Sábado, 31 de Agosto de 2013

Curtas... CXXVII

Não param de chegar novidades de Brooklyn, Nova Iorque. Enquanto não chega um novo disco dos Dismemberment Plan, Travis Morrison mantém-se ativo nos The Burlies, a sua outra banda. The Ocean é o novo tema divulgado por este seu projeto paralelo e o primeiro avanço para American Hairlines, o EP de estreia dos The Burlies, ainda sem data de lançamento prevista. Confere...

 

Mike Adreas aka Perfume Genius, não é muito dado a parcerias e participações especiais, o que aumenta a relevância de I Think I Knew, um tema incluido em Mug Museum, o mais recente trabalho da cantora e compositora britânica Cate Le Bon. O resultado é fantástico, com as vozes de ambos os intérpretes a se interligarem com elevada beleza e bom gosto. Confere...


Graceless, um dos meus temas preferidos de Trouble Will Find Me, o sexto e mais recente disco dos The National, acaba de ter direito a vídeo. Filmado a preto e branco, o filme é realizado por Sophia Peer e mostra os membros da banda em atividades tão divertidas como as brincadeiras num escorrega, ou o lançamento de cerveja, em contraste com o ambiente algo obscuro quer do tema, quer do próprio disco, talvez o trabalho mais directo e honesto deste quinteto de Cincinnati e que não está a ter junto da crítica a aceitação positiva que na minha opinião merece. Confere...


Os Wildcat! Wildcat! são um novo trio de synth pop de Los Angeles e têm feito algum furor e criado expectativa. Recentemente participaram com os Passion Pit no documentário Hello Everywhere, de Sam Jones e em setembro irá chegar o EP homónimo de estreia. Garden Grays é o primeiro avanço desse trabalho, um tema que se destaca pelo peculiar falsete, numa sonoridade algures entre MGMT e Foster The People. Confere...



Os galeses Los Campesinos! estão de regresso com No Blues, o novo trabalho da banda e que sucede a Hello Sadness, álbum que passou por cá em 2011. What Death Leaves Behind é o primeiro single retirado de No Blues e surpreende porque, apesar de ser uma canção alegre e cheia de ritmo de cor, assente na habitual guitarra sintetizada, também mergulha numa melodia muito adocicada e etérea.
What Death Leaves Behind foi disponibilizado pela própria banda para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 16:20
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pacificUV - Summer Girls

Summer Girls cover art

Um dos grandes discos que partilhei este verão foi After The Dream You Are Awake, o terceiro disco dos norte americanos pacificUV. Agora eles partilham connosco Summer Girls, uma nova canção. Esta banda norte americana natural de Athens, na Georgia, e formada por Clay Jordan, Suny Lyons, Lemuel Hayes e Laura Solomon, é descrita por alguma crítica como uma espécie de Jesus And The Mary Chain com uma toada mais psicadélica. Portanto, a sonoridade dos pacificUV e desta nova canção tem uma forte componente etérea e ambiental, assente numa pop que, à imagem de imensos projetos atuais, nomeadamente os aclamados M83, encontra as suas raízes há três ou quatro décadas atrás.

Summer Girls está disponivel gratuitamente no bandcamp dos pacificUV. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 09:24
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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013

Whitley – Even The Stars Are A Mess

Oriundos de Melbourne, na Austrália e famosos por ver música sua utilizada em séries de televisão, filmes e jogos de computador, os Whitley são Lawrence Greenwood, Colin Leadbetter, Esther Holt, Christopher Marlow Bolton e Tom Milek, mas é Lawrence, músico entretanto radicado em Londres, o grande mentor e figura principal deste projeto. Even The Stars Are A Mess é o terceiro trabalho dos Whitley, sucede a The Submarine (2007) e Go Forth, Find Mammoth (2010) e foi editado por intermédio da Dew Process, em parceria com a Universal Records.

Os Whitley cruzam algumas das melhores características da folk com a chillwave e isso, por si só, é um facto de relevo, já que são poucos os projectos musicais que misturam estas duas tendências. Acaba por ser comum ouvir o dedilhar de uma viola misturada com efeitos sintetizados, que criam melodias etéreas, com um firme propósito de nos fazer levitar de uma forma que só este Lawrence Greenwood e a sua doce voz sabem fazer.

It is not a mean world. It’s beautiful… Estes são os primeiros versos de Even The Stars Are A Mess e acabam por resumir o conteúdo do disco, praticamente antes do termos escutado. As guitarras e o ambiente sonoro que elas criam abrem-nos a porta para um mundo do qual já não consegues sair enquanto não se esgotarem os nove temas do trabalho e conferires o progresso e a maior maturidade que Lawrence demonstra neste seu novo álbum, o mais sombrio e elaborado da sua carreira, depois de uma ausência de quatro anos. A este crescimento do músico enquanto compositor e exímio transmissor do que de mais belo há nos nossos sentimentos não terá sido alheia a passagem por diferentes países (México, Inglaterra, Perú, Italia e Austrália) durante a mais recente fase da vida de Lawrence.

O single My Heart Is Not A Machine é um bom exemplo dessa expansão do habitual cardápio sonoro do músico, muito mais generoso com as cordas, mas também mais meticuloso e habilidoso na forma como aborda o teclado, algo também evidente no orgão de Roadside, que me remeteu para os Arcade Fire, principalmente pela forma como as teclas se entrelaçam com a melodia da guitarra. Toda esta maior capacidade de construir belíssimas melodias e de caracterizar com maior nitidez o universo sonoro onde Lawrence habita, atinge o auge em Final Words, uma canção onde a batida distante que parece sincronizar-se com o nosso batimento cardíaco e as cordas que se escutam de forma quase imperceptível, fazem desta composição talvez o melhor tema que Lawrence compôs até hoje. A própria aparente ambinguidade da letra faz-nos refletir e transmite uma estranha sensação de esperança (but I’m still hard on myself. But its not a dream, its just a dream, its not as it seems.)

Sendo a voz de Lawrence e o seu quase surreal talento para a escrita os maiores trunfos deste projetco, escutar o núcleo duro de Even The Stars Are A Mess, ou seja, a sequência de My Heart Is Not A Machine a OK, pode provocar efeitos corporais secundários visíveis, mas que têm apenas como última sequência potenciarem a nossa capacidade de nos sentirmos deslumbrados por alguns dos mais belos aspectos da natureza humana e das boas sensações que a música nos provoca. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Ballad Of Terence McKenna
02. TV
03. My Heart Is Not A Machine
04. Final Words
05. Roadside
06. OK
07. Alone Never Alone
08. Pride
09. I Am Not A Rock

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[mp3 320kbps] cz ul zs


autor stipe07 às 23:10
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Quinta-feira, 29 de Agosto de 2013

Paul McCartney - New


Sir Paul McCartney, o "novo vocalista dos Nirvana", já tem sucessor para Memory Almost Full. Seis anos após esse álbum, editado em 2007,vai regressar em outubro com New, um disco com doze canções e que conta nos créditos da produção com nomes tão importantes como Ethan Johns (Ryan Adams), Paul Epworth (Adele), Giles Martin e Mark Ronson (Amy Winehouse). Ronson produziu o primeiro single, o tema homónimo do álbum, com uma sonoridade bastante elaborada e luminosa, ao nível do que se espera de um dos verdadeiros reis da pop.

Esta manhã o músico falou sobre o álbum numa entrevista à BBC, onde referiu que em New as músicas são ecléticas. Inicialmente a ideia era produzir cada tema com um produtor diferente e selecionar a que mais gostasse, mas acabei por optar por usar todos os produtores que desejava, espalhando-os pelas várias canções.

New chega às lojas a quinze de outubro. Confere...



autor stipe07 às 14:56
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013

Selebrities – Lovely Things


Chegou no final do mês de junho ao mercado, por intermédio da Cascine, o segundo disco dos Selebrities, um trio composto por Maria Usbeck, Jer Robert Paulin e Max Peterson. O álbum chama-se Lovely Things, sucede a Desilusions (2011) e está disponível para audição no soundcloud da editora e tem dez canções com um ambiente pop lo fi e nostálgico, cheias de referências da eletrónica dos anos oitenta, muito em voga atualmente.

Sem dúvida que a sonoridade de há três décadas atrás continua a ser uma importante referência em alguns projetos já solidamente estabelecidos e em novas bandas que procuram desvendar o lado mais obscuro da pop dos anos oitenta. Oriundos de Nova Iorque, com Lovely Things os Selebrities procuram este objetivo e posicionam-se num universo sonoro que tem sido dominado por projetos canadianos, nomeadamente os Chromatics, Grimes ou Purity Ring.

Lovely Things centra-se na dream pop e mantém a permissa sonora de Desilusions, ou seja, inova mas sem deixar de de fazer uma ponte entre o passado que os inspira e o presente onde se querem inserir. O resultado desta travessia temporal é uma obra alimentada por temáticas recentes e pela nostalgia sonora e onde se destaca particularmente a voz de Usbeck. Ao longo do alinhamento tanto se encontram canção de teor mais intimista como outras que poderão, havendo vontade, sair-se bem nas pistas de dança. Para este objetivo, temas como Temporary Touch e Lovers poderão ser boas escolhas já que têm uma batida que, ainda por cima, se conjuga muito bem com a voz e que está estruturada com coesão e um bom gosto na escolha instrumental que lhes dá vida. Wither Away e Fell To Earth são duas propostas que encarnam com nitidez a tal vertente mais calma e climática. Tanto uma como outro transportam na delicadez dos teclados que lhes dão vida e na voz de Maria uma certa timidez e uma espécie de grandiosidade controlada.

Os destaques de Lovely Things não se resumem a estes quatro temas; Found é um verdadeiro tratado de pop sintetizada, Forged To Be Broken pisca o olho ao post punk e I Could Change dá as mãos à psicadelia através de uma guitarra mais atual que nunca, sendo um dos aspetos mais audíveis de uma modernidade que não coloca em causa o propósito revivalista referido de Lovely Things.

Não sei se os Selebrities estavam conscientes do risco que corriam em não serem notados devido à multiplicidade de projetos que hoje em dia se cruzam no universo sonoro onde eles se inspiram. Provavelmente nem tiveram essa preocupação e decidiram apenas, e bem, optar pela malha sonora com a qual se identificam e os apaixona. Seja como for, neste Lovely Things eles conseguiram distinguir-se da concorrência e apresentar uma cardápio que o título do disco muito bem descreve. Espero que aprecies a sugestão...

Selebrities - Lovely Things

01. Found
02. Temporary Touch
03. Baroque
04. Wither Away
05. Lovers
06. Fell To Earth
07. Born Killers
08. You’re Gone
09. Forged To Be Broken
10. I Could Change


autor stipe07 às 21:54
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Sugiro... XXXV


autor stipe07 às 11:32
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Terça-feira, 27 de Agosto de 2013

I’lls – A Warm Reception EP

Os I'lls (pronuncia-se Isles) são Dan Rutman (guitarra), Hamish Mitchell (teclados) e Simon Lam (bateria e voz), um trio que chega da Austrália e que se dá a conhecer ao mundo através da insuspeita Yes Please Records, com um EP intitulado A Warm Reception.

Logo nos primeiros segundos de audição de A Warm Reception, os Radiohead saiem da penumbra, já que as últimas experimentações desse grupo de Oxford no campo da eletrónica parecem ser uma das principais influências declaradas dos I'lls. O começo do EP faz prometer muito e leva-nos logo para um outro universo, onde flutuamos e somos convidados a deixar um pouco de lado as nossas maiores preocupações e receios.

Se Speak Low, com as suas constantes variações rítmicas, serve esse propósito etéreo de nos apresentar convenientemente os I'lls, Plans Only Drawn já convida a um ligeiro abanar de ancas, mesmo que desconexo, o suficiente para percebermos que embarcámos numa viagem que tem tanto de psicadélica como de inebriante e melancólica.

Esta toada mantém-se e até as guitarras têm direito ao seu instante de fama em praticamente todas as canções, mas com especial ênfase em To: All The Blurred. Apesar da pop psicadélica e da belíssima eletrónica que conduzem o EP, também é possível perceber algumas influências do dub e do hip hop.

O EP está disponível para download no bandcamp da Yes Please Records, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Já agora, no mesmo bandcamp, encontras uma interessante quantidade de álbuns e EPs de bandas emergentes australianas que se inserem no mesmo universo sonoro destes I´lls e com a possibilidade de download nos mesmos termos deste EP que hoje vos sugiro. Os Guerre e os Cosmos Midnight são dois projetos que recomendo vivamente. Espero que aprecies a sugestão...

