Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Space Daze – Follow My Light Back Home

Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista ecompositor dos consagrados Seapony e Follow My Light Back Home o seu primeiro disco desta nova aventura musical de um músico oriundo de Seattle e que encontra nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que o impressionam. Com uma edição física limitada a cem cópias e no formato cassete, através da Pea Green Cassette, Follow My Light Back Home tem um belíssimo artwork da autoria de Jen Weidl e está também disponivel para download no bandcamp da Beautiful Strange, uma editora independente sedeada em Londres.

Follow My Light Back Home são doze canções em pouco mais de vinte e seis minutos, um disco curto mas incisivo e onde Danny não perdeu o espírito nostálgico e sentimental da escrita e composição que costuma sugerir nos Seapony, já que estamos na presença de um trabalho cheio de letras pessoais, que falam da forma como o músico sente o mundo que o rodeia, com canções como The Voices of StrangersIts Getting Lighter Earlier, ou o tratado folk I'll Know Tomorrow, a mostrarem a fina fronteira que existe muitas vezes entre a dor e a redenção.

Instrumentalmente, Space Daze é um projeto fortemente influenciado pela pop britânica dos anos oitenta, feita por nomes tão consagrados como Echo And The Bunnymen e os The Smiths. E letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados. Assim, durante esta meia hora que o disco dura somos constantemente inundados por belíssimos arranjos de cordas que dão vida a improvisações melódicas com aquela forte componente etérea que nos deixa a levitar e que criam paisagens etéreas e melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias, mas onde também não deixa de brilhar, amiúde, uma bateria inspirada e guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições. Kill Me é um lindíssimo exemplo da conjugação de todos estes ingredientes, com um resultado final verdadeiramente  jovial, vibrante e luminoso.

Space Daze é a afirmação clara de um músico que consegue provar definitivamente ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Danny tem a capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, que acaba por se tornar na banda sonora perfeita para um fim de tarde quente e prolongado, enquanto se prepara mais um churrasco e salta a tampa das primeiras garrafas daquela caixa de cerveja que vai animar mais um feliz serão entre aqueles amigos de ontem, de hoje e de sempre. Espero que aprecies a sugestão...

Space Daze - Follow My Light Back Home

01. Woke Up In The Summer

02. The Voices Of Strangers
03. Line Up On The Solstice
04. It’s Getting Lighter Earlier
05. It Becomes Silent
06. Going Out
07. I’ll Know Tomorrow
08. Having A Bad Time
09. Follow My Light Back Home
10. Kill Me
11. Close The Curtains
12. The Fireflies Are Gone

 


autor stipe07 às 23:25
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Say Hi – Endless Wonder

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente é Endless Wonder, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de junho, por intermédio da Barsuk Records e já o oitavo da carreira de um artista que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental, mas sempre com um ambiente sonoro certamente movido a muita testosterona.

Uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, onde não falta o rock setentista, o rock de garagem e o blues é a pedra de toque incial deste disco, já que Hurt In The Morning e Such A Drag, o single já retirado do disco, assentam num sintetizador melodicamente assertivo e num baixo bastante encorpado, além de guitarras plenas de groove e distorção. Critters abranda um pouco o ritmo mas a receita mantém-se, agora numa toada mais nostálgica e torna-se claro que Eric merece obter um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Com uma década de carreira, o músico parece ter atingido o ponto mais alto de uma discografia com alguns momentos marcantes, apresentando agora novas nuances e um som mais experimental, que não parece ter sido planeado para as rádios e os estádios, mas que tem potencial para um elevado airplay.

Momentos como o groove que destila imensa soul de When I Think About You,  o baixo de Like Apples Like Pears, o efeito arrojado e a secção de metais de Figure It Out ou o sintetizador minimal que abre The Trouble With Youth e que depois desliza até ao krautrock, são outros quatro exemplos que mostram que Say Hi estará no apogeu do seu estado de maturidade e mais arrojado do que nunca, na sua viagem de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos cinquenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o ADN da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido à voz fantástica de Eric, que atinge o apogeu interpretativo em Figure It Out, mas que ao longo do trabalho preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. O que aqui temos é uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Endless Wonder

01. Hurt In The Morning
02. Such A Drag
03. Critters
04. When I Think About You
05. Like Apples Like Pears
06. Figure It Out
07. Clicks And Bangs
08. Sweat Like The Dew
09. Love Love Love
10. The Trouble With Youth


autor stipe07 às 21:15
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Quinta-feira, 27 de Março de 2014

The Soft Hills - Departure

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.

Entretanto, já em 2013, chegou o terceiro álbum; Lançado em fevereiro desse ano, Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofundou a sonoridade proposta pelo disco anterior. Agora, cerca de um ano depois, já é conhecido o quarto tomo da discografia dos Soft Hills; O álbum chama-se Departure e mantém a aposta dos The Soft Hills na abordagem de diferentes espetros sonoros dentro do universo indie.

Departure é um disco de contrastes: sente-se o sol, harmonias e calor da Califórnia e o escuro, falta de cor e a chuva de Seattle. O disco conjuga a típica toada pop, com alguma folk implícita, à mistura com a psicadelia europeia e o rock alternativo de início dos anos oitenta. O resultado final envolve-nos num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio, algo que comprova, uma vez mais as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição, ele que, ainda por cima, é detentor de uma voz única e incomparável.

Seja através de efeitos com ecos e com reverb das guitarras, ou através do simples dedilhar de uma corda acústica, ou de um efeito sintetizado luminoso, ou sombrio, Departure levanta voo em Nova Iorque (The Golden Hour), com a ajuda dos Interpol e aterra na Berlim governada por Bowie nos anos setenta (Stairs). Pelo meio não deixa de abordar também os caraterísticos sons da folk, momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e, como já referi, por tiques típicos da psicadelia.

Em suma, num disco eclético e variado, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, mas desta vez também cruzaram o atlântico em busca das raízes do indie rock mais sombrio, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. O single Golden Hour está disponivel no soundcloud da Tapete Records. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Deaprture

01. Golden Hour
02. Black Flowers
03. Road To The Sun
04. The Fold
05. White Queen
06. Reverie
07. How Can I Explain?
08. Here It Comes
09. Blue Night
10. Belly Of A Whale
11. Stairs


autor stipe07 às 21:25
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Domingo, 23 de Março de 2014

Virgin Of The Birds - Every Revelry

Every Revelry é o primeiro single retirado de Winter Seeds, o disco de estreia dos Virgin Of The Birds, uma banda norte americana liderada por Jon Rooney, natural de Seattle e que tem causado expetativa devido a vários Eps que foram sendo gravados, desde 2009 e que estão disponíveis no site da banda.

O tema está disponível para download gratuito e impressiona por ser um excelente exemplo de uma típica melodia pop simples, proporcionada por uma guitarra muito luminosa. Confere...


autor stipe07 às 21:49
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Sábado, 15 de Março de 2014

Posse – Soft Opening

Lançado no passado dia quatro deste mês, Soft Opening é o novo disco dos Posse, um grupo formado por Paul Wittmann-Todd, Sacha Maxim e Jon Salzman, que nasceu em 2010 quando Paul e Sacha se conheceram num bar lésbico de Seattle, tendo o baterista Jon juntado-se pouco depois à dupla. Soft Opening viu a luz do dia através da Beating A Dead Horse Records, sucede a um álbum de estreia homónimo, foi gravado integralmente no sotão de Sacha e foi misturado por José Diaz Rohena e masterizado por Mell Dettmer.

Se a simplicidade de processos e uma evidente quimica estiveram na génese da formação dos Posse, basta ouvir Soft Opening para perceber que esses conceitos também fazem parte da identidade sonora da banda. Não há grandes segredos neste disco e essa é uma das suas principais virtudes, já que todas as canções assentam em linhas de guitarra bastante melódicas, onde os arranjos dessas cordas são dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e também numa percurssão pouco variada mas marcante e aditiva. Esta receita instrumental, onde cada elemento tem o seu próprio espaço e existe um protagonismo equilibrado entre cordas e secção ritmíca, é simples, mas extremamente eficaz e perfeita para a voz algo discreta mas muito encantadora de Paul que, juntamente com Sacha, foram o núcleo duro dos Posse.

Delay pedals and 27 years of disappointmen é uma frase chamariz que os Posse utilizam para descrever a música que fazem e, na verdade, Soft Opening é um delicioso compêndio para os verdadeiros apreciadores de um indie rock feito com guitarras, que tanto é capaz de assumir uma toada épica e mais ampla, enriquecida por longos instrumentais, algo muito audível nas variações de intensidade de Shut Up, Talk e Zone, assim como aquele indie rock ligeiramente pop e implicitamente dançável, muito patente no início do disco, na convidativa sequência assegurada por Interesting Thing No. 2 e Afraid.

Estamos na presença de oito canções que contêm a produção algo psicadélica típica da década de oitenta e as transformações sonoras que o indie rock experimentou na década seguinte, para musicar letras que falam das típicas angústias de quem está a deixar para trás uma juventude que foi vivida num período de fortes duvidas existenciais e se prepara para abrir as portas da idade adulta e pede, como fica explícito em Zone, no fim do disco, que o deixem levar por diante esse processo evolutivo pessoal, sem intromissões e de acordo com os seus mais intímos desejos (Don't touch Me, I'm In My Zone). Espero que aprecies a sugestão...

Posse - Soft Opening

01. Interesting Thing No. 2
02. Afraid
03. Talk
04. Shut Up
05. Jon
06. 2U
07. Cassandra B.
08. Zone

 


autor stipe07 às 15:06
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

Damien Jurado - Brothers and Sisters of the Eternal Son

A indie folk de Damien Jurado está de regresso, mais bela do que nunca, com Brothers and Sisters of the Eternal Son, o décimo primeiro disco do músico, lançado no passado dia vinte e um de janeiro por intermédio da Secretly Canadian. Brothers And Sisters of the Eternal Son foi produzido por Richard Swift (The Shins), que já tinha trabalhado com Jurado em Maraqopa, a obra prima que o músico lançou em 2012

 

Brothers And Sisters of the Eternal Son é, de acordo com o próprio Damien, baseado num sonho que o músico teve sobre alguém que desaparece e que sai de casa sem nada que o identifique, com o único e simples propósito de desaparecer sem deixar qualquer rasto. O disco é uma sequela de Maraqopa, um álbum que já abordava a temática da ideia de fuga, como a forma mais eficaz de cada um se reencontrar e captar com exatidão a sua essência, mas é, acima de tudo, o retrato de uma América que poucos conhecem, tornada personagem principal do disco no rufar dos tambores que nos levam numa longa viagem pelo interior mais profundo de um país que, por muito moderno que seja, no dia em que renegar a sua essência mitológica, feita de apaches e yankees, perderá todo o sentido. E essa essência ganha vida tanto na tundra a norte, como nas longas pradarias a oeste, ou nos vastos desertos a sul, num universo imenso de tribos, crenças e cores que, de Nova Iorque a Los Angeles, passando pela Seattle de Jurado, está cheia de espaços vazios e estranhas personagens que parecem fantasmas cinzentos.

No meio dessa gente que vagueia numa América traumatizada pelo Iraque e que ora agarrada à crença inabalável nos drones, ora com receio de contar os seus sonhos mais íntimos ao telefone, Jurado é uma sombra, uma tecla de um piano, uma folha de vento que voa ao som de um dedo que se aconchega na corda de uma guitarra, é um fantasma do nosso melhor amigo que nunca mais vimos, um cronista desse território tornado, através destas canções, assentes quase sempre numa lindíssima folk acústica, na materialização da sua própria alma.

Ao contar o que lhe invade a alma, quando se refugia no vazio ou no estúdio mais próximo e reflete sobre a sua América, Jurado segura com todas as forças na viola e transforma-a na sua arma de destruição maciça predileta. Devidamente artilhado, despeja as munições em pleno território amigo, sedento por poder ajudar os seus conterrâneos, que vivem em estados de espírito que oscilam entre o conformismo e a esperança sem sentido, a conseguirem vislumbrar uma centelha de luz, que poderá estar na lindíssima voz que escorre em Silver Joy, a canção mais longa do disco, com um groove algo caribenho e dançante, mas também em Silver Donna e Silver Katharine e que mesmo quando é sintetizada em Jericho Road, insiste em professar que nele está a luz, o caminho, a verdade e a vida.

Brothers and Sisters of the Eternal Son é um compêndio de pequenas polaroides em preto e branco, um disco que condensa, em pouco mais de meia hora, sarcasmo feroz e melancolia, em doze canções que criam atmosferas quase transcendentais, com pitadas de psicadelismo, arranjos barrocos e espirituais, e por isso resultam em algo que garante sucessivas audições, por dias a fio. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - Brothers And Sisters Of The Eternal Son

01. Magic Number
02. Silver Timothy
03. Return To Maraqopa
04. Metallic Cloud
05. Jericho Road
06. Silver Donna
07. Silver Malcolm
08. Silver Katherine
09. Silver Joy
10. Suns In Our Mind

 


autor stipe07 às 20:53
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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2013

La Luz - It's Alive

Naturais de Seattle, as La Luz são um quarteto formado por Shana Cleveland (guitarra), Marian Li Pino (bateria), Abbey Blackwell (baixo) e Alice Sandahl (teclados) e que aposta no punk rock, com alguns detalhes da surf music. Assinaram em julho pela insuspeita Hardly Art Records e no passado dia quinze de outubro chegou aos escaparates It's Alive, o disco de estreia da banda. Big Big Blood foi o primeiro avanço do disco, um tema disponibilizado gratuitamente pela editora.

As La Luz eram já um nome muito seguido no cenário indie e alternativo de Seattle desde que em 2012 surpreenderam com Damp Face, um EP com cinco temas que impressionaram pelo grau de maturidade do som do grupo e pela qualidade do mesmo, ainda por cima com uma edição de autor, que depois, já em fevereiro deste ano, foi reeditada pela Burger Records e está disponível no bandcamp do grupo.

Esses temas contidos em Damp Face apresentaram ao mundo a sonoridade típica dos La Luz, descrita acima, com a particularidade de terem uma toada um pouco mais polida e luminosa do que vários grupos que apostam no mesmo espectro sonoro, um fato que poderá advir de este ser um grupo exclusivamente feminino. Seja como for, este é um grupo com uma elevada pujança nas atuações ao vivo e parece-me que este quarteto de miúdas gosta imenso de interagir com o público e pôr toda a gente a dançar. Esta postura é muito importante nas La Luz até porque o conteúdo de It's Alive é propício à festa e à celebração.

Com a mudança de etiqueta melhoraram ainda mais as condições para a banda criar e produzir um som ainda mais límpido, algo que, no caso das La Luz joga muito a seu favor, porque as melodias que criam quase que exigem essa nitidez sonora para se expandirem e ganharem cor. Continua lá o reverb nas guitarras e a típica rugosidade que dá poder e músculo às canções, mas estas são agora ainda mais vivas e cristalinas, muito por causa dos efeitos e da produção do teclado de Sandhal.

Call Me In The Day é uma excelente canção pop, que se destaca exatamente pelo tal brilho, quer da melodia, quer da voz e Sure As Spring realça um outro aspeto que enfatiza a capacidade das La Luz em criar algo radioso, neste caso a emoção que as letras conseguem transparecer. Até a forma como Shana, em determinada altura, canta o paradoxo em que diz que quer morrer porque essa é a única forma de se sentir realmente viva, demonstra a positividade e a apologia ao nome da banda que este quarteto feminino procurou reproduzir neste disco de estreia.

Há mais dois temas que merecem uma audição atenta devido à sua componente instrumental única; Falo de Phantom Feelings e do orgão de Sunstroke, duas canções que poderiam facilmente fazer parte da banda sonora de um pequeno filme que nos mostrasse um quente e radioso dia de verão, junto a uma praia qualquer, a transbordar,de biquinis, bolas de borracha, gelados, bicicletas e corpos bronzeados refastelados num areal com a lotação esgotada.

It's Alive é um nome muito feliz para um trabalho quente, alegre e feliz, cheio de canções que nos soam, simultaneamente, a algo já familiar e até retro e vintage, mas também moderno e inovador. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Sure as Spring
02. All the Time
03. Morning High
04. What Good Am I?
05. Sunstroke
06. It's Alive
07. Big Big Blood
08. Call Me in the Day
09. Pink Slime
10. Phantom Feelings
11. You Can Never Know


autor stipe07 às 21:08
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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

Pearl Jam - Lightning Bolt

Lançado no passado dia catorze de outubro por intermédio da Universal Music, Lightning Bolt é o décimo disco dos norte americanos Pearl Jam, uma banda liderada pelo carismático Eddie Vedder, uma das personalidades mais importantes do universo musical das últimas duas décadas. Lightning Bolt foi produzido por Brendan O'Brien e sucede a Backspacer, um disco editado há cerca de quatro anos, em setembro de 2009.


Nascidos no início da década de noventa no apogeu do movimento grunge, os Pearl Jam sempre cultivaram a sua imagem e procuraram passar uma mensagem de correção e de não alinhamento com ideologias, tendo apenas ficado famosos por algumas manifestações e comentários públicos contra a MTV ou a indústria musical. Dessa forma, foram passando sempre um pouco ao lado da controvérsia e mantido uma espécie de aúrea em redor, que até lhes conferiu um lado misterioso, já que, não havendo polémicas, também nunca houve a exploração do lado pessoal e social dos músicos da banda e, por isso, além do gosto de Vedder pelo surf, pouco mais se sabe da vida pessoal de cada um.

Este grupo de músicos sempre cultivou uma forte amizade e criou uma espécie de manto protetor em redor, o que explicará esta longevidade, que obviamente se saúda, ainda por cima quando se fala de um dos grupos que conseguiu sobreviver ao declinio e ao estigma do grunge e que tem sido um dos mais criativos e consistentes do panorama rock alternativo das últimas décadas.

Mas afinal, a que se deve esta consistência? Como se descreve? Os Pearl Jam deram início à sua carreira com Ten, Vs. e Vitalogy, três discos essenciais para firmar a herança sonora do grupo. Mas de No Code para cá, o percurso dos Pearl Jam tem sido mais sinuoso, entre álbuns experimentais como esse e Yield e os mais adultos Binaural, Riot Act, Pearl Jam e Backspacer. Posto assim, o novo milénio tem sido vivido numa espécie de auto-gestão, algo que atinge o apogeu neste Lightning Bolt. E isso nota-se não só na parte instrumental do disco, como na voz de Vedder, cada vez mais ponderada e a correr menores riscos.

Seja como for, Lightning Bolt tem canções memoráveis, apesar de, no meu caso pessoal, achar que foi um enorme tiro ao lado a passagem pelo universo punk em Mind Your Manners, assim como a cansativa Pendulum, uma canção que pelos vistos serve para Vedder explicar-se perante os fãs, já que nela declama no meio de uma linha de piano orquestrada e muita tensão I'm in the fire but I'm still cold nothing works works for me anymore.
Um dos grandes temas do disco é, sem dúvida, a épica Sirens, mas também gostei muito de Yellow Moon. O tema homónimo é um dos mais comerciais do álbum, já que tem uma assinalável grandiosidade e será talvez o tema onde a voz de Vedder mais se destaca. Também apreciei particularmente o baixo de My Father’s Son e Swallowed Whole está muito bem associada a uma viagem grandiosa, enquanto Let The Records Play é feita com um blues rock enérgico e dançante. Sleeping By Myself é uma fantástica canção de verão e confere um clima mais alegre ao disco. Finalmente, Future Days parece ter sido deixada propositalmente para o final, já que é um tema que ressoa uma extrema intimidade relativamente a Eddie, uma canção com elevado teor acústico, à semelhança dos seus álbuns a solo.
Em Lightning Bolt não há propriamente momentos brilhantes ou uma canção que venha a configurar no top das cinco melhores canções de sempre no grupo. Por ser tão homogéneo, às vezes fica aquela sensação que os Pearl Jam encontraram essa tal zona de conforto e não querem mais sair dela, ou por falta de ideias, ou por mera ausência de necessidade ou vontade de provar algo, seja a quem for, porque já o fizeram anteriormente. No entanto, apesar de Lightning Bolt ser um dos momentos menos inspirados na carreira deste banda de Seattle e desta postura atual, que pode conduzir o grupo a um futuro muito semelhante ao dos Roling Stones, saúda-se a vontade dos Pearl Jam em continuar a tocar e a mostrar ao mundo intreiro a música que permanece nos seus corações. Espero que aprecies a sugestão...

Pearl Jam - Lightning Bolt

01. Getaway
02. Mind Your Manners
03. My Father’s Son
04. Sirens
05. Lightning Bolt
06. Infallible
07. Pendulum
08. Swallowed Whole
09. Let The Records Play
10. Sleeping By Myself
11. Yellow Moon
12. Future Days


autor stipe07 às 20:48
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Sábado, 13 de Julho de 2013

Hibou - Dunes EP

Hibou é Peter Michel, um músico de Seattle que tem estado a fazer upload de temas da sua autoria. A primeira canção que divulgou foi a atmosférica Glow, divulgada em Curtas... CI e inserida no EP homónimo editado em maio. Algumas semanas depois foi a vez de Sunder, canção já incluida neste EP e que partilhei em Curtas... CV.

Tanto Glow como Sunder são dois temas que nos remetem para uma indie pop lo fi  e retro, com uma sonoridade bastante etérea e que me recordou imediatamente os Beach Fossils e os DIIV. E essa toada mantém-se nas outras três canções deste trabalho, uma espécie de brisa refrescante e nostálgica nestes dias tão quentes, feita com guitarras bastante aditivas e uma percurssão muito fluída.

Dunes foi gravado na própria casa de Michel, lançado a treze de junho e está disponível para download no bandcamp do projeto, pelo preço que quiseres e gratuitamente no soundcloud do músico. Confere...

 Dunes EP cover art


autor stipe07 às 22:05
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

The Soft Hills – Chromatisms

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.

Entretanto já chegou o terceiro álbum; Lançado no passado dia oito de fevereiro e disponível para audição no bandcamp da banda, Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofunda a sonoridade proposta pelo disco anterior. Contendo Riding High e Sweet Louise (o primeiro single retirado do disco), dois temas impregnados com a sujidade de um Neil Young, uma acidez lírica e com profundas raízes no rock, não deixam de abordar também os caraterísticos sons da folk, nomeadamente em Dear Mr. Moonlight e na soturna On The Beach, dois temas que devido às guitarras e à percurssão me soaram a um cruzamento feliz entre Fleet Foxes e Pink Floyd.

Mas Chromatisms não se baliza apenas por estas duas tendências sonoras; Há um momento épico em Mighty River e depois chega-nos o centro espiritual do disco com Payroll e a belíssima linha melódica de Un; Estes dois temas estão cheio de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e por tiques típicos da psicadelia, devido aos ecos e ao reverb das guitarras.

À imagem do que fazem os seus primos Fleet Foxes e My Morning Jacket, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, sendo Chromatisms um convite feito por Hobba e os seus companheiros para uma viagem sonora pelo interior desse país e das suas raízes, através de uma escrita que apela a tradições e eventos do passado, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

01. Riding High
02. Sweet Louise
03. Marigolds
04. Dear Mr. Moonlight
05. Payroll
06. Un
07. Horse And Carriage
08. The Gifts You Hide
09. Mighty River
10. Desert Rose


autor stipe07 às 22:08
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

The Green Pajamas – Death By Misadventure

Os The Green Pajamas formaram-se em 1984 na cidade norte americana de Seattle e atualmente são formados por Jeff Kelly, Joe Ross, Laura Weller, Scott Vanderpool e Eric Lichter. Considerados pela crítica como uma das bandas mais ativas e inventivas do cenário alternativo local, lançaram em 2012 três álbuns, Green Pajamas Country, Summer of Lust e Death By Misadventure, sendo o último o que aqui apresento e mais um importante capítulo da sua já longa discografia. Death By Misadventure foi editado através de uma importante editora underground local, a Green Monkey Records, depois de já terem editado álbuns através de outras editoras, nomeadamente a Bomp!, Camera Obscura e a Get Hip.

Death By Misadventure é já o trigésimo álbum dos The Green Pajamas, um trabalho conceptual que configura uma espécie de peça musical, uma ópera rock à volta de um tema épico intitulado The Fall Of The Queen Bee.

If The Universe is Full Of Noise, então os The Green Pajamas terão uma importante palavra a dizer na banda sonora criada com o exclusivo propósito de demonstrar a uma qualquer entidade exterior do que os humanos são capazes de produzir de melhor no universo indie mais progressivo e psicadélico. É um pouco incompreensível constatar que esta banda liderada pelo carismático Jeff Kelly é muito pouco conhecida e um mistério decifrar os motivos pelos quais se manteve praticamente incógnita ao longo de quase trinta anos, tantos quantos os discos que já lançou. O primeiro foi editado na primavera de 1984, quando Jeff Kelly e Joe Ross gravaram Summer Of Lust, com o firme propósito de representarem uma alternativa credível ao na altura florescente cenário alternativo de Los Angeles.

Death By Misadventure é um estonteante exercício de psicadelia, cheio de referências relacionadas com o sobrenatural, mitos, romances e lendas antigas! Um álbum conceptual, como já referi, sobre o ciclo da vida de uma colmeia e, por isso, com algumas ideias sinistras, mesmo quando as canções falam do sol ou da magia da vida, já que tudo gira em torno da morte da abelha rainha, comida depois pelos seus súbditos e da celeuma que isso causa no seio da própria colmeia. Essa morte é detalhada com todo o requinte em The Queen Bee’s Last Tango, quando se pode escutar She strips off her girdle, slips off her swastika ring, While 17 boys dressed up as dolls and toys blow the king, In the opium fog, the prince and his dog start to sing, And there’s no sense of the sorrow to befall them all tomorrow. Uma festa, portanto...

Em suma, da folk balcânica de The Queen Bee Is Dead à pop feita com teclados sintetizados de 2nd To The Reward, a fazer lembrar Golden Brown dos The Stranglers, Death By Misadventure prova que os The Green Pajamas têm uma incrível capacidade de se envolver em torno de uma ideia e dar-lhe vida, levando-nos, desta vez, através de um fluxo sonoro bastante teatral, para o interior de uma colmeia, num trabalho que vai muito além das próprias canções e que comprova o génio e a extrema capacidade inventiva desta banda de Seattle. Espero que aprecies a sugestão...

01. You Can’t Look
02. Ring Around The Sun
03. The Universe Is Full Of Noise
04. Sky Blue Balloon
05. The Queen’s Last Tango
06. Silk’s Final Breath
07. The Queen Bee Is Dead
08. Wrong Home
09. A Piece Of A Dream
10. Carrie
11. Rain Runs Down
12. Beat Me Sally
13. Supervirgin
14. Christabel
15. In The Moonlight Dim
16. The Spell


autor stipe07 às 21:02
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Seapony – Falling

Os Seapony são de Seattle acabam de editar Falling, através da Hardly Art Records, o segundo disco do grupo, que sucede ao extraordinário Go With Me, de 2011. Falling viu a luz do dia a onze de setembro e foi gravado em casa de Danny Rowland, o guitarrista da banda e misturado nos estúdios Dub Narcotic, em Washington, por Bob Schwenkler.

O disco tem uma sonoridade leve e simples e está muito bem produzido. Repete a fórmula bem sucedida da estreia, numa banda conotada com a chamada surf pop; Assim, Falling é assente em melodias simples e com tiques etéreos, comandadas pela doce voz de Jen Weidl. É um surf indie pop, lo fi e carregado de cândura, na linha do que fazem uns Belle & Sebastian e que lembra a melancolia do final do verão, como se esta estação quisesse prolongar-se pelo outono fora.

O disco vir apenas um ano após a estreia é um sintoma de enorme criatividade produtividade! Algumas das canções não são de simples assimilação, mas a tal voz doce de Jen ao surgir acompanhada pela guitarra de Danny Rowland, confere um ambiente sonoro amiúde acústico, mas bastante agradável ao conjunto das doze canções. Os dois contrastam e complementam-se, em simultâneo. Falam de temas coerentes, com um forte cariz romântico e que versam sobre o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios. No fundo, falam do sabor doce e amargo da vida, tal como a conhecemos.

Falling é a banda sonora ideal para o pequeno almoço daqueles dias em que o plano principal é não haver planos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Outside
02. Tell Me So
03. What You Wanted
04. Follow
05. Be Alone
06. No One Will
07. Never Be
08. Sunlight
09. Prove To Me
10. Fall Apart
11. See Me Cry
12. Nothing Left

MP3 : Seapony – Prove To Me
MP3 : Seapony – What You Wanted


autor stipe07 às 19:06
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

Band Of Horses - Mirage Rock

Mirage Rock é o nome do quarto disco dos norte-americanos oriundos de Seattle Band of Horses, rodela que viu a luz do dia no passado dia dezoito de setembro através da Columbia Records e que aposta na mesma sonoridade do antecessor Infinite Arms, disco de 2010. Assim, Mirage Rock mantém esta banda que desde o primeiro disco conseguiu cativar uma multidão de ouvintes e fieis seguires presa à country. Acaba por apresentar como maior novidade um maior foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras, algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada knock knock.

Liderados por Ben Bridwell, os Band Of Horses já são hoje um dos grupos mais respeitáveis do cenário rock do país natal e chegam ao quarto disco a cimentar as referências sonoras que durante quase uma década têm sido essenciais para o grupo, sem aparente sinal de desgaste. Este Mirage Rock acaba por ser a proposta mais comercial e pop, mantendo, como já referi, as assumidas conexões estabelecidas com o cancioneiro norte-americano presente em Infinite Arms.

Durante a audição do álbum aquilo que mais senti foi uma certa leveza nas canções, uma enorme busdca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras. O resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável, desde que, previamente, se tenha em conta o universo sonoro típico dos Band Of Horses.

Convidado para assumir a produção do disco, Glyn Johns, um veterano que já trabalhou ao lado de bandas como Led Zeppelin, os The Beatles e os The Who, pouco interferiu na construção do registo, que mantém as mesmas bases dos álbuns anteriores. Glyn não terá o mesmo brilhantismo notável de Phil Ek, produtor que acompanhou o grupo durante os dois primeiros discos e, por isso, faltará aqui algum fôlego e canções mais marcantes. Seja como for, Mirage Rock tem sentimento e os Band Of Horses continuam a impressionar como na estreia. Espero que aprecies a sugestão...

NSMr7 Band Of Horses   Mirage Rock 2012

01 – Knock Knock
02 – How To Live
03 – Slow Cruel Hands Of Time
04 – A Little Biblical
05 – Shut-In Tourist
06 – Dumpster World
07 – Electric Music
08 – Everything’s Gonna Be Undone
09 – Feud
10 – Long Vows
11 – Heartbreak On The 101

Mirage Rock by bandofhorses


autor stipe07 às 19:02
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Sexta-feira, 30 de Março de 2012

Poor Moon - Illusion EP

Poor Moon é um projeto alternativo de Seattle, já pensado desde 2008, do baixista Christian Wargo e do teclista Casey Wescott, uma dupla eminente e que faz parte do núcleo duro dos Fleet Foxes e à qual se juntaram os irmãos Ian e Peter Murray, membros dos The Christmas Cards. O nome Poor Moon advém do título da canção preferida de Christian Wargo dos Canned Heat, sendo ele quem, neste projeto, assume a liderança, nomeadamente na escrita e composição das canções. Illusion é o EP de estreia e foi lançado no passado dia vinte e sete de março pela Bella Union.

Como seria naturalmente de esperar, a sonoridade deste EP não difere muito da folk acústica e etérea dos Fleet Foxes. Existe uma tranquilidade acústica ao longo do disco e as canções são guiadas por guitarras límpidas e uma profunda gentileza sonora. É mesmo no meio do EP, em People In Her Mind, que está o grande destaque do EP; O tema é cantado com um toque de Ray Davies e quer a guitarra quer uma batida subtil ficam a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. 

Este EP termina muito bem com a belíssima Widow. Para quem aprecia o trabalho dos Fleet Foxes, vale bem a pena descobrir este EP e deixar-se contagiar por estas cinco belas canções folk. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Illusion
02. Anyplace
03. People In Her Mind
04. Once Before
05. Widow


autor stipe07 às 22:29
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Perfume Genius – Put Your Back N 2 It

Perfume Genius é o nome do projeto do cantor Mike Hadreas,  natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos músicos mais excitantes do cenário alternativo local. Put Your Back N 2 It, o sempre difícil segundo disco, é lançado hoje, dia 21 de fevereiro, através da Matador Records e foi gravado na Seattle natal e em Inglaterra com os produtores Andrew Morgan e John Goodmanson.

Mike Hadreas é um verdadeiro aprendiz. Vindo de Seattle, o jovem músico passou a última década a ouvir o habilidoso Sufjan Stevens e toda a gama de mestres da melancolia norte americana. Depois converteu todo esse acumulado de experiências nas bases para o Learning, de 2010,  o seu disco de estreia. Com este Put Your Back N 2 It, Hadreas abandonou definitivamente a faceta de aprendiz para se transformar também ele num mentor.

Em cada canto de Put Your Back N 2 It, ouve-se um disco bem estruturado, soturno e abertamente sofrido e com um forte conteúdo homossexual, que transita por cada uma das doze canções, pelos vistos porque Hadreas teve recentemente um relacionamento que não deu certo. A própria capa do disco evoca levemente a temática gay do álbum, mas as canções são acessíveis e devem ser escutadas e apreciadas pelo mais diverso público.

Um belíssimo aspecto sonoro do disco é a voz leve de Hadreas, que passeia pelo álbum quase sempre acompanhada por um um piano choroso, que serve de base à maioria das canções, quer através de teclados obscuros e marcados por um tom atmosférico, quer por teclados um pouco mais alegres, que depois recebem a companhia ilustre da viola e alguns instrumentos de percussão, uma novidade na obra dos Perfume Genius.

Put Your Back N 2 It faz então uso de uma sonoridade mais ampla e o músico consegue até ser um pouco mais comercial; É o caso do primeiro single, Hood (com a marcante estrofe You never call me baby, If you knew true, All that I waited so long, For you love, I will fight baby not to do) e de outras canções dotadas da mesma acessibilidade poética e lírica, tal como Take Me Home e Dark Parts, ambas permeadas por versos deliciosos e uma instrumentação bastante harmónica.

Utilizando a dor como principal ferramenta para o alcance da maturidade no disco, Mike Hadreas impressiona não apenas por transformar a sua intimidade em algo universal, mas pela maneira como aborda de forma inédita o fim das relações. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada pelo músico durante todo o álbum, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída. Espero que aprecies a sugestão...

Ouvir

01. Awol Marine
02. Normal Song
03. No Tear
04. 17
05. Take Me Home
06. Dirge
07. Dark Parts
08. All Waters
09. Hood
10. Put Your Back N 2 It
11. Floating Spit
12. Sister Song


autor stipe07 às 20:39
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Black Whales - Shangri-La Indeed

Os Black Whales são Alan, Alex, Dave, Davey e Ryan, todos naturais de Seattle. Depois de em 2009 terem lançado o EP Origins e em novembro de 2010 o single Rattle Your Bones, no passado dia 28 de junho estrearam-se nos discos com  Shangri​-​La Indeed, produzido por John Goodmanson. 

A sonoridade de Shangri-La Indeed insere-se na pop psicadélica, com claras referência à década de sessenta e a canção de abertura homónima acaba por ser mesmo o grande destaque deste trabalho. Mas também apreciei imenso o solo de guitarra alegre de Young Blood e o travo country da canção. Aliás, nota-se que ouve um cuidado enorme na produção do disco, procurando que as canções soassem límpidas e luminosas. A voz e os instrumentos estão no local certo e no geral, existe aquela sensação de intemporalidade típica do power pop americano clássico que nunca sai de moda.

Um obstáculo que as bandas enfrentam hoje em dia é operarem num mercado cada vez mais competitivo, já que a internet permite uma rápida e eficaz divulgação, potenciando o aparecimento de novos projetos. Ironicamente tem-se assistido a um fenómeno que entra um pouco em contra ciclo com esta prova de modernidade, já que são as bandas com uma sonoridade mais saudosista aquelas que têm conseguido vingar e encontrar o seu espaço. Estes Black Whales são bem capazes de ter conseguido acertar na mouche com Shangri-La Indeed, um álbum que traz à mente verões passados, algures entre o liberalismo que começou a avançar a partir de final dos anos 1960 na Califórnia, as cordas assumidamente indie dos Screaming Trees e os melhores ingredientes que fizeram dos Beatles os reis da pop. Espero que aprecies a sugestão...

01. Shangri-La Indeed
02. Walking In The Dark
03. Lately
04. Where I Come From
05. Young Blood
06. Elephant #2
07. Books On Tape
08. Rattle Your Bones
09. The Wild One
10. Serpent In The Water


autor stipe07 às 14:26
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