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Sugiro... XXVIII

Quinta-feira, 21.03.13

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publicado por stipe07 às 11:35

The Growlers – Hung At Heart

Quarta-feira, 20.03.13

Os The Growlers são uma banda norte americana da Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra). Hung At Heart é o terceiro álbum da discografia do grupo, foi gravado em Nashville, editado em novembro de 2012 através da Everloving Records e produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. A propósito desta interessante parceria com Auerbach, a Everloving, publicou recentemente, uma afirmação muito peculiar: Indie Iron Chef Dan Auerbach had initially tried his hand in the kitchen but when the dish ended up overcooked, the Growlers brought it back to the home kitchen, drank the juice and started over.

Cosmic_Hi_Five.jpeg

Os The Growlers têm uma sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta, sendo óbvias referências os The Doors, Country Joe e os Beach Boys da era Pet Sounds. São frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, mas a sua sonoridade vai muito além dessa simples bitola. Na verdade, eles terão pegado em tudo aquilo que Dan produziu e remexeram totalmente, acrescentando uma certa toada lo fi, mas que não apagou o caráter festivo e animado deste álbum.

Esta aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso e deve obedecer a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com esta dicotomia, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria. Logo no início, em Someday, Brooks goza com as habituais contradições do amor (when tall boys turn into champagne, when bologna turns into steak), mas a guitarra de Matt não deixa a canção resvalar para o facilitismo que a letra pode indiciar. Mais abaixo, Living In A Memory, é outra ode festiva, mas está lá um baixo para impôr algum respeito.

Embora grande parte da diversão musical patente em Hung At Heart pareça de fácil idealização, alguns ecos crescentes e explosões percurssivas plasmam uma notória mestria na arte de composição por parte dos The Growlers. Mesmo alguns laivos de psicadelia não parecem nada inocentes. Espero que aprecies a sugestão...

01. Someday
02. Naked Kids
03. Salt On A Slug
04. One Million Lovers
05. No Need For Eyes
06. Living In A Memory
07. Pet Shop Eyes
08. In Between
09. Burden Of The Captain
10. Row
11. It’s No Use
12. Use Me For Your Eggs
13. Derka Blues
14. Beach Rats

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publicado por stipe07 às 23:30

Iceage - You're Nothing

Terça-feira, 19.03.13

Depois de terem editado em 2011 New Brigade, o disco de estreia, os dinamarqueses Iceage de Dan Kjær Nielsen, Elias Bender Rønnenfelt, Johan Wieth e Jakob Tvilling Pless, estão de regresso com You're Nothing, álbum gravado e produzido pela banda em Copenhaga e que viu a luz do dia a dezanove de fevereiro pela Matador Records.

Quando os Iceage se estrearam nos discos a média de idades da banda rondava os dezassete anos. Dois anos depois, o grupo amadureceu, atingiu a maioridade e o seu som teve repecurssões, já que a sucessão de choques entre voz, guitarra e bateria é agora mais agressiva, intensa e visceral, mas sem deixar de lado a saudável acutilância que os define. Bom exmeplo disso é a curta duração do álbum, doze canções tocadas em apenas vinte e oito minutos e compostas por todos os membros do grupo. A atitude e a energia do punk continuam bem patentes e a voz do vocalista Elias, monocórdica, gasta e esforçada, ajuda em muito à criação da atmosfera negra por cima do pano de fundo punk, principalmente quando surge entrelaçada com pianos e guitarras distorcidas.

Durante a audição de You're Nothing não deves esperar por ouvir canções de amor embaladas por guitarras sujas. O disco apresenta-se como um bloco sombrio e único de som, um soco direto que estraçalha os maxilares e os ouvidos de quem chega desprotegido. Esta estratégia agressiva está desprovida de qualquer proximidade com o comercial e a sujidade que impregna o álbum aprisiona-nos numa espécie de relação de amor ódio com os Iceage.

You're Nothing começa de uma forma algo introspetiva e melancólica com Ecstasy, um tema que une agressão com delicadeza, toada que se mantém em Wounded Hearts ou Everything Drifts. Mas o registo não é sempre este e o ponto alto de You're Nothing será mesmo o equilíbrio musical conseguido em Morals, um tema sobre ilusões amorosas, que pisca o olho ao shoegaze e em que tudo bate certo, desde o ritmo da bateria e baixo, sobre o qual a voz e a guitarra de Rønnenfelt se soltam numa aliança sonora quase inseparável, um tema que poderia muito bem ser a banda sonora de um desfile militar. Gostaria também de realçar Burning Hand, uma canção onde uma guitarra explosiva se junta a batidas fortes de bateria e acordes descontruídos sobre uma voz que pede, insistentemente, para ser ouvida (Do you hear me?)

Numa época em que o punk anda arredado das rádios e tem pouco airplay, é sempre salutar confirmar que há grupos que procuram combater este cenário e que a rebeldia do bom e velho punk rock continua bem viva. Os Iceage relembram-nos que a herança de bandas como os Ramones ou os Black Flag está bem viva e que as reverbações caóticas e as paredes de ruídos sintetizados em avalanches constantes de distorção, às vezes com camadas extra de sons claustrufóbicos, fazem sentido quando atingem o nível de inspiração que estes quatro rapazes dinamarqueses denotam. Espero que aprecies a sugestão...

1.Ecstasy
2.Coalition
3.Interlude
4.Burning Hand
5.In Haze
6.Morals
7.Everything Drifts
8.Wounded Hearts
9. It Might Hit First
10.Rodfæstet
11.Awake
12.You're Nothing

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publicado por stipe07 às 19:50

Doldrums - Lesser Evil

Segunda-feira, 18.03.13

Doldrums é o projeto musical do produtor canadiano Airick Woodhead e Lesser Evil o disco de estreia, lançado no passado dia vinte e cinco de fevereiro pela Souterrain Transmissions.

Lesser Evil é um passeio por diversos estágios e épocas distintas da música experimental. Enquanto a aproximação com sons recentes se entranham no brilho pop da produção musical canadiana, os encaixes sintéticos e a busca pelo etéreo levam-nos para uma variedade de outros mundos, que passam de Björk aos conterrâneos Grimes, um cenário pouco exato, com projeções sonoras sintéticas e vozes que se derretem nos nossos ouvidos e onde o óbvio e o tradicional não cabem.

Este músico de Montreal aborda diferentes detalhes sonoros, com versatilidade, tendo sempre a eletrónica como pano de fundo, algo bem patetne logo no ínicio com She Is The Wave, tema que conta com a participação especial de Guy Dallas e pouco depois em Egypt, dois dos principais destaques deste disco.

Cada canção de Lesser Evil tem uma identidade própria, como se cada tema estivesse isolado dentro da grandiosidade de uma obra discográfica que pode ser, em simultâneo, nos seus diferentes momentos, estranha, sombria e ainda assim atrativa, visto ser imensa a capacidade do produtor em lidar com a suavidade e a constante acessibilidade das melodias.

Como nada aqui é convencional e a voz é quase sempre reproduzida num registo andrógeno, como se fosse mais um instrumento, cada instante sonoro de Lesser Evil parece que nos instiga. Seja como for, apesar de tanta disparidade, os onze temas da rodela podem ser agrupados em dois grandes grupos; Por um lado temas explosivos e que até convidam às pistas, como AnomalyShe Is The Wave Sunrise e por outro canções com um cariz mais climático, atmosférico e introspetivo, nomeadamente Singularity Acid Face Lost In Everyone, registos com menor uso da voz e que incorporam um maior cariz experimental.

Apesar das já citadas aproximações às mesmas experiências sonoras climáticas e dançantes que atualmente circulam no cenário musical canadiano e das quais se destacam, no seu universo sonoro, Grimes e Purity Ring, Doldrums é um projeto que mantém uma natureza própria, baseada na sobreposição de sons que hipnotizam e destabilizam em simultâneo e fazem da audição de Lesser Evil um tortuoso (elogio) e sinuoso (outro elogio) passeio sonoro assertivo e inventivo. Espero que aprecies a sugestão...

Intro
Anomaly
She is the Wave (feat. Guy Dallas)
Sunrise
Egypt
Holographic Sand Castles (feat. Sami Nacomi)
Singularity Acid Face
Lesser Evil
Golden Calf
Lost in Everyone
Painted Black
 

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publicado por stipe07 às 19:20

Nick Cave And The Bad Seeds – Push The Sky Away

Domingo, 17.03.13

O australiano Nick Cave está de volta aos discos. Lançado pela Mute, Push The Sky Away surge cinco anos após Dig, Lazarus, Dig!!!, mas não se pense que durante este período este artista esteve parado. Gravou discos com os Grinderman explorando sonoridades mais abrasivas, assinou bandas sonoras com Warren Ellis e trabalhou como escritor e autor de guiões para cinema. Assim, parece óbvio que Nick não gosta de apressar a produção de canções nos Nick Cave And The Bad Seeds e que o espaço criativo e emocional reservado para este projeto é sempre muito planeado.


Push The Sky Away é o trabalho do Cave mais próximo do maravilhoso tridente Murder Ballads, Boatman’s Call No More Shall We Part. É um disco íntimo e profundo, de peito aberto para o mundo, ou seja, segue a habitual bitola ideológica de Nick Cave. Há uma dimensão algo atmosférica, sendo o tema homónimo que encerra o trabalho um exemplo perfeito desta descrição. À medida que o álbum corre pelos nossos ouvidos, somos presenteados com observações sobre o mundo e, algumas vezes, o próprio Nick coloca-se no centro da ação, nomeadamente em Jubilee Street e na esquizofrénica e caótica Higgs Boson Blues, um tema de sete minutos cheio de imagens, metáforas e mistério.

O álbum acaba por ter uma audição fluída e nesta viagem melancólica, há travos de gospel e das coordenadas de Leonard Cohen. Em suma, é música sem horas nem sono, sempre pronta, para alimentar romances ou melancolias, ou a afagar quem sofre de males de amor.

Instrumentalmente, as guitarras tocam devagar, e mantêm uma tensão acumulada que nunca se chega efectivamente a libertar, como sucede em Water’s Edge ou We Real Cool. Tanto elas como os violinos e os violoncelos, tanto embalam como arranham. Os arranjos não existem só para decorar e cada efeito orquestrado ou contínuo riff de guitarra serve para endossar a complexidade das composições de Nick Cave.

Push the Sky Away expõe alguma decadência contida e tranquilamente claustrofóbica através de um músico com uma vitalidade imparável e uma carreira cada vez mais notável. A atmosfera criada não chega a sair do limiar dos sonhos e cria diferentes texturas sonoras para o que parece ser uma epifania sonora de Nick e dos seus Bad Seeds. Um turbilhão de emoções acaba por o resultado de uma perfeita sintonia entre voz e banda, o que faz deste álbum a banda sonora perfeita para íntimos momentos de reflexão. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. We No Who U R
02. Wide Lovely Eyes
03. Waters Edge
04. Jubilee Street
05. Mermaids
06. We Real Cool
07. Finishing Jubilee Street
08. Higgs Boson Blues
09. Push The Sky Away

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publicado por stipe07 às 18:12

They Might Be Giants - Nanobots

Sábado, 16.03.13

Conforme anunciei em Curtas... LXXVII os norte americanos They Might Be Giants estão de regresso aos discos, com Nanobots, o décimo sexto álbum da banda e que viu a luz do dia a cinco de março do corrente ano, através da Idlewild Records. Já antes, a vinte e dois de janeiro, tinha sido divulgado um EP com o mesmo nome e que de algum modo antecipava, com três canções, o conteúdo de Nanobots. Atualmente, esta banda de Nova Iorque liderada pela dupla John Flansburgh e John Linnell, conta também na sua formação com Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller.

Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas duas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que fas parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras.

Nanobots é mais uma prova concerta da excentricidade deste grupo, da rara graça como combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, algo também plasmado, desta vez, na capa do disco e na duração do mesmo, com vinte e cinco músicas em apenas quarenta e cinco minutos, que nunca sabemos muito bem onde irão parar.

Nanobots divide-se em duas grandes partes, sendo a primeira metade do disco mais luminosa, criativa e feliz. You’re On Fire e Call Your Mom, um instante rockabilly, trazem de volta a refinada ironia da banda, enquanto o lado comicamente educativo e nerd das suas composições está perfeitamente representado, ainda na primeira metade por Nanobots, um tema muito divertido e que chama a atenção pelo pára-arranca das guitarras e as vozes em harmonia, a excelente Black Ops, canção cheia de teclas e uma belíssima percurssão, Tesla e pela nostálgica Circular Karate Chop, tema que abre com um riff clássico e bem oleado.

Na segunda metade temos dez temas, pequenas vinhetas com menos de um minuto que abrangem um vasto universo sonoro, atestando o talento e a variedade musical de um grupo que usa com a mesma mestria cordas, metais e instrumentos de sopro.

Os They Might Be Giants já abandonaram há algum tempo o rótulo de banda para crianças, mas se as crianças os ouvissem diariamente, o mundo seria um local muito mais divertido. Nanobots, um disco sem concessões, está disponível para audição no soundcloud da banda. Confere e espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - Nanobots EP

01. Call You Mom
02. Lost My Mind
03. Black Ops

They Might Be Giants - Nanobots

01. You’re On Fire
02. Nanobots
03. Black Ops
04. Lost My Mind
05. Circular Karate Chop
06. Call You Mom
07. Tesla
08. Sleep
09. Stone Cold Coup D’etat
10. Sometimes A Lonely Way
11. Destroy The Past
12. 9 Secret Steps
13. Hive Mind
14. Decision Makers
15. Nouns
16. There
17. Insect Hospital
18. Tick
19. Replicant
20. The Darlings Of Lumberland
21. Great
22. Stuff Is Way
23. Icky
24. Too Tall Girl
25. Didn’t Kill Me


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publicado por stipe07 às 16:53

Shout Out Louds – Optica

Sexta-feira, 15.03.13

Os suecos Shout Out Louds, uma banda de indie rock de Estocolmo, estão de regresso aos discos com Optica, o quarto álbum da carreira deste grupo formado por Adam Olenius, Ted Malmros, Eric Edman, Bebban Stenborg e Carl von Arbin.

A fria Suécia é, há muito tempo, um enorme nicho de criatividade no cenário da música internacional, nas mais diferentes vertentes e estilos musicais, sendo um dos países de origem de bandas e discos mais citados neste blogue. E um distinto representante desse país para a sonoridade indie pop mais festiva são os Shout Out Louds, que chegam ao quarto álbum de estúdio moderadamente enérgicos, mas amadurecidos e com uma assinalável vitalidade.

Num álbum repleto de guitarras marcantes e competentes harmonias vocais, a abertura com Sugar, uma oscilante jornada entre diferentes timbres e momentos, dá o tom pop que Optica assume até o fim, mas não necessariamente na variação que ele enfrenta. O single Illusions chega e traz consigo os sintetizadores e as cores próprias do resgate à estética sonora da década de oitenta. Depois, há os singles Walking in Your Footsteps e Blue Ice, candidatos a serem canções com elevado airplay, devdo às melodias acessíveis e às letras carregadas de encanto, assim como uma qualidade instrumental que ultrapassa o comum.

Em Optica a banda está definitivamente longe do rock acelerado que se ouvia na bem sucedida estreia Howl Howl Gaff Gaff (2005), e aproximam-se da delicadeza de Our Ill Wills (2007) que também já sustentou o conteúdo de Work (2010). Estamos na presença de doze canções com uma acertada relação entre pianos, sintetizadores e percurssão, conduzidas de forma cuidadosa e onde cada realce sonoro é aproveitado como um complemento sonoro que lentamente recheia o álbum com primazia.

Os Shout Out Louds comprovam mestria na forma como sintetizam diversos elementos instrumentais do passado de forma a torná-los atrativos aos nmais novos e denotam elevado acerto na forma como se dividem em instantes de calmaria e que depois se complementam com explosões melancólicas. Chasing The Sinking Sun e Hermila são os dois temas que mais rompem com o conteúdo dos anteriores lançamentos, já que apresentam o grupo às pistas e ao synthpop, algo que poderão aprimorar nos próximos lançamentos.

Fascinados por Morrissey e nitidamente influenciados por toda a discografia dos The Smiths, em Optica os Shout Out Louds ampliam esta relação instrumental e lírica, até porque há uma forte ligação com a sonoridade firmada em Strangeways, Here We Come (1987), um dos melhores discos do quarteto britânico.

A voz é um dos blocos fundamentais de Optica e com um relevo maior do que aquele que era audível em Work. A já referida Illusions, um tema delicado, radiofónico e bastante inventivo será aquele em que esta faceta vocal melhor se exprime, com o bónus de abarcar e sintetizar toda a míriade sonora que carateriza os Shout Out Louds, desde a sua estreia.

Para quem acompanha os Shout Out Louds desde Our Ill Wills, Optica talvez não traga grandes novidades, mas não há como discordar que o novo álbum consegue deixar para trás alguns erros que o grupo denotou em Work, quando mergulhou num cenário sombrio e pouco inventivo, algo que a banda agora compensa com uma soma cuidadosa de vozes e sons bem explorados. Espero que aprecies a sugestão...

01. Sugar
02. Illusions
03. Blue Ice
04. 14th Of July
05. Burn
06. Walking In Your Footsteps
07. Glasgow
08. Where You Come In
09. Hermila
10. Chasing The Sinking Sun
11. Destroy

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publicado por stipe07 às 19:01

How To Destroy Angels - Welcome Oblivion

Quinta-feira, 14.03.13

Conforme referi em Curtas... LXXXIII, depois de dois EPs e uma enorme ansiedade por parte dos fãs dos Nine Inch Nails e não só, Trent Reznor viu finalmente o seu projeto How To Destroy Angels, editar Welcome Oblivion, o disco de estreia, lançado no passado dia cinco de março pela Sony.

Os EPs editados em 2010 e 2012 já o anunciavam com clareza, mas quem ainda acalentava alguma esperança de encontrar semelhanças óbvias entre os os NIN e estes How To Destroy Angels, viu, felizmente, cair por terra tal pretensão, caso já tenha tido o privilégio de escutar, na íntegra, Welcome Oblivion. E se Trent, um dos maiores egos do rock atual, tem o protagonismo principal neste projeto, não é de descurar o papel fulcral que Mariqueen Maandiq, a sua esposa, desempenha nesta assumida separação concetual, sendo de saudar, por isso, a nova postura do músico para ceder à opinião de terceiros e com eles colaborar, de forma aberta e sistemática, na produção musical. Recordo que além de Trent Reznor e Mariqueen Maandiq, também fazem parte dos How to Destroy Angels, Atticus Ross (o produtor preferido de Trent Reznor) e Rob Sheridan.

Fazendo uma alusão à recente atração de Trent Reznor por bandas sonoras de filmes, Welcome Oblivion podia muito bem ser a banda sonora de um futuro pós apocalíptico, do Blade Runner se fosse realizado hoje. O disco vive da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral. É deste cruzamento espectral e meditativo que o disco vive, com treze canções algo complexas e bastante assertivas. Esta complexidade é uma das grandes qualidades de Welcome Oblivion, porque espelha a elevada maturidade dos músicos que compôem os How To Destroy Angels e espelha a natural propensão dos mesmos para conseguirem, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe as clássicas guitarra, baixo e bateria.

Assim, há travos daquele espírito industrial, típico dos NIN, mas com uma carga ambiental assinalável, bem patente, por exemplo, nos temas On The Wing And The Sky Began to Scream, mas essas batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Ice Age prova esta minha teoria quando a voz de Maandiq e uma certa toada folk fazem do tema dos momentos mais atraentes e diferentes do disco.  Recusive Self-Improvement é talvez um dos melhores temas do disco; assenta em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um baixo sintético com um volume crescente.

Um dos maiores destaques de Welcome Oblivion acaba por ser o single How Long, uma feliz escolha para amostra, já que, de certa forma, compila toda a arrojada e diversificada míriade sonora do álbum. Seja pelo ritmo do baixo, por causa do ritmo aditivo, da toada gospel, ou da voz hipnótica, How Long está condenada a ser uma das grandes músicas do ano.

Como já terão percebido, nos How To Destroy Angels, outra cedência óbvia de Trent e que já nos faz duvidar sobre quem realmente mandará lá em casa, tem a ver com a primazia da voz; Aqui a condução do microfone está entregue aos belíssimos dotes vocais da sua esposa. Apesar de Trent também cantar, ela assume-se, através da voz, como o principal fio condutor das treze canções, seja através de um registo sussurrante, ou através de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais.

Este extraordinário álbum de estreia de um projeto que merece toda a atenção termina com uma toada mais instrumental, já que os últimos três temas atiram-nos para ambientes eletrónicos de outrora, com os teclados a terem o maior destaque, a construirem diversas camadas sonoras em The Loop Closes e muito bem acompanhados por um piano em Hallowed Ground, um tema plausível como a chuva e onde há uma voz omnipresente entregue a um espírito desolado e que nos remete, devido ao baixo constante, para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno.

Welcome Oblivion tem uma forte componente experimental e aconselha-se audições repetidas para que se tenha a perceção clara do seu conteúdo e dos mínimos detalhes. O sucesso da estreia dos How To Destroy Angels depende da predisposição do ouvinte e do cenário que cada um de nós cria tendo em conta a atmosfera sonora proposta. São sessenta e cinco minutos cheios de momentos brilhantes, com diferentes graus de intensidade e que precisa de um tempo que objetivamente merece. Espero que aprecies a sugestão... 

 

 1. The wake-up
2. Keep it together
3. And the sky began to scream
4. Welcome oblivion
5. Ice age
6. On the wing
7. Too late, all gone
8. How long?
9. Strings and attractors
10. We fade away
11. Recursive self-improvement
12. The loop closes
13. Hallowed ground

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publicado por stipe07 às 22:25

Veronica Falls – Waiting For Something To Happen

Quarta-feira, 13.03.13

Roxanne Clifford (voz e guitarra), James Hoare (voz e guitarra), Marion Herbain (baixo) e Patrick Doyle (bateria) juntaram-se em 2009 para fazer música e assim nasceram os Veronica Falls, uma banda de Londres que estreou nos discos em 2011 com um homónimo que lhes deu imensa visibilidade. Agora, no passado dia quatro de fevereiro, chegou o sempre difícil segundo disco. O álbum chama-se Waiting For Something To Happen, foi lançado pela conceituada Bella Union e mostra uns Veronica Falls amadurecidos e com novos ingredientes sonoros, carregados de romance e de alegria.

As treze canções de Waiting For Something To Happen equilibram-se entre guitarras ásperas e uma forte cumplicidade entre as vozes, as almas e os corações de Roxanne e James, algo bem audível em If You Still Want Me e em My Heart Beats, enquanto a bateria e o baixo cumprem com mestria o seu papel. Esta harmonia deve-se certamente também ao excelente trabalho de produção, que esteve a cargo do experimentado Rory Attwell, repsonsável por álbuns dos The Vaccines. Ele também deu uma sonoridade um pouco mais retro e típica dos ambientes nascidos na indie pop dos anos oitenta e noventa aos Veronica Falls, aproximando-os das inevitáveis influências que deverão ser os conterrâneos The Cure, Elastica e The Cranberries.

Quase ingenuamente, com o seu gosto genuíno pelos sons feitos com o ambiente de garagem e utilizando o conceito single pop de três minutos, que se escuta enquanto se fuma um cigarro, como disse Damon Albarn certo dia, os Veronica Falls acabaram por acordar os fantasmas, por sinal muito bem vindos, dos R.E.M e dos The Smiths, conseguindo ser seguros, aventureiros e competentes.

Ousados e a denotar uma tremenda evolução lírica, logo na abertura, em Tell Me, os Veronica Falls perguntam-nos: Tell me, what are you thinking? Follow me, There’s no Reason to Stay. E nós ficamos tentados a ir e a ficar, de tal forma que na segunda canção, Teenage, parece que já fazemos parte do conteúdo de Waiting for Something To Happen e que toda a magia deste grupo londrino já se entranhou no nosso íntimo, de tal forma que damos por nós a acompanhar os refrões e a bater o pé no chão.

