Segunda-feira, 24 de Abril de 2017

Gorilla Cult - Mothership

Band Photo #3.jpg

Nick Vincent, Tobias Cramér, Leo Hansson Nilson, Jakob Samani  e Edvin Arleskär são os Gorilla Cut, um quinteto sueco oriundo de Estocolmo e que acaba de divulgar um tema intitulado Mothership. Este é um de vários singles que o projeto pretende lançar durante este ano e que já tem direito a um curioso vídeo realizado pelo coletivo visual Vector3. Para a conceção do registo visual foram usadas impressões 3D e imagens captadas pela câmara de uma Xbox Kinect. 

No que diz concerne ao conteúdo sonoro do tema, o mesmo surpreende pela sonoridade inicial atmosférica, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do krautrock e do post punk a darem ao tema uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum. Confere...


autor stipe07 às 22:03
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2017

Happyness – Write In

Lançado através da Moshi Moshi Records, Write In é o novo registo de originais dos Happyness. Refiro-me a um trio oriundo dos arredores de Londres, composto por Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan e que após um aclamado EP homónimo editado em 2013, estreou-se nos lançamentos no verão de 2015 com Weird Little Birthday, o antecessor deste Write In. Era uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que fluia naturalmente e que agora recebe um notável sucessor.

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Write In é um trabalho que junta alguns dos melhores atributos do indie rock contemporâneo e onde a psicadelia e o lo fi se cruzam constantemente, de modo a criar canções com uma vibe muito genuína e bastante íntima, num alinhamento que até ao seu ocaso transparece sempre uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. Onde esse dar de mãos é mais percetível é bem no âmago do disco, onde encontramos em Bigger Glass Less Full um momento que sabe a puro devaneio sonoro e onde um certo travo a grunge parece querer mostrar uma ideia algo errada de displicência, para logo nas cordas da viola que indica o trajeto de Victor Lazarros Heart contemplarmos uma melodia de rara beleza, sobriedade e sensibilidade

Mas é interessante analisar esta filosofia que transparece de Write In logo pelo início deste alinhamento de dez canções. Se no clima acolhedor de Falling Down, percebe-se que há um elevado grau de acerto no modo como estes três músicos conjugam as guitarras com o baixo e a bateria sem demasiado adorno, mas de modo a conseguir captar a atenção do ouvinte, um pouco adiante, na melodia insistente de Uptrend / Style Raids e na delicadeza da bateria e no modo como ela afaga o abafo da voz, reforça-se esta ideia de que muitas vezes a simplicidade de processos é meio caminho andado para, no seio do indie rock de cariz mais alternativo, chegar-se à criação feliz de composições aditivas e plenas de sentido e substância. E isso sucede já depois de em The Reel Starts Again (Man As Ostrich), ao ter-se juntado o piano à receita, ter sido ampliada essa sensação de proximidade, que atinge superior abrangência no modo como em Through Windows essas mesmas teclas e um registo vocal sussurrante nos proporcionam um saboroso néctar soporífero para algumas das nossas tormentas, que têm aqui uma janela aberta de par em par para partirem para bem longe.

Em Anytime, quando as guitarras ganham vigor e majestosidade e em Anna,Lisa Calls, ao replicarem uma charmosa distorção que entronca nos melhores atributos daquele que deve ser um hino rock agitador e intuitivamente optimista, já não restam mais dúvidas que estamos na presença de um registo que merece figurar em plano de destaque nas melhores propostas indie do momento, incubado por uns Happyness que sabem o balanço exato e como é possível serem animados, luminosos e festivos e noutros instantes que assentem num formato mais íntimo e silencioso e onde exista uma maior escassez instrumental e um registo vocal sussurrante, mostrarem-se mais contemplativos e etéreos. O delicioso andamento amigável e algo psicadélico de The C Is A B A G, canção sonoramente detalhada e que amarra, por si só, várias pontas da heterogenidade em que assenta Write In, acaba por ser outro clímax de todo este ideário processual e que timbra o som identitário dos Happyness, que nos oferecem um álbum que, sendo um belo psicoativo sentimental, encarna uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Write In

01. Falling Down
02. The Reel Starts Again (Man As Ostrich)
03. HAnytime
04. Through Windows
05. Uptrend / Style Raids
06. Bigger Glass Less Full
07. Victor Lazarros Heart
08. Anna, Lisa Calls
09. The C Is A B A G
10. Tunnel Vision On Your Part


autor stipe07 às 14:44
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017

Tall Ships – Impressions

Depois de uma longa espera de cinco anos, com a ansiedade ampliada devido ao elevado grau qualitativo de Everything Touching, o registo de estreia, já chegou finalmente aos escaparates, via FatCat Records, Impressions, o segundo álbum dos Tall Ships, um projeto britânico natural de Cornwall e formado por Ric Phethean, Matt Parker, Jamie Bush e Jamie Field. São nove canções e duas extra, sustentadas por letras emotivas e uma máquina sonora épica e bem oleada, dominada por guitarras melodicamente inspiradas, uma bateria intensa e graves potentes, o que faz deste disco uma espécie de hino comercial urbano.

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Nem sempre uma estreia auspiciosa nos discos corresponde a uma entrada direta e firme no estrelato e os Tall Ships são um excelente exemplo de tal permissa. Everything Touching foi incensado com uma manancial de críticas positivas não só no Reino Unido, mas também a nível internacional (este blogue também divulgou e analisou o disco) e esperava-se que a banda obtivesse um elevado reconhecimento e um sucesso ímpar, mas a realidade foi bem diferente. Pouco tempo depois do lançamento desse registo os Tall Ships ficaram sem editora e agente, carregados de dúvidas e hesitações quanto ao futuro, amarrados numa perigosa encruzilhada e acabaram por desaparecer do radar, mas não da memória dos fãs mais devotos, nos quais me incluo. Mas, felizmente, o instinto de sobrevivência e a capacidade de superação do grupo foi mais forte que as hesitações e desconfianças de quem mais os deveria apoiar e, cinco anos depois, estão de volta com um alinhamento que além de não defraudar a bitola qualitativa do antecessor, nos oferece uns Tall Ships mais maduros, conscientes e, principalmente, criativos.

Escrito durante este longo hiato e gravado pelo próprio grupo na casa de Jamie Field, Impressions é um fulgurante renascimento, um trabalho que exala talento e emoção e que tem o firme propósito de constituir-se como uma espécie de exlixir para os corações mais inquietos. Se o piano de Home cerra o punho de quem acha que não existe nenhuma saída para o caos em que vive e se Lucille exorciza deixando à tona o melhor lado de um amor que passou mas deixou marcas, já a epicidade eloquente de Road Not Taken e o andamento frenético de Meditations On Loss, assumem-se como vozes de uma consciência que nos diz que a vida é para ser vivida sem ressentimentos e que o passado não deve exercer influência negativa na busca dos sonhos e na materialização daquela esperança que todos temos numa vida ainda melhor. O grande momento de Impressions acaba por ser Will To Life, tema que não poderia ser uma melhor metáfora de tudo aquilo que os Tall Ships viveram nos anos mais recentes, já que se inspira na teoria de um filósofo alemão que defende que quando demasiada energia negativa se acumula no seio de um coletivo mas mesmo assim ele não se separa, então mais dia menos dia, o melhor deles acaba por vir à tona de novo.

Disco que sobressai pelo ambiente geral fortemente emotivo e, na concretização do mesmo, por alguns detalhes e ideias critivas que aliam, muitas vezes, alguns momentos tranquilos com outros onde a velocidade com que a banda explora e executa, em várias direções dita regras, e Lost & Found é um tema que mostra bem essa antítese, Impressions está cheio de melodias bastante aditivas e merece rasgados elogios. Há uma ferocidade muitas vezes descarada, bastante peso no pedal de amplificação, mas tudo é feito com impacto, com mestria e de modo contagiante. Os Tall Ships sabem fazer canções excitantes e que se entrelaçam até atingirem uma espécie de clímax vertiginoso, o que faz de Impressions um disco forte, com substância, muito orgânico e com um conteúdo excelente para fazer deste projeto britânico novamente referência. Espero que aprecies a sugestão...

Tall Ships - Impressions

01. Road Not Taken
02. Will To Life
03. Petrichor
04. Home
05. Lucille
06. Meditations On Loss
07. Sea Of Blood
08. Lost And Found
09. Day By Day
10. Impressions (Bonus)
11. Purge (Bonus)


autor stipe07 às 11:47
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Sexta-feira, 24 de Março de 2017

The Jesus And Mary Chain - Damage And Joy

Banda icónica do punk rock alternativo de final do século passado, os escoceses The Jesus And Mary Chain acabam de lançar o seu primeiro registo de originais do século XXI. O sucessor de Munki (1998) chama-se Damage And Joy, viu a luz do dia hoje à boleia da ADA/Warner Music e concretiza o regresso às luzes da ribalta de um projeto essencial para o relato da hitória do rock das últimas décadas e que, à semelhança do que acontece no seio de tantas outras bandas, é feito de desavenças, nomeadamente entre os irmãos Jim e William, dois egos que sempre pareceram demasiado grandes para coabitarem pacificamente, mas cujos desencontros, nomeadamente os conceptuais e estilísticos, acabaram por ser a grande força motriz dos The Jesus And Mary Chain.

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Em Damage And Joy desfilam catorze canções de forte índole nostálgica, como se o hiato temporal que separa este registo do antecessor quase não tivesse sucedido. E esta fidelidade aos cânones essenciais do adn da banda, se por um lado plasma a sua integridade e a opção válida por apostar numa forma estilística eminentemente vencedora, poderá ser vista pelos retratores como uma espécie de mais do mesmo ou, pior do que isso, uma ausência de coragem ou inabilidade para colocar nas canções alguns dos detalhes que definem o rock alternativo atual. Pessoalmente considero que os The Jesus And Mary Chain optaram corretamente por não enveredar numa arriscada inflexão sonora e, defeito meu talvez, ainda sou daqueles que apoia a pureza e a firme opção por uma identidade própria, independentemente da longevidade da banda. Assim, este é um trabalho feito com músicos já perto dos sessenta anos mas ainda longe de poderem estar acabados, ou seja, para mim they are not a rock n'roll amputation.

Ao longo do alinhamento de Damage And Joy encontramos excelentes canções, que merecem figurar na listagem futura dos melhores clássicos deste grupo escocês. Logo no fuzz da guitarra de Amputation é evidente o espírito jovial, mas também firme e arrebatador do grupo, em particular de Jim e depois nos efeitos que piscam o olho a territórios mais psicadélicos em War On Peace, na percussão coesa e bastante ritmada de Always Sad, no ambiente mais sombrio, progressivo e sussurrante de Mood Rider, nas exuberância das cordas que elevam aos píncaros Black And Blues, um tema que conta com a participação especial vocal de Sky Ferreira, até aos efeitos siderais que enfeitam a toada mais pop de Get On Home, desfila um esqueleto instrumental e lírico eminentemente melancólico, mas também realista e fortemente impressivo, fazendo com que neste último tema a frase I've got a pistol in my pocket, fique a ecoar dentro de nós com tal ênfase só possível de replicar por quem reside num universo emotivo e, amiúde, fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, como poderá atestar quem conhece minimamente o percurso atribulado destes irmãos Reid.

Banda consensual e única no panorama indie punk das últimas três décadas, os The Jesus And Mary Chain saíram-se bem neste regresso às luzes da ribalta, ancorados por um disco que além de comprovar o facto de estarem no apogeu da carreira e num grau de maturidade superior, acabam por atestar aquela ideia comum a vários projetos que procuram inteligentemente replicar ao longo da carreira zonas de conforto, porque tal sucede sempre com elevada bitola qualitativa. E a verdade é que com este Damage And Joy os The Jesus And Mary Chain firmam a sua posição na classe dos artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Com o grupo escocês a encerrar este alinhamento à boleia do manifesto Can’t Stop The Rockestou certo que com regressos destes acho que isso será impossível.Espero que aprecies a sugestão...

The Jesus And Mary Chain - Damage And Joy

01. Amputation
02. War On Peace
03. All Things Pass
04. Always Sad
05. Songs For A Secret
06. The Two Of Us
07. Los Feliz (Blues And Greens)
08. Mood Rider
09. Presidici (Et Chapaquiditch)
10. Get On Home
11. Facing Up To The Facts
12. Simian Split
13. Black And Blues
14. Can’t Stop The Rock


autor stipe07 às 18:33
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Sábado, 18 de Março de 2017

Cave Story - Trying Not To Try (vídeo)

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Os Cave Story de Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga (guitarra e voz) andam atualmente em digressão pela Europa e acabam de apresentar um belo vídeo para Trying Not To Try, tema que é um dos grandes destaques de West, disco que esta banda das Caldas da Rainha lançou no ocaso do ano passado.

Idealizado pelo próprio Gonçalo Formiga e realizado por João Pombeiro, o filme que ilustra Trying Not To Try continua a narrativa mais recente da banda, quer estética quer sonora, que aqui coabita com diferentes paisagens mais ou menos conhecidas enquanto nos mostra alguns dos seus melhores atributos sonoros, descritos dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental de elevado calibre. Confere...


autor stipe07 às 17:32
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017

Kasabian – You’re In Love With A Psycho

Kasabian - You're In Love With A Psycho

Os britânicos Kasabian regressam aos discos a vinte e oito de abril próximo e à boleia da Record Bird, com For Crying Out Loud, trabalho que vai suceder a 48:13, um registo pesado, marcante, elétrico e explosivo, que a banda lançou em 2014 e que firmou de modo ainda mais explícito, as várias intersecções que este coletivo de Leicester vinha a estabelecer entre rock e eletrónica nos últimos trabalhos.

You're In Love With a Psycho é o primeiro single divulgado de For Crying Out Loud, uma canção composta em apenas quinze minutos por Serge Pizzorno, o guitarrista da banda, e que traz consigo todo o esplendor festivo dos Kasabian, já que ao longo do tema sente-se a vibração a aumentar e diminuir de forma ritmada, como é apanágio no cardápio do grupo, que, neste caso, teve osx anos oitenta em declarado ponto de mira. Confere...


autor stipe07 às 18:17
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017

Cloud Nothings – Life Without Sound

Depois da parceria com os Wavves de Nathan Williams no disco a meias No Life For Me (2015), os Cloud Nothings de Dylan Baldi, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Life Without Sound, nove canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock. Este disco foi produzido por John Goodmanson e gravado em El Paso, no Texas.

Trabalho que, na sua génese, é feito de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com a surf music e o garage rock, numa embalagem caseira e íntima e que não coloque em causa o adn sonoro identitário dos Cloud Nothings, Life Without Sound mostra-se logo à partida, em Up To The Surface, um compêndio onde pujança, crueza e até uma certa monumentalidade caminham de mãos dadas, nas asas de guitarras plenas de momentos melódicos mas também de pura distorção, vozes muitas vezes quase inaudíveis e uma bateria que não receia plasmar, em simultâneo, raiva e quietude, no fundo alguns dos atributos essenciais para a definição justa do tal adn deste grupo e que, nesta nova etapa, atinge um patamar superior de maturidade.

Se aquela jovialidade a tresandar a acne está ainda muito presente no riff de Things Are Right With You e se Darkened Rings está impregnada de loopings e parece querer a todo o instante resvalar para uma ruidosa inconsistência que só costuma ver o ocaso num conveniente fade out, já o dedilhar emotivo de forte odor grunge de Enter Entirely ou o clima pop de Modern Act, canção com um excelente refrão e com os arranjos distribuídos em camadas, que fazem deste tema um momento intenso e obrigatório no disco, provam o modo como estes Cloud Nothings se mostram mais maduros, criativos, incisivos no modo como apresentam o som que deles transborda e crentes das suas capacidades compositórias. Depois, terminar o alinhamento de Life Without Sound de modo quase inesperado, com o enraivecido negrume punk blues algo progressivo de Realize My Fate, acaba por ser a cereja no topo do bolo de um álbum trabalho arrojado e que, apesar do constante noise das guitarras, nunca deixa de conter, até no ocaso, uma sonoridade aberta, acessível e pop.

Álbum, na minha opinião, importante e significativo no modo como reinventa um subgénero do rock alternativo que ultimamente apenas nomes como os conterâneos Ty Segall, Wavves ou The Oh Sees, por um lado e os Deerhunter, por outro, têm sabido defender com mestria, Life Without Sound é um passo nobre e bem sucedido no histórico de uma banda que, sem deixar de ser rugosa, intensa e visceral, procura um brilho mais acessivel e imediato e uma abordagem ao noise mais elástica, orelhuda, angulosa e até radiofónica. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Nothings - Life Without Sound

01. Up To The Surface
02. Things Are Right With You
03. Internal World
04. Darkened Rings
05. Enter Entirely
06. Modern Act
07. Sight Unseen
08. Strange Year
09. Realize My Fate


autor stipe07 às 21:56
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Heat – Overnight

Montreal, em pleno Quebec, no Canadá, é o habitat natural dos Heat, um trio de post punk formado por Susil Sharma, Matthew Fiorentino e Raphaël Bussières e que acaba de editar Overnight, o longa duração de estreia do projeto, disponivel para audição e aquisição, em formato digital e fisicamente em vinil, na plataforma bandcamp.

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É algures entre uma certa luminosidade épica e um relativo negrume lo fi que estes Heat se sentem confortáveis a dar à luz canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, à medida que deixam as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta bastante saudosista, para criar um cenário musical tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, numa exibição consciente dequela sapiência melódica que fez escola no período aúreo do rock alternativo, em plenos anos oitenta do século passado.

Este desígnio é logo audível na imponência de City Limits e no frenesim vibrante de Sometimes, mas também no clima mais luxuriante e pomposo de Lush, composição de forte cariz orquestral, feita com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, que carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa, rematada por um curioso charme vocal. Este tema, escolhido para single do disco, acaba por ser um exemplo feliz do modo como nestes Heat é possível conferir leves pitadas de shoegaze e post rock, sem levar o tabuleiro onde as diferentes peças se movimentam para um território demasiado experimental.

Na verdade, todos os temas de Overnight têm esta toada eminentemente retro e que exala algo de grandioso e implicitamente sedutor. É um trabalho cheio de belos instantes sonoros pop, que atingem um elevado pico de magnificiência não só nos temas já referidos, mas também, por exemplo, no clássico rock anguloso que abastece Cold Hard Morning Light e na solidez estilística em que guitarra e bateria se envolvem em Long Time Coming.

Além de imprimir com uma áurea melancólica e mágica um projeto que não se envergonha de homenagear algumas referências óbvias de finais do século passado, Overnight tem a mira bem apontada ao nosso âmago, plasmando sonoramente sensações positivas, provocadas por um processo de criação sonora que, no caso deste grupo, deverá ter sido pleno de momentos reconfortantes de incubação melódica. Estes Heat merecem ser vistos, logo à partida, como uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe como se posicionar em posição de destaque no espetro sonoro em que se movimenta. Espero que aprecies a sugestão...

Heat - Overnight

01. City Limits
02. Sometimes
03. Lush
04. The Unknown
05. Rose De Lima
06. Cold Hard Morning Light
07. Still, Soft
08. Long Time Coming
09. Chains


autor stipe07 às 09:11
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Sábado, 21 de Janeiro de 2017

Menace Beach – Lemon Memory

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que estreou-se nos discos a dezanove de janeiro de 2015 com Ratworld, um trabalho que já tem sucessor. Lemon Memory chegou aos escaparates através da Memphis Industries a vinte de janeiro último e assume-se como um excelente sucessor de um registo inicial marcante para a dupla e um compêndio de canções capaz de lançar definitivamente este projeto para uma projeção superior.

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Apesar de serem britânicos, os Menace Beach puseram os ouvidos no outro lado do atlântico, visto a sua sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano, em especial o dos anos noventa. Lemon Memory é, portanto, uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock impregnado daquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções, com os problemas típicos da juventude a fazerem parte da lírica de grande parte do compêndio.

A receita é simples e ganha vida em canções simples e diretas, sem artifícios desnecessários e que se esfumam mais depressa do que um cigarro, com os principais ingredientes típicos do tal grunge e do punk rock direto e preciso, a misturarem-se com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria surfpop na mira. Esta apenas aparente amálgama prova que os Menace Beach estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

As vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado na voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras, quase sempre aceleradas e empoeiradas e que fluem livres de compromissos e com uma estética muito própria, como se percebe logo em Give Blood, o vigoroso e pulsante tema de abertura do disco.

A abertura realmente promete e logo depois, em Maybe We'll Drown, o single que antecipou o lançamento deste Lemon Memory e em Can't Get A Haircut somos sugados para o ambiente mais direto do punk rock, que tem também nas variações ritmícas de Lemon Memory o tema homónimo e no fuzz de Sentimental, dois instantes que clarificam o cuidado melódico e a impetuosidade elétrica impostos, em simultâneo, pelos Menace Beach às suas criações sonoras, dois aspetos que permitem às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora inicialmente previstas.

O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Suck It Out, uma canção inicialmente mais roqueira, sombria e lo fi e onde os Sonic Youth se fazem sentir com uma certa intensidade, até que chega o potente riff que introduz Owl e quando parece que vai instalar-se novamente um caldeirão sonoro contundente, espraia-se, sem aviso prévio, um clima mais pop, mas algo psicadélico, impregnado com mudanças de ritmo constantes e de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.

À imagem do antecessor, Lemon Memory é um exercício festivo e ligeiro, mas bastante inspirado, de uma dupla que quer ser apreciada pela sua visão atual do que realmente foi o rock alternativo, feito com as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho destes Menace Beach é, ao ouvi-los, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração para a dupla, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada, feita com canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Lemon Memory

01. Give Blood
02. Maybe We’ll Drown
03. Sentimental
04. Lemon Memory
05. Can’t Get A Haircut
06. Darlatoid
07. Suck it Out
08. Owl
09. Watch Me Boil
10. Hexbreaker II


autor stipe07 às 14:38
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2017

Tiger Lou – The Wound Dresser

O indie rock monumental e pulsante dos suecos Tiger Lou está de regresso, oito anos depois do anterior lançamento (A Partial Print, 2008), com The Wound Dresser, dez canções da autoria de um dos nomes mais relevantes do cenário alternativo local da última década e que viram a luz do dia em setembro do ano que recentemente findou. Formado em 2011 e concebido inicialmente como projeto a solo, Tiger Lou é uma criação do músico, cantor, compositor e multi-instrumentista Rasmus Kellerman, que se inspirou numa personagem do clássico cinematográfico Fong Sai Yuk, do realizador Corey Yuen, para dar nome a uma banda que se estreou pouco depois da fundação com o ep Trouble and Desire. A estreia no formato álbum aconteceu em 2004 com o muito aclamado Is My Head Still On?, ao qual se seguiu, logo no ano seguinte o disco, The Loyal. Atualmente, e principalmente durante as digressões e concertos, Kellerman é secundado em palco por Erik Welén (baixo e voz), Pontus Levahn (bateria) e Mathias Johansson (guitarra).

Tiger Lou - 2015 - Mathias Johansson

Como é quase norma dos grupos nórdicos que firmam carreira no indie rock de cariz mais rugoso e sombrio, existe uma intensa aúrea de sensibilidade e emoção em redor da música dos Tiger Lou. Com o baixo e a bateria sempre a marcarem de modo impressivo o andamento das canções e as guitarras plenas de efeitos que parecem, amiúde, planar em redor das teclas do piano e de efeitos sintetizados que buscam uma forte toada impressiva, é uma música que aponta diretamente ao âmago e que mesmo que liricamente seja intrincada, percebe-se que se debruça sobre as típicas agruras da existência humana e o facto de haver sempre uma saída e uma réstea de esperança, mesmo que o cenário atual não seja o mais luminoso.

Este é um estilo sonoro que faz escola há há trinta anos atrás em muitas bandas da região e, no caso de The Wound Dresser, há composições que realmente merecem figurar na lista de alguns dos melhores instantes sonoros deste universo sonoro, sugeridos nos tempos mais recentes. Assim, se canções do calibre da inebriante Undertow e o piscar de olhos ao típico punk rock nova iorquino personificado, acima de tudo, pelos Interpol de Paul Banks, no tema homónimo, assim como o pulsar categórico de Homecoming #2 personificam uma escalada sonora e vertiginosa ao universo indie rock cheio de adrenalina e com uma forte amplitude, assente em linhas agressivas de guitarra e um baixo encorpado, já o pueril piano lo fi de Untiled 3# sacode e traduz, na forma de música, alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo. Depois, a limpidez e claridade do incessante sintetizador que abraça Leap Of Love aponta numa curiosa direção, nomeadamente rumo à melhor pop oitocentista.

Nas dez canções deste alinhamento, Rasmus Kellerman partiu em busca de diferentes estímulos, de forma aparentemente bem calculada, notando-se que todos os arranjos e detalhes terão sido certamente ponderados, pois só assim se entende o audível aconchego da profusão de sons e de ruídos e poeiras sonoras que se encontram em The Wound Dresser. Todas as músicas são contagiantes, têm um ritmo eletrizante e a voz intensa e grave do grande mentos do projeto amplifica o toque de sentimentalidade da toada geral do disco que casa na perfeição com o registo mais doce e romântico de alguns dos poemas musicados.

Com momentos ruidosos, melancólicos, épicos e outros mais introspetivos, mas, quase todos, consideravelmente melódicos, The Wound Dresser é um disco que deve ser valorizado pela originalidade e pela contemporaneidade e por servir para provar, definitivamente uma identidade firme e coesa de uns Tiger Lou que, ao sétimo disco, mostram que merece uma superior projeção. Espero que aprecies a sugestão...

Tiger Lou - The Wound Dresser

01. You Town
02. Homecoming #2
03. California Hauling
04. Undertow
05. Untiled #3
06. Wound Dresser
07. Leap of Love
08. Bones of Our History
09. Rhodes
10. So Many Dynamos


autor stipe07 às 14:53
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