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Baths – Obsidian

Sábado, 22.06.13

Lançado a vinte e oite de maio por intermédio da Anticon, Obsidian é o novo álbum de Baths, o projeto musical da autoria do produtor norte americano Will Wiesenfeld, um talentoso músico que começou a compôr com quatro anos e que se estreou em 2010 com o muito aclamado Cerulean. À semelhança de nomes como os Washed Out ou Wild Nothing, Baths é mais um artista a comprovar que a facilidade de produzir música nos tempos atuais pode ser uma dádiva e que os computadores, instrumentos virtuais, ou seja, o mundo eletrónico sintético são cada vez mais um importante veículo de criação musical.

Antes de me debruçar no conteúdo deste disco, importa referir que os três anos que passaram entre Cerulean e Obsidian acabaram por originar uma certa inflexão na sonoridade de Baths já que onde antes havia luz, agora há um ambiente mais sombrio, amargo e obscuro, o que, por si só, não deve ser entendido como, logo à partida, uma crítica depreciativa relativamente a Baths mas, neste caso, uma espécie de elogio já que, a audição de Obsidian surpreendeu-me desde logo quando percebi que a miríade sonora instrumental de Wiesenfeld alargou-se consideravelmente desdes a estreia.

Obsidian sustenta-se em elementos específicos da produção eletrónica, feitos com batidas que se fragmentam a todo o instante, sintetizadores derramados em texturas ambientais e vozes que dançam de acordo com a essência ruidosa da obra, que transporta algumas marcas sonoras típicas de nomes tão importantes como os Boards of Canadá, The Postal Sevice, ou os Radiohead pós Kid-A. Tudo isso é enquadrado no tal cenário algo amargo e sofrido e que contradiz o cardápio sugerido em 2010, onde se incluiam temas tão luminosos e coloridos como Lovely Bloodflow, ♥ e Maximalist. A própria capa de Obsidian e a componente lírica muito assente na dor e no sofrimento acentuam essa postura nova e radicalmente oposta a Cerulean.

Entre as dez canções de Obsidian não há uma grande transição entre texturas ou orquestrações e existe uma percetível homogeneidade sonora e proximidade instrumental, algo que evita que o produtor deslize por ruídos e alterações constantes de percurso. Bastam canções como No Past Lives e No Eyes para perceber os pequenos ambientes instáveis que Wiesenfeld deixa florir no disco e que prendem-nos num oceano de experimentações sonoras algo controladas. No entanto, esse controle, felizmente, não é rigido já que, mesmo nos momentos mais comerciais do trabalho, como Miasma Sky e Ironworks, Baths não deixa de acrescentar alguns detalhes e excentricidades que só ajudam a ampliar a criatividade e a nossa adição à audição. O uso constante de samples que vão do barulho da chuva (Miasma Sky ) até conversas banais, são alguns exemplos destes felizes a apropriados detalhes.

Em relação à voz, Will tem um registo muiti aprazível e, simultaneamente, frágil; Phaedra é o tema que mais me impressinou nessse aspecto, pela forma como se entrelaçou o baixo sintetizado e o piano, com a batida claustufóbica e a voz sincera.

Se inovação, criatividade e maturidade são três ítens muito presentes na componente instrumental de Obsidian, no que concerne às letras, que como já disse são algo sofridas, Wiesenfeld deixa agora um pouco de lado a construção de histórias apaixonadas, consumidas de forma honesta pelo amor e pela saudade, para se dedicar a dar vida a um lado oposto desse cenário. Assim, uma boa parte das canções de Obsidian são alimentadas por um constante sentimento de desprezo, pessimismo e sofrimento, como se a mente do produtor fosse consumida lentamente pela dor, algo evidenciando com particular ênfase em Incompatible e Earth Death.

Obsidian é um excelente disco para momentos mais pensativos e nublados e tem uma atmosfera que servirá como morada para os sentimentos do produtor, que temporariamente consumido pela melancolia, faz deste álbum um abrigo seguro para os seus pensamentos mais sombrios e que certamente se relacionam diretamente com a maior parte de nós. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Worsening
02. Miasma Sky
03. Ironworks
04. Ossuary
05. Incompatible
06. No Eyes
07. Phaedra
08. No Past Lives
09. Earth Death
10. Inter

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publicado por stipe07 às 17:34






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