Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

R.E.M. Gone Wrestling...

Ontem, dia 21 de setembro, os R.E.M. anunciaram ao mundo o fim de uma grande aventura com mais de 30 anos no site oficial da banda. Estava sentado no sofá de casa a ouvir a primeira faixa de Rumspringa, o disco mais recente do projeto Canon Blue, quando oportal Stereogum, através da rede social Facebook, surgiu-me perante o olhar com uma atualização onde se lia R.E.M. quits. Muito sinceramente, tenho uma dificuldade imensa em descrever o que senti naquele preciso momento, o enorme vazio que instantaneamente se apoderou de mim! Fiquei sem vontade nenhuma de abrir o link e ler o conteúdo e senti uma necessidade imensa de abrir bem os meus olhos e respirar fundo para não me deixar abater emocionalmente pelo que iria ler. Carreguei então no dito link que de imediato me remeteu para o comunicado oficial da banda e que ontem transcrevi neste blogue.

À medida que os anos vão passando, crescemos, a nossa vida evolui e avança, passamos por experiências boas e amargas e, se tudo for correndo bem, atingimos sonhos e objetivos. E ao longo dessa caminhada há sempre marcas, pessoas, circunstâncias e factos da nossa vida, ideias, sonhos e desejos que nos acompanham e marcam a nossa identidade, como se fossem um carimbo ou uma tatuagem invisivel, que não se vê, mas que nós e os que connosco convivem sabem que existe e que está lá. E os R.E.M. são, sem a mínima hesitação, uma marca na minha vida, um descritor essencial da minha identidade, algo indissociável da meu eu enquanto pessoa, doa a quem doer, como sabem todos aqueles que porventura me conhecem minimamente e possam estar a ler este texto.

Poderá haver quem me ache demasiado sentimental e lamechas (só eu sei o quanto algumas músicas dos R.E.M. contribuiram ao longo da minha vida para alimentar esta marca da minha personalidade) em determinados momentos e situações da minha existência; Neste facto concreto, o fim dos R.E.M. enquanto banda, tenho todo o direito de o ser e de extravasar a minha imensa mágoa, exatamente porque eles são, como referi, uma caraterística essencial da minha identidade!

Sei que pode haver quem ache um exagero falar assim, mas sinto que ontem perdi um bom amigo e que ele deixou um vazio cá dentro que ninguém (neste caso uma banda) poderá colmatar! Foi como se tivesse deixado de ter ao meu lado um ser que estava sempre ali, que me ouvia quando colocava um disco deles a tocar, com quem falava nos meus passeios e viagens, nos meus momentos de solidão e mais pessoais e por quem esperava avidamente por notícias e novidades! Agora ficam-me apenas as recordações desse amigo, na vasta discografia que guardo lá em casa, como se fossem cartas que me escreveu e me deixou para eu ler sempre que queira!

Não há neste momento aquele sentimento de luto até porque hoje já sorri imenso por causa dos R.E.M.. Mas a tristeza invade-me e não tenho vergonha de o confessar! No fundo e dentro do orgulho que sinto por eles, confesso que entendo a escolha que fizeram e como até, neste momento final, conseguiram manter a sua integridade intata.
Musicalmente, acompanharam-me desde a minha infância, os seus álbuns foram fundamentais na minha formação pessoal e, tal como tantos outros fãs que conheço, foram juntamente com os Radiohead e os Sigur Rós a banda que até hoje mais me marcou.
Quando, em 1989, vi pela primeira vez na RTP 2 os videos de The One I Love e Stand, colaram-se logo no meu ouvido e no meu ser, numa época em que ainda não havia internet ou cds e tinha-se de fazer figas para conseguir visualizar de novo algo que nos marcasse devido à inexistência do youtube. Um tempo em que encontrar uma cassete dos R.E.M. obrigava a uma viagem de comboio ao Porto e a uma procura exaustiva em lojas que hoje, infelizmente , já não existem. Recordo-me, como se fosse ontem, da excitação que senti quando comprei o Automatic For The People em 1992, numa loja de discos que conhecia de fio a pavio, no centro comercial Oita em Aveiro e depois desse, sempre essa mesma excitação enorme e feliz que palpitava cá dentro, por saber que iria explorar, descobrir e ouvir os outros catorze, além dos DVD's, coletaneas e cd singles que fui adquirindo ao longo de quase vinte anos. Esse disco é hoje um marco decisivo na minha existência, um dos meus objetos mais valiosos, o número um de uma coleção musical física felizmente já extensa e da qual me orgulho.
Os R.E.M. pontuaram toda a minha vida pessoal, serviram de banda sonora para vários momentos lindíssimos (tenho, na minha cabeça, vários vídeos pessoais que eu próprio filmei de algumas músicas deles), serviram para encontrar amigos e criei com aqueles aquela relação fã / ídolos, que quase não existe nos jovens de hoje, criados nas facilidades e na transitoriedade própria da internet e desta aldeia cada vez mais global.
Assisti a dois concertos da banda! Ambos no Pavilhão Atlântico e dos quais destaco o primeiro, em 1999, pela enorme surpresa que me foi proporcionada e pela companhia de um grande amigo, dos poucos que entendem esta minha devoção e que fará sempre parte da minha vida.
Poderia escrever também sobre as letras que mais me marcaram, sobre a voz inconfundível do meu guru, Michael Stipe, uma das poucas pessoas com quem não desdenharia trocar de pele por alguns dias, mas esta despedida é apenas um modo de dizer, porque as canções, essas estarão sempre aqui!
Obrigado R.E.M. pelo legado de quinze discos que guardo religiosamente na solarenga escadaria de minha casa, todos eles para mim intemporais e que continuarei a ouvir com o mesmo prazer de sempre!
Obrigado pelas letras de cerca de duzentas músicas que me ficaram no ouvido e de algumas melodias nostálgicas que jamais me deixarão, pela escrita e presença de Michael Stipe em palco, pelo virtuosismo e discrição do verdadeiro líder da banda, Peter Buck, pelos falsetes, baixo e pianos inesquecíveis de Mike Bills, um dos melhores baixistas que tive a oportunidade de ouvir tocar e, não me esqueço dele, pelo Bill Berry, que apesar de não integrar a banda há cerca de treze anos, escreveu a magnífica Perfect Circle e é um dos bateristas mais virtuosos que alguma vez ouvi tocar!
No comunicado oficial a banda refere que se despede com enorme sentido de gratidão e de deslumbramento por tudo o que conseguiram. Eu é que agradeço com enorme sentido de gratidão e deslumbramento por tudo o que consegui por vossa causa! Sem vocês não teria nunca feito Djing, não teria iniciado a coleção de discos que agora tenho, não teria criado este blogue, não teria convencido os extintos The Otherside a fazerem uma versão acústica de I've Been High, não me teria privado de bens que gosto para poder segui-los e adquirir a sua discografia e não teria feito tantas outras coisas que agora não me consigo recordar...
É óbvio que eles nunca se venderam a ninguém e foram sempre, como referem no dito comunicado, uma banda no verdadeiro sentido da palavra, irmãos que se respeitavam e amavam e que talvez este fosse mesmo o momento certo, sem mágoas, porque, de acordo com Michal Stipe, tudo tem um fim.
Ontem foi então o fim de uma banda que foi da garagem até à lua e que me levou nessa viagem com eles... Portanto, se alguém quiser saber onde me encontrar de agora em diante, é lá em cima que eu estou! É que depois de, também devido a eles, ter atingido este estado de alma em que vivo hoje e ser a pessoa que sou, não exigo menos para o resto dos meus dias!
Queridos R.E.M.: Vocês criaram a banda sonora da minha vida! Entre tantas e tantas outras que decorei e me emocionam sempre que as ouço, escreveram Be Mine com a qual amo Smartieees e escreveram Man On The Moon que me faz querer todos os dias ser um bocadinho de Andy Kaufman e dizer umas piadas, mesmo sem graça, e ser uma pessoa sorridente, bem disposta, alegre e feliz para todos aqueles que me rodeiam, além de nunca querer desistir dos meus sonhos, por mais inacessíveis que eles pareçam! Um dia, com um imenso orgulho, hei-de passar para alguém quase igual a mim este legado que vocês me deixaram...
Obrigado R.E.M.
Vamo-nos vendo por aí... ;)

Deixo agora um vídeo da NASA que mostra como há alguns dias atrás Michal Stipe entrou em direto com alguns astronautas da última missão do Space Shuttle Atlantis para partilhar com eles Man On The Moon e (decisão difícil), por ordem cronológica, algumas das minhas mais...
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 
 
 
 
 
 

autor stipe07 às 20:33
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011

Naguib Mahfouz - Khan al-Khalili

A Civilização lançou em Abril um livro que é mais uma obra do escritor egípcio Naguib Mahfouz; O livro chama-se Khan al-Khalili e tem, como é costume na obra do Nobel de 1988, o Cairo como cenário. Este autor modernizou a literatura árabe, sendo considerado um dos seus maiores vultos. O New York Times descreveu-o como o Balzac de Egipto. Descobri que publicou 34 romances, mais de 350 contos, dezenas de argumentos cinematográficos e cinco peças ao longo de uma carreira de mais de 70 anos. Viveu com a mulher e as duas filhas na sua cidade natal até falecer, em 2006.

Não o conhecia e fiquei deslumbrado com a sua escrita; Khan al-Khalili é um relato fascinante de uma família obrigada pela proximidade da guerra a procurar uma nova casa e a estabelecer uma nova teia de relações, nem sempre fáceis de entender por quem não conhece a realidade do Islão, uma religião com uma conotação actual que nem sempre corresponde aos pilares que a definem. À medida que Ahmad, a personagem principal da trama, interage com os habitantes do novo bairro, surge um debate que opõe velho e novo, histórico e moderno, religioso e laico. E Mahfouz questiona se, como as bombas alemãs que ameaçam Khan al-Khalili diariamente, o progresso tem necessariamente de ser acompanhado pela destruição do passado. Fica a sinopse;

Estamos em 1942, a II Guerra Mundial está no auge e a Campanha na África assola a costa norte do Egipto até al-Alamein. Tendo por pano de fundo este conflito internacional, o romance acompanha a história dos Akif, uma família da classe média que se refugia em Khan al-Khalili, o histórico e fervilhante bairro do Cairo. Acreditando que as forças alemãs nunca bombardearão uma parte religiosa tão famosa da cidade, esperam ficar em segurança entre as vielas apinhadas, os cafés animados e as mesquitas antigas. Pelos olhos de Ahmad, o filho mais velho da família Akif, Naguib Mahfouz dá-nos uma visão complexa de Khan al-Khalili.


autor stipe07 às 22:10
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Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Músicas do Dia...

Hoje foi um dia fantástico para, entre outras, também ouvir...



 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 


autor stipe07 às 23:12
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Terça-feira, 15 de Março de 2011

Katie Melua, Coliseu - Porto 14.03.11

De regresso às fantásticas noites de concertos, ontem foi dia de ir ver Katie Melua ao Coliseu do Porto.

A primeira parte do espetáculo ficou a cargo de Sandra Pereira, a recente vencedora do concurso televisivo Ídolos. Foi uma atuação curta, como é natural nas primeiras partes, mas consistente, com uma mão cheia de covers bem conseguidas, das quais destaco, a abrir, Wicked Game de Chris Isaak e Run, Baby Run, (um original de Sheryl Crow , retirado do álbum Tuesday Night Music Club, 1995)a encerrar. Pelo meio ouvimos ainda duas covers de Nina Simone e uma de Josh Stone. A cantora tem uma boa voz, mas ainda lhe falta presença e à vontade em palco; A estadia em Londres poderá servir para contornar esse óbice e ajudará certamente ao amadurecimento da artista.

Katie Melua deu pontualmente início ao concerto, fazendo-o a solo. Assim, abriu com The Closest Thing To Crazy e de forma irrepreensível e bastante original, no nível superior do cenário montado, por detrás da cortina, apenas com uma guitarra acústica e a sua voz inconfundível. Imediatamente surpreendeu-me a qualidade sonora do espetaculo e o desempenho acústico do Coliseu; De salientar desde já que a produção do concerto esteve irrepreensível. Com o final desta primeira música entrou a banda e depois da primeira grande ovação da noite, ouvimos a cover Just Like Heaven dos Cure, a maravilhosa If You We're A Sailboat e Flood, o primeiro single de The House, o álbum mais recente da cantora. Este início agarrou logo o público e deu o mote para o restante concerto, que passou por todos os quatro discos da cantora: Call Off the Search (2003), Piece by Piece (2005), Pictures (2007) e o mais recente e já citado The House (2010), produzido por Mike Batt, um dos principais mentores da carreira desta artista.

Sensivelmente a meio do espetáculo, quando a banda fez uma pausa to take a few drinks, o público apercebeu-se que não estavam a ser feitas algumas projeções habituais nos concertos da cantora, pela própria. Aliás, há que realçar que a cantora esteve sempre bastante comunicativa com o público, interagindo e respondendo a algumas solicitações, das quais se destaca um bastante sonoro I love you too, já quase no final. Antes de cada música foi comum ouvir-se Katie a falar um pouco sobre a mesma e o seu significado pessoal; A expressão too intense foi das mais utilizadas por Katie o que demonstra alguma honestidade na forma como faz música; Muitas das letras que escreve são certamente autobiográficas e relatam acontecimentos marcantes da sua existência.

Alguns instantes depois o problema técnico descrito foi solucionado; E apesar da beleza das imagens que deram um colorido diferente à segunda parte do concerto e da perfeita conjugação com as músicas, não foi por aí que o concerto ficou muito melhor, o que só abona a cantora, dos seus atributos vocais e da performance da banda. Se não tivessem havido projeções ninguém teria sentido falta das mesmas, porque o desempenho vocal e musical a que o público assitiu foi sempre o grande trunfo do espetáculo.

Uma das minhas preferidas, quase no final, foi Cosmic Blues; Uma das principais razões porque desde sempre senti empatia por esta cantora, foi o seu forte apego ao blues e ontem ele esteve lá, firme e bem tocado. O guitarrista e restante banda souberam interpretar com excelência e alma esse género musical e deram-nos também bons momentos de rock e blues. Call Off the Search, Crawling up a Hill, Nine Million BicyclesSpider's Web, It's Only Pain, Ghost Town, e Two Bare Feet, foram outros grandes momentos da noite.

Para quem sente paixão pela música, não só como forma de arte mas, acima de tudo, como veículo de manifestação de sentimentos, há concertos que por razões variadas nos ficam na memória e dificilmente se esquecem. Este vai ficar certamente, não só pela qualidade do espetáculo como, mais uma vez, pela companhia que teve a feliz ideia de irmos e estarmos ali naquele dia e aquela hora!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


autor stipe07 às 20:21
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Sábado, 5 de Março de 2011

O meu Tributo a Castelo de Paiva.

Nestes dias Castelo de Paiva voltou a estar no centro das atenções devido à comemoração dos dez anos da queda da ponte de Entre-Os-Rios. Foi um acidente improvável e uma enorme tragédia; Não adianta escamotear o que é concreto, real e assumido. Mas esse acontecimento parece ter rotulado definitivamente a localidade com alguns adjetivos pouco favoráveis, usados quando se quer descrever uma localidade e enumerar os seus potenciais argumentos, quer humanos quer sociais.

Tenho lido e ouvido algumas verdades, mas também vários disparates que não fogem muito ao já habitual espírito português fatalista. Por isso e por considerar algumas citações que li e ouvi injustas e desfasadas daquela que é a actual realidade paivense, sinto-me impelido, também por gratidão e pela minha consciência, a dar o meu próprio testemunho.

Lembro-me perfeitamente desse chuvoso domingo à noite de março de 2001 como se tivesse sido ontem. Acompanhei de perto tudo o que aconteceu nos dias e semanas seguintes e, sendo uma espécie de espetador privilegiado de tudo o que se passou, por ser um residente temporário e não ter laços afetivos com vitimas, familiares e amigos, pude, no meu interior, tirar racionalmente algumas ilações no que diz respeito à forma como esta gente reagiu e soube levantar-se do caos e da desorientação que se apoderaram em quase todos os paivenses, como se estivessem a viver uma espécie de maldição. Nesses dias a minha admiração por estas gentes cresceu imenso, consciente e inconscientemente; Percebi com uma nitidez impressionante de que massa são feitos os paivenses e senti-me grato por me estarem a ensinar com exemplos diários e concretos de vida que para os momentos difíceis há sempre uma saída...

Tem sido dito nestes dias que Castelo de Paiva pouco ou nada evoluiu nestes dez anos, que se mantém refém de um isolamento atroz e que continua a ser uma terra flagelada pelo infortúnio, tendo em conta alguns dramas sociais que ainda subsistem por cá, derivados da falta de emprego e da estagnação económica que se vive. Não contrario a maioria destas afirmações, mas também não acho justo que se pinte um quadro tão negro. É que, acreditando em algumas dessas coisas que li e ouvi e não conhecendo esta terra, facilmente qualquer pessoa conclui que estamos perante um dos piores locais deste país para se viver, que Castelo de Paiva não é uma terra acolhedora e não tem nada de apelativo, sendo um local do qual se deve fugir à primeira oportunidade. E isso não é verdade! Há exemplos que contrariam esta ideia que tem sido fabricada ao longo do tempo e que mostram a antítese deste cenário. E eu talvez seja um deles...

Durante 22 anos da minha vida nunca tinha ouvido falar de Castelo de Paiva. Natural de outra localidade do mesmo distrito, supostamente mais desenvolvida e atrativa em todos os aspetos, pouco sabia deste concelho afinal tão bonito. Por motivos profissionais, Castelo de Paiva passou a fazer parte de mim e confesso, foi amor à primeira vista. E hoje, treze anos depois desse início de outono que acabou por significar uma nova primavera na minha vida, sinto um imenso orgulho por ser já um paivense de pleno e legal direito, outro motivo consistente que me faz achar que tenho todo o direito de opinar, além de sentir uma certa obrigação moral de transmitir publicamente este meu exemplo... De defender a minha terra! 

Por natureza introvertido perante estranhos, pouco tempo depois de andar por cá integrei-me com uma facilidade e abertura de espírito que até a mim impressionou! Rapidamente senti-me em casa e diminuiram os meus momentos de silêncio e reclusão iniciais, naturais em quem chega a uma espécie de mundo novo. E tal facto encontra explicação nestas gentes e na forma extraordinária como me acolheram. Acabei por não demorar muito tempo a perceber que este poderia ser, sem dúvida, um belo local para habitar parte do meu futuro; Os anos foram passando e mesmo exercendo a minha atividade profissional noutros locais bem mais distantes, nunca me desliguei daqui, frequentemente sentia necessidade de aportar a este porto seguro e por cá fui estando e ficando. Hoje, descrever aquilo que é a minha vida contraria firmemente toda a onda negativa em torno deste concelho.

Em Castelo de Paiva sou feliz e por imensos motivos! Aqui tenho Smartieees, o meu maior sorriso e o meu farol, tenho os Vândalos que são um verdadeiro tesouro e os melhores amigos que colecionei, tenho a minha herdade do Freixo que me dá uma vista única e privilegiada sobre o belo local onde essa tragédia ocorreu e tenho perspetivas de um futuro pelas quais sei que lutei imenso mas que em determinados períodos da minha vida achei que não iria atingir. E, acima de tudo isso, tenho-me a mim próprio e à minha consiciência que me diz, cada vez que cá chego e estou, que Castelo de Paiva é o melhor destino que posso ter diariamente e que não o trocava por nenhum outro deste mundo. No fundo, estar em Castelo de Paiva faz-me sentir que sou um privilegiado.

Castelo de Paiva tem um rio famoso, uma paisagem deslumbrante, o melhor vinho verde do mundo e imensa gente boa e com um enorme coração; Gente que sabe receber, pessoas humildes, verdadeiras e que lutam e trabalham diariamente para si e para os outros, que buscam incansavelmente um futuro melhor, que amam a sua terra e que têm um enorme apego às suas raízes. E eu admiro-as a todas por isso.

Alguns dos que me conhecem e me são próximos, profissional e afetivamente, interrogam-me com alguma insistência o porquê do meu fascínio por Castelo de Paiva e o que me levou a tomar a corrente de decisões que me trouxeram até aqui. Fazem-no porque provavelmente nunca tiveram ou terão a perceção plena do que Castelo de Paiva significa para mim, do que aprendi e cresci por cá e porque nunca tiveram o privilégio de viver a minha experiência. E quando lhes tento explicar tudo isto de forma clara, raramente resisto a sorrir enquanto o faço, por estar a falar de coisas boas e que estão guardadas no meu coração. E nesse preciso instante, algumas dessas pessoas começam a entender...

Sou feliz em Castelo de Paiva, é aqui que respiro verdadeiramente, é por cá que olho a vida de frente com esse tal enorme sorriso e é, por isso e por muitas outras razões que, não tenho nascido aqui, quero ficar cá o resto dos meus dias. E desafio todos aqueles que por cá nasceram a quando se sentirem tentados ao desencanto, darem mais valor ao que têm e a não se deixarem vergar por todo este negativismo!

E desafio igualmente todos aqueles que queiram, a arriscar e fazerem o que eu fiz; Castelo de Paiva tem qualidade de vida, mas precisa de pessoas novas e com capacidade de iniciativa! Não falta nas redondezas mercado para muitas áreas profissionais ainda não exploradas e sobram pessoas honestas, qualificadas e com vontade de trabalhar e se agarrar a quem acredite nelas.

Trago esta terra e a maioria destas gentes no meu coração; Amo Castelo de Paiva e recomendo-a vivamente... Só para que se conste!


autor stipe07 às 16:16
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Albert Camus - O Avesso e o Direito.

Albert Camus, escritor e filósofo, nasceu em Mondovi, na Argélia a 7 de Novembro de 1913 e faleceu subitamente em Villeblevin, França a 4 de Janeiro de 1960, num acidente de viação. Escreveu O Avesso e o Direito quando tinha 22 anos, livro que acabei há poucos dias de ler.

Em 1957 Camus obtém o Prémio Nobel da Literatura e um ano mais tarde são publicados Os Discursos da Suécia e reeditado o O Avesso e o DireitoA edição que li e que foi uma bela prenda de Natal, junta estas duas obras, ou seja, inclui também o Discurso que Camus proferiu em Dezembro de 1957, em Estocolmo, durante a cerimónia em que lhe foi entregue o prémio Nobel. É um texto que resume bem a sua concepção do ofício de escritor; Este não pode hoje pôr-se ao serviço daqueles que fazem a história; tem antes de servir aqueles que a sofrem.

Em 1959 Camus começa a redacção de O Primeiro Homem, obra que permanecerá inacabada em virtude do seu abrupto falecimento.
O Avesso e Direito é um livro pequeno, mas não é de fácil leitura o que, neste caso, funciona como um enorme elogio! Tem só cento e nove páginas, contando com vinte de prefácio. E torna-se incrível perceber como é possível que Camus tenha escrito esta obra só com vinte e dois anos. O livro contém cinco ensaios literários, onde o autor se ocupa de sua maior obsessão, o estudo da condição humana. Assim, fala sobre a solidão, a ausência de Deus, o amor, a morteo absurdo da condição humana.

O primeiro ensaio literário da obra intitula-se A Ironia. É uma reflexão sobre a morte e o abandono, onde o autor fala ao mesmo tempo da juventude e da velhice. Uma mulher velha e carente, que clama pela atenção de seus próximos, é trocada por uma sessão de cinema e um velho convive com jovens, vivendo a ilusão de que recuperará a juventude perdida com eles.

Entre o Sim e o Não é um ensaio de raízes autobiográficas no qual Camus volta à sua infância e fala sobre a necessidade da simplicidade. Entre a solidão e o passado, é necessário um desapego: Num certo grau de despojamento, nada mais leva a mais nada, nem a esperança nem o desespero parecem justos, e a vida inteira resume-se a uma imagem. Camus defende que se viva com realismo e sinceridade e se os homens tornam o mundo difícil, é nossa missão restaurar a sua simplicidade original.

Em a Morte na Alma o autor trata do tema do exílio e da solidão da viagem. Em Praga, entregue a momentos de tédio e de rotina, Camus pondera sobre o sentimento de distância e as saudades de casa. Como viver, como encontrar paz, quando tudo o que há são rostos estranhos e placas cujo significado se desconhece?

Amor pela Vida também fala sobre viagens, mas de um ponto de vista mais estético. Camus fala de esculturas, de claustros góticos, do verde da tarde e de colinas que deslizam para o mar. Há um certo amor perdido em tudo isso; o amor que habita na arte e que também se pode encontrar na natureza. Depende da disposição da alma ser capaz de encontrá-lo, desvendá-lo e alcançá-lo.

Por fim, o ensaio que dá nome à obra. O Avesso e o Direito fala sobre uma mulher que se apega de tal modo ao seu próprio túmulo que acaba por morrer aos olhos do mundo. Nada mais comum; vivemos numa sociedade de mortos que, por orgulho ou egocentrismo, são incapazes de desviar os olhos de si mesmos para contemplar a vida. A vida é curta, e é um pecado perder tempo, diz CamusO que conta é ser humano e simples. E acrescenta: Não há amor de viver sem desespero de viver. Que assim seja!


autor stipe07 às 15:29
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Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Música do Dia...

Hoje, além de muitas outras, também podia ser aquela que diz Questions Of Science, Science and Progress, Do Not Speak As Loud as My Heart ... Ou a que promete I Wanna Be Your Easter Bunny, I Wanna Be Your Christmas Tree... Até mesmo a Hoppipolla que põe fim a qualquer guerra, ou o manual de instruções que me põe na rampa de lançamento e em contagem decrescente quando ouço  IF You Believe There´s Nothing Out There To See, If There's Nothing Let's Go!

Mas hoje é esta que me leva à Lua... On Repeat!

 

 

Please don't go crazy, if I tell you the truth
No you don't know what happened
And you never will if
You don't listen to me while I talk to the wall
This blanket is freezing, it's been out in the hall
Where you've had me for hours
Till I'm sure what I want
But darling I want the same thing that I wanted before
So sweetheart tell me what's up I won't stop no way

Please keep your hands down
And stop raising your voice
It's hardly what I'd be doing if you gave me a choice
It's a simple suggestion can you give me sometime
So just say yes or no
Why can't you shoulder the blame
Coz both my shoulders are heavy
From the weight of us both
You're a big boy now so let's not talk about growth
You've not heard a single word I have said...
Oh, my God

Please take it easy it can't all be my fault
I haven't made half the mistakes
That you've listed so far
Oh baby let me explain something
It's all down to drugs
At least I remember taking them and not a lot else
It seems I've stepped over lines
You've drawn again and again
But if the ecstacy's in the wit is definitely out
Dr. Jekyll is wrestling Hyde for my pride


autor stipe07 às 22:58
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Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

U Know Who Am I - David Fonseca

Já o referi em Agosto de 2009 e mantenho a mesmoa opinião, quinze meses depois... Além de ser um extraordinário fotógrafo, David Fonseca é o mais bem sucedido cantor e compositor português da actualidade e nos últimos dias voltou a prová-lo!

 

 

O programa Top + tem perdido algum encanto nos últimos anos, muito por culpa do decréscimo qualitativo da nossa tabela de vendas. Mas, já reparei que tem havido a preocupação constante em divulgar o que de melhor se vai fazendo na música portuguesa. No último sábado, além da excelente actuação ao vivo dos Orelha Negra, David Fonseca foi alvo de uma reportagem devido ao seu novo single U Know Who Am I, retirado de Between Waves. Já tinha ouvido a música na semana anterior e como estou sempre curioso com as músicas novas do David, escutei-a atentamente e ela mexeu logo comigo! O trabalho televisivo centrou-se na elaboração do vídeo. Ao assistir à reportagem senti-me genuinamente emocionado e confesso ter logo achado uma iniciativa que deve ter dado um gozo imenso a todos os participantes.

Ontem recebi a newsletter do David Fonseca que explica como o vídeo foi feito, o conceito e como ele decidiu contar a história da canção. Se sábado já tinha ficado com essa opinião, ontem reforcei-a! A simplicidade do vídeo é que lhe dá todo o sentido. Os participantes dedicam a canção a alguém que foi, é, ou poderá vir a ser importante nas suas vidas e fazem-no de forma espontânea. Depois cantam excertos, mostrando imagens da pessoa dedicada.

Para se viver uma vida em plenitude e preenchida há sempre um alguém Maior por trás da nossa história. É quem melhor nos conhece e a quem muito devemos, por ser também quem está sempre pronto para tudo. Acaba por ser, no fundo, parte indissociável de nós mesmos, porque nos dá força e nos relembra continuamente quem somos. Em troca, sem hesitação, sentimos prazer em retribuir, de forma livre e desinteressada, com o nosso amor mais puro e sincero! E é neste conceito de amor, tão bem descrito no vídeo, que me reconheço.

I love you because you know who I am... No fundo é assim que se retribui! E amar alguém terá de ser sempre, na essência do sentimento, tão simples quanto isto! Como diz o David na newletter que transcrevo abaixo, a proximidade de todas estas histórias, a forma como algumas delas se cruzavam com as nossas histórias pessoais e com a canção, é algo absolutamente belo e esmagador.

 

Não é fácil fazer videoclips, especialmente quando se quer que cada um deles tenha uma história que leve a canção para outro sítio e que possa trazer algo de novo a todo o processo. Demoro muito tempo até decidir o que fazer e é frequente deixar a minha equipa nervosa com tanta espera e indecisão...mas tenho sempre a esperança que um dia apareça a ideia certa para a canção certa. Assim aconteceu com a aventura "U Know Who I Am": houve dezenas de ideias na mesa, mas nenhuma me convenceu verdadeiramente, talvez por achar que nenhuma estaria a contar bem a história desta canção.
Foi nessa altura que percebi que talvez eu não fosse a pessoa certa para falar sobre esta canção. Uma ideia levou à outra e acabei por fazer um apelo público à participação neste videoclip. A resposta foi massiva e a escolha das pessoas foi incrivelmente difícil. Lembro-me de, a certa altura, ter 77 pessoas seleccionadas das centenas de participações e ter dificuldade em cortar mais pessoas...Acabei por escolher 24 pessoas que achei que, de alguma maneira, conseguiriam contar a história por todos os participantes.
O dia de rodagem acabou por ser um dos mais intensos dias que passei num set de filmagem. A proximidade de todas estas histórias, a forma como algumas delas se cruzavam com as minhas histórias pessoais e com a canção, foi absolutamente belo e esmagador. Mais tarde, na mesa de montagem, revi todos aqueles momentos dezenas de vezes e apercebi-me que qualquer coisa de extraordinário tinha acontecido naquele dia. Era agora a minha tarefa de juntar os pedaços do puzzle e perceber, finalmente, a história desta canção. Não é contada por mim, mas é como se fosse. A canção é agora de todos intervenientes no ecrã, as palavras deles são também as minhas. Há momentos magníficos nesta profissão e a oportunidade de fazer um vídeo como este foi um deles.
Obrigado a todos os que participaram neste processo, obrigado a todos os que, de alguma forma, se identificaram com esta história, com esta canção, com estas imagens.
E aqui fica o resultado final:

 

Yeah, I've walked through dangers
I've talked to strangers
But they didn't, they didn't understand
When the world seems senseless
It's me and you against them
And I love you 'cause you know who I am

All you dreamers keep dreaming
And let those dreams rise into the light
Go find someone who loves you
To live those dreams through
Don't you go get swallowed by the night

I've walked the stages
I've read the pages
And never, never reached the end
All the world seems senseless
You're here with me against them
And I love you 'cause you know who I am

Deep inside every soul
There's a sadness on the verge of climbing through
Now don't you try and fix it
Why would you do that?
How beautiful when sadness turns to songs

And I'll walk through dangers
I'll dance with strangers
But they will never understand
We'll never be defenseless
We'll win this war against them
Don't you doubt this, yeah I'm sure we can
And who cares if they never understand
And I love you 'cause you know who I am


autor stipe07 às 22:33
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Sunday Green Sunday - Imagens

 

 

 

 

 

 

 


autor stipe07 às 15:11
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

Dia Mundial da Música - Top 5

No Dia Mundial da Música, deixo o meu Top 5.

 

 
Man On The Moon fez-me crescer, confunde-se comigo, acompanha-me sempre e faz-me sonhar todos os dias...

 

 
How To Be Dead fez-me renascer, ressuscitar e acreditar; Mudou literalmente a minha vida e deu-me a luz...

 

 
Hoppipolla é outro sonho, a visão do meu futuro e o motor do meu sorriso mais puro e contagiante...

 

No Alarms, No Surprises é a minha busca de beleza na simplicidade, o maior refúgio quando busco conforto...

 

Be Mine é uma espécie de alter-ego e a descrição perfeita dos alicerces do meu coração...

autor stipe07 às 21:31
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