Sábado, 30 de Março de 2013

Home By Hovercraft - Are We Chameleons?

Os Home By Hovercraft são uma banda de Dallas, no Texas, liderada pelo casal Seth Magill and Shawn Magill, aos quais se juntaram a irmã de Seth, Abbey Magill, Johnny Sequenzia e Max Hartman. Are We Chameleons? é o álbum de estreia do grupo e viu a luz do dia a doze de março.

Na música, hoje em dia quase nada é propriamente novo. O segredo do sucesso está, na esmagadora maioria das vezes, na criatividade com que diferentes sonoridades se misturam e são replicadas e a toada inventiva acaba por se justificar pela originalidade com que determinada banda ou projeto consegue, de forma diferente, cozinhar os diferentes ingredientes que selecionou. Os Home By Hovercraft são o exemplo claro de um grupo que pretende servir-se de uma paleta abrangente de estilos sonoros e concentrá-los de forma que resultem num coerente registo pop que nos transporte até ambientes do passado mais clássicos e tradicionais.

Are We Chameleons? foi produzido por Paul Williams e a principal referência dos Home By Hovercraft são, sem dúvida os The National, com a própria voz de Seth a fazer lembrar o registo de Matt Berninger. Mas Spoon, Beirut ou Nick Cave também cabem na míriade de influências que definem a sonoridade deste grupo texano. Está implícito no ADN dos Home By Hovercraft um forte sentido de teatralidade, não só no campo musical, mas também na forma como este negócio de família se apresenta ao vivo, influenciados pela pop clássica com traços de um certo art rock.

A variedade de instrumentos que utilizam, com destaque para os de sopro e percussão, que vão da tuba ao xilofone, passando depois, nas cordas, pelo violino, além dos clássicos piano e guitarra, ajudam imenso a transportar o ouvinte de Are We Chameleons? até vivências do passado que, no caso da divertida In Hand, me fizeram recordar os ambientes palacianos do barroco francês.

Acaba por haver aqui também travos de folk, uma grandiosidade algo esotérica e uma implícita extravagância que nos transporta também aos ambientes típicos da Broadway ou do próprio Moulin Rouge. A própria banda esteve a trabalhar num musical chamado On the Eve e confessa que o conteúdo de Are We Chameleons? resulta do trabalho desenvolvido para esse musical que, em 2012, esteve no Margo Jones Theater e no Magnolia Lounge at Fair Park e que faz parte do programa do Theatre Three, sendo todas estas salas em Dallas (We sculpted Are We Chameleons? as we were about to go into production for On the Eve. We took the ones from the musical that we were most confident taking into the studio. - Seth Magill). Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 19:47
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Sexta-feira, 29 de Março de 2013

Jim James – Regions Of Light And Sound Of God

Depois de ter editado, nos My Morning Jacket, Circuital, em 2011, Jim James, um músico dessa banda e natural de Louisville, no Kentucky, está de regresso com Regions of Light and Sound of God, disco lançado a cinco de fevereiro pela ATO.

Regions Of Light And Sound Of God foi produzido, composto e gravado com base no solitário trabalho de Jim James e, por isso, o álbum acaba por ser, de maneira bastante natural, um reflexo da alma e da mente dele. Desde a forma como as guitarras são enquadradas nas melodias, até à escrita dos versos, tudo plasma uma atmosfera de perfeita solidão. Dentro desse propósito, cada instante ao longo do retrato de nove composições tem uma relação direta com a vida do músico, como se ele fosse uma personagem que se transforma na matéria-prima audível em Regions Of Light And Sound Of God.

Circuital era um disco um pouco confuso, fruto de uma fase dos My Morning Jacket em que não queriam rejeitar as melodias orgânicas e bucólicas que deram vida aos trabalhos iniciais dessa banda e, ao mesmo tempo, fundi-las com acabamentos mais atuais e futurísticos. Digamos que foi uma busca pelo chamado country alternativo, onde o campo se transformam na cidade e os agregados de distorção que se adicionaram às cordas, tornaram-se na base funcional do conteúdo do disco.

Regions of Light and Sound of God também flutua entre o passado e esse futuro bem exemplificado na capa, com James a caminhar num cenário minimalista delineado pelas cores, uma metáfora para a matéria urbana desta sua primeira obra a solo. Da voz que remete para a folk da década de setenta, passando pela ponderação sonora, tudo se organiza de forma contrastante e cada realce musical abordado pelo disco não deixa de transparecer uma visita ao passado. O velho e o novo, o futurístico e arcaico, a simplicidade de uma corda e a excentricidade de um sintetizador, balançam entre si e dividem protagonismos, com coerência e bom gosto.

Num artista iniciante, esta fórmula difusa talvez resultasse num exercício cheio de antagonismos desligados e incoerências; Nas mãos de Jim James, um veterano nestas andanças, o casamento desta bipolaridade sonora resulta na perfeição, porque há ordem na forma como, em cada composição, as guitarras se dissolvem nas típicas propostas ambientais acústicas, ao mesmo tempo que são adornadas por distorções orgânicas e eletrónicas. Assim, temas que à partida poderiam ter um conteúdo mais simplista, acabaram por aflorar num cenário de arranjos, versos e sensações naturalmente grandiosas, um reforço necessário para a boa forma da obra.

Diferente de tantos outros registos que até brincam com as mesmas perceções musicais do artista, Regions Of Light and Sound of God é um trabalho que encanta justamente pelos instantes de nostalgia dissolvidos pelo álbum. A dor e as pequenas interpretações quotidianas de James são universais, fator que converte o álbum num trabalho naturalmente clássico e construído em cima de referências vintage, mas atuais. Espero que aprecies a sugestão...

01. State of the Art (A.E.I.O.U)
02. I Didn’t Know Til Now
03. Dear One
04. A New Life
05. Exploding
06. Of The Mother Again
07. Actress
08. All Is Forgiven
09. God’s Love To Deliver

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autor stipe07 às 22:00
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Quinta-feira, 28 de Março de 2013

Imagine Dragons - Night Visions

Night Visions é o disco de estreia dos norte americanos Imagine Dragons, uma banda natural de Las Vegas e formada por Ben McKee, Dan Reynolds, Wayne Sermon e Dan Platzman. Night Visions viu a luz do dia a quatro de setembro de 2012, por intermédio da Interscope Records e produzido, inicialmente, pela própria banda e posteriormente pelo produtor inglês de hip hop, Alex Da Kid e Brandon Darner dos The Envy Corps, tendo sido misturado por Joe LaPorta. Os onze temas do álbum foram compostos entre 2010 e 2012, de acordo com Dan Reynolds, o líder dos Imagine Dragons, e algumas canções apareceram em diversos EPs.

Night Visions é, na sua essência, um disco de rock indie e alternativo, mas também traz consigo influências de dubstep, folk, hip-hop e pop. É uma estreia consistente e surpreendente, com alguns destaques, nomeadamente a melancólica Amsterdan e Demons, canção que combina uma excelente performance vocal com a sonoridade comercial que a levou a fazer parte da banda sonora do filme The Words. Destaco também On Top Of The World, canção que podemos ouvir por cá no mais recente anúncio de uma marca de telecomunicações e It's Time, o primeiro single retirado de Night Visions, uma canção muito aditiva, que prova o ecletismo da banda e onde combinam um instrumental folk e o espírito rockeiro do refrão. Esse ecletismo também é percetível nas experimentações com a eletrónica patentes em Underdog.

A temática do sofrimento que advém de sentimentos é recorrente ao longo do disco, mas funciona, principalmente em Bleeding Out, que termina numa melodia mais metálica e aberta.

Em suma, Night Visions é um disco que não vai mudar as nossas vidas, mas tem um conteúdo coeso, com uma diversidade orgânica e crua, isenta de truques supérfluos e demasiado elaborados e canções que se entranham com facilidade e nos cativam até à exaustão. O final inspirador de Working Man é a conclusão ideal porque as vozes em coro criam uma atmosfera inspiradora e positiva e a canção deixa alguma água na boca relativamente ao futuro deste grupo norte americano. Espero que aprecies a sugestão...

