Sexta-feira, 24 de Março de 2017

Gorillaz - Saturn Barz (feat Popcaan)

Depois de há alguns dias atrás a página oficial do órgão Phonographic Performance Limited, entidade que no Reino Unido regista novas canções de artistas do país, ter criado enorme alarido ao informar que novos temas dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, estariam prestes a ver a luz do dia, eis que acaba de ser divulgado o título do novo álbum deste projeto liderado por Damon Albarn, assim como a sua data de lançamento e respetivo alinhamento de canções.

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Assim, Humanz, o próximo disco dos Gorillaz, produzido pelo próprio Damon Albarn e primeiro da banda desde The Fall (2011), irá ver a luz do dia a vinte e oito de abril e terá dezanove canções e seis interlúdios, que incluirão a participação especial de nomes tão relevantes como Mavis Staples, Carly Simon, Grace Jones, De La Soul, Jehnny Beth das Savages, Pusha T, Danny Brown, Vince Staples, Kelela e D.R.A.M., entre outros. Humanz foi gravado em cinco locais diferentes, nomeadamente Londres, Paris, Nova Iorque, Chicago e na Jamaica.

Com o anúncio destes detalhes do novo disco dos Gorillaz, foi também dado a conhecer o vídeo integral, realizado por Jamie Hewlett, de Saturnz Barz, o primeiro single retirado de Humanz e que conta com a participação especial vocal de Popcaan, assim como excertos de Ascension, Andromeda e We Got The Power, outras três canções do álbum, também já disponíveis para audição integral, abaixo.

1. Ascension feat. Vince Staples
2. Strobelite feat. Peven Everett
3. Saturnz Barz feat. Popcaan
4. Momentz feat. De La Soul
5. Submission feat. Danny Brown & Kelela
6. Charger feat. Grace Jones
7. Andromeda feat. D.R.A.M.
8. Busted and Blue
9. Carnival feat. Anthony Hamilton
10. Let Me Out feat. Mavis Staples & Pusha T
11. Sex Murder Party feat. Jamie Principle & Zebra Katz
12. She’s My Collar feat. Kali Uchis
13. Hallelujah Money feat. Benjamin Clementine
14. We Got The Power feat. Jehnny Beth
Bonus material on Deluxe:
15. The Apprentice feat. Rag’n’ Bone Man, Zebra Katz & RAY BLK
16. Halfway To The Halfway House feat. Peven Everett
17. Out Of Body feat. Kilo Kish, Zebra Katz & Imani Vonshà
18. Ticker Tape feat. Carly Simon & Kali Uchis
19. Circle Of Friendz feat. Brandon Markell Holmes

 


autor stipe07 às 09:14
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Quarta-feira, 1 de Março de 2017

Meursault - I Will Kill Again

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os Meursault de Neil Pennycook estão de regresso aos discos, quase cinco anos depois do antecessor, com I Will Kill Again, dez canções que refletem de modo preciso o título do trabalho, já que se debruçam naquela ideia de que todos nós temos um lado mais obscuro e que muitas vezes, nos nossos momentos de maior dilema, acabamos por criar duas personagens distintas no nosso eu, com cada uma a puxar-nos para o lado que mais lhe interessa Para tornar ainda mais realísticas estas canções, Neil criou para elas duas personagens, um escritor chamado William e uma fantasma, a Sarah.

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Os Meursault estiveram em suspenso durante um determinado período de tempo, em 2014, porque Neil sentiu algumas dificuldades em responder positivamente aos anseios e às exigências cada vez maiores quer de fãs quer da própria crítica, em relação à música da banda. No entanto, estas canções já vinham a ser incubadas há quatro anos e em boa hora foram gravadas já que, como facilmente perceberão, permitem-nos usufruir de lindíssimos instantes sonoros, quer instrumentais quer poéticos, conduzidos quase sempre por pianos e cordas, numa toada geral bastante charmosa e com uma curiosa contemporaneidade. É uma espécie de simbiose entre uma folk introspetiva, com a indie pop e a música de câmara e sonoridades mais clássicas, como se percebe logo no delicioso instante acústico Ellis Be Damned e na toada mais jazzística e algo boémia de Belle Amie, mas também na luminosidade dos efeitos que brotam da guitarra de The Mill e no abraço que as cordas da viola e as teclas do piano dão na toada pastoral de Ode To Gremlin e na turbulência algo sombria e engimática, mas contundente de Klopfgeist.

I Will Kill Again é um refúgio bucólico pensado para nos fazer amainar um pouco em instantes de dúvida e de tempestade. Pode ajudar-nos a clarificar a a assentar ideias e a refletir sobre as melhores saídas para algumas decisões, até porque não hesita em mostrar-nos as duas faces da mesma moeda que personifica a construção da nossa identidade enquanto ser pensante, mas também emotivo. Para que tal suceda de modo fluído e espontâneo, existe uma tranquilidade acústica ao longo do álbum e os temas são guiados por uma profunda gentileza sonora, que acaba por funcionar como uma espécie de recomendação subtil, que fica a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. Espero que aprecies a sugestão...

Meursault - I Will Kill Again

01. …
02. Ellis Be Damned
03. The Mill
04. Ode To Gremlin
05. Klopfgeist
06. Oh, Sarah
07. Belle Amie
08. Gone, Etc…
09. I Will Kill Again
10. A Walk In The Park


autor stipe07 às 15:56
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016

Glass Animals - How To Be A Human Being

Depois de Zaba (2014), o disco de estreia, os britânicos Glass Animals estão de regresso aos discos com How To Be A Human Being, dez canções com uma sonoridade eletrónica algo minimal mas, ao mesmo tempo, rica em detalhes e com um groove muito genuíno e uma atmosfera geral dançante, mas também muito introspetiva e sedutora.

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Life Itself, o primeiro avanço divulgado do álbum e onde encaixa indie popfolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito que nos faz descobrir a complexidade do tema à medida que o vamos ouvindo de forma viciante, esclareceu, no imediato, que o novo capítulo discográfico destes Glass Animals seria suportado por sintetizadores inspirados e que parecem ter sempre uma função específica. E a verdade é que à medida que avançamos no seu alinhamento constatamos a salutar complexidade do processo criativo dos Glass Animals, algo viciante e onde também abundam harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pelas canções e que se deixam afagar livremente pleos manto sonoro que as sustenta.

Na relação profícua entre baixo e metais em Youth ou no clima quente da batida R&B e plena de soul de Pork Soda, ampliada por vários samples impressivos, é marcante a sensação que no estúdio dos Glass Animals os temas nascem lentamente, como se tudo fosse escrito e gravado ao longo de vários anos e com particular minúcia. Saborear uma vida plena requer um total desrespeito pela implacável passagem do tempo rotineiro e estes Glass Animals mostram-nos como é possível deixarmo-nos espraiar por canções com prazer, conduzidos por essa tal lentidão. Esta elevada dose de sensualidade de How To Be A Human Being é uma sensação que naturalmente se saúda num alinhamento que, como o título indica, pretende celebrar as sensações únicas e genuínas que são intrínsecas à condição humana e que o teclado minimal oitocentista de Cane Shuga e o efeito sintetizado abrasivo de The Other Side Of Paradise tão bem encarnam, não sendo também de descurar a curiosa amálgama instrumental efusiante de Take A Slice e os metais de Mama's Gun, duas canções que abarcam os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop, mas também à Brooklyn dos anos setenta, em pleno ressurgimento da melhor música negra. E depois, a cereja em cima do bolo acaba por ser a guitarra de Poplar St, canção que sobrevive algures entre a soul, a eletrónica e o blues rock lo fi mais ambiental, uma receita assertiva onde não falta uma prestação vocal intensa.

Sem grandes alaridos ou aspirações, How To Be A Human Being são pouco mais de quarenta minutos assentes num ambiente sonoro intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza, uma melancolia digital que enriquece aquele que é um dos grandes discos do ocaso deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Animals - How To Be A Human Being

01. Life Itself
02. Youth
03. Season 2 Episode 3
04. Pork Soda
05. Mama’s Gun
06. Cane Shuga / [Premade Sandwiches]
07. The Other Side Of Paradise
08. Take A Slice
09. Poplar St.
10. Agnes


autor stipe07 às 14:28
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2016

The Loafing Heroes - The Baron in the Trees

Com a tenda montada em Lisboa mas com músicos oriundos de diferentes países e proveniências, os The Loafing Heroes são um encontro internacional de ideias musicais de vários países liderado pelo vocalista e guitarrista Bartholomew Ryan (Irlanda), ao qual se juntam Giulia Gallina (Itália) na voz e concertina, João Tordo (Portugal) no contrabaixo, Judith Retzlik (Alemanha) no violino, xilofone e trompete, Jaime McGill (Estados Unidos) no clarinete baixo, e João Abreu (Portugal) na percussão. Hoje chegou aos escaparates The Baron in the Trees, o quinto registo de originais do cardápio do projeto, doze canções buriladas durante dois anos e que misturam lindos poemas com pop, folk, world music e até alguns detalhes típicos da música dita mais erudita e pitadas de blues e jazz, detalhes que se abastecem de uma voz sentida, dedilhares de cordas vibrantes e emotivos, sopros sublimes e a percussão, o contrabaixo e o violino a darem substância e cor às melodias.

A curiosa explicação para o nome deste projeto foi divulgada pelos próprios numa excelente entrevista que podes conferir logo após esta crítica e baseia-se nos loafing heroes de Milan Kundera, heróis errantes que têm direito a tal distinção por serem pessoas que vivem a vida com aparente vulgaridade, mas que vão-se fortalecendo e orientando a sua demanda terrena através de valores comuns e que entroncam no sentimento maior chamado amor.

Num disco abissal, produzido pelo berlinense Tad Klimp, canções como a meiga Loyal To Your Killer, a feminina Gypsy Waltz e a enleante e sedutora Gates Of Gloom, assim como a narrativa impressiva que conduz God's Spies ou a imensidão épica que exala de um espantoso edifício sonoro, simultanamente conciso e onírico, chamado Javali, que abriga um homem só, que ajudado por uma maravilhosa guitarra, murmura sobre o fim do amor, debruçam-se em histórias que podem ser apropriadas por todos nós, já que além desse sentimento maior, também abarcam o tema da perda e da regeneração constante do ser humano, conforme afirmam os próprios The Loafing Heroes, que não esquecem a escrita de nomes tão díspares como Calvino ou Pessoa como outros exemplos inspiradores.

Escutar The Baron In The Trees, um disco melodicamente bastante sedutor, é descobrir um magnífico psicotrópico mental verdadeiramente eficaz e aditivo, sem falsos pressupostos, intenso e genuíno. O seu alinhamento tem um valor natural e genuíno e não precisa de uma análise demasiado profunda para o percebermos, até porque um dos seus grandes atributos, enquanto disco, é não ser demasiado intrincado ou redundante no que concerne aos arranjos e ao arsenal instrumental de que se serve, algo que só demonstra a relevância destes The Loafing Heroes no universo nacional atual, um coletivo em constante mutação, que regressou em grande, com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...

O Outro Lado

Gypsy Waltz

Collapsing Star

Crossing Roads

Nightsongs

Loyal To Your Killer

Gates Of Gloom

Rag & Bone

Caitlin Maude

Soul

God's Spies

Javali

Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de The Baron In The Trees, o vosso novo registo discográfico, começo com uma questão clichê… Como é que nasceu este projeto, já com vários discos em carteira, com músicos de diferentes origens e tão cosmopolita?

Não é o primeiro registo... a banda já tem cinco discos! A banda surgiu quando o vocalista e compositor principal, Bartholomew Ryan, estava na Dinamarca – juntou-se com outros músicos e formaram os Loafing Heroes, banda de inspiração errante, vagabunda, com variadíssimas formações até chegar à formação que tem hoje. Depois passou por Berlim e, finalmente, Lisboa, onde toca com uma italiana, um português, uma alemã, um inglês, uma americana...o projecto nasceu da vontade de fundir música com poesia e literatura, a inspiração vem de Milan Kundera, que fala dos “loafing heroes” de outrora, heróis que erram pela vida sem propósito aparente, assimilando tudo.

Com canções que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da folk, mas onde não faltam pitadas de blues e jazz e que se abastecem de uma voz sentida, dedilhares de cordas vibrantes e emotivos, sopros sublimes e a percussão, o contrabaixo e o violino a darem substância e cor às melodias, The Baron In The Trees é, na minha opinião, uma coleção de canções particularmente inspirada. Que tipo de anseios e expetativas criaram para este novo passo do vosso já notável percurso?

Algum anseio, alguma expectativa, mas quase nenhuma, isto é, sabemos que temos canções muito bonitas mas também sabemos que o mundo está “saturado” de informação, que há milhões de bandas por aí fora e que é difícil “quebrar” o mainstream e fazer música como nós fazemos – bonita, simples nas harmonias mas complexa nos arranjos, música que parece vir de outro tempo mas “aterra” em 2016 sem necessidade de ser cool, hip ou trendy. Por isso as expectativas não são de grandes sucessos nem de aplauso constante, mas de irmos encontrando aqueles que se identificam connosco neste caminho e de ir fazendo música que toque o coração das pessoas, inspirada pelos grandes prosadores e contadores que a humanidade conheceu – de Italo Calvino a Fernando Pessoa, tudo vai passando por aqui.

Olhando um pouco para a lírica das canções, predomina a escrita na primeira pessoa e, também por isso, parece-me ter havido uma opção pouco ficcional e quase autobiográfica, em vez da criação, na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais os The Loafing Heroes nunca teriam à partida de se comprometer. Acertei na mouche ou o meu tiro foi completamente ao lado?

Há elementos naturais e reais e outros ficcionados. As canções contam muitas histórias, quase todas elas relacionadas com o tema da perda e da regeneração constante do ser humano. O álbum anterior, Crossing the Threshold, apontava neste sentido: uma fronteira atravessada e um novo começo, no limiar de uma descoberta sobre o amor, os outros, o nosso destino no mundo. As histórias contadas vêm complementar estes temas abundantes na nossa música. Sim, há personagens – como o solitário em “Javali” que denuncia o fim do amor, ou a enigmática personagem feminina em Gypsy Waltz, que tenta seduzir um homem para o enfeitiçar; ou alguém perdido numa floresta, em “Soul”, acometido do vazio existencial e prestando atenção aos animais que encontra; mas todas estas histórias cabem na Grande História humana, a da procura de sentido.

Confesso que o que mais me agradou na audição de The Baron In The Trees foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma riqueza e uma exuberância ímpares. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?

As melodias foram sendo construídas ao longo de dois anos, dois anos e meio. O produtor, Tad Klimp, que veio de Berlim para fazer o disco, teve muita influência nesta riqueza e subtilieza do disco, que nos parece muito bonito mas sem ser excessivo – tudo está na conta certa. Foi isto em que pensámos inicialmente? Sim, sabíamos que tínhamos músicos tecnicamente excepcionais e outros músicos que, sem ser de excepção, têm uma sensibilidade muito própria para temas folk e indie, muito identificados com a banda. É uma mistura curiosa de instinto e técnica o que produz esta arte muito particular dos Loafing Heroes. Não somos uma banda normal nesse sentido – o que fazemos é raro porque mistura arte, técnica, literatura e orquestrações cuidadas, tudo dentro da estética folk que podia vir directamente do final dos anos 60.

Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é a química nos The Loafing Heroes? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?

Há um “elemento dominador”, o Bartholomew Ryan, que escreve a grande parte das canções e portanto vamos trabalhando a partir das estruturas que ele envia para todos os outros. Mas há canções que surgiram de ensaios, como “Javali”, por exemplo, que partiu de um riff de guitarra muito simples e foi construída a partir daí; ou Caitlin Maude, que a Giulia Gallina inventou ao piano e, no disco, surge sobre outra forma. Há um lado espontâneo, sim, cada vez mais, e menos “dependência” de um único criador, mas continua a ser um trabalho mais de laboratório do Bartholomew, por vezes, e um trabalho de banda, por outras.

Adoro a canção Javali, um longo tema que sabe a despedida, cheio de nuances e com uma guitarra que me encheu as medidas. E o grupo, tem um tema preferido em The Baron In The Trees?

Sim, todos concordamos que essa é a nossa preferida: Javali. Teve uma geração espontânea dentro do grupo e todos adoramos a canção. Representa este álbum na perfeição.

The Baron In The Trees foi produzido pela própria banda, com o apoio de Tad Klimp. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início e foi desde sempre uma imposição vossa? E porque a tomaram?

Depois do último álbum, que tinha sido de estúdio, decidimos que íamos gravar em casa – o produtor, Tad Klimp (um génio!) foi “marcado” com um ano de antecedência. E  a gravação foi muito bonita, tudo feito em casa com aparelhos vintage dos anos 70, microfones antigos, etc. Daí o som tão bonito do álbum.

Para terminar, em relação à apresentação e divulgação de The Baron In The Trees, onde podemos ver os The Loafing Heroes a tocar num futuro próximo?

Musicbox no dia 6 de Maio, FNAC Oeiras no dia 7 de Maio e NOS Alive no dia 8 de Julho!


autor stipe07 às 21:24
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Sábado, 24 de Outubro de 2015

EL VY – Return To The Moon

Com o ocaso da digressão de promoção de Trouble Will Find Me (2013), o último disco dos norte americanos The National, os membros da banda resolveram virar agulhas para alguns projetos paralelos. Recordo, por exemplo, o projeto Pfarmers que se estreou com o espetacular disco Gunnera, para mim já um dos marcos discográficos deste ano, da autoria de um super grupo do qual fazem parte Danny Seim (Menomena e Lackthereof), mas também Bryan Devendorf, o baterista dos The National e Dave Nelson (David Byrne, St. Vincent, Sufjan Stevens).

Matt Berninger, o vocalista da banda nova iorquina, também resolveu apostar em algo diferente e juntou-se a Brent Knopf (Menomena, Ramona Falls) para produzirem juntos o disco de estreia de um projeto intitulado EL VY. Esse álbum intitula-se Return To The Moon (2015), chegou recentemente às lojas através da 4AD e logo pela amostra do single homónimo, o primeiro tema divulgado, percebeu-se que estes EL VY apostam as fichas todas na voz grave de Berninger, mas os arranjos melódicos, o refrão simples e os versos acessiveis indicam uma explícita toada mais pop e luminosa do que o habitualmente escutado nos The National, ampliada também por boas guitarras e alguma sintetização.

Ainda mal se estrearam, mas a verdade é que estes EL VY carregam já uma aúrea intensa, que faz deles  foco de atenção, devido à carreira longa e qualitativamente elevada dos seus membros com ambos, e em especial Berninger, a serem um dos nomes fundamentais da cultura musical do novo século. Na verdade, este Return to The Moon é uma verdadeira jornada sentimental e realística pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que encarna atualmente um desejo claro de renovação, explorando habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão de rock, com a pop, o jazz e a folk, de uma forma direta e luminosa, mas também, em alguns instantes, densa e marcadamente experimental.

É evidente a sensação de prazer que qualquer conhecedor profundo da carreira dos músicos dos EL VY sente ao escutar este trabalho e acaba por ser natural expressarmos aquilo que sentimos acerca de Return To The Moon, exalando uma excitante sensação de alívio, porque se mantém intocável a vontade e a capacidade criativa destes autores para a renovação constante do seu ambiente particular, sem colocar em causa algumas permissas essenciais que identificam e tipificam o som específico dos seus projetos de origens. Se o tema tema homónimo deslumbra pelo esplendor das guitarras e o acerto dos teclados, a rugosidade algo jazzística de I’m The Man To Be e o dedilhar das cordas de Paul Is Alive, conjugado com os arranjos percussivos inéditos e outros recursos sonoros de cariz geralmente sintético, exprimem o modo asseado e inspirado como esta nova banda olha para as tendências atuais mais bem aceites pelo público. Need A Friend e  Happiness, Missouri acabam por ser o auge desta evidencia, pela forma como os EL VY exploram nessas canções uma ligação estreita entre a psicadelia, o rock alternativo e a pop, através de uma certa ironia pouco comum, mas com resultados práticos extraordinários.

Depois, no restante alinhamento de Return to The Moon, são outros os exemplos do modo como os EL VY em vez de se fecharem no seu próprio casulo, parecem estar muito atentos à realidade atual, enquanto se mostram particularmente inspirados e num elevado nível qualitativo na visão caleidoscópica que plasmam nesta estreia. O cariz boémio e nublado que dá vida à alegoria funk pop Silent Ivy Hotel, um tema que não receia abusar dos detalhes eletrónicos e de outros detalhes metálicos é outro sinal claro desse avanço, que a riqueza dos arranjos das cordas da reflexiva It's A Game, o ambiente nostálgico de No Time To Crank The Sun, ou as guitarras e o xilofone de Sleepin’ Light, tema que conta com a participação espeical de Ural Thomas, também evidenciam.

Tentativa bem sucedida de oferecer algo inovador, empolgante e orquestralmente rico, Return To The Moon é um álbum heterógeneo onde se cruzam diversos espetros sonoros com impressionante bom gosto e onde se escuta um certo caos, sempre controlado e claramente ponderado, rico, exuberante e impecavelmente produzido. Nele, estes EL VY oferecem-nos onze canções que borbulham um forte sinal de esperança e de renascimento, sementes que vão provavelmente conquistar para o grupo públicos diferentes daqueles que acompanham os projetos de onde os músicos são originários. Espero que aprecies a sugestão...

EL VY - Return To The Moon

01. Return To The Moon (Political Song For Didi Bloome To Sing, With Crescendo)
02. I’m The Man To Be
03. Paul Is Alive
04. Need A Friend
05. Silent Ivy Hotel
06. No Time To Crank The Sun
07. It’s A Game
08. Sleepin’ Light (Feat. Ural Thomas)
09. Sad Case
10. Happiness, Missouri
11. Careless


autor stipe07 às 21:21
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Domingo, 4 de Outubro de 2015

Observer Drift – Echolocation

Collin Ward é Observer Drift, um músico norte americano de Bloomington, em Minneapolis, que se estreou nos lançamentos discográficos com Corridors, em 2012. Fjords, o sucessor, foi editado em maio do ano seguinte e agora chegou a vez de ver a luz do dia Echolocation, um compêndio de catorze canções disponível para audição e download no bandcamp do projeto pelo preço que quiseres.

O terceiro disco de Observer Drift tem impressas as marcas de crescimento típicas da passagem para a vida adulta. Mais crescido e maduro, este músico com raízes suecas mantém o centro da sua música nas aspirações pessoais, mas de modo um pouco mais sombrio e amargurado. Observer Drift escreve muito sobre crescer e mudar, explorar o inexplorado e assumir mais riscos, com uma elevada dose de espontaneidade, cabendo a nós próprios, ouvintes, não só decifrar o verdadeiro signficado de cada poema, como também, se tivermos essa pretensão, atribuirmos um significado próprio, cuja variação poderá ser justificada com a forma como cada um de nós vivencia a audição do mesmo, tendo em conta a base sonora e instrumental que o suporta, algo que causará, certamente, diferentes sensações nos ouvintes. E essa audição acontece à boleia de uma dream pop muito suave e luminosa, cheia de elementos eletrónicos, nomeadamente sons em reverb e batidas sintetizadas e algumas guitarras que criam melodias com um elevado cariz etéreo e shoegaze. Se o longo abraço entre R&B e eletrónica que se escuta no tema homónimo, uma canção que parece ter sido embalada num casulo de seda e em coros de sereia e que faz de Observer Drift um novo trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker, a espiritualidade negra e o falsete de Bon Iver, impulsionado por uma melodia doce com um leve toque de acidez, mas que se escuta com invulgar fluidez, também nos efeitos suaves e planantes do sintetizador e da percussão de When You Disappear, na imponente Time Stands Still e na vibrante de The Long Run, assim como no dedilhar da guitarra de Analysis Paralysis e na crescente e solarenga I Have Your Back, sentimo-nos tocados por um disco onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado. É uma cúpula entre, pop, rock e eletrónica, quente e assertiva e que ao longo do alinhamento vai convocando para a orgia outros sub géneros da pop, que vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, enquanto saboreiam mais  um final de tarde glamouroso no início deste outono.

A audição dos treze temas de Echolocation é uma experiência sonora muito enriquecedora e apetecível, uma viagem contemplativa não só ao mundo pessoal do músico que criou o disco, como também ao nosso próprio universo, real ou imaginário, porque estamos na presença de treze temas que nos convidam a sonhar sem receios e, simultaneamente, a refletir sobre a nossa própria existência. Espero que aprecies a sugestão...

Observer Drift - Echolocation

01. When You Disappear
02. The Long Run
03. Echolocation
04. Time Stands Still
05. Fire In The Southern Sky
06. Tired Hands
07. Let The Call Go Out
08. Same Way
09. Too Bright
10. Daniel
11. Strength Of A Storm
12. So Mysterious
13. Analysis Paralysis
14. I Have Your Back


autor stipe07 às 21:44
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Sábado, 27 de Junho de 2015

Howling - Sacred Ground

Escuta-se o piano suplicante, a batida minimal e o agudo de uma voz particularmente sedutora em Signs, o tema de abertura de Sacred Ground e fica logo claro na nossa mente que RY X e Frank Wiedemann, a dupla berlinense que assina a sua música como Howling, aposta numa mistura entre o indie rock e a eletrónica ambiental, cheia de soul e sentimento. Disco de estreia deste projeto, Sacred Ground é um emaranhado intenso e particularmente melódico de sons que nos elevam para um patamar elevado, principalmente quando deixam à vista todo aquele mel que nos remete para indie pop de há trinta anos atrás, quase sempre através de efeitos sintetizados futuristas que trazem consigo sons melancólicos de outras décadas, assim como todo o clima sentimental do passado e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso.

Mas não é só de eletrónica que se alimenta este álbum que tem a chancela da  Monkeytown Records. Stole The Night, o single de apresentação do disco, sustenta-se num baixo mágico e profundamente sedutor, em redor do qual se entrelaça uma teia imensa de sons que parecem planar e divagar enquanto nos hipnotizam.

Numa simbiose perfeita entre batida e efeito sintetizado, X Machina é uma bolha de hélio que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em Litmus, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quando se agregam em seu redor o rumo sonoro geral do trabalho, que neste caso além dos aspetos sonoros já descritos, acumula, devido ao orgão, um charme melódico que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Estas duas canções, o techno minimal de Short Line e Forest, dois temas com flashes de efeitos que disparam em diferentes direções e onde o jogo de vozes merece dedicada audição e os efeitos metálicos borbulhantes de Zürich, que parecem ter sido criados no meio de uma floresta suspensa no ceú por duas nuvens carregadas de poeira e que, tocando-se entre si, criam aquele som típico da agulha a ranger no vinil, definem a elevada bitola qualitativa destes Howling e o encontro feliz que proporcionam entre o minimalismo que se usufrui num relaxante sofá e a house music. Já a viagem orbitral, mas a uma altitude pouco espacial, numa espécie de limbo, que nos oferece o edifício ambiental declaradamente fresco e dançável da chillwave de Quartz, os detalhes acústicos das cordas de Howling e o entorpecimento inebriante de Lullaby, mostram que Sacred Ground é um álbum relaxante, de paisagens frias e tranquilas e que resultou de  percurso feito com uma electrónica de matriz mais paisagista que transcende a lógica da canção pop de formato mais clássico e que nunca deixa de lado aquela pulsão rítmica que cativa o corpo para a pista de dança.

Sacred Ground faz dos Howling novos mestres do espetro sonoro em que procuram impôr-se, já que cheios de charme, fortemente sedutores e com um elevado bom gosto, mesmo nos momentos mais soturnos e melancólicos, criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e terem a tendência de nos fazer debruçar em sonhos por realizar, acrescentam novas cores no nosso ouvido, usando como arma de arremesso uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

Howling - Sacred Ground

01. Signs
02. Stole The Night
03. Interlude I
04. X Machina
05. Litmus
06. Zürich
07. Short Line
08. Quartz
09. Interlude II
10. Forest
11. Howling
12. Lullaby


autor stipe07 às 22:07
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Terça-feira, 16 de Junho de 2015

The Mountain Goats – Beat The Champ

Lançado a sete de abril pela Merge Records e produzido por Brandon Eggleston, Beat The Champ é o décimo quinto álbum dos míticos The Mountain Goats, uma banda norte-americana liderada por John Darnielle e ao qual se juntam atualmente Peter Hughes (baixo) e Jon Wurster (bateria), oriunda de Claremont na Califórnia. Beat The Champ é um disco conceptual, que se debruça sobre a vida ímpar de um lutador de wrestling, apesar de Darnielle, um excelente criador de narrativas, considerar que a temática da morte acaba por se relacionar um pouco mais com os poemas destas canções do que propriamente o desporto referido.

Falar dos The Mountain Goats é quase como fazer referência a uma hipotética carreira a solo de John Darnielle já que é ele a principal mente criativa e grande sonoro e lírico deste grupo. Também ewcritor, o ano passado, em Wolf In The Van, Danielle publicou um livro sobre a história de um recluso de rosto desfigurado e criador de jogos informáticos e que poderia também ter dado origem a uma obra sonora do calibre de Beat The Champ.

O wrestling é um desporto curioso e único e escrever e cantar sobre ele exige  a criação de um clima enérgico, luminoso e particularmente frenético. O indie rock inebriante com pitadas de folk de Choked Out, mas também a riqueza detalhística das cordas e da percussão no single The Legend Of Chavo Guerrero, que nos apresenta o grande protagonista desta narrativa e a relação conturbada que este lutador mexicano viveu na infância com o padrasto, obedecem a essa permissa e fazem-nos imergir sem grande esforço num poeirento pavilhão onde se multiplicam os embates e se joga a vida de atletas que, tantas vezes, além de sangue, suor e lágrimas, também é feita de fama, ego e alguma violência. O proprio uso simbólico de uma máscara, como forma do lutador encarnar uma outra personagem, referida em Animal Mask, assim como a necessidade de dar um lado mais humano a estes protagonistas, mesmo que tal suceda com alguma dose de cinismo, fica expressa em Heel Turn 2, tema que toca na questão filosófica entre morte e vida ao usar a luta livre como pano de fundo e onde inocência e empatia são sentimentos que o ouvinte acaba por sentir quase sem dar por isso.

As referências ao wrestling escorrem por Beat The Champ praticamente até ao seu ocaso e se The Ballad Of Bull Ramos conta a história de um dos grandes nomes deste desporto, Stabbed to Death Outside San Juan relata, de modo quase teatral, a morte do lutador Bruiser Brody, com a letra ser cantada e declamada, muito à imagem de Lou Reed. Depois, merece ainda destaque o punk cigano que escorre das violas de Werewolf Gimmick, uma ode declarada à presença cada vez mais ativa do mundo latino neste desporto, a toada jazzística de Fire Editorial e o minimalismo indie rock, com um implicito travo a Radiohead, que escorre de Luna.

Com a nostalgia acústica de Hair Match termina um alinhamento impregnado de boas letras, com momentos bastante profundos, que parecem carregar uma sabedoria escondida algo paternal, que não compreendemos muito bem, mas que acreditamos que irá fazer sentido, até porque escorrem da suave boca de um excelente contador de histórias que se abriga à sombra de uma folk cheia de fórmulas e histórias maravilhosas e que desta vez utilizou teclados, trompetes e outros instrumentos em praticamente todas as canções, mas também experimentou diferentes estilos, enquanto nos ofereceu a sua visão sobre o mundo da luta livre e do modo como a entende, sem se preocupar com o julgamento do ouvinte sobre as suas opiniões acerca da singluridade do mesmo. Espero que aprecies a sugestão...

The Mountain Goats - Beat The Champ

01. Southwestern Territory
02. The Legend Of Chavo Guerrero
03. Foreign Object
04. Animal Mask
05. Choked Out
06. Heel Turn 2
07. Fire Editorial
08. Stabbed To Death Outside San Juan
09. Werewolf Gimmick
10. Luna
11. Unmasked!
12. The Ballad Of Bull Ramos
13. Hair Match


autor stipe07 às 22:22
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

My Morning Jacket – The Waterfall

Os norte americanos My Morning Jacket de Jim James já têm sucessor para o aclamado Circuital (2011) e regressaram aos discos a quatro de maio com The Waterfall, um trabalho produzido novamente por Tucker Martine (The Decemberists, Modest Mouse, Neko Case). Gravado maioritariamente em Stinson Beach, na Califórnia, mas também noutros locais como Portland ou a cidade natal da banda e com a luz do dia a ser possível com a chancela da insuspeita ATO Records, em parceria com a Capitol Records, The Waterfall é mais um marco obrigatório na carreira desta banda já veterana mas ainda fundamental no universo sonoro norte americano.

Os My Morning Jacket sempre impressionaram pela amplitude e grandiosidade do seu som e a camada sonora conduzida por teclas de Believe (Nobody Knows) é um notável resguardo que emoldura e carimba com precisão essa herança, não defraudando, logo à partida, os mais fiéis seguidores da banda. Sempre com a cartilha fundamental da melhor folk debaixo do braço e de mente aberta para se irem adaptando às novas tendências, estes já veteranos do indie rock demonstram em 2015 e à boleia desse tema que querem a continuar a ser uma referência e que o cérebro de Jim James se mantém particularmente inventivo e refrescante.

Além deste clássico indie rock orquestral do tema de abertura, há outros géneros sonoros que são bastante caros a estes My Morning Jacket e que demonstram neste disco manter-se intocável a vontade e a capacidade criativa deste quinteto de Louisville, no Kentucky, para a renovação constante do seu ambiente particular, sem colocar em causa as permissas essenciais que identificam e tipificam o seu som específico. Por um lado, há a soul que se mostra inebriante nas guitarras de Compound Fracture e algo smbria na balada Only Memories Remain, mas também essa folk que lhes é tão querida, acústica introspetiva e pastoral em Like A River e a piscar o olho ao tipico blues sulista em Get The Point. Na verdade, quer a soul quer a folk são por aqui os subgéneros dominantes; Acabam por balizar os opostos em que os My Morning Jacket se movem e revelam-nos que The Waterfall jorra perante os nossos ouvidos uma verdadeira jornada sentimental e realística pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que encarna atualmente um desejo claro de renovação, explorando habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão de vários elementos de uma forma direta, mas também densa, sombria e marcadamente experimental. A própria psicadelia também faz a sua aparição e até com um certo esplendor, quer em Big Decisions e na pop setentista e lisérgica de Thin Line, mas também em Spring (Among The Living), canção onde o esplendor das cordas distorcidas e os arranjos de percussão inéditos e outros recursos sonoros de cariz orquestral, exprimem um renovado olhar no modo como a banda reflete as tendências atuais mais bem aceites pelo público.

Impecavelmente produzido, particularmente inspirado e situado num elevado nível qualitativo no que concerne à visão caleidoscópica que plasma em relação ao indie rock atual, The Waterfall é rico não só porque não receia abusar dos detalhes que salvaguardam alguns dos melhores aspetos da herança sonora do grupo que concebeu este disco, mas também porque se mostra poderoso no modo como cruza diversos espetros sonoros com impressionante bom gosto e segurança. Percebe-se claramente que os My Morning Jacket apreciam navegar em águas turvas, fazendo-o com impressionante mestria e que se sentem confortáveis ao deixar-se embrenhar num certo caos, sempre controlado e claramente ponderado, rico, exuberante, oferecendo-nos assim canções que borbulham um forte sinal de esperança e de renascimento, sementes que vão provavelmente conquistar para o grupo novos públicos. Espero que aprecies a sugestão...

My Morning Jacket - The Waterfall

01. Believe (Nobody Knows)
02. Compound Fracture
03. Like A River
04. In Its Infancy (The Waterfall)
05. Get The Point
06. Spring (Among The Living)
07. Thin Line
08. Big Decisions
09. Tropics (Erase Traces)
10. Only Memories Remain


autor stipe07 às 21:13
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Terça-feira, 9 de Junho de 2015

Citizens! – European Soul

Lançado pela Kitsuné no passado mês de abril e produzido por Laurent d’Herbecourt (colaborador no álbum Bankrupt! do Phoenix), European Soul é o segundo disco dos londrinos Citizens!, uma banda formada por Tom Burke, Thom Rhoades, Martyn Richmond, Lawrence Diamond e Mike Evans e que aposta naquela indie pop nostálgica, mas festiva e que fez escola há umas três décadas, tendo marcado todos aqueles que, como eu, deixaram para trás a infância nesses gloriosos anos oitenta.

Lighten Up, o primeiro avanço do sucessor de Here We Are (2012), o disco de estreia do grupo, carrega o charme contagiante do quarteto num piano pulsante em loop e com a voz sedutora de Burke a infiltrar-se numa sonoridade eletrónica plena de groove e bastante dançável, apesar de uma certa aúrea melancólica em redor da canção. Esta é, sinteticamente, a receita assertiva que os Citizens! espraiam em European Soul com canções, como Waiting For Your Lover ou Brick Wall, sustentadas por clássicos pianos vintage, guitarras com efeitos exuberantes, mas livres de constrangimentos e adornos desnecessários e arranjos selecionados meticulosamente de modo a oferecer uma estética sonora retro que, pondo um pé na indie pop clássica, taõ bem plasmada no groove do sintetizador de European Girl e outro na eletrónica new wave, procura atingir uma superior luminosidade e amplitude melódica.

Com o objetivo assumido de criarem hinos radiofónicos e canções orelhudas, os Citizens! debruçam-se, tematicamente, sobre aquilo que classificam como a angústica social e económica em que está mergulhada a sociedade ocidental dos nossos dias e querem funcionar como um escape dançavel e cativante para essa prblemática. Se My kind Of Girl não é suficiente para convencer os maiores credores das economias falidas do sul da Europa a aliviarem o esforço daqueles que viveram anos a fio numa fuga em frente mais ou menos declarada, pelo menos é uma canção com todo o potencial para deixar ao rubro as imensas pistas de dança que brotam nos resorts solarengos junto ao mediterrâneo, nesses países devedores e onde os conterrâneos dos Citizens! gostam de ocasionalmente afogar e regar as mágoas. Depois, mais adiante, enquanto em Are You Ready? apreciam a fina fronteira que separa um baixo pulsante e uma percussão imaculada de um sintetizador exuberante e irresístivel e um falsete arrebatador, já na frenética pop de All I Want Is You, os últimos resistentes clamam por rendição, exaustos e incapazes de acompanhar o ritmo e o andamento que estes Citizens! impuseram num alinhamento refrescante e cintilante, cheio de soul, romântico, até algo kitch e muito contagiante.

Consistente e cheio de potenciais singles, European Soul consegue arrumar ideias e mostrar como velhas genéticas próximas do filão pop quase levado à exaustão que é a década de oitenta, ainda têm ainda capacidade para comunicar com o presente, desde que essa tarefa de enriquecimento do cenário musical atual e contemporâneo, aconteça de modo criativo, algo que os Citizens! superam, principalmente quando nos seduzem com cançoes guiadas por sintetizadores deliciosos, pianos animados, guitarras que exalam charme por todas as cordas e uma voz cheia de estilo e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Citizens! - European Soul

01. Lighten Up
02. Waiting For Your Lover
03. European Girl
04. My Kind Of Girl
05. Only Mine
06. Brick Wall
07. Trouble
08. I Remember
09. Have I Met You?
10. Xmas Japan
11. Are You Ready?
12. All I Want Is You
13. Mercy
14. Idiots
15. Lighten Up (Cesare Remix)


autor stipe07 às 22:20
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