Quarta-feira, 26 de Julho de 2017

Waxahatchee - Out In The Storm

Acaba de chegar aos escaparates à boleia da Merge Records, Out In The Storm, o novo álbum do projeto Waxahatchee de Katie Crutchfield, sucessor do excelente Ivy Tripp (2015), dez canções produzidas por John Agnello e pela própria Katie e que lançam definitivamente este quarteto feminino nas enigmáticas profundezas de um indie rock de forte pendor lo fi, muito próximo de algumas das melhores propostas que surgiram dentro desse espetro sonoro em finais do século passado.

Resultado de imagem para Waxahatchee 2017

A presença de John Agnello na produção deste disco, um génio que já colocou as unhas em álbuns dos Sonic Youth, terá contribuido decisivamente para o ambiente sonoro de um disco que logo em Never Been Wrong expõe muitos dos seus atributos; riffs de guitarra que têm tanto de explosivo como de melódico, quebras e alterações rítmicas constantes e um baixo que não se coibe de mostrar fulgor e, muitas vezes, de assumir, solitariamente, a condução melódica de parte das canções.

Terceiro álbum dos Waxahatchee, Out In The Storm exala, assim, um elvado despudor relativamente a convenções estilísticas ou cuidados ao nível sonoro que busquem a limpidez e o polimento. Em 8 Ball, mesmo que exista um dedilhar de cordas mais luminoso em certos instantes, o baixo anda sempre por ali, a debitar uma salutar sujidade e as constantes acelerações e paragens da bateria fazem adivinhar que a qualquer momento poderá acontecer uma qualquer explosão sónica, carregada de riffs e distorções. A seguir, a batida seca e frenética da bateria de Silver, a eletrificação constante da guitarra e um registo vocal ecoante, cimentam ainda mais a impressão inicial de este ser um disco de pura essência rock, comandado por espíritos livre de arquétipos, mas também contestatários no modo como parecem querer rebelar-se contra a tendência atual de criar discos que tenham sempre na linha da frente uma perspetiva puramente radiofónica em detrimento de uma condução criativa que obedeça em primeiro lugar, aos gostos pessoais e à veia criativa dos artistas.

Percebe-se que estas Waxahatchee não se regem pelo convencional, mas apenas por uma espécie de informalidade criativa e que, ao contrário do que sucede muitas vezes, não exala um exacerbado experimentalismo, já que os temas são, na sua essência, sempre muito diretos, mesmo quando no pós punk de Recite Remorse e na suavidade acústica de A Little More e de Sparks Fly, numa abordagem eminentemente clássica, calcorreiam territórios mais ambientais, ou no baixo impulsivo de Hear You e na guitarra rebarbante de No Question existe uma notória abordagem ao rock de cariz mais progressivo, ruidoso e monumental.

Enganadoramente simplistas, as Waxahatchee oferecem-nos neste Out In The Storm uma saudável espontaneidade, num alinhamento alicerçado em belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias construídas com os típicos instrumentos do indie rock tipicamente lo fi. Estas evidências desarmam completamente as Waxahatchee de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, em que muitas bandas femininas apreciam se envolver, para mostrarem, com ousadia, a verdadeira personalidade destas quatro intérpretes genuinas e preciosas. Espero que aprecies a sugestão...

Waxahatchee - Out In The Storm

01. Never Been Wrong
02. 8 Ball
03. Silver
04. Recite Remorse
05. Sparks Fly
06. Brass Beam
07. Hear You
08. A Little More
09. No Question
10. Fade


autor stipe07 às 16:56
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 22 de Julho de 2017

R.E.M. Live At The Paradise Rock Club, WBCN, Boston, MA, 13/07/1983 (remastered)

Obscuro para muitos, praticamente desconhecido para imensos, mas considerado pela maioria dos fãs como o período aúreo da banda, o tempo em que os R.E.M. estiveram sobre a alçada da editora I.R.S., coincidiu com o lançamento dos cinco primeiros álbuns da banda, em plenos anos oitenta.

Resultado de imagem para r.e.m. 1983 boston

No rescaldo dessa fase inicial do trajeto do grupo de Michael Stipe, Mike Mills, Peter Buck e, ainda na altura, Bill Berry, os R.E.M. foram unanimemente considerados pela crítica norte americana como a melhor banda de rock alternativo da década, acabando por assinar pela multinacional Warner, etiqueta que permitiu alcançarem de modo mais massivo outros mercados, numa relação iniciada com Green e que atingiu proporções inimagináveis com Out Of Time e Automatic For The People.

Murmur (1983), o longa duração que abriu essa odisseia extraordinária e sucessor do excelente EP Chronic Town (1982), é um álbum fundamental da história do rock alternativo da década, um disco que teve direito a uma extensa digressão por território norte-americano, com algumas atuações e concertos memoráveis, não só perante público, mas também em alguns estúdios de rádios.

Um desses espetáculos que foi gravado e recentemente revisto em edição remasterizada com a edição a ter o nome de R.E.M. Live At The Paradise Rock Club, WBCN, Boston, MA, 13/07/1983 (remastered), sucedeu em Boston, a treze de julho de mil novecentos e oitenta e três, no mítico Paradise Rock Club,  vinte e duas canções das quais se uma extraordinária versão de Radio Free Europe, o primeiro grande single da banda, mas também temas como Sitting Still, Catapult ou Pretty Persuasion e algumas versões de clássicos da música norte americana, nomeadamente uma adaptação  curiosa de California Dreamin' dos The Mamas & The Papas, entre outros. Este cardápio é absolutamente imprescindível para qualquer fã ou apenas para quem quiser conhecer ainda melhor esta banda fundamental do universo sonoro alternativo. Confere...


autor stipe07 às 11:20
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
|
Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

STRFKR – Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Agora, alguns meses depois, o quarteto regressa à carga com uma série de compilações, das quais já se conhecem dois tomos, num total previsto de três. Refiro-me às Vault Vol., volumes de canções que nunca foram editadas pelos STRFKR, autênticas raridades, muitas delas salvas do primeiro computador pessoal já moribundo de Josh Hodges e que nunca foram escutadas por ninguém exterior ao círculo mais íntimo do grupo.

Resultado de imagem para STRFKR 2017

Estas duas compilações já divulgadas dos STRFKR têm como maior atributo a possibilidade de nos permitir um olhar bastante impressivo e esclarecedor para o outro lado da cortina, acerca do processo criativo de Hodges, enquanto compositor, ele que é a grande força motriz da banda. A partir daí, desde instantes que são apenas e só esparsos devaneios experimentais, até algumas composições que poderiam muito bem ter figurado num álbum dos STRFKR, é diverso e múltiplo o calibre qualitativo do material sonoro disponibilizado.

Não existe grande diferença estilística e conceptual entre os dois volumes já disponibilizados, o que justifica, por si só, a análise de ambos em simultâneo. E neste emaranhado de registos, muitos deles com menos de um minuto e com o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica, já que, objetivamente, alguns eram momentos de experimentação, libertação, ou de teste, quer melódico quer instrumental, não deixam de existir aqui algumas canções que merecem destaque. Assim, se os quarenta e quatro segundos bastante harmoniosos de Wasting Away ou os teclados planantes e a batida luminosa de Beat 8 têm potencial para servirem de suporte a uma canção mais longa, o indie rock lo fi e a atmosfera retro de Downer, assim como o cariz acessível, pop e radiante de Stoned 2 e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Sound Track, merecem destaque e ruidosa exaltação dentro de todo este agregado que irá, certamente, deixar inebriados os seguidores mais acérrimos dos STRFKR.

Enquanto não chega o terceiro capítulo desta curiosa saga, Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2 são suficientes para nos transportar para uma dimensão paralela, até porque os STRFKR gostam de nos levar até onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Vault Vol. 1

01. Long Time
02. Eyes In The Back Of Your Head
03. Just Like You
04. Basically
05. Prrrty
06. Keeps Us Together
07. Baby
08. Benine Redux
09. Make Into Something Nice
10. Only Humans
11. Anything At All
12. Rachel
13. Oh Darling
14. I Wanna Hear About That
15. Daylight
16. Boogie Woogie
17. Goofy Shit
18. Flyer
19. So Sexy
20. Gerl

STRFKR - Vault Vol. 2

01. Happy Summertime
02. Hanna
03. Fuck Off
04. Downer
05. Beginner Space
06. Late Again
07. Stoned
08. Queer Bot
09. Sound Track
10. Listen
11. Wasting Away
12. Waiting
13. Best I Ever Had
14. Snow Tires
15. Missing You
16. Laa Loo
17. Pine Tree Smell
18. Jesus Christ Baby
19. Intro Sexton
20. Whateverer
21. Beat 4
22. Beat 8
23. Purple and Black
24. Be Leave
25. Marionette


autor stipe07 às 17:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 19 de Julho de 2017

Coldplay – Kaleidoscope EP

Produzido por Rik Simpson, Bill Rahko, Markus Dravs, Brian Eno e Daniel Green e editado através da Parlophone Records, Kaleidoscope é o novo EP dos britânicos Coldplay, cinco canções que viram a luz do dia hà poucos dias e que servem como complemento ao sétimo álbum de estúdio do grupo, o registo A Head Full of Dreams, que viu a luz do dia em 2015. Aliás, o nome do EP, Kaleidoscope, é o mesmo de uma composição de interlúdio presente nesse longa-duração.

Resultado de imagem para coldplay 2017

Em Kaleidoscope, os Coldplay prosseguem a sua demanda recente que tem tido a intenção firme de criar alinhamentos cada vez mais luminosos e festivos e melodicamente amplos e épicos, com canções que celebrem o otimismo e a alegria e que, misturando rock e eletrónica, ajudados por uma máquina de produção irrepreensível, possam consolidar um virar de agulhas, que me parece ser definitivo, ao encontro de sonoridades eminentemente pop. No entanto, num apenas apresente contraponto com este filosofia estilística, o ep abre com All I Can Think About Is You, já que sendo uma canção com um início algo intimista, depois, à boleia do piano, desenvolve-se numa ode celebratória, empolgante e expansiva, que faz jus a alguns dos melhores instantes da carreira da banda.

E ep prossegue neste propósito eloquente e na colaboração com Big Sean em Miracles (Something Special), Chris Martin dá-nos outro exemplo impressivo deste novo paradigma sonoro dos Coldplay, numa composição onde a guitarra é protagonista, mas apenas a espaços, deixando mais uma vez as teclas no comando da condução melódica, tudo interligado por uma produção polida com o máximo de brilho que a tecnologia dos dias de hoje permite e que é depois ampliada com ALIENS, o melhor momento de Kaleidoscope, tema abrilhantado por uma percurssão sintética de superior calibre e pela prestação vocal de Martin, bastante intensa e apaixonada.

Até ao ocaso, na participação dos The Chainsmokers em Something Just Like This (Tokyo Remix), canção captada ao vivo e que transmite com exatidão o espírito vibrante e amplo de um concerto dos Coldplay na atualidade e na delicadeza gentil, dramática e cândida do piano e dos efeitos metálicos de Hypnotized, constatamos com clarividência a cada vez maior distância entre a sedutora e notavelmente bem conseguida timidez indie dos primórdios do grupo e o modo como atualmente se posicionam, numa posição cada vez mais oposta, na pele de detentores do título máximo de banda de massas da pop e da cultura musical dos dias de hoje. Independentemente das inflexões ao longo dessa caminhada de quase duas décadas, mantém-se um traço comum e transversal a toda a carreira dos Coldplay, o atributo de possuírem, desde sempre e de modo constante, canções que falam de sentimentos reais e geralmente felizes e que, por isso, pretendem colocar enormes sorrisos no nosso rosto durante a audição. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Kaleidoscope EP

01. All I Can Think About Is You
02. Miracles (Someone Special)
03. A L I E N S
04. Something Just Like This (Tokyo Remix)
05. Hypnotised (EP Mix)


autor stipe07 às 18:06
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 18 de Julho de 2017

Portugal. The Man – Woodstock

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley estão de regresso aos discos com Woodstock, um álbum que sucede ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo, juntamente com Mac Miller e John Hill. Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man mostram, assim, o oitavo registo de originais da carreira, um álbum baptizado quando o pai de John Gourley encontrou o bilhete que usou no primeiro dia do mítico festival Woodstock e o ofereceu ao filho. Aliás, o disco inicia com Number One, uma canção que homenageia o evento por usar samples de Freedom, o último tema que o falecido cantor Richie Havens tocou no concerto que deu nesse Woodstock.

Resultado de imagem para portugal. the man 2017

Ecletismo e abrangência são duas ideias chave de quase quarenta minutos de rock alternativo, um alinhamento que justifica a sua contemporaneidade pelo modo como abraça esse rock ao hip-hop, ao jazz, ao R&B e à eletrónica, com criatividade e uma salutar dose de experimentalismo. Se em Evil Friends o grupo optou por um maior conservadorismo e por deixar de lado a vertente mais experimental para se concentrar num emaranhado de canções pop, agora, no alinhamento de Woodstock, temos momentos em que muitas vezes duvidamos se o tema que inicia pertence ao mesmo álbum e banda da canção anterior. Bom exemplo disso é como o grupo passa do rock épico e algo sombrio de Live In The Moment para o funk do baixo e o clima psicadélico de Feel It Still, composição que faz-nos querer instantaneamente cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. E depois, do piscar do olhos virulento ao R&B em So Young, ao hip-hop em Mr. Lonely, tema onde intervém Fat Lip dos The Pharcyde e à pop de cariz mais lisérgico e experimental de Tidal Wave e, principalmente, na indulgência ambiental de Noise Pollution, tudo assenta, basicamente, em permissas que obedecem a um alinhamento instrumental preciso, mas também a um completo desapego relativamente a tudo o que a banda propôs anteriormente, numa espécie de manta de retalhos minuciosamente arquitetada e que não deixa também de demonstrar com precisão, a opção, em determinados períodos, por sonoridades mais fáceis, comerciais e acessíveis ao grande público. Espero que aprecies a sugestão...

Portugal. The Man - Woodstock

01. Number One (Feat. Richie Havens And Son Little)
02. Easy Tiger
03. Live In The Moment
04. Feel It Still
05. Rich Friends
06. Keep On
07. So Young
08. Mr Lonely (Feat. Fat Lip)
09. Tidal Wave
10. Noise Pollution (Feat. Mary Elizabeth Winstead And Zoe Manville) [Version A, Vocal Up Mix 1.3]


autor stipe07 às 21:13
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Lush Purr - Cuckoo Waltz

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os escoceses Lush Purr dos irmãos Gavin Will e Rikki Will, aos quais se juntam Emma Smith e Andres Fazio, nasceram das cinzas dos míticos The Yawns e, à imagem desse consagrado projeto, seguem na senda de um indie punk rock psicadélico com um certo pendor lo fi e que tem em Cuckoo Waltz o trabalho de estreia. São treze notáveis canções incubadas em Glasgow, cidade escolhida pela banda para ponto de encontro de músicos que, entre Aberdeen e Santiago do Chile, se distribuem por diferentes proveniências, mas que nessa cidade em boa hora se conheceram e resolveram compôr juntos.

Resultado de imagem para Lush Purr band edinburgh

O disco inicia com Wave e logo se percebe um fio condutor bem definido, assente na primazia das cordas, que vão deixando-se levar por um salutar experimentalismo, à medida que progridem e ampliam a tonalidade da canção. Depois, em Bananadine, um riff eletrificado e o modo como a bateria se encaixa na melodia, têm o propósito bem claro de captar definitivamente o lado mais radiofónico do ouvinte, sem colocar em causa uma certa ousadia experimental, à qual aludi acima e que acabará por ser transversal a todas as canções independentemente do rumo que as mesmas tomem.

Depois deste início prometedor e já completamente absorvidos pelo conteúdo de Cuckoo Waltz, Horses On Morphine, mantendo o estilo, acelera o ritmo até territórios de maior pendor punk, para, pouco depois, em Stuck In A Bog, sermos surpreendidos pela acutilância percurssiva de uma bateria cheia de personalidade e por mudanças de acordes bem delineadas e em (I Admit It) I’m A Gardener, por uma ainda maior rugosidade, quer percussiva, quer elétrica, uma espiral crescente de fulgor e emotividade que não deserma até ao fim. É uma forma de compôr e de manusear o arsenal instrumental escolhido que não deixa margem para dúvidas relativamente ao modo excitante e anguloso como os Lush Purr conseguem cirandar por diferentes espetros sonoros e parecendo que flutuam entre eles, conseguem criar sempre fios condutores que facultam uma homogeneidade bastante impressiva ao disco, sem que ele deixe de exalar uma superior maturidade e um ecletismo claramente indie.

Até ao ocaso, com o baixo de Mr. Maybe, que dita regras de modo ditadorial, mesmo que a guitarra procure imiscuir-se na liderança do ambiente do tema, com, em I, Bore, a opção por um travo algo vintage ou com o noise algo contemplativo da guitarra de Triple Squit, existe sempre a tal variedade de referências a palpitar e fica a certeza que estes Lush Purr são uma das novidades mais refrescantes deste verão indie e que o rock que seguram com unhas e dentes, feito de um certo experimentalismo alternativo novecentista, dificilmente encontra melhores interlocutores. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:05
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 10 de Julho de 2017

Sun Airway – Heraldic Black Cherry

Filadélfia, na Pensilvânia, é a morada dos Sun Airway, uma dupla norte-americana formada por Jon Barthmus e Patrick Marsceill, que editou no início deste ano Heraldic Black Cherry, um compêndio de quinze canções que apostam nos traços mais caraterísticos da indie pop, algo que ficou muito claro, em Landscapes, o antecessor, mas também noutros lançamentos anteriores do projeto. Este Heraldic Black Cherry aprimora a mistura de todo o arsenal instrumental de que a dupla se serve com os sintetizadores, amplificando a vontade da dupla em ser exímia na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

Os Sun Airway distinguem-se, logo à partida e conforme se confere em FOAM, a canção que abre este disco, por uma certa aúrea encantatória, um salutar experimentalismo livre de constrangimentos e amarras e onde o reverb e o fuzz se misturam com liberdade plena, originando um clima fortemente lisérgico que os cobre com uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. E a verdade é que depois, temas como All In, uma canção conduzida por um teclado emotivamente forte e um registo vocal sintetizado convincente, ou Sleeping Sound, uma composição de forte cariz cósmico conduzida por um efeito vincado e um piano cheio de soul, assim como o agregado ternurento que sustenta Small Fires ou a luminosidade melódica algo inebriante de Violent Gray permitem-nos, com uma certa clareza, refletir sobre alguns dos mais nobres sentimentos que nos invadem e tudo aquilo que de bom a vida tem para nos oferecer.

Heraldic Black Cherry torna-se desafiante pela forma como nos convida a tentarmos perceber os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e esculpindo as suas canções, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e com os arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Assim, neste registo vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa viagem psicadélica proporcionada por estes Sun Airway, mestres de um estilo sonoro carregado de uma intensa jovialidade e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. Espero que aprecies a sugestão...

Sun Airway - Heraldic Black Cherry

01. FOAM
02. All In
03. Absolut
04. Sleeping Sound
05. Ha Ha
06. Violent Gray
07. Skiff
08. Small Fires
09. Big Ideas
10. Sand
11. Carry Away
12. Debraining
13. Landfall
14. Gob
15. All I Ever


autor stipe07 às 00:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 7 de Julho de 2017

Day Wave – The Days We Had

Depois dos EPs Headcase e Hard To Read, que o colocaram logo nos radares da crítica mais atenta, o norte americano Jackson Phillips, que assina a sua música como Day Wave, está de regresso com Hard To Read, o seu primeiro lançamento no formato álbum, onze canções que viram a luz do dia no início do passado mês de maio pela mão da Capitol Records e que obedecem a uma fórmula de composição bastante particular, na qual os sintetizadores assumem a primazia no modo como acomodam o restante arsenal orgânico que, numa espécie de simbiose entre o polimento melódico de uns Real Estate, o efeito de guitarras que aponta para a luminosidade efusiva de uns DIIV e um baixo com um pulsar muito vincado e caraterístico, tem a mira apontada para os pilares fundamentais da indie pop contemporânea que, como tem sido norma, encontra no saudosismo de outras épocas a sua grande força motriz e que, neste caso específico de Day Wave, olha de modo beliçoso para a herança oitocentista do século passado.

Resultado de imagem para day wave 2017

O primeiro elogio que se pode fazer a Day Wave e a este seu disco de estreia é que as canções nele contidas são realmente boas e apontam para diversas referências, basicamente descritas acima, não de modo a replicá-las, mas procurando abrangê-las naquele que é um cunho estilísitico identitário já bem definido. Por exemplo, se em Home a guitarra parece ter sido retirada do clássico All I Want dos LCD Soundsystem ou se a distorção de Something Here segue os mesmos cânones de Sparks, um dos temas fundamentais da discografia dos Beach House, a verdade é que não deixa de haver algo de distintivo e único no modo como depois, deixa que as canções sigam o seu percurso natural.

Phillips oferece-nos de mão beijada uma estreia que contendo uma filosofia algo introspetiva mas, por um lado fazendo-se espraiar por uma lúcida cadência épica, nomeadamente no primeiro tema do alinhamento e por outro, por um frenesim solarengo, nomeadamente em Promises, acaba por, no seu todo, resultar em algo consistente e até ligeiramente hipnótico. O dedilhar inicial da guitarra de I'm Still There e o modo como ela depois se transforma e ganha músculo e a voz ecoante do músico que parece planar ligeiramente acima do baixo e do sintetizador, acabam por materializar aquela curiosa sensação que muitas vezes nos invade quando ouvimos uma canção que parece querer forçar o ouvinte a deixar, nem que seja por breves instantes, tudo e todos para trás, rumo aquela luz que está sempre ali, mas que nunca temos coragem de perscutar.

Com a melhor dream pop também na mira,  The Days We Had é um alinhamento de temas vibrantes, que tanto contém uma atmosfera catárquica como um clima sonhador, com belos momentos que sabem aquela brisa quente e aconchegante que entra pela nossa janela nestas convidativas noites de verão. Day Wave pode gabar-se de ser capaz de mostrar uma invulgar intensidade emocional na sua escrita e de poder ser já caraterizado como um artista possuidor não só dessa importante valência mas também de um tímbre vocal único e uma postura confiante. Ele exala uma faceta algo sonhadora e romântica que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada e que irá certamente agradar a todos os apreciadores do género. Espero que aprecies a sugestão...

Day Wave - The Days We Had

01. Something Here
02. Home
03. Ordinary
04. Untitled
05. Bloom
06. On Your Side
07. Bring You Down
08. Wasting Time
09. Promises
10. Disguise
11. I’m Still Here


autor stipe07 às 15:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
|
Quinta-feira, 6 de Julho de 2017

Overlake – Fall

Oriundos de Nova Jersey, os Overlake são Tom Barrett, Lysa Opfer e Nick D'Amore, um trio que começou a fazer música em 2012 e que se estreou nos discos no ocaso de 2014 com Sighs, nove canções que viram a luz do dia através da Killing Horse Records. Agora, pouco mais de dois anos depois, já chegou o segundo disco deste grupo norte-americano, um compêndio de oito canções intitulado Fall e que viu a luz do dia através da insuspeita Bar-None Records, morada de nomes tão fundamentais para o indie rock como os The Feelies, os Happyness, Of Montreal, Yo La Tengo, The Spinto Band, Breakfast In Fur e The Individuals, entre outros.

Apaixonados pelo rock alternativo dos aos oitenta e noventa, os Overlake começaram como tantas outras bandas, através de jam sessions naturais e certamente bem sucedidas que foram construindo o esboço de uma carreira que, no segundo capítulo, acentua uma obediência lúcida a um cardápio confessado de inspirações, que de My Bloody Valentine a Pavement, passando por Sonic Youth, não colocam em causa uma identidade bem vincada e que se firma em paisagens sónicas criadas pela voz e pelas guitarras e por um baixo pulsante e uma percussão vibrante.

A escuta de Fall exige logo no belíssimo aglomerado épico Unnamed November uma audição dedicada, de modo a que todos os detalhes que suportam o alinhamento sejam devidamente contemplados. O riff metálico da guitarra de Winter Is Why e as distorções que o acompanham e a relação progressiva que o baixo e a bateria constroem em You Don't Know Everything, canção com um início algo inocente mas que depois ganha uma tonalidade muito vincada, são excelentes tónicos parase perceber a capacidade dos Overlake em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, mesmo que a sonoridade pareça algo sombria e rugosa.

Com uma filosofia muito assertiva no modo como aborda o rock de cariz mais progressivo, o disco não deixa de fazer o nosso espírito facilmente levitar e de provocar um cocktail delicioso de boas sensações. Por exemplo, em determinado momento, a bateria toma conta das rédeas de And Again, uma canção que começa por impressionar no modo como a guitarra deambula livremente, mas assim que a percurssão surge, ficam irremediavelmente disponíveis os melhores atributos no que diz respeito à capacidade de composição e ao requinte que preenche o ideário sonoro destes Overlake e não duvidamos mais que as sensações de mestria e de bom gosto não surgem espontaneamente por acaso e que merecem ser devidamente realçadas pelo modo como vêm à tona. Há exemplos em que a sapiência criativa dos Overlake se torna algo negra e obscura, nomeadamente em Pines On A Beach, um imenso oceano de hipnotismo e letargia, que pisca o olho aos melhores atributos do punk rock luminoso e outros em que se mostra mais vibrante, mas também em Goodbye, composição que é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia.

Seja qual for a variante do rock alternativo replicada pelos Overlake, a súmula de Fall carateriza-se por um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade e que ilustra o quanto certeiros e incisivos estes três músicos conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram, assente numa pop com traços de shoegaze, mas também num indie rock carregado de psicadelia e sempre com uma sobriedade sentimental marcada por uma intensa aúrea vincadamente orgânica. Espero que aprecies a sugestão...

Overlake - Fall

01. Unnamed November
02. Winter Is Why
03. You Don’t Know Everything
04. Can Never Tell
05. Gardener’s Bell
06. And Again
07. Pines On A Beach
08. Goodbye


autor stipe07 às 14:08
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 5 de Julho de 2017

You Can't Win, Charlie Brown - If I Know You, Like You Know I Do

Resultado de imagem para You Can't Win, Charlie Brown If I Know You, Like You Know I Do

Marrow é um vegetal parente da courgette, cultivado nas ilhas britânicas, na Holanda e na Nova Zelândia e também o título do último registo de originais dos extraordinários You Can't Win, Charlie Brown de Afonso Cabral (voz, teclas, guitarra), Salvador Menezes (voz, guitarra, baixo), Tomás Sousa (bateria, voz), David Santos (teclas, voz), João Gil (teclas, baixo, guitarra, voz) e Luís Costa (guitarra). Este Marrow foi um dos discos do ano de 2016 para este blogue e com toda a justiça porque, no seu todo, contém um sentido conjunto de quadros sonoros pintados com belíssimos arranjos de cordas, sintetizadores capazes de fazer espevitar o espírito mais empedernido e imponentes doses eletrificadas de fuzz e distorção, que se saúdam amplamente, tudo adornado por uma secção vocal contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto e proximidade.

Um dos grandes temas de Marrow é, claramente, If I Know You, Like You Know I Do, quinta canção do alinhamento do álbum e que piscando o olho à eletrónica dos anos oitenta, carateriza-se como uma alegoria pop extravagante e irresistivelmente dancável, que acaba de ter direito a um extraordinário vídeo que mostra os You Can't Win, Charlie Brown de bem perto, com produção dos We Are Plastic Too e realização de Afonso Cabral.

Os You Can't Win, Charlie Brown vão mostrar este e outros temas no palco Nos do Nos Alive, já amanhã, dia seis de julho e por todo o país durante o verão, com passagens marcadas para o Vodafone Paredes de Coura, Douro Rock e Feira de São Mateus, entre outros. Confere...


autor stipe07 às 18:17
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Julho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12
13
15

17
21

23
24
27
28
29

30
31


posts recentes

Waxahatchee - Out In The ...

R.E.M. Live At The Paradi...

STRFKR – Vault Vol. 1 & V...

Coldplay – Kaleidoscope E...

Portugal. The Man – Woods...

Lush Purr - Cuckoo Waltz

Sun Airway – Heraldic Bla...

Day Wave – The Days We Ha...

Overlake – Fall

You Can't Win, Charlie Br...

Abram Shook – Love At Low...

Arcade Fire – Signs Of Li...

The National - Guilty Ple...

The Drums – Abysmal Thoug...

Trêsporcento - A Ciência

Radiohead – OK Computer: ...

Gorillaz – Sleeping Powde...

Everything Everything – C...

Kasabian – For Crying Out...

Arcade Fire – Creature Co...

X-Files

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds