Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016

Tiger Waves – Tippy Beach

Lançado no passado dia dezoito de janeiro e disponível para download no bandcamp da banda, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo, Tippy Beach é o novo compêndio de canções dos Tiger Waves, um projeto oriundo de Austin, no Texas, formado por James Marshall, cientista da NASA no Departamento de Física Teórica Cósmica, natural dessa cidade texana e Reid Comstock, estudante de filosofia oriental nascido em Chicago, ao qual se juntam, atualmente, Tyler Wharen e Joshua Kerl. Ainda sem se conhecerem pessoalmente,  os dois primeiros começaram por trocar música pela internet, depois passaram a sons, maquetas de ruídos, até resolverem juntar-se e compor juntos. Dessa parceria, na primavera de 2011 nasceram oficialmente os Tiger Waves, que se estrearam nos discos pouco depois com Only Good Bands Have Animal Names, álbum lançado em junho desse ano e que deu o pontapé de saída para um percurso discográfico já com alguns momentos relevantes e sonoramente reconfortantes.

As treze canções de Tippy Beach escutam-se com interessante deleite, já que parecem, antes de mais, resultado de um curioso empilhamento de camadas sonoras que começaram por ser pedaços isolados de música e, devido à mestria instrumental de James e Reid, foram sendo acomodadas como um puzzle onde tudo faz de repente o maior sentido quando agregado devidamente, ficando, assim, a parecer, cada vez mais, canções prontas, até atingirem um resultado final que da pop, ao surf rock, passando por alguma psicadelia, cruza a típica sonoridade de uns Beach Boys, apimentada por uma confessada obsessão por mestres do calibre de Phil Spector ou Syd Barrett, duas referências obrigatórias dos Tiger Waves.

A leveza melódica de canções como In Your Head ou o single homónimo e a vibração luminosa das cordas de Salida , o groove veraneante de Spectacle Of You e a cândura dos metais de Look Away, tema que parece ter sido composto propositadamente para um conto de fadas urbano contemporâneo, contrastam com o cariz mais sombrio da intrigante Down The Middle ou da contemplativa Third Term, mas o resultado global soa de modo bastante homogéneo, com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Em suma, Tippy Beach sabe a uma indisfarçável urbanidade que nos oferece histórias banais que se cruzam numa esquina qualquer de uma cidade onde todos correm sem se perceber muito bem para onde, como ou porquê, apesar de haver um propósito bem definido no meio desse aparente caos, como demosntra a toada eminentemente tranquila e algo épica e sedutora deste alinhamento. Havendo belos instantes sonoros pop onde a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, a atmosfera criada é bastante calma e contemplativa, bem à medida de um projeto que se aproxima claramente de algumas referências óbvias de finais do século passado. É um disco que comprova a rara capacidade destes Tiger Waves para manipularem instrumentalmente o sintético, sem descurar o orgânico, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, de modo a oferecer-nos texturas e atmosferas sonoras que, se deixarmos, inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Tiger Waves - Tippy Beach

01. Down The Middle
02. In Your Head
03. Spectacle Of You
04. Turns To Sky
05. Stay Inside
06. Salida
07. Sounds (Pt. 1)
08. In Retrograde
09. Look Away
10. Tippy Beach
11. I’m Not That Type Of Man
12. Third Term
13. Take Me Home


autor stipe07 às 21:36
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2016

Indoor Voices - Auratic EP

Depois de no final de 2011 terem editado Nevers e um ano depois um EP intitulado S/T, os Indoor Voices de Jonathan Relph, Owen Davies, Ryan Gassi, Craig Hopgood e Kate Rogers estão de regresso com Auratic, um novo EP com cinco canções, editado no passado dia quinze de janeiro através da Häxrummet Records e disponivel no bandcamp do projeto em formato digital e com a possiblidade de aquisição de um exemplar em cassete, cuja produção foi limitada a quarenta exemplares. Em Auratic, esta banda de Toronto, no Canadá, contou com a ajuda de Chris Stringer na mistura e de Jeff Elliot na produção de cinco temas que contaram também com as participações especiais de Mihira Lakshman nos violinos e Alisha Erao (Lush Agave e Alligator Indian), Maja Thunberg (Star Horse), Kate Rogers (IV e Kate Rogers Band), Jimena Torres (The Great Wilderness) e Sandra Vu (SISU e Dum Dum Girls) nas vozes.

É algures entre o épico e o lo fi que estes Indoor Voices se sentem confortáveis a dar à luz canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, à medida que deixam as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível na imponência de See Wish e o clima etéreo de Atomic, assim como o modo como, nesta composição de forte cariz orquestral, deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa, é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices é possível conferir leves pitadas de shoegaze e post rock, mas nada de muito barulhento ou demasiado experimental.

Na verdade, todos os temas de Auratic têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e para mim destacam-se os belos instantes sonoros pop onde a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa, que atinge um elevado pico de magnificiência em What Can I, o meu destaque maior do trabalho.

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Auratic exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:07
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016

Beliefs – Leaper

Toronto, no Canadá, é o poiso dos Beliefs de Jesse Crowe e Josh Korody, dupla que lançou no passado mês de novembro um compêndio de indie rock absolutamente obrigatório intitulado Leaper, tendo-o feito à boleia da insuspeita Hand Drawn Dracula. É um disco imponente, visionário e empolgante, que assenta no típico indie rock atmosférico, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do shoegaze, da dream pop e do post punk lo fi, a conferirem a estes Beliefs uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum.

Tidal Wave, o contundente tema que abre este disco, é um exemplo corrosivo, hipnótico e contundente da cartilha sonora que os Beliefs guardam na sua bagagem, com o eco da guitarra a assumir, desde logo, um amplo plano de destaque no processo de condução melódica, eficazmente acompanhada por um baixo vigoroso e uma bateria entusiasmante e luminosa. As mudanças de ritmo com que a mesma abastece 1992 e o modo como acompanham o efeito abrasivo da guitarra, ampliam a perceção fortemente experimental e algo soturna, mas intensa e sedutora, de uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Beliefs conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.

À medida que Leaper avança, em composições tão díspares como a etérea Drown ou a caótica e impulsiva Morning Light, torna-se claro que o som destes Beliefs, sendo mais ou menos luminoso, conforme as sensações que cada tema pretende extravasar, é sempre encorpado, decidido e seguro e surpreende o modo como a dupla transforma uma hipotética rispidez visceral em algo de extremamente sedutor e apelativo, com uma naturalidade e espontaneidade curiosas. Depois, escuta-se o rock incisivo de Ghosts e percebe-se não só o modo como o efeito da voz de Jess é um trunfo declarado dos Beliefs, até porque transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína, mas também fica plasmado como determinados arranjos, como aquele que, neste caso, é proporcionado pelo baixo, plasmam com precisão as virtudes técnicas da dupla e o modo como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Na verdade, é impossível, ao longo de todo o alinhamento, ficar indiferente à emotividade que transborda do efeito das guitarras, mas também nos atinge no âmago e de modo contundente o modo como os temas progrides, orientados pela secção percussiva, apoiada numa bateria e num baixo que expandem criatividade e arrojo quase sem limites. Parece, frequentemente, que a dupla foi dominada por uma aúrea psicotrópica lisérgica que lhe tolheu os sentidos, para deixar os instrumentos se expressarem livremente, como é o caso do tema homónimo, numa verdadeira espiral de fuzz rock, rugoso, visceral e psicadélico, cheio de efeitos e flashes, uma ordenada onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que oscila entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock.

Há nestes Beliefs uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos reavivando no ouvinte outros projetos que foram preponderantes nas últimas décadas do século passado e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabús ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Beliefs produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Beliefs - Leaper

01. Tidal Wave
02. 1992
03. Colour Of Your Name
04. Drown
05. Leaper
06. Ghosts
07. Morning Light
08. Go Ahead And Sleep
09. Leave With You
10. Swooner


autor stipe07 às 21:05
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2015

The Bats Pajamas - No Hello

Oriundos de Toronto, os The Bats Pajamas mais uma forte aposta da texana Fleeting Youth Records, de Ryan M. e estrearam-se nos discos a vinte e seis de maio com Hello, um trabalho gravado em poucos dias no quarto de um elemento da banda e editado em formato cassete e digital.

No Hello começou a ser desembrulhado ao som de Wrong House, o primeiro avanço do disco e depois, com Witch Way, mais uma canção conduzida por guitarras plenas de distorção e que firmam o indie rock rugoso, cru, intenso e vibrante que faz parte do adn destes The Bats Pajamas, onde também sobressai uma voz que pula em poucos segundos de uma postura grave e acessível, para um registo ruidoso e particularmente enraivecido, ampliado por um curioso efeito em eco, confirmou-se que este projeto canadiano explora uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze. Aliás, basta ouvir Feel Like Shit para se perceber a exuberância e a monumentalidade do arquétipo sonoro destes The Bats Pajamas, um pouco em oposição à tendência atual em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo, tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas.

O que mais cativa nestes The Bats Pajamas é, então, perceber que são mestres em trazer-nos de volta tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo e que, ao ser agora replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo e a batida de T.V. Sheets, o efeito abrasivo da guitarra de Fibres, acompanhado pela percussão inebriante do grunge de This Aint No e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de um noise rock rugoso, sujo e poeirento, mas que também procura uma textura sonora atrativamente melódica, sem colocar em causa o indispensável pendor lo fi e a forte veia experimentalista que este tipo de som exige.

Com um registo vocal quase sempre manipulado e que pode distorcer a nossa mente, os The Bats Pajamas trazem, portanto, o ruído e a distorção para o centro do processo criativo e se o segredo para a sua potência sonora reside na tríade instrumental, o atributo maior é juntarem, num enorme pacote, que tendo tanto de caótico como de hermético, é coerente nas abordagens que faz, mesmo quando a psicadelia dá um ar da sua graça em Sky Hooker e o punk mais sombrio toma conta do cenário em Yr Porno.

Apesar de as nove canções do alinhamento se escoarem em menos de uma hora, No Hello é uma obra grandiosa e eloquente, um disco pleno de ruido, espasmos de guitarra funk, ruído, contaminação cruzada de microfones e odes ao imprevisto. No Hello encontra-se disponível para download gratuito no bandcamp da banda. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:21
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2015

The Bats Pajamas - Witch Way

Oriundos de Toronto, os The Bats Pajamas mais uma forte aposta da texana Fleeting Yourh Records, de Ryan M. e preparam-se para a estreia nos discos a vinte e seis de maio com Hello, um trabalho gravado em poucos dias no quarto de um elemento da banda e que será editado em formato cassete e digital.

Depois de terem divulgado Wrong House, o primeiro avanço de Hello, agora chegou a vez de disponibilizarem Witch Way, mais uma canção conduzida por guitarras plenas de distorção e que firmam o indie rock rugoso, cru, intenso e vibrante que faz parte do adn destes The Bats Pajamas, onde também sobressai uma voz que pula em poucos segundos de uma postura grave e acessível, para um registo ruidoso e particularmente enraivecido, ampliado por um curioso efeito em eco. Confere...


autor stipe07 às 21:37
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2015

The Bats Pajamas - Wrong House

Oriundos de Toronto, os The Bats Pajamas mais uma forte aposta da texana Fleeting Yourh Records, de Ryan M. e preparam-se para a estreia nos discos a vinte e seis de maio com Hello, um trabalho gravado em poucos dias no quarto de um elemento da banda e que será editado em formato cassete e digital

Wrong House é o primeiro avanço divulgado de Hello, uma canção conduzida por guitarras plenas de distorção e que firmam o indie rock rugoso, cru, intenso e vibrante que faz parte do adn destes The Bats Pajamas, onde também sobressai uma voz que pula em poucos segundos de uma postura grave e acessível, para um registo ruidoso e particularmente enraivecido, ampliado por um curioso efeito em eco. Confere...


autor stipe07 às 22:18
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Sábado, 6 de Dezembro de 2014

HIGHS - HIGHS EP

Os Highs são Doug Haynes (voz e guitarra), Karrie Douglas (voz e teclados), Joel Harrower (voz e guitarra) e Kevin Ledlow (bateria), uma banda de Toronto, no Canadá que se estreou já no verão de 2013 com um EP homónimo que, infelizmente, só agora chegou ao conhecimento de Man On The Moon, mas que merece ser divulgado, já que está ainda muito longe de esgotar o seu prazo de validade.

Produzido por Steve Major e pelos próprios Highs e gravado nos estúdios Verge Music Lab em Toronto, Highs são seis canções comandadas por aquele indie pop radiante e luminoso que poderá servir para nos avivar a memória e inundar-nos com a nostalgia de um verão que terminou sem sequer ter começado, não havendo um certo exagero nesta constação, vinda de quem ama dias mais quentes e não concebe um julho que não seja absolutamente tórrido.
A linha de guitarra que abre o EP, em Summer Dress, aconchega-nos imediatamente o coração e coloca no nosso peito aquela sensação ardente de conforto, ao mesmo tempo que imaginamos como será o vestido de verão perfeito, aquele que mais nos inebria, numa canção que faz qualquer um de nós, independentemente do sexo com que nasceu, imaginar a sensação delicada e intensa de experimentar o ato de desfilar, numa festa de praia ou numa escaldante calçada de uma grande cidade onde somos perfeitos desconhecidos, com o mais fino tecido e aquele recorte ousado que preenche a nossa mente, nem que seja uma vez só, na vida inteira.

Se Harvest impressiona pelo modo como cresce até atingir o esperado climax, já Fleshy Bones são cinco minutos de riffs animados constantes e onde ressoa uma letra que merece todo o crédito pela simplicidade com que transmite sentimentos e ideias que às vezes temos uma dificuldade enorme em comunicar, por não encontrarmos o modo certo para as expressar de forma entendível (And we’ll wait until the day, when they come to take our flesh and bones away). A encerrar, Cannibal Coast é aquele tipo de canção de final de alinhamento perfeita e que todas as bandas sonham certamente conseguir compôr e replicar para o ocaso do seu disco.

Todo este charme radiante que exala de um EP impregnado com um groove feito com solos de guitarra fulgurantes, uma percurssão ritmada e vibrante e um jogo de vozes que ecoa hipnoticamente nos nosssos ouvidos, é o caminho certo para nos enjaular num universo muito próprio, onde quereres passar o resto da tua vida aconhegado pelo sol no rosto, que aqui nunca se esconde e está sempre disponível para satisfazer os nossos desejos mais secretos. O EP está disponível para download no soundcloud dos Highs. Espero que aprecies a sugestão...

HIGHS - HIGHS

01. Summer Dress
02. Nomads
03. Harvest
04. Fleshy Bones
05. Cannibal Coast
06. Mango


autor stipe07 às 21:12
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Sábado, 15 de Novembro de 2014

Stars - No One Is Lost

No One Is Lost é o novo disco dos Stars, um trabalho editado no passado dia catorze de outubro, por intermédio da ATO Records. Os Stars são um coletivo canadiano oriundo de Montreal, no estado do Quebeque e formado por Torquil Campbell, Evan Cranley, Patrick McGee, Amy Millan e Chris Seligman. Começaram a carreira em 2000 e já contam no seu historial com oito discos de originais e alguns EPs, um cardápio que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo.

Set Yourself On Fire  Band Photos

A ideia de festa e de alegria está sempre subjacente à música dos Stars, que aposta numa componente essencialmente sintética, feita com batidas que se destacam em todos os temas e guitarras acomodadas por um sintetizador aveludado que se esconde atrás dos ritmos, para a criação de canções que, mesmo parecendo algo previsiveis, procuram ser orelhudas, de assimilação imediata e fazer o ouvinte dançar, quase sem se aperceber e sem grandes pretensões emotivas, porque é tudo conjugado de uma forma simples, mas eficaz. 

No One Is Lost acaba por ser uma homenagem ao perído aúreo que a pop eletrónica viveu há três décadas e os Stars procuram resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo actual, familiar e inovador ao mesmo tempo.

Todo o álbum parece então ter saído da banda sonora de um filme dos anos oitenta e as vozes de Torquil Campbell e de Amy Millan são também um excelente veículo para nos trasnportar até à agitação inebriante do discosound. É um trabalho divertido e directo, feito de alegria e com sabor a Verão e as canções prendem-se aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás e algumas vezes dei por mim a abanar as pernas ao ritmo da música e só me apercebi depois, embaraçado. 

Turn It Up foi o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção com uma luminosidade muito intensa, potenciada pela presença de um coro infantil, algo que dá à canção aquele ambiente nostálgico que tantas vezes se apodera de nós nesta altura do ano. Outro dos destaques do trabalho é o tema homónimo que, apesar de ser bastante animado e um dos temas mais extrovertidos do alinhamento, fala sobre um diagnóstico de cancro terminal, de que foi alvo um amigo próximo dos Stars.

No One Is Lost tem como grande mérito celebrar a vida como ela realmente deveria de ser, simples, descomplicada e efusiva, apesar de ser também feita de episódios sombrios e de problemas às vezes de difícil resolução. Espero que aprecies a sugestão...

01. From The Night
02. This Is The Last Time
03. You Keep Coming Up
04. Turn It Up
05. No Better Place
06. What Is To Be Done?
07. Trap Door
08. Are You OK?
09. The Stranger
10. Look Away
11. No One Is Lost

Spotify


autor stipe07 às 21:16
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Foxes In Fiction - Ontario Gothic

Líder da insuspeita etiqueta Orchid Tapes, Warren Hildebrand também compôe música e fá-lo como Foxes In Fiction. Natural de Toronto, no Canadá, mas a residir atualmente nos Estados Unidos, em Brooklyn, Nova Iorque, Warren editou no passado dia vinte e três de setembro, por intermédio da sua Orchid Tapes, um homónimo que é um verdadeiro tratado de dream pop, da autoria de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro da eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas mais calmas e ambientais.

Através das teclas do sintetizador, de samples de sons e ruídos variados e de uma percurssão sintética, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros, Warren criou sete canções que sublimam com mestria uma profunda emoção, já que transportam claramente bonitos sentimentos, dedicados integralmente a Cait, uma amiga muito próxima de Warren, que faleceu em 2010 e que ele conheceu depois de ter chegado em 2004 a Toronto com a sua família, vindos de uma zona rural no Ontario, onde viviam desde 2001. Apesar destas canções narrarem um dos períodos mais tumultuosos da existência do autor, em que acumulou muita ansiedade e tristeza, Warren preferiu abordar melodicamente essa conjuntura algo sombria da parte lírica das canções, de um modo suave e de algum modo luminoso, homenageando esta amizade que terá sido tão profunda, bonita e intensa como o ambiente sonoro de Ontario Gothic.

E no que concerne então a esse ambiente, destaco, desde logo, Into The Fields e Glow (v079), duas canções que constroem uma sequência onde a melancolia de ambas se junta numa única atmosfera sonora comandada por um sintetizador, que aliado a cordas e ao piano, origina um tom fortemente denso e contemplativo, com a voz de Warren a conferir a oscilação que depois é necessária para transparecer essa elevada veia sentimental. De seguida, em Shadow's Song, escuta-se um violino com arranjos que ficaram a cargo do consagrado Owen Pallett; Tal é a beleza dos mesmos, simultaneamente deslumbrantes e delicados e ampliados pela cândura da voz, que não há como evitar sermos levados para uma atmosfera muito própria, que transmite uma certa inocência romântica com uma estética sonora e visual inédita e onde a noção de retro terá sido um conceito claramente tido em conta. O clímax do alinhamento acaba por chegar com o tema homónimo, que ganha um tom fortemente frágil e uma atmosfera verdadeiramente sublime quando Warren entrega-se de corpo e alma à canção enquanto canta alguns dos versos mais intrincados e emocionais que pudemos escutar ultimamente.

Quando Warren decidiu deitar-se numa nuvem feita com a melhor dream pop operou um pequeno milagre sonoro e incubou um belíssimo álbum, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

Image of FOXES IN FICTION - ONTARIO GOTHIC 12" (Pre-sale)

1. March 2011
2. Into The Fields
3. Glow (v079)
4. Shadow's Song
5. Ontario Gothic
6. Amanda
7. Altars


autor stipe07 às 20:45
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Foxes In Fiction – Ontario Gothic

Foxes In Fiction

Líder da insuspeita etiqueta Orchid Tapes, Warren Hildebrand também compôe música e fá-lo como Foxes In Fiction. Natural de Toronto, no Canadá, mas a residir atualmente nos Estados Unidos em Brooklyn, Nova Iorque, Warren editou no passado dia vinte e três de setembro, por intermédio da sua Orchid Tapes, Ontário Gothic, um verdadeiro tratado de dream pop e que será em breve dissecado por cá. Para já e como aperitivo, partilho Ontario Gothic, o single homónimo e primeiro tema retirado de Ontario Gothic nesse formato, assim como um texto do músico sobre o processo de composição do disco. Confere...

Musicially, “Ontario Gothic” begins where the previous song on the album, “Shadow’s Song” lets off. The the same melody – made from cutting up & copying and pasting singular guitar notes forms the melodic basis for the majority former. The instrumental elements of the middle / transition section make up the Foxes in Fiction song “Breathing In” found on the first Angeltown compilation. And like “Shadow’s Song” it features violin arrangements by Owen Pallett.

Lyrically, “Ontario Gothic” is written about a close friend name Cait who died in 2010 and to whom the album is dedicated. Cait was one of the closest friends that I had for many years when I was a bit younger. She and I became really close after I had moved back to my hometown in the suburbs of Toronto, away from a farm in rural Ontario that my family lived on from 2001 until 2004. I was coming away from what was the worst and most emotionally tumultuous period of my life at that point and I carried a lot of fucked up anxiety and deep sadness about my life and myself as a person. But more than anything else, getting to know, open up to and spend time with Cait during those first years helped open me up to kinds of happiness and a love for life that I didn’t think was within the realm of possibility at that point in my life.

She was one of the most remarkable, open and truly good people I’ve ever known, really. The song “Flashing Lights Have Ended Now” was also written about her just a point where we’re drifting apart; a year later she was gone. I wrote this song to crystallize the better parts of our friendship and to remember the healing effect that she had on me as a person which without I would not be the same person or have the same acceptance for life that I do now. I miss her enormously and I feel her influence and presence constantly.

 


autor stipe07 às 13:10
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