Domingo, 30 de Setembro de 2012

We Trust – These New Countries

Apesar de já ter sido editado há cerca de um ano, não resisto a divulgar These New Countries, o último disco do projeto We Trust, liderado por André Tentúgal, um realizador portuense de vinte e oito anos que já trabalhou com os X-Wife, Old Jerusalem, FogeFogeBandido e os Divine Comedy. Nas pausas cinematográficas, ele criou, com a ajuda de vários amigos, um reportório musical que decidiu editar e que, segundo o próprio, é uma epopeia pop sobre a busca de novos lugares.

These New Countries tem toques de doçura melódica que fazem lembrar Noiserv e uma componente literária forte que se assemelha a B Fachada. As canções falam de amor, de amizade, união, de tempo, espaço e mudança e de países abstratos sem barreiras físicas ou mentais. Certamente todos nos recordamos de ouvir em 2011, com alguma insistência Time (Better Not Stop), uma canção que soava a Primavera e antecipava um bom Verão. Correu as rádios, as televisões, gerou artigos e reportagens. Chegou a meio mundo e ecoou nos ouvidos da marca Hugo Boss. Mas André Tentúgal rejeita a ideia de que We Trust seja apenas Time (Better Not Stop) e deseja que a banda não seja vítima desse sucesso, mas que valha pela qualidade musical de um todo chamado These New Countries.

A sonoridade do disco passeia entre a pop e o rock, com alguns travos deliciosos de soul e eletrónica; É um álbum sem barreiras de géneros ou estilos, algo inesperado, em suma, uma bela surpresa, amadurecida pelos anos. Depois, passada a surpresa, a sensação é de inequívoca certeza, já que estamos na presença de algo que nos preenche a alma, apesar de ter sido construído com simplicidade, apesar de ter havido, certamente, um enorme cuidado na escolha dos arranjos.

Em suma, These New Countries é um álbum doce e cheio de palavras certeiras sobre o amor e a vida, carregado de elegância e materializado com um bom gosto desarmante. Espero que aprecies a sugestão... 

We Trust - These New Countries

01. Feeling
02. Again
03. Time (Better Not Stop)
04. Waiting
05. Once At A Time
06. Tell Me Something
07. Reasons
08. Gone
09. Within Your Stride
10. This Time The Truth
11. Freedom Bound
12. Surrender


autor stipe07 às 14:19
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012

Two Door Cinema Club - Beacon

Os irlandeses Two Door Cinema Club, de Alex Trimble, Kevin Baird e Sam Halliday, lançaram Beacon (trailer), o sucessor de Tourist History (2010), no início deste mês de setembro pelo selo Kitsuné. Beacon tem produção de Garret “Jacknife” Lee (R.E.M., Silversun Pickups, U2, Bloc Party) e foi gravado em abril deste ano em Los Angeles.

O segundo disco destes Two Door Cinema Club não os retira da zona de conforto feita com um indie festivo; No entanto, neste Beacon houve a tentativa de explorar uma sonoridade instrumental mais apurada. De acordo com o vocalista Alex Trimble, Beacon é um disco muito mais íntimo, mas ao mesmo tempo, maior e mais convidativo. Encontrar esse equilíbrio foi uma meta da banda e este álbum leva-nos um passo adiante do que sonhamos ser um dia.

Uma das maiores virtudes de Tourist History, o primeiro disco dos Two Door Cinema Club, era o ritmo, nomeadamente o fluxo instrumental dançante das guitarras. Por isso não foi de estranhar que algumas canções desse álbum surgissem em eventos índie ou que a banda  tocasse em vários festivais pelo mundo inteiro. A estrutura melódica mostrava que as letras eram meros complementos aleatórios, particularidades que também dançavam e existiam unicamente por causa da sonoridade do álbum. Da quase metódica canção de abertura, Cigarettes in the Theatre, ao riff de What You Know e a melancolia de Something Good Can Work, tudo fluia para impressionar e levar os ouvintes a entregarem-se aos encantos e à dança involuntária que o trio imprimia ao longo das canções.

Agora, em Beacon, a estratégia de manter o ritmo frenético em alta mantém-se, mas há mudanças e pequenas substituições na sonoridade, com a banda a aproveitar melhor as letras e a assumir uma postura mais adulta. A gravação no outro lado do atlântico, longe do espaço natural dos músicos, também terá ajudado os Two Door Cinema Club a desligarem-se do ambiente mais adolescente da estreia e a compôr canções com um cariz mais sério e elaborado.

As guitarras de Halliday continuam a ser o fio condutor de praticamente todas as músicas, mas surge, em Beacon, novos instrumentos que remodelam musicalmente a banda, que parece flutuar entre a estrutura de composição típica dos Foals e a pop madura dos Phoenix. Sintetizadores, metais, vozes em coro e uma bateria mais crua, são novos detalhes e particularidades musicais que ampliam consideravelmente os horizontes dos ingleses.

Beacon não é o disco que vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à média dos novos grupos britânicos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Next Year
02. Handshake
03. Wake Up
04. Sun
05. Someday
06. Sleep Alone
07. The World Is Watching
08. Settle
09. Spring
10. Pyramid
11. Beacon

Two Door Cinema Club - Sleep Alone (Edit) by Fracto


autor stipe07 às 16:48
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

Sic Alps – Sic Alps

Os Sic Alps são uma banda norte americana, natural de São Francisco e liderada por Mike Donovan e Matthew Hartman. Estão desde o ano passado na Drag City e continuam, orgulhosos, a passear distorção doce sobre melodias e acordes, algo bem audível no disco homónimo, editado no passado dia onze de setembro.

Os Sic Alps são uma das bandas mais originais do chamado garage rock dos últimos anos e já criaram uma sonoridade estranhamente familiar e sua. Sonoramente abordam memórias dos anos sessenta e dos Pavement e reminiscências do noise pop e criam, desse modo, canções simples, daquelas que vão direitinhas para o compêndio do bom rock americano.

Não têm a agressividade, nem a demência de alguns nomes fundamentais dentro do género musical que abordam, nomeadamente os já citados Pavement, os My Bloody Valentine, os Sonic Youth, ou os The Jesus And Mary Chain, mas sobra-lhes a capacidade e a vontade de atropelar carinhosamente o garage rock, o lo fi e a pop, algo bastante ambicioso se pensarmos que usam apenas uma guitarra, a bateria e a voz. Em jeito de curiosidade, é impressionante perceber que os elementos do grupo desdobram-se pelos instrumentos e trocam de posição com uma versatilidade pouco vista.

Neste disco homónimo que, já agora, sucede a A Long Way Around To A Shortcut e a U.S. EZ (EZ lê-se easy), nota-se um cuidado enorme ao nível dos arranjos, a cargo de Ryan Francesconi (colaborador assíduo de Joanna Newsom). Assim, as canções transpiram sujidade e um rock duro, libidinoso, cheio de virtuosismo, como se a essência mais bastarda da América estivesse, afinal de contas, traduzida numa guitarra e numa bateria armadas com sentido prático e depois emaranhadas em eco, sem complicações ou mensagens profundas.

Em suma, nos Sic Alps o rock soa ressacado, a meio gás e, no entanto, contém um magnetismo psicótico difícil de explicar e de resistir, como as melhores as coisas na vida, se calhar. Parece fácil, tem estilo e é aconselhável que, se souberem tocar, tentem isto em casa.
A banda anda em digressão com os Thee Oh Sees, por agora apenas em solo norte-americano. Espero que aprecies a sugestão...

01. Glyphs
02. God Bless Her, I Miss Her
03. Lazee Son
04. Polka Vat
05. Wake Up, It’s Over II
06. Drink Up!
07. Thylacine Man
08. Moviehead
09. Rock Races
10. See You On the Slope


autor stipe07 às 21:42
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Curtas... LVI

Lonerism , dos Tame Impala, é um disco que tenho ouvido com regalo e insistência e de longe um dos grandes discos de 2012. Está cheio de canções que brevemente merecerão uma resenha neste blogue. São densas e banhadas pelo experimentalismo e com uma sonoridade pouco óbvia e, ao mesmo tempo, bastante colorida; Em alguns instantes Lonerism apresenta músicas mais comerciais, como é o caso do single Elephant. Esta canção acaba de ter direito a uma incrível remistura, com uma sonoridade próxima do original, mas que vai crescendo, gerando uma composição grandiosa e muito próxima das pistas de dança.

A remistura está disponível para download gratuíto pela Modular em troca do endereço de email.

 

 

Os Hospitality lançaram um disco homónimo no início deste ano e são um grupo norte americano que aposta naquele indie rock que surgiu no final da década de noventa pela mão de grupos como os The New Pornographers, ou os The Fiery Furnaces.

A empolgante e aditiva Monkey, é mais uma canção retirada desse álbum homónimo, será editada no final do próximo mês, mas já poderá ser escutada logo abaixo.

 

Quem acompanha a carreira dos tais canadianos The New Pornographers sabe que alguns dos seus membros têm interressantes carreiras a solo e projetos paralelos, com particular destaque para Dan Bejar e o seu projeto paralelo, os Destroyer, que produziram, em 2011, o extraordinário Kaputt.

A.C. Newman é outro elemento dos The New Pornographers com um projeto paralelo, neste caso a solo e que nos envolve com a mesma indie rock melódica que há anos define o trabalho do grupo norte-americano a que pertence. Encyclopedia of Classic Takedowns é  um belo exemplar do que o músico prepara para o dia nove de outubro, quando Shut Down the Streets, o seu novo álbum dessa carreira a solo, for apresentado.


Gosto de rap e hip hop quando esse género musical tem a capacidade de me surpreender completamente, algo que sucede quando me predisponho a embrenhar-me a fundo nas novidades que também surgem nessa área musical. Agora descobri Action Bronson, um rapper que também é cozinheiro e que editou este ano uma mixtape intitulada Blue Chips, um dos melhores exemplares do género de acordo com a crítica especializada, porque aposta em samples e rimas coesas.

Mas este músico natural de Nova Iorque prossegue com o lançamento de novos e ainda mais atrativos singles, como é o caso de It’s Me, uma pequena canção carregada de um clima caliente, que serve para apresentar o próprio artista, que nela canta uma sucessão de rimas velozes e bem estabelecidas.


E já que estamos numa de rap, divulgo os Death Grips e algumas canções disponíveis para download gratuíto de The Money Store, o último disco deste projeto. Dele destaco a soberba I’ve Seen Footag, de longe a melhor canção do álbum e que teve direito a um vídeo interativo, realizado em parceria com a MTV. Cliquem aqui e experimentem a Gif Me More Party, o conceito por trás do vídeo e garanto que não se irão arrepender.

Já agora, disponibilizo também, na íntegra e para audição, The Money Store.


autor stipe07 às 13:08
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012

The Heavy – The Glorious Dead

Gravado em Columbus, na Geórgia, Estados Unidos, com um coro gospel, The Glorious Dead é o segundo disco da banda soul britânica The Heavy, liderada pelo carismático Kevin Swalby e lançado no passado dia vinte e um de agosto pela Counter Records/Ninja Tune. The Glorious Dead sucede ao álbum de estreia, The House That Dirt Built, disco editado em 2009.

A linha musical do grupo é uma mistura de soul e rock. É como se o Ray Charles tivesse gravado com os Rolling Stones.

Os The Heavy têm potencial para agradar a vários públicos e seguem uma tendência sonora muito atual, que mistura a tal soul com o funk, uma espécie de pacote vintage onde os Alabama Shakes serão uma espécie de expoente no que concerne às mais recentes novidades.

O disco abre em grande estilo com a fantástica Can’t Play Dead, uma canção com uma guitarra cheia de efeitos, que lhe dá uma sonoridade épica e cinematográfica e fecha com a sensualidade de Blood Dirt Love Stop. Pelo meio fica claro que a voz de Kelvin Swaby e a guitarra desconcertante de Dan Taylor nasceram mesmo um para o outro.

Resumindo, The Glorious Dead contém uma mistura dos melhor do passado com o som agressivo do melhor rock de garagem da atualidade. Espero que aprecies a sugestão...

The Heavy - The Glorious Dead

01. Can’t Play Dead
02. Curse Me Good
03. What Makes A Good Man
04. Big Bad Wolf
05. Be Mine
06. Same Ol’
07. Just My Luck
08. The Lonesome Road
09. Don’t Say Nothing
10. Blood Dirt Love Stop


autor stipe07 às 21:10
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Eugene McGuinness - The Invitation To The Voyage

Citei o ainda pouco conhecido cantor britânico Eugene McGuiness em Curtas... XXVII por causa de Shotgun uma das canções que mais gozo me deu descobrir no presente ano. Alertado por esse single fiquei à espera do disco, que chegou no passado mês de julho através da Domino Records. A rodela intitula-se The Invitation To The Voyage e depois de dois álbuns folk-pop e de tocar para Miles Kane, Eugene volta a apostar na pop típica dos anos oitenta.

01. Harlequinade
02. Sugarplum
03. Lion
04. Videogame
05. Shotgun
06. Concrete Moon
07. Thunderbolt
08. Invitation To The Voyage
09. Joshua
10. Japanese Cars


autor stipe07 às 17:27
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

Curtas... LV

Os Beacon preparam-se para lançar um novo EP, intitulado For Now e a Ghostly International está a disponibilizar o primiero single. A canção chama-se Feeling's Gone, também traz um instrumental na bagagem e é um original dos londrinos Fort Romeau.

 

Os finlandeses Paperfangs, uma banda de indie pop muito conceituada nos meandros mais alternativos do cenário muscial europeu, acabam de oferecer aos mais atentos uma cover de Everyday, um original de Buddy Holly, um conceituado cantor  norte americano, nascido em 1936 e falecido em 1959 e considerado como um dos pioneiros do rock e da folk. Aproveita...


Os Black Marble são uma dupla natural de Brooklyn e que se prepara para lançar, no próximo dia nove de outubro, A Different Arrangement, o disco de estreia, através daSub Pop. Static é o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.


O quarteto noise pop californiano Dum Dum Girls está de volta como um novo EP chamado End of Daze e que será editado, pela Sub Pop, amanhã, dia vinte e cinco de Setembro.

O EP será lançado, em princípio, apenas em vinil (com MP3 pra download); São cinco músicas, sobras do trabalho de estúdio que deu origem a Only In Dreams e todas produzidas por Sune Rose Wagner, dos Raveonettes.


 

Os canadianos The Wilderness of Manitoba, acabam de lançar Island Of Echoes, um álbum cuja sonoridade obedece à tipica sonoridade folk do grupo, mas que saúda também diferentes influências. O grupo não esconde a sua inspiração, que vai dos Fleetwood Mac à obra de Crosby, Stills, Nash e Young.

Tudo é feito com esmero, e se o disco começa com a cansativa Morning Sun, disponível para download gratuito, cresce a cada canção até atingir níveis etéreos dignos de um Bon Iver. Não é um álbum de rutura, mas de continuidade. Espero que aprecies a sugestão...

The Wilderness Of Manitoba - Island Of Echoes

01. Balloon Lamp
02. Morning Sun
03. Echoes
04. The First Snowfall
05. The Aral Sea/Southern Winds
06. Chasing Horses
07. White Woods
08. Golden Thyme
09. A Year In Its Passing
10. Glory Days
11. The Island of the Day Before
12. The Escape
13. Northern Drives

 

 

Quem se estreou no discos com um homónimo foram os The Rubens, uma banda australiana de indie rock, natural de Sidney e formada por Zaac Margin (guitarras), Elliott Margin (voz e teclados), Sam Margin (voz e guitarras) e Scott Baldwin (bateria). Em termos de sonoridade encontram raízes em bandas como os The Black Keys, The Doors e Cold War Kids. Confere...The Rubens - The Rubens

01. The Best We Got
02. My Gun
03. Never Be The Same
04. Lay It Down
05. Be Gone
06. Elvis
07. The Day You Went Away
08. I’ll Surely Die
09. Look Good, Feel Good
10. Don’t Ever Want To Be Found
11. Paddy


autor stipe07 às 19:04
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The XX - Coexist

Terminou no passado dia dez de setembro a  longa espera entre o primeiro álbum quase homónimo dos XXCoexist, o mais recente longa duração do grupo, lançado pela Young Turks. Mais de três anos depois de nos termos deliciado com VCRCrystalisedInfinity Islands, o trio remanescente composto por Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith (a baixista Baria Qureshi deixou o grupo ainda em 2009) regressa à habitual sonoridade redutora e minimal e faz jus à sua imagem de marca, apenas limpando alguma poeira da estreia, além de ampliar os índices de criatividade.

Ao contrário de outros projetos que preparam o sempre traumático segundo disco, o tempo foi, sem dúvida, um aliado na curta e bem resolvida trajetória dos The XX. Ocorreram transformações na vida de cada um dos componentes da banda nos últimos anos e, apesar da espera, manteve-se o carinho e uma pressão positiva por parte do grande público.

Este espaço temporal relativamente longo entre um trabalho e outro fez-nos salivar imenso e talvez, devido a toda essa ansiedade acumulada, não seja fácil ajuizar facilmente e com imparcialidade o conteúdo de Coexist, razão pela qual não me causou admiração ter percebido, nas críticas que li, o estado de embriaguez absoluta que se apoderou dos ouvidos dos críticos, dos fãs e dos musical opinion makers.  E tudo gira à volta da mesma ideia; a genialidade da estreia fez desse disco um clássico natural e imediato e Coexist, para alegria de todos nós, plagia essa proposta inicial quase na íntegra. Assim, o que para outras bandas seria motivo de crítica e de acusação por défice de originalidade e de capacidade em arriscar noutros campos sonoros, para os The XX é sinónimo de sucesso pleno e de acerto, até quando é referida a semelhança entre as capas dos dois discos.

O grande desafio que se coloca é descobrir não aquilo que junta mas o que de algum modo separa XX e Coexist. Na minha opinião, XX era um registo que valorizava as guitarras, a voz e as batidas de forma heterogénea e pontual. Agora, Coexist consegue ir um pouco mais além; Mantendo-se o minimalismo intimista da estreia na dream pop de Angels (uma canção que fala da dicotomia entre amor e separação) e na eletrónica quase dançante de Reunion, tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes ainda são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra do trio britânico, mas a diferença está na maneira como exploram essa unidade e nas nuances sonoras que interligam as canções. No fundo, a receita é exatamente a mesma, mas a sonoridade foi renovada, tendo cabido ao baterista e produtor Jamie Smith assumir a linha da frente nessa tarefa, nomeadamente quando acerta nas batidas hipnóticas que servem de base para as vozes de Romy e Oliver. Todos estes acertos encontram o seu apogeu no tom nebuloso e na sonoridade sintética de Missing, para mim a melhor música do disco e uma das canções do ano.

Mesmo que não se ouçam versos fáceis e sons característicos como os que definiam VCR e principalmente Crystalised e isso crie um sentimento de ausência na primeira audição de Coexist, à medida que nos afundamos no disco melhor percebemos que o acerto iniciado há três anos ainda vigora. O trio mantém a essência da estreia e encontra uma variedade de novas possibilidades sonoras, passando assim, com distinção, na prova do difícil segundo álbum. Coexist instiga, hipnotiza e emociona. Espero que aprecies a sugestão...

The XX - Coexist

01. Angels
02. Chained
03. Fiction
04. Try
05. Reunion
06. Sunset
07. Missing
08. Tides
09. Unfold
10. Swept Away
11. Our Song

 


autor stipe07 às 14:03
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Domingo, 23 de Setembro de 2012

The Raveonettes - Observator

Os Raveonettes estão a ter um 2012 em cheio. Apenas cinco meses depois de terem lançado o EP Into the Night, o casal Sune Rose Wagner e Sharin Foo editou Observator, o novo álbum, no início de setembro, através da etiqueta VICE e que sucede a Raven In The Grave, lançado em 2011.

Observator é o sexto disco da carreira da banda. A produção ficou a cargo do guitarrista Sune Rose Wagner e de Richard Gottehrer (colaborador de longa data do casal). O novo trabalho mantém a sonoridade melódica e marcante dos discos mais recentes e traz novos elementos, um pouco mais sombrios, mas que ampliam o reportório sonoro do grupo.

O título do álbum não deve ser por acaso, já que a temática das nove canções gira em redor da sensação de curiosidade e da busca de alguém distante e que é perseguido incansavelmente. Sobre o processo de criação do disco, o próprio Sune Rose Wagner mencionou numa entrevista que se baseou muito no hábito que desenvolveu de captar ideias e frases soltas na sua vivência diária. Grande parte das letras de Observator terão sido inspiradas em pessoas que o músico conheceu durante uma época recente em que esteve deprimido e abusou de substâncias ilícitas. Esta história faz algum sentido quando se nota o clima doloroso e pesado de algumas canções.

O álbum abre com a folk setentista de Young And Cold. Depois, um som de bateria abafado e cheio de groove introduz a bela Curse The Night, uma canção doce, um quase lamento subtil. Logo a seguir, somos prendados com a sublime The Enemy, uma composição onde uma guitarra potente dá à voz de Sharin Foo um fundo musical envolvente e que constitui um dos pontos altos do disco.

A segunda parte do álbum começa na acelerada Sinking With The Sun, que incorpora referências à surf music acompanhadas de melodias empoeiradas e um refrão marcante. A tal sensação de observação à distância atinge o âmago com a poderosa balada She Owns the Street. A animada Downtown traz a tona as já conhecidas referências da dupla, nomeadamente os The Jesus and Mary Chain, com a canção seguinte You Hit Me (i’m Down) a utilizar teclados e inúmeras camadas sonoras que comprovam a tal evolução sonora do grupo.

Com já onze anos de carreira os The Raveonettes mantêm um nível qualitativo elevado com este Observator e as inovações sonoras apresentadas surpreendem de algum modo e mostram que o grupo também acerta quando ousa experimentar, o que me leva a achar que deveriam arriscar sair mais vezes sair da chamada zona de conforto. Espero que aprecies a sugestão...

01. Young And Cold
02. Observations
03. Curse The Night
04. The Enemy
05. Sinking With The Sun
06. She Owns The Streets
07. Downtown
08. You Hit Me (I’m Down)
09. Till The End


autor stipe07 às 17:00
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

Curtas... LIV

Os irlandeses Snow Patrol, liderados por Gary Lightbody, acabam de editar uma compilação simplesmente intitulada Snow Patrol. O álbum inclui canções retiradas dos dois primeiros álbuns da banda (Songs for Polarbears - 1998 e When It's All Over We Still Have to Clear Up - 2001) e foi lançado pela Jeepster Recordings Ltd, etiqueta que abrigou a banda no início da sua carreira.

Além disso, também consta do alinhamento duas gravações inéditas de 1998, a bela Santa Maria e Even Touching Dundee, que capta a opinião da banda sobre o atentado terrorista perpretado pelo IRA em Omagh, cidade da Irlanda do Norte, nesse ano. Confere...

Snow Patrol - Snow Patrol

01. An Olive Grove Facing The Sea
02. On/Off
03. Santa Maria
04. Mahogany
05. Velocity Girl
06. Limited Edition

07. One Night Is Not Enough
08. Even Touching Dundee
09. When It’s All Over We Still Have To Clear Up
10. Fifteen Minutes Old
11. The Last Shot Ringing In My Ears
12. Chased By…I Don’t Know What

 
 

Patrick Wolf anunciou no seu site oficial o sexto álbum de estúdio, Sundark & Riverlight. O registo contém novas versões, gravações e remisturas de  versões acústicas de alguns dos primeiros temas do músico.

Segundo o próprio Wolf, este projecto começou quando percebi que tinha chegado ao jubileu de dez anos como artista, já que o meu primeiro EP saiu quando tinha dezanove anos e neste tempo a minha voz cresceu comigo. Comecei a tocar só com um instrumento e a cantar sem microfones em clubes de folk, nas ruas e galerias, acrescenta Patrick sobre os primeiros tempos.

O álbum foi gravado nos estúdios Real World, de Peter Gabriel. Sobre o facto de se concentrar em versões acústicas, o músico declara que quis apresentar uma biografia musical no seu décimo aniversário.

Wolf também aponta como inspiração para o álbum o facto de ter decidido voltar a tocar harpa céltica, que o fez reviver o seu gosto por música medieval, minimalista e renascentista clássica. Confere...

Patrick Wolf - Sundark And Riverlight

CD 1
01. Wind In The Wires
02. Oblivion
03. The Libertine
04. Vulture
05. Hard Times
06. Bitten
07. Overture
08. Paris

CD 2
01. Together
02. The Magic Position
03. Bermondsey Street
04. Bluebells
05. Teignmouth
06. London
07. House
08. Wolf Song

MySpace
[mp3 256kbps] rg tb dm

 

Depois de no Curtas... LII ter divulgado a melancólica Marilyn das Bat for Lashes, eis que agora foi dada a conhecer All Your Gold, mais uma canção que fará parte de The Haunted Man, o terceiro trabalho do projeto comandado pela vocalista Natasha Khan e que será lançado no dia quinze de outubro. Confere...

Bat For Lashes - All Your Gold by Bat for Lashes

 

 

Sem perder um profunfo e vincado caráter pop, Mac DeMarco é um músico que faz da sonoridade caseira uma das suas imagens de marca. Exemplo nítido está em Freaking Out the Neighborhood, o mais recente single do artista canadiano e disponível para download gratuito. A canção destila acordes e solos de guitarra que remetem para os anos oitenta e prepara a chegada de um novo álbum do músico, com data prevista para dezasseis de outubro e que deverá manter a tonalidade festiva que ele constrói há imenso tempo.

Mac DeMarco // "Freaking Out The Neighborhood" by capturedtracks

 

Sam Ray apresenta-se como Ricky Eat Acid no contexto ambient. Por outro lado, Arrange é o nome de palco de Malcom Lacey, que já deu que falar em 2012 com New Memory e em 2011 com Plantation, dois discos que divulguei oportunamente.

Estes dois jovens americanos juntaram-se para gravar um álbum completo, que passou por algumas dificuldades de produção (leia-se avaria do computador de Sam), até que ambos decidiram lançar via bandcamp as quatro músicas que conseguiram efectivamente terminar, num EP intitulado Sketches.

Tanto as vozes como parte dos instrumentos e dos sintetizadores ficaram a cargo de Malcom. Sam contribuiu com o restante, nomeadamente guitarra, piano, bateria e também fotografia. A produção foi um esforço conjunto.

Estas quatro músicas convidam à reflexão, quer por causa da voz fantasmagórica de Sam, quer devido à percussão acutilante de Malcom. São perturbadoras, mas invocam também uma beleza etérea, bem retratada no artwork arte do álbum. Ponham os auscultadores e cliquem play, porque não se vão arrepender.

01. Champagne Life
02. P. S. L. W.
03. Brand New
04. Alumni 

ricky eat acid + arrange: sketches by arrange


autor stipe07 às 13:58
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

Grizzly Bear - Shields

Até parece mentira, mas já foi em 2004 que Horn of Plenty estreou os nova iorquinos Grizzly Bear de Edward Dros, Daniel Rossen, Christopher Bear e Chris Taylor nos lançamentos musicais. Na época, o disco passou despercebido e até há quem não o inclua na discografia oficial da banda, até porque foi composto inteiramente pelo vocalista, Edward Dros, com apenas algumas contribuições do baterista, Christopher Bear. Agora, quase uma década depois, chega Shields, o quarto disco dos Grizzly Bear, editado a dezoito de setembro através da Warp Records.

Grizzly Bear Returns With Fourth Album: Hear New Song 'Sleeping Ute'

Horn of Plenty, talvez por ter sido composto a solo, refletia muita melancolia exposta na camada de ruídos experimentais e compostos acinzentados que se percebiam até na capa do disco. Esse álbum ganha de novo importância quando nos deparamos com o conteúdo deste novo Shields, porque traz de volta a mesma camada extra de ruídos que perfumavam o tratado de estreia ao mesmo tempo que aprofunda e melhora a sonoridade do antecessor Veckatimest (2009) com uma dose extra de guitarras e versos ainda mais épicos e acessíveis, defraudando quem achava que  a banda não seria jamais capaz de apresentar um disco tão intenso como o que lançaram há três anos e quem lidava com o constante medo e até a descrença do público, que assiste a cada novo lançamento com uma angústia de quem clama pela queda da banda. Assim, Shields tem canções que se deixam impregnar pela crueza das guitarras (Yet Again) e outras com uma estrutura sonora mais convencional (Sun In Your Eyes), havendo uma espécie de fórmula base para as canções, mas com o acrescento de arranjos onde contrastam elementos acústicos e elétricos e que deitam por terra qualquer sintoma de monotonia e repetição ao longo da audição. Por exemplo, A Simple Answer tem um clima épico e uma instrumentação detalhada, que obedece às ditas associações instrumentais que começaram a escutar-se logo no início da carreira do grupo, que vai mais além quando, em The Hunt, tocam no jazz e de maneira particular com a música pop e a folk em Gun-Shy. É como se o grupo, mesmo atento ao que foi proposto no passado, se deixasse conduzir em diversos momentos por uma série de ineditismos naturais, nomeadamente as melodias vocais dos Fleet Foxes, o ambiente dos Talk Talk ou mesmo referências vindas das carreiras a solo dos próprios músicos da banda.

Shields sabe melhor a cada audição; Há sempre um ponto de novidade na execução do disco, que vai da rejeição inicial à compreensão posterior e completa aceitação, como se a banda, ciente da complexidade das suas produções, fizesse questão de oferecer em pequenas doses tudo aquilo que ouvem e os influencia. Espero que aprecies a sugestão...

Grizzly Bear - Shields

01. Sleeping Ute
02. Speak In Rounds
03. Adelma
04. Yet Again
05. The Hunt
06. A Simple Answer
07. What’s Wrong
08. Gun-Shy
09. Half Gate
10. Sun In Your Eyes


autor stipe07 às 22:04
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

Band Of Horses - Mirage Rock

Mirage Rock é o nome do quarto disco dos norte-americanos oriundos de Seattle Band of Horses, rodela que viu a luz do dia no passado dia dezoito de setembro através da Columbia Records e que aposta na mesma sonoridade do antecessor Infinite Arms, disco de 2010. Assim, Mirage Rock mantém esta banda que desde o primeiro disco conseguiu cativar uma multidão de ouvintes e fieis seguires presa à country. Acaba por apresentar como maior novidade um maior foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras, algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada knock knock.

Liderados por Ben Bridwell, os Band Of Horses já são hoje um dos grupos mais respeitáveis do cenário rock do país natal e chegam ao quarto disco a cimentar as referências sonoras que durante quase uma década têm sido essenciais para o grupo, sem aparente sinal de desgaste. Este Mirage Rock acaba por ser a proposta mais comercial e pop, mantendo, como já referi, as assumidas conexões estabelecidas com o cancioneiro norte-americano presente em Infinite Arms.

Durante a audição do álbum aquilo que mais senti foi uma certa leveza nas canções, uma enorme busdca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras. O resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável, desde que, previamente, se tenha em conta o universo sonoro típico dos Band Of Horses.

Convidado para assumir a produção do disco, Glyn Johns, um veterano que já trabalhou ao lado de bandas como Led Zeppelin, os The Beatles e os The Who, pouco interferiu na construção do registo, que mantém as mesmas bases dos álbuns anteriores. Glyn não terá o mesmo brilhantismo notável de Phil Ek, produtor que acompanhou o grupo durante os dois primeiros discos e, por isso, faltará aqui algum fôlego e canções mais marcantes. Seja como for, Mirage Rock tem sentimento e os Band Of Horses continuam a impressionar como na estreia. Espero que aprecies a sugestão...

NSMr7 Band Of Horses   Mirage Rock 2012

01 – Knock Knock
02 – How To Live
03 – Slow Cruel Hands Of Time
04 – A Little Biblical
05 – Shut-In Tourist
06 – Dumpster World
07 – Electric Music
08 – Everything’s Gonna Be Undone
09 – Feud
10 – Long Vows
11 – Heartbreak On The 101

Mirage Rock by bandofhorses


autor stipe07 às 19:02
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Minta & The Brook Trout - Olympia

Lançado ontem pela Optimus Discos, Olympia é o delicado e saboroso novo disco do projeto nacional Minta & The Brook Trout, formado por Francisca Minta Cortesão (voz e guitarra), Mariana Ricardo (voz, baixo e ukulele), Manuel Dordio (guitarra eléctrica e lap steel) e Nuno Pessoa (bateria e percussão). Olympia sucede ao disco de estreia homónimo de 2009.

A estreia da banda nos discos ocorreu em 2008, com o EP You e no ano seguinte, como já referi, surgiu um disco homónimo que, na altura, foi bastante elogiado pela crítica devido à perfeição como a banda conseguiu interpretar uma espécie de binómio luminosidade/simplicidade, muito presente nas canções. Depois desse sucesso que, infelizmente, não lhes deu a merecida visibilidade, escreveram mais dez canções que irão, espero eu, catapultá-los definitivamente para a linha da frente do panorama musical nacional.

Este Olympia foi produzido por Mariana Ricardo e Francisca Cortesão, gravado e misturado em Paço de Arcos por Nelson Carvalho e terminado em Phoenix, no Arizona, onde foi misturado por Roger Siebel, um reputado nome que já pôs as mãos em discos de Bill Callahan, Dodos, Laura Veirs, Elliott Smith e M. Ward.

Falcon, disponível para download gratuito aqui, foi o primeiro single retirado de Olympia e, de acordo com a banda, a música mais rápida de escrever e de arranjar do novo disco, por ser uma típica canção pop. Este tema conta com convidados de luxo, como Afonso Cabral e Salvador Menezes (You Can't Win, Charlie Brown), Madalena Palmeirim (Nome Comum) nos coros e uma seção de sopros liderada pelo saxofonista João Cabrita e é um excelente ponto de partida para descobrir o restante conteúdo de Olympia.

Pessoalmente gostei muito do tema Future Me; Dou por mim a cantarolar aquele uhuhuhh do refrão imensas vezes, um excerto lírico e sonoro que demonstra a saúde critiva desta banda e como a simplicidade é, tantas vezes, a melhor amiga da perfeição! Mas também há alguns detalhes, nomeadamente em determinados arranjos, que espelham a míriade de influências que de algum modo balizam e inspiram os Minta & The Brook Trout. Bons exemplos são, como refere Francisa Cortesão na entrevista que deu a este blogue e que transcrevo abaixo, Falcon, sobretudo com o som dos sopros e da bateria e o conjunto de instrumentos e vozes que conseguiram encaixar no tema The Right Boulevards.

Olympia resulta certamente de um processo consciente de escrita e composição, durante o qual terão havido também vários momentos criativos cheios de espontaneidade e posteriormente reaproveitados e sabe a uma certa inocência romântica, daquela boa porque consegue mexer com os nossos sentimentos mais profundos e sinceros.

Este disco figurará certamente na lista dos melhores lançamentos nacionais do ano. Confere a entrevista que a Francisca Minta Cortesão deu a Man On The Moon e os dois álbuns do grupo.

Agradeço à Let's Start A Fire, na pessoa da Raquel Lains, pelo exemplar do disco, que me possibilitou já escutá-lo inúmeras vezes e assim escrever estas breves notas e divulgá-lo. E também lhe agradeço por ter intermediado o meu contato com os Minta & The Brook Trout, de forma a que me respondessem a algumas questões sobre este excelente álbum. Espero que aprecies a sugestão... 

Eggshells

Falcon

Blood And Bones

Future Me

Family

Devil We Know

From The Ground

The Right Boulevards

Gold

At Your Will

 

Depois do homónimo de 2009, os Minta & The Brook Trout estão finalmente de volta... muito sinteticamente, como é que nasceram estas dez novas canções? Houve, em Olympia, mais geração espontânea ou trabalho de sapa?

Creio que há das duas, quase em partes iguais! As canções tendem a surgir mais de geração espontânea, embora tenham sempre de ser buriladas depois disso. Os arranjos normalmente implicam mais trabalho de sapa, mas num ou noutro caso também surgiram tão naturalmente que podemos falar em geração espontânea.

 

A Francisca disse um dia que vocês soam a uma  confusão confortável, “entre uns Fleet Foxes e um Bill Callahan. Estmos a falar de duas referências para o projeto, ou só no final das canções e depois de ouvirem Olympia na íntegra é que perceberam esta ligação?

São duas das minhas incontáveis referências, não posso falar pelo resto da banda. Na verdade, embora tenhamos muitos gostos em comum, não ouvimos de todo exactamente as mesmas coisas – o que acho que só enriquece o som que fazemos juntos.

 

Adorei Future Me; Dou por mim a cantarolar aquele uhuhuhh imensas vezes! E para a banda... há uma canção preferida neste álbum?

São dez e ainda estamos muito apaixonados por todas! Em termos de gravação, acho que ficámos unanimemente muitíssimo satisfeitos com o "Falcon", sobretudo com o som dos sopros e da bateria, e com o conjunto de instrumentos e vozes que conseguimos encaixar no "The Right Boulevards".

 

Como surgiu a oportunidade de contar com as participações de Afonso Cabral e Salvador Martins (You Can´t Win Charlie Brown) e Madalena Palmeirim (Nome Comum)? foi tudo muito espontâneo ou houve convites que resultaram de uma profunda ponderação?

Temos a sorte de viver em Lisboa em 2012. Temos muitos amigos músicos e as coisas têm se proporcionado desta forma, muito naturalmente. Assim como esses três amigos vieram gravar coros neste nosso disco, estive eu a gravar coros com o Walter Benjamin, com a Márcia ou o B Fachada. A comunidade musical de Lisboa é muito variada e generosa, e creio que temos todos aproveitado isso da melhor maneira.

 

O disco foi produzido por Mariana Ricardo e Francisca Cortesão  e terminado em em Phoenix, no Arizona, onde foi misturado por Roger Siebel, um reputado nome que, como sabemos, já pôs as mãos em discos de Bill Callahan, Dodos, Laura Veirs, Elliott Smith e M. Ward. Que importância teve este nome no resultado final?

A masterização é o último processo pelo qual o som passa antes do disco ser finalizado. Na mistura, que foi feita pelo Nelson Carvalho, que também gravou o disco, decidiram-se os volumes e os espaços de cada instrumento. A masterização é uma espécie de "verniz" que se passa no final: os timbres ficam mais definidos. Fiquei muito contente com o som do disco; escolhemos o Roger Siebel por gostarmos tanto do som de alguns dos discos desses nomes de que falas e não ficámos desiludidos.

 

Confesso que assim que pus as mãos ao meu exemplar de Olympia, saltou-me à vista o fantástico artwork de José Feitor e fiquei bastante curioso... Há naqueles desenhos algo de conceptual e relacionado com o conteúdo sonoro do disco?

O José Feitor foi ouvindo as músicas e apresentou-nos aquelas artes gráficas, de que gosto imenso. Não houve indicações directas, é a interpretação dele do disco – e eu não podia estar mais satisfeita com a capa e o artwork.

 

Como têm corrido os concertos de promoção ao disco... Onde é que os leitores de Man On The Moon vos podem ver e ouvir por cá nos próximos tempos?

Tivemos o primeiro concerto na D'Bandada no Porto, e correu muitíssimo bem. No nosso site –www.minta.me – pode consultar-se a agenda de concertos, mas para já é mesmo importante dizer que nesta quinta lançamos oficialmente o disco no Conservatório, no Bairro Alto, com três dos magníficos cantores que gravaram o disco: o Afonso Cabral, o Salvador Menezes e a Madalena Palmeirim.

 

Tem sido importante para os Minta o casamento com a Optimus Discos?

A Optimus Discos, através do Henrique Amaro, tem-nos tratado muitíssimo bem.

 

Desde You, o EP de estreia em 2008, até este Olympia, consideram ir já a meio de uma longa viagem, ou acham que ainda estão a descolar?

Acho que só vou conseguir responder a essa pergunta daqui a uns dez anos! Não sei bem em que momento da viagem é que vamos, mas vamos felizes, é a única coisa que posso dizer com toda a certeza.

 Olympia

Minta & The Brook Trout


autor stipe07 às 19:12
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Curtas... LIII

A dupla Fergus & Geronimo lançou no início do passado mês de agosto um disco que infelizmente descobri apenas há poucos dias. Lançado pela Hardly Art, Funky Was the State of Affairs tem recebido enormes elogios do público mais atento que afirma ter potencial para ser considerado um dos álbuns mais estranhos do ano, interpretando tal nomeação no sentido positivo. 

 

 

 

A dupla berlinense Renaissance Man divulgou recentemente, por intermédio da DFA Records, uma fantástica remistura para Aaron, um original de Dan Bodan. Dan é um músico oriundo do Canadá e sediado em Berlim, que num ápice passou do estatuto de ilustre desconhecido para o de next big thing desde que foi anunciado como a mais recente contratação da DFA Records. A sua estreia na editora nova-iorquina é feita com o lançamento do DP/Aaron EP, uma edição que inclui Aaron (ou 아론 em coreano) e DP e suas respectivas remisturas da autoria de m.e.s.h. e Renaissance Man, respectivamente. Confere e usufrui.

Dan Bodan - DP/AARON EP w/ remixes by DFA Records

 

Já são conhecidas várias remisturas para Softkiss um dos destaques de Driver, o último disco dos Lemonade. Confere as versões da autoria de Pional e Anthony Naples e diz-me qual é a tua preferida. O meu voto vai para a remistura de Pional...

 

 

Há alguns meses Nicolas Jaar, o responsável pelo excelente Space Is Only Noise de 2011, apresentou, através da rádio BBC de Londres uma mixtape com algumas invenções particulares e inclusões de músicas de outros artistas, dos quais destaco Johnny Greenwood, Feist e até NSYNC, imagine-se. Esta seleção acaba de ser lançada, na íntegra, sem cortes e outras edições feitas pela BBC, na página soundcloud do selo do produtor, o Clown & Sunset, o mesmo selo que apresentou recentemente a ótima coletânea Don’t Break My Love.

Com este trabalho, este produtor norte-americano tornou claro por que é um dos grandes nomes da nova geração de produtores oriundos do seu país natal.

 

 

Para quem tem curiosidade em se atualizar relativamente ao estado do pós-punk atual, não há nada mais indicado do que escutar a discografia dos The Soft Moon. Soam como uma espécie de car crash entre os Joy Division e os Sonic Youth da década de oitenta e incorporam uma postura sombria e sempre permeada por distorções que ocupam os nossos ouvidos e o nosso cérebro.

Depois de terem revelado Die Life há pouco mais de um mês, disponibilizaram recentemente, para download gratuito, Insides, canção que desmistifica quem entende que os Interpol ou os The Horrors são os únicos grandes reinventores do género atualmente. A canção faz parte do disco Zeros, que será lançado no dia trinta de outubro e ao qual estarei atento.

The Soft Moon // "Insides" by capturedtracks


autor stipe07 às 13:14
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012

Thieving Irons – Behold, This Dreamer!

Os Thieving Irons são Nate Martinez, Dan Brantigan, Josh Kaufman e Andy Nauss e vêm de Brooklin, na Big Apple. Behold, This Dreamer! sucede ao disco de estreia This Midnight Hum (2010) e foi lançado no passado dia cinco de junho, sendo o título inspirado no nome de um livro que Nate Martinez encontrou, em tempos, numa livraria em Chicago.

De acordo com a banda, Behold, This Dreamer! pretende descrever aquele indiscritível estado do sono em que dá a sensação que estamos acordados, numa espécie de relaxamento extremo, onde a mente só conseguirá encontrar devidamente o mundo dos sonhos se for embalada pela audição deste disco. E isso acontecerá porque a sonoridade indie rock das canções está carregada de sensações positivas que conseguem persuadir a nossa mente a partir à descoberta de algo otimista e levar-nos até ao tal mundo paralelo para onde muitas vezes somos transportados durante o sono.

A voz de Nate acaba por guiar-nos por um mundo onde a natureza, no seu sentido figurado, é uma forma de fugirmos às agruras diárias e percebermos que o ambiente criado por Behold, This Dreamer! tem o céu como limite e última fronteira; Tal sucede porque estas canções são expansivas e estão, ao mesmo tempo, imbuídas por um forte caráter intimista, como se quisessem obedecer ao nosso desejo de fuga, mas sem deixarmos de ter ao nosso lado uma cerveja bem fria e todos aqueles que mais amamos. Espero que aprecies a sugestão...

01. End Of September
02. So Long
03. Behold, This Dreamer!
04. Mile Long Minutes
05. Sleepwalking Into The Ocean
06. Gentle Hands
07. Below The Avenues
08. Poison
09. Block Island Blues
10. Letters To Catherine
11. Venus
12. Swimming With Minnows


autor stipe07 às 19:14
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Domingo, 16 de Setembro de 2012

Dan Deacon - America

O canadiano Dan Deacon é um dos artistas mais alternativos do cenário indie atual. Além de colaborar com vários projetos (neste momento anda às voltas com a banda sonora de Twixt, o novo filme de Francis Ford Coppola), já lançou oito discos desde 2003  e no passado dia vinte e oito de agosto, de acordo com o enunciado em Curtas... XXXVIII, chegou America, o seu álbum mais recente, pela primeira vez através da Domino Records, que também abriga os Dirty Projectors, os Hot Chip e os Animal Collective, algumas das bandas concorrentes de Dan Deacon.

Dan Deacon é um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Nova Iorque acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. 

Em America, Deacon assume uma postura distinta em relação às bandas que o acompanham na editora e que referi acima. America tem uma sonoridade ainda mais grandiosa que os seus discos anteriores; Mantém-se inventivo e converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Não estamos na presença de um disco propriamente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que faço ao disco; No entanto, uma audição atenta deixa perceber, em certos momentos, aproximações ao tal cenário musical erudito que todos reconhecemos. A primeira metade do disco ecoa de forma natural e tem o tempero acessível da pop; Mas a partir de Crash Jam, sexta canção do álbum, o rumo passa a ser outro e várias experiências apoderam-se das canções, nomeadamente desconcertante Guilford Avenue Bridge, canção que torna claro que o território assumido por Deacon será completamente outro. Mesmo que o produtor até sugira inicialmente singles em potência (True Thrush), Is A MonsterThe Great American DesertRail Manifest unem elementos da música clássica com batidas esquizofénicas e samples ruidosos que tendem inevitavelmente a resultar num resultado de proporções épicas.

America é, sem dúvida, o trabalho mais coeso, dinâmico e concetual de toda a trajetória do produtor. Melhor exemplo dessa aproximação com um resultado temático está na extensa condução de USA, canção divida em quatro atos e inevitavelmente a maior (em muitos aspectos) criação do artista até aqui.

Tão grande quanto o território que carrega no título, America transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Deacon. Espero que aprecies a sugestão...

01. Guilford Avenue Bridge
02. True Thrush
03. Lots
04. Prettyboy
05. Crash Jam
06. USA I: Is a Monster
07. USA II: The Great American Desert
08. USA III: Rail
09. USA IV: Manifest

 


autor stipe07 às 20:52
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Sábado, 15 de Setembro de 2012

Curtas... LII

Swing Lo Magellan, o disco mais recente dos Dirty Projectors e um dos melhores do ano para esta publicação, é um álbum cuja adição aumenta a cada audição, não só porque mantém a mesma permissa do elogiado antecessor Bitte Orca, mas também porque aproxima esta banda de Nova Iorque de sonoridades mais comerciais e pop.

Foi a pensar nisso que a banda em parceria com a Pitchfork e o Youtube lançaram um filme experimental intitulado Hi Custodian, uma curta metragem que passeia de forma curiosa pelas canções que fazem parte de Swing lo Magellan. Dirigido pelo vocalista e líder David Longstreth, o vídeo leva-nos, durante vinte minutos, por imagens repletas de significados ocultos, doses ponderadas de nonsense e uma sucessão de imagens que se movimentam de acordo com a instrumentação que se escuta.

 

O segundo álbum do coletivo How to Dress Well irá chamar-se Total Less e está prestes a ver a luz do dia. & It Was U é o single mais recente divulgado do disco, que chegará às lojas apenas no dia dezoito de setembro. Bastante melancólica, esta canção deixa a instrumentação e as batidas em segundo plano, para dar a primazia à voz que parece flutuar entre o Michael Jackson dos primeiros discos e a recente explosão de artistas do universo R&B.

& It Was U by How To Dress Well

 

A Californiana Aimee Mann prepara-se para lançar um novo disco ainda neste mês de setembro e a Noise Trade disponibilizou para download gratuito um pequeno EP com cinco canções desta artista que durante os anos oitenta liderou o grupo Til Tuesday. Confere...

 

 

Lançada oficialmente em 1992 no disco The Wayward Bus, Jeremy é uma canção já um pouco esquecida dos The Magnetic Fields de Stephin Merritt. Agora esta composição acaba de ganhar uma nova vida através da instrumentação ruidosa da banda nova iorquina The Pains of Being Pure at Heart. Jeremy  tem agora uma toada mais dançante e distorcida e fará parte do próximo single do grupo, My Life Is Wrong, que será lançado no dia nove de outubro, preparando o terreno para o sucessor do excelente Belong, editado em dois mil e onze.

The Pains of Being Pure at Heart - Jeremy (Magnetic Fields cover) by edespa

 

Pelo visto cantar ou fazer versões em japonês é uma nova moda na cena musical independente. Recentemente os DIIV viram o single How Long Have You Known, um dos destaques de DIIV, totalmente remodelado pelos Moons. A nova canção incorpora uma sonoridade muito mais voltada para a dream pop e a new wave. Confere a versão original e a versão dos Moons.

DIIV:::How Long Have You Known (Moons美愛Version) by Moons .

DIIV "How Long Have You Known" by capturedtracks



No próximo dia vinte e três de outubro o projeto  vai editar um novo disco intitulado The Haunted Man. Em jeito de antecipação foi disponibilizada a belíssima Marilyn para download grátis na AmazonRecheada de efeitos subtis, teclados, uma percussão controlada e a excelente voz de Natasha Khan, a canção cresce nos nossos ouvidos.

 


autor stipe07 às 16:18
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012

Deerhoof - Breakup Song

De acordo com o que anunciei em Curtas... XLIV, os Deerhoof, uma banda rock de São Francisco, formada por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier estão de regresso aos discos com onze canções pop carregadas de distorções, pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hop, riffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela chama-se Breakup Song, foi produzida por Greg Saunier e viu a luz do dia no passado dia três de setembro através da Polyvinyl Records.

Vivemos num mundo obcecado por jingles, loops e toques de telemóvel. Alguns sons mais suportáveis que outros, todos fazem parte de uma gigante nuvem sonora que também polui, apesar de não ser tão visível como um céu pintado com espessas nuvens de fumo ou um aterro carregado de lixo. E esta é, digamos assim, a primeira visão que tive quando ouvi este Breakup Song, disponibilizado para streaming no sitio NPR. No entanto, não é propriamente de lixo que falo quando uso a metáfora anterior. Ela serve-me para elogiar o conteúdo de um álbum que, sendo um acumulado de diversos detritos sonoros, tem como trunfo maior a voz da japonesa Satomi Matsuzaki, uma miúda cheia de enrgia, com quem dá vontade de rebolar num jardim e acabar com a boca cheia de húmus e pétalas de jasmins e malmequeres. Isso sucede porque em Breakup Song há rumba e synthpop, rock e hip hop, guitarras, sintetizadores, sinos, tambores, violas e xilofones, uma praga de instrumentos que nos consomem, numa filosofia de montagem de canções em torre, com loopings e riffs até que a tal torre pareça uma canção.

Às vezes este exagero na mistura de ideias e conceitos sonoros corre o risco de ser um pouco irritante e os Deerhoof, a espaços, correm esse risco, atenuado pela duração breve do álbum e por contarem na produção com Greg Saunier, um dos mais talentosos produtores da atualidade. A prova disso está nos primeiros quarenta segundos de To Fly Or Not to Fly, em que os Deerhoof invertem o processo de produção e convencem-nos que algo sonoramente intragável, pode soar bem na mão deles.

Em Breakup Song os Deerhoof comprovam mais uma vez que conseguem ser uma banda caótica e festiva, ao mesmo tempo e darem-nos canções que servem para serem ouvidas em festas excêntricas e em momentos de puro caos e alguma bizarria. Espero que aprecies a sugestão...

01 – Breakup Songs
02 – There’s That Grin
03 – Bad Kids to the Front
04 – Zero Seconds Pause
05 – Mothball the Fleet
06 – Flower
07 – To Fly or Not to Fly
08 – The Trouble With Candyhands
09 – We Do Parties
10 – Mario’s Flaming Whiskers III
11 – FЄte d’Adieu


autor stipe07 às 19:01
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

Jens Lekman – I Know What Love Isn’t

Um ano após o lançamento do EP An Argument With Myself, que divulguei oportunamente, e após um hiato de quase cinco anos no que diz respeito a álbuns, o músico e compositor sueco Jens Lekman está de volta aos discos com I Know What Love Isn't, disco que sucede ao excelente Night Falls Over Kortedala, lançado em 2007 e que chegará aos escaparates no próximo dia quatro de setembro, através da Secretly Canadian.

 

Jens Lekman parece ser dono de um método particular para transformar sentimentos e percepções complexas em composições de acabamento simples e linguagem universal. O amor, as paixões e até em certa dose o erotismo são as principais ferramentas de trabalho de que Lekman se serve para idealizar os seus discos e agora chega ao terceiro registo de estúdio a esbanjar toda essa habilidade como um apaixonado poeta. Este músico é hábil a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e fá-lo de forma peculiar, convertendo simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional.

Cinco anos depois de ter lançado a sua bora prima, Night Falls Over Kortedala, Lekman não faz deste I know What Love Isn't uma espécie de parte dois desse álbum anterior, tendo optado por aprimorar a delicadeza das canções, arrastando-nos para um cenário novo e renovado onde a paixão dá lugar à saudade, o beijo converte-se em despedida e o que era grandioso serve agora para nos confortar.

Assim, neste I Know What Love Isn't, Lekman dá-nos algo mais intimista, sem a monumental orquestra de 2007, com tudo a soar agora mais controlado, mas igualmente encantador. Devido a essa menor exaltação instrumental, acaba por ser mais evidente a sonoridade rock de Lekman; Por exemplo, em canções como Become Someone Else’s Some Dandruff on Your Shoulder a aproximação do sueco com Morissey é evidente. 

Mas o que importa realmente reter deste novo disco de Jens Lekman é a capacidade que este músico tem de transformar a sua honestidade poética e versos bastante confessionais num mecanismo eficaz de diálogo direto com quem se predispõe a ouvi-lo. Ele consegue traduzir com simplicidade tudo aquilo que gostaríamos de expressar em momentos de maior dor e melancolia. Espero que aprecies a sugestão...

01. Every Little Hair Knows Your Name
02. Erica America
03. Become Someone Else’s
04. Some Dandruff On Your Shoulder
05. She Just Don’t Want To Be With You Anymore
06. I Want A Pair Of Cowboy Boots
07. The World Moves On
08. The End Of The World Is Bigger Than Love
09. I Know What Love Isn’t
10. Every Little Hair Knows Your Name


autor stipe07 às 13:12
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

Dead Can Dance – Anastasis

Os australianos  Dead Can Dance  de Brendan Perry e Lisa Gerrard estão de regresso aos discos, dezasseis anos depois de Spiritchaser. O álbum chama-se Anastasis, chegou às prateleiras no inicio de agosto e torna-se no décimo da discografia de um grupo fundamental da história da indie folk dos últimos vinte anos

Anastasis é composto por oito músicas, num total de cinquenta e seis minutos, com o destaque maior para o single Amnesia, que a banda disponibilizou para download no seu sitio, assim como a audição integral do disco.

Um dos maiores trunfos deste conjunto de canções está na decisão da banda em ter abordado a míriade sonora que fez sempre parte do cardápio musical dos Dead Can Dance. Assim, em Anastasis, escuta-se world music, chillwave, dream pop, new age e outras sonoridades mais clássicas e experimentais. Acaba por ser viciante experimentar ouvir o disco várias vezes e ir catalogando mentalmente os universos sonoros abordados e estimulante perceber como eles se relacionam e se fundem nas canções. Este constante sobressalto e variedade sonora ficam ainda mais enriquecidos quando se constatam as diferenças na forma de cantar de Brendan e Lisa Gerrard e o encanto etéreo e celestial com que comunicam entre si.
Logo a abrir, Children of the Sun, começa com uns teclados que criam uma atmosfera envolvente e bastante quente. Depois da bateria, a voz de Perry torna-se o primeiro pilar dessa música, uma voz grave, mas bastante acolhedora e calma. We are the children of the sun, there's room for everyone é uma das frases do refrão; Descreve a raça humana, as suas origens, e constata que, inevitavelmente, somos criações da natureza e a ela nos devemos manter ligados. O som que emanam nesta canção de abertura tem uma toada épica, que se mantém logo na seguinte; Anabasis, com uma percussão fenomenal e bastante diversificada, vai-se construindo aos poucos, através de uma sequência rítmica bastante moderna. Como é normal nos Dead Can Dance, os teclados são cruciais no que toca à criação de um ambiente confortável e familiar para o ouvinte. Em Anabasis é Lisa que canta, provavelmente em grego antigo, visto que é dessa língua e cultura que o título do álbum vem. Uma coisa é certa, os Dead Can Dance são mestres na instrumentação, na forma como tocam e como conjugam todos os instrumentos.
Em Agape dominam sonoridades mais orientais e a voz de Gerrard altera-se em relação à de Lisa em Anabasis, tornando-se mais grave. Ouve-se a canção e imagina-se um cenário tipicamente chinês. Não deixa de ser estimulante a sonoridade dos Dead Can Dance evocar ambientes seculares e, simultaneamente, soar de uma forma tão nova e tão refrescante.
Segue-se Amnesia, canção com um som mais negro, já que as notas que são tocadas evocam um ambiente um pouco mais obscuro, como se a canção ilustrasse um culto secreto, ou um ritual. O piano nesta música é sublime e desempenha um papel fulcral. Os sons ambiente são ao mesmo tempo revitalizantes e algo perturbadores, num sentido bastante agradável. É como se a cena fosse serena, mas em segundo plano estivesse a passar-se algo contrastante. A quinta música chama-se Kiko e é a mais comprida do álbum, com pouco mais de oito minutos. Domina nela, novamente, um som oriental com uma melodia no fundo a puxar para o obscuro; E assim passam rapidamente oito minutos maravilhosos. Rapidamente entra Opium em cena, criando um ambiente sonoro relaxante. A penúltima música chama-se Return of the She-King e começa com uma gaita de foles e um teclado do mais épico que se ouve em Anastasis. A voz de Lisa eleva-a a um patamar elevadíssimo, com uma melodia bastante bonita.
Em suma, ouvir Anastasis é como ouvir um monólogo de Zeus no seu próprio templo. Durante estas oito canções somos levados e elevados ao mesmo nível dos templos mais altos da mitologia grega. Espero que aprecies a sugestão...

01. Children Of The Sun
02. Anabasis
03. Agape
04. Amnesia
05. Kiko
06. Opium
07. Return Of The She-King
08. All In Good Time


autor stipe07 às 21:25
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