Terça-feira, 2 de Maio de 2017

Gorillaz - Humanz

Já está nos escaparates Humanz, o mais recente disco dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, um trabalho produzido pelo próprio Damon Albarn e primeiro da banda desde The Fall (2011). O registo viu a luz do dia a vinte e oito de abril e tem dezanove canções e seis interlúdios, que incluem a participação especial de nomes tão relevantes como Mavis Staples, Carly Simon, Grace Jones, De La Soul, Jehnny Beth das Savages, Pusha T, Danny Brown, Vince Staples, Kelela e D.R.A.M., entre outros. Humanz foi gravado em cinco locais diferentes, nomeadamente Londres, Paris, Nova Iorque, Chicago e na Jamaica.

Resultado de imagem para gorillaz band 2017

Primeiro registo de canções desde o já longínquo The Fall (2011), Humanz é um sólido passo dos Gorillaz rumo a uma zona de conforto sonora cada vez mais afastada das experimentações iniciais do projeto que, tendo sempre a eletrónica, o hip-hop e o R&B em ponto de mira, num universo eminentemente pop, também chegou a olhar para o rock com uma certa gula. Mas este rock parece cada vez mais afastado do ponto concetual nevrálgico do projeto, com as outras vertentes que sustentam muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje, principalmente do lado de lá do atlântico, a serem colocadas na linha da frente. Tal opção não é inédita e, dando só um outro exemplo, no início deste século não estaria propriamente no horizonte dos fãs mais puristas dos The Flaming Lips verem Wayne Coyne a convidar uma artista do espetro sonoro de uma Miley Cyrus e ter um papel de relevo num álbum desta banda de Oklahoma e a verdade é que hoje essa parceria é uma óbvia mais valia para esse grupo.

Quem, como eu, considera Demon Days um dos melhores álbuns da primeira década deste século, talvez olhe para este Humanz e veja, à primeira audição, poucas evidências da sonoridade que ficou impressa pelos Gorillaz nessa estreia. Mas talvez as semelhanças sejam mais do que as óbvias e, doze anos depois, 2017 marque mais um capítulo seguro numa linha de continuidade que, tendo como referência fundamental todo o espetro pop contemporâneo, busque uma filosofia de experimentação contínua, livre de constrangimentos e com um alvo bem definido em cada registo. E não há dúvida que o hip-hop foi, desta vez, o parceiro privilegiado da eletrónica, num alinhamento onde abundam as participações especiais, mas onde a voz de Albarn continua a ser inconfundível e um delicioso apontamento de charme, seneridade e harmonia, numa multiplicidade e heterogeneidade de registos, quase sempre abruptos, graves, determinados, contestadores e buliçosos, não fosse este um álbum concetual que disserta sobre alguns dos principais dilemas e tiros nos pés que a sociedade contemporânea insiste em dar nos dias de hoje, com o Brexit, em Hallellujah Money, Trump e o aquecimento global em vários temas e o racismo, em Ascension, com o rapper Vince Staples, a serem apenas alguns exemplos desta gigantesta sátira em tom crítico. Seja como for, apesar de todo o ambiente fortemente político e de alerta e intervenção que marca Humanz, o alinhamento encerra com outra improbabilidade, ao ser possível escutar, em We Got The Power, os antigos inimigos de estimação Damon Albarn e Noel Gallagher a cantarem em uníssono We got the power to be loving each other. No matter what happens, we’ve got the power to do that. Afinam ainda há esperança para todos nós. Espero que aprecies a sugestão...

Gorillaz - Humanz

CD 1
01. Intro: I Switched My Robot Off
02. Ascension (Feat. Vince Staples)
03. Strobelite (Feat. Peven Everett)
04. Saturnz Barz (Feat. Popcaan)
05. Momentz (Feat. De La Soul)
06. Interlude: The Non-Conformist Oath
07. Submission (Feat. Danny Brown And Kelela)
08. Charger (Feat. Grace Jones)
09. Interlude: Elevator Going Up
10. Andromeda (Feat. D.R.A.M.)
11. Busted And Blue
12. Interlude: Talk Radio
13. Carnival (Feat. Anthony Hamilton)
14. Let Me Out (Feat. Mavis Staples And Pusha T)
15. Interlude: Penthouse
16. Sex Murder Party (Feat. Jamie Principle And Zebra Katz)
17. She’s My Collar (Feat. Kali Uchis)
18. Interlude: The Elephant
19. Halleujah Money (Feat. Benjamin Clementine)
20. We Got The Power (Feat. Jehnny Beth)

CD 2
01. Interlude: New World
02. The Apprentice (Feat. Rag’n’Bone Man, Ray BLK, Zebra Katz)
03. Halfway To The Halfway House (Feat. Peven Everett)
04. Out Of Body (Feat. Imani Vonsha, Kilo Kish, Zebra Katz)
05. Ticker Tape (Feat. Carly Simon, Kali Uchis)
06. Circle Of Friendz (Feat. Brandon Markell Holmes)


autor stipe07 às 14:43
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015

Yes, Gorillaz Returns

Mais de três anos após o lançamento de The Fall, os Gorillaz de Damon Albarn e Jamie Hewlett deram finalmente indicações concretas de que o regresso poderá estar próximo e que o período de hibernação terá, finalmente, o seu epílogo.

Foi o próprio Jamie Hewlett quem confirmou a novidade no Instagram, com a mensagem de Yes, Gorillaz Returns, precedida de imagens de novos desenhos de Murdoc e Noodle.

Depois de Murdoc, Noodle e os restantes companheiros terem gravado The Fall numa ilha secreta flutuante no Pacífico Sul, onde instalaram o quartel-general da Plastic Beach, feito de detritos, ruínas e restos da humanidade, fica agora a curiosidade para perceber onde será o local de gravação do novo trabalho da banda virtual mais conhecida do planeta e umas das minhas preferidas, que deverá ver a luz do dia lá para 2016.
Em 2014, Damon Albarn lançou o seu primeiro álbum de originais, Everyday Robots , e tinha logo anunciado planos para este novo disco dos Gorillaz, mas também para os fantásticos The Good, The Bad & The Queen. Recordemos dois dos melhores momentos destes dois projetos.

 

 


autor stipe07 às 14:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 26 de Março de 2014

Sisyphus - Sisyphus

Depois de se terem estreado em 2012 com Beak & Claw, Sufjan Stevens, Son Lux e o rapper Serengeti estão de volta com o seu projeto alternativo, agora batizado de Sisyphus. Este novo grupo segue as pistas do anterior que se chamava S / S / S, ou seja, enquanto Stevens e Lux arquitetam o cenário instrumental que define as canções, cabe ao rapper Serengeti espalhar por elas um verdadeiro catálogo de rimas.

Sisyphus mistura o típico hip hop com alguns dos aspetos mais clássicos da pop e do indie rock, algo hoje muito em voga, nomeadamente o uso da sintetização. É um disco muito melódico e que expande novos horizontes no campo da experimentação sonora que aborda traços mais comuns da música negra e mais marginalizada pelo grande público e pelo espetro comercial, com honrosas exceções, nomeadamente aquilo que os Gorillaz de Damon Albarn conseguiram mostrar durante pouco mais de uma década.

Calm It Down, o primeiro single divulgado de Sisyphus, plasma um cardápio de referências já lançadas no disco anterior e que caminham em direção aos anos noventa, cruzando sintetizadores e vozes, numa canção com fortes reminiscências nos esboços sintéticos produzidos por Stevens em The Age Of AdzRhythm Of Devotion, mais outro tema já retirado do álbum no formato single, também aposta numa direção sonora que recua duas décadas, cruzando sintetizadores e vozes, mas com uma mais forte toada nostálgica e contemplativa.

Esta vertente de aproveitamento de traços sonoros identitários dos outros projetos destes músicos é muito audível nos Sisyphus que, em vez de aproveitarem este projeto alternativo das suas carreiras para abordagens díspares, resolveram fazer uma espécie de simbiose do que de melhor cada um tem para oferecer, tendo em conta o universo sonoro com que mais se identifica, com especial ênfase na herança de Stevens.

