco telediscos para as cinco canções. Primeiro saiu a Sinceramente e depois a Bandidos do Cais, que foi gravada num concerto esgotado no Cais do Sodré. Na véspera ficámos sem realizador e desafiámos o Ricardo Oliveira para vir filmar. Como não queríamos arriscar ter pouco material, tendo em conta que tinha sido tudo combinado de véspera, pedimos às pessoas para filmarem com os telemóveis. O público aderiu em peso, o Ricardo montou tudo e gostámos muito do resultado final. Saiu recentemente o o teledisco para a canção Afinal, e sairá num futuro próximo o teledisco para a canção Má Rês, filmada no festival Vodafone Mexefest. Nada disto seria possível sem a ajuda do Telmo Vicente e do Ricardo Oliveira que são dois realizadores muito talentosos e que nos têm acompanhado e ajudado.

 

O processo de escolha de um novo guitarrista, no verão de 2012, foi algo peculiar. Podem falar um pouco disso?

Nesse verão o nosso antigo guitarrista Zé Pedro Baptista disse-nos que tinha entrado num mestrado em Londres e encorajou-nos a continuar. Como tínhamos um concerto na Festa do Avante em Setembro, fizemos audições para um novo guitarrista. Convidámos o Ricardo Amaral e o David Ferreira para fazerem um ensaio connosco. O Ricardo tocou na primeira hora e o David na segunda. Ficámos muito baralhados porque eles trouxeram abordagens à música muito diferentes e muito boas. A decisão foi clara para todos e convidámos os dois, mas não avisámos a cada um que o outro também ficaria. No ensaio seguinte eles cruzam-se e muito espantados perguntam “Se ainda estávamos em audições”. Daí foi começar a encontrar um equilíbrio entre as guitarras, uma vez que são três a marcar o ritmo e três a solar. Hoje percebemos que foi a melhor escolha possível.

 

Em relação à música, sou um grande apreciador do vosso estilo, deste indie rock clássico, luminoso e vibrante, com travos de folk, mas que também não dispensa uma sonoridade urbana e clássica. É este o género de música que mais apreciam?

A Armada teve três formações: A original que tinha quatro elementos, a que gravou este disco e a actual. Cada vez que houve uma alteração na banda, houve inevitavelmente mudanças na sonoridade, uma vez que funcionamos de maneira muito orgânica com as influências que cada um traz consigo. As canções normalmente começam na sala de ensaios com a confusão de todos a darem bocados de si para a canção. Fala-se do que se quer transmitir e começa-se a escrever. Muitas vezes tocamos as músicas ao vivo neste estado, para que possamos perceber se aquilo que queremos dizer é bem transmitido ao público. Depois vamos para o estúdio de produção e começamos a polir os arranjos e a caprichar nas letras. Só então é que reparamos em que “gaveta” é que podemos arrumar a música que fazemos. Estas cinco canções do Clássico soam a Rock Clássico e portanto foi fácil catalogá-las e baptizar o disco. O próximo disco já soará diferente, uma vez que saiu o David Pires e entrou o Nuno Canina. Quanto aos géneros de música que mais apreciamos, todos nós gostamos de música que seja bem-feita, ou que soe a verdade, em qualquer género.

 

Quais são as vossas expectativas para Clássico? Querem que este trabalho vos leve até onde?

Não criamos expectativas para nada. Como temos tanta coisa que queremos fazer, estamos sempre com a cabeça e o coração ocupados com o que iremos fazer a seguir. Sabemos bem onde queremos chegar e sabemos que isso acontecerá, não devido a um golpe de sorte ou a favores, mas devido a muito trabalho e persistência. Sabemos que isso irá acontecer pela simples razão de que não vamos parar.

 

Penso que a vossa sonoridade poderia ser bem sucedida nos países que abrem os braços ao chamado indie rock anglo-saxónico. Os Armada estão, de algum modo, a pensar numa internacionalização, ou é apenas Portugal importante para o futuro da vossa carreira?

Obrigado por pensares assim! O importante para nós é que aquilo que fizermos e a mensagem que cantarmos e tocarmos nas nossas músicas chegue às pessoas. Não nos importa onde ou de onde são essas pessoas. Gostaríamos muito de tocar fora do país, seja ao vivo, sejam as nossas canções, mas primeiro temos que conquistar o nosso bairro, depois a nossa cidade e depois o resto do país.

 

Adorei Sinceramente, uma espécie de Bohemian Rapsody dos Armada; E a banda, tem um tema preferido em Clássico?

As opiniões dividem-se justamente porque há canções que remetem imediatamente para determinado tipo de rock n’roll. Curiosamente a Sinceramente não é a preferida de nenhum de nós, mas somos suspeitos. A Maria Guilhotina é talvez a escolha mais consensual entre nós para a favorita do disco. É também a que mais gozo dá tocar ao vivo.

 

Não sou um purista e acho que há imensos projectos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem também em inglês. Há alguma razão especial para cantarem apenas em português e a opção será para se manter?

Cantamos em Português porque é a língua mais natural para nós escrevermos. Nunca foi assunto que estivesse sujeito a debate porque foi uma escolha unânime. Temos a ideia maluca de reeditar este disco e os próximos noutras línguas, com letras adaptadas para editarmos noutros países. Seria um exercício que nos daria muito gozo fazer, embora não esteja no topo das prioridades. E talvez não seja uma ideia tão maluca assim porque os Beatles fizeram-no e não correu mal :)

 

O que vos move é apenas o rock ou gostariam no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Armada?

Não há propriamente um esforço estilístico para que soemos a Rock n’Roll. Este Ep saiu assim naturalmente. Com a entrada do Nuno Canina, começámos a escrever novas canções com mais viagens e mais experiências. Isto não invalida continuarmos a escrever canções com os riffs e refrãos de que nós gostamos muito. Para o próximo disco, a editar em 2014, escrevemos um disco com um conceito diferente, que conta uma história do princípio ao fim e que esperamos que consiga embalar quem o ouve na história que queremos contar.

 

Como vai decorrer a promoção de Clássico? Onde poderemos ver os Armada a tocar num futuro próximo?

A promoção do Clássico já começou com a edição de três telediscos. Faltam lançar os dois últimos que fecharam o ciclo “cinco canções, cinco telediscos”, ou seja, quisemos fazer singles de todas as canções.

Quanto a concertos, tocámos no Vodafone Mexefest um total de oito concertos. O palco foi o autocarro e divertimo-nos muito ao mesmo tempo que percebemos que conquistámos muitas pessoas. Na semana seguinte fizemos a festa de lançamento no Sabotage Club e oferecemos o disco a quem foi. Estava muita gente e estava uma onda muito descontraída e solta, com muita gente a cantar e a dançar. Foi perfeito.

Agora estamos a fechar algumas datas e a preparar tudo para entrar em estúdio já em Janeiro e gravar o nosso primeiro LP.

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publicado por stipe07 às 21:02






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