Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

TIPO - Jugoslávia

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Quando em 2015 Salvador Menezes, consagrado membro fundador dos You Can't Win, Charlie Brown, decidiu tirar uns dias de descanso, nunca imaginaria que iria nesse breve interregno incubar um dos mais curiosos projetos a solo do panorama musical nacional atual. Servindo-se de um casio com mais de três décadas do tio, de uma guitarra com três cordas dos anos noventa da irmã, da bateria do irmão e do seu baixo, computador e voz, criou quatro temas, nascendo, assim, TIPO.

Agora, dois anos depois, com um novo emprego, a viver numa outra casa, com três discos dos You Can't Win, Charlie Brown em carteira e já com a paternidade a fazer parte da sua existência, TIPO tem já temas suficientes para se aventurar no formato longa-duração, sendo Jugoslávia o mais recente single divulgado desse que será o seu álbum de estreia, que foi co-produzido por Afonso Cabral, Luís Nunes e Salvador Menezes e terá o selo da Pataca discos e o apoio da Vodafone FM e da GDA, contando também com alguns convidados, nomeadamente Tomás Sousa, quer no single Acção-Reacção, quer nesta Jugoslávia. Esta canção mostra uma faceta pop bastante exuberante e luminosa deste projeto TIPO, através de uma infecciosa harmonia vocal e uma melodia magistral bastante virtuosa e cheia de cor, arrumada com arranjos meticulosos e lúcidos. Confere...


autor stipe07 às 22:27
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

Work Drugs – Flaunt The Imperfection

Depois do excelente Louisa, editado em finais de 2015, os Work Drugs, uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estreou com Blood, em 2010, está de regresso no ocaso deste verão com Flaunt The Imperfection, mais dez canções perfeitas para saborear estes últimos raios de sol mais quentes, enquanto não chega a longa penumbra outunal e o interminável frio e implacável inverno.

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Ainda bem que há determinados projetos que se mantêm, por muito ativos e profícuos que sejam, fiéis a uma determinada permissa sonora e os Work Drugs são um bom exemplo disso porque proporcionam-nos sempre aquilo que exatamente procuramos neles, um acervo de canções impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze, numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave. E este Flaunt The Imperfection, que conta com as participações especiais de Maxfield Gast no saxofone, Tim Speece na guitarra e Nero Catalano no baixo, é mais um episódio significativo e bem sucedido num já riquíssimo compêndio proporcionado por um dos projetos mais excitantes da pop contemporânea.

Os Work Drugs servem-se, então, mais uma vez e ainda bem, de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria eletrónica bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico. são composições que além de proporcionarem instantes de relaxamento,também poderão adequar-se a momentos de sedução e a ambientes que exigem uma banda sonora que conjugue charme com uma elevada bitola qualitativa.

Apesar destas virtudes no campo instrumental, um dos maiores segredos destes Work Drugs parece-me ser a postura vocal, às vezes um pouco lo fi e shoegaze, mas que dá às composições aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico. Assim, ouvir Flaunt The Imperfection é acompanhar esta dupla norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisas, curtas e diretas. Às vezes pressente-se que os Work Drugs não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar naquela pop típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes Work  Drugs, uma dupla que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente.

Quando se torna difícil inventar algo novo, a melhor opção poderá passar por baralhar e voltar a dar, de preferência com as cartas muito bem misturadas e os trunfos divididos, talvez num cenário de gravidade zero. Aqui, o charme libidinoso do saxofone de Cheap Shots, a inconfundível toada nostálgico contemplativa de Magic In The Night, o rock impulsivo de Alternative Facts e o delicioso encanto retro de Midnight Emotion, são apenas alguns dos trunfos com que os Work Drugs jogam com quem os escuta para conquistar o apreço de quem se deixar enredar sem dó nem piedade por esta teia sonoroa tremendamente sensorial e emotiva e, por isso, viciante. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Flaunt The Imperfection

01. For The Year
02. Magic In The Night
03. Cheap Shots
04. Tradewinds
05. Flaunt The Imperfection
06. Midnight Emotion
07. Love Higher
08. Alternative Facts
09. Giving Up The Feeling
10. Final Bow


autor stipe07 às 18:06
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Domingo, 10 de Setembro de 2017

Noiserv - Caixa de música ONZE

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Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra,adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's Therehavendo, desde o outono de 2016 mais um compêndio de canções para juntar a esta lista, um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas um registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

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A dois meses de comemorar um ano de existência, um dos destaques de 00:00:00:00, o tema ONZE, foi transportado para uma bonita caixinha de música, com as teclas do piano a serem replicadas por aquela sonoridade algo metálica, tipicamente infantil, que costuma caraterizar estes objetos que fazem parte do imaginário de todos nós. Compete-nos agora seguir o conselho do David e tornar a música nossa, tocando-a à nossa velocidade.

Num ano cheio de concertos um pouco por todo o lado, dentro e fora do nosso país, Noiserv considera esta uma boa forma de comemorar a boa receptividade que o disco tem tido junto do público e realmente parece-me uma excelente ideia e que terá certamente grande aceitação. Confere um excerto do tema e o aspecto da caixa e os próximos concertos de Noiserv.

Próximos concertos:

QUA. 13 SETEMBRO- Festival Le Chainon, Laval (França)

SÁB. 16 SETEMBRO - Cineteatro João verde, Monção (Portugal)

DOM. 17 SETEMBRO - Festival Iminente, Oeiras (Portugal)

SEX. 22 SETEMBRO - Teatro Baltazar Dias, Funchal (Portugal)


autor stipe07 às 16:53
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Segunda-feira, 4 de Setembro de 2017

Mano a Mano - Super Mario

 

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Os mais atentos ao jazz que se vai fazendo por cá consideram os irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro na atualidade. E são eles que dão a face pelo projeto Mano a Mano, que se estreou em 2014 nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de crowdfunding e que agora se prepara para lançar o sucessor.

Mano a Mano Vol. 2 irá ver a luz do dia daqui a algumas semanas e Super Mario é o primeiro avaço divulgado das doze canções que irão constituir um alinhamento que, de acordo com o press release do lançamento, centrar-se-ão num duelo dinâmico de guitarras, um disco cheio de momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato. Assim, a vertente acústica, como se percebe neste single, estará na linha da frente da condução dos temas, que também contarão com a exploração de várias formas de diversificar os arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros) e técnicas percussivas. O Braguinha/Machete, um instrumento tradicional da Madeira parecido com o cavaquinho, também fará a sua aparição em alguns temas do álbum.

De modo a tornar os concertos dos Mano a Mano ainda mais interessantes, haverá uma forte componente visual nos mesmos, com a inclusão de um cenário que retratará uma simples sala-de-estar, com o objetivo de fazer com que o público se sinta mais acolhido e os temas possam fluir de um modo mais descontraído e familiar. Confere...

 

autor stipe07 às 14:20
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Quinta-feira, 31 de Agosto de 2017

Purity Ring – Asido

Purity Ring - Asido

Cinco anos depois do lançamento da obra prima Shrines, a dupla canadiana Purity Ring, de Megan James e Corin Roddick, comemora essa efeméride com a divulgação de um novo tema intitulado Asido, a primeira composição do projeto após Another Eternity (2015).

Como seria de esperar, tendo em conta o propósito da canção, Asido remete-nos para o ideário algo enigmático e negro de Shrines, com uma letra muito focada na figura humana e que compara as suas formas anatómicas a uma paisagem com aspetos típicos de ambos os campos lexicais a sublimarem-se entre si. Confere...


autor stipe07 às 15:50
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017

Beck – Dear Life

Beck - Dear Life

Depois de mais de meia década de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, regressou em 2014 com Morning Phase, o décimo segundo trabalho da sua carreira e que viu a luz do dia por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora, três anos depois desse belo disco, está de regresso com Colors, dez canções que proporcionarão um novo fôlego na sua carreira, uma espécie de recomeço, depois de nos últimos dois verões ter igualmente surpreendido com dois singles intitulados Dreams e Wow.

Colors verá a luz do dia a treze de outubro, com o selo Capitol Records e Dear Life é um dos avanços, um tema que sobressai pela luminosidade de um piano e pelo fuzz intermitente de uma guitarra que deve muito aquela estética que além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica, sendo indisfarçavel a busca de uma melodia agradável e marcante e rica em detalhes e texturas. Confere...


autor stipe07 às 21:05
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Quarta-feira, 23 de Agosto de 2017

Swine Tax - Brittle

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Dizendo-se influenciados por nomes tão distitos como os The National ou os Modest Mouse, os britânicos Swine Tax são Vince Lisle, Tom Kelly e Charlie Radford, um trio oriundo de Newcastle e que tem lançado ultimamente uma série de singles disponíveis para audição no soundcloud da banda, certamente a anteciparem um registo de estreia que deverá também ver a luz do dia muito em breve.

Dessa fornada de canções divulgadas destaco os pouco mais de quatro minutos de Brittle, um tema que contém na perfeição um ambicioso punk rock de forte pendor lo fi mas que não deixa de ser também bastante audível. É feito com um baixo rugoso e vibrante e uma guitarra que inflama distorções verdadeiramente inebriantes, pedras de toque de uma composição algo exuberante pelo modo como transmite um forte sentimento de exclamação simltaneamente enérgico e intimista e que por isso facilmente cativa. Confere...


autor stipe07 às 21:24
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Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

Grandfather's House - You Got Nothing To Lose

Braga é o poiso natural do projeto Grandfather’s House, banda que surigu há cerca de meia década pelas mãos do guitarrista Tiago Sampaio, ao qual se juntou, entretanto, a irmã Rita Sampaio na voz, dupla que lançou, em 2014, o seu primeiro registo, o EP Skeleton. Entretanto, João Vitor Costeira juntou-se e pegou na bateria e já na forma de trio editaram o ano passado Slow Move, o disco de estreia. Agora, cerca de um ano depois e já com Nuno Gonçalves nas teclas, irá ver a luz do dia Diving, o segundo lançamento do projeto em formato longa duração, um trabalho gravado e produzido na Mobydick Records (Braga) por Budda Guedes e os próprios Grandfather’s House e misturado e masterizado no HAUS (Lisboa) por Makoto Yagyu. Estas oito canções irão ver a luz do dia a quinze de setembro e delas já se conhece o single You Got Nothing Lose e o respetivo vídeo, produzido e realizado por CASOTA Colective (Leiria).

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Impregnado com uma densidade peculiar no modo como hipnotiza e seduz, alicercada naquele falso minimalismo que o compasso de umas palmas, efeitos sintetizados encobertos por uma cosmicidade algo nebulosa e o efeito divagante de uma guitarra proporcionam, You Got Nothing Lose é uma excelente porta de entrada para um alinhamento que, de acordo com o press release do mesmo, vai desde o despertar de memórias que pareciam adormecidas pelo tempo, crescendo uma raiva, quase um estado depressivo, transformando-se na sua aceitação e num estado de paz de espírito. Diving irá certamente catapultar estes Grandfather's House para um lugar de relevo no cenário indie nacional e conta com as participações de Adolfo Luxúria Canibal, Nuno Gonçalves e Mário Afonso, na voz, teclados e saxofone, respectivamente. Confere...


autor stipe07 às 00:10
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Sábado, 12 de Agosto de 2017

Said The Whale – Nothing Makes Me Happy (Feat. WILLA)

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Os Said the Whale de Vancouver, no Canadá, regressaram aos discos no início deste ano com As Long As Your Eyes Are Wide e agora, alguns meses depois, divulgam um novo single que não faz parte do alinhamento desse registo. A canção initula-se Nothing Makes Me Happy e foi escrita a meias pelo grupo e por Ali Milner, amiga da banda e que canta a coberto do nome WILLA.

Nothing Makes Me Happy é um festim luminoso de forte índole sintetizada, cerca de quatro minutos que mostram o som claramente um indie rock mas com pegadas de folk, country e muita pop, onde é possível a apreciar delicadas harmonias vocais, pianos, guitarras limpas e um imenso impressionismo na escrita de uma canção que se debruça sobre o modo como as gerações mais jovens vivem obcecadas e presas à tecnologia. Confere...


autor stipe07 às 10:34
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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2017

DRLNG - Black Blue

Foto de Drlng Band.

Depois do extraordinário EP Icarus, editado em 2014, os DRLNG, uma banda de Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras) e James Newman (baixo) das cinzas dos míticos Plumerai, têm lançado uma série de temas em formato single, sendo o mais recente Black Blue, uma canção que conta com as participações especiais de Danny Chavis nas guitarras e Hayato Nakao na programação, membros dos nova iorquinos The Veldt.
Black Blue são pouco mais de cinco minutos que apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura e límpida de Eliza é um trunfo explorado positivamente até à exaustão e que ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas de Martin têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz de Eliza, como também, no fundo, à própria mensagem da canção.
Nesta composição conseguimos dissecar diferentes vias e infuências, já que, ao mesmo tempo que há uma paisagem sonora que transparece calma e serenidade, também existe na guitarra uma tensão constante, numa melodia amigável e algo psicadélica, que se arrasta até ao final num longo diálogo entre o efeito metálico e diferentes dinâmicas percussivas.
Quer Black Blue, quer os dois singles já editados antes deste, See It All e Cobra, estão disponíveis para audição e download na plataforma bandcamp do projeto.Confere...


autor stipe07 às 02:16
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