1. Radioactive
2. Tip Toe
3. It’s Time
4. Demons
5. On Top Of The World
6. Amsterdam
7. Hear Me
8. Every Night
9. Bleeding Out
10. Underdog
11. Nothing Left To Say
12. Selene
13. The River


autor stipe07 às 19:02
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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Elephant Stone – Elephant Stone

Os Elephant Stone são Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, uma banda de Montreal, no Canadá, que se formou em 2009 pela iniciativa de Rishi Dhir, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Basta dizer que nos últimos anos gravou e andou em digressão com nomes tão importantes desse género musical como os The Black Angels, Brian Jonestown Massacre, ou os The Horrors.

Ainda nesse ano de 2009 os Elephant Stone editaram The Seven Seas, o disco de estreia. Nesse trabalho Dhir deu início à sua busca, quase obsessiva pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que o músico também andou na digressão de 2011, dos The Brian Jonestown Massacre. Agora, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records.

O uso da cítara por Dhir no The Seven Seas não foi uma novidade em trabalhos do universo indie e shoegaze, mas sucedeu com uma qualidade tão invulgar, que obrigou os habituais ouvintes deste género de sonoridade a ficarem atentos aos Elephant Stone. No entanto, o conteúdo do álbum ainda não estava devidamente balizado e a míriade de detalhes sonoros presentes, e que passavam também pela brit pop, não deixava que se formasse uma opinião rigorosa acerca do que, musicalmente, os Elephant Stone pretendem atingir. Assim, dar a este segundo disco o nome da prória banda, talvez seja uma forma de dar as cartas de novo, uma espécie de recomeço, finalmente um assumir mais preciso das verdadeiras motivações destes quatro músicos, onde Dhir é o cérebro dominante.

Neste segundo álbum a cítara ouve-se ainda mais e agora é também usada, nos arranjos, para fazer sobressair a tonalidade psicadélica das canções e não apenas para substituir a guitarra na primazia melódica. Além da cítara, também se escuta outro instrumento de cordas tradicional indiano, tocado com um arco, chamado dilruba.

Os cinco primeiros temas de Elephant Stone obedecem aos padrões habituais da indie pop de cariz mais psicadélico, onde além das cordas cativa o brilho e o pulsar intenso da bateria. A partir da segunda metade do disco a velocidade abranda, aumenta a complexidade e sobressai uma tonalidade quase espiritual em algumas canções, com especial ênfase para a instrumental Sally go Round The Sun. Ouve-se com maior regularidade os instrumentos tradicionais indianos já referidos, nomeadamente, como reforcei, no esplendor que conferem ao nível dos arranjos. A guitarra também ganha um pendor mais sinistro, efeito reforçado pela componente acústica da mesma e pela maior predominância da voz em reverb e eco.

Antes de teminar importa referir que Elephant Stone é inspirado na música dos Stone Roses com o mesmo nome e numa estátua do deus hindu Ganesh que o próprio Rishi Dhir possui e que o leva a referi que a sua banda tem uma sonoridade hindie rock. Espero que aprecies a sugestão...

Elephant Stone - Elephant Stone

01. Setting Sun
02. Heavy Moon
03. Masters Of War
04. Hold Onto Yr Soul
05. A Silent Moment
06. Looking Thru Baby Blue
07. Sally Go Round the Sun
08. Love The Sinner, Hate The Sin
09. The Sea Of Your Mind
10. The Sacred Sound


autor stipe07 às 16:00
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Terça-feira, 26 de Março de 2013

Devendra Banhart – Mala

Devendra Banhart está de regresso com Mala, o seu oitavo disco lançado recentemente por intermédio da Nonesuch e que interrompe um hiato de quase quatro anos, já que sucede a What Will Be, álbum lançado em 2009 e que replicava novamente a típica sonoridade folk psicadélica e latino americana do músico, razão pela qual todos ansiávamos por um regresso que fosse tudo menos normal e previsível, para que não tívessemos que nos deparar com um Devendra demasiado aobrrecido, previsível e calculista e atirá-lo de vez para a secção das irrelevâncias com as quais não há tempo a perder porque o mundo está demasiado habitado de música e, mais do que nunca, selecionar, é preciso.

Devendra deve ter tido em atenção esta necessidade de inovar quando começou a projetar Mala. Neste novo trabalho do músico mantém-se presente o fascínio pelos ritmos latinos que sempre acompanharam toda a discografia do cantor e compositor texano, porém, nunca de forma tão explícita como agora. Mala está cheio de referências à música construída na América Latina, principalmente os realces que sustentaram a bossa nova e boa parte dos sons brasileiros da década de cinquenta até à explosão da Tropicália. Devendra transforma-se num verdadeiro trovador latino quando interpreta Mi Negrita e cruza a pop solarenga dos Beatles com o glam rock em Won't You Come Over.

Nas suas letras sobressai constantemente um aprimorado jogo entre a gentileza e uma certa agressividade, no seio de canções manchadas pela saudade. Esta dicotomia não é propriamente algo que soe absurdo já que o humor é uma caraterística muito presente na escrita de Devendra e há que não esquecer, nesse apaziguamento, a tal serenidade tropical e o clima latino que banham Mala. Tudo isto cria um composto agridoce e melódico e a própria tristeza é compreendida com um ligeiro sorriso, algo bem patente em Your Fine Petting Duck, um tema que representa bem todo esse sentimento que abastece o álbum, tratando do fim de um relacionamento com nostalgia e com uma certa dose de felicidade.

Mala exala pacatez e honestidade e pressente-se que Devendra se apresenta como é, tão criativo como no começo da carreira e menos próximo do que em alguns momentos parecia ser uma encenação ou um personagem interpretado pelo artista.

Mergulhado em recortes dolorosos de tudo o que o músico viveu nos últimos quatro anos, Mala é atual e um trabalho eminentemente nostálgico. Menos metafórico e muito mais consciente da necessidade de soar íntimo do ouvinte, Devendra Banhart fez de cada tema deste disco um instrumento de aproximação com diferentes públicos, sendo este o álbum mais acessível e encantador da sua carreira. Espero que aprecies a sugestão...

01. Golden Girls
02. Daniel
03. Fur Hildegard Von Bingen
04. Never Seen Such Good Things
05. Mi Negrita
06. Your Fine Petting Duck
07. The Ballad Of Keenan Milton
08. A Gain
09. Won’t You Come Over
10. Cristobal Risquez
11. Hatchet Wound
12. Mala
13. Won’t You Come Home
14. Taurobolium


autor stipe07 às 13:09
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Segunda-feira, 25 de Março de 2013

Paperfangs - Past Perfect

Um dos melhores discos que ouvi em 2013 chama-se Past Perfect e assinala a estreia nos trabalhos de longa duração dos Paperfangs, uma banda finlandesa natural de Helsinquia, formada pelos irmãos Jyri e Tarleena e pelo amigo Mikko. Past Perfect viu a luz do dia a vinte e dois de fevereiro por intermédio da Soliti Music e sucede aos EPs ePop006, editado em 2010 e AAVAV, disponibilizado em 2012 e que contém Violet, uma cover de um original dos Kiss Kiss. (O último está disponível para audição no Bandcamp dos Paperfangs e ePop006 pode ser obtido gratuitamente na Eardrums Pop).


Past Perfect é um dos discos que mais tenho ouvido nos últimos dias, muito por culpa de encantadores teclados, de uma batida subtil transversal ao disco e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar e de um jogo de vozes quente e intimista. Past Perfect ouve-se com satisfação no carro, no escritório, no quarto, ou no exterior enquanto se pratica exercício físico, sendo um álbum excelentemente produzido e que viaja bem connosco, independentemente do local onde se está.

Não é fácil destacar algumas canções devido à homonegeidade sonora do álbum e à elevada bitola qualitativa do mesmo. Não há pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica. No entanto impressionou-me In Age, tema que dá o mote para o conteúdo dos cerca de trinta e cinco minutos dos disco e das próximas nove canções e também, logo depois, Bathe In Glory, o primeiro single de Past Perfect e já conhecido há algum tempo, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e uma viola que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade do sintetizador. This Power destaca-se pelos pequenos toques de uma corneta e um piano profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.

All Girls Are Grey é o segundo single já retirado de Past Perfect; Começa de forma muito simples, apenas com a bateria e o sintetizador, para depois receber, de braços abertos, o piano, uma batida dançável e a peculiar voz grave de Jyri.

Para estreia, os Paperfangs não se sairam nada mal. O irmão, a irmã e o amigo dos dois deitaram-se numa nuvem feita com a melhor dream pop escandinava e operaram um pequeno milagre sonoro; Tornaram-se expansivos e luminosos, encheram essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que está quase a chegar e o mais interessante é que conseguiram fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida.

Em suma, Past Perfect é um belíssimo álbum, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

01. In Age
02. Bathe In Glory
03. Selfless
04. This Power
05. Repeat
06. Darkling, I Listen
07. Widow’s Song
08. Avenue Of Splendours
09. All Girls Are Grey
10. His Famous Last Painting


autor stipe07 às 12:51
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Domingo, 24 de Março de 2013

Curtas... XCII

O músico e produtor paivense André Fernandes divulgou recentemente um filme para uma remistura de I Follow Rivers, um original de Likke Li, também da autoria do André. De acordo com o autor, essa foi a sua primeira filmagem e revelação de película, três minutos filmados em super 8, com uma Bauer C4 de 1974. A remistura está disponivel para download gratuito no soundcloud do músico e produtor paivense.

Em jeito de balanço do trabalho recente do André, importa referir que recentemente fez a remix dos Die Antwoord que teve mais visualizações, num evento especial, além de estar prestes a fazer mais música para cinema, depois de ter composto a banda sonora do galardoado filme Um Funeral À Chuva.

 

Os portugueses StereoBoy, de Luis Salgado e Sofia Arriscado, têm um novo single. A canção chama-se Naked e serve de avanço ao primeiro longa-duração da dupla, inspirado na cidade invicta e que deverá sair em Abril. Confere o vídeo de tema realizado por Joana Domingues.

 

My Heart Skips A Beat, o sexto tema do alinhamento de TOY, o disco homónimo de estreia dos britânicos TOY, acaba de ser editado como single, através de um EP com mais dois inéditos e uma versão ao vivo. Confere...

01. My Heart Skips A Beat
02. She’s Over My Head
03. Layered Electronics
04. Kopter (BBC 6 Music Session)

 

Os Sigur Rós já têm sucessor para Valtari. O novo álbum chama-se Kveikur e chega às lojas a dezassete de junho. Brennisteinn é o primeiro single já editado, com mais dois inéditos e disponível para download no sitio da banda. Confere...

01. Brennisteinn
02. Hryggjarsúla
03. Ofbirta


Acabam de ser divulgados mais detalhes do novo álbum dos The NationalTrouble Will Find Me, o sucessor do excelente  High Violet de 2010, será editado a vinte de maio e conta com as participações especiais de Sufjan Stevens, na percussão e sintetizadores e de Sharon Van Etten e Annie Clark, dos St. Vincent, na voz. Richard Reed Parry, dos Arcade Fire, Doveman e Nona Marie, dos Dark Dark Dark, também irão aparecer nos créditos do novo disco da banda de Matt Berninger e dos irmãos Dessner.


autor stipe07 às 22:34
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Sábado, 23 de Março de 2013

EELS – Wonderful, Glorious

Os Eels de Mark Oliver Everett, aka Mr. E, uma das minhas bandas preferidas, estão de regresso aos discos com Wonderful, Glorious, um trabalho com treze temas e inteiramente gravado nos estúdios do músico em Los Feliz, nos arredores de Los Angeles, construídos de raíz para a ocasião. Este álbum foi lançado a quatro de fevereiro por intermédio da Vagrant Records; É o décimo disco dos Eels e interrompe um hiato de quase três anos após um período bastante profícuo da banda e que deu origem à triologia Hombre Lobo (2009), End Times (2010) e Tomorrow Morning (2010).

Para quem, como eu, acompanha com atenção a carreira dos Eels praticamente desde o início, o primeiro single de Wonderful, Glorious não surpreendeu quem já está habituado a constantes e felizes quebras na conduta sonora deste grupo norte americano; Após a introspeção latente em End Times, a agressividade punk de Peach Blossom encontra paralelo na transformação sonora que no virar do século operaram de Daisies Of The Galaxy (2000) para Souljacker (2001). Oliver Everett gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo.
A temática das canções de Wonderful, Glorious é variada e, como sempre, há uma forte componente autobiográfica na escrita de Mr. E. Sonoramente, a agressividade de canções como Kinda FuzzyOpen My PresentStick Together e New Alphabet, não é gratuíta, digamos assim, ou seja, é feita com algum controlo e com uma instrumentação apelativa, que combina muito bem com a típica rouquidão vocal de Everett. Na triologia citada, Mark cantou sobre algumas mazelas que certamente o atormentavam nesse período e agora, em Wonderful, Glorious, o músico sai de novo de uma espécie de clausura emocional e introspetiva, para se libertar e mostrar, sem receio, a sua faceta mais rebelde e divertida, não havendo agora lugar para sentimentos obscuros e lamentações.
Wonderful, Glorious nunca será o disco do tudo ou nada dos Eels, porque estamos na presença de uma banda que já carimbou, com legitimidade, o seu lugar no historial mais ilustre e fundamental do rock alternativo, devido a mais de duas décadas de uma imaculada carreira. Mas sente-se que é um implícito grito de revolta, por parte de um grupo que ciente de tudo isto, talvez esteja cansado da indiferença e de, injustamente, ter vivido todo este tempo numa inexplicável penumbra mediática. Em Bombs Away os Eels assumem a intenção de causar estragos e o groove invulgar de Kinda Fuzzy e a emoção latente na folk da belíssima On The Ropes, servem para provar que há uma míriade sonora notável no cardápio sonoro do grupo e que, no caso da última canção, ao comparar-se com um pugilista, Mr E. assume que não está KO e que quer lutar pelo seu justo lugar no estrelato. Em The Turnaround, no meio de uma certa tensão, Mark prova que sabe aproveitar o seu potencial criativo e assume que pode haver reviravoltas no combate, mas o crescendo da canção sustenta que ele está pronto, uma vez mais, para enfrentar as adversidades e continuar a sua caminhada.

Wonderful, Glorious pode não mudar muita coisa no universo musical dos Eels devido à riqueza do mesmo, mas depois da tal triologia, a liberdade deste disco acaba por ser uma lufada de ar fresco. A dinâmica do sucesso é difícil de prever, mas Everett e companhia merecem elogios de um público maior do que aquele que o conhece e produziram aqui um punhado de canções marcantes que podem realmente leva-los mais além. Oxalá eles alcancem a fama e o reconhecimento público que tanto reclamam em Wonderful, Glorious, porque bem o merecem. Espero que aprecies a sugestão...

01. Bombs Away
02. Kinda Fuzzy
03. Accident Prone
04. Peach Blossom
05. On The Ropes
06. The Turnaround
07. New Alphabet
08. Stick Together
09. True Original
10. Open My Present
11. You’re My Friend
12. I Am Building A Shrine
13. Wonderful, Glorious


autor stipe07 às 19:55
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Sexta-feira, 22 de Março de 2013

Sans Parade – Sans Parade

Os Sans Parade são uma banda finlandesa fundada em 2009 e liderada por Markus Perttula (voz e baixo) e Jani Lehto (guitarra, sintetizador, piano, percurssão,...), aos quais se juntaram o multi-instrumentista Pekka Tuppurainen, Ville Pynssi (bateria), Tommi Asplund (violino), Inkeri Siirilä (violino), Laura Turpeinen (viola) e Magdalena Valkeus. Sans Parade, um homónimo, é o disco de estreia deste grupo que se divide entre Turku e Helsinquia, na Finlândia e Estocolmo, na Suécia, um álbum que viu recentemente a luz do dia por intermédio da Soliti Records.

Quando se escuta música nova, geralmente há dois tipos diferentes de sensações; Há discos e bandas que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há momentos em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Os finlandeses Sans Parade são um destes casos, o exemplo claro de uma banda que, tendo em conta este disco homónimo de estreia, nos deixam sem adjetivos suficientemente claros para que possamos definir com exatidão a sua qualidade sonora.

Formados em 2009 pelo músico, cantor e escritor Markus Perttula e pelo músico de house Jani Lehto, os Sans Parade rapidamente tornaram-se num trio quando o músico de jazz Pekka Tuppurainen se juntou à dupla. Hoje o grupo é ainda maior, com músicos que dominam diferentes géneros musicais e que, além dos já referidos, também tocam a folk. Assim, esta massiva junção de géneros e influências, naturalmente iria dar origem a um verdadeiro caldeirão sonoro, algo que se escuta em Sans Parade, um disco cantado por uma belíssima voz e com arranjos orquestrais lindíssimos, que fazem dele uma das mais belas surpresas do início de 2013.

Sustentados pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir, já que este grupo tem, como referi, as suas raízes num ponto do globo artisticamente muito criativo e assenta a sua sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock,  com post rock e alguns elementos eletrónicos, os Sans Parade deixam aqui bem claro que fizeram um disco perfeito para quem tem necessidade de se afundar em sonoridades etéreas para ganhar um novo ânimo e assim deixar para trás as adversidades. Logo na pop rock orquestral de The Last Song Is A Love Song, um tema que expande os horizontes minimalistas quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e temos a explosão que, com os coros finais, dá a cor e brilho que nos fazem levitar, apetece aumentar o volume o mais possível para não deixarmos escapar nenhum dos imensos detalhes sonoros e para nos deixarmos engolir pela voz cândida de Perttula que nos obriga a acordar... Waltz with me! I’ve stopped dreaming, I’m not okay.

Depois, basta conferir A Ballet On The Sea e December 13th para não restarem mais dúvidas que estamos na presença de um disco com uma sonoridade única e peculiar, com várias canções que soam a uma perfeição avassaladora e onde custa identificar um momento menos inspirado.

Sans Parade é uma espécie de súmula de toda a amálgama de elementos e referências sonoras o que confere ao disco uma sensação um pouco dúbia, de difícil catalogação e assim deveras interessante tentar deslindar. Nele somos conduzidos para lugares calmos e distantes, os quais conseguem ser alcançados muito por influência de uma voz que parece conversar connosco. Quando o disco termina ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Já agora e como os sintetizadores tiveram a primazia na condução sonora de Sans Parede, aqui podes ler um artigo muito interessante onde se percebe a artilharia que foi utilizada em cada canção. Espero que aprecies a sugestão...

Sans Parade - Sans Parade

01. The Last Song Is A Love Song
02. The End Of The World 1964
03. Guarded Mountain
04. Dead Trees
05. A Ballet In The Sea
06. In A Coastal Town
07. Swept Away
08. A Liking Song
09. From Leytonstone To Canary Wharf
10. On The Sunniest Sunday
11. One Of Those Mornings
12. On December 13th


autor stipe07 às 22:54
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Quinta-feira, 21 de Março de 2013

oLUDO - Almirante

(…) Almirante é a personagem que ilustra o primeiro e tão aguardado álbum de oLUDO. Um ser, de face e feições ocultas mas, ao mesmo tempo, familiar. Lembra-nos a presença e o respeito pelo mar, sempre marcados na alma Portuguesa. É contudo, uma figura simples e marcante para quem o ouve. Não são estórias de mar. São melodias de vida, aventuras, amizades, amores perdidos e vividos… Esta personagem do Almirante é transparente para quem o quer ver e é uma sombra para quem não o conhece. Mas está sempre presente (…)” (nota de imprensa)

 

Estrearam-se em 2009 com Nascituro, disco que incluia o grande sucesso A Minha Grande Culpa, um dos temas mais rodados das rádios nesse ano e que foi escolhido para banda sonora dos separadores do canal Sic Radical. Dois anos depois regressaram aos lançamentos discográficos com Almirante. Falo dos oLUDO, um coletivo algarvio formado por Davide (Vozes, guitarras), João Baptista (Guitarras e vozes), Nuno Campos (Piano e teclados), Paulo Ferreirim (Baixo) e Filipe Cabeçadas (Bateria).

Almirante é um disco com simples e eficaz, com treze temas feitos com uma sonoridade pop bastante orelhuda e que apontam claramente às rádios. É um conjunto de canções homogéneo, todas elas cantadas na nossa língua materna, manuseada com mestria, já que todas as palavras, mesmo as mais simples, encaixam sempre na melodia. Esta fórmula simples e eficaz, cativa e cria uma mistura sonora agradável, dando origem a boas músicas, nomeadamente os singles Fica, Não Te Vás Daqui e Um Universo Maior, um tema com uma fantástica linha de percurssão.

Os oLUDO provam que a pop portuguesa não precisa de ser demasiado complicada para ser audível com prazer. Há uma guitarra que pauta a ordem das canções e depois surgem órgãos e vários instrumentos de sopro e percurssão que dão a cada tema a roupagem que ele necessita para ter o brilho, a harmonia e a cor que estes cinco músicos certamente procuraram tentar transmitir.

Para os oLUDO, que estão de regresso ao estúdio e a testar uma nova sala de ensaios, o caminho a seguir deverá ser este e não se devem afastar da rota que o Almirante lhes traçou e que lhes exige que continuem a criar estórias que falam da vida, aventuras e desventuras, amizades, amores perdidos e vividos. Esta personagem do Almirante é transparente para quem o quer ver e é uma sombra para quem não o conhece. Mas está sempre presente. Confere abaixo a entrevista com a banda e espero que aprecies a sugestão...

01. Vem comigo agora
02. Fica não te vás daqui
03. De dia sou piloto do meu pensar
04. Queria ficar sem receios
05. Um Universo maior
06. O meu suspiro
07. Muzar
08. Sentir o que não digo faz bem
09. A onda já me levou
10. Canção do Almirante
11. Memórias de um dia perfeito
12. A minha grande culpa
13. O sofá velho

Depois de Nascituro e mil Tentações, os EPs de estreia, surgiu finalmente, Almirante, o longa duração. Há uma continuidade dos EPs para o álbum?

Sim, o álbum Almirante é uma continuidade, é o culminar de experiencias que fizemos nos primeiros EP´s, tomámos muitas decisões baseadas nos primeiros trabalhos.

 

Segundo uma nota de imprensa, o Almirante é Um ser, de face e feições ocultas, que lembra-nos a presença e o respeito pelo mar, mas as treze canções do disco abordam outras temáticas mais terrenas, digamos assim. Como chegaram à escolha do nome para o álbum?

É um disco de sensações, tentámos através das canções, definir um pouco da vida deste Almirante. A saudade, o desejo de conquista descontrolado e também a falta de controlo do destino. A sensação de perda constante e o respeito pela viagem. O Almirante é de facto um disco de vida, de entrega e sobretudo de paixão pelo mar.

Claro que quem quiser explorar o disco por outras vertentes também pode, a viagem amorosa é tão perigosa quanto a marítima!

 

Este novo álbum tem algumas participações especiais, a nível experimental, na escrita e na voz. Como foi possível congregar tantos marujos de excelência em redor desta causa?

Grande amizade, companheirismo e muito amor por esta arte que é fazer música.

 

Durante a audição de Almirante chamou-me particularmente a atenção a simplicidade da vossa escrita e a mestria com que encaixam as letras na melodia. Como é o processo de criação musical dos oLUDO? Surgem primeiro as letras, ou elas são criadas em função de melodias que entretanto vão surgindo?

As letras e as melodias vêm muitas vezes em conjunto.

Na maioria das vezes é o João Batista que escreve muitos dos poemas das musicas d´oLudo, e normalmente o Davide adapta os poemas às melodias que vai criando em cima das harmonias. Este processo desenvolve-se muito naturalmente.

Por outro lado, quando é o Davide escrever algumas das letras o processo já é diferente, a letra e a melodia vão sendo construídas em paralelo.

 

Onde se inspiram para escrever as vossas canções?

Em tudo o que está à nossa volta, nas nossas vivencias pessoais, no que a vida nos põe à frente… as ideias aparecem-nos na maioria das vezes à nossa frente, só pegamos na matéria prima e vamos moldando.

 

Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse. Quais são as vossas principais influências musicais?

Não conseguimos ficar agarrados a nada nem nos podemos caracterizar por uma banda influenciada por A ou por B, a depender do que o tema que estamos construindo nos peça, por vezes podemos” ir beber à fonte” de uma música ou banda naquele determinado momento para percebermos as sonoridades. Claro que cada um de nós tem os seus gostos e preferências musicais, os seus artistas preferidos, que no fim definem muito o resultado final de cada tema que oLudo faz, mas no como oLudo não nos vimos influenciados por nada em concreto ou então, podemos dizer que também somos influenciados por tudo.

 

O vídeo do single Fica, Não Te Vás Daqui, e foi realizado por Pedro Pinto e impressionou-me, além do preto e branco, pela forma hipnótica como foram editadas as sequências de imagens do casal. Há aqui aquela metáfora que procura ilustrar quando duvidamos se queremos , ou não, que aconteça ou se mantenha a presença de alguém nas nossas vidas e, por isso, há um período de vai e vem relacional, ou a mensagem que procuraram transmitir é outra?

A sua análise é muito boa! Porque o tema fala precisamente nisso, na importância de alguém nas nossas vidas, mas pode haver também outras interpretações.

É sim uma forma de ver o vídeo e captar a mensagem do tema, mas este na verdade é muito aberto à interpretação de cada pessoa.

Uma pessoa que ouve uma determinada música sente-a ou interpreta-a à sua maneira, pode depender do seu estado de espirito, cada cabeça é um mudo, e cada pessoa filtra de forma diferente da outra…

No caso do Video, deixamos o Pedro Pinto interpretar o tema à sua maneira e ele recriou o que se vê no vídeo, quisemos dar-lhe toda a liberdade artística, e o resultado é este, um vídeo fantástico, foi a interpretação dele em relação ao tema.

 

A banda tem uma canção preferida neste álbum?

Gostamos de todas elas!

 

A que se deveu a opção de disponibilizar gratuitamente a edição digital de Almirante?

Vivemos tempos de mudança e temos que nos ajustar. Decidimos fazer edição física do disco e distribui-lo no circuito das lojas nacionais mas, de facto, se temos esta ferramenta da Internet que nos permite chegar a muito mais gente... O que queremos é que a musica chegue aos ouvintes.

 

O que podemos esperar do futuro discográfico dos oLUDO?

Entrámos num ciclo diferente, para já, começámos a testar a nossa nova sala de ensaios com umas gravações, temos gravado muitas coisas, ideias e já temos excelentes resultados deste trabalho. Queremos trabalhar nas novas músicas num ambiente mais descontraído e sem timmings. E quem sabe, até ao final do ano podemos ter algumas novidades. Por agora estamos a curtir este momento e somente com um objetivo, compor.


autor stipe07 às 21:34
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Sugiro... XXVIII


autor stipe07 às 11:35
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Quarta-feira, 20 de Março de 2013

The Growlers – Hung At Heart

Os The Growlers são uma banda norte americana da Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra). Hung At Heart é o terceiro álbum da discografia do grupo, foi gravado em Nashville, editado em novembro de 2012 através da Everloving Records e produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. A propósito desta interessante parceria com Auerbach, a Everloving, publicou recentemente, uma afirmação muito peculiar: Indie Iron Chef Dan Auerbach had initially tried his hand in the kitchen but when the dish ended up overcooked, the Growlers brought it back to the home kitchen, drank the juice and started over.

Cosmic_Hi_Five.jpeg

Os The Growlers têm uma sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta, sendo óbvias referências os The Doors, Country Joe e os Beach Boys da era Pet Sounds. São frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, mas a sua sonoridade vai muito além dessa simples bitola. Na verdade, eles terão pegado em tudo aquilo que Dan produziu e remexeram totalmente, acrescentando uma certa toada lo fi, mas que não apagou o caráter festivo e animado deste álbum.

Esta aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso e deve obedecer a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com esta dicotomia, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria. Logo no início, em Someday, Brooks goza com as habituais contradições do amor (when tall boys turn into champagne, when bologna turns into steak), mas a guitarra de Matt não deixa a canção resvalar para o facilitismo que a letra pode indiciar. Mais abaixo, Living In A Memory, é outra ode festiva, mas está lá um baixo para impôr algum respeito.

Embora grande parte da diversão musical patente em Hung At Heart pareça de fácil idealização, alguns ecos crescentes e explosões percurssivas plasmam uma notória mestria na arte de composição por parte dos The Growlers. Mesmo alguns laivos de psicadelia não parecem nada inocentes. Espero que aprecies a sugestão...

01. Someday
02. Naked Kids
03. Salt On A Slug
04. One Million Lovers
05. No Need For Eyes
06. Living In A Memory
07. Pet Shop Eyes
08. In Between
09. Burden Of The Captain
10. Row
11. It’s No Use
12. Use Me For Your Eggs
13. Derka Blues
14. Beach Rats


autor stipe07 às 23:30
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Terça-feira, 19 de Março de 2013

Iceage - You're Nothing

Depois de terem editado em 2011 New Brigade, o disco de estreia, os dinamarqueses Iceage de Dan Kjær Nielsen, Elias Bender Rønnenfelt, Johan Wieth e Jakob Tvilling Pless, estão de regresso com You're Nothing, álbum gravado e produzido pela banda em Copenhaga e que viu a luz do dia a dezanove de fevereiro pela Matador Records.

Quando os Iceage se estrearam nos discos a média de idades da banda rondava os dezassete anos. Dois anos depois, o grupo amadureceu, atingiu a maioridade e o seu som teve repecurssões, já que a sucessão de choques entre voz, guitarra e bateria é agora mais agressiva, intensa e visceral, mas sem deixar de lado a saudável acutilância que os define. Bom exmeplo disso é a curta duração do álbum, doze canções tocadas em apenas vinte e oito minutos e compostas por todos os membros do grupo. A atitude e a energia do punk continuam bem patentes e a voz do vocalista Elias, monocórdica, gasta e esforçada, ajuda em muito à criação da atmosfera negra por cima do pano de fundo punk, principalmente quando surge entrelaçada com pianos e guitarras distorcidas.

Durante a audição de You're Nothing não deves esperar por ouvir canções de amor embaladas por guitarras sujas. O disco apresenta-se como um bloco sombrio e único de som, um soco direto que estraçalha os maxilares e os ouvidos de quem chega desprotegido. Esta estratégia agressiva está desprovida de qualquer proximidade com o comercial e a sujidade que impregna o álbum aprisiona-nos numa espécie de relação de amor ódio com os Iceage.

You're Nothing começa de uma forma algo introspetiva e melancólica com Ecstasy, um tema que une agressão com delicadeza, toada que se mantém em Wounded Hearts ou Everything Drifts. Mas o registo não é sempre este e o ponto alto de You're Nothing será mesmo o equilíbrio musical conseguido em Morals, um tema sobre ilusões amorosas, que pisca o olho ao shoegaze e em que tudo bate certo, desde o ritmo da bateria e baixo, sobre o qual a voz e a guitarra de Rønnenfelt se soltam numa aliança sonora quase inseparável, um tema que poderia muito bem ser a banda sonora de um desfile militar. Gostaria também de realçar Burning Hand, uma canção onde uma guitarra explosiva se junta a batidas fortes de bateria e acordes descontruídos sobre uma voz que pede, insistentemente, para ser ouvida (Do you hear me?)

Numa época em que o punk anda arredado das rádios e tem pouco airplay, é sempre salutar confirmar que há grupos que procuram combater este cenário e que a rebeldia do bom e velho punk rock continua bem viva. Os Iceage relembram-nos que a herança de bandas como os Ramones ou os Black Flag está bem viva e que as reverbações caóticas e as paredes de ruídos sintetizados em avalanches constantes de distorção, às vezes com camadas extra de sons claustrufóbicos, fazem sentido quando atingem o nível de inspiração que estes quatro rapazes dinamarqueses denotam. Espero que aprecies a sugestão...

1.Ecstasy
2.Coalition
3.Interlude
4.Burning Hand
5.In Haze
6.Morals
7.Everything Drifts
8.Wounded Hearts
9. It Might Hit First
10.Rodfæstet
11.Awake
12.You're Nothing


autor stipe07 às 19:50
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Segunda-feira, 18 de Março de 2013

Doldrums - Lesser Evil

Doldrums é o projeto musical do produtor canadiano Airick Woodhead e Lesser Evil o disco de estreia, lançado no passado dia vinte e cinco de fevereiro pela Souterrain Transmissions.

Lesser Evil é um passeio por diversos estágios e épocas distintas da música experimental. Enquanto a aproximação com sons recentes se entranham no brilho pop da produção musical canadiana, os encaixes sintéticos e a busca pelo etéreo levam-nos para uma variedade de outros mundos, que passam de Björk aos conterrâneos Grimes, um cenário pouco exato, com projeções sonoras sintéticas e vozes que se derretem nos nossos ouvidos e onde o óbvio e o tradicional não cabem.

Este músico de Montreal aborda diferentes detalhes sonoros, com versatilidade, tendo sempre a eletrónica como pano de fundo, algo bem patetne logo no ínicio com She Is The Wave, tema que conta com a participação especial de Guy Dallas e pouco depois em Egypt, dois dos principais destaques deste disco.

Cada canção de Lesser Evil tem uma identidade própria, como se cada tema estivesse isolado dentro da grandiosidade de uma obra discográfica que pode ser, em simultâneo, nos seus diferentes momentos, estranha, sombria e ainda assim atrativa, visto ser imensa a capacidade do produtor em lidar com a suavidade e a constante acessibilidade das melodias.

Como nada aqui é convencional e a voz é quase sempre reproduzida num registo andrógeno, como se fosse mais um instrumento, cada instante sonoro de Lesser Evil parece que nos instiga. Seja como for, apesar de tanta disparidade, os onze temas da rodela podem ser agrupados em dois grandes grupos; Por um lado temas explosivos e que até convidam às pistas, como AnomalyShe Is The Wave Sunrise e por outro canções com um cariz mais climático, atmosférico e introspetivo, nomeadamente Singularity Acid Face Lost In Everyone, registos com menor uso da voz e que incorporam um maior cariz experimental.

Apesar das já citadas aproximações às mesmas experiências sonoras climáticas e dançantes que atualmente circulam no cenário musical canadiano e das quais se destacam, no seu universo sonoro, Grimes e Purity Ring, Doldrums é um projeto que mantém uma natureza própria, baseada na sobreposição de sons que hipnotizam e destabilizam em simultâneo e fazem da audição de Lesser Evil um tortuoso (elogio) e sinuoso (outro elogio) passeio sonoro assertivo e inventivo. Espero que aprecies a sugestão...

Intro
Anomaly
She is the Wave (feat. Guy Dallas)
Sunrise
Egypt
Holographic Sand Castles (feat. Sami Nacomi)
Singularity Acid Face
Lesser Evil
Golden Calf
Lost in Everyone
Painted Black
 


autor stipe07 às 19:20
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Domingo, 17 de Março de 2013

Nick Cave And The Bad Seeds – Push The Sky Away

O australiano Nick Cave está de volta aos discos. Lançado pela Mute, Push The Sky Away surge cinco anos após Dig, Lazarus, Dig!!!, mas não se pense que durante este período este artista esteve parado. Gravou discos com os Grinderman explorando sonoridades mais abrasivas, assinou bandas sonoras com Warren Ellis e trabalhou como escritor e autor de guiões para cinema. Assim, parece óbvio que Nick não gosta de apressar a produção de canções nos Nick Cave And The Bad Seeds e que o espaço criativo e emocional reservado para este projeto é sempre muito planeado.


Push The Sky Away é o trabalho do Cave mais próximo do maravilhoso tridente Murder Ballads, Boatman’s Call No More Shall We Part. É um disco íntimo e profundo, de peito aberto para o mundo, ou seja, segue a habitual bitola ideológica de Nick Cave. Há uma dimensão algo atmosférica, sendo o tema homónimo que encerra o trabalho um exemplo perfeito desta descrição. À medida que o álbum corre pelos nossos ouvidos, somos presenteados com observações sobre o mundo e, algumas vezes, o próprio Nick coloca-se no centro da ação, nomeadamente em Jubilee Street e na esquizofrénica e caótica Higgs Boson Blues, um tema de sete minutos cheio de imagens, metáforas e mistério.

O álbum acaba por ter uma audição fluída e nesta viagem melancólica, há travos de gospel e das coordenadas de Leonard Cohen. Em suma, é música sem horas nem sono, sempre pronta, para alimentar romances ou melancolias, ou a afagar quem sofre de males de amor.

Instrumentalmente, as guitarras tocam devagar, e mantêm uma tensão acumulada que nunca se chega efectivamente a libertar, como sucede em Water’s Edge ou We Real Cool. Tanto elas como os violinos e os violoncelos, tanto embalam como arranham. Os arranjos não existem só para decorar e cada efeito orquestrado ou contínuo riff de guitarra serve para endossar a complexidade das composições de Nick Cave.

Push the Sky Away expõe alguma decadência contida e tranquilamente claustrofóbica através de um músico com uma vitalidade imparável e uma carreira cada vez mais notável. A atmosfera criada não chega a sair do limiar dos sonhos e cria diferentes texturas sonoras para o que parece ser uma epifania sonora de Nick e dos seus Bad Seeds. Um turbilhão de emoções acaba por o resultado de uma perfeita sintonia entre voz e banda, o que faz deste álbum a banda sonora perfeita para íntimos momentos de reflexão. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. We No Who U R
02. Wide Lovely Eyes
03. Waters Edge
04. Jubilee Street
05. Mermaids
06. We Real Cool
07. Finishing Jubilee Street
08. Higgs Boson Blues
09. Push The Sky Away


autor stipe07 às 18:12
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Sábado, 16 de Março de 2013

They Might Be Giants - Nanobots

Conforme anunciei em Curtas... LXXVII os norte americanos They Might Be Giants estão de regresso aos discos, com Nanobots, o décimo sexto álbum da banda e que viu a luz do dia a cinco de março do corrente ano, através da Idlewild Records. Já antes, a vinte e dois de janeiro, tinha sido divulgado um EP com o mesmo nome e que de algum modo antecipava, com três canções, o conteúdo de Nanobots. Atualmente, esta banda de Nova Iorque liderada pela dupla John Flansburgh e John Linnell, conta também na sua formação com Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller.

Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas duas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que fas parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras.

Nanobots é mais uma prova concerta da excentricidade deste grupo, da rara graça como combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, algo também plasmado, desta vez, na capa do disco e na duração do mesmo, com vinte e cinco músicas em apenas quarenta e cinco minutos, que nunca sabemos muito bem onde irão parar.

Nanobots divide-se em duas grandes partes, sendo a primeira metade do disco mais luminosa, criativa e feliz. You’re On Fire e Call Your Mom, um instante rockabilly, trazem de volta a refinada ironia da banda, enquanto o lado comicamente educativo e nerd das suas composições está perfeitamente representado, ainda na primeira metade por Nanobots, um tema muito divertido e que chama a atenção pelo pára-arranca das guitarras e as vozes em harmonia, a excelente Black Ops, canção cheia de teclas e uma belíssima percurssão, Tesla e pela nostálgica Circular Karate Chop, tema que abre com um riff clássico e bem oleado.

