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Os discos do dia...

Sexta-feira, 14.08.09

De Um Tempo Ausente - album cover

 

De Um Tempo Ausente é o grande disco da Sétima Legião (nome da legião romana que veio à Lusitânia), para mim a melhora banda portuguesa de sempre, formada em 1982 por Rodrigo Leão, Pedro Oliveira e Nuno Cruz. Este disco foi lançado em 1989 e é, sem qualquer dúvida, um dos discos maiores e fundamentais da história da música portuguesa contemporânea. 

Este foi um dos primeiros discos a entrar na minha colecção particular, já na década de 90, quando consegui ter possibilidades de adquirir os meus primeiros discos. No entanto, ainda em 89, chegou-me às mãos gravado numa cassete de 90 minutos. Lembro-me de na inocência e timidez dos meus 15/16 anos, passar dias inteiros a desejar que chegasse a noite para, no escuro do meu quarto e no conforto da minha cama, ficar ali, debaixo dos lençóis, com o meu primeiro leitor portátil, ainda de cassetes, a ouvir, do lado A, De Um Tempo Ausente e do lado B o grande disco do colectivo e super-grupo, a Resistência, Palavras Ao Vento; Quem não se lembra e não sabe as suas letras deste disco todas de cor?

E lembro-me de ficar ali, bem no escuro, a sentir o impacto das letras dentro de mim, a construir clips das músicas no meu imaginário, a imaginar como seria o dia-a-dia do nosso reino em plena época das descobertas, ou a sonhar com viagens no tempo, ao período dos castelos, das damas da corte e dos cavaleiros que davam a vida pela honra e também, tantas vezes, por amor... Em suma, ficava a desejar muitas vezes que na minha vida viessem a suceder no futuro momentos como os descritos em todos aqueles poemas tão belos!

Foi com este disco que despertei definitivamente para a música portuguesa e ganhei vontade de descobrir e acompanhar, nos anos seguintes, nomes tão importantes como os Sitiados, Madredeus, Três Tristes Tigres, os próprios Delfins na sua fase aúrea, as carreiras a solo de Rui Veloso e do Luís Represas e, já no final da década de 90, Clã, Ithaka, Plástica, Ornatos Violeta e tantos outros.

De Um Tempo Ausente teve a contribuição de nomes tão importantes como Luís Represas (sublime em Senhora Das Rosas), Flak, Miguel Teixeira ou Pedro Ayres Magalhães, entre outros. Contém temas tão conhecidos como Por Quem Não Esqueci, Porto Santo, Sem Ter Quem Amar e a lindíssima balada Navegar.

No entanto destaco neste disco a última música, Se A Manhã Chegar, para mim a letra mais bonita que a banda alguma vez escreveu... E acreditem que não foi fácil a escolha!

 

Quando a Lua passa nas janelas

tão devagar

abres as portas e deixas as velas

por apagar

até a manhã chegar

 

Vim com a Lua de outras cidades

p'ra te tocar

abre a porta que trago saudades

por apagar

até a manhã chegar

 

Trago a Lua de outras cidades

p'ra te tocar

tu tens as velas e eu tenho as saudades

por apagar

até a manhã chegar

 

Se a manhã chegar...

 

Eis Wah Wah, o disco dos James que poucos conhecem e aquele que mais ouço! Descobri os James com o Seven, ao mesmo tempo que ouvia Out Of Time dos REM, Achtung Baby dos U2 e Nevermind dos Nirvana. Seven incluia faixas tão conhecidas como HeavensRing The Bells, Born Of Frustration ou Bring a Gun. Era um disco fantástico, intenso, cheio de grandes solos de guitarra e com uma secção de sopro (clarinetes e trompetes) que lhe dava uma sonoridade épica, imponente, vindo a transformar algumas das músicas dos James em verdadeiros hinos.

Depois do grande boom comercial que foi Seven, os James, vêem-se na difícil situação de ter de repetir o sucesso, de preferência sem copiar a fórmula; para o conseguir, recorrem a Brian Eno, para criar aquela que é para mim a sua grande obra prima, Laid; este disco, que também aposto que todos conhecem, inclui músicas tão conhecidas como Sometimes (Lester Piggott), Say Something, Laid (quem não se lembra de ver o videoclip no Top + com a banda toda vestida com adereços femininos e a efectuar tarefas domésticas intercaladas com a ingestão de bananas?), One Of The Tree, Lullaby (a mais bela canção de embalar que conheço) e a música de abertura do álbum, capaz de arrombar qualquer coração mais frio, a indescritível Out To Get You.

Wah Wah é uma espécie de lado B de Laid, mas também muito mais que isso. À medida que Tim Booth, Soul Davies, Jim Glennie, Larry Gott, Mark Hunter e os restantes colaboradores da banda chegavam ao estúdio para gravar Laid, faziam algumas Jam Sessions, ou seja, o chamado aquecimento, criando vários momentos de improvisação. Muitas vezes gravaram mesmo sons ambiente; exemplo disso são as faixas Low Clouds ou Laughter, inlcuídas em Wah Wah. Brian Eno gravou todos esses momentos e acabou por produzir os melhores, concluindo que poderiam dar origem a um disco. Mas, como afirmei logo no início, é redutor dizer que Wah Wah é tudo aquilo que sobrou das gravações de Laid; Wah Wah é feito de momentos de liberdade, instantes em que a banda tocou sem estar presa às exigências de Laid e ao rumo previamente traçado para esse disco.

Pressure's On, a segunda faixa de Wah Wah, é um exemplo maravilhoso daquilo que os James conseguiam fazer numa onda mais alternativa, sem estarem presos às exigências comerciais de uma banda com um historial e uma qualidade tão grandes. E é também uma grande canção de amor!

Sei que há muita gente que diz adorar James mas que desconhece este disco e nunca o ouviu. Wah Wah é um documento essencial para perceber a discografia da banda e ficar-se com a noção de que os James sendo uma banda pop, eram também capazes de fugir ao mainstream e criarem belos momentos melódicos, pelo puro prazer de tocarem juntos e de improvisar.

 

I'm in a deep depression
Face of self-control
Shown to the world of confident
Pray your fears won't show
Cry

Break your first impressions
Recreate your will
Love's at the heart of everything
Let love be your goal

Cry

My whole world
Breaking down
The pressure's on
The pressures' on
This whole way's
Falling down
The pressure's on
The pressure's on
The pressure's on

Cry
Cry

 

 É Que Também Assim Se Vai À Lua Todos Os Dias...

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publicado por stipe07 às 21:18






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