Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Montero – Performer

É inegável que com o virar do século a Austrália tornou-se, por razões nem sempre fáceis de destrinçar, um viveiro para o germinar de projetos sonoros que misturando rock, pop e psicadelia de forte travo glam vintage, acabaram por conquistar ouvintes além fronteiras e, em certos caso, o estrelato mundial. Os Tame Impala são, obviamente, o grupo mais bem sucedido, mas os POND, os King Gizzard and the Lizard Wizard de Stu Mackenzie, os The Jungle Giants, Jagwar Ma, Underground Lovers, The Ocean Party ou os Coloured Clocks, entre outros, também merecem destaque, sendo agora acompanhados por Montero, um projeto da autoria do aclamado artista Bjenny Montero, de regresso aos discos com Performer depois do enorme sucesso conseguido com o seu disco de estreia The Loving Gaze (2013), que continha o single Adriana, um dos temas com maior airplay esta década nas rádios australianas.

Perennial "Performer" Montero returns with new album, Performer (ta-dah!), out next month on Chapter Music

Escrito entre Londres e Atenas e produzido por Joey Watason (POND, Tame Impala), Performer está impregnado com uma tremenda sensibilidade pop e recheado de temas com uma epicidade incomum e um fulgor que instiga e faz mover quase de modo instintivo quem se predispõe à escuta dedicada. É um alinhamento de dez temas que se assume como uma espécie de ode ao melhor revivalismo neopsicadélico, sendo bons exemplos dessa permissa o aurea dos sintetizadores que abastecem Montero Airlines e a majestosa Tokin’ The Night Away e o intenso downgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente do tema homónimo, mas também a vibe etérea tremendamente lisérgica de Aloha, o clima vibrante de Runnign Race, a amplitude e a luminosidade cósmica de Caught Up In My Own World, e o charme luxuriante de Vibrations, sendo estes apenas alguns exemplos do modo como este registo é exímio a confundir-nos com um celebração indulgente e inspirada dos melhores sons do passado sem ousar afastar-se do melhor clima indie do pop rock atual.

Performer impressiona pela alegria e pelo tom poético, corajoso, denso e sofisticado de canções com uma beleza ímpar e até certo ponto onírica. No seu todo, assume-se como um agregado coeso e inspirado de composições que, num misto de pop, eletrónica e pequenas experimentações próximas do rock, transmitem um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa. Através dele Montero enche-nos com um espaço sonoro pleno de texturas e fôlegos e onde é transversal uma sensação de experimentação nada inócua e que espelha o cimento das coordenadas que se apoderaram do departamento de inspiração deste músico, compositor e cartoonista, sendo o resultado da ambição do mesmo em se rodear com uma áurea resplandecente e inventiva e de se mostrar ainda mais heterogéneo e abrangente do que na estreia. Espero que aprecies a sugestão...

Montero - Performer

01. Montero Airlines
02. Aloha
03. Caught Up In My Own World
04. Running Race
05. Performer
06. Quantify
07. Vibrations
08. Tokin’ The Night Away
09. Destiny
10. Pilot


autor stipe07 às 13:51
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018

They Might Be Giants – I Like Fun

Já aclamados com dois Grammys e detentores de três décadas e meia de uma exemplar carreira, os They Might Be Giants de John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller, estão de regresso aos discos com I Like Fun, o vigésimo álbum desta banda de rock alternativo de Massachusetts. Produzido e misturado por Patrick Dillett (St. Vincent, David Byrne, Mary J. Blige, The National, Donald Fagen) nos estúdios Reservoir, é um disco que tem a particularidade de ter no seu alinhamento vários temas que se inserem numa iniciativa da banda chamada Dial-A-Song Project, que teve início já na decada de oitenta. Este recurso permite ligarmos para um número de telefone que nos oferece a audição de um tema da banda, com I Like Fun a conter uma base de canções regularmente partilhadas com os visitantes.

Resultado de imagem para They Might Be Giants 2018

Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras. I Like Fun é mais uma prova concreta da excentricidade deste grupo, da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história contemporânea do rock alternativo.

I Like Fun é um exercício poético de muitos contrastes, uma viagem divertida e ligeira que oferece ao ouvinte um amplo espetro sonoro que se estende entre a pop luminosa de I Left My Body ou a lamechice de Push Back The Hands e Lake Monsters, além do rock vintage sessentista de This Microphone e o rock de cariz mais alternativo audível nas guitarras que conduzem By The Time You Get This, sem descurar alguns aspetos essenciais do punk rock, claramente esplanados em All Time What e na inebriante e corrosiva An Insult To The Fact Checkers, mas também daquela blues sulista que o piano de Mrs. Bluebeard replica com um acerto e uma luminosidade invulgares. E, qual cereja no topo do bolo desta alegoria pop, também não falta um trajeto curioso de cariz mais experimental e eminentemente progressivo em When The Light Comes On.

Assim, do frenesim rock à psicadelia, passando pelo rock mais progressivo, não faltam neste alinhamento piscares de olho a toda a herança não só da própria banda como da história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. De facto, os They Might Be Giants não perderam a capacidade de escrever belas canções no universo das coisas estranhas que fazem apenas parte do universo temático da banda e demonstram essa virtude de modo cativante e com uma salutar criatividade e elevada imaginação. Espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - I Like Fun

01. Let’s Get This Over With
02. I Left My Body
03. All Time What
04. By The Time You Get This
05. An Insult To The Fact Checkers
06. Mrs. Bluebeard
07. I Like Fun
08. Push Back The Hands
09. This Microphone
10. The Bright Side
11. When The Light Comes On
12. Lake Monsters
13. Mccafferty’s Bib
14. The Greatest
15. Last Wave


autor stipe07 às 18:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018

Moon Duo – Jukebox Babe / No Fun

Os norte americanos Moon Duo, de Ripley Johnson e Sanae Yamada, são já uma banda incontornável do indie rock psicadélico atual. Detentores de um trajeto discográfico imaculado e com vários pontos altos, tiveram um ano de 2017 bastante profícuo com o lançamento de Occult Architecture Vol. 1 e Vol. 2, dois álbuns que nos levaram de novo rumo à pop psicadélica setentista, através dos solos e riffs da guitarra de Ripley a exibirem muitas vezes linhas e timbres muito presentes na country americana e no chamado garage rock, mas também de sintetizadores inspirados e com efeitos cósmicos plenos de groove. No início de 2018 estão de volta, desta vez com o lançamento de um duplo single, à boleia da Sacred Bones o refúgio perfeito que encontraram há já algum tempo para explorar todo o hipnotismo lisérgico que carimba o seu adn.

Moon Duo

As canções presentes nesta nova edição dos Moon Duo são Jukebox Babe e No Fun, versões de originais de dois projetos fundamentais para a dupla e que marcam bastante as suas influências. A primeira, Jukebox Babe, é um original de Alan Vega, líder dos míticos Suicide e a segunda, No Fun, um original dos The Stooges de 1969. Ripley e Sanae resolveram revisitar Jukebox Babe por ser um tema que Larry, o engenheiro de som do grupo de Portland, cantarolava bastantes vezes durante a gravação dos últimos discos dos Moon Duo e a ideia de fazer uma versão de No Fun surgiu na sequência de um pedido da BBC6 para a dupla gravar uma música da autoria de Iggy Pop, por ocasião do seu septagésimo aniversário. O resultado final são dois temas que caminham em direções sonoras diametralmente opostas. Se Jukebox Babe é um espetacular tratado de punk acid rock eletrónico rugoso e aditivo, uma espécie de catarse psicadélica, assente numa batida inspirada que nos faz dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, No Fun sabe a uma espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip pelo deserto, com o sol quente na cabeça, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Confere...

Moon Duo - Jukebox Babe - No Fun

01. Jukebox Babe

02. No Fun


autor stipe07 às 17:42
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

Black Rebel Motorcycle Club – Wrong Creatures

Quatro anos depois de Specter At The Feast, os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso, à boleia da Vagrant Records, com Wrong Creatures, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo. Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e oferece-nos uns Black Rebel Motorcycle Club cientes não só do mundo em que vivem e das várias transformações que foram sucedendo nos últimos vinte anos, mas também das alterações estilísticas e de formação que moldaram a sobrevivência e o próprio crescimento de um projeto que se abastece de um espetro sonoro muito específico e com caraterísticas bastante vincadas.

Resultado de imagem para Black Rebel Motorcycle Club 2018

Ao longo destes mais de quinze anos, os Black Rebel Motorcycle Club talvez não tenham salvado o rock, mas há que ser justo e admitir que se tornaram numa das bandas essenciais deste género musical. Nos primeiros dez anos de existência, mesmo após a estreia e o similar Take Them On, On Your Own, quando infletiram um pouco no rumo e em Howl e quando abraçaram também a country e a folk, não deixaram nunca de perder a sua identidade, que apenas foi um pouco abalada com Baby 81 e The Effects of 333, os dois únicos álbuns dos Black Rebel Motorcycle Club que não me seduzem e que considero terem sido verdadeiros tiros ao lado na valiosa trajetória musical do grupo. Portanto, na primeira década de existência, os Black Rebel Motorcycle Club nem sempre cumpriram a ótima expetativa criada na estreia mas, em 2009, Beat the Devil's Tattoo voltou a colocar o percurso do grupo nos eixos e pessoalmente devolveu-me uma esperança que se confirmou ser justificada em Specter At The Feast, um trabalho muito marcado pela morte do pai de Robert, que também era um grande suporte da banda, e que voltou a colocar o trio num caminho certo, que agora se endireita definitivamente neste Wrong Creatures. De facto, este oitavo registo do grupo contém um alinhamento de canções que se assumem como uma espécie de fecho de um ciclo e um círculo, já que fazem os Black Rebel Motorcycle Club regressar finalmente aquela que é a sua verdadeira essência, um projeto criador de canções assumidamente introspetivas, nebulosas e viscerais, que além de se debruçarem sobre o quotidiano, estilisticamente se preocupam em colocar o puro rock negro e pesado em plano de assumido destaque.

Escuta-se DFF, um típico tema introdutório, com um baixo firme e constante e uma percurssão com uma cadência crescente que vai recebendo um riff subtil e percebe-se desde logo que há algo de falsamente novo na típica atmosfera sonora mais recente do grupo. Logo depois, com a toada lasciva e provocante de Spook e o fuzz rugoso e cerrado de King Of Bones, clarifica-se, definitivamente, o tal regresso auspicioso à linha de partida, um retrocesso feliz que Little Thing Gone Wild, um tema com traços de post punk e blues e que também abraça o noise rock e onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah, reafirma, conferindo também um indispensável travo de diversidade e perspicácia melódica e instrumental ao disco, dentro dos limites bem definidos da filosofia sonora do mesmo. O clima delicado do hino retemperador Echo e, principalmente, a neblina de Haunt ajudam ainda mais a potenciar a heterogeneidade subtil do alinhamento, através de um blues tocado com mestria, um envolvente abraço do rock com a psicadelia etérea, feito com efeitos de guitarra melodicamente irrepreensíveis, sombrios e interessantes, um notável esforço para que haja novamente aquela luz que aqui brilha devido à interação brilhante entre a voz e a delicadeza da guitarra de Peter, mas também do modo como os Robert e Leah se dedicam de corpo e alma nos dois temas a utilizar o melhor da bateria e do baixo nas diferentes nuances sensitivas que ambos proporcionam.

Em Wrong Creatures há um claro entusiasmo no modo como as guitarras são tocadas e uma menor dose de experimentalismo é substituída pelo ruído direto e conciso, sem deixar de haver instantes de arrebatadora sedução que não ficam nada a dever a projetos que procuram tocar emocionalmente quem se predispõe a deixar-se envolver por canções pensadas para tocar no âmago de cada um de nós. É um disco que acaba por refletir um estado psíquico mais positivo de uma banda muito marcada por transformações e dissabores, mas que nunca deixou, ao longo da carreira, de tentar ser coerente no desejo de deixar, disco após disco, novas pistas para a salvação do rock. O resultado final algumas vezes não foi o melhor, mas essa nobre intenção sempre esteve presente na discografia dos Black Rebel Motorcycle Club e ganhou um novo vigor neste disco. Espero que aprecies a sugestão...

Black Rebel Motorcycle Club - Wrong Creatures

01. DFF
02. Spook
03. King Of Bones
04. Haunt
05. Echo
06. Ninth Configuration
07. Question Of Faith
08. Calling Them All Away
09. Little Thing Gone Wild
10. Circus Bazooko
11. Carried From The Start
12. All Rise


autor stipe07 às 18:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Panda Bear – A Day With The Homies EP

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira a solo de Noah Lennox, aka Panda Bear, um músico natural de Baltimore, no Maryland e com residência em Lisboa, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase três anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo de A Day With The Homes, um EP de cinco canções onde encontramos uma sequência de primorosas e ainda atrativas experimentações, com o nível de desordem sonora a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e o disco a fluir dentro de limites bem definidos.

Resultado de imagem para panda bear lennox 2018

Neste A Day With The Homies as canções sucedem-se articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea. É a materialização de um universo muito próprio e algo peculiar e até colorido, uma impressão obtida logo noinício com a batida animada de Flight a surpreender pelo seu nível de humor e de acessibilidade.

O EP avança e quer no clima kraut algo subversivo de Parth Of The Math ou nos flashes e ruídos que correm impecavelmente atrás de uma percussão orgânica e bem vincada que, em Shepard Tone, nos faz transpor quase instantaneamente uma espécie de portal, para um universo de pendor mais psicadélico, escutamos dois temas com uma filosofia diferente e menos imediata do que a da canção incial e que nos deixam a impressão que Lennox quis, desta vez, trazer à tona sons, efeitos e melodias que estavam guardadas e à espera do momento certo para ganharem vida, porque o autor considerava que antes não se encaixavam no perfil sonoro dos seus alinhamentos, ou porque ainda não tinham sido objeto do trabalho de produção merecido. 

O ocaso do EP chega mais depressa do que gostaríamos com o clima etéreo de Noad To The Folks, canção onde as batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem em demasiado ao restante conteúdo sonoro, assente em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um efeito aquático com um volume crescente e com um piscar de olhos sintético a sonoridades mais negras em Sunset, mais duas canções que justificam o modo como A Day With The Homies pode ser descrito como extraordinário. Naturalmente corajoso, complexo e encantador, além de não renegar a identidade sonora distinta de Panda Bear, ainda a eleva para um novo patamar de diferentes cenários e experiências instrumentais, onde exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário sonoro desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, mas repleta de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - A Day With The Homies

01. Flight
02. Part Of The Math
03. Shepard Tone
04. Nod To The Folks
05. Sunset


autor stipe07 às 16:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

Máquina Del Amor - Disco

É em Braga e numa feliz simbiose entre elementos dos peixe:avião e dos Smix Smox Smux que se encontra a génese dos Máquina Del Amor, um quarteto que já carrega nos braços um fabuloso tomo de canções intitulado Disco. São oito temas impregnados com um rock cru, intenso e maquinal, um rock feito sem limites pré-definidos ou concessões a estreótipos de géneros e estilos e do qual exala uma salutar sensação intuitiva. Nela, improviso instrumental e sensibilidade melódica entrelaçam-se constantemente, sem cânones ou fronteiras rígidas e com uma ímpar homogeneidade, um coito desprovido de qualquer tipo de pudor entre o orgânico e o sintético, que acabou por resultar num registo desconcertante e inigualável no panorama sonoro nacional atual.

Resultado de imagem para Máquina Del Amor Disco

Logo no modo lascivo e de certo modo corrosivo como Karate aborda e conjuga efeitos etéreos, distorções rugosas e uma batida bastante proeminente percebe-se que este álbum não é para ser escutado por quem é adepto de ambientes sonoros mais amenos e delicados. Esta sonoridade algo psicótica não é propriamente confortável para o ouvido, mas esse acaba por ser, curiosamente, um dos maiores atributos destes Máquina Del Amor que, mesmo com essa permissa sempre presente, conseguem oferecer ao ouvinte instantes melódicos atrativos e que vagueiam pela nossa mente sem atropelo, alguns de um modo até tremendamente hipnótico, como é o caso de Mau ou o falso minimalismo coercivo de Carta de Amor e, de um modo ainda mais progressivo, Nova Antiga, composição onde a delicadeza emotiva nunca deixa de fazer mossa, mesmo que à medida que o tema se desenvolve, longos loopings sintetizados e riffs de guitarra alucinogénicos, façam a sua aparição sem qualquer tipo de mácula ou entrave.

Disco é rock puro e duro e que corta e rebarba de alto a baixo. Frenético, labiríntico, sufocante e cerebral, é capaz de nos levar do subsolo aos confins do universo num ápice, sendo proposto por um projeto que estará totalmente alheado, de forma consciente, do que são hoje os os habituais patamares de rugosidade instrumental e estilística de um campo sonoro que permite uma multiplicidade infinita de abordagens, mas que nem sempre aceita de bom grado a busca de atmosferas mais opressivas e desoladoras que o habitual, mesmo que isso seja apenas uma primeira impressão que pode até nem corresponder à real génese do trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 5 de Dezembro de 2017

U2 - Songs Of Experience

Songs Of Experience é o tão aguardado novo álbum dos irlandeses U2, o primeiro trabalho do grupo após um hiato de três anos, mas um disco de continuidade em relação ao antecessor Songs Of Innocence, editado em 2014. De facto, este novo alinhamento da banda de Dublin formada por Bono, The Edge, Mullen e Adam e considerada por muitos como a maior do mundo em atividade, explora alguns aspetos mais íntimos das vivências pessoais do quarteto numa fase mais adulta da existência de cada um, com algumas cartas escritas por Bono a pessoas próximas do seu círculo pessoal a serem um dos motes do registo. Recordo que o conteúdo lírico e emocional do anterior Songs Of Innocence, além de lidar com a perca e a mortalidade, com canções dedicadas aos primogénitos falecidos de Bono e a Joey Ramone, também se debruçava sobre a adolescência do quarteto na conturbada Irlanda dos anos setenta.

Resultado de imagem para U2 2017

Produzido por Jacknife Lee, Ryan Tedder, Steve Lillywhite, Andy Barlow e Jolyon Thomas, Songs Of Experience viu a luz do dia nas primeiras horas deste mês e oferece-nos uns U2 ligados à corrente e com nomes como os Ramones, Bob Dylan e The Clash a serem influências declaradas, mas sem deixar de ter o selo sonoro identitário único deste quarteto irlandês. As guitarras mantêm-se como o grande suporte melódico da maioria das canções, mas há uma busca incisiva por ambientes mais brandos, sendo procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível dessas guitarras que carimbam o ADN dos U2 com o indie pop rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das cordas, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico.

Não é surpresa nenhuma para ninguém que este é também um disco com uma forte índole política. Junta-se a realidade social agitada da Irlanda de há quarenta anos atrás com a América onde um Bono acérrimo crítico de Trump passa largas temporadas para tal ser uma evidência. Temas como American Soul, canção que conta com uma introdução de Kendrick Lamar, inimigo declarado de Trump ou Red Flag Day plasmam com clareza essa teoria, até porque grande parte deste disco foi fermentado em Nova Iorque, em 2014, durante o longo processo de recuperação de um acidente que Bono sofreu em Central Park, nessa cidade que nunca dorme. Nela, durante um passeio matinal, caiu de bicicleta e sofreu múltpiplas faturas nos membros superiores e inferiores que chegaram a colocar em risco a sua capacidade de voltar a tocar guitarra.

Songs Of Experience mostra que os U2 ainda conseguem desafiar a sua capacidade inventiva e que falar-se em zonas de conforto é algo que não faz propriamente parte do vocabulário conceptual de quem quer ser justo na análise crítica aos álbuns do grupo. Assim, se canções como a luminosa e vintage The Showman (Little More Better), uma composição aconchegante e melancólica, a incisiva balada Love Is Bigger Than Anything In Its Way e o primeiro single retirado do disco, a emocionante You’re The Best Thing About Me, mostram aquele lado dos U2 que costuma apelar diretamente ao nosso lado mais emocional e sensível, a mais rugosa American Soul e o groove tropical de Summer Of Love, assim como o baixo corrosivo de The Blackout conferem ao alinhamento do disco aquela componente eclética e heterogénea que justifica que os autores do mesmo recebam mais uma vez o clássico e justo selo de excelência. Espero que aprecies a sugestão...

U2 - Songs Of Experience

01. Love Is All We Have Left
02. Lights Of Home
03. You’re The Best Thing About Me
04. Get Out Of Your Own Way
05. American Soul
06. Summer Of Love
07. Red Flag Day
08. The Showman (Little More Better)
09. The Little Things That Give You Away
10. Landlady
11. The Blackout
12. Love Is Bigger Than Anything In Its Way
13. 13 (There Is A Light)


autor stipe07 às 20:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon?

O ideário sonoro dos gloriosos anos noventa está ainda bem presente entre nós após duas décadas desse período aúreo de movimentos musicais incríveis como a britpop que, do lado de cá do atlântico, fez na altura frente ao grunge e ao indie rock norte americano, num período temporal que massificou definitivamente o acesso global à música. E os Oasis foram um dos nomes fundamentais da arte musical em terras de Sua Majestade nessa época, liderados pelos irmãos Gallagher que continuam a fazer questão de alimentar uma relação lendariamente conturbada. E agora fazem-no através das suas carreiras a solo, com ambos a editarem discos em nome próprio no ocaso de 2017. O primeiro foi Liam, o mais novo, com o seu registo de estreia As You Were e agora chega a vez de Noel, juntamente com os seus High Flying Birds, através de um trabalho intitulado Who Built the Moon?, que viu a luz do dia já neste mês de novembro.

Resultado de imagem para Noel Gallagher’s High Flying Birds

Produzido por David Holmes, Who Built The Moon? deve grande parte dos méritos do seu conteúdo ao trabalho deste produtor algo desconhecido do universo índie e que se esforçou ao máximo por conseguir domar, com aparente sucesso, o natural ímpeto de Noel para compôr de acordo com o seu adn e, consequentemente, o adn dos Oasis. E esse é um dos maiores méritos que este álbum tem, o facto de mostrar um Noel a ser impelido para fora da sua zona de conforto criativa, com as distorções, a heterogeneidade instrumental e a vasta miríade de efeitos da vibe psicadélica Fort Knox, o tema inicial do disco, a fintarem quem estava a contar com a habitual receita da banda que esteve no trono da britpop durante cerca de uma década.

 A partir daí, esse distanciamento torna-se ainda mais assertivo ao som de Holy Mountain, o primeiro single divulgado deste Who Built The Moon?, uma canção impetuosa e com uma vasta miríade de influências, que vão da britpop, ao rock mais ácido e experimental setentista, passando pelo rock alternativo da década seguinte e aquela toada pop algo sintética do mesmo período, com um espírito bastante festivo e dançante, mas também à boleia do sedutor experimentalismo de It's A Beautiful World e do instrumental Wednesday, da grandiosa secção de sopros que abastece o ritmo vibrante de Keep On Reaching e do rock sujo e empoeirado presente no tema homónimo.

Who Built The Moon? assenta grande parte da sua filosofia numa ideia de espontaneidade e liberdade, uma estratégia que pressupõe desde logo um aumento do fator risco relativamente à herança sonora do autor. Mas este é, sem dúvida, um risco calculado, um desafio que incubou canções com o indispensável apelo radiofónico e aquele som de estádio que Noel precisa para sustentar com firmeza a promoção ao vivo do registo, mas também composições com uma elevada bitola qualitativa no que concerne à demonstração da capacidade intuitiva do Gallagher mais velho de criar trechos melódicos quer apelativos quer criativos, mesmo que pareçam conceptualmente distantes. Espero que aprecies a sugestão...

Noel Gallagher's High Flying Birds - Who Built The Moon

01. Fort Knox
02. Holy Mountain
03. Keep On Reaching
04. It’s A Beautiful World
05. She Taught Me How To Fly
06. Be Careful What You Wish For
07. Black And White Sunshine
08. Interlude
09. If Love Is A Low
10. The Man Who Built The Moon
11. End Credits (Wednesday Part 2)
12. Dead In The Water (Live At RTE 2FM Studios, Dublin)
13. God Help Us All


autor stipe07 às 20:51
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 11 de Novembro de 2017

Plastic Flowers – Absent Forever

Juntam-se guitarras impregnadas de efeitos com uma forte toada shoegaze e um ambiente melódico particularmente lisérgico e contemplativo e estão lançados os dados para a chegada às luzes da ribalta de mais um projeto indie dentro do espectro sonoro que nos oferece uma versão algo ruidosa da dream pop mais ambiental e que também revive, em grande parte, épocas gloriosas de um rock alternativo que fez escola na reta final do século passado em Terras de Sua Majestade. Refiro-me a Plastic Flowers, o alter-ego sonoro do grego, sedeado em Londres, George Samaras, um projeto que nasceu na zona de Tessalónica, na Grécia, há pouco mais de meia década. Plastic Flowers vai já no terceiro lançamento discográfico, sendo o mais recente Absent Forever, dez canções que acabam de ver a luz do dia à boleia da The Native Sound.

Resultado de imagem para plastic flowers samaras 2017

Com algumas canções já arquitetadas desde 2013 e gravado em apenas três meses, em diferentes espaços de Londres e num pequeno estúdio da casa de um amigo de Samaras em Hampstead, arredores da capital britânica, Absent Forever é um disco de contrastes. Se contém instantes tremendamente ruidosos e com uma forte complexidade instrumental, também deve muito da sua bitola qualitativa superior a outros intensamente calmos e reflexivos, sendo inteligente o modo como se vão revezando entre si, muitas vezes dentro dos próprios temas, numa demanda sonora onde a ideia de experimentalismo é elevada à forma de arte, neste caso sonora, com charme, bom gosto e uma invulgar sapiência.

Um dos truques que explica o som inédito e bastante identitário deste álbum é o modo como no processo criativo foram capturados alguns dos instrumentos através da antiga e analógica tecnologia da fita magnética. Depois, a participação de um quarteto de cordas também ajudou a ampliar ainda mais o clima rugoso e orgânico de um alinhamento que possui o habitual cariz melancólico em que Plastic Flowers gosta de nos imergir. No single How Can In, o modo como um imparável riff eletrificado se sobrepõe e um trecho de guitarra ternurento que se repete ininterruptamente, plasma esta sensação agridoce que acaba por se estender à meia hora que o disco dura, até porque essa sensação se repete logo a seguir em Seventeen, canção que inicia com uma guitarra fortemente etérea e luminosa que pouco depois é trespassada por uma bateria imponente, com o resultado final a ser uma composição de forte cariz orquestral, com deliciosos acordes e melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, algo que à partida não era fácil de adivinhar assim que o tema começou. Depois, a sobriedade sentimental esplendorosa de Falling Off, o modo quase espiritual como em Half Life somos confrontados com um edifício sonoro com uma epicidade incomum e algo intrigante e a feliz nostalgia oitocentista que exala do post rock que define So Long, uma daquelas canções cujas diversas camadas de sons impelem ao cerrar de punho, são outros exemplos felizes do modo como neste Absent Forever é possível apreciar ruído e rugosidade, sem deixar de estar à tona uma toada eminentemente tranquila e sedutora, mesmo que, durante a audição, o frenesim na percussão e o ruído das guitarras, principalmente nos refrões, sejam nuances que parecem apontar numa outra direção, até algo oposta.

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Absent Forever exala o contínuo processo de transformação de Plastic Flowers que procura mostrar, ao terceiro registo, com a marca do indie shoegaze, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Plastic Flowers - Absent Forever

01. Absent Forever
02. How Can I
03. Seventeen
04. Falling Off
05. Dalliance
06. Half Life
07. So Long
08. Where Are You
09. January 2017
10. NN


autor stipe07 às 22:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 4 de Novembro de 2017

Grooms – Exit Index

Quase três anos depois do extraordinário Comb The Feelings Through You Hair, os Grooms de Emily Ambruso, Jim Sykes e o texano Travis Johnson, o grande mentor do projeto, estão de regresso com mais dez canções incluídas em Exit Index, o quinto registo de originais deste coletivo sedeado em Brooklyn, Nova Iorque e que encontra as suas origens nos míticos Muggabears. Esta é uma banda que combina com tremenda lucidez criativa os cânones mais elementares daquele indie rock assente na tríade guitarra, baixo e bateria, à qual adicionam alguns elementos e efeitos sintetizados, com um resultado final que é uma verdadeira parada de cor, festa e alegria, onde existe um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a música que gostam.

Resultado de imagem para grooms brooklyn band 2017

A indie pop e o rock luxuriante, com o ritmo e a cadência certas e uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que abraça um interessante e algo inédito leque de influências, sempre com uma filosofia vintage, é a pedra de toque destas dez canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes Grooms compõem temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, como é o caso do tremendamente inquietante pulsar de The Directory ou o exacerbado romantismo que expira de Turn Your Body, mas também conseguem ser mais imediatos no modo como entretêm o ouvinte com canções que se escutam sem ser necessário estabelecer uma intrincada teoria para as perceber e saborear. Quer a rugosidade progressiva de Magistrate Seeks Romance, quer a sobriedade melancólica que é sustentada pelo magistral baixo que conduz Dietrich possibilitam-nos esta sensação feliz que é conseguirmos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que esculpiram as canções e, em simultâneo, absorvermos, sem truques ou códigos, a mensagem que transmitem.

Um dos principais atributos de Exit Index é o modo como as guitarras se situam melodicamente sempre próximas da postura vocal e depois, quando alguns arranjos sintéticos sobressaiem, como é o caso do efeito agudo que sai do teclado no rock angular e rugoso de Some Fantasy, tal sucede não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Outro bom exemplo desta altivez orquestral é They Can Tell, um daqueles instantes retro, relaxante e atmosférico que nos desarma, sem dúvida um dos pontos altos e imperdiveis de Exit Index, até porque é uma canção que nos agracia com aquela estirpe de cordas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, quer no entusiasmo lírico. Num final em grande estilo, os Grooms oferecem-nos em Thimble uns loopings que introduzem eficazmente uma linha de guitarra inebriantel num memorável instante épico, impregnado de cor e luz, sem dúvida o melhor modo de encerrar um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante.

Com um forte cariz urbano e atual, Exit Index é um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. É um disco que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Todos os temas são arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões e que se servem também, em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico, certamente com o propósito de contornar todas as amarras que prendem a nossa alma e apresentar, desse modo, a notável disponibilidade dos Grooms para nos fazerem pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Há neste alinhamento quase uma pueril simplicidade, que plasma uma notável capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje, oferecendo-nos, enquanto se vai num abrir e fechar de olhos do nostálgico ao glorioso, uma caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme. Espero que aprecies a sugestão...

Grooms - Exit Index

01. The Directory
02. Horoscopes
03. Turn Your Body
04. Magistrate Seeks Romance
05. End
06. Dietrich
07. Softer Now
08. Some Fantasy
09. They Can Tell
10. Thimble


autor stipe07 às 21:06
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...


more about...

Follow me...

. 51 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Fevereiro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
14

18
19
22
23
24

25
26
27
28


posts recentes

Montero – Performer

They Might Be Giants – I ...

Moon Duo – Jukebox Babe /...

Black Rebel Motorcycle Cl...

Panda Bear – A Day With T...

Máquina Del Amor - Disco

U2 - Songs Of Experience

Noel Gallagher’s High Fly...

Plastic Flowers – Absent ...

Grooms – Exit Index

Walk The Moon – Headphone...

Grandfather's House - Div...

Paperhaus – Are These The...

Oh Sees - Orc

Liars – TFCF

The Veldt - The Shocking ...

Everything Everything - A...

Steven Wilson - To The Bo...

Grizzly Bear – Painted Ru...

Ulrika Spacek – Modern En...

X-Files

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds