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Peixe : Avião - Peixe : Avião (Inclui entrevista)

Quarta-feira, 18.09.13

Depois de 40.02 (2008) e Madrugada (2010), os bracarenses Peixe : Avião de André Covas, José Figueiredo, Luís Fernandes, Pedro Oliveira e Ronaldo Fonseca, estão de regresso com um homónimo, lançado a por intermédio da PAD, uma editora de artistas independente criada em 2010 e que, desde então, tem mantido elevados ní­veis de actividade e editado trabalhos de algumas das mais proeminentes bandas nacionais. Peixe : Avião foi gravado pelos próprios Peixe : Avião na sua sala de ensaios e posteriormente trabalhado por Nélson Carvalho nos Estúdios Valentim de Carvalho, misturado também por Nélson Carvalho e masterizado por Andy Vandette. 

A opção por darem o nome da banda ao título do disco talvez signifique que Peixe : Avião é o trabalho onde este colectivo bracarense se sente mais confortável e realizado não só com o resultado final, mas também com todo o processo de composição e gravação. A esse propósito, na entrevista que os Peixe : Avião me concederam e que podes conferir abaixo eles afirmam que este álbum traduz melhor a sua identidade, ou a identidade que procuram. Sendo que foram assumidas novas fórmulas de composição, de arranjos, concluiu num resultado em certa medida mais honesto que os anteriores, exactamente por mais despido e directo. Por ser um LP mais cru, menos maquilhado, mais instintivo, cremos que nomeá-lo com título homónimo, vai de encontro a essas premissas. Se normalmente um álbum homónimo coincide com uma estreia, então julgamos que por nos temos reinventado em certa medida, faz sentido ir de encontro a esse refrescar de identidade.

Seja como for e tendo em conta, por exemplo, o contéudo de Avesso e Ecos, os meus dois grandes destaques deste trabalho, em Peixe : Avião os Peixe : Avião soltaram as amarras, tornaram-se mais diretos e arrojados e viraram agulhas, sem perder o norte. Agora eles exploram novos territórios sonoros, olham o sol radioso de frente e enfrentam-no com o baixo e a guitarra sempre no limite do vermelho, com essa vertente experimental, onde o rock e a eletrónica se cruzam, a ser dedilhada e eletrificada com particular mestria.

Uma das ideias que me assaltaram logo à mente e ao ouvido assim que escutei pela primeira vez o trabalho teve a ver com a noção de crueza e de ter achado muito direto, como já disse, não só o som mas também a própria mensagem de cada uma das músicas. Para os Peixe :Avião já não há limites nem tabús, ou melhor, nunca houveram, mas desta vez colocaram de lado uma certa timidez conceptual que não os deixava sair da zona de conforto onde habitavam e agora estão dispostos a enfrentar de frente todos aqueles que estiverem dispostos a verem abandonadas as suas fundações mais tradicinalistas.

Em suma, em Peixe : Avião há abertura, arrojo, disposição para o choque e não há momentos de desnecessária complexidade. Desse modo o resultado final soa de forma muito consistente e bem definida e que confere aos Peixe : Avião uma identidade sonora com um cunho muito próprio.

O ambiente sonoro que eles criaram neste seu terceiro trabalho está carregado de de riffs de guitarra que conseguem falar sobre a melancolia e obrigam-nos a descolar para um universo que pode muito bem ser só nosso, já que a universalidade melódica destas canções permite-nos encaixar nelas determinados instantes do nosso percurso pessoal. Peixe : Avião impressiona pela grandiosidade instrumental das canções e, acima de tudo, pela capacidade que elas têm de comunicar connosco.

Os Peixe : Avião apresentarão o seu novo trabalho em primeira mão no Theatro Circo em Braga, já a vinte e um de Setembro e no Centro Cultural de Belém em Lisboa, a cinco de Outubro. Confere a entrevista que o grupo me concedeu abaixo, só possível devido,mais uma vez,ao apoo inestimável da Raquel Lains da Let's Start A Fire e espero que aprecies a sugestão...

 

Os Peixe : Avião estrearam-se em 2007 com o EP Finjo A Fazer De Conta Feito Peixe : Avião, e em 2008 chegou 40:02. Mas só agora, ao terceiro trabalho, após Madrugada (2010), chega o homónimo. Geralmente, os homónimos costumam ser sempre os trabalhos de estreia. Há alguma razão especial para terem baptizado este novo trabalho com o nome da banda, ou acaba por ser só mais um título de um disco vosso? Será que, relativamente à vossa discografia, se identificam mais com o conteúdo de Peixe : Avião?
Sem dúvida que este álbum traduz melhor, pensamos nós, a nossa identidade, ou a identidade que procuramos. Sendo que foram assumidas novas fórmulas de composição, de arranjos, concluiu num resultado em certa medida mais honesto que os anteriores, exactamente por mais despido e directo. Por ser um LP mais cru, menos maquilhado, mais instintivo, cremos que nomeá-lo com título homónimo, vai de encontro a essas premissas. Se normalmente um álbum homónimo coincide com uma estreia, então julgamos que por nos temos reinventado em certa medida, faz sentido ir de encontro a esse refrescar de identidade.


Quais são as principais diferenças sonoras entre 40:02 e Peixe : Avião? Ou seja, como descrevem, de forma sucinta e no que diz respeito à vossa sonoridade, este percurso ainda tão curto (6 anos) mas já tão profícuo?
As diferenças vão desde a composição dos temas (desta vez apostámos muito na criação conjunta em ensaio), na adaptação dos temas ao contexto de os tocar ao vivo, sendo que tentámos que aquilo que fosse posto no disco não ficasse muito longe do que poremos nos concertos. Os dois discos anteriores eram muito densos, com muitas camadas sonoras e complexos na sua forma, o que poderia hermetizar a sua audição e compreensão. Fizemos por simplificar, deixar vingar sobretudo o essencial.


Quais são as vossas expectativas para Peixe : Avião? Querem que o disco vos leve até onde?
Temos boas expectativas para este álbum, no sentido em que poderá nos apresentar a mais e diferente tipo de público, de mostrar que temos dinamismo e novidade na nossa música, e que nos traga muitas e boas oportunidades para o tocarmos ao vivo.


Já agora, haverá algum tipo de distribuição no exterior do país? É uma ambição vossa serem mais ouvidos lá fora?
Seria óptimo termos ouvidos internacionais a escutar a nossa música, mas é uma ambição para já menor; preferimos crescer e enraizarmo-nos primeiro dentro de portas, e quem sabe um dia, experimentar atingir mercados externos.


Os vossos discos contaram sempre com participações especiais de relevo e foram objecto de excelentes críticas. Essa responsabilidade pesa-vos de algum modo na altura de compor ou deixam pura e simplesmente fluir a vossa criatividade sem se preocuparem com o que já leram e ouviram sobre os vossos anteriores trabalhos?
O facto de termos já contado com grandes nomes da música nacional, e de termos colecionado no geral boas críticas ao nosso trabalho, não terá particular influência na altura de compor e arranjar os temas. Apesar de sombreados por expectativas, como qualquer projecto que na sua génese reúna interesse e mediatismo, não será um factor que pese, no fim das contas. Se nos deixássemos permear pelas críticas e expectativas, de certo que o resultado final estaria em certa medida agrilhoado. Queremos fruir da maior liberdade criativa e de expressão possível.


Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse e percebi que as vossas influências musicais assentam muito em ambientes experimentais eléctricos, carregados de loops de guitarra e texturas algo cruas e directas, mas também melancólicas. O que andam basicamente a ouvir os Peixe : Avião?
A forma de expressão é constantemente influenciada, seja por bandas que já conheces há muito, como novidades que te deixam marca. Partilhamos o gosto pelo krautrock, o rock alternativo, o electrónico e shoegaze, entre outros estilos, e poderia apontar influências de bandas como os tame impala, portishead, grizzly bear, radiohead, entre outros. Tendo um terreno musical em que todos possamos assentar, e sabendo das influências individuais e partilhadas, torna mais fácil criar a nossa própria linguagem.


Adorei o artwork deste vosso novo trabalho e, pelo que li no disco, foi da vossa autoria. Como surgiu a ideia e, já agora, a colaboração da Rita Lino que também assina a realização do vídeo do single Avesso?

Muito obrigado! Sim, neste como nos anteriores trabalhos, a concepção gráfica ficou a nosso cargo. Não que sejamos maníacos do controlo, mas aproveitamo-nos dos dois designers que temos na banda.

Alguns de nós já conhecem a Rita Lino e o Pedro Maia há algum tempo e na verdade já colaboraram noutros projectos anteriormente. Achámos que a estética deles - da RIta na crueza das fotografias e do Pedro no tratamento de imagem e experimentação estética - encaixava perfeitamente naquilo que nós quisemos fazer musicalmente neste trabalho. Ficámos muito contentes com o resultado!


Adorei o tema Ecos. E a banda, tem um tema preferido em Peixe : Avião? 
Cada um de nós tem um tema que prefere, mas no meu caso em particular, a minha predileção pelo menos neste momento, seria a “torres de papel” – foi um tema criado em poucas horas e já em estúdio, enquanto esperávamos que o produtor nélson carvalho tratasse de um assunto pessoal que o obrigou a deixar o estúdio; a espontaneidade da criação deste tema e a sua simplicidade resumem, em muito, as linhas orientadoras e o espírito por detrás deste disco. Além de ser um tema muito bonito!


Quando se fala em Peixe : Avião é incontornável abordar a já antiga colagem que muitas vezes insistem em fazer com os Radiohead. Na minha modesta opinião, Peixe : Avião já me recordou muito pouco essa banda liderada por Thom Yorke e que eu também admiro imenso. Acham que finalmente, essa espécie de estigma que vos persegue, irá desaparecer de vez?
Não foi por si um incómodo, ser comparado com os radiohead – afinal, temos deles uma importante influência, mas tal como outras grandes bandas como os portishead e os massive attack por exemplo; além de quem quisesse uma referencia ao que apelava o nosso som inicial, amparava-se às comparações imediatas (pelo timbre de voz, pelo estilo e ambiente, etc.). Contudo, talvez agora já com 3 discos, a nossa identidade já está mais modelada e mais vincada, as diferentes influências que não só esta fazem-se notar mais, e sobretudo, faz-se notar mais, espero, a nossa própria identidade.


Saúdo a vossa opção de cantar em português, apesar de não ser um purista a de achar que há imensos projectos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem, por exemplo, em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em português e a opção será para se manter?
A razão na altura de iniciar este projecto, seria marcar pela diferença também pelo uso da língua portuguesa. Fomos à nossa maneira um dos motores do recente e feliz interesse em cantar em português, e sendo que o casamento de todas as variáveis que caracterizam a nossa música, é sem dúvida uma opção a manter.


O que vos move é apenas o rock alternativo e experimental ou gostariam no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Peixe : Avião?
Os estilos referenciados são os que melhor nos definem, e logo, nos que melhor nos movemos. No futuro, em princípio iremos manter estas âncoras estilísticas, mas sempre apontando para nos renovarmos, de inovarmos, de sermos apelativos e interessantes.


Há surpresas preparadas para os concertos no Theatro Circo em Braga, a 21 de Setembro e no Centro Cultural de Belém em Lisboa, a 5 de Outubro? Podem levantar um pouco o véu?
Tal como o disco, o espectáculo ao vivo está a ser orientado para ser simples mas forte, despido mas com substância, directo e sem demasiados artifícios. Temos a atenção de casar o apelo musical, ao visual, pelo que teremos uma componente cénica também importante.

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publicado por stipe07 às 19:25

Curtas... CXXIX

Quarta-feira, 18.09.13

Depois de surpreenderem com Let Me Show You, um tema apresentado recentemente e que recorda a pop dos anos noventa, os Cut Copy acabam de dar a conhecer mais uma nova canção; O tema chama-se Free Your Mind e nele os responsáveis por In Ghost Colours (2008) e Zonoscope (2011) voltam a surpreender com uma canção que encaixaria perfeitamente no cardápio sonoro de uns The Rapture. Free Your Mind poderá vir a fazer parte do próximo disco dos Cut Copy e insere-se numa espécie de campanha que disponibilizou a canção em alguns locais icónicos do nosso planeta, nomeadamente o México, Chile, Austrália, Reino Unido, Detroit e um lugar no deserto da Califórnia. Confere...

Chega a cinco de novembro às lojas Trust, o novo álbum dos I'm In You, um coletivo norte americano liderado por Chris McHenry, natural de Brooklyn, Nova Iorque. Call Me When You're Drunk é o primeiro avanço para essse disco de uma banda que aposta no indie rock e no post punk como principais bitolas da sua sonoridade. Confere...

 

Nat Baldwin - Dome Branches
Nat Baldwin é o baixista dos Dirty Projectors e Look She Said uma canção já gravada há vários anos, mas que só agora vê a luz do dia porque fará parte de Dome Branches, uma compilação de várias demos que o músico criou ao longo da carreira e que verá a luz do dia a doze de novembro, via Western Vynil. Enquanto não chega um novo álbum de Nat Baldwin, usufrui de Look She Said, canção que está disponível gratuitamente no soundcloud da Western Vynil (carrega na imagem) e que conta com a participação especial de Dave Longstreth.
A dupla canadiana Chromeo acaba de divulgar Over Your Shoulder, o seu novo single e um tema pop cheio de funk e que será certamente um dos destaques de White Women, o próximo disco do grupo. Esta canção é apenas mais uma prova de que os Chromeo são exímios a replicar o que de melhor se fazia no universo da pop há trinta anos atrás. O grupo disponibilizou o single gratuitamente. Confere...

 

Naturais de Seattle, os La Luz são um quarteto que aposta no punk rock, com alguns detalhes da surf music. Assinaram em julho pela insuspeita Hardly Art Records e em outubro chegará It's Alive, o disco de estreia da banda. Fica atento porque esse álbum será divulgado em Man On The Moon e até lá delicia-te com Big Big Blood, o primeiro avanço do disco, disponibilizado gratuitamente pela editora.

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publicado por stipe07 às 18:56






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