Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Temples - Volcano

Naturais de Kettering, no Reino Unido, os Temples são uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista) e que se estreou nos discos em 2014 com o excelente Sun Structures, um trabalho que viu a luz do dia através da Fat Possum. Agora, três anos depois e abrigados pela mesma etiqueta, os Temples dão a conhecer ao mundo o seu sempre difícil segundo disco, um álbum intitulado Volcano e que chegou aos escaparates no início deste mês de março.

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Em 2014, numa época em que vivia em plena orgia com o álbum homónimo de estreia dos TOY e cimentava a minha profunda relação de afecto com os The Horrors, não foi nada difícil para mim receber de braços abertos Sun Structures, o disco de estreia destes Temples, que logo me conquistaram pelo modo como me mostravam uma faceta mais luminosa e arejada de toda a vibe psicadélica em que navegava. E essa foi, desde logo, a firme impressão que eles me deixaram. Adorava e ainda hoje aprecio imenso o modo como as duas bandas acima citadas me mostram aquele lado mais contemplativo, misterioso e visceral do rock psicadélico e admiro a maneira como estes Temples conseguem mostrar-nos que há também algo de festivo e de certo modo mais descomprometido e descontraído neste subgénero do indie rock, eminentemente nostálgico.

Volcano, o segundo disco dos Temples, amplia ainda mais esta impressão, já que, mantendo a filosofia estética da estreia, contém uma produção mais cuidada e polida e uma maior insistência no sintetizador, como instrumento privilegiado de condução melódica das canções. Há uma aúrea pop mais acentuada na nova personalidade da banda e são vários os instantes em que fica plasmada com evidência nos nossos ouvidos tal intenção. A alegoria algo barroca e classicista das teclas que introduzem a pulsante (I Want To Be Your) Mirror, o modo como um efeito sideral plana, amiúde, na secção rítmica que conduz Strange Or Be Forgotten e a tonalidade desconcertante e aguda da sintetização que introduz Open Air são bons exemplos disso, três dos maiores catalizadores de efervescência ambiental e de criação do ambiente psicadélico que sustenta Volcano. Depois, o constante fuzz de fundo da guitarra ao longo do alinhamento, particularmente impressivo no groove de Roman God-like Man e, sendo mais específico relativamente a esse instrumento, o modo como a mesma gravita em redor do baixo e dos arranjos sintetizados da já referida Open Air e a forma como o riff que constrói dá as mãos ao piano em Mystery Of Pop, explicita a capacidade que nos Temples as cordas têm de orientar canções onde a intimidade também se centra no baixo e na guitarra, geralmente com extremo charme e classe, muito à moda daquele estilo alinhado, que dá alma à essência da melhor tradição do rock britânico.

Registo animado, festivo, imponente e contagiante, principalmente no modo como faz-nos, com grande eficácia, o convite para uma majestosa viagem no tempo, Volcano são pouco mais de quarenta minutos de pura lisergia sonora, que numa espécie de cruzamento entre Tame Impala, Pink Floyd e MGMT, nos oferecem um desfile de electricidade e de fuzz, rematado pela belíssima voz etérea de James, tendo tudo para se tornar num verdadeiro clássico que incorpora o melhor do rock psicadélico dos anos sessenta. Espero que aprecies a sugestão...

Temples - Volcano

01. Certainty
02. All Join In
03. (I Want To Be Your) Mirror
04. Oh The Saviour
05. Born Into The Sunset
06. How Would You Like To Go?
07. Open Air
08. In My Pocket
09. Celebration
10. Mystery Of Pop
11. Roman God-like Man
12. Strange Or Be Forgotten


autor stipe07 às 20:55
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Sábado, 28 de Janeiro de 2017

POND - 3000 Megatons vs Sweep Me Off My Feet

Depois do excelente Man It Feels Like Space Again (2015), os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso aos discos em 2017 com The Weather, um álbum que irá ver a luz do dia a cinco de maio através da Marathon Artists e do qual já são conhecidos dois temas; 3000 Megatons e Sweep Me Off My Feet. Se a primeira canção é um instante lisérgico conduzido por um sintetizador munido de um infinito arsenal de efeitos, literalmente cortado a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde nunca é descurado um forte sentido melódico, que mostra a capacidade que estes Pond têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop, já a delicada sensibilidade das cordas que suportam a monumentalidade comovente de Sweep Me Off My Feet resgata e incendeia o mais frio e empedrenido coração que se atravesse, numa canção com uma energia contagiante e libertária e que acaba de ter direito a um excelente vídeo, dirigido por Matt Sav. Já agora, torna-se obrigatório visualizar os videos dos Pond e perceber a forte ligação que existe sempre entre eles e a música, visto estarmos na preença de um coletivo que dá enorme importância à componente visual das suas composições sonoras. Confere...

Pond - 30000 Megatons

Pond - Sweep Me Off My Feet


autor stipe07 às 17:57
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Sábado, 21 de Janeiro de 2017

Menace Beach – Lemon Memory

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que estreou-se nos discos a dezanove de janeiro de 2015 com Ratworld, um trabalho que já tem sucessor. Lemon Memory chegou aos escaparates através da Memphis Industries a vinte de janeiro último e assume-se como um excelente sucessor de um registo inicial marcante para a dupla e um compêndio de canções capaz de lançar definitivamente este projeto para uma projeção superior.

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Apesar de serem britânicos, os Menace Beach puseram os ouvidos no outro lado do atlântico, visto a sua sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano, em especial o dos anos noventa. Lemon Memory é, portanto, uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock impregnado daquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções, com os problemas típicos da juventude a fazerem parte da lírica de grande parte do compêndio.

A receita é simples e ganha vida em canções simples e diretas, sem artifícios desnecessários e que se esfumam mais depressa do que um cigarro, com os principais ingredientes típicos do tal grunge e do punk rock direto e preciso, a misturarem-se com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria surfpop na mira. Esta apenas aparente amálgama prova que os Menace Beach estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

As vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado na voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras, quase sempre aceleradas e empoeiradas e que fluem livres de compromissos e com uma estética muito própria, como se percebe logo em Give Blood, o vigoroso e pulsante tema de abertura do disco.

A abertura realmente promete e logo depois, em Maybe We'll Drown, o single que antecipou o lançamento deste Lemon Memory e em Can't Get A Haircut somos sugados para o ambiente mais direto do punk rock, que tem também nas variações ritmícas de Lemon Memory o tema homónimo e no fuzz de Sentimental, dois instantes que clarificam o cuidado melódico e a impetuosidade elétrica impostos, em simultâneo, pelos Menace Beach às suas criações sonoras, dois aspetos que permitem às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora inicialmente previstas.

O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Suck It Out, uma canção inicialmente mais roqueira, sombria e lo fi e onde os Sonic Youth se fazem sentir com uma certa intensidade, até que chega o potente riff que introduz Owl e quando parece que vai instalar-se novamente um caldeirão sonoro contundente, espraia-se, sem aviso prévio, um clima mais pop, mas algo psicadélico, impregnado com mudanças de ritmo constantes e de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.

À imagem do antecessor, Lemon Memory é um exercício festivo e ligeiro, mas bastante inspirado, de uma dupla que quer ser apreciada pela sua visão atual do que realmente foi o rock alternativo, feito com as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho destes Menace Beach é, ao ouvi-los, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração para a dupla, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada, feita com canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Lemon Memory

01. Give Blood
02. Maybe We’ll Drown
03. Sentimental
04. Lemon Memory
05. Can’t Get A Haircut
06. Darlatoid
07. Suck it Out
08. Owl
09. Watch Me Boil
10. Hexbreaker II


autor stipe07 às 14:38
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Temples – Strange Or Be Forgotten

Temples - Strange Or Be Forgotten

Naturais de Kettering, no Reino Unido, os Temples são uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista) e que se estreou nos discos em 2014 com o excelente Sun Structures, um trabalho que viu a luz do dia através da Fat Possum. Agora, três anos depois e abrigados pela mesma etiqueta, os Temples irão dar a conhecer ao mundo o seu sempre difícil segundo disco, um álbum intitulado Volcano e que chegará aos escaparates no início de março.

Strange Or Be Forgotten é o primeiro single conhecido de Volcano, pouco mais de quatro minutos de pura lisergia sonora, que numa espécie de cruzamento entre Tame Impala e MGMT, nos oferecem um desfile de electricidade e de fuzz, rematado pela belíssima voz etérea de James e uma secção rítmica assertiva, sendo a bateria uma das importantes mais valias deste tema. A canção tem tudo para se tornar num verdadeiro clássico que incorpora o melhor do rock psicadélico dos anos sessenta. Confere...


autor stipe07 às 12:16
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Domingo, 15 de Janeiro de 2017

The Flaming Lips - Oczy Mlody

Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody é o nome do novo trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne e mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

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Foi no passado dia treze que chegou aos escaparates esta nova coleção de canções dos The Flaming Lips, por intermédio da Warner, uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que, por incrível que pareça, direcionam, em simultâneo, esta banda para duas direções aparentemente opostas. Assim, se canções como o single The Castle e, de modo ainda mais incisivo, os samples e as distorções vocais de Listening To The Frogs With Demon Eyes nos proporcionam a audição de um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica, de natureza hermética, que aproxima este projeto da melhor fase da sua carreira, no ocaso do século passado e início deste, já as batidas sintetizadas de Nigdy Nie (Never No) e o efeito do baixo de Do Glowy colocam os The Flaming Lips na linha da frente de alguns dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedecem a algumas das permissas mais contemporâneas da eletrónica ambiental.

Décimo quarto disco da carreira dos The Flaming Lips, Oczy Mlody posiciona o grupo no olho do furacão de uma encruzilhada sonora. se tem momentos que não deixam de funcionar como um quase aditamento às experimentações de Embryonic, a participação especial de Miley Cyrus no belíssimo tema We A Famly é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita e solidifica a habitual estratégia da banda nos últimos discos de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Podemos, sem receio, olhar para Oczy Mlody como uma grande composição que se assume num veículo pronto a conduzir-nos numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, forte oppositor de Trump, disserta sobre alguns dos maiores dilemas e perigos dos dias de hoje; O fim do mundo descrito copiosamente em There Should Be Unicorns e o verdadeiro muro das lamentações que é Almost Home (Blisko Domu), revelam-nos essa rota e apresentam a já habitual faceta fortemente humanista e impressiva da escrita deste músico de Oklahoma, mas que também é capaz de nos fazer acreditar numa posterior redenção e na esperança num mundo melhor e que pode ainda renascer, nem que seja com todos nós montados no belíssimo piano que conduz Sunrise (Eyes Of The Young), ou a relaxar ao som da suavidade fluorescente da já referida We A Famly.

No fundo, conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, os The Flaming Lips revelam neste novo trabalho composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea que Oczy Mlody, como todos os discos deste grupo, está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Sonoramente, a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre efeitos etéreos e nuvens doces de sons que parecem flutuar no céu azul, com guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico. Se em How?? parece que os The Flaming Lips enlouqueceram de vez no modo como mostram perplexidade perante tudo aquilo que hoje os inquieta, já Galaxy, I Sink revela-se um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a convincente e sombria percussão de One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente.

Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Oczy Mlody segue esta permissa temporal, agora numa espécie de futuro pós apocalítico mas, tematicamente, parece ser um trabalho muito terreno, digamos assim, porque fala imenso de todas as atribulações normais da existência comum, especialmente, como já enfatizei, na algo desregulada sociedade norte americana de hoje. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - Oczy Mlody

01. Oczy Mlody
02. How??
03. There Should Be Unicorns
04. Sunrise (Eyes Of The Young)
05. Nigdy Nie (Never No)
06. Galaxy I Sink
07. One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill
08. Do Glowy
09. Listening To The Frogs With Demon Eyes
10. The Castle
11. Almost Home (Blisko Domu)
12. We A Famly


autor stipe07 às 21:45
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2017

Cassettes On Tape – Anywhere

Depois dos eps Cathedrals (2012) e Murmurations (2014), os Cassettes On Tape, uma banda post punk formada por Joe Kozak (guitarras e voz), Greg Kozak (baixo e voz), Shyam Telikicherla (guitarras e voz) e Chris Jepson (bateria), estrearam-se finalmente nos lançamentos discográficos em formato longa duração com Anywhere, dez canções produzidas e misturadas por Jamie Carter no Atlas Studio e na Pie Holden Suite, em Chicago, cidade de onde a banda é natural e masterizadas por Carl Saff. Anywhere encontra-se disponível para audição no bandcamp da banda.

Foto de Cassettes on Tape.

Nunca o ressuscitar do post punk e do shoegaze estiveram tão em voga como nos últimos anos. Basta olhar para as tabelas mais recentes dos melhores álbuns de rock alternativo para se perceber o vigor desta tendência e o sucesso que tem sido a aposta no reviver de diversas sonoridades que despontaram mais intensamente nos anos setenta e se cimentaram, decisivamente, na década seguinte. No entanto, essa aposta atual não se tem limitado ao replicar do que era feito nessa altura e em ambos os lados do oceano atlântico; Os Cassettes On Tape são mais uma banda que aposta nessa simbiose de legados deixados por nomes como Ian Curtis ou Robert Plant, não descurando a habitual cadência proporcionada pela tríade baixo, guitarra e bateria e uma outra tendência mais virada para a psicadelia, da qual, na minha opinião, os The Horrors e os TOY são, atualmente, os expoentes máximos. Só para citar alguns exemplos, o fuzz da guitarra de Please Please Let Me Go, o sintetizador do tema homónimo e a busca de uma melodia de cariz eminentemente épico nessas canções, remetem-nos, quase automaticamente, para o universo algo sujo e rugoso, mas indisfarçadamente melancólico, idealizado por Faris Badwan, uma receita assertiva que se repete, quase transversalmente, no alinhamento deste trabalho, com particular ênfase em Ocean, canção que prima por um sofisticado bom gosto melódico, com forte impressão oitocentista e uma amostra clara do modo como este quarteto dá uma elevada primazia aos detalhes, com as teclas e alguns arranjos sintéticos a surgirem com insistência no edifício das canções, mas sempre agregados à guitarra e a belíssimos efeitos, com um forte cariz etéreo.

Assim, apesar da importância dos teclados, é nessas guitarras carregadas de reverb e distorção e na voz grave de Joe Kozak que assenta a base melódica das canções de Anywhere, os dois aspetos vitais para a assunção do prisma identitário sonoro deste grupo de Chicago. É um disco onde se escutam canções particularmente hipnóticas e com uma dimensão espacial, balizadas por um fino recorte de sensibilidade e uma sobriedade sentimental contínua. Enquanto existe um apelo sincero em Arms Are Shaking que testa a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil, com vitórias e derrotas para ambos os lados, já o baixo de Don't Want to be Your Friend equilibra um pouco as contas, emergindo-nos numa faceta mais sombria e reflexiva, para, pouco depois, Orphan Boy, uma das minhas canções preferidas deste disco, oferecer-nos um verdadeiro e indispensável tratado de indie rock que justifica imensas loas a este alinhamento, uma canção que não fica a dever nada aos melhores intérpretes atuais deste género musical.

Os Cassettes On Tape escrevem com a mira bem apontada ao nosso âmago, plasmando sonoramente sensações positivas, provocadas por um processo de criação sonora que, no caso deste grupo, deverá ser um momento reconfortante de incubação melódica, também um dos ingredientes indispensáveis para que comecemos a olhar para este coletivo com um olhar mais dedicado. Esta é uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe como agradar aos fãs e Anywhere um excelente cartão de visita e uma ótima estreia, não havendo qualquer tipo de desculpas para que os apreciadores não os possam conhecer e ouvir. Espero que aprecies a sugestão...

Cassettes On Tape - Anywhere

01. Anywhere
02. Ocean
03. Arms Are Shaking
04. Don’t Want To Be Your Friend
05. Liquid Television
06. Modern Love
07. Orphan Boy
08. Please Please Let Me Go
09. Diamonds
10. Shattered


autor stipe07 às 17:52
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

The Jesus And Mary Chain – Amputation

The Jesus And Mary Chain - Amputation

Banda icónica do punk rock alternativo de final do século passado, os escoceses The Jesus And Mary Chain acabam de anunciar o seu primeiro registo de originais do século XXI. O sucessor de Munki (1998) chama-se Damage And Joyirá ver a luz do dia a vinte e quatro de março de 2017 à boleia da ADA/Warner Music e já se conhece Amputation, o tema que abre o alinhamento do álbum.

A canção estreou na BBC na passada quinta-feira e, pela amostra, parece claro que o grupo, sem deixar de estar agregado ao estigma inerente à sua sonoridade típica, procurarará evoluir em Damage And Joy para outras sonoridades e para a exploração de diferentes territórios sonoros. O fuzz da guitarra que conduz Amputation, abriga-se numa zona de conforto mas, ao mesmo tempo, procura romper um pouco com a mesma. Confere o single e a tracklist de Damage And Joy...

01. Amputation
02. War On Peace
03. All Things Pass
04. Always Sad
05. Song For A Secret
06. The Two Of Us
07. Los Feliz (Blues and Greens)
08. Mood Rider
09. Presidici (Et Chapaquiditch)
10. Get On Home
11. Facing Up To The Facts
12. Simian Split
13. Black And Blues
14. Can’t Stop The Rock


autor stipe07 às 14:08
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Sábado, 26 de Novembro de 2016

TOY – Clear Shot

Uma das bandas fundamentais de indie rock psicadélico são os londrinos TOY de Tom Dougall (voz e guitarras), Dominic O'Dair (guitarras), Maxim Barron (baixo e voz), Max Oscarnold (sintetizadores e modulação) e Charlie Salvidge (bateria e voz). Depois de um espetacular disco homónimo de estreia e de um sucessor intitulado Join The Dots, os TOY estão de regresso aos discos com Clear Shot, dez canções que chegaram aos escaparates a vinte e oito de outubro por intermédio da Heavenly Recordings e produzidas por David Wrench.

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Claramente o disco mais arriscado e eclético da carreira dos já consagrados TOY, Clear Shot é um grandioso passo em frente na carreira de uma das bandas mais menosprezadas do cenário psicadélico atual e que são tantas vezes injustamente considerados como uma cópia dos The Horrors quando, na verdade, apesar da amizade que une os dois coletivos, têm tão pouco em comum, pelo menos no aspeto sonoro. Aqui, ao longo de dez canções assiste-se a uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que costuma caraterizar o ambiente sónica deste quinteto que, logo no tema homónimo, cerra os punhos e embrenha-nos numa viagem inebriante por décadas passadas, principalmente o krautrock dos anos setenta.

Mas, como o tal ecletismo acima referido é a pedra basilar de Clear Shot, depois de aberto o alinhamento, começa o desfile eloquente de um leque alargado de sonoridades que incluem também o punk, o psicadelismo e o post rock. Canções do calibre de Fast Silver, uma inebriante viagem psicadélica, onde merece particular realce a voz de Tom Dougall que denota aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, ainda mais quando é acompanhada por um instrumental épico e marcante, ou as variações rítmicas e de tempo que encarreiram a majestosidade de Another Dimension, assim como o dramatismo sensual e bastante revelador de Cinema e o cenário tenebroso fortemente hipnótico dos acordes progressivos de Jungle Games, uma canção capaz de revirar e repôr no sítio mentes inquietas por não terem um rumo, são alguns dos momentos maiores de um trabalho com a dupla capacidade de plasmar, como sempre, algo único e distinto e que, por isso, consegue agradar aos fiéis seguidores e, eventualmente, alargar o leque de ouvidos que procuram aprimorar-se e deliciar-se junto deste estilo musical tão peculiar.

Disco que não nos deixa aterrar de imediato e, pelo contrário, eleva-nos ainda mais alto e ao encontro do típico universo flutuante e inebriante em que assenta a psicadelia, Clear Shot levanta o queixo e empina o nariz, mas também denota aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, demonstrando que os TOY tricotam as agulhas certas num rumo discográfico enleante, que tem trilhado percursos sonoros interessantes, mas sempre pintados por uma psicadelia que escorre, principalmente, nas guitarras, cimentando o cliché que diz que gostar de TOY continua a ser, cada vez mais, uma simples questão de bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Clear Shot

01. Clear Shot
02. Another Dimension
03. Fast Silver
04. I’m Still Believing
05. Clouds That Cover The Sun
06. Jungle Games
07. Dream Orchestrator
08. We Will Disperse
09. Spirits Don’t Lie
10. Cinema


autor stipe07 às 15:44
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Domingo, 20 de Novembro de 2016

Pavo Pavo – Young Narrator In The Breakers

Eliza Bagg, Oliver Hil, Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer vêm de Brooklyn, Nova Iorque e renascidos das cinzas dos Plume Giant e com ligações estreitas a nomes tão importantes como os San Fermim ou os Here We Go Magic formam os Pavo Pavo e fazem aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, como prova Young Narrator In The Breakers, disco editado por este quinteto a onze de novembro último à boleia da Bella Union. Trabalho produzido pela dupla Danny Molad (Lucius) e Sam Cohen (Yellowbirds, Apollo Sunshine), contém doze canções com uma elegância ímpar, sustentada em guitarras plenas de charme, harmonias particularmente cativantes e sintetizadores com uma luminosidade intensa e sedutora que serviram para criar uma banda sonora feliz no modo como descreve toda aquela magia intrínseca à entrada na vida adulta, mas também os medos, as turbulências e as dúvidas e hesitações que tal passo provoca.

Pavo Pavo

No início de um percurso sonoro que se prevê auspicioso, os Pavo Pavo logo em Ran Ran Run, o tema que abre o disco, balizam com exatidão as suas coordenadas, que servem para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Young Narrator in The Breakers nos oferece, no seu todo, vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, um ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Começam, geralmente, por uma base instrumental minimal, que será aquela que vai sustentar o tema até ao seu ocaso. Tal acontece, logo no início, nos teclados, nos metais e nos coros de Annie Hall e depois acontece sempre uma explosão sónica, feita de exuberância e cor que, do território mais negro e encorpado do instrumental A Quiet Time With Spaceman Sputz, até ao jogo lascivo que se estabelece entre o baixo e o bandolim em 2020, We’ll Have Nothing Going On, passando pela nuvem de plumas que sustenta Somewhere In Iowa, tema que disserta sobre a inocência daqueles dias de verão onde tudo parece possível e a exuberância rítmica de Belle Of The Ball, ou o ambiente mais punk e até dançável do notável baixo de No Mind, mostra-nos sempre um percurso triunfante e seguro, onde abundam guitarras experimentais, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Young Narrator In The Breakers ruge nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuítivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. E fá-lo conduzido por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante dos efeitos dos violinos em que se sustenta John (A Little Time), mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Young Narrator In The Breakers tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um groove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers

01. Ran Ran Run
02. Annie Hall
03. Ruby (Let’s Buy The Bike)
04. Wiserway
05. A Quiet Time With Spaceman Sputz
06. Somewhere In Iowa
07. Belle Of The Ball
08. The Aquarium
09. No Mind
10. John (A Little Time)
11. Young Narrator In The Breakers
12. 2020, We’ll Have Nothing Going On


autor stipe07 às 14:56
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

Jagwar Ma - Every Now & Then

Os Jagwar Ma são Jono Ma, Jack Freeman e Gabriel Winterfield uma banda australiana apaixonada pelas sonoridades alternativas dos anos noventa e que procuram promover na sua música uma espécie de simbiose entre a neopsicadelia desenvolvida, por exemplo, pelos Primal Scream, a brit pop dos Blur no período Parklife e os próprios Stone Roses. Fazem canções cheias de colagens e sobreposições instrumentais, que em Howlin, o disco de estreia do projeto, encarnaram uma espécie de súmula de alguns dos mais interessantes detalhes sonoros dessa época.

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Quase no ocaso de 2016 os Jagwar Ma estão de regresso aos discos com Every Now & Then, o sucessor de Howlin, e através da insuspeita Mom+Pop/Marathon. São onze temas produzidos por Ewan Pearson e gravados aqui, na Europa, em dois locais; Na pitoresca ruralidade de França, numa quinta que tem um estúdio chamada La Brèche e no famoso Le Bunker, no norte de Londres.

Os Beastie Boys foram uma inspiração clara para os Jagwar Ma neste disco e O B 1, canção que conta com a participação especial de Stella Mozgawa das Warpaint e Give Me A Reason, os dois singles divulgados do trabalho, demonstram-no, quer no pendor nostálgico dos tais anos noventa, mas também na contemporaneidade de duas canções, que num misto de pop, eletrónica e pequenas experimentações próximas do rock, exemplificam a massa sonora que sustenta o disco e que, como sabemos, caraterizam uma vasta coleção de propostas musicais que nos dias de hoje nos chegam dos quatro cantos do mundo. E esta simbiose entre uma faceta mais orgânica e outra eminentemente sintética baseou-se, desta vez, numa aproximação mais concerta a uma sonoridade que pudesse ser facilmente transposta para o palco, já que uma das lacunas apontadas ao antecessor era a dificuldade em transportar a riqueza e a heterogeneidade do seu conteúdo para o palco, com apenas três músicos. Assim, canções do calibre da efusiante High Rotations ou da hipnótica e contagiante Slipping, por exemplo, são excelentes temas para serem dançados por grandes multidões e passíveis de verem a sua vibração e entusiasmo serem facilmente reproduzidas ao vivo.

Disco com uma tremenda sensibilidade pop, algures entre Tampe Impala e Animal Collective e com uma epicidade incomum e um fulgor que instiga e faz mover quase de modo instintivo, Every Now & Then assume-se como uma ode ao melhor revivalismo neopsicadélico. É um alinhamento coeso e incisivo, que carrega consigo sobreposições eletrónicas vintage e uma pop algo aventureira, sem descurar, num aparente exercício sonoro experimental, a construção de uma identidade própria que permite aos Jagwar Ma criarem raízes no grande público e, ao mesmo tempo, fazerem-no dançar quase como se não houvesse amanhã. Espero que aprecies a sugestão...

Jagwar Ma - Every Now And Then

01. Falling
02. Say What You Feel
03. Loose Ends
04. Give Me A Reason
05. Ordinary
06. Batter Up
07. O B 1
08. Slipping
09. High Rotations
10. Don’t Make It Right
11. Colours Of Paradise


autor stipe07 às 17:40
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