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TAPE JUNk - The Good & The Mean (Inclui Entrevista)

Quarta-feira, 12.06.13

TAPE JUNk é o mais recente projecto de originais de João Correia, músico que assume a linha da frente como vocalista dos Julie & The Carjackers e uma posição mais resguardada mas não menos ativa e importante como baterista de diversos artistas, nomeadamente da Márcia, Frankie Chavez ou Walter Benjamin. Desde 2009 que divide o tempo entre a bateria, o microfone e a guitarra, já que nessa altura passou a escrever, cantar e gravar as suas músicas e agora acaba de surpreender o universo musical português com The Good & The Mean, disco a solo gravado por Nelson Carvalho nos estúdios da Valentim de Carvalho e produzido por João Correia e António Vasconcelos. The Good & The Mean foi  lançado através da Optimus discos, que disponibilizou a rodela para download legal e gratuito.

Com um conteúdo sonoro que abraça algum do melhor rock americano a da melhor indie pop dos últimos trinta anos e que é, certamente, o universo sonoro que mais agrada ao João, que confessa serem Pixies, Beck e Pavement, entre outros, nomes que acompanha desde sempre com devoção, The Good & The Mean tem canções que personificam soalheiras aventuras sonoras, algumas delas com um elevado pendor pessoal e intimista, como seria de esperar num projeto a solo.

Não é em vão que o press release de apresentação do disco nos alerta que The Good & The Mean é a mais honesta expressão artística e lírica de João Correia e que as letras são directas e bastante pessoais e criam uma empatia imediata com o ouvinte, porque é mesmo essa a sensação que a audição do álbum rapidamente nos suscita. Com uma linguagem sonora e lírica simples e, simultaneamente, intensa e profunda, qualquer uma das canções do disco fala de situações do quotidiano com as quais facilmente nos identificamos e podem ser um excelente veículo para o reavivar de algumas memórias que estão um pouco na penumbra e que nos enchem o ego quando delas nos recordamos.

Confessando que se sente mais confortável a escrever em inglês, embora não descarte o português, a temática transversal ao disco tem a ver com a secular dicotomia que todos experimentamos entre o bem e o mal, entre aquilo que nos parece correto e as tentações que diariamente se atravessam perante qualquer um de nós e de como, muitas vezes, compete a nós próprios, conscientes das nossas concepções, decicidirmos em liberdade o que é certo ou errado e qual o caminho que realmente queremos seguir.

João começou por aprender a tocar guitarra ainda na infância mas depois apaixonou-se pela bateria. Com catorze anos já tinha formado com alguns primos uma banda punk e talvez a capa do disco não seja alheia a esta precocidade que João sempre demonstrou no universo musical, além de ser, quanto a mim, uma excelente metáfora para o conteúdo claro, inocente e direto de The Good & The Mean.

O lançamento do disco decorreu no passado dia cinco de Junho no MusicBox, em Lisboa e de acordo com o João correu muito bem, com a presença de alguns convidados que participaram no disco a ter sido a cereja em cima do bolo. Confere abaixo a entrevista que o João me concedeu e não deixes de usufruir deste excelente álbum dos TAPE JUNk. Espero que aprecies a sugestão...

Only Son

99 Year Blues

The Good and the Mean

No Romance Without Finance

Buzz

Misery Ain't That Good A Buddy

Ain't No Shame In My Game

Under My Feet

Tombstone

99 Years Blues Reprise

From the Screaming Jay Hawkins' Spell to Chuck Berry's Wet Mademoiselle

Olá, João Correia. Este excerto que apresenta o projeto TAPE JUNK na sua página do FB é da tua autoria? O que significa?

Faz parte da letra do tema “The Good & The Mean”. O tema fala um pouco do mito do pacto com o Diabo. Durante a letra vou sempre falando de inúmeras situações e o que é, ou aparenta ser, correcto ou errado no meu percurso. O bem, o mal e como são os dois importantes e andam de mãos dadas. O disco em geral fala disto.

Este verso é menos sério e pouco pessoal, na verdade. Falo do Screaming Jay Hawkins pelo assustador que é a versão original do “I Put A Spell on You” e o impacto que me causou a primeira vez que ouvi. “ I put a Spell on you because you’re mine” é uma frase que se enquadra bem no tema desta música, os gritos violentos de Hawkins e esta frase são super demoníacos. Falo das “Wet mademoiselle” do Chuck Berry como piada acerca da sua sex tape obscura. É a parte com mais humor negro da letra, e como é tão estranha acabei por usar isso. Achei que podia despertar alguma curiosidade.


Segundo a nota de imprensa, A busca do caminho certo, os desvios e atalhos que a vida nos oferece fazem parte da temática explorada pelo projeto TAPE JUNK. Existe uma ligação entre uma abordagem lírica direta e relacionada com os assuntos do quotidiano e a sonoridade do álbum. Isso é propositado?

A sonoridade do álbum é muito directa, tal como as letras. É tudo muito simples. Quis que a letra e a “conversa” fosse o centro do disco. É um disco em que falo muito, mais do que toco.

Tal como numa conversa, se alguém falar comigo com carradas de palavras caras e cheio de rodeios e vou acabar por me distrair e quando der por mim penso “oops…já não estou a perceber nada”. Não quis que isso acontecesse aqui. A banda acompanha a canção, só isso. As canções acordaram, tomaram banho e saíram para a rua, sem maquilhagem, vestiram a primeira peça de roupa que encontram.


Como chegaste à escolha do nome para o álbum?

Quando escrevi o tema “The Good & The Mean”. Achei que era o nome perfeito e acabou por ser a primeira e única opção. É sobre o que o disco fala.


Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, este álbum teve a mão de Nelson Carvalho e António Vasconcelos na gravação e produção e contou com as participações especiais de Frankie Chavez Francisca Cortesão. Como surgiu a possibilidade de trabalhar com todos estes nomes?

O António é das pessoas mais dedicadas que conheço. Desde que lhe mostrei umas músicas até acabarmos o disco passaram-se meses de trabalho conjunto. E ele faz tudo, toca bateria ao vivo, gravou teclados e piano no disco, produz, canta, edita, mistura…e por aí fora. Somos os dois muito versáteis nesse sentido e isso ajudou muito a chegar ao resultado final. O facto de ter sido gravado pelo Nelson Carvalho foi muito importante para a eficácia das gravações, mistura e chegar ao som que o álbum tem. Estava há anos para trabalhar com ele e este foi o ano, finalmente.

Os convidados são todos grandes amigos meus muito talentosos e que admiro muito. Tenho uma enorme empatia musical com o Frankie Chavez e já tivemos montes de aventuras de estrada e concertos juntos. Adorei juntar o Frankie e a Minta na mesma música, Buzz, acho que as vozes deles ficaram incríveis.

A Minta será sempre minha convidada para tudo! Sou fã dela. Adoro Minta & The Brook Trout e acho que ela escreve canções boas demais. Tenho muita sorte em ter-me cruzado com ela. Tocamos juntos em They’re Heading West e há dois anos fizemos uma tour pela costa oeste dos Estados Undidos, o que acabou para me inspirar muito na escrita de desta canções.

Outro dos membros dos They’re Heading West é o Sergio Nascimento, baterista que ouço e admiro há muitos anos. Convidei-o para gravar umas percussões para o disco e fiquei louco com as ideias dele, é um músico fabuloso e um grande amigo. Outro convidado foi o Bruno Pernadas, o meu irmão musical de Julie & The Carjackers e o meu guitarrista preferido. O Bruno é um génio, é um compositor como nunca vi e vai lançar um álbum dele em Setembro. Posso dizer que nunca ouviram nada assim, mesmo. No meu disco tocou o “Under My Feet” e devo ter ouvido o solo que ele gravou umas 40 vezes em loop. Foi ao primeiro take.

Tocou também o Zé V Dias, irmão do António, teclista dos Brass Wires Orchestra. O Zé, juntamente com o meu baixista Nuno Lucas, foi das primeiras pessoas a ouvir as músicas e a gravar nas pré produções. É um grande músico e um grande amigo meu. Os baixos foram todos gravados pelo Nuno Lucas, com quem toco há muitos anos. O Nuno dá-me uma segurança enorme. Sei que vai sempre tocar a coisa certa, sei que segura qualquer banda e, juntamente com o António, são a dupla mais dedicada com que já trabalhei. Aturam coisas ridículas da minha parte…

 

Já agora, TAPE JUNK é, na sua essência, um projeto a solo, ou uma banda que além do João Correia, conta com o Nuno Lucas e o António Vasconcelos?

TAPE JUNk é o meu projecto a solo no que diz respeito à escrita de canções e no conceito de disco e sonoridade. Ao vivo é uma banda. Só assim faz sentido.

 

Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse e percebi que as tuas influências musicais vão de Johnny Cash, a Pavement e Beck, entre outros. São estes os teus principais gostos musicais pessoais?

Eu ouço de tudo. Gosto de tocar e ouvir muitos estilos musicais, percebê-los e fazer parte de vários universos diferentes.

Como escritor de canções e produtor o resultado é este. Tenho uma linha que passa sempre pelo rock dos anos 90. Os Pixies, Pavement, o Beck, etc… fazem parte da minha vida e cresci a ouvir essas bandas. O tipo de discurso deste disco acabou por levar também para um lado mais outlaw country de que gosto muito.


O vídeo oficial de Buzz, o single retirado de The Good & The Mean, é, na minha opinião, uma curiosa narrativa sobre um quotidiano um pouco inusitado de dois homens, interrompida por imagens dos músicos a tocar numa espécie de lixeira ou arrecadação a ceú aberto. Como surgiu esta ideia e, já agora, a possibilidade de trabalhar com Miguel Leão e João Toscano da NAU Productions?

O Miguel e o João são grandes amigos e divertimo-nos todos muito a gravar este vídeo.

A minha ideia passava por ter uma personagem e o seu anjo bom e anjo mau. O cavalheiro de roupão vermelho representa o anjo mau e o de roupão o anjo bom. Acho que só estamos em harmonia se o nosso lado bom e mau também. Trazer o bom ao de cime e ignorar e recalcar o mau não funciona. Têm estar expostos e temos de encontrar o balanço certo. Daí a dicotomia entre o paraíso que seria estares tão bem contigo próprio que até o teu lado bom e mau jogam raquetes, são amigos e tomam o pequeno almoço contigo. E o oposto : a lixeira e a realidade imunda que por vezes te persegue quando as coisas não estão em harmonia.

 

Tens um tema preferido em The Good & The Mean?

Hummm…acho que não…

 

O que podemos esperar do futuro discográfico do projeto TAPE JUNK?

Já estou a trabalhar no próximo disco. Quero lançar disco novo em 2014.

 

Que importância tem para o projeto TAPE JUNK a parceria com a Optimus discos?

Fiquei muito contente por o Henrique Amaro gostar do disco e querer editar pela Optimus. Ele tem dado sempre grande apoio ao meu trabalho. Estou muito grato por isso. Não conseguia ter as mesmas condições para gravar este disco sem a ajuda da Optimus.


No passado dia cinco de junho foi o lançamento do disco no MUSICBOX. Como decorreu o evento? 

O concerto correu muito bem. Tocámos o disco praticamente todo e ainda algumas músicas novas. Ouvi muita gente a cantar as letras, o que me deixou muito feliz.

O Frankie Chavez tocou o concerto todo como segundo guitarrista e a banda deu um salto enorme por causa disso. Antes tínhamos tocado em trio e faltavam alguns elementos para reproduzir o disco e também para haver mais interacção entre nós.

Os convidados Minta, Bruno Pernadas e Zé V Dias foram a cereja em cima do bolo.

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publicado por stipe07 às 21:13






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