Terça-feira, 28 de Junho de 2016

The Tallest Man On Earth – Time Of The Blue

The Tallest Man On Earth - Time Of The Blue

O sueco Kristian Matsson, que assina a sua música como The Tallest Man On Earth, acaba de divulgar Time Of The Blue, uma nova canção que é mais uma etapa evolutiva na carreira de um músico que desde a estreia, em 2008, com Shallow Grave, até a Dark Bird Is Home, o último disco de Matsson, editado o ano passado, cresceu sempre de modo sustentado e com cada vez maior aceitação e reconhecimento público.

O minimalismo acústico e eminentemente folk deste tema, em oposição com o sentimentalismo que dele transborda, remete Time Of The Blue para os primórdios da carreira do autor, havendo algo de aboslutamente profundo e perene nesta canção que catapulta The Tallest Man On Earth para um patamar superior de exuberância lírica. O próprio excelente vídeo do tema, realizado por Rolf Nylinder, amplia esta sensação. Confere...

 


autor stipe07 às 22:51
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Sábado, 26 de Dezembro de 2015

The Sweet Serenades – Animals

Os suecos The Sweet Serenades são uma dupla natural de Estocolmo, formada em 2002 por Martin Nordvall e Mathias Näslund, mas já se conhecem há vários anos, sendo amigos de longa data desde 1991. Depois de terem editado quase no ocaso de 2012 o estrondoso Help Me!, através da Leon Records, um selo da própria banda, estão de regresso com Animals, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no início do passado mês de outubro. O grupo estreou-se nos discos em 2009 com Balcony Cigarettes, rodela que continha On My Way, Mona Lee e Die Young, três canções que, à época, fizeram furor no universo musical indie e alternativo. Esse último tema fez parte da banda sonora da Anatomia de Grey e reza a lenda que gastaram os royalties muito bem gastos; Martin foi ao dentista, Mathias comprou um cão e investiram numa rouloute, para passar o tempo, escrever canções e discutir assuntos pertinentes relacionados com a existência humana.

Um dos atributos maiores desta dupla sueca é ser dona de uma sonoridade muito própria e estilisticamente vincada, apropriando-se de algumas das melhores caraterísticas da pop nórdica oitocentista e do indie rock de século passado, com um toque identitário muito próprio e impregnado com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciado com devoção. Escuta-se When The Man Calls e testemunha-se com exatidão todos os atributos que esta dupla tem cultivado na sua discografia, através de uma canção que contém a impressão firme de todas as nuances que caraterizam o som do grupo e que são transversais a toda a sua discografia.

Assim, um baixo com um groove e um efeito muito próprio, que, neste Animals, coloca todas as fichas na condução de temas como Fireworks ou In The Dark e uma guitarra enérgia mas cativante e abraçando diferentes géneros e estilos, já que é irrepreensível no modo como ilumina, por exemplo, Come Out And Play e como aproxima os The Sweet Serenades do punk rock mais obscuro e contemplativo em Ready For War, são os dois grandes alicerces desta matriz particularmente intensa e sem paralelo. No entanto, sintetizadores aditivos, inspirados em canções como In The Dark ou no homónimo e uma bateria enérgica e indomável, são outros ingredientes de que esta dupla se serve para nos oferecer melodias cativantes, alegres, aditivas, divertidas e luminosas, daquelas que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. Mesmo em momentos mais soturnos e melancólicos, como Too Late To Dance, canção que ocnta com a participação especial de Karolina Komstedt na voz, os The Sweet Serenades não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e se debruçar em sonhos por realizar, não colocam em causa o espírito cativante de uma música simples e intrigante, feita de intimismo romântico e que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação.

O que aqui temos é, no fundo, uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos e que, por esse e tantos outros motivos que só uma audição dedicada explica, reforçam a justeza da obtenção por parte destes The Sweet Serenades de uma posição de maior relevo, reconhecimento e abrangência junto do público em geral. Espero que aprecies a sugestão...  

The Sweet Serenades - Animals

01. Come Out And Play
02. Fireworks
03. In The Dark
04. Ready For War
05. When The Man Calls
06. Never Gonna Stop
07. Too Late To Dance
08. Echoes
09. Animals
10. Stand By Me


autor stipe07 às 21:00
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2015

Mando Diao – Leave No Trace Behind

Mando Diao - Leave No Trace Behind

Os suecos Mando Diao andam por cá desde 2001 e ganharam enorme notoriedade após o lançamento do segundo álbum Hurricane Bar. Conheci-os em 2009 quando, em Give Me Fire, se podia ouvir Gloria e Dance With Somebody, dois temas que os colocaram definitivamente no meu radar. Três anos depois, impressionaram-me novamente graças a Infruset, um disco cantado integralmente em sueco e que marcou uma transformação sonora na banda, até então fortemente influenciada pelo rock de garagem norte americano, mas a virar agulhas para um som mais límpido e sensível, além de não renegarem as suas origens.

Leave No Trace Behind, um novo tema disponibilizado pelos Mando Diao e composto para o projeto Let The Baltic Sea Life, que pretende chamar a atenção para os graves problemas ambientais que assolam o mar Báltico, é mais um passo em frente nesta inflexão sonora brilhante, oferecendo-nos uns Mando Diao sagazes no modo como conseguem captar a essência emocional particularmente melancólica das paisagens que o país de origem da banda oferece ao mundo, à boleia de uma melodia plena de groove, mas também serena, luminosa e bastante introspetiva. Confere...


autor stipe07 às 16:18
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015

The Orange Revival – Futurecent

Eric, Christian e Andreas são os The Orange Revival, uma banda sueca de indie rock psicadélico, que causou furor em 2011 com Black Smoke Rising, um trabalho que os colocou debaixo dos holofotes mais atentos e que já tem finalmente sucessor. Lançado por inteemédio da Fuzz Club Records, Futurecent é o novo álbum destes The Orange Revival, sete canções que não envergonham a herança sonora que os anos sessenta do século passado nos deixaram, feita com uma elevada dose de hipnotismo, apimentada com uma percussão vibrante, riffs de guitarra abrasivos e cheios de fuzz e teclados plenos de efeitos com elevado teor lisérgico.

Escuta-se Saturation, o tema que abre o alinhamento de Futurecent e percebe-se desde logo o modo como este espetacular tratado sonoro aditivo, rugoso e viciante, nos leva rumo a uma pop psicadélica muito caraterística e que nos é particularmente familiar, não só devido ao solo e ao riff da guitarra, que exibe linhas e timbres muito peculiares, mas também devido ao modo como os restantes instrumentos se vão agregando em seu redor, num saudável experimentalismo que não inibindo os The Orange Revival de serem concisos e diretos no modo como se apresentam, mostra novos atributos e elevada competência relativamente aos procedimentos de separação dos diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância não só a esta mas, como se percebe depois, às restantes canções do disco. Na verdade, a distorção do teclado de Lying In The Sand e a linha de guitarra que o acompanha e a luminosidade das cordas que orientam a planante Setting Sun, são apenas mais dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes deste trio, mas também marcas impressivas de um posicionamento melódico ímpar e que busca a criação de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também acessíveis e do agrado de um público particularmente abrangente. Carolyn é o exemplo maior deste passo em frente relativamente à estreia, uma catarse psicadélica com mais de sete minutos, assente numa linha de guitarra distorcida inspirada, teclas efusivas e alguns detalhes percussivos que nos fazem dançar em altos e baixos divagantes e que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, uma canção onde os The Orange Revival apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferece um verdadeiro compêndio de acid rock, despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Futurecent eleva os seus autores para um patamar superior de qualidade e de inedetismo quando se compara este trabalho com tudo o que apresentaram antes. Proposto por um trio sueco que parece viver numa espécie de hipnose e que se serve desse estado de alma simultaneamente profundo e juvenil para incubar uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose, este é um disco que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, abraça várias vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade criativa, confiante e luminosa que está impressa no adn destes The Orange Revival. Espero que aprecies a sugestão...

The Orange Revival - Futurecent

01. Saturation
02. Lying In The Sand
03. Speed
04. Setting Sun
05. Carolyn
06. 1999
07. All I Need


autor stipe07 às 20:31
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015

Jens Lekman – Ghostwriting EP

Após um breve hiato, o músico e compositor sueco Jens Lekman voltou às luzes da ribalta neste ano de 2015 com um assumido compromisso de todas as semanas compor e gravar um novo tema, através do seu projeto Smalltalk. Ghostwriting, o seu mais recente ep, é uma espécie de complemento desta hercúlea tarefa, um documento sonoro com cinco temas em que o autor e a banda que o tem acompanhado transformam as suas histórias pessoais em canções, assentes numa folk acústica intensa, próxima  e subtilmente encantadora.

Hábil poeta e permanentemente focado e apaixonado pelo processo de escrita e composição, Jens Lekman é exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e fá-lo de forma peculiar, convertendo simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional.

Neste pequeno compêndio absolutamente obrigatório, Lekman mostra-se particularmente intimista e reflexivo, sobrepondo as palavras destes poemas escritos na sua linguagem materna  a uma menor exaltação instrumental, necessária e preciosa para a materialização de uma clara honestidade poética que, do modo como é plasmada por este ator, transforma-se num mecanismo eficaz de diálogo direto com quem se predispõe a ouvi-lo. Na verdade, Lekman é único e universal a traduzir com simplicidade musical tudo aquilo que gostaríamos de expressar em momentos de maior dor e melancolia e este EP comprova-o com notável bom gosto e exatidão. Espero que aprecies a sugestão...

Jens Lekman - Ghostwriting

01. Träskepp
02. Min Pappa Är Död
03. Det Måste Ha Varit Kärlek
04. Trollkarlen
05. Tekniskt Avregistrerad


autor stipe07 às 16:48
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2015

Alpaca Sports – When You Need Me The Most EP

Oriundos de Gotemburgo, na Suécia, os Alpaca Sports têm já um cardápio sonoro interessante e que tem apostado numa sonoridade com aquele espírito tipicamente nórdico, cheio de traços que cruzam pop e psicadelia, com uma tonalidade muito própria e que amplia o espírito claramente juvenil de canções que contêm, quase sempre, um ambiente festivo e uma luminosidade muito própria.

O conceito de intensidade, neste caso nas guitarras e na percussão, mas também nos efeitos e arranjos, é transversal às sete canções de When You Need Me The Most, o novo trabalho deste grupo, um EP que é também um mini álbum e que exalta aquela ligeireza juvenil, fazendo-o à boleia de melodias bastante orelhudas, simples no processo mas eficazes no modo como se entranham e às quais é,por isso, impossível resistir.

Just Like Them, a canção que abre o alinhamento de When You Need Me The Most é um excelente exemplo da capacidade inebriante que os Alpaca Sports têm de nos convidar a darmos as mãos e fazermos uma roda em seu redor, enquanto dançamos ao som de uma canção que brilha no modo como palpita, guiada por uma guitarra que parece ter vida própria e que em determinados instantes até nem receia ousar. Depois, e tomando como exemplo a notável e festiva Need Me The Most, canção que pisca o olho a um certo travo mais melancólico, ficamos impressionados pelo modo harmonioso como os Alpaca Sports conseguem, com particular doçura e convicção, não resvalarem nunca para exageros desnecessários, conseguindo assim manter intato um precioso charme genuíno e provando que estamos na presença de uma banda criadora de belos instantes sonoros, que se estendem pelos nossos ouvidos sem a mínima sensação de desconforto.

O que não falta neste trabalho são canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que dão expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana. Além dos exemplos já referidos, quando no efeito curioso e na folk de There's No One Like You, nos metais e nos sopros de Where’d You Go e na inocência que brota de todos os acordes da efusiva I Love You esta banda sueca se serve da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, nunca rouba às cordas o merecido protagonismo, plasmado com um romantismo e uma cândura que nos confrontam com a nossa natureza, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Talvez seja do clima sueco, ou do frio polar que obriga a que mentes que viajam constantemente entre a ressaca e um estado mais ébrio, tenham de se aquecer de qualquer forma, a verdade é que estes Alpaca Sports conseguem esse efeito reconfortante através da sua música, sem dúvida uma excelente porta de entrada para um mundo mais ternurento e acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

01. Just Like Them
02. Need Me The Most
03. There’s No One Like You
04. I Love You
05. Where’d You Go
06. When I Hold You
07. My Favourite Girlfriend


autor stipe07 às 22:21
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Domingo, 4 de Outubro de 2015

Observer Drift – Echolocation

Collin Ward é Observer Drift, um músico norte americano de Bloomington, em Minneapolis, que se estreou nos lançamentos discográficos com Corridors, em 2012. Fjords, o sucessor, foi editado em maio do ano seguinte e agora chegou a vez de ver a luz do dia Echolocation, um compêndio de catorze canções disponível para audição e download no bandcamp do projeto pelo preço que quiseres.

O terceiro disco de Observer Drift tem impressas as marcas de crescimento típicas da passagem para a vida adulta. Mais crescido e maduro, este músico com raízes suecas mantém o centro da sua música nas aspirações pessoais, mas de modo um pouco mais sombrio e amargurado. Observer Drift escreve muito sobre crescer e mudar, explorar o inexplorado e assumir mais riscos, com uma elevada dose de espontaneidade, cabendo a nós próprios, ouvintes, não só decifrar o verdadeiro signficado de cada poema, como também, se tivermos essa pretensão, atribuirmos um significado próprio, cuja variação poderá ser justificada com a forma como cada um de nós vivencia a audição do mesmo, tendo em conta a base sonora e instrumental que o suporta, algo que causará, certamente, diferentes sensações nos ouvintes. E essa audição acontece à boleia de uma dream pop muito suave e luminosa, cheia de elementos eletrónicos, nomeadamente sons em reverb e batidas sintetizadas e algumas guitarras que criam melodias com um elevado cariz etéreo e shoegaze. Se o longo abraço entre R&B e eletrónica que se escuta no tema homónimo, uma canção que parece ter sido embalada num casulo de seda e em coros de sereia e que faz de Observer Drift um novo trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker, a espiritualidade negra e o falsete de Bon Iver, impulsionado por uma melodia doce com um leve toque de acidez, mas que se escuta com invulgar fluidez, também nos efeitos suaves e planantes do sintetizador e da percussão de When You Disappear, na imponente Time Stands Still e na vibrante de The Long Run, assim como no dedilhar da guitarra de Analysis Paralysis e na crescente e solarenga I Have Your Back, sentimo-nos tocados por um disco onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado. É uma cúpula entre, pop, rock e eletrónica, quente e assertiva e que ao longo do alinhamento vai convocando para a orgia outros sub géneros da pop, que vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, enquanto saboreiam mais  um final de tarde glamouroso no início deste outono.

A audição dos treze temas de Echolocation é uma experiência sonora muito enriquecedora e apetecível, uma viagem contemplativa não só ao mundo pessoal do músico que criou o disco, como também ao nosso próprio universo, real ou imaginário, porque estamos na presença de treze temas que nos convidam a sonhar sem receios e, simultaneamente, a refletir sobre a nossa própria existência. Espero que aprecies a sugestão...

Observer Drift - Echolocation

01. When You Disappear
02. The Long Run
03. Echolocation
04. Time Stands Still
05. Fire In The Southern Sky
06. Tired Hands
07. Let The Call Go Out
08. Same Way
09. Too Bright
10. Daniel
11. Strength Of A Storm
12. So Mysterious
13. Analysis Paralysis
14. I Have Your Back


autor stipe07 às 21:44
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2015

Summer Heart – Thinkin Of U EP

Oriundos de Malmö, na Suécia, os Summer Heart são um projeto encabeçado por David Alexander, ao qual se junta Frederick RQ e que aposta numa sonoridade com uuma elevada componente lo fi e com aquele espírito tipicamente nórdico, com imensos traços que cruzam pop e psicadelia, com uma tonalidade muito própria, plena de reverb, mas que não ofusca o espíirito claramente juvenil de canções que contêm uma luminosidade muito própria.

O conceito de intensidade, neste caso nas guitarras e na percussão, mas também nos efeitos sintetizados, é transversal às cinco canções de um EP que exalta a melancolia, fazendo-o à boleia de melodias capazes de vergar o coração mais empedernido e às quais é impossível resistir. The Cross é um excelente exemplo da capacidade inebriante que os Summer Heart têm de nos convidar a darmos as mãos e fazermos uma roda em seu redor, enquanto dançamos ao som de uma canção que brilha no modo como palpita, guiada por ma guitarra que parece ter vida própria e que em determinados instantes até nem receia ousar. Depois, e tomando como exemplo a notável e festiva Beat Of your Heart, tema que pisca o olho a um certo travo psicadélico, ficamos impressionados pelo modo harmonioso como os Summer Heart conseguem eletrificar a guitarra e, num clima mais rock, abraçando esse salutar experimentalismo ainda com maior convicção, não resvalarem nunca para exageros desnecessários, conseguindo assim manter intato um precioso charme genuíno e provando que estamos na presença de uma banda criadora de belos instantes sonoros, que, apesar do constante reverb, se estendem pelos nossos ouvidos sem a mínima sensação de desconforto.

O que não falta neste disco são canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que dão expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana. Além dos exemplos já referidos, quando em Sleep os Summer Heart se servem da combinação da guitarra com outros sons e detalhes sintetizados, nunca roubam às cordas o merecido protagonismo, com esta canção a ser capaz de nos fazer refletir, com um romantismo e uma cândura que nos confrontam com a nossa natureza, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Talvez seja do clima sueco, ou do frio polar que obriga a que mentes que viajam constantemente entre a ressaca e um estado mais ébrio, tenham de se aquecer de qualquer forma, a verdade é que estes Summer Heart conseguem esse efeito reconfortante através da sua música, sem dúvida uma excelente porta de entrada para um mundo mais confortável e acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

Summer Heart - Thinkin Of U

01. Sleep
02. Thinkin Of U
03. The Cross
04. Beat Of Your Heart
05. U Got All I’m Looking 4


autor stipe07 às 18:04
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

Kid Wave – Wonderlust

Harry Deacon Lea Emmery Serra Petale Mattias Bhatt são os Kid Wave, uma banda feita de musicos suecos mas oriunda de Londres e que se estreou recentemente nos discos com Wonderlust, um trabalho que viu a luz do dia um de junho, através da Heavenly Recordings.

Escuta-se Wonderlust e não se adivinha que estas onze canções foram gravados no auge dos rigores do mais recente inverno londrino, tal é a luminosidade e a cor com que exploram alguns dos melhores detalhes da dream pop, do shoegaze e do rock alternativo dos anos noventa. Quer a distorção das guitarras e o ritmo frenético, quer a toada épica e vibrante de All I Want, são apenas dois exemplos de rumos e ritmos diferentes explorados em Wonderlust, mas que convergem para a mesma espiral de grandiosidade e vibração que conduz toda obra.

Em Honey, com a percussão e os arranjos metálicos a explorarem vertentes mais progressivas, de mãos dadas com uma distorção de guitarra magnânima, os Kid Wave condensam, com enorme mestria, a sua receita sonora e, quer nesse tema, quer em Best Friend, servem-se da melancolia para ampliarem a expressividade que colocam nas suas letras, que exprimem, geralmente, as típicas dores e dilemas do início da vida adulta. Desse modo familiar de escrever e cantar sobre assuntos que nos são caros já que tocam em alguns dos nossos dilemas existenciais, os Kid Wave conseguem captar definitivamente toda a nossa atenção, enquanto sonoramente explodem, quase sempre, em elevadas doses de distorção. Mesmo quando em Walk On Fire, o quarteto avança por territórios mais contemplativos e etéreos, não abranda na firmeza e na profundidade do sentimento que a sua música transporta, balizando firmemente a abrangência da sua orientação sonora. Esta roça quase sempre a genialidade a nível instrumental, seja qual for o poder e a robustez dos timbres da guitarra e a ênfase dada aos vários arranjos, lindíssimos na mais folk Freeride; Escuta-se o fuzz experimental, sombrio e progressivo de Baby Tiger e o arranque rugoso e explosivo de Gloom, que se repete no refrão e depois o andamento açucarado da guitarra desta última e, quer num caso quer noutro, é plena a sensação de controle, inclusive quando a própria temática das canções até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma superior raiva ou descontrole emocional.

Há algo de profundamente nostálgico e acolhedor no som destes Kid Wave, principalmente para quem, como eu, cresceu escutando a par e passo e com particular devoção, o desenvolvimento do indie rock alternativo na última década do século passado. De certo modo, o que eles propôem em Wonderlust é um verão que dura o ano inteiro e, se for necessário, estão dispostos a funcionar na nossa mente como um verdadeiro psicoativo sentimental, guiado pela nostalgia e pelas emoções que pretendem transmitir, de modo algo subtil e surpreendentemente apelativo, oferecendo-nos um certo transe libidinoso num disco de rock que tanto pode ser escutado nos jardins de infância após o almoço, como além das paredes do nosso refúgio mais secreto, com a mesma exuberância e dedicação. Espero que aprecies a sugestão...

Kid Wave - Wonderlust

01. Wonderlust
02. Gloom
03. Honey
04. Best Friend
05. Walk On Fire
06. Baby Tiger
07. All I Want
08. Sway
09. Freeride
10. I’m Trying To Break Your Heart
11. Dreaming On


autor stipe07 às 15:48
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

YAST - When You’re Around

Os suecos YAST formaram-se em 2007 na localidade de Sandviken e no ano seguinte mudaram-se para Malmö, sendo, desde então, uma banda formada por Carl Jensen, Tobias Widman e Marcus Norberg. Em 2010 o trio passou a quinteto com a entrada de Markus Johansson e Niklas Wennerstrand, o baterista e o baixista dos Aerial. YAST, o disco homónimo, foi editado em fevereiro de 2013 por intermédio da Adrian Recordings e em 2015 chegará o sucessor.

A habitual melancolia escandinava é a pedra de toque da indie pop açucarada dos YAST, feita com uma fórmula que usa guitarras luminosas e uma percussão sempre mais subtil do que propriamente muito grave e vincada. As canções deste grupo não deixam de ter uma certa toada épica e simultaneamente lo fi, dois ítens bem patentes no curto mas conciso single When You're Around, o primeiro avanço desse trabalho.

As cordas são o mel que adoça o processo de composição dos YAST, algo que se saboreia claramente neste tema que terá outro sabor se for escutado num dia de sol radioso e que, por saber aquela brisa fresca que tempera os dias mais quentes sem ofuscar o brilho do sol, pode muito bem caber num ipod a caminho de uma das nossas praias no verão que se aproxima. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 16:53
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