Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Temples - Volcano

Naturais de Kettering, no Reino Unido, os Temples são uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista) e que se estreou nos discos em 2014 com o excelente Sun Structures, um trabalho que viu a luz do dia através da Fat Possum. Agora, três anos depois e abrigados pela mesma etiqueta, os Temples dão a conhecer ao mundo o seu sempre difícil segundo disco, um álbum intitulado Volcano e que chegou aos escaparates no início deste mês de março.

Imagem relacionada

Em 2014, numa época em que vivia em plena orgia com o álbum homónimo de estreia dos TOY e cimentava a minha profunda relação de afecto com os The Horrors, não foi nada difícil para mim receber de braços abertos Sun Structures, o disco de estreia destes Temples, que logo me conquistaram pelo modo como me mostravam uma faceta mais luminosa e arejada de toda a vibe psicadélica em que navegava. E essa foi, desde logo, a firme impressão que eles me deixaram. Adorava e ainda hoje aprecio imenso o modo como as duas bandas acima citadas me mostram aquele lado mais contemplativo, misterioso e visceral do rock psicadélico e admiro a maneira como estes Temples conseguem mostrar-nos que há também algo de festivo e de certo modo mais descomprometido e descontraído neste subgénero do indie rock, eminentemente nostálgico.

Volcano, o segundo disco dos Temples, amplia ainda mais esta impressão, já que, mantendo a filosofia estética da estreia, contém uma produção mais cuidada e polida e uma maior insistência no sintetizador, como instrumento privilegiado de condução melódica das canções. Há uma aúrea pop mais acentuada na nova personalidade da banda e são vários os instantes em que fica plasmada com evidência nos nossos ouvidos tal intenção. A alegoria algo barroca e classicista das teclas que introduzem a pulsante (I Want To Be Your) Mirror, o modo como um efeito sideral plana, amiúde, na secção rítmica que conduz Strange Or Be Forgotten e a tonalidade desconcertante e aguda da sintetização que introduz Open Air são bons exemplos disso, três dos maiores catalizadores de efervescência ambiental e de criação do ambiente psicadélico que sustenta Volcano. Depois, o constante fuzz de fundo da guitarra ao longo do alinhamento, particularmente impressivo no groove de Roman God-like Man e, sendo mais específico relativamente a esse instrumento, o modo como a mesma gravita em redor do baixo e dos arranjos sintetizados da já referida Open Air e a forma como o riff que constrói dá as mãos ao piano em Mystery Of Pop, explicita a capacidade que nos Temples as cordas têm de orientar canções onde a intimidade também se centra no baixo e na guitarra, geralmente com extremo charme e classe, muito à moda daquele estilo alinhado, que dá alma à essência da melhor tradição do rock britânico.

Registo animado, festivo, imponente e contagiante, principalmente no modo como faz-nos, com grande eficácia, o convite para uma majestosa viagem no tempo, Volcano são pouco mais de quarenta minutos de pura lisergia sonora, que numa espécie de cruzamento entre Tame Impala, Pink Floyd e MGMT, nos oferecem um desfile de electricidade e de fuzz, rematado pela belíssima voz etérea de James, tendo tudo para se tornar num verdadeiro clássico que incorpora o melhor do rock psicadélico dos anos sessenta. Espero que aprecies a sugestão...

Temples - Volcano

01. Certainty
02. All Join In
03. (I Want To Be Your) Mirror
04. Oh The Saviour
05. Born Into The Sunset
06. How Would You Like To Go?
07. Open Air
08. In My Pocket
09. Celebration
10. Mystery Of Pop
11. Roman God-like Man
12. Strange Or Be Forgotten


autor stipe07 às 20:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Real Estate - In Mind

Depois do excelente Atlas, editado em 2014, os norte americanos Real Estate de Martin Courtney, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman, acabam de regressar aos discos com In Mind, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de março através da Domino Records e que foi gravado em Los Angeles. São onze canções que tornam ainda mais impressa a personalidade e o som típico deste projeto oriundo de Rodgewood, nos arredores de Nova Jersey e que se assume cada vez mais como um dos mais interessantes e inovadores do cenário indie atual.

Resultado de imagem para Real Estate band 2017

Compêndio de canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, In Mind contém ,como seria expectável, os traços identitários que têm construído o cardápio sonoro de um grupo que, disco após disco, olha cada vez mais e com maior atenção para o rock alternativo de final do século passado e, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fá-lo quase sempre com um cariz algo urbano e sempre atual. Logo nos acordes iniciais da guitarra de Matthew que conduz a solarenga Darling, mas também no baixo de Bleeker e na bateria de Jackson, fica patente todo este receituário inédito no panorama sonoro atual e depois, à medida que o alinhamento prossegue, conseguimos, com indubitável clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e que esculpem as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da voz de Martin e alguns arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que uma canção toma e nas sensações que transmite.

Na verdade, mesmo que haja abordagens díspares a alguns territórios sonoros mais dispersos, nomeadamente a country em Diamond Eyes, um piscar de olhos ao rock psicadélico em Time, ou ao mais clássico em Two Arrows, canções do calibre da já citada Darling ou a agridoce e radiofónica White Light levam-nos, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso bom gosto e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa.

Escutar os Real Estate é um elixir revitalizador para o espírito, aconchega a alma e faz esquecer, nem que seja por breves instantes, aquelas atribulações que de algum modo nos afligem, tal é a afabilidade e suavidade desta espécie de nostalgia melodiosa e açucarada, impressa num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para Real Estate - In Mind

01. Darling
02. Serve the Song
03. Stained Glass
04. After the Moon
05. Two Arrows
06. White Light
07. Holding Pattern
08. Time
09. Diamond Eyes
10. Same Sun
11. Saturday

 


autor stipe07 às 20:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 17 de Março de 2017

Kasabian – You’re In Love With A Psycho

Kasabian - You're In Love With A Psycho

Os britânicos Kasabian regressam aos discos a vinte e oito de abril próximo e à boleia da Record Bird, com For Crying Out Loud, trabalho que vai suceder a 48:13, um registo pesado, marcante, elétrico e explosivo, que a banda lançou em 2014 e que firmou de modo ainda mais explícito, as várias intersecções que este coletivo de Leicester vinha a estabelecer entre rock e eletrónica nos últimos trabalhos.

You're In Love With a Psycho é o primeiro single divulgado de For Crying Out Loud, uma canção composta em apenas quinze minutos por Serge Pizzorno, o guitarrista da banda, e que traz consigo todo o esplendor festivo dos Kasabian, já que ao longo do tema sente-se a vibração a aumentar e diminuir de forma ritmada, como é apanágio no cardápio do grupo, que, neste caso, teve osx anos oitenta em declarado ponto de mira. Confere...


autor stipe07 às 18:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

The Shins – Heartworms

Editado no passado dia dez de março pela Columbia Records, Heartworms é o quinto e novo registo discográfico dos norte-americanos The Shins de James Mercer, onze canções que servem-se de fortes referências ao nosso quotidiano para construir o panorama lírico de um alinhamento que pende não só para a folk e para a indie pop mais adocicada e acessível, mas também para alguns laivos de experimentalismo e psicadelia, abordagens possibilitadas por uma instrumentação sempre radiante e com o bónus de constatarmos que Mercer continua a alcançar elevados parâmetros e patamares de qualidade na sua intepretação vocal.

Resultado de imagem para the shins 2017

Os The Shins são um caso peculiar e bastante interessante no universo musical índie porque apesar da longevidade ainda vão só no quinto registo da sua carreira. Para eles parece não haver regras ou imposições temporais e esta espécie de ligeireza e despreocupação, como se a banda fosse para os seus membros uma espécie de passatempo que está ali para quando lhes apetecer, mas que quando passa para primeiro plano é abordada com frenesim, acaba por se refletir, indubitavelmente, no conteúdo sonoro dos vários alinhamentos que vão apresentando aos seus ávidos fãs.

Certamente reflexo de mais uma salutar dose de mistura entre uma visão irónica do mundo atual e das experiências pessoais mais recentes de James Mercer, Heartworms é, sonoramente, reflexo desta intrincada relação, ou seja, não contém uma única canção que possa ser encaixada facilmente num determinado perfil, mas sim um conjunto de temas que quer isoladamente quer no seu todo refletem toda a amálgama que inspira este coletivo norte-americano e que, salvo raras exceções, são sempre frenéticos, rápidos e incisivos e claros e diretos na mensagem que transmitem, mesmo que esteja subentendida numa qualquer espécie de piada ou jogo de palavras. Excepção e este perfil em Heartworms, observa-se na cândura de Mildenhall e na solenidade de The Fear.

Assim, se Name For You, o tema de abertura, é um desfile sónico de pop acessível e radiante e se existe uma new wave de forte intensidade e com um misto de nostalgia e contemporaneidade a balizar Painting A Hole, já a forte cadência das cordas eletrificadas que conduzem Rubber Ballz e a epicidade de Dead Alive servem para ampliar a paleta sonora disponível, como se a rede que capta os diferentes espetros sonoros do grupo desse uma volta de trezentos e sessenta graus sobre si própria. Analisando numa outra perspetiva, se há quem prefira um determinado psicoativo específico em determinados instantes da vida, para Mercer uma embriaguez sonora apanha-se com toda a pafernália que houver à disposição e que o arsenal instrumental presente possa proporcionar.

Impregnado com letras de forte cariz irónico, que abordam, neste caso, uma atmosfera de ideias relacionadas com a terra e, consequentemente, uma abordagem impressionista à morte, parece-me, Heartworms tem um resultado final intrincado e buliçoso e que atesta esse ecletismo algo incomum e de forte cariz identitário dos The Shins. Espero que aprecies a sugestão…

The Shins - Heartworms

01. Name For You
02. Painting A Hole
03. Cherry Hearts
04. Fantasy Island
05. Mildenhall
06. Rubber Ballz
07. Half A Million
08. Dead Alive
09. Heartworms
10. So Now What
11. The Fear

 

 


autor stipe07 às 10:26
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 29 de Janeiro de 2017

Real Estate - Darling

Real Estate - Darling

Os norte americanos Real Estate de Martin Courtney, Matt Mondanile, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman, regressam em 2017 aos discos com In Mind, um trabalho que irá ver a luz do dia a dezassete de março e do qual já foi retirado o single Darling, canção que abre o alinhamento do registo.

In Mind será o quarto álbum da carreira dos Real Estate e, pela amostra já conhecida, vem certamente aí um compêndio de canções  feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo, que olha cada vez mais e com maior atenção para o rock alternativo de final do século passado e, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fá-lo-o com um cariz algo urbano e sempre atual. Confere...


autor stipe07 às 20:10
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 28 de Janeiro de 2017

POND - 3000 Megatons vs Sweep Me Off My Feet

Depois do excelente Man It Feels Like Space Again (2015), os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso aos discos em 2017 com The Weather, um álbum que irá ver a luz do dia a cinco de maio através da Marathon Artists e do qual já são conhecidos dois temas; 3000 Megatons e Sweep Me Off My Feet. Se a primeira canção é um instante lisérgico conduzido por um sintetizador munido de um infinito arsenal de efeitos, literalmente cortado a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde nunca é descurado um forte sentido melódico, que mostra a capacidade que estes Pond têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop, já a delicada sensibilidade das cordas que suportam a monumentalidade comovente de Sweep Me Off My Feet resgata e incendeia o mais frio e empedrenido coração que se atravesse, numa canção com uma energia contagiante e libertária e que acaba de ter direito a um excelente vídeo, dirigido por Matt Sav. Já agora, torna-se obrigatório visualizar os videos dos Pond e perceber a forte ligação que existe sempre entre eles e a música, visto estarmos na preença de um coletivo que dá enorme importância à componente visual das suas composições sonoras. Confere...

Pond - 30000 Megatons

Pond - Sweep Me Off My Feet


autor stipe07 às 17:57
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Temples – Strange Or Be Forgotten

Temples - Strange Or Be Forgotten

Naturais de Kettering, no Reino Unido, os Temples são uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista) e que se estreou nos discos em 2014 com o excelente Sun Structures, um trabalho que viu a luz do dia através da Fat Possum. Agora, três anos depois e abrigados pela mesma etiqueta, os Temples irão dar a conhecer ao mundo o seu sempre difícil segundo disco, um álbum intitulado Volcano e que chegará aos escaparates no início de março.

Strange Or Be Forgotten é o primeiro single conhecido de Volcano, pouco mais de quatro minutos de pura lisergia sonora, que numa espécie de cruzamento entre Tame Impala e MGMT, nos oferecem um desfile de electricidade e de fuzz, rematado pela belíssima voz etérea de James e uma secção rítmica assertiva, sendo a bateria uma das importantes mais valias deste tema. A canção tem tudo para se tornar num verdadeiro clássico que incorpora o melhor do rock psicadélico dos anos sessenta. Confere...


autor stipe07 às 12:16
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 15 de Janeiro de 2017

The Flaming Lips - Oczy Mlody

Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody é o nome do novo trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne e mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

Resultado de imagem para the flaming lips 2017

Foi no passado dia treze que chegou aos escaparates esta nova coleção de canções dos The Flaming Lips, por intermédio da Warner, uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que, por incrível que pareça, direcionam, em simultâneo, esta banda para duas direções aparentemente opostas. Assim, se canções como o single The Castle e, de modo ainda mais incisivo, os samples e as distorções vocais de Listening To The Frogs With Demon Eyes nos proporcionam a audição de um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica, de natureza hermética, que aproxima este projeto da melhor fase da sua carreira, no ocaso do século passado e início deste, já as batidas sintetizadas de Nigdy Nie (Never No) e o efeito do baixo de Do Glowy colocam os The Flaming Lips na linha da frente de alguns dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedecem a algumas das permissas mais contemporâneas da eletrónica ambiental.

Décimo quarto disco da carreira dos The Flaming Lips, Oczy Mlody posiciona o grupo no olho do furacão de uma encruzilhada sonora. se tem momentos que não deixam de funcionar como um quase aditamento às experimentações de Embryonic, a participação especial de Miley Cyrus no belíssimo tema We A Famly é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita e solidifica a habitual estratégia da banda nos últimos discos de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Podemos, sem receio, olhar para Oczy Mlody como uma grande composição que se assume num veículo pronto a conduzir-nos numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, forte oppositor de Trump, disserta sobre alguns dos maiores dilemas e perigos dos dias de hoje; O fim do mundo descrito copiosamente em There Should Be Unicorns e o verdadeiro muro das lamentações que é Almost Home (Blisko Domu), revelam-nos essa rota e apresentam a já habitual faceta fortemente humanista e impressiva da escrita deste músico de Oklahoma, mas que também é capaz de nos fazer acreditar numa posterior redenção e na esperança num mundo melhor e que pode ainda renascer, nem que seja com todos nós montados no belíssimo piano que conduz Sunrise (Eyes Of The Young), ou a relaxar ao som da suavidade fluorescente da já referida We A Famly.

No fundo, conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, os The Flaming Lips revelam neste novo trabalho composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea que Oczy Mlody, como todos os discos deste grupo, está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Sonoramente, a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre efeitos etéreos e nuvens doces de sons que parecem flutuar no céu azul, com guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico. Se em How?? parece que os The Flaming Lips enlouqueceram de vez no modo como mostram perplexidade perante tudo aquilo que hoje os inquieta, já Galaxy, I Sink revela-se um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a convincente e sombria percussão de One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente.

Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Oczy Mlody segue esta permissa temporal, agora numa espécie de futuro pós apocalítico mas, tematicamente, parece ser um trabalho muito terreno, digamos assim, porque fala imenso de todas as atribulações normais da existência comum, especialmente, como já enfatizei, na algo desregulada sociedade norte americana de hoje. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - Oczy Mlody

01. Oczy Mlody
02. How??
03. There Should Be Unicorns
04. Sunrise (Eyes Of The Young)
05. Nigdy Nie (Never No)
06. Galaxy I Sink
07. One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill
08. Do Glowy
09. Listening To The Frogs With Demon Eyes
10. The Castle
11. Almost Home (Blisko Domu)
12. We A Famly


autor stipe07 às 21:45
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2017

The Flaming Lips – We A Famly

The Flaming Lips - We A Family

Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlodly é o nome do próximo trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne e será mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

A treze de janeiro de 2017 chegará aos escaparates essa nova coleção de canções dos The Flaming Lips, por intermédio da Warner, e depois de ter sido divulgada a canção The Castle, o primeiro avanço do álbum, agora chegou a vez de podermos escutar We A Famly, um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica, de natureza hermética, que conta com Miley Cyrus na voz e que aproxima este projeto da melhor fase da sua carreira, no ocaso do século passado e início deste. Confere...


autor stipe07 às 16:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017

Doombird – Past Lives

Com raízes em Sacramento, na Califórnia, os norte-americanos Doombird são Ben Edrington, Joe Davancens, Cory Phillips, Kris Anaya e Fernando Oliva, um quinteto que editou em pleno ocaso de 2016 Past Lives, um compêndio de dez canções impregnadas com uma indie pop psicadélica de superior calibre, alicerçadas com intensidade e condimentadas por arranjos e melodias selecionadas com um bom gosto particularmente incomuns.

Resultado de imagem para doombird sacramento band

Segundo disco deste projeto, Past Lives oferece-nos um manancial de oportunidades de abordagens, tal é a diversidade sonora estilística que contém. E não é preciso ir muito longe na audição do registo para se perceber tal heterogeneidade, que é, nidiscutivelmente, uma súmula de géneros e estilos, mas nada caótica e minuciosamente calculada e pensada.

Logo em Sheers percebe-se o modo assertivo como estes Doombird divagam pela nobre herança da pop oitocentista, conduzidos pela exuberância melódica de um inebriante e épico sintetizador, em redor do qual, quer nesse tema inicial, quer, por exemplo, em The Salt, se entrelaçam as guitarras e uma percussão pulsante. Mas tal efeito vibrante também se mostra impressivo no modo como o baixo e a batida de Fog Rolls In se cruzam com um riff e um flash sintetizado ou, numa outra perspetiva, na alegoria pop oitocentista feita de imponência e de uma elevada dose de sentimentalismo em Dihedral, canção com uma cadência ímpar e que nos leva numa vertiginosa escalada instrumental, rumo a um acolhedor universo, luminoso e melancólico, algures entre a pastosidade dos Radiohead e a fogosidade eletrónica dos Depeche Mode. Numa abordagem um pouco mais introspetiva e intimista, não deve também passar em claro Curtis Park, uma enternecedora balada, capaz de arrebatar o coração mais escondido, lá no canto mais aconchegante do seu quarto.

Compêndio sonoro contundente e feliz no modo como interpreta uma visão muito própria e tremendamente contemporânea do modo como a pop de hoje olha para a sua herança e consegue extraír, de quando em vez, alguns dos seus pilares mais sedutores e firmemente impressivos, Past Lives cria as suas próprias personagens, que passeiam e se desdobram num permanente conflito entre o vintage e o contemporâneo, dando passos seguros ao longo do arquétipo dos temas, quase sempre com um refinamento muito próprio e uma sapiência óbvia. Espero que aprecies a sugestão...

Doombird - Past Lives

01. Sheer
02. Fog Rolls In
03. The Salt
04. Curtis Park
05. Lemma
06. Overflowing
07. Dihedral
08. Commonplace
09. Everything Is Anything
10. Shadow Somber


autor stipe07 às 17:22
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Março 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
15
16

19
21
25

26
30
31


posts recentes

Temples - Volcano

Real Estate - In Mind

Kasabian – You’re In Love...

The Shins – Heartworms

Real Estate - Darling

POND - 3000 Megatons vs S...

Temples – Strange Or Be F...

The Flaming Lips - Oczy M...

The Flaming Lips – We A F...

Doombird – Past Lives

Cassettes On Tape – Anywh...

Velhos - Velhos

The Jesus And Mary Chain ...

Yo La Tengo – Murder In T...

Tim Burgess And Peter Gor...

The Notwist – Superheroes...

TOY – Clear Shot

The Blank Tapes - Ojos Ro...

Pavo Pavo – Young Narrato...

Jagwar Ma - Every Now & T...

X-Files

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds