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Atoms For Peace - AMOK

Segunda-feira, 04.03.13

Acaba de chegar ao mercado discográfico AMOK, um novo capítulo de uma das parcerias mais inventivas do universo musical, formada por Thom Yorke e Nigel Godrich e que começou nos clássicos  do Radiohead, nomeadamente o OK Computer (1997) e o Kid A (2000). Esta colaboração estreita teve como último grande momento o In Rainbows (2007), a última obra prima da banda de Oxford e que reformulou a sonoridade do grupo inglês e influenciou decisivamente a própria industria musical. Agora, em AMOK, o álbum de estreia dos Atoms For Peace, uma banda que conta nas suas fileiras também com Flea, Joey Waronker e Mauro Refosco, Yorke e Godrich dão sequência às habituais experimentações eletrónicas que tanto gostam.

A forma como AMOK está concebido oculta a presença de Flea, Joey Waronker e Mauro Refosco, figuras que talvez merecessem um maior destaque durante no processo de construção do álbum. AMOK tem pouco mais de quarenta e cinco minutos de texturas sonoras assentes na dita eletrónica e com pouco impacto ao nível dos instrumentos convencionais. Fica-se com a perceção que o disco serve especificamente para expandir o universo redundante cultivado por Thom Yorke desde o lançamento de The Eraser (2006) e que Godrich usa o disco para dar sequência às mesmas guitarras que carimbaram o trabalho da sua outra banda, os Ultraísta, projeto com um acabamento sonoro bastante similar e que se estreou em 2012.

Na audição de AMOK somos aprisionados por uma sequência enérgica de sintetizadores, batidas eletrónicas e guitarras sequenciais que naturalmente nos hipnotizam. Músicas como Dropped e Default, por exemplo, são capazes de tomar conta da mente, sem muitas dificuldades, de um qualquer ouvinte mais frágil e  sensível, porque mergulham na fase a solo de Thom Yorke e percorrem as guitarras cíclicas do krautrock, uma das marcas das produções recentes de Godrich.

Com uma formatação essencialmente sintética e canções dotadas de forte proximidade rítmica, AMOK parece, muitas vezes, um álbum que saiu de uma fábrica escondida num laboratório caseiro de Godrich. Com um enquadramento musical adequado, o álbum engata numa sucessão de programações matemáticas que se interligam profundamente, com a voz de Thom Yorke a ser alvo de um tratamento acústico identificado logo na primeira música do trabalho, Before Your Very Eyes. Em diversos momentos fica a sensação de que a voz do britânico foi concebida graças ao auxílio constante de softwares ou programas específicos, um composto algo semelhante ao que foi feito em Kid A e similar ao que Kraftwerk e outros representantes do género já propuseram anteriormente.

Ainda que se revele como um verdadeiro concentrado de soluções programadas, em alguns momentos de AMOK, a percussão e as batidas dos demais colaboradores fluem de maneira inventiva e até se deslocam da linearidade que toma conta do disco. Como referi acima, infelizmente não chegam para dar outro destaque aos restantes membros dos Atoms For Peace, porque são instantes raros, sendo os melhores aqueles que se ouvem em Stuck Together Pieces, música em que Joey Waronker e o brasileiro Mauro Refosco mostram finalmente ao que vieram.

AMOK deve ser analisado de um ponto de vista completamente indissociado dos Radiohead já que, a mim parece-me ser apenas um projeto que serve de pretexto para que Thom Yorke e Nigel Godrich, com o beneplácito de mais três músicos, experimentem alguns devaneios sonoros eletrónicos. Quem quiser procurar aqui um trabalho similar às propostas mais sérias, profundas e inventivas que geralmente os Radiohead apresentam, será injusto com a filosofia subjacente a AMOK e a estes Atoms For Peace e estará, indevidamente, a pressentir o desmoronar da imensa capacidade criativa de uma das bandas mais influentes e decisivas do panorama alternativo nos últimos vinte anos. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Before Your Very Eyes
02. Default
03. Ingenue
04. Dropped
05. Unless
06. Stuck Together Pieces
07. Judge Jury and Executioner
08. Reverse Running
09. Amok

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publicado por stipe07 às 13:26

K-X-P - II

Sábado, 02.03.13

Os K-X-P são um trio finlandês, sedeado em Helsinquia e formado por Timo Kaukolampi, Tuomo Puranen e Tomi Leppanen. No estúdio e, às vezes, ao vivo, acompanham-nos Anssi Nykänen. O grupo nasceu das cinzas dos Op:l Bastards e dos And The Lefthanded e começaram a carreira com Kaukolampi a declarar que K-X-P started after I wanted to stop playing in bands. It’s the antidote to normal bands. Its an anti-band. II foi lançado a onze de fevereiro pela Melodic Records e sucede ao disco de estreia, homónimo, editado em 2010.

O disco de estreia dos K-X-P teve críticas bastante favoráveis de publicações tão conceituadas como a Q, Future Music e a Pitchfork. Todas foram unânimes em enuncair o krautrock como a influência de base da sonoridade do grupo, com laivos de jazz, rock, eletrónica e dance music, nas suas mais variadas vertentes.
Este sucessor mantém a mesma bitola sonora da estreia. Foi gravado entre Berlim e Helsinquia, em antigos cinemas, estúdios tradicionais de gravação e utilizaram equipamento vintage, analógico e eletrónico. O conteúdo remete-me imediatamente para os vizinhos dinamarqueses, a dupla Reptile Youth e o seu disco homónimo. Neste II também se combina a energia punk com sons eletrónicos, mas as formas instrumentais, acordes, vozes e todo o aparato de elementos sonoros procuram reproduzir, com um elevado teor experimental, as marcas identitárias do krautrock.

O uso apurado dos sintetizadores, remetem para ambientes algo sombrios, mas as melodias são acessíveis o que provoca uma estranha, mas agradável sensação durante a audição. A canção Melody, logo a abrir, encarna este espírito e não será inocente o título já que o conteúdo perverte as redundâncias naturais do estilo em que está inserida e o mesmo é dançante, rápido e cresce numa mistura que percorre a eletrónica, o pós-punk e a música de dança.

É notório que todo o ambiente instrumental criado foi pensado para os concertos, como se II fosse, só por si, uma enorme jam session, soturna e imprevisível, que mergulha em túneis de ruídos, sintetizadores intransponíveis e o uso assertivo das reformulações musicais.

Mas II não vive só dos sintetizadores. Há sequências felizes de guitarras dançantes, vozes complementares e batidas que aproximam a banda dos alemães Neu!. Temas como Magnetic North e Flags & Crosses são capazes de olhar para o passado, ao mesmo tempo que mantêm firme uma relação com o presente. É quase uma quebra do que naturalmente direciona outros trabalhos do género, com o trio a mostrar ser capaz de manipular toda e qualquer referência de forma a produzir algo novo.

Curiosa é a inserção de pequenos complementos instrumentais que parecem feitos apenas para encher o disco, mínimas inclusões atmosféricas espalhadas por toda a obra, como se fossem uma introdução para  outros temas, nomeadamente, Ydolem, RBJTEV, EKMVIV e Reel Ghosts, que têm uma dimensão sonora e temporal muito mais significativa.

Tudo isto somado resulta, como referi anteriormente, numa sequência instrumental hipnótica de oito temas que poderá deixar-nos em transe. A força musical que circula pelo álbum parece ampliar-se em cada nova audição e esse é um dos maiores elogios que se pode fazer a II e a estes K-X-P. Espero que aprecies a sugestão...

01. Ydolem
02. Melody
03. Staring At The Moon
04. RBJTEV
05. Magnetic North
06. EKMVIV
07. In The Valley
08. Tears (Extended Interlude)
09. Flags & Crosses
10. Reel Ghosts
11. Easy (Infinity Waits)
12. Dark Satellite

K-X-P "Magnetic North" directed by Kimmo Kuusniemi (2013) from K-X-P on Vimeo.

 

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publicado por stipe07 às 17:12

Foals - Holy Fire

Sexta-feira, 01.03.13

Depois de Antidotes (2008) e Total Live Forever (2010), os Foals, uma banda de Oxford liderada por Yannis Philippakis, estão de regresso aos discos com Holy Fire, disco lançado pela Transgressive no início de fevereiro. Os Foals têm sido uma banda em constante mutação sonora. Da transposição das guitarras experimentais de Antidotes para o ambiente claustrofóbico de Total Life Forever, esse sempre difícil segundo disco, lançado em maio de 2010, serviu para aproximar a banda do grande público e ajudar a influenciar nomes como os Alt-J (∆), Everything Everything, ou os Egyptian Hip Hop.

A experimentação sonora faz parte do ADN dos Foals e com Holy Fire o grupo sobe mais um degrau no cardápio experimental que o define. Neste terceiro disco vão mais longe porque, além de se afastarem do clima soturno dos momentos experimentais de Total Live Forever e da crueza da estreia, optaram agora por criar um clima mais animado e até dançável. As melodias experimentais de Antidotes ainda estão por toda a parte, o mesmo acontece com a atmosfera densa do último álbum, mas a diferença está na forma como o ritmo convida-nos a dançar. No entanto, ainda há canções que contêm detalhes que fazem a ponte com o passado, nomeadamente Late Night,  a climática Moon, ou Milk & Black Spiders, temas que aperfeiçoam de maneira natural e particular muito do que foi produzido anteriormente por esta banda britânica.

Assim, os onze temas de Holy Fire, consolidam as experiências anteriores e fogem ao óbvio de forma madura e cativante, olhando delicadamente para os anos setenta e estabelecendo uma conexão com as pistas de dança do passado e do presente. Tudo isto está claramente plasmado na explosiva Inhaler e na jovial My Number, talvez a canção que melhor carateriza o novo rumo sonoro dos Foals, algo dance punk e com uma natureza instrumental que se divide entre a aceleração dos Gang Of Four e as experimentações dos Talking Heads.

Holy Fire, um disco leve e aventureiro, acaba por ser uma rodela que brinca abertamente com as composições comerciais de maneira individual, sem qualquer pensamento ou amarra sonora que parta de um conceito maior ou que ligue todas as canções. Este álbum produz efeito com o tempo, ou seja, é mais um daqueles discos que exigem várias e ponderadas audições, porque cada canção esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências acústicas que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

1. Prelude
2. Inhaler
3. My Number
4. Bad Habit
5. Everytime
6. Late Night
7. Out Of The Woods
8. Milk & Black Spiders
9. Providence
10. Stepson
11. Moon 

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publicado por stipe07 às 21:42


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