I'lls - A Warm Reception

01. Speak Low
02. Plans Only Drawn
03. Outright
04. Sharing
05. To: All The Blurred
06. Mine’s Here Or My End’s Here Or Nineteen

Soundcloud: https://soundcloud.com/illsmusic
Bandcamp: http://illsmusic.bandcamp.com/
YouTube: http://www.youtube.com/user/Illsmusic


autor stipe07 às 22:27
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Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

Paper Lions – My Friends

Lançado no passado dia vinte de agosto, My Friends é o novo disco dos Paper Lions, uma banda de indie rock oriunda de uma pequena ilha canadiana chamada Prince Edward Island e sedeada atualmente em Charlotte Town. Os Paper Lions são formados por John MacPhee e Rob MacPhee, dois irmãos aos quais se juntaram David Cyrus MacDonald e Colin Buchanan. My Friends foi editado pela própria editora dos Paper Lions, a Fountain Pop Records e produzido pelo canadiano Howard Redekopp, um reputado produtor que já trabalhou com os Tegan and Sara, The New Pornographers e Mother Mother, entre outros.

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Da alegre Bodies In The Winter, passando pela nostálgica My Friend e a épica Little Liar, My Friends assenta no clássico power pop, alegre e luminoso. São onze canções que se ouvem em cerca de trinta minutos, ou seja, temas curtos e diretos, mas com a duração suficiente para transmitirem uma mensagem alegre e divertida. Guitarras luminosas e com as cordas a vibrar acusticamente ou ligadas às máquinas, um baixo vibrante e uma bateria cheia de potência e cor, são os ingredientes principais de que os Paper Lions se servem para dar vida a estas canções. As mesmas têm uma tonalidade e uma temática um pouco adolescente, bem recreada na capa do álbum, já que falam das questões do amor, da amizade, do verão e da praia cheia de castelos na areia, evocando assim a melancolia dos nossos verdes anos.

Acaba por ser muito apropriado este álbum surgir na reta final do verão já que ele desperta em nós imagens mentais que forçosamente nos remetem para situações vividas neste época do ano, em dias cheios de sol, luz, água e calor. Temas que nos remetem facilmente para os Beach Boys, como Ghostwriters ou para os Weezer (San Simeon), ampliam este efeito e terão sido certamente escritas de acordo com a perspectiva que os Paper Lions têm sobre as suas próprias experiências nesta altura do ano e o ambiente que os rodeia. 

Philadelphia, o mais recente single retirado de My Friends, está disponivel para download gratuito no sitio dos Paper Lions, assim como a audição integral do disco. Espero que aprecies a sugestão...

Paper Lions - My Friends

01. Bodies In The Winter
02. Pull Me In
03. Sandcastles
04. My Friend
05. Little Liar
06. Ghostwriters
07. So Lonely
08. San Simeon
09. Philadelphia
10. My Friends Are Leaving
11. Sophomore Slump (Bonus Track)


autor stipe07 às 23:14
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Domingo, 25 de Agosto de 2013

Curtas... CXXVI

A um de outubro será editado via Old Flame Records, Savior, o novo disco dos Shark?, um coletivo de Nova Iorque que tem no punk e no rock de garagem feito com guitarras cheias de distorção mas melodicamente muito ricas as suas traves mestras. Um dos temas de Savior já divulgado e disponível gratuitamente é California Grrls, mas também já se conhece A OK e This Is Living. Confere...

 


Já é conhecida a primeira amostra de Coming Apart, o disco de estreia do projeto Body / Head, formado por Kim Gordon (Sonic Youth) e Bill Nace. Actress é o nome da canção, um tema hipnótico, com uma forte toada experimental e onde não podiam faltar as guitarras numa elevada dose de distorção. Coming Apart chegará às lojas a nove de outubro, via Matador Records. Confere...


Darby Cicci é membro dos Antlers, banda onde toca teclas, trompete, baixo, banjo, orgão e uma série de outros instrumentos que fazem dele figura central dessa banda de Brooklyn, Nova Iorque. A solo assina como School Of Night e obviamente também apresenta toda essa riqueza instrumental, bem presente em Lying, o primeiro single retirado de um EP homónimo que irá editar em outubro. Confere...


Oriundos de Brooklyn, os Gross Relations editaram recentemente um homónimo disco de estreia, via Old Flame Records. Guiados pelo punk rock lo fi carregado de distorção, abrilhantado por arranjos simples mas viscerais e vozes sintetizadas a feder a testosterona, têm em Cut The Final Scene um dos grandes destaques desse trabalho. Confere...

 

Dandelion Wine é o primeiro single de avanço para Caught In A Summer Swell, disco que vai ser editado pelos The Band In Heaven, verdadeiros mestres do shoegaze. O trabalho chega a dezassete de setembro, via Decades Records. Dandelion Wine foi inspirado no livro com o mesmo nome da autoria de Ray Bradbury e publicado em 1957. Esse romance também inspirou o video da canção que ilustra uma animada festa de verão. Em setembro publicarei uma crítica a Caught In A Summer Swell; Até lá, dança ao som de Dandelion Wine...


autor stipe07 às 00:13
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Sábado, 24 de Agosto de 2013

Radius And Helena – Fangs

Os Radius And Helena são Christopher, Ryan, Denise, Steve, Irene, um coletivo oriundo de Toronto, no Canadá e que se estreou em 2008 com Precious Metals. No passado mês de junho foi editado o sucessor; Falo de Fangs, uma coleção de onze temas com algum do melhor rock experimental e psicadélico que ouvi ultimamente. Já agora, algumas das canções de Fangs estão disponíveis para download no soundcloud e no bandcamp dos Radius And Helena.

Depois do disco de estreia, Fangs é, de acordo com o que descobri, a primeira parte de uma épica coleção de dois álbuns conceptuais. Sonoramente bastante influenciados por nomes como os Pink Floyd, Sparks ou os Blonde Readhead, os Radius And Helena criam neste trabalho uma vasta palete de sons, com imensos detalhes e com a grandiosidade habitual dos exímios intérpretes do chamado art rock experimental.

