Sábado, 30 de Agosto de 2014

Eastern Hollows – Eastern Hollows

Lançado pela etiqueta Club AC30, Eastern Hollows é o homónimo disco de estreia dos norte americanos Eastern Hollows, mais uma banda oriunda de Brooklyn, um dos bairros mais efervescentes de Nova Iorque. Formados por Travis deVries (voz, guitarra, percurssão), Martin Glazier (voz, guitarra), Sean Gibbons (guitarra), Brian Brennan (baixo) e Jeremy Sampson (bateria, percurssão), os Eastern Hollows apontam sonoramente para as influências nostálgicas dos anos noventa e apresentam na estreia um álbum bem interessante, com dez canções de nível semelhante, que vão do rock progressivo ao fuzz, passando pela britpop.

Grandes admiradores dos The Stone Roses, este quinteto não esconde as suas influências e o próprio registo vocal de Travis DeVries recorda-nos Ian Brown. Logo em Space Spirits, o tema de abertura, percebe-se que há, na conjugação do baixo com a voz em eco e com a melodia da guitarra, um cariz lo fi profundamente nostálgico e que o conjunto criado assenta numa espécie de mistura da psicadelia típica dos anos sessenta com a britpop mais contemporânea. A percussão acelerada de The Way That You've Gone e uma guitarra adornada com leves pitadas de shoegaze e pós rock, dá vida a um turbilhão encorpado e calcado num som garageiro e psicadélico e que evoca grandes épocas do rock n’roll.

As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Temas como Days Ahead ou Summer's Dead também usam as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E noutros temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Eastern Hollows.

De certa forma e à semelhança de outros projetos apresentados por cá ultimamente, os Eastern Hollows seguem pisadas vintage, mas buscam, em simultâneo e sem falsos pudores, uma sonoridade também comercial, mesmo quando mergulhada num oceano de ruídos, ou com um certo toque de psicadelia. Deste modo, acabam por atestar a vitalidade atual do lo fi e do reencontro com sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, através de uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop. Este é mais um disco em que tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação e asseguro-vos que em Eastern Hollows ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.

Considero já estes Eastern Hollows como uma das bandas americanas mais inglesas do momento, até porque além de terem conseguido encontrar um equilíbrio muito interessante entre os principais universos sonoros que os orientam, a audição do disco leva-nos a sentir desde logo um forte sentimento de nostalgia. Ao mesmo tempo que seguram com vigor as amarras do passado, a forma como abordam as influências, nomeadamente através das guitarras, faz-nos perceber que há aqui algo de genuíno e de forte cariz identitário, difícil de ouvir noutro projeto. Espero que aprecies a sugestão...

Eastern Hollows - Eastern Hollows

01. Space Spirits
02. The Way That You’ve Gone
03. Days Ahead
04. Still Smile
05. Mickey Galaxy
06. Summer’s Dead
07. Northern Lad
08. I Have the Past
09. Somewhere In My World
10. One Less Heart

 


autor stipe07 às 14:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Hooray For Earth – Racy

Oriundos de Broolyn, Nova Iorque, os Hooray For Earth são um projeto emanado do génio de Noel Heroux, um músico que começou a carreira a criar música de forma caseira e que se estreou em 2011 com True Loves. Rapidamente percebeu que para conseguir misturar com coerência e maior esplendor a pop com o rock alternativo deveria criar uma banda e assim surgiram os Hooray For Earth, um grupo que aposta num indie rock com uma forte componente sintética. Desde Never, um single que lançaram em 2012, que os Hooray For Earth não davam notícias, mas a vinte e nove de julho, voltaram aos escaparates com Racy, por intermédio da Dovecote Records.

Produzido pelo próprio Noel Heroux e por Chris Coady (TV On The Radio, Yeah, Yeah, Yeahs), Racy é um conjunto de nove canções assentes em riffs assimétricos, conjugados com uma panóplia considerável de ruídos sintetizados com uma apreciável toada pop e que além de serem um bom exemplo do que de melhor vai surgindo atualmente que revive todo o assertivo clima do garage rock, também apostam na replicação de um ambiente sonoro grandioso e não necessariamente caseiro e lo fi, mostrando uns Hooray For Earth festivos e em busca de grandes multidões, artilhados com acordes e linhas melódicas particularmente acessíveis.

Depois da introdução com Hey, um tema que pretende prender a nossa atenção para o que aí vem, o primeiro grande momento do disco chega com a sonoridade épica e intensa de Keys, uma canção que ao acrescentar guitarras sujas a um sintetizador cheio de loopings e detalhes cósmicos e a uma melodia vocal pulsante e inspirada, espanca-nos com uma extraordinária sequência de ruídos estrondosos.

O punk rock dos anos oitenta, concertado com a pop eletrónica da mesma época chega com Say Enough e um baixo particularmente esplendoroso e completamente ligado à corrente, acaba por ser um belo aperitivo para outro momento alto de Racy, a rápida e efervescente Somewhere Else; Esta canção tem uma toada algo lo fi, com a distorção de uma guitarra particularmente melódica, mas eleva-se para um patamar elevado quando mostra todo aquele mel que nos remete para indie pop nórdica de há trinta anos atrás, através de um efeito sintetizado futurista a suportar uma voz refinada, vigorosa, intensa e intrincada. Esta canção, o tema homónimo e o excelente momento experimental plasmado na balada Last, First, provam que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos de outras décadas, assim como todo o clima sentimental do passado e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte ou trinta anos depois, a fazer escola.

Apesar das guitarras e do baixo estarem sempre presentes, a eletrónica é o fio condutor de Racy, uma eletrónica quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que dá ao disco uma atmosfera sombria e visceral. No fundo, há uma apenas aparente amálgama de caraterísticas sonoras que tanto se encaixam no indie rock progressivo, que aponta baterias aos estádios, como na pop eletrónica vintage e marcadamente experimental e nostálgica, que uma produção cuidada e límpida potenciou e que deixa para o futuro algumas pistas interessantes que os Hooray For Earth poderão aproveitar para conseguirem ser ainda mais grandiosos, sem descurarem uma sempre recomendável componente psicadélica. Espero que aprecies a sugestão...

Hooray For Earth - Racy

01. Hey
02. Keys
03. Say Enough
04. Somewhere Else
05. Racy
06. Last, First
07. Airs
08. Happening
09. Pass


autor stipe07 às 15:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Bear In Heaven – Time Is Over One Day Old

Os Bear In Heaven, um grupo norte americano natural de Brooklyn, na big apple e encabeçado por Jon Philpot desde a sua fundação, em 2003, lançaram há pouco mais de dois anos I Love You, It’s Cool, o sucessor de Beast Rest Forth Mouth, um trabalho lançado em 2009. Este trio tem alcançado um distinto resultado, depois de uma série de experiências e um variado jogo de referências acumuladas, que se esperava ter sequência em Time Is Over One Day Old, o novo trabalho do grupo, editado no passado dia cinco de agosto, através da Dead Oceans.


Time Between, o primeiro avanço do álbum, plasmou logo as mais diversificadas escolas musicais formadas ao longo das últimas décadas, que têm inspirado os Bear In Heaven, numa canção com referências diretas ao movimento krautrock, doses imoderadas de psicadelia e um acerto com a música eletrônica que suporta toda uma estrutura melódica. E, na verdade, em Time Is Over One Day Old, este grupo continua a transpirar o género criado na década de sessenta e que composições estruturalmente similares como esse single, Autumn ou The Sun And The Moon And The Stars, ajudam a comprovar.

É interessante escutar este disco e, conhecendo o trabalho anterior do grupo, perceber que o cenário sonoro retratado não é propriamente genuíno, mas acaba por soar como sendo verdadeiramente próprio desta banda, que tem uma forma muito própria de combinar o rock psicadélico com elementos eletrónicos, de modo a crair algo simultaneamente épico e intenso. You Don't Need The World e They Dream são duas canções intensas, exposivas e que nos deixam na dúvida se poderão ser devidamente assimiladas quando escutadas num raro momento de lucidez ou como banda sonora de alguns dos nossos melhores sonhoe e devaneios.

