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Arcade Fire - Reflektor

Quinta-feira, 07.11.13

Editado pela Merge Records no passado dia vinte e nove de outubro, Reflektor é o quarto álbum dos canadianos Arcade Fire, um trabalho que resultou de um aturado processo de gravações, que levou a banda até à Jamaica em 2012. Na altura o Haiti era a primeira opção mas, devido ao terramoto, não havia estúdios no país que pudessem servir de porto de abrigo aos Arcade Fire. Na Jamaica a banda arrendou uma espécie de castelo, construido nods final da década de setenta por uma alemã excêntrica e aí esculpiu um dos melhores discos editados em 2013.


Reflektor contou com a produção de Markus Dravs, que também já produziu Neon Bible e Suburbs e com James Murphy, o dono da DFA e líder dos extintos LCD Soundsystem, talvez, a par destes Arcade Fire, a banda mais influente da primeira década deste século. O ilídio entre Murphy e os Arcade Fire é antigo, com Butler e Murphy a já terem trocado publicamente alguns piropos, além de nunca terem escondido uma forte admiração mútua.

Partindo para a minha humilde análise do conteúdo do álbum, convém antes de mais dizer que Reflektor são dois discos totalmente distintos no mesmo trabalho e o cunho de Murphy nota-se mais na primeira noite do disco e os ambientes sonoros de Dravs na segunda noite.

Reflektor é um trabalho mais acessível e direto que os antecessores, mas consegue também manter o habitual encanto algo misterioso e místico que sempre marcou os discos desta banda canadiana. Desta vez os Arcade Fire estão longe de funerais, da poesia barroca e de histórias de subúrbios, para se definirem pela vontade de fazer algo diferente e pôr-nos a dançar. Mas essa mudança de ambiente sonoro não alterou a tonalidade da escrita de Butler e Chassagne; Se nos identificarmos com o conteúdo deste disco, obrigatoriamente dançamos, mas estamos sempre naquele limbo onde, há mínima escorregadela, podemos cair para um lado mais obscuro e depressivo. 

As novas canções dos Arcade Fire ficaram mais longas e também ganharam em beats, com o formato eminemtemente pop a ser definitivamente relegado para segundo plano e com a banda a ter uma nova aúrea, completamente remodelada. Reflektor é uma espécie de catálogo da história do rock nos últimos trinta anos, já que visita a obra de gigantes como os Talking Heads, David Bowie, U2 e demais veteranos do mesmo cenário, mas através de um mosaico declarado de referências que vão da cultura grega ao colorido neon dos anos oitenta, especialmente em We Exist (Será que sou só eu que ouço a linha de baixo de Billie Jean, de Michael Jackson nesta canção?). No entanto, o toque de distinção é dado pela percussão, já que este disco tem mais bateria e espaço para improvisar, certamente por influência de James Murphy, ele também um baterista de eleição. Já agora, rezam as crónicas que durante a gravação de Reflektor, nas pausas, Murphy mantinha longas conversas com Jeremy Gara, o baterista da banda. O próprio Butler revelou que Murphy foi preponderante na questão do ritmo que marca Reflektor.

Em todas as canções de Reflektor há um groove e uma ligeireza que pouco têm a ver com o a sociedade cosmopolita ocidental. O single homónimo talvez seja uma exceção a esta permissa já que, além de ser um dos temas mais potentes e viscerais que o grupo já produziu, conta com a paticipação de David Bowie um esplendoroso britânico que também está muito presente no rock de arena de Normal Person. As canções que mais se destacam nesta aproximação evidente a ambientes mais nativos são, na minha opinião, o tratado de world music chamado Flashbull Eyes e The Night Time, com a primeira a ir beber aos ares do caribe e a segunda a destacar-se pela fantásticas percussão e pelos ritmos africanos.

A segunda metade do disco é a sequência musical mais arriscada da carreira dos Arcade Fire, já que não encontra quase paralelo nos trabalhos anteriores, excepto no tal ambiente quae religioso que a escrita das canções cria. Heres Comes The Night Time II acalma de imediato as hostes, Porno seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso, mas sem ser necessário colocar a bola vermelha e Supersymmetry é o reflexo de Reflektor; Tal como o disco onde surge alinhada, a canção divide-se num período introspetivo e depois resvala para um final épico e pleno de exaltação. A anterior Afterlife, o meu tema preferido do álbum, é uma composição que vai dos cultos de vodu às pistas de dança  num transe melódico explícito, sendo, por isso, o tema que faz melhor a ponte entre os dois tomos, já que também se serve de uma percussão típica de climas tropicais. No fundo, as séries de ritmos afro-caribenhos são mais evidentes na primeira noite do disco e na segunda são mais implícitos, mas o espírito das antilhas prevalece também nesse tomo

Reflektor é um disco altamente preciso e controlado, pensado ao mínimo detalhe e que vai ao encontro das enormes expetativas que sobre ele recaiam, ainda por cima num ano em que a concorrência mais direta lançou discos, alguns deles com uma elevada bitola qualitativa. É um salto qualitativo em frente na carreira dos Arcade Fire por ter colocado um enorme ponto de interrogação nos fãs e apreciadores da banda relativamente ao futuro sonoro do grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Arcade Fire - Reflektor

CD 1
00. Hidden Track
01. Reflektor
02. We Exist
03. Flashbulb Eyes
04. Here Comes The Night Time
05. Normal Person
06. You Already Know
07. Joan Of Arc

CD 2
01. Here Comes The Night Time II
02. Awful Sound (Oh Eurydice)
03. It’s Never Over (Oh Orpheus)
04. Porno
05. Afterlife
06. Supersymmetry

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publicado por stipe07 às 21:50

The Deltahorse feat TJ Eckleberg - Hey Yuri

Quinta-feira, 07.11.13

The Deltahorse

Os The Deltahorse são uma multinacional do indie rock, já que são formados por TJ Eckleberg, um cantor e compositor natural de Sidney, na Austrália, ao qual se juntaram o berlinense Sash e Dana Colley, uma saxofonista de Boston, nos Estados Unidos, que chegou a tocar esse instrumento com os Morphine.

A sonoridade dos Deltahorse assenta, por isso, num baixo vibrante, numa guitarra luminosa e num saxofone cheio de groove, tudo muito bem temperado com a voz peculiar de TJ. Eles próprios afirmam que a sua música inspira-se naqueles ambientes de final de noite de um bar, onde quem resta lá dentro é o dono, o barman e aqueles clientes que não têm mais para onde ir.

Hey Yuri é o primeiro single retirado de The Deltahorse EP, o trabalho de estreia destes The Deltahorse e que será editado já a dezanove de novembro. A canção assenta numa linha de baixo bem acompanhada pela voz de TJ, com os arranjos do saxofone de Colley a criarem um ambiente sombrio e sensual, muito à imagem do tipo de atmosfera que o grupo pretende criar.

Assim, algures entre Bowie, Beck e os Morphine, Hey Yuri é uma canção que apresenta ao universo musical indie mais um projeto que prima pelo detalhe e pelo bom gosto e que merece, no mínimo, uma audição atenta. O tema foi disponibilizado para download gratuito. Confere...

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publicado por stipe07 às 20:49

No Coda - Numbers

Quinta-feira, 07.11.13

no coda

Os No Coda são uma banda formada por cinco amigos, natural de Gävle, perto de Sandviken, na Suécia e representada pela etiqueta Nomethod Records. São amigos de infância dos Simian Ghost and YAST, esta última uma banda que já passou por cá. Os No Coda preparam-se para lançar um disco chamado The Entire Cast e Numbers é o mais recente single extraído desse novo trabalho.

Os No Coda chamaram-me a atenção porque são grandes adeptos da pop lo fi dos anos oitenta. Esta canção que acabam de divulgar tem uma forte carga hipnótica, verdadeiramente aditiva e visceral, que replica com enorme intensidade algumas das grandes propostas musicais desse período e que marcaram definitivamente a história do indie rock alternativo. Com uma melodia etérea e com o reverb das guitarras no maximo, Numbers é um dos melhores temas do género que ouvi em 2013. Irei ficar certamente atento ao lançamento do disco.

Além de Numbers, os No Coda também disponibilizaram gratuitamente Holy War no seu soundcloud. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:32






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