Domingo, 4 de Junho de 2017

Beach Fossils – Somersault

Os Beach Fossils são uma banda de Brooklyn, Nova Iorque e que começou por ser um projeto a solo de Dustin Payseur, ao qual se juntaram, entretanto, Tommy Davidson e Jack Doyle Smith. Estão de regresso aos discos com Somersault, um trabalho lançado pela Bayonet Records e que sucede a um homónimo, datado de 2010 e ao aclamado antecessor, Clash The Truth (2013). Somersault conta com a participação especial de Rachel Goswell no tema Tangerine e de Cities Aviv em Rise e contém onze canções com um têmpero lo fi muito próprio. Refiro-me a um indie rock alternativo, com leves pitadas de surf pop, eletrónica e garage rock, tudo embrulhado com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que se escuta de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação.

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Somersault é um refúgio luminoso e aconchegante, um recanto sonoro sustentado por guitarras melodicamente simples, mas com um charme muito próprio e intenso, principalmente quando a elas se agregam outros arranjos, com a curiosidade de o violino ser uma arma de arremesso bastante utilizada nesses detalhes que adornam as melodias. Logo no enorme esgar de sorriso que comporta This Year e no clima lisérgico de Tangerine os violinos surgem amiúde, a consolidar a vertente vocal e a dar um polimento charmoso de inegável valia às guitarras, que são quem toma conta da condução dos temas. Depois, em redor da toada barroca das cordas que marcam a majestosidade de Closer Everywhere e no dedilhar corpulento e na percussão ritmada de Saint Ivy, assim como na leveza enternecedora do baixo de Sugar, esses violinos continuam a planar e a carimbar com acerto esta espécie de passeio tímido à beira mar numa manhã de sol, mas que também serve de consolo para quem tiver de se contentar com um cenário mais noturno, cinzento e urbano.

Somersault eleva os Beach Fossils a um novo patamar criativo, com as canções a abrigarem-se à sombra de uma filosofia estilística bastante marcada e homogéna, o que faz com que funcionem, individualmente, como vinhetas climáticas que vão servindo para marcar o ambiente e a cadência do mesmo. Mas, um dos maiores atributos do alinhamento é a quase indivisibilidade entre os temas, que podem ser apreciados como um todo, já que, liricamente, debruçando-se sobre as agruras de uma América cada vez mais confusa, garantem a formatação de uma obra de maior alcance e até, do modo como estão alinhados, engrandecem algumas canções menores. É o caso de Be Nothing, composição posicionada no final de Somersault e que, no modo como cresce e progride, além de personificar aquele grito de raiva que muitas vezes é imprescindível soltar no clímax de um instante reflexivo, acaba também por fazer uma súmula de todo o ideário, quer sentimental, quer sonoro, subjacente à intimidade que exala de toda a obra e que nos envolve de um modo muito particular. Espero que aprecies a sugestão...

Beach Fossils - Somersault

01. This Year
02. Tangerine (Feat. Rachel Goswell)
03. Saint Ivy
04. May 1st
05. Rise (Feat. Cities Aviv)
06. Sugar
07. Closer Everywhere
08. Social Jetlag
09. Down The Line
10. Be Nothing
11. That’s All For Now


autor stipe07 às 14:35
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Sábado, 21 de Janeiro de 2017

Menace Beach – Lemon Memory

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que estreou-se nos discos a dezanove de janeiro de 2015 com Ratworld, um trabalho que já tem sucessor. Lemon Memory chegou aos escaparates através da Memphis Industries a vinte de janeiro último e assume-se como um excelente sucessor de um registo inicial marcante para a dupla e um compêndio de canções capaz de lançar definitivamente este projeto para uma projeção superior.

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Apesar de serem britânicos, os Menace Beach puseram os ouvidos no outro lado do atlântico, visto a sua sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano, em especial o dos anos noventa. Lemon Memory é, portanto, uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock impregnado daquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções, com os problemas típicos da juventude a fazerem parte da lírica de grande parte do compêndio.