Esse aparente incómodo sobre qual o melhor estado de espírito para a absorção devida do conteúdo de Time Is Over One Day Old, obtém-se precocemente já que, assim que carregamos no play, em poucos minutos, os teclados mágicos, as guitarras que se derretem e os versos fáceis prendem-nos a atenção e convidam-nos, sem retorno possível, para uma sucessão de experimentações complexas que nos vão surpreendendo, numa viagem a bordo de um krautrock psicadélico, particularmente lisérgico e até algo lunático. Basta escutar a guitarra da já citada The Sun And The Moon And The Stars, para se perceber que os Bear In Heaven têm a capacidade de nos levar com eles para lugares distantes e grandiosos, onde o som se propaga de forma crscente e onde também cabe a melancolia (Present Tense) e a sensualidade (If I Were To Lie), num cocktail contagiante, detalhado e complexo de um disco que carece de tempo e da tal predisposição adequada, para ser compreendido como um todo, já que revela também lentamente toda a sua natureza.

Time Is Over One Day Old é um disco ambientado no mesmo cenário do registo de estreia do grupo, uma sucessão de dez canções onde a psicadelia pretende hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Simultaneamente criativos e coerentes, os Bear In Heaven mostram-se particularmente experimentais na forma como deram vida a um trabalho tipicamente rock, onde persiste uma vincada relação entre o vintage e o contemporâneo, mas que será melhor compreendido no futuro próximo, à medida que for mais dissecado. Enquanto tal não sucede, resta-nos começar viajar e a delirar, quanto antes, ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão... 

Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

01. Autumn

02. Time Between
03. If I Were To Lie
04. They Dream
05. The Sun and The Moon And The Stars
06. Memory Heart
07. Demon
08. Way Off
09. Dissolve The Walls
10. You Don’t Need The World

 


autor stipe07 às 20:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Highlands – Dark Matter Traveler

Editado no passado dia quinze de julho, Dark Matter Traveler é o novo e segundo disco dos Highlands, um grupo de Long Beach, na Califórnia, formado por Scott, Chris, Stephen e Beau Balek. Dark Mark Traveler foi produzido pela banda e por Rollie Ulug e masterizado por J.P. Bendzinski. O artwork do disco é da autoria de Yan Burdzinski.


Há algo de particularmente tenso, narcótico, intenso e hipnótico no ambiente sonoro destes Highlands, que partilham connosco o seu gosto pelo cruzamento entre o punk mais sombrio e o rock clássico e noisy, carregado de reverb. A ideia é debitar melodias épicas, com um certo groove e um forte pendor psicadélico.

Dark Mark Traveler são, então, dez canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e logo no início, em Show Me e Onto You, ao revisitarem a herança de nomes como os Pylon, os Felt, ou os próprios Jesus and Mary Chain, percebe-se que estes Highlands não têm receio de mostrar a capacidade intrínseca que possuem para replicar a psicadelia que se desenvolveu nas décadas de setenta e oitenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas.

O disco prossegue e, logo de seguida, se Beauty faz uma revisão dessa psicadelia, mas numa busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes desse espetro sonoro que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Com uma postura vocal algo arrastada mas assertiva, o reverb na voz acaba por ser uma consequência lógica desta opção que, na melancolia épica de Your Let Down, carrega toda a componente nostágica com que os Highlands pretendem impregnar o seu ADN. O vocalista, ao soprar na nossa mente e ao envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. Se abundam ecos e efeitos com um elevado teor revivalista, particularmente assertivos em Situations, os Highlands surpreendem igualmente com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove da guitarra que, em Go Down, procura ambientes de estádio, amplos e vincadamente etéreos, impulsionados também por uma bateria pulsante e variada que, alinhada com essas distorções agudas da guitarra, as principais pedras de toque do cenário melódico arquitetado. You Stay Up segue  essas pisadas, mas numa toada que privilegia a primazia da bateria, cheia de mudanças de ritmo, outro traço identitário do rock psicadélico, assim como alguns arranjos delicados feitos com metais quase impercetiveis.

If The Universe is Full Of Noise, então os Highlands terão uma importante palavra a dizer na banda sonora criada com o exclusivo propósito de demonstrar a uma qualquer entidade exterior do que os humanos são capazes de produzir de melhor no universo indie mais progressivo e psicadélico. Espero que aprecies a sugestão...

Highlands - Dark Matter Traveler

01. Show Me
02. Onto You
03. Beauty
04. Daylight Station
05. I Know
06. Connections
07. Situations
08. Your Let Down
09. Go Down
10. You Stay Up

 


autor stipe07 às 23:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

Meatbodies - Tremmors

MeatBodies_CoverArt

Natural de Los Angeles, na Califórnia, o norte americano Chad Ubovich tem-se destacado como baixista e guitarrista na banda de Mikal Cronin e como baixista nos FUZZ, um dos projetos do inconfundível Ty Segall. No entanto, ele também tem a sua própria banda; Chamam-se Meatbodies e no próximo dia catorze de outubro vão lançar um longa duração homónimo, através da insuspeita In The Red.

Tremmors é o primeiro avanço divulgado desse disco que a editora já teve a amabilidade de enviar para a nossa redação, uma canção potente e visceral, que denota a capacidade inaudita que estes Meatbodies possuem para apresentar um indie rock progressivo, com um forte pendor shoegaze e psicadélico, uma verdadeira viagem lisérgica assente numa espécie de cruzamento feliz entre os Led Zeppelin e os The Flaming Lips. Confere...


autor stipe07 às 09:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Childhood – Lacuna

Formado por Ben Romans Hopcraft, Leo Dobsen, Daniel Salamons e Jonny Williams e oriundo de Londres, o coletivo britânico Childhood acaba de se estrear nos discos com Lacuna, um trabalho produzido por Dan Carey e que viu a luz do dia por intermédio da Marathon Artists.

Childhood é um daqueles projetos que aposta numa veia sonora algo instável e experimental, uma espécie de eletropsicadelismo assente numa pop de cariz eletrónico que, neste caso, parece viver mergulhada num mundo controlado por sintetizadores, que criam melodias que passeiam pelo mundo dos sonhos. As próprias letras que os Childhood escrevem dançam nos nossos ouvidos e a voz de Leo, um dos destaques do projeto, cresce, música após música, num misto de euforia, subtileza e entrega.

De cariz eminentemente nostálgico, mas que não coloca de lado um ambiente bastante animado e festivo, Lacuna é um disco com o qual criamos facilmente empatia, já que desperta sensações apelativas, relacionadas com eventos passados que nos marcaram, despertando em nós aquelas referências pessoais que nunca nos deixam. Tendo em conta esta constatação fantástica e até literal, o disco poderá acabar por parecer a banda sonora de um conto infantil que poderia ser ilustrado pela mesma capa de cores exageradas e pelo traço pueril que guarda a rodela. No entanto, uma audição atenta mostra-nos que este passeio por um universo feito de exaltações melancólicas nada mais é do que um retrato sombrio, mas sonoramente épico e luminoso, do tantas vezes estranho quotidiano que sustenta a vida adulta. Em onze canções onde há um certo clima circense e uma evidente psicadelia pop que lida com as orquestrações lo fi, o amor, mas também a solidão ou o abandono, servem como assunto, estes últimos conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade.

Uma das ideias que mais me absorveu durante a audição dos Lacuna foi uma certamente consciente vontade dos Childhood em soarem genuínos e apresentarem algo de inovador; Em alguns instantes desta obra, como nos ruídos sintéticos de You Could Be Different, nos ritmos das roqueiras Sweet Preacher e When You Rise, a última fortemente progressiva e na melancolia de As I Am ou do single épico Falls Away, a banda faz algo inovador e diferente, e Tides e Solemn Skies ampliam esta quase obsessiva vontade dos Childhood em se afastarem das habituais referências que suportam o edifício comercial do universo sonoro indie, para flutuarem entre a metáfora e a realidade, através de letras corroídas pelo medo de encarar o quotidiano adulto e melodias ascendentes e alegres. Esta fórmula faz de Lacuna uma obra prima fortemente sentimental e capaz de abarcar um cardápio instrumental bastante diversificado, que prova que os Childhood entraram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, seja eletrónico ou acústico e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas.

Com canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, Lacuna torna percetivel a evidente capacidade que os Childhood possuem, logo na estreia, de criar algo único e genuíno, através dessa fórmula acima descrita feita com uma quase pueril simplicidade, num trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, uma espécie de caldeirão sonoro feito por uma banda que parece saber como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no tal eletropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Childhood - Lacuna

01. Blue Velvet
02. You Could Be Different
03. As I Am
04. Right Beneath Me
05. Falls Away
06. Sweeter Preacher
07. Tides
08. Solemn Skies
09. Chiliad
10. Pay For Cool
11. When You Rise


autor stipe07 às 19:21
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Stardeath And White Dwarfs – Wastoid

Os Stardeath and White Dwarfs de Dennis Coyne, Matt Duckworth, Casey Joseph e Ford Chastain estão de regresso aos discos com Wastoid, um trabalho que tem o selo da insuspeita Federal Prism e que sucede ao aclamado Playing Hide and Seek With the Ghosts of Dawn (2012). Oriundos de Oklahoma e liderados por Dennis Coyne, sobrinho de Wayne Coyne, o lider dos The Flaming Lips, os Stardeath and White Dwarfs seguem, neste Wastoid, o terceiro disco do grupo, por caminhos tão experimentais quanto os trabalhos antecessores do grupo.


Com a participação especial dos próprios The Flaming Lips em Screaming e dos New Fumes e Chrome Pony em várias canções, Wastoid amplia ainda mais o clima lisérgico de uma banda que além de possuir um dos nomes mais intrigantes e originais do universo indie, aborda como muitas poucas o rock alternativo e a eletrónica, através de uma amálgama sonora com um forte pendor experimental.

Cada nova canção ou disco destes Stardeath and White Dwarfs alimenta, inevitavelmente, comparações entre essas novas propostas e o que os The Flaming Lips têm apresentado. Wayne Coyne tem estado bastante ativo e ultimamente, tanto no seu projeto alternativo Electric Würms, onde dá as mãos a Stephen Drodz e nos Lips, que atualmente estão a desenvolver um disco de tributo ao clássico Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos The Beatles, à semelhança do que fizeram há agum tempo, com a ajuda dos próprios Stardeath and White Dwarfs, com o Dark Side Of The Moon dos Pink Floyd (The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon), mantém-se no trilho aventureiro de um experimentalismo ousado e que parece não conhecer tabús ou fronteiras. Wastoid acompanha essa bitola, o sobrinho calcorreira o mesmo percurso do tio e este caminho paralelo tem um estilo bem definido, com o reverb e as distorções a serem a regra fundamental de todo o processo de composição melódica.

Conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, os Stardeath And White Dwarfs são exímios na forma como criam composições que, apesar da rugusidade dos arranjos e do tom sombrio das cordas e dos efeitos, não deixam de ter um elevado cariz atmosférico, muitas vezes com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental, sendo depois tudo dissolvido de forma tão aproximada e homogénea que Wastoid está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição.

Ao tentar separar-se um pouco o trigo do joio, percebe-se que a mistura entre o rock alternativo e a eletrónica faz-se num caldeirão onde cabem vários subgéneros do rock e da pop, com o blues e a folk à cabeça; Se canções como Luminous Veil, assentam num folk rock desacelerado, a canção homónimoa do disco cheira a blues por todos os poros e depois temas como Birds of War e a tal The Screaming, que conta com a ajuda dos The Flaming Lips, contêm alguns dos mais elementares detalhes da pop, onde também não falta a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que oscila entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock, sendo Frequency um tema exemplar para a perceção desta apenas aparente ambivalência.

Uma das virtudes e encantos deste grupo de Oklahoma parece ser a capacidade de criarem canções algo desfasadas do tempo real, quase sempre relacionadas com um tempo futuro. Escutar Wastoid leva-nos a imaginar cenários e universos paralelos, através de uma permissa temporal algo esotérica, mas este parece ser também um trabalho muito terreno, porque fala imenso do amor, do abandono e dos problemas existencias típicos no seio de uma família vulgar de quem está prestes a entrar na vida adulta. A poesia dos Stardeath And White Dwarfs é algo metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos.

Com tanto a unir os parentes Coyne, o único ponto de divergência é que se ao décimo terceiro disco, em The Terror, o último registo de originais dos The Flaming Lips, eles viviam no olho do furacão de uma encruzilhada sonora que, diga-se, superaram, na minha opinião, com distinção, estes Stardeath and White Dwarfs parecem ainda muito longe de querer apontar agulhas para outros caminhos, o que, tendo em conta o conteúdo de Wastoid, naturalmente se saúda. Espero que aprecies a sugestão...

Stardeath And White Dwarfs - Wastoid

01. The Chrome Children
02. Frequency
03. Hate Me Tomorrow
04. Wastoid
05. Birds Of War
06. All Your Friends
07. The Screaming
08. Luminous Veil
09. Guess I’ll Be Okay
10. Sleeping Pills And Ginger Ale
11. Surprised


autor stipe07 às 21:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

The Unicorns - Let Me Sleep

The Unicorns

Os The Unicorns reuniram-se recentemente para alguns concertos, os primeiros da última década e que incluiram alguns espetáculos de abertura para os Arcade Fire. Pelos vistos, os concertos correram tão bem que a banda decidiu gravar mais um disco.

O novo álbum dos The Unicorns chama-se Who Will Cut Our Hair When We’re Gone e inclui alguns temas bónus, nomeadamente Let Me Sleep, uma canção fantástica e que pressupõe que o novo álbum desta banda norte americana oriunda de Columbia e formada pela dupla Alden Ginger e Nick Diamonds será um verdadeiro acontecimento. Confere...


autor stipe07 às 17:13
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Dignan Porch – Observatory

Oriundos de Londres, os britânicos Dignan Porch estão de regresso aos discos com Observatory, um compêndio de doze canções que viu a luz do dia a vinte e seis de junho por intermédio da Faux Discx e disponível no bandcamp da editora. O conteúdo de Observatory não tem grandes segredos e esse acaba por ser um dos maiores elogios que se pode fazer a um disco que aposta numa sonoridade indie rock, próxima de uma pop ligeira e nostálgica e que foi objeto de um irrepreensível trabalho de produção cuidado e apurado.

O rock alternativo dos anos noventa é a grande bitola que orienta o som dos Dignan Porch e canções como Veil Of Hze, No Lies ou Between The Trees, comprovam que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte anos depois, a fazer escola.

Com uma sonoridade firme, homogéna e convicta, Observatory é mais uma janela aberta para um espetro sonoro algo psicadélico, onde o cariz lo fi das guitarras distorcidas e os efeitos, quase sempre em eco, na voz, são recursos técnicos indispensáveis para que se possa apreciar um álbum sensível com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente.

Apesar desta fluidez intencional, Observatory pode ser dividido em duas partes; Numa delas encaixam instantes sonoros onde  domina um ambiente mais rugoso e expansivo, feito de canções canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia, com particular destaque para a já citada Between The Trees, Got To Fly e, principalmente, Harshed, um tema onde a distorção da guitarra a fazer recordar o clássico The Other Side Of The World dos Dishwalla é um dos instants do disco mais deliciosos, um pormenor fulminante na forma como transporta até nós o tal glorioso ambiente alternativo dos anos noventa. Por outro lado, canções como Dinner Tray, a melancólica Swing By, ou Wait & Wait & Wait assentam num formato eminentemente íntimo e onde existe uma maior escassez instrumental. No entanto, nesta outra faceta do disco também há muita beleza, registada em deliciosos detalhes sonoros, percetíveis se a audição for feita com recurso a headphones. Como estes dois universos algo distintos de Observatory não encontram uma sequencialidade óbivia no alinhamento, é interessante apreciar a sensação de ligação entre as canções, numa espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável.

Aparentemente sem grandes pretensões mas, na verdade, de forma claramente calculada, os Dignan Porch procuraram recriar em Observatory um som ligeiro, agradável e divertido, onde não faltam as guitarras cheias de distorção e melodicamente apuradas, a contrastar com uma postura vocal doce e delicada, apesar da tal profusão de efeitos que a envolve. É, em suma, um álbum perfeito para nos levar numa viagem que, do noise, ao grunge, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, está cheio de canções simples, mas verdadeiramente capazes de nos empolgar, devido a uma míriade de sons que fluem livres de compromissos e com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado. Espero que aprecies a sugestão...

Dignan Porch - Observatory

01. Forever Unobscured
02. Deep Deep Problem
03. Veil Of Hze
04. No Lies
05. Between The Trees
06. Wait And Wait And Wait
07. Harshed
08. I plan To Come Back
09. Dinner Tray
10. Warm Welcome To Hell
11. Got To Fly
12. Swing By

band
[mp3 320kbps] tb ul ob zs


autor stipe07 às 22:14
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

You Walk Through Walls – You Walk Through Walls

Depois do aclamado EP Destroyed Places, editado em 2012, os londrinos You Walk Through Walls estreiam-se finalmente no formáto álbum com um espetacular homónimo, que contém dez canções e que viu a luz do dia por intermédio da etiqueta Club AC30. Os You Walk Through Walls são  Matt, James e Harry, um trio que renasceu das cinzas dos lendários Air Formation, de Matt e James.

O conteúdo sonoro que vive muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte, continua na ordem do dia e este disco é mais um exemplo feliz de uma mescla de diferentes estilos vintage, mas que congregam muitas das qualidades do indie rock atual, através de um espírito de composição algo volátil e envolvido por uma intensa dose de experimentalismo.

You Walk Through Walls demonstra cabalmente que uma sonoridade ruidosa não é inacessível para quem pretende ser simultaneamente melódico; O jogo potente que se desenvolve entre a bateria e as guitarras em Burning Inside, ou os efeitos de Revelations, têm particularidades intrínsecas à dream pop, com a psicadelia a ser, naturalmente, aquele detalhe firme e constante, que se apoia em alguns interessantíssimos momentos etéreos criados pelos efeitos particularmente melódicos que provêm da distorção da guitarra.

Como seria de esperar neste espetro sonoro, presente-se um certo clima sombrio ao longo da audição, como se os You Walk Through Walls canalizassem para a sua música um hipotético sofrimento que sobre eles se abateu, usando-o como um meio criativo e assim expressarem, através de uma tragédia, a sua visão poética da dor, de forma comovente e sincera, com Wrap Myself In Dreams a ser um exemplo bastante particular dessa indisfarçável necessidade de carpir algo através da música.

Em oposição a esse clima mais contido e etéreo, a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza de temas como Always Want to Know ou o single Gone In A Day, entre outros, são suavizados por um grande cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas, que procuram uma clara diversidade melódica e até instrumental e a demonstração de um cuidado controle das operações, mas sem deixar de ter o habitual universo cinzento e nublado, que, pelos vistos, cobre a mente criativa de Matt, o líder do projeto. Mesmo quando em Far Beyond há um perigosa aproximação ao rock mais negro e progressivo, os You Walk Through Walls não ultrapassam completamente essa fronteira e não embaraçam a fidelidade que demonstram relativamente à tendência geral do álbum, conseguindo ainda apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente.

No final do disco, a pop mais branda da já citada Revelations e de How Can We Go On, poderá ser um bom indicativo de que o amanhã deste grupo londrino assentará também em bases sonoras mais ambientais, mas sempre ampliadas com o potencial psicadélico das guitarras e da voz flutuante de Matt, para que nunca se perca o charme que é intrínseco ao cardápio sonoro deste grupo. 

You Walk Through Walls é um álbum muito carregado emocionalmente e talvez pretenda refletir o estado psíquico de uma banda que personifica um novo ponto de partida para dois músicos muito marcados por transformações e dissabores, mas que nunca deixaram, ao longo da carreira, de tentar ser coerentes no desejo de deixar, disco após disco, novas pistas para a salvação do rock. O resultado final algumas vezes não foi o melhor, mas essa nobre intenção de recomeçar ganhou um novo vigor neste disco que, quanto a mim, faz destes You Walk Through Walls novos mestres na arte de dissecar uma já clássica relação estreita entre o rock de garagem e o punk psicadélico e exímios na forma como colocam na voz aquele cariz algo sombrio que tão bem carateriza este género de sonoridade. Espero que aprecies a sugestão...

You Walk Through Walls - You Walk Through Walls

01. Burning Inside

02. Gone In A Day
03. Miss So Much
04. The Light Is Fading
05. Wrap Myself In Dreams
06. Always Want To Know
07. Far Beyond
08. On My Way
09. How Can We Go On
10. Revelations

 


autor stipe07 às 19:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

Ty Segall – Susie Thumb

Ty Segall

Ty Segall é o maior! Oriundo de São Francisco, na Califórnia, este norte americano é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos, cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano alcança o melhor desempenho.

O novo álbum do músico chama-se Manipulator e vê a luz do dia já a vinte e oito deste mês, por intermédio da Drag City. O alinhamento do disco contém, imagine-se, dezassete canções e Susie Thumb é uma delas, o primeiro tema divulgado da rodela, um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem dos anos setenta, uma canção que surpreende pelas guitarras sujas e por uma melodia verdadeiramente aditiva. Confere...


autor stipe07 às 19:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Zulu Winter – Stutter

Os Zulu Winter são um quinteto britânico, natural de Londres e liderado por Will Daunt, uma banda que há cerca de dois anos surpreendeu com Language, o muito aplaudido disco de estreia. Agora, dois anos depois, os Zulu Winter regressam às edições com o lançamento de Stutter, um  compêndio de dez canções que viu a luz do dia a vinte e um de julho passado e que será o último álbum de um grupo que já anunciou oficialmente a separação.


A sonoridade dos Zulu Winter condiz com o indie rock da década de oitenta, aquele rock independente e de garagem, dissociado das grandes editoras e Stutter é consequência óbiva do conteúdo de Language, mantendo-se nestas novas dez canções do grupo, a demanda por canções diretas, com pouco mais de três minutos e que se esfumam com uma velocidade estonteante, adornadas por um falsete que lembra Chaplin, a nostalgia de um Chris Martin e uma densidade sonora muito próxima do shoegaze.

Durante a audição de Stutter somos confrontados com a beleza utópica de temas como Heavy Rain ou Need You Onside, recheados de belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com distorções e arranjos mais agressivos. O groove e a soul de Trigger abrem o disco, com um baixo encorpado e uma guitarra a transbordar fuzz a encontrarem sequência numa Games mais melancólica e na tal Heavy Rain, pensada para amostra de um disco que satisfaz plenamente quem aprecia ser sonoramente trespassado por texturas borbulhantes e grooves funk desfocados, mas eléctricos e apostulados heroicamente numa esfera envolvente de projeção poética.

Esta apenas aparente amálgama de estilos, acaba por ser uma mistura louvável, deliciosa e aditiva, onde uma bateria marcante e vários efeitos eletrónicos, ajudaram a criar canções viciantes e bem elaboradas. É um indie rock cósmico e espacial, onde também marca uma forte posição de destaque o hipnotismo das guitarras, que nos transportam com particular mestria para um universo sonoro recheado de experimentações e renovações. 

Os Zulu Winter começaram e terminaram a carreira algo amarrados às influências que os fizeram sonhar com um percurso musical bem sucedido e agora que arriscaram e conseguiram compor algo mais desprendido e original, que os levará a atingir justamente um patamar bastante relevante, no competitivo, mas nem sempre diferenciado, universo sonoro alternativo, anunciam um epílogo que se lamenta, tendo em conta o conteúdo fortemente recomendável de Stutter. Espero que aprecies a sugestão...

Zulu Winter - Stutter

01. Trigger
02. Games
03. Heavy Rain
04. Feel Love
05. Other Man
06. Need You Onside
07. Silence Is Golden
08. The Drift
09. Let Sleep Close Your Eyes
10. Bodies


autor stipe07 às 21:13
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

Paperhaus - Cairo

Paperhaus - Cairo

Oriundos de Washington, os norte americanos Paperhaus são uma banda de indie rock bastante seguida e apreciadano cenário alternativo local, até porque gerem um espaço de diversão noturna onde costumam decorrer concertos, com o mesmo nome da banda.

Recentemente decorreu um festival de bandas nesse espaço chamado In It Together, dinamizado pelo grupo, mas agora é tempo de se concentrarem na sua música.

Cairo é o primeiro avanço divulgado de um novo disco que os Paperhaus pretendem editar no início do próximo ano e o tema surpreende pela sonoridade inicial atmosférica, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do krautrock e do post punk a darem ao tema uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum. Confere...

 


autor stipe07 às 11:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Best Wishes – Best Wishes EP

 

Os Best Wishes são o novo projeto musical do músico canadiano Scott Orr (Guitarra, bateria, voz, piano), ao qual se juntou Eric Fusilier (Baixo, voz) e Matt Henderson (Sintetizadores, guitarra, programação, voz), um trio oriundo de Hamilton, nos arredores de Ontário e o EP Best Wishes o primeiro registo do grupo, um trabalho que viu a luz do dia a treze de maio último e que foi produzido pelo próprio Scott Orr e por Matt Henderson. Este EP foi disponibilizado digitalmente pela Other Songs Music Co., uma etiqueta independente canadiana, com a possibilidade de o adquirires gratuitamente ou doares um valor pelo mesmo.


Best Wishes é uma coleção de seis canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e isso percebe-se rapidamente, pela forma assertiva como os Best Wishes misturam as cordas com as teclas e no modo como definem uma fronteira ténue entre o orgânico e o sintético, de forma a criar melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

O trio domina uma fórmula muito própria, através da qual cria típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro do grupo que, neste EP, olha com particular atenção para o rock alternativo, ao mesmo tempo que, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fortalece no seu ADN sonoro um cariz urbano e atual.

Com a guitarra ligada à corrente na primeira metado do EP, a sustentar melodias bastante virtuosas, cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, a partir de Riverwilde, um dos temas mais curiosos do EP, há uma inflexão e nas últimas três canções os Best Wishes dão um novo passo em frente em busca de um ambiente mais clássico e envolvente, não só por causa da majestosa inserção vocal no caldeirão de arranjos que suportam essas músicas, mas principalmente porque nelas aprimoram a elegância e o cunho sentimental, na forma como selecionam a míriade sonora de que se servem para compôr.

Cada canção de Best Wishes é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina das frias manhãs de inverno, mas este EP também tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Best Wishes, já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um trabalho carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define pela deriva entre uma componente mais orquestral feita com elementos típicos da eletrónica e o lado mais oculto e sombrio do rock progressivo. Uma estreia em grande, portanto. Espero que aprecies a sugestão...

Best Wishes - Best Wishes EP01. Youth

02. Clouds
03. Frus
04. Riverwild
05. Wishes
06. Friendship


autor stipe07 às 17:20
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

Friendship Park - Not A Word

Divididos entre Detroit e Brooklyn, Nova Iorque, os Friendship Park são Justin Lawes e Joshua Jouppi, uma dupla que tem em comum uma adição intensa ao mundo da informática, uma atração que fez com que se conhecessem, apesar de serem oriundos de duas cidades algo distantes entre si.

Esta dupla digital aprecia uma mistura curiosa entre a folk e o rock progressivo, mas não descuram uma assertiva aproximação a uma estética mais synthpop.

Not A World é o tema mais recente divulgado pelos Friendship Park, uma canção onde abundam as boas sequências de sintetizadores, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo. Confere...


autor stipe07 às 11:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Craft Spells - Nausea

Oriundos de São Francisco, na Califórnia e formados por Justin Paul Vallesteros, Jack Doyle Smith, Javier Suarez e Andy Lum, os norte americanos Craft Spells estão de regresso aos discos Nausea, um trabalho que viu a luz do dia a dez de junho por intermédio da Captured Tracks e que sucede a Idle Labor, o disco de estreia dos Craft Spells, lançado em 2011 e ao EP Gallery, editado no ano seguinte.


Os Craft Spells são mais um daqueles projetos que aposta numa indie pop com um cariz tipicamente lo fi e shoegaze, plasmada em composições recheadas com aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.  Os anos oitenta e a psicadelia de décadas anteriores preenchem o disco e ao longo da audição de Nausea percebemos que o álbum reforça a capacidade de Vallesteros e seus parceiros em promover novos conceitos dentro da mesma composição acolhedora da estreia, à medida que entregamos os ouvidos a um disco fresco e hipnótico e assente numa chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos.

Nausea é, portanto, um compêndio de onze canções construídas em redor de uma bateria eletrónica, guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições, algumas delas verdadeiros tratados de dream pop, carregadas de detalhes deliciosos, principalmente na forma como as guitarras ocupam todas as lacunas do disco, um esforço que sobressai em alguns temas de maior duração, nomeadamente a apaixonante Komorebi e a lisérgica Changing Faces, mas com a luminosa e divertida Twirl ou mesmo a espiral sonora de Laughing for My Life a serem bons exemplos da mestria com que os Craft Spells tocam para criar uma obra equilibrada e assertiva.

Disponibilizado para download gratuito no soundcloud da editora, Breaking The Angle Against The Tide é o primeiro single divulgado de Nausea, um grandioso tratado musical de indie rock e outro destaque de um trabalho que teve uma difícil gestação e que ganhou vida depois de Vallesteros ter confessado estar a atravessar um período difícil em termos criativos, que fez com que o próprio se tivesse isolado do mundo, de modo a reencontrar-se, apenas acompanhado pela música de Haroumi Hosono e Yukihiro Takahashi, a dupla dos Yellow Magic Orchestra e que acabaram por ser uma influência decisiva em Nausea.

Liricamente mais direto e incisivo e menos inocente e idealista que o disco de estreia, Nausea fala sobre o amor e fá-lo já de forma madura e consciente e que nos conquista, por se servir de uma sonoridade envolvente e sedutora e mesmo nas instrumentais Instrumental e Still Fields (October 10, 1987) percebe-se que o amor está lá e que as melodias foram criadas tendo em conta esse sentimento único. No entanto, Komorebi é, talvez, a canção onde esta temática vibra de forma mais vincada e apaixonada, com o cruzamento entre uma melodia hipnótica e cativante com uma letra profunda e consistente, a ganhar contornos verdadeiramente únicos.

Ouvir Nausea é acompanhar os Craft Spells numa curiosa viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisas e diretas, mas sentidas na forma como resgatam as confissões amorosas de Vallesteros e as nossas, caso partilhemos da mesma compreensão sentimental. Espero que aprecies a sugestão...

Craft Spells - Nausea

01. Nausea
02. Komorebi
03. Changing Faces
04. Instrumental
05. Dwindle
06. Twirl
07. Laughing For My Life
08. First Snow
09. If I Could
10. Breaking The Angle Against The Tide
11. Still Fields (October 10, 1987)

 


autor stipe07 às 21:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Slowness – How To Keep From Falling Off A Mountain

Formados em 2008 em São Francisco, os norte americanos Slowness são uma dupla formada por Julie Lynn e Geoffrey Scott. Deram início às hostilidades com Hopeless but Otherwise, um EP produzido por Monte Vallier (Weekend, The Soft Moon, Wax Idols) e no ano passado surpreenderam com o longa duração For Those Who Wish to See the Glass Half Full, produzido pelo mesmo Vallier e que teve uma edição física em vinil, via Blue Aurora Audio Records. Agora, no passado dia três de junho, foi editado How to Keep From Falling Off a Mountain, o sempre difícil segundo disco.

Algures entre Stereolab, os seus conterrâneos The Soft Moon e Slowdive, os Slowness são uma excelente banda para se perceber como os anos oitenta devem soar em 2014. Produzido, como é habitual, por Vallier, How To Keep From Falling Off A Mountain são oito canções tranquilas, com leves pitadas de shoegaze e pós rock, mas nada de muito barulhento, apesar de uma forte componente experimental, explícita logo no início na sobreposição de distorções e efeitos de guitarras em Mountain. Division e Illuminate têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e são para mim os grandes momentos do disco, belos instantes sonoros pop onde a voz é colocada em camadas, bem como as guitarras, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa.
As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Se a já citada Illuminate remete-nos para uma certa onda dançante do Primary Colours, dos The Horrors, a canção seguinte, Anon (Part I), usa as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E nos restantes temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por How To Keep From Falling Off A Mountain.
De certa forma, os Slowness seguem as pisadas do pós punk mais sombrio, que busca uma sonoridade menos comercial e mergulha num oceano de ruídos, com um certo toque de psicadelia, atestando, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, além de provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.
How To Keep From Falling Off A Mountain não vai dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico, como uma veia mais etérea e até melancólica. É um disco bom para ouvir enquanto se contempla o céu naqueles finais de tarde junto a um mar sem ondas. Espero que aprecies a sugestão...

Slowness - How To Keep From Falling Off A Mountain

01. Mountain
02. Division
03. Illuminate
04. Anon (Part I)
05. Anon (Part II)
06. Anon (Part III)
07. Anon (Part IV)
08. Anon (A Requiem In Four Parts)


autor stipe07 às 22:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Domingo, 20 de Julho de 2014

The KVB – Out Of Body EP

Nicholas Wood e Kat Day são o núcelo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós-punk britânico dos anos oitenta. Out Of Body é o mais recente registo de originais da dupla, um EP com seis canções lançado pela a Recordings.

Gravado por Fabien Leseure nos estúdios da editora e nos estúdios H1-3, em Funkhaus, nos arredores de Berlim e com a participações especial de Joe Dilworth, na bateria, Out Of Body é um exemplo claro de que é possível ainda apresentar uma sonoridade própria e um som adulto e jovial, mesmo que o género musical esteja já algo saturado de propostas que pretendem destacar-se e obter uma posição relevante. Os The KVB não esmorecem perante a concorrência e neste EP esmeraram-se na construção de canções volumosas, viabilizadas por se deixarem conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras e na bateria, instrumentos que se entrelaçam na construção dos melhores momentos do trabalho, com especial destaque para Heavy Eyes, música onde a banda espreita perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

No entanto, instrumentalmente, From Afar e, principalmente, Cartesian Bodies, são os momentos altos do EP, canções conduzidas por um baixo vibrante e que recordam-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva do sintetizador. No final, Between Suns segue as pisadas deixadas pelos cinco temas anteriores mas, além do baixo vibrante e de uma guitarra carregada de fuzz e distorção, há uma toada que privilegia a primazia da bateria, cheia de mudanças de ritmo, outro traço identitário do rock psicadélico, assim como alguns arranjos delicados feitos com metais quase impercetiveis.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB, logo na estreia, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Out Of Body é um excelente EP e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver. É que se há projetos que atestam a sua maturidade pela capacidade que têm em encontrar a sua sonoridade típica e manter um alto nível de excelência, os The KVB provam já a sua na capacidade que demonstram em mutar a sua música e adaptá-la a um público ávido de novidades, de algo novo e refrescante e que as faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Out Of Body

01. All Around You
02. From Afar
03. Heavy Eyes
04. Cartesian Bodies
05. Across The Sea
06. Between Suns

 

 


autor stipe07 às 23:38
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Parquet Courts - Sunbathing Animal

Liderados por Andrew Savage, os Parquet Courts são um quarteto norte americano que apresentei em 2012 por causa de Light Up Gold, um disco que incorpora aquela sonoridade crua, rápida e visceral, que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Dois anos depois, esta banda oriunda de Brooklyn, em Nova Iorque, regressou aos lançamentos discográficos com Sunbathing Animal, um álbum que foi editado a três de junho por intermédio da What’s Your Rupture/Mom + Pop.

Sunbathing Animal pode começar a ser escutado logo pelo single homónimo, uma canção assente num punk rock vigoroso e cheio de guitarras distorcidas, mas logo aí percebe-se que a atmosfera musical enraivecida e algo descontraída da estreia é apenas uma mera recordação. Sunbathing Animal continua a ser um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das suas diferentes composições, sempre com o acompanhamento exemplar do baixo e não deixa de soar a um daqueles trabalhos que parece ter sido gerado por artifícios caseiros de gravação, além de não descurar métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu o rock em finais dos anos setenta. No entanto, é um disco mais maduro que Light Up Gold e nele Savage continua a escrever canções para ouvir a qualquer hora do dia, sem que necessariamente seja preciso uma solução filosófica para desvendar os seus versos, mas entrega-se de forma mais incisiva à escrita, com temas que abordam o tédio do dia a dia (Into The Garden), o amor (Dear Ramona) ou o simples flirt (Always Back In Town) e onde parece possível visualizar histórias de vida comuns, através da audição de retratos honestos sobre pessoas (She’s Rolling) ou sentimentos (Instant Disassembly), numa Nova Iorque cheia de gente algo inócua, mas que não deixa de ser honesta e de ter o seu encanto.

Esta relação estreita dos Parquet Courts com a sua cidade não é apenas percetível nas letras; A componente instrumental remete-nos facilmente para a herança dos The Velvet Undergorund de John Cale. Os arranjos sujos e as guitarras desenfreadas da já citada She's Rolling, um tema com uma forte índole psicadélica, são um exemplo claro dessa aproximação, mas nomes como os Television (Black and White), Talking Heads (What Color Is Blood) e até os britânicos Wire também passeiam as suas influências pelo disco.

Independentemente de todas as referências nostálgicas que Sunbathing Animal possa suscitar, o que importa reter é o seu conteúdo musical e a verdade é que neste trabalho, em pouco mais de quarenta minutos, os Parquet Courts apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido numa simbiose entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

01 Bodies
02 Black and White
03 Dear Ramona
04 What Color Is Blood
05 Vienna II
06 Always Back in Town
07 She's Rollin
08 Sunbathing Animal
09 Up All Night
10 Instant Disassembly
11 Duckin and Dodgin
12 Raw Milk
13 Into the Garden


autor stipe07 às 22:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

TV Girl - French Exit

Os TV Girl são uma banda de São Diego formada por Trung Ngo e Brad Peterson e tocam aquele típico bedroom pop, lo fi, caseiro e deliciosamente irresistível. No final de 2010 e já em 2011 lançaram uma série de EPs, sempre disponibilizados gratuitamente, com especial destaque para o EP Dirty Gold, resultado de uma parceria com os Dirty Gold, também de San Diego e em cuja edição as bandas partilharam uma versão da outra. No início do passado mês de junho, chegou finalmente o primeiro longa duração dos TV Girl, um trabalho intitulado French Exit e também disponivel para download no bandcamp da banda.

Seria perfeitamente natural que os TV Girl optassem, no primeiro longa duração da história do grupo, por uma súmula dos EPs lançados anteriormente, mas um dos aliciantes de French Exit é ser constituído por um alinhamento de doze canções que são inéditos na carreira da dupla.

Acaba por ser muito apropriado este álbum surgir nesta época já que ele desperta em nós imagens mentais que forçosamente nos remetem para situações vividas em dias cheios de sol, luz, água e calor. Pantyhose, o tema de abertura, mas, principlamente, a atmosfera vibe e relaxada do indie surf de Birds Don't Sing trazem-nos à memória o clima quente e tropical, tão apropriado para este verão que apesar de teimar em manter-se tímido e reservado, terá certamente ainda dias com luz, cor e calor para nos brindar e onde estas canções dos TV Girl encaixarão certamente e com particular sincronia. Essa canção, o single já retirado do disco e Daughter Of A Cop, impressionam pela forma relaxante como conjugam alguns arranjos que piscam o olho declaradamente ao jazz e à bossa nova e todos juntos, de mãos dadas, apresentam um verdadeiro festim sonoro para os nossos ouvidos sempre sedentos de paisagens sonoras relaxantes e elegantes.

Ouvimos cada uma das músicas deste trabalho e conseguimos, com uma certa clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que foram sendo adicionados e que esculpiram as canções, com particular destaque para as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e para alguns arranjos sintéticos que sobressaiem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

O clássico indie power pop, lo fi, mas alegre e luminoso, assentará arraiais onde quer que French Exit se escute; Além dos destaques já referidos, a graciosidade dos teclados em Louise, uma canção enfeitada com vários samples de vozes femininas, ou a pop adocicada de Hate Yourself e The Getaway, ou o charme inconfundível de The Blonde são canções que merecem todo o destaque, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. A fusão destas várias influências não se restringe a estas canções, mas permeia todo o disco, de forma extremamente contagiante.

Em suma, French Exit são doze canções que se ouvem em pouco mais de trinta minutos, temas curtos e diretos, mas com a duração suficiente para transmitirem uma mensagem alegre e divertida. Guitarras luminosas e com as cordas a vibrar acusticamente ou ligadas às máquinas, um baixo vibrante e uma bateria cheia de potência e cor, são os ingredientes principais de que os TV Girl se servem para dar vida a estas canções. As mesmas têm uma tonalidade e uma temática um pouco adolescente, bem recreada na capa do álbum, que evoca a melancolia dos nossos verdes anos, mas é um compêndio sonoro onde esta dupla californiana avança em passo acelerado em direção à maturidade, num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

01 – Pantyhose
02 – Birds Dont Sing
03 – Louise
04 – Hate Yourself
05 – The Getaway
06 – Talk to Strangers
07 – The Blonde
08 – Daughter of a Cop
09 – Lovers Rock
10 – Her and Her Friend
11 – Come When You Call
12 – Anjela


autor stipe07 às 21:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Domingo, 13 de Julho de 2014

Viet Cong - Cassette EP

Uma das melhores surpresas do ano são os Viet Cong, uma banda formada por Matt Flegel e Mike Wallace, dois músicos dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo e aos quais se juntam Scott "Monty" Munro e Danny Christiansen. No passado dia oito de julho os Viet Cong editaram, através da Mexican SummerCassette, um EP que inclui no seu alinhamento Static Wall, uma incrível canção que nos leva numa viagem do tempo até à psicadelia dos anos setenta, assim como o restante alinhamento de sete canções.

Logo no início, em Throw It Away, ao revisitarem a herança dos Rolling Stones, percebe-se que estes Viet Cong não têm receio de mostrar a capacidade intrínseca que possuem para replicar a psicadelia que surgiu na década de sessenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas. Logo de seguida, Uncouscious Melody faz uma revisão dessa psicadelia, mas numa busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes desse espetro sonoro que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

O EP prossegue repleto de surpresas e Oxygen Feed inflete em direção à mesma época, mas através de uma pop luminosa tão solarenga como o verão de Calgary, onde a banda reside. E enquanto a música avança e depois Static Wall e a sintetizada Structureless Design encaixam no mesmo ambiente sonoro, deixamo-nos ir com eles enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que buscam uma qualquer praia onde depois do pôr do sol cabe uma fogueira que se acende noite dentro e onde existe um vidrão que irá ficar cheio, enquanto a areia se confunde com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação não deixaria raízes para que no futuro se instalasse uma onda revivalista em redor da sonoridade que daí brotava, deve ouvir atentamente Dark Entries porque ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove da guitarra e da voz sintetizada de Matt, a grande força motriz de um EP dotado de uma maturidade particular, com canções que pretendem hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, mas com os pés bem fixos no presente. Criativo e coerente, Cassette parece ser um EP que será melhor compreendido no futuro próximo e, enquanto tal não sucede, resta-nos viajar e delirar ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão... 

01 Throw It Away
02 Unconscious Melody
03 Oxygen Feed
04 Static Wall
05 Structureless Design
06 Dark Entries
07 Select Your Drone


autor stipe07 às 17:48
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sábado, 12 de Julho de 2014

Kasabian – 48:13

Lançado através do consórcio RCA/Columbia 48:13 é o tempo de duração exato e o nome do quinto álbum de estúdio dos Kasabian, o novo disco desta banda liderada por Tom Meighan e um trabalho produzido por Sergio Pizzorno, o guitarrista da banda.

48:13 é um álbum pesado, marcante, elétrico e explosivo e logo desde a primeira canção; Bumblebee traz consigo todo o esplendor festivo dos Beastie Boys e ao longo do tema sente-se a vibração a aumentar e diminuir de forma ritmada e damos por nós a desejar que o resto do disco seja assim. A urgente e grandiosa Stevie não fica atrás e, após seres bombardeado com uma percurssão muito vincada e uma guitarra cheia de fuzz, quando te apercebes já estás a cantar o refrão, devendo esta canção de ser uma das escolhas para single, algo que, na minha opinião, seria bem recebido pela crítica.

O festim é interrompido um pouco por Mortis, um dos dois interlúdios do disco, juntamente com Levitation, mas logo de seguida Doomsday e Treat levam-nos de volta ao indie rock cru e direto, que não descura a presença de sinteitzadores cheio de efeitos, com a função, várias vezes simultânea, de conferirem alguns detalhes e uma energia diferente ao corpo das canções que não defruadam quem quer abanar a anca ao som de algo grandioso. Esta Treat, uma canção que explora a temática do groove sobre diferentes espetros e Glass, um tema que conta com a paticipações especial do rapper Suli Breaks, são duas das faixas mais interessantes de 48:13, já que há um sintetizador com um cariz fortemente experimental e límpido a guiar às cançôes e abrem-se algumas pistas interessantes acerca do futuro discográfico dos Kasabian, que poderá partir em busca de ambientes pop mais épicos e etéreos, o que não deixa de ser curioso já que foi o guitarrista a produzir este álbum.

O eletro rock bem vincado, pulsante e visceral de Clouds e o agitado e ritmado single Eez-eh é mais uma grande sequência do disco e, pouco depois, ele termina com a apoteótica S.P.S, uma típica canção de fim de festa, daquele nascer do sol que incomoda o olhar depois de termos perdido a noção do tempo.

A perceçao final que fica é que, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos sintetizados, pelos efeitos e pelas vozes, tudo se movimentou de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de 48:13 tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de eletrónica, psicadelia e rock progressivo.

Ao quinto álbum os Kasabian voltam a procurar atingir o pico na busca constante do verdadeiro caminho e da sua sonoridade e confirmam o estilo, o método e a obsessão típicas de quem quer abalar definitivamente o atual sistema musical, trazendo uma nova sonoridade ao rock alternativo e ansiando continuar a ser um marco no cenário musical indie. Espero que aprecies a sugestão...

Kasabian - 48-13

01. (Shiva)
02. Bumblebee
03. Stevie
04. (Mortis)
05. Doomsday
06. Treat
07. Glass
08. Explodes
09. (Levitation)
10. Clouds
11. Eez-eh
12. Bow
13. S.P.S.

 


autor stipe07 às 17:01
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 8 de Julho de 2014

The Fresh And Onlys – House Of Spirits

Lançado através da Mexican Summer, House Of Spirits é o novo disco dos The Fresh & Onlys, um trabalho que sucede a  Long Slow Dance (2012) e ao EP Soothsayer (2013),  sendo já o quinto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco e formado por Tim Cohen, Shayde Sartin, Wymond Miles e Kyle Gibson.

House Of Spirits é mais uma firme coleção de dez canções que mantêm os The Fresh & Onlys fiéis a um fio condutor, que exploram até à exaustão e com particular sentido criativo. É um filão que abraça todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise, lado a lado com a folk com um elevado pendor psicadélico.

Em relação a Long Slow Dance, o antecessor, House Of Spirits acaba por ter um elevado foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras e canções como Who Let The DevilAnimal of One e April Fools são as que mais se aproximam desse registo, principalmente pelas letras e pela voz de Tim Cohen, que várias vezes nos remete para a nostalgia sombria dos anos oitenta.

O sabor a novidade é algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada Home Is Where? e, logo a seguir, no single Who Let The Devil. No entanto, apesar da distorção e do cariz lo fi de vários arranjos, o controle e a harmonia estão sempre presentes, mesmo em Bells Of Paonia, o tema mais experimental do disco, uma balada que assenta num reverb de guitarra, conjugado com um teclado épico e com um registo bastante adoçicado na voz de Tim Cohen, um dos principais atributos desta banda. Esse cariz inventivo também é notório na envolvente Candy, uma canção com uma belíssima base melódica assente em belos acordes de cordas que se entrelaçam com samples de teclado e arranjos de sopro e também em Madness, um tema que progride da eletrónica até distorções hipnotizantes e que impressionam quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.

Durante a audição do álbum é notória uma certa leveza nas canções, uma enorme busca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras e, por isso, o resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável. House Of spirits é uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das referências noise, folk e psicadélicas, através de um som leve e cativante, com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

The Fresh And Onlys - House Of Spirits

01. Home Is Where?
02. Who Let The Devil
03. Bells Of Paonia
04. Animal Of One
05. I’m Awake
06. Hummingbird
07. April Fools
08. Ballerina
09. Candy
10. Madness

 


autor stipe07 às 18:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Domingo, 6 de Julho de 2014

Cold Cave – Full Cold Moon

O projeto Cold Cave liderado por Wesley Eisold, com a colaboração de Amy Lee está de regresso aos discos com Full Cold Moon, um disco lançado em nome próprio e que foi antecedido pelo lançamentos de vários singles já desde meados de 2013. Essa contínua antecipação do conteúdo deste novo trabalho dos Cold Cave fez com que o mesmo fosse aguardado com alguma expetativa, uma avalanche de composições avulsas que mostraram um concentrado de experiências capaz de repetir a mesma formatação sombria dos discos Love Comes Close (2009) e Cherish the Light Years (2011).

Na verdade, não sendo um disco tão sombrio como algumas das anteriores propostas deste projeto, Full Cold Moon divide-se entre essa subtileza experimental e uma certa busca de algo mais comercial e, para o conseguir, Wesley não deixa de apostar nas batidas velozes e nos efeitos assertivos dos sintetizadores, com o tema A Little Death To Laugh a não ser uma escolha inocente para aberura do disco, já que faz uma súmula significativa do conteúdo do restante alinhamento. A rápida e efervescente Young Orisoner Dreams Of Romance tem uma toada mais lo fi, com a distorção da guitarra e um efeito sintetizado futurista e suportarem a voz manipulada de Eisold. Esta canção prova que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte anos depois, a fazer escola. A instrumental Tristan Corbière já nos remete para um universo eletrónico mais experimental e depois Oceans With No End é rock sem complexos e complicações, concentrado com alguns detalhes típicos do indie rock alternativo dos anos noventa.

Com este início tão diversificado, acaba-se por perceber que os Cold Cave misturam a psicadelia, o rock e a eletrónica quase sempre numa toada lo fi e querem que degustemos uma belíssima caldeirada, feita com estas várias espécies sonoras. Seja como for, apesar das guitarras e do baixo estarem sempre presentes, a eletrónica é o fio condutor de todo o trabalho, quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que dá a Full Cold Moon uma atmosfera sombria e visceral.

É, em suma, uma míriade de sons que fluem livres de compromissos e com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Cave - Full Cold Moon

01. A Little Death To Laugh
02. Young Prisoner Dreams Of Romance
03. Tristan Corbiere
04. Oceans With No End
05. People Are Poison
06. Black Boots
07. Meaningful Life
08. God Made The World
09. Dandelion
10. Nausea, The Earth And Me
11. Don’t Blow Up The Moon
12. Beaten 1979

 


autor stipe07 às 23:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Ought - More Than Any Other Day

Oriundos de Montreal, os canadianos Ought acabam de surpreender com More Than Any Other Day, o primeiro longa duração do grupo, lançado no passado dia vinte e nove de abril através da Constellation Records. More Than Another Day foi antecipado por New Calm, um EP editado em maio de 2012 e disponivel para download no bandcamp do grupo, com a possibilidade de o obteres gratuitamente, ou doares um valor pelo mesmo.

Os Ought são uma boa surpresa, uma banda que se apresenta ao mundo com um disco capaz de nos guiar até a um mundo paralelo. E fazem-no através de uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, aliam o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros que nomes como os Led Zeppelin, os Television e os Wire tão bem recriaram e reproduziram há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

Pode parecer um pouco ridícula esta equação ou termo de comparação, como lhe quiserem chamar, mas é como se algures Kurt Cobain e Jimmy Page se tivessem juntado, sob supervisão direta de Thurstoon Moore e assim criado algo que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria britpop, imagine-se, na mira. Os My Bloody Valentine também podem ser para aqui chamados, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama prova que os Ought estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

More Than Any Other Day são oito canções enérgicas, cerca de quarenta e cinco minutos onde somos invadidos por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Habit ou The Weather Song atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade estonteante, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim punk acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do punk e que em Clarity e Gemini se enche de luz, mas com o tema homónimo a ser talvez aquele que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Ought. Aliás, o vídeo já divulgado de More than Any Other Day, realizado por Adam Finchler, é feliz na forma como coleciona imagens aleatórias e cortes rápidos de uma cidade, acelerando e diminuindo conforme o ritmo da canção.

Esta intensidade experimental acaba por ganhar um lado ainda mais humano e sentimental devido à performance de Tim Beeler, o vocalista e líder dos Ought, dono de um registo vocal desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, sendo o grande suporte do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

More Than Any Other Day é um compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as últimas décadas do século passado, um indie punk space rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Ought são assim, um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

1. Pleasant Heart 
2. Today, More Than Any Other Day 
3. Habit 
4. The Weather Song 
5. Forgiveness 
6. Around Again 
7. Clarity! 
8. Gemini


autor stipe07 às 17:02
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Em escuta...

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Agosto 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
15
16


29



posts recentes

Eastern Hollows – Eastern...

Hooray For Earth – Racy

Bear In Heaven – Time Is ...

Highlands – Dark Matter T...

Meatbodies - Tremmors

Childhood – Lacuna

Stardeath And White Dwarf...

The Unicorns - Let Me Sle...

Dignan Porch – Observator...

You Walk Through Walls – ...

Ty Segall – Susie Thumb

Zulu Winter – Stutter

Paperhaus - Cairo

Best Wishes – Best Wishes...

Friendship Park - Not A W...

X-Files

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

Procura...

 

Visitors (since 31.05.12)

blogs SAPO

subscrever feeds