Talvez imbuídos por uma qualquer seta de um cupido com sede de guitarras e vozes melodiosas, avançamos para Broken Toy, um tema viciante e desarmante, que parte qualquer coração, por mais impenetrável que julgue ser. O tema homónimo remete-nos para o tempo ameno que se aproxima e Falling Out é uma das canções mais orelhudas, já que o diálogo inicial entre bateria e baixo, apoiadas na voz melodiosa de Roxanne, é muito bem conseguido. A música cresce e ganha corpo com o avançar do tempo. Mais rápida, So Tired afasta a letargia e coloca mais adrenalina nos nossos ouvidos.

O sexo feminino encabeça este projeto, não só na componente lírica repleta de referências ao amor, ao perder e ao ter, mas também musicalmente, já que o ambiente melódico criado é luminoso, com um tom doce, angelical, delicado e apaixonado. Em Waiting For Something To Happen, pressentem-se dias soalheiros e cores vibrantes e este quarteto deixa de ser, no universo indie, uma promessa, para se tornar numa viciante certeza que resulta da cadência de acordes simples, mas deliciosos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tell Me
02. Teenage
03. Broken Toy
04. Shooting Star
05. Waiting For Something To Happen
06. If You Still Want Me
07. My Heart Beats
08. Everybody’s Changing
09. Buried Alive
10. Falling Out
11. So Tired
12. Daniel
13. Last Conversation

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publicado por stipe07 às 21:01

Curtas... XCI

Quarta-feira, 13.03.13

Venera é o EP mais recente dos australianos Hey Big Aki, um coletivo de seis músicos que se estreou com um outro EP em 2012 e com um conjunto de influências que vão dos Grizzly Bear, aos The National, passando pelos Phoenix ou os Animal Collective. Os Hey Big Aki estão a disponibilizar no seu soundcloud Ordinary Folk, um dos temas de Venera.

Hey Big Aki - Venera

01. Patina
02. Something To Go
03. Sweet Lime
04. Ordinary Folk
05. City Sighs (Bonus Track)

 

 

Cascatas é o segundo single retirado de Quadro, o segundo álbum dos Trêsporcento, uma banda formada por Tiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista). É uma das canções de Quadro que há mais tempo tem vindo a ser tocada ao vivo pela banda; durante o período de arranque do processo de escrita do álbum, Cascatas serviu de mote, quase como manifesto fundador, e surge agora como escolha natural para single de um disco que brevemente merecerá uma crítica neste blogue e, possivelmente, uma entrevista com a banda. Fica atento/a!

 

Os Wavves de Bethany Cosentino e Nathan Williams estão de regresso aos discos. Depois de se terem estreado, em 2010, com o aclamado King of the Beach, ao qual se sucedeu o EP Life Sux em 2011, Afraid of Heights é o álbum que se segue, com edição prevista para vinte e seis de março, através da Mom+Pop Records. Fica o primeiro single...

 

James Blake continua a surpreender e a deixar para trás a sonoridade etérea e introspetiva que marcou a sua estreia, mas sem colocar totalmente de lado as vozes sintetizadas e instrumentais e as texturas eletrónicas que apresentaram o produtor inglês ao mundo no final da década passada. Pelo menos é o que a experimental Digital Lion tenta incorporar nos quase cinco minutos de planos etéreos e batidas que remetem para diferentes estágios da eletrónica, uma canção que conta com a participação do veterano Brian Eno, um complemento necessário e um ponto de óbvia transformação dentro da carreira do jovem produtor.

 

Os sons e as principais referências que acompanharam a década de sessenta sempre serviram de inspiração para o trabalho da dupla Best Coast. Bom exemplo disso está na maneira como as melodias são romanticamente abordadas em The Only Place, o segundo e mais recente trabalho de estúdio do casal californiano. Para reforçar ainda mais a aproximação com o passado, bem como a própria melancolia que habita a recente fase da banda, Crying, um original do veterano Roy Orbinson, foi escolhida para se transformar nas mãos da dupla com essa nostalgia do passado e tingida, de forma natural, pelo sofrimento que habita a voz de Bethany Cosentino.

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publicado por stipe07 às 13:43







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