Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012

Black Marble – A Different Arrangement

Os Black Marble são Chris Stewart e Ty Kube, uma dupla natural de Brooklyn, que lançou no passado dia nove de outubro, através da Hardly ArtA Different Arrangement, o disco de estreia. Static é o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.

É imediatamente visível uma forte componente conceptual em A Different Arrangement. O aspecto da capa do disco e depois, o que realmente importa, a sonoridade da banda, tudo remete-nos, no imediato, para o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. A estética não recusa a originalidade a a autenticidade, mas os Black Marble tentam recontextualizar e fazer progredir, neste conjunto de canções, aquela premissa que há trinta anos atrás colocava o sintetizador analógico na linha da frente e a nostalgia na proa das construções melódicas.

A própria postura vocal de Stewart abraça a tonalidade típica de um Ian Curtis que se rege pelo baixo e por batidas insistentes, o que ajuda imenso a criar a tal tensão melancólica. É como se ele estivesse a cantar num beco de Brooklyn, envolvido por uma espessa camada de nicotina.

Neste A Different Arrangement, o post punk transcende-se e sente-se uma emoção histórica que se encaixa também confortavelmente na tradição gótica dos anos oitenta, mas com uma leitura mais contemporânea, com uma produção minimal, mas brilhante. Espero que aprecies a sugestão...

Black Marble - A Different Arrangement

01. Cruel Summer
02. MSQ No-Extra
03. A Great Design
04. A Different Arrangement
05. Limitations
06. UK
07. Static
08. Last
09. Legends
10. Safe MInds
11. Unrelated


autor stipe07 às 13:18
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2012

Dum Dum Girls - End Of Daze EP

Um ano depois do lançamento de Only in Dreams, o segundo álbum do grupo, as Dum Dum Girls, lideradas por Dee Dee Penny, lançaram no passado dia vinte e cinco de setembro, um novo EP, intitulado End Of Daze, através da Sub Pop Records.

Produzido por Sune Rose Wagner, membro da dupla The Raveonettes e por Richard Gottehrer,  que produziu Only in Dreams, o EP tem cinco canções que mantêm a sonoridade distorcida que alicerça toda a discografia do grupo, iniciada com I Will Be, o primeiro disco que, desde logo, colocou um enorme ênfase nas guitarras inspiradas pelo som forte do rock de garagem.

Começando pelo início, em Mine Tonight a banda caminha sobre um território já conhecido. Com uma introdução imponente, a canção dá início ao trajeto escuro e confuso, que inspira boa parte do EP. Em I Got Nothing, a obscuridade por trás das letras na primeira canção, vem à tona, definitivamente (Now I can't sleep, I'm sinking deep, I don't understand, I don't know where I am). O quarteto sabe muito bem como nos embalar com refrões aditivos e com boas rimas; E neste End of Daze os sentimentos expressos nas canções são plasmados de forma ainda mais profunda, evidenciando até algumas cicatrizes, que não são aquelas físicas e mais visíveis.

Entretanto, o melhor do EP está em Lord Knows, canção que consegue reunir todas as dores expressadas pelas músicas anteriores e concentrá-las num único lamento primoroso. No fim, as batidas aceleradas de Season in Hell anunciam um recomeço, não se afastando dos versos carregados de ressentimento, mas também, não se aprofundando ao ponto de perder todas as esperanças. Na verdade, a canção anuncia que o céu se irá abrir novamente e a esperança estará de volta (Lift your gaze, It's the end of daze).
Em suma, este é o melhor trabalho do grupo até aqui, já que as miúdas conseguiram renovar o seu reportório de efeitos e distorções e colocaram, ao mesmo tempo, uma boa dose de melancolia nas letras, que deixaram de ser fáceis para se tornarem meditativas. Espero que aprecies a sugestão...

  1. Mine Tonight
  2. I Got Nothing
  3. Trees and Flowers
  4. Lord Knows
  5. Season in Hell

Dum Dum Girls - Lord Knows by SubPop


autor stipe07 às 13:27
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2012

El Perro Del Mar – Pale Fire

El Perro Del Mar é o projeto musical da artista sueca, natural de Gotemburgo, Sarah Assbring e que passou por Portugal (Bercelos e Lisboa) no passado mês de julho, ocasião em que apresentou algumas das suas novas canções incluídas em Pale Fire, o seu quinto disco de estúdio, editado recentemente pelo selo Memphis/Ingrid.

Este Pale Fire é uma espécie de segunda parte de Love Is Not Pop, rodela lançada em 2009 e onde a artista aprimorou eficazmente e com coerência toda a sonoridade que foi desenvolvendo desde que em 2005 se aventurou nos lançamentos discográficos com Look! It's El Perro del Mar!.

Portanto, neste Pale Fire a cantora demonstra uma maior consciência de si mesma e fornece-nos, de forma atrativa, uma coleção de canções inspiradas quer por climas mais leves e dançantes, quer por outros mais sombrios e melodicamente menos agitados.

Esse resultado de rumos duplos já era previstos após Love Is Not Pop, porque desde o lançamento do homónimo El Perro Del Mar, em 2006, Assbring parece inclinada a reproduzir um novo tipo de sonoridade em cada lançamento. Em Pale Fire temos então um álbum suave e descomprometido, mas capaz de apresentar um acabamento rico e atrativo e assim agradar a ouvintes apreciadores de diferentes tipos de sonoridade e espetros musicais. O conteúdo passeia por tiques sonoros da década de oitenta, ao mesmo tempo que mantém firme a aproximação com a indie pop arquitetada no princípio da década passada. Surgem assim criações que se dissolvem em anseios românticos (Love Confusion), doses moderadas de melancolia eletrónica (Dark Night) e até criações que sintetizam todas essas propostas num composto dançante e capaz de brincar com a pop de forma peculiar (To The Beat Of A Dying World).

Liricamente próximo dos registos que o precedem, a tal simbiose instrumental, e completando a minha análise anterior, é visível igualmente no uso consciente das batidas que por vezes piscam o olho à trip hop, algo bem audível no single Walk On By. E Até passagens pelo reggae podem ser descortinadas, como em Love In Vain, canção que identifica esse género devido ao seu acabamento peculiar e sempre dentro das propostas que sustentam o disco.

Assumindo uma postura distinta em relação ao que circula de maneira quase convencional na cena musical sueca, Assbring é transportada através deste Pale Fire para o núcleo restrito de artistas suecos que apostam num som menos convencional e comercial e prova que é possível estimular o nascimento de um disco recheado por criações acessíveis aos mais variados públicos, sem que para isso seja preciso percorrer as redundâncias que há décadas não deixam progredir a música pop. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pale Fire
02. Hold Off The Dawn
03. Home Is To Feel Like That
04. I Carry The Fire
05. Love Confusion
06. Walk On By
07. Love In Vain
08. To The Beat Of A Dying World
09. I Was A Boy
10. Dark Night


autor stipe07 às 13:53
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Domingo, 28 de Outubro de 2012

Kodaline – The Kodaline EP

Os Kodaline são um grupo irlandês, natural de Dublin, formado por Stephen Garrigan, Mark Prendergast, Vinny May Jr e Jason Boland. A sonoridade deste projeto presente no EP homónimo de estreia, soa a um pós-Radiohead, porque assenta na utilização de melancolias que originam belas canções para se ouvir com imagens. A toada geral soa, por vezes, demasiadamente melodramática mas, ao mesmo tempo, demonstram muita qualidade para quem está agora a iniciar os lançamentos musicais. Estamos na presença daquele ambiente sonoro épico e melancólico fundado pelos Coldplay e pelos Verve, mas os Kodaline parecem usar essas influências apenas como trampolim para algo que poderá vir a ser marcante.

Não finalizo sem destacar o vídeo do single All I Want  e que convido todos a visualizarem. É um belíssimo e comovente filme que retrata uma versão da Bela e do Monstro, ou melhor, da Bela, do Belo e de vários monstros...

O grupo assinou recentemente com a RCA e estão em fase de conclusão do disco de estreia. Espero que aprecies a sugestão...

01. All I Want
02. Lose Your Mind
03. Pray
04. Perfect World

The Kodaline EP by Kodaline


autor stipe07 às 20:42
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Sábado, 27 de Outubro de 2012

Sugiro XVI


autor stipe07 às 11:55
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

The Sweet Serenades – Help Me!

Os suecos The Sweet Serenades são uma dupla sueca, natural de Estocolmo, formada em 2002 por Martin Nordvall e Mathias Näslund, mas já se conhecem há vários anos, sendo amigos de longa data desde 1991. Editaram no passado dia doze de setembro Help Me!, através da Leon Records, um selo da própria banda. O grupo estreou-se nos discos em 2009 com Balcony Cigarettes, rodela que continha On My Way, Mona Lee e Die Young, três canções que, à época, fizeram furor no universo musical indie e alternativo. Esse último tema fez parte da banda sonora da Anatomia de Grey e reza a lenda que gastaram os royalties muito bem gastos; Martin foi ao dentista, Mathias comprou um cão e investiram numa rouloute, para passar o tempo, escrever canções e discutir assuntos pertinentes relacionados com a existência humana.

Os The Sweet Serenades são neste momento uma das bandas mais importantes do riquíssimo panorama índie sueco, na senda de outros projetos citados conterrâneos citados por cá algumas vezes, como Jens Lekman, Azure Blue, El Perro del Mar, Norra Kust, First Aid Kid, Foreign Slippers, Hold Your Horses!, Fibes! Oh Fibes, Little Dragon, Emerald Park, Turn Off Your Television, The Perishers e Lykke Lie.

Confessam ser influenciados por corações partidos, grandes canções, pela frustração sexual e toda a carga criativa que essa sensação supostamente lhes causa e por bandas como Arcade Fire, The Strokes, AC/DC, os conterrâneos ABBA, The Perishers e the Shins, entre outros. No fundo, tal como eles dizem, fazem uma espécie de rock selvagem, ou uma índie pop movida a muita testosterona.

A audição de Help Me! leva-nos numa viagem até à fusão dos primórdios da pop, nos anos cinquenta com o rock mais épico da década de oitenta. Indubitavelmente eles dominam a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma bateria indomável, palmas, gritos e melodias cativantes, para presentear quem os quiser ouvir com canções alegres, aditivas, divertidas e luminosas, daquelas que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. O que aqui temos é uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Help Me!
02. Moving On
03. Run (Run, Run)
04. After All the Violence (Ft. Karolina Komstedt)
05. Can’t Get Enough
06. Terminal 2
07. Young Love
08. Bright Lights, Big City
09. Jennie
10. In Vacuo

The Sweet Serenades - Can't Get Enough by LeonRecords


autor stipe07 às 23:05
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012

The Chevin - Borderland

Naturais dos subúrbios de Leeds, em Inglaterra, Os The Chevin formaram-se em 2010 pela iniciativa de quatro amigos de infância. Falo de Coyle Girelli (voz e guitarras), Mat Steel (guitarras e teclados), Jon Langford (baixo) e Mal Taylor (bateria). Estrearam-se em 2011 com um EP, lançado pela Fierce Panda Records e que incluia no alinhamento Champion, uma canção que fez furor no país natal e passou com insistência em várias rádios, nomeadamente a XFM London, XFM Manchester e a BBC 6 Music. Esta é a canção que faz parte da banda sonora do próximo jogo Fifa 2013, que fez furor numa edição recente do David Lettermann e que abre Borderland, o longa duração de estreia destes The Chevin, disco editado no passado mês de setembro, depois de um verão cheio de concertos e onde abriram para bandas de nomeada, como os Franz Ferdinand.

O que salta logo ao ouvido na audição de Borderland é a busca por um som típico de uma indie rock que quer ser megalómana, lotar estádios e criar canções com refrões fáceis, para serem interpretadas em uníssono por milhares de pessoas. Esta receita praticada por nomes tão sonantes como os U2, The Killers, Muse ou os Franz Ferdinand, além de ser a força motriz de Champion, também se sente no pulsar de Drive, o outro single já retirado de Borderland.

A própria postura vocal de Coyle nesta canção faz lembrar uma espécie de fusão entre Matt Bellamy (Muse) e Brandon Flowers (The Killers). Aliás, a crítica considera-os a resposta do Reino Unido para os The Killers. Drive tem um enorme cariz épico, já que é suportada por violinos e inclui harmonias vocais idêticas a cantos de ópera, lembrando vagamente aqueles momentos de êxtase tipicos dos Arcade Fire. O próprio vídeo da canção merece destaque, porque nele vêem-se montagens de colisões, comboios e pessoas a dançar enquantos os The Chevin tocam numa espécie de arena, cheia de cor e com uma edição frenética que cola com a batida da música.

Em suma, estamos na presença de uma banda competente no tal indie rock épico, com um excelente disco de estreia, carregado de hinos feitos com guitarras potentes, tambores e sintetizadores e que certamente irão deixar, futuramente, uma marca importante na indústria musical. Vamos ver como corre o sempre difícil segundo disco. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Champion
02. Drive
03. Blue Eyes
04. Dirty Little Secret
05. Love Is Just A Game
06. Borderland
07. Beautiful World
08. Gospel
09. Colours
10. So Long Summer
11. Songs For The Sun (Bonus Track)
12. Menwith Hill (Bonus Track)
13. When The Party’s Over (Bonus Track)


autor stipe07 às 21:24
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Curtas... LXIV

As irmãs canadianas Tegan And Sara estão de regresso aos lançamentos discográficos no início de 2013. O álbum irá chamar-se Heartthrob e será o sétimo trabalho de estúdio da dupla, sucedendo a Sainthood, de 2009.

Heartthrob deverá expandir as referências pop e eletrónicas que há algum tempo acompanham o trabalho deste projeto, algo muito patente em I’m Not Your Hero, o primeiro single conhecido do disco. A canção utiliza a já tradicional melancolia como pano de fundo e depois divide-se em momentos mais dançantes e outros introspectivos, algo que deverá agradar aos seguidores mais fiéis das Tegan And Sara.

 

As melodias peculiares dos Local Natives estão de volta. Depois de Gorilla Manor, um dos grandes discos de 2009, o grupo de Los Angeles anunciou para o dia vinte e oito de janeiro a chegada de Hummingbird, o segundo e muito aguardado trabalho de estúdio da banda. Primeiro exemplar do novo álbum, que será lançado pelos selos Frenchkiss e Infectious, Breakers torna pública a evolução do quarteto, que mesmo sem querer estabelecer um registro de proporções épicas, flutua entre os Grizzly Bear do álbum Veckatimest e as cores que preencheram a estreia dos Vampire Weekend. Por enquanto, a melhor música de 2013.

 

A treze de novembro os Stumbleine irão editar um novo disco intitulado Spiderwebbed, através da Monotreme Records. Os Stumbleine são uma banda de Bristol, cidade natural dos Massive Attack, Portishead e Tricky e partilham da mesma sonoridade atmosférica, eletrónica e sintetizada desses nomes.

Neste Spiderwebbed existem algumas participações especiais, nomeadamente de CoMa e de Steffaloo. Com esta última compuseram uma versão de Fade Into You, um clássico da década de noventa dos Mazzy Star.

 

Stumbleine - Spiderwebbed

01. Cherry Blossom
02. If You
03. Capulet
04. The Beat My Heart Skips (Feat. CoMa)
05. Honey Comb
06. Solar Flare
07. Fade Into You (Feat. Steffaloo)
08. Kaleidoscope
09. The Corner Of Her Eye
10. Catherine Wheel (Feat. Birds Of Passage) 

 

Os Mazes disponibilizaram para download gratuíto, através da Fat Cat Records, Bodies, o seu single mais recente. O tema faz parte de uma cassete que esta banda londrina vai vender na digressão que entretanto vai iniciar com os The Cribs e que inclui no lado B uma remistura do mesmo tema da autoria de Hookworms, um produtor de Leeds.

 

A dupla californiana Crocodiles lançou on início deste ano Endless Flowers, o seu terceiro álbum. Agora preparam-se para iniciar uma digressão europeia e de forma a assinalar esse facto, editaram  Bubblegum Trash, um dos singles de  Endless Flowers e que verá a luz do dia a vinte e seis de novembro.

Bubblegum Trash conta com a participação especial de Dee Dee, vocalista das Dum Dum Girls, casada com Brandon Welchez, lider dos Crocodiles e com quem canta no tema o sugestivo verso, You can suck me like a bubble pop.


autor stipe07 às 13:34
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2012

The Lighthouse And The Whaler – This Is An Adventure

 

Três anos após o disco de estreia, os The Lighthouse and The Whaler estão de regresso aos discos com This Is An Adventure, editado no passado mês de setembro. Para este novo álbum, a banda natural de Cleveland, no Ohio e formada por Michael LoPresti, Matthew LoPresti, Mark Porostosky e Steve Diaz, investiu numa instrumentação rica e em arranjos sofisticados que serviram para criar pouco menos de quarenta minutos de canções leves e ensolaradas e com um imenso potencial pop. São dez temas coesos e esforçados, com imensos detalhes sonoros, bem audíveis logo desde a abertura com o single Pioneers, que ao mesmo tempo que apresenta o xilofone, instrumentos de cordas e o sintetizador, dá o mote para o que vamos encontrar no resto do disco.

A canção seguinte, Chromatics, segue essa mesma linha e a partir daí já é possível fazermos um juízo de valor acerca da nossa adição, ou não, a este This Is An Adventure, porque mantém-se a postura upbeat e festiva com toques da folk e do pop até ao fim do álbum.

Venice, acaba por ser a melhor canção do álbum e destaca-se  já que, num disco onde todas as músicas parecem pisar no acelerador, ela diminui o ritmo e aposta em alguns elementos mais básicos. Com uma percussão forte e uma voz marcante, a canção cresce apoiada no violino, instrumento que neste tema encaixou muito bem e de uma forma orgânica.

Há outras canções um pouco mais dançáveis, como This Is An Adventure e Untitled, temas que sobressaiem um pouco da sonoridade geral, mas que nem por isso deixam de ser convincentes e apelativas.

É audível a preocupação com a produção e a instrumentação, o que faz deste This Is An Adventure um disco que soa de forma algo descomplexada e nos deixa com uma certa nostalgia em relação ao verão. Poucas músicas são memoráveis, mas todas elas são muito animadas e cheias de energia. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pioneers
02. Chromatic
03. Venice
04. The Adriatic
05. Little Vessels
06. Burst Apart
07. This Is an Adventure
08. Iron Doors
09. We’ve Got the Most
10. Untitled

The Lighthouse and The Whaler - Pioneers by freshnewtracks


autor stipe07 às 21:48
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2012

Why? - Mumps, Etc

Yoni Wolf juntou-se, em 2004, ao coletivo de hip hop Anticon, um dos mais estimulantes laboratórios de invenção de novos caminhos e recontextualizações de referências, formas e linguagens de genética hip hop. Passaram então a ser um trio, rebatizaram o projeto de cLOUDDEAD e juntos elevaram o hip hop delirante, neurótico e fragmentado ao estatuto de entidade essencial para a compreensão do século XXI.

Entretanto os cLOUDDEAD deram o berro, mas Yoni Wolf (aka Why?) seguiu em frente e formou, com o seu nome artístico, uma nova banda com o seu irmão Josiah e estrearam-se nos discos em 2005 com Elephant Eyelash, ao qual se seguiu Alopecia, em 2008, o glorioso expoente da união entre pop, hip hop e o experimentalismo, no fundo a bitola pela qual se rege a sonoridade deste projeto. Em 2009 deram-nos Eskimo Snow, um álbum cheio de canções mais sombrias e nasaladas, com um tom provocador e afectado. Agora, em 2012, a tal receita milagrosa está de volta com Mumps, Etc, disco editado pela City Slang no passado dia oito de outubro.

Mumps, Etc ombreia com Alopecia em imaginação sónica e melódica. Tematicamente existe muito humor negro, centrado em ideias de alienação e terror e muitos animais mortos, algo abordado também nas canções dos cLOUDDEAD. Há uma estranha obsessão de Yoni pela morte e ele não tem medo de o admitir com uma honestidade, quase desarmante, durante a escrita das suas canções. No entanto, na escrita de Yoni não é tudo auto biográfico; O que ele escreve tem um certo lado de rapaz solitário, embora neste Mumps, Etc a componente diarística seja mais subtil e adulta.

A maioria das canções do álbum assentam em beats esquisitos sobre os quais harmonias infantis bailam em redor das melodias. Logo a abrir, Jonathan's Hope destaca-se pela batida, os xilofones, os coros e a harpa que compõe um refrão algures entre o humor depreciativo, o infantil e o desesperado, com uma referência final a pássaros, os tais animais alvos da obsessão de Yoni. Stramberry, Wolf tem acordos de piano simples, assobios, palmas e uma melodia lindíssima que quase nos leva às lágrimas. E no resto do disco, no meio de algumas incursões pelo dub, os tais xilofones e pianos assumem sempre a linha da frente.

Após repetidas audições acaba por impregnar-se uma inolvidável sensação de estarmos na presença de uma coleção de canções que poderiam ter sido idealizadas por uma criança que ganhou voz de adulto, aprimorou os seus dotes musicais, instrumentais, de escrita e melódicos, mas que, bem lá no fundo, nunca cresceu, nunca deixou de brincar com os instrumentos e assim, neste Mumps, Etc, conseguiu uma metáfora perfeita dos extremos desiquilíbrios deste mundo.

A banda anda neste momento por cá, na Europa, a promover este magnífico Mumps, Etc. Espero que aprecies a sugestão...

01. Jonathan’s Hope
02. Strawberries
03. Waterlines
04. Thirteen on High
05. White English
06. Danny
07. Sod in the Seed
08. Distance
09. Thirst
10. Kevin’s Cancer
11. Bitter Thoughts
12. Paper Hearts
13. As a Card


autor stipe07 às 21:46
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Curtas... LXIII

Os Suburban Living são o projeto de  Wesley Bunch, um músico de Norfolk, na Virgina, com uma sonoridade dream pop, feita de guitarras e sintetizadores e com reminiscências dos anos oitenta. Depois do single Give Up (outubro de 2011), editaram há algumas semanas o EP Cooper's Dream. Confere...

01. I Don’t Fit In
02. Give Up
03. Prom
04. Float In Clouds
05. Cooper’s Dream

Suburban Living - I Don't Fit In by KLUBB ACE

 

Quem também tem novo disco são os Cold Showers. O álbum chama-se Love And Regret e baseia-se num post rock eletrónico, como se os New Order tivessem Nick Cave na voz. BC é o primeiro single já conhecido de Love And Regret e viu a luz do dia a nove de outubro.

01. Alight
02. I Don’t Mind
03. Violent Cries
04. So I Can Grow
05. BC
06. In Terms Of Pleasure
07. New Dawn
08. Seminary

Cold Showers - BC by akansari

 

O músico Simon Bonney ressuscitou há alguns dias, para gravarem a primeira canção e álbum em vinte e dois anos, os Crime And The City, uma banda que deu cartas nos anos oitenta e que inclui membros dos The Birthday Party, Swell Maps e Einstürzende Neubauten. O tema chama-se My Love Takes Me There, foi disponibilizado para download gratuíto pela Mute e fará parte de American Twilight, álbum que terá, inclusivé, direito a digressão.

 

Os nova iorquinos Lazyeyes gostam de se descrever como intérpretes de uma sonoridade surfgaze, ou seja, uma espécie de mistura entre a surf pop e o shoegaze. A partir do momento me que carregamos no play e começamos a escutar as composições deste projeto, percebemos imediatamente o quanto foram felizes na invenção desta terminologia sonora; Nostalgia, tema que os Lazyeyes disponibilizaram para donwload no Bandcamp da banda, é uma canção que soa exatamente a algo feito propositadamente para aquele período de transição entre o verão e o inverno.


Depois de em Curtas... LX ter divulgado que Trent Reznor ressuscitou os How to Destroy Angels e que esta banda edita no próximo dia treze de novembro, através da Columbia Records, o EP An Omen, trabalho que deve manter as mesmos experimentações e sonoridades eletrónicas da estreia em 2010, agora, no soundcloud dos How To Destroy Angels, foi divulgada uma remistura de Dave Sitek, do primeiro single do EP, Keep it Together, disponível para download gratuíto. Confere...


autor stipe07 às 12:57
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Seapony – Falling

Os Seapony são de Seattle acabam de editar Falling, através da Hardly Art Records, o segundo disco do grupo, que sucede ao extraordinário Go With Me, de 2011. Falling viu a luz do dia a onze de setembro e foi gravado em casa de Danny Rowland, o guitarrista da banda e misturado nos estúdios Dub Narcotic, em Washington, por Bob Schwenkler.

O disco tem uma sonoridade leve e simples e está muito bem produzido. Repete a fórmula bem sucedida da estreia, numa banda conotada com a chamada surf pop; Assim, Falling é assente em melodias simples e com tiques etéreos, comandadas pela doce voz de Jen Weidl. É um surf indie pop, lo fi e carregado de cândura, na linha do que fazem uns Belle & Sebastian e que lembra a melancolia do final do verão, como se esta estação quisesse prolongar-se pelo outono fora.

O disco vir apenas um ano após a estreia é um sintoma de enorme criatividade produtividade! Algumas das canções não são de simples assimilação, mas a tal voz doce de Jen ao surgir acompanhada pela guitarra de Danny Rowland, confere um ambiente sonoro amiúde acústico, mas bastante agradável ao conjunto das doze canções. Os dois contrastam e complementam-se, em simultâneo. Falam de temas coerentes, com um forte cariz romântico e que versam sobre o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios. No fundo, falam do sabor doce e amargo da vida, tal como a conhecemos.

Falling é a banda sonora ideal para o pequeno almoço daqueles dias em que o plano principal é não haver planos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Outside
02. Tell Me So
03. What You Wanted
04. Follow
05. Be Alone
06. No One Will
07. Never Be
08. Sunlight
09. Prove To Me
10. Fall Apart
11. See Me Cry
12. Nothing Left

MP3 : Seapony – Prove To Me
MP3 : Seapony – What You Wanted


autor stipe07 às 19:06
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Domingo, 21 de Outubro de 2012

Efterklang - Piramida

Os dinamarqueses Efterklang, formados por Casper Clausen, Mads Christian Brauer e Rasmus Stolberg, editaram no passado dias vinte e quatro de setembro Piramida, o seu último álbum, através da 4AD. Para se inspirar, o trio assentou arraiais durante numa cidade abandonada de mineiros na vila de Pyramiden, num dos arquipélagos noruegueses do Ártico. Andaram por lá a explorar e a gravar sons criados com os elementos paisagísticos (muito à imagem dos Sigur Rós, que também andaram a fazer isso pelas montanhas islandesas) e no fim dessa tarefa tinham mais de mil gravações, que depois foram selecionadas, adaptadas e transformadas no esqueleto das canções deste Piramida. O produto final acabou por ser um disco com uma sonoridade única e peculiar.

Um dos primeiros versos que permanecem no subconsciente quando se escuta pela primeira vez Piramida é And I wonder, I wonder, I wonder what I am? It’s destructible. E realmente, tentar explicar o que o quarto disco da banda procura ser é uma tarefa um tanto obsessiva e destrutiva. O grupo tem as suas raízes num ponto do globo artisticamente muito criativo e assenta a sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock,  com post rock e alguns elementos eletrónicos, o que dá origem a algo singular e característico.

No entanto, o som do grupo não foi sempre algo estanque; Os Efterklang passaram por períodos de transformação que oscilaram entre momentos minimalistas e outros mais expansivos. E o som deste Piramida é, de algum modo, uma espécie de súmula de toda esta amálgama de elementos e referências sonoras que sustentaram a anterior discografia da banda, o que confere ao disco uma sensação um pouco dúbia, de difícil catalogação, portanto, e assim deveras interessante tentar deslindar.

Em Piramida mantem-se a fórmula que regeu a produção dos álbuns anteriores dos Efterklang; Participam diversos músicos e podemos notá-los em várias canções. Logo a abrir, Hollow Mountain tem um violino que funciona quase como um refrão e que contrapõe o pedido de ajuda do vocalista Casper Clausen, quando este instrumento surge logo após o verso Help me, I am falling down. Sedna é o instante minimalista mais bonito do disco. É uma canção cuja cadência é marcada por um baixo e uma bateria quase inaudíveis, com o simples propósito de serem uma almofada para a voz de Casper. A guitarra aparece no momento certo para, assim como uma linha de costura, unir os pedaços separados.

Até a quinta música, The Living Prayer, somos conduzidos para lugares calmos e distantes, os quais conseguem ser alcançados muito por influência de uma voz que parece conversar connosco. Na segunda metade do disco, começa a aumentar o volume das canções e a bateria ganha uma maior relevância. Black Summer talvez seja o melhor exemplo disso; Começa com instrumentos de sopro que vão sendo aumentados aos poucos na introdução, junto a uma bateria bem marcada, que baixa o tom logo de seguida e volta ao registo da primeira parte de Piramida. Entretanto, em oposição a outras canções, Black Summer expande os horizontes minimalistas quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e temos a explosão que, com os coros finais, dá a cor e brilho que nos fazem levitar.

Quase no fim, Between The Walls é comandada por sintetizadores, que aliados a cordas, dão um tom fortemente eletrónico à canção e juntamente com os os timbres de voz de Casper, que consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, fazem dela mais um momento obrigatório de contemplar em Piramida.

Quando chega ao fim Piramida ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela, o que faz de Piramida uma das grandes referências para os melhores álbuns do ano. Espero que aprecies a sugestão... 

Efterklang - Piramida

01. Hollow Mountain
02. Apples
03. Sedna
04. Told To Be Fine
05. The Living Layer
06. The Ghost
07. Black Summer
08. Dreams Today
09. Between The Walls
10. Monument



autor stipe07 às 20:52
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Programa 23 # - Man On The Moon

Edição 23# de Man On The Moon, na Paivense FM;

Drugstore - El President 
Neutral Milk Hotel - An Aeroplane Over The Sea 
Alpaca Sports - I Was Running 
Tv Rural - Correr de Olhos Fechados 
Norra Kust - Valley 
Sóley - Theater Island 
Blur - Trimm Trabb 
The Flaming Lips - Pompeii Am Götterdämmerung 
Gdansk - Adam's Needle 
Birds & Batteries - Let The Door Swing 
The Laurels - Changing The Timeline 
Maria Minerva - Fire (feat Chase Royal) 
Ombre - Cara Falsa 
Foals - Balloons 
The Thrills - Big Sur


autor stipe07 às 14:09
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Sábado, 20 de Outubro de 2012

Sugiro XV


autor stipe07 às 11:31
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012

Graph Rabbit – Snowblind

Os Graph Rabbit são uma dupla de Brooklyn, Nova Iorque, formada pelo compositor, guitarrista e vocalista Austin Donohu e pelo pianista experimental Shy Kedmi. Snowblind é o disco de estreia, e foi editado no passado dia nove de outubro pela Butterscotch Records.


Este disco, produzido por Allen Farmelo, é a banda sonora perfeita para uma calma e perguiçosa manhã de domingo, em que se tira algum tempo para nós e para parar um pouco e meditar.

As composições que preenchem Snowblind criam um ambiente cinematográfico; Às vezes parece que, ao ouvi-lo, nomeadamente em Only Fields, estamos a abrir aquela caixinha de música que todos vimos na nossa infância, com a bailarina a rodopiar em cima enquanto se absorve também letras encantadoras, que falam muitas vezes de sentimentos ímpares e da ternura humana. Cria-se ao nosso redor uma espécie de névoa celestial, com uma beleza sonora que nos deixa boquiabertos e faz da estreia destes Graph Rabbit uma jóia verdadeiramente preciosa. Para mim, o melhor exemplo de como o conseguem é no inusitado momento de agitação elegante e introspetiva de Falling Snow, onde um falsete etéreo e o xilofone nos obrigam a esquecer tudo o que nos rodeia e a refugiar-nos numa espécie de feliz isolamento auto imposto. 

Há aqui algo que nos enfeitiça e uma narrativa às vezes dura e angustiante, o que surpreende porque surge da mente critiva de dois novatos, mas que, consciente ou inconscientemente, conseguiram chegar ao nível de alguns dos melhores momentos criativos de nomes como os Radiohead, Efterklang, Beach House ou os próprios Sigur Rós. São pouco mais de trinta e seis minutos onde Austin e Kedmi parecem ter encontrado o equilíbrio perfeito entre os cenários de sonho de Victoria Legrand, os ambientes etéreos idealizados por Jónsi e a narrativa intrigante e a postura vocal de um Thom Yorke, como é bem audível em Make It Stop.

A dupla tem tocado apenas com equipamento analógico e acústico, para recriar fielmente a aúrea e a simplicidade deste ambiente sonoro enebriante. Estes Graph Rabbit merecem ser escutados e é justo que se passe a palavra e que sejam mais divulgados, já que, na estreia, criaram algo absolutamente raro, deslumbrante e capaz de tocar no íntimo mais profundo que habita em cada um de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Graph Rabbit - Snowblind

01. My Name
02. Blackwood Tree
03. Butterscotch
04. White Birds
05. Make It Stop
06. Falling Snow
07. Only Fields
08. White Out


autor stipe07 às 22:05
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2012

Aimee Mann - Charmer

Conforme anunciei em Curtas... XLII e Curtas... LII, Aimee Mann, cantora norte americana, natural de Richmond e ex-integrante da banda Til Tuesday, lançou recentemente o oitavo álbum de sua carreira. Charmer, que sucede @#%&*! Smilers de 2008, chegou às lojas no passado dia dezoito de setembro pela SuperEgo Records. Paul Bryan, o baixista de Aimee Mann, é o responsável pela produção do disco, que tem onze canções, com a particularidade de a canção Living a Lie ser um dueto com James Mercer, vocalista da banda The Shins.

Charmer é um álbum bastante interessante, mesmo com o uso de poucos instrumentos. Esta opção sucedeu porque, segundo a artista, a indústria musical encareceu imenso e não há disponibilidade financeira para contratar vários músicos, quer para gravar Charmer, quer para acompanhar Aimee na digressão de promoção.

Aimee Mann começou a carreira a solo a colecionar fãs devido à sua simpatia e delicadeza e aos poucos foi revelando uma habilidade literária na composição das canções, quase sempre baseadas em vivências pessoais, nas aparências, mas jamais confessionais. As canções falam de desilusões, ilusões, percursos de vida e revelações íntimas, no meio de epifanias poéticas que mais parecem uma longa sessão de terapia. A maneira como Aimee promove a alternância dos temas faz com que seja bastante percetível o encadeamento das canções, que seguem um padrão de serenidade muito interessante. Dá toda a sensação, que Aimee vive um momento muito especial na sua vida; Quem a conhece de vários romances anteriores, acaba por perceber como é usual isso refletir-se no tom das suas novas canções e as de Charmer não fogem a essa constante.

Charmer engana porque é muito mais profundo do que aparenta à primeira audição e é também muito menos leve do que a sua sonoridade indica.

Em jeito de curiosidade, o video de Charmer, o single homónimo, foi realizado por Tom Scharpling, uma metade da dupla cómica Scharpling & Wurster (com Jon Wurster, baterista dos Superchunk e dos Mountain Goats) e tem a participação de John Hodgman (apresentador do Daily Show e escritor) e Laura Linney (atriz em vários filmes e em The Big C). Mesmo que não se goste da canção, o vídeo é hilariante! Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Charmer
02. Disappeared
03. Labrador
04. Crazytown
05. Soon Enough
06. Living A Lie (Feat James Mercer Of The Shins)
07. Slip And Roll
08. Gumby
09. Gamma Ray
10. Barfly
11. Red Flag Diver


autor stipe07 às 22:08
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Curtas... LXII

Lonerism, de longe um dos grandes registos de 2012, continua a produzir dividendos aos Tame Impala, nomeadamente na forma de remisturas de alguns dos seus temas mais quentes. E um deles é, sem dúvida Elephant, canção capaz de passear por uma sonoridade densa e que o projeto Canyons Wooly Mammoth pouco profanou, aproveitando-se apenas das expressivas guitarras que passeiam pela canção para gerar um composto ainda mais grandioso, experimental e assim próximo das pistas de dança.

 

Sem tempo para descanso, o norte americano Chaz Bundick, grande mentor dos Toro Y Moy, anunciou para o começo de 2013, mais precisamente a vinte e três de janeiro, a chegada do terceiro álbum do projeto. Denominado Anything In Return, o sucessor do ótimo Underneath The Pine deve manter a mesma premissa dos lançamentos anteriores do músico, que cada vez mais se afasta das experimentações lo fi de outrora para brincar à sua maneira com a música pop. Repleta de ecos, batidas eletrónicas e os tradicionais sintetizadores, So Many Details foi a escolhida como primeiro single de Anything In Return.

 

Seguidores confessos dos Daft Punk, a proposta musical da dupla nova-iorquina Holy Ghost! é fazer o ouvinte dançar, ao mesmo tempo que também caminham por vias próximas das que definem o trabalho de bandas como Cut Copy, Alex Frankel e Nicholas Millhiser.

It Gets Dark é o novo tema divulgado pelo grupo e continua na linha do que foi explorado o ano passado no disco homónimo de estreia e abre as portas para os próximos inventos da dupla, que em breve deve chegar com um novo disco.

 

Os Frankie & The Heartstrings acabam de divulgar um novo single intitulado I Still Follow You, o primeiro a ser retirado daquele que será o segundo álbum desta banda, gravado no último verão e produzido por Bernard Butler, guitarrista dos Suede. O novo disco deverá ver a luz do dia em 2013 e este single está disponível para download no sitio da banda.


A DFA disponibilizou recentemente para download gratuíto no soundcloud da editora Runnin, o primeiro single de Mars, disco do coletivo sudanês Sinkane, sedeado em Brooklyn, Nova Iorque. Mars sairá para as lojas em novembro através da DFA (EUA) e da City Slang(Europa)!

Os Sinkane são formados por Ahmed City, Jaytram, Mikey Freedom Hart e Mike Montgomery e esta amostra obriga-me a estar bem atento ao disco que aí vem..

facebook.com/SinkaneRa www.sinkane.com/ www.cityslang.com


autor stipe07 às 12:53
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

Freelance Whales – Diluvia

Os Freelance Whales começaram por tocar nos metros e nas ruas de Nova Iorque em formato quinteto e foi desta forma que chegaram aos ouvidos das pessoas certas. O segundo disco deste grupo, produzido por Shane Stoneback, chama-se Diluvia, foi lançado no passado dia nove de outubro pelo selo Mom+Pop e sucede a Weathervanes, o disco de estreia e uma das pérolas mais bem guardadas de 2009. Esse álbum, graças à sua mistura de folk e elementos eletrónicos, conquistou fãs dos mais diversos géneros, devido ao rodopio de banjos, harmonias vocais, instrumentos de sopro e percussão variada, que conferem à banda aquele indie folk luminoso e melodicamente rico.

Com o novo lançamento da banda, Diluvia, os Freelance Whales parecem passar com facilidade no temido teste do segundo disco, já que é evidente um amadurecimento melódico e uma produção etérea, que começa com violões acústicos, misturados com sintetizadores banjos, pianos e trompetes. Tudo isto está patente em canções como Spitting Images e Dig Into Waves, dois dos singles já conhecidos de Diluvia. A primeira canção referida é o meu grande destaque do disco, devido à sonoridade ampla, pop e destemida, mas também por contar, pela primeira vez no grupo, com a voz da baixista Doris Cellar, em vez do vocalista principal da banda, Judah Dadone. Em vez do banjo, a canção assenta no sintetizador e conta com uma luxuosa e explosiva produção, com direito a sinos, harmonias vocais grandiosas semelhantes aos Arcade Fire e os tais sintetizadores furiosos que soam simultaneamente trágicos e felizes e que evocam uma aura nostálgica.

Se as canções do primeiro disco eram classificadas imediatamente como um pouco ingénuas e simples, Diluvia é mais épico, instrumentalmente rico e mostra uma promissora evolução ao expandir a sonoridade da banda, ao mesmo tempo que mantém o charme da estreia. Esta seria a banda sonora para um filme de cariz épico, numa toada feliz e esperançosa. Diluvia é inteligente, bonito e preenche até o dia mais cinzento. Ora ouçam e comprovem.

01. Aeolus
02. Land Features
03. Follow Through
04. Spitting Image
05. Locked Out
06. Dig Into Waves
07. Red Star
08. Winter Seeds
09. The Nothing
10. DNA Bank
11. Emergence Exit

Spitting Image by Freelance Whales


autor stipe07 às 20:35
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2012

Animal Collective - Centipede HZ

Quem acompanha o trabalho de bandas que brincam com o experimental como os Radiohead, os Deerhunter ou os The Flaming Lips compreende a necessidade que elas sentem de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam a antecessor, o novo tenha que transpôr barreiras, um problema com o qual o quarteto nova-iorquino Animal Collective, formado por David Portner (Avey Tare), Noah Lennox (Panda Bear), Brian Weitz (Geologist) e Josh Dibb (Deakin), tentou lidar em Centipede Hz, o disco mais recente, editado pela Domino Records e que revelei em Curtas... XXXV. Quais são os limites depois do lançamento de um disco tão grandioso e único quanto foi Merriweather Post Pavilion, editado em 2009?

Quando analisamos a já extensa e complexa discografia da banda, iniciada em agosto de 2000 com o disco Spirit They’re Gone, Spirit They’ve Vanished, é como se tudo que fora construído se encaminhasse de alguma forma para o que eles finalizaram em 2009. O que em outras épocas fora acústico, transformou-se em eletrónico, o ruidoso virou melodia e o que antes era experimental estranhamente aproximou-se da pop. E que de outra forma definirias músicas como My Girls e Summertime Clothes, dois dos destaques de Merriweather Post Pavilion?

Contudo, quem há tempos acompanha o trabalho dos Animal Collective sabe que a necessidade de superar, ou melhor, evoluir a cada disco é constante. Por isso, nos mais de cinquenta minutos do novo álbum o que encontramos é uma sequência de primorosas e ainda mais atrativas experimentações. Se Moonjock prepara o terreno, Today’s Supernatural expande o que será finalizado no toque de psicadelia que define Amanita. E pelo meio há os habituais registos mais comerciais, que vão da épica e pop Monkey Riches, ao romantismo de Rosie Oh e as experimentações, ao nível da percurssão, de Wide Eyed.

Das vozes que passeiam por campos distintos, à instrumentação que valoriza o uso da percurssão, durante Centipede HZ a banda aproxima-se do que já fez antes e de algumas novas tendências. Seja pelo ritmo crescente que estabelece as principais marcas de Today’s Supernatural ou a psicadelia dançante e tribal que se firma no decorrer de Applesauce, cada instante dentro do álbum torna claro que aqui os rumos são outros, com a banda em busca de algo firme, cativante e até comercial.

A parceria com o produtor Ben H. Allen revelou-se uma decisão acertada; É ele quem impôe limites às experimentações da banda e torna o nível de desordem sonora acessível aos ouvintes, além de ajudar a que Centipede Hz flua dentro de limites bem definidos e com canções articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma das músicas, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo.

Em suma, em Centipede Hz as referências do passado surgem tingidas com novidade, o que confere a este disco um resultado ao mesmo tempo nostálgico e inovador. Assim como o caminho incerto da centopeia que caminha pelo título do álbum, instável é o rumo que os Animal Collective ainda deverão percorrer. Espero que aprecies a sugestão...

01. Moonjock
02. Today’s Supernatural
03. Rosie Oh
04. Applesauce
05. Wide Eyed
06. Father Time
07. New Town Burnout
08. Monkey Riches
09. Mercury Man
10. Pulleys
11. Amanita



autor stipe07 às 18:59
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