Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Spoon - Hot Thoughts

Um dos trabalhos discográficos mais aguardados no início deste ano é, claramente, Hot Thoughts, o nono álbum de originais dos Spoon de Britt Daniel, dez canções que marcam o regresso da banda deste coletivo a uma casa que bem conhece, a Matador Records, que em 1996 editou Telephono, o disco de estreia destes texanos. Produzido pela banda e por Dave Fridmann, Hot Thoughts tem também a curiosidade de ser o primeiro disco dos Spoon a não contar com Mick Harvey, que abandonou o projeto depois da digressão de suporte a They Want My Soul (2014), o antecessor deste Hot Thoughts.

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Há quem considere os Spoon como a banda indie mais relevante dos últimos vinte anos e se afirmações deste calibre apenas encontram razão de ser na liberdade que cada um tem de exprimir livremente a sua opinião, a verdade é que este Hot Thoughts é um trunfo de peso para os defensores dessa tese. E ao longo do alinhamento do registo são vários os instantes sonoros que deslumbram o ouvinte mais incauto; O efeito metálico da guitarra que conduz, com bravura, o tema homónimo que disserta sobre a extrema sensualidade de uma rapariga misteriosa, o groove libidinoso e festivo de Can I Sit Next To You, o clima algo narcótico e desafiante de Do I Have To Talk Into It, canção que se sustenta num curioso diálogo sonoro entre dois dos grandes pilares instrumentais dos Spoon, o baterista Jim Eno e o teclista Alex Fischel e que também brilham em First Caress, composição que vagueia à tona de alguns dos demónios que afligem a mente de Britt Daniel (Coconut milk, coconut water, You still like to tell me they’re the same, And who am I to say?), os sinos e o saxofone de Us ou os arranjos exóticos que adornam Pink Up, tema sobre uma viagem de comboio com destino à cidade marroquina de Marraquexe, são, talvez, os melhores fragmentos sonoros de um registo cheio de vida e cor, ecléctico, abrangente e contundente no modo como agrega grandes canções de modo directo, orgânico e enérgico.

Se a música é vista hoje em dia por Britt Daniel como uma experiência sensual e física e que apela diretamente às emoções, este é então o disco certo para qualquer um de nós poder sentir na pele tal permissa, de preferência comungando tal experiência com alguém predisposto a deixar-se levar com o mesmo grau de devoção por dez canções que representam um enorme salto qualitativo em frente na carreira dos Spoon e que acabam por colocar um enorme e excitante ponto de interrogação nos fãs e apreciadores da banda relativamente ao seu futuro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

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01 Hot Thoughts
02 WhisperI’lllistentohearit
03 Do I Have to Talk You Into It
04 First Caress
05 Pink Up
06 Can I Sit Next to You
07 I Ain’t the One
08 Tear It Down
09 Shotgun
10 Us


autor stipe07 às 17:56
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

VoirVoir - There Are No Goodbyes

April Smith, Josh Maskornick, Matt Juknevic, Matt Molchany e Felicia Vee, são os VoirVoir, uma banda norte-americana natural de Bethlehem, na Pensilvânia e que acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com There Are No Goodbyes, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

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Com dez excelentes composições de indie rock rugoso e monumental, There Are No Goodbyes é um intenso compêndio de garage rockpós punk e rock clássico, uma fusão de estilos e géneros que, como se percebe logo no single I Wanna, é dominada por aquela sonoridade crua, rápida e típica que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Logo aí se percebe qual é a bitola sonora destes VoirVoir e o alinhamento, na verdade, não defrauda os apreciadores do género, com temas do calibre da incisiva His Last Sound ou da ruidosa e inconstante If Miles Were Years, só para citar dois exemplos, a serem conduzidos por guitarras que apontam em diferentes direções, um baixo que não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico e rítmico e alguns efeitos e arranjos que ajudam a destacar a forma corajosa como, logo na estreia, estes VoirVoir não se coibem de tentar experimentar, sem perturbar a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar de numerosos e ricos momentos de especificidade rugosa que personificam uma garra e uma criatividade que deverá, em edições futuras, empurrar e alargar as barreiras deste projeto, para um nível mais elevado de projeção.

Disco que tem até em Down Together uma canção excelente para funcionar como um ombro amigo que ajuda a consolar algumas angústias e problemas, There Are No Goodbyes existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:12
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

Mumblr - The Never Ending Get Down

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que viu a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. Por exemplo, o edifício melódico de Mud Mouth, carregado de variações rítmicas e a transpirar dores e anseios que, para desespero de tantos, insistem em não saltarem do irrealismo puro e Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirmam esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

Os Mumblr não desistem de segurar firme a bandeira de um estilo sonoro que do fuzz ao grunge, alinhado em redor de guitarras que explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, já foi várias vezes declarado extinto e fora de moda, muito por causa do cada vez maior uso da sintetização e de cuidados superlativos nos processos de arrumação e polimento do som, por parte das maiores bandas rock da atualidade. Este desejo, quase em jeito de desafio, por parte dos Mumblr, de se manterem íntegros a uma fórmula que dificilmente lhes renderá maiores dividendos do que uma pura e fiel devoção por parte de alguns seguidores e nos quais me incluo, saúda-se e, seguindo as pegadas firmemente impressas pelo excelente Full Of Snakes, The Never Ending Get Down revela um superior arrojo ao nível da construção arquitetónica das canções, agora mais heterógenas e menos diretas e incisivas, mas mais ricas, quer sonora, quer liricamente, como já expus acima. A feliz incostância da secção ritmíca e das guitarras em Three Leg Dog, uma canção onde Nick se expõe com invulgar avidez e os laivos de punk rock de cariz mais progressivo que palpitam em VHS, assim como, numa direção oposta, a forma como o baixo e os tambores de Push se entrelaçam cruamente com a guitarra, parecendo que os Mumblr tocam a canção no canto mais recôndito do nosso quarto, mesmo ali ao lado, são um claro exemplo de um vigor e de uma expressão estética que, olhando de frente para alguns ícones do rock alternativo dos anos noventa, com os Sonic Youth e os Nirvana à cabeça, estampa um olhar genuíno e único, sempre com uma sensação plena de controle, inclusive quando a própria temática das canções que, como já referi, exploram a dura realidade da nossa existência, até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma certa raiva ou descontrole emocional.

Quem espera encontrar nos Mumblr um ombro amigo para consolar as suas angústias e problemas, escuta Ugly Ugly, Tiny Tiny ou Last Stop e vai sentir-se defraudado e incompreendido porque eles estão cá para nos plasmar com alguns dos aspetos práticos do lado negro deste mundo e não para nos ensinar como lidar com ele. The Never Ending Get Down existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:58
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

Snakes - Snakes

Baltimore, no estado do Maryland, é o poiso dos Snakes de Eric Paltell, Cooper Wright, George Cessna e Cobra Jones, uma banda de regresso aos lançamentos discográficos com um homónimo, cuja edição, quer digital quer física, tem a chancela da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Em Theme For Snakes a cortina deste álbum abre-se e perante nós, impávido e sereno, o imenso e quente deserto que preenche grande parte do oeste norte americano mostra-se deslumbrante e altivo e que nomes como John Ford, Howard Hawks, Fritz Lang, ou até mesmo Ennio Morricone, Quentin Tarnatino e Sergio Leone, este último com uma nada desprezável dimensão paródica, projetaram com implacável mestria na grande tela.

Rapidamente se percebe que estes Snakes são uma das bandas que atualmente melhor traduz e interpreta um estilo sonoro que nem sempre é de fácil aceitação do lado de cá do atlântico, mas que é muito caro a um país que nasceu e avançou e deve muito da sua herança cultural aos cowboys e aos seus duelos ao pôr do sol com foras da lei, a garimpeiros e exploradores corajosos e sedentos de riquezas e a saloons empoeirados e a tresandar a whisky pestilento, não só no Texas, mas também em paisagens remotas e selvagens da Califórnia, Arizona, Utah, Colorado ou Wyoming.

As sete canções deste Snakes são uma verdadeira ode e homenagem a todo este ideário, com canções como a pulsante Young American, a sombria e enigmática Aloha From Old Mexico e a cinematográfica Calling Out The Law a colocarem-nos bem no epicentro de uma trama que se serve essencialmente das guitarras para dar vida a histórias onde aventura, crime, paixão, vingança, amor e coragem se misturam e que podemser escutadas, ou até que o sol se ponha ou até que uma bala certeira nos separe e nos desligue destes Snakes. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:07
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2016

Young Girls – Party Blood

Houston, no Texas, é o habitat natural dos norte americanos Young Girls, uma banda formada por Charlie Tijerina, Pete Tijerina e Nicholas Dudek e de regresso aos discos com Party Blood, doze canções impregnadas com um excelente indie rock e que viram a luz do dia a vinte de maio à boleia da local ATH Records.

Logo na distorção da guitarra e no ritmo frenético da bateria de For Me, estes Young Girls mostram ao que vêm, com um indie rock boémio e bastante atrativo, feito de canções melodicamente simples e diretas, mas exemplarmente estruturadas e com uma frescura e uma luminosidade muito próprias, como convém a quem toca à sombra do sol texano. E a viagem não fica por aqui porque, logo depois, em What We Do e Marfa, vamos, num ápice, do Texas até outro sol, agora o hawaiano, à boleia de uma toada pop muito sessentista, para em New York City Love e Broke for Dreaming, a tríade ficar completa, nos antípodas do país de origem da banda, em plena costa leste, numa sentida homenagem ao melhor punk rock fermentado na big apple e que tem nos The Strokes um dos pilares maiores, uma banda que é, claramente, referência obrigatória para este trio texano.

Está apresentada a fórmula destes Young Girls, assente numa abordagem aos melhor rock norte americano, nos seus diferentes parâmetros, sempre com uma acertada tomada de consciência de que, por muita liberdade que exista para se experimentar novos ângulos sonoros e abordagens, quase sempre, o segredo para o sucesso é não deixar a habitual zona de conforto e não mexer numa fórmula vencedora que, por o ser, nunca se desgasta. Desse modo, e conforme o nome indica, Party Blood é um convincente convite à festa, que só termina, como seria de esperar, com toda a gente muito feliz, em Six Pack Backstab e Behind These Lines, duas canções que serão mais dois clássicos do grupo e onde as guitarras, rugindo alegremente, oferecem-nos a genuína energia do melhor e mais orelhudo punk rock atual. Espero que aprecies a sugestão... 

Young Girls - Party Blood

01. For Me
02. What We Do
03. Marfa
04. New York City Love
05. Losing It
06. Broke For Dreaming
07. Lucy
08. Texas
09. West Coast
10. Street Lights
11. Six Pack Backstab
12. Behind These Lines


autor stipe07 às 21:35
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Mumblr - Microwave

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que irá ver a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. E Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirma esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Confere...


autor stipe07 às 22:03
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Domingo, 10 de Abril de 2016

Ghost King - Bones

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que viu a luz do dia a vinte e seis de março, podendo ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. Bones é a materialização bem sucedida de tal desiderato,um compêndio sonoro que logo no baixo vigoroso e na guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, oferece-nos uma excelente demonstração da cumplicidade que une os Ghost King e que, felizmente, foi utilizada como veículo de manifestação artística, nomeadamente a composição musical.

O clima de Bones não se cinge, naturalmente, aquilo que nos é dado a contemplar na canção que abre este alinhamento de onze composições. A trip deambulante, com intenso travo surf pop, que exala de Ghost In Love e, numa abordagem oposta, o clima mais contemplativo e acústico de Below The Sun e Winter's Air, assim como a visceralidade efusiva e imponente de Skeleton Dance e toda a miríade de tiques e detalhes do melhor rock alternativo de finais do século passado que transbordam das guitarras e da bateria da camposição homónima, dividida em dois capítulos que não sobrevivem isoladamente, são instantes de Bones que carecem de audição dedicada e que comprovam a elevada mestria e bom gosto dos autores.

Imponente, repleto de instantes sonoros ricos em nuances variadas que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, Bones reflete, numa curiosa amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:23
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Quinta-feira, 10 de Março de 2016

Ghost King - When The Sky Turns Blue

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se prepara para a estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de março, podendo, desde já, ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. O baixo vigoroso e a guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, a primeira amostra divulgada de Bones e disponível para download, é uma excelente demonstração desta cumplicidade que une os Ghost King, em quase três minutos que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, refletindo, nesta amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:48
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016

Cross Record – Wabi-Sabi

Emily Cross e Dan Duszynski são o casal de esposos que estende o manto em redor de Cross Record, um projeto que gravou o seu disco de estreia, intitulado Wabi-Sabi, num rancho de dezoito hectares, chamado Moon Phase, arrendado por ambos, perto de uma reserva de aves, em Dripping Springs, a trinta minutos de Austin, em pleno Texas, para onde se mudaram da metrópole Chicago. E a verdade é que este álbum soa a um disco incubado, concebido e gravado num rancho, tal é a força e a dimensão de um alinhamento de canções que plasma, com particular minúcia, uma simbiose feliz entre a naturalidade e a pureza que se observa no contraste do cinza e do laranja que dominou os céus durante a sua gravação, porque sucedeu, quase sempre, nas fases iniciais e finais dos dias e o ruído e o rigor estrutural de uma grande cidade. Steady Waves, o grandioso single já retirado de Wabi-Sabi, demonstra esta junção na simplicidade das cordas da viola e a imponência da distorção da guitarra de High Rise amplifica-a, só para citar dois exemplos que sustentam o universo fortemente cinematográfico e imersivo destes Cross Record, exímios a dar asas às emoções que exalam desde as profundezas do refúgio bucólico onde agora residem e que, pelos vistos, os inspira de modo particularmente sensorial.

Tendo visto a luz do dia abrigado pela sempre recomendável Ba Da Bing Records, Wabi-Sabi impressiona, portanto, pela dinâmica fortemente ambiental, como se percebe dede logo nas várias camadas de efeitos e sopros sintetizados de The Curtains Part, canção que lança o disco numa espiral emotiva e onde tudo é quase sempre filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso.

Depois dos dois temas acima referidos, ficamos logo esclarecidos que, partindo do princípio que aceitamos uma audição atenta e dedicada deste disco, somos naturalmente convocados para uma viagem que nos conduz a diferentes universos sonoros, sempre na óptica da tal relação simbiótica bastante sedutora e que, sonoramente, se firma entre indie rock, punk e post rock, por um lado e folk e dream pop, por outro. E logo a seguir, a indisfarçável toada folk de de Something Unseen Touches A Flower To My Fore, que nem o pedal de uma guitarra e os tambores disfarçam, proporciona-nos um momento de rara frescura e pureza sonora, com o charme lo fi dos ruídos de fundo por baixo das cordas de The Depths, pouco depois, a fazerem-nos levitar rumo a uma nuvem repleta de sensações fortemente nostálgicas e contemplativas, enquanto atestam o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram algumas tendências sonoras mais atuais, onde muitas vezes o minimalismo se confunde com aquilo que é esculpido e complexo, sendo ténue a fronteira entre ambos e real um claro encadeamento entre dois pólos aparentemente opostos e que nos obrigam a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador.

Até ao final deste trabalho absolutamente maravilhoso, em Basket ouve-se estranheza, ouve-se escuridão. Mas também se ouve harmonias de vozes de outro planeta. E logo depois, em Wasp In A Jar, há sensualidade em jeito de lamúria ou desabafo e a certeza que ouvir Wabi-Sabi é uma experiência diferente e revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Cross Record - Wabi Sabi

01. The Curtains Part
02. Two Rings
03. Steady Waves
04. High Rise
05. Something Unseen Touches A Flower To My Forehead
06. The Depths
07. Basket
08. Wasp In A Jar
09. Lemon


autor stipe07 às 20:40
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Domingo, 24 de Janeiro de 2016

Shearwater – Jet Plane And Oxbow

Lançado pela Sub Pop Records no passado dia vinte e dois, Jet Plane And Oxbow é o novo álbum dos Shearwater, o nono deste projeto norte americano oriundo de Austin, no Texas e liderado por Jonathan Meiburg, um ornitólogo com uma voz profunda, que passeia várias vezes entre a serenidade e a agitação sem nos darmos conta e exímio em compôr temas que, frequentemente, contêm um clima simultaneamente misterioso e atraente, balizados por uma indie pop com fortes raízes na folk norte americana e apimentada com uma elevada dose de experimentalismo, como se percebe logo em Prime, o exuberante tema que inaugura este alinhamento de onze canções.

Jet Plane And Oxbow esconde no seu seio mais uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa, nas asas de uma fidelidade quase canónica à sapiência melódica, ao charme da guitarra e à capacidade que a junção da mesma com efeitos sintetizados radiosos, como se percebe em Quiet Americans, tem de colocar em causa todos os cânones e normas que definem alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade. Mas o indie rock de cariz mais progressivo e épico também faz a sua aparição na visceral Long Time Away e assim, logo nos instantes iniciais do disco, fica clara capacidade inata de Meiburg em compôr entre a serenidade e a agitação sem perder sapiência melódica, caraterística que lhe confere uma versatilidade difícil de encontrar nos líderes da maioria das bandas da atualidade.

Disco que exige audição dedicada e que dificilmente agrada a todos os estados de alma e obra de um projeto onde luz e positivismo não encontram muitas vezes forma de se mostrar, Jet Plane And Oxbow desfila emoções e jorra sentimentos por todos os seus acordes, podendo-se mesmo falar em poros, porque esta é uma música que transmite sensações físicas tácteis, nem sempre passíveis de apurado controle pelo nosso lado mais racional. Não é apenas um simples agregado de efeitos e batidas, entrelaçadas com acordes e sons de cordas, mas algo grandioso e, um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia em Backchannels, misticismo e argúcia em Glass Bones e com uma serenidade melancólica e bastante contemplativa em Pale Kings e no baixo empolgante de Radio Silence.

Jet Planes And Oxbow é tudo menos um disco igual a tantos outros ou um compêndio sonoro comum. Nele viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que muitas vezes confunde e dispersa enquanto nos dá as mãos para calcorrearmos um caminho que nunca sabemos muito bem para onde nos leva, mas no qual confiamos sem hesitar e sem olhar para trás. Os Shearwater abrem este novo ano com um excelente compêndio de canções que atesta a maturidade e a capacidade que possuem de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência, conseguindo também mutar-se, disco após disco, e adaptar-se a um público ávido de novidades, que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

Shearwater - Jet Plane And Oxbow

01. Prime
02. Quiet Americans
03. A Long Time Away
04. Backchannels
05. Filaments
06. Pale Kings
07. Only Child
08. Glass Bones
09. Wildlife In America
10. Radio Silence
11. Stray Light At Clouds Hill

 uc


autor stipe07 às 20:38
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