Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

The War On Drugs - Thinking Of A Place

 

Os The War On Drugs de Adam Gradunciel já eram sinónimo de saudade na redação de Man On The Moon, até porque não davam sinais de vida desde o excelente Lost In The Dream, editado há cerca de três anos. Refiro-me a um projeto norte americano cuja sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos foi aos poucos transformando-se numa referência para vários artistas em início de carreira e que está de regresso em 2017 com um novo registo de originais. Mas para já, enquanto o novo disco não chega, Gradunciel produziu especialmente para o Record Store Day deste ano Thinking Of A Place, um tema que encarna onze minutos que são uma verdadeira vibe psicadélica e poeticamente melancólica, com uma progressão interessante e onde vão sendo adicionados diversos arranjos, sintetizadores a batidas que adornam as guitarras e a voz, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte. Confere...


autor stipe07 às 13:19
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Quarta-feira, 26 de Abril de 2017

Galo Cant’Às Duas - Os Anjos Também Cantam

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e começaram a compor pouco tempo depois, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde este prometedor arranque, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

O desejo de gravar um disco de estreia acabou por ser um passo óbvio para os Galo Cant'às Duas e para isso refugiaram-se, com a ajuda de Miguel Abelaira, durante uma semana nos estúdios HAUS com Makoto Yagyu e Fábio Jevelim para gravar, produzir e misturar Os Anjos Também Cantam, nome desse trabalho lançado pela Blitz Records e distribuído pela prestigiada Sony Music Entertainment.

O disco arranca com Marcha dos que voam, a primeira amostra divulgada, uma canção que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, que pôe um olho no rock progressivo e outro num salutar experimentalismo psicadélico e depois chega Respira, uma composição que impressona pelo efeito inicial das cordas, livres e expansivas, parceiras ideais da bateria para uma viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor. Depois, num curioso efeito agudo, na distorção de uma flauta que amiúde corta e rebarba e no potente riff do baixo que marca o pendor de Processo Entre Viagens e, no ocaso, a aparição da voz que afirma apenas e só, mas de modo convincente, Seremos todos nada, para que te convenças, abraçada por uma melodia sintetizada frenética, em Aparição, encerram pouco mais de trinta minutos de um registo que é um dos mais desafiantes, sensoriais, inusitados e multifacetados do cenário musical indie e alternativo nacional de 2017. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:15
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Segunda-feira, 24 de Abril de 2017

Gorilla Cult - Mothership

Band Photo #3.jpg

Nick Vincent, Tobias Cramér, Leo Hansson Nilson, Jakob Samani  e Edvin Arleskär são os Gorilla Cut, um quinteto sueco oriundo de Estocolmo e que acaba de divulgar um tema intitulado Mothership. Este é um de vários singles que o projeto pretende lançar durante este ano e que já tem direito a um curioso vídeo realizado pelo coletivo visual Vector3. Para a conceção do registo visual foram usadas impressões 3D e imagens captadas pela câmara de uma Xbox Kinect. 

No que diz concerne ao conteúdo sonoro do tema, o mesmo surpreende pela sonoridade inicial atmosférica, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do krautrock e do post punk a darem ao tema uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum. Confere...


autor stipe07 às 22:03
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Sexta-feira, 21 de Abril de 2017

Trêsporcento - Território Desconhecido

Quase cinco anos depois do excelente Quadro, os lisboetas Trêsporcento, deTiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista), parecem apostados em fazer de 2017 mais um ano memorável na já respeitável carreira de um dos projetos essenciais do universo indie sonoro nacional. Para isso contam com Território Desconhecido, o terceiro e novo álbum do grupo, que viu a luz do dia a sete de abril último.

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Gravado desde Junho passado até ao início deste ano, misturado por Carlos Jorge Vales e masterizado por Miguel Pinheiro Marques, Território Desconhecido conta com a participação especial de Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu e gravou o disco no Estúdio do Olival, à excepção das baterias que foram captadas por Manuel San Payo.

Logo em O Sonho, tema que abre o alinhamento de Território Desconhecido e a concretização de um desejo antigo da banda de compôr uma canção em que o refrão fosse um simples instrumental, fica vincada uma salutar ideia de maturidade, numa canção atual e que nos mostra uns Trêsporcento fiéis a si próprios e a trilharem de modo assertivo e criativo aquele percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop aberta e luminosa e sempre cantada em português.

Depois da porta para esse Território Desconhecido se abrir de modo opulente e magnâmino, somos surpreendidos em Um Grande Passo pela exuberância contida mas firme de uma flauta transversal, que, aliando-se às cordas, recosta-nos para o fundo daquele fiel cadeirão onde bocejamos as nossas agruras amorosas. Mas pouco depois e logo a seguir à luminosidade incontida dos punhos fechados que conduzem Tempos Modernos, somos salvos pelo ambiente intimista de Stoner, canção que parecendo levitar num oásis de detalhes eletrónicos, contém um suave travo vintage, ao nível dos arranjos da guitarra e dos detalhes vocais, à herança da nossa música mais tradicional.

Até ao ocaso de Território Desconhecido nunca nos sentimos defraudados pela audição de todo este receituário inédito no panorama sonoro nacional atual e, à medida que o alinhamento prossegue, conseguimos, com indubitável clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e que esculpem as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da voz e alguns arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que uma canção toma e nas sensações que transmite. Quer na arrebatadora simplicidade das cordas de Cabeça Ocupada, canção com um grau de emotividade extrovertida ímpar, ou no devaneio rock de A Ciência, assim como, numa faceta oposta, no posicionamento clássico do dedilhar da viola que constrói a melodia de Papa Figos, tema que homenageia o famoso vinho da Casa Ferreirinha, mesmo havendo várias abordagens díspares a um território sonoro impecavelmente delimitado, é possível irmos, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie rock pop folk feito por mestres impregnados com um intenso bom gosto e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa.

Escutar os Trêsporcento atualmente é um elixir revitalizador para o espírito, aconchega a alma e faz esquecer, nem que seja por breves instantes, aquelas atribulações que de algum modo nos afligem. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:36
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Terça-feira, 18 de Abril de 2017

Flagship – The Electric Man

Oriundos de Charlotte, na Carolina do Norte, os Flagship de Drake Margolnick e Michael Finster são já um caso sério no panorama indie norte-americano e arriscam-se, com The Electric Man, o seu novo registo de originais, a atravessar novas fronteiras e a receberem justo reconhecimento junto de um novo público, também do lado de cá do atlântico. Editado através da Bright Antenna Records e produzido pelo reputado e insuspeito Joey Waronker (Beck, Brandon Flowers, Yeasayer, Atoms for Peace, Air), este é um trabalho que nos oferece uma maravilhosa jornada sonora, capaz de nos levar em várias viagens de ida e volta, da luz à escuridão, abrigados por onze canções assentes num rock atmosférico de elevada intensidade e superior calibre.

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Exímios a criar e replicar melodias bastante aditivas e com forte sentido pop, estes Flagship conseguiram compôr algumas verdadeiras pérolas neste seu segundo registo de originais, bastante inspirado na morte, em 2015, de Grant Harding, que fez parte da formação incial deste projeto. Assim, se Midnight contém aquela epicidade épica de forte cariz sentimental que fez escola nos anos oitenta do século passado, já a viola que introduz Hurricane e o modo como a bateria e um efeito subtil e metálico da guitarra a ela se juntam, fazem-nos erguer o queixo sem receio numa qualquer avenida apinhada de gente que deambula sem destino. Depois, quando o baixo e o sintetizador de Mexican Jackpot piscam os olhos aquele indie rock contemporâneo leve e sorridente e quando The Ladder nos mostra a faceta mais progressiva e ruidosa da dupla, fica claramente plasmada a filosofia de um alinhamento onde sentimentalismo e grandiosidade andam permanentemente de mãos dadas e com um propósito bem definido e pensado; Fazer o ouvinte olhar para o que está diante de si e ter a noção de que, por muito agreste que a vida pareça hoje, o amanhã contém sempre uma infinitude de oportunidades e caminhos por desvendar.

Para os Flagship escrever e cantar sobre eventos importantes e marcantes da sua existência não tem de ser necessariamente um exercício reflexivo de assimilação eminentemente intimista. Nota-se que sentem-se realizados e completos a gritar ao mundo inteiro as suas agruras e inquietações, mas também as alegrias e realizações que vão conquistando, como se quisessem deixar, de modo bem vincado, não só o modo como as suas experiências pessoais se refletem na personalidade de cada um, mas também a ousadia de quererem alertar e aconselhar quem se predispuser a deixar-se levar pela sua vastidão encantatória e que exala deste The Electric Man. Escuta-se as cordas de Burn It Up e o modo como depois uma intensa miríade instrumental se sobrepôe a elas, ou a curiosa rugosidade melancólica do sintetizador que conduz 100 Lives e percebe-se claramente que a melhor forma de exorcizar fantasmas é, se calhar, assustá-los com o nosso próprio âmago. Espero que aprecies a sugestão...

Flagship - The Electric Man

01. Mexican Jackpot
02. Midnight
03. The Ladder
04. Burn It Up
05. 100 Lives
06. In The Rain
07. China Star Man
08. Hurricane
09. The Electric Man
10. Faded
11. It’ll All Work Out


autor stipe07 às 23:14
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2017

Happyness – Write In

Lançado através da Moshi Moshi Records, Write In é o novo registo de originais dos Happyness. Refiro-me a um trio oriundo dos arredores de Londres, composto por Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan e que após um aclamado EP homónimo editado em 2013, estreou-se nos lançamentos no verão de 2015 com Weird Little Birthday, o antecessor deste Write In. Era uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que fluia naturalmente e que agora recebe um notável sucessor.

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Write In é um trabalho que junta alguns dos melhores atributos do indie rock contemporâneo e onde a psicadelia e o lo fi se cruzam constantemente, de modo a criar canções com uma vibe muito genuína e bastante íntima, num alinhamento que até ao seu ocaso transparece sempre uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. Onde esse dar de mãos é mais percetível é bem no âmago do disco, onde encontramos em Bigger Glass Less Full um momento que sabe a puro devaneio sonoro e onde um certo travo a grunge parece querer mostrar uma ideia algo errada de displicência, para logo nas cordas da viola que indica o trajeto de Victor Lazarros Heart contemplarmos uma melodia de rara beleza, sobriedade e sensibilidade

Mas é interessante analisar esta filosofia que transparece de Write In logo pelo início deste alinhamento de dez canções. Se no clima acolhedor de Falling Down, percebe-se que há um elevado grau de acerto no modo como estes três músicos conjugam as guitarras com o baixo e a bateria sem demasiado adorno, mas de modo a conseguir captar a atenção do ouvinte, um pouco adiante, na melodia insistente de Uptrend / Style Raids e na delicadeza da bateria e no modo como ela afaga o abafo da voz, reforça-se esta ideia de que muitas vezes a simplicidade de processos é meio caminho andado para, no seio do indie rock de cariz mais alternativo, chegar-se à criação feliz de composições aditivas e plenas de sentido e substância. E isso sucede já depois de em The Reel Starts Again (Man As Ostrich), ao ter-se juntado o piano à receita, ter sido ampliada essa sensação de proximidade, que atinge superior abrangência no modo como em Through Windows essas mesmas teclas e um registo vocal sussurrante nos proporcionam um saboroso néctar soporífero para algumas das nossas tormentas, que têm aqui uma janela aberta de par em par para partirem para bem longe.

Em Anytime, quando as guitarras ganham vigor e majestosidade e em Anna,Lisa Calls, ao replicarem uma charmosa distorção que entronca nos melhores atributos daquele que deve ser um hino rock agitador e intuitivamente optimista, já não restam mais dúvidas que estamos na presença de um registo que merece figurar em plano de destaque nas melhores propostas indie do momento, incubado por uns Happyness que sabem o balanço exato e como é possível serem animados, luminosos e festivos e noutros instantes que assentem num formato mais íntimo e silencioso e onde exista uma maior escassez instrumental e um registo vocal sussurrante, mostrarem-se mais contemplativos e etéreos. O delicioso andamento amigável e algo psicadélico de The C Is A B A G, canção sonoramente detalhada e que amarra, por si só, várias pontas da heterogenidade em que assenta Write In, acaba por ser outro clímax de todo este ideário processual e que timbra o som identitário dos Happyness, que nos oferecem um álbum que, sendo um belo psicoativo sentimental, encarna uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Write In

01. Falling Down
02. The Reel Starts Again (Man As Ostrich)
03. HAnytime
04. Through Windows
05. Uptrend / Style Raids
06. Bigger Glass Less Full
07. Victor Lazarros Heart
08. Anna, Lisa Calls
09. The C Is A B A G
10. Tunnel Vision On Your Part


autor stipe07 às 14:44
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017

Tall Ships – Impressions

Depois de uma longa espera de cinco anos, com a ansiedade ampliada devido ao elevado grau qualitativo de Everything Touching, o registo de estreia, já chegou finalmente aos escaparates, via FatCat Records, Impressions, o segundo álbum dos Tall Ships, um projeto britânico natural de Cornwall e formado por Ric Phethean, Matt Parker, Jamie Bush e Jamie Field. São nove canções e duas extra, sustentadas por letras emotivas e uma máquina sonora épica e bem oleada, dominada por guitarras melodicamente inspiradas, uma bateria intensa e graves potentes, o que faz deste disco uma espécie de hino comercial urbano.

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Nem sempre uma estreia auspiciosa nos discos corresponde a uma entrada direta e firme no estrelato e os Tall Ships são um excelente exemplo de tal permissa. Everything Touching foi incensado com uma manancial de críticas positivas não só no Reino Unido, mas também a nível internacional (este blogue também divulgou e analisou o disco) e esperava-se que a banda obtivesse um elevado reconhecimento e um sucesso ímpar, mas a realidade foi bem diferente. Pouco tempo depois do lançamento desse registo os Tall Ships ficaram sem editora e agente, carregados de dúvidas e hesitações quanto ao futuro, amarrados numa perigosa encruzilhada e acabaram por desaparecer do radar, mas não da memória dos fãs mais devotos, nos quais me incluo. Mas, felizmente, o instinto de sobrevivência e a capacidade de superação do grupo foi mais forte que as hesitações e desconfianças de quem mais os deveria apoiar e, cinco anos depois, estão de volta com um alinhamento que além de não defraudar a bitola qualitativa do antecessor, nos oferece uns Tall Ships mais maduros, conscientes e, principalmente, criativos.

Escrito durante este longo hiato e gravado pelo próprio grupo na casa de Jamie Field, Impressions é um fulgurante renascimento, um trabalho que exala talento e emoção e que tem o firme propósito de constituir-se como uma espécie de exlixir para os corações mais inquietos. Se o piano de Home cerra o punho de quem acha que não existe nenhuma saída para o caos em que vive e se Lucille exorciza deixando à tona o melhor lado de um amor que passou mas deixou marcas, já a epicidade eloquente de Road Not Taken e o andamento frenético de Meditations On Loss, assumem-se como vozes de uma consciência que nos diz que a vida é para ser vivida sem ressentimentos e que o passado não deve exercer influência negativa na busca dos sonhos e na materialização daquela esperança que todos temos numa vida ainda melhor. O grande momento de Impressions acaba por ser Will To Life, tema que não poderia ser uma melhor metáfora de tudo aquilo que os Tall Ships viveram nos anos mais recentes, já que se inspira na teoria de um filósofo alemão que defende que quando demasiada energia negativa se acumula no seio de um coletivo mas mesmo assim ele não se separa, então mais dia menos dia, o melhor deles acaba por vir à tona de novo.

Disco que sobressai pelo ambiente geral fortemente emotivo e, na concretização do mesmo, por alguns detalhes e ideias critivas que aliam, muitas vezes, alguns momentos tranquilos com outros onde a velocidade com que a banda explora e executa, em várias direções dita regras, e Lost & Found é um tema que mostra bem essa antítese, Impressions está cheio de melodias bastante aditivas e merece rasgados elogios. Há uma ferocidade muitas vezes descarada, bastante peso no pedal de amplificação, mas tudo é feito com impacto, com mestria e de modo contagiante. Os Tall Ships sabem fazer canções excitantes e que se entrelaçam até atingirem uma espécie de clímax vertiginoso, o que faz de Impressions um disco forte, com substância, muito orgânico e com um conteúdo excelente para fazer deste projeto britânico novamente referência. Espero que aprecies a sugestão...

Tall Ships - Impressions

01. Road Not Taken
02. Will To Life
03. Petrichor
04. Home
05. Lucille
06. Meditations On Loss
07. Sea Of Blood
08. Lost And Found
09. Day By Day
10. Impressions (Bonus)
11. Purge (Bonus)


autor stipe07 às 11:47
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017

oLUDO - Abraço

Estrearam-se em 2009 com Nascituro, disco que incluia o grande sucesso A Minha Grande Culpa, um dos temas mais rodados das rádios nesse ano e que foi escolhido para banda sonora dos separadores do canal Sic Radical. Dois anos depois regressaram aos lançamentos discográficos com Almirante e agora, três anos volvidos, estão de regresso com um álbum intitulado Abraço. Falo dos oLUDO, um coletivo algarvio formado por Davide Anjos, João Baptista, Nuno Campos, Paulo Ferreirim e Luis Leal.

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Álbum que, de acordo com os próprios, procura personificar uma espécie de encruzilhada entre o rock e o indie pop português, Abraço era aguardado por cá com enorme expetativa, ampliada depois de ter chegado à nossa redação o single homónimo. E as expetativas não sairam nada goradas porque ao longo das dez canções do alinhamento de Abraço é possível usufruir de uma verdadeira catarse sonora, porque apesar de transportar a gloriosa e profícua era musical portuguesa do final do século passado, tendo-a, continuamente, em ponto de mira, consegue também, de modo transversal, atingir e plasmar uma marca impressiva de contemporaneidade, fazendo-o com um bom gosto estilístico, quer lírico, quer instrumental, realmente incomum.

O disco arranca e no tema homónimo somos logo sugados para os traços indeléveis que caraterizam o adn pop destes oLUDO, embalados pelas guitarras e por uma postura vocal convincente, dois traços que transbordam ao tal período de exaltação que elevou o rock nacional ao seu período de ouro para, logo depois, na distorção da guitarra que embala o refrão de O Que Não Se Vê e no modo como ela se entrelaça com a percurssão em Sangue E Esperança, sermos confrontados com uma toada ainda mais elétrica e progressiva. Já o andamento profundamente hipnótico de Quero O Que Não Vejo exala uma salutar psicadelia que enriquece significativamente o manancial de estilos, tendências e géneros sonoros de um disco que chega a emocionar de modo profundo, e algo particular até, no dedilhar da viola que conduz aos píncaros a delicada nuvem de emoções que exala da lindíssima canção Alma Que Pensa, um momento sublime deste disco, juntamente com o piano que lacrimeja em Tango para a Ana, duas provas felizes de que a pop não precisa de ser demasiado complicada para ser audível com prazer e para ter a capacidade de fornecer tónicos suficientemente poderosos para mover todas aquelas montanhas que asfixiam o nosso âmago.

Em Abraço percebe-se que no processo de construção das canções houve uma guitarra inspirada que pautou a ordem das mesmas e depois foram surgindo os outros instrumentos e toda a avalanhce de arranjos e trechos melódicos que deram aos temas e à toada geral do registo a roupagem que ele necessitou para ter o brilho, a harmonia e a cor que estes músicos certamente procuraram tentar transmitir, num álbum que cativa e que apela a todos os nossos sentidos, ao mesmo tempo que firma estes oLUDO no lote restrito de projetos ímpares e merecedores de superior devoção no panorama sonoro nacional atual. Confere...


autor stipe07 às 21:55
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Segunda-feira, 3 de Abril de 2017

Glass Vaults - Brooklyn

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Os Glass Vaults são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado em 2015 à boleia da Flying Out e que sucedeu a Glass (2010) e Into Clear (2011), dois eps que colocaram logo alguma crítica em sobressalto.

Agora, quase dois anos depois desse auspicioso início de carreira no formato longa duração, o trio está de regresso aos discos com The New Happy, um trabalho que irá ver a luz do dia a doze de maio através de Melodic Records e de cujo alinhamento já se conhece um tema intitulado Brooklyn. Esta canção é um verdadeiro festim de cor e alegoria, uma espiral pop onde não falta um marcante estilo percurssivo e onde tudo é filtrado de modo a reproduzir toda a magnificiência deste e de outro mundo de modo fortemente cinematográfico e imersivo, num resultado final que impressiona pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. Logo à partida percebe-se que New Happy será um disco com um som esculpido e complexo e com um encadeamento que nos obrigará a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. Confere...


autor stipe07 às 11:45
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Quinta-feira, 30 de Março de 2017

Alt-J (∆) – In Cold Blood

Alt-J (∆) - In Cold Blood

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, confirmou a excelente estreia com This Is All Yours, um álbum que além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a elevou para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

Agora, três anos depois desse excelente registo, os Alt-J (∆) vão regressar aos álbuns com Relaxer, oito canções, das quais conheceu-se, em primeiro lugar 3WW, tema que abre o alinhamento e agora In Cold Blood, a canção seguinte, uma composição que alarga um vasto leque de referências e que da pop ambiental contemporânea ao art-rock clássico, passando pelo R&B, é uma epopeia onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses diversos universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual. Confere In Cold Blood e o artwork de Relaxer...


autor stipe07 às 15:49
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