A receita é simples e ganha vida em canções simples e diretas, sem artifícios desnecessários e que se esfumam mais depressa do que um cigarro, com os principais ingredientes típicos do tal grunge e do punk rock direto e preciso, a misturarem-se com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria surfpop na mira. Esta apenas aparente amálgama prova que os Menace Beach estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

As vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado na voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras, quase sempre aceleradas e empoeiradas e que fluem livres de compromissos e com uma estética muito própria, como se percebe logo em Give Blood, o vigoroso e pulsante tema de abertura do disco.

A abertura realmente promete e logo depois, em Maybe We'll Drown, o single que antecipou o lançamento deste Lemon Memory e em Can't Get A Haircut somos sugados para o ambiente mais direto do punk rock, que tem também nas variações ritmícas de Lemon Memory o tema homónimo e no fuzz de Sentimental, dois instantes que clarificam o cuidado melódico e a impetuosidade elétrica impostos, em simultâneo, pelos Menace Beach às suas criações sonoras, dois aspetos que permitem às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora inicialmente previstas.

O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Suck It Out, uma canção inicialmente mais roqueira, sombria e lo fi e onde os Sonic Youth se fazem sentir com uma certa intensidade, até que chega o potente riff que introduz Owl e quando parece que vai instalar-se novamente um caldeirão sonoro contundente, espraia-se, sem aviso prévio, um clima mais pop, mas algo psicadélico, impregnado com mudanças de ritmo constantes e de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.

À imagem do antecessor, Lemon Memory é um exercício festivo e ligeiro, mas bastante inspirado, de uma dupla que quer ser apreciada pela sua visão atual do que realmente foi o rock alternativo, feito com as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho destes Menace Beach é, ao ouvi-los, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração para a dupla, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada, feita com canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Lemon Memory

01. Give Blood
02. Maybe We’ll Drown
03. Sentimental
04. Lemon Memory
05. Can’t Get A Haircut
06. Darlatoid
07. Suck it Out
08. Owl
09. Watch Me Boil
10. Hexbreaker II


autor stipe07 às 14:38
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2016

Tape Waves - Here To Fade

Se nos deixarmos levar pela cândura de Nowhere, um dos momentos maiores de Here To Fade, o novo disco dos Tape Waves de Jarod Weldin e Kim Weldin, é bem possível que a nossa mente nos faça aterrar naquela praia vintage que nos leva de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como a Carolina do Sul, o estado norte americano onde a banda reside. Essa passagem para uma outra dimensão sucede naturalmente enquanto se escuta, além desta, mais nove canções tranquilas, que não deixam de conter leves pitadas de shoegaze e post rock, mas que nunca atravessam aquela fronteira que poderia conduzir a sonoridade da dupla para algo de muito barulhento ou demasiado experimental.

Sucessor do excelente Let You Go, o fantástico disco de estreia do projeto, editado em 2014, Here To Fade eleva esta dupla norte americana oriunda de Charleston para uma superior dimensão estilística, com a sonoridade simples e impecavelmente produzida do antecessor a ser aprimorada, numa evidente e salutar aproximação à melhor surf pop melancólica e romântica, através de guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico.

Temas como a efusiva Close Your Eyes, canção que esconde um baixo que lhe confere um toque punk absolutamente delicioso, a planante Go Away ou a ritmada Standing In Line têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita no modo como, num contexto sonoro aparentemente minimal, apresentam diferentes nuances e uma vasta miríade de detalhes, efeitos e arranjos, com o registo vocal ecoante a funcionar como o contraponto decisivo para a feliz criação de uma atmosfera geral calma e contemplativa, com uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica incomuns e bastante sentimentalista e transmissora de boas vibrações. A voz doce de Kim e o acerto instrumental de Jarold contrastam e complementam-se, em simultâneo, e transbordam uma imensa eficácia e bom gosto na forma como dão vida a temas coerentes, com um forte cariz romântico e que versam sobre o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios.

Gravado e misturado pelo próprio Jarod Weldin e masterizado por Joe Goodwin e com o lindíssimo artwork da autoria de Savannah Rusher, Here To Fade confirma o modo assertivo como os Tape Waves falam com particular delicadeza sobre o sabor doce e amargo da vida, tal como a conhecemos, com a melhor estratégia a ser aquela em que o plano principal é não haver planos, ao som de uma festa algo melancólica e instrospetiva, mas que não deixa de ser também feita de cor, movimento e muita letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Tape Waves - Here To Fade

01. So Fast
02. Always Shines
03. Nowhere
04. Calling
05. Close Your Eyes
06. Go Away
07. Standing In Line
08. Fine For Now
09. Stay Mine
10. Morning Time

 


autor stipe07 às 10:54
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2015

Talk In Tongues – Alone With A Friend

O indie rock psicadélico está na ordem do dia e não há volta a dar. Falo de um espetro sonoro que floresce por estes dias da Austrália ao sol da Califórnia, com pujança e a reboque não só de alguns consagrados, mas também de novos nomes que merecem relevo e uma atenção particular. Oriundos de Los Angeles, os norte americanos Talk In Tongues são a nova aposta da Fairfax Recordings devido a Alone With A Friend, o disco de estreia deste grupo, editado no passado mês de maio.

Em 2014 os elementos dos Talk In Tongues deambulavam por outras bandas e projetos e assistiam aos concertos uns dos outros até que um dia resolveram ensaiar juntos, tendo havido desde logo uma enorme química, a única reazão plausível para ganhar vida um disco de tão elevada qualidade em tão pouco tempo, que encarna aquilo que legitimamente se pode considerar como uma estreia bastante auspiciosa.

Na verdade, Alone With A Friend é não só um tiro certeiro e um rumo exato na direção sonora que os membros da banda procuravam individualmente, mas também um marco importante no cenário indie da cidade dos anjos, este ano. E uma das principais razões que desde logo faz deste disco de estreia uma referência obrigatória no espetro sonoro em que se insere é o modo como ao longo do seu alinhamento o reverb e a distorção das guitarras e os efeitos sintetizados replicam com enorme naturalidade uma pop psicadélica que não defraúda a herança que a cimenta, ao mesmo tempo que se encontra imbuída com uma contemporaneidade desarmante e até algo futurista.

Se o riff da guitarra de Time’s Still (For No One Yet) contém aquele ambiente algo místico e espiritual que serve de base ao código genético do indie rock de cariz mais psicadélico, independentemente das diferentes nuances que depois adopta, já o groove do baixo de While Everyone Was Waiting e a sensualidade galopante deste tema é um passo em frente rumo a uma psicadelia funk algo inédita e que oferece a estes Talk In Tongues uma identidade rica e um carimbo particularmente impressivo.

Se os dois temas iniciais de Alone With A Friend constituem, por si só, instantes sonoros que justificam, logo à partida, uma audição atenta e dedicada de todo o alinhamento, a verdade é que o restante conteúdo tem outros momentos que deixarão certamente uma extraordinária impressão relativamente à banda e, melhor que isso, proporcionam momentos de puro prazer e diversão sonoras, capazes de nos elevar a um patamar superior de emoção, movimento e lisergia. E isso sucede quando os Talk In Tongues colocam um pouco de lado os tiques estereotipados que sustentam a arquitetura sonora da pop psicadélica e arriscam na busca pelo tal inedetismo que asfalta um caminho que é só deles e diferente de todos os outros que nos podem levar rumo ao mesmo espetro sonoro. A toada soul repleta de charme de Mas Doper (Love Me Probably), canção envolvida por um efeito ecoante estratosférico, o caldeirão inebriante que resulta da amálgama de sons que escorrem dos sintetizadores de Still Don’t Seem To Care, as flautas e a percussão tribal que nos hipnotiza em Call Fo No One Else, o frenesim visceral mas luminoso e até algo lascivo do surf punk de She Lives In My House ou a sensibilidade melódica, apesar da toada eminentemente sintética e contemplativa de Always All The Time, são composições que nos oferecem um ambiente envolvente, quente, épico, mas também intimista e acolhedor.

Verdadeiro tratado de pop psicadélica, pleno de fuzz e reverb, como já foi referido, mas também muito mais rico e abrangente que estas duas permissas, até porque não se confunde com a miríade de propostas semelhantes que atualmente vão surgindo neste género sonoro, Alone With A Friend só poderia ter germinado num universo muito próprio e certamente acolhedor de uma banda que logo na grelha de partida assume uma posição cimeira à custa de uma sensibilidade pop invulgar e que sabe muito bem o caminho que quer continuar a trilhar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Talk In Tongues - Alone With A Friend

01. Time’s Still (For No One Yet)
02. While Everyone Was Waiting
03. Mas Doper (Love Me Probably)
04. Still Don’t Seem To Care
05. After Tonight
06. Always Fade
07. Call For No One Else
08. She Lives In My House
09. Who Would Have Guessed
10. Always All The Time
11. Something Always Changes


autor stipe07 às 19:30
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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2015

Oberhofer - Chronovision

Depois de no início de 2012 ter revelado Time Capsules e um ano depois o EP Notalgia, Brad Oberhofer, um músico, compositor e multi-instrumentista de vinte e dois anos, natural de Tacoma e agora residente em Brooklin e lider dos Oberhofer, está de regresso em 2015 com Chronovision, um disco que viu a luz do dia a vinte e um de agosto, à boleia da Glassnote Records. Brad é um músico extremamente criativo e já com um assinalável cardápio sonoro na bagagem, juntando-se a ele nesta aventura Dylan Treleven, Ben Weatherman Roth e Pete Sustarsic.

Os Oberhofer impressionam, logo à partida, pelo modo como se mostram confortáveis e musicalmente assertivos dentro do género sonoro que escolheram e que não descurando as guitarras, também coloca alguma sintetização e o piano na linha da frente do processo de composição melódica, sendo a herança das últimas décadas do século passado a grande força motriz do cardápio sonoro que já criaram e também do alinhamento de Chronovision.

Memory Remains, o primeiro avanço divulgado de Chronovision, plasma o charme efervescente do líder, Brad Oberhofer, cuja voz impulsiona até aos píncaros da luminosidade uma canção plena de guitarras cheias de distorção e reverb e uma percurssão bastante vincada. Excelente porta de entrada para o álbum, esta canção é acompanhada nessa ode ao lado colorido e animado da existência humana, pela surf pop de Together Never, outro tema onde a voz adoçicada de Oberhofer impôe-se com extrema naturalidade, enquanto dissera acerca da morte de um amigo e de como estas e outras inevitabilidades não devem desviar o nosso foco da ânsia de ser-se feliz.

É realmente curioso constatar-se que sendo Chronovision um trabalho tão animado e resplandescente, liricamente se debruce sobre alguns aspetos menos bonitos da vida. Isso sucede porque este disco funciona para o autor como uma espécie de terapia, um instrumento de ajuste e de orientação para aquilo que ralmente improrta. Esta é a grande mensagem que a sonoridade vintage de Me 4 Me, ou o fuzz pop das emotivas Sun Halo e Someone Take Me Home, além dos dois temas citados anteriormente, nos oferece, convidando-nos a perceber que o otimismo deve reinar sempre e que mesmo nos instantes mais sombrios há sempre uma saída. Esta concepção sonora já era, aliás, a grande pedra de toque de Time Capsules II, o antecessor, um disco muito luminoso e assente em guitarras estonteantes e pianos e que falava de sentimentos simples, expressos com paixão e sinceridade. Apesar de muitas das canções falarem do lado menos bom do amor e de relações falhadas, eram cantadas com uma voz que acabava por lhes emprestar alegria e boa disposição.

Obra de catarse, assente no charme efervescente do líder que impulsiona o disco com uma ingenuidade cativante, Chronovision instrumentalmente sabe ao frenesim da exuberância juvenil, mas também mostra que Oberhofer se rodeou de musicos bastante treinados e que aperfeiçoaram muito as suas habilidades musicais, num alinhamento cheio de potenciais sucessos já suficientemente maduros para não serem levados demasiado a sério. Confuso? Espero que aprecies a sugestão...

1. Chronovision
2. Nevena
3. Together/ Never
4. Memory Remains
5. Someone Take Me Home
6. Sea of Dreams
7. Ballroom Floor
8. White Horse, Black River
9. Me 4 Me
10. Sun Halo
11. What You Know
12. Listen To Everyone
13. Earplugs


autor stipe07 às 20:07
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

The Valkarys – (Just Like) Flying With God

Scott Dunlop, Sarah Ross, Craig Birrell, Colin Brennan e Wayne Hoy são os The Valkarys, um quinteto de indie rock oriundo de Edimburgo, na Escócia, mas com um olhar lancinante sobre o sol da Califórnia e aquele garage rock com uma forte toada psicadélica que desde a década de sessenta tem feito escola na costa oeste do outro lado do Atlântico. Editado a vinte e cinco de abril último, (Just Like) Flying With God é o ultimo disco de originais do grupo, o primeiro longa duração depois de The Average Can Blind You To The Excellent, o trabalho de estreia, lançado em 2010 e de Chloroform (2011) e Psychodelica (2013), dois EPs que se seguiram neste intervalo.

Logo na guitarra incandescente, na bateria vibrante e na harmónica esplendorosa de Meraki fica claro o receituário sonoro destes The Valkarys, inteligentes no modo como misturam influências que, dos Beatles aos The La's, nos fazem recuar com nostalgia e um enorme sorriso no rosto aos primórdios do indie rock e da pop psicadélica dos anos sessenta. Contendo a impressão firme da sonoridade típica da banda, Meraki catapulta este disco para uma bitola qualitativa elevada, mas engane-se quem acha que o restante alinhamento de (Just Like) Flying With God, se orienta apenas por aquela pop tão solarenga como o estado norte americano que tanto nos faz recordar essa canção. O clima western de Waves, por exemplo, o clima épico e contemplativo de For You, ou a guitarra algo suja e lo fi, com um pé no post punk, de We Are The World, assim como o devaneio inebriante da guitarra de (Lover) Dont' Go transportam este grupo ainda para uma estética mais abrangente, que além de reviver marcas típicas do rock vintage, explora outras paisagens sonoras, igualmente emocionais e compensadoras, mas mais consentâneas com uma contemporaneidade onde abunda o saudosismo e a apetência pelo retro.

Na verdade, o timbre das guitarras nestes The Valkarys, o arrojo da bateria no modo como se impõe ritmicamente em todo o disco e o charme dos arranjos e efeitos que adornam as dez melodias que compôem o seu alinhamento, são provas abundantes das pontes que se estabelecem entre épocas verdadeiramente intemporais e uma atualidade onde a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza de outrora vão sendo substituidas por um maior cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas, tudo confortado por uma utilização assertiva da guitarra acústica, quando a mesma é chamada à linha da frente, conforme se percebe, por exemplo, em Xylophobia.

(Just Like) Flying In God é outro bom exemplo desta apetência óbvia para a exaltação de bases sonoras que nos dias de hoje mostram-se cada vez mais ambientais, mas sempre ampliadas com o potencial psicadélico das guitarras. Depois, as boas letras que estes The Valkarys nos oferecem e a tal clássica relação estreita entre o rock de garagem e a pop psicadélica, ao resultar em canções viscerais e cheias de estilo, tão enevoadas como a penumbra que rodeia o próprio grupo, mas também tão luminosas como só as bandas que sabem ser eficazes à sombra das suas próprias regras conseguem ser, faz de (Just Like) Flying With God um disco obrigatório para os amantes deste espetro sonoro particularmente atrativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Valkarys - (Just Like) Flying With God

01. Meraki
02. Honey Hill
03. Xylophobia
04. Early Verve
05. Waves
06. We Are The World
07. For You
08. Fistfull Of Dollars (Revisited)
09. (Lover) Don’t Go
10. Starfish

 


autor stipe07 às 21:46
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2015

Wavves And Cloud Nothings – No Life For Me

Dois dos nomes mais consensuais e profícuos do indie rock lo fi atuais são, certamente, os Wavves de Nathan Williams e os Cloud Nothings de Dylan Baldi. Para regalo dos ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock, No Life For Me, um compêndio de nove canções assndao pelas duas bandas, é um dosmarcos discográficos do ano, sem qualquer dúvida. No Life For Me aparece nos escaparates à boleia da Ghost Ramp e foi gravado e produzido pelo coletivo Sweet Valley, formado por Nathan e o seu irmão Joel Kynan, sendo um trabalho que, na sua génese, é feito de experimentações sujas que procuram conciliar esta componente lo fi com a surf music, numa embalagem caseira e íntima e que não coloca em causa o adn sonoro identitário dos dois projetos.

No Life For Me junta talentos fazendo-o, felizmente, sem pretensões demasiado grandiosas ou eloquentes. Costura a sonoridade calculadamente poluída dos Wavves com a energia típica dos Cloud Nothings, de modo a que no disco transpire sempre, na quase meia hora que dura, a inexistência de alguma música em que prevaleça um dos projetos, sendo mais do que um trabalho de simbiose, uma compilação em que o resultado final é algo de particularmente novo e inovador, tendo em conta o percurso discográfico dos autores.

As nove canções do álbum são quase todas aceleradas e feitas com guitarras aditivas e uma voz que às vezes parece perder o tom, mas que nunca descura o teor melódico, sendo essa apenas e só aparente lacuna, mais um detalhe, certamente propositado, para o charme pretendido. Aliás, também não falta, em alguns instantes, aquela componente surf pop muito californiana, onde Nathan muitas vezes se deita para compôr.

Se a introdução de Nervous, acomodada num baixo irrepreensível e num excelente refrão cheio de loopings e arranjos distribuídos em camadas, faz deste tema um momento intenso e obrigatório no disco, canções como a intuitiva Come Down ou o o reverb do tema homónimo induzem o peso e a velocidade que os dois grupos exigem, com Nothing Hurts a encerrar com beleza e bom gosto um trabalho arrojado e que, apesar do constante noise das guitarras, nunca deixa de conter uma sonoridade aberta, acessível e pop.

Álbum, na minha opinião, fundamental e também percurssor da reinvenção do movimento lo fi tão em voga nos últimos anos e que tem dado alguma primazia à vertente psicadélica, como comprovam os conterâneos Ty Segall ou The Oh Sees, No Life For Me é um passo significativo numa outra direção, mas igualmente nobre e bem sucedida, de duas bandas que, sem deixarem de ser rugosas, intensas e viscerais, procuram um brilho pop mais acessivel e imediato e uma abordagem ao noise mais elástica, orelhuda, angulosa e até radiofónica. Espero que aprecies a sugestão... 

Wavves And Cloud Nothings - No Life For Me

01. Untitled I
02. How It’s Gonna Go
03. Come Down
04. Hard To Find
05. Untitled II
06. Nervous
07. No Life For Me
08. Such A Drag
09. Nothing Hurts


autor stipe07 às 22:18
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Sábado, 14 de Março de 2015

Surfer Blood – I Can’t Explain / Death And The Maiden

1000 Palms I Can't Explain Premiere

Depois de Pythons, os Surfer Blood de John Paul Pitts, uma banda de surf rock natural de West Palm Beach, na Flórida, têm novidades. I Can't Explain e Death And The Maiden antecipam a chegada de in 1000 Palms, o terceiro disco do quarteto, que irá ver a luz do dia a doze de maio através da Joyful Noise.

A letra de I Can't Explain foi escrita por Kevin Williams e conta a história de um encontro romântico numa passagem de ano, com a melodia a ter surgido durante uma jam session bem sucedida e de onde sobressai o modo como a canção cresce à medida que a guitarra vai impondo o ritmo e a cadência e aumentando o volume da distorção. Death And The Maiden é uma excelente e animada versão de um original dos The Verlaines, composto em finais dos anos oitenta. Confere...

Surfer Blood - I Can't Explain - Death And The Maiden

01. I Can’t Explain
02. Death And The Maiden

 


autor stipe07 às 14:19
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2015

Menace Beach - Ratworld

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que estreou-se nos discos a dezanove de janeiro com Ratworld, um trabalho com um dos artworks mais insólitos que vi ultimamente e que chegou aos escaparates através da Memphis Industries.

Apesar de serem britânicos, os Menace Beach puseram os ouvidos no outro lado do atlântico, visto a sua sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano dos anos noventa. Ratworld é, portanto, uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock impregnado daquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções, com os problemas típicos da juventude a fazerem parte da lírica de grande parte do compêndio.

A receita é simples e ganha vida em canções simples e diretas, sem artifícios desnecessários e que se esfumam mais depressa do que um cigarro, com os principais ingredientes típicos do tal grunge e do punk rock direto e preciso, a misturarem-se com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria surfpop na mira. Esta apenas parente amálgama prova que os Menace Beach estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

As vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado noa voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras, quase sempre aceleradas e empoeiradas e que fluem livres de compromissos e com uma estética muito própria.

Logo em Come On Give Up, o single que antecipou Ratworld, e em Elastic, somos sugados para o ambiente mais direto do punk rock, que tem também no baixo de Dropout e no fuzz de Lowtalkin, dois instantes que clarificam o que vem adiante e onde é possível vislumbrar um cuidado melódico e etéreo que permite às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora inicialmente previstas. O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Blue Eye, uma canção inicialmente mais introspetiva e lo fi e onde os Sonic Youth se fazem sentir com uma certa intensidade, até que chega o potente refrão de Dig It Up e instala-se novamente um caldeirão sonoro onde também está o clima mais pop e acessivel de Tennis Court, outro single já retirado do trabalho, e o tema homnónimo, impregnado com mudanças de ritmo constantes e de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.

Até ao ocaso, não podemos deixar de salientar o reverb algo tóxico da guitarra de Tastes Like Medicine e o groove de Infinite Donut, uma das canções mais interessantes de Ratworld e que nos remete para uma espécie de fuzz rock, que se mantém em Pick Out The Pieces, talvez o tema mais psicadélico e etéreo da rodela.

Ratworld é um exercício festivo e ligeiro, mas bastante inspirado, de uma dupla que quer ser apreciada pela sua visão atual do que realmente foi o rock alternativo, feito com as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho de Ratworld é, ao ouvi-lo, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada, feita com canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Ratworld

01. Come On Give Up
02. Elastic
03. Drop Outs
04. Lowtalkin
05. Blue Eye
06. Dig It Up
07. Tennis Court
08. Ratworld
09. Tastes Like Medicine
10. Pick Out The Pieces
11. Infinite Donut
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autor stipe07 às 21:21
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

The Babies - Got Old

The Babies - "Got Old"

Desde que em 2012 as The Babies de Kevin Morby dos Woods e de Cassie Ramone das Vivian Girls, editaram o seu fantástico álbum intitulado Our House on the Hill nunca mais deram notícias e o projeto ficou num manto de indefinição, temendo-se pelo futuro do mesmo. De então para cá, além do trabalho desenvolvido nas bandas de origem, Morby e Ramone lançaram discos a solo e o receio relativamente ao futuro dos The Babies aumentou ainda mais.

Felizmente a dupla voltou a dar sinais de vida com a edição de um single de sete polegadas, via Woodsist, com dois temas que são lados b de singles retirados de Our House on the Hill, as canções Got Old e All I Know. As duas foram gravadas na Califórnia em fevereiro de 2012 e produzidas por Rob Barbato e misturadas por Drew Fischer. Confere o primeiro tema deste sete polegadas e recorda o excelente Our House on the Hill...


autor stipe07 às 13:16
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