Terça-feira, 30 de Julho de 2013

The Everywheres - Slow Friends vs The Everywheres


Os The Everywheres são Samuel T. Hill, Shannon MacDonald, Curtis Rothney e Nicholas Hanlon, um quarteto de Halifax, na Nova Escócia e que começa a obter um certo reconhecimento no universo sonoro alternativo. Slow Friends, lançado no passado dia catorze de março e o homónimo The Everywheres, lançado a vinte e seis de junho, são os dois trabalhos discográficos que já constam do cardápio sonoro deste coletivo. Ambos foram lançados por intermédio da Father/Daughter Records e estão disponíveis pelo preço que quiseres no bandcamp da banda.

Os The Everywheres começaram a fazer música no verão do ano passado e pelos vistos com bastante empenho e, tendo em conta o conteúdo sonoro dos dois álbuns, uma notável criatividade. Não é muito natural o lançamento quase em simultâneo de dois trabalhos, ainda por cima de um grupo que se está a estrear.

Parece-me haver um certo descomprometimento, quanto a mim saudável, de não querer ficar  espera da reação do público antes de sugerir mais uma fornada de canções, ou então houve um feliz aproveitamento do sucesso de Slow Friends. Seja como for, estes dois trabalhos caberiam perfeitamente num duplo álbum, já que são bastante parecidos sonoramente e firmam com solidez a sonoridade dos The Everywheres.

Melhor do que a minha descrição da sonoridade dos The Everywheres, que vai buscar bastante influência à pop e à psicadelia dos anos setenta, será, sem dúvida, a escuta atenta destes dois discos, possivel, como já referi, no bandcamp do grupo. Espero que aprecies a sugestão...



autor stipe07 às 22:21
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Curtas... CXX

Os Flower Drums vÊm de Perth, na Austrália e são um coletivo apaixonado pela indie pop lo fi que se cruza com a psicadelia, criando uma espécie de sonoridade chillwave, retro e inspirada, de acordo com a banda, na ficção científica dos anos oitenta. Swim Down, disponível gratuitamente, é o primeiro single já conhecido de um disco de estreia que deverá chegar até ao final do ano. Confere...

 

Uma das etiquetas mais conhecidas de Orlando, na Flórida, é a Relief In Abstract Records e Fortune Howl, um artista local, uma das suas maiores apostas em 2013. Este músico, que baseia a sua sonoridade em experimentações eletrónicas na área da pop e da folk, lança hoje Earthbound, o seu mais recente disco e Interzone Export é o primeiro single já conhecido. Clica na imagem e confere... 

 

Naturais de Los Angeles, as Deap Vally são Lindsey Troy e Julie Edwards, uma dupla feminina que faz um garage rock bastante musculado e inspirado, a fazer recordar outras duplas, nomeadamente duas mistas (White Stripes e The Kills) e uma masculina (The Black Keys). Bad for My Body é o primeiro single retirado de Sistrionix, o disco de estreia das Deap Vally, um trabalho que chegará às lojas em outubro. Confere o tema via SPIN.

 

Glue Trip é uma dupla brasileira formada por Lucas Moura e Felipe Augusto e que aposta na delicadeza dos sons e na composição de arranjos que nos levam numa viagem lisérgica e subtil pela sua música. Atentos à psicadelia e capazes de dialogar com a chillwave, os Glue Trip reforçam todas estas permissas em Lucid Dream, o mais novo e etéreo registo da dupla. Assente em camadas harmónicas de vozes e sons, o trabalho recorda a experimentação dos Tame Impala e pode obtido gratuitamente.


Realizado por Michael Cimino, Heaven's Gate é o nome de um aclamado filme Sci-fi realizado em 1980 e que ganhou uma Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes desse ano. Mas também é o nome de uma banda de Brooklyn liderada por Jess Paps e com uma sonoridade indie rock vintage, shoegaze e psicadélica. Drone é o primeiro avanço para Transmuting, o próximo disco dos Heaven's Gate, que chegará às lojas a vinte e quatro de setembro, via Inflated Records, estando o tema disponível para download gratuito na publicação online stereogum. Confere...


autor stipe07 às 18:58
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Fusing Culture Experience

É já esta quinta-feira que arranca o Fusing Culture Experience, um evento único que decorre de 1 a 4 de Agosto, na Figueira da Foz e vale bem a pena uma visita. Com uma programação totalmente nacional e com grandes nomes como: Orelha Negra, Linda Martini, Paus, Noiserv, HMB, António Zambujo, We Trust, Frankie Chavez, DJ Ride, Throes + The Shine, e muitos mais.

Para além da música, na gastronomia temos o Maior Workshop Culinário do Mundo, por Chakall, os showcookings móveis, os workshops, o mote "Gourmet de comer à mão" na zona gastronómica do recinto principal, para além de muito mais deliciosas actividades gastronómicas.
Na arte, há várias paredes da cidade que irão ser intervencionadas por diversos artistas urbanos, a exposição colectiva THE ART OF USING.THE BOX, a exposição de fotografia de Rui Gaiola, a exposição Multissensorial "Explode" dos The Gift, os mini docs do Canal 180, as curtas-metragens do Shortcutz Porto, os workshops de stencil, ilustração e dança e muito mais.
No desporto, destaque para o surf nocturno, o snowboard urbano, o surf adaptado, a bicicleta como meio de transporte principal no evento, entre muito mais actividades desportivas que irão decorrer ao longo do festival.

Esta é uma experiência de verão única em Portugal, através da fusão entre quatro áreas, Música, Arte, Desporto e Gastronomia, com a cidade e com o público.

O recinto principal é composto por uma praia privada, uma garagem transformada em galeria de arte, uma pista onde vai decorrer uma etapa do circuito nacional de snowboard urbano, uma zona lounge que receberá desde curtas-metragens a performances e 3 palcos, sendo um deles no Casino da Figueira.

Também a cidade vai ser alvo de transformações e fusões inusitadas que vão desde o Showcooking móvel, através de uma bicicleta, às intervenções urbanas de artistas como Mário Belém ou Kruella D’Enfer. No mercado municipal, o mote é a gastronomia em que o Peixe e o Arroz, tão característicos da cidade, se assumem como a base das várias actividades. Apareçam!

 

autor stipe07 às 17:32
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Curtas... CXIX

Basement Jaxx - What A Difference Your Love Makes

Os Basement Jaxx vão regressar aos discos com Music, um trabalho que chegará às lojas ainda antes do final de 2013. What a Difference Your Love Makes é o primeiro single já divulgado, um tema muito animado e cheio de groove, cantado por Sam Brookes e contagiado pelo house e com guitarras que parecem inspiradas nos Daft Punk. Confere... 

 

Below My Feet, um original dos Mumford & Sons, acaba de ter direito a uma excelente versão da autoria da dupla The Very Best & Seye. A curiosidade desta nova roupagem é que, sem pôr em causa a identidade do tema, Below My Feet deu origem a uma outra canção, devido à inserção, por parte de Seye (músico natural do Malawi), de elementos típicos de sonoridades étnicas. Recordo que a dupla já tinha feito o mesmo com Paper Planes, de M.I.A. e com Cape Cod Kwassa Kwassa, um original dos Vampire Weekend. Confere...

 

Shugo Tokumaru é um cantor, compositor e multi-instrumentista japonês, que se estreou nos discos em 2004 com Night Piece. Shugo faz parte dos japoneses Gellers, uma banda rock local, mas é famoso por criar toda a sua música, desde o processo de escrita das letras à composição melódica e aos arranjos e produção, passando pela interpretação e gravação dos instrumentos.

Video Killed The Radio Star, um original dos The Buggles e um dos temas mais conhecidos do universo musical, mereceu em 2011 uma soberba versão por parte deste músico, que agora partilho e que incluída num albúm de beneficiência intitulado Japan 3.11.11: A Benefit Album. Confere... 

 

Após uma pausa de seis anos em que fez mil e uma coisas, a esmagadora maioria delas pouco recomendáveis, ou então em que não fez coisa nenhuma, Pete Doherty está de regresso com os seus Babyshambles. Sequel To The Prequel, o sucessor de Down In Albion e terceiro disco deste grupo britânico, irá chegar às lojas no dia dois de setembro via Parlophone e Farmer's Daughter, o primeiro single já conhecido, mostra que Pete Doherty continua a propôr as mesmas particularidades líricas e sonoras a que nos habituou, trabalhadas em cima da blues e do rock clássico. Confere...

 

Os norte americanos Pop. 1280 estão de regresso com Imps Of Perversion, o hilariante novo disco desta banda de Nova Iorque. Human Probe é o mais recente single divulgado desse disco, uma pérola punk rock, hipnótica, potente e visceral, uma canção que merece toda a nossa atenção e que foi disponibilizada para download gratuito pela Sacred Bones, a etiqueta que vai lançar a rodela, já a seis de agosto. Confere...


autor stipe07 às 15:49
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Segunda-feira, 29 de Julho de 2013

Big Deal – June Gloom

Depois do shoegaze romântico que a dupla Big Deal construiu em Lights Out (2011), o casal britânico Alice Costello e Kacey Underwood está de regresso com June Gloom, um disco onde as guitarras falam mais alto, como é audível no single Teradactol. June Gloom sai pelo selo Mute Records, casa dos Yesayer, Liars e outras grandes bandas do cenário independente.


Com referências que vão dos Dinosaur Jr a My Bloody Valentine, June Gloom está cheio de canções que explodem em várias doses de distorção. Alice Costello e Kacey Underwood eram apenas crianças quando Kim Gordon e Thurston Moore viviam a fase mais inventiva do Sonic Youth e, além das referências já citadas, o trabalho do antigo casal nova-iorquino também ecoa fortemente em June Gloom, um disco que reforça ainda mais a relação dos Big Deal com o shoegaze e amplia de forma cuidadosa tudo aquilo que o dupla apresentou na estreia.

Em Big Deal somos de algum modo convidados e entrar no íntimo do casal, no quarto onde eles coabitam e que está cheio de ruídos confessionais, já que o conteúdo do álbum parece ser bastante auto-biográfico. Há músicas que falam sobre o fim de relacionamentos (Chair) e a necessidade de crescer (Cool Like Kurt), assuntos que serão certamente partilhados pelo casal. E também há canções que dispensam a voz (Summer Cold), mas que não deixam, apesar dessa ausência, de nos mostrar um certo dramatismo que estará implícito ao quotidiano dos autores.

No geral, as canções de June Gloom estão devidamente estruturadas, em oposição ao maior anarquismo que se ouvia em Lights Out, algo que, por si só, não era, tendo em conta a sonoridade global desse disco, um defeito. O que acontece é que existe a tal ampliação e inflexão relativamente à estreia, com um trabalho agora menos focado na relação apenas entre a voz e a guitarra, para se abrir o leque a uma maior heterogeneidade instrumental.

June Gloom acaba por poder ser dividido em duas partes. Durante a primeira metade do álbum, cada canção é quase o oposto do que abasteceu a estreia, sendo o single Teradactol, um bom exemplo disso mesmo, com os lampejos de shoegaze e metal que ela carrega e que nunca se tinham escutado nos Big Deal. Há também músicas como Swapping Spit e In Your Car que revivem o rock alternativo da década de noventa. Depois desta agitação inicial, June Gloom transborda algumas referências e lembranças da estreia, mas a presença ativa da bateria e do baixo não deixam que se contrarie a tal inflexão e ampliação que descrevi. É como se a crescente explosão de sons e ruídos que se concentra na abertura do disco lentamente perdesse força e Costello e Underwood chegassem ao fim do álbum com menos gás, com o auge dessa curva descendente na atmosférica e suave Little Dipper, um tema que troca as guitarras por uma viola acústica, cheia de acordes simples. Por mais que Pg, a canção seguinte, recupere as guitarras, a dupla passa a evitar conscientemente o exagero, seguindo assim até aos instantes finais de Close Your Eyes, quando uma nova distorção poderá servir, se quisermos, para ligar a canção novamente ao princípio do disco.

June Gloom é um trabalho que parece, como já disse, ser uma espécie de narração de histórias concretas da vida em comum deste casal e serve como convite para a interação por parte do ouvinte com as experiências que são narradas e que podem, facilmente, ser comuns a outras vivências, sendo, por isso, um disco com o qual facilmente nos podemos identificar. Espero que aprecies a sugestão...

01. Golden Light
02. Swapping Spit
03. In Your Car
04. Dream Machines
05. Call And I’ll Come
06. Teradactol
07. Pristine
08. Pillow
09. Catch Up
10. Little Dipper
11. Pg
12. Close Your Eyes


autor stipe07 às 22:38
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Domingo, 28 de Julho de 2013

Divine Fits – Ain’t That The Way / Chained To Love


Na sequência do primeiro álbum lançado em 2012, o A Thing Called Divine Fits, o trio Divine Fits lançou há poucos dias, através da Merge Records, um EP single com duas canções em vinil de doze polegadas e também já as disponibilizaram também para venda digital pelo iTunes, a um euro cada. Os dois temas têm a típica sonoridade rock deste grupo natural de Los Angeles. Dois videos com as letras dos temas, Ain't That The Way e Chained To Love, também foram divulgados. Espero que aprecies a sugestão...

01. Chained To Love
02. Ain’t That The Way


autor stipe07 às 12:14
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Sábado, 27 de Julho de 2013

Hills Like Elephants – Feral Flocks

Lançado a vinte e três de março, Feral Flocks é o novo disco dos Hills Like Elephants e o sucessor de The Endless Charade, de 2012. Naturais de São Diego, os Hills Like Elephants são Sean Davenport (voz e teclas), Daniel Gallo (baixo), Andrew Armerding (guitarra), Juan Carlos Ortiz (bateria) e Greg Theilmann Key (teclas e guitarra). Feral Flocks foi produzido por Christopher Hoffee nos estúdios Chaos Recorders.


Da Califórnia continuam a surgir vários projetos que refrescam sonoridades antigas, com arranjos contemporâneos e uma visão mais atual do que de melhor se vai escutando no universo indie e alternativo. Os Hills Like Elephants são mais uma daquelas bandas fortemente influenciadas pelo sol da costa oeste, mas que, tendo em conta essa aposta vintage de cara lavada, em vez de virarem agulhas para sonoridades mais perto da surf music, vão antes bater  porta das pistas de dança, neste caso do glam rock misturado com a indie rock e a pop eletrónica, que teve em David Bowie um dos expoentes máximos e nos LCD Soundsystem de James Murphy fiéis seguidores. Estas são algumas das influências bastante presentes nesta banda e Feral Flocks, de acordo com alguma crítica que li, é um passo em frente relativamente à estreia, uma espécie de Motown with Drum machines, nas palavras de Sean Davenport, o líder do projeto.

Não é fácil levar a sério um grupo que tem em Ninjavitus como título do single de apresentação de um disco, mas a verdade é que este tema de abertura de Feral Flocks acaba por ser o grande destaque do disco e uma excelente apresentação do seu conteúdo sonoro. Para o mesmo efeito juntaria também Origami Lions, outra canção que sobressai. As dez canções do trabalho são animadas e constroem uma sequência sonora divertida, ligeira e agradável de ouvir, que cai sempre bem nestes dias mais quentes e solarengos. O próprio Sean Davenport afirmou recentemente que houve um declarado propósito na concepção de Feral Flocks de fazer um disco simples e directo (I’m not trying to be profound. If I wouldn’t say it to you at a bar, I won’t say it lyrically).

A audição do disco não renega as influncias que já referi e Feral Flocks acaba por ser um quadro sonoro pintado com as ideias atitudes e estilos dos anos setenta e oitenta, mas com a tal contemporaneidade instrumental. As melodias aditivas e as letras orelhudas, cantadas por uma voz várias vezes em falsete e modulada, que facilmente acompanhamos e que quase nos convidam a isso, juntamente com os samples, as batidas típicas de um disco sound lo fi, fazem deste álbum um bom exemplo de como frequentemente, na música, as fórmulas mais simples são as que melhores resultados criam.

Não haverá nos Estados Unidos muitas bandas com uma sonoridade parecida com estes Hills Like Elephants e que misturem com tamanha habilidade certos aspetos da brit pop mais antiga com detalhes eletrónicos e a soul, universos sonoros à partida pouco permeáveis. Mas a verdade é que este coletivo faz essa simbiose com uma apreciável mestria. Espero que aprecies a sugestão...

01. Ninjavitus
02. Splendor
03. Foreign Films
04. Mystifying Oracle
05. Luxury
06. Start A War
07. Origami Lions
08. Conversation Piece
09. Empty Auditoriums
10. Haunting Press


autor stipe07 às 10:52
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Sugiro... XXXIV


autor stipe07 às 09:49
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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013

O Martim - De 5 em 7 Dias

Após a edição no início do ano de Em Banho Maria, já está disponível na íntegra para download, ao preço que quiseres, no bandcamp de O Martim, um EP com cinco canções com várias participações especiais e produzidas, misturadas e masterizadas pelo próprio no seu estúdio.

Desta vez o Martim não pegou em todos os instrumentos, nem gravou tudo sozinho em casa. O EP conta com António Quintino no baixo e nos arranjos de sopros, com João Pinheiro e David Pires na bateria, Iris Sarai nas teclas, Francisco Sales nas guitarras, António Bruheim no saxofone barítono, Diogo Duque no trompete e Mário Conguito Armândio no trombone. Martim apenas emprestou a sua excelente voz às canções e, tal como já disse, produziu o disco em casa. Com o computador e a placa de som às costas, Martim passeou pela cidade de Lisboa e arredores e foi gravar cada um dos músicos no seu local de trabalho. 
As músicas de De 5 em 7 Dias contêm os traços habituais da pop, do punk e do rock ligeiro, aos quais se acrescentam alguns detalhes típicos de universos mais quentes e tropicais. São temas que falam de relações e do desejo, de amores que nem sempre correm bem, de um quotidiano que a todos diz respeito e com o qual é fácil nos identificarmos.
Os dois maiores destaques do EP acabam por ser o homónimo De 5 em 7 dias e Faz o que tens a fazer, os dois singles deste mini-disco de verão de O Martim. O primeiro fala das exigências de uma relação, do perigo da rotina e de como é essencial uma reinvenção permanente para que ela resulte e o segundo é um tema que nos leva a refletir sobre o nosso próprio eu e se estamos dispostos a passar sempre despercebidos neste mundo e a ir sempre na onda ou se queremos assumir em pleno a nossa individualidade e a nossa liberdade pessoal.
De acordo com o press release que me foi enviado, o teledisco de De 5 em 7 dias, filmado na sala de estar e pensado por Martim e Filipe Casimiro e mostra-nos um resumo de cinco fases da deterioriação de uma relação. Cinco fases que são retratadas pelas actrizes Teresa Macedo, Maria Franqueira, Maria Ana Filipe, Inês Worm Tirone e Kaleigh Tirone. Um vídeo que conta também com a participação do mestre Francisco Sales, que não sai de casa sem se fazer acompanhar pela sua melodiosa guitarra. 

Quanto ao teledisco  de Faz o que tens a fazer, foi filmado com um telemóvel à prova de água pelo Martim e pela Joana Barra Vaz, num dia de praia na Costa da Caparica. Editado em casa do Martim, pelo próprio, conta com a participação de Francisco Vasconcelos, Joana Barra Vaz, James O´Brien, Luna Lune, Teresa Macedo e de um cão cujo nome não é sabido mas que se revelou um muito bom actor.

Uma referência final para a curiosa capa do EP, da autoria do conceituado artista Gonga. Espero que aprecies a sugestão...

De 5 em 7 dias cover art


autor stipe07 às 18:51
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Arca – &&&&&

 

Um dos produtores convidados  para participarem no processo criativo de Yeezus, o álbum de 2012 da autoria de Kanye West, foi Arca, um produtor de Nova Iorque e um dos artistas mais interessantes do cenário alternativo norte americano atual. O mais recente lançamento deste músico foi uma compilação de temas da sua autoria, uma mixtape chamada &&&&&, onde Arca brinca com os sons de uma forma muito peculiar e sua.

São pouco mais de vinte e cinco minutos de batidas e efeitos, vozes capturadas e sintetizadas, uma composição algo etérea e com uma base fortemente climática que praticamente nos coloca dentro de um universo muito próprio e criado pelo produtor. Desenvolvido em cima de catorze canções sublimes, o trabalho pode ser obtido gratuitamente na curiosa e criativa página do artista. Espero que aprecies a sugestão...



autor stipe07 às 10:53
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Quinta-feira, 25 de Julho de 2013

Hooded Fang – Gravez

Atualmente os Hooded Fang são April Aliermo, Daniel Lee, D. Alex Meeks e Lane Halley, uma banda natural de Toronto que está de regresso com Gravez, um álbum que viu a luz do dia a vinte e sete de maio por intermédio da Full Time Hobby.

Após a estreia em 2010 com um homónimo, um trabalho que na altura deixou marcas e do sempre difícil mas bem sucedido segundo álbum, intitulado Tosta Mista, editado em 2011 pela Daps Records, em Gravez estes canadianos dão um novo impulso ao seu já interessante cardápio sonoro, agora mais afastados do som sul-americanizado dos dois trabalhos anteriores.

Desde o início da carreira os Hooded Fang viram-se inseridos num universo sonoro catalogado como surf rock e foram comparados a nomes tão influentes como os Black Lips ou os The Drums. No entanto, desta vez quiseram deixar um pouco de lado os chinelos de dedo e os castelos na areia, para invadirem um ambiente sonoro mais urbano e típico dos subúrbios. De alguma forma, exploram novos territórios musicais, mas sem colocarem definitivamente de lado aquela essência pop dos anos sessenta, que ainda está muito audível, por exemplo, na sequência Bye Bye Land e Wasteland, duas canções que poderiam estar esquecidas algures numa cassete legendada com uma etiqueta a dizer Chris Isaak.

Apesar de serem canadianos, Gravez poderia ter sido gravado num velho saloon do oeste americano, cheio de cowboys e destilar whisky, já que houve uma nítida aposta mais próxima do rock americano, com uma produção forte e notoriamente mais agressiva, com a faixa homónima a dar indícios disso mesmo. O extraordinário baixo pulsante de Gravez, a distorção da guitarra e das vozes, levam-nos ao universo punk rock, num refrão que reclama constantemente a nossa presença e atenção... Why You Lookin' At Me?

Mas os destaques de Gravez não se ficam pelo tema homónimo; O single Ode To Subterranea, além da deliciosa distorção da guitarra e da própria voz, tem um groove intenso e convida-nos facilmente a abanar a anca. Gebres e Sailor Bull são duas canções com uma interpretação vocal a fazer lembrar os Black Keys.

Do blues dos anos sessenta ao rock de garagem, os Hooded Fang são competentes na forma como abordam diferentes estilos e tendências dentro do mesmo universo sonoro e com Gravez demonstram maturidade e valor suficientes para alargarem consideravelmente a variedade do seu cardápio sonoro. Apesar de em Never Mending Lee cantar sobre paragens de autocarros e como poderão ser um belo local para morrer, esta mesma maturidade deverá, futuramente, ser aprimorada nas letras das canções e na forma como a componente instrumental e a voz se interligam em determinados momentos. Quando isso suceder, estaremos na presença de um grupo essencial na nova fornada de propostas inseridas no universo indie punk rock que vão surgindo frequentemente. Espero que aprecies a sugestão....

1. Dry Range Intro
2. Graves
3. Ode to Subterrania
4. Bye Bye Land
5. Wasteland
6. Sailor Bull
7. Trasher
8. Never Mending
9. Genes
10. Dry Range Outro


autor stipe07 às 22:59
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Quarta-feira, 24 de Julho de 2013

Lloyd Cole – Standards

Standards é o décimo primeiro álbum do britânico Lloyd Cole e, de acordo com o próprio, o trabalho mais elétrico e natural da sua carreira, depois de se ter separado dos Commotions. Revolucionário no conteúdo de Rattlesnakes, um disco que no início da década de oitenta estava muito à frente dos seus contemporâneos, nomeadamente Morrissey ou Robert Smith, Cole vincou logo aí um estilo muito próprio, que também assenta bastante na ausência dos holofotes, o que fez com que grande parte da sua discografia tivesse passado um pouco ao lado do grande público, apesar da elevada bitola qualitativa da mesma.

Nestes trinta anos Cole construiu uma carreira brilhante e esses discos serviram para este músico, quase sempre em modo acústico, contar histórias e fazer confidências, servindo-se de uma pop que se foi cruzando com a folk, a country e o próprio rock e de uma guitarra que poderia muito bem ter sido comprada ao património dos The Birds. Álbuns como Love Story (1995), que trazia uma das mais belas canções dos anos 90, Baby, além de outros trabalhos como Don't Get Weird On Me Baby (1991) ou Bad Vibes (1993), são marcos singulares e já no novo milénio, com os The Negatives, não deixou de apresentar propostas sonoras altamente recomendáveis, que lhe permitiram angariar um nicho atento de seguidores que nunca deixaram de o bajular.

Standards marca o regresso aos anos oitenta e ao pop rock feito de guitarras que acompanham a sua voz única, que nunca perdeu o timbre peculiar e que o identifica. Num trabalho que abre com uma versão de um original do norte americano John Hartford, um dos nomes essencias da folk desse país, as suas onze canções vêm embrulhadas num invólucro sonoro que funde o melhor da pop britânica com esse rock, cheio de travos folk, do outro lado do atlântico, algo que poderia ter sido proposto, por exemplo, pelo Tom Petty e os seus The Heartbreakers. O maior exemplo disso é Period Place, mas outras grandes canções aparecem como a climática Myrtle And Rose, a folkie No Truck, a glam Blue Like Mars e a excelente Opposites Day.

A obra de Lloyd Cole é um manancial de belas surpresas que Standards poderá fazer despertar. Vale a pena, após todos estes anos, marcarmos um reencontro com Lloyd Cole e escutar não só este excelente disco, mas também toda a sua obra, que merece uma maior projeção, reconhecimento e carinho do grande público. Espero que aprecies a sugestão...

01. California Earthquake
02. Women’s Studies
03. Period Piece
04. Myrtle and Rose
05. No Truck
06. Blue Like Mars
07. Opposites Day
08. Silver Lake
09. It’s Late
10. Kids Today
11. Diminished Ex

Website
[mp3 V0] cz ul zs


autor stipe07 às 18:57
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Curtas... CXVIII

Yuck - Rebirth

Apesar de terem perdido recentemente o líder Daniel Blumberg, que optou por uma carreira a solo no projeto Hebronix, os britânicos Yuck, um dos nomes fundamentais do indie rock que replica atualmente sonoridades típicas do shoegaze dos anos noventa, não desanimaram e já há novo álbum na calha. Ainda sem nome nem data de edição prevista, esse trabalho irá suceder ao homónimo, editado em 2011. No entanto, já há single; A canção nova chama-se Rebirth, foi disponibilizada pela banda para download gratuíto e mostra que os Yuck, apesar do referido contra tempo, estão em grande forma. Confere... 

 

Desperate Romantics é o mais recente single dos GO / ON - GO, um quinteto de Melbourne, na Austrália que aposta num indie rock de cariz eletrónico, que nos remete para os primórdios de bandas como os Bloc Party e os Arctic Monkeys. Já com dois álbuns lançados, esta canção é o primeiro avanço para Holding Pattern, o trabalho mais recente dos GO / ON - GO. Confere...


Os australianos Cut Copy lançaram no passado fim de semana mais um single de uma forma bastante original. A banda montou uma estrutura no Pitchfork Music Festival e distribuiu vinis com a canção, que se chama Let Me Show You. Os discos eram feitos no momento e em cada vinil era riscado o nome do dono. Foram produzidas apenas cento e vinte cópias e ainda não há qualquer versão digital. A qualidade do video que partilho, feita por um dos compradores, não se compara ao digital mas, mesmo assim, vale a pena escutar uma canção que não se sabe se fará parte do alinhamento do próximo álbum dos Cut Copy.

 

 

Depois de Fakin' NYC e Lesbian Wife, continuam a ser revelados mais temas de Any Port In A Storm, o disco mais recente dos Scott & Charlene's Wedding. O álbum chegou às lojas no passado dia vinte e dois de julho, por intermédio da Fire Records. Desta vez foi disponibilzado gratuitamente o single Wild Heart, a canção que encerra o alinhamento do álbum, uma canção com uma toada algo acústica, típica de uns Pavement. Confere 


Um dos grupos essenciais da cena inglesa dos anos noventa está de volta. Chega às lojas a dezasseis de setembro Rewind The Film, o novo álbum dos Manic Street Preachers e Show Me The Wonder é o primeiro single divulgado, uma canção épica, liderada por arranjos de metais e a voz imponente de James Dean Bradfield. Rewind The Film vai suceder a Postcards from a Young Man (2010), terá doze canções e conta com a presença de alguns colaboradores, entre eles Lucy Rose e o músico veterano Richard Hawley. Confere...


autor stipe07 às 12:44
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Terça-feira, 23 de Julho de 2013

Oberhofer – Notalgia EP

Depois de no início de 2012 ter revelado Time Capsules, Brad Oberhofer, um músico, compositor e multi-instrumentista de vinte e dois anos, natural de Tacoma e agora residente em Brooklin, está de regresso com Notalgia, um EP com cinco novas canções deste projeto já com um assinalável cardápio sonoro.

Apesar de os Oberhofer serem uma banda com quatro elementos é, sem dúvida, o charme efervescente do líder, Brad Oberhofer, que impulsiona o processo de criação musical num projeto que, à primeira vista, não está sonoramente muito de acordo com as principais propostas que chegam da big apple, onde o rock alternativo é a tendência principal. É certo que os Oberhofer seguem uma linha punklo fi de uns Beach Fossils ou uns The Drums, sendo talvez essas caraterísticas claramente vintage o único elo de ligação com outros projetos de Nova Iorque. As cinco canções de Notalgia prosseguem onde teminou Time Capsules, ou seja, são feitas com guitarras cheias de distorção e reverb e uma percurssão quase sempre vincada, como sucede no meu destaque do EP, o tema Earplugs, tudo caraterísticas essenciais nas sonoridades mais festivas e típicas de uma surf pop luminosa e ensolarada, mais típica da costa oeste do país natal da banda.

O título do EP é um interessante jogo de palavras já que Notalgia nega o sentimento de apego ao passado e assume-se como defensor da vitalidade juvenil. O EP tem como principal mérito ter um conjunto de canções que parecem não assumir grandes pretensões comerciais, mas que estão no ponto certo no que concerne à sua estrutura, além da curiosidade de haver um tema de transição, sem título, a meio do EP e recortes de gravações de voz confidenciais, fazendo com que o EP se articule de modo sincero e eficiente. As letras são simples, não deixam transparecer nada de óbio e, por isso, os  Oberhofer não correm o risco de vê-las apropriadas por algum cliché ou arquétipo que depois não corresponda à realidade da mensagem que queriam eventualmente transmitir.

Com uma vitalidade sincera e aparentemente vazio de fúteis considerações grandiosas sobre a vida, Notalgia é um pequeno trabalho onde os Oberhofer atingem um notável equilíbrio de contrastes e apresentam uma obra na medida certa, simples e precisa. Fica-se com aquela sensação que, se por um lado os Oberhofer soam a um grupo de adolescentes que até tocam com algum frenesim e exuberância juvenil, por outro, parecem bastante treinados e aperfeiçoaram imenso as suas habilidades musicais. Espero que aprecies a sugestão...

01. You + Me (Still Together In The Future)
02. Got Your Letter
03. -
04. Earplugs
05. Together/Never


autor stipe07 às 21:32
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Real Combo Lisbonense - Esqueça

Os lisboetas Real Combo Lisbonense estão de volta este verão com mais um single. Interpretado pela belíssima voz de Margarida Campelo e saído dos estúdios Pataca Discos, Esqueça tem uma sonoridade simultaneamente clássica e contemporânea. De acordo com o press release do lançamento, a canção recupera a memória de uma gravação feita em 1967 por Mafalda Sofia com o Thilo's Combo, reprise do “hit” gravado por Roberto Carlos e a Jovem Guarda no ano anterior. Foi essa versão brasileira que marcou a entrada do semi-êxito internacional “Forget him” no imaginário do ié-ié em português.

No ano passado os Real Combo Lisbonense estiveram no Rio de Janeiro e no espaço Circo Voador; Esqueça foi um dos temas mais aclamados, até porque contou com a participação especial de Lafayette, organista da Jovem Guarda. Diverte-te e dança ao som de Esqueça!

 

REAL COMBO LISBONENSE

Margarida Campelo: voz

Inês Sousa: voz

Ana Brandão: voz

David Santos: baixo

Ian Mucznik: voz, guitarra, percussão

Bruno Pernadas: guitarra

João Paulo Feliciano: orgão, piano, guitarra, pandeiro

João Pinheiro: bateria, percussão

Mário Feliciano: voz, percussão

Rui Alves: percussão, bateria, coros

Sérgio Costa: piano, flauta, saxofone tenor
Tomás Pimentel: trompete, feliscorne, piano, percussão 


autor stipe07 às 12:50
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Segunda-feira, 22 de Julho de 2013

Editors – The Weight Of Your Love

Os Editors de Tom Smith estão de regresso aos discos com The Weight Of Your Love, o sétimo trabalho desta banda britânica, lançado pela PIAS e sucessor de In This Light And On This Evening, álbum editado em 2009. Com este novo trabalho os Editors têm a pretensão de se assumirem definitivamente como uma banda de massas e deixar de vez o universo mainstream para fazerem parte da primeira liga do campeonato mundial do indie rock.

Depois da estreia promissora que foi The Dark Room e que teve boa continuidade no sucessor An End Has A Start, dois álbuns fortemente influenciados pelo pós punk dos Joy Division e dos Interpol e pela indie pop dos próprios Coldplay, a partir do terceiro disco a eletrónica começou a integrar com maior intensidade o cardápio instrumental dos Editors e a busca por uma sonoridade mais épica, aberta e comercial, de forma quase obsessiva. The Weight Of Your Love acaba por ser, de algum modo, a assunção definitiva de um verdadeiro virar de costas ao som original da banda ou, pelo menos, aquela sonoridade que tanto me encantou há cerca de uma década.

Ao ouvir o disco e ao perceber que já não reconhecia os Editors, lembrei-me imediatamente do efeito semelhante que teve em mim, em 2008, Only By The Night, o disco dos Kings Of Leon que, excepção feita a Sex On Fire, me deixou profundamente irritado com uma banda com a qual me divertia imenso durante as audições de Youth and Young Manhood (2003) e Aha Shake Heartbreak (2004). Exemplos como este, de projetos que alteram profundamente o seu percurso sonoro, buscando o sucesso comercial a todo o custo, fazem-me pensar na influência que determinadas editoras e produtores ainda terão sobre alguns grupos e na capacidade decisiva que têm de se imiscuir no processo criativo, porque não acredito que tanto Tom Smith como os irmãos Followill se sintam mais preenchidos e felizes com os últimos capítulos das suas discografias, relativamente aos primeiros. Durante o período de gravação de The Weight Of Your Love, Tom Smith chegou a relatar a sua insatisfação relativamente aos resultados dessas sessões e talvez a saída recente do guitarrista e fundador da banda, Chris Urbanowicz, por supostas divergências musicais relativamente ao rumo sonoro da banda, seja um reflexo e uma prova do sentido desta minha tese.

Deixando um pouco de lado estas considerações que não são mais do que a expressão da minha opinião pessoal e debruçando-me sobre o conteúdo sonoro de The Weight Of Your Love, este é um disco muito focado em temas com refrões orelhudos, baladas e canções com arranjos elaborados e que melodicamente são pouco arriscados e criativos e não melindram quer o ouvinte quer os Editors. Com a já citada saída de Chris, os restantes membros procuraram compensar essa perca com a tentativa de criação de canções empolgantes e poderosas, mas a verdade é que a fórmula escolhida apenas serviu para a manutenção de um nível de qualidade mínimo e para a demonstração de que os Editors dependem cada vez mais do som de outras bandas para criarem a sua música do que propriamente da sua capacidade critiva e pessoal, apesar da produção ser exemplar.

O disco em si tem uma toada muito sustentatada na voz de Tom e nos sintetizadores, com a década de oitenta bastante presente, inclusivé nas letras que falam muito sobre a morte, o pessimismo e outras temáticas algo sombrias (I promissed myself I  wouldn’t sing about death, I know I’m getting boring). O alinhamento começa com a consistente The Weight e com Sugar, uma canção com um certo sabor a rock industrial e aos Nine Inch Nails. De seguida, chega-nos A Ton Of Love, uma boa surpresa, um belíssimo poema que faz da canção, para mim, o maior destaque deste trabalho. No entanto, a partir daqui, este início prometedor acaba por perder consistência; What Is This Thing Called Love, Honesty e Nothing são bons exemplos de temas com arranjos desnecessários e alguns exageros típicos de uma busca obsessiva pelo grandioso; Não é que aqui não haja arranjos orgânicos e bem sustentados, a questão é que soam demasiado a muita coisa menos a EditorsHyena remete-nos com demasiada nitidez para Neighborhood #2 (Laika), dos Arcade Fire, principalmente na melodia e no coro que se repetem no refrão e Birds Of Prey é mais um exemplo de uma canção que descarateriza e desmonta a nossa impressão inicial sobre a sonoridade natural deste grupo e nos faz apenas enumerar algumas referências interessantes a bandas importantes para a história do rock.

Até ao final do disco, retive Formaldehyde e a acústica The Phone Book, uma canção com versos bonitos e cantada de uma forma tão emotiva que nos pede para fechar os olhos, acender o isqueiro e cantar com o coração. Estes são dois temas que juntamente com a guitarra de A Ton Of Love não me levam a desistir totalmente dos autores de PapillonSparks e me fazem manter a esperança de que ainda poderá haver um retrocesso nesta nova viragem sonora e conceptual de um dos grupos que já considerei fundamentais no novo movimento do pós punk, um género musical que me diz imenso e com o qual particularmente me identifico e que mais me impressionou e me satisfez desde o início da última década. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Weight
02. Sugar
03. A Ton Of Love
04. What Is This Thing called Love
05. Honesty
06. Nothing
07. Formaldehyde
08. Hyena
09. Two Hearted Spider
10. The Phone Book
11. Bird Of Prey


autor stipe07 às 13:21
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Sábado, 20 de Julho de 2013

TV Girl - The Lonely Women EP

 Depois do EP homónimo de estreia em 2010 e de outros três EPs em 2011 e 2012, tudo disponível no bandcamp do grupo, Os TV Girl, uma banda de San Diego formada por Trung Ngo, Brad Peterson e Joel Williams e que toca aquele típico bedroom-pop, lo-fi, caseiro e deliciosamente irresistível, continuam a debitar novas canções neste formato mais curto e simples em deterimento do há muito aguardado longa duração. Desta vez disponibilizaram The Lonely Women, um EP com cinco canções, todas escritas gravadas e misturadas pela própria banda.

Lonely Women  começa exatamente onde os TV Girl tinham ficado quando apresentaram o EP She Smokes In Bed, cujo tema central é a primeira canção de Lonely Women. O maior elogio que se pode fazer a estas cinco canções é que não defraudam em nada a proposta inicial do trio e que têm como grande curiosidade, olhando apenas para os títulos, de serem canções que poderão levar o ouvinte a pensar que servem para exorcizar alguns fantastmas relacionados com amores mal resolvidos, ou então para impressionar determinadas miúdas que eventualmente têm aquele sonho de namorarem um dia com um músico de uma banda rock.

No entanto, nem tudo é assim tão simples e a primeira audição do EP poderá ser algo enganadora se nos deixar apenas com essa impressão algo superficial e típica de bandas de liceu, que não têm na qualidadade musical uma importante bitola. As letras que os TV Girl escrevem falam de mulheres e do universo feminino, mas sem ligeireza ou ingenuidade e eles parecem estar já bastante documentados e experimentados. Na verdade, com uma evidente capacidade criativa, procuram, acima de tudo, compreender um pouco melhor o universo feminino e até, como no caso de Easier to Cry, mergulhar nesse mesmo universo na primeira pessoa. O EP está disponível também para audição no SoundCloud dos TV Girl. Espero que aprecies a sugestão...TV Girl - Lonely Women

She Smokes In Bed

Laura

My Girlfriend

Easier To Cry

Melanie 


autor stipe07 às 21:38
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Sexta-feira, 19 de Julho de 2013

Splashh - Comfort

I need a long vacation, some place to clear my mind, canta Sasha Carlson, uma neozelandesa a residir em Londres, em Headspins, logo na abertura da canção que abre o alinhamento de Comfort, o álbum que divulgo hoje. E é a isso mesmo que sabe Comfort, a uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock que, pelos vistos, ainda se ouve por aí.

Os Splashh formaram-se o ano passado em Londres pela iniciativa da cantora e guitarrista Sasha e do guitarrista Toto Vivian, aos quais se juntaram o também neozalandês Jacob Moore na bateria e o baixista Thomas Beal. Começaram por partilhar alguns singles que divulguei oportunamente no blogue e que disponibilizaram gratuitamente no sitio da banda, depois surgiu o EP Vavation e agora, no passado dia três de junho, chegou finalmente o disco de estreia, este Comfort, por intermédio da Kanine Records.

A principal razão que justifica a minha interpretação incial de Comfort, como sendo um disco capaz de nos guiar até a um mundo paralelo, prende-se com o facto de os Splashh aliarem o tal grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros que os Pink Floyd tão bem reproduziram. Pode parecer um pouco ridícula esta equação ou termo de comparação, como lhe quiserem chamar, mas é como se algures os Nirvana e os Pink Floyd se tivessem juntado, sob supervisão direta dos Pixies e assim criado algo que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria britpop na mira. Os My Bloody Valentine também podem ser para aqui chamados, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama prova que os Splashh estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

A tal canção que abre o disco, Headspins, é precisa na forma como nos apresenta o som dos Splashh e o revivalismo do grunge. Se o baixo que abre a canção e as guitarras nos remetem para o período Silver dos Nirvana, não é nada descabido afirmar que melodicamente aproximam-se também do que nos apresentaram uns Elastica ou uns Sleeper nos primórdios da britpop, ainda na década de oitenta. De seguida, All I Wanna Do, o primeiro single retirado do álbum, transporta-nos até um ambiente mais direto e punk rock, assim como Need It, mas nos dois temas as guitarras dão o toque melódico e etéreo que permite às canções espreitar e ir um pouco além dessas zonas de influência sonora.

O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Vacation, uma canção inicialmente mais introspetiva e lo fi e onde os My Bloody Valentine se fazem sentir com maior intensidade, até que chega o potente refrão e leva logo a canção para um caldeirão sonoro onde também está So Young, uma canção direta e acelerada, cheia de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.

Logo a seguir adorei o reverb algo tóxico da guitarra de Lemonade e o groove do baixo, que fazem desta canção uma das mais interessantes de Comfort e que nos remete para uma espécie de fuzz rock, que se mantém em Feels Like You, talvez o tema mais psicadélico e etéreo da rodela.

Comfort são pouco mais de trinta e três minutos de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Splashh são um nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

01. Headspins
02. All I Wanna Do
03. Need It
04. Vacation
05. So Young
06. Lemonade
07. Feels Like You
08. Green & Blue
09. Strange Fruit
10. Lost Your Cool


autor stipe07 às 22:43
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Hunters - Seizure

Isabel Almeida é a vocalista dos Hunters, uma dupla de Brooklyn, Nova Iorque e à qual se junta o namorado Derek Watson. Verdadeiro animal de palco, ela faz sensação com o seu natural sex appeal, feito de um olhar inocente e um original cabelo rosa, que fazem dela uma das personagens mais originais do universo musical alternativo atual. Começam a ser bastante famosos os concertos ao vivo desta dupla que tem no punk rock orgânico e ruidoso a bitola orientadora do processo criativo.

Seizure é o primeiro single revelado do disco de estreia dos Hunters, um trabalho que chegará às lojas a vinte e quatro de setembro por intermédio da Mom+Pop Records. A canção é conduzida por uma guitarra que nos remete para o período mais visceral dos Nirvana e para a sonoridade típica dos Dinosaur Jr.

Os Hunters andam atualmente em digressão com os Hunx and His Punx. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:20
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Curtas... CXVII

Depois de alguns temas e remisturas, a dupla grega Keep Shelly In Athens vai finalmente editar o disco de estreia. At Home chega às lojas a dezassete de setembro via Cascine e Recollection é o primeiro single já divulgado, uma canção cantada por Sarah P. e que tem os habituais arranjos e texturas da dream pop melódica que adivinham um disco cheio de batidas sintetizadas e paisagens sonoras deslumbrantes. Confere...

 

elastic-sheep-anywhere-400x400

De Cork, na Irlanda, chegam os Elastic Sleep, uma das novidades mais importantes do cenário alternativo local. Com a escola dos My Bloody Valentine, acabam de revelar a fantástica Anywhere, o single de estreia deste grupo, pouco mais de dois minutos de um dream pop e shoegaze que certamente vai ser do teu agrado, ainda por cima disponível para download gratuito. Confere...

 

Leverage Models é um projeto a solo conduzido por Shannon Fields dos Star Like Fleas e ao qual se juntam alguns amigos esporadicamente. Cooperative Extensions, um soberbo instante pop que nos remete para um cruzamento da eletrónica dos New Order com a luminosidade dos Talking Heads é o tema mais recente divulgado deste projeto, uma canção com a percurssão a cargo de Jeff Gretz e Anthony LaMarca, o baixo incrívelmente pulsante a ser tocado por Christian Fields e o piano por Jesse Blum. Confere...

 

Os Kings Of Leon acabam de lançar o primeiro single do próximo álbum da banda. A funky Supersoaker integra Mechanical Bull, o sexto disco deste grupo norte americano. Mechanical Bull será lançado a vinte e quatro de setembro pela RCA Records. O álbum será o sucessor de Come Around Soundown, álbum de 2010 e foi produzido por Angelo Petraglia, tendo sido gravado no novo estúdio da banda, em Nashville. 

 

A dupla britânica de indie pop Summer Camp, formada por Elizabeth Sankey e Jeremy Warmsle, vai regressar aos discos a nove de setembro, por intermédio da Moshi Moshi Records, com um homónimo, depois de se terem estreado em 2011 com Welcome To Condale, disco que divulguei na altura. A luminosa e fresca Fresh é o primeira canção conhecida de Summer Camp e o grupo lançou um divertido video que inclui a letra da canção.


autor stipe07 às 09:15
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