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Bill Callahan - Apocalypse

Quinta-feira, 08.09.11

Bill Callahan, nascido em 1966, é um músico folk natural de Silver Spring no Maryland, EUA. A sua carreira musical começou na década de noventa com o bem sucedido projeto Smog e desde então Callahan não sabe o que é descanso. Depois de em 2005 ter lançado A River Ain’t Too Much To Love, o último disco nos Smog, começou a carreira a solo em 2007 com Woke on a Whaleheart, logo após ter assinado pela editora independente Drag City. Mas o melhor ainda estava para vir; Lançado em 2009, Sometimes I Wish We Were an Eagle resgatava toda a funcionalidade e beleza das composições da antiga banda do músico e figurou nas listas de alguns dos melhores lançamentos desse ano. O segundo disco, Sometimes I Wish We Were An Eagle chegou dois anos depois, em 2009 e agora, em 2011, foi editado Apocalypse, um álbum que ando a ouvir e ao qual já me rendi incondicionalmente.

Logo à primeira audição de Apocalypse percebi que é um disco feito de arquétipos para a alma, uma coleção de músicas que escavam a cultura norte americana para encontrar um tesouro de raízes identitárias. Se nessa audição o disco pareceu algo simples, quando houve outra mais atenta e com as atenções todas focadas na mesma, senti nas canções uma espécie de gravitar divertido em redor de um intimismo controlado, simultaneamente espontâneo e livre. Logo de seguida, a palavra paradoxo também me surgiu devido à beleza e mistério deste álbum à base de guitarras eléctricas embutidas em sonoridades folk, a roçar o country e o jazz.

São apenas sete faixas, mas todas impressionam tanto na voz como na instrumentação sofisticada e plural. O músico abre espaço para que guitarras, baterias, instrumentos de sopro, pianos, percussão e os tradicionais violões brilhem de forma monumental, enquanto a voz em barítono se diverte a cada nova canção. Com ela, Bill, uma espécie de trovador da era moderna, sussura contos pessoais, funcionando nitidamente como mais um instrumento, que se junta com os restantes no nosso ouvido. Dessa forma ela comunica directamente connosco e, ao mesmo tempo, parece que fala consigo próprio.

Por vezes, e como Drover exemplifica, há pausas subtis nas melodias para, posteriormente, surgir um exacerbar crescente de intensidade, até ao clímax, quase sempre suportado pelo piano. America!, a minha música preferida do álbum e que destaca o lado roqueiro do músico, tem a tal beleza inerente, mas diz-me bem mais do que as outras seis canções porque é carregada de ironia, humor e até alguma preversão: America!, You are so grand and gold, golden, Oh, I wish I was deep in America, tonight, America! America!, I watch David Letterman in Australia. Outro dos meus destaques é Universal Applicant, uma faixa versátil e que cresce com o formidável arranjo instrumental que potencializa a canção. Inicialmente simplista, a canção vai gradativamente agrupando novos elementos e sons distintos, até ao final envolvente. Em Free’s, Bill deixa-se cercar por um clima jazzístico e convidativo; Os acompanhamentos constantes dos pratos, um piano compenetrado e os esporádicos acordes de guitarra, circundam a voz do músico e dão-lhe substância. No fecho e como súmula, em One Fine Morning o músico faz uma espécie de resumo dos elementos e influências sonoras que figuraram ao longo do álbum.

Cada tema em Apocalypse é um capítulo tocante, quente e directo ao coração. As paisagens e o lirismo narrativo completam um  ambiente tradicional onde só faltam os veados a saltitar pelos bucólicos campos verdejantes.

O apocalipse musical certamente nunca acontecerá com discos assim e estamos, sem dúvida e para já, perante um dos melhores registos do ano. Se para alguns a genialidade é algo com que se nasce, para outros ela pode ser alcançada com o passar dos anos e da prática. Este talentoso Bill Callahan, que passarei a acompanhar com uma certa devoção, a par de figuras como Josh Rouse, Mr. E, Beck, Jónsi e outros músicos a solo que prendem a minha atenção a cada suspiro que dão, é uma das provas vivas deste conceito.

Disponibilizo a sua discografia e espero que sintas curiosidade conhecer melhor todo o trabalho deste músico genial... 

01. Drover
02. Baby’s Breath
03. America!
04. Universal Applicant
05. Riding for the Feeling
06. Free’s
07. One Fine Morning

 

1. From the Rivers to the Ocean
2. Footprints
3. Diamond Dancer
4. Sycamore
5. The Wheel
6. Honeymoon Child
7. Day8. Night
9. A Man Needs a Woman or a Man To Be a Man

 

 

1. Jim Cain
2. Eid Ma Clack Shaw
3. The Wind and the Dove
4. Rococo Zephyr
5. Too Many Birds
6. My Friend
7. All Thoughts Are Prey to Some Beast
8. Invocation of Ratiocination
9. Faith/Void

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publicado por stipe07 às 19:06






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