Sábado, 5 de Março de 2011

O meu Tributo a Castelo de Paiva.

Nestes dias Castelo de Paiva voltou a estar no centro das atenções devido à comemoração dos dez anos da queda da ponte de Entre-Os-Rios. Foi um acidente improvável e uma enorme tragédia; Não adianta escamotear o que é concreto, real e assumido. Mas esse acontecimento parece ter rotulado definitivamente a localidade com alguns adjetivos pouco favoráveis, usados quando se quer descrever uma localidade e enumerar os seus potenciais argumentos, quer humanos quer sociais.

Tenho lido e ouvido algumas verdades, mas também vários disparates que não fogem muito ao já habitual espírito português fatalista. Por isso e por considerar algumas citações que li e ouvi injustas e desfasadas daquela que é a actual realidade paivense, sinto-me impelido, também por gratidão e pela minha consciência, a dar o meu próprio testemunho.

Lembro-me perfeitamente desse chuvoso domingo à noite de março de 2001 como se tivesse sido ontem. Acompanhei de perto tudo o que aconteceu nos dias e semanas seguintes e, sendo uma espécie de espetador privilegiado de tudo o que se passou, por ser um residente temporário e não ter laços afetivos com vitimas, familiares e amigos, pude, no meu interior, tirar racionalmente algumas ilações no que diz respeito à forma como esta gente reagiu e soube levantar-se do caos e da desorientação que se apoderaram em quase todos os paivenses, como se estivessem a viver uma espécie de maldição. Nesses dias a minha admiração por estas gentes cresceu imenso, consciente e inconscientemente; Percebi com uma nitidez impressionante de que massa são feitos os paivenses e senti-me grato por me estarem a ensinar com exemplos diários e concretos de vida que para os momentos difíceis há sempre uma saída...

Tem sido dito nestes dias que Castelo de Paiva pouco ou nada evoluiu nestes dez anos, que se mantém refém de um isolamento atroz e que continua a ser uma terra flagelada pelo infortúnio, tendo em conta alguns dramas sociais que ainda subsistem por cá, derivados da falta de emprego e da estagnação económica que se vive. Não contrario a maioria destas afirmações, mas também não acho justo que se pinte um quadro tão negro. É que, acreditando em algumas dessas coisas que li e ouvi e não conhecendo esta terra, facilmente qualquer pessoa conclui que estamos perante um dos piores locais deste país para se viver, que Castelo de Paiva não é uma terra acolhedora e não tem nada de apelativo, sendo um local do qual se deve fugir à primeira oportunidade. E isso não é verdade! Há exemplos que contrariam esta ideia que tem sido fabricada ao longo do tempo e que mostram a antítese deste cenário. E eu talvez seja um deles...

Durante 22 anos da minha vida nunca tinha ouvido falar de Castelo de Paiva. Natural de outra localidade do mesmo distrito, supostamente mais desenvolvida e atrativa em todos os aspetos, pouco sabia deste concelho afinal tão bonito. Por motivos profissionais, Castelo de Paiva passou a fazer parte de mim e confesso, foi amor à primeira vista. E hoje, treze anos depois desse início de outono que acabou por significar uma nova primavera na minha vida, sinto um imenso orgulho por ser já um paivense de pleno e legal direito, outro motivo consistente que me faz achar que tenho todo o direito de opinar, além de sentir uma certa obrigação moral de transmitir publicamente este meu exemplo... De defender a minha terra! 

Por natureza introvertido perante estranhos, pouco tempo depois de andar por cá integrei-me com uma facilidade e abertura de espírito que até a mim impressionou! Rapidamente senti-me em casa e diminuiram os meus momentos de silêncio e reclusão iniciais, naturais em quem chega a uma espécie de mundo novo. E tal facto encontra explicação nestas gentes e na forma extraordinária como me acolheram. Acabei por não demorar muito tempo a perceber que este poderia ser, sem dúvida, um belo local para habitar parte do meu futuro; Os anos foram passando e mesmo exercendo a minha atividade profissional noutros locais bem mais distantes, nunca me desliguei daqui, frequentemente sentia necessidade de aportar a este porto seguro e por cá fui estando e ficando. Hoje, descrever aquilo que é a minha vida contraria firmemente toda a onda negativa em torno deste concelho.

Em Castelo de Paiva sou feliz e por imensos motivos! Aqui tenho Smartieees, o meu maior sorriso e o meu farol, tenho os Vândalos que são um verdadeiro tesouro e os melhores amigos que colecionei, tenho a minha herdade do Freixo que me dá uma vista única e privilegiada sobre o belo local onde essa tragédia ocorreu e tenho perspetivas de um futuro pelas quais sei que lutei imenso mas que em determinados períodos da minha vida achei que não iria atingir. E, acima de tudo isso, tenho-me a mim próprio e à minha consiciência que me diz, cada vez que cá chego e estou, que Castelo de Paiva é o melhor destino que posso ter diariamente e que não o trocava por nenhum outro deste mundo. No fundo, estar em Castelo de Paiva faz-me sentir que sou um privilegiado.

Castelo de Paiva tem um rio famoso, uma paisagem deslumbrante, o melhor vinho verde do mundo e imensa gente boa e com um enorme coração; Gente que sabe receber, pessoas humildes, verdadeiras e que lutam e trabalham diariamente para si e para os outros, que buscam incansavelmente um futuro melhor, que amam a sua terra e que têm um enorme apego às suas raízes. E eu admiro-as a todas por isso.

Alguns dos que me conhecem e me são próximos, profissional e afetivamente, interrogam-me com alguma insistência o porquê do meu fascínio por Castelo de Paiva e o que me levou a tomar a corrente de decisões que me trouxeram até aqui. Fazem-no porque provavelmente nunca tiveram ou terão a perceção plena do que Castelo de Paiva significa para mim, do que aprendi e cresci por cá e porque nunca tiveram o privilégio de viver a minha experiência. E quando lhes tento explicar tudo isto de forma clara, raramente resisto a sorrir enquanto o faço, por estar a falar de coisas boas e que estão guardadas no meu coração. E nesse preciso instante, algumas dessas pessoas começam a entender...

Sou feliz em Castelo de Paiva, é aqui que respiro verdadeiramente, é por cá que olho a vida de frente com esse tal enorme sorriso e é, por isso e por muitas outras razões que, não tenho nascido aqui, quero ficar cá o resto dos meus dias. E desafio todos aqueles que por cá nasceram a quando se sentirem tentados ao desencanto, darem mais valor ao que têm e a não se deixarem vergar por todo este negativismo!

E desafio igualmente todos aqueles que queiram, a arriscar e fazerem o que eu fiz; Castelo de Paiva tem qualidade de vida, mas precisa de pessoas novas e com capacidade de iniciativa! Não falta nas redondezas mercado para muitas áreas profissionais ainda não exploradas e sobram pessoas honestas, qualificadas e com vontade de trabalhar e se agarrar a quem acredite nelas.

Trago esta terra e a maioria destas gentes no meu coração; Amo Castelo de Paiva e recomendo-a vivamente... Só para que se conste!


autor stipe07 às 16:16
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