Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

Jens Lekman - Life Will See You Now

Depois de em 2015 o músico e compositor sueco Jens Lekman ter voltado às luzes da ribalta com um assumido compromisso de todas as semanas compor e gravar um novo tema, através do seu projeto Smalltalk, do quel resultou o EP Ghostwriting, uma espécie de complemento dessa hercúlea tarefa onde o autor e a banda que o tem acompanhado transformaram as suas histórias pessoais em canções, assentes numa folk acústica intensa, próxima  e subtilmente encantadora, agora, no dealbar de 2017, este artista que desde 2000 tem revelado o seu charme melancólico e romântico com inegável bom gosto, está de regresso ao formato longa duração, com Life Will See You Now, o quarto álbum da sua carreira, editado a dezassete de fevereiro através da Secretly Canadian.

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Hábil poeta e permanentemente focado e apaixonado pelo processo de escrita e composição, Jens Lekman é exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e fá-lo de forma peculiar, convertendo simples sensações em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Neste trabalho, o modo como a sua voz e o piano se apresentam logo na abertura do tema homónimo, causando espanto, faz-nos também entender, com clareza, aquilo que nos espera, em dez canções onde o autor se particularmente intimista e reflexivo, sobrepondo as palavras dos seus poemas com uma evidente exaltação instrumental, necessária e preciosa para a materialização da clara honestidade poética e melódica que sempre o guiou. E essa permissa transforma-se, neste artista, num mecanismo eficaz de diálogo direto com quem se predispõe a ouvi-lo.

Na verdade, Lekman é único e universal a traduzir com simplicidade musical tudo aquilo que gostaríamos de expressar em momentos de maior dor e melancolia, mas também de euforia e exaltação.  What’s That Perfume That You Wear?, tema que inclui um sample do tema The Path de Ralph MacDonald, que data do ano 1978 e que é uma das músicas favoritas do sueco, é um notável exemplo do modo como Lekman retrata o tenebroso final de uma relação amorosa, mas de modo a fazer desse evento uma espécie de desabrochar e a possibilidade de um novo recomeço. E essa capacidade que Lekman tem de nos mostrar sempre o lado positivo e radioso de um qualquer evento, por muito catastrófico que possa parecer, é um dos seus maiores atributos sonoros, audível na exuberância não só das teclas, mas também das cordas e dos metais que tanto se escutam nas suas canções, que nunca descuram a busca de ritmos dançantes e de uma curiosa tropicalidade, também sublime na leveza divertida e primaveril de Wedding In Finistére. Outro bom exemplo dessa estranha dicotomia entre tragédia e celebração está plasmada em Evening Prayer, instante pop também bastante dançante e que se debruça sobre alguém que descobriu que tem cancro e que decide fazer uma cópia do tumor entretanto retirado do próprio corpo numa impressora 3-D. Outra notável canção deste trabalho é, sem dúvida, Our First Fight, composição onde o autor aprimora a sua habitual delicadeza e na pele de um contemporâneo trovador, arrasta-nos, através de soberbos arranjos, para um cenário bucólico bastante impressivo, onde a paixão dá lugar à saudade, o beijo converte-se em despedida e o que é aparentemente grandioso serve agora para nos confortar.

Produzido por Ewan Pearson (M83, Goldfrapp, Chemical Brothers), Life Will See You Now é um festim para os nossos ouvidos e uma boa dose de humor, um verdadeiro caleidoscópio de sensações realisticamente agradáveis, mas também profundamente reflexivas, em que cada uma das suas canções tem tudo para transformar-se num memorável clássico do indie pop, um disco que recheia o curriculum deste sueco com um atestado superior de magnificiência sonora, assente também versos pegajosos e um tipo de atmosfera quase mágica que apenas ele parece capaz de desenvolver. Espero que aprecies a sugestão...

