Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

Telekinesis – Ad Infinitum

Oriundo de Seattle, o baterista e compositor norte americano Michael Lerner é um nome cada vez mais emergente e respeitado no cardápio da Merge Records. Refiro-me ao cerebro por trás do projeto Telekinesis que tem em Ad Infinitum o seu disco mais recente, um álbum que viu a luz do dia a dezoito de setembro e já o quarto do cardápio desta banda que começou o seu trajeto com um homónimo em 2009 e ao qual se seguiram ainda 12 Desperate Straight Lines (2011) e Dormarion (2013).

Embrenhado na cave da sua cidade natal onde tem o seu próprio estúdio de gravação e a passar um momento pessoal feliz já que se casou recentemente, Lerner procura sempre, de disco para disco, ser mais ambicioso e extrovertido no modo como aborda o universo da pop, mas sem descurar uma sonoridade bastante elétrica e próxima do rock n'roll. É uma demanda sonora que, como se percebe logo em Sylvia, olha sem receio para o alto de uma grandiosidade sonora e melódica que não anseia calcorrear os caminhos sempre arriscados e os desafios que o experimentalismo progressivo geralmente coloca. Seja em baladas tranquilas conduzidas pelas teclas sintetizadas, como In A Future World, ou outras composições mais agitadas, como Courtesy Phone ou a inspiradora Farmers Road, esse conceito de amplitude e até alguma magnificiência está sempre presente, normalmente abrigado numa série de camadas eletrónicas e percussões frenéticas, com os timbres de voz a serem frequentemente editados e permeados por uma atmosfera quase espacial, num resultado final com um forte apelo a um saudosismo vintage que se saúda. A sequência final Ad Infinitum part. 1 Ad Infinitum part. 2 acaba por ser o instante sequencial nevrálgico desta demanda quase obsessiva, mas saudável, porque todo o arsenal instrumental utilizado, mas também o acerto e o bom gosto da voz, nomeadamnete no modo como enfatiza o cariz fortemente sensorial da escrita de Lerner, conseguem replicar alguns dos alicerces essenciais do género sonoro em que o disco se quer legitimamente situar.

De facto, Telekinesis está cada vez mais confiante e assertivo no modo como agrega os sintetizadores com as guitarras e fá-lo, em Ad Infinitum, enclausurado numa espécie de máquina do tempo que o levou e depois nos leva até ao período mais aúreo e exuberante da synth pop e a new wave, em plena década de oitenta do século passado. Basta apreciarmos comodamente a batida cadenciada e um tanto sonhadora do single Sleep In e logo se percebe que, felizmente, este músico menos efusivo e mais reflexivo e sonhador não está nada preocupado em agradar às massas e sem intenções comerciais imediatas, mas antes imbuído de ambições e anseios bem maiores e superlativamente recompensadores. Espero que aprecies a sugestão... 

Telekinesis - Ad Infinitum

01. Falling (In Dreams)
02. Sylvia
03. In A Future World
04. Courtesy Phone
05. Sleep In
06. Edgewood
07. It’s Not Yr Fault
08. Farmers Road
09. Ad Infinitum Pt. 1
10. Ad Infinitum Pt. 2


autor stipe07 às 21:19
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2015

Space Daze – Capture A Thing

Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista ecompositor dos consagrados Seapony e Capture A Thing o segundo disco desta aventura musical de um músico oriundo de Seattle. Disponível para audição no bandcamp do projeto, este trabalho encontra nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que impressionam, uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Em nove canções que se esgotam em menos de meia hora, Danny oferece-nos um disco curto, mas incisivo no modo como replica uma dream pop luminosa, jovial e vibrante e que atira certeiro ao puro experimentalismo, à medida que as cordas vão passeando por diferentes nuances sonoras, sempre com o denominador comum acima referido.

Se Far Away levita em redor de uma névoa lo fi com um ligeiro travo acústico à mistura, já Sunlight Waves e Wasn't Anyone são duas peças sonoras eminentemente acústicas, com quase dois pés na folk e que oferecem-nos uma espécie de monumentalidade comovente. Refiro-me a dois extraordinários tratados sonoros que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração, enquanto plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no disco, a capacidade que Danny possui para compôr peças sonoras melancólicas, com elevado sentido melódico e uma vincada estética pop. Depois, o esplendor de cor e delicadeza que exala das cordas de Was Never, ou a distorção algo pueril da guitarra que conduz Everyone Knows, prendem-nos definitivamente a um álbum com um tempero muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atingem à boleia deste músico um estado superior de consciência e profundidade.

Capture A Thing é a afirmação clara de um músico que prova ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Danny tem a capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, que acaba por se tornar na banda sonora perfeita para um fim de tarde quente e prolongado, enquanto se prepara mais um churrasco e salta a tampa das primeiras garrafas daquela caixa de cerveja que vai animar mais um feliz serão entre aqueles amigos de ontem, de hoje e de sempre. Espero que aprecies a sugestão...

Space Daze - Capture A Thing

01. Intro
02. Far Away
03. Sunlight Waves
04. Wasn’t Anyone
05. Was Never
06. Everyone Knows
07. How It Is
08. Alone In The Shadows
09. By The Road


autor stipe07 às 21:22
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Sábado, 26 de Setembro de 2015

Say Hi – Bleeders Digest

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente tem o sugestivo nome de Bleeders Digest, um trabalho que chegou aos escaparates pela mão da Barsuk Records e o nono na carreira de um artista que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental e sempre com um ambiente sonoro certamente movido a muita testosterona.

Bleeders Digest sucede a Endless Wonder, um álbum editado o ano passado e marca mais um capítulo numa saga fictional onde cada tomo se debruça sobre uma temática precisa, com os vampiros a serem, desta vez, o mote de onze canções onde não falta uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, o rock setentista, o rock de garagem e o blues. Se temas como The Grass Is Always Greener e Creatures Of The Night, o single já retirado do disco, assentam num sintetizador melodicamente assertivo e numa percussão convincente, além de guitarras plenas de groove e distorção, já Teeth Only For You abranda um pouco o clima, mas não o ritmo, já que a receita mantém-se, mas numa toada mais nostálgica e épica.

Se o disco merece audição atenta pelo seu todo, a diversidade plasmada nesses três exemplos acentua a justeza da necessidade de este músico obter, finalmente, um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Aliás, o modo convincente como em Transylvania (Torrents Of Rain, Yeah) e Pirates Of The Cities, Pirates Of The Suburbs, Say Hi serve-se da grandiosidade das guitarras e de variações ritmícas e melódicas constantes, enquanto se debruça a fundo no universo sobrenatural e menos empírico dos vampiros, além de carimbar a enorme dose de criatividade que nele habita, sugere que este autor busca sempre novas nuances para o seu cardápio, curiosamente dentro de um som mais experimental e que não parece ter sido planeado para as rádios e os estádios, mas que tem, quanto a mim, potencial para um elevado airplay.

Até ao ocaso de Bleeders Digest, a imensa soul que desliza pelo piano arrebatador e pelos detalhes sintéticos de Galaxies Will Be Born e a monumentalidade instrumental de Volcanoes Erupt, que desliza até ao krautrock, são outros pontos de paragem obrigatória numa viagem única de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos cinquenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o adn da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido a uma voz que, ao longo do trabalho, preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Bleeders Digest

01. The Grass Is Always Greener
02. It’s A Hunger
03. Creatures Of The Night
04. Transylvania (Torrents Of Rain, Yeah)
05. Lover’s Lane (Smitten With Doom)
06. Teeth Only For You
07. Time Travel Part Two
08. Pirates Of The Cities, Pirates Of The Suburbs
09. Galaxies Will Be Born
10. Volcanoes Erupt
11. Cobblestones

 


autor stipe07 às 21:36
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2015

Seapony – A Vision

Depois de Go With Me (2011) e Falling (2012), os Seapony de Danny Rowland, Jen Weidl e Ian Brewer estão de regresso aos discos com A Vision, um trabalho que conta com a participação especial do percussionista Aaron Voros. A Vision é o terceiro compêndio de originais desta banda de Seattle e chegou aos escaparates, como é hábito nos Seapony, pela mão da insuspeita da Hardly Art Records.

Oriundos de uma cidade onde a água é um dos elementos predominantes da paisagem, a sensação de expansão, grandiosidade e de vida que tal evidência provoca, como sabem todos aqueles que residem em locais banhados por este liquido, influencia certamente a música destes Seapony. A Vision, o novo disco do grupo, é um verdadeiro oceano de indie pop melancólica, fabricada por um sintetizador vintage, linhas de guitarra com efeitos deslumbrantes, um baixo insinuante e uma percussão quase sempre acelerada e cheia de vigor.

A luminosidade dançante e aconchegante de Saw The Light, além de nos confortar com a cândura da voz de Weidl, mostra-nos todos aqueles tiques etéreos, nos quais os Seapony são mestres e depois, à boleia de temas como Bad Dream, assente numa guitarra nostálgica, ou das cordas acústicas de Everyday All Done, New Circle e, principalmente, Go Nowhere, planamos em redor de um surf indie pop, lo fi e, que desta vez olha com uma perspetiva mais cuidada para aquele ambiente acústico, impregnado de cândura e que lembra a melancolia do final do verão, como se esta estação quisesse prolongar-se pelo outono fora.

Os Seapony vivem, acima de tudo, desta relação intima e sedutora entre a voz doce de Weidl e as cordas de Rowland, dois músicos que contrastam e complementam-se de modo intuitivo espontâneo, enquanto se debruçam sobre temas comuns como o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios. Na verdade, a abordagem poética e contemplativa que este grupo tem da existência humana, dos dias e das noites, exala sempre um enorme romantismo, seja qual for o ponto de observação e o quadrante abordado, mostrando-nos o sabor doce e amargo da vida tal como a conhecemos, com a mesma intensidade e emoção, à boleia de melodias simples, mas fortemente aditivas. São composições eficazes no modo como nos fazem navegar num mar de sensações e enquanto as escutamos e elas escorrem pelos nossos ouvidos, quase se pode sentir o sal que delas palpita e que vai servir depois para temperar os nossos dias, confortados agora por estas canções com um cariz sonoro e instrumental melódico e que às vezes sendo um pouco lo fi e shoegaze, dá-lhes aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico. Espero que aprecies a sugestão...

Seapony - A Vision

01. Saw The Light
02. Bad Dream
03. Couldn’t Be
04. Everyday All Alone
05. Hollow Moon
06. Let Go
07. A Place We Can Go
08. Go Nowhere
09. In Heaven
10. New Circle
11. A Vision


autor stipe07 às 22:01
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Domingo, 5 de Julho de 2015

The Soft Hills – Cle Elum

Depois de Chromatisms e Departure, os norte americanos The Soft Hills de Garrett Hobba estão de regresso com Cle Elum, um novo tomo de canções, que viram a luz do dia a doze de maio por intermédio da Tapete Records.

Um dos projetos mais profícuos dos últimos anos na costa oeste dos Estados Unidos, os The Soft Hills têm em Garrett Hobba a sua grande força motriz e sendo este disco escrito na íntegra e produzido pelo próprio, acaba por ser, naturalmente, um reflexo muito pessoal de um músico sensível e emotivo e dono de uma voz que vinca, com particular ênfase, essas caraterísticas, projetando tudo aquilo que mexe consigo e preenche o seu coração. O orgão minimal e o modo suplicante como Hobba se expressa em Temple of Heavan e, em oposição, a luminosidade da flauta, da viola acústica e das vozes de San Pablo Bay, apresentam-nos, logo na abertua de Cle Elum, a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor da Califórnia, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva de uma Seattle que já foi também poiso do músco .

Mais calmo e acústico que os antecessores, Cle Elum é uma ode explícita à tipica folk norte-americana, com origens e uma matriz singular e um dedilhar de guitarra muito próprio. O modo como alguns efeitos nublosos se misturam com as cordas em My Lucky Pal, por exemplo, contém todos esses genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio. E depois, na simplicidade melódica de temas como Feathers que, com uma simples harmonia e algumas teclas transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprova-se que as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que, ainda por cima, é, como já referi, detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar.

Em suma, num disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Cle Elum

01. Temple Of Heavan
02. San Pablo Bay
03. Gold Leaves
04. My Lucky Pal
05. The Mess You’re In
06. Into The Lately
07. Skeleton Key (Return To The Earth)
08. Feathers
09. Singing A Song Nobody Knows
10. In The Cool Breath Of Morning
11. It’s A Perfect Day
12. Transient Hotels


autor stipe07 às 17:54
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Sexta-feira, 13 de Março de 2015

Death Cab For Cutie – The Ghosts Of Beverly Drive

Depois de Black Sun, os norte americanos Death Cab For Cutie acabam de revelar mais um tema de Kintsugi, o novo álbum desta banda de Seattle, que tem edição agendada para o dia 31 de Março.

The Ghosts Of Beverly Drive é o nome desse segundo avanço e pela amostra, um indie rock épico, luminoso e assente em guitarras inspiradas será, certamente, o referencial sonoro do disco proposto por uma banda que pretende infletir sonoramente neste novo trabalho em busca de sonoridades inéditas no seu cardápio e que já confessou não querer ficar permanentemente agarrada ao seu som típico. Confere...

Death Cab For Cutie - The Ghosts Of Beverly Drive


autor stipe07 às 13:18
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Domingo, 1 de Março de 2015

CLIQUE​, ​LOOSE TOOTH​, ​GHOST GUM​, MUMBLR - CLIQUE​/​/​LOOSE TOOTH​/​/​GHOST GUM​/​/​MUMBLR SPLIT

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Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época.

Os Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, são um dos grandes destaques desse movimento, mas há outras bandas locais que parecem querer calcorrear um percurso semelhante e, unindo esforços, chegar a um número cada vez mais de ouvintes.

Com o alto patrocínio da Fleeting Yourh Records, de Ryan M., os Clique, os Loose Thoot e os Ghost Gum, deram as mãos aos já consagrados Mumblr e editaram um EP, em que cada banda contribuiu com um tema, disponível para download gratuíto e que pretende ser uma porta de entrada acessível para esta sonoridade rugosa e envolvente, feita de guitarras que apontam em diferentes direções, sempre acompanhadas pelo baixo que, frequentemente, não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico dos temas. Confere...

 


autor stipe07 às 14:48
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

Death Cab For Cutie – Black Sun

Death Cab For Cutie - Black Sun

Os norte americanos Death Cab For Cutie relevaram recentemente o primeiro single de Kintsugi, o novo álbum desta banda de Seattle, que tem edição agendada para o dia 31 de Março.

Black Sun é o nome desse primeiro avanço e pela amostra, um indie rock épico, luminoso e assente em guitarras inspiradas será, certamente, o referencial sonoro do disco. Confere...


autor stipe07 às 17:06
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014

Black Whales – Through The Prism, Gently

Oriundos de Seattle, os norte americanos Black Whales são Alex Robert, Ryan Middleton, Dave Martin, Adam Fream e Mica Crisp. Já fazem música juntos desde 2008 e estrearam-se nos discos em 2011. Sensivelmente três anos após a estreia, com Shangri-La Indeed, estão de regresso com Through The Prism, Gently, um trabalho produzido por Eric Corson e Alex Robert, o líder e principal compositor do grupo e  que viu a luz do dia a onze de novembro, sendo dedicado a Rick Parashar, um amigo da banda entretanto desaparecido.

Começa-se a escutar o som analógico e claramente vintade do introdutório instrumental Split Personalities e percebemos imediatamente que a escuta desta álbum levar-nos-á forçosamente numa máquina do tempo que, tendo em conta Avalon, não se cingirá a uma época específica, mas aos primórdios do rock nos anos sessenta, a psicadelia na década seguinte e o indie rock mais sombrio e sintetizado nos anos oitenta, sendo este, de certa forma, o largo período temporal que define a cartilha sonora deste quarteto oriundo de Seattle. Curiosamente, tal leque alargado que define o som do grupo, sendo proposto, como acontece neste caso, com elevado bom gosto e criatividade, confunde mesmo o ouvido mais experimentado, porque torna bastante ténue a fronteira entre o retro e o futurista, estabelecendo pontes entre o passado e o futuro, ainda por cima numa época em que abundam as propostas de elevada bitola qualitativa que se apoiam no mesmo conceito.

Seja como for, se quisermos encontrar um elemento agregador de tudo aquilo que define o som dos Black Whales, a pop psicadélica, será uma boa forma de caraterizar a banda, que teve um enorme cuidado na produção do disco, procurando que as canções soassem límpidas e luminosas. O solo de guitarra alegre de The Warm Parade, asim como a percussão cheia de cor e a melodia que o sintetizador replica no refrão, fazem deste tema um extraordinário exemplo da tal luz épica e deslumbrante que dá ao som dos Black Whales aquela sensação de intemporalidade típica do power pop americano clássico que nunca sai de moda.

Em Are You The Matador, a voz em reverb, fortemente sintetizada e a presença do baixo na linha da frente do arsenal instrumental, são mais uma prova de abrangência e de heterogeneidade, mas sempre com o tal fulcro na psicadelia que se evidencia não só pelo fuzz das guitarras, como pelos arranjos que envolvem, em inúmeras situações e também neste tema, a presença quase impercetivel de um orgão.

O segundo instrumental do alinhamento, Red Fantastic, permite-nos olhar um pouco em redor e recuperar o fôlego das fortes sensações que a audição dedicada da primeira parte do disco provocou no nosso íntimo. O posicionamento deste tema não é inocente já que, de seguida, escuta-se algo inédito em Come Get Immortalized, nomeadamente a preponderância da vertente mais acústica das cordas que guiam uma balada que nos permite aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Tal beleza utópica assente no particular deslumbramento que o dedilhar da viola causa, estende-se de um modo mais introspetivo em No Sign Of Life, mesmo quando o tema toma um rumo mais roqueiro e sensual, atingindo o auge numa aceleração que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

Estas duas canções dão o mote para o que resta de Through The Prism, Gently, com a viagem temporal a continuar a fazer-nos avançar e recuar, num vai e vem vertiginoso e, infelizmente, nada linear. Se O Fortuna e Tiny Prisms (delicioso o detalhe da cítara) são uma verdadeira ode ao experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela percussão visceral, pelo baixo encorpado e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem nas composições, que vão acelerando e aumentando o nível de ruído e de distorção à medida que avançam, já o fuzz e a distorção da guitarra em Do You Wanna Dance?, leva-nos ao período mais shoegaze do rock clássico, em plena década de setenta e o piano e o efeito em eco da sedutora You Don't Get Your Kicks acelera novamente os ponteiros e embarca-nos num clima enganadoramente doce e, por isso, potencialmente lisérgico.

Há uma farta beleza utópica nas composições dos Black Whales, assim como as belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Throught The Prim, Gently esbanja todo o esmero e a paciência do quarteto em acertar os mínimos detalhes de um disco. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop psicadélica e rock progressivo.

A banda criou uma campanha de angariação de fundos para poder editar o disco fisicamente. Espero que aprecies a sugestão...

Black Whales - Through The Prism, Gently

01. Spilt Personalities
02. Avalon
03. The Warm Parade
04. Are You The Matador
05. Red Fantastic
06. Come Get Immortalized
07. No Sign Of Life
08. O Fortuna
09. Do You Wanna Dance?
10. You Don’t Get Your Kicks
11. Tiny Prisms
12. Metamorphosis


autor stipe07 às 17:33
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Sábado, 27 de Setembro de 2014

Perfume Genius - Too Bright

Editado no passado dia vinte e três de setembro por intermédio da Matador Records, Too Bright é o novo álbum de Perfume Genius, aka Mike Hadreas, um músico natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos nomes mais excitantes do cenário alternativo. Dois anos depois, Put Your Back N 2 It ofereceu-nos momentos sonoros soturnos e abertamente sofridos e agora, em Too Bright, Hadreas amplia as suas virtudes como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são profundamente autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam  connosco com elevada empatia.

Gravado com Adrian Utley dos Portishead e com a participação especial de John Parish em vários temas, Too Bright é um disco inteiramente dominado por uma voz que se faz acompanhar de um ilustre piano, enquanto relata eventos de uma vida com alguns detalhes que nem sempre são particularmente agradáveis. Mike teve grandes dificuldades em lidar com a homofobia que sempre sentiu em redor devido à sua condição sexual e ao processo de recuperação que teve de encetar devido a uma dependência do álcool e das drogas, algo que a atmosfera lo-fi dos seus álbuns ilustra como uma necessidade confessional de resolução e redenção. Como o próprio Hadreas, os seus discos são delicados, emocionantes, e inerentemente tristes.

Too Bright não é uma inflexão radical em relação à toada dos trabalhos anteriores, mas há aqui algo mais intenso, também por causa das suas mudanças na vida pessoal e que, ao escutarmos a sua música, sentimos enorme curiosidade em conhecer. A forma contundente como Mike abre-nos o seu coração, impele-nos ao desejo de conhecer melhor o homem por detrás do piano e dos sintetizadores, os dois grandes pilares instrumentais de Too Bright e que, no caso dos últimos, alargaram exponencialmente o leque de possibilidades melódicas e de tomada de decisões ao nível dos arranjos.

Sendo então um artista que já confessou que não consegue fazer música se ela não falar sobre si próprio e que aproveitou, ainda, para referir que continua a guardar muitos segredos dentro de si, em Too Bright os timbres distorcidos de Queen, a dinâmica melosa e emotiva de Fool e a pop vintage de Grid, são exemplos nítidos sobre a forma como Mike criou neste trabalho, através de um aparato tecnológico mais amplo, caminhos de expressão musical inéditos na sua discografia e, simultaneamente, novas formas de se revelar a quem quiser conhecer a sua personalidade.

Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial para a mente criativa do músico, tendo em conta as especificidades da sua realidade que já referi, apenas genericamente. A voz grave e algo enraivecida e ferida que se escuta em I'm A Mother e que se distorce ainda mais em My Body, à medida que a componente instrumental sintética cria, nesta última, um ambiente sinistro e nos suga para o interior do âmago de Hadreas, provoca em nós um sentimento de repulsa, porque sentimos vontade de lutar contra essa evidência mas, por outro lado, causa uma atração intensa, como se não quisessemos deixar tão cedo de escutar este momento de verdadeiro delírio.

Perfume Genius é, como vemos, mestre na forma como utiliza a dor para transformar a sua intimidade em algo universal e na maneira como aborda de forma inédita as relações e a fragilidade humana. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada por ele na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída.

Too Bright faz justiça ao nome porque traz-nos luz... Não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas o contacto e a tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. É uma luz suplicante, que luta contra os nossos desejos, ou que quer apenas ser a materialização deles, emanada de um disco sombrio e, por isso, muito forte, enquanto plasma uma nova faceta do percurso discográfico do autor. Espero que aprecies a sugestão...

Perfume Genius - Too Bright

01. I Decline
02. Queen
03. Fool
04. No Good
05. My Body
06. Don’t Let Them In
07. Grid
08. Longpig
09. I’m A Mother
10. Too Bright
11. All Along

 


autor stipe07 às 13:59
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