Esta interação entre artistas e géneros é, como se percebe, o grande valor desta obra e há ainda outros instantes em que o contraste entre a voz grave e direta de Serengetti com a verve melancólica de Sufjan traz alguns momentos agradáveis. O swing de Lion’s Share, as batidas tribais de Alcohol, ou a curiosa My Oh My, o tema onde melhor se percebe toda esta mescla, são mais três exemplos que me impressionaram, num meio termo entre a música eletrónica, o indie e o rap, numa busca de um ponto de intersecção, mas onde não se aprofunda nenhum dos estilos.

Sisyphus é um disco obrigatório para todos aqueles que dizem não gostar de rap e hip hop e que, sentindo desgosto por essa aparente repulsa e os ouvidos apurados para outros universos sonoros, têm o desejo de encontrar prazer em boas letras ritmadas, com batidas rápidas e cheias de sentimento, tudo misturado num caldeirão onde o experimntalismo é a pedra de toque de... canções feitas por três músicos extremamente criativos e competentes. Divertido, Sisyphus torna-se essencial para qualquer admirador dos diferentes projetos deste trio e mostra um imenso potencial desta banda para o futuro. Sisyphus chegou às lojas no passado dia dezoito via Asthmatic Kitty e Joyful Noise. Espero que aprecies a sugestão...


01 Calm It Down
02 Take Me
03 Booty Call
04 Rhythm of Devotion
05 Flying Ace
06 My Oh My
07 I Won't Be Afraid
08 Lion's Share
09 Dishes in the Sink
10 Hardly Hanging On
11 Alcohol


autor stipe07 às 20:54
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

Chuck Inglish - Legs (feat Chromeo)

A dupla rap de Chicago The Cool Kids regressou esta semana com duas novas canções, Computer School e Chop. Chuck Inglish, uma das metades da dupla, aproveitou o balanço para divulgar Legs, o primeiro single do seu disco de estreia a solo.

Convertibles é o nome desse trabalho e irá ver a luz do dia a oito de abril através da própria etiqueta do músico, a Sounds Like Fun, em parceria com a Federal Prism e conta com várias participações especiais, com destaque para Chance The Rapper, Action Bronson, Ab-Soul, Mac Miller, Vic Mensa e Chromeo, que faz a sua aparição nesta Legs, uma animado tema, com uma forte sonoridade disco, rap e funk, muito sexy, quente e intensa. Confere...


autor stipe07 às 18:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2012

Curtas... LXXIV

Como já vem sendo habitual, a publicação Noise Trade acaba de disponibilizar, gratuitamente, o seu álbum de natal, uma compilação de vários temas cedidos por bandas e artistas do panorama índie e alternativo, relacionados com esta quadra festiva. A coleção deste ano conta com canções de Sufjan Stevens, Great Lake Swimmers, Hey Rosetta!, John Roderick e Jonathan Coulton entre outros. Fica esta dica de banda sonora para a ceia de natal. Confere e usufrui...

 

Os Interpol de Paul Banks estão a comemorar o décimo aniversário do lançamento de Turn On The Bright Lights, o álbum que os catapultou para a linha da frente do cenário musical internacional, com todo o mérito e um dos melhores discos da década passada. Fica a reedição especial comemorativa, que contém, além do alinhamento principal remasterizado, um disco bónus com várias demos, inéditos e raridades.

CD 1 (The Original Album, Remastered)

01. Untitled
02. Obstacle 1
03. NYC
04. PDA
05. Say Hello To The Angels
06. Hands Away
07. Obstacle 2
08. Stella Was A Diver And She Was Always Down
09. Roland
10. The New
11. Leif Erikson

CD 2 (The Bonus Material)
01. Interlude (iTunes single)
02. Specialist (Interpol EP)
03. PDA (First Demo, 1998)
04. Roland (First Demo, 1998)
05. Get The Girls (Song 5) (First Demo, 1998)
06. Precipitate (2nd Demo, 1999)
07. Song Seven (Original Version) (2nd Demo, 1999)
08. A Time To Be So Small (Orig Version) (2nd Demo,1999)
09. Untitled (Third Demo, 2001)
10. Stella (Third Demo, 2001)
11. NYC (Third Demo, 2001)
12. Leif Erikson (Third Demo, 2001)
13. Gavilan (Cubed) (Third Demo, 2001)
14. Obstacle 2 (Peel Session, 2001)
15. Hands Away (Peel Session, 2001)
16. The New (Peel Session, 2001)
17. NYC (Peel Session, 2001)

 

A paixão pela década de oitenta nunca foi um segredo muito guardado pelos Chromatics, que agora levaram ainda mais longe essa fixação ao aventurarem-se numa versão de Ceremony, um clássico dos New Order.

Ceremony foi lançada em 1981, poucos meses após a morte de Ian Curtis e já mereceu versões dos Radiohead e dos Galaxie 500, entre muitos outros. Esta versão dos Chromatics distingue-se pela delicadeza melódica e pela nuvem de letargia feita com sintetizadores que a cobre, fazendo com que o tema soe ainda mais obscuro que o original.


Donos de um disco de estreia bastante apreciado pela crítica e de um ótimo EP lançado em 2011, intitulado What A Pleasure, os Beach Fossils estão de regresso aos discos com Clash The Truth, trabalho que será editado em meados de fevereiro. Já é conhecido o tema Careless, o primeiro single retirado desse novo álbum, uma canção que prova que este grupo de Brooklyn, Nova iorque, está de regresso à boa forma, já que misturam, com coerência, as habituais guitarras típicas do rock de garagem com a leveza da surf music.


Dan Deacon tem tido um ano de 2012 bastante produtivo. Depois de ter lançado America, um dos melhores álbuns de 2012 para Man On The Moon, tem-se dedicado ultimamente a fazer remisturas e mashups, que compilou em Wish Book Volume 1, . Nesta primeira compilação de mixtapes do produtor canadiano ouve-se Grimes, Beach House e PSY, entre outros, em cerca de quarenta minutos de uma sequência de sobreposições curiosas e que unem rap, com hip hop, experimentalismo, eletrónica e toda uma variedade de colagens bastante divertidas.


autor stipe07 às 16:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 23 de Outubro de 2012

Why? - Mumps, Etc

Yoni Wolf juntou-se, em 2004, ao coletivo de hip hop Anticon, um dos mais estimulantes laboratórios de invenção de novos caminhos e recontextualizações de referências, formas e linguagens de genética hip hop. Passaram então a ser um trio, rebatizaram o projeto de cLOUDDEAD e juntos elevaram o hip hop delirante, neurótico e fragmentado ao estatuto de entidade essencial para a compreensão do século XXI.

Entretanto os cLOUDDEAD deram o berro, mas Yoni Wolf (aka Why?) seguiu em frente e formou, com o seu nome artístico, uma nova banda com o seu irmão Josiah e estrearam-se nos discos em 2005 com Elephant Eyelash, ao qual se seguiu Alopecia, em 2008, o glorioso expoente da união entre pop, hip hop e o experimentalismo, no fundo a bitola pela qual se rege a sonoridade deste projeto. Em 2009 deram-nos Eskimo Snow, um álbum cheio de canções mais sombrias e nasaladas, com um tom provocador e afectado. Agora, em 2012, a tal receita milagrosa está de volta com Mumps, Etc, disco editado pela City Slang no passado dia oito de outubro.

Mumps, Etc ombreia com Alopecia em imaginação sónica e melódica. Tematicamente existe muito humor negro, centrado em ideias de alienação e terror e muitos animais mortos, algo abordado também nas canções dos cLOUDDEAD. Há uma estranha obsessão de Yoni pela morte e ele não tem medo de o admitir com uma honestidade, quase desarmante, durante a escrita das suas canções. No entanto, na escrita de Yoni não é tudo auto biográfico; O que ele escreve tem um certo lado de rapaz solitário, embora neste Mumps, Etc a componente diarística seja mais subtil e adulta.

A maioria das canções do álbum assentam em beats esquisitos sobre os quais harmonias infantis bailam em redor das melodias. Logo a abrir, Jonathan's Hope destaca-se pela batida, os xilofones, os coros e a harpa que compõe um refrão algures entre o humor depreciativo, o infantil e o desesperado, com uma referência final a pássaros, os tais animais alvos da obsessão de Yoni. Stramberry, Wolf tem acordos de piano simples, assobios, palmas e uma melodia lindíssima que quase nos leva às lágrimas. E no resto do disco, no meio de algumas incursões pelo dub, os tais xilofones e pianos assumem sempre a linha da frente.

Após repetidas audições acaba por impregnar-se uma inolvidável sensação de estarmos na presença de uma coleção de canções que poderiam ter sido idealizadas por uma criança que ganhou voz de adulto, aprimorou os seus dotes musicais, instrumentais, de escrita e melódicos, mas que, bem lá no fundo, nunca cresceu, nunca deixou de brincar com os instrumentos e assim, neste Mumps, Etc, conseguiu uma metáfora perfeita dos extremos desiquilíbrios deste mundo.

A banda anda neste momento por cá, na Europa, a promover este magnífico Mumps, Etc. Espero que aprecies a sugestão...

01. Jonathan’s Hope
02. Strawberries
03. Waterlines
04. Thirteen on High
05. White English
06. Danny
07. Sod in the Seed
08. Distance
09. Thirst
10. Kevin’s Cancer
11. Bitter Thoughts
12. Paper Hearts
13. As a Card


autor stipe07 às 21:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012

Flying Lotus - Until The Quiet Comes

É recorrente que o sonho seja uma temática bastante abordada por artistas plásticos, cineastas e músicos, que têm neles a principal fonte de inspiração e tentam incessantemente produzir algo que se aproxime do que é sentindo num sonho. Pode ser que Steven Ellison não seja apenas um artista onírico ou surrealista, mas fica claro que a sua imaginação transcende o estado lógico e comum, porque é muito fácil sentirmo-nos dentro de um sonho ao ouvirmos a música do projeto Flying Lotus.

Este produtor, natural de Los Angeles, constrói em Until the Quiet Comes, o seu mais recente disco, anunciado em Curtas... XLVII, ambientes repletos de sensações, através de notas musicais flutuantes e leves, com texturas suaves e espaciais. Elementos sonoros dispersos, mas que não passam a sensação de desarrumação ou caos. São partículas que flutuam subtilmente em cada canção e que ignoram a gravidade. Este disco é acima de tudo uma extraordinária viagem, repleta de detalhes únicos, mesmo nos momentos mais experimentais.

Em Until The Quiet Comes, as canções são curtas e ligam-se umas as outras; Por isso o disco deve ser analisado na sua totalidade e ouvido sem saltar a ordem dos temas. Mas não é por isso que não deixam de haver canções radiofónicas, com destaque para Putty Boy Strut, com uma batida marcante e vozes que parecem sintetizadores. A primeira canção, All In, tem uma  percurssão viva e arranjos cintilantes e etéreos; Serve desde logo para provar que Ellison é mais do que um simples produtor de música eletrónica, mas também um talentoso compositor que bebe de diferentes fontes e une de maneira única elementos do hip hop, do trip hop e do jazz (já agora, Ellison é sobrinho neto da pianista Alice Coltrane, esposa de John Coltrane).

Until The Quiet Comes deve também muito da sua riqueza musical às participações especiais! O baixista Thundercat, habitual colaborador neste projeto Flying Lotus, aparece a cantar em DMT Song e toca na belíssima Hunger, uma canção composta com um simples emaranhado de instrumentos e cordas e que também conta com a brilhante participação de Niki Randa. Thom Yorke aparece de forma muito subtil e quase impercetível em Electric Candyman.

Flying Lotus assume-se neste disco como um projeto único e capaz de causar furor sem batidas grandiosas e demasiado elaboradas. O segredo acaba por estar na subtileza dos arranjos e na misteriosa leveza que percorre todo o disco. Com este Until The Quiet Comes, Ellison ganha direito a ser considerado uma referência, inspiração e até objeto de culto. Espero que aprecies a sugestão...

01 - All In
02 - Getting There feat. Niki Randa
03 - Until the Colours Come
04 - Heave(n)
05 - Tiny Tortures
06 - All the Secrets
07 - Sultan's Request
08 - Putty Boy Strut
09 - See Thru to U feat. Erykah Badu
10 - Until the Quiet Comes
11 - DMT Song feat. Thundercat
12 - The Nightcaller
13 - Only if You Wanna
14 - Electric Candyman feat. Thom Yorke
15 - Hunger feat. Niki Randa
16 - Phantasm feat. Laura Darlington
17 - me Yesterday//Corded
18 - Dream to Me

 

Flying Lotus - Putty Boy Strut by French Mustache


autor stipe07 às 13:30
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

Curtas... LVI

Lonerism , dos Tame Impala, é um disco que tenho ouvido com regalo e insistência e de longe um dos grandes discos de 2012. Está cheio de canções que brevemente merecerão uma resenha neste blogue. São densas e banhadas pelo experimentalismo e com uma sonoridade pouco óbvia e, ao mesmo tempo, bastante colorida; Em alguns instantes Lonerism apresenta músicas mais comerciais, como é o caso do single Elephant. Esta canção acaba de ter direito a uma incrível remistura, com uma sonoridade próxima do original, mas que vai crescendo, gerando uma composição grandiosa e muito próxima das pistas de dança.

A remistura está disponível para download gratuíto pela Modular em troca do endereço de email.

 

 

Os Hospitality lançaram um disco homónimo no início deste ano e são um grupo norte americano que aposta naquele indie rock que surgiu no final da década de noventa pela mão de grupos como os The New Pornographers, ou os The Fiery Furnaces.

A empolgante e aditiva Monkey, é mais uma canção retirada desse álbum homónimo, será editada no final do próximo mês, mas já poderá ser escutada logo abaixo.

 

Quem acompanha a carreira dos tais canadianos The New Pornographers sabe que alguns dos seus membros têm interressantes carreiras a solo e projetos paralelos, com particular destaque para Dan Bejar e o seu projeto paralelo, os Destroyer, que produziram, em 2011, o extraordinário Kaputt.

A.C. Newman é outro elemento dos The New Pornographers com um projeto paralelo, neste caso a solo e que nos envolve com a mesma indie rock melódica que há anos define o trabalho do grupo norte-americano a que pertence. Encyclopedia of Classic Takedowns é  um belo exemplar do que o músico prepara para o dia nove de outubro, quando Shut Down the Streets, o seu novo álbum dessa carreira a solo, for apresentado.


Gosto de rap e hip hop quando esse género musical tem a capacidade de me surpreender completamente, algo que sucede quando me predisponho a embrenhar-me a fundo nas novidades que também surgem nessa área musical. Agora descobri Action Bronson, um rapper que também é cozinheiro e que editou este ano uma mixtape intitulada Blue Chips, um dos melhores exemplares do género de acordo com a crítica especializada, porque aposta em samples e rimas coesas.

Mas este músico natural de Nova Iorque prossegue com o lançamento de novos e ainda mais atrativos singles, como é o caso de It’s Me, uma pequena canção carregada de um clima caliente, que serve para apresentar o próprio artista, que nela canta uma sucessão de rimas velozes e bem estabelecidas.


E já que estamos numa de rap, divulgo os Death Grips e algumas canções disponíveis para download gratuíto de The Money Store, o último disco deste projeto. Dele destaco a soberba I’ve Seen Footag, de longe a melhor canção do álbum e que teve direito a um vídeo interativo, realizado em parceria com a MTV. Cliquem aqui e experimentem a Gif Me More Party, o conceito por trás do vídeo e garanto que não se irão arrepender.

Já agora, disponibilizo também, na íntegra e para audição, The Money Store.


autor stipe07 às 13:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9


21
22
27

28
30
31


posts recentes

Gorillaz - Humanz

Yes, Gorillaz Returns

Sisyphus - Sisyphus

Chuck Inglish - Legs (fea...

Curtas... LXXIV

Why? - Mumps, Etc

Flying Lotus - Until The ...

Curtas... LVI

X-Files

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds