01. Forever, Until
02. Supersoaker
03. No Sharing
04. Prettiest Pills
05. You’re Not That Great
06. Holiday Man
07. Native America
08. Paper Lungs
09. Stay Sedated
10. The Woods And The Fire
11. My Mary
Dog Bite é um projeto musical que nasceu na mente de Phil Jones, um músico norte americano com raízes em Atlanta, que depois de andar em digressão com os Washed Out, ao comando das teclas, resolveu convidar membros dos Mood Rings e dos Red Sea, assim como Cameron Gradner, baterista que também andou em digressão com os Washed Out, para formar uma banda. Velvet Changes é o disco de estreia dos Dog Bite e foi editado no passado dia cinco de fevereiro pela Carpark Records, uma editora de Washington, casa de Toro Y Moy e dos Cloud Nothing, dois projetos cuja simbiose das duas sonoridades, a chillwave do primeiro e o rock experimental do segundo, descrevem com alguma precisão o conteúdo de Velvet Changes.

Fortemente influenciado por nomes como J Dilla, Portishead, Caribou e os The Roots, para estes Dog Bite e o álbum Velvet Changes, Jones também se deixou levar pelo artista neozelandês Connan Mockasin e um filme de 1975 chamado Picnic at Hanging Rock. Jones usa a primeira metade desse filme como ponto de partida para a conceção do álbum e utiliza na escrita das canções as suas próprias narrativas para explicar o grande dilema do argumento dessa película que se baseava num piquenique organizado por um grupo de alunas e um professor e uma parte do grupo que desaparece sem motivo concreto. Neste aparente pesadelo psicadélico, Velvet Changes pode não chegar a nenhuma conclusão sobre o que terá sucedido, mas asseguro-vos que as letras deixam pistas curiosas acerca dos motivos para tão inusitado e misterioso evento. Um bom exemplo disso é este excerto de Supersoaker, Hot dream, warm touch, cool bed, you’re tough.
Do surf rock de Forever Until à nostalgia da musa My Mary, a sonoridade das canções assenta na típica dream pop lo fi com origem há umas duas décadas, onde o sintetizador e as guitarras melódicas assumem a primazia na condução sonora. Mesmo no meu tema preferido do álbum, You're Not That Great, cujo início é feito por uma linha de baixo que segue até ao fim, rapidamente a guitarra se sobrepõe e indica o rumo futuro da canção. O mesmo acontece em Native America, com a bateria inicial a ser rapidamente domada e dominada pelas cordas distorcidas e cheias de efeito.
Parece um cliché esta descrição para quem acompanha com regularidade as publicações deste blogue, mas a verdade é que desde que nomes como os Best Coast, The Walkmen ou Wavves, entre tantos e tantos outros, começaram a replicar com sucesso este subgénero da pop, muitos outros se seguiram com apreciável sucesso. Os Dog Bite acompanham a tendência, ainda por cima com a particularidade de adicionarem em maior quantidade ao sintetizador detalhes da chillwave e da eletrónica e assim criarem este caldeirão sonoro algo retro.
Para promover Velvet Changes, os Dog Bite preparam-se para andar em digressão com Toro Y Moi, que também anda a divulgar o extraordinário Anything in Return. Espero que aprecies a sugestão...
Depois do EP Assembly, que divulguei em março do ano passado, os Elephant de Amelia Rivas e Christian Pinchbeck estão de regresso com Skyscraper, um novo single, que será editado a vinte e cinco de março. No entanto, já é possível fazer o download do tema no bandcamp da banda...
Os Mint Julep têm música nova. O single chama-se Tame, está disponível gratuitamente e de acordo com o próprio grupo, não fará parte do alinhamento de nenhum disco futuro dos Mint Julep, nomeadamente Broken Devotion, a rodela já anunciada. Enjoy!
Os Morfina, um novo projeto de rock alternativo de Castelo de Paiva estão prestes a editar o seu EP de estreia intitulado O Alvo E A Seta. Para já, confere o teaser...
Chocolate Human Heart é o novidade mais recente novidade dos The Flaming Lips e comprova novamente que esta banda norte americana é uma das mais inventivas da atualidade, não só em termos musicais, mas também nos formatos físicos dos seus lançamentos. Agora, para celebrar o São Valentim, editaram esta compilação de canções de amor da autoria do grupo, numa pen USB inserida num enorme chocolate em forma de coração. O chocolate é verdadeiro, comestível e foi criado por uma empresa de Dallas chamada Dude, Sweet Chocolate. Cada exemplar é assinado pelos próprios Wayne Coyne e Steven Drodz.
01. Valentine’s Theme 2013 Greeting
02. Love Is Mind Control (Featuring Stardeath And White Dwarfs)
03. Be My Head
04. Can’t Exist
05. Hit Me Like You Did The First Time
06. Let Me Be It
07. Moth In The Incubator
08. Sunship Balloons
09. Thanks To You
10. The Spiderbite Song
11. When You Smile
12. With You
13. Pompeii Am Götterdammerung
14. What Is The Light?
15. Just Above Love
16. All You Need Is Love (Featuring Alex And Jade of Edward Sharpe And The Magnetic Zeros)
Os Summer Hours são um trio de Nova Iorque formado por Rachel Dannefer e Mike Bliss, que se conheceram no Oberlin College e formaram a banda em 2000, com o nome La Pieta. O primeiro disco, Summer, viu a luz do dia ainda esse ano através da Contraphonic Records, ao qual se seguiu Inside Out, em 2003. O baterista Griffin Richardson juntou-se à banda em 2006 e no ano seguinte alteraram o nome para Summer Hours e assinaram pela Deep Elm Records. Este grupo costuma demorar algum tempo a lançar novos trabalhos já que os membros da banda têm uma vida pessoal que os afasta para diferentes pontos do país de origem e os apreciadores dos Summer Hours aguardam sempre com enorme expetativa por novidades. Na verdade, há relatos de que a música deste grupo costuma tocar profundamente no âmago de quem os acompanha com devoção. E essas novidades chegaram no início de 2013; Conforme anunciei num recente Curtas..., Closer Still, produzido por Richard Upchurch nos estúdios Parkside, é o último disco da banda, lançado no passado dia cinco de fevereiro pela Technical Echo Records e está disponível para download no bandcamp da banda.

A propósito de Closer Still, Mike Bliss referiu recentemente: As music lovers, we know how much a great album or song can mean to a person. We want people to feel like our music understands them, supports them, and accompanies them in their life. E na verdade, os Summer Hours parece-me que vão ser bem sucedidos nessa pretensão com este novo álbum. Close and Closer, o primeiro single retirado de Closer Still e oferecido pela banda, é uma canção comovente e que balança entre o shoegaze e a melhor pop rock da década de noventa. E ao longo do disco, também com uma forte raíz acústica, bem patente, por exemplo, em Winter e Seven Count, são as cordas de Mike, um apaixonado pelo hardcore, punk, post-punk e metal e a voz doce de Rachel, uma admiradora confessa da indie pop, quem ditam as regras deste grupo de talentosos músicos, apesar de em Organ Song haver também um belíssimo piano e que, ainda por cima, toca sobre imaginary boyfriends e o amor.
Apesar de à primeira audição tudo parecer relativamente simples nos Summer Hours, há uma inusitada complexidade estrutural e instrumental em Closer Still, algo que advém, certamente, da míriade de influências da dupla em que a banda assenta. E esse tal amor, também na sua vertente mais sofredora e nostálgica, é o tema perfeito das letras, porque também, por ser um sentimento cheio de vida e musicalidade, é algo nem sempre simples, belo e linear. Cada canção assenta no baixo encorpado e nas melodias aditivas que a guitarra cria e soa exatamente ao pretendido. Toda essa vertente sonora capta com emoção, bom gosto e eficácia a energia e a profundidade das letras.
Os Summer Hours são mais um daqueles estranhos casos de uma banda que ninguém percebe como se mantêm tanto tempo longe dos holofotes. Espero que aprecies a sugestão...

Como é carnaval, o samba é a banda sonora do dia. E todos precisamos, diariamente, de sorte. Fica o Samba Enredo do Grupo de Samba Tribal, A.R.C de Estarreja, em modo É Fartar, Vilanagem. Sorte para eles hoje...
Os Great White Buffalo são uma banda rock de Los Angeles formada em 2010 por Graham Bockmiller (guitarra e voz), Stephen Johnson (guitarra e voz), Paul Hiller (baixo) e Rich Carrillo (bateria). Considerados pela publicação Pigeons and Planes como uma das dez bandas dessa cidade da costa oeste norte americana que merecem toda a atenção, lançaram no passado dia trinta de janeiro um EP homónimo que está disponível para audição e download no bandcamp da banda. Great White Buffalo sucede a Tightrope, um outro EP lançado em abril do ano passado.

Amor de Días, é o projeto da dupla Alasdair MacLean dos The Clientele e Lupe Núñez-Fernández dos Pipas. De acordo com o anunciado num recente Curtas..., no passado dia vinte e nove de janeiro lançaram The House At Sea, o segundo registo do projeto, através do selo Merge Records.
Street of the Love of Days, o primeiro disco do grupo, lançado em 2011, é uma espécie de compilação já que tinha sido o resultado do encontro dos músicos durante os finais de semana e feriados, ao longo de três anos, na companhia de amigos e outros artistas. Por isso, havia um forte clima intimista nesse disco, influenciado pela bossa nova, a folk psicadélico e outras texturas instrumentais, que acabaram por criar raízes e sustentar a génese sonora dos Amor De Días, muito mais ligada à sonoridade dos The Clientele do que dos Pipas. Assim, é com toda a naturalidade que encontramos esta míriade sonora, dentro de uma paleta sustentada pela folk, em The House At Sea, mas com uma sonoridade mais pop, algo bem patente em Jean’s Waving, o primeiro single do trabalho.
A melancolia está muito presente ao longo do disco, algo que é realçado pela voz de MacLean e ao que não será alheio o facto de o álbum ter sido idealizado enquanto a dupla se dividia entre Londres e Madrid. Assim, estando a folk na posse da batuta, esta mescla acabou por conferir um certo cariz mediterrânico e luminoso ao longo do disco, que acaba por funcionar como uma espécie de álbum fotográfico das viagens dos seus autores.
Já agora, chamo a particular atenção para o simples e encantador vídeo do single Jean's Waving, dirigido por Grant Wilkinson e que acompanha a dupla numa tarde, num campo perto de um lago. Espero que aprecies a sugestão...
01. Voice In The Rose
02. In the Winter Sun
03. The House At Sea
04. Day
05. Jean’s Waving
06. Hampshire Lullaby
07. Viento Del Mar
08. The Sunlit Estate
09. Piedras Rotas
10. Same Old Night
11. Under The Glass
12. Maureen
Os La Big Vic são Toshio Masuda, Emilie Friedlander, Peter Pearson, uma banda norte americana de Brooklin, Nova Iorque, que se estreou nos álbuns em 2011 com Actually. Conforme referi no Curtas... LXXVIII, este grupo acaba de lançar Cold War, o sucessor, tendo-o feito no passado dia vinte e nove de janeiro pela Underwater Peoples.

Toshio Masuda é um produtor e multi instrumentista japonês, com um passado na pop e no R&B e foi ele quem tomou a iniciativa de começar a banda em 2009, com Emilie Friedlander, uma cantora e, imagine-se, jornalista de crítica musical.
Rapidamente surgiu Peter Pearson, um compositor e teclista, que também se dedica nos tempos livre a restaurar sintezadores antigos e que adora mexer em sons analógicos e interessa-se particularmente pela eletrónica dos anos setenta e pelo trip hop. Com esta reunião repleta de oportunidades e este caldeirão, em Cold War os La Big Vic capturam com perfeição o clima underground da big apple e atiram-se de cabeça na pop experimental que encontra tanta inspiração nesta cidade.
Na verdade, é complicado encontrar bandas com uma sonoridade similar ao que os La Big Vic propôem. E esté é, desde logo, um enorme elogio que lhes pode ser feito. A banda desliza facilmente por terrenos tão díspares como o jazz e o trip hop, as batidas típicas do hip hop são uma presença constante e não há, por exemplo, muitas bandas de rock a usar o violino como instrumento de base e em conjugação com sonoridades eletrónicas. Os La Big Vic fazem este junção com bom gosto e servem-se destas duas vertentes, em conjunto, para criarem uma base melódica melancólica e que consegue fazer-nos imaginar românticas narrativas, algo que até a mim me surpreendeu já que, particularmente, nunca apreciei a sonoridade deste instrumento noutros territórios sonoros sem ser o mais clássico.
O disco tem arranjos exuberantes e cheios de brilho e tal deve-se ao talento de Toshio, que misturou o disco no estúdio montado no seu quarto, mas também à técnica de Steve Griesgraber, que tratou das vozes e do violino, nos estúdios Soft Landing.
Cold War molda os La Big Vic de acordo com o turbilhão de influências musicais que os define, é uma espécie de carta de amor à cidade que nunca dorme, através do som de três músicos que conhecem melhor que ninguém as suas ruas, segredos e esconderijos e os seus desejos mais inconfessados. Espero que aprecies a sugestão...
1. Cold War
2. Emilie Say’s
3. All That Heaven Allows
4. Nuclear Bomb
5. Ave B
6. Save the Ocean
7. Cave Man
8. Charlotte Francis Practice
Os Airstrip são uma banda norte americana liderada por Matthew Park, dos extintos Veelee, ao qual se juntaram Tre Acklen dos Gross Ghost e John Crouch e Nick Petersen, dos Horseback. Após terem andado em digressão durante o último ano e a abrir concertos dos Godspeed You Black Emperor, foram até aos estúdios Track And field, em Carrboro, na Carolina do Norte, estado natal, onde gravaram Willing, o disco de estreia, lançado no passado dia cinco de fevereiro pela Holidays for Quince Records.

Willing é um quadro sonoro pintado com guitarras melódicas que constroem cenários policromáticos nos nossos ouvidos. Descrito pelo vocalista como uma súmula de nightmare pop, este disco de estreia dos Airstrip começa desde logo com uma declaração da guitarra: Let’s prevent your face from sagging. Pick them up, your feet are dragging, canta Matthew Park, com um tom algo sarcástico mas que avisa, desde logo, para o que aí vem; Nove canções hipnotizantes e intensas, dominadas por essas guitarras algo cruas e que se deixam envolver numa nuvem de distorções leves e acolhedoras.
Mas o baixo de Nick Petersen é também um instrumento essencial em Willing; Basta ouvir So-So e Pleasure's Center para perceber uma certa toada psicadélica e a componente hipnótica e que de algum modo justifica a tal definição que Matthew confere à sua música e ao conteúdo deste disco.
Os Airstrip replicam influências, mas já apresentam uma sonoridade distinta. Fazem uma revisão da psicadelia, buscam pontos de encontro com o rock mais clássico e são outra banda que contraria quem anunciou já a morte do rock, porque dominam a fórmula correta para adicionar à canção, no momento certo, diferentes ritmos e andamentos e conhecem as complexas texturas sonoras que são essenciais para criar a sonoridade visceral e psicadélica que tão bem nos apresentam nesta estreia.
Estão disponível no bandcamp da banda, para download gratuito, três dos temas de Willing; Middle Of Night, Magician's Assistant e So-So. Espero que aprecies a sugestão...
Pleasure Center
Middle Of the Night
Bitching Hour
Sleepy
Happenstance
I Hit A Wall
So-So
Angry Bed
Magician's Assistant
Os My Bloody Valentine estão de volta. Depois de vinte anos de espera, finalmente Kevin Shields resolveu apresentar ao público o sucessor da obra-prima Loveless, fazendo de M B V, o álbum prestes a chegar, o terceiro registo oficial da carreira da banda irlandesa. Composto por nove canções e uma sequência abafada de ruídos, vozes sujas e distorções, o disco é um verdadeiro presente para os fãs do grupo. Com a produção a ser assumida pelo próprio Shields e com algumas experimentações eletrónicas, o trabalho deverá alimentar a digressão que a banda vai iniciar.
Foi com este classificado no The New York Times que os Vampire Weekend anunciaram o nome do novo disco da banda, Modern Vampires e a data de saída, sete de maio.
![Foi assim que os @[146487481057:274:Vampire Weekend] anunciaram o nome do novo disco e a data de saída: “Modern Vampires of the City, May 7, 2013″ Assim mesmo nos classificados do @[114333438583685:274:The New York Times] !](http://sphotos-c.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/s480x480/404815_10151486590622495_1220742782_n.jpg)
Conforme anunciei no Curtas LXXIX..., os Atoms For Peace, um outro projeto de Thom Yorke, preparam-se para lançar AMOK, o disco de estreia. Entretanto disponibilizaram no seu site What The Eyeballs Did, um tema que não fará parte do alinhamento de AMOK. Com alguma paciência e vontade, tenta descobrir o tema na página da banda e depois usufrui... Vale bem a pena!
O projeto Helado Negro tem novo disco no início de março. Dance Ghost, o primeiro single, está disponível, em modo ÉFV. Confere...
Lançado com o apoio da Let's Start A Fire e pela Azáfama no passado dia quatro de fevereiro, Em Banho Maria sucede ao EP Um Caso Perdido e é o novo disco de O Martim, de nome próprio Martim Torres, um contrabaixista de origem e um rapaz com música a correr-lhe nas veias e que em Abril deste 2012 lançou-se para os registos em nome próprio. Em Banho Maria foi gravado no início de 2012, algures entre Belém e o Cais do Sodré e conta com as participações de David Pires, na gravação das baterias acústicas e nos arranjos e de Tony Bruheim que gravou as linhas de saxofone no single Banho Maria. O Martim gravou vozes, baixos, guitarras, beats e produziu o disco no seu estúdio caseiro e algumas canções, como a Belzebu, Meu Amor e a Cafuné, tiveram o dedo de B Fachada na mistura, que também contou com o contributo de Eduardo Vinhas.

Muitos de nós já conhecemos este trabalho devido ao single homónimo, que tem passado com alguma insistência em várias rádios e que já fez com que este músico fosse considerado por vária crítica como a nova coqueluche da pop portuguesa. No entanto, ele pede tempo antes de fazerem uma avaliação tão séria daquilo que vale e pleo menos mais um ou dois discos para que possa sentir-se seguro com tão importante estatuto.
Martim Torres começou por gravar sozinho a maior parte dos temas do álbum e depois adicionou um baterista, David Pires, que deu uma nova vida às batidas programadas iniciais. Com um bom conjunto de canções, a dupla consegue concertos e é confrontada com a necessidade de completar a banda. O baterista permanece no seu posto e a eles junta-se o exímio António Quintino no baixo eléctrico e, mais tarde, a versátil Íris Sarai nos teclados. Então, O Martim deixa de ser um projeto a solo e torna-se em algo mais coletivo, numa simbiose entre quatro músicos que tornam realidade histórias que falam de uma Lisboa onde tudo pode acontecer, musicadas com os traços habituais da pop, do punk e do rock, aos quais se acrescentam alguns detalhes típicos de universos mais quentes e tropicais.
O próximo grande concerto importante de O Martim vai ser amanhã no Ritz Clube. Confere a entrevista que Martim me concedeu e espero que aprecies a sugestão...

Depois do EP Um Caso Perdido, surgiu finalmente Em Banho Maria, o teu primeiro disco a solo. Antes de mais, quem é a Maria?
A Maria... ora bem, talvez seja melhor falar antes do título completo: Em banho Maria. Tem um significado ambíguo, refere-se em primeiro lugar ao facto de eu ainda me estar a descobrir, ainda a encontrar a minha identidade como cantautor, a escrever as primeiras canções, a “cozinhar em banho maria”. Em segundo refere-se à visão oasiana da tal Maria a tomar banho. Pensei no título do disco antes de escrever a canção (banho Maria) esta foi-se desenvolvendo para vir a contar a história de um rapaz frustrado com o amor que não consegue arranjar maneira de encontrar parceira. A Maria acaba por ser a representação de algo em que se consegue tocar mas não se consegue ter ainda completamente, ou da imagem utópica que criamos de alguém com quem queremos estar e que pode não corresponder à realidade. Portanto a Maria é no fundo a expectativa, uma espera sem garantia....
Li algures que não gostas de te considerar um poeta, mas não posso deixar de ler as letras das tuas canções e, além das rimas, sentir que há algo de autobiográfico na tua escrita. És então mais do que um simples poeta, um poeta cantautor?
Não sei quanto a isso. De facto nunca percebi muito de poesia e com certeza que é preciso mais do que rimar para ser poeta. Sou um cantautor, é certo, já que canto as canções da minha autoria, mas não me posso assumir como poeta só porque comecei a escrever.
No príncipio tinha um trauma meio parvo sobre a minha escrita, quando ouvia o Fachada a cantar as músicas dele achava que não estava a altura de fazer canções, não sabia escrever assim e não devia sequer tentar. É claro que não devia tentar, mas não devia tentar era escrever como ele. Explicou-me que eu tinha de escrever como eu próprio. Foi ai que percebi que tinha que aceitar aquilo que sou, e ser autentico naquilo que escrevo e que faço. Usar a minha maneira de falar, a minha métrica, encontrar o meu dialecto. Se isso é poesia ou não, deixo ao vosso critério.
Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse, em particular o que se faz na América do Norte e que revive antigas sonoridades punk rock do início dos anos oitenta. Pode-se dizer que, em simultâneo com a tua paixão pelo jazz e o blues, o rock feito de canções que sabem tão bem e se esfumam tão rápido como um cigarro são também uma das tuas maiores influências, independentemente da míriade sonora presente em Em Banho Maria? Se estiver errado, corrige-me!
Claro que sim, não estás nada errado. Quando comecei a estudar música dediquei-me ao jazz, mas antes dessa odisseia ter início, tudo o que eu ouvia era rock e punk. Ao longo dos anos o Miles, o Pastorius e o Paul Chambers puxaram as minhas atenções só para eles. Mas felizmente o Rodrigo Amarante, o Marcelo, o Julian e o Albert Hammond jr. foram-me relembrando que a música vai para além do jazz...
Quando somos mais novos, vivemos as coisas de uma maneira diferente, parece que há uma despreocupação maior e acabamos por fazer as coisas de uma forma mais pura. Absorvemos tudo mais naturalmente, e as primeiras coisas que aprendemos acabam por ser as que nos definem. É muito raro eu tocar em algum projecto onde sinta aquilo que sentia na altura, aquela energia... Foi essa energia que me entusiasmou para começar a estudar música e fazer vida disso. O problema é que é muito fácil ao longo desse percurso esquecermo-nos daquilo que nos motivou a começar. Quando se decide estudar música é comum ficarmos obcecados com o ser o melhor a tocar o nosso instrumento, perder muito tempo a estudar teoria, etc... Não digo que isso não seja importante, mas não podemos deixar que se torne prioritário.
Quis formar “O Martim” para poder voltar a escrever as canções que me saem naturalmente, despreocupado com tudo o resto, regressar às origens. E as minhas origens são essas mesmo, canções simples que se tiverem um toque rockeiro e uma distorção aqui e ali só se tornam melhor ainda.
Há quem te considere a nova coqueluche da pop nacional. O que tens a dizer em tua defesa?
Deixem-me lá gravar mais um disco ou dois antes de se porem com essas coisas...
O vídeo do single Banho Maria é muito simples, mas extraordinário e cheio de participações e personagens, digamos assim. Ficou muito caro?
Não, a bandeja de cocaína que se vê no vídeo não é a sério, por isso não gastámos muito dinheiro. Acho que posso com alguma certeza dizer que não terá sido a produção mais cara do ano .... Conseguimos fazer as coisas com um orçamento muito pequeno. Arranjámos maneira de transformar um pequeno estúdio numa casa de banho de paredes vermelhas com papel de parede da loja dos chineses e filmar a coisa em dois dias. Acho que onde gastámos mais dinheiro foi no aluguer da banheira, mas que valeu bem a pena. Sempre imaginei o clip com uma banheira como aquela que havia em casa da minha avó onde eu tomava banho quando era pequenino, e esta era igualzinha! Tenho a sorte de ter muitos amigos actores que tiveram gosto em fazer parte do video e proporcionar umas risadas boas. E claro, quando se trabalha com pessoas competentes e criativas como os senhores Filipe Casimiro e Francisco Steinwall da Pipoca filmes tudo isto se torna num processo organizado e divertido. (gostaram do props?)
A propósito da tua predileção pelo baixo, quando comecei a ouvir os primeiros segundos do single Banho Maria, o primeiro click que tive foi… Parece mesmo aquele baixo dos Joy Division. Mas não tem nada a ver, pois não?
Sou grande fã de Joy Division. Sabes que há coisa de uns meses atrás pus-me a ouvir assim de rajada alguns discos deles. Talvez até tenha sido perto da altura em que estava a escrever a banho Maria. Eu já nem me lembrava, mas é na verdade bem possível que tenha muito a ver com isso. Eles são incríveis, a simplicidade e som daquelas linhas de baixo ficam na cabeça de qualquer um...
Tens uma canção preferida neste álbum?
Talvez Cais do Sodré, gosto da linha de bateria que o David compôs. A canção representa uma fase interessante da minha vida, na qual eu só pensava em não pensar. É uma fase que não é necessáriamente bonita, mas que faz parte de mim e eu gosto de me lembrar dela. Deu aso a muitos desenvolvimentos interessantes. Costuma-se dizer que de decisões erradas podem surgir as coisas certas (ou qualquer coisa assim), pois eu também acho.
Sei que tocas com ele. Por isso, o que surgiu primeiro… As idas à casa do B Fachada ou a última canção do disco?
Tocava. Antes de ele comprar uma mpc e perceber que dá pra fazer concertos grandes sem banda... maldita mpc!!
Se bem me lembro, as primeiras idas não eram minhas a casa dele, mas sim dele à minha, que era onde ensaiávamos. Eu conheci o Fachada por acaso numa noite de bairro alto como outra qualquer. Estavamos sentados na mesma mesa sem nos conhecermos e pusemo-nos a falar. Ele queria começar a tocar com um contrabaixista, e eu tive a sorte de estar no sítio certo à hora certa. Nessa altura ele ainda morava em Cascais.
Uns tempos mais tarde, comecei também a escrever umas coisas, e assim que tive um primeiro esboço de disco apresentável comecei a ir eu a casa dele (que agora tinha passado a ser lá para os lados de Sintra) para ele me ajudar a dar uns toques naquilo.
A última canção do disco fala justamente de uma das minhas desventuras em que o nome do senhor Fachada veio à baila. Sem querer entrar em muitos pormenores levei a tampa mais engraçada da minha vida quando me disseram “desculpa, mas tu não és o B Fachada”.
Como tem corrido a promoção ao disco? Fala-nos de locais e datas futuras…
Tem sido bom. Muito graças ao fortíssimo trabalho da gigante Raquel Lains, e do mestre Pedro Valente. Mas também a todos os meus amigos e fans que não se cansam de me dar apoio e acreditar no projecto. Especialmente o meu caro amigo Nilton, que apostou n´O Martim desde o primeiro dia.
O próximo concerto grande, aquele que ninguém pode falhar, vai ser no Ritz Clube na sexta feira dia 8 de Fevereiro. É o concerto oficial de lançamento do Em banho Maria e vai contar com a participação de alguns músicos convidados do altíssimo gabarito. E mais! No preço do bilhete está incluída uma cópia do disco.
Antes disso ainda vai haver um mini-concerto na casa de banho mais sexy do mundo da Renova, a “world´s sexiest WC” que fica ali no terreiro do paço. Quinta feira dia 17 de Fevereiro. Para quem puder, acho que não deve perder a oportunidade. Não é todos os dias que temos a possibilidade de ouvir um concerto numa casa de banho. Ainda por cima, uma com este nível.
O que podemos esperar do futuro discográfico de O Martim?
Mais discos, claro! Ainda estamos muito no princípio. Quando eu me sentei a mesa pela primeira vez com a Raquel Lains (let´s start a fire) para falar do disco e de como iam ser as coisas estava cheio de moral a dizer que queria lançar dois discos por ano. Ela com muita calma, olhou para mim e disse uma frase que já me era familiar, “Martim, tu não és o B Fachada...”. Então decidi relaxar e pensar em qualidade, em vez de quantidade. Um disco de cada vez.
Agora que a banda cresceu, vamos começar a trabalhar as músicas em conjunto. Já andamos a carburar no segundo disco, ainda sem título, no qual queremos ter alguns convidados, para além de uma secção de sopros. Não sei se sabes, mas o senhor António Quintino (baixista da banda) não só é um dos melhores contrabaixistas nacionais, como é também um soberdo compositor. Temos passado os primeiros dias de 2013 a fazer sessões para preparar os arranjos, por isso em breve podem contar com novidades.
Man On The Moon já tem versão vídeo. Confere o Take I, referente ao álbum Help Me!, da autoria dos suecos The Sweet Serenades.
Este filme resulta de uma parceria com a Everything Is New, estando em fase de estudo e análise a continuação. Espero que gostes!

The Weatherman é o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, que se estreou em 2006 com Cruisin’ Alaska, ao qual se sucedeu Jamboree Park at the Milky Way (2009). Agora, no início de 2013, mais concertamente no passado dia vinte e oito de janeiro, chegou Weatherman, a terceira rodela deste cantautor cujo universo pop e pisicadélico sonoros nos remetem para um mundo sonoro diversificado e versátil, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual.
A primeira ideia implícita em Weatherman e que o autor não rejeita totalmente, apesar de considerar que não escreveu canções como se fossem propriamente um diário, ou com a intenção de se expor, nomeadamente na entrevista que me concedeu e transcrita abaixo, tem a ver com, em Weatherman, ter havido uma maior ousadia lírica, já que estas canções sabem ao próprio autor e poderão contar histórias da sua própria existência, através de letras pessoais e intimistas, em contraste aos registos anteriores.
Masterizado por Tim Debney (Thom York, Lilly Allen, Kasabian, Gorillazz, Super Furry Animals, entre outros) no Fluid Mastering em Londres e com uma produção impecável a cargo de João André, sonoramente o disco é homogéneo, tem canções muito alegres e que tanto dão para abanar a anca, como para apelar aos nossos sentimentos mais profundos. As mesmas estão cheias de sintetizadores, teclados e arranjos orquestrais que alternam entre a tal pop, o rock e a própria folk. Delas destaco o fantástico single Proper Goodbye, a belíssima Fab, a delicada I’ve Come Home e a divertida We All Jumped In.
Weatherman é uma sólida e consistente colecção de canções pop, onde o amor nas suas múltiplas vertentes e a procura de lugares reconfortantes como processo de auto conhecimento são a principal força motriz e confirma Alexandre Monteiro como um dos nomes mais promissores do panorama musical nacional. Espero que aprecies a sugestão...

O press release do novo álbum do projeto The Weatherman refere que estamos na presença do registo mais pop e simultaneamente mais auto biográfico. As canções falam de amor e despedidas, das imperfeições, alegrias e tristezas inerentes à condição humana. Estamos em presença de uma coleção de canções que de algum modo retratam a vida de Alexandre Monteiro?
R.: Pode-se dizer que sim, embora seja dificil detectar-se isso de uma forma linear. Não escrevi canções como se fosse propriamente um diário. Esses retratos estão dispersos pelas várias canções, nem eu tive a intenção de mostrar de uma forma demasiado exposta.
Quanto à vertente pop... Da música eletrónica à folk, ouve-se de tudo um pouco neste homónimo. Quais são as principais diferenças sonoras relativamente aos dois álbuns anteriores e, em termos de bandas e/ou autores, o que é que andas a ouvir e, além dos óbvios The Beatles e Beach Boys, quais são as tuas maiores influências?
R.: Em relação aos discos anteriores houve mais cuidado em termos de produção. Procuramos um som que deixasse as canções comunicarem de uma forma mais transparente. Nada aqui aparece escondido, é tudo assumido de uma forma clara. Houve também o objectivo de afirmar convictamente que eu não estou interessado em copiar coisas que foram feitas no passado. Eu sempre quis trazer algo de fresco ao panorama da música pop, em que sentes o peso da História e ao mesmo tempo sentes que faz sentido ouvir-se agora, e este disco penso que tira todas as dúvidas a esse respeito.
Porquê a escolha de Proper Goodbye para primeiro single?
R.: Numa fase mais atrasada do disco, decidimos escolher uma canção que naquela altura nos parecia mais radio-friendly, e esta enquadrava-se bem. Além disso tinha inenrente um certo feeling de final de Verão, o que se adequava à época em que seria lançada (finais de Agosto). Além disso eu confesso que gosto de baralhar as expectativas do público, e então a ideia de eu reaparecer em cena com uma música despedida pareceu-me perfeito!
Adoro o videoclip e identifiquei-me muito com ele. Partilhamos o desejo que a maioria das crianças tinham de ser astronautas quando fossem grandes?
R.: Obrigado! Sim, lembro-me que algures na minha infância e talvez pré-adolescência andei completamente fascinado por astronomia. Devorei tudo o que era livros sobre astronomia, incluindo livros de ficção científica, e lia tudo o que encontrava sobre OVNIS. Cheguei mesmo a dizer aos meus pais que provavelmente eu ir ser astrónomo, mas a música deitou isso por terra. Se calhar ainda vou a tempo... A ideia do vídeo foi mesmo pegar nesses desejos de infância e transpor isso como se se tratasse da despedida “ideal”. Sou ambicioso, e o que é certo é que pode-se dizer que consegui mesmo cumprir esse sonho de ser astronauta ao fazer este vídeo. Claro que quando soube que o Neil Armstrong morreu fiquei emocionado, e calhou logo na véspera do lançamento (do vídeo).
Já agora, tens uma canção preferida em Weatherman?!
R.:Tenho algumas preferidas, mas não me consigo decidir por apenas uma, francamente.
Como foi o processo de escrita e composição destas canções?
R.: Não foi nada de planeado. Eu tenho suficiente confiança em mim próprio como compositor, por isso sei que é escusado forçar. Foi um processo tão natural, que não me sei situar nem no tempo nem no espaço em relação à composição da maior parte dos temas. Assim que eu sentia que tinha algo a dizer através da minha música, sentava-me a compor, ora ao piano, ora à guitarra.
A estreia com Cruisin'Alaska, foi um trabalho apenas composto e tocado por ti. Mas depois disso, em Jamboree Park at the Milky Way e neste Weatherman já há uma banda e convidados. A que se deveu essa inflexão?
R.: Penso que comecei a sentir saudades de trabalhar em banda, algures a meio do percurso. Aliás, sempre foi meu objectivo tocar com uma banda de apoio nos concertos. Penso que é esse o meu objectivo desde sempre e é assim que resulta melhor: eu compor as músicas, e já depois numa fase mais avançada, de escolher os arranjos, buscar outros músicos para colaborarem.
Como é que foi possível a escolha de joão andré para colocar as mãos na produção do disco?
R.: Ele propôs-me produzir este disco logo assim que nos conhecemos. Foi em 2009, na altura em que ele deu alguns concertos comigo, ainda de promoção do meu segundo disco. Penso que ele teve desde logo uma ideia daquilo que poderia ser o meu caminho num futuro disco em termos sonoros. Acabou por ser um processo muito longo, e mesmo ainda que nem sempre com as condições ideais, conseguimos fazer um bom trabalho, penso eu.
E os próximos espetáculos? Onde é que os leitores de Man On The Moon te podem ir ver e ouvir nos próximos tempos? Das actuações ao vivo, devem-se esperar performances a solo ou acompanhado?
R.: Vou fazer inúmeros showcases acústicos, munido apenas de voz e guitarra. Pelo meio, vou ter os concerto de apresentação oficial do disco, com banda completa, no Porto, no Passos Manuel no dia 22 Fevereiro, e em Lisboa, algures em Março.
Depois de alguns meses a trabalhar com Alex somers, habitual produtor de Jónsi e dos Sigur Rós, o músico experimental islandês Sin Fang (aka Sindri Már Sigfússon), vocalista dos Seabear, está de regresso aos lançamentos discográficos a solo com Flowers, rodela editada na europa no passado dia um de fevereiro por intermédio da Morr Music.

Por cá, o sol começa, hesitante, a espreitar de novo e a aquecer um pouco os nossos dias, já fartos do manto de névoa húmida e cinzenta que tem descolorido este longo inverno. E enquanto não o temos em pleno e descaradamente, convido-te a descobrires este disco e assim visitares um dos lugares mais solarengos e radiantes da pop nórdica. Flowers convida a investidas primaveris e é sobre o eixo antecipado do solstício de verão que o recebemos.
Ao terceiro álbum a solo, o vocalista dos Seabear vive profundamente enraizado numa indie pop que faz dele um mestre na costura de diferentes camadas e contrastes sonoros, feitas com sintetizadores, guitarras e voz e uma orquestração intemporal. O resultado final desta sobreposição são dez temas envolvidos por um manto cristalino e vibrante de canções que invocam uma intimidade contida e retraída por uma delicadeza cautelosa, com especial destaque para Young Boys e Feel See.
Em relação a Summer Echoes, o antecessor, Flowers é um álbum mais encorpado e assumido, uma síntese amadurecida do cardápio sonoro de Sigfússon, agora mais complexo, completo e palpável, mas, ao emesmo tempo, sem pôr de lado a maravilhosa sensação de pureza e simplicidade típicas da sua música e da musicalidade do seu país de origem.
Flowers é uma tempestade melódica primaveril e um apelo desenfreado aos nossos sentidos. Neste álbum, Sin Fang liga as luzes do palco e abre o pano para darmos as boas vindas a um novo mundo cheio de luz e cor, onde os sentimentos mais ingénuos têm lugar de destaque e o amor e a rejeição, com os seus momentos felizes e tristes, são as personagens principais de um enredo que poderia muito bem ter sido inspirado na vida de qualquer um de nós. Flowers é para sentir, para ver, para descobrir e para mergulhar. Espero que aprecies a sugestão...
01. Young Boys
02. What’s Wrong With Your Eyes
03. Look At The Light
04. Sunbeam
05. Feel See
06. See Ribs
07. Catcher
08. Everything Alright
09. Not Enough
10. Weird Heart
Produzido por Tommy McLaughin, {Awayland} é o disco mais recente dos irlandeses Villagers de Conor O'Brien, uma banda que se notabilizou há dois anos com Becoming a Jackal, o trabalho de estreia, rodela que valeu a nomeação da banda para um Mercury Prize. {Awayland} chegou às lojas no passado dia catorze de janeiro, por intermédio da Domino Records.
{Awayland} era aguardado no universo indie folk com uma certa expetativa, porque a estreia, criativa e carregada com o típico sotaque irlandês, tinha colocado os Villagers na linha da frente, num país com fortes raízes e tradições neste género musical.

Apesar do minimalismo de The Lighthouse, um tema simples feito quase só com a voz e a guitarra e que nos abre a porta do disco, ele não nos dá, desde logo, a exta noção do mesmo. Apenas a partir de Earthly Pleasure , o meu grande destaque deste álbum, é que se chega aos arranjos e a um trabalho de composição mais elaborado, um bom exemplo de consistência técnica, que estará na génese do restante alinhamento.
Daí para a frente, as cordas estão sempre muito presentes, como não podia deixar de ser, mas alguns detalhes da eletrónica, nomeadamente em Waves, aguçam sonoridades mais contemporâneas e alargam o panorama cénico e a ginástica linguística das canções para lá dos patamares folk em que se parecem desenhar as bases genéticas mais profundas da identidade dos protagonistas. Assim, {Awayland}, o sempre difícil segundo disco, dá um passo em frente e confirma que a folk, apesar da sua história, popularidade e raízes, que muitos puristas não gostam de ver quebradas, pode sempre atualizar-se e procurar novos caminhos, sem perder a sua génese.
Uma das particularidades dessa mesma folk é a constatação da forte relação de proximidade entre a melodia e as letras. Isso está patente, em {Awayland}, nos tais belos arranjos aliados a letras profundas, de forte teor sentimental, que nos remetem para Bob Dylan, Nick Drake e Grizzly Bear. Portanto, {Awayland} terá importância para ti dependendo do que considerares mais relevante no seu conteúdo e se procuras neste álbum folk a letra, a melodia, ou um feliz casamento entre ambos. Espero que aprecies a sugestão...
01. My Lighthouse
02. Earthly Pleasure
03. The Waves
04. Judgement Call
05. Nothing Arrived
06. The Bell
07. {Awayland}
08. Passing A Message
09. Grateful Song
10. In A Newfound Land You Are Free
11. Rhythm Composer

Os neozelandeses The Phoenix Foundation estão quase a regressar aos discos. Fandango irá ser lançado no próximo dia vinte e seis de abril no país natal, pela universal e três dias depois na europa, pela Memphis Industries. O primeiro single de Fandango chama-se The Captain e foi disponibilizado para download pela banda. Confere...

A banda italiana de pop psicadélica Dumbo Gets Mad tem um novo tema intitulado American Day. Esta canção é uma das mais estranhas, psicadélicas e experimentais de Quantum Leap, o próximo disco do grupo, prestes a chegar aos escaparates através da Band Panda Records.
O primeiro álbum dos How To Destroy Angels, de Trent Reznor, tem como título Welcome Oblivion e data de saída marcada para cinco de Março. A edição é da Columbia e o vinil vai incluir duas canções extra contidas num CD. A estreia em palco da banda do líder dos Nine Inch Nails, da mulher Mariqueen Maandig e dos músicos Atticus Ross e Rob Sheridan está marcada para o festival de Coachella.
Já é conhecido Heaven, o novo single dos Depeche Mode, que serve de apresentação ao novo álbum, Delta Machine, o sucessor de Sounds Of The Universe (2009), décimo terceiro da banda, a lançar no dia 25 de março. Delta Machine será mostrado ao vivo em Portugal durante o festival Optimus Alive, no dia 13 de julho e nele os Depeche Mode voltaram a trabalhar com Ben Hillier, que dividiu a produção do novo disco com o guitarrista Martin Gore.
Delta Machine será composto por treze temas, mas a edição especial do álbum incluirá quatro canções extra, para além de um livrete com fotos da autoria de Anton Corbijn, colaborador de longa data dos Depeche Mode.
01. Heaven
02. All That’s Mine
The Track I’ve Been Playing That People Keep Asking About And That Joy Used In His RA Mix And Daphni Played On Boiler Room, é o nome do mais novo lançamento do incansável Four Tet. Com vinte e quatro palavras, a canção afasta o produtor da mesma sonoridade sintética assumida no disco anterior, Pink (2012). Afinal, trata-se de uma composição com foco na mesma sonoridade proposta em Jialong, último registo em estúdio do canadiano Daphni. Misto de eletrônica e afrobeat, a canção sobrepõe batidas convidativas enquanto vozes tribais se elevam ao fundo da canção. Confere...
Os Blue Hawaii são um projeto canadiano formado pelo enigmático casal Agor e Raph (na verdade chamam-se Alexander Cowan e Raphaelle Standell-Preston), uma dupla originária de Montreal e que se estreou nos discos em 2010 com Blooming Summer. O sucessor chama-se Untogether e viu a luz do dia na última semana por intermédio da Arbutus Records, a mesma etiqueta que deu a conhecer o excelente Visions, o segundo álbum dos Grimes e um dos discos fundamentais de 2012.

Visions foi um disco importante no panorama musical canadiano porque abriu uma espécie de caixa de pandora; Apesar de se fechar dentro de um universo próprio ao materializar musicalmente das estranhezas que habitam a mente de sua idealizadora, essa mistura entre o pop e a eletrónica abriu espaço para muitos outros artistas, como Blood Diamonds, Doldrums, Majical Cloudz, e outros amantes dos inventos eletrónicos, onde também se podem incluir os Blue Hawaii.
Estamos então na presença de uma dupla que usa sonoridades ambientais, onde a voz tem um papel preponderante, para inventar e criar canções pouco óbvias, que fogem à habitual formatação e que usam a eletrónica como principal estímulo. Untogether, o trabalho mais recente dos Blue Hawaii, está cheio de densas cargas de vozes, sendo um trabalho que prima essencialmente pelo minimalismo e estabelece um campo de atuação em que o detalhe e a sobreposição de elementos mínimos jamais abraçam o excesso.
Como a voz é o destaque maior deste álbum, Raphaelle (que também integra o projeto Braids) dança algo solitariamente enquanto o parceiro passeia em redor, a encaixar pequenas referências sintéticas de forma a adornar as suavizadas formas de som expressas pela artista. Acaba por haver uma homogeneidade ao longo do álbum e até à última música está fixado um encaminhamento de extrema proximidade entre os temas.
Apesar da primazia da voz, não se pode desprezar as referências instrumentais de que Alexander se serve para adornar os temas; A abertura, ao som de Follow, deixa fluir a estrutura abstrata da obra, Try To Be, apresentada logo em sequência, muda completamente essa proposta, transitando entre os Goldfrapp e Toro Y Moi. Até ao fim o casal ainda percorre as climatizações exóticas do trip-hop (Flammarion), a chamada ambient music (Reaction II) e até mesmo a eletrónica mais convencional, nomeadamente em In Two, o meu destaque deste trabalho. Depois, In Two II absorve de maneira particular as vozes e o ritmo próprio do R&B e Daisy e as batidas matemáticas que envolvem a composição, engrandecem o contibuto do músico e aproximam os Blue Hawaii da discografia dos Four Tet.
Obra que necessita de uma audição cuidada, Untogether abarca toda esta míriade de influências mas, como referi no início, raramente se desvia da proposta climática que tanto caracteriza o álbum. Não há variações bruscas ao longo da audição e encontra-se em cada nova composição assinada por Agor e Raph uma variedade rica de preferências sonoras que acomodam o disco num cenário algo distinto e dá continuidade a tudo o que de mais complexo, mas atrativo, tem sido editado recentemente. Espero que aprecies a sugestão...
01. Follow
02. Try To Be
03. In Two
04. In Two II
05. Sweet Tooth
06. Sierra Lift
07. Yours to Keep
08. Daisy
09. Flammarion
10. Reaction II
11. The Other Day
Lançado no passado dia treze de novembro de 2012 pela Antenna Farm Records, Developer é o último disco dos Social Studies, uma banda de São Francisco liderada pela vocalista Natalia Rogovin, à qual se juntou Michael Jirkovsky, Jesse Hudson, Tom Smith e Ben McClintock e que se estreou nos lançamentos discográficos em 2010 com Wind Up Wooden Heart. Developer foi misturado por Eli Crews (tUnE-yArDs) e produzido por ele e pela própria banda. A propósito das diferenças entre Developer e a estreia, Natalia recentemente afirmou: Before, we were rebellious. We fucked with things just because we wanted to push limits and boundaries. Developer is a more adult record. We tried to explore sounds and draw out parts to write more moving and focused songs.

É incontornável estabelecer-se alguns elos de ligação com os Beach House assim que se começa a ouvir o álbum; You Still Laughing e Sans são duas canções onde as belíssimas texturas melódicas as remetem de imediato para a dupla de Los Angeles. No entanto, Developer parece expandir o som da banda para novos horizontes. O disco de 2010, Wind Up Wooden Heart, era composto basicamente por breves canções indie pop, mas o primeiro single deste novo registo, Terracur, mostra uma banda pronta para sair da zona de conforto em busca de uma sonoridade mais adulta, complexa e refinada. Uma das sensações muito presentes neste álbum e que este single também demonstra, é a sensação de espaço, ou seja, onde muitas bandas às vezes se perdem em efeitos lo fi e ecos, os Social Studies privilegiam a instrumentação mais clássica e são simples e sintéticos nos arranjos. Depois há a voz soul de Natalia, uma âncora fundamental nas canções, com harmonias que proporcionam um belo contraste de fundo, sendo a minha interpretação preferida o tema Delicate Hands.
Em Developer os Social Studies passeiam tanto pelo rock clássico como pela pop sintética atual e o resultado é uma espécie de rock sintético, feito com excelentes guitarras (Away For The Weekend, por exemplo) e surpreendentes sintetizadores. Espero que aprecies a sugestão...
01. Delicate Hands
02. Away For The Weekend
03. Terracur
04. Still Life
05. Think Of The Sea
06. Western Addition
07. You Still Laughing
08. Developer
09. Sans
10. Paint
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
as minhas bandas
The Good The Bad And The Queen
My Town
eu...
Outros Planetas...
Isto interessa-me...
Todos Diferentes Todos Especiais
Rádio
Na Escola
Free MP3 Downloads
Cinema
Editoras
Records Stream