Domingo, 26 de Junho de 2016

Band Of Horses - Why Are You Ok

Foi a dez de junho e à boleia da Interscope Records que chegou aos escaparates Why Are You Ok, o novo registo de originais dos norte americanos Band Of Horses, um trabalho produzido por Jason Lytle e sucessor do aclamado Mirage Rock, um álbum editado já em 2012. Casual Party, o primeiro avanço divulgado de Why Are You Ok, é uma canção com uma exuberância instrumental ímpar e um frenesim melódico bastante impressivo e o restante alinhamento acaba por confirmar um trabalho cheio de interseções entre guitarras e sintetizadores, criadas por uns Band Of Horses que são já hoje um dos grupos mais respeitáveis do cenário rock do país natal e que chegam ao quinto disco a cimentar as referências sonoras que durante quase uma década têm sido essenciais para o grupo, sem aparente sinal de desgaste.

A escolha de Jason Lytle, um guru do rock progressivo que se notabilizou no dealbar deste milénio com o muito aclamado Software Plump, atraiu desde logo as atenções da crítica especializada para este novo álbum do projeto liderado por Ben Bridwell, com as opiniões a centrarem-se numa ausência de meio termo em relação à bitola qualitativa de Why Are You Ok. E a verdade é que as doze composições do disco puxam essa noção de termo para o lado mais radioso e desejado da análise, já que este é um disco efusivo e grandioso, para ser contemplado com deleite e atenta dedicação.

Logo no misticismo de Dull Times/The Moon, uma relação simbiótica entre dois temas que se apresentam num pacote único, fica plasmada não só uma enorme beleza melódica, mas também uma elevada riqueza instrumental e uma seleção de arranjos e efeitos, ao nível das guitarras que conferem à canção uma paleta de cores de agradável contemplação. Estes aspetos acabam por ser transversais a todo o disco, que se reveste de uma certa espiritualidade, com a encorpada Solemn Oath e a enorme beleza dos teclados e das cordas de Hag a acabarem por nos fazer imaginar, espontaneamente, algumas das mais deslumbrantes paisagens naturais de uma América com uma identidade muito própria e que este grupo de Seattle tão bem expressa.

Um dos maiores atributos de Why Are You Ok é, claramente, a capacidade que este disco tem de nos oferecer toda a amálgama que hoje define o ideário sonoro dos Band Of Horses, projeto que ao longo da carreira sempre teve um carimbo folk fortemente impregnado, mas que no seu adn é, acima de tudo, uma banda rock, com tudo aquilo que em termos de abrangência isso significa para o reportório de um coletivo. Assim, se o verdadeiro e clássico indie rock acaba por ser alvo de revisão feliz e fraterna na já referida Casual Party e também em In A Drawer e se o tal lado folk surge de modo impressivo em Throw My Mess, acaba por por ser nos arranjos singelos que circundam Whatever, Wherever e na simplicidade desarmante da crueza acústica e lo fi de Country Teen e no pendor sombrio e introspetivo de Barrel House, que os Band Of horses mostram os predicados maiores que foram adicionados ao rol de adjetivos que caraterizam hoje o típico som do trupo.

Melhor registo deste grupo até ao momento e um dos lançamentos de referência do ano, Why Are You Ok é um disco que exala uma elevada fluidez e uma saudável honestidade, por parte de uma banda que não quer sentir-se presa a balizas que condicionem o seu processo de construção melódica, mas movimentar-se livremente pelo manancial de oportunidades que o indie rock proporciona a quem tem capacidade criativa suficiente para explorar profundamente um género sonoro com caraterísticas muito próprias, mas que possibilitam inúmeras abordagens e explorações. Com este disco os Band Of Horses obtêm o legítimo direito de passarem a ser considerados com uma dos projetos atuais que melhor sustenta esta teoria. Espero que aprecies a sugestão...

Band Of Horses - Why Are You OK

01. Dull Times/The Moon
02. Solemn Oath
03. Hag
04. Casual Party
05. In A Drawer
06. Hold On Gimme A Sec
07. Lying Under Oak
08. Throw My Mess
09. Whatever, Wherever
10. Country Teen
11. Barrel House
12. Even Still


autor stipe07 às 19:47
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Terça-feira, 24 de Maio de 2016

Damien Jurado - Visions Of Us On The Land

Lançado no passado mês de março pela Secretly Canadian, Visions Of Us On The Land é o novo compêndio de canções do norte americanos Damien Jurado e encerra uma trilogia iniciada em 2012 com Maraqopa, disco ao qual se seguiu Brothers and Sisters of the Eternal Son, dois anos depois.  Este Visions Of Us On The Land foi  produzido por Richard Swift e confirma Damien Jurado como um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas de uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente Jurado.

Este Visions Of Us On The Land é, portanto, uma homenagem profunda aquela América feita de índios e cowboys, mas também de pioneiros, viajantes e exploradores, uma narrativa vibrante onde vozes e instrumentos compôem um painel muito impressivo que nos permite viajar no tempo. E nessa demanda podemos ir até às montanhas rochosas do Utah, à neve do Alasca, ao sol da Califórnia e ao pó do deserto texano ou aos desfiladeiros de Yellowstone, à medida que apreciamos descrições vivas e intensas de cenários que muitas vezes só vemos em filmes.

Assim, e citando alguns dos instantes mais impressivos de um alinhamento que é, no seu todo, um retrato vivo, se Mellow Blue Polka Dot nos coloca bem no centro de um acampamento índio, já o rock psicadélico setentista de Lon Bella senta-nos ao volante de um descapotável em plena Route 66, sem destino fixo, enquanto QACHINA deixa-nos apreciar deslumbre paisagístico de montanhas verdejantes, com fontes de água pura ainda intactas e onde ursos, águias, lobos e veados coabitam pacificamente, sem nunca terem sentido a presença humana.

O alinhamento prossegue e não há como evitar uma enorme sensação de conforto ou esconder o sorriso perante o excelente registo vocal que conduz ONALASKA, o êxtase percussivo carregado de sol da inebriante Walrus, a majestosidade melódica de Exit 353, a cândura e a inocência de Queen Anne ou o aconchegante dedilhar da viola da noturna e introspetiva On The Land Blues, outros exemplos da excelência de um disco que, sendo já o décimo segundo da carreira de Damien Jurado, é um dos momentos maiores da sua carreira, pricncipalmente pelo modo como este músico se coneta com o solo que diariamente pisa e o honra e preserva, mostrando-nos, numa jornada evocativa, o melhor que tem e que sente pelo seu país. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - Visions Of Us On The Land

01. November 20

02. Mellow Blue Polka Dot
03. QACHINA
04. Lon Bella
05. Sam And Davy
06. Prisms
07. ONALASKA
08. TAQOMA
09. On The Land Blues
10. Walrus
11. Exit 353
12. Cinco De Tomorrow
13. And Loraine
14. A.M. AM.
15. Queen Anne
16. Orphans In The Key Of E
17. Kola


autor stipe07 às 21:29
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

Telekinesis – Ad Infinitum

Oriundo de Seattle, o baterista e compositor norte americano Michael Lerner é um nome cada vez mais emergente e respeitado no cardápio da Merge Records. Refiro-me ao cerebro por trás do projeto Telekinesis que tem em Ad Infinitum o seu disco mais recente, um álbum que viu a luz do dia a dezoito de setembro e já o quarto do cardápio desta banda que começou o seu trajeto com um homónimo em 2009 e ao qual se seguiram ainda 12 Desperate Straight Lines (2011) e Dormarion (2013).

Embrenhado na cave da sua cidade natal onde tem o seu próprio estúdio de gravação e a passar um momento pessoal feliz já que se casou recentemente, Lerner procura sempre, de disco para disco, ser mais ambicioso e extrovertido no modo como aborda o universo da pop, mas sem descurar uma sonoridade bastante elétrica e próxima do rock n'roll. É uma demanda sonora que, como se percebe logo em Sylvia, olha sem receio para o alto de uma grandiosidade sonora e melódica que não anseia calcorrear os caminhos sempre arriscados e os desafios que o experimentalismo progressivo geralmente coloca. Seja em baladas tranquilas conduzidas pelas teclas sintetizadas, como In A Future World, ou outras composições mais agitadas, como Courtesy Phone ou a inspiradora Farmers Road, esse conceito de amplitude e até alguma magnificiência está sempre presente, normalmente abrigado numa série de camadas eletrónicas e percussões frenéticas, com os timbres de voz a serem frequentemente editados e permeados por uma atmosfera quase espacial, num resultado final com um forte apelo a um saudosismo vintage que se saúda. A sequência final Ad Infinitum part. 1 Ad Infinitum part. 2 acaba por ser o instante sequencial nevrálgico desta demanda quase obsessiva, mas saudável, porque todo o arsenal instrumental utilizado, mas também o acerto e o bom gosto da voz, nomeadamnete no modo como enfatiza o cariz fortemente sensorial da escrita de Lerner, conseguem replicar alguns dos alicerces essenciais do género sonoro em que o disco se quer legitimamente situar.

De facto, Telekinesis está cada vez mais confiante e assertivo no modo como agrega os sintetizadores com as guitarras e fá-lo, em Ad Infinitum, enclausurado numa espécie de máquina do tempo que o levou e depois nos leva até ao período mais aúreo e exuberante da synth pop e a new wave, em plena década de oitenta do século passado. Basta apreciarmos comodamente a batida cadenciada e um tanto sonhadora do single Sleep In e logo se percebe que, felizmente, este músico menos efusivo e mais reflexivo e sonhador não está nada preocupado em agradar às massas e sem intenções comerciais imediatas, mas antes imbuído de ambições e anseios bem maiores e superlativamente recompensadores. Espero que aprecies a sugestão... 

Telekinesis - Ad Infinitum

01. Falling (In Dreams)
02. Sylvia
03. In A Future World
04. Courtesy Phone
05. Sleep In
06. Edgewood
07. It’s Not Yr Fault
08. Farmers Road
09. Ad Infinitum Pt. 1
10. Ad Infinitum Pt. 2


autor stipe07 às 21:19
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2015

Space Daze – Capture A Thing

Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista ecompositor dos consagrados Seapony e Capture A Thing o segundo disco desta aventura musical de um músico oriundo de Seattle. Disponível para audição no bandcamp do projeto, este trabalho encontra nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que impressionam, uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Em nove canções que se esgotam em menos de meia hora, Danny oferece-nos um disco curto, mas incisivo no modo como replica uma dream pop luminosa, jovial e vibrante e que atira certeiro ao puro experimentalismo, à medida que as cordas vão passeando por diferentes nuances sonoras, sempre com o denominador comum acima referido.

Se Far Away levita em redor de uma névoa lo fi com um ligeiro travo acústico à mistura, já Sunlight Waves e Wasn't Anyone são duas peças sonoras eminentemente acústicas, com quase dois pés na folk e que oferecem-nos uma espécie de monumentalidade comovente. Refiro-me a dois extraordinários tratados sonoros que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração, enquanto plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no disco, a capacidade que Danny possui para compôr peças sonoras melancólicas, com elevado sentido melódico e uma vincada estética pop. Depois, o esplendor de cor e delicadeza que exala das cordas de Was Never, ou a distorção algo pueril da guitarra que conduz Everyone Knows, prendem-nos definitivamente a um álbum com um tempero muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atingem à boleia deste músico um estado superior de consciência e profundidade.

Capture A Thing é a afirmação clara de um músico que prova ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Danny tem a capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, que acaba por se tornar na banda sonora perfeita para um fim de tarde quente e prolongado, enquanto se prepara mais um churrasco e salta a tampa das primeiras garrafas daquela caixa de cerveja que vai animar mais um feliz serão entre aqueles amigos de ontem, de hoje e de sempre. Espero que aprecies a sugestão...

Space Daze - Capture A Thing

01. Intro
02. Far Away
03. Sunlight Waves
04. Wasn’t Anyone
05. Was Never
06. Everyone Knows
07. How It Is
08. Alone In The Shadows
09. By The Road


autor stipe07 às 21:22
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Sábado, 26 de Setembro de 2015

Say Hi – Bleeders Digest

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente tem o sugestivo nome de Bleeders Digest, um trabalho que chegou aos escaparates pela mão da Barsuk Records e o nono na carreira de um artista que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental e sempre com um ambiente sonoro certamente movido a muita testosterona.

Bleeders Digest sucede a Endless Wonder, um álbum editado o ano passado e marca mais um capítulo numa saga fictional onde cada tomo se debruça sobre uma temática precisa, com os vampiros a serem, desta vez, o mote de onze canções onde não falta uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, o rock setentista, o rock de garagem e o blues. Se temas como The Grass Is Always Greener e Creatures Of The Night, o single já retirado do disco, assentam num sintetizador melodicamente assertivo e numa percussão convincente, além de guitarras plenas de groove e distorção, já Teeth Only For You abranda um pouco o clima, mas não o ritmo, já que a receita mantém-se, mas numa toada mais nostálgica e épica.

Se o disco merece audição atenta pelo seu todo, a diversidade plasmada nesses três exemplos acentua a justeza da necessidade de este músico obter, finalmente, um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Aliás, o modo convincente como em Transylvania (Torrents Of Rain, Yeah) e Pirates Of The Cities, Pirates Of The Suburbs, Say Hi serve-se da grandiosidade das guitarras e de variações ritmícas e melódicas constantes, enquanto se debruça a fundo no universo sobrenatural e menos empírico dos vampiros, além de carimbar a enorme dose de criatividade que nele habita, sugere que este autor busca sempre novas nuances para o seu cardápio, curiosamente dentro de um som mais experimental e que não parece ter sido planeado para as rádios e os estádios, mas que tem, quanto a mim, potencial para um elevado airplay.

Até ao ocaso de Bleeders Digest, a imensa soul que desliza pelo piano arrebatador e pelos detalhes sintéticos de Galaxies Will Be Born e a monumentalidade instrumental de Volcanoes Erupt, que desliza até ao krautrock, são outros pontos de paragem obrigatória numa viagem única de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos cinquenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o adn da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido a uma voz que, ao longo do trabalho, preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Bleeders Digest

01. The Grass Is Always Greener
02. It’s A Hunger
03. Creatures Of The Night
04. Transylvania (Torrents Of Rain, Yeah)
05. Lover’s Lane (Smitten With Doom)
06. Teeth Only For You
07. Time Travel Part Two
08. Pirates Of The Cities, Pirates Of The Suburbs
09. Galaxies Will Be Born
10. Volcanoes Erupt
11. Cobblestones

 


autor stipe07 às 21:36
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2015

Seapony – A Vision

Depois de Go With Me (2011) e Falling (2012), os Seapony de Danny Rowland, Jen Weidl e Ian Brewer estão de regresso aos discos com A Vision, um trabalho que conta com a participação especial do percussionista Aaron Voros. A Vision é o terceiro compêndio de originais desta banda de Seattle e chegou aos escaparates, como é hábito nos Seapony, pela mão da insuspeita da Hardly Art Records.

Oriundos de uma cidade onde a água é um dos elementos predominantes da paisagem, a sensação de expansão, grandiosidade e de vida que tal evidência provoca, como sabem todos aqueles que residem em locais banhados por este liquido, influencia certamente a música destes Seapony. A Vision, o novo disco do grupo, é um verdadeiro oceano de indie pop melancólica, fabricada por um sintetizador vintage, linhas de guitarra com efeitos deslumbrantes, um baixo insinuante e uma percussão quase sempre acelerada e cheia de vigor.

A luminosidade dançante e aconchegante de Saw The Light, além de nos confortar com a cândura da voz de Weidl, mostra-nos todos aqueles tiques etéreos, nos quais os Seapony são mestres e depois, à boleia de temas como Bad Dream, assente numa guitarra nostálgica, ou das cordas acústicas de Everyday All Done, New Circle e, principalmente, Go Nowhere, planamos em redor de um surf indie pop, lo fi e, que desta vez olha com uma perspetiva mais cuidada para aquele ambiente acústico, impregnado de cândura e que lembra a melancolia do final do verão, como se esta estação quisesse prolongar-se pelo outono fora.

Os Seapony vivem, acima de tudo, desta relação intima e sedutora entre a voz doce de Weidl e as cordas de Rowland, dois músicos que contrastam e complementam-se de modo intuitivo espontâneo, enquanto se debruçam sobre temas comuns como o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios. Na verdade, a abordagem poética e contemplativa que este grupo tem da existência humana, dos dias e das noites, exala sempre um enorme romantismo, seja qual for o ponto de observação e o quadrante abordado, mostrando-nos o sabor doce e amargo da vida tal como a conhecemos, com a mesma intensidade e emoção, à boleia de melodias simples, mas fortemente aditivas. São composições eficazes no modo como nos fazem navegar num mar de sensações e enquanto as escutamos e elas escorrem pelos nossos ouvidos, quase se pode sentir o sal que delas palpita e que vai servir depois para temperar os nossos dias, confortados agora por estas canções com um cariz sonoro e instrumental melódico e que às vezes sendo um pouco lo fi e shoegaze, dá-lhes aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico. Espero que aprecies a sugestão...

Seapony - A Vision

01. Saw The Light
02. Bad Dream
03. Couldn’t Be
04. Everyday All Alone
05. Hollow Moon
06. Let Go
07. A Place We Can Go
08. Go Nowhere
09. In Heaven
10. New Circle
11. A Vision


autor stipe07 às 22:01
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Domingo, 5 de Julho de 2015

The Soft Hills – Cle Elum

Depois de Chromatisms e Departure, os norte americanos The Soft Hills de Garrett Hobba estão de regresso com Cle Elum, um novo tomo de canções, que viram a luz do dia a doze de maio por intermédio da Tapete Records.

Um dos projetos mais profícuos dos últimos anos na costa oeste dos Estados Unidos, os The Soft Hills têm em Garrett Hobba a sua grande força motriz e sendo este disco escrito na íntegra e produzido pelo próprio, acaba por ser, naturalmente, um reflexo muito pessoal de um músico sensível e emotivo e dono de uma voz que vinca, com particular ênfase, essas caraterísticas, projetando tudo aquilo que mexe consigo e preenche o seu coração. O orgão minimal e o modo suplicante como Hobba se expressa em Temple of Heavan e, em oposição, a luminosidade da flauta, da viola acústica e das vozes de San Pablo Bay, apresentam-nos, logo na abertua de Cle Elum, a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor da Califórnia, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva de uma Seattle que já foi também poiso do músco .

Mais calmo e acústico que os antecessores, Cle Elum é uma ode explícita à tipica folk norte-americana, com origens e uma matriz singular e um dedilhar de guitarra muito próprio. O modo como alguns efeitos nublosos se misturam com as cordas em My Lucky Pal, por exemplo, contém todos esses genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio. E depois, na simplicidade melódica de temas como Feathers que, com uma simples harmonia e algumas teclas transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprova-se que as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que, ainda por cima, é, como já referi, detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar.

Em suma, num disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Cle Elum

01. Temple Of Heavan
02. San Pablo Bay
03. Gold Leaves
04. My Lucky Pal
05. The Mess You’re In
06. Into The Lately
07. Skeleton Key (Return To The Earth)
08. Feathers
09. Singing A Song Nobody Knows
10. In The Cool Breath Of Morning
11. It’s A Perfect Day
12. Transient Hotels


autor stipe07 às 17:54
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Sexta-feira, 13 de Março de 2015

Death Cab For Cutie – The Ghosts Of Beverly Drive

Depois de Black Sun, os norte americanos Death Cab For Cutie acabam de revelar mais um tema de Kintsugi, o novo álbum desta banda de Seattle, que tem edição agendada para o dia 31 de Março.

The Ghosts Of Beverly Drive é o nome desse segundo avanço e pela amostra, um indie rock épico, luminoso e assente em guitarras inspiradas será, certamente, o referencial sonoro do disco proposto por uma banda que pretende infletir sonoramente neste novo trabalho em busca de sonoridades inéditas no seu cardápio e que já confessou não querer ficar permanentemente agarrada ao seu som típico. Confere...

Death Cab For Cutie - The Ghosts Of Beverly Drive


autor stipe07 às 13:18
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Domingo, 1 de Março de 2015

CLIQUE​, ​LOOSE TOOTH​, ​GHOST GUM​, MUMBLR - CLIQUE​/​/​LOOSE TOOTH​/​/​GHOST GUM​/​/​MUMBLR SPLIT

CLIQUE//LOOSE TOOTH//GHOST GUM//MUMBLR SPLIT cover art

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época.

Os Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, são um dos grandes destaques desse movimento, mas há outras bandas locais que parecem querer calcorrear um percurso semelhante e, unindo esforços, chegar a um número cada vez mais de ouvintes.

Com o alto patrocínio da Fleeting Yourh Records, de Ryan M., os Clique, os Loose Thoot e os Ghost Gum, deram as mãos aos já consagrados Mumblr e editaram um EP, em que cada banda contribuiu com um tema, disponível para download gratuíto e que pretende ser uma porta de entrada acessível para esta sonoridade rugosa e envolvente, feita de guitarras que apontam em diferentes direções, sempre acompanhadas pelo baixo que, frequentemente, não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico dos temas. Confere...

 


autor stipe07 às 14:48
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

Death Cab For Cutie – Black Sun

Death Cab For Cutie - Black Sun

Os norte americanos Death Cab For Cutie relevaram recentemente o primeiro single de Kintsugi, o novo álbum desta banda de Seattle, que tem edição agendada para o dia 31 de Março.

Black Sun é o nome desse primeiro avanço e pela amostra, um indie rock épico, luminoso e assente em guitarras inspiradas será, certamente, o referencial sonoro do disco. Confere...


autor stipe07 às 17:06
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