Na segunda metade temos dez temas, pequenas vinhetas com menos de um minuto que abrangem um vasto universo sonoro, atestando o talento e a variedade musical de um grupo que usa com a mesma mestria cordas, metais e instrumentos de sopro.

Os They Might Be Giants já abandonaram há algum tempo o rótulo de banda para crianças, mas se as crianças os ouvissem diariamente, o mundo seria um local muito mais divertido. Nanobots, um disco sem concessões, está disponível para audição no soundcloud da banda. Confere e espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - Nanobots EP

01. Call You Mom
02. Lost My Mind
03. Black Ops

They Might Be Giants - Nanobots

01. You’re On Fire
02. Nanobots
03. Black Ops
04. Lost My Mind
05. Circular Karate Chop
06. Call You Mom
07. Tesla
08. Sleep
09. Stone Cold Coup D’etat
10. Sometimes A Lonely Way
11. Destroy The Past
12. 9 Secret Steps
13. Hive Mind
14. Decision Makers
15. Nouns
16. There
17. Insect Hospital
18. Tick
19. Replicant
20. The Darlings Of Lumberland
21. Great
22. Stuff Is Way
23. Icky
24. Too Tall Girl
25. Didn’t Kill Me



autor stipe07 às 16:53
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Sexta-feira, 15 de Março de 2013

Shout Out Louds – Optica

Os suecos Shout Out Louds, uma banda de indie rock de Estocolmo, estão de regresso aos discos com Optica, o quarto álbum da carreira deste grupo formado por Adam Olenius, Ted Malmros, Eric Edman, Bebban Stenborg e Carl von Arbin.

A fria Suécia é, há muito tempo, um enorme nicho de criatividade no cenário da música internacional, nas mais diferentes vertentes e estilos musicais, sendo um dos países de origem de bandas e discos mais citados neste blogue. E um distinto representante desse país para a sonoridade indie pop mais festiva são os Shout Out Louds, que chegam ao quarto álbum de estúdio moderadamente enérgicos, mas amadurecidos e com uma assinalável vitalidade.

Num álbum repleto de guitarras marcantes e competentes harmonias vocais, a abertura com Sugar, uma oscilante jornada entre diferentes timbres e momentos, dá o tom pop que Optica assume até o fim, mas não necessariamente na variação que ele enfrenta. O single Illusions chega e traz consigo os sintetizadores e as cores próprias do resgate à estética sonora da década de oitenta. Depois, há os singles Walking in Your Footsteps e Blue Ice, candidatos a serem canções com elevado airplay, devdo às melodias acessíveis e às letras carregadas de encanto, assim como uma qualidade instrumental que ultrapassa o comum.

Em Optica a banda está definitivamente longe do rock acelerado que se ouvia na bem sucedida estreia Howl Howl Gaff Gaff (2005), e aproximam-se da delicadeza de Our Ill Wills (2007) que também já sustentou o conteúdo de Work (2010). Estamos na presença de doze canções com uma acertada relação entre pianos, sintetizadores e percurssão, conduzidas de forma cuidadosa e onde cada realce sonoro é aproveitado como um complemento sonoro que lentamente recheia o álbum com primazia.

Os Shout Out Louds comprovam mestria na forma como sintetizam diversos elementos instrumentais do passado de forma a torná-los atrativos aos nmais novos e denotam elevado acerto na forma como se dividem em instantes de calmaria e que depois se complementam com explosões melancólicas. Chasing The Sinking Sun e Hermila são os dois temas que mais rompem com o conteúdo dos anteriores lançamentos, já que apresentam o grupo às pistas e ao synthpop, algo que poderão aprimorar nos próximos lançamentos.

Fascinados por Morrissey e nitidamente influenciados por toda a discografia dos The Smiths, em Optica os Shout Out Louds ampliam esta relação instrumental e lírica, até porque há uma forte ligação com a sonoridade firmada em Strangeways, Here We Come (1987), um dos melhores discos do quarteto britânico.

A voz é um dos blocos fundamentais de Optica e com um relevo maior do que aquele que era audível em Work. A já referida Illusions, um tema delicado, radiofónico e bastante inventivo será aquele em que esta faceta vocal melhor se exprime, com o bónus de abarcar e sintetizar toda a míriade sonora que carateriza os Shout Out Louds, desde a sua estreia.

Para quem acompanha os Shout Out Louds desde Our Ill Wills, Optica talvez não traga grandes novidades, mas não há como discordar que o novo álbum consegue deixar para trás alguns erros que o grupo denotou em Work, quando mergulhou num cenário sombrio e pouco inventivo, algo que a banda agora compensa com uma soma cuidadosa de vozes e sons bem explorados. Espero que aprecies a sugestão...

01. Sugar
02. Illusions
03. Blue Ice
04. 14th Of July
05. Burn
06. Walking In Your Footsteps
07. Glasgow
08. Where You Come In
09. Hermila
10. Chasing The Sinking Sun
11. Destroy


autor stipe07 às 19:01
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Quinta-feira, 14 de Março de 2013

How To Destroy Angels - Welcome Oblivion

Conforme referi em Curtas... LXXXIII, depois de dois EPs e uma enorme ansiedade por parte dos fãs dos Nine Inch Nails e não só, Trent Reznor viu finalmente o seu projeto How To Destroy Angels, editar Welcome Oblivion, o disco de estreia, lançado no passado dia cinco de março pela Sony.

Os EPs editados em 2010 e 2012 já o anunciavam com clareza, mas quem ainda acalentava alguma esperança de encontrar semelhanças óbvias entre os os NIN e estes How To Destroy Angels, viu, felizmente, cair por terra tal pretensão, caso já tenha tido o privilégio de escutar, na íntegra, Welcome Oblivion. E se Trent, um dos maiores egos do rock atual, tem o protagonismo principal neste projeto, não é de descurar o papel fulcral que Mariqueen Maandiq, a sua esposa, desempenha nesta assumida separação concetual, sendo de saudar, por isso, a nova postura do músico para ceder à opinião de terceiros e com eles colaborar, de forma aberta e sistemática, na produção musical. Recordo que além de Trent Reznor e Mariqueen Maandiq, também fazem parte dos How to Destroy Angels, Atticus Ross (o produtor preferido de Trent Reznor) e Rob Sheridan.

Fazendo uma alusão à recente atração de Trent Reznor por bandas sonoras de filmes, Welcome Oblivion podia muito bem ser a banda sonora de um futuro pós apocalíptico, do Blade Runner se fosse realizado hoje. O disco vive da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral. É deste cruzamento espectral e meditativo que o disco vive, com treze canções algo complexas e bastante assertivas. Esta complexidade é uma das grandes qualidades de Welcome Oblivion, porque espelha a elevada maturidade dos músicos que compôem os How To Destroy Angels e espelha a natural propensão dos mesmos para conseguirem, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe as clássicas guitarra, baixo e bateria.

Assim, há travos daquele espírito industrial, típico dos NIN, mas com uma carga ambiental assinalável, bem patente, por exemplo, nos temas On The Wing And The Sky Began to Scream, mas essas batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Ice Age prova esta minha teoria quando a voz de Maandiq e uma certa toada folk fazem do tema dos momentos mais atraentes e diferentes do disco.  Recusive Self-Improvement é talvez um dos melhores temas do disco; assenta em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um baixo sintético com um volume crescente.

Um dos maiores destaques de Welcome Oblivion acaba por ser o single How Long, uma feliz escolha para amostra, já que, de certa forma, compila toda a arrojada e diversificada míriade sonora do álbum. Seja pelo ritmo do baixo, por causa do ritmo aditivo, da toada gospel, ou da voz hipnótica, How Long está condenada a ser uma das grandes músicas do ano.

Como já terão percebido, nos How To Destroy Angels, outra cedência óbvia de Trent e que já nos faz duvidar sobre quem realmente mandará lá em casa, tem a ver com a primazia da voz; Aqui a condução do microfone está entregue aos belíssimos dotes vocais da sua esposa. Apesar de Trent também cantar, ela assume-se, através da voz, como o principal fio condutor das treze canções, seja através de um registo sussurrante, ou através de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais.

Este extraordinário álbum de estreia de um projeto que merece toda a atenção termina com uma toada mais instrumental, já que os últimos três temas atiram-nos para ambientes eletrónicos de outrora, com os teclados a terem o maior destaque, a construirem diversas camadas sonoras em The Loop Closes e muito bem acompanhados por um piano em Hallowed Ground, um tema plausível como a chuva e onde há uma voz omnipresente entregue a um espírito desolado e que nos remete, devido ao baixo constante, para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno.

Welcome Oblivion tem uma forte componente experimental e aconselha-se audições repetidas para que se tenha a perceção clara do seu conteúdo e dos mínimos detalhes. O sucesso da estreia dos How To Destroy Angels depende da predisposição do ouvinte e do cenário que cada um de nós cria tendo em conta a atmosfera sonora proposta. São sessenta e cinco minutos cheios de momentos brilhantes, com diferentes graus de intensidade e que precisa de um tempo que objetivamente merece. Espero que aprecies a sugestão... 

 

 1. The wake-up
2. Keep it together
3. And the sky began to scream
4. Welcome oblivion
5. Ice age
6. On the wing
7. Too late, all gone
8. How long?
9. Strings and attractors
10. We fade away
11. Recursive self-improvement
12. The loop closes
13. Hallowed ground


autor stipe07 às 22:25
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Quarta-feira, 13 de Março de 2013

Veronica Falls – Waiting For Something To Happen

Roxanne Clifford (voz e guitarra), James Hoare (voz e guitarra), Marion Herbain (baixo) e Patrick Doyle (bateria) juntaram-se em 2009 para fazer música e assim nasceram os Veronica Falls, uma banda de Londres que estreou nos discos em 2011 com um homónimo que lhes deu imensa visibilidade. Agora, no passado dia quatro de fevereiro, chegou o sempre difícil segundo disco. O álbum chama-se Waiting For Something To Happen, foi lançado pela conceituada Bella Union e mostra uns Veronica Falls amadurecidos e com novos ingredientes sonoros, carregados de romance e de alegria.

As treze canções de Waiting For Something To Happen equilibram-se entre guitarras ásperas e uma forte cumplicidade entre as vozes, as almas e os corações de Roxanne e James, algo bem audível em If You Still Want Me e em My Heart Beats, enquanto a bateria e o baixo cumprem com mestria o seu papel. Esta harmonia deve-se certamente também ao excelente trabalho de produção, que esteve a cargo do experimentado Rory Attwell, repsonsável por álbuns dos The Vaccines. Ele também deu uma sonoridade um pouco mais retro e típica dos ambientes nascidos na indie pop dos anos oitenta e noventa aos Veronica Falls, aproximando-os das inevitáveis influências que deverão ser os conterrâneos The Cure, Elastica e The Cranberries.

Quase ingenuamente, com o seu gosto genuíno pelos sons feitos com o ambiente de garagem e utilizando o conceito single pop de três minutos, que se escuta enquanto se fuma um cigarro, como disse Damon Albarn certo dia, os Veronica Falls acabaram por acordar os fantasmas, por sinal muito bem vindos, dos R.E.M e dos The Smiths, conseguindo ser seguros, aventureiros e competentes.

Ousados e a denotar uma tremenda evolução lírica, logo na abertura, em Tell Me, os Veronica Falls perguntam-nos: Tell me, what are you thinking? Follow me, There’s no Reason to Stay. E nós ficamos tentados a ir e a ficar, de tal forma que na segunda canção, Teenage, parece que já fazemos parte do conteúdo de Waiting for Something To Happen e que toda a magia deste grupo londrino já se entranhou no nosso íntimo, de tal forma que damos por nós a acompanhar os refrões e a bater o pé no chão.

Talvez imbuídos por uma qualquer seta de um cupido com sede de guitarras e vozes melodiosas, avançamos para Broken Toy, um tema viciante e desarmante, que parte qualquer coração, por mais impenetrável que julgue ser. O tema homónimo remete-nos para o tempo ameno que se aproxima e Falling Out é uma das canções mais orelhudas, já que o diálogo inicial entre bateria e baixo, apoiadas na voz melodiosa de Roxanne, é muito bem conseguido. A música cresce e ganha corpo com o avançar do tempo. Mais rápida, So Tired afasta a letargia e coloca mais adrenalina nos nossos ouvidos.

O sexo feminino encabeça este projeto, não só na componente lírica repleta de referências ao amor, ao perder e ao ter, mas também musicalmente, já que o ambiente melódico criado é luminoso, com um tom doce, angelical, delicado e apaixonado. Em Waiting For Something To Happen, pressentem-se dias soalheiros e cores vibrantes e este quarteto deixa de ser, no universo indie, uma promessa, para se tornar numa viciante certeza que resulta da cadência de acordes simples, mas deliciosos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tell Me
02. Teenage
03. Broken Toy
04. Shooting Star
05. Waiting For Something To Happen
06. If You Still Want Me
07. My Heart Beats
08. Everybody’s Changing
09. Buried Alive
10. Falling Out
11. So Tired
12. Daniel
13. Last Conversation


autor stipe07 às 21:01
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Curtas... XCI

Venera é o EP mais recente dos australianos Hey Big Aki, um coletivo de seis músicos que se estreou com um outro EP em 2012 e com um conjunto de influências que vão dos Grizzly Bear, aos The National, passando pelos Phoenix ou os Animal Collective. Os Hey Big Aki estão a disponibilizar no seu soundcloud Ordinary Folk, um dos temas de Venera.

Hey Big Aki - Venera

01. Patina
02. Something To Go
03. Sweet Lime
04. Ordinary Folk
05. City Sighs (Bonus Track)

 

 

Cascatas é o segundo single retirado de Quadro, o segundo álbum dos Trêsporcento, uma banda formada por Tiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista). É uma das canções de Quadro que há mais tempo tem vindo a ser tocada ao vivo pela banda; durante o período de arranque do processo de escrita do álbum, Cascatas serviu de mote, quase como manifesto fundador, e surge agora como escolha natural para single de um disco que brevemente merecerá uma crítica neste blogue e, possivelmente, uma entrevista com a banda. Fica atento/a!

 

Os Wavves de Bethany Cosentino e Nathan Williams estão de regresso aos discos. Depois de se terem estreado, em 2010, com o aclamado King of the Beach, ao qual se sucedeu o EP Life Sux em 2011, Afraid of Heights é o álbum que se segue, com edição prevista para vinte e seis de março, através da Mom+Pop Records. Fica o primeiro single...

 

James Blake continua a surpreender e a deixar para trás a sonoridade etérea e introspetiva que marcou a sua estreia, mas sem colocar totalmente de lado as vozes sintetizadas e instrumentais e as texturas eletrónicas que apresentaram o produtor inglês ao mundo no final da década passada. Pelo menos é o que a experimental Digital Lion tenta incorporar nos quase cinco minutos de planos etéreos e batidas que remetem para diferentes estágios da eletrónica, uma canção que conta com a participação do veterano Brian Eno, um complemento necessário e um ponto de óbvia transformação dentro da carreira do jovem produtor.

 

Os sons e as principais referências que acompanharam a década de sessenta sempre serviram de inspiração para o trabalho da dupla Best Coast. Bom exemplo disso está na maneira como as melodias são romanticamente abordadas em The Only Place, o segundo e mais recente trabalho de estúdio do casal californiano. Para reforçar ainda mais a aproximação com o passado, bem como a própria melancolia que habita a recente fase da banda, Crying, um original do veterano Roy Orbinson, foi escolhida para se transformar nas mãos da dupla com essa nostalgia do passado e tingida, de forma natural, pelo sofrimento que habita a voz de Bethany Cosentino.


autor stipe07 às 13:43
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