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Manic Street Preachers – Covers

Quarta-feira, 06.07.22

Um ano depois de Ultra Vivid Lament, um registo de originais que consolidou a já habitual forte veia política dos galeses Manic Street Preachers, de James Bradfield e que colocou a banda na estrada, o projeto volta a surpreender pelo fulgor e pela capacidade de inovar e de reinventar as suas propostas, com um novo alinhamento de dezassete canções intitulado Covers que, como o próprio nome indica, reúne versões de alguns dos temas preferidos dos músicos da banda.

Arte SonoraManic Street Preachers, Tudo Sobre o Novo Álbum "The Ultra Vivid  Lament" | Arte Sonora

As composições que fazem parte desta compilação foram interpretadas pelos Manic Street Preachers ao longo da sua já vasta carreira de mais de duas décadas, quer em concertos ao vivo, quer em sessões de gravação mais intimistas, com especial destaque para as que decorreram nos estúdios da BBC. O registo contém reinterpretações de originais de nomes tão díspares como Madonna, Cure, Gun's N' Roses, Nirvana e Rihanna, entre outros, interpretadas por músicos exemplares e cantadas por um Bradfield sempre exímio e contundente a dissertar sobre algumas questões importantes da sociedade ociental contemporânea e a refletir sobre os diferentes rumos que o mundo tem tomado.

Como é óbvio, as canções foram revistas indo ao encontro do típico adn sonoro dos Manic Strret Preachers, feito de um rock sempre musculado e incisivo, feliz a cruzar teclas e guitarras elétricas e acústicas, mas também tremendamente melódico. Independentemente disso, as versões mantêm intacta a identidade dos inéditos, num resultado final bastante curioso e que merece dedicada audição por todos aqueles que se interessam pela história da pop e do rock das últimas décadas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:04

Broken Bells – We’re Not In Orbit Yet…

Terça-feira, 05.07.22

Oito anos depois do último registo de originais, um alinhamento de onze canções initulado After The Disco, os Broken Bells de Danger Mouse e James Mercer, vocalista dos The Shins, estão de regresso aos lançamentos discográficos em dois mil e vinte e dois, mas ainda sem data concreta, com Into The Blue, o terceiro disco do projeto, um trabalho que terá a chancela da AWAL e que será, certamente, um regresso à ribalta desta dupla que se conheceu há dezoito anos nos bastidores do festival de Roskilde, na Dinamarca.

Broken Bells are back, share “We're Not in Orbit Yet…” from first album in  8 years

We’re Not In Orbit Yet… é o primeiro single divulgado de Into The Blue, uma magnífica composição que mistura um baixo imponente com alguns detalhes acústicos, harmonias subtis e sintetizações com elevada cosmicidade, num resultado final que, entre o rock alternativo mais clássico, o R&B e a própria folk, plasma um ADN muito próprio e identitário de uma dupla que se mantém bastante ativa nos seus projetos próprios (Danger Mouse prepara-se para lançar o disco de estreia do seu projeto paralelo Black Thought e James Mercer está a comemorar o vigésimo aniversário de Oh, Inverted World, o disco de estreia dos The Shins, com uma digressão), mas que neste novo álbum, tendo em conta a amostra já divulgada, irá certamente manter os Broken Bells na rota de um caminho coeso, assertivo e refinado, numa parceria que sabe como mostrar o real potencial dos seus dois pólos. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:44

Sufjan Stevens – Fourth Of July

Segunda-feira, 04.07.22

Na primavera de dois mil e quinze, há já mais de sete anos, Sufjan Stevens regressou algo negro, sombrio e recatado com Carrie And Lowell, um disco que marcou o retorno do músico à folk mais intimista, nostálgica e contemplativa e que volta a estar na ordem do dia devido a um dos temas do seu alinhamento intitulado Fourth Of July, que acaba de ser revisto pelo músico com duas novas versões.

Sufjan Stevens “Fourth of July” | Optimistic Underground

Quatro de julho é o dia do feriado nacional nos Estados Unidos da América e esta canção com esse título debruça-se sobre as memórias de infância que o músico tem da efeméride, exorcizadas numa composição singela, honesta e intimista, que faz parte do alinhamento de um disco que, recordo, tem como título os sobrenomes da sua mãe e do seu padrasto (Carrie & Lowell) e está imbuído de um puro sentimentalismo, embalado por uma folk madura e nostálgica, que se debruça sobre o falecimento da sua mãe, ocorrido há uma década atrás, em dois mil e dez, após uma vida de excessos, abusos e um dignóstico de esquizofrenia.

A canção oferece-nos, portanto, um Sufjan Stevens na pele de um trovador acompanhado apenas pelas cordas de uma viola, com a nova versão da canção a conferir um ainda maior charme e brilho à moldura sonora estética de um tema que pode ser considerado uma verdadeira jóia, em todos os sentidos. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:46

Day Wave – Pastlife

Sexta-feira, 01.07.22

Cinco anos depois do registo de estreia The Day We Had, o norte americano Jackson Phillips, que assina a sua música como Day Wave, está de regresso com Pastlife, o seu segundo lançamento no formato álbum, dez canções que acabam de ver a luz do dia pela mão da Capitol Records e que obedecem a uma fórmula de composição bastante particular, na qual os sintetizadores assumem a primazia no modo como acomodam o restante arsenal orgânico que, numa espécie de simbiose entre o polimento melódico de uns Real Estate, o efeito de guitarras que aponta para a luminosidade efusiva de uns DIIV e um baixo com um pulsar muito vincado e caraterístico, tem a mira apontada para os pilares fundamentais da indie pop contemporânea que, como tem sido norma, encontra no saudosismo de outras épocas a sua grande força motriz e que, neste caso específico de Day Wave, olha de modo beliçoso para a herança oitocentista do século passado.

DAY WAVE RETURNS WITH 'PASTLIFE'

O primeiro elogio que se pode fazer a Day Wave e a este seu segundo disco é que as canções nele contidas são realmente boas e apontam para diversas referências, basicamente descritas acima, não de modo a replicá-las, mas procurando abrangê-las naquele que é um cunho estilísitico identitário já bem definido. Por exemplo, se em See You When The End's Near a guitarra parece ter sido retirada de alguns dos melhores clássicos noventistas mais garageiros, ou se o frenesim do tema homónimo tem um travo surf inconfundível, a verdade é que não deixa de haver algo de distintivo e único, no modo como depois o músico deixa que as canções sigam o seu percurso natural.

Phillips oferece-nos de mão beijada mais um registo que contendo uma filosofia interpretativa abrangente, que também atinge laivos progressivos, bem expressos na rugosidade do baixo que conduz We Used To Be Young, esprai-se fundamentalmente por uma lúcida cadência épica, nomeadamente no já referido tema homónimo, mas também em Heart To Rest e, por outro, no frenesim solarengo, impressivo em Loner, um modus operandi que acaba por, no seu todo, resultar em algo consistente e até ligeiramente hipnótico. O dedilhar inicial da guitarra de Where Do You Go e o modo como ela depois se transforma e ganha músculo, enquanto se enleia com a bateria e a voz ecoante do músico que parece planar ligeiramente acima do baixo e do sintetizador, ampliam aquela curiosa sensação constante ao longo do alinhamento e que muitas vezes nos invade quando ouvimos uma canção que parece querer forçar o ouvinte a deixar, nem que seja por breves instantes, tudo e todos para trás, rumo aquela luz que está sempre ali, mas que nunca temos coragem de perscutar.

Pastlife é um alinhamento de temas vibrantes, que tanto contém uma atmosfera catárquica como um clima sonhador, com belos momentos que sabem aquela brisa quente e aconchegante que entra pela nossa janela nestas convidativas noites de verão. Day Wave pode gabar-se de ser capaz de mostrar uma invulgar intensidade emocional na sua escrita e de poder ser já caraterizado como um artista possuidor não só dessa importante valência mas também de um tímbre vocal único e uma postura confiante. Ele exala uma faceta algo sonhadora e romântica que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada e que irá certamente agradar a todos os apreciadores do género. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:25

António Vale da Conceição - At your service, ma´am EP

Quinta-feira, 30.06.22

António Vale da Conceição é um produtor e músico de Macau, integrante da banda Turtle Giant, agora residente em Portugal e que exerce os papéis de compositor de bandas sonoras e produtor de projectos diversos. O ano passado António Vale da Conceição lançou o seu primeiro álbum de piano Four Hands Piano e realizou e compõs a música para o documentário Beyond the Spreadsheet: The Story of TM1, um documentário que conta a história de vida e contributo tecnológico de Manny Pérez - o génio matemático que criou em mil novecentos e oitenta e três a tecnologia que permitiu ao mundo efectivamente lidar com a complexidade de dados no mundo - A Base de dados Funcional (ou o Excel em esteróides).

At Your Service, Ma'am": António Vale da Conceição edita EP de "batidas  mexidas" e apelos à mudança - Showbiz - SAPO Mag

Agora, em dois mil e vinte e dois, o músico está de regresso com o EP At your service, ma´am, um trabalho que mais parece a banda sonora de um clássico de comédia do que um álbum de canções, encharcado com sopros gritantes, ritmos mexidos e melodias que se alongam. São cinco canções repletas de batidas mexidas e de narrativas que falam sempre de amor, porque um filme tem que ter sempre uma trama de amor. Mas este com apelos à força e à resiliência, à mudança e à aceitação das lutas para que vençamos, juntos.

Os pouco mais de dezassete minutos do EP merecem audição dedicada, não só porque nos revela, com enorme fluidez e expressividade, a singularidade do registo vocal do autor e a sua luminosidade e clarividência instrumental e melódica, mas também porque ilustra uma multiplicidade de mundos e emoções com uma filosofia muito própria e que se amplia após sucessivas audições, tal é o vício que esta mão cheia de temas provoca em quem se deixa imbuir pela sua cartilha sonora e aceita abstrair-se de tudo aquilo que o rodeia enquanto o ouve. No entanto, do alinhamento destaco Love Is The Storm, uma composição que assenta no sentimento exacerbado de Ira, na capacidade que uma emoção tão natural ao Homem, que quando possuído, o torna numa entidade tão “adamastora” quanto poderosa, misteriosa, transformadora, assim como Remedy, um tema que, de acordo com a nota de imprensa, nos apela a não nos contaminarmos pelas sedutoras imagens e sons que nos rodeiam e, ao invés, sermos sãos, verdadeiros e autênticos. O remédio está muitas vezes na não-contaminação, na prevenção, portanto. E por isso, impermeabilizar-mo-nos de venenos (como as fake news, redes sociais, o desejo de fama, egos) é o nosso dever e responsabilidade, como indivíduos e como colectivo.

Em suma, At your service, ma´am é uma experiência de certa forma surreal quando se contextualiza no panorama musical nacional atual. Infelizmente ainda apenas acessível a um grupo não muito amplo de fervorosos e dedicados fãs, o que é uma perfeita e incompreensível injustiça, António Vale da Conceição escreve sem pudores, tem nas letras uma das suas grandes virtudes virtude e arrojo e faz canções com um significado literal nem sempre coerente e facilmente entendível, mas que emparelhadas com guitarras que correm abrasivamente e fogem às fórmulas compositivas de formatos amigos da rádio, resultam na perfeição e originam algo único e de algum modo surreal. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 19:52

Wilco – Cruel Country

Quarta-feira, 29.06.22

Os norte americanos Wilco de Jeff Tweedy são um dos projetos mais profícuos do universo indie e alternativo atual. Não cedem à passagem do tempo, não acusam a erosão que tal inevitabilidade forçosamente provoca, mantêm-se firmes no seu adn e conseguem, disco após disco, apresentar uma nova nuance interpretativa, ou uma nova novela filosófica que surpreenda os fãs e os mantenha permanentemente ligados e fidelizados. Cruel Country, o novo álbum dos Wilco, um duplo registo inteiramente composto por canções de travo eminentemente folk, além de ser uma espécie de regresso às origens e aos primórdios da carreira da banda de Chicago, no Illinois, é, também, uma manifestação impressiva de que Jeff Tweedy e os seus fiéis companheiros ainda têm muito para dar e, claro, vender.

Wilco's 'Cruel Country': Album Review - Rolling Stone

Se há alguma banda que nas últimas décadas nos consegue oferecer um roteiro detalhado do melhor rock alternativo que se vai fazendo do lado de lá do atlântico, os Wilco dizem presente. Discos do calibre de The Whole Love, Schmilco e Star Wars, já para não falar do mítico Yankee Hotel Foxtrot, são documentos sonoros que nos explicam que com o passar dos anos a bitola do grupo não abrandou nem foi atingida pelas normais crises de writer's block, mostrando-se cada vez mais refinada no modo como foi aliando o adn Wilco às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo. E realmente, só faltava uma abordagem mais direta e incisiva à folk no catálogo de um grupo que foi muitas vezes apelidado de projeto folk, mas que nunca se sentiu confortável com esse rótulo, chegando mesmo a renegá-lo publicamente. 

Cruel Country, o décimo segundo álbum de estúdio dos Wilco, é a materialização majestosa e eloquente de uma homenagem sincera e despida À herança mais pura e genuína do cancioneiro norte-americano. Em dois tomos, gravados no famoso estúdio da banda, o Loft, em Chicago, que contabilizam um total de vinte e uma canções, os Wilco criaram uma narrativa conceptual de alguns dos momentos fundamentais da história dos Estados Unidos da América, assente numa sonoridade animada e luminosa, mas também algo encantatória e bucólica. A empreitada é conseguida em dois tomos, como já referi, com o primeiro a oferecer-nos instantes sonoros mais expansivos e luminosos e o segundo a materializar-se através de uma filosofia interpretativa mais intimista e bucólica. Seja como for, trespassa todo o disco, um sempre intuítivo e até, amiúde, divertido jogo de cordas da viola, do banjo e da guitarra, esta quase sempre eletrificada ao mínimo, que sustentam composiçãos que, em alguns momentos ajuda também a aproximar os Wilco de uma psicadelia blues de superior filigrana, que se escuta com aquela intensidade que fisicamente não deixa a anca indiferente. 

Cruel Country captura com nitidez quase fotográfica e visual uma América imponente no modo como influencia ainda hoje, quer queiramos, quer não, o melhor indie contemporâneo. E as fundações dessa evidência estão, sem dúvida, na folk, um género musical que tem as suas raízes culturais no velho oeste e que quando é replicado por intérpretes como os Wilco, está sempre encharcado numa certa sabedoria proverbial, porque é, sejamos honestos, o melhor estilo musical para contar histórias de vida, mais ou menos corriqueiras, mas sempre profundas e genuínas. Cruel Country é um manancial de relatos das nossas vivências frágeis e minúsculas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:16

Efterklang - Plexiglass EP

Terça-feira, 28.06.22

Foi o ano passado que os dinamarqueses Efterklang protagonizaram uma das transferências mais badaladas da temporada musical, assinando pela City Slang depois de três discos na britânica 4AD. A estreia na etiqueta alemã aconteceu pouco depois com um disco intitulado Windflowers, o sexto da carreira do projeto formado por Mads Brauer, Casper Clausen e Rasmus Stolberg e que, recordo, foi bastante marcado pela circunstância covid, mas também por algumas questões pessoais do trio, uma conjuntura que acabou por criar um clima criativo invulgar no seio dos Efterklang, impulsionando-os para um trabalho em que acusticidade orgânica e texturas eletrónicas particularmente intrincadas, conjuraram entre si, muitas vezes de modo quase impercetível, para incubar uma alinhamento elegante e com uma beleza sonora inquietante.

Com a chegada do verão… Efterklang lançam EP surpresa! – Glam Magazine

Agora, em pleno solstício de verão de dois mil e vinte e dois e para marcar essa mesma efeméride que assinala o dia mais longo do ano, os Efterklang voltam à carga, em formato EP, com Plexiglass, cinco inéditos que contêm nos seus créditos contribuições de nomes tão distintos como Karl Hyde, do projeto Underworld e Katinka Fogh Vindelev, entre outros.

Plexiglass é um verdadeiro bouquet de pop charmosa e delicada, mas também vibrante e orquestral, sonoramente perfeita para estes dias em que vivemos num constante limbo entre a marcha do calendário e a discrepância entre esse movimento celeste do nosso planeta e as sensações metereológicas que tal fenómeno cósmico nos tem feito sentir. É um tomo de cinco lindíssimas composições, em que acusticidade orgânica e texturas eletrónicas particularmente intrincadas conjuram entre si, muitas vezes de modo quase impercetível, para incubar um registo com uma beleza sonora inquietante, onde não faltam momentos de euforia e celebração, como é o caso de Circles, um tema que nos coloca um enorme sorriso no rosto sem razão aparente e nos enche o peito, mas também instantes de recolhimento íntimo, nomeadamente na lindíssima balada Brænder, construída em redor de um delicado piano. Depois, o perfil eminentemente experimental de Rain Take Me Back Himalaya, uma composição trepidante e que nos deixa em contínuo sobressalto, ou os preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes que se emaranham no perfil percussivo que sustenta Laughing In The Rain, ajudam a compôr o ambiente geral de um alinhamento que voltou a fazer os Efterklang descolarem ainda mais da sua habitual zona de conforto sonora para arriscarem ambientes eminentemente épicos e com uma instrumentalização ainda mais diversificada, ao mesmo tempo que nos proporcionam outra banda sonora perfeita para uma jornada de meditação, onde o brilho da suprema criatividade artística e a típica melancolia nórdica caminham, uma vrez mais, de mãos dadas, em perfeita comunhão. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:51

DIIV - Sometime / Human / Geist EP

Segunda-feira, 27.06.22

Dois mil e vinte e dois é um ano marcante para todos os fãs dos DIIV, já que a banda norte-americana formada por Zachary Cole Smith (voz e guitarra), Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria), comemora uma década do lançamento de Oshin o mítico álbum que lançou o grupo natural de Nova Iorque para as luzes da ribalta. E um dos eventos que marca a efeméride é o lançamento do EP Sometime / Human / Geist, um tomo que junta as primeiras três canções que os DIIV gravaram, um ano antes de incubarem Oshin e os respetivos b side, todas alvo de reimpressão recente em formato vinil de sete polegadas, já disponível no bandcamp do grupo.

DIIV Brasil (@DIIV_BR) / Twitter

Este EP é um registo obrigatório para todos aqueles que querem entender o processo evolutivo dos DIIV e o modo como, a darem o pontapé de saída, escavaram as fundações desse Oshin, compêndio que é, ainda hoje, um marco discográfico fundamental do milénio. E, de facto, a audição destas seis composições, que inclui uma curiosa versão de Bambi Slaughter, um original da autoria de Kurt Cobain, esclarece-nos que eram doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica que conduzia a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar, a grande força motriz do processo criativo do quarteto, bem impressa em Sometime, a primeira canção do grupo a causar furor no mainstream e que também não renegava aproximações mais ou menos declaradas à herança do melhor garage rock de final do século passado, como se percebe em Geist.

Sombra, rugosidade e monumentalidade, misturando-se entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o vão consumindo, são os pilares fundamentais dos DIIV e estes seis temas merecem figurar num superior lugar de destaque na indie contemporânea, porque são os grandes responsáveis pelo desabrochar triunfante de uma banda indispensável e única. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:31

Gorillaz – Cracker Island (feat. Thundercat)

Domingo, 26.06.22

Foi há já ano e meioa que chegou aos escaparates Song Machine, Season One: Strange Timez, o sétimo álbum dos britânicos Gorillaz, que ofereceram ao úblico português aquele que foi muito possivelmente, a par dos Pavement, o melhor concerto da última edição do NOS Primavera Sound, que decorreu no Parque da Cidade do Porto há cerca de duas semanas. Agora, em pleno início tímido do verão de dois mil e vinte e dois, Russell, Noodle, 2D e Murdoc, conduzidos pelo enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro, apresentam-nos um novo tema intitulado Cracker Island que, para já, não traz atrelado a divulgação de um novo disco do projeto.

Gorillaz tease release of techno-tinged new track 'Cracker Island'

Canção produzida por Greg Kurstin, Remi Kabaka Jr. e os próprios Gorillaz e que resulta de uma feliz parceria da banda com Stephen Lee Bruner, aka Thundercat, Cracker Island pretende, antes de mais, convidar-nos a todos a aderirmos a uma espécie de culto, que tem como grande líder, nada mais nada menos que o próprio Murdoc Niccals, o baixista da banda. E o convite irresistível é feito à boleia de uma inebriante e polida composição, que junta a uma batida angulosa guitarras efusiantes e diversas camadas de sintetizações ondulantes, ou seja, é uma canção cujo centro nevrálgico gravita em redor de toda a diversidade que sustenta muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje, principalmente a que tem como origem o lado de lá do atlântico. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:32

Warpaint – Radiate Like This

Quinta-feira, 23.06.22

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa estão de regresso com Heads Up, um título feliz para batizar aquele que é o quarto disco das Warpaint, sucessor do registo Heads Up, lançado já no longínquo ano de dois mil e dezasseis. Produzido por Sam Petts-Davies e as próprias Warpaint, Radiate Like This viu a luz do dia no início do passado mês de maio à boleia da Heirlooms em parceria com a Virgin Records e nele estas quatro miúdas deixaram, mais uma vez, as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta eminentemente polida e luminosa, para criar um álbum tipicamente rock, etéreo q.b. e esculpido com cordas ligadas à eletricidade e com uma identidade muito particular.

Warpaint lança seu quarto álbum, “Radiate Like This” - Vitrolando

Repleto de lindíssimas melodias, Radiate Like This é um portento de luminosidade e astúcia criativa. Como é óbvio, o seu alinhamento plasma todas as transformações que as integrantes do projeto sofreram na sua vida pessoal durante um hiato de seis anos desde o álbum anterior, com artistas que emigraram, que foram mães ou que tiveram alguns problemas de saúde delicados, mas é curioso perceber que, felizmente, o som identitário e tipicamente Warpaint mantém-se intocável e, melhor do que isso, ainda mais aprimorado. O trip hop exótico de Champions, o perfil simbólico e ousadamente etéreo de Hard To Tell You, o sensualismo percurssivo de Melting e o intimismo aconchegante de Send Nudes, são belíssimos exemplos de uma heterogeneidade que foi sempre imagem de marca das Warpaint e que se afinou, sem ofuscar a típica densidade orgânica, harmoniosa e vibrante do quarteto, criada a partir de uma espécie de cruzamento feliz entre alguns dos detalhes fundamentais da dream pop e do chamado trip-hop que fez escola nos anos noventa, uma combinação que nestes pouco mais de quarenta minutos que duram Radiate Like This, se inunda de nostalgia e contemporaneidade, sempre com elevado groove e uma clara sapiência melódica.

Quando a pausa é prolongada, o retorno só se justifica se com ele for satisfeita e, já agora, bem sucedida a incessante busca por algo diferente e inovador. E, de facto, Radiate Like This plasma nitidamente as Warpaint a darem mais um passo em frente num projeto que nunca se acomodou a uma abordagem estilística estanque, apesar de manter no seu epicentro sonoro uma intensa aúrea emotiva, que as despe de um mistério tantas vezes artificial. É um dis com uma inegável atmosfera psicadélica, experimentalmente rico e que nos envolve sem mácula, mostrando, sem rodeios e mais uma vez, com ousadia, a verdadeira personalidade de um coletivo inegavelmente maduro e confiante. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:04






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