Jens Lekman - Life Will See You Now

01. To Know Your Mission
02. Evening Prayer
03. Hotwire The Ferris Wheel
04. What’s That Perfume That You Wear?
05. Our First Fight
06. Wedding In Finistére
07. How We Met, The Long Version
08. How Can I Tell Him
09. Postcard #17
10. Dandelion Seed


autor stipe07 às 17:32
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

Next Stop: Horizon – The Grand Still

Quase cinco anos depois do maravilhoso disco de estreia We Know Exactly Where We Are Going e pouco mais de dois depois do excelente sucessorThe Harbour, My Home, a dupla Next Stop:Horizon está de regresso com The Grand Still, um trabalho que contém uma incomum riqueza pop, incubado por uma dupla oriunda de Gotemburgo, na Suécia e formada por Pär Hagström e Jenny Roos, dois músicos que, além de partilharem um pequeno apartamento, fazem música juntos e acreditam piamente que o mundo seria um local bem melhor se tivesse a possibilidade de ouvir as suas criações sonoras. Na verdade, depois de ouvir The Grand Still, compreendo este desejo, assente na presunção de que há uma elevada bitola qualitativa no produto que a dupla tem para nos oferecer e com a qual concordo. 

Foto de Next Stop: Horizon.

Influenciados por uma vasta rede de influências que vão do rock ao jazz, passando, pela folk europeia e a pop contemporânea, os Next Stop: Horizon gostam de escrever sobre a vida, a morte e tudo o que fica ali, exatamente no meio, desta vez com maior luminosidade, cor e alegria do que o disco antecessor, um trabalho que foi bastante marcado pela participação do projeto, na altura, na banda sonora de uma peça de teatro que se baseava num conto de Wilhelm Hauff chamado Das kalte Herz e onde a história girava em torno de um jovem ganancioso que vendeu o seu coração para conseguir fazer fortuna. Esta experiência teatral marcou profundamente a dupla e o processo de criação desse disco explica o clima algo denso e sombrio do mesmo, algo que não sucede em Grand Still, como, aliás, se percebe logo nos dois temas iniciais, muito vibrantes, efusivos e claramente festivos.

Cheio de canções com uma toada eminentemente sintética, fornecida por teclados inspirados, mas que são contrapostos pela percussão, muitas vezes com objetos inusitados e também pelos timbres de voz que vão sendo adicionados e que conseguem dar a algumas canções a oscilação necessária para transparecerem mais sentimentos, The Grand Still é um verdadeiro arco-íris de emoção, que nos deixa marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento no final da sua audição. A mixórdia, no sentido positivo do termo, em que se sustenta The Waltz, ou o jogo que se estabelece entre teclas, sopros e metais em A Fall Within A Fall, são bons exemplos do modo como estes Next Stop: Horizon conseguem ser calorosos e divertidos, ao mesmo tempo que mostram uma facilidade singular para elaborar melodias deliciosas. Depois, a forma coesa como os dois músicos se complementam fica evidente também em músicas como a mais climática e intrincada The Melting e no cândido sentimentalismo que abastece Where Are We Heading Baby. Mas as pérolas, quer vocais quer instrumentais não param por aí. É uma árdua tarefa encontrar alguma faixa de qualidade questionável em The Grand Still, já que durante as nove canções do disco o que se ouve é consistência pura.

Este é um registo discográfico que digere-se de modo agradável e onde os Next Stop: Horizon exploram um género sonoro que lhes permite revelar toda a sua essência, sem influências externas ou exigências do mercado, demonstrando um talento invejável e revelando uma alma pura que continua a ter muito a oferecer aqueles que, como eu, estão sempre sedentos por boa música. Espero que aprecies a sugestão...

Next Stop Horizon - The Grand Still

01. Everyone’s Earthquake
02. The Mixtape That I loved
03. The Waltz
04. Do It Anyway
05. The Melting
06. When We Get There We Will Know
07. Where Are We Heading Baby
08. A Fall Within A Fall
09. What If


autor stipe07 às 17:02
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2017

Tiger Lou – The Wound Dresser

O indie rock monumental e pulsante dos suecos Tiger Lou está de regresso, oito anos depois do anterior lançamento (A Partial Print, 2008), com The Wound Dresser, dez canções da autoria de um dos nomes mais relevantes do cenário alternativo local da última década e que viram a luz do dia em setembro do ano que recentemente findou. Formado em 2011 e concebido inicialmente como projeto a solo, Tiger Lou é uma criação do músico, cantor, compositor e multi-instrumentista Rasmus Kellerman, que se inspirou numa personagem do clássico cinematográfico Fong Sai Yuk, do realizador Corey Yuen, para dar nome a uma banda que se estreou pouco depois da fundação com o ep Trouble and Desire. A estreia no formato álbum aconteceu em 2004 com o muito aclamado Is My Head Still On?, ao qual se seguiu, logo no ano seguinte o disco, The Loyal. Atualmente, e principalmente durante as digressões e concertos, Kellerman é secundado em palco por Erik Welén (baixo e voz), Pontus Levahn (bateria) e Mathias Johansson (guitarra).

Tiger Lou - 2015 - Mathias Johansson

Como é quase norma dos grupos nórdicos que firmam carreira no indie rock de cariz mais rugoso e sombrio, existe uma intensa aúrea de sensibilidade e emoção em redor da música dos Tiger Lou. Com o baixo e a bateria sempre a marcarem de modo impressivo o andamento das canções e as guitarras plenas de efeitos que parecem, amiúde, planar em redor das teclas do piano e de efeitos sintetizados que buscam uma forte toada impressiva, é uma música que aponta diretamente ao âmago e que mesmo que liricamente seja intrincada, percebe-se que se debruça sobre as típicas agruras da existência humana e o facto de haver sempre uma saída e uma réstea de esperança, mesmo que o cenário atual não seja o mais luminoso.

Este é um estilo sonoro que faz escola há há trinta anos atrás em muitas bandas da região e, no caso de The Wound Dresser, há composições que realmente merecem figurar na lista de alguns dos melhores instantes sonoros deste universo sonoro, sugeridos nos tempos mais recentes. Assim, se canções do calibre da inebriante Undertow e o piscar de olhos ao típico punk rock nova iorquino personificado, acima de tudo, pelos Interpol de Paul Banks, no tema homónimo, assim como o pulsar categórico de Homecoming #2 personificam uma escalada sonora e vertiginosa ao universo indie rock cheio de adrenalina e com uma forte amplitude, assente em linhas agressivas de guitarra e um baixo encorpado, já o pueril piano lo fi de Untiled 3# sacode e traduz, na forma de música, alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo. Depois, a limpidez e claridade do incessante sintetizador que abraça Leap Of Love aponta numa curiosa direção, nomeadamente rumo à melhor pop oitocentista.

Nas dez canções deste alinhamento, Rasmus Kellerman partiu em busca de diferentes estímulos, de forma aparentemente bem calculada, notando-se que todos os arranjos e detalhes terão sido certamente ponderados, pois só assim se entende o audível aconchego da profusão de sons e de ruídos e poeiras sonoras que se encontram em The Wound Dresser. Todas as músicas são contagiantes, têm um ritmo eletrizante e a voz intensa e grave do grande mentos do projeto amplifica o toque de sentimentalidade da toada geral do disco que casa na perfeição com o registo mais doce e romântico de alguns dos poemas musicados.

Com momentos ruidosos, melancólicos, épicos e outros mais introspetivos, mas, quase todos, consideravelmente melódicos, The Wound Dresser é um disco que deve ser valorizado pela originalidade e pela contemporaneidade e por servir para provar, definitivamente uma identidade firme e coesa de uns Tiger Lou que, ao sétimo disco, mostram que merece uma superior projeção. Espero que aprecies a sugestão...

Tiger Lou - The Wound Dresser

01. You Town
02. Homecoming #2
03. California Hauling
04. Undertow
05. Untiled #3
06. Wound Dresser
07. Leap of Love
08. Bones of Our History
09. Rhodes
10. So Many Dynamos


autor stipe07 às 14:53
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Terça-feira, 28 de Junho de 2016

The Tallest Man On Earth – Time Of The Blue

The Tallest Man On Earth - Time Of The Blue

O sueco Kristian Matsson, que assina a sua música como The Tallest Man On Earth, acaba de divulgar Time Of The Blue, uma nova canção que é mais uma etapa evolutiva na carreira de um músico que desde a estreia, em 2008, com Shallow Grave, até a Dark Bird Is Home, o último disco de Matsson, editado o ano passado, cresceu sempre de modo sustentado e com cada vez maior aceitação e reconhecimento público.

O minimalismo acústico e eminentemente folk deste tema, em oposição com o sentimentalismo que dele transborda, remete Time Of The Blue para os primórdios da carreira do autor, havendo algo de aboslutamente profundo e perene nesta canção que catapulta The Tallest Man On Earth para um patamar superior de exuberância lírica. O próprio excelente vídeo do tema, realizado por Rolf Nylinder, amplia esta sensação. Confere...

 


autor stipe07 às 22:51
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Sábado, 26 de Dezembro de 2015

The Sweet Serenades – Animals

Os suecos The Sweet Serenades são uma dupla natural de Estocolmo, formada em 2002 por Martin Nordvall e Mathias Näslund, mas já se conhecem há vários anos, sendo amigos de longa data desde 1991. Depois de terem editado quase no ocaso de 2012 o estrondoso Help Me!, através da Leon Records, um selo da própria banda, estão de regresso com Animals, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no início do passado mês de outubro. O grupo estreou-se nos discos em 2009 com Balcony Cigarettes, rodela que continha On My Way, Mona Lee e Die Young, três canções que, à época, fizeram furor no universo musical indie e alternativo. Esse último tema fez parte da banda sonora da Anatomia de Grey e reza a lenda que gastaram os royalties muito bem gastos; Martin foi ao dentista, Mathias comprou um cão e investiram numa rouloute, para passar o tempo, escrever canções e discutir assuntos pertinentes relacionados com a existência humana.

Um dos atributos maiores desta dupla sueca é ser dona de uma sonoridade muito própria e estilisticamente vincada, apropriando-se de algumas das melhores caraterísticas da pop nórdica oitocentista e do indie rock de século passado, com um toque identitário muito próprio e impregnado com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciado com devoção. Escuta-se When The Man Calls e testemunha-se com exatidão todos os atributos que esta dupla tem cultivado na sua discografia, através de uma canção que contém a impressão firme de todas as nuances que caraterizam o som do grupo e que são transversais a toda a sua discografia.

Assim, um baixo com um groove e um efeito muito próprio, que, neste Animals, coloca todas as fichas na condução de temas como Fireworks ou In The Dark e uma guitarra enérgia mas cativante e abraçando diferentes géneros e estilos, já que é irrepreensível no modo como ilumina, por exemplo, Come Out And Play e como aproxima os The Sweet Serenades do punk rock mais obscuro e contemplativo em Ready For War, são os dois grandes alicerces desta matriz particularmente intensa e sem paralelo. No entanto, sintetizadores aditivos, inspirados em canções como In The Dark ou no homónimo e uma bateria enérgica e indomável, são outros ingredientes de que esta dupla se serve para nos oferecer melodias cativantes, alegres, aditivas, divertidas e luminosas, daquelas que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. Mesmo em momentos mais soturnos e melancólicos, como Too Late To Dance, canção que ocnta com a participação especial de Karolina Komstedt na voz, os The Sweet Serenades não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e se debruçar em sonhos por realizar, não colocam em causa o espírito cativante de uma música simples e intrigante, feita de intimismo romântico e que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação.

O que aqui temos é, no fundo, uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos e que, por esse e tantos outros motivos que só uma audição dedicada explica, reforçam a justeza da obtenção por parte destes The Sweet Serenades de uma posição de maior relevo, reconhecimento e abrangência junto do público em geral. Espero que aprecies a sugestão...  

The Sweet Serenades - Animals

01. Come Out And Play
02. Fireworks
03. In The Dark
04. Ready For War
05. When The Man Calls
06. Never Gonna Stop
07. Too Late To Dance
08. Echoes
09. Animals
10. Stand By Me


autor stipe07 às 21:00
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2015

Mando Diao – Leave No Trace Behind

Mando Diao - Leave No Trace Behind

Os suecos Mando Diao andam por cá desde 2001 e ganharam enorme notoriedade após o lançamento do segundo álbum Hurricane Bar. Conheci-os em 2009 quando, em Give Me Fire, se podia ouvir Gloria e Dance With Somebody, dois temas que os colocaram definitivamente no meu radar. Três anos depois, impressionaram-me novamente graças a Infruset, um disco cantado integralmente em sueco e que marcou uma transformação sonora na banda, até então fortemente influenciada pelo rock de garagem norte americano, mas a virar agulhas para um som mais límpido e sensível, além de não renegarem as suas origens.

Leave No Trace Behind, um novo tema disponibilizado pelos Mando Diao e composto para o projeto Let The Baltic Sea Life, que pretende chamar a atenção para os graves problemas ambientais que assolam o mar Báltico, é mais um passo em frente nesta inflexão sonora brilhante, oferecendo-nos uns Mando Diao sagazes no modo como conseguem captar a essência emocional particularmente melancólica das paisagens que o país de origem da banda oferece ao mundo, à boleia de uma melodia plena de groove, mas também serena, luminosa e bastante introspetiva. Confere...


autor stipe07 às 16:18
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015

The Orange Revival – Futurecent

Eric, Christian e Andreas são os The Orange Revival, uma banda sueca de indie rock psicadélico, que causou furor em 2011 com Black Smoke Rising, um trabalho que os colocou debaixo dos holofotes mais atentos e que já tem finalmente sucessor. Lançado por inteemédio da Fuzz Club Records, Futurecent é o novo álbum destes The Orange Revival, sete canções que não envergonham a herança sonora que os anos sessenta do século passado nos deixaram, feita com uma elevada dose de hipnotismo, apimentada com uma percussão vibrante, riffs de guitarra abrasivos e cheios de fuzz e teclados plenos de efeitos com elevado teor lisérgico.

Escuta-se Saturation, o tema que abre o alinhamento de Futurecent e percebe-se desde logo o modo como este espetacular tratado sonoro aditivo, rugoso e viciante, nos leva rumo a uma pop psicadélica muito caraterística e que nos é particularmente familiar, não só devido ao solo e ao riff da guitarra, que exibe linhas e timbres muito peculiares, mas também devido ao modo como os restantes instrumentos se vão agregando em seu redor, num saudável experimentalismo que não inibindo os The Orange Revival de serem concisos e diretos no modo como se apresentam, mostra novos atributos e elevada competência relativamente aos procedimentos de separação dos diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância não só a esta mas, como se percebe depois, às restantes canções do disco. Na verdade, a distorção do teclado de Lying In The Sand e a linha de guitarra que o acompanha e a luminosidade das cordas que orientam a planante Setting Sun, são apenas mais dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes deste trio, mas também marcas impressivas de um posicionamento melódico ímpar e que busca a criação de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também acessíveis e do agrado de um público particularmente abrangente. Carolyn é o exemplo maior deste passo em frente relativamente à estreia, uma catarse psicadélica com mais de sete minutos, assente numa linha de guitarra distorcida inspirada, teclas efusivas e alguns detalhes percussivos que nos fazem dançar em altos e baixos divagantes e que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, uma canção onde os The Orange Revival apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferece um verdadeiro compêndio de acid rock, despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Futurecent eleva os seus autores para um patamar superior de qualidade e de inedetismo quando se compara este trabalho com tudo o que apresentaram antes. Proposto por um trio sueco que parece viver numa espécie de hipnose e que se serve desse estado de alma simultaneamente profundo e juvenil para incubar uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose, este é um disco que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, abraça várias vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade criativa, confiante e luminosa que está impressa no adn destes The Orange Revival. Espero que aprecies a sugestão...

The Orange Revival - Futurecent

01. Saturation
02. Lying In The Sand
03. Speed
04. Setting Sun
05. Carolyn
06. 1999
07. All I Need


autor stipe07 às 20:31
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015

Jens Lekman – Ghostwriting EP

Após um breve hiato, o músico e compositor sueco Jens Lekman voltou às luzes da ribalta neste ano de 2015 com um assumido compromisso de todas as semanas compor e gravar um novo tema, através do seu projeto Smalltalk. Ghostwriting, o seu mais recente ep, é uma espécie de complemento desta hercúlea tarefa, um documento sonoro com cinco temas em que o autor e a banda que o tem acompanhado transformam as suas histórias pessoais em canções, assentes numa folk acústica intensa, próxima  e subtilmente encantadora.

Hábil poeta e permanentemente focado e apaixonado pelo processo de escrita e composição, Jens Lekman é exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e fá-lo de forma peculiar, convertendo simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional.

Neste pequeno compêndio absolutamente obrigatório, Lekman mostra-se particularmente intimista e reflexivo, sobrepondo as palavras destes poemas escritos na sua linguagem materna  a uma menor exaltação instrumental, necessária e preciosa para a materialização de uma clara honestidade poética que, do modo como é plasmada por este ator, transforma-se num mecanismo eficaz de diálogo direto com quem se predispõe a ouvi-lo. Na verdade, Lekman é único e universal a traduzir com simplicidade musical tudo aquilo que gostaríamos de expressar em momentos de maior dor e melancolia e este EP comprova-o com notável bom gosto e exatidão. Espero que aprecies a sugestão...

Jens Lekman - Ghostwriting

01. Träskepp
02. Min Pappa Är Död
03. Det Måste Ha Varit Kärlek
04. Trollkarlen
05. Tekniskt Avregistrerad


autor stipe07 às 16:48
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2015

Alpaca Sports – When You Need Me The Most EP

Oriundos de Gotemburgo, na Suécia, os Alpaca Sports têm já um cardápio sonoro interessante e que tem apostado numa sonoridade com aquele espírito tipicamente nórdico, cheio de traços que cruzam pop e psicadelia, com uma tonalidade muito própria e que amplia o espírito claramente juvenil de canções que contêm, quase sempre, um ambiente festivo e uma luminosidade muito própria.

O conceito de intensidade, neste caso nas guitarras e na percussão, mas também nos efeitos e arranjos, é transversal às sete canções de When You Need Me The Most, o novo trabalho deste grupo, um EP que é também um mini álbum e que exalta aquela ligeireza juvenil, fazendo-o à boleia de melodias bastante orelhudas, simples no processo mas eficazes no modo como se entranham e às quais é,por isso, impossível resistir.

Just Like Them, a canção que abre o alinhamento de When You Need Me The Most é um excelente exemplo da capacidade inebriante que os Alpaca Sports têm de nos convidar a darmos as mãos e fazermos uma roda em seu redor, enquanto dançamos ao som de uma canção que brilha no modo como palpita, guiada por uma guitarra que parece ter vida própria e que em determinados instantes até nem receia ousar. Depois, e tomando como exemplo a notável e festiva Need Me The Most, canção que pisca o olho a um certo travo mais melancólico, ficamos impressionados pelo modo harmonioso como os Alpaca Sports conseguem, com particular doçura e convicção, não resvalarem nunca para exageros desnecessários, conseguindo assim manter intato um precioso charme genuíno e provando que estamos na presença de uma banda criadora de belos instantes sonoros, que se estendem pelos nossos ouvidos sem a mínima sensação de desconforto.

O que não falta neste trabalho são canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que dão expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana. Além dos exemplos já referidos, quando no efeito curioso e na folk de There's No One Like You, nos metais e nos sopros de Where’d You Go e na inocência que brota de todos os acordes da efusiva I Love You esta banda sueca se serve da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, nunca rouba às cordas o merecido protagonismo, plasmado com um romantismo e uma cândura que nos confrontam com a nossa natureza, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Talvez seja do clima sueco, ou do frio polar que obriga a que mentes que viajam constantemente entre a ressaca e um estado mais ébrio, tenham de se aquecer de qualquer forma, a verdade é que estes Alpaca Sports conseguem esse efeito reconfortante através da sua música, sem dúvida uma excelente porta de entrada para um mundo mais ternurento e acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

01. Just Like Them
02. Need Me The Most
03. There’s No One Like You
04. I Love You
05. Where’d You Go
06. When I Hold You
07. My Favourite Girlfriend


autor stipe07 às 22:21
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Domingo, 4 de Outubro de 2015

Observer Drift – Echolocation

Collin Ward é Observer Drift, um músico norte americano de Bloomington, em Minneapolis, que se estreou nos lançamentos discográficos com Corridors, em 2012. Fjords, o sucessor, foi editado em maio do ano seguinte e agora chegou a vez de ver a luz do dia Echolocation, um compêndio de catorze canções disponível para audição e download no bandcamp do projeto pelo preço que quiseres.

O terceiro disco de Observer Drift tem impressas as marcas de crescimento típicas da passagem para a vida adulta. Mais crescido e maduro, este músico com raízes suecas mantém o centro da sua música nas aspirações pessoais, mas de modo um pouco mais sombrio e amargurado. Observer Drift escreve muito sobre crescer e mudar, explorar o inexplorado e assumir mais riscos, com uma elevada dose de espontaneidade, cabendo a nós próprios, ouvintes, não só decifrar o verdadeiro signficado de cada poema, como também, se tivermos essa pretensão, atribuirmos um significado próprio, cuja variação poderá ser justificada com a forma como cada um de nós vivencia a audição do mesmo, tendo em conta a base sonora e instrumental que o suporta, algo que causará, certamente, diferentes sensações nos ouvintes. E essa audição acontece à boleia de uma dream pop muito suave e luminosa, cheia de elementos eletrónicos, nomeadamente sons em reverb e batidas sintetizadas e algumas guitarras que criam melodias com um elevado cariz etéreo e shoegaze. Se o longo abraço entre R&B e eletrónica que se escuta no tema homónimo, uma canção que parece ter sido embalada num casulo de seda e em coros de sereia e que faz de Observer Drift um novo trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker, a espiritualidade negra e o falsete de Bon Iver, impulsionado por uma melodia doce com um leve toque de acidez, mas que se escuta com invulgar fluidez, também nos efeitos suaves e planantes do sintetizador e da percussão de When You Disappear, na imponente Time Stands Still e na vibrante de The Long Run, assim como no dedilhar da guitarra de Analysis Paralysis e na crescente e solarenga I Have Your Back, sentimo-nos tocados por um disco onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado. É uma cúpula entre, pop, rock e eletrónica, quente e assertiva e que ao longo do alinhamento vai convocando para a orgia outros sub géneros da pop, que vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, enquanto saboreiam mais  um final de tarde glamouroso no início deste outono.

A audição dos treze temas de Echolocation é uma experiência sonora muito enriquecedora e apetecível, uma viagem contemplativa não só ao mundo pessoal do músico que criou o disco, como também ao nosso próprio universo, real ou imaginário, porque estamos na presença de treze temas que nos convidam a sonhar sem receios e, simultaneamente, a refletir sobre a nossa própria existência. Espero que aprecies a sugestão...

Observer Drift - Echolocation

01. When You Disappear
02. The Long Run
03. Echolocation
04. Time Stands Still
05. Fire In The Southern Sky
06. Tired Hands
07. Let The Call Go Out
08. Same Way
09. Too Bright
10. Daniel
11. Strength Of A Storm
12. So Mysterious
13. Analysis Paralysis
14. I Have Your Back


autor stipe07 às 21:44
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