Terça-feira, 30 de Abril de 2013

Caveman – Caveman

Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e que divulguei na altura, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Caveman, um homónimo lançado no passado dia dois de abril por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico folk rock norte americano.

Forjado num celeiro de New Hampshire, propriedade da avó de Iwanusa, Caveman é resultado de longas jam sessions, dentro de uma sonoridade post rock que tinha tido alguns lampejos na estreia e que caraterizava as anteriores bandas dos elementos do quinteto, veteranos e profundos conhecedores do cenário musical nova iorquino (We’d all sit in this one room together and one by one we’d all go into the bathroom and record ourselves making the most psycho noises possible.).

No entanto, apesar do nome e dessa herança, Caveman não tem muito de cavernoso e obscuro, pois até é um disco com uma sonoridade bastante pop e folk, ouvindo-se apenas algum barulho e distorção aqui ou ali. As canções destacam-se pela voz de Matthew e pela vigorosa bateria de Stefan, havendo lampejos de pop (My Time), de alt country (Old Friend) e experimentações etéreas (Over My Head e I See You), que chegam a pisar territórios explorados pelos Radiohead ou Pink Floyd, apesar dos Fleet Foxes serem o projeto que mais vezes assalta a nossa memória durante a audição deste homónimo. In The City, o single já retirado do álbum, acaba por ser o seu maior destaque, um tema que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje é reproduzida com mestria, por exemplo, pelos The Antlers. 

Numa época em que muitos criticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção o habitual síndroma do segundo álbum, assentando essa permissa numa habilidade lírica incomum, apesar da temática das canções ser algo generalista e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.

Não há uma total reconstrução da sonoridade estética de Coco Beware, disco que foi dominado pelas guitarras, mas em Caveman há um notório amadurecimento na forma da banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que, apesar de fazer com que tenham perdido alguma daquela espontaniedade que as guitarras geralmente permitem que exista, potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...

01. Strange To Suffer
02. In The City
03. Shut You Down
04. Where’s The Time
05. Chances
06. Over My Head
07. Ankles
08. Pricey
09. I See You
10. Never Want To Know
11. The Big Push

 


autor stipe07 às 22:04
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Foxygen - We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por  Richard Swift e lançado no início deste ano pelo selo Jagjaguwar, traz o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz.

A audição de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, impressiona desde logo por em apenas nove músicas e pouco mais de trinta e seis minutos abarcar uma vasta rede de influências sonoras que, em comparação com a estreia, também abrangem agora a folk e o rock dos anos setenta, indo muito ao encontro do que atualmente faz um cruzamento dos compatriotas MGMT e The Black Keys com os australianos Tame Impala e os Unknown Mortal Orchestra. Houve um amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.

In The Darkness abre o álbum e recorda logo, em apenas dois minutos e com o piano e a percussão, os The Beatles da fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleónicas dos voz de Sam e os seus belos agudos, às vezes sintetizados. Em apenas dois minutos, a canção traz a sonoridade psicodélica sessentista que estará presente em grande parte do disco. Em seguida, No Destruction mantém a toada revivalista, com um travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Stones e fala do amor e de alguns absurdos que às vezes estão implícitos a esse sentimento.

On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração à The Black Keys, que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

San Francisco tem o melhor refrão de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Bowling Trophies tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção.

O primeiro single retirado de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic foi Shuggie, outra canção com várias nuances, um refrão soul e um início pouco usual feito à base de sintetizadores e com um timbre bem estranho. Oh Yeah é groove e funky e leva-nos de volta ao camaleão dos anos setenta e só no tema homónimo é que reaparece a toada lo fi que se ouviu no disco de estreia dos Foxygen, por sinal de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e novamente de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic termina com a hipnótica Oh No 2canção com uma belíssima melodia que nos remete para os Pink Floyd.

We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen. É um impressionante passo em frente quando comparado com Take the Kids Off Broadway e um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado.  Espero que aprecies a sugestão...

In The Darkness

No Destruction

On Blue Mountain

San Francisco

Bowling Trophies

Shuggie

Oh Yeah

We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Oh No 2 

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autor stipe07 às 18:08
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Sugiro... XXX


autor stipe07 às 10:58
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Domingo, 28 de Abril de 2013

Black Lizard - Black Lizard

No passado dias cinco de abril chegou aos escaparates, por intermédio da Soliti Music, Black Lizard, o homónimo de estreia dos Black Lizard, uma banda finlandesa formada por Paltsa-Kai Salama, Joni Seppänen (guitarra e sintetizador), Lauri Lyytinen (baixo) e Onni Nieminen (bateria e percurssão).

As sessões de gravação de Black Lizard decorreram entre Berlim e Helsinquia e contaram com a participação especial de Anton Newcombe dos The Brian Jonestown Massacre, sendo Love Is A Lie o primeiro single retirado deste trabalho. Os Black Lizard assentam a sua sonoridade no rock psicadélico e hipnótico, com raízes nos anos setenta, na senda de outras bandas atuais, nomeadamente os Brian Jonestown Massacre, Spacemen 3 ou os B.R.M.C., entre outros.


Para a sonoridade deste homónimo, com nove canções e quase quarenta minutos de duração, terá sido fundamental a ajuda de Anton Newcombe, durante as sessões de gravação que decorreram em Berlim. A simplicidade ao nível da percussão e uma abordagem direta por parte das guitarras em busca da tão ansiada sonoridade hipnótica psicadélica, acabam por ser dois grandes trunfos, com um cunho pessoal que faz dos Black Lizard mais do que apenas uma banda que recorre a uma súmula de influências sonoras.

Cada uma das canções do disco tem um selo próprio ou um detalhe diferente que a diferencia das demais. O disco começa com a simples Honey, Please, um tema muito ao estilo dos Spacemen 3; Depois, Love Is A Lie é uma escolha perfeita para single, principalmente pelos coros e pelo desempenho vocal, em especial ao nível dos coros. New Kind Of High prepara o caminho para Some Drugs, uma canção com uma batida constante altamente aditiva e Forever Gold é um brilhante momento pop, mesmo antes da atmosfera sombria que Thrill proporciona, uma canção muito próxima da sonoridade dos The Velvet Undferground, com a própria voz de Paltsa-Kai Salama a aproximar-se perigosamente do registo de um Lou Reed. Esta aproximação também é audível no final, em Fucking Up. Boundaries é uma das melhores canções do álbum, não só por inculir uma interessante variedade instrumental, que incluí a cítara, que lhe confere um elevado pendor hipnótico, mas por contar com o desempenho de Anton numa curiosa bateria elétrica.

Os finlandeses Black Lizard são mais um nome a ter em conta no universo musical psicadélico e apesar de se dedicarem a dar um cunho próprio a uma sonoridade que surgiu há quase quarenta anos, com este estreia colocaram-se na linha da frente de um grupo importante de bandas que voltaram a colocar no nosso roteiro sonoro o rock psicadélico e hipnótico. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para black lizaRD black lizard soliti

Honey, Please
Boundaries
Dead Light
Love Is A Lie
New Kind Of High
Some Drugs
Forever Gold
Thrill
Fucking UP


autor stipe07 às 21:03
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Sábado, 27 de Abril de 2013

Paper Beat Scissors - Tendrils, Live At St. Matthew's Church


Liderados pelo simpático Tim Crabtree, os canadianos Paper Beat Scissors lançaram recentemente, por intermédio da Forward Music Group e relacionado com o evento Record Store Day, uma edição em vinil, limitada a trezentos exemplares, de Tendrils - Live At St. Matthew's Church. Produzido pelo próprio Tim Crabtree, o disco inclui apenas dois temas, Tendrils na lado A e Onwards no lado B e ambos foram gravados ao vivo na igreja de St. Matthews, em Halifax, na Nova Escócia, durante um festival de jazz que aí se realizou, no passado dia onze de julho e contaram com a participação especial dos Clogs, uma banda de Nova Iorque que costuma colaborar com os The National e com os My Brightest Diamond, nas vozes, em Tendrils.

Além do vinil com as duas canções, o 45RPM traz um postal com um lindíssimo artwork da autoria da artista Sydney Smith, que inclui im código que possibilita três vezes o download, no site da etiqueta Forward Music Group, dos sete temas que a banda tocou nesse concerto.

Agradeço ao Tim pelo envio do meu exemplar que já chegou e enriqueceu imenso a minha coleção discográfica e desejo-lhe o maior sucesso na digressão europeia que os Paper Beat Scissors estão a iniciar. Espero que aprecies a sugestão...

Tendrils

Onwards


autor stipe07 às 11:20
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Wild Belle - Isles

Os Wild Belle são Natalie Bergman e Elliot Bergman, dois irmãos de Chicago que têm no rock pasicadélico com travos folk, reggae e ska as suas principais influências. Isles, o disco de estreia, foi editado por intermédio da Columbia Records no passado dia onze de março.

Uma das particularidades de um disco que frequentemente me chama a atenção é a capa do mesmo. Tenho um interesse particular por perceber as escolhas das bandas e, antes de me debruçar naquilo que talvez mais interesse, que é o conteúdo, não resisto a divulgar a justificação do art work da capa de Isles. A pintura selecionada é um quadro que foi feito pela mãe dos músicos e uma homenagem à mesma, que faleceu recentemente.

Referências à tristeza e à dor que essa perca provocou nos Wild Belle seriam perfeitamente naturais e compreensíveis, tendo em conta essa perca física recente da figura maternal. No entanto, o clima proposto é exatamente o oposto. Isles é como que um arquipélago musical onde existem diferentes canções, sendo cada uma delas uma ilha particular, com um ambiente sonoro particular e onde a criatividade é transversal aos onze temas do disco.

Isles está estruturado no típico groove recheado de metais e ruma frequentemente até trilhos sonoros dominados pelo ska e outras influências que os dois irmãos agregam com mestria. A voz de Natalie carrega em si uma essência vocal que facilmente se associa a nomes como Lily Allen e Alex Winston e destaca-se particularmente em Keep You, It's Too Late e Backslider. Já Another Girl reacende um passado pelo qual Adele e Duffy poderiam fazer parte numa versão acústica.

Isles pode facilmente vir a ser uma boa referência futura para uma ampliação ainda mais vasta do reggae, que tem aqui os seus traços identitários bem identificados e ao mesmo tempo diluídos numa pop leve e que caberia muito bem na banda sonora de uma festa de verão junto ao mar, com tiques sonoros mais contemporâneos e refrescantes. Sobram referências culturais direcionadas a lugares como África, Jamaica e Hawai, bem notadas em canções como Twisted, June e Love Like This, que se destacam pelos arranjos simples e pela sonoridade típica desses locais, onde o reggae tem uma forte implementação.

Se teoricamente cada canção de Isles conta diferentes histórias, melodicamente Wild Belle assenta num leque de influências sonoras, muito bem distribuídas em cada um dos temas, o que confere uma notável homogeneidade e identidade ao disco.  Se realmente será uma realidade a tal transformação de Isles numa referência futura para quem queira vir a apostar nesta fusão sonora, ainda é um pouco cedo para o dizer com absoluta certeza; Seja como for, encontrar os típicos ambientes do verão que se aproxima, é algo muito possível nesta estreia dos Wild Belle. Espero que aprecies a sugestão...

Wild Belle - Isles

01. Keep You
02. It’s Too Late
03. Shine
04. Twisted
05. Backslider
06. Happy Home
07. Another Girl
08. Love Like This
09. When It’s Over
10. June
11. Take Me Away


autor stipe07 às 22:47
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Curtas... XCVII

Depois de Hello Sadness, os escoceses Los Campesinos! estão de regresso com A Good Night for a Fistfight, o primeiro álbum ao vivo do grupo, gravado em dezembro último na Islington Assembly Hall de Londres. We Are Beautiful, We Are Doomed é o primeiro tema já divulgado...


 Os Sigur Rós acabam de apresentar mais uma nova música do próximo álbum. Desta vez, apenas o som e a letra. É a primeira vez que os Sigur Rós disponibilizam um "lyric vídeo". O álbum sai a 17 de junho...


Depois de Blood Orange, também os Dirty Projectors já apresentaram a sua remistura para Entertainment, o primeiro avanço de Bankrupt!, o próximo álbum dos Phoenix. Confere...

 

Quem duvida que depois de Coexist (2012) os The XX seria incapazes de criar um som tão melancólico e hipnótico como que se ouvia no álbum homónimo de 2009, certamente deixará de ter dúvidas depois de ouvir Together, o tema que a banda apresentou recentemente e que fará parte da banda sonorda de The Great Gatsby. A canção mantém as aproximações à pop eletrónica, sendo guiada pelo conforto das vozes de Romy Madley Croft e Oliver Sim e exemplarmente produzida por Jamie Smith. Com direito a um arranjo de cordas fundamental, a canção entra facilmente para a lista das grandes composições já lançadas pelo trio.


Opala é um projeto carioca, do Rio de Janeiro portanto, encabeçado por Maria Luiza Jobim em parceria com Lucas de Paiva. Come Home é o single mais recente da dupla, disponível para download, um tema que se acomoda em referências que dançam pelo tempo, já que tem ecos dos anos oitenta e do presente. A canção é um tratado de natureza minimalista, compacta, como se fosse uma versão feminina dos suspiros de Nicolas Jaar em Space Is Only Noise (2011). Confere...


autor stipe07 às 10:50
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Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

YAST - YAST

Os suecos YAST formaram-se em 2007 na localidade de Sandviken e no ano seguinte mudaram-se para Malmö, sendo, desde então, uma banda formada por Carl Jensen, Tobias Widman e Marcus Norberg. Em 2010 o trio passou a quinteto com a entrada de Markus Johansson e Niklas Wennerstrand, o baterista e o baixista dos Aerial. YAST, o disco homónimo, foi editado no passado mês de fevereiro por intermédio da Adrian Recordings.


A habitual melancolia escandinava é a pedra de toque da indie pop açucarada dos YAST, feito com a habitual fórmula que usa guitarras luminosas e uma percussão sempre mais subtil do que propriamente muito grave e vincada. São canções que não deixam de ter uma certa toada épica e simultaneamente lo fi, dois ítens bem patentes no curto mas conciso single homónimo. Mas outro dos temas que destaco do disco é Stupid, canção onde o predomínio das cordas é notório, não só no baixo que conduz a melodia, como depois na viola e na distorção da guitarra.

As cordas acabam por ser o mel que adoça o processo de composição dos YAST, algo que se saboreia claramente neste conjunto de doze canções que terão outro sabor se forem escutadas num dia de sol radioso e que, por saberem aquela brisa fresca que tempera os dias mais quentes sem ofuscar o brilho do sol, poderão muito bem caber num ipod a caminho de uma das nossas praias no verão que se aproxima. Espero que aprecies a sugestão...

01. YAST
02. Rock ‘N’ Roll Dreams
03. Stupid
04. Robin
05. Believes
06. Heart Of Steel
07. I Wanna Be Young
08. Always On My Mind
09. Strangelife
10. Sick
11. The Person I Once Was
12. Joy


autor stipe07 às 16:02
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

Suede – Bloodsports

Os Suede estão de regresso aos discos com Bloodsports, o sexto álbum desta banda de rock alternativo britânica. Bloodsports foi editado no passado mês de março, sendo o primeiro trabalho da banda depois de um hiato de uma década, já que sucede a A New Morning, álbum de 2002. Nesse ano os Suede sairam de circulação na ressaca do movimento brit pop que liderou o rock alternativo na década de noventa e numa altura em que eram as bandas do lado de lá do atlântico, lideradas pelos The Strokes e pelos Interpol, que começavam a dar cartaz no universo musical alternativo.


Grupo que teve e tem como maiores referências os Smiths e os Commotions, os Suede andaram sempre à procura da direção certa e dos melhores cruzamentos sonoros dentro da esfera brit pop. Curiosamente, quando a banda se formou em 1989, num anúncio de jornal era pedido um baterista e o ex Smiths Mike Joyce candidatou-se ao cargo, mas logo desistiu quando percebeu que a sua anterior banda seria uma das bitolas dos Suede e que ele próprio poderia tornar-se num óbice dentro de um projeto que queria estabelecer uma identidade própria apesar de não renegar influências.

Ao longo da carreira, os Suede acabaram por conseguir estabelecer uma sonoridade muito peculiar e sua, graças não só à postura de Brett Anderson, o carismático líder, mas também devido aos detalhes sofisticados e aos arranjos únicos do guitarrista Richard Oakes. Não houve propriamente uma coesão em termos de sonoridade já que a discografia dos Suede não é particularmente homogénea; O primeiro álbum homónimo, editado em 1993, era um disco mais rock e Dog Man Star (1994) já mostrava uma faceta da banda mais obscura e de sonoridades sofisticadas. O terceiro, Coming Up (1996) mostrou um lado pop e melódico da banda, sendo até hoje o disco dos Suede mais bem sucedido comercialmente. Depois do experimentalismo em excesso com Head Music (1999) a banda lançou A New Morning (2002), trabalho cheio de arranjos acústicos e que apesar da qualidade não chamou muito a atenção do grande público.

Pouco mais de dez anos depois a banda regressa, curiosamente numa fase em que o retro e os anos noventa voltam a estar na moda e os Suede deixam para os fãs a possibilidade de eles próprios concluirem se o grupo foi capaz de lançar canções de qualidade e finalmente estabelecer a tal identidade que tanto procuraram toda a carreira. A própria banda deixa pistas já que em entrevistas recentes Brett Anderson disse que Bloodsports combina o lado mais lírico de Coming Up com os elementos obscuros de Dog Man Star.

Embora isso pareça estranho, não posso deixar de concordar que é esse o clima que permeia grande parte das canções deste novo álbum. Bloodsports está impregnado com os tais arranjos envolventes e sofisticados e transporta uma sensibilidade melódica muito aprazível. Há vários arranjos e riffs inspirados como em Snowblind e Starts And Ends With You e a melódica For The Strangers mostra um competente trabalho do guitarrista Richard Oakes e um clima que os Suede sempre exploraram de forma criativa. O primeiro tema do álbum, Barriers, talvez seja um dos pontos mais fracos do disco, mas gostaria de destacar a soturna Sometimes I Feel I'll Float Away, uma canção com uma toada inicial atmosférica, mas que depois cresce para um registo muito aditivo e linear. Gostei também da grandiosa Hit Me, tema que intercala uma excelente interpretação de Anderson com um trabalho habilidoso da restante banda. Já a fúnebre Always traz sons modulados e camadas sonoras que lhe dão um clima espectral.

Se no início de carreira os Suede não sabiam muito bem para onde iriam, após tantos discos lançados parece-me que ainda não terão chegado a um consenso sobre isso e talvez resida aí a sua maior virtude. Espero que aprecies a sugestão...

Suede - Bloodsports

01. Barriers
02. Snowblind
03. It Starts And Ends With You
04. Sabotage
05. For The Strangers
06. Hit Me
07. Sometimes I Feel I’ll Float Away
08. What Are You Not Telling Me?
09. Always
10. Faultlines


autor stipe07 às 21:58
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Curtas... XCVI

Contendo treze canções cheias de participações especiais, chegará às lojas a vinte e um de maio Random Access Memories, o quarto disco da carreira dos franceses Daft Punk. Recentemente foi disponibilizado o single Get Lucky, tema que conta com as participações especiais de Pharrell Williams e Nile Rodgers. Confere o single Get Lucky e o alinhamento de Random Access Memories.

 

01 – “Give Life Back To Music” – feat. Nile Rodgers 
02 – “The Game Of Love” 
03 – “Giorgio By Moroder” – feat. Giorgio Moroder 
04 – “Within” – feat. Chilly Gonzales 
05 – “Instant Crush” – feat. Julian Casablancas 
06 – “Lose Yourself To Dance” – feat. Pharrell Williams e Nile Rodgers 
07 – “Touch” – feat. Paul Williams 
08 – “Get Lucky” – feat. Pharrell Williams e Nile Rodgers 
09 – “Beyond” 
10 – “Motherhood” 
11 – “Fragments Of Time” – feat. Todd Edwards 
12 – “Don’t It Right” – feat. Panda Bear 
13 – “Contact” – feat. DJ Falcon

 

Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser estão cada vez menos interessados na sonoridade pop psicodélica que abasteceu o disco de estreia dos MGMTOracular Spetacular (2007). Como já haviam feito no Congratulations (2010), a busca por sons experimentais deve guiar o futuro desta dupla norte americana, de acordo com o single Alien Days, o primeiro avanço para o terceiro disco do grupo e que será um homónimo.

Alien Days mergulha no experimentalismo feito com referências tão importantes como os Pink Floyd ou os The Flaming Lips e está impregnado de vozes submersas, teclados, uma percussão mística e guitarras intencionalmente sujas.

01. Alien Days
02. Message 7 From Hearty White


Depois de terem editado a três de setembro de 2012 All The Wars, os britânicos Pineapple Thief estão de regresso com mais novidades. Build A World, um dos singles desse disco, acaba de ver a luz do dia em formato EP. O novo trabalho inclui, além de Build A World e de uma remistura desse tema por Dirty HiFi, mais três inéditos.

01. Build A World
02. You Don’t Look So Innocent
03. What Are You Saying
04. You Drew Blood
05. Build A World (Dirty HiFi Remix)

 

Depois de no Curtas... LXXXVII ter divulgado Departure, Mikey Maleki, o músico norte americano envolvido nos projetos Kodak To Graph e Isle, continua as suas eletrificantes experimentações sonoras e na sua senda de apresentar mensalmente um tema, que irá disponibilizando, em modo ÉFV, através da Bad Panda Records, acaba de divulgar Aurescent, a canção de abril. Aurescent é o tema mais atmosférico da sequência, uma canção com uma percussão intrincada e com a voz peculiar de Mikey a assumir as rédeas. Confere...

 

Seis anos depois de os Vampire Weekend terem saído da sua toca em Nova Iorque para mostrar ao mundo um indie-rock influenciado por sons e batidas africanas, que culminou num aclamado disco de estreia e após o amadurecimeno patente em Contra, estas características manter-se-ão, com a maior naturalidade possível, no terceiro disco do quarteto, Modern Vampires of the City.

Curta, frenética e dançante, Diane Young é a primeira canção já conhecida desse novo álbum que chegarás às lojas em maio através da XL Recordings.

01. Diane Young

02. Step


autor stipe07 às 13:10
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Terça-feira, 23 de Abril de 2013

CHVRCHES - Recover EP

Os CHVRCHES são Iain Cook, Martin Doherty e Lauren Mayberry, um trio de Glasgow, na Escócia e Recover é o EP de estreia a banda, editado no passado dia vinte e seis de março por intermédio da Glassnote. Os CHVRCHES são uma das novas sensações da indie pop atual de cariz mais eletrónico e experimental e, devido a este EP, vistos como uma das potenciais grandes bandas dos próximos anos.

Para que se faça justiça a este novidade refrescante, os CHVRCHES devem, antes de mais, ser reconhecidos pela capacidade que demonstram em reinventar um pouco mais a pop, um género musical há algum termpo muito saturado de propostas e onde só os grandes talentos conseguem realmente se distinguir dessa amálgama sonora que a pop diariamente nos dá. Alguma excentricidade acaba por ser aquele detalhe precioso que os faz sobressair e fazer com que as canções de Recover, ainda que assentes num clima experimental e numa sonoridade livre de padrões, possam ter um acabamento ao mesmo tempo radiofónico e aprazível.

Não há como não reconhecer que a voz de Lauren Mayberry é impecável no balanço entre altos e baixos e dá-nos refrões facilmente cantaroláveis e os sintetizadores ricos acabamentos melódicos, que se aproximam da toada pop da década de noventa, tão em voga no atual cenário alternativo nórdico e que nos remete para trabalhos mais recentes de um James Blake mais dançável, dos The Knife ou dos Fever Ray, entre outros. Música pop na melhor formatação vendável das melodias, mas livre de exageros ou conceitos dispensáveis.

Bastam os instantes iniciais de ZVVL para perceber que há muito por trás da massa encefálica da tríade que compõe a banda. Mas um dos meus destaques e grande surpresa do EP é o conteúdo sonoro de Now Is Not The Time, uma música voltada para as pistas de dança e com as antigas tendências a serem trabalhadas com foco no presente e na novidade.

Como o título anuncia, Recover parece trabalhado de forma a recuperar a boa forma da música, neste caso a pop, através da apresentação ao público de uma míriade de possibilidades e transformações que encarnam um duelo constante entre a ausência de novidade na essência, mas usando sons do passado como um instrumento favorável ao ineditismo. Em suma, aplicar a velha fórmula de olhar para o que já foi feito em busca da conquista de algo novo. Uma estratégia repetida por centenas de outras bandas, mas que parece dar certo nas mãos do CHVRCHES. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:57
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Echopark - Trees

Echopark é o novo projeto do italiano Antonio Elia Forte, um músico a residir atualmente em Londres. Trees, lançado a dezasseis de abril, é o disco de estreia e foi gravado quase inteiramente num quarto arrendado em Whitechapel, nos arredores da capital britânica, com meios instrumentais rudimentares e apenas uma mão cheia de microfones.

Teleportation é o primeiro single retirado de Trees. O video foi realizado por Valentina Dell’Aquila e o download do tema pode ser feito gratuitamente através da página do soundcloud da editora Enclaves.

 

Antonio é natural de Lecce onde, com cinco anos, pegou na guitarra que era do seu pai e começou a querer tocar. Lecce é uma cidade mediterrânica do sul de Itália conhecida pelo bom tempo durante todo o ano e pelo dinâmico movimento underground. É um local onde proliferam músicos, e praticantes de skate e surf. Em Itália acaba por ser o equivalente a Echo Park, uma importante zona industrial de Los Angeles, onde se inspirou para batizar este seu projeto musical.

Para Antonio a imperfeição é um objetivo concreto, uma espécide de ideal que busca com lucidez e um bom gosto que merece amplo destaque. Atualmente abundam propostas sonoras que fazem do ruído e da imprecisão sonora pontos de partida no processo de criação musical e Echopark segue esse rumo, mas fá-lo com inegável mestria, nomeadamente na forma como consegue captar o instante mais emotivo de uma canção e deixá-lo submergir, sem que o conceito lo fi e impreciso seja subjugado.

Trees percorre o mesmo território da dream pop de uns Beach House ou uns Midas Fall, mas sem obedecer ao habitual formato canção, indo mais ao encontro do que, por exemplo, Four Tet ou Youth Lagoon costumam sugerir. É um disco que se deve ouvir de uma enfiada, como um todo, como se fosse apenas um tema de trinta e seis minutos e proporciona sentimentos antagónicos já que é um disco muito acessível mas difícil de descrever. Tem momentos intrigantes, principalmente aqueles em que se ouvem as tais imperfeições, ruídos de fundo e colagens e aqui reside o maior charme do disco porque ficamos sem saber muito bem se são sempre propositadas ou até momentos sonoros involuntários. Tão depressa surgem ruídos sintetizados como um incrível baixo (Mountain) ou sons de cordas perfeitamente limpídos (For Lore), mas sempre com um fundo, que muitas vezes é um simples bater de ondas ou a aspereza do contacto entre dois grãos de areia.

Esta primavera Antonio vai passar do quarto arrendado para os palcos e entrar em digressão para promover Trees. E uma das grandes novidades é que terá uma banda a acompanhá-lo. O disco tem momentos que poderão agradar bastante ao vivo. Espero que aprecies a sugestão...

Cranes

Teleportation

Mountain

Franky

Youth and Fury

Raindrops

Gray Clouds

Brother

No Time To Riot

Waves

For Lore

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autor stipe07 às 22:49
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Man On The Moon - EP1 (Everything Is New TV)

Além da versão rádio, na Paivense FM, o blogue Man On The Moon também já tem versão TV, na Everything Is New TV. O 1.º episódio acaba de ir para o ar e fala do álbum Help Me! dos suecos The Sweet Serenades. Confere...


autor stipe07 às 18:10
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Domingo, 21 de Abril de 2013

R.E.M. – Live In Greensboro EP


A série de reedições comemorativas dos R.E.M., a melhor banda da história do rock alternativo, continuará no dia catorze de maio com o álbum Green (1988), que completa 25 anos e foi o primeiro trabalho lançado pela multinacional Warner, depois dos primeiros seis álbuns da banda terem visto a luz doa por intermédio da independente I.R.S..

Com a edição remasterizada do álbum original, chegará brevemente um segundo disco com vinte e uma canções gravadas ao vivo, no dia dez de novembro de 1989, em Greensboro (Carolina do Norte, EUA). Mas, para já, enquanto esse longa duração ao vivo não chega, acaba de ser lançada uma edição comemorativa do Record Store Day, que decorreu ontem um pouco por todo o mundo, o EP Live in Greensboro com cinco canções retiradas desse concerto. Espero que aprecies a sugestão...

R.E.M. - Live In Greensboro

01. So. Central Rain (I’m Sorry)
02. Feeling Gravity’s Pull
03. Strange
04. King Of Birds
05. I Remember California


autor stipe07 às 22:57
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Sábado, 20 de Abril de 2013

Leagues – You Belong Here

You Belong Here é o disco de estreia dos Leagues, um grupo norte americano natural de Nashville e formado por Tyler Burkum, Thad Cockrell e Jeremy Lutito, três músicos já com experiência e um passado solidificado na indústria musical local. O álbum viu a luz do dia a vinte e nove de janeiro deste ano por intermédio da Bufalotone Records e sucede a um EP homónimo lançado em 2011.

leagues you belong here review

Este trio é uma das novas coqueluches do profícuo cenário indie de Nashville, devido essencialmente às suas meldias pop luminosas e aditivas, feitas com guitarras quase sempre límpidas, algo bem patente em Spotlight, o tema de abertura e primeiro single retirado do álbum.

Além de Spotlight, destaco, na sequência, a perfeição da bateria, a beleza do baixo e a melodia da guitarra do tema homónimo e depois as canções Lost It All e Friendly Fire. A última é uma balada dominada pelo piano e que exemplifica com mestria um dos grandes trunfos dos Leagues, que é a performance vocal de Thad, o vocalista, que canta quase sempre num registo agudo e que muitas vezes se confunde com uma voz feminina. Essa voz ganha novamente amplo destaque em Magic, um tema com fortes raízes locais já que o riff de guitarra remete-nos para Jack White e os coros que acompanham Thad, fazem da canção, um potencial sucesso, certamente com uma ainda maior amplitude quando interpretada ao vivo.

O amor e o romantismo são as temáticas abordadas em quase todas as canções, que narram aspetos comuns da vivência humana, retratando com proximidade sentimentos normais de serem extravasados por qualquer um de nós. Haunted, um dos temas que fazia parte do EP de estreia, é um exemplo paradigmático desta proximidade com o ouvinte: You came to me in a summer dream, you came to me in a mystery. All alone on a desert road at night. I saw you in a motel room, I found my way but I do not have a clue. All along, I felt you deep inside. Everybody has a heart worth breaking, everybody has someone that got away. Everybody has a love they’re looking for. Mas a já referida Friendly Fire, canção que encerra o disco, ao referir-se à temática da separação também emociona e arrebata qualquer coração, mesmo algum que seja menos propenso às coisas do amor: I wasn’t fighting with you, I was fighting for you. I was trying to do what I could do. And if it came across wrong, that wasn’t my intention. Sometimes I come across too strong, I think I just failed to mention. And if I ever hurt you, that was never my desire. You’ve been wounded by my friendly fire.

Nesta interessantíssima estreia, os Leagues não desejam que a inocência seja um adjetivo que qualifique You Belong Here, porque as canções abordam, antes de mais, a vontade de tirar partido do amor e de outras das coisas boas da vida mesmo quando esta tem momentos mais complicados. Espero que apreecies a sugestão...

Leagues - You Belong Here

01. Spotlight
02. You Belong Here
03. Haunted
04. Walking Backwards
05. Lost It All
06. One Hand
07. Magic
08. Mind Games
09. Pass My Way
10. Friendly Fire


autor stipe07 às 23:31
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Colleen Green - Sock It To Me

Natural de Los Angeles, Colleen Green editou no passado dia dezanove de março Sock It To Me, o seu segundo álbum, por intermédio da etiqueta de Seattle Hardly ArtHeavy Shit e Time In The World são os dois singles já conhecidos deste álbum, criado por uma artista que aposta na simplicidade e que costuma subir sozinha ao palco, apenas com uma guitarra, uma beat box e um par de óculos.


No universo musical é comum a possibilidade de dividirmos os executantes e compositores em dois grandes grupos; Por um lado há aqueles que se destacam pelas suas composições grandiosas e carregadas de detalhes que procuram abarcar uma heterogénea míriade sonora e depois há quem prefira ser o mais simples possível, servindo-se de uma teia instrumental curta e, mesmo assim, conseguir criar um bom naipe de canções. Colleen Green insere-se claramente neste segundo grupo; É fácil imaginarmos a miúda no interior de um quarto completamente desarrumado e com uma guitarra na mão, apenas acompanhada por uma beat box, a fazer música. Sock It To Me remete-nos para a pop e para o punk dos anos sessenta, seguindo a tradição minimal de uns Ramones ou uns Beat Happening e, tentando ser mais atual, com algumas semelhanças com os primeiros trabalhos dos Best Coast. Há um certo charme implícito nas limitações que Colleen impôs ao conteúdo de Sock It To Me, mas também na sinceridade com que as admite já que, por exemplo, confessa que optou utilizar uma beat box em vez da tradicional bateria, porque não sabe tocar uma.

No que concerne às canções, Heavy Shit não tem o sintetizador que se destacava em Time in the World; porém, a artista tem o dom de saber lidar com a simplicidade e, ao mesmo tempo, situar-se numa zona de conforto onde é capaz de compôr belíssimas composições.  Dois elementos fundamentais na música de Colleen Green são a distorção e uma certa toada lo fi. Ambos estão presentes, assim como uma postura vocal ímpar e guitarras bastante aditivas e com uma forte toada punk.

Além dos dois singles já citados, os fãs do filme True Romance irão apreciar a canção You're So Cool, já que se refere à relação entre a personagem Alabama, interpretada por Patricia Arquette e Clarence, interpretado por Christian slater. A temática das canções gira muito em redor de temas típicos de miúdas, algo que mais uma vez nos remete para a década de sessenta, já que também é devido à sensibilidade da escrita de Colleen, que ela recorda outras bandas desse período. When He Tells Me, Darkest Eyes e Every Boy Wants a Normal Girl, são três temas que o atestam já que falam de sentimentos e emoções típicas do universo adolescente feminino.

Sock It To Me conjuga e atualiza para 2013 o que de melhor existia nos grupos pop femininos dos anos sessenta e o punk da década seguinte, com melodias carregadas de charme, feitas com uma beat box, riffs de guitarra simples mas poderosos e alguma sintetização. É uma coleção honesta de canções onde não parece ter havido uma especial preocupação em compôr para a crítica, mas antes, com a tal simplicidade, criar a música que Colleen mais aprecia. Here's what I got. No questions. Espero que aprecies a sugestão...

12834

01. Only One
02. Time in the World
03. You’re So Cool
04. Close to You
05. Sock it to Me
06. Darkest Eyes
07. Heavy Shit
08. Every Boy Wants a Normal Girl
09. Taxi Driver
10. Number One


autor stipe07 às 22:28
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Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

Trêsporcento - Quadro

Divulgado no Curtas... XCI, viu a luz do dia no início de novembro de 2012 Quadro, o novo disco dos Trêsporcento, uma banda de Lisboa formada por Tiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista). Quadro foi editado com selo da Azáfama e os singles de apresentação, Veludo e Cascatas, já estão disponíveis e a rodar em várias rádios e plataformas digitais. Quadro foi produzido e arranjado pelos próprios Trêsporcento e por Diego Salema Reis, tendo sido gravado por Diego Salema Reis e Nuno Roque e misturado no Islignton Arts Factory Studio, em Londres.

Recentemente também foi divulgado o vídeo de Cascatas, realizado por Tomás Paiva Raposo, com um conteúdo algo negro, cru e direto, em contraste com o teor colorido  do filme divulgado anteriormente para Veludo. Quadro sucede a Hora Extraordinária, álbum de 2011, um trabalho que incluia o tema Elefantes Azuis e que fez furor na altura. A banda tinh-se estreado em 2009 com um EP homónimo.


De acordo com a entrevista que a banda me concedeu e que poderão conferir adiante, Quadro é um salto em frente no cardápio musical desta banda, já que tem um conteúdo mais maduro e dentra o processo evolutivo de composição que a banda tem sofrido desde que existe. Esta ideia de maturidade é a que salta mais à vista quando apreciamos a atualidade dos Trêsporcento, mas eles mantêm-se fiéis a si próprios e trilham o mesmo percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop, cada vez mais aberta e luminosa e sempre cantada em português. Esta opção pela língua materna acabou por ser, de acordo com a banda, uma escolha natural, justificada por ser a língua que utilizam para comunicar com os amigos e as pessoas que conhecem e, sendo a sua música também uma forma de comunicar e estabelecer redes, cantar em português parece-lhes ser o mais indicado. Aliás, esta tendência para um cada vez maior recurso a língua portuguesa pelas nossas bandas, é bastante atual, com destaque para os TV Rural, oLUDO, O Martin ou Manuel Fúria, só para citar três exemplos dentro da esfera sonora dos Trêsporcento.

Tematicamente, o Portugal contemporâneo e as pessoas que nele vivem e lutam diariamente pela felicidade e realização pessoais são a pedra de toque do conteúdo lírico de Quadro proposto por Tiago Esteves, algo que também comprova um nítido alinhamento do grupo com outras bandas que fazem da simplicidade e dos pequenos detalhes da existência humana, ideias passíveis de serem contadas, descritas e pintadas sonoramente, com sensibilidade e altivez, no seio de uma simples canção pop, cheia de luz, de cor e de esperança. Espero que aprecies a sugestão...

Depois de Trêsporcento (EP 2009) e Hora Extraordinária (CD 2011), Já chegou às lojas Quadro. Quais são as principais diferenças entre EP e o disco de estreia e o conteúdo sonoro este sucessor?

A principal diferença é ter sido o mais recente e só por isso já reflecte uma postura diferente dos seus antecessores. A nossa maneira de fazer música tem evoluído muito ao longo destes anos, este é talvez um álbum mais maduro.

 

Da capa de Quadro à temática das canções, parece-me que há aqui algo de conceptual, uma tentativa de pintar quadros sonoros que abordam explicitamente o dia a dia de um qualquer comum mortal, apesar do teor algo abstracto da capa do disco. Como chegaram à escolha do nome para o álbum?

A capa nasceu de uma experiência feita com o artista plástico Vasco Monteiro em que lhe pedimos que pintasse alguma coisa enquanto ouvia pela primeira vez o álbum. Esta experiência foi filmada para fazer parte do videoclipe da música Veludo e o resultado originou a capa do álbum, que por ser um quadro se chama Quadro.

 

Durante a audição de Quadro chamou-me particularmente a atenção a simplicidade da vossa escrita e a mestria com que encaixam as letras na melodia. Como é o processo de criação musical dos Trêsporcento? Surgem primeiro as letras, ou elas são criadas em função de melodias que entretanto vão surgindo?

Esse processo varia muito, umas vezes as letras são escritas primeiro que as músicas, outras vezes são escritas a pensar em melodias que já existem.

 

Onde se inspiram para escrever as vossas canções?

No dia a dia, no que nos envolve e em qualquer forma de arte. A leitura, o cinema e também a música são óptimas fontes de inspiração.

 

Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse. Quais são as vossas principais influências musicais?

Elas são variadas, desde Pink Floyd, Beatles, The Walkmen, Jonhy Cash, Radiohead e actualmente quase tudo o que se faz em Portugal.

 

O vídeo do single Cascatas, de acordo com o press release do single, pretende apresentar o lado menos colorido de Quadro, de intenções mais cruas e directas e foi filmado por Tomás Paiva Raposo durante o concerto de apresentação do álbum em Lisboa, e editado por Highopes Visuals. Como surgiu a ideia?

Foi uma escolha natural. Os planos do Tomás já nos tinham impressionado no primeiro vídeo que lançámos, Elefantes Azuis.

 

A banda tem uma canção preferida neste álbum?

Acho que cada um tem a sua preferida no entanto nos concertos gostamos de tocar a “quero que sejas minha”!

 

Cantar em português é uma opção para a vida, ou não está colocada de lado a hipótese de cantarem noutros idiomas?

Foi tão natural como falar com um amigo. Somos portugueses e falamos para portugueses logo ter que fazer uma escolha nem nos passou pela cabeça. Quem sabe o que o futuro nos reserva, todas as formas de expressão são válidas.

 

No passado dia seis de abril participaram e tocaram na grande festa da Azáfama, que decorreu no Teatro do Bairro,em Lisboa. Como correu? É importante para os Trêsporcento esta ligação à Azáfama?

Uma loucura, o espírito da família Azáfama surgiu a todo gás no meio daquele palco. Quem lá esteve não esquecerá tão breve e claro, sentimos orgulho em fazer parte de tudo isto.

 

Onde é que os leitores de Man On The Moon podem ver os Trêsporcento a tocar nos próximos tempos?

Para já em Lisboa, possivelmente na segunda semana de Maio. Estejam atentos ao Facebook.

 

O que podemos esperar do futuro discográfico dos Trêsporcento?

Falta no nosso portefólio um registo ao vivo e é muito provável que seja um projecto a realizar ainda este ano.


autor stipe07 às 23:04
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

Ace Reporter – Yearling

Ace Reporter é o projeto musical de Chris Snyder, um cantor, escritor, compositor e multi-instrumentisata de Brooklyn, Nova Iorque e Yearling o disco de estreia deste projeto, disponível para download gratuito no sitio da banda. Snyder formou este projeto depois de em 2010 os The States, a sua banda de sempre, terem terminado.  Após quatro EPs que resultaram de uma iniciativa chamada threesixfive project, este músico, que começou a tocar violino com quatro anos, acabou por, na primavera do ano seguinte, escolher algumas das suas melhores canções e deu início ao processo de gravação de Yearling.


Este disco compila algumas das suas experiências pessoais mais marcantes e conta com as participações especiais do baterista Aaron Steele e do guitarrista Chris Kuklis, tendo sido misturado por Chris Grainger, engenheiro de som dos Wilco e dos Switchfoot, entre outros. A propósito do processo de gravação de Yearling, Chris referiu: During the threesixfive project, I had two hours every evening to write, record, and mix a new song. This meant that I had to give up on premeditation, whatever happened when I sat down to write became the song, period. I generally didn't bother to flesh out an idea before pushing the record button because I just didn't have time. Recording the album was an opportunity to see where a few of the songs could go beyond that.

O conteúdo de Yearling é diversificado e balança entre o pop rock melodioso de Untouched And Arrived, um tema onde as cordas e a bateria conjugadas com a voz de Snyder resultam na perfeição. Apreciei igualmente o groove de Collected Works e não posso ainda deixar de destacar os violinos que se podem escutar em If I See You Again.

Globalmente, Yearling acaba por relatar um ano da vida de um músico e poeta, um artista com uma enorme capacidade quer ao nível da escrita, quer da composição. Cada canção é um fragmento da sua existência e evoca diferentes locais, situações e momentos pelos quais passou e não apenas em Nova Iorque. O próprio Snyder assume que este disco é auto biográfico e o resultado de uma vontade explícita de fazer algo introspetivo e solitário, depois do fim dos The States. Suddenly I was a musician without a mission after The States broke up. I wanted to do something extremely solitary, and overnight the threesixfive project was born. The record feels like an inside-out biography, and the threesixfive project even more so, which is why the lyrics tend to oscillate between diary-like and impressionistic. The songs are snapshots of slippery, fragile moments, which are gone as soon as they come. Ace Reporter começou por ser um escape, mas agora, com Yearling na bagagem, Snyder tem argumentos sólidos para expandir este conceito e mostrá-lo ao mundo inteiro. Espero que aprecies a sugestão...

Ace Reporter - Yearling

01. Bronze
02. Untouched And Arrived
03. Stick To
04. Into Chicago
05. Aesop
06. Arcadia
07. Collected Works
08. Guilttrip
09. Pepsicosign
10. If I See You Again


autor stipe07 às 21:41
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Terça-feira, 16 de Abril de 2013

Miles - Faint Hearted

Lançado a vinte e sete de março pelo selo Modern Love, casa de Andy Stott, Vatican Shadow e outros artistas que partilham o mesmo interesse sonoro, ou seja, que lidam com composições ambientais e sempre densas, Faint Hearted é o novo álbum de Miles, músico que também integra a dupla Demdike Stare. Faint Hearted é o primeiro disco que Miles lança através da Modern Love e sucede ao bem sucedido Luxury Problems, um dos discos mais aclamados do ano passado.

Faint Hearted contém oito temas inéditos, fragmentos e partículas sonoras que mergulham no uso de sobreposições complexas e ambientais, resultado que passeia tanto pelo dub sombrio como pela eletrónica climática dissolvida nos trabalhos de outros parceiros da Modern Love. Status Narcissism, um tema que apela às pistas de dança, foi a canção escolhida para apresentar a obra e, tal como as restantes canções, é um tema que se serve de várias camadas de sons, manuseadas com um implícito acabamento lo fi, atestando as diferentes linguagens que descrevem o cardápio sonoro de que Miles se foi servindo ao longo da carreira.

O produtor foi dando rédea solta aos sons do mundo eletrónico que se quiseram juntar ao conteúdo de Faint Hearted e da toada jungle de Lebensform, ao techno minimal de Irreligious, acabaram por surgir ambientes quentes e distantes, fabricados por vários sintetizadores que conhecem de cor os caminhos que devem seguir para atingir determinado propósito sonoro.

Faint Hearted não é um disco para as massas, está a anos luz das propostas mais radialistas, mas é rico e diversificado e transporta imagens oníricas, onde a música nos suga devido ao hipnotismo que carrega, muitas vezes apenas assente em encadeamentos repititivos, mas sempre desprendidos de fórmulas estanques.

Miles não teve receio de juntar tudo aquilo que o atrai e de deixar que a própria instrumentação lhe desse dicas sobre a melhor abordagem e a escolha do rumo que algumas canções de Faint Hearted quiseram seguir. Terá sido bastante compensador para ele o processo de composição e gravação, assim como é estimulante para nós perceber a riqueza de cada parcela do disco e ser constantemente presenteado pelo imprevisível ao longo da sua audição. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:56
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

Telekinesis - Dormarion

Já chegou às lojas Dormarion, o terceiro disco do projeto norte americano Telekinesis, lançado no passado dia doze de abril de 2013, via Merge Records. Dormarion foi produzido pelo baterista Jim Eno, dos Spoon, e por Michael Benjamim Lerner, o grande mentor e líder dos Telekinesis. Dormarion sucede 12 Desperate Straight Lines, álbum lançado em 2011.

Lerner escreveu as doze músicas de Dormarion no início de 2012, em sua casa e na residência dos seus pais, mas as mesmas só foram gravadas no final do verão desse ano, no estúdio do produtor, em Austin, no Texas, chamado Public Hi-Fi. Dormarion é o nome da rua onde esse estúdio se situa. Lerner e Jim Eno tocaram todos os instrumentos no disco, mas ao vivo, a banda também conta com Erik Walters (The Globes) na guitarra, Eric Elbogen (Sy Hi) no baixo, e Rebecca Cole (Wild Flag) no teclado.

Michael Benjamin Lerner voltou à atividade depois de dois anos sem inéditos e parece tê-o feito sem grande pressão já que Dormarion divide-se em canções que retratam ambientes muito confortáveis. Dividido entre a sua casa e o lar dos seus pais, o processo de escrita e composição foi fortemente introspetivo e os resultados só vieram à tona no final desse verão, altura em que Lerner se reuniu ao produtor Jim Eno, que, além de ser baterista dos Spoon, assistiu Michael na criação e nos processos técnicos deste álbum.

Em Dormarion a sonoridade dos Telekinesis regressa um pouco às origens, aproximando-se da tranquilidade intimista do disco homónimo de estreia, editado em 2009 e que foi quebrada com 12 Desperate Straight Lines, um álbum com uma sonoridade mais elétrica e próxima do rock n'roll. Nesta toada novamente mais tranquila, Dormarion é um resumo de anteriores experiências de Michael e a junção de  algumas experimentações com sintetizadores, algo que aproxima este álbum de uma sonoridade pop feita de baladas tranquilas conduzidas pela viola e outras composições mais agitadas, algumas com interessantes efeitos vocais.

Não há, portanto, uma clara lineariedade no material de Dormarion, já que é possível sentir as frequentes mudanças a cada nova canção. Symphony, por exemplo, é uma canção romântica, vagarosa, sentimental e acústica que se encaixaria facilmente num trabalho plenamente folk e tradicional. No entanto, ela é contraposta a seguir por uma série de camadas eletrónicas e percussões frenéticas em Dark To Light. Os timbres de voz editados e permeados por uma atmosfera quase espacial não impressionam e ganham um novo caminho em Little Hill, que apoia-se num indie rock facilmente ouvido, por exemplo, nos Death Cab For Cutie.

Dormarion comprova novamente a mestria de Michael Lerner na forma como demonstra flexibilidade em abordar diferentes malhas sonoras sem deixar de ser minimamente coeso, o que lhe abre, em termos de futuro, um alargado leque de possibilidades que o poderão impulsionar para um patamar ainda mais elevado de destaque e de reconhecimento público. Temas como Power Lines e Lean On Me, com uma essência mais roqueira, talvez sejam, na minha opinião, a melhor opção que os Telekinesis deverão tomar em futuros lançamentos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Power Lines

02. Empathetic People

03. Ghosts And Creatures

04. Wires

05. Lean On Me

06. Symphony

07. Dark To Light

08. Little Hill

09. Ever True

10. Island #4

11. Laissez Faire

12. You Take It Slowly


autor stipe07 às 23:10
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