Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017

Destroyer – Ken

Produzido pelo carismático Josh Wells, baterista dos Destroyer desde 2012 e abrigado pela insuspeita Merge Records, Ken é o novo registo discográfico dos Destroyer de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva.

Resultado de imagem para destroyer band 2017

Muito inspirado no clássico The Wild Ones dos Suede, cuja demo se chamava Ken, este é um disco algo intrincado e bastante sedutor no modo como apresenta construções melódicas e instrumentais que ora parecem ríspidas ora profundamente acolhedoras, estabelecendo no seu seio, amiúde, uma espécie de caos inédito que metais, teclas, guitarras, intensos trompetes, batidas e uma postura vocal sui generis ampliam. Logo em Sky's Grey fica bem patente toda esta trama que parece lançar sobre nós, à primeira vista, pensamentos algo depressivos mas que, no fundo, estão imbuídos de uma elevada componente irónica, numa espécie de humor negro que o efeito das guitarras e os sintetizadores imponentes da rugosa In The Morning tão bem personificam.

À medida que o disco avança Bejar parece estar continuamente a soltar alguns dos seus demónios ao mesmo tempo que parece gozar não só do facto de eles terem permanecido algum tempo dentro de si, mas também do destino que preparou para os mesmos. Quer no balanço vintage da pop eletrónica oitocentista que abastece Tinseltown Swimming In Blood ou no imediatismo intuitivo do rock que carrega Cover From The Sun, assim como na luminosidade da toada acústica de Saw You At The Hospital e nos arranjos lindíssimos que sobressaem das cordas e do curioso saxofone de Rome transparece quer essa impressão filosófica quer o clima eminentemente sofisticado e claramente clássico e moderno de um disco intenso e que joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva.

Em Ken Dan Bejar aperfeiçoa o charme inconfundível deste projeto Destroyer e coloca em cima da mesa mais uma vez a sua mestria genética na hora de sobrepor não só diferentes camadas de instrumentos e arranjos, mas também variações rítmicas e, consequentemente, sentimentais, que a sua música ao longo da carreira tem sempre exalado. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Ken

01. Sky’s Grey
02. In The Morning
03. Tinseltown Swimming In Blood
04. Cover From The Sun
05. Saw You At The Hospital
06. A Light Travels Down The Catwalk
07. Rome
08. Sometimes In The World
09. Ivory Coast
10. Stay Lost
11. La Regle Du Jeu


autor stipe07 às 20:21
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 12 de Agosto de 2017

Said The Whale – Nothing Makes Me Happy (Feat. WILLA)

Resultado de imagem para said the whale band 2017

Os Said the Whale de Vancouver, no Canadá, regressaram aos discos no início deste ano com As Long As Your Eyes Are Wide e agora, alguns meses depois, divulgam um novo single que não faz parte do alinhamento desse registo. A canção initula-se Nothing Makes Me Happy e foi escrita a meias pelo grupo e por Ali Milner, amiga da banda e que canta a coberto do nome WILLA.

Nothing Makes Me Happy é um festim luminoso de forte índole sintetizada, cerca de quatro minutos que mostram o som claramente um indie rock mas com pegadas de folk, country e muita pop, onde é possível a apreciar delicadas harmonias vocais, pianos, guitarras limpas e um imenso impressionismo na escrita de uma canção que se debruça sobre o modo como as gerações mais jovens vivem obcecadas e presas à tecnologia. Confere...


autor stipe07 às 10:34
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 24 de Novembro de 2015

We Are The City – Above Club

Oriundos de Vancouver, os canadianos We Are The City são Cayne McKenzie, David Menzel e Andrew Huculiak, um trio de regresso aos discos com Above Club, depois de já no início deste ano nos ter surpreendido com Violent, um trabalho produzido por Tom Dobrzanski e os próprios We Are The City e que abraçava a indie pop com o rock luxuriante, num ritmo e cadência certas, abraço esse que continha uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que compilava um interessante leque de influências, com uma óbvia filosofia vintage.

Above Club mantém a receita de Violent e neste disco conferimos uma dialética sonora assente numa liberdade de expressão melódica e criativa, que é a pedra de toque de oito canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Logo na panóplia de efeitos e detalhes de Take Your Picture With Me While You Still Can percebe-se que este trio não está preso e limitado a uma fronteira sonora claramente definida, tateando diferentes espaços e espetros, plasmados em curiosos detalhes que, no caso de Keep On Dancing, tanto podem ser um simples toque num teclado, como uma batida compassada num tambor, à medida que os sintetizadores debitam, sem nexo aparente, variados ruídos que a voz e a guitarra ajudam a acomodar.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes We Are The City não se intimidam na hora de compôr e deixam o arsenal instrumental que lhes foi colocado à disposição divagar livremente, compondo temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, numa parada de cor, festa e alegria, onde terá havido certamente um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a músicas que gostam.

Em Heavy As A Brick o trio aponta as agulhas para uma eletrónica algo minimalista, mas acessível, mas mesmo nesse tema a irregularidade da percussão, alguns efeitos metálicos e as variações de ritmo e de intensidade, abastecem uma filosofia sonora bastante aditiva e peculiar, que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Aparentemente crua e despida de conteúdo, Cheque Room é uma das canções que melhor condensa este casamento feliz entre dois mundos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, audível no modo como um simples efeito de uma guitarra elétrica, uma percussão estridente e um sintetizador deambulante se cruzam e dão as mãos para nos oferecer uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. Mas a amplitude dramática que exala de Kiss Me, Honey também consegue este efeito intenso e algo inebriante.

A sirene estridente, o piano melancólico e o registo vocal sincero e incondicional que abrigam Lovers In All Things e o efeito abrasivo de Sign My Name Like QUEEN são apenas mais dois compêndios de detalhes que colocam a nú o imenso ecletismo destes We Are The City, capazes de nos levar à boleia dos seus pensamentos mais inconfessáveis, enquanto falam emocionadamente sobre o amor, deixando-nos descobrir plenamente a sobriedade sentimental que marca a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve o trio, já que nestas canções consegues sentir a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este projeto verdadeiramente único.

Ouvimos cada uma das oito músicas de Above Club e conseguimos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que as esculpiram, com as guitarras a não se situarem sempre na primeira fila daquilo que se escuta, mas a serem o fio condutor que suporta aqueles simples detalhes que fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Este é um exercício prático claramente bem conseguido de conjugação de diversas camadas de instrumentos, que nos oferecem paisagens grandiosas e significativas, arrebatadores banquetes de sedução, servidas em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico que contorna todas as amarras que prendem a nossa alma, apresentando, desse modo, a notável disponibilidade dos We Are The City para nos fazer pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Espero que aprecies a sugestão...

We Are The City - Above Club

01. Take Your Picture With Me While You Still Can
02. Heavy As A Brick
03. Keep on Dancing
04. Sign My Name Like QUEEN
05. Club Music
06. Cheque Room
07. Lovers In All Things
08. Kiss Me, Honey


autor stipe07 às 20:56
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 31 de Outubro de 2015

The Never Surprise – Winters EP

O projeto canadiano The Never Surprise, natural de Vancouver, nasceu em 2011 e começou por resultar de uma colaboração entre David Gaudet e Nick Eakins, que procurava a amibiciosa simbiose entre a folk e o indie rock com alguns detalhes da eletrónica à mistura. O adeus de Eakins ao projeto em 2013 foi um duro golpe, mas não o fim de The Never Surprise, que agora, iluminado pela mente única de Gaudet, acaba de editar um EP com sete canções, disponíveis para audição e download, com a possibilidade de serem obtidas gratuitamente ou doares um valor pelas mesmas, na plataforma bandcamp.

Contando com as importantes contribuições de nomes tão influentes como Adam Nanji (The Belle Game), Andrew Braun (Rococode), Robbie Driscol, (Hannah Georgas) and Niko Friesen (The Zolas), Gaudet conseguiu oferecer-nos, com Winters, um ambiente bastante relaxante. No Dispute, o tema de abertura, é um veículo precioso para a indução imediata do ouvinte neste inverno genuíno e contemplativo. A gentileza da guitarra elétrica e o eco da voz dessa canção são competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos, uma mistura harmoniosa a exuberante, mas suave e confessional, que nos oferece um início de audição de Winters ameno, íntimo, mas também arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação.

Daí em diante, o EP sobrevive à sombra de arranjos bem feitos, que prendem a atenção, alternando entre climas calmos e agitados, conseguidos através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, mas que nunca roubam às cordas o merecido protagonismo. Por exemplo, se os sussurros do tema homónimo criam uma sensação curiosa e reconfortante que a introdução da bateria não esbate, já os efeitos rústicos de Limousine e o andamento da guitarra em Ocean, transformam a audição do EP numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Winters emociona, inspira e ilumina, levando-nos para um lugar calmo e pacífico, onde podemos fugir da velocidade, do caos e da ansiedade da vida moderna, um lugar que, independente de géneros ou estilos, definitivamente só existe na música. Espero que aprecies a sugestão...

The Never Surprise - Winters

01. No Dispute
02. Winters
03. No Real Me
04. Limousine
05. Ocean
06. Aurelia
07. Picket Line


autor stipe07 às 22:57
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 1 de Setembro de 2015

Destroyer – Poison Season

O clássico Kaputt (2011) e o extraordinário EP Five Spanish Songs (2013), as duas últimas obras discográficas de Destroyer, já têm finalmente sucessor. O novo disco deste projeto que emana da mente criativa de Dan Bejar chama-se Poison Season e foi lançado a vinte e oito de agosto pelos selos Marge e Dead Oceans.

Bejar não gosta de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, preferindo que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece. No entanto, Poison Season parece querer afirmar-se em sentido contrário a esse travo de espontaneidade, com Dream Lover, o tema escolhido para apresentar o disco um trimestre antes da sua audição, a viver à boleia do elevado sentido de urgência que exala no frenesim das guitarras, agora menos sedutoras e mais ríspidas, estabelecendo um caos inédito que os metais, os intensos trompetes, as batidas e a postura vocal de Destroyer, no caso desta música, ampliam.

Há aqui um desejo claro de mudança que se saúda, numa roupagem menos pop, mas sofisticada, como sempre e mais orgânica, com o rock vintage a afastar Dan Bejar da sua zona de conforto canadiana e de uma certa inércia artística em que se encontrava enclausurado. No entanto, não se julgue que Destroyer perdeu o seu charme inconfundível ou colocou de lado a sua mestria genética na hora de sobrepor não só diferentes camadas de instrumentos e arranjos, mas também variações rítmicas e, consequentemente, sentimentais, que muitas das suas composições exalam e Poison Season amplia. Basta escutar Solace’s Bride para se ter a certeza que Bejar permanece nutrido com a melhor bagagem que a pop lhe pode oferecer na hora de compor, sem nunca percer o norte nem a capacidade de nos emocionar mesmo que o arsenal instrumental seja diverso e potencialmente antagónico e difícil de articular.

Times Square, Poison Season I, o tema que abre o disco, oferece-nos um cenário biblíco imponente, com Bejar a apresentar-nos Jesus, Jacob, Judy e Jack, algumas personagens centrais que serão depois transversais à componente lírica do alinhamento, através de uma cortina sonora em que piano, xilofone e violinos subsistem numa fanfarra agridoce, bastante emotiva. Esta canção dá o mote para o ambiente claramente clássico, moderno e límpido do disco, que o desfile eletrificado e exuberante do tema seguinte, acima descrito, não coloca em causa, até porque traz para Poison Season um sol bastante luminoso e inspirado que depois vai guiar e iluminar, numa parada de cor e jovialidade, as restantes canções. Aliás, pouco depois, em Midnight Meet The Rain, numa toada mais groove e até tropical, Bejar volta a oferecer um som mais ruidoso, acelerado e épico, mas sem que isso deturpe a essência claramente contemplativa e relaxante de Poison Season.

Com a pop e o indie rock como referências máximas, Bejar tem demonstrado um instinto camaleónico para a mudança, com os seus registos a mostrarem sempre novas nuances naquele que é o referencial típico do seu som, mas conseguindo sempre manter a integridade do seu adn sonoro. Os violinos e as marimbas de Forces From Above dão as mãos com sucesso porque são guiados por esta mente fortemente criativa, única no modo como mescla o brilho literário que cria, com a destreza melódica e a agilidade estilística dos arranjos que inventa. Sun In The Sky, por exemplo, coloca em primeiro plano essa invulgar e enigmática capacidade de escrita, que o piano reforça, o saxofone emoldura e a flexibilidade ritmíca da guitarra impõe. Mas antes, em Archers On The Beach, esse mesmo arsenal sonoro, ao ter recebido a visita e o apoio de um baixo vigoroso, já nos tinha dado o privilégio de nos fazer perceber como não há Destroyer sem aquelas pinceladas de jazz contemporâneo que poucos igualam e replicam com a mesma profundidade, alegria e vivacidade.

É impossível ouvir Destroyer sem se presentir, mesmo que à distância, uma certa melancolia triste, que Bangkok clarifica com arrojo e profundidade. Mas, mesmo nessa canção aparentemente amargurada, há uma luz que brilha e nos faz sorrir, sem percebermos muito bem de onde vem essa peredisposição. Talvez seja o piano de Poison Season que faz com que essa sensação aparentemente menos positiva fique camuflada e só se revele a espaços para que a euforia não nos faça perder a lucidez, pois essa é uma das principais ideias que este disco invulgar, fortemente contemporâneo e intenso nos permite disfrutar. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Poyson Season

01. Times Square, Poison Season
02. Dream Lover
03. Forces from Above
04. Hell
05. The River
06. Girl In A Sling
07. Times Square
08. Archer On The Beach
09. Midnight Meet The Rain
10. Solace’s Bride
11. Bangkok
12. Sun In The Sky
13. Times Square, Poison Season II


autor stipe07 às 17:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 25 de Junho de 2015

Kathryn Calder – Kathryn Calder

Pianista dos New Pornographers e já uma veterana da indústria musical, a canadiana Kathryn Calder também tem uma respeitável carreira a solo, iniciada com os Immaculate Machines, a sua primeira banda e já com dez álbuns lançados na última década, o que dá uma incrível média de um disco por ano. A juntar a essa pujança discográfica, há que salientar várias digressões, que solidificaram uma carreira iniciada com Are You My Mother, um disco baseado na luta inglória que a mãe de Kathryn travou contra a ALS e que a artista assistiu de perto. Esta relação entre tragédia e sucesso, marcou o início do percurso discográfico de Calder e deu-lhe imenso material sobre o qual pode escrever, o que justifica, de certo modo, esta pujança editorial.

Passando longos períodos na estrada, Kathryn gosta de sentir que tem um ponto seguro e Bright And Vivid foi outro ponto importante no seu percurso discográfico, já que nesse trabalho refletiu, essencialmente, sobre si mesma e tudo aquilo que tinha mudado em si, após um início tão fulgurante de carreira, de mãos dadas com a perca referida, num álbum cheio de canções autênticas e pessoais.

Agora, em 2015, Kathryn encontrou nos sintetizadores um manancial sonoro que a artista sentia que ainda não tinha explorado devidamente e refugiada num estúdio em Vancouver Island com o seu marido e produtor Colin Stewart, deu à luz estas dez novas canções que têm em comum essa artmosfera sintética que é agora o grande ponto de partida da sua música em deterimento da orgânica sentimental e emotiva que sempre guiou o seu processo de produção musical. 

Kathryn Calder é, portanto, um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia. A delicadeza de canções como Song and Cm e Arm and Arm atestam esse vínculo forte com um ambiente sedutor, particularmente feminino e intenso. A instrumentação tem como pano de fundo a pop mais nostálgica, sendo audível a procura de uma sonoridade intimista e reservada, com um suspiro algo abafado e menos expansivo; Logo na primeira canção, em Slow Burning, sente-se um elevado teor emotivo, possibilitado não só pela letra, mas também pelo peso da componente instrumental. Esse é um fator relevante que justifica o fato de Kathryn Calder ser um verdadeiro passo em frente no aumento dos índices qualitativos do catálogo da artista, justificado pela tal primazia da sintetização e pelo uso de alguns arranjos inéditos; My Armour, por exemplo, é conduzida por uma batida hipnótica envolvente, mas os arranjos de sopros e cordas que flutuam pela canção, juntamente com a voz, dão ao tema uma cândura que transborda fragilidade em todas as notas, mas também nas sílabas e nos versos. Já o single Take A Little Time, com uma toada mais rock, com as guitarras a serem acompanhadas por uma melodia sintetizada vintage e um baixo cheio de efeitos, são outras manifestações audíveis e concretas deste jogo dual em que o disco encarreira, à medida que o alinhamento escorre pelos nossos ouvidos e uma mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e na instrumentação, se equilibra de forma vincada e segura.

Como costuma suceder nos discos desta cantora canadiana, a voz é, mais uma vez, um dos aspetos que mais sobressai e a produção está melhor do que nunca, com Calder a aperfeiçoar tudo o que já havia mostrado anteriormente, também na componente lírica e sem violar a essência de quem adora afogar-se em metáforas sobre o amor, a saudade, a dor e a mudança, no fundo tudo aquilo que tantas vezes nos provoca angústia e que precisa de ser musicalmente desabafado através de uma sonoridade simultaneamente frágil e sensível, mas também segura e equilibrada. Dan Mangan, Jill Barber e Hannah Georgas são outras vozes que tambem se escutam neste trabalho e que lhe conferem uma dimensão sonora ainda mais abrangente e apelativa, dentro do cenário pop idealizado.

Kathryn Calder será sempre um marco importante na carreira da sua autora, independentemente da composição do seu catálogo sonoro definitivo, não só pela forma como apresenta de forma mais luminosa e extrovertida a sua visão sobre os temas que sempre lhe tocaram, mas, principalmente, pelo modo maduro e sincero como tenta conquistar o coração de quem a escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Kathryn Calder - Kathryn Calder

01. Slow Burning
02. Take A Little Time
03. Worth RemeMbering
04. Blue Skies
05. When You See My Blood
06. Only Armour
07. Song In Cm
08. By Pride Or By Design
09. Arm In Arm
10. Beach


autor stipe07 às 21:32
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 2 de Maio de 2015

We Are The City – Violent

Oriundos de Vancouver, os canadianos We Are The City são Cayne McKenzie, David Menzel e Andrew Huculiak, um trio de regresso aos discos com Violent, um trabalho produzido por Tom Dobrzanski e os próprios We Are The City e que abraça a indie pop com o rock luxuriante, num ritmo e cadência certas, abraço esse que contém uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que compila um interessante leque de influências, com uma óbvia filosofia vintage.

A liberdade de expressão melódica e criativa é a pedra de toque de dez canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Logo na panóplia de efeitos e detalhes de Bottom Of The Lake percebe-se que este trio não está preso e limitado a uma fronteira sonora claramente definida, tateando diferentes espaços e espetros, plasmados em curiosos detalhes que, no caso de Legs Give Out, tanto podem ser um simples toque num teclado, como um grito que se repete, à medida que os sintetizadores debitam, sem nexo aparente, variados ruídos que a bateria e a guitarra ajudam a acomodar.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes We Are The City não se intimidam na hora de compôr e deixam o arsenal insturmental que lhes foi colocado à disposição divagar livremente, compondo temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, numa parada de cor, festa e alegria, onde terá havido certamente um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a músicas que gostam.

Em King David e I Am, Are You? o trio aponta as agulhas para o rock mais acessível, mas mesmo nesses temas a irregularidade da percussão, alguns efeitos metálicos e as variações de ritmo e de intensidade, em que a guitarra é conduzida do acústico ao elétrico num ápice, abastecem esta filosofia sonora bastante aditiva e peculiar, que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Aparentemente minimal e despida de conteúdo, Friends Hurt, o single retirado deste álbum, é uma das canções que melhor condensa este casamento feliz entre dois mundos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, audível no modo como um simples dedilhar numa guitarra elétrica e um sintetizador deambulante se cruzam e dão as mãos para nos oferecer uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar.

O piano melancólico e o falsete sincero e incondicional que abrigam 20ft. Up e o sintetizador insinuante de Everything Changes são apenas mais dois compêndios de detalhes que colocam a nú o imenso ecletismo destes We Are The City, capazes de nos levar à boleia dos seus pensamentos mais inconfessáveis, enquanto falam emocionadamente sobre o amor, deixando-nos descobrir plenamente a sobriedade sentimental que marca a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve o trio, já que nestas canções consegues sentir a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este projeto verdadeiramente único.

Ouvimos cada uma das dez músicas de Violent e conseguimos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que as esculpiram, com as guitarras a não se situarem sempre na primeira fila daquilo que se escuta, mas a serem o fio condutor que suporta aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Este é, portanto, um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada.

Violent é um exercício prático claramente bem conseguido de conjugação de diversas camadas de instrumentos, alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica, ao mesmo tempo que nos oferecem paisagens grandiosas e significativas, arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões, servido em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico que contorna todas as amarras que prendem a nossa alma, apresentando, desse modo, a notável disponibilidade dos We Are The City para nos fazer pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Espero que aprecies a sugestão...

We Are The City - Violent

01. Bottom Of The Lake

02. Legs Give Out
03. King David
04. Passing Of The Peace
05. Friends Hurt
06. I Am, Are You?
07. 20 Ft. Up
08. Everything Changes
09. Baptism
10. Punch My Face


autor stipe07 às 17:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 9 de Dezembro de 2014

Shimmering Stars – Bedrooms Of The Nation

Oriundos de Vancouver, os canadianos Shimmering Stars são Rory McClure, Andrew Dergousoff, Brent Sasaki e Elisha May Rembold, uma banda que se estreou nos discos em 2011 com Violent Hearts e que editou no passado verão Bedrooms Of The Nation, o segundo trabalho da carreira, através da Shitty BIke Records no Canada e a Almost Musique na Europa. Já agora, no bandcamp poderás ouvir este trabalho e encontrar outros singles e EPs da autoria da banda.

Os Shimmering Stars são uma banda ainda há procura de um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e Bedrooms Of Nation tem tudo para os catapultar para uma posição mais visível, devido ao modo assertivo e até exuberante, como propôem um rock cheio de sintetizações, efeitos e ruídos, mas com uma toada muito rica e sombria, já que estes quatro músicos deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta algo negra e obscura, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade e com um interessante cariz épico que não é mais do que um assomo de elegância incontida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Aguarda-nos também na audição de Bedrooms Of The Nation belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. A escrita carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi.

Esta receita fica logo bem patente logo na Intro do alinhamento e nas camadas de ruídos que sustentam AnomieDérèglement, duas canções que desde logo captam a nossa atenção e a curiosidade em relação ao resto do disco, que depois acaba por impressionar pelo bom gosto com que cruza vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador, numa toada que tem tanto de shoegaze como de progressivo e que até busca pontos de interseção com a pop mais experimental e algumas paisagens e sensibilidades que piscam o olho ao punk e ao blues. Se as sucessivas distorções que conduzem a melodia rugosa e visceral de If You Love Me Let Me Go não defraudam os amantes de sonoridades que esticam ao máximo a coluna dos décibeis, já a linha de guitarra de You Were There pisca o olho a um rock com uma toada mais blues e o frenesim que o baixo e a bateria impôem, num combate de notas agudas e graves em Role Confusion, é rock épico e luminoso, sem estribeiras e longe de qualquer tipo de concessão.

Uma das cançoes mais curiosas deste disco é, sem dúvida, Defective Heart – Dreams, uma composição que começa e termina com uma sucessão imprecisa de ruidos que confundem e iludem, mas que entretanto surpreende e nos conquista com uma melodia particularmente deslumbrante apesar de se manter sempre a sintetização da voz. 

Msturado por Colin Stewart, um mítico engenheiro de som de Vancouver e masterizado por Dan Emery em Nashville, nos Estados Undos, Bedrooms of The Nation é um disco de difícil trato, que virou completamente as costas a um apelo comercial que certamente se entendia numa banda que pretende uma outra projeção, mas que merece o maior relevo pelo modo como plasma um feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando as regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta o rock alternativo com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com elevada dose de ruído e distorção.

Os Shimmering Stars têm no seu ADN bem vincada a vontade de experimentar e Bedrooms Of The Nation respira por todos os poros uma enorme faceta laboratorial, com melodias que se parecem incomodar, na verdade, devidamente compreendidas, poderão fazer levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer, de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Shimmering Stars - Bedrooms Of The Nation

01. Intro
02. Anomie
03. Dérèglement
04. You Were There
05. If You Love Me Let Me Go
06. Defective Heart – Dreams
07. Shadow Visions
08. Role Confusion
09. Fangs
10. First Time I Saw You
11. Ego Identity
12. I Found Love


autor stipe07 às 18:51
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

The New Pornographers – Brill Bruisers

Chegou no passado dia vinte e seis de agosto aos escaparates, através da Matador Records e da Last Gang, Brill Bruisers, o sexto álbum de estúdio dos canadianos The New Pornographers e o primeiro em quatro anos. Os The New Pornographers são um super grupo natural de Vancouver e formado por Dan Bejar, Kathryn Calder, Neko Case, John Collins, Kurt Dahle, Todd Fancey, Carl Newman e Blaine Thurier, sendo alguns destes nomes, nomeadamente Bejar (Destroyer), Neko Case e Newman, verdadeiramente fundamentais para a indie contemporânea. Newman descreve este Bill Bruisers como um álbum de celebração. Depois de períodos complicados estou num ponto da minha vida em que nada me puxa para baixo e a música reflecte isso, acrescenta o músico. O curioso artwork do disco é da autoria dos artistas Steven Wilson e Thomas Burden e, já agora, a palavra Brill do título alude ao Brill Building, um edifício em Nova Iorque onde o som da pop e do rock dos anos sessenta foi definido pelos compositores e etiquetas que tinham escritórios ali.

A primeira coisa que me apraz dizer depois de ter escutado este disco é que Brill Bruisers é luz em forma de música, um disco cheio de brilho e cor em movimento, uma obra com um alinhamento alegre e festivo e que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana, apesar de, por exemplo, War On The East Coast, o single já extraído, ser sobre o lado mais negro de um mundo feito de dúvidas, deceções e guerras, tantas vezes desnecessárias e incompreensiveis. Seja como for, mesmo nessa canção, não se deixa de ter vontade de pular e de querer desertar desse universo paralelo para um presente feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos e que, nestas treze canções, podem surgir nas notas mais delicadas, até quando elas estão num modo particularmente explosivo, ou então, e principalmente, nas vozes, que se alternam e se sobrepôem em camadas, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que Newman chama de som de banda.

Em Brill Bruisers quem vence é aquela pop clássica e intemporal que só ganha vida se houver quem se predisponha a entrar num estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes deslumbrantes. E não é preciso ser demasiado complicado e criar sons e melodias intrincadas. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção e os The New Pornographers sujeitam-se seriamente a obterem tal distinção, já que usaram a fórmula correcta, feita com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita que muitas vezes existe no universo musical para demonstrar uma formatação adulta e a capacidade de se reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que uma banda se insere.

No fundo, Brill Bruisers é um álbum pop poderoso, orquestral e extremamente divertido, sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia, num disco sem cantos escuros, já que nele nem uma balada se escuta, mesmo em momentos mais lentos como Champions Of Red Wine.

Brill Bruisers é um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referênciasque nos permitem aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, onde tudo soa utopicamente perfeito. É uma espécie de caldeirão sonoro feito por um elenco de extraordinários músicos e artistas, que sabem melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe neste universo sonoro ao qual dão vida e que deve estar sempre pronto para projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte, assentes num misto de power pop psicadélica e rock progressivo. Espero que aprecies a sugestão...

The New Pornographers - Brill Bruisers

01. Brill Bruisers
02. Champions Of Red Wine
03. Fantasy Fools
04. War On The East Coast
05. Backstairs
06. Marching Orders
07. Another Drug Deal Of The Heart
08. Born With A Sound
09. Wide Eyes
10. Dancehall Domine
11. Spidyr
12. Hi-Rise
13. You Tell Me Where

 


autor stipe07 às 21:16
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014

Mode Moderne - Occult Delight

Oriundos de Vancouver, no Canadá, os Mode Moderne são um trio formado por Felix, Clint e Phillip e Occult Delight é o terceiro trabalho do grupo. Reza a lenda que para os Mode Moderne tudo começou quando, no inverno de 2008, se fecharam num pequeno estúdio de gravação a beber chá e a experimentar várias substâncias psicotrópicas ao som de New Order, Jesus and Mary Chain e OMD. Daí resultaram nove canções que deram origem ao primeiro trabalho dos Mode Moderne, Ghosts Emerging EP.

Agora, em 2014, ganha vida uma verdadeira prova de fogo para os Mount Moderne. No passado dia vinte e um de janeiro foi editado este Occult Delight e se há algo aqui não é minimamente oculto é a noção de delicadeza, transversal a todo um álbum que tem na suavidade melódica, mas falsamente ingénua, uma permissa essencial para a compreensão de todo o ideário sonoro e lírico do trabalho.

Lançado pela insuspeita Light Organ Records, Occult Delight é um verdadeiro festim para um post punk que faz escola há trinta anos, mas que, neste caso concreto, se define por uma maior abrangência e um leque mais aberto de oportunidades de escolha, ao nível instrumental e de arranjos, em suma, sustentado numa disponiblidade clara para a abertura a vários rumos sonoros. No entanto, ele não deixa de chamar todo o protagonismo para si, de forma insuspeita e sem deixar margem a dúvidas, em temas como Grudges Crossed e She, Untamed, canções onde o cariz lo fi da voz de Philip acentua ainda mais o cardápio objetivo de referências em que o post punk se firma.

O preto e o cinza são, como não podia deixar de ser, cores que se formam a partir dos nossos ouvidos, mas tem de haver do lado de cá uma mente predisposta a assimilar o conteúdo deste álbum, onde há, como já terão percebido, um tempero pop que não permite que as mesmas cores que definem dois pólos opostos assumam um estatuto predominante; Logo a abrir, em Strangle The Shadows, os Cure são ressuscitados uma vez mais do nosso ideário assim como em Baby Bunny, mas há também um esforço relevante em dar as mãos a nomes como os Interpol e os Wild Nothing em temas como Severed Heads e o homónimo, para que a simples penumbra não se instale na defesa de um género musical que lançou a sua sombra sobre o cenário musical alternativo contemporâneo quando aquela Inglaterra operária de finais de anos setenta incubou um Ian Curtis desadaptado e a remar sozinho contra a maré proletária de Manchester.

Este equilibrio cuidado que os Mode Moderne produzem e cozinharam em Occult Delight é feito com justificado propósito usando a distorção das guitarras, os arranjos e detalhes sintetizados e a voz lo fi como veículo para a catarse de vários conflitos emocionais e conotações filosóficas, a fórmula que faz deste álbum um conjunto coeso de canções com uma estrutura muito bem construída, que não vão dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico como, ao mesmo tempo, encontra raízes numa pop mais luminosa. Espero que parecies a sugestão...

Mode Moderne - Occult Delight

01. Strangle The Shadows
02. Grudges Crossed
03. Thieving Baby’s Breath
04. Severed Heads
05. She, Untamed
06. Occult Delight
07. Time’s Up
08. Unburden Yourself
09. Dirty Dream #3
10. Baby Bunny
11. Come Sunrise
12. Running Scared


autor stipe07 às 19:02
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...


more about...

Follow me...

. 51 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Dezembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


posts recentes

Destroyer – Ken

Said The Whale – Nothing ...

We Are The City – Above C...

The Never Surprise – Wint...

Destroyer – Poison Season

Kathryn Calder – Kathryn ...

We Are The City – Violent

Shimmering Stars – Bedroo...

The New Pornographers – B...

Mode Moderne - Occult Del...

Eternal Summers - Gouge

Teen Daze - Glacier

Said The Whale – Little M...

X-Files

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds