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Helado Negro – PHASOR

Sexta-feira, 23.02.24

Quase três anos depois de Far In, um disco que ficou num honroso quinto lugar na listagem dos melhores álbuns de dois mil e vinte e um para a nossa redação, o projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, está de regresso com PHASOR, o novo álbum deste filho de emigrantes equatorianos radicado há vários anos nos Estados Unidos. Phasor tem um alinhamento de nove canções e viu a luz do dia, com a chancela da 4AD.

Mountains, Machines & Mushrooms: Helado Negro Talks New Album 'Phasor'

Quem segue com particular atenção a carreira deste músico incrível, ao escutar com devoção PHASOR a primeira impressão que tem é que o catálogo do mesmo nunca foi tão sensorial e orgânico como é agora. Se o antecessor Far In apelava muito à natureza, ao ambiente e ao modo como o autor, colocando-se na primeira pessoa, nos transmitia memórias de um passado rico em experiências e vivências num Equador riquíssimo em belezas naturais e ancestralmente muito ligado à terra e aos recursos que a mesma nos oferece de mão beijada, quando é devidamente respeitada, em PHASOR Lange muda a bússola para as máquinas, já que o seu conteúdo é bastante inspirado numa demorada visita que o músico fez a uma máquina chamada SAL MAR Construction. Esse aparelho, que é, no fundo, um instrumento, está instalado na Universidade do Illinois e foi contruído pelo malogrado professor e compositor clássico nova-iorquino Salvatore Matirano, falecido em mil novecentos e noventa e cinco e que se notabilizou também por inventar instrumentos eletrónicos, enquanto ensinou nessa instituição de ensino superior norte-americana.

SAL MAR Construction é, na sua génese, um sintetizador que cria música com tecnologia ainda analógica, mas que consegue replicar uma vasta gama de sons em estúdio, caraterísticas que marcam, desde logo, LFO (Lupe Finds Oliveros), o tema que abre PHASOR, uma composição eminentemente sintética, mas com um elevado espírito lo-fi. Ela escorre com desmesurada rugosidade e vibração pelos nossos ouvidos, plena de distorções e de diversos efeitos e sons, que tanto exalam sopros, como cordas. São instrumentações cavernosas, acamadas por uma batida frenética e, muitas vezes, algo incontrolada, num resultado final eminentemente experimentalista e que recria um clima que encarna na perfeição o espírito muito particular e simbólico que Helado Negro pretende para esta nova etapa da sua carreira e da sua música.

Logo de seguida, I Just Want To Wake Up With You, uma composição com um perfil aparentemente minimalista, mantém a bitola no sintético, já que se mostra detalhisticamente rica, enquanto, de modo irreverente e com um groove delicioso, celebra o amor e a vida. Depois, o piano que ciranda pela batida hipnótcia que sustenta a sonhadora Best For You And Me, o charmoso requinte melódico abrasivo, mas ondulante, de Colores Del Mar, a solarenga ligeireza jazzística das cordas que deambulam por Echo Tricks Me, o singelo clima etéreo ecoante de Flores e a orquestralidade dos arranjos metálicos percurssivos que vagueiam por Out There, sem nunca abafarem o vigor e a impetuosidade de um violão, são exemplos felizes do modo como Lange conseguiu, com criatividade e bom gosto, criar mais uma coleção irrepreensível de canções, que encarnam mais um momento discográfico marcante e incrível deste músico sedeado em Brooklyn.

Repleto de sons inteligentes e solidamente construídos, PHASOR é um alinhamento com forte pendor temperamental e que recria um ambiente que poderia ser, à primeira vista, algo frio e cavernoso, tendo em conta a inspiração acima descrita e o objeto instrumental que serviu de base ao disco, mas, o que temos em cerca de trinta e cinco minutos, são belíssimos poemas sobre a vida, o amor, a família e o dia-a-dia, encharcados em cor, sonho e sensualidade. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:40

Aaron Thomas – Mouth Of The City

Quinta-feira, 22.02.24

Natural de Adelaide, na Austrália, Aaron Thomas está de regresso aos discos em dois mil e vinte e quatro com Human Patterns, um álbum que está previsto aterrar nos escaparates a dezassete de maio e já com um fabuloso single de apresentação divulgado, intitulado Mouth Of The City.

Aaron Thomas - “Mouth of the City” — UpToHear

pic Lucy Spartalis

É nas asas de uma envolvente, crua e íntima, mas também vibrante, indie folk psicadélica, que plana Mouth Of The City. A canção sustenta-se melodicamente numa vibrante guitarra, que acompanha exemplarmente uma bateria que replica um ritmo lento constante e exemplarmente marcado, sustentando, ao longo de pouco mais de quatro minutos, uma tensão contínua.

Este modus operandi exala uma melancolia sagaz, que provoca uma sensação de proximidade com o ouvinte amiúde até algo sombria, mas sempre tremendamente aditiva, num resultado final bastante imersivo e emotivo e que contém uma forte espiritualidade. Mouth Of The City é uma canção intensa, incapaz de deixar o ouvinte mais incauto completamente preso a uma cartilha sonora ímpar no panorama alternativo atual. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 17:00

Warpaint – Common Blue

Quarta-feira, 21.02.24

A comemorar vinte anos de carreira, as Warpaint de Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa, resolveram marcar a efeméride com o lançamento de um single de sete polegadas, que contém duas novas composições do quarteto. O single estará disponível muito em breve, apenas em formato digital e em vinil, sendo a primeira amostra do projeto de Los Angeles em dois anos, depois do lançamento do excelente disco Radiate Like This, em dois mil e vinte e dois.

Warpaint tell us about their “psychedelic” 20 years together and new single  'Common Blue'

As duas canções deste novo single das Warpaint chamam-se Common Blue e Underneath. De ambas, já é possível escutar a primeira. Common Blue é uma canção luminosa, dançante e que exala uma ímpar psicadelia. Assenta num baixo vigoroso, numa bateria contundente e numa guitarra solarenga, um arsenal instrumental que replica a típica densidade orgânica, harmoniosa e vibrante do quarteto, ao mesmo tempo que executa um cruzamento feliz entre alguns dos detalhes fundamentais da dreampop e do chamado trip-hop que fez escola nos anos noventa, uma combinação que nestes quase quatro minutos que duram Common Blue, se inunda de nostalgia e contemporaneidade, com elevado groove e uma clara sapiência melódica. Confere Common Blue e o vídeo do tema assinado por Robin Laananen...

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publicado por stipe07 às 17:58

Ride – Last Frontier

Terça-feira, 20.02.24

Cinco anos após This Is Not A Safe Place, os míticos Ride, uma banda britânica nascida em mil novecentos e oitenta e oito e formada por Andy Bell, Mark Gardener, Laurence "Loz" Colbert e Steve Queralt, estão de regresso aos discos à boleia de Interplay, o terceiro registo de originais após a segunda fase da vida do grupo, iniciada em dois mil e quinze, um alinhamento de onze canções que vai ver a luz do dia a vinte e nove de março, com a chancela do consórcio PIAS / Wichita Recordings.

Ride anuncia novo single 'Last Frontier' e detalhes do sétimo álbum  'Interplay'

Grandes mestres do indie fuzz rock, os Ride divulgaram há algumas semanas a primeira amostra de Interplay, uma imponente canção chamada Peace Sign, cheia de guitarras inebriantes e abrasivas, sintetizações cósmicas e um registo percurssivo fenético e algo hipnótico.

Agora, a meio de fevereiro, o grupo de Oxford oferece-nos para audição uma segunda amostra do disco. Trata-se de uma composição intitulada Last Frontier. Foi produzida por Richie Kennedy e impressiona pelo modo como a bateria e o baixo vão replicando diversas nuances rítmicas, à medida que uma melodia com um elevado travo nostálgico setentista é exemplarmente sustentada por uma vigorosa guitarra que mantém sempre um nível de distorção e de eletrificação exemplar. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:45

Vampire Weekend – Capricorn / Gen-X Cops

Segunda-feira, 19.02.24

Cerca de meia década depois do excelente Father Of The Bride, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Chris Baio e Chris Tomson, estão de regresso aos discos dois mil e vinte e quatro, com um álbum intitulado Only God Was Above Us. Será o quinto compêndio da carreira do grupo de Nova Iorque, terá dez canções e irá ver a luz do dia a cinco de abril, com a chancela da Columbia Records.

Vampire Weekend release two new tracks 'Capricorn' and 'Gen-X Cops' • News  • DIY Magazine

Já é possível ouvir uma interessante percentagem do alinhamento de Only God Was Above Us, as canções Capricorn e Gen-X Cops. São duas composições que mostram os Vampire Weekend a apostar numa tonalidade mais rugosa e crua do que as propostas anteriores, mas sem colocarem de lado a minúcia ao nível dos detalhes e dos arranjos que sempre caraterizou o arquétipo sonoro das canções do projeto.

Assim, se Capricorn é uma balada que assenta numa linha melódica acústica inspirada e que é depois trespassada por um efeito de teclado hipnótico, num resultado final com um certo cariz simultaneamente épico e melancólico, Gen-X Cops aposta num perfil sonoro um pouco diferente; Este segundo tema olha com alguma gula para o rock alternativo noventista, no modo como uma guitarra amiúde tremendamente abrasiva, é depois acompanhada por uma registo percussivo frenético, um modus operandi que acaba por encarnar uma canção bastante angulosa e dançante e com uma exuberância e uma vibração ímpares.

A componente visual de Only God Was Above Us é da autoria do fotógrafo Steven Siegel e os dois vídeos destas canções são de visualização obrigatória. O vídeo de Capricorn é dirigido por Nick Harwood e oferece-nos uma viagem visual à Nova Iorque do final dos anos oitenta. O vídeo de Gen-X Cops é dirigido por Drew Pearce e utiliza os arquivos de filmes que Siegel usou no final dos anos oitenta do século passado, mostrando uma locomotiva do metro de Nova Iorque que funcionou na década anterior...

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publicado por stipe07 às 17:29

DIIV – Brown Paper Bag

Domingo, 18.02.24

Meia década depois de Deceiver, os DIIV de Zachary Cole-Smith, Andrew Bailey, Colin Caulfield e Ben Newman estão de regresso aos discos com Frog In Boiling Water, o quarto compêndio de originais da carreira da banda nova-iorquina que se estreou em dois mil e doze com o extraordinário álbum Doused. Com Chris Coady nos créditos da produção, Frog In Boiling Water terá dez canções e irá ver a luz do dia a vinte e quatro de maio, com a chancela da Fantasy.

DIIV: “Brown Paper Bag” - Música Instantânea

Brown Paper Bag é o primeiro single retirado do alinhamento de Frog In Boiling Water. Trata-se de uma composição imponente mas rugosa, que se vai arrastanto à boleia de um baixo encorpado que acama cascatas de guitarras intensas, abrasivas e sujas, que ampliam os decibeis no refrão, num resultado final simultaneamente ruidoso e melancólico, que encarna um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz lo fi e o mais progressivo, feito com um travo shoegaze muito pronunciado. Confere Brown Paper Bag e o artwork e a tracklist de Frog In Boiling Water...

01 In Amber
02 Brown Paper Bag
03 Raining On Your Pillow
04 Frog In Boiling Water
05 Everyone Out
06 Reflected
07 Somber The Drums
08 Little Birds
09 Soul-net
10 Fender On The Freeway

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publicado por stipe07 às 21:01

GRMLN – Yoko

Sexta-feira, 16.02.24

O projeto GRMLN, encabeçado pelo artista Yoodoo Park, nascido em Quioto, no Japão, mas a residir em Orange County, no sul da Califórnia, está de regresso aos discos em dois mil e vinte e quatro com um registo intitulado New World, que irá ver a luz do dia a vinte e sete de junho próximo, com a chancela da Carpark Records.

GRMLN's Yoodoo Park: “I want to make as much as I can while I'm alive”

Yoko é o primeiro single revelado do alinhamento de New World. É uma canção fervorosa e emocionalmente intensa, sustentada por uma guitarra que vai sendo dedilhada de um modo algo hipnótico e em redor da qual se vai entalhando a percurssão e diversos efeitos sintéticos, que vão criando uma espécie de limiar que se transforma, finalmente, numa angulosa explosão sónica que se mostra algo entalada, mas que acaba por acontecer, finalmente, a cerca de um minuto do ocaso do tema. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:49

Amen Dunes – Purple Land

Quinta-feira, 15.02.24

O projeto norte-americano Amen Dunes, assinado por Damon McMahon, tem finalmente novidades, um disco novo chamado Death Jokes. É um arrojado alinhamento de catorze temas, que deverá encarnar um festim de canções pop ruidosas, exemplarmente picotadas e fragmentadas e que penetrarão profundamente, apostamos, no nosso subconsciente. Death Jokes irá chegar aos escaparates em maio, com a chancela da Sub Pop Records, a nova etiqueta do músico e irá suceder ao excelente disco Freedoom, lançado em dois mil e dezoito.

Damon McMahon of Amen Dunes Just Released the Best Album of 2018 (So Far) |  GQ

Deste Death Jokes de Amen Dunes já é possível escutar o single Purple Land, uma curiosa e espetacular canção, deste projeto natural de Filadélfia, atualmente sedeado em Los Angeles, encharcada com alguns tiques do melhor rock alternativo contemporâneo, usando como principais ferramentas sonoras guitarras e sintetizadores, que replicam alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada. Confere o vídeo de Purple Land, assinado por Julian Klincewicz e o artwork e a tracklist de Death Jokes...

01 Death Jokes
02 Ian
03 Joyrider
04 What I Want
05 Rugby Child
06 Boys
07 Exodus
08 Predator
09 Solo Tape
10 Purple Land
11 I Don’t Mind
12 Mary Anne
13 Round The World
14 Poor Cops

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publicado por stipe07 às 17:21

Lo Moon – Water

Quarta-feira, 14.02.24

Pouco mais de um ano depois do extraordinário álbum A Modern Life, a revigorante indie pop psicadélica dos norte-americanos Lo Moon de Matt Lowell está de regresso à boleia de mais uma amostra daquele que irá ser o terceiro registo de originais do projeto de Los Angeles, que se estreou em dois mil e dezoito com um disco homónimo. Assim, depois de em pleno outono último termos escutado Evidence, agora chega a vez de conferirmos Water, outra canção que vai fazer parte de I Wish You Way More Than Luck, um álbum misturado por Alan Moulder e que vai chegar aos escaparates a cinco de abril, com a chancela do consórcio Thirty Tigers / The Orchard.

Lo Moon Release Two New Tracks From Forthcoming Album 'Water' & 'Connecticut'

Evidence debruçava-se sobre a vontade que todos devemos ter de aprender com os nossos erros, começando por contemplar a inocência das primeiras relações amorosas e a jornada existencial que nesse instante das nossas vidas todos iniciamos e o modo como a mesma pode fazer de nós melhores companheiros e pessoas. Water, tema produzido por Mike Davis (Ratboys, Pool Kids, Great Grandpa), que tem como b side Connecticut, mantém esse cunho de intimidade e de busca de identificação por parte do ouvinte. Sonoramente assenta numa viola acústica que vai recebendo de braços abertos outras cordas eletrificadas repletas de distorções insinuantes, num resultado final majestoso, épico, nostálgico e vibrante. Confere Water e o vídeo do tema dirigido por Warren Fu, que também já tinha constado dos créditos do filme de Evidence...

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publicado por stipe07 às 17:19

The Rubens – Liquid Gold

Terça-feira, 13.02.24

Depois de no ano de dois mil e vinte e três terem chamado a atenção da crítica com os singles Pets and Drugs e Good Mood, os australianos The Rubens voltam a estar debaixo dos holofotes devido a um novo tema intitulado Liquid Gold.

The Rubens - Wikipedia

Esta nova canção da banda natural de Menangle, na Austrália e formada pelos irmãos Izaac Margin, Sam Margin e Elliott Margin e os seus amigos Scott Baldwin e William Zeglis, é um efusiante e enérgico tratado de indie pop, uma canção luminosa, angulosa, melodicamente solarenga e bastante radiofónica, apesar de liricamente ser uma impressiva narrativa que aborda questões relacionadas com a autodestruição.

O próprio vídeo de Liquid Gold, assenta na perfeição no seu conteúdo sonoro, já que contém filmagens feitas pelo vocalista Sam Margin, numa visita recente que fez ao Rio de Janeiro, capturando alguma da essência e do colorido dessa cidade brasileira. Confere...  

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publicado por stipe07 às 17:36






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