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Sunday, Green Sunday

Terça-feira, 05.10.10

 

A minha devoção pela música e a carreira dos U2 andaram sempre em contra-ciclo. Achtung Baby (1991) vê a luz do dia quando começo a alimentar o meu apetite voraz por música que, à época, pesquisava várias correntes em simultâneo. No entanto, esse disco  marcado profundamente pela queda do muro de Berlim e pelas mudanças politicas vertiginosas que ocorreram na nossa velha Europa do início da década de noventa, vai servir para querer conhecer a carreira da banda na década anterior. Descubro então War (1983), The Unforgettable Fire (1984) e principalmente The Joshua Tree (1987) e Rattle And Hum (1988).

Em 1993 Zooropa enche-me as medidas e torna-se naquele que ainda é hoje o meu disco preferido da banda, numa fase em que a minha atenção já se concentra nos sons mais alternativos e na mistura do rock com a electrónica. Stay (Faraway So Close), a música mais simples e emotiva desse disco, torna-se imediatamente no meu tema preferido da banda.

Portanto, apesar de não figurar no pico das minhas preferências, esta banda Irlandesa andou sempre no eixo das minhas atenções e confesso que alimentava a ilusão de os ver tocar. Domingo realizei-a e admito que fiquei completamente rendido!

Quando uma banda esgota dois estádios um ano antes de os concertos se realizarem, obviamente que já tem o público conquistado. Logo ao início, com a abertura da porta da nave onde a banda actuou ao som de Space Oddity, de David Bowie, fiquei assombrado. Foi evidente que os U2 fizeram trabalho de casa, não só pelas alusões constantes ao nosso país, como a Coimbra, uma cidade conhecida pela sua tradição estudantil, mas o magnífico concerto dos U2 a que assisti ontem, não terminou na capacidade comunicativa. O alinhamento não teve grandes surpresas, mas houve novidades e só não o considero perfeito porque me faltaram Stay (Faraway So Close), Who's Gonna Ride Your Wild Horses e Zooropa.

Os U2 sempre foram conhecidos pela sua consciência politica, social, religiosa e ecológica e estas vertentes não foram esquecidas. No início de Sunday, Bloody Sunday (ontem foi mais um Sunday Green Sunday), uma hipotética ligação rádio a Teerão e a homenagem à Revolução Verde e a todas as mulheres iranianas impressionou-me! Mas também registei a dedicatória a uma mulher cuja história acompanho com profundo interesse e admiração nos últimos anos; Refiro-me à Nobel da Paz e prisioneira birmanesa, San Suu Kyi, homenageada em Walk On. Estes instantes e a alusão à Amnístia Internacional foram os maiores momentos da noite, tendo o meu clímax emotivo sido atingido quando foram projectadas várias frases extraordinárias sobre a condição humana (ex: Serias capaz de roubar por amor?) e foi projectado o discurso de Desmond Tutu que introduziu One.

Tudo somado, acho que a 360º Tour é uma digressão de grande imponência tecnológica, mas onde a música não perde espaço e o aparato cénico felizmente não distrai mas complementa o que acontece em palco. É pena os dias de maior criatividade da banda já estarem longe, mas o alinhamento foi um desfile de canções que acompanharam a vida da esmagadora maioria de todos nós que esgotámos o Estádio Cidade de Coimbra e assim vivemos uma experiência única e irrepetível.

Ao contrário do dia anterior, domingo não houve nenhuma fã a subir ao palco; Mas isso torna-se irrelevante, porque foi nítida a percepção que o estádio tornou-se num grandioso palco onde todos cantámos, dançámos e fomos felizes naquelas duas horas inesquecíveis! E são esses os concertos que me marcam e me ensinam; os concertos em que me sinto integrado, absorvido e comovido com o espectáculo.

Bono despediu-se de Coimbra dizendo Nunca vamos esquecer estas duas noites memoráveis. Nós também não! E ontem talvez tenhamos todos assistido aquele que é hoje o maior espectáculo musical e visual em cartaz no mundo.

 

 

 

Quanto aos Interpol, uma das minhas bandas de eleição, acho que perderam uma grande oportunidade de angariar mais uns bons milhares de seguidores para a causa. Por conhecer em detalhe a sua discografia, fiquei desiludido com o alinhamento. A performance musical foi dentro do esperado, ou seja, tecnicamente excelente, mesmo tendo em conta as limitações de quem faz uma primeira parte. Mas foi pena The Heinrich Maneuver, Obstacle 1, No I In Threesome, The Scale, NYC, Evil e C'Mere terem ficado guardadas algures em NY, quem sabe para Novembro. Da minha parte, espero um dia ser possível revê-los, pois aguçaram-me imenso o apetite!

São em dias como o de domingo que realmente confirmo; Music provides me the light I cannot resist. Em breve divulgarei algumas imagens.

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publicado por stipe07 às 21:52






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