Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

Walk The Moon – What If Nothing

Os norte americanos Walk The Moon de Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo cheio de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis e paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas, uma receita que está de regresso de modo ainda mais aprimorado e exuberante em What If Nothing, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati lançou a dez de novembro último.

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Produzido por Mike Crossey e Mike Elizondo, What If Nothing tem o selo da RCA Records e coloca este quarteto norte-americano no trilho da pop mais efervescente, sintética e luminosa, algumas vezes até com diversos tiques do r&b em ponto de mira, como é o caso de Press Restart, mas também a olhar de frente e com notória gula para o rock mais anguloso e expansivo. Assim, não faltam aqui canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores, outras a pedirem um punho firme e cerrado e ainda diversos instantes que convidam à introspeção e, no melhor pano, canções que fazem uma súmula de toda esta amálgama sonora certamente controlada em que os Walk The Moon se movem.

É indubitável a capacidades destes Walk The Moon em olharem para o lado estético daquela pop algo negra e belicosa, feita de batidas algo minimais e sintetizadores impregnados de efeitos repletos de charme, mas eles também são exímios a navegar em águas banhadas por cordas exemplarmente eletrificadas e carregadas de fuzz e distorção. E, na sequência deste modus operandi, não terá sido inocente a escolha dos dois primeiros singles a retirar do álbum. Assim, se em Kamikaze temos um feliz exemplar do primeiro género de canções cuja bitola é, pouco depois, reforçada pelo arsenal sintético que sustenta a exuberância de All Night, já Headphones não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo red line e, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura sua melódica. Depois, canções como a épica e efervescente All I Want ou Tiger Teeth, uma lindíssima balada onde sobressai um piano sintetizado que acompanha com mestria aquele efeito agridoce com que Petricca costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo, acabam por nos proporcionar a tal junção estética que tem como grande e constante motor o reviver de marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta e, simultaneamente, o ressuscitar de referências mais clássicas, consentâneas com a própria pop psicadélica, sendo indisfarçável, ao longo das treze canções do registo, a busca constante de melodias agradáveis e marcantes, mas também ricas em detalhes e texturas.

São vários os territórios sonoros onde os Walk The Moon se sentem como peixe na água, estabelecendo definitivamente neste trabalho o vasto leque de influências que sempre moldaram uma carreira livre de constrangimentos ou de obediência direta a uma determinada bitola sonora mais específica, até porque em What If Nothing aquilo que não falta é um som intrincado mas cativante e pleno de texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegra e nos conduz à diversão, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Walk The Moon - What If Nothing

01. Press Restart
02. Headphones
03. One Foot
04. Surrender
05. All I Want
06. All Night
07. Kamikaze
08. Tiger Teeth
09. Sound Of Awakening
10. Feels Good To Be High
11. Can’t Sleep (Wolves)
12. In My Mind
13. Lost In The Wild


autor stipe07 às 20:36
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2017

Black Rebel Motorcycle Club – Haunt

Black Rebel Motorcycle Club - Haunt

Quatro anos depois de Specter At The Feast, os norte americanosBlack Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso com Wrong Creatures, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo.

Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e irá ver a luz do dia em janeiro próximo. Do seu alinhamento foi divulgado no início de outubro o single Little Thing Gone Wild, um tema onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah e agora chegou a vez de escutarmos Haunt, um tema mais calmo e orgânico, com uma toada algo lisérgica e contemplativa, proporcionada por uma bateria e uma guitarra carregadas de alma, um registo que, à imagem da primeira canção, faz antever um álbum mais cru e direto que o antecessor. Confere...


autor stipe07 às 22:29
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Terça-feira, 31 de Outubro de 2017

Franz Ferdinand – Always Ascending

Franz Ferdinand - Always Ascending

Quatro anos depois de Right Thoughts, Right Words, Righ Action podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar está de volta com Always Ascending, lá para fevereiro próximo.

Já é conhecido o single homónimo desse novo registo de originais dos Franz Ferdinand, uma espiral instrumental em que crescem guitarras e bateria e o pendor exaltante dos sintetizadores, num frenesim de dance post punk rock que irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro indie em que se insere. Confere...


autor stipe07 às 22:01
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Terça-feira, 24 de Outubro de 2017

Walk The Moon – Headphones

Walk The Moon - Headphones

Os norte americanos Walk The Moon Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo impregnado de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis, paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas e que poderão estar de regresso em What If Nothing, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati irá lançar a dez de novembro próximo.

Headphones é o primeiro single já divulgado de What If Nothing, um tema que não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo red line e que, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que o sustenta. Confere...


autor stipe07 às 21:29
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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Black Rebel Motorcycle Club – Little Thing Gone Wild

Black Rebel Motorcycle Club - Little Thing Gone Wild

Quatro anos depois de Specter At The Feast, os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso com Wrong Creatures, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo.

Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e irá ver a luz do dia em janeiro próximo. Do seu alinhamento já se conhece o single Little Thing Gone Wild, um tema onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah. A canção tem traços de post punk e blues e também abraça o noise rock, fazendo antever um álbum mais cru e direto que o antecessor. Confere...


autor stipe07 às 18:13
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Sábado, 30 de Setembro de 2017

The Horrors - V

Três anos depois do grandioso e extraordinário Luminous, já ganhou vida o novo disco dos The Horrors de Faris Badwan, Joshua Hayward, Tom Cowan, Rhys Webb e Joseph Spurgeon, um trabalho lançado às feras recentemente e o quinto tomo da discografia deste quinteto de rapazes com o típico ar punk de há quarenta anos atrás, mas que têm mostrado que não pretendem apenas ser mais uma banda propagadora do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta, mas donos de uma sonoridade própria e de um som adulto, jovial e tremendamente inovador.

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Ao quinto disco os The Horrors estabilizam numa monumentalidade muito própria e que encontra um equilíbrio da vertente sintética com a orgânica das guitarras. Assim, muita da orientação sonora deste disco encontra o seu principal sustento nas guitarras de Joshua e na bateria de Joseph, mas o sintetizador também é protagonista, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções assentes numa faceta eminentemente pop, criadas por uma banda que faz questão de viver permanentemente de braço dado com o experimentalismo em simbiose com a psicadelia.

Logo na densidade profunda e bastente intrincada de Hologram há uma distorção de fundo permanente que acomoda o edifício melódico da canção, uma sujidade potente no modo como expõe riffs e reverbs num descontrole que é apenas aparente e que, de certo modo, rejuvenesce a herança de um projeto que nunca tinha chegado tão longe no modo como mistura orgânico e sintético, algumas vezes estabelecendo ténues fronteiras entre os dois campos. Mesmo quando o piano de Press Enter To Exit parece ir clarificar um pouco a toada e dar-lhe um cariz mais límpido, surgem logo no tema loopings e efeitos cujo charme empoeirado mantêm a toada do álbum no rumo certo. E depois, quer na eloquência sintética do single Machine, quer no espírito pulsante de Point no Reply ou até no cariz algo soturno e contemplativo do efeito da guitarra que dá alma a Ghost, ficam desfeitas as dúvidas de quem pudesse querer colocar em causa o habitual ambiente tremendamente lisérgico dos The Horrors, por causa de uma apenas aparente maior primazia dos sitnetizadores em detrimento das guitarras nesta mais recente filosofia estilística do grupo.

Mais densos, hipnóticos e audaciosos do que nunca, os The Horrors chegam a esta faxe fundamental da carreira no auge das suas capacidades enquanto manipuladores sonoros abrangentes, verdadeiros mestres do indie rock progressivo psicadélico, mas que olham para o ruído como da primeira vez, fazendo-o de forma cada vez mais hipnótica, densa e intrincada. Neste V acabam também por desconstruir um pouco aquela ideia de que o estilo sonoro em que se inserem tem de obedecer sempre a normas muito precisas e bem balizadas, sendo bem pensado e preciso o modo como desbravam novas pontes e caminhos, apostando todas as fichas numa explosão de cores e ritmos que criam um álbum despido de exageros desnecessários, mas apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

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1.Hologram
2. Press Enter to Exit
3. Machine
4. Ghost
5. Two Way Mirror
6. Weighed Down
7. World Below
8. Gathering
9. It’s a Good Life
10. Something to Remember Me By


autor stipe07 às 21:30
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Quinta-feira, 28 de Setembro de 2017

Deerhoof - Mountain Moves

Os Deerhoof de São Francisco, formados por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier, estão de regresso aos discos com mais quinze canções, certamente impregandas com um indie rock carregado de distorções e pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hopriffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela é já a décima quarta do grupo, chama-se Mountain Moves e viu  luz do dia através da Joyful Noise Recordings.

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Sempre inventivos e com uma intocável capacidade em proporcionar, disco após disco, canções e alinhamentos que tanto contêm um travo experimentalista indisfarçável como parecem ir ao encontro das regras mais convencionais da pop contemporânea, os Deerhoof mantêm-se convictamente decididos não só a rasgar toda a sua herança e ir apontando novos direções e rumos, mas também a reforçarem o arsenal de canções que têm à disposição para agradar ao mainstream e assim manterem-se na linha da frente dos projetos mais consensuais e escutados dentro do universo sonoro em que se inserem.

É um facto que nos Deerhoof quanto maior for a sensação de caos e confusão nos nossos ouvidos, maior é a vontade que se tem de elogiar a sua música e neste Mountain Moves aquele lixo sonoro, completamente metafórico e sublime que eles apresentaram em discos tão emblemáticos como Breakup Song, ou o antecessor La Isla Bonita, mantém os seus altíssimos padrões qualitativos, com a voz da japonesa Satomi Matsuzaki, uma miúda cheia de energia, com quem dá vontade de rebolar num jardim e acabar com a boca cheia de húmus e pétalas de jasmins e malmequeres, a ser, ainda por cima, aquele detalhe que não nos faz hesitar em qualquer instante relativamente ao desejo de escutar este trabalho com frequência e de o balizar com natural louvor.

Disco que também impressiona pela presença de algumas versões, com destaque para o tema Gracias a La Vida, um original da chilena Violeta Parra, assim como Freedoom Highway, tema do cardápio setentista dos The Staple Singers e ainda, no final do alinhamento, Small Axe, de Bob Marley, Mountain Moves conta também com as participações especiais do rapper Awkwafina em Your Dystopic Creation Doesn't Fear You, uma luminosa e divertida canção conduzida por cordas inebriantes e das cantoras Laetitia Sadier no funk assertivo de Come Down Here & Say That, Juana Molina, na estrutura caótica, barulhenta e tematicamente reinvindicativa de Slow Motion Detonation e Jenn Wasner no rock enérgico de I Will Spite Survive. São artistas que conferem ao disco um clima ainda mais abrangente e onde abundam guitarras, sintetizadores, sinos, tambores, violas, xilofones e uma praga de instrumentos que nos consomem, numa filosofia de montagem de canções em torre, com loopings e riffs até que a tal torre pareça uma canção e dela se liberte uma energia que nos impele ao movimento indiscriminado.

Mountain Moves é um excelente exemplo do poder de diversão que a música pode ter e, numa banda que, imagine-se, vai já no décimo quarto trabalho da carreira e consegue sempre ser, ainda, familiar e surpreendeente, esta vitalidade no modo como constantemente se reinventa, é um dos maiores elogios que se pode fazer a um alinhamento que comprova que dificilmente os Deerhoof têm concorrência á altura, mantendo intacta a sua ideologia e abraçando, simultaneamente, o inedetismo com grande relevância. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:57
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Sábado, 2 de Setembro de 2017

LCD Soundsystem – American Dream

Já há alguns meses que não restavam quaisquer dúvidas que 2017 iria ser o ano em que os LCD Soundsystem de James Murphy iriam editar o sucessor de This Is Happening, nomeadamente desde que foram divulgadas na primavera Call The Police e American Dream, os primeiros avanços do novo álbum do grupo nova iorquino e que acaba de ver a luz do dia através da DFA Records do próprio Murphy. São dez canções que em pouco mais de uma hora nos mostram porque devemo-nos sentir verdadeiramente felizes por This Is Happening não ter sido o epílogo da banda, como foi na altura, no início desta segunda década do século XXI, profusamente prometido (It's (really...) Time To Get Away!). E convém referir que este alinhamento deve também algo de significativo a David Bowie, artista com quem Murphy, durante conversas que tinham como objetivo colocar o patrão da DFA a produzir Blackstar, diversas vezes desabafou a saudade que sentia do seu antigo projeto, um sentimento que ele veio a descobrir ser partilhado também por Nancy Whang e Pat Mahoney, outros dois nomes incontornáveis dos LCD. Aliás, a canção que encerra este American Dream, a sombria e minimal Black Screen, debruça-se sobre esta troca afetiva de argumentos entre Bowie e Murphy.

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Quando uma nova corrente do indie rock começou a fazer escola no início deste século em Nova Iorque e as guitarras e o baixo começaram a dar as mãos aos sintetizadores e à eletrónica para invadir as pistas de dança do mundo inteiro, os LCD Soundsystem estavam na vanguarda desse movimento e a avalancar outros nomes, nomeadamente os Hot Chip, The Rapture, Cut Copy, !!! (chk chk chk), Radio 4 e Fischerspooner, entre outros, alguns deles abrigados pela própria DFA. E a verdade é que com a primeira saída dos LCD Soundsystem de cena, esse espetro sonoro que tanto sucesso obteve durante cerca de uma década, passou a viver um pouco na penumbra, apesar de nomes recentes como os Orange Cassettes e os próprios Liars parecerem sempre dispostos a levar o garage rock novamente nessa direção com assinalável mestria, sempre dançável e psicadélica. Agora, com este segundo capítulo do projeto de James Murphy e tendo em conta a assombrosa bitola qualitativa de American Dream, os dados estão novamente lançados para que o dance post punk rock volte novamente a estar na linha da frente e em plano de destaque no universo sonoro indie e este grupo volte a ocupar um trono que, no fundo, nunca deixou de lhes pertencer.

American Dream está repleto de composições intensas e melancólicas e que nos possibilitam usufruir de um mosaico declarado de referências, que se centram, essencialmente, numa mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon dos anos oitenta, havendo inclusive, dentro desta bitola referencial, períodos introspetivos, que depois resvalam para finais épicos e de maior exaltação. Logo nos flashes sintetizados vigorosos e no piano divagante da futurista Baby se percebe que este é um disco que não defraudará toda a herança que traz atrás de si. E depois, no ritmo tribalista deliciosamente anguloso, proporcionado, em grande parte, pelo intenso baixo, de Other Voices, exemplarmente acompanhado pelo habitual efeito vocal ecoante de um James Murphy que canta e declama em simultâneo, somos de imediato transportados para os melhores momentos daquele já algo longínquo disco homónimo que ofereceu aos LCD Soundsystem a rampa de lançamento perfeita para um merecido estrelato.

Com estes dois temas iniciais a fazerem a ponte perfeita entre um glorioso passado e aquilo que os LCD Soundsystem querem continuar a explorar nesta nova demanda, American Dream prossegue numa espécie de balanço entre aquele clima underground que pisca o olho de modo bastante apetecível às pistas e momentos de algum pendor mais reflexivo, nomeadamente acerca do modo como Murphy vê a América que atualmente tanto o inquieta. Assim, se os devaneios rítmicos e o modo como é constantemente amplificada uma das cordas do baixo em Change Yr Mind, ou o festim sintético que transborda por todos os poros da efusiva e lasciva Tonite, são composições que nos fazem abanar a anca mesmo que não haja um firme propósito, apenas e só o facto de ser hora de celebrar. Já na espiral instrumental em que crescem guitarras e bateria em I Used To, ou na cadência algo angustiada do tema homónimo, que talvez procure refletir o modo como o tal sonho americano é hoje apenas uma ilusão sem sentido, sentimo-nos impelidos a procurar entender o modo como Murphy, sendo um dos melhores entertainers da atualidade, é também capaz de se sentir frustrado e desanimado com aquilo que observa ao seu redor. O espetacular baixo e o pendor exaltante dos sintetizadores e da batida crescente de Call The Police, acabam por fazer desta canção uma espécie de tema aglutinador perfeito de todo este receituário, um tema onde é possível descobrir razões para dançar de olhos fechados e a sorrir enquanto se pensa na vida e naquilo que mais nos consome e inquieta.

Disco que exige várias audições para ser devidamente compreendido, até porque vive muito deste apelo constante, mas nem sempre explícito, à festa, American Dream talvez reflita, no fundo, a realidade atual de uma América onde não existem, nos dias de hoje, muitas razões para celebrar ou motivos que inspirem à criação musical que exale, de modo evidente, a gloriosa celebração do que é viver num país que nunca se cansa de apregoar que lidera os destinos do mundo. De um modo mais particular, talvez aquele que mais interesse, ensina-nos que nunca é tarde para recomeçar, que os anos podem passar por nós, mas o nosso espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados LCD Soundsystem como entidade. Espero que aprecies a sugestão...

LCD Soundsystem - American Dream

01. Oh Baby
02. Other Voices
03. I Used To
04. Change Yr Mind
05. How Do You Sleep?
06. Tonite
07. Call The Police
08. American Dream
09. Emotional Haircut
10. Black Screen


autor stipe07 às 15:47
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Quarta-feira, 30 de Agosto de 2017

Liars – TFCF

Poucas bandas se transformaram tanto ao longo da última década como o trio de Nova Iorque chamado Liars e formado originalmente por Angus Andrew, Aaron Hemphill e Julian Gross. Deram início à carreira com uma sonoridade muito perto do noise rock, com experimentações semelhantes ao que fora testado pelos Sonic Youth do início de carreira e até com algumas doses de punk dance e aos poucos foram aproximando-se de uma sonoridade mais amena e introspetiva. O que antes era ruído, distorção e gritos desordenados, passou a debitar algo mais brando, com uma proposta de som muito mais voltada para um resultado atmosférico, definição que passou a imperar com evidência desde o disco homónimo lançado em 2007. Este toque experimental acabou por se manter e WIXIW (pronuncia-se wish you), em 2012, foi o culminar de uma tríade que começou no tal Liars de 2007 e prosseguiu em Sisterworld (2010). Dois anos depois, em 2014, os Liars voltam a apostar numa inflexão sonora com Mess, um disco que apresentava uma mistura nada anárquica, mas bastante heterogénea de todos os vetores sonoros que orientaram, até então, a carreira do trio, um álbum carregado de batidas, com uma base sonora bastante peculiar e climática e com propostas ora banhadas por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumidas por um teor ambiental denso e complexo.

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Mess acabou por ser o disco da ruptura e da implosão de um trio que se desmoronou no meio da inquietude e do tal caos, feito de três visões bastantes diferentes daquele que deveria ser o rumo sonoro mais consistente dos Liars, um trajeto que após dezassete anos de busca incessante de consensos, acabou por atingir o limite do tolerável. Assim, Angus Andrew vê-se isolado, mas não dá baixa da marca registada Liars, preferindo, com o acordo dos ex colegas, continuar a dar sequência ao universo com esse nome, agora a solo, sendo TFCF, o primeiro lançamento discográfico nesta nova realidade do projeto. 

Os Liars sempre criaram um som muito difícil de definir porque misturam eletrónica com rock alternativo, noise rock, avant garde, post punk e outras sonoridades e a verdade é que não se pode afirmar que tenham produzido dois trabalhos semelhantes em termos de sonoridade. Este conceito de ruptura mantém-se em TFCF, o que talvez prove que Angus acabou por conseguir fazer prevalecer sempre, acima de todos, a sua filosofia, apesar da aparente democraticidade e busca de pontos de equilíbrio, como descrevi.

Composto integralmente por Angus, no seu país de origem, a Austrália, numa ilha ao largo de Sidney, acessível apenas por barco, num clima de auto isolamento claramente imposto, TFCF materializa esta oportunidade de ouro que o músico finalmente teve para explanar livremente  os conceitos artísticos com que mais se identifica, procurando, ao mesmo tempo, revitalizar o som Liars, elevando-o para uma nova escala e paradigma de inedetismo até porque, a primeira impressão que se tem logo após a audição deste álbum é que não há nenhum projeto contemporâneo conhecido que possa ser equiparado estilisticamente ao que é apresentado nestas onze canções. Já agora, é curiosa a explicação de Angus para o artwork do disco. Justifica-o afirmando que durante dezassete anos sentiu-se de certo modo casado com Aaron Hemphill, o seu principal parceiro nesta aventura e o último a abandoná-lo (Depois de Mess os Liars chegaram a ser uma dupla durante algum tempo) e agora que ele o deixou, ficou sozinho, apenas com um vestido de noiva (I felt like I was married to Aaron [Hemphill] creatively, and now that he is gone I am alone in my wedding dress).

TFCF acaba por refletir bastante esta nova conjuntura, até porque Angus não se fez rogado na hora de aproveitar algum material sonoro que estava guardado em bruto para o próximo disco do projeto no formato trio e em que Angus e Aaron tinham chegado a trabalhar em conjunto, apesar de, durante esse brainstorming virtual, um estar em los Angeles e o outro em Berlim. No Help Pamphlet, um dos poucos momentos acústicos do álbum e onde a guitarra é protagonista, é clara nesta realidade, com a letra a referir-se diretamente a Aaron (OK, that’s it. Those are all the songs I really like… I hope that you have a really great break. And I’m thinking of you all the time.)

Olhando um pouco para o restante conteúdo do disco, independentemente da abordagem que é feita em cada canção e que varia imenso, a eletrónica é o fio condutor, quase sempre envolvida numa embalagem minimal, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que cria uma atmosfera sombria, hipnótica e visceral. O clima algo caótico e lo fi de The Grand Delusional personifica, claramente, uma forma de procurar exorcizar o modo angustiante como Angus olha para a nova realidade com que convive, mas depois, quer nas cordas medievas de Cliché Suite, acompanhadas por arranjos que dão um tema um clima spaghetti curioso, quer na batida pulsante, grave e sensual de Staring At Zero e nos seus detalhes metálicos, assim como nos samples ambientais da climática Face To Face With My Face e no folk punk caliedoscópico de No Tree No Branch, o músico liberta-se um pouco das amarras identitárias e oferece-nos algumas nuances curiosas que deverão projetar um pouco aquele que será futuro sonoro dos Liars. O vigor percurssivo de Coins In My Caged Fist, acompanhado por um sintetizador algo agreste, talvez seja o momento de TFCF que mais nos remeta para o passado, mas de um modo feliz porque é um tema que vai beber à fonte de Drums Not Dead, a obra-prima do grupo.

Disco que personifica, sem rodeios, um estado de (in)consciência muito próprio de um autor que vive num momento crucial da sua existência, quer pessoal quer artística, TFCF é um corpo sonoro cheio de especificidades, que precisa e merece ser apreciado de acordo com as regras que ele próprio define, sem ideias pré-concebidas ou expetativas balizadas, até porque, na minha opinião, poderá vir a ser um marco imprescindível para a descrição futura testamental da marca Liars, pois estou certo que agora, depois de exorcizados os fantasmas e definidas as novas pistas, Angus não vai ficar por aqui e vai finalmente poder mostrar, sem ter que dar explicações ou fazer concessões, aquilo que artisiticamente realmente vale. E parece ser muito! Espero que aprecies a sugestão...

Liars - TFCF

01. The Grand Delusional
02. Cliche Suite
03. Staring At Zero
04. No Help Pamphlet
05. Face To Face With My Face
06. Emblems Of Another Story
07. No Tree No Branch
08. Cred Woes
09. Coins In My Caged Fist
10. Ripe Ripe Rot
11. Crying Fountain


autor stipe07 às 14:51
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Quarta-feira, 23 de Agosto de 2017

Swine Tax - Brittle

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Dizendo-se influenciados por nomes tão distitos como os The National ou os Modest Mouse, os britânicos Swine Tax são Vince Lisle, Tom Kelly e Charlie Radford, um trio oriundo de Newcastle e que tem lançado ultimamente uma série de singles disponíveis para audição no soundcloud da banda, certamente a anteciparem um registo de estreia que deverá também ver a luz do dia muito em breve.

Dessa fornada de canções divulgadas destaco os pouco mais de quatro minutos de Brittle, um tema que contém na perfeição um ambicioso punk rock de forte pendor lo fi mas que não deixa de ser também bastante audível. É feito com um baixo rugoso e vibrante e uma guitarra que inflama distorções verdadeiramente inebriantes, pedras de toque de uma composição algo exuberante pelo modo como transmite um forte sentimento de exclamação simltaneamente enérgico e intimista e que por isso facilmente cativa. Confere...


autor stipe07 às 21:24
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