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Muro de Berlim caiu há 20 anos

Segunda-feira, 09.11.09

 No final da II Guerra Mundial Berlim  foi dividida em quatro sectores de influência: americano, francês, britânico e russo. A ideia inicial dos Aliados era reunificar a Alemanha mas, devido à Guerra Fria, esse projecto foi congelado. Assim, Berlim Leste tornou-se numa espécie de enclave, no centro da RDA, envolvido por quase meio milhão de soldados do exército vermelho. Na noite de 12 para 13 de Agosto de 1961 essa porta fechou-se...

Nesse dia o Muro de Berlim começou a ser construído pelas autoridades comunistas da República Democrática Alemã (RDA), para travar o enorme fluxo migratório de alemães do leste para o ocidente, devido ao descontentamento da população pela falta de liberdades e uma vida de isolamento e dificuldades económicas. No Muro, estima-se que cerca de 140 pessoas pagaram com a vida, sob as balas dos guardas, as tentativas de fuga rumo ao ocidente.

No dia 9 de Novembro de 1989,  Günter Schabowski, porta-voz do Partido Socialista da Unidade da Alemanha, falava há cerca de uma hora numa conferência de imprensa, quando Riccardo Ehrman, correspondente da agência italiana Ansa, o questionou sobre a liberdade de viajar para os alemães de Leste. Günter, embaraçado com a questão, sem saber muito bem como responder, transformou essa noite na mais importante da história germânica recente, ao balbuciar: Decidimos hoje... hum... implementar uma regulação que permite qualquer cidadão da República Democrática da Alemanha... hum... deixar a Alemanha de Leste por qualquer um dos postos fronteiriços. O relógio marcava 18:53...

 Volker Warkentin, jornalista da Reuters, estava presente nessa conferência de imprensa. Retirou-se de imediato da sala, correu para os escritórios da agência e escreveu o seguinte despacho: ALEMÃES DE LESTE AUTORIZADOS A PARTIR PARA A ALEMANHA OCIDENTAL COM EFEITO IMEDIATO - DISSE SCHABOWSKI. Poucos minutos depois, a informação começava a ser difundida em larga escala e milhares de habitantes de Berlim Leste começaram a dirigir-se para os postos de controlo e para o muro. Saber-se-ia, posteriormente, que Günter Schabowski se precipitara. As alterações só deveriam ter sido comunicadas no dia seguinte.

Os guardas fronteiriços, habitualmente com ordens para disparar, acabaram por não conter a corrente. Como numa espécie de barragem, abriram-se as comportas e os berlinenses dos dois lados da fronteira abraçaram-se. Quase um ano depois, a 3 de Outubro de 1990 um abraço mais longo reunificaria a Alemanha.

 

Portanto, hoje a Alemanha celebra um acontecimento que pôs fim à chamada Guerra Fria e que alterou significativamente o xadrez político, económico e social, não só da Europa, mas também do mundo inteiro. 

O Presidente alemão Horst Koehler, a chanceler Angela Merkel, os presidentes da Rússia, Dimitri Medvedev e da França, Nicolas Sarkozy, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, assistirão à cerimónia, que decorrerá junto à Porta de Brandenburgo, no centro de Berlim. Está igualmente prevista a participação de numerosos chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia, nomeadamente José Sócrates e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Antes do acto simbólico, Angela Merkel atravessará a pé, na companhia dos ex-Presidentes da URSS, Mikhail Gorbatchov e da Polónia, Lech Walesa, a ponte no antigo posto fronteiriço da Bornholmer Strasse, que há 20 anos foi o primeiro local onde se rasgou o Muro.

O ponto alto das festividades será o derrube de um dominó gigante com cerca de 1,5 quilómetros. A primeira pedra será derrubada por Lech Walesa, para lembrar que foi na Polónia que se começou a rasgar a chamada Cortina de Ferro, quando se formou o Sindicato Solidariedade, nos estaleiros de Gdansk, liderados pelo então electricista Walesa. Estas peças de dominó estão colocadas junto ao Portão de Brandenburgo e foram pintadas com motivos da queda do Muro, por crianças de Berlim, a convite de Klaus Wowereit, perfeito da cidade.

 

A música do dia é, sem qualquer dúvida, esta...

 

Quanto a filmes, vários títulos poderiam ser destacados; As vidas dos outros de Florian Donnersmarck, Europa de Lars Von Trier e Pink Floyd: The Wall de Allan Parker. Mas prefiro destacar um dos meus filmes preferidos, Adeus Lenine, do realizador alemão Wolfgang Becker.

 Adeus Lenin

No dia 7 de Outubro de 1989 a RDA festeja os seus 40 anos, com uma enorme parada militar e um discurso do seu líder, Erich Honecker. Várias organizações opositoras ao regime comunista escolhem esse mesmo dia para se manifestar nas ruas de Berlim; O jovem Alex Kerber (Daniel Brül) é um deles. Christiane Kerber (Katrin Sass), mãe de Alex e militante do Partido Socialista da Unidade da Alemanha, dirige-se para o local da parada quando assiste à detenção do seu filho. Com o choque, não só de ver o seu filho a protestar como a ser preso, acaba por ter um ataque cardíaco e entra em coma.

Oito meses depois, para surpresa geral, Christiane acorda do coma. No entanto o seu país já não existe e ela desperta numa Alemanha capitalista. O seu coração está tão fraco que o menor choque pode levá-la à morte! Então, para que não suceda nada à mãe, Alex decide ocultar todos os factos politicios que se tinham desenrolado durante o seu coma, transformando os 79 metros quadrados do seu apartamento de forma a levar a mãe a acreditar que nada mudou.

 

Achei sublime a ideia de recriar um tempo que já não existia, as reminescências de uma realidade que já estava extinta, mas que alguém insistia, por amor, em manter viva. Quando vi o filme há alguns anos atrás, na RTP 2, lembro-me de o ter achado maravilhoso, comovente e ao mesmo tempo uma comédia muito divertida, além de uma excelente lição de história sobre estes acontecimentos. É, no fundo, como já referi, um filme sobre o Amor... Um amor de um filho pela sua mãe e de uma mulher pela sua ideologia.

 Fica o trailer...

 

No dia 9 de Novembro de 1989, com 14 anos, percebi claramente que a partir daquele dia o mundo onde estava a crescer e que descobria com enorme interesse, nunca mais seria o mesmo. E acabei por não me enganar!

À medida que fui crescendo e tomando maior consciência do mundo em que vivemos, tem sido estimulante assistir às mudanças que ainda se operam na Europa devido à queda do Muro de Berlim, assim como tentar imaginar como seria hoje este velho continente se o Muro da Vergonha ainda estivesse de pé.

Acho que o único evento comparável ao do dia 9 de Novembro de 1989, em termos de impacto mundial e gerador de mudanças profundas, foi o 11 de Setembro de 2001. E não devo ser o único a ter esta opinião...

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publicado por stipe07 às 14:00






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