Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

Mazzy Star - Seasons of Your Day

Em 2011, os Mazzy Star, uma banda icónica no universo dadream pop surpreenderam o grande público com Common Burn e Lay Myself Down, duas novas canções depois de um longo hiato, com mais de uma década. Logo aí especulou-se que poderia vir um novo álbum a caminho, o que acabou por se confirmar já no passado mês de setembro. Seasons Of Your Day é o novo trabalho discográfico dos Mazzy Star, inclui essas duas canções no seu alinhamento e sucede a Among My Swan, um álbum editado há quase dezassete anos. A gravação de Seasons Of Your Day contou com o alinhamento original deste projeto e com as participações especiais de Hope Sandoval na escrita e produção, um habitual colaborador dos Massive Attack e também com David Roback, Bert Jansch e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. O disco foi gravado na Noruega e na Califórnia e viu a luz do dia por intermédio da Rhymes Of An Hour Records.


No início dos ano noventa, a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e, nessa época, os Mazzy Star tornaram-se num projeto que todas as editoras queriam ter no seu cardápio. She Hangs Brightly (1990) e So Tonight That I Might See (1993) cimentaram a posição dos Mazzy Star no universo mainstream, mas sem fazer deles um fenómeno à escala global, uma espécie de segredo mal guardado, mas que não deixava de ser um segredo e que cimentou muito do que hoje se escuta no campo da dream pop. O próprio fenómeno trip hop, que começava à época a dar cartas, por intermédio, principalmente, dos Massive Attack, foi mais uma distração que o grande público e os media tiveram e que os Mazzy Star aproveitaram, um pouco à imagem do que fariam uns Portishead anos depois, para criarem o seu nicho devoto de seguidores e conseguirem manter a sua identidade musical intacta sem terem de ceder e de se sujeitar às orientações da editora e às regras do mercado.

Esta integridade foi sempre uma imagem de marca dos Mazzy Star e a dream pop ganhou imenso com isso, já que a dupla pode trabalhar essa sobnoridade quase até à perfeição, com o suposto epílogo a suceder em 1996, com o excelente Among My Swan. Mas dezassete anos depois, Sandoval e Roback voltam a encontrar-se, não só para evocar a nostalgia de outros tempos com uma disco sequencial e que consolida a tal integridade, mas possivelmente para criar, com este Seasons Of Your Day, a melhor obra da discografia dos Mazzy Star.

Portanto, em 2013 os Mazzy Star voltam a apostar em letras carregadas de nostalgia e melancolia e em detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levam numa viagem algo sombria pelo mundo tímido, cuja estética sonora nomes hoje tão influentes da dream pop, como os Beach House ou Lotus Plaza, têm procurado recriar.

Seasons Of Your Day requer tempo, mas é um disco acessivel e que não defrauda minimamente os verdadeiros apreciadores da dream pop letárgica e melancólica. Da leveza que se instala em In The Kingdom, na abertura do disco, ao florescer melancólico que passeia por Does Someone Have Your Baby Now e Common Burn, dois temas que caberiam muito bem nos registos dos Mazzy Star da década de noventa, escuta-se uma obra eminentemente acústica, com um resultado final compacto, nos arranjos, nas vozes e no som, sendo tudo feito essencialmente com acordes timidos de cordas e sinteitzadores cheios de charme, conforme é apanágio da habitual estética sonora deste casal único no universo sonoro alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Mazzy Star - Seasons Of Your Day

01. In The Kingdom
02. California
03. I’ve Gotta Stop
04. Does Someone Have Your Baby Now
05. Common Burn
06. Seasons Of Your Day
07. Flying Low
08. Sparrow
09. Spoon
10. Lay Myself Down


autor stipe07 às 21:42
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Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013

Tame Impala - Elephant (The Flaming Lips version)

Os The Flaming Lips e os Tame Impala continuam a tocar e a gravar juntos. Depois da banda australiana ter participado em Heady Fwends, disco de colaborações que os The Flaming Lips editaram em 2012, andam atualmente em digressão conjunta e dão esta noite, em Los Angeles, o primeiros de três concertos previstos para a costa oeste dos Estados Unidos, nos próximos dias. Entretanto também têm estado em estúdio a gravar um EP conjunto, que será editado muito em breve. Esse trabalho será uma coleção de covers de uma banda a tocar temas da outra. Para já confere a fantástica versão de Elephant, um original, como todos sabemos, dos Tame Impala, by The Flaming Lips.


autor stipe07 às 23:37
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Cosmo - Cosmo EP

Lançado no passado dia vinte e cinco de setembro, Cosmo é o EP homónimo de estreia do projeto a solo de Felix White com o mesmo nome, guitarrista dos The Maccabees. Este EP conta com algumas participações especiais, nomeadamente Florence Welch, Hugo White, irmão de Felix, Adam Day dos Lyrebirds, Jassie Ware e Jack Peñate! O EP foi gravado no estúdio dos Maccabees no sul de Londres e os videos das canções podem ser vistos no site do projeto.

O EP tem sete canções, com especial destaque para Midnight, a canção que conta com Florence Welsh na voz, um tema algo confuso ao início mas que depois evolui em múltiplas sobreposições de sons e arranjos variados. A música é, no mínimo, diferente das habituais propostas indie rock britânicas. Mas Yalla também merece uma audição atenta, um tema que teve direito a um excelente video. A propósito da conceção deste EP, de como ele surgiu e da forma como todo o processo de desenrolou, declarou Felix ao NME:

I sent some stuff to Jack as he was interested in hearing it, and then he phoned me on the bus and said 'I think I have got a song for one of them', came round and it just happened in half an hour. That’s when it started becoming… music, rather than just random bits. Just after that happened, we went on tour with Florence. I had 'Yalla' and we were all hanging out and she said 'Oh, I like that one, I've got a song for that as well'. All the music was finished and then the vocals were done after with the people who wrote them. I co-wrote some of them, but it ended up being a total collaboration.
Espero que aprecies a sugestão...

Cosmo - Cosmo

01. Neon Citied Sea
02. Yalla
03. Interlude
04. Swarm
05. Midnight
06. Measurement Of Moving On
07. Neon Citied Sea (Outro)


autor stipe07 às 22:44
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Terça-feira, 29 de Outubro de 2013

Islands - Sky Mask

Canadiano e antigo membro dos Unicorns, Nicholas Thorburn é o grande mentor do projeto norte americano Islands e tem disco novo! O quinto trabalho do grupo chama-se Sky Mask e acaba de ver a luz do dia por intermédio da Manqué, a editora do próprio Nicholas. Sky Mask sucede ao ainda recente A Sleep & A Forgetting, disco que divulguei em 2012. Além de Nicholas, neste momentos os Islands são formados por Luc Laurent, Evan e Geordie Gordon.


Cada álbum novo dos Islands costuma representar uma mudança sonora em relação aos discos anteriores, mas este Sky Mask interrompe um pouco essa tendência já que o disco dá sequência a A Sleep & A Forgetting, mantendo, de algum modo, uma sonoridade simples, arcaica e acústica, mas com belíssimas músicas, bem trabalhadas e arranjadas.

Assim, Sky Mask começa logo com Wave Forms, um tema que todos temos escutado por aí num spot comercial e que apresenta com notável exatidão os cerca de quarenta minutos seguintes, assentes em belíssimas paisagens instrumentais que tanto abraçam momentos calmos como outros mais agitados, mas sempre adornados com uma manta de retalhos feita com vozes e sons que não obedecem a um conceito linear. O único aspeto realmente transversal às onze canções do disco é a límpidez da produção e o gosto pelo detalhe. Mesmo nos momentos mais sombrios, como em Death Drive, implicitamente não deixa de haver uma certa luminosidade e cor, presente não só na melancolia da letra, mas também na subtileza dos arranjos, muitos deles feitos com o piano, instrumentos de sopro e metais.

Cheio de temas imbuídos de uma forte componente orquestral, onde os sintetizadores também assumem um importante papel, nomeadamente na já citada Death Drive e em Of Corpse, Sky Mask também assume a tal heterogeneidade quando vai beber à indie folk. We’ll Do It So You Don’t Have To e Sad Middle são duas canções que devem ser descritas tendo como ponto de partida uma alta bitola qualitativa, no que respeita ao primor com que são interpretadas e à atmosfera leve e doce que ambas criam, como é apanágio de uma boa canção folk, independentemente da contemporaneidade da mesma.

Mais um excelente trabalho que vai enriquecer imenso o cardápio sonoro dos IslandsSki Mask é exemplar na forma como chama a nossa atenção com canções que pintam um mundo ponderado, com um pano de fundo sonoro algo melancólico, mas também cheio de alegria e cor. Espero que aprecies a sugestão...

Islands - Ski Mask

01. Wave Forms
02. Death Drive
03. Becoming the Gunship
04. Nil
05. Sad Middle
06. Hushed Tones
07. Here Here
08. Shotgun Vision
09. Of Corpse
10. We’ll Do It So You Don’t Have To
11. Winged Beat Drums


autor stipe07 às 21:56
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The New Schwansteins - Premorse


No início deste ano dei a conhecer Mondegreen um álbum dos Plumerai, uma banda formada por formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras), James Newman (baixo) e Mickey Vershbow (bateria). Depois de Martin ter tido a amabilidade de me enviar um exemplar físico do disco fomos mantendo contacto e agora ele deu-e a conhecer os The New Schwansteins, um outro projeto em que ele participa juntamente com Suzanna Conrad, a primeira vocalista dos Plumerai. A primeira canção deste novo projeto também conta com a participação especial de Mickey Vershbow na bateria.

Lançado no passado dia treze de setembro, Premorse é então o primeiro single dos The New Schwansteins, um tema disponível para download, pelo preço que quiseres, no Bandcamp do projeto. Os Plumerai estão, neste momento, a trabalhar num novo registo de originais. Confere...

 


autor stipe07 às 13:08
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Segunda-feira, 28 de Outubro de 2013

Hellsongs - These Are Evil Times

Lançado pela Tapete Records no passado dia trinta de agosto, These Are Evil Times é o novo disco dos suecos Hellsongs, um grupo que passou por um período bastante conturbado quando, recentemente, precisou de um novo vocalista, mas que conseguiu voltar a encontrar uma nova voz e um novo rumo. Agora, com este novo disco, os Hellsongs tornam-se novamente numa referência do universo musical de Gotemburgo, a cidade natal de um grupo que também se divide por Hamburgo, na Alemanha.

Com My Engström Renman a tomar conta da voz, acompanhado por David Bäck e Finn Björnulfson, os Hellsongs perceberam que tinham de avançar definitivamente para este disco quando, depois de um concerto em Gotemburgo no lendário evento Sommarmelad Fiesta, perceberam que as peças estavam novamente encaixadas e também quando se proporcionou uma extensa digressão, na primavera e verão de 2011.

Foi muito feliz o momento em que o produtor Kalle Karlsson desafiou My, funcionária de um jardim de infância de Gotemburgo, a cantar para os Hellsongs, já que a sua voz é um dos principais atributos deste novo disco do grupo sueco e um verdadeiro upgrade para o grupo. Tal como o nome indica, These Are Evil Times é uma espécie de redenção, a porta de entrada para um novo mundo, mais alegre, otimista e feliz do que aquele em que os Hellsnogs viveram em determinado períodocomplicado e sombrio da sua existência. É um disco assente numa pop luminosa e cheia de deliciosos arranjos, com os singles Iron Man e Equality a liderar um alinhamento feito com dez canções, produzidas com impecável limpidez e um apreciável bom gosto.

Além dessas duas canções, que já tiveram direito a videos promocionais, destaco também a toada jazzística de A Silence So Loud e o piano que se escuta em Eyemaster e, no final do disco, em Music Took My Life.

Os suecos Hellsongs são o exemplo claro de uma banda que soube contornar adversidades e seguir em frente quando isso parecia imposível e, tendo em conta este These Are Evil Times, um coletivo que nos deixa sem adjetivos suficientemente claros para que possamos definir com exatidão a sua enorme qualidade sonora. Espero que aprecies a sugestão... 

These Are Evil Times

Iron Man

A Silence So Loud

Engel

Cold

Animal Army

Eyemaster

Equality

Oh, Rosseau!

Stand Up And Shout

Music Took My Life


autor stipe07 às 16:13
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LUVV - Us


Os LUVV são Matt, Ben, Sam e Rich, uma nova banda de Cardiff, no País de Gales e que começa a ser notada no universo sonoro alternativo. De acordo com a própria banda que respondeu simpaticamente ao meu pedido de informações, dizem-se influenciados por nomes tão importantes como os Public Image Ltd, Joy Division, Wire, The Clash e Blitz, ou seja, por alguns dos projetos fundamentais do punk e do indie rock britânico dos últimos trinta anos.

Us é o mais recente tema divulgado pelos LUVV, uma canção gravada há cerca de dois meses e que assenta em guitarras cheias de distorção, uma percurssão rápida, um baixo bem vincado e uma voz carregada de pujança e rebeldia.
Ben, o lídero dos LUUV, informou-me igualmente que têm escrito mais algumas canções nos últimos seis meses e que em 2014 pretendem gravar algumas demos e editar uma cassete, além de irem tentar dar o maior número possível de concertos. Por cá, manter-me-ei muito atento a este projeto. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 12:59
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Domingo, 27 de Outubro de 2013

Carnivores - Pillow Talk (ft. Bradford Cox)

Carnivores Pillow Talk Cover

Bradford Cox é um músico bastante ativo e um dos mais inventivos do cenário alternativo. Quando não está a gravar com os Deerhunter ou os Atlas Sound, é bem possível que seja protagonista, através da sua participação, instrumental ou vocal,em outros projetos.

Hoje partilho a participação de Cox em Pillow Talk, uma canção dos Carnivores, uma banda de Atlanta. O resultado final foi gravado no passado dia seis de março durante as sessões de gravação de Second Impulse, o último álbum dos Carnivores. Pillow Talk é uma canção com o habitual charme lo fi, que Cox tanto aprecia e foi disponibilizada gratuitamente. Confere...



autor stipe07 às 19:07
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Sugiro... XXXVIII


autor stipe07 às 19:01
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Sábado, 26 de Outubro de 2013

Massive Attack vs Burial – Four Walls / Paradise Circus

Quando uma instituição da música eletrónica como os Massive Attack se junta a um artista em ascensão contínua como Will Bevan, aka Burial, só pode acontecer algo de mágico e significativo. Sem aviso prévio, estes dois nomes importantes colaboraram entre si e daí resultou um single com edição limitada e que, por isso, esgotou rapidamente. Falo de Four walls/Paradise circus, um vinil de doze polegadas, lançado via Vinyl Factory e Inhale Gold, que contém dois temas com o mesmo nome, uma em cada lado do mesmo.

O lado A, com Four Walls, resulta de um efetivo trabalho conjunto entre os Massive Attack e Burial; É um tema longo, mas que não satura, feito com doze minutos de um excelente trip hop, com a presença de Burial a conferir contornos algo sombrios e sinistros, feitos com camadas de efeitos sintéticos em cima de batidas lentas e esporádicas.

Paradise Circus é uma remistura de Burial para um dos destaques de Heligoland, o último disco dos Massive Attack e um dos melhores da carreira do grupo. Tanto uma canção com a outra escutam-se muito bem, principalmente com headphones, são extraordinárias para momentos de puro relaxamento e permitem-nos embarcar numa viagem profunda ao universo musical típico do trip hop e do cardápio sonoro, quer de Burial, quer dos Massive Attack. Espero que aprecies a sugestão... 

Massive Attack vs Burial - Four Walls - Paradise Circus

01. Four Walls
02. Paradise Circus


autor stipe07 às 10:24
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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013

Shark? - Savior

Citado em curtas... CXXVI e editado a um de outubro via Old Flame Records, Savior é o novo disco dos Shark?, um coletivo de Nova Iorque que tem no punk e no rock de garagem feito com guitarras cheias de distorção, mas melodicamente muito ricas, as suas traves mestras. Algures naquele indie rock alternativo que os R.E.M. inauguraram na década de oitenta e que se potenciou em distorção na década seguinte com os Pixiers, Sonic Youth e Nirvana e que agora é revivido com enorme sucesso por nomes tão fundamentais como os Yuck ou os Parquet Courts, os Shark? fazem uma excelente simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.


Savior começa bem, com as barulhentas Savior e California Grrls, mostrando as influências desse som rasgado, que sabe bem relembrar e que parece arder nos ouvidos! Depois deste início arrebatador, I Know You Love Me Now suaviza um pouco o ambiente, limpa os tímpanos e adocica o clima. Mas em Fingers e Is This Living os Shark? aceleram novamente e pegam no grunge com elevada mestria e até com uma forte componente experimental, bem audível em Gothic Lagoon, uma cação cheia de quebras de ritmo, com uma voz bastante repetitica e sintetizada, o que cria um elevado efeito hipnótico e que termina com uma fantástica distorção. Savior termina, logo de seguida, com um simples dedilhar de uma guitarra (Wither) e, antes do último tema, com um longuíssimo devaneio indie rock chamado A Ok.

Em suma, estamos na presença de um daqueles álbuns que usam artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu os períodos temporais que o inspiraram. Savior incorpora uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Em pouco mais de meia hora ouvimos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É, pois, um disco rápido, concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, nomeadamente da já citada California Grrls, um dos singles já retirados de Savior e talvez o maior destaque comercial deste trabalho.

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Savior usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos Shark? em não produzirem algo demsaiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

Shark? - Savior cover art

01 “Savior”
02 “California Grrls”
03 “I Know You Love Me Now”
04 “Fingers”
05 “This Is Living”
06 “Tesla”
07 “Gothic Lagoon”
08 “Wither”
09 “AOK”
10 “Fvck Around”


autor stipe07 às 22:05
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Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

Jake Bellows – New Ocean

Depois de ter liderado durante quinze anos uma banda de Omaha, no Nebraska, local onde nasceu, chamada Neva Dinova, em homenagem à sua avó, Jake Bellows, músico que nesse projeto editou cinco álbuns e fez várias digressões durante esse período, resolveu regressar a Los Angeles onde reside agora com a namorada, mas não sem ter deixado antes dezoito demos gravadas durante os dois últimos dias de permanência em Omaha, a pedido do engenheiro de som Ben Brodin.

Na cidade dos anjos arranjou um emprego, comprou uma pick up com o dinheiro que obteve com a venda de alguns instrumentos que possuia e assim pareceu que ficaria definitivamente colocada de lado a carreria musical para Jake. No entanto, o apelo da música tocou-lhe e começou a, ocasionalmente, dar alguns pequenos concertos até que foi convidado por Ryan Fox, um velho amigo de Omaha responsável pelo Omaha Film Stream Theater, para ajudar na composição de uma banda sonora de um filme. Brodin também foi chamado e assimo trio começou a compôr, a discutir e a improvisar, até que convenceram Bellows a entrar num estúdio e a gravar também as suas próprias canções.

Jake não resistiu o apelo, entusiasmou-se com a ideia e começou por surgir, no final de 2012, um pequeno EP chamado Help, que foi editado em cassete. Agora, em agosto de 2013, chegou New Ocean, um novo álbum com onze canções inspiradas no cosmos e na mitologia e que mistura diferentes sonoridades dentro do universo indie pop.

Em New Ocean há vários destaques; Da acústica paciente de I Can't Wait, feita com um singelo e delicado dedilhar de uma viola, à folk de New Ocean, o tema homónimo de abertura, passando pelo fuzz da guitarra e os devaneios elétricos de All Right Now, o ruído de Should You Ever Change Your Mind e o rock convencional de Running From Your Love, Bellows procura neste disco e de acordo com o próprio, dar algum sentido à sua existência pessoal e projetar nos outros algumas vibrações positivas e esperar que isso tenha um efeito b nas vidasom de quem o escuta. Quem sabe se isso não sucede contigo! Espero que aprecies a sugestão... 

Jake Bellows - New Ocean

01. New Ocean
02. All Right Now
03. You And Me
04. Drinking With Dad
05. Two Weeks
06. I Know You
07. I Can’t Wait
08. Running From Your Love
09. Help
10. Should You Ever Change Your Mind
11. Frequency


autor stipe07 às 21:36
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The Flaming Lips - Peace Sword EP (stream)

Os The Flaming Lips não param de nos surpreender. Depois de The Terror, era imensa a curiosidade em perceber qual seria o novo rumo sonoro desta banda de Oklahoma, já que há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo lançamento reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. The Terror, o último trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne, foi mais um capítulo desta saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka).

Agora, a banda voltou a entrar em estúdio com David Fridman, para compôr dois temas para a banda sonora de Ender's Game, uma adaptação ao cinema do romance de ficção científica com o mesmo nome, escrito por Orson Scott Ward. As sessões de gravação foram tão produtivas que a banda decidiu não compôr apenas duas músicas mas apresentar um EP chamado Peace Sword, que terá seis canções e que são um pouco mais luminosas e abertas que o conteúdo sonoro de The Terror, apesar de manterem a essência.

As canções Peace Sword ("Open Your Heart) e Think Like A Machine, Not A Boy, foram as primeiras criadas nestas sessões, mas já é possível ouvir o conteúdo integral do EP, que chegará aos escaparates a vinte e nove de outubro, em formato CD e vinil, numa edição especial da Record Store Day - Black Friday. Nessa altura voltarei ao assunto com a minha crítica ao EP; Para já delicia-te com a quase totalidade do seu conteúdo...

Peace Sword ("Open Your Heart")

If They Move, Shoot 'Em

Is The Black At The End Good

Think Like A Machine, Not A Boy

Wolf Children

Assassin Beetle - The Dream Is Ending

 

(via The Daily Beast)

(via Spin)

(via Rolling Stone)

(via Pitchfork)


autor stipe07 às 12:31
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Quarta-feira, 23 de Outubro de 2013

Yuck – Glow And Behold

Depois de  disco de estreia homónimo, lançado em fevereiro de 2011, através da etiqueta Fat Possum e que divulguei na altura, os britânicos Yuck estão de regresso com Glow And Behold, um álbum lançado a um de outubro pela Fat Possum. Sendo o segundo disco dos Yuck, é uma espécie de segunda estreia já que o anterior líder da banda, Daniel Blumberg, abandonou entretanto o projeto e agora é o vocalista e guitarrista Max Bloom a assumir a voz e as rédeas dos Yuck, acompanhado por Mariko Doi, Jonny Rogoff e Ed Hayes.


Apesar de serem britânicos, os Yuck puseram os ouvidos no outro lado do atlântico, visto a sua sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano dos anos noventa. Isso já acontecia na estreia e volta a ser evidente em Glow And Behold, mesmo no instrumental de abertura do disco. O segundo tema, Out Of Time, reforça esta ideia, uma canção que poderia muito bem constar do alinhamento do álbum dos RE.M. com o mesmo nome, ali algures entre Shinny Happy People e Near Wild Heaven.

A voz é, como seria de esperar, a grande mudança de Yuck para Glow And Behold, mas os temas mantêm-se, com a dor, a saudade e os problemas típicos da juventude a fazerem parte da lírica das canções. As vocalizações de Daniel, de cariz mais aspero e lo fi, foram agora substituidas por uma interpretação vocal mais melódica e harmoniosa; Max mistura bem a sua voz com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza o que perdeu em distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não ter deixado de fazer partr do cardápio sonoro dos Yuck.

Se a audição de Yuck nos recordava aquelas cassetes antigas que temos lá em casa, empoeiradas, cheias de gravações caseiras e lo fi, do que ouvíamos à cerca de vinte a vinte e cinco anos atrás, Glow & Behold também nos leva para esse período, mas traz-nos à memória aquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo. Está aqui toda a nostalgia dessa época, canções que sabem a Teenage Fanclub (Shook Down), guitarras que fazem de Dinosaur Jr. (Get Away), Pixies (The Wall) e Pavement (Sunday), sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com  o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.

No fundo, os Yuck acabam por ser a visão atual do que realmente foi o rock alternativo, as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho deste disco é, ao ouvi-lo, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada. Espero que aprecies a sugestão...

