Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

To The Wedding - Silver Currents

Silver Currents é o trabalho de estreia do projeto To The Wedding, encabeçado por Lauren Grubb, um multi-instrumentista norte americano, natural de São Francisco, na Califórnia e que já tinha em 2010 editado um EP intitulado Taken, disponível no bandcamp, assim como este seu disco de estreia.

Com todas as canções a serem escritas e interpretadas por Lauren Grubb, houve, no entanto, algumas participações especiais no disco que importa salientar, nomeadamente Evan Orfanos, que tocou baixo em Set Fire e Time Pilot, Neil Gong, que pegou na guitarra em Come On e Martin Newman, que tocou esse instrumento em Set Fire e Time Pilot, ele que é presença assídua neste blogue, não só por causa dos Plumerai, mas também, mais recentemente, devido aos DRLNG.

As cinco canções de Silver Currents estão afogadas numa encantadora melancolia, com Come On desde logo a deixar-nos o convite para embarcarmos numa pequena viagem, confortavelmente instalados numa nuvem de algodão quente e fofa, enquanto sobrevoamos um trabalho capaz de resgatar o lado mais pueril e introspetivo dos nossos pensamentos. Essa canção assenta numa melodia feita com um efeito de guitarra que recuou no tempo uns trinta anos e ao qual vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo uma bateria suave, mas que impõe o ritmo adequado para que a descolagem ocorra sem sobressaltos. Em Silver Currents, o tema homónimo, os Mojave 3 são de imediato chamados à linha da frente das influências, não só no falsete em eco do registo vocal delicado, como no efeito da guitarra que vai pairando ao longo da canção, enquanto uma viola espreita o momento certo para ganhar um protagonismo, que acontece com a chegada da bateria, que conduz o resto da canção através de uma pop com traços de shoegaze e uma certa psicadelia.

Nos temas iniciais do disco percebe-se que há uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica, com o restante cardápio instrumental assertivo a fundamentar-se na relação progressiva que o baixo e a bateria constroem, dois excelentes tónicos para  potenciar a capacidade de Lauren em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. Essa viola acústica acaba por ter o merecido momento de protagonismo e fulgor na lindíssima Set Fire, uma canção que espreita perigosamente a fronteira do rock progressivo, porque contém os riffs mais assertivos e ruidosos que as guitarras tocam no alinhamento, mas que não sobreviveria sem a delicadeza das cordas que conduzem o edifício melódico. Este tema é um dos meus destaques deste trabalho, um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos do melhor rock psicadélico.

Silver Currents chega ao ocaso com o baixo pulsante de Time Pilot e com a voz de Lauren a atingir um nível de delicadeza tal que quase se consegue vê-lo a planar diante de nós, enquanto, confortavelmente instalados na nuvem que nos coloca na primeira fila dos nossos desejos mais profundos, nos deixamos envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica da sua interpretaçao, que nos embala e seduz implacavelmente.

Silver Currents é uma coleção de excelentes composições que, quase sem se dar por isso, apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura de Lauren é um trunfo explorado positivamente e ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas conjugadas com efeitos sonoros que na instrumental 86velocity parecem de outro mundo, têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada à mensagem das canções. Ouvir este disco é uma experiência diferente e revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções reproduzidas por um músico que sabe como criar paisagens sonoras que transparecem calma e serenidade, de forma pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Come On

Silver Currents

86velocity

Set Fire

Time Pilot

 

 


autor stipe07 às 20:42
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

The Growlers – Chinese Fountain

Os The Growlers são uma banda norte americana de Costa Mesa, na Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra) e que descobri já em 2012 por causa de Hung At Heart, o terceiro álbum da discografia do grupo, um disco gravado em Nashville, editado em novembro desse ano através da Everloving Records e que foi produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. Um ano após esse registo, disponibilizaram Guilded Pleasures e agora, novamente com uma cadência quase anual, os The Growlers regressam às edições com Chinese Fountain, um trabalho editado no passado dia três de setembro e disponivel na plataforma bandcamp.

Os The Growlers têm uma sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta, sendo óbvias referências os The Doors, Country Joe e os Beach Boys da era Pet Sounds. São frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, mas a sua sonoridade vai muito além dessa simples bitola. Na verdade, eles focam-se no rock de garagem e no blues como pedras de toque e adicionam uma toada lo fi, que lhes dá um certo charme e uma personalidade ímpar, devido a alguns arranjos inéditos e uma guitarra que, não raras vezes, se aproxima perigosamente da psicadelia.

Esta aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso e obedece claramente a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com esta dicotomia, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria, até porque há uma elevada sensação de espontaneidade na maioria deste alinhamento de onze canções, onde não faltam ecos crescentes e explosões percurssivas, como se tivesse sido composto para ser escutado por amigos. Espero que aprecies a sugestão..

The Growlers - Chinese Fountain

01. Big Toe
02. Black Memories
03. Chinese Fountain
04. Dull Boy
05. Good Advice
06. Going Gets Tuff
07. Magnificent Sadness
08. Love Test
09. Not The Man
10. Rare Hearts
11. Purgatory Drive


autor stipe07 às 19:14
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Domingo, 16 de Novembro de 2014

Keep Razors Sharp - Keep Razors Sharp

Produzido por Guilherme Gonçalves, pelos próprios Keep Razors Sharp e por Makoto Yagyu e masterizado por Miguel Pinheiro Marques no Bender Mastering Studio, Keep Razors Sharp é o homónimo disco de estreia de um projeto nacional formado por Afonso (Sean Riley & The Slowriders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e Bibi (Pernas de Alicate), um grupo de amigos que começou a frequentar a sala de ensaios nos intervalos das saídas à noite.

Disco rebelde e aventureiro, em onze canções Keep Razors Sharp traz consigo um horizonte vasto de referências e de inspirações, trabalhadas de forma abrangente e eficaz, criadas por quatro músicos extremamente competentes e que libertaram-se de qualquer amarra que ainda os poderia limitar devido aos projetos de origem e deixaram a criatividade evidenciar-se nas mais diversas formas.

Do shoegaze ao psicadelismo, passando até pelo punk, o rock dos Keep Razors Sharp está carregado de emoção, cor e rebeldia e leva-nos numa verdadeira viagem no tempo, rica e apaixonada, às vezes hipnótica, obscura e áspera, não só ao passado, mas também aquele que poderá ser o futuro do rock alternativo. Esta intemporalidade expressa-se na forma como o quarteto plasma com elevada dose de criatividade o que de melhor recria atualmente o vintage, mas também no esforço evidente que expressam uma demanda por algo genuíno e que depois sirva de modelo e de referencial sonoro. Em Keep Razors Sharp, a sombria e atormentada 9th ou I See Your Face, são dois bons exemplos que mostram as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. Mas os loopings da guitarra e a voz em eco de Cold Feet, ou a narrativa abrasiva que se instala entre a voz e os efeitos da guitarra em Waiting Game, assim como a intimista e deambulante By The Sea, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares, são outras composições com um resultado simplesmente fervoroso e viciante.

Ativistas do experimentalismo sonoro sem tabús, amarras e cavilhas que impeçam a entrada em cena de um qualquer instrumento que se queira intrometer no alicerce melódico, os Keep Razors Sharp vivem numa outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea cinzenta, crua e visceral.  Em Keep Razors Sharp sugerem-nos um quadro sonoro pintado com cordas melódicas, efeitos inebriantes e uma percussão vincada, que constrói cenários policromáticos nos nossos ouvidos e provocam-nos expressões faciais fortes e penetrantes, como se eles nos quisessem obrigar a ler uma a uma as emoções que cada uma das canções transparecem.

Keep Razors Sharp está disponível para download gratuito através da NOS Discos e, já agora, o lindíssimo artwork do disco é da autoria de Sara Feio, uma ilustradora que se focou na relação entre presa e predador, uma temática amplamente explorada, sob diversas formas, na componente lírica das canções, com especial destaque para o clima psicadélico de Sure Thing. Espero que aprecies a sugestão...

The Lioness

I See Your Face

By the Sea

9th

Waiting Game

Five Miles

Salt Flats

Cold Feet

Sure Thing

Africa On Ice

Scars & Bones


autor stipe07 às 19:08
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Pompeii – Loom

Os norte americanos Pompeii são Dean Stafford, Colin Butler, Rob Davidson e Erik Johnson, um grupo de Austin, no Texas, com já dez anos de carreira e uma reputação importante no cenário indie local. Lançado no passado dia através da Red Eye Transit, Loom é o novo compêndio sonoro dos Pompeii, um trabalho misturado por Erik Wofford (Explosions In The Sky, Okkervil River, My Morning Jacket) em Austin, masterizado por Jeff Lipton (Arcade Fire, Bon Iver, The Magnetic Fields) e que contou com a participação espeical do coletivo Tosca String Quartet em alguns instrumentais do disco.

Com uma escrita maravilhosa e impregnado com soberbos arranjos orquestrais, Loom são pouco mais de quarenta minutos de puro deleite sonoro. Da pop mística e graciosa com um forte cariz sentimental (Celtic Mist), ao indie rock que fez escola em finais do século passado (Frozen Planet), ao mais progresssivo (Blueprint), passando pela típica intimidade da folk americana (Frozen Reprise), escutam-se dez canções envolventes, festivas e grandiosas e que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Loom denota esmero e paciência por parte dos Pompeii, principalmente na forma como acertam nos mínimos detalhes. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, uma percurssão eminentemene orgânica e envolvida por ricos teclados e arranjos majestosos, até à poderosa voz de Dean, simultaneamente dolorosa e magistral, rica e envolvente, belíssima em Sleeper e quase sempre assente numa generosidade criativa, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

O som dos Pompeii é espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico e há alguns momentos neste disco que comprovam todas estas facetas por si só o que acrescenta à bagagem sonora dos Pompeii novas e belíssimas texturas, que não se desviam do cariz marcadamente experimental que faz parte do ADN do grupo. É fabuloso o modo como Sleeper cresce e se desenvolve, com uma percurssão que à medida que surge da penumbra, vinda de diferente fontes, vai chamando para junto de si um verdadeiro arsenal instrumental orgânico e sintético que explode num final sónico e verdadeiramente emocionante e grandioso. A bateria e o efeito da guitarra em Rescue também permitem esta absorção de diferentes sensações e o contato direto com uma multiplicidade de planos sonoros ganha neste tema uma dimensão superior. E outro instante que merece amplo destaque e audições repetidas devido à forma como plasma o cariz épico, melancólico e grandioso e o alargado leque sonoro destes Pompeii é a batida ácida e cadente de Ekspedition e as cordas em formato acústico de uma viola e um violino que se entrelaçam entre si e com uma linha de guitarra eletrificada, num tema cantado com uma voz em coro, diversos detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage

Não é preciso chegar ao final do disco para perceber que Loom gira em redor de um sentimento muito específico, mas a voz emocionalmente forte de Dean em Drift, acompanhada por uma guitarra algo dolorosa, é o melhor exemplo que comprova que este é, acima de tudo, um disco de e sobre o amor, onde o orgânico dedilhar das cordas e das teclas foi a pedra de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. Esta canção encerra da melhor forma um disco que transporta uma beleza e uma complexidade que merecem ser apreciadas com particular devoção e faze-nos sentir vontade de carregar novamente no play e voltar ao inicio. Espero que aprecies a sugestão...

Pompeii - Loom

01. Loom
02. Celtic Mist
03. So Close
04. Frozen Planet
05. Frozen Reprise
06. Blueprint
07. Rescue
08. Ekspedition
09. Sleeper
10. Drift


autor stipe07 às 22:09
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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

Michael A Grammar - Michael A Grammar

Inicialmente formados por Frankie Mockett e Joel Sayers, uma dupla de amigos de infância que cresceu a ouvir discos dos Radiohead e dos Joy Division, os Michael A Grammar aumentaram o número de elementos da banda e Clémentine Blue e John Davies passaram, entretanto, também a fazer parte do alinhamento do projeto. Este grupo britânico de Brighton, surpreendeu no início do ano com o EP Random Vision e agora chegou finalmente o primeiro longa duração, um espetacular trabalho homónimo, editado através da Melodic Records.

Com algumas histórias estranhas e acontecimentos bizarros a marcar a atualidade da banda, já que um dos membros esteve quase a ser deportado para o país africano de origem e o disco tinha sido dado como perdido quando desapareceu o computador onde estava alojado, os Michael A Grammar lá conseguiram fazer com que estas canções vissem a luz do dia e com elas cerca de uma hora de música magnífica, distribuída por doze temas que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical, com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Gravado em Manchester e produzido pela própria banda, com Frank a tratar do processo de mistura e Joel, Daniel e John a opinarem frequentemente, Michael A Grammar é um trabalho subtil e melodicamente atrativo, já que aposta num som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico, que deambula pela pop mais requintada e o rock progressivo cheio de distorções inebriantes, feitas com pedais carregados de reverb e arranjos captados com microfones que foram espalhados pelo estúdio e gravaram alguns sons estranhos, que temas com The Way You Move claramente mostram. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar um sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades, uma receita levada à prática com o firme propósito de criar ambientes sonoros amplos, luminosos e onde a banda projeta inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção.

Olhando para o alinhamento de Michael A Grammar, ouve-se canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, mas existiu sempre um enquandramento sequencial como se o disco funcionasse como um todo, já que há uma constância dinâmica relativamente ao som que preenche o trabalho. No entanto, isso não impede que existam pontos divergentes entre algumas canções; Se a bateria, o baixo e a voz sintetizada de Suzanna dão à canção um groove peculiar e depois de receber a distorção da guiatrra ela ganha aquela toada que procura uma revisão da psicadelia quando busca pontos de encontro com o rock clássico, já em Upstairs Downstairs percebe-se que o red line nas guitarras é um detalhe importante e que essa opção alinhada com uma percurssão vibrante, é decisiva na demanda pelo verdadeiro som épico, luminoso e expansivo que só o indie rock de cariz mais progressivo consegue replicar e que o longo festim sonoro que é The Way You Move claramente reforça. Se Nature's Child e You Make Me são exemplos clássicos de como o indie rock clássico pode ser hoje animado e dançável e se All Night Afloat e Mondays têm uma especificidade ainda maior quando piscam o olho ao punk rock nova iorquino, já a persistência nos constantes encaixes instrumentais durante a construção melódica, no almofadado conjunto de vozes em eco e nas guitarras mágicas que se manifestam em Upside Down e The Day I Come Alive, olham deliberadamente para o som que foi produzido há umas três décadas e procuram retratá-lo com novidade, mas com os pés bem fixos no presente.

Para o ocaso de Michael A Grammar estava guardado um dos melhores momentos do disco; Na verdade, Don't Wake Me é uma imensa exaltação que talvez de forma inconsciente homenageia os grandes mestres do cenário indie britânico da década de noventa; Os Oasis, os Blur, os Spritualized, os Supergrass, The Verve, The Stones Roses ou os Primal Scream que, entre tantos outros, marcaram uma geração e deixaram uma herança que os Michael A Grammar não descuraram e souberam sabiamente aproveitar, cabem todos no ambiente deste tema.

Michael A Grammar é um portento de grandiosidade, um álbum imenso no modo como se abre para o ouvinte e o presenteia com uma manancial de cores que projetam inúmeras possibilidades sonoras. Incubado por um quarteto que servindo-se de um universo sonoro recheado de várias experimentações e renovações, pretende, acima de tudo, soar poderoso, jovial e inventivo, este disco prova que o indie rock de cariz mais sinfónico e potente ainda tem razão de ser e um elevado potencial criativo ainda por explorar, desde que se torne na pedra de toque primordial da cartilha sonora de quem o pretender replicar e aprofundar. Os Michael A Grammar fizeram-no de um modo tão assertivo que arriscam-se a ter conseguido criar um dos discos essenciais de 2014. Espero que aprecies a sugestão....

Michael A Grammar - Michael A Grammar

01. Upside Down
02. All Night, Afloat
03. Light Of A Darkness
04. King And Barnes
05. The Day I Come Alive
06. Suzanna
07. Upstairs Downstairs
08. The Way You Move
09. Mondays
10. You Make Me
11. Nature’s Child
12. Don’t Wake Me

 


autor stipe07 às 19:56
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Terça-feira, 11 de Novembro de 2014

Foxygen - ...And Star Power

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos cinquenta a sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Dois anos depois, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por Richard Swift, trazia o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz. Agora, ao terceiro trabalho e na Jagjaguwar que desde sempre os abriga, os Foxygen alargam ainda mais os horizontes, libertam-se de qualquer amarra que ainda os poderia limitar e deixam a criatividade evidenciar-se nas mais diversas formas.

No meio de ruídos e alguns diálogos desconexos, mas com vários momentos onde conseguem sintonizar-se no ambiente certo, os Foxygen apresentam um projeto megalómano, uma hora e vinte de música que atesta o amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.

...And Star Power é um verdadeiro tratado sonoro carregado de emoção, cor e alegria, uma verdadeira viagem no tempo, mas também um disco intemporal na forma como plasma com elevada dose de criatividade o que de melhor recria atualmente o vintage, ao mesmo tempo que aponta caminhos para o futuro não só da dupla, como de todo um género musical que não se deve esgotar apenas na recriação de algumas das referências fundamentais do passado, mas também subsistir numa demanda constante por algo genuíno e que depois sirva de modelo e de referencial sonoro. O modo como os Foxygen recriam a música de outrora, faz já deles um modelo a seguir para outros projetos que queiram trilhar este caminho sinuoso e claramente aditivo, principalmente pelo modo como, não só no disco, mas mesmo em cada música, conseguem ser transversais e estabelecer pontes entre o passado e o futuro.

Em ...And Star PowerCosmic Vibrations é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

Outros destaques deste disco são, certamente, a balada I Don't Have Anything/The Gate, que tem o melhor refrão de ...And Star Power e You & I, outro instante melancólico que obedece à sonoridade glam dos anos setenta, abastecida pelo período aúreo de Bowie. A quadra Star Power tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na sequência de canções, que vão acelerando e aumentando o nível de ruído e de distorção à medida que a sequência avança. A secção de sopros e as vozes, ao terceiro tomo (What Are We Good For), acabam por fazer deste tema um dos grandes destaques do disco, com a toada groove e funky que passeia de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. Esta sequência, que termina com Ooh Ooh, soa à banda sonora ideal para uma noite bem regada, com alguma agitação e boa música, onde os acontecimentos parecem sair um pouco fora de controle, mas na madruga, tudo acaba bem.

Outro momento que retive foi a sequência feita com percurssão e as teclas em Mattress Warehouse e o lado mais lisérgico e desconexo dos Foxygen plasmado em 666 e Wally's Farm e na sedutora Cannibal Holocaust, uma música que embarca num clima enganadoramente doce e, por isso, potencialmente lisérgico. Até ao final, parece haver um aumento no volume de acidez que abastece a dupla e, quer em Hot Summer, quer em Cold Winter/Freedom aumenta a frequência de vozes perturbadoras e sons desconexos, com a última a ser uma viagem hipnótica de seis minutos obscura, áspera e aterradora, um clima que apenas diminui lentamente em Can’t Contextualize My Mind e Brooklyn Police Station. O alinhamento encerra com Everyone Needs Love e Hang, dois temas que nos ajudam a aterrar em segurança, de forma amena, doce e otimista, mas sempre de mãos dadas, como não podia deixar de ser, com o soft rock e a psicadelia.

Deliciosamente arrojado e mal acabado, ...And Star Power é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento de vinte e quatro canções nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen, uma banda com uma identidade muito própria e um sentido melódico irrepreensível. Numa dupla que primeiro se estranha, mas depois se entranha, é um impressionante passo em frente quando comparado com os registos anteriores, num disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

I: The Hits & Star Power Suite
Star Power Airlines
How Can You Really
Coulda Been My Love
Cosmic Vibrations
You & I
Star Power I: Overture
Star Power II: Star Power Nite
Star Power III: What Are We Good For
Star Power IV: Ooh Ooh
II: The Paranoid Side
I Don’t Have Anything / The Gate
Mattress Warehouse
666
Flowers
Wally’s Farm
Cannibal Holocaust
Hot Summer
III: Scream: A Journey Through Hell
Cold Winter / Freedom
Can’t Contextualize My Mindi
Brooklyn Police Station
The Game
Freedom II
Talk
IV: Hang On To Love
Everyone Needs Love
Hang


autor stipe07 às 20:21
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Black Swan Lane – A Moment Of Happiness

Formados em 2007 por Jack Sobel e John Kolbeck, antigos membros dos The Messengers e Mark Burgess, dos The Chameleons, os Black Swan Lane são uma das novas coqueluches do indie rock britânico, com outros nomes tão importantes como Andy Clegg, Andy Whitaker, Kwasi Asante, Yves Altana & Achim Faerber, a terem dado já uma mão a um projeto que se estreou ainda nesse ano com A Long Way From Home, tendo-se depois seguido já mais quatro discos: The Sun and The Moon Sessions (2009), Things You Know and Love (2010), Staring Down The Path Of Sound (2011) e The Last Time in Your Light (2013). Recentemente chegou aos escaparates A Moment Of Happiness, o mais recente álbum do cardápio destes Black Swan Lane que, com uma carreira dividida pelos dois lados do atlântico, entre Atlanta e Manchester, acabam por agregar tudo aquilo que tem de melhor o indie rock atual.

Com um percurso já bastante sólido e profícuo, numa média de quase um lançamento por ano, estes Black Swan Lane chegam a A Moment Of Happiness no auge de uma carreira, que as guitarras e o baixo de DNA ou Dust claramente revisitam e resumem, a primeira num registo mais punk e sombrio e a segunda numa vertente mais luminosa. A viagem espiritual da acústica Body and Soul é também um excelente registo introspetivo que mostra muito do código genético de uma banda que tem colado a si, como seria de esperar, o indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio que fez furor nos finais da década de setenta e início da seguinte, com nomes com os Joy Division, os The Chameleons, naturalmente, ou os Cure à cabeça.

A voz de Jack Sobel ganha plano de destaque quando em Lost For You persegue um esqueleto instrumental melancólico, fazendo com que a frase Everything I Lost For You, ecoe dentro de nós com tal ênfase só possível de replicar por quem reside num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada. Em Pretty in Tears volta a não descolar no grau de emotividade que coloca na sua interpretação vocal, exemplarmente acompanhado pelas exuberância das cordas e, em Below The Sound tem ao seu lado uma percurssão coesa e bastante ritmada.

Até ao ocaso de A Moment Of Happiness torna-se imprescindível e especial deleitar os nossos ouvidos com o ritmo sempre crescente, até à inevitável explosão sónica, de More e com o cariz épico de Years. O alinhamento chega quase ao encerramento de forma espetacular com uma nova versão alargada no tempo e na emoção de Lonely, uma canção que os Black Swan Lane já compuseram há alguns anos, mas que só agora aparece em disco.

A Moment Of Happiness é um álbum muito bem produzido, sem lacunas, com elevada coerência e sequencialidade, mas é sobretudo um exercício de audição individual das canções. Mesmo ignorados por meio mundo, os Black Swan Lane aproveitam o fato de estarem no apogeu da carreira e do grau de maturidade de todos os seus membros, para persistirem em criar discos fantásticos e que mereciam uma maior projeção. Talvez seja desta vez que conseguem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns  projetos que procuraram replicar apenas, ao longo da carreira, zonas de conforto, memso que o façam com elevada bitola qualitativa. Seja como for, a verdade é que com A Moment Of Happiness os Black Swan Lane firmam a sua posição na classe dos artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão...

Black Swan Lane - A Moment Of Happiness

01. DNA
02. Dust
03. Body and Soul
04. Lost for You
05. Pretty in Tears
06. Below the Sound
07. Time
08. More
09. Sandia
10. Lonely
11. Years
12. A Moment of Happiness

 


autor stipe07 às 22:13
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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2014

Mark Lanegan Band – Phantom Radio

Produzido por Alan Johannes, também membro do grupo e lançado através da Heavenly Records no passado dia vinte e um de outubro, Phantom Radio é o novo álbum do projeto Mark Lanegan Band, um disco com dez canções atreladas à já habitual atmosfera melancólica e sombria que carateriza a obra de Mark Lanegan, um dos autores mais profícuos do universo indie atual.

Antigo membro dos Screaming Trees e dos Queens Of The Stone Age, Mark Lanegan sempre se evidenciou pelo registo peculiar da sua voz, tendo feito dela um grande trunfo, algo que tem ampliado na carreira a solo, com o seu tom grave a ser uma verdadeira imagem de marca e o garante do teor denso e nostálgico da sua música. Mesmo quando se arriscou nas covers, em Imitations, ou colaborou com nomes tão importantes como Moby ou as Warpaint, Mark nunca abdicou deste selo identitário, procurando sempre criar uma atmosfera de verdadeira comunhão com os seus ouvintes, que já aprenderam também a apreciar a forma incisiva como consegue escrever sobre a tristeza, de forma quase sempre bela e profundamente comtemplativa.

Em Phantom Radio a voz do ex-vocalista dos Screaming Trees volta a ser o maior trunfo de mais um álbum onde o autor procura saciar a sua permanente urgência e exorcizar alguns dos demónios que parecem afligi-lo, ao mesmo tempo que deseja partilhar conosco esse modo de lidar com o lado mais irracional da existência, proporcionando-nos uma banda sonora adequada para os instantes menos claros da nossa vida. Esta demanda será certamente um dos motivo pelo qual Mark Lanegan é um artista tão ativo e que procura na sua música, a salvação e a redenção.

No projeto, este lado mais escuro de Lanegan é contra balançado por Johannes, que além de se encarregar do trabalho de estúdio e de tocar vários instrumentos, foi o responsável pelo conceito do disco, que pretende contar a história de uma viagem pela noite ao som da pop dos anos oitenta, proporcionada pela eletrónica implícita do produtor, com o controle necessário para que seja perfeito o equilibrio entre essa abordagem e a escuridão de Lanegan.

Se a batida e os teclados de Harvest Home abrem o disco com elevado grau de emotividade e beleza instrumental, já a voz sofrida e os sintetizadