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Sigur Rós – Kveikur

Segunda-feira, 17.06.13

Pouco mais de um ano após Valtari, os islandeses Sigur Rós estão de volta com Kveikur (em português, pavio), o sétimo e novo álbum da banda, lançado hoje, dia dezassete de junho, pela insuspeita XL Recordings e cheio de canções que nos transportam, mais uma vez, para a fria e inóspita, mas mística e maravilhosa Islândia, terra natal deste grupo de músicos que são já um nome incontornável no cenário musical indie e alternativo dos últimos quinze anos. Agora reduzidos a trio, Jónsi Birgisson, Georg Hólm e Orri Páll Dýrason são provavelmente os maiores responsáveis por toda uma geração de ouvintes se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk e dos Mum, este trio não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda, só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças ao rico cardápio instrumental que este grupo conseguiu alicerçar com a sua discografia.

 

Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes. Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia. Protegidos por uma discografia coesa e com pelo menos três grandes obras carregadas de conceitos particulares (Ágætis byrjun, ( ) e Takk), os Sigur Rós conquistaram uma natural fama de banda intocável, a quem sonoramente quase tudo se tornou permitido e, por isso, passaram grande parter da carreira a inventar sonoridades que ultrapassam o efeito natural de qualquer música e a lidar, com arte, com o lado mais sentimental de quem, como eu, os venera.

Após o lançamento de Með suð í eyrum við spilum endalaust (2008) houve quem começasse a sugerir um défice de criatividade no seio do grupo, mas pessoalmente prefiro ver esse disco e o próprio Valtari como resultado da tal busca por novos horizontes sonoros. Kveikur acaba por ser uma sucessão óbvia de Valtari, talvez o mais introspectivo e difícil disco do grupo, uma obra de oito canções que ecoava de forma suja, distante da subtileza angelical que se manifestava nos discos anteriores. E justifico essa sucessão óbvia dizendo que Kveikur soa a uma espécie de continuação do que foi testado no antecessor, nomeadamente na estabilização do tal rompimento com o que foi apresentado pelo grupo há mais de uma década, mas agora, utilizando os mesmos arranjos orquestrais e o clima místico de Valtari, com um clima mais agressivo, aberto, ambiental e orquestral.

Se Valtari era um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientava de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som, em Kveikur mantêm-se as harmonias magistrais e o disco pode ser também escutado com um único bloco de som, mas é dada uma maior liberdade e volume ao arsenal instrumental de que a banda se serve para recriar as nove canções. Logo a abrir, a opulência sonora de Brennisteinn não soará particularmente estranha a quem já está devidamente identificado com a discografia dos Sigur Rós e percebe que há aqui o apelo da novidade, mas sem abandonar a essência. Depois, à medida que o disco avança, testemunhamos esse esforço, às vezes eufórico, de atingir um intenso impacto lisérgico no ouvinte.

Em Kveikur, a percussão é o campo do arsenal instrumental que mais se amplifica relativamente a Valtari e talvez aquele que encontra maiores pontos de encontro com o passado do grupo; Hrafntinna traz-nos de volta alguns instantes percussivos de Með suð í eyrum við spilum endalaust e Ísjaki, remete-nos em alguns momentos para os momentos mais comerciais de Takk, quando Glósóli eHoppípolla apresentaram de forma definitiva o trabalho da banda ao público em geral.

Quem conviveu intimamente na última década com a música dos Sigur Rós e criou algumas defesas quanto à possível transformação sonora da banda, tornando-se algo purista relativamente à fórmula que sempre adoptaram, terá já torcido o nariz a Valtari e ainda mais desapontado ficará com Kveikur. Mas, se quem teve essa tal convivência íntima de espírito aberto e são e predisposto a aceitar novos rumos, tem em Kveikur um novo manancial de de detalhes e nuances instrumentais para explorar e descobrir, um exercício musical que certamente será do agrado de quem não se importa de descobrir uns Sigur Rós mais crús, diretos e psicadélicos, mas que não deixam, mesmo assim, de nos fazer flutuar num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas. Espero que aprecies a sugestão...

01. Brennisteinn
02. Hrafntinna
03. Ísjaki
04. Yfirborð
05. Stormur
06. Kveikur
07. Rafstraumur
08. Bláþráður
09. Var

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publicado por stipe07 às 21:48






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