Yuck - Glow And Behold

01. Sunrise In Maple Shade
02. Out Of Time
03. Lose My Breath
04. Memorial Fields
05. Middle Sea
06. Rebirth
07. Somewhere
08. Nothing New
09. How Does It Feel
10. Chinese Cymbals
11. Glow And Behold


autor stipe07 às 21:39
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Pernas de Alicate - Mosca vs Barba


Carlos BB e Sara Feio são os Pernas de Alicate, um novo projeto musical alternativo português, já com dois singles em carteira, Mosca e Barba. Nascidos nos Black Sheep Studios, em Sintra, um estúdio que já revelou nomes tão importantes como os Paus, Linda Martini, You Can’t Win Charlie Brown, Anarchicks, Brass Wires Orchestra e propriedade do Carlos, também membro dos Riding Pânico e dos Men Eater, os Pernas de Alicate pretendem ser um caso sério no nosso panorama musical.

Pernas de Alicate é mais do que música; Envolve som e imagem, onde Carlos BB marca o ritmo na bateria e Sara Feio ilustra, o qe significa que para cada single que o grupo cria, existe um video associado. A canção nasce a partir de beats criados pelo Carlos e depois há convidados especiais que vão trabalhar em cima desse beat e criar a composição musical. 

Os Pernas de Alicate já criaram dois temas seguindo esta metodologia; O primeiro chama-se Mosca e contou com as participações especiais de Miguel Nicolau dos Memória de Peixe e Alex Klimovitsky dos Youthless. A outra canção chama-se Barba e nela participam Guilherme Gonçalves (Coclea, Gala Drop) e Fábio Jevelim (Riding Pânico, PAUS) nas guitarras, Francisco Ferreira (Capitão Fausto) nas teclas, Pity (Black Mamba, Neruda) no baixo e ainda You Can't win Charlie Brown na voz. Digamos então que este é um projecto em que, de acordo com o press release dos dois temas, a música começa ao contrário: por baixo, pelas pernas, pela bateria.

É deliciosa a descrição que me chegou sobre o tema Barba no press release, pelo que nem me atrevo a formular uma. A mesma diz que Barba é um groove de elevador, no melhor dos sentidos, leva-nos para cima. Um coro de elegantes e sensíveis homens barbados plana sobre um oceano pacífico de guitarras e sintetizadores. O baixo e a bateria garantem a ausência de ironia a todas as camisas havainas que vimos passear por Lisboa este verão. E a "Barba" faz-se ouvir como todas as barbas deviam ser - tingidas de sal e gotejada de daiquiris vários. Tropical matemática faz-nos sentir tão bem.

No que diz respeito à componente visual e ainda de acordo com o mesmo documento, Sara Feio é uma artista apaixonada pela ilustração e também pelas pernas de alicate de Carlos BB. Trabalha sem constrangimentos, abordando várias linguagens entre o desenho e a fotografia. Com família no Teatro e Pintura, não é surpreendente que Sara esteja habituada a rodear-se de artistas e músicos. E com o seu olhar e traço, ajuda a dar forma.

No filme elaborado para Barba, Sara Feio, a Perna mais visual da banda, contou com a ajuda de Dickon Knowles, responsável dos live visuals para bandas como The Weeknd ou Queen Of The Stone Age. Estamos na presença de um vídeo pós-apocalíptico sobre uma menina que procura a barba que uma vez a fez sentir em casa. Verdade seja dita a história não faz sentir bem nem tem um final feliz, porque nenhum final é feliz. A felicidade encontra-se no caminho.

Vai haver uma edição física de algo relacionado com os Pernas de Alicate no final do ano e eu cá estarei para divulgar aquilo que, pelos vistos, não será propriamente um disco. Em breve para tentar saber mais detalhes deste projeto junto da Sara e do Carlos. Até lá, delicia-te com estes dois avanços, de uma banda que surgiu sem que Carlos e Sara o tenham planeado e que se tornou um exemplo de arte. A arte de confiar. Porque é assim que se tem pernas para andar.

Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:06
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Terça-feira, 22 de Outubro de 2013

Minor Alps – Get There

Os Minor Alps são Juliana Harfield e Matthew Caws, uma dupla já com alguns anos de carreira noutros projetos, mas que agora se juntou para criar este grupo que se estreia com um extraordinário disco chamado Get There, lançado este mês via Barsuk Records. Caws sempre foi admirador do trabalho de Juliana e era um desejo antigo seu conseguir gravar com ela. Ele destacou-se nos últimos vinte anos como membro dos nova iorquinos Nada Surf e Juliana fez parte das Blake Babies, de Boston e dos projetos Juliana Hatfield Three e Some Girl, além de ter editado alguns discos em nome próprio e participado em trabalhos dos Lemonheads e até em alguns lados b dos Nada Surf.

O nome Minor Alps é inspirado nos Montes Ventoux, uma montanha francesa perto da casa dos pais de Matthew e que, de acordo com alguns entendidos na matéria, faz parte dos Alpes franceses. O alinhamento de Get There tem onze músicas, mas o essencial do disco está disponível para download gratuito na Noise Trade Records, incluindo Buried Plans e Radio Static, na minha opinião os dois grandes destaques de um trabalho que encarna um casamento perfeito entre a voz de Juliana e a espantosa capacidade criativa e a habilidade instrumental de Matthew. No entanto, Juliana também tocou alguns dos instrumentos do disco, tendo sido a bateria o único a ser interpretado por um músico convidado.

Em Get There não ficamos só deslumbrados com o timbre da voz de Juliana e a delicadez dos arranjos, dominados quase sempre pelas cordas, mas, principalmente, pelo tom emocional e profundamente melódico das canções, que plasma uma evidente maturidade musical dos dois protagonistas, feita com um enorme charme e bom gosto, que faz deste disco um dos melhores exemplares indie pop do ano.

Logo a abrir somos confrontados com a belíssima acústica de Buried Plans, uma canção onde as duas vozes se fundem numa só, algo que resulta muito bem para conferir um intenso cariz intropetivo à canção. Esta paisagem sonora tamém serviu de inspiração para Away Again, o tema que encerra o disco. Assim, Get There oscila, de algum modo, entre dois pólos fortemente soturnos e calmos, mas o clima sonoro não é sempre este; No meio, o alinhamento prossegue com ritmos mais rápidos e intensos, sempre adornados com arranjos límpidos, simples mas, em alguns períodos também exuberantes, com os anos oitenta a estarem muito presentes e a virem à nossa memória com relativa fluidez. É fácil ouvir este disco e recordar os Fletwood Mac, os primeiros trabalhos dos R.E.M., uns Pixies menos distorcidos e também, indo mais atrás no tempo, as guitarras dos The Byrds.

Tal como o título deste projeto indica, para esta dupla o mundo poderá ser como uma enorme montanha, sempre fria e coberta de nuvens, mas algumas canções deste trabalho também colocam o sol nessa montanha e rodeiam-a de prados verdejantes, em dias de pleno verão. Espero que aprecies a sugestão...

Minor Alps - Get There

01. Buried Plans
02. I Don’t Know What To Do with My Hands
03. Far From The Roses
04. If I Wanted Trouble
05. Maxon
06. Wish You Were Upstairs
07. Mixed Feelings
08. Radio Static
09. Lonely Low
10. Waiting For You
11. Away Again


autor stipe07 às 21:47
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The Sweet Serenades - Stand By Me EP artwork


Os suecos The Sweet Serenades são uma dupla, natural de Estocolmo, formada em 2002 por Martin Nordvall e Mathias Näslund, mas já se conhecem há vários anos, sendo amigos de longa data desde 1991. Editaram há cerca de um ano Help Me!, através da Leon Records, um selo da própria banda, um disco que foi alvo de crítica em Man On The Moon e de um take no programa do blogue na Everything Is New Tv. Agora, eles estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos com um EP chamado Stand By Me, a quinze de novembro.

Nessa altura divulgarei o conteúdo do EP que já tive o privilégio de conferir mas, para já, gostaria de vos falar da portuguesa Margarida Girão; Ela é o génio criativo por detrás da Collages Margarida Girão e foi a responsável pela criação do belíssimo artwork deste EP, que usa como principal técnica a colagem.

Assim que vi o artwork do EP e que soube que era da autoria de uma congénere, não hesitei em entrar em contacto e coloquei à Margarida algumas questões sobre esta iniciativa de criação do artwork do novo EP dos The Sweet Serenades e sobre a sua carreira como designer.

Confere a entrevista à Margarida Girão onde ela fala do seu trabalho e da concepção deste artwork e, no final da transcrição, o resultado final. E fica atento, porque em novembro divulgarei a minha crítica ao novo EP deste fantástica banda sueca.

 

Qual é o conceito artístico da Collages Margarida Girão?
+ O conceito varia de trabalho para trabalho, mas a técnica é colagem.

Como surgiu a possibilidade de trabalhar com os suecos The Sweet Serenades?
+ Entrei em contacto com eles com a proposta de ilustrar a capa de um albúm, viram o trabalho, gostaram e começamos a trabalhar.

Na minha opinião, o artwork ficou fantástico. Pode descrever aos leitores de Man On The Moon um pouco do processo criativo deste projeto em particular?
+ A primeira fase vou seleccionar alguns dos meus trabalhos já realizados que pudessem funcionar como fio condutor do que eles procuravam. Houve uma sessão fotográfica,  feita por eles na Suécia, mas previamente discutida comigo.
Depois foi iniciar o trabalho com trocas de email e conversas skype com o Martin - escolha de cores, sugestões, ideias. Tudo o que um trabalho deste género envolve. 
Foi com o Martin, vocalista, com quem trabalhei e gostei muito: responsável e profissional. 

Já teve a oportunidade de ouvir o EP Stand By Me e trabalhos anteriores deste grupo sueco? Que achou?
+ Já ouvi tudo. E gosto do trabalho musical dos Sweet. São divertidos, às vezes lamechas e descomplexados (o que é óptimo). Gosto da forma como se comunicam a nível de imagem, não se levando muito a sério. 

Ficou entusiasmada e disponível para trabalhar em outros projetos e ideias, em parceria com mais bandas ou projetos musicais? Existe já algo em vista?
+ Eu estou sempre entusiasmada e disponível para trabalhar em projectos musicais, desde que me interessem, claro. O que em música significa que goste das canções.
Este não foi o meu primeiro trabalho na área. Em 2011 ilustrei o CD do primeiro álbum dos Capitães d'Areia, o Verão Eterno. 

O que podemos esperar do futuro da Collages Margarida Girão?
+ Não sei. Ainda estou a construir o presente. É uma questão de seguir o trabalho.

E música... O que ouve a Designer Margarida Girão?
Se calhar fica bem responder que ouço os Sweet Serenades, não é? 
Pois. Ouço The Sweet Serenades. 
COVERLP+PINE
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autor stipe07 às 17:32
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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

Noiserv - Almost Visible Orchestra

Editado no passado dia sete de outubro, Almost Visible Orchestra é a nova pérola cintilante do indie pop português, uma obra de arte feita com dez lindíssimos poemas, musicados em apenas trinta minutos por uma das mentes mais brilhantes e inspiradas do nosso cenário musical alternativo. Ele chama-se David Santos e assina como Noiserv, um músico lisboeta que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e esta realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Almost Visible Orchestra sucede a One Hundred Miles from Thoughtlessness de 2008 e ao EP A Day in the Day of the Days, de 2010 e conta com alguns convidados ilustres. Por exemplo, em I was trying to sleep when everyone woke up, Noiserv conta com Rita RedShoes, Luísa Sobral, Francisca Cortesão (minta), Luís Nunes (Walter Benjamin), o escocês Esperi, e Afonso Cabral e Salvador Menezes (You can't win, Charlie Brown).
Em 2008, quando Noiserv apareceu no cenário musical nacional, trouxe uma nova forma de compôr e fazer música, principalmente no que concerne ao recurso de uma mais complexa teia instrumental, muitas vezes com o intuíto de adicionar pequenos detelhes apenas às canções, muitas vezes dificilmente percetíveis. Mas este seu novo disco em particular deve também ser admirado tendo em conta a parte lírica; Desde logo, o título das canções, todas escritas em inglês, só por si conta já pequenas narrativas, algumas delas algo inusitadas e com uma lógica que aparentemente procura suscitar o aparente e o impossível (It’s easy to be a marathoner even if you are a carpenter), cruzar o óbvio com o utópico (This is maybe the place where trains are going to sleep at night), descrever verdades la palice (Life is like a fried egg, once perfect everyone wants to destroy it), ou criar um choque entre ideias e sentimentos completamente contraditórios (I’m not afraid of what i can’t do ou I was trying to sleep when everyone woke up). 

A primeira canção, This is maybe the place where trains are going to sleep at night, não defruada as expetativas e apresenta desde logo o conteúdo sonoro de Almost Visible Orchestra, que acaba por obedecer à habitual sonoridade proposta pelo David que, conforme podes conferir na entrevista que ele me concedeu, transcrita abaixo, tem como único desejo que as suas músicas possam um dia fazer parte da vida de quem as ouve. Assim, os nossos ouvidos são embalados por simples acordes, várias vezes dispostos em várias camadas sonoras, com uma naturalidade que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz do David encaixa na melodia das canções.

Como se estivessemos a escutar canções debitadas de uma pequena caixa de música, avançamos na audição do álbum e absorvidos pelo seu conteúdo, facilmente reparamos que o single Today is the same as yesterday, but yesterday is not today, tem alguns detalhes oriundos de elementos eletrónicos, como se fossem uma pequena pitada de sal que dá o tempero certo à canção, algo que volta a suceder poucos minutos depois em I’m not afraid of what i can’t do. It’s easy to be a marathoner even if you are a carpenter é mais um belo momento do álbum e foi inspirado na história verídica do atleta Francisco Lázaro, um maratonista português que fez parte da primeira equipa olímpica portuguesa nos jogos de Estocolmo, em 1912, e que desfaleceu durante a prova, um evento dramático tão bem descrito pela voz soturna do David e de um simples dedilhar da guitarra que pode muito bem personificar o lento ocaso de um homem que corria por amor ao desporto e certamente ao país que o viu nascer.

47 seconds are enough if you only have one thing to do é uma espécie de interlúdio que demora o tempo exato que o título sugere e serve exatamente para demonstrar a veracidade do mesmo; em quarenta e sete segundos David demonstra que o tempo é muitas vezes longo ou escasso porque, se calhar, não sabemos como o gerir da melhor forma.

De seguida, Life is like a fried egg, once perfect everyone wants to destroy it, é um exercício sonoro que cresce de intensidade progressivamente e que impressiona pela forma como a voz se incorpora na música, como se fosse mais um dentro da variedade de instrumentos que a sustentam e que vão surgindo à medida que os segundos passam. A voz é aqui o aliado perfeito da canção, algo que volta a suceder em It’s useless to think about something bad without something good to compare, um tema que seria algo oco sem a presença do registo vocal do David.

I will try to stop thinking about a way to stop thinking volta a apostar na aparente dicotomia entre o dedilhar de uma guitarra e a inserção de detalhes sintetizados e o disco chega quase ao fim numa espécie de euforia controlada, com a caixinha de música de Noiserv a escancarar-se para que entrem alguns convidados e com eles, todos amontoados num espaço exíguo mas cheio de jovialidade, cor e diversão, cantar  I was trying to sleep when everyone woke up, uma canção que conta então com a companhia de alguns amigos, como referi acima.

Amost Visible Orchestra chega ao seu epílogo com um dos mais doces instantes do trabalho, a profunda, doce, melancólica e densa Don’t say hi if you don’t have time for a nice goodbye. De seguida o disco começa novamente e somos impelidos a repetir o exercício anterior e assim descobrir, tal como indica o artwork do disco, um enorme puzzle de novos detalhes e sensações, num trabalho pensado para espevitar todos os nossos sentidos, com músicas que, além de serem uma intensa fonte de prazer sonoro, têm cheiro, cor e sabor, já que estamos na presença de uma verdadeira paisagem sonora, única no cenário musical nacional.

Fica o meu agradecimento a Noiserv por ter acedido a responder à minha entrevista e, mais uma vez, à Raquel Lains, da Let's Start A fire. Espero que aprecies a sugestão... 

01.This is maybe the place where trains are going to sleep at night
02.Today is the same as yesterday, but yesterday is not today
03.It’s easy to be a marathoner even if you are a carpenter
04.I’m not afraid of what i can’t do
05.47 seconds are enough if you only have one thing to do
06.Life is like a fried egg, once perfect everyone wants to destroy it
07.I will try to stop thinking about a way to stop thinking
08.It’s useless to think about something bad without something good to compare
09.I was trying to sleep when everyone woke up
10.Don’t say hi if you don’t have time for a nice goodbye

Este álbum, com tantos convidados, segue para tentar conquistar um público mais alargado e podemos ver um rumo menos "intimista" a nível musical? Vai ter edição em vinyl? (Pedro Pereira)

Acho que não, o facto de numa música ter algumas pessoas a cantar comigo não tira a intimidade que todas as músicas poderam ter. Acima de tudo, continua a ser um projecto/disco de uma só pessoa, onde numa música em concreto fez sentido que uma série de pessoas se juntassem. Em relação à edição em Vinyl, espero consegui-la, mas neste momento ainda é apenas um objectivo!

 

Recentemente Thom Yorke (vocalista dos Radiohead) teve uma divergência com a empresa Spotify, alegando que o valor do streaming pago aos novos artistas (feito em função do numero de vezes que uma música é tocada) é demasiado baixo. Qual a sua opinião acerca disto? Como artista ainda desconhecido foi difícil iniciar este projecto? Com o aparecimento de sítios como Kickstarter, Bandcamp, etc, torna-se mais fácil de novos artistas se lançarem no mercado? Se sim, não haverá desta forma uma "diluição" de talentos e um excesso de oferta? (Pedro Pereira)

Acho que tens razão em tudo o que dizes, com a existência de tantas plataformas de divulgação de música, existe claramente muito mais oferta, e havendo muito mais oferta, torna-se mais dificil alguém se conseguir destacar, mas será isso mau? Não será até motivo para cada um tentar sempre melhor? No meu caso pessoal se não fossem estas plataformas talvez nunca tivesse conseguido que a minha música chegasse as pessoas, por isso não me posso nunca virar contra elas. Em relação ao spotify, é uma questão dificil tratar pois realmente os valores pagos aos artistas são minimos.

 

No 1º concerto de Noiserv que vi, havia uma animação/ilustração a ser exibida em pano de fundo, que me pareceu ter um resultado bastante positivo. Nunca houve a ideia de editar esse tipo de animação em conjunto com a música? (Pedro Pereira)

Em tempos pensei nessa hipótese, num género de videoclips para cada tema, mas depois achei que isso tiraria o factor surpresa de cada concerto pelo que decidi não fazê-lo.

 

Quais são as três bandas atuais que mais admira? (João Génio)

Poderão não ser as bandas que mais admiro, mas é aquilo que tenho ouvido ultimamente: Local Natives, Dan Deacon, Tame Impala.

 

Quais são as vossas expectativas para Almost Visible Orchestra? Queres que o disco te leve até onde?

Não gosto muito de criar expectativas, gosto apenas de fazer o meu melhor possível e esperar que as pessoas gostem do resultado final. Dessa forma, o único desejo que tenho é que as músicas deste disco possam um dia fazer parte da vida de quem as ouve.

 

Este teu novo disco conta com participações especiais de relevo, nomeadamente Rita Redshoes, Luísa Sobral, Francisca Cortesão (minta), Luís Nunes (Walter Benjamin), o escocês Esperi, e Afonso Cabral e Salvador Menezes (You can't win, Charlie Brown). Como foi possível congregar nomes tão ilustres à tua volta?

No fundo são todos amigos meus, e pessoas que fui conhecendo ao longo dos anos. Quando decidi que gostava de ter pessoas a cantar comigo no tema “I was trying to sleep when everyone woke up”, foi inevitável escolher estas pessoas para o fazer, felizmente todas aceitaram o meu convite!

 

Adorei o artwork de Almost Visible Orchestra. Como surgiu a ideia?

A ideia tem muito a ver com todo o processo que envolveu a composição deste disco. O qual, no inicio não era mais que um puzzle totalmente desconstruido, com vários pedaços de músicas soltas.

 

Adorei o tema I was trying to sleep when everyone woke up. E a David, tem um tema preferido em Almost Visible Orchestra?

Acho que à sua maneira, todas as músicas deste disco, já foram um dia a minha preferida. Nos últimos dias a música que mais gosto de ouvir é a que fecha o disco Don't say hi if you don't have time for a nice goodbye.

 

Não sou um purista e acho que há imensos projectos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantares em inglês e a opção será para se manter?

A unica razão para que isso aconteça é que grande parte da música que ouvia em novo, anos 90, era toda cantada em inglês. Por esse motivo quando anos mais tarde peguei numa guitarra, foi inevitável começar a cantar em inglês. No entanto, já fiz algumas experiências em português, a mais conhecida com o tema “Palco do Tempo” do filme José&Pilar, por esse motivo o futuro poderá ser em inglês, português ou uma outra qualquer lingua.

 

O que te move é apenas a indie pop acústica e experimental ou gostarias no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico de Noiserv?

Não penso muito no que me move ou no género musical da próxima música que faça, sem qualquer restrição ou imposíção faço a música que me soa bem, se por algum motivo me soar bem outro género irei mudar sem problema.


autor stipe07 às 18:52
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Motive - Burn Down Brooklyn

Os norte americanos Motive são Nicholas Wold, David Leondi, Andrew McGovern e Christopher Bagamery, uma banda rock natural de Brooklyn, Nova Iorque, que se prepara para lançar, no início de 2014, o disco de estreia, depois de em outubro de 2010 terem editado um EP homónimo.

Após o lançamento desse EP, surgiram alguns singles, mas o tema que tem feito furor e colocado os Motive debaixo dos radares é Burn Down Brooklyn, uma canção disponibilizada gratuitamente e que fará parte do alinhamento do tal disco de estreia.

Há quem já os apelide de The Strokes II, devido a uma questão de imagem, postura e atitude, mas também por causa da genuína sonoridade rock que sustenta as suas canções, feito com guitarras que combinam o melhor grunge de Seattle nos anos noventa, com o indie rock nova iorquino do início deste século.

A propósito desta canção, dos Motive e da sua carreira, entrei em contacto com eles recentemente para saber mais detalhes e recebi de Nicholas a seguinte delcaração:


Burn Down Brooklyn' started as a song about how Brooklyn is a den of bohemian lifestyle and sin, and how we should be burned down like Sodom. It was kind of funny and sarcastic, but is also about another feeling, the feeling that you sometimes need to burn everything down in yourself and start fresh. Something that everyone in New York feels at some point. Hope that sheds some light into the song. Our previous EP was our first time working with a producer and we're really happy with how it came out and represented where we were when it was recorded, but lately we've been trying some avenues with writing and we're very excited about the writing process these days. As for the future of the band, we are currently touring the entire US and working on our first album, to come out in 2014, and creating a whole lot of crazy sounds that we can't wait to share with you, so keep your ears peeled. Hopefully when it comes out we will come to Europe and play for you! 


Há algumas semanas os Motive lançaram, via nylon, o video de Burn Down Brooklyn, com um conteúdo visual que amplia ainda mais o charme rock da canção. Estou certo que no início de 2014 voltarei a falar deles. Até lá, aproveita este single e espero que aprecies a sugestão...



autor stipe07 às 12:52
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Domingo, 20 de Outubro de 2013

Long Long Showers - Red Card


Red Card é o mais recente single dos Long Long Showers, uma banda de Malmö, na Suécia, formada por Petter Wennblom (voz),Tobias Magnusson (baixo), Kristofer Lilja (guitarra), Emil Jönsson (bateria) e Niklas Hegfalk (guitarra). Em 2011 estrearam-se com um EP homónimo, através da etiqueta Urband & Lazar e agora preparam-se, finalmente, para editar o disco de estreia.

O primeiro álbum dos Long Long Showers irá chamar-se This and the Distance e Red Card é o primeiro avanço desse trabalho, uma canção disponibilizada gratuitamente pelo grupo e inspirada na gíria futebolística já que a métrica da canção é, de acordo com a banda, uma espécie de 4-4-1, que era um 4-4-2 antes do cartão vermelho.

O video de Red Card foi filmado e editado por Linus Sandqvist, Tobias Magnusson, Petter Wennblom e Anton Svensson. Quanto á sonoridade da canção, assenta na habitual indie pop guiada pelas guitarras, muito em voga neste país nórdico. Confere...


autor stipe07 às 20:45
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