Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

The Soft Hills – Chromatisms

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.

Entretanto já chegou o terceiro álbum; Lançado no passado dia oito de fevereiro e disponível para audição no bandcamp da banda, Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofunda a sonoridade proposta pelo disco anterior. Contendo Riding High e Sweet Louise (o primeiro single retirado do disco), dois temas impregnados com a sujidade de um Neil Young, uma acidez lírica e com profundas raízes no rock, não deixam de abordar também os caraterísticos sons da folk, nomeadamente em Dear Mr. Moonlight e na soturna On The Beach, dois temas que devido às guitarras e à percurssão me soaram a um cruzamento feliz entre Fleet Foxes e Pink Floyd.

Mas Chromatisms não se baliza apenas por estas duas tendências sonoras; Há um momento épico em Mighty River e depois chega-nos o centro espiritual do disco com Payroll e a belíssima linha melódica de Un; Estes dois temas estão cheio de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e por tiques típicos da psicadelia, devido aos ecos e ao reverb das guitarras.

À imagem do que fazem os seus primos Fleet Foxes e My Morning Jacket, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, sendo Chromatisms um convite feito por Hobba e os seus companheiros para uma viagem sonora pelo interior desse país e das suas raízes, através de uma escrita que apela a tradições e eventos do passado, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

01. Riding High
02. Sweet Louise
03. Marigolds
04. Dear Mr. Moonlight
05. Payroll
06. Un
07. Horse And Carriage
08. The Gifts You Hide
09. Mighty River
10. Desert Rose


autor stipe07 às 22:08
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

The Green Pajamas – Death By Misadventure

Os The Green Pajamas formaram-se em 1984 na cidade norte americana de Seattle e atualmente são formados por Jeff Kelly, Joe Ross, Laura Weller, Scott Vanderpool e Eric Lichter. Considerados pela crítica como uma das bandas mais ativas e inventivas do cenário alternativo local, lançaram em 2012 três álbuns, Green Pajamas Country, Summer of Lust e Death By Misadventure, sendo o último o que aqui apresento e mais um importante capítulo da sua já longa discografia. Death By Misadventure foi editado através de uma importante editora underground local, a Green Monkey Records, depois de já terem editado álbuns através de outras editoras, nomeadamente a Bomp!, Camera Obscura e a Get Hip.

Death By Misadventure é já o trigésimo álbum dos The Green Pajamas, um trabalho conceptual que configura uma espécie de peça musical, uma ópera rock à volta de um tema épico intitulado The Fall Of The Queen Bee.

If The Universe is Full Of Noise, então os The Green Pajamas terão uma importante palavra a dizer na banda sonora criada com o exclusivo propósito de demonstrar a uma qualquer entidade exterior do que os humanos são capazes de produzir de melhor no universo indie mais progressivo e psicadélico. É um pouco incompreensível constatar que esta banda liderada pelo carismático Jeff Kelly é muito pouco conhecida e um mistério decifrar os motivos pelos quais se manteve praticamente incógnita ao longo de quase trinta anos, tantos quantos os discos que já lançou. O primeiro foi editado na primavera de 1984, quando Jeff Kelly e Joe Ross gravaram Summer Of Lust, com o firme propósito de representarem uma alternativa credível ao na altura florescente cenário alternativo de Los Angeles.

Death By Misadventure é um estonteante exercício de psicadelia, cheio de referências relacionadas com o sobrenatural, mitos, romances e lendas antigas! Um álbum conceptual, como já referi, sobre o ciclo da vida de uma colmeia e, por isso, com algumas ideias sinistras, mesmo quando as canções falam do sol ou da magia da vida, já que tudo gira em torno da morte da abelha rainha, comida depois pelos seus súbditos e da celeuma que isso causa no seio da própria colmeia. Essa morte é detalhada com todo o requinte em The Queen Bee’s Last Tango, quando se pode escutar She strips off her girdle, slips off her swastika ring, While 17 boys dressed up as dolls and toys blow the king, In the opium fog, the prince and his dog start to sing, And there’s no sense of the sorrow to befall them all tomorrow. Uma festa, portanto...

Em suma, da folk balcânica de The Queen Bee Is Dead à pop feita com teclados sintetizados de 2nd To The Reward, a fazer lembrar Golden Brown dos The Stranglers, Death By Misadventure prova que os The Green Pajamas têm uma incrível capacidade de se envolver em torno de uma ideia e dar-lhe vida, levando-nos, desta vez, através de um fluxo sonoro bastante teatral, para o interior de uma colmeia, num trabalho que vai muito além das próprias canções e que comprova o génio e a extrema capacidade inventiva desta banda de Seattle. Espero que aprecies a sugestão...

01. You Can’t Look
02. Ring Around The Sun
03. The Universe Is Full Of Noise
04. Sky Blue Balloon
05. The Queen’s Last Tango
06. Silk’s Final Breath
07. The Queen Bee Is Dead
08. Wrong Home
09. A Piece Of A Dream
10. Carrie
11. Rain Runs Down
12. Beat Me Sally
13. Supervirgin
14. Christabel
15. In The Moonlight Dim
16. The Spell


autor stipe07 às 21:02
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Seapony – Falling

Os Seapony são de Seattle acabam de editar Falling, através da Hardly Art Records, o segundo disco do grupo, que sucede ao extraordinário Go With Me, de 2011. Falling viu a luz do dia a onze de setembro e foi gravado em casa de Danny Rowland, o guitarrista da banda e misturado nos estúdios Dub Narcotic, em Washington, por Bob Schwenkler.

O disco tem uma sonoridade leve e simples e está muito bem produzido. Repete a fórmula bem sucedida da estreia, numa banda conotada com a chamada surf pop; Assim, Falling é assente em melodias simples e com tiques etéreos, comandadas pela doce voz de Jen Weidl. É um surf indie pop, lo fi e carregado de cândura, na linha do que fazem uns Belle & Sebastian e que lembra a melancolia do final do verão, como se esta estação quisesse prolongar-se pelo outono fora.

O disco vir apenas um ano após a estreia é um sintoma de enorme criatividade produtividade! Algumas das canções não são de simples assimilação, mas a tal voz doce de Jen ao surgir acompanhada pela guitarra de Danny Rowland, confere um ambiente sonoro amiúde acústico, mas bastante agradável ao conjunto das doze canções. Os dois contrastam e complementam-se, em simultâneo. Falam de temas coerentes, com um forte cariz romântico e que versam sobre o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios. No fundo, falam do sabor doce e amargo da vida, tal como a conhecemos.

Falling é a banda sonora ideal para o pequeno almoço daqueles dias em que o plano principal é não haver planos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Outside
02. Tell Me So
03. What You Wanted
04. Follow
05. Be Alone
06. No One Will
07. Never Be
08. Sunlight
09. Prove To Me
10. Fall Apart
11. See Me Cry
12. Nothing Left

MP3 : Seapony – Prove To Me
MP3 : Seapony – What You Wanted


autor stipe07 às 19:06
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

Band Of Horses - Mirage Rock

Mirage Rock é o nome do quarto disco dos norte-americanos oriundos de Seattle Band of Horses, rodela que viu a luz do dia no passado dia dezoito de setembro através da Columbia Records e que aposta na mesma sonoridade do antecessor Infinite Arms, disco de 2010. Assim, Mirage Rock mantém esta banda que desde o primeiro disco conseguiu cativar uma multidão de ouvintes e fieis seguires presa à country. Acaba por apresentar como maior novidade um maior foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras, algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada knock knock.

Liderados por Ben Bridwell, os Band Of Horses já são hoje um dos grupos mais respeitáveis do cenário rock do país natal e chegam ao quarto disco a cimentar as referências sonoras que durante quase uma década têm sido essenciais para o grupo, sem aparente sinal de desgaste. Este Mirage Rock acaba por ser a proposta mais comercial e pop, mantendo, como já referi, as assumidas conexões estabelecidas com o cancioneiro norte-americano presente em Infinite Arms.

Durante a audição do álbum aquilo que mais senti foi uma certa leveza nas canções, uma enorme busdca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras. O resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável, desde que, previamente, se tenha em conta o universo sonoro típico dos Band Of Horses.

Convidado para assumir a produção do disco, Glyn Johns, um veterano que já trabalhou ao lado de bandas como Led Zeppelin, os The Beatles e os The Who, pouco interferiu na construção do registo, que mantém as mesmas bases dos álbuns anteriores. Glyn não terá o mesmo brilhantismo notável de Phil Ek, produtor que acompanhou o grupo durante os dois primeiros discos e, por isso, faltará aqui algum fôlego e canções mais marcantes. Seja como for, Mirage Rock tem sentimento e os Band Of Horses continuam a impressionar como na estreia. Espero que aprecies a sugestão...

NSMr7 Band Of Horses   Mirage Rock 2012

01 – Knock Knock
02 – How To Live
03 – Slow Cruel Hands Of Time
04 – A Little Biblical
05 – Shut-In Tourist
06 – Dumpster World
07 – Electric Music
08 – Everything’s Gonna Be Undone
09 – Feud
10 – Long Vows
11 – Heartbreak On The 101

Mirage Rock by bandofhorses


autor stipe07 às 19:02
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Sexta-feira, 30 de Março de 2012

Poor Moon - Illusion EP

Poor Moon é um projeto alternativo de Seattle, já pensado desde 2008, do baixista Christian Wargo e do teclista Casey Wescott, uma dupla eminente e que faz parte do núcleo duro dos Fleet Foxes e à qual se juntaram os irmãos Ian e Peter Murray, membros dos The Christmas Cards. O nome Poor Moon advém do título da canção preferida de Christian Wargo dos Canned Heat, sendo ele quem, neste projeto, assume a liderança, nomeadamente na escrita e composição das canções. Illusion é o EP de estreia e foi lançado no passado dia vinte e sete de março pela Bella Union.

Como seria naturalmente de esperar, a sonoridade deste EP não difere muito da folk acústica e etérea dos Fleet Foxes. Existe uma tranquilidade acústica ao longo do disco e as canções são guiadas por guitarras límpidas e uma profunda gentileza sonora. É mesmo no meio do EP, em People In Her Mind, que está o grande destaque do EP; O tema é cantado com um toque de Ray Davies e quer a guitarra quer uma batida subtil ficam a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. 

Este EP termina muito bem com a belíssima Widow. Para quem aprecia o trabalho dos Fleet Foxes, vale bem a pena descobrir este EP e deixar-se contagiar por estas cinco belas canções folk. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Illusion
02. Anyplace
03. People In Her Mind
04. Once Before
05. Widow


autor stipe07 às 22:29
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Perfume Genius – Put Your Back N 2 It

Perfume Genius é o nome do projeto do cantor Mike Hadreas,  natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos músicos mais excitantes do cenário alternativo local. Put Your Back N 2 It, o sempre difícil segundo disco, é lançado hoje, dia 21 de fevereiro, através da Matador Records e foi gravado na Seattle natal e em Inglaterra com os produtores Andrew Morgan e John Goodmanson.

Mike Hadreas é um verdadeiro aprendiz. Vindo de Seattle, o jovem músico passou a última década a ouvir o habilidoso Sufjan Stevens e toda a gama de mestres da melancolia norte americana. Depois converteu todo esse acumulado de experiências nas bases para o Learning, de 2010,  o seu disco de estreia. Com este Put Your Back N 2 It, Hadreas abandonou definitivamente a faceta de aprendiz para se transformar também ele num mentor.

Em cada canto de Put Your Back N 2 It, ouve-se um disco bem estruturado, soturno e abertamente sofrido e com um forte conteúdo homossexual, que transita por cada uma das doze canções, pelos vistos porque Hadreas teve recentemente um relacionamento que não deu certo. A própria capa do disco evoca levemente a temática gay do álbum, mas as canções são acessíveis e devem ser escutadas e apreciadas pelo mais diverso público.

Um belíssimo aspecto sonoro do disco é a voz leve de Hadreas, que passeia pelo álbum quase sempre acompanhada por um um piano choroso, que serve de base à maioria das canções, quer através de teclados obscuros e marcados por um tom atmosférico, quer por teclados um pouco mais alegres, que depois recebem a companhia ilustre da viola e alguns instrumentos de percussão, uma novidade na obra dos Perfume Genius.

Put Your Back N 2 It faz então uso de uma sonoridade mais ampla e o músico consegue até ser um pouco mais comercial; É o caso do primeiro single, Hood (com a marcante estrofe You never call me baby, If you knew true, All that I waited so long, For you love, I will fight baby not to do) e de outras canções dotadas da mesma acessibilidade poética e lírica, tal como Take Me Home e Dark Parts, ambas permeadas por versos deliciosos e uma instrumentação bastante harmónica.

Utilizando a dor como principal ferramenta para o alcance da maturidade no disco, Mike Hadreas impressiona não apenas por transformar a sua intimidade em algo universal, mas pela maneira como aborda de forma inédita o fim das relações. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada pelo músico durante todo o álbum, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída. Espero que aprecies a sugestão...

Ouvir

01. Awol Marine
02. Normal Song
03. No Tear
04. 17
05. Take Me Home
06. Dirge
07. Dark Parts
08. All Waters
09. Hood
10. Put Your Back N 2 It
11. Floating Spit
12. Sister Song


autor stipe07 às 20:39
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Black Whales - Shangri-La Indeed

Os Black Whales são Alan, Alex, Dave, Davey e Ryan, todos naturais de Seattle. Depois de em 2009 terem lançado o EP Origins e em novembro de 2010 o single Rattle Your Bones, no passado dia 28 de junho estrearam-se nos discos com  Shangri​-​La Indeed, produzido por John Goodmanson. 

A sonoridade de Shangri-La Indeed insere-se na pop psicadélica, com claras referência à década de sessenta e a canção de abertura homónima acaba por ser mesmo o grande destaque deste trabalho. Mas também apreciei imenso o solo de guitarra alegre de Young Blood e o travo country da canção. Aliás, nota-se que ouve um cuidado enorme na produção do disco, procurando que as canções soassem límpidas e luminosas. A voz e os instrumentos estão no local certo e no geral, existe aquela sensação de intemporalidade típica do power pop americano clássico que nunca sai de moda.

Um obstáculo que as bandas enfrentam hoje em dia é operarem num mercado cada vez mais competitivo, já que a internet permite uma rápida e eficaz divulgação, potenciando o aparecimento de novos projetos. Ironicamente tem-se assistido a um fenómeno que entra um pouco em contra ciclo com esta prova de modernidade, já que são as bandas com uma sonoridade mais saudosista aquelas que têm conseguido vingar e encontrar o seu espaço. Estes Black Whales são bem capazes de ter conseguido acertar na mouche com Shangri-La Indeed, um álbum que traz à mente verões passados, algures entre o liberalismo que começou a avançar a partir de final dos anos 1960 na Califórnia, as cordas assumidamente indie dos Screaming Trees e os melhores ingredientes que fizeram dos Beatles os reis da pop. Espero que aprecies a sugestão...

01. Shangri-La Indeed
02. Walking In The Dark
03. Lately
04. Where I Come From
05. Young Blood
06. Elephant #2
07. Books On Tape
08. Rattle Your Bones
09. The Wild One
10. Serpent In The Water


autor stipe07 às 14:26
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