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These New Puritans – Field Of Reeds

Sexta-feira, 21.06.13

Chegou no passado dia dez de junho aos escaparates Field Of Reeds, a nova obra prima dos britânicos These New Puritans, o terceiro disco desta banda londrina e que sucede ao aclamado Hidden, disco editado em 2010. Fragment Two é o primeiro single já retirado de Field Of Reeds, um disco que foi editado pela insuspeita etiqueta Infectious Music.

Um dos predicados deste coletivo britânico prende-se com a capacidade que tem em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico que apresenta. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos These New Puritans e desde que deram a conhecer Beat Pyramid (2008), um registo que se tornou numa referência do cenário alternativo local à época, encabeçado por bandas como os Foals, Klaxons e Late Of The Pier e depois Hidden em 2010, onde tudo foi alterado, agora Field Of Reeds, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda.

Field Of Reeds impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. O álbum prova que o grupo ao confrontar-se com a saída da habitual teclista, teve de voltar arregaçar as mangas e dedicar-se novamente à expansão do seu cardápio sonoro, algo que Jack Barnett, George Barnett e Thomas Hein sempre fizeram, mas nunca com uma dose tão arriscada de experimentalismo, feito de imensos detalhes e uma elevada subtileza.

Numa espécie de versão moderna dos Talk Talk, os These New Puritans servem-se do jazz, do art rock e da música ambiental e clássica para partirem à descoberta de texturas sonoras onde o piano, mesmo que timidamente em alguns temas, é sempre o principal fio condutor e o elo de ligação entre as nove canções do disco. Aliás, já que falamos de ligação entre canções, importa alertar o ouvinte que a audição de Field Of Reeds merece alguma dedicação e tempo já que as cançõess interagem umas com as outras, como se todo o disco fosse uma só imensa composição sonora homogénea, como se a abertura doce de The Way I Do se cruzasse com a herança do Kid A dos Radiohead em V (Island Song), até finalizar o disco com o envolvente tema homónimo.

Ao longo de Field Of Reeds abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Naturalmente corajoso, Field Of Reeds  acaba por ser uma espécie de antítese relativamente ao que Londres atualmente exporta, já que, só para citar os nomes mais relevantes, quem estiver à espera de uma possível relação entre a pop e as experimentações à exemplo do que o Foals conseguiu em Holy Fire, ou os Everything Everything com Arc, encontrará nas nove composições deste álbum algo muito mais complexo e até encantador. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Way I Do
02. Fragment Two
03. The Light In Your Name
04. V (Island Song)
05. Spiral
06. Organ Eternal
07. Nothing Else
08. Dream
09. Field Of Reeds

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publicado por stipe07 às 21:39

Curtas... CIX

Sexta-feira, 21.06.13

Depois de Long Black Cars, disco que divulguei o ano passado, os The Wave Pictures estão de regresso com um disco de tributo a Jason Molina, um músico que faleceu há alguns meses e que era uma referência para a banda. Songs Of Jason Molina é uma coleção de covers da autoria dos The Wave Pictures de originais desse músico.

01. Being In Love
02. Body Burned Away
03. Cabwaylingo
04. Coxcomb Red
05. Just A Spark
06. Captain Badass
07. Just Be Simple
08. The Black Crow
09. The Old Black Hen

 

A DFA Records de James Murphy divulgou há poucos dias e disponibilizou gratuitamente a remistura de Kissey para Lady C'mon, um original de Sinkane, incluido em Mars, o disco de estreia deste músico com raízes sudanesas. Confere...


Chegou recentemente às lojas Mavericks o novo disco dos Work Drugs e em jeito de antecipação divulgaram na passada segunda-feira o solarengo e animado single homónimo, uma fantástica canção de verão disponível para download no soundcloud da banda e que fará parte do alinhamento de um registo discográfico que deverá ser fantástico. Confere...

 

2013 é o ano que marca o regresso de Beck aos discos. Segundo a Rolling Stone, não será apenas um, mas sim dois álbuns que cantor norte-americano irá editar ainda este ano. O primeiro, um acústico, deverá ser lançado em Setembro, e mais tarde um sucessor mais sólido de Modern Guilt (2008). E há alguns dias ele divulgou uma nova canção; O tema chama-se Defriended, não fará parte de nenhum dos novos trabalhos de Beck e tem uma toada experimental e psicadélica. Confere..

Beck - Defriended


O produtor sueco Hannes Norrvide, aka Lust For Youth, está de regresso com Perfect View, o seu terceiro longa duração, por intermédio da Cargo Records e já disponibilizou o single homónimo disponível para download gratuito. O conteúdo do álbum baseia-se em peças instrumentais, assentes em batidas e samples de cariz ambiental. Confere...

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publicado por stipe07 às 11:04

Mount Kimbie - Cold Spring Fault Less Youth

Quinta-feira, 20.06.13

Os Mount Kimbie são Kai Campos e Dominic Maker, uma dupla de Peckham, no sudeste de Londres, que causou furor em 2010 com Crooks & Lovers, o disco de estreia que os colocou imediatamente no radar dos apreciadores do dubstep, um universo onde há cada vez mais projetos a surgir com elevado sucesso, nomeadamente os The XX, Flying Lotus ou James Blake, só para citar alguns nomes que frequentemente são citados por cá ou virão discos alvo de crítica publicada neste blogue. Cold Spring Fault Less Youth, o sucessor, foi lançado no passado dia vinte e oito de maio pela Warp Records tendo o single Made To Stray sido disponibilizado pela banda para download gratuito.

O detalhe sempre foi um elemento importante nos Mount Kimbie, quer na forma como a dupla divide as tarefas entre si, mas principalmente nos encaixes precisos e nas variações instrumentais que replicam. Cold Spring Fault Less Youth mantém a fórmula maquinal e sintetizada bem sucedida da estreia, mas plasma uma notória evolução no processo de composição da dupla e na abrangência de detalhes estéticos, instrumentais e sonoros de que se servem para compôr a obra, com o som dos Mount Kimbie a ter agora uma faceta mais humana e orgânica.

As batidas, um elemento necessário e ativo em Crooks & Lovers, deixam de ter agora um papel tão relevante, assim como os pequenos ruídos e as reviravoltas temáticas também são parcialmente esquecidas, para este sucessor passar a ser construído sobre uma massa densa de ruídos e detalhes sonoros, que nem sempre são de natureza completamente maquinal.

Essa evolução fica logo bem patente no tema de abertura quando Home Recording deixa que as próprias vozes dos Mount Kimbie se ouçam por cima de um tranquilo instrumental, apoiado por um forte baixo, samples vários e um sintetizador que não se apaga. Campos voltará a cantar em Blood and Form onde o registo agudo com que começa a sua interpretação é acompanhado por uma linha de baixo percussiva que progride e dança com o sintetizador.

Em You Took Your Time temos mais uma novidade vocal, já que quem se escuta é King Krule, um adolescente de dezoito anos e nova sensação do underground britânico, que no tema, em determinados momentos, parece dançar uma valsa lenta dentro do cenário instrumental criado. Krule volta a dar a voz a Meter, Pale, Tone e estas duas canções, com um ritmo simples e onde as experimentações fluem naturalmente, recebem alma com esta participação especial de um intérprete de pronúncia vincada e métrica arrojada. Estes temas provam, desde logo, que a voz é, neste disco, um ingrediente ativo, mesmo que possa estar oculto no véu de condimentos sintéticos que os britânicos usam para sujar o álbum.

O tal fluxo orgânico, para o qual Krule também contribui, volta a estar bem representado durante a construção de So Many Times, So Many Ways, uma canção que trabalhada em cima de sintetizadores que posteriormente abrem espaço para que o baixo, a guitarra e a bateria se manifestem com destaque. Mas antes dela há que realçar o belo tom atmosférico de Break Well e que se irá repetir em Lie Near, duas canções que demonstram que, mesmo com uma maior amplitude sonora, não é com Cold Spring Fault Less Youth que os Mount Kimbie renegam as suas plácidas e instrospetivas origens.

Numa mistura entre voz e instrumentação, do sintetizado com o orgânico e do angelical com o agressivo, de forma muito clara Cold Spring Fault Less Youth comprova que os rumos e a proposta atual da dupla é mais abrangente, sendo cada uma das onze canções um exercício claro de reestruturação da própria base do Mount Kimbie, agora, como já disse, mais criativos e orgânicos. Espero que aprecies a sugestão... 

1. Home Recording
2. You Took Your Time (feat. King Krule)
3. Break Well
4. Blood and Form
5. Made To Stray
6. So Many Times, So Many Ways
7. Lie Near
8. Meter, Pale, Tone (feat. King Krule)
9. Slow
10. Sullen Ground
11. Fall Out

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publicado por stipe07 às 21:26

Opala - Opala EP

Quarta-feira, 19.06.13

Maria Luiza com o produtor Lucas de Paiva - Marcos de Paula/ Estadão

Opala é um projeto carioca, do Rio de Janeiro portanto, encabeçado por Maria Luiza Jobim em parceria com Lucas de Paiva. Divulgado já em Curtas... XCVII devido ao tema Come Home, o primeiro single divulgado pela dupla e disponível para download, este projeto volta a merecer amplo destaque neste blogue já que acaba de ser editado o EP de estreia, um conjunto de cinco canções que se acomodam em referências que dançam pelo tempo, já que tem ecos dos anos oitenta e do presente e no qual Come Home também se inclui.

Tal como essa canção, o restante conteúdo do EP é um tratado de natureza minimalista e compacta, uma espécie de representação brasileira de tudo o que ecoa atualmente no cenário estrangeiro e se ouve por lá e por cá, diga-se.

Os Opala dão, com mestria, show de bola na dream pop, com uma estratégia ofensiva que passa por passeios delicados pela pop de cariz mais sintetizado, sem descurarem uma linha defensiva alicercada pela chillwave e uma vasta míriade de referências nostálgicas lo-fi capazes de sustentar com perfeição os cinco temas que constituem a espinha dorsal de Opala e que são, além de Come HomeTwo Moons Absence To Excess, Make It Shake e Shibuya.

Maria Luiza denota talento para cantar a melancolia etérea, uma característica algo inovadora no seu cardápio pessoal e que lhe confere credenciais para uma carreira futura mais abrangente, sendo ela, até agora, conhecida essencialmente como uma cantora de indie pop acústica. Maria Luiza não mostra qualquer dificuldade em cantar em inglês já que viveu um largo período da sua vida em Nova Iorque. Já Lucas, filho de um diplomata, com semelhante vivência fora do Brasil e que trabalha também com Marcela Vale no projeto pop Mahmundi, cria texturas delicadas para acompanhar Maria Luiza e essa combinação ganha força através das letras algo confessionais.

Em suma, temos um misto de Beach House com Chromatics, Toro Y Moi  e Nicolas Jaar num EP que nos convida a esboçar alguns tímidos passos de dança, além de nos transmitir instantes de profunda melancolia. Disponível para audição abaixo, o EP pode ser obtido na íntegra por aqui. Espero que aprecies a sugestão...

Absence To Excess

Two Moons

Come Home

Make It Shake

Shibuya


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publicado por stipe07 às 22:22

Eksi Ekso - Archfiend

Terça-feira, 18.06.13

Os norte americanos Eksi Ekso são Jacob Cole, Tom Korkidis e Sean Will, um trio de Boston e Archfiend o álbum mais recente do  grupo, editado a sete de maio, por intermédio da The Mylene Sheath/Magic Bullet Records. Todas as canções de Archfiend foram escritas por Tom Korkidis e o disco foi produzido por Scott Solter (Superchunk, Spoon e the Mountain Goats), tendo como maior curiosidade o facto de ser inspirado na vida de um serial killer norte americano, que viveu no século XIX, chamado H.H. Holmes.

A audição deste álbum conceptual remete-nos facilmente para os idos anos oitenta, cada vez mais presentes no retro e saudosista cenário alternativo altual.  Terceiro disco de uma banda catalogada como intérprete exemplar do dito rock progressivo, Archfiend impressiona pela sonoridade aberta e luminosa e pelo forte apelo que faz à dança. Um belo exemplo deste apelo está no single Gold Cures, uma típica canção pop cheia de groove, extremamente funky e adornada por detalhes da eletrónica e por um intenso saxofone.

Archfiend tem uma camada instrumental equilibrada e diversificada. Além do baixo e de uma bateria bem marcada, gravada em diferentes camadas, algo bem explícito em Blood Rivals. Os sintetizadores e o saxofone acabam por ser, ao longo das dez canções, as grandes marcas dessa busca por uma época que marcou positivamente o cenário musical indie. A voz de Tom Korkidis, com um registo que lembra Paul Weller, é também um dos principais atributos do disco, não só porque consegue passear entre registos graves e agudos, mas porque tem uma aúrea intensa e uma certa sensualidade que nos faz esquecer rapidamente que está a cantar poemas que retratam a vida de um dos maiores criminosos e assassinos da história da América.

Archfiend é, de certa forma, uma espécie de documentário pop contemporâneo sobre o lado mais obscuro da vida de uma das personagens mais intrigantes da história de um país rico em mitos, reproduzida também na capa do álbum e que pelos vistos, apesar desse lado macabro, era um excelente pai e marido.

Uma das canções mais interessantes é Murder Castle; As letras aparentemente inocentes sobre um castelo como outro qualquer, mudam totalmente de significado quando ficamos a saber que Murder Castle foi o nome que Holmes deu a um hotel que abriu propositadamente para poder cometer aí alguns dos seus maiores crimes. Heiresses é sobre duas herdeiras de importantes propriedades no Texas onde passava um caminho de ferro e Trophy Horse está cheio de referências ao facto de a maior parte das vitimas deste lunático terem sido mulheres.

Com sintetizadores melancólicos, constantes mudanças nos padrões de ritmo e transições intrigantes entre os sons que replicam, como se exige a um disco que procura, com sucesso, ser nostálgico, tendo os anos oitenta como referência, Archfiend é um álbum essencial para quem gosta da sonoridade típica dessa época e aprecia o uso da música como veículo para recordar personagens e histórias com marca e significado. Archfiend está disponivel para audição no bandcamp dos Eksi Ekso. Espero que aprecies a sugestão...

Eksi Ekso - Archfiend

1. Pet Monster
2. Glass Damsels
3. The Ragtag Brigade
4. Gold Cures
5. Blood Rivals
6. Trophy Horse
7. Hover and Linger
8. Writhe
9. All Hail the Alchemist
10. Heiresses

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publicado por stipe07 às 21:37

Sigur Rós – Kveikur

Segunda-feira, 17.06.13

Pouco mais de um ano após Valtari, os islandeses Sigur Rós estão de volta com Kveikur (em português, pavio), o sétimo e novo álbum da banda, lançado hoje, dia dezassete de junho, pela insuspeita XL Recordings e cheio de canções que nos transportam, mais uma vez, para a fria e inóspita, mas mística e maravilhosa Islândia, terra natal deste grupo de músicos que são já um nome incontornável no cenário musical indie e alternativo dos últimos quinze anos. Agora reduzidos a trio, Jónsi Birgisson, Georg Hólm e Orri Páll Dýrason são provavelmente os maiores responsáveis por toda uma geração de ouvintes se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk e dos Mum, este trio não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda, só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças ao rico cardápio instrumental que este grupo conseguiu alicerçar com a sua discografia.

 

Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes. Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia. Protegidos por uma discografia coesa e com pelo menos três grandes obras carregadas de conceitos particulares (Ágætis byrjun, ( ) e Takk), os Sigur Rós conquistaram uma natural fama de banda intocável, a quem sonoramente quase tudo se tornou permitido e, por isso, passaram grande parter da carreira a inventar sonoridades que ultrapassam o efeito natural de qualquer música e a lidar, com arte, com o lado mais sentimental de quem, como eu, os venera.

Após o lançamento de Með suð í eyrum við spilum endalaust (2008) houve quem começasse a sugerir um défice de criatividade no seio do grupo, mas pessoalmente prefiro ver esse disco e o próprio Valtari como resultado da tal busca por novos horizontes sonoros. Kveikur acaba por ser uma sucessão óbvia de Valtari, talvez o mais introspectivo e difícil disco do grupo, uma obra de oito canções que ecoava de forma suja, distante da subtileza angelical que se manifestava nos discos anteriores. E justifico essa sucessão óbvia dizendo que Kveikur soa a uma espécie de continuação do que foi testado no antecessor, nomeadamente na estabilização do tal rompimento com o que foi apresentado pelo grupo há mais de uma década, mas agora, utilizando os mesmos arranjos orquestrais e o clima místico de Valtari, com um clima mais agressivo, aberto, ambiental e orquestral.

Se Valtari era um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientava de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som, em Kveikur mantêm-se as harmonias magistrais e o disco pode ser também escutado com um único bloco de som, mas é dada uma maior liberdade e volume ao arsenal instrumental de que a banda se serve para recriar as nove canções. Logo a abrir, a opulência sonora de Brennisteinn não soará particularmente estranha a quem já está devidamente identificado com a discografia dos Sigur Rós e percebe que há aqui o apelo da novidade, mas sem abandonar a essência. Depois, à medida que o disco avança, testemunhamos esse esforço, às vezes eufórico, de atingir um intenso impacto lisérgico no ouvinte.

Em Kveikur, a percussão é o campo do arsenal instrumental que mais se amplifica relativamente a Valtari e talvez aquele que encontra maiores pontos de encontro com o passado do grupo; Hrafntinna traz-nos de volta alguns instantes percussivos de Með suð í eyrum við spilum endalaust e Ísjaki, remete-nos em alguns momentos para os momentos mais comerciais de Takk, quando Glósóli eHoppípolla apresentaram de forma definitiva o trabalho da banda ao público em geral.

Quem conviveu intimamente na última década com a música dos Sigur Rós e criou algumas defesas quanto à possível transformação sonora da banda, tornando-se algo purista relativamente à fórmula que sempre adoptaram, terá já torcido o nariz a Valtari e ainda mais desapontado ficará com Kveikur. Mas, se quem teve essa tal convivência íntima de espírito aberto e são e predisposto a aceitar novos rumos, tem em Kveikur um novo manancial de de detalhes e nuances instrumentais para explorar e descobrir, um exercício musical que certamente será do agrado de quem não se importa de descobrir uns Sigur Rós mais crús, diretos e psicadélicos, mas que não deixam, mesmo assim, de nos fazer flutuar num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas. Espero que aprecies a sugestão...

01. Brennisteinn
02. Hrafntinna
03. Ísjaki
04. Yfirborð
05. Stormur
06. Kveikur
07. Rafstraumur
08. Bláþráður
09. Var

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publicado por stipe07 às 21:48

Curtas... CVIII

Domingo, 16.06.13

Em 1997 Kathleen Hanna, líder dos projetos Bikini Kill e Le Tigre, editou um álbum a solo intitulado Julie Ruin. Em 2010, com a suspensão do projeto Le Tigre e com a ajuda de Kathi Wilcox, baixista dos Bikini Kill, voltou a pôr mãos a esse projeto e lançou The Julie Ruin, o disco homónimo de estreia. Agora, a três de setembro, chegará Run Fast, via TJR Records e Oh Come On é o primeiro single já divulgado. Confere este verdadeiro tratado punk rock, em modo ÉFV...

 

Unfortunate Direction é o primeiro single já conhecido de The Everywheres, o disco homónimo de estreia do projeto liderado pelo músico e compositor canadiano Samuel Hill. A belíssima canção é um verdadiero hino pop de teor mais psicadélico e prova que os Brian Jonestown Massacre continuam a ser uma referência essencial para novas bandas e projetos. The Everywheres será editado já a vinte e cinco de junho via Father/Daughter Records e na altura divulgarei a minha crítica do disco. Confere...

 

Ernest Greene, aka Washed Out, um cantor e instrumentista que mistura a indie psicadélica com batidas eletrónicas, lançou o video oficial de It All Feels Right, o primeiro single retirado de Paracosm, disco que verá a luz do dia a doze de agosto e que sucede a Within and Without de 2011. O vídeo foi produzido inteiramente com imagens do artwork do álbum e animado pelo ilustrador e diretor Ferry Gouw. A canção, festiva e perfumada pelo clima tropical, tem um clima orgânico com passagens sonoras carregadas pelo toque etéreo.

Formados há cerca de um ano, os Splashh resultam da parceria entre Toto Vivian e Sasha Carlson, aos quais se juntaram Jacob Moore e Tom Beal. No passado dia quatro de junho chegou aos escaparates Comfort, por intermédio da Kanine Records e Sun Kissed Bliss é o primeiro single partilhado da rodela, uma canção que contém uma pop grunge e lo-fi, com fortes reminiscências dos anos noventa. Brevemente partilharei a minha critica a Comfort. Confere...


De 5 em 7 dias e Faz o que tens a fazer são os títulos dos dois singles do mini-disco de verão de O Martim. A partir de segunda-feira estará disponível na íntegra para download, ao preço que quiseres, em omartim.bandcamp.com.

De acordo com o press release que me foi enviado, o teledisco de De 5 em 7 dias, filmado na sala de estar e pensado por Martim e Filipe Casimiro, mostra-nos um resumo de cinco fases da deterioriação de uma relação. Cinco fases que são retratadas pelas actrizes Teresa Macedo, Maria Franqueira, Maria Ana Filipe, Inês Worm Tirone e Kaleigh Tirone. Um vídeo que conta também com a participação do mestre Francisco Sales, que não sai de casa sem se fazer acompanhar pela sua melodiosa guitarra.

 

Quanto ao teledisco  de Faz o que tens a fazer, foi filmado com um telemóvel à prova de água pelo Martim e pela Joana Barra Vaz, num dia de praia na Costa da Caparica. Editado em casa do Martim, pelo próprio, conta com a participação de Francisco Vasconcelos, Joana Barra Vaz, James O´Brien, Luna Lune, Teresa Macedo e de um cão cujo nome não é sabido mas que se revelou um muito bom actor.

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publicado por stipe07 às 21:02

Low Vertical – We Are Giants

Sábado, 15.06.13

Oriundos de Bruges e Ghent na Bélgica, os Low Vertical, estrearam-se nos discos em 2010 com I Saw A Landscape Once, um trabalho que recebeu excelente aceitação da crítica e das rádios locais, tendo, desde logo, sido uma banda que ficou debaixo de olho do rico cenário musical alternativo belga. Lançado no passado dia vinte e oito de janeiro pela Zeal Records e gravado por Wouter Vlaeminck nos at the GAM studios, We Are Giants é o segundo disco deste coletivo belga, estando disponível para audição no soundcloud da editora.

Uma das principais diferenças da estreia para este segundo disco prende-se com a bateria, porque para a gravação de We Are Giants a banda contou com a participação do baterista Lode Vlaeminck, agora também já membro de pleno direito dos Low Vertical. Assim, se as nove canções do álbum continuam a plasmar sonoridades muito influenciadas por nomes como os Radiohead, nomeadamente no que concerne às guitarras, também já é possível conferir que as teclas e os detalhes da eletrónica presentes na estreia têm agora um som ainda mais sintetizado e que choca com a energia da bateria, podendo observar-se então um salutar combate entre a percussão e as cordas.

Esta assunção do poderio da bateria no seio da banda em We Are Giants e a adição de alguns elementos da eletrónica que ainda não tinham sido escutados no cardápio dos Low Vertical, acaba por conferir ao novo disco uma toada sonora muito mais sintética, em oposição à maior crueza orgânica de I Saw A Landscape Once. Logo no início, com o peculiar e ambiental tema homónimo, percebemos que a atmosfera que a banda pretende criar é mais surreal e enigmática do que o usual neste coletivo belga. A seguir, a batida de Toulouse-Lautrec entrelaçada com a guitarra e a melodia fácil de um teclado sintetizado, numa canção que está sempre a crescer de intensidade, como se estivessemos a descolar para uma viagem rumo ao tal mundo criado pela banda, coloca-nos defitivamente na rota certa para o que vamos encontrar nas outras sete canções, onde o chamado rock progressivo também dita muitas vezes as suas regras.

A voz só aparece ao terceiro tema, em Good Luck, Little Fellow, para mim o tema com a sonoridade mais pop e luminosa de We Are Giants e o meu destaque maior do álbum, ao lado de Sun Sun, uma canção cheia de efeitos e reverbs e com uma melodia sintetizadas que me fez remeter para a típica psicadelia que Waine Coyne dos The Flaming Lips não desdenharia ter criado e que em Sensei também está de algum modo presente. Mas, antes de Sun Sun e Sensei, talvez o chamado núcleo duro de We Are Giants, escuta-se um período do disco que acentua esta espécie de concetualidade relacionada com uma viagem para um outro mundo; Nesse universo paralelo há outros seres que são tecnologicamente avançados e também viajam pelo universo e Spacemininvaders Pt. 1 - The Landing e Spacemininvaders Pt.2 - The Attack são, de certa forma, uma canção apenas, dividida em duas partes, dois temas que ilustram o mundo para onde fomos transportados e que dificilmente serão canções entendidas isoladamente, ambas com um resultado final assente num forte pendor introspetivo e sombrio.

A distorção crescente de Epic Slaughter em contraponto com a nostalgia épica de Noa são o capítulo final desta curta viagem com cerca de quarenta minutos, o tempo suficiente para percebermos como é viver num mundo onde não somos a espécie dominante e protagonista, mas apenas observadores de outros eventos e emoções. Só a música dos Low Vertical nos pode salvar desse mundo e fazer com que não nos sintamos isolados e perdidos, além de nos darem, através da audição deste álbum, a possibilidade de transitarmos, sempre que quisermos, por dois universos, o real e aquele que We Are Giants sonoramente tão bem ilustra e descreve.

Gostaria, para terminar, de destacar o belíssimo artwork do disco da autoria de Seppe Van den Berghe, um dos elementos dos Low Vertical. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. We Are Giants
02. Toulouse-Lautrec
03. Good Luck, Little Fellow
04. Spacemininvaders Pt. 1 – The landing
05. Spacemininvaders Pt. 2 – The Attack
06. Sun Sun
07. Sensei
08. Epic Slaughter
09. Noa

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publicado por stipe07 às 20:11

Tribes – Wish To Scream

Sexta-feira, 14.06.13

Lançado pela Island Records no passado dia vinte de maio e produzido por Kevin Augnas, Wish To Scream é o sempre difícil segundo disco dos britânicos Tribes, uma banda liderada por Johnny Lloyd, vocalista, guitarrista e principal compositor do grupo. Wish To Scream sucede a Baby, o disco de estreia, que fez dos Tribes uma das bandas mais elogiadas pela imprensa local e que recebeu uma nomeação para Best New Band nos NME Awards.

Com somente três anos de existência, os Tribes já consolidaram o seu estatuto no mundo da música, com direito a percorrer vários festivais mundiais, sendo aguardada uma passagem por cá na próxima edição do Optimus Alive, num dos três dias do evento, mais concretamente a catorze de julho. Neste Wish To Scream os Tribes propôem uma sonoridade um pouco mais acústica e contida do que o alinhamento de Baby e apegam-se ainda mais às comparações de que têm sido alvo, nomeadamente com os Pixies, os Wilco e os R.E.M..

A teoria de que o rock n'roll morreu é, há bastante tempo, um assunto recorrente nas discussões sobre música. E quando os Tribes chegaram houve quem os anunciasse como os novos profetas do rock e que seriam um excelente exemplo para contrapôr a quem defende que a era dos conjuntos baseados na  triologia guitarra, baixo, bateria já chegou ao fim. Realmente, os Tribes pareceram querer ter uma palavra a dizer nesse processo redentor com  Baby mas, tendo em conta os dois primeiro singles de Wish To Scream, Corner of an English Field e How The Other Half Live, assim como o restante conteúdo do álbum, agora estes quatro rapazes pretendem-se posicionar num universo um pouco mais pop, com piscadelas de olho à  britpop, passando pelo folk e até pelas guitarras sujas do grunge.

Wish To Scream alberga um longo cardápio de dezasseis canções, mas todas muito curtas, diretas e concisas, já que o disco se ouve em pouco menos de quarenta minutos. O conteúdo, com letras muito bem construídas, é muito homogéneo a a fórmula escolhida é replicada ao longo dos vários temas, exigindo que se proceda a várias audições para que um ou outro tema sobressaia particularmente. No entanto, gostaria de destacar Dancehall, o tema que abre o disco e as canções How The Other Half Live, tema que remete para a sonoridade dos U2, It Never Ends, a belíssima Reincarnate e a épica Englisman On Sunset Boulevard, tema certamente inspirado na estadia da banda em Los Angeles durante a gravação do álbum.

A produção foi impecável e não seria de esperar outra coisa já que Wish To Scream nasceu nos lendários Sound City Studios, em Los Angeles, conhecidos pela gravação do álbum Nevermind, dos Nirvana, entre outros grandes discos de rock. O resultado foi um álbum de som cheio e, como já disse, muito bem produzido, que puxa para a maioria dos temas para o tal estilo mais acústico e que pasteuriza todo aquele furor típico dos arranjos que sustentavam o indie rock alternativo nos anos noventa.

Depois de nos terem adoçicado no início de 2012 com Baby e de terem dado mais alguns argumentos a quem, como eu, acredita que o rock ainda está vivo e recomenda-se, com Wish To Scream os Tribes mudam um pouco a agulha, mas provam que são um grupo com qualidade e validade no meio musical, apesar de estas ainda não serem, na minha opinião, as canções que os irão colocar definitivamente na elite do cenário indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Dancehall
02. Get Some Healing
03. How The Other Half Live
04. Wrapped Up In A Carpet
05. Never Heard Of Graceland
06. It Never Ends
07. Looking For Shangri-La
08. Sons And Daughters
09. One Eye Shut
10. Englishman On Sunset Boulevard
11. Street Dancin’
12. World Of Wonder
13. Here On Earth
14. What’s Your Poison
15. Reincarnate
16. Blind

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publicado por stipe07 às 21:18

Tricky - False Idols

Quinta-feira, 13.06.13

Conforme divulguei em Curtas... LXXXIX, Adrian Thaws aka Tricky está de regresso aos discos com False Idols, álbum lançado no passado dia vinte e oito de maio por intermédio do selo próprio !K7, depois de um fim de uma relação de quase vinte anos com a Domino Records. False Idols é o décimo disco da carreira de um dos fundadores dos Massive Attack e um mergulho de Tricky nas mesmas águas turvas que o levaram às viagens sombrias dos seus primeiros trabalhos. Já agora, Nothing's Changed, o primeiro single extraído do álbum e que conta com a participação especial de Francesca Belmonte está disponível para download gratuito no sitio do músico. Além de Francesca, False Idols conta com as colaborações de Peter Silberman dos The Antlers, Fifi Rong e Nneka.

Denso, sussurrante e com o nervo à flor da pele, é assim False Idols, um álbum mais luminoso e expansivo que os anteriores Mixed Race e Knowle West Boy, ou seja, Tricky regressa à primeira divisão do cenário mundial da música eletrónica e está de volta à fórmula bem sucedida, ao bom e velho trip hop que ajudou a fundar não só nos Massive Attack, mas também em Maxinquaye o seu primeiro disco a solo, lançado já no longínquo ano de 1995.

Em False Idols Tricky manipula os típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam e pretende dizer-nos que apesar de algumas deambulações recentes por universos sonoros menos inspirados, onde tentou fugir um pouco de si próprio e do seu som inigualável, continua o mesmo mestre de sempre na arte de manipular os traços caraterísticos e identitários da trip hopNothing‘s changed, I still feel the same, sussurra Tricky em Nothing’s Changed, para que não restem dúvidas. E ainda tem a altivez de nos desafiar pouco depois quando durante a exuberante linha de baixo de Does It questiona o ouvinte se estamos a gostar da audição do álbum (Does it make you feel good?).

Tricky teve sempre outras vozes a colaborar nos seus discos e as femininas assumiram frequentemente forte protagonismo, o que não é excepção em False Idols. Apesar de desta vez não contar com Martina Topley-Bird ou Elizabeth Fraser, com Francesca Belmonte, Fifi Rong e Nneka, há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpretam. Por exemplo, If Only I Knew e Chinese Interlude são dois momentos que trazem as brisas mais aprazíveis ao ouvinte.

Quanto a vozes masculinas, Peter Silberman, dos The Antlers, empresta a sua a Parenthesis, um tema que não soaria desalinhado no conteúdo de Burst Apart, a obra prima do grupo desse músico. Depois também há a já habitual pafernália de samples; em False Idols temos samples de Ghosts dos Japan (a banda de David Sylvian) e Somebody Sins, logo a abrir, é uma versão de Van Morrison, que deambula um pouco pelo lado mais religioso da vivência humana (Jesus died for somebody’s sins, but not mine). Esta faceta espiritual encerra o disco com o tema Passion Of Christ, uma canção que volta a colocar a nú a fase em que Tricky andou um pouco desorientado e à procura de si próprio, antes de voltar novamente aos eixos, mais maduro e consciente das suas limitações e, sobretudo, do seu potencial enquanto criador musical e um dos artistas mais influentes do cenário alternativo atual.

False Idols não trai de forma alguma a anterior herança deste artista britânico, junta o seu passado musical com o presente e antevém bastante sobre o futuro próximo de toda a música eletrónica mais soturna e atmosférica. Há mesmo alguns críticos que consideram que o seu conteúdo supera qualitativamente Maxinquaye, disco considerado por muitos como uma biblia do trip hop. Considerações e opiniões exteriores à parte, pessoalmente False Idols soou-me como algo refrescante e, ao mesmo tempo, incrivelmente retro porque permitiu-me recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante, possibilitou-me também descobrir uma nova luz dentro do universo musical que Tricky ajudou a criar e hoje defende como ninguém. Espero que aprecies a sugestão...

01 Somebody’s Sins
02 Nothing Matters
03 Valentine
04 Bonnie & Clyde
05 Parenthesis
06 Nothing’s Changed
07 If Only I Knew
08 Is That Your Life
09 Tribal Drums
10 We Don’t Die
11 Chinese Interlude
12 Does It
13 I’m Ready
14 Hey Love
15 Passion of the Christ

 

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publicado por stipe07 às 21:47







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