Sexta-feira, 13 de Março de 2015

Death Cab For Cutie – The Ghosts Of Beverly Drive

Depois de Black Sun, os norte americanos Death Cab For Cutie acabam de revelar mais um tema de Kintsugi, o novo álbum desta banda de Seattle, que tem edição agendada para o dia 31 de Março.

The Ghosts Of Beverly Drive é o nome desse segundo avanço e pela amostra, um indie rock épico, luminoso e assente em guitarras inspiradas será, certamente, o referencial sonoro do disco proposto por uma banda que pretende infletir sonoramente neste novo trabalho em busca de sonoridades inéditas no seu cardápio e que já confessou não querer ficar permanentemente agarrada ao seu som típico. Confere...

Death Cab For Cutie - The Ghosts Of Beverly Drive


autor stipe07 às 13:18
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Domingo, 1 de Março de 2015

CLIQUE​, ​LOOSE TOOTH​, ​GHOST GUM​, MUMBLR - CLIQUE​/​/​LOOSE TOOTH​/​/​GHOST GUM​/​/​MUMBLR SPLIT

CLIQUE//LOOSE TOOTH//GHOST GUM//MUMBLR SPLIT cover art

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época.

Os Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, são um dos grandes destaques desse movimento, mas há outras bandas locais que parecem querer calcorrear um percurso semelhante e, unindo esforços, chegar a um número cada vez mais de ouvintes.

Com o alto patrocínio da Fleeting Yourh Records, de Ryan M., os Clique, os Loose Thoot e os Ghost Gum, deram as mãos aos já consagrados Mumblr e editaram um EP, em que cada banda contribuiu com um tema, disponível para download gratuíto e que pretende ser uma porta de entrada acessível para esta sonoridade rugosa e envolvente, feita de guitarras que apontam em diferentes direções, sempre acompanhadas pelo baixo que, frequentemente, não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico dos temas. Confere...

 


autor stipe07 às 14:48
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

Death Cab For Cutie – Black Sun

Death Cab For Cutie - Black Sun

Os norte americanos Death Cab For Cutie relevaram recentemente o primeiro single de Kintsugi, o novo álbum desta banda de Seattle, que tem edição agendada para o dia 31 de Março.

Black Sun é o nome desse primeiro avanço e pela amostra, um indie rock épico, luminoso e assente em guitarras inspiradas será, certamente, o referencial sonoro do disco. Confere...


autor stipe07 às 17:06
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014

Black Whales – Through The Prism, Gently

Oriundos de Seattle, os norte americanos Black Whales são Alex Robert, Ryan Middleton, Dave Martin, Adam Fream e Mica Crisp. Já fazem música juntos desde 2008 e estrearam-se nos discos em 2011. Sensivelmente três anos após a estreia, com Shangri-La Indeed, estão de regresso com Through The Prism, Gently, um trabalho produzido por Eric Corson e Alex Robert, o líder e principal compositor do grupo e  que viu a luz do dia a onze de novembro, sendo dedicado a Rick Parashar, um amigo da banda entretanto desaparecido.

Começa-se a escutar o som analógico e claramente vintade do introdutório instrumental Split Personalities e percebemos imediatamente que a escuta desta álbum levar-nos-á forçosamente numa máquina do tempo que, tendo em conta Avalon, não se cingirá a uma época específica, mas aos primórdios do rock nos anos sessenta, a psicadelia na década seguinte e o indie rock mais sombrio e sintetizado nos anos oitenta, sendo este, de certa forma, o largo período temporal que define a cartilha sonora deste quarteto oriundo de Seattle. Curiosamente, tal leque alargado que define o som do grupo, sendo proposto, como acontece neste caso, com elevado bom gosto e criatividade, confunde mesmo o ouvido mais experimentado, porque torna bastante ténue a fronteira entre o retro e o futurista, estabelecendo pontes entre o passado e o futuro, ainda por cima numa época em que abundam as propostas de elevada bitola qualitativa que se apoiam no mesmo conceito.

Seja como for, se quisermos encontrar um elemento agregador de tudo aquilo que define o som dos Black Whales, a pop psicadélica, será uma boa forma de caraterizar a banda, que teve um enorme cuidado na produção do disco, procurando que as canções soassem límpidas e luminosas. O solo de guitarra alegre de The Warm Parade, asim como a percussão cheia de cor e a melodia que o sintetizador replica no refrão, fazem deste tema um extraordinário exemplo da tal luz épica e deslumbrante que dá ao som dos Black Whales aquela sensação de intemporalidade típica do power pop americano clássico que nunca sai de moda.

Em Are You The Matador, a voz em reverb, fortemente sintetizada e a presença do baixo na linha da frente do arsenal instrumental, são mais uma prova de abrangência e de heterogeneidade, mas sempre com o tal fulcro na psicadelia que se evidencia não só pelo fuzz das guitarras, como pelos arranjos que envolvem, em inúmeras situações e também neste tema, a presença quase impercetivel de um orgão.

O segundo instrumental do alinhamento, Red Fantastic, permite-nos olhar um pouco em redor e recuperar o fôlego das fortes sensações que a audição dedicada da primeira parte do disco provocou no nosso íntimo. O posicionamento deste tema não é inocente já que, de seguida, escuta-se algo inédito em Come Get Immortalized, nomeadamente a preponderância da vertente mais acústica das cordas que guiam uma balada que nos permite aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Tal beleza utópica assente no particular deslumbramento que o dedilhar da viola causa, estende-se de um modo mais introspetivo em No Sign Of Life, mesmo quando o tema toma um rumo mais roqueiro e sensual, atingindo o auge numa aceleração que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

Estas duas canções dão o mote para o que resta de Through The Prism, Gently, com a viagem temporal a continuar a fazer-nos avançar e recuar, num vai e vem vertiginoso e, infelizmente, nada linear. Se O Fortuna e Tiny Prisms (delicioso o detalhe da cítara) são uma verdadeira ode ao experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela percussão visceral, pelo baixo encorpado e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem nas composições, que vão acelerando e aumentando o nível de ruído e de distorção à medida que avançam, já o fuzz e a distorção da guitarra em Do You Wanna Dance?, leva-nos ao período mais shoegaze do rock clássico, em plena década de setenta e o piano e o efeito em eco da sedutora You Don't Get Your Kicks acelera novamente os ponteiros e embarca-nos num clima enganadoramente doce e, por isso, potencialmente lisérgico.

Há uma farta beleza utópica nas composições dos Black Whales, assim como as belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Throught The Prim, Gently esbanja todo o esmero e a paciência do quarteto em acertar os mínimos detalhes de um disco. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop psicadélica e rock progressivo.

A banda criou uma campanha de angariação de fundos para poder editar o disco fisicamente. Espero que aprecies a sugestão...

Black Whales - Through The Prism, Gently

01. Spilt Personalities
02. Avalon
03. The Warm Parade
04. Are You The Matador
05. Red Fantastic
06. Come Get Immortalized
07. No Sign Of Life
08. O Fortuna
09. Do You Wanna Dance?
10. You Don’t Get Your Kicks
11. Tiny Prisms
12. Metamorphosis


autor stipe07 às 17:33
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Sábado, 27 de Setembro de 2014

Perfume Genius - Too Bright

Editado no passado dia vinte e três de setembro por intermédio da Matador Records, Too Bright é o novo álbum de Perfume Genius, aka Mike Hadreas, um músico natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos nomes mais excitantes do cenário alternativo. Dois anos depois, Put Your Back N 2 It ofereceu-nos momentos sonoros soturnos e abertamente sofridos e agora, em Too Bright, Hadreas amplia as suas virtudes como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são profundamente autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam  connosco com elevada empatia.

Gravado com Adrian Utley dos Portishead e com a participação especial de John Parish em vários temas, Too Bright é um disco inteiramente dominado por uma voz que se faz acompanhar de um ilustre piano, enquanto relata eventos de uma vida com alguns detalhes que nem sempre são particularmente agradáveis. Mike teve grandes dificuldades em lidar com a homofobia que sempre sentiu em redor devido à sua condição sexual e ao processo de recuperação que teve de encetar devido a uma dependência do álcool e das drogas, algo que a atmosfera lo-fi dos seus álbuns ilustra como uma necessidade confessional de resolução e redenção. Como o próprio Hadreas, os seus discos são delicados, emocionantes, e inerentemente tristes.

Too Bright não é uma inflexão radical em relação à toada dos trabalhos anteriores, mas há aqui algo mais intenso, também por causa das suas mudanças na vida pessoal e que, ao escutarmos a sua música, sentimos enorme curiosidade em conhecer. A forma contundente como Mike abre-nos o seu coração, impele-nos ao desejo de conhecer melhor o homem por detrás do piano e dos sintetizadores, os dois grandes pilares instrumentais de Too Bright e que, no caso dos últimos, alargaram exponencialmente o leque de possibilidades melódicas e de tomada de decisões ao nível dos arranjos.

Sendo então um artista que já confessou que não consegue fazer música se ela não falar sobre si próprio e que aproveitou, ainda, para referir que continua a guardar muitos segredos dentro de si, em Too Bright os timbres distorcidos de Queen, a dinâmica melosa e emotiva de Fool e a pop vintage de Grid, são exemplos nítidos sobre a forma como Mike criou neste trabalho, através de um aparato tecnológico mais amplo, caminhos de expressão musical inéditos na sua discografia e, simultaneamente, novas formas de se revelar a quem quiser conhecer a sua personalidade.

Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial para a mente criativa do músico, tendo em conta as especificidades da sua realidade que já referi, apenas genericamente. A voz grave e algo enraivecida e ferida que se escuta em I'm A Mother e que se distorce ainda mais em My Body, à medida que a componente instrumental sintética cria, nesta última, um ambiente sinistro e nos suga para o interior do âmago de Hadreas, provoca em nós um sentimento de repulsa, porque sentimos vontade de lutar contra essa evidência mas, por outro lado, causa uma atração intensa, como se não quisessemos deixar tão cedo de escutar este momento de verdadeiro delírio.

Perfume Genius é, como vemos, mestre na forma como utiliza a dor para transformar a sua intimidade em algo universal e na maneira como aborda de forma inédita as relações e a fragilidade humana. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada por ele na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída.

Too Bright faz justiça ao nome porque traz-nos luz... Não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas o contacto e a tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. É uma luz suplicante, que luta contra os nossos desejos, ou que quer apenas ser a materialização deles, emanada de um disco sombrio e, por isso, muito forte, enquanto plasma uma nova faceta do percurso discográfico do autor. Espero que aprecies a sugestão...

Perfume Genius - Too Bright

01. I Decline
02. Queen
03. Fool
04. No Good
05. My Body
06. Don’t Let Them In
07. Grid
08. Longpig
09. I’m A Mother
10. Too Bright
11. All Along

 


autor stipe07 às 13:59
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Space Daze – Follow My Light Back Home

Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista ecompositor dos consagrados Seapony e Follow My Light Back Home o seu primeiro disco desta nova aventura musical de um músico oriundo de Seattle e que encontra nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que o impressionam. Com uma edição física limitada a cem cópias e no formato cassete, através da Pea Green Cassette, Follow My Light Back Home tem um belíssimo artwork da autoria de Jen Weidl e está também disponivel para download no bandcamp da Beautiful Strange, uma editora independente sedeada em Londres.

Follow My Light Back Home são doze canções em pouco mais de vinte e seis minutos, um disco curto mas incisivo e onde Danny não perdeu o espírito nostálgico e sentimental da escrita e composição que costuma sugerir nos Seapony, já que estamos na presença de um trabalho cheio de letras pessoais, que falam da forma como o músico sente o mundo que o rodeia, com canções como The Voices of StrangersIts Getting Lighter Earlier, ou o tratado folk I'll Know Tomorrow, a mostrarem a fina fronteira que existe muitas vezes entre a dor e a redenção.

Instrumentalmente, Space Daze é um projeto fortemente influenciado pela pop britânica dos anos oitenta, feita por nomes tão consagrados como Echo And The Bunnymen e os The Smiths. E letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados. Assim, durante esta meia hora que o disco dura somos constantemente inundados por belíssimos arranjos de cordas que dão vida a improvisações melódicas com aquela forte componente etérea que nos deixa a levitar e que criam paisagens etéreas e melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias, mas onde também não deixa de brilhar, amiúde, uma bateria inspirada e guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições. Kill Me é um lindíssimo exemplo da conjugação de todos estes ingredientes, com um resultado final verdadeiramente  jovial, vibrante e luminoso.

Space Daze é a afirmação clara de um músico que consegue provar definitivamente ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Danny tem a capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, que acaba por se tornar na banda sonora perfeita para um fim de tarde quente e prolongado, enquanto se prepara mais um churrasco e salta a tampa das primeiras garrafas daquela caixa de cerveja que vai animar mais um feliz serão entre aqueles amigos de ontem, de hoje e de sempre. Espero que aprecies a sugestão...

Space Daze - Follow My Light Back Home

01. Woke Up In The Summer

02. The Voices Of Strangers
03. Line Up On The Solstice
04. It’s Getting Lighter Earlier
05. It Becomes Silent
06. Going Out
07. I’ll Know Tomorrow
08. Having A Bad Time
09. Follow My Light Back Home
10. Kill Me
11. Close The Curtains
12. The Fireflies Are Gone

 


autor stipe07 às 23:25
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Say Hi – Endless Wonder

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente é Endless Wonder, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de junho, por intermédio da Barsuk Records e já o oitavo da carreira de um artista que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental, mas sempre com um ambiente sonoro certamente movido a muita testosterona.

Uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, onde não falta o rock setentista, o rock de garagem e o blues é a pedra de toque incial deste disco, já que Hurt In The Morning e Such A Drag, o single já retirado do disco, assentam num sintetizador melodicamente assertivo e num baixo bastante encorpado, além de guitarras plenas de groove e distorção. Critters abranda um pouco o ritmo mas a receita mantém-se, agora numa toada mais nostálgica e torna-se claro que Eric merece obter um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Com uma década de carreira, o músico parece ter atingido o ponto mais alto de uma discografia com alguns momentos marcantes, apresentando agora novas nuances e um som mais experimental, que não parece ter sido planeado para as rádios e os estádios, mas que tem potencial para um elevado airplay.

Momentos como o groove que destila imensa soul de When I Think About You,  o baixo de Like Apples Like Pears, o efeito arrojado e a secção de metais de Figure It Out ou o sintetizador minimal que abre The Trouble With Youth e que depois desliza até ao krautrock, são outros quatro exemplos que mostram que Say Hi estará no apogeu do seu estado de maturidade e mais arrojado do que nunca, na sua viagem de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos cinquenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o ADN da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido à voz fantástica de Eric, que atinge o apogeu interpretativo em Figure It Out, mas que ao longo do trabalho preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. O que aqui temos é uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Endless Wonder

01. Hurt In The Morning
02. Such A Drag
03. Critters
04. When I Think About You
05. Like Apples Like Pears
06. Figure It Out
07. Clicks And Bangs
08. Sweat Like The Dew
09. Love Love Love
10. The Trouble With Youth


autor stipe07 às 21:15
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Quinta-feira, 27 de Março de 2014

The Soft Hills - Departure

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.

Entretanto, já em 2013, chegou o terceiro álbum; Lançado em fevereiro desse ano, Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofundou a sonoridade proposta pelo disco anterior. Agora, cerca de um ano depois, já é conhecido o quarto tomo da discografia dos Soft Hills; O álbum chama-se Departure e mantém a aposta dos The Soft Hills na abordagem de diferentes espetros sonoros dentro do universo indie.

Departure é um disco de contrastes: sente-se o sol, harmonias e calor da Califórnia e o escuro, falta de cor e a chuva de Seattle. O disco conjuga a típica toada pop, com alguma folk implícita, à mistura com a psicadelia europeia e o rock alternativo de início dos anos oitenta. O resultado final envolve-nos num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio, algo que comprova, uma vez mais as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição, ele que, ainda por cima, é detentor de uma voz única e incomparável.

Seja através de efeitos com ecos e com reverb das guitarras, ou através do simples dedilhar de uma corda acústica, ou de um efeito sintetizado luminoso, ou sombrio, Departure levanta voo em Nova Iorque (The Golden Hour), com a ajuda dos Interpol e aterra na Berlim governada por Bowie nos anos setenta (Stairs). Pelo meio não deixa de abordar também os caraterísticos sons da folk, momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e, como já referi, por tiques típicos da psicadelia.

Em suma, num disco eclético e variado, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, mas desta vez também cruzaram o atlântico em busca das raízes do indie rock mais sombrio, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. O single Golden Hour está disponivel no soundcloud da Tapete Records. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Deaprture

01. Golden Hour
02. Black Flowers
03. Road To The Sun
04. The Fold
05. White Queen
06. Reverie
07. How Can I Explain?
08. Here It Comes
09. Blue Night
10. Belly Of A Whale
11. Stairs


autor stipe07 às 21:25
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Domingo, 23 de Março de 2014

Virgin Of The Birds - Every Revelry

Every Revelry é o primeiro single retirado de Winter Seeds, o disco de estreia dos Virgin Of The Birds, uma banda norte americana liderada por Jon Rooney, natural de Seattle e que tem causado expetativa devido a vários Eps que foram sendo gravados, desde 2009 e que estão disponíveis no site da banda.

O tema está disponível para download gratuito e impressiona por ser um excelente exemplo de uma típica melodia pop simples, proporcionada por uma guitarra muito luminosa. Confere...


autor stipe07 às 21:49
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Sábado, 15 de Março de 2014

Posse – Soft Opening

Lançado no passado dia quatro deste mês, Soft Opening é o novo disco dos Posse, um grupo formado por Paul Wittmann-Todd, Sacha Maxim e Jon Salzman, que nasceu em 2010 quando Paul e Sacha se conheceram num bar lésbico de Seattle, tendo o baterista Jon juntado-se pouco depois à dupla. Soft Opening viu a luz do dia através da Beating A Dead Horse Records, sucede a um álbum de estreia homónimo, foi gravado integralmente no sotão de Sacha e foi misturado por José Diaz Rohena e masterizado por Mell Dettmer.

Se a simplicidade de processos e uma evidente quimica estiveram na génese da formação dos Posse, basta ouvir Soft Opening para perceber que esses conceitos também fazem parte da identidade sonora da banda. Não há grandes segredos neste disco e essa é uma das suas principais virtudes, já que todas as canções assentam em linhas de guitarra bastante melódicas, onde os arranjos dessas cordas são dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e também numa percurssão pouco variada mas marcante e aditiva. Esta receita instrumental, onde cada elemento tem o seu próprio espaço e existe um protagonismo equilibrado entre cordas e secção ritmíca, é simples, mas extremamente eficaz e perfeita para a voz algo discreta mas muito encantadora de Paul que, juntamente com Sacha, foram o núcleo duro dos Posse.

Delay pedals and 27 years of disappointmen é uma frase chamariz que os Posse utilizam para descrever a música que fazem e, na verdade, Soft Opening é um delicioso compêndio para os verdadeiros apreciadores de um indie rock feito com guitarras, que tanto é capaz de assumir uma toada épica e mais ampla, enriquecida por longos instrumentais, algo muito audível nas variações de intensidade de Shut Up, Talk e Zone, assim como aquele indie rock ligeiramente pop e implicitamente dançável, muito patente no início do disco, na convidativa sequência assegurada por Interesting Thing No. 2 e Afraid.

Estamos na presença de oito canções que contêm a produção algo psicadélica típica da década de oitenta e as transformações sonoras que o indie rock experimentou na década seguinte, para musicar letras que falam das típicas angústias de quem está a deixar para trás uma juventude que foi vivida num período de fortes duvidas existenciais e se prepara para abrir as portas da idade adulta e pede, como fica explícito em Zone, no fim do disco, que o deixem levar por diante esse processo evolutivo pessoal, sem intromissões e de acordo com os seus mais intímos desejos (Don't touch Me, I'm In My Zone). Espero que aprecies a sugestão...

Posse - Soft Opening

01. Interesting Thing No. 2
02. Afraid
03. Talk
04. Shut Up
05. Jon
06. 2U
07. Cassandra B.
08. Zone

 


autor stipe07 às 15:06
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