Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

Snakes - Snakes

Baltimore, no estado do Maryland, é o poiso dos Snakes de Eric Paltell, Cooper Wright, George Cessna e Cobra Jones, uma banda de regresso aos lançamentos discográficos com um homónimo, cuja edição, quer digital quer física, tem a chancela da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Em Theme For Snakes a cortina deste álbum abre-se e perante nós, impávido e sereno, o imenso e quente deserto que preenche grande parte do oeste norte americano mostra-se deslumbrante e altivo e que nomes como John Ford, Howard Hawks, Fritz Lang, ou até mesmo Ennio Morricone, Quentin Tarnatino e Sergio Leone, este último com uma nada desprezável dimensão paródica, projetaram com implacável mestria na grande tela.

Rapidamente se percebe que estes Snakes são uma das bandas que atualmente melhor traduz e interpreta um estilo sonoro que nem sempre é de fácil aceitação do lado de cá do atlântico, mas que é muito caro a um país que nasceu e avançou e deve muito da sua herança cultural aos cowboys e aos seus duelos ao pôr do sol com foras da lei, a garimpeiros e exploradores corajosos e sedentos de riquezas e a saloons empoeirados e a tresandar a whisky pestilento, não só no Texas, mas também em paisagens remotas e selvagens da Califórnia, Arizona, Utah, Colorado ou Wyoming.

As sete canções deste Snakes são uma verdadeira ode e homenagem a todo este ideário, com canções como a pulsante Young American, a sombria e enigmática Aloha From Old Mexico e a cinematográfica Calling Out The Law a colocarem-nos bem no epicentro de uma trama que se serve essencialmente das guitarras para dar vida a histórias onde aventura, crime, paixão, vingança, amor e coragem se misturam e que podemser escutadas, ou até que o sol se ponha ou até que uma bala certeira nos separe e nos desligue destes Snakes. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:07
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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2015

Country Playground - Turdus Merula

Editado no passado dia vinte de julho pela Preguiça Magazine, Turdus Merula é o trabalho de estreia da dupla Country Playground, um projeto com raízes em Leiria e formado por Rodrigo Cavalheiro, baterista e vocalista dos Born a Lion e Fernando Silva, ex-guitarrista dos leirienses e extintos Canker Bit Jesus, dois inspirados músicos que de Neil Young a Buffallo Springfield e passando por Townes Van Zandt, Johnny Cash, Rolling Stones ou os Eagles, procuram recriar a textura sonora pura e crua do fim dos anos sessenta, início dos setenta, dando um cunho pessoal mais eléctrico e forte, de modo a replicar aquilo que eles próprios batizaram de electric farmer rock.

Liricamente bastante sentimental e debruçando-se sobre temas tão comuns e nossos, como a dor, o amor, a amizade, a perda e a procura e o reencontro, Turdus Merula contém sete canções que retrata muitas experiências pessoais dos autores e que trazem na bagagem uma carga emocional forte.

Gravado no verão de 2014, este disco começou por ser uma edição de autor digital, mas a Preguiça Magazine aceitou, felizmente, dar-lhe uma edição física, num trabalho onde o rock e a country dançam entre si com particular deleite e assombro de modo a replicar uma sonoridade crua, rude e pura, sem artifícios, mas também com um curioso travo pop, nomeadamente na luminosidade melódica. É, no fundo, um indie rock, animado e dançável, com algum fuzz nas guitarras que debitam distorções vintage, feito com entrega e devoção e de onde se destacam Song for Neil, uma homenagem desinteressada e sentida a Neil Young, uma influência muito grande para a dupla, o blues rugoso, atormentado e sombrio da guitarra de Grandpa's Grave e o festim inebriante da luminosidade que orienta a melodia de My Last Love Song. Seja como for, todas as sete canções são explosivas e há uma tensão poética sempre latente, sendo certamente propositada a busca do espontâneo e do gozo, se é que é possível falar-se em estética na música. Pelo menos a mim custa-me... Confere a entrevista que adupla concedeu  a este blogue e espero que aprecies a sugestão...

Grandpa's Grave

Sand Woman

My Last Love Song

Seas Of Blood

Song For Neil

Down To Mexico

Golden Field

Os Country Playground acabam de abrir as hostilidades com Turdus Merula, sete canções gravadas há cerca de um ano e que pelos vistos estavam na gaveta, à espera que alguém as editasse fisicamente, já que havia sempre a possibilidade de edição em formato digital, em nome próprio. Antes de conversarmos um pouco sobre o trabalho, vamos apontar agulhas para a dupla. Os Country Playground surgiram por geração espontânea, foi uma ideia luminosa de dois amigos após uma noite de copos, por exemplo, ou foi fruto de um período de gestação bastante ponderado? Como surgiu a possibilidade de fazerem música juntos?

Os Country Playground começaram como um projeto do Rodrigo por volta de 2008. O Rodrigo tinha escrito umas músicas com a mulher e pretendia apresentá-las num formato simples e intimista, apenas acompanhado por uma guitarra acústica. Após alguns concertos, o Rodrigo começou a desmotivar-se porque muitas vezes não conseguia transmitir o registo intimista das canções. Também não se sentia muito confortável com a guitarra, que não é o seu instrumento “natural”. Por estes motivos, resolveu arrumar o projeto até que em 2014 foi convidado para dar um concerto. Nessa altura ele quis mudar um pouco as coisas, alterar a sonoridade para algo mais cru e sujo e mais próximo do rock. Foi aí que ele se lembrou de me ligar para saber se eu estaria interessado em experimentar tocar com ele – eu passava a assumir a guitarra eléctrica e algumas vozes, e o Rodrigo a bateria e a voz principal. Já nos conhecíamos há muito tempo, mas nunca tínhamos tocado juntos. Felizmente entendemo-nos às mil maravilhas e aí surgiram os Country Playground como os conheces hoje.

E Country Playground porquê? Por acharem que a aparente ligeireza e lisergia da vossa sonoridade rock de influência country tem algo de natural e rural, digamos assim, e que vocês chamam de electric farmer rock, ou é um nome completamente desfasado da componente sonora do projeto?

Este nome descreve muito bem o que nós fazemos, mas por acaso até surgiu de uma brincadeira. No Festival Sudoeste 2001, o Rodrigo lembrou-se de criar uma brincadeira para animar a malta nas horas vagas. Era uma espécie de tábua de equilíbrio, mas em vez de uma tábua, era um tronco que se movia em cima de outros dois troncos. Basicamente, a diversão consistia em subir para o tronco de cima e fazê-lo rodar para frente e para trás, sem cair – e passar horas nisto. Foram muitos bate-cu e risada à conta disso: havia gente que acordava cedo para ir praticar, outros que até chegaram atrasados a concertos por causa da brincadeira. O Rodrigo batizou este passatempo de Country Playground, mas ficou com o nome sempre na cabeça sabendo que se poderia adequar a um projeto futuro.

Olhando então agora para Turdus Merula… Bateram a muitas portas antes de verem o disco editado? E foi fácil convencer a Preguiça Magazine?

Para ser sincero, não batemos a muitas portas. Falámos com as editoras de Leiria, que são de pessoal que nós conhecemos e com quem nos damos bem, mas por diferentes motivos não foi possível editarem. Nós estávamos até mais virados para fazer uma edição digital, porque o formato que realmente queríamos (vinil) era extremamente dispendioso e arriscado. Quando nos preparávamos para editar em formato digital fomos ter com a Preguiça Magazine para nos ajudarem com a promoção do trabalho. A Preguiça Magazine tem bastante expressão a nível local, é seguida por muita gente e permitiria divulgar o lançamento do trabalho. Quando reunimos com a Paula Lagoa da Preguiça Magazine fomos surpreendidos pela vontade deles em editarem o nosso trabalho. Ficámos muito contentes, porque seria a primeira edição de música da Preguiça e porque eles acreditaram cegamente em nós desde o primeiro momento (nem quiseram ouvir o disco!!!). É claro que eu penso que as imperiais que bebemos durante a nossa conversa podem ter influenciado um pouco os desenvolvimentos, mas gosto de acreditar que não.

Como deverão compreender, é natural escutar-se este fantástico trabalho e sermos transportados para um indie rock que pisca bastante o olho a sonoridades que foram surgindo no outro lado do atlântico no início da segunda metade do século passado, com um certo cariz lo fi, mas também com um curioso travo pop, nomeadamente na luminosidade melódica. Sendo assim, acho que um dos vossos maiores atributos foi ter sabido pegar em possíveis influências que admiram e dar-lhes um cunho muito próprio, uma marca vossa e distinta. Como descrevem, em traços muito gerais, o conteúdo sonoro de Turdus Merula?

O Turdus Merula é um disco rock, de forte influência country, com uma sonoridade crua, rude e pura – sem artifícios. Procurámos captar o som mais próximo possível do que fazemos ao vivo. Eu e o Rodrigo gostamos bastante de Neil Young, Buffallo Springfield, Townes Van Zandt, Johnny Cash, Rolling Stones, Eagles... e procurámos um pouco recriar a textura sonora pura e crua do fim dos anos 60, início dos 70. É claro que lhe demos o nosso cunho pessoal, mais eléctrico e forte. De qualquer das formas, em termos líricos, é um disco bastante sentimental. Fala de dor, amor, amizade, perda, procura e reencontro. Retrata muitas experiências pessoais e tem uma carga emocional forte. No fim, ficámos bastante satisfeitos com o resultado final, uma vez que tanto as canções como a própria sonoridade do álbum ficaram muito próximas do que idealizámos no início do processo de gravação.

Este indie rock, animado e dançável, com algum fuzz nas guitarras que debitam distorções vintage e com um baixo encorpado, é mesmo o género de música que mais apreciam?

Nós não temos baixo – nem no disco, nem ao vivo. De qualquer forma o nosso som de guitarra, além de sujo é algo grave para compensar a ausência desse instrumento. Sim, nós gostamos muito deste tipo de música, é talvez o tipo de som que ouvimos mais atualmente. Mas também temos outros gostos. Penso que além do universo country-rock, também gostamos do rock puro – sem qualquer tipo de restrições. Eu até gosto de algumas coisas que roçam o metal e o industrial. Basicamente, nós gostamos de música... de preferência que seja boa e feita por pessoas com coração e entrega.

Quais são as vossas expectativas para Turdus Merula? Querem que este trabalho vos leve até onde?

Até este momento estamos bastante contentes com que está a acontecer. O álbum está a ser bem aceite por muita da comunicação social. Para nossa surpresa está a passar em bastantes rádios locais por todo o país e o feedback que tenho recebido quando falo com pessoal da imprensa é bastante positivo. Nós já tínhamos um pouco esse feedback cá na nossa zona, mas é mais surpreendente quando o recebes de pessoas que não conheces e que ainda nem te viram ao vivo – só ouviram o disco. Esperamos que este disco nos permita tocar o máximo pelo país fora. Isso é o que eu e o Rodrigo mais gostamos de fazer. Ter a oportunidade de mostrar como são os Country Playground ao vivo e provocar reações (esperamos que positivas) a quem nos vá ver e ouvir. Também esperamos que este disco seja o primeiro de muitos... já temos material pronto para um segundo. Mas cada coisa a seu tempo.

Penso que a vossa sonoridade poderia ser bem-sucedida nos países que abrem os braços ao chamado indie rock mais clássico. Os Country Playground estão, de algum modo, a pensar numa internacionalização, ou é apenas Portugal importante para o futuro da vossa carreira?

Nós gostamos de pensar na possibilidade da internacionalização dos Country Playground. Penso que até podíamos ter uma certa facilidade em termos logísticos, uma vez que somos só dois e estamos muito orientados e focados no que estamos a fazer. No entanto, somos realistas e temos a noção que ainda nos falta percorrer muito caminho para pensarmos nisso. Agora estamos mesmo interessados em dar a conhecer a banda por todos os cantos de Portugal. Ainda não demos nenhum concerto fora da zona de Leiria e estamos mesmo expectantes para ver as reações fora de “casa”. Acho que ainda temos que provar o que valemos a muita gente por cá.

Acho curioso o artwork do disco e muito bem conseguido, com a cover a cargo de Ana Sousa. O nome do disco refere-se è espécie da ave e, independentemente da resposta a essa questão, há alguma relação entre o conteúdo das canções e o conceito do projeto com o artwork?

O melro preto é um animal lindo e imponente que nos remete para uma certa ideia de liberdade. Também está muito ligado ao imaginário country, muito ligado aos animais e à natureza de uma forma em geral. Quando começámos a gravar o Turdus Merula quisemos ter uma ideia unificadora que nos permitisse ao gravar os diferentes temas, manter um certo rumo. Resolvemos que sempre que estivéssemos a gravar a parte instrumental, estaríamos a imaginar a figura de um melro. Isto é quase uma ideia metafísica, mas penso que resultou. Quando chegámos à altura de escolher um nome para o disco, percebemos que o nome estava escolhido desde o início. Também somos da opinião que a capa do disco resultou muito bem. A Ana fez um excelente trabalho, a única coisa que lhe pedimos foi que a capa tivesse um melro e um ar algo vintage, que remetesse para a ideia de um vinil dos anos setenta. Acho que ela conseguiu captar a ideia muito bem e surpreendeu-nos com um artwork excelente que nos encheu as medidas.

Adorei Down To Mexico; E a banda, tem um tema preferido em Turdus Merula?

Nós gostamos de todos, mas temos um gosto particular pela Song for Neil. Esta canção foi escrita desde o primeiro momento para um artista e pessoa que ambos admiramos – o Neil Young. Ele é uma influência muito grande para nós e também nos surgiu na vida em momentos em que ambos precisámos de ultrapassar certas dificuldades. Quisemos prestar-lhe homenagem, de forma completamente desinteressada com esta música. A mim é das que mais gozo me dá tocar. Mas ainda estamos numa fase muito inicial do nosso caminho, todos os temas nos soam bem e apetece-nos sempre tocar todos.

Não sou um purista e acho que há imensos projectos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem também em inglês. Há alguma razão especial para cantarem apenas em inglês e a opção será para se manter?

Penso que com a nossa sonoridade, não se justifica cantar noutra língua que não o inglês. Nós não temos nada contra o português, bem pelo contrário. Na minha banda anterior tínhamos vários temas em português. O Rodrigo tem pelo menos mais dois projetos em que canta em português. Acho que as músicas devem servir-se sempre do que as faça soar melhor. Nos Country Playground acho que o português nunca ía colar de forma natural, seria sempre forçado, por isso essa é uma ideia que nem colocamos em causa.

Imagino que entretanto já tenham temas novos compostos. Será preciso esperar mais quanto tempo para saborear um novo trabalho dos Country Playground?

Sim, já temos praticamente o segundo disco escrito. Desde a gravação à edição do Turdus Merula passou quase um ano e eu e o Rodrigo temos uma facilidade muito grande em escrevermos juntos. Às vezes até no sound-check de um concerto surge uma nova música. Nos nossos concertos já apresentamos algumas dessas músicas novas. De qualquer forma, agora temos de saborear e aproveitar o que o Turdus Merula nos trouxer e assim que chegar a hora, gravamos o próximo.

Como vai decorrer a promoção de Turdus Merdula? Já sei que tocaram recentemente em Leiria e na Marinha Grande, mas onde poderemos ver os Country Playground a tocar num futuro próximo?

Nesta fase ainda estamos a fazer a promoção do disco ao nível da imprensa escrita e da rádio. Em relação aos concertos, como calculas, lançámos o disco numa época em que não é muito habitual fazê-lo, está tudo muito virado para os festivais e para as bandas que nos visitam. De qualquer forma, acho que isso também pode ter jogado a nosso favor, porque chegámos a algumas rádios que não esperávamos. Se calhar em Setembro os lançamentos são tantos que passávamos despercebidos. Também não foi a melhor altura para apanhar o comboio dos concertos de Verão, pelo que estamos a tentar alinhar tudo para arrancar para a estrada no final de Setembro. Já temos alguns showcases marcados em Fnacs, mas ainda não consigo adiantar as datas da tour de promoção do Turdus Merula. De qualquer forma, convido toda a gente a ir seguindo o nosso facebook para saberem as datas e novidades assim que as anunciarmos.


autor stipe07 às 21:55
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

ScotDrakula - Burner & Break Me Up EP

Os ScotDrakula são Matt Neumann (guitarra, voz), Evianne Camille (bateria, voz) e Dove Bailey (baixo, voz), três jovens músicos australianos, oriundos de Melbourne, que gostam de misturar cerveja com o rock de garagem e darem assim asas à devoção que sentem pela música e pela cultura punk. No passado dia dezasseis foi disponibilizado fisicamente, em formato cassete e num único exemplar, Burner, o novo disco do grupo, no lado a, assim como um EP intitulado Break Me Up, no lado b, com a edição a poder ser encomendada através da insuspeita e espetacular Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Para ouvir e apreciar os ScotDrakula é necessário ter fé, sentir a luz do alto e ter a mente aberta e livre de qualquer ideia pré concebida relativamente a um hipotético encontro imediato com canções detentoras de artifícios sonoros intrincados e alicerçados numa receita demasiado complexa. Percebe-se, logo que inicia a audição, que da percussão vibrante de Ain't Scared ao baixo de Burner!, passando pela distorção que orienta Little Jesus, um tema clássico no que diz respeito à conexão feliz entre o fuzz de uma guitarra e a secção rítmica vitaminada que encorpora o rock psicadélico dos anos sessenta, estes nove temas são, apenas e só, mais uma excelente porta de entrada para um universo sonoro feito com guitarras carregadas de fuzz, uma percussão vibrante e ritmada e uma postura vocal jovial e com um encanto lo fi que inicialmente se estranha, mas que depois, rapidamente se entranha.

A maior parte destas canções vive da intimidade psicadélica que se estabelece no baixo e na guitarra, uma conexão algumas vezes com uma toada visceral algo sensual, como se percebe na crueza vintage de Doors & Fours e de Dynopsykism, mas feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência de um rock que nos convida para uma viagem no tempo, do passado ao presente, através de uma banda contagiante e que parece ser mais experiente do que o seu tempo de existência, tal é o grau de maturidade que já demonstra. O hipnotismo desenfrado que se pode conferir em CrazyGoNuts é uma autêntica ode à revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock clássico que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Burner & Break Me Up tem uma forte ligação com o passado e se tivermos a capacidade de confiar nestes ScotDrakula e deixarmos que eles nos mostrem que são também o caminho, a verdade e a vida, conseguimos facilmente viajar e delirar ao som das suas canções. Apreciar o verdadeiro rock clássico é também uma questão de fé e este trio australiano sabe o caminho certo para nos guiar até uma feliz, renovada e efetiva conversão. Espero que aprecies a sugestão.


autor stipe07 às 18:28
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

Mile Me Deaf - Holography

Oriundos de Viena, os austríacos Mile Me Deaf regressaram em 2014 aos discos com Holography, um trabalho que viu a luz do dia no início de maio e que podes escutar no bandcamp do grupo, onde está igualmente disponível toda a sua discografia, podendo ser adquirido através da Siluh Records.

Um músico chamado Wolfgang Möstl é o lider destes Mile Me Deaf, sendo ele quem escreve e compôe a maioria das canções. No entanto, não se trata propriamente de um projeto a solo até porque ao vivo os Mile Me Deaf apresentam-se como um conjunto coeso, com vários músicos e que não sofre grandes alterações desde 2008, ano em que se estrearam nos lançamentos.

Quanto à música e a este disco em particular, os Mile Me Deaf são exemplares no modo como sugerem um rock de garagem, cru e lo fi, exemplarmente replicado em canções como Science Fiction, o sensual rock de cabaret de True Blood, o grunge de Cryptic Boredom Rites e em Out Of Breath At Ego Death, este último um tema algo inédito no alinhamento já que nele coexiste uma relação frutuosa entre a distorção da guitarra e da voz, com uma bateria acelerada, algo que remete a canção para o experimentalismo punk, que se estende para Domestics, no caso da voz e também para o fuzz psicadélico de Motor Down, plasmado na relação progressiva que, neste caso, se estabelece entre o baixo e a bateria.

No entanto, os Mile Me Deaf também não descuram paisagens sonoras mais amenas, com a indie pop descomprometida que temas como o single Artificial ou a divertida War Bonding, claramente comprovam. A primeira é um dos grandes destaques de Holography, uma canção com uma tonalidade muito vincada e onde Wolfgang consegue, através da voz, envolver-nos numa elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.

Holography são doze canções onde a herança dos anos oitenta e do rock alternativo da década seguinte estão bastante presente e com o processo de construção melódica a não descurar uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica, o que só abona a favor deste projeto austríaco que contém uma forte componente nostálgica, mas também algo descomprometida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:12
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Terça-feira, 4 de Novembro de 2014

The Coathangers - Sex Beat (The Gun Club Cover)

The Coathangers

Crook Kid Coathanger, Minnie Coathanger e Rusty Coathanger são as The Coathangers, um trio de Atlanta que aposta no punk rock de garagem, fazendo-o de uma modo bastante genuíno, o que lhes valeu terem já conseguido cimentar um som com um cunho muito próprio e de cariz fortemente identitário.

A banda prepara-se para lançar um single a meias com os These Arms Are Snakes, seus colegas na Suicide Squeeze, contribuindo com a cover que fizeram para o rockabilly de Sex Beat, um original dos californianos Gun Club, uma versão alegre e divertida e que aposta numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico. Confere...

 


autor stipe07 às 17:18
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Allah-Las – Worship The Sun

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las são Miles, Pedrum, Spencer e Matt e têm um novo disco intitulado Worship The Sun, um trabalho lançado por intermédio da Innovative Leisure no último dia dezasseis de setembro e que sucede a um homónimo que foi o disco de estreia da banda, editado em 2012.

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Depois de terem impressionado com o búzio de Allah-Las, estes californianos mantêm a toada no sucessor e trazem o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz. Levam-nos novamente numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguem apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks.

Começa-se a escutar De Vida Voz e cá vamos nós a caminho da praia ao som dos Allah-Las e de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde a banda reside. E vamos com eles enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos Allah-Las, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação não permitia grande rigor melódico, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos de No Werewolf e do groove da guitarra e de uma voz que parece planar sobre Artifact e Recurring, dois dos melhores temas do disco. Depois, o tema homónimo tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção. Had It All, o single já retirado do disco, obedece integralmente à toada revivalista, com um certo travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Jimmy Hendrix, numa sonoridade simultaneamente grandiosa e controlada. Já as cordas de Nothing To Hide e o efeito que as acompanham, assim como a percurssão groove do tema homónimo e os efeitos hipnóticos da guitarra, sustentam duas das mais belas melodias de um disco que até abraça a folk e o country sulista americano em Better Than Mine

Uma das canções mais curiosas do álbum é 501-415, a peça mais psicadélica e sintética do disco e com um timbre pouco usual, estado aqui o momento mais experimental de um trabalho que mesmo nos momentos puramente instrumentais, como Ferus Gallery, Yemeni Jade e a já citada No Werewolf, não desilude.

Buffalo Nickel tem o melhor refrão de Worship The Sun, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Follow You Down tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo baixo e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção, uma atmosfera que se repeate no surf rock de Every Girl, uma forma muito luminosa e festiva de encerrar um disco que feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações.

Worship The Sun é, como de algum modo já referi, coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta e é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda californiana. É um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Worship The Sun

01. De Vida Voz
02. Had It All
03. Artifact
04. Ferus Gallery
05. Recurring
06. Nothing To Hide
07. Buffalo Nickel
08. Follow You Down
09. 501-415
10. Yemeni Jade
11. Worship The Sun
12. Better Than Mine
13. No Werewolf
14. Every Girl


autor stipe07 às 22:15
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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Parquet Courts – Uncast Shadow Of A Southern Myth

Parquet Courts - Content Nausea

Os nova iorquinos Parquet Courts de Andrew Savage, lançaram na primeira metade deste ano um excelente trabalho intitulado Sunbathing Animal e mantêm-se criativamente bastante profícuos e apurados, já que acabam de anunciar o sucessor e com data de lançamento para novembro, como é habitual através da What’s Your Rupture?.

O novo trabalho dos Parquet Courts, ou melhor, dos Parkay Quarts, nome que usam para assinar este disco, vai chamar-se Content Nausea, contêm doze canções e o primeiro single revelado é o tema que encerra o alinhamento, que podes conferir abaixo.

Neste novo trabalho os Parkay Quarts afastam-se um pouco do habitual punk rock cru, rápido e lo fi onde costumam navegar confortavelmente, para apostar em sonoridades mais clássicas, num disco que inclui duas covers: These Boots Were Made For Walking de Nancy Sinatra e Slide Machine dos 13th Floor Elevators. Confere...

01 “Everyday It Starts”
02 “Content Nausea”
03 “Urban Ease”
04 “Slide Machine”
05 “Kevlar Walls”
06 “Pretty Machines”
07 “Psycho Structures”
08 “The Map”
09 “These Boots”
10 “Insufferable”
11 “No Concept”
12 “Uncast Shadow Of A Southern Myth”


autor stipe07 às 17:51
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Brass Wires Orchestra - Cornerstone

Gravado nos Black Sheep Studios por Makoto Yagyu (PAUS) e Fábio Jevelim (PAUS) e masterizado nos Abbey Road Studios (Londres) por Frank Arkwright (responsável pela masterização também do álbum Neon Bible, dos Arcade Fire), Cornerstone é o novo disco dos Brass Wires Orchestra, um coletivo nacional formado por Miguel da Bernarda, Afonso Lagarto, Rui Gil, Luís Grade Ferreira, Zé Valério, Nuno Faria, António Fontes, Tiago Rosa, António Vasconcelos, nove músicos que formam uma verdadeira orquestra folk que aposta numa fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, tudo assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, amiúde dominados pelos instrumentos de sopro, que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

A expetativa em redor de Cornerstone começou a fervilhar no universo indie nacional, na sequência de uma série de concertos que, tendo acontecido sem o objetivo de elevar a banda para um patamar profissional, revelaram, desde logo, alguns temas que acabariam por se tornar em hinos incontornáveis nos concertos da banda, como é o caso de Tears of Liberty ou Wash My Soul. Impulsionados certamente também por tal impacto, estes músicos decidiram, em boa hora, dar o passo seguinte e a verdade é que este disco é já um marco num ano que está a ser extraordinário e de definitiva afirmação para o cenário musical indie e alternativo português.

Cornerstone é uma belíssima coleção de dez originais feitos com melodias hipnotizantes que conseguem misturar os mais inusitados instrumentos com incrível mestria e com a secção de sopros a ser um elemento importante para criar a energia contagiante e a alegria que estes Brass Wires Orchestra transmitem nas suas canções. São composições sonoras carregadas de texturas, criadas através da justaposição de diferentes camadas de instrumentos e sons, uma conjugação com um elevado cariz contemporâneo e atual, apesar do forte revivalismo que este espetro sonoro sempre encerra. O resultado final é verdadeiramente vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece não querer olhar apenas para o universo tipicamente folk, mas também abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos, as facetas mais soul e blues do próprio indie rock.

Cornerstone tem vários momentos altos e deles não posso deixar passar em claro, por exemplo, os dois tremas já referidos, nomeadamente a sensibilidade de Wash My Soul, o tema de abertura e o ritmo frenético e as cordas inebriantes de Tears Of Liberty, uma canção que cabe na algibeira de todos aqueles que já viveram amores desencontrados e não correspondidos. Depois, ainda há People & Humans, uma canção com uma energia diferente das restantes e que demonstra a versatilidade que os Brass Wires Orchestra já demonstram possuir e Time, um tema que plasma a enorme capacidade que o coletivo possui para escrever canções que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas. No final, The Life I Chose é um dos temas mais curiosos do disco, um título feliz para uma música criada por uma banda que sabe bem qual o caminho sonoro que pretende decalcar e sobre o qual se debruça, assim como sobre outros aspetos importantes da banda e deste trabalho, numa entrevista que me concedeu e que aparece transcrita já a seguir. 

Há definitivamente algo de especial nestes Brass Wires Orchestra e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de frescura e vitalidade, mas onde também há espaço para composições melancólicas, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura sonoridades mais festivas e descomplicadas. Espero que aprecies a sugestão...

Depois do sucesso alcançado em vários concertos e que revelaram alguns temas vossos que são já hinos incontornáveis, começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as vossas expetativas para Cornerstone?

Não temos grandes expectativas, queremos apenas a possibilidade de andar por aí a divulgar o nosso trabalho.

Brass Wires Orchestra é um coletivo de nove músicos, certamente de diferentes escolas musicais e origens e com gostos diversificados. Como se consegue colocar ordem na casa e colocar todos a remar no mesmo sentido?

É mais fácil do que se possa pensar. Nós adoptámos linhas estéticas que nos permitem comunicar e compor sempre para o mesmo sentido. 

Como surgiu a possibilidade de gravar o disco nos Black Sheep Studios, com Makoto Yagyu e Fábio Jevelim?

Nós sempre ensaiámos nos BlackSheep Studios, foi um passo natural gravarmos lá com o Makoto e com o Fábio.

Cornerstone foi masterizado nos míticos Abbey Road Studio, em Londres, pelo inigualável Frank Arkwright, que já colocou as mãos em álbuns de nomes tão importantes como os Arcade Fire. Que peso teve este produtor no resultado final?

É sempre de peso ter o selo de qualidade do Frank e dos Abbey Road Studios.

Olhando agora para o conteúdo de Cornerstone, confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de uma frescura e que tem tanta vitalidade . No fundo, em termos de ambiente sonoro, que idealizaram para o álbum inicialmente? E o resultado final correspondeu ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

A nossa visão manteve-se sempre a mesma durante o processo. Com o tempo fomos limando alguns arranjos e escolhas melódicas.

Mesmo nos temas novos já se nota alguma maturidade no que toca a subtileza de arranjos. É uma preocupação nossa.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental e também a criatividade com que selecionaram os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas vossas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota, todos juntos e depois existe um processo de agregação?

O processo inicia-se com trabalho de casa. Depois sim, no estúdio de ensaio, trabalhos a base já existente.

Cada elemento é responsável pela sua melodia e surgem de forma muito natural e espontânea. 

Até que ponto é correto dizer que a secção de sopros da banda é o elemento fulcral e decisivo de toda esta trama?

Não seria muito acertado, porque apesar de estarem presentes em todos os temas, são tão importantes como qualquer outro instrumento, são é mais barulhentos.

Confesso que fiquei particularmente surpreso e agradado com o bom gosto do artwork de Cornerstone. Há algo de conceptual e alguma relação direta com o conteúdo lírico e sonoro?

O artwork foi pensado com cuidado, o seu imaginário remete para uma estética com a qual nos identificamos. O responsável foi o Tiago Albuquerque.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

O inglês é para se manter. Todas as nossas referências cantam em inglês e o compositor das músicas, o Miguel, estudou numa escola inglesa e portanto é-lhe mais natural escrever em inglês do que em português.

O que vos move é apenas esta folk feita de composições melancólicas, com um acabamento bucólico, mas também alegre e descomplicado ou gostariam ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Brass Wires Orchestra?

Exploramos cada vez mais sonoridades diferentes. Elementos eletrónicos, pedais de efeitos, etc.

Achamos que o próximo trabalho vai surpreender muita gente pela positiva.


autor stipe07 às 18:09
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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013

Wooden Shjips - Back to Land

Editado no passado dia onze de novembro pela Thrill Jockey, Back To Land é o novo disco dos Wooden Shjips, uma banda natural de São Franscisco, na costa oeste dos Estados Unidos, que toca um rock de garagem influenciado pela psicadelia dos anos sessenta e o krautrock da década seguinte. Back To Land sucede a West, o aclamado disco dos Wooden Shjips editado em 2011 e marca o regresso aos lançamentos discográficos de Ripley Johnson,um musico que em 2012 se dedicou ao seu outro projeto; Falo dos Moon Duo, banda que partilha com Sanae Yamada. Quanto aos Wooden Shjips, neste grupo Ripley Johnson tem a companhia de Omar Ahsanuddin.

Hoje é um bom dia para escrever sobre este novo disco dos Wooden Shjips já que aterrou na caixa de correio cá de casa Hobo Rocket, o brilhante quinto disco dos Pond e que rapidamente devorei. A escolha de Back To Land nos rascunhos do blogue para disco do dia alvo de crítica acabou por ser uma escolha óbvia, já que ainda estou um pouco fora do meu estado de consciência normal e me matenho sobre o efeito soporífero das sete canções que ouvi da banda natural de Perth, na Austrália, liderada por Nick Allbroo, um antigo membro dos Tame Impala e que ainda inclui no quadro de músicos Jay Watson e Cam Avery, que fazem parte da formação atual da banda liderada por Kevin Parker.

Back To Land é a segunda parte desta trip diária de rock psicadélico, algo que os Wooden Shjips fazem com mestria; Como convém a um coletivo que aposta numa espécie de hipnose instrumental, escutam-se guitarras, baterias e sintetizadores em catadupa, que nos levam numa viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose.

O disco abre com a sequência Back To LandRuins e Ghouls e a partir daí começamos uma espécie de road trip pelo deserto com o sol quente na cabeça enquanto os riffs de guitarra proporcionam um leve sorriso no rosto. Se o tema homónimo é perfeito para apresentar a sonoridade do disco, Ruins impressiona pelo baixo sufocante e Ghouls pela percurssão inebriante.

A partir daí, seja através da altivez de Other Stars ou da rockabilly In The Roses, há um colorir constante de um estado de letargia que nos inunda através de canções hipnóticas, com uma dimensão espacial e onde predominam os sons orgânicos, mais consoentâneos com o estado do Oregon, onde a dupla gravou o álbum. A viola acústica é um instrumento fundamental do prrocesso de construção melódica deste álbum, mas sem fazer com que se perca o norte da componente psicadélica.

Back To Land deverá ser vital para que os Wooden Shjps conquistem o seu próprio território dentro do universo sonoro em que se apresentam e dá-lhes a possibilidade de terem um cardápio sonoro que lhes permite, na minha opinião, combater com as mesmas armas, não só com os Tame Impala e os Pond, mas também com outras bandas do género, por exemplo os Jagwar Ma ou os MGMT e os próprios Unknown Mortal Orchestra, pela primazia no cenário musical indie, shoegaze e psicadélico atual. Espero que aprecies a sugestão...

Back to Land
Ruins
Ghouls
These Shadows
In the Roses
Other Stars
Servants
Everybody Knows


autor stipe07 às 20:48
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Terça-feira, 30 de Julho de 2013

Curtas... CXIX

Basement Jaxx - What A Difference Your Love Makes

Os Basement Jaxx vão regressar aos discos com Music, um trabalho que chegará às lojas ainda antes do final de 2013. What a Difference Your Love Makes é o primeiro single já divulgado, um tema muito animado e cheio de groove, cantado por Sam Brookes e contagiado pelo house e com guitarras que parecem inspiradas nos Daft Punk. Confere... 

 

Below My Feet, um original dos Mumford & Sons, acaba de ter direito a uma excelente versão da autoria da dupla The Very Best & Seye. A curiosidade desta nova roupagem é que, sem pôr em causa a identidade do tema, Below My Feet deu origem a uma outra canção, devido à inserção, por parte de Seye (músico natural do Malawi), de elementos típicos de sonoridades étnicas. Recordo que a dupla já tinha feito o mesmo com Paper Planes, de M.I.A. e com Cape Cod Kwassa Kwassa, um original dos Vampire Weekend. Confere...

 

Shugo Tokumaru é um cantor, compositor e multi-instrumentista japonês, que se estreou nos discos em 2004 com Night Piece. Shugo faz parte dos japoneses Gellers, uma banda rock local, mas é famoso por criar toda a sua música, desde o processo de escrita das letras à composição melódica e aos arranjos e produção, passando pela interpretação e gravação dos instrumentos.

Video Killed The Radio Star, um original dos The Buggles e um dos temas mais conhecidos do universo musical, mereceu em 2011 uma soberba versão por parte deste músico, que agora partilho e que incluída num albúm de beneficiência intitulado Japan 3.11.11: A Benefit Album. Confere... 

 

Após uma pausa de seis anos em que fez mil e uma coisas, a esmagadora maioria delas pouco recomendáveis, ou então em que não fez coisa nenhuma, Pete Doherty está de regresso com os seus Babyshambles. Sequel To The Prequel, o sucessor de Down In Albion e terceiro disco deste grupo britânico, irá chegar às lojas no dia dois de setembro via Parlophone e Farmer's Daughter, o primeiro single já conhecido, mostra que Pete Doherty continua a propôr as mesmas particularidades líricas e sonoras a que nos habituou, trabalhadas em cima da blues e do rock clássico. Confere...

 

Os norte americanos Pop. 1280 estão de regresso com Imps Of Perversion, o hilariante novo disco desta banda de Nova Iorque. Human Probe é o mais recente single divulgado desse disco, uma pérola punk rock, hipnótica, potente e visceral, uma canção que merece toda a nossa atenção e que foi disponibilizada para download gratuito pela Sacred Bones, a etiqueta que vai lançar a rodela, já a seis de agosto. Confere...


autor stipe07 às 15:49
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