Na abertura do disco, Astronaut, com as suas guitarras explosivas e cheias de distorção, funciona como uma espécie de contagem decrescente para a ignição e a descolagem de quem quiser assumir o papel do título de canção e prosseguir na demanda que os Radius And Helena fabricaram e idealizaram em Fangs. A partir daí, subimos até ao céu num disco cheio de cor, feito imensas vezes com um baixo vibrante, vozes harmoniosas, uma bateria muito vincada e sons sintetizados que têm tanto de sombrio como de luminoso. E assim somos levados numa verdadeira viagem espacial até um cosmos ainda algo desconhecido, mas que rapidamente se vai revelando em todo o seu esplendor.

Fangs tem vários temas que sobressaiem, nomeadamente o rock angular e futurista de Anne 5, o groove de The Wizard Of Linn, o rock bombástico e visceral de No Combat e a calma introspetiva de Science Fiction e de What Gets In The Way Of Trust. Os arranjos quentes e tropicais de Blood Magic e a incursão ao universo sonoro dos Beatles em Luck Against The Clock, também merecem particular atenção. Em suma, praticamente todo o disco deverá ser objeto de uma audição atenta, até porque cada tema ilustra um diferente local por onde a viagem passa.

Liricamente, Fangs explora constantemente o lado mais controverso, obscuro e até animalesco da mente humana. Denso mas aberto, pessimista mas carregado de ideais de esperança, Fangs apresenta as contradições humanas de forma diversificada, através de uma sonoridade bastante cinematográfica, porque ao ouvir o álbum conseguimos visualizar na nossa mente os diferentes locais que os Radius And Helena idealizaram durante a composição de Fangs. Espero que aprecies a sugestão... 

Radius And Helena - Fangs

01. The Astronaut
02. Anne5
03. Mexican Wrestlers
04. Science Fiction
05. What Gets In The Way Of Trust
06. The Wizard Of Linn
07. No Combat
08. Blood Magic
09. Luck Against The Clock
10. Last Dungeon
11. Fangs


autor stipe07 às 20:23
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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013

Franz Ferdinand - Right Thoughts, Right Words, Right Action

Abram alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, saquem das t-shirts coloridas e ponham o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa. A banda sonora será o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, o rock que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar nos dias de hoje, porque eles estão finalmente de volta com Right Thoughts, Right Words, Righ Action, através da Domino Records.

Logo em 2004 os Franz Ferdinand elevaram imenso a fasquia com um homónimo que foi, sem dúvida, um dos melhores álbuns da primeira década deste novo século. Logo aí, em Franz Ferdinand, criaram um catálogo grandioso, com destaque para Take Me Out, um hino não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

Felizmente este grupo de irredutiveis escoceses não se deitou à sombra desse inesperado sucesso e apesar de algumas falhas pontuais, fruto de um experimentalismo que se saúda mas que numa banda onde a fórmula para o sucesso reside exatamente na simplicidade se dispensa, estiveram sempre na linha da frente dentro do género musical que replicam e continuaram a ser uma referêncioa obrigatória para quem quer perceber como param as modas no rock alternativo.

A banda de Alex Kapranos soube sempre como fugir das repetições e chegam a este novo disco, o quarto da carreira, a provar que ainda têm muito para mostrar aos seus fãs! E o melhor de tudo é que ao ouvir Right Thoughts, Right Words, Right Action percebemos que os Franz Ferdinand estão-se nas tintas para quem possa achar que eles não passsam daquilo, já que neste novo disco, a maior virtude que se encontra é ele ser o mais aproximado com o disco homónimo de estreia, de todos aqueles que entretanto produziram. Cada uma destas novas dez músicas que eles propôem refletem um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de canções que cairam no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo.

Portanto, o grande segredo dos Franz Ferdinand reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar! É curioso até perceber que, de disco para disco, a noção de simplicidadce está cada fez mais presente, já que agora nem se vislumbram alguns arranjos eletrónicos que constavam de alguns dos anteriores alinhamentos da banda. Para este grupo quem dita as regras são eles próprios, apesar de pequenos detalhes que nos remetem para outros projetos, com os Gang Of Four à cabeça. Mas o importante é que a ideia de festa esteja sempre presente.

Não há necessidade nenhuma de perdermos o nosso tempo a procurar encontrar uma justificação plausível para os segredos e técnicas que Kapranos utiliza para fazer algo tão acessível, até porque, se pousarmos um pouco a cerveja e o garfo e nos debruçarmos na arquitectura das canções dos Franz Ferdinand, apercebemo-nos que é tudo fruto de muito trabalho e dedicação e que as coisas n~so serão assim tão simples como à primeira vista aparentam.

Espero que a festa esteja a ser divertida e onde quer que se encontrem, desde que este disco esteja a tocar e a cerveja esteja fresquinha é só avisar-me que se estiver nas redondezas irei ter convosco. Fico à espera de um convite e espero que aprecies a sugestão...

Franz Ferdinand - Right Thoughts, Right Words, Right Actions

01. Right Action
02. Evil Eye
03. Love Illumination
04. Stand on the Horizon
05. Fresh Strawberries
06. Bullet
07. Treason! Animals.
08. The Universe Expanded
09. Brief Encounters
10. Goodbye Lovers And Friends


autor stipe07 às 22:21
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Au Revoir Simone - Crazy

Este ano tem sido repleto de boas novidades e uma delas é o regresso aos discos das Au Revoir Simone. Depois de há algumas semanas ter sido divulgado Somebody Who, a primeira amostra de Move In Spectrums, o próximo disco desta banda de Erika Spring, agora chega a vez do single Crazy.

Ao contrário de Somebody Who, Crazy carrega no pedal da distorção; A canção aposta menos nos sintetizadores e dá a primazia às guitarras e a uma bateria bastante rápida na construção da base melódica.

Pelas amostras já divulgada, o novo disco significa um regresso que se saúda das Au Revoir Simone a um espectro sonoro mais experimental e dá um maior relevo ao lado mais rockeiro destas miúdas, que este novo tema tão bem ilustra.
Move In Spectrums é o quarto disco das Au Revoir Simone e será lançado pelo selo Moshi Moshi no outono.




autor stipe07 às 10:21
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Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013

Washed Out - Paracosm

Lançado no passado dia treze de agosto, por intermédio da Sub Pop Records, Paracosm é o novo disco de Washed Out, o projeto musical do multi-instrumentista Ernest Greene, um dos nomes fundamentais, a par de Neon Indian ou Toro Y Moi, da nova chillwave. Paracosm sucede a Within and Without, um dos melhores discos de 2011 e foi produzido por Ben Allen, um produtor que neste trabalho soube muito bem como criar uma verdadeira tapeçaria sonora que se relaciona com particular coerência com o habitual clima sonoro de Greene.

Paracosm chamou-me a atenção há algumas semanas quando foi divulgado Don't Give Up, o primeiro single oficial. Desde logo fiquei atento e aguardava com alguma expetativa o lançamento deste disco. A primeira audição do álbum proporcionou-me logo uma agradável sensação de bem estar, uma verdadeira comunhão de boas sensações que as nove músicas iam despertando à medida que o alinhamento se sucedia. Logo na abertura, as notas delicadas no sintetizador misturadas à som de pássaros e da natureza de Entrance, transportam-nos de imediato para o mundo de Paracosm e já nem queremos olhar para trás porque entramos em contado direto com uma praia ensolarada à beira de uma floresta tropical. E logo de seguida It All Feels Rights é perfeita para estendermo-nos na areia macia enquanto a voz sonhadora de Ernest Greene e a melodia transcendental e sublime da canção nos deixam em puro êxtase.

A partir daí é impossivel não esboçar alguns sorrisos e não nos deixarmos perder e levar emocionalmente pelo conteúdo da obra. Don't Give Up, o tal single, é uma enorme lufada de optimismo que bate em cheio na nossa face como a suave brisa do mar e dá-nos alento para olhar em frente enquanto o refrão soa exatamente aquilo que sabe bem escutar quando somos traídos por uma qualquer contrariedade (even though that we're far apart, We've come so close and it feels so right, Don't give up). Um pouco mais à frente, na sequência, Weightless e All I Know, se fechares os olhos durante a audição destes dois temas com uma progressão única e que serão, talvez, o núcleo duro de Paracosm, garanto que é impossível não ficares imune a qualquer sentimento menos positivo e não te sentires cheio, preenchido e feliz.

Na segunda metade do disco destaco o abraço que nos é dado por uma chuva de sintetizadores, pelas palmas e novamente por sons da natureza em Falling Back, o belo dedilhar de guitarra que preenche o tema homónimo e nos deixa perplexos e All Over Now, a banda sonora ideal para um belo final, feito com um pôr do sol tranquilo e cheio de cor.

Em suma, Paracosm é uma notável terapia musical, um disco muito coeso, onde cada um dos seus momentos é realmente único e pode ser projetado dentro de nós de várias formas, determinadas por aquilo que as canções nos fazem sentir ou pelo grau de transe sonoro que a sua audição nos permite atingir. Para quem ainda não entrou em contacto com o universo sonoro de Washed Out, os rótulos que costumam ser associados à sua música são a chillwave e a dream pop lo fi. Mas a música de Greene é, acima de tudo, um transmissor de tranquilidade que utiliza uma pop sonhadora para nos hipnotizar e funciona como um eficaz soporífero que nos leva para longe de uma realidade tantas vezes pouco agradável.

Um dos maiores méritos deste trabalho é fazer-nos sentir uma vontade imensa de o compartilhar com quem nos rodeia, uma abordagem expansiva ao disco que, de algum modo, contraria o cariz algo introspetivo da dream pop; Por isso, se chegaste a ler esta análise sincera de Paracosm até ao fim, espero mesmo que aprecies a sugestão...

Washed Out - Paracosm

01. Entrance
02. It All Feels Right
03. Don’t Give Up
04. Weightless
05. All I Know
06. Great Escape
07. Paracosm
08. Falling Back
09. All Over Now


autor stipe07 às 21:45
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Lemonade - Skyballer

Depois de ter divulgado Driver no verão de 2012, estou de regresso aos Lemonade, já que a dupla acaba de disponibilizar gratuitamente um novo tema. A mais recente canção deste projeto natural de Brooklyn, Nova Iorque, foi produzida por L-Vis 1990 e chama-se Skyballer, seis minutos feitos com uma excelente pop dançável e com arranjos que conferem ao tema uma toada algo psicadélica e que vão da tropicália ao acid house. Confere e usufrui...


autor stipe07 às 09:38
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Quarta-feira, 21 de Agosto de 2013

Garotas Suecas - Feras Míticas

Naturais do Brasil, os Garotas Suecas são Fernando Freire (baixo), Guilherme Sal (voz), Irina Bertolucci (teclas), Nico Paoliello (bateria) e Tomaz Paoliello (guitarra), um coletivo de São Paulo que se estreou em 2009 com o EP Dinossauros e em 2010 com o muito aclamado, colorido e tropical Escaldante Banda, um álbum considerado por imensa crítica como um dos melhores desse ano no país irmão. Três anos depois, Escaldante Banda já tem sucessor; Acaba de ser editado Feras Míticas, um conjunto de novas canções produzidas por Nick Graham Smith e gravadas no Pendulum Studio, entre setembro e dezembro de 2012. Além de uma vasta lista de músicos que colaboraram no processo de gravação e nos próprios espetáculos de promoção, Feras Míticas contou com as participações especiais de Lurdez da Luz em A Nuvem, Kid Congo Powers em L.A. Disco e Paulo Miklos, dos Titãs, em Charles Chacal. Feras Míticas está disponível para download gratuito no sitio da banda.

Desconheço o conteúdo sonoro de Escaldante Banda, mas a leitura de alguma crítica sobre Feras Míticas sugere que este novo disco é um passo em frente no cardápio sonoro dos Garotas Suecas já que representa uma certa inflexão de som e estilo. O primeiro disco era muito vivo, cheio de cor, como já referi, mexido e com muito funk e groove. Feras Míticas é um pouco diferente já que, no seu todo, é um trabalho carregado de melancolia, com uma forte essência pop, sem canções propriamente dançáveis e, por isso, muito mais nostálgico, intimista e ameno do que o disco de estreia, apesar das guitarras cheias de tropicalia de Manchetes de Solidão, o tema de abertura do novo trabalho. Onde antes havia suor e crueza, há agora lágrimas e detalhe. Bucolismo, uma das doze canções do disco, define com exatidão a presente fase das Garotas Suecas e a fuga aos sons festivos em deterimento de algo mais maduro e nostálgico (Estou passando por uma uma fase estranha, Algo novo está preso em minhas entranhas, E nada que eu fizer vai me deixar nesse lugar).

Como é de esperar numa alteração de sonoridade, o catálogo instrumental utilizado também muda e em Feras Míticas o público contacta com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. De violinos às guitarra e aos violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, os Garotas Suecas presenteiam-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que terão sido ampliadas pela presença de Nick na produção, um profissional que aprecia a soul e o funk mas também o rock de outras décadas, referências muito presentes em Feras Míticas, o que faz com que o álbum seja uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito novidade.

A voz é um importante trunfo em Feras Míticas, não só por causa do registo vocal de Irina Bertolucci, mas também pelos próprios arranjos que a acompanham e que ajudam a estilizar algumas canções, nomeadamente New Country, L.A. Disco e A Nuvem, temas onde a soul e o R&B estão muito presentes, devido também à ação da voz. Em A Nuvem, como já referi, os Garotas Suecas contaram com a participação especial de Lurdez da Luz na voz e a sua presença é indiscutivelmente uma mais valia na forma como intensifica a relação do tema com o R&BCharles Chacal é um original que esteve para ser gravado pelos Titãs de Paulo Miklos na década de oitenta, algo que não aconteceu porque o tema foi censurado pela ditadura vigente à época. Acaba por ser natural e justa a sua presença na voz que, neste caso, não sendo o principal atributo da canção, é essencial para a complementar com uma certa sujidade roqueira.

Feras Míticas é um exercício musical muito interessante de uma banda que sabe como desatar o nó em que muitas vezes alguns projetos conterrâneos e comtemporâneos se encontram por terem nascido e crescido numa realidade musical riquíssima, mas com contornos sonoros muito particulares e definidos. No Brasil não é particularmente fácil e consensual a aposta em universos sonoros alternativos se antes os projetos se projetaram através de uma fórmula sonora que condensava alguns dos principais tópicos da tropicália para criar um eficaz, divertido e criativo clima de baile. Os Garotas Suecas são um excelente exemplo de como é possível mudar e Feras Míticas, além de ser um álbum que amplia o efeito positivo em cada nova audição, é inspirador porque instiga quem procura novas sonoridades. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:49
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Terça-feira, 20 de Agosto de 2013

MINKS - Tides End

Sedeada em Brooklyn, Nova Iorque, a etiqueta Captured Tracks continua a dar a conhecer alguns dos projetos mais interessantes do cenário musical alternativo. Depois dos DIIV, Beach Fossils, Wild Nothing, The Soft Moon, Widowspeak, Blouse, Soft Metals, Holograms, Thieves Like Us, Heavenly Beat e Medicine, alguns nomes amplamente divulgados neste blogue e no meu topo das preferências, agora chega a vez de um casal chamado MINKS, liderado por Sean Kilfoyle. Tides End é o disco mais recente dos MINKS e viu a luz do dia a seis de agosto, sucedendo a By The Edge, o disco de estreia do grupo, editado em 2011.

Tides End foi composto e gravado num local isolado na costa leste dos Estados Unidos, não muito longe de Nova Iorque e junto ao oceano atlântico. O trabalho foi poduzido por Mark Verbos, um nome famoso no universo sonoro da música eletrónica, em especial na vertente do techno. Este álbum é uma assumida tentativa por parte dos MINKS de criar algo mais cru e direto do que o conteúdo sonoro de By The Edge, um trabalho que foi muito influenciado pelo shoegaze e pela chillwave. Seja como for, essa ruptura não é total e Tides End acaba por soar muito mais a uma progressão natural do que foi proposto na estreia, do que propriamente a uma inflexão relativamente ao conteúdo desse disco.

Logo na abertura, na eletropop de Romans, estão muito resentes as fortes reminiscências com a pop alternativa dos anos oitenta, feita com sintetizadores, uma percurssão leve mas vincada, uma guitarra luminosa e uma melodia etérea acentuada pelas vozes da dupla, uma importante âncora do ambiente sonoro que os MINKS querem recriar. Margot desloca os MINKS do local onde gravaram o álbum, já que faz-nos sonhar com Hollywood e com o glamour da costa oeste ou da Flórida, até porque é um tema que parece ter sido retirado de algumas das bandas sonoras de míticas séries de televisão de há três décadas. Mais à frente, Hold Me Now é uma canção com contornos mais terrenos, assombrada por memórias de vidas antigas e amores passados.

Mas dois dos meus destaques do álbum acabam por ser o baixo da excelente balada Playboys Of The Western World, um instrumento que, neste caso, ajuda imenso a dar vida à temática da canção relacionada com a normal atração da juventude pela decadência e as guitarras em reverb de Everything's Fine que, juntamente com o baixo vibrante, remetem-nos para um ambiente polido, mas com um brilho que não deixa nunca de ser algo sombrio e lo fi, apesar de essa ser uma caraterística do som dos MINKS cuja associação Kilfoyle não aprecia particularmente. As questões juvenis voltam a ser abordadas em Doomed and Cool, uma canção que ilustra a típica cena de uma uma normal conversa entre adolescente que partilham entre si angústias e receios, numa esquina qualquer dos subúrbios, sob um sol escaldante.

O single Painted Indian acaba por ser a canção que de algum modo interpreta uma maior ruptura com a estreia, já que além de ser o tema mais comercial do álbum, tem uma toada pop que nos remete facilmente para um mundo sonoro algures entre os R.E.M e os Smiths, o que é, sem dúvida, uma verdadeira novidade no conteúdo sonoro desta dupla norte americana.

Se o romantismo melancólico, sombrio e algo gótico de By The Edge fez com que os MINKS fossem apelidados de uma versão moderna dos Cure, em Tides End o casal desafia todas essas expetativas que foram criadas ao seu redor e cria um disco que funciona como um santuário que permite uma fuga das dores da realidade e explora com elevada subtileza e uma significativa dose de detalhe a tradicional canção pop, mostrando um lado mais luminoso e carregado de enormes e novas possibilidades, tão vastas como o horizonte infinito do mar que fica mesmo em frente ao local onde este álbum foi gravado. Espero que aprecies a sugestão...

Minks - Tides End01. Romans

02. Everything’s Fine
03. Margot
04. Playboys Of The Western World
05. Weekenders
06. Painted Indian
07. Hold Me Now
08. Doomed And Cool
09. Ark Of Life
10. Tides End



autor stipe07 às 22:48
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Sivu - Over & Over

Sivu, um músico londrino, acaba de pôr em sentido alguns dos nomes mais relevantes do indie alternativo feito com uma pop climática, devido a Over & Over um novo tema incluido no mais recente EP do músico e que sucede a Bodies, outro EP que Sivu lançou há alguns meses e que anda a ser tocado durante uma digressão que irá até ao início de dezembro com os London Grammar e os Stornoway.

Com um interessante cardápio de arranjos dominados pelas cordas e pelos metais e uma produção algo épica, Over & Over é um extraordinário exemplar de pura delicadeza dentro do cenário sonoro que o músico procura replicar e que o sustenta. A canção desafia a postura vocal de Justin Vernon, abraça sem pedir licença a cândura dos The XX e serve-se de fragmentos sonoros que brilhariam com enorme subtileza na obra dos Fleet Foxes.

Esta indie pop introspetiva de excelente qualidade está disponível para download na página do cantor. Confere...



autor stipe07 às 10:43
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Segunda-feira, 19 de Agosto de 2013

The Glockenwise - Leeches

Os The Glockenwise são Rafael Ferreira, Cristiano Veloso, Nuno Rodrigues e Rui Fiúsa, quatro amigos de Barcelos, que se juntaram em plena adolescência, no já longínquo ano de 2007, para fazer música. Inspirados pelo rock de garagem e admiradores dos conterrâneos Green Machine de João Pimenta, estrearam-se em 2011 com Building Waves e depois disso viveram de tudo um pouco, desde correrem o país de norte a a sul em transportes públicos, passando por uma digressão europeia e por concertos em alguns palcos nacionais de relevo. Leeches, o novo disco, editado no passado dia vinte de maio por intermédio da portuense Lovers & Lollypops/ VICE, é também reflexo e resultado de todo este turbilhão de novas experiências, vivências e emoções, um trabalho que foi gravado nos Estúdios Sá da Bandeira. Leeches contou com João Brandão, Eduardo Maltez (L&L) e João Vieira (X-Wife) na produção e com a participação especial de Pedro Sousa nos saxofones.

Logo na estreia os The Glockenwise cimentaram a sua sonoridade típica feita com um rock puro e duro, ainda algo crua e inocente, mas cheia de influências típicas do punk rock, transversais a nomes tão significativos coomo os MC5, Stooges ou Black Lips, de acordo com a crítica dessa época. A grande diferença de Leeches em relação a Building Waves acaba por ser, de acordo com as palavras da própria banda na entrevista que me concedeu e que podes conferir abaixo, a coesão do disco como um todo e a propria composição dos temas especialmente nos arranjos.

Os The Glockenwise gostam de experimentar coisas novas e demonstram essa faceta em Leeches, já que pretendem criar uma discografia que não seja monótona. Essa maior diversidade sonora relativamente à estreia, presente em Leeches, acaba por ser fundamental para, na minha opinião, colocar os The Glockenwise na linha da frente do cenário musical alternativo nacional.

As oito canções do álbum abstraem-nos facilmente da realidade em redor e têm uma energia fortemente visceral, apesar do forte pendor lo fi do garage rock que as sustenta. Não há grandes segredos ao nível dos arranjos, apesar do som ser cuidado e sem falhas e essa autenticidade das canções acaba por ser um dos grandes trunfos de Leeches, assim como a curta duração das mesmas, apenas a essencial para que a mensagem passe com clareza e nos deixe mesmo no ponto certo, no que diz respeito ao prazer que a absorção das emoções que o disco transmite permite sentir. Em suma, a dose energética debitada pelas guitarras está no ponto para nos permitir uma verdadeira descarga corporal, com canções que falam das atuais dificuldades dos jovens em encontrar trabalho e das suas normais angústias diárias, sendo fácil sentirmo-nos identificados por algum dos temas do disco.

Leeches é um trabalho delicioso, com uma elevada dose de criatividade, um disco que se ouve, nos cerca de vinte minutos de duração, de uma vez só e em modo repeat. Até o piano da clássica Goodbye assenta como uma luva neste quadro sonoro pintado por uns The Glockenwise que certamente acreditam que um dia os amplificadores e a distorção irão comandar o mundo.

Além da música, gostaria de destacar o vídeo do tema homónimo deste disco. O mesmo foi filmado na terra natal, no Estádio Adelino Ribeiro Novo e mostra os quatro barcelenses a aprender como é que se joga futebol, sob o olhar atento do realizador portuense Vasco Mendes. A estreia deste filme deu-se numa plataforma própria da Redbull, fruto de uma parceria que a banda tem com a marca. Confere aqui o vídeo.

Os The Glockenwise actuaram este verão em alguns festivais, nomeadamente no Optimus Primavera Sound, ao lado de nomes como Fucked Up, My Bloody Valentine ou Liars e, mais recentemente, deram um excelente concerto em Paredes de Coura. Confere então abaixo a entrevista que a banda me concedeu com o inestimável apoio da Raquel Lains da Let's Start A Fire e espero que aprecies a sugestão....

Super Villain

Bad Weather

Timo to Go

Mood Swings

Napoleon

Leeches

Losing / Doubt Manthra

Goodbye

 

Os The Glockenwise estrearam-se em 2011 com Building Waves e depois disso, desde correrem o país de norte a a sul em transportes públicos, passando por uma digressão europeia e alguns palcos nacionais de relevo, viveram de tudo um pouco. Estavam à espera de um impacto tão positivo com o primeiro disco?

R: não estavamos mesmo nada a espera, aconteceu muito de repente , fomos aproveitando e tocamos em todos os sitios possiveis.

 

Leeches é também reflexo e resultado de todo esse turbilhão de novas experiências, vivências e emoções?

R: Completamente! Leeches acaba por ser o resumo de tudo o que andamos a fazer nesse tempo todo.

 

Como chegaram à escolha do nome para o álbum?

R: O nuno apareceu com o nome e explicou o porque da sua escolha, nós achamos que fazia todo sentido e facilmente nos decidimos com este nome.

 

Quais são as principais diferenças entre Building Waves e Leeches?

R: penso que a coesão do disco como um todo e a propria composição dos temas especialmente nos arranjos fazem a diferença entre os dois discos.


Gravado nos Estúdios Sá da Bandeira, Leeches contou com João Brandão, Eduardo Maltez (L&L) e João Vieira (X-Wife) na produção e contou com a participação especial de Pedro Sousa nos saxofones. Como surgiu a possibilidade de trabalhar com todos estes nomes?

R: estas pessoas fazem parte das nossas vidas a algum tempo e por isso foi muito simples juntar esta malta toda para trabalhar connosco. além de excelentes musicos e produtores são pessoas com quem nos gostamos de conversar e partilhar ideias.

 

Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse e percebi que as vossas influências musicais vão dos Stooges aos Black Lips. São estes os vossos principais gostos musicais pessoais? O que andam a ouvir?

R: nós gostamos de ouvir muitas coisas diferentes passando pelos stooges e black lips, no entanto gosto de ouvir slayer e tom jobim da mesma forma, por isso é mesmo muito muito dificil para mim dizer o que gosto mais.


O vídeo oficial do tema homónimo de Leeches foi gravado no Adelino Ribeiro Novo. Como surgiu esta ideia e, já agora, há por aí algum talento futebolístico escondido que se transferiu para o mundo da música?

R: essa ideia pertence ao Vasco Mendes(realizador), foi ele quem sugeriu esse plano.acho que se houvesse por aí um torneio de futebol de bandas a taça facilmente seria nossa.


A banda tem um tema preferido em Leeches?

R: quando terminamos as gravaçoes ficamos todos encantados com a musica "leeches" acho que essa acabar por ser a nossa preferida.

 

O que vos move é apenas e só o rock simples e direto, puro e duro, ou gostariam de no futuro explorar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico do projeto The Glockenwise?

R: nós gostamos muito de experimentar coisas novas,acho que já demonstramos essa nossa faceta com "leeches".Penso que vamos sempre tentar fazer com que a nossa discografia não se torne monótona para quem nos segue desde o primeiro disco.

 

Que importância tem para os The Glockenwise a parceria com a Let’s Start A Fire?

R: Tem muita importancia, a Raquel tem sido impecavel e super paciente connosco. Só podemos retirar coisas boas da nossa parceria com a let´s start a fire.

 

Para finalizar, como é que correu o vosso concerto no Optimus Primavera Sound?

R: Correu super bem! as pessoas estavam a chegar e estava um ambiente muito agradavel, até senti uma brisa só de pensar nesse dia.


autor stipe07 às 22:32
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Kenna - Relations (An Ode To You & Me)


Produzido por Chad Hugo, parceiro de Pharrell Williams nos The Neptunes, Relations (An Ode To You & Me) é o novo single de Kenna, um cantor norte americano de Los Angeles.

A canção é o primeiro avanço para Land 2 Air Chronicles II – Imitation is Suicide, o novo EP do cantor que sairá brevemente e nela sobressai uma íntima relação entre sonoridades contemporâneas e as influências declaradas quer de Kenna, quer de Chad, algures nos anos oitenta. Assim, Relations (An Ode To You & Me), destaca-se logo nos segundos iniciais pela sensual linha de baixo carregada de funk e, pouco depois, por uma voz que nos remete para David Byrne e os seus Talking Heads, algo reforçado pela íntima relação que se vai criando, à medida que a canção escorre pelos nossos ouvidos, entre os típicos sintetizadores de há três décadas atrás e as orquestrações impostas por Chad.

O território dominado por nomes tão significativos como os Hercules And Love Affair acaba também por ser invadido, em quatro minutos de puro deleite climático disponibilzados gratuitamente pelo músico e que se inserem nas habituais propostas sonoras de Kenna. Confere...



autor stipe07 às 14:46
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Domingo, 18 de Agosto de 2013

Curtas... CXXV


Repave, o novo disco do projeto Volcano Choir, chega a três de setembro via Jagjaguwar e Comrade é o mais recente tema divulgado por esta banda que conta com Bon Iver e alguns elementos dos Collections Of Colonies Of Bees. A inimitável voz de Iver é, sem dúvida, o grande trunfo deste tema que tem uma sonoridade feita com uma indie pop bastante etérea, nostálgica e expansiva, que nos remete facilmente para o seu projeto a solo. Confere..


Os YAWN, um grupo de Chicago liderado por Adam Gil, estão a trabalhar no sucessor de Open Season, o disco de estreia editado em 2011. Para já, conhece-se aquele que poderá ser o primeiro single desse novo trabalho; O tema chama-se Summer Heat, um excelente momento de avant pop psicadélica, realçado por uma escrita que exalta o amor como o mais belo de todos os sentimentos (Maybe when you call I can run in the sun (...) Fly through the trees and crawl through the mud just for you.). Confere... 


Kelley Stoltz tem andado a produzir para Soony Smith e os The Sandwiches, mas não colocou a sua carreira a solo de lado. Depois de ter editado To Dreamers há algum tempo, recentemente assinou pela Third Man Records e já anunciou um novo álbum, o primeiro nessa conceituada etiqueta. Produzido pela dupla Eddy Current e Total Control's Mickey, o disco vai chamar-se Double Exposure, chega às lojas a vinte e quatro de setembro e o punk rock de Kim Chee Taco Man é o primeiro single divulgado. A canção remete-nos imediatamente para a fase aúrea dos Interpol, com uma pitada de The Strokes. Confere...

Download: Kelley Stoltz – Kim Chee Taco Man [MP3]

 

Oriundos de NY mas com fortes ligações ao Texas, os Parquet Courts foram um dos destaques de Man On The Moon em 2012 devido a Light Up Gold, o disco de estreia. No outono de 2013 estarão de regresso, mas agora com um EP chamado Tally All The Things That You Broke. O tema de abertura é You’ve Got Me Wonderin’ Now e pela amostra mantém-se a fórmula que tão bons resultados deu e que replica um indie punk incendiário e cheio de vigor. Confere...


Depois de Feral Flocks, os norte americanos Hills Like Elephants já trabalham no sucessor, o terceiro disco desta banda de São Diego. Acid Jelly e Fall Through, disponíveis gratuitamente, são os dois primeiros avanços desse novo trabalho, dois temas onde o post punk dos Joy Division se cruza com a pop eletrónica de James Blake. Confere...


autor stipe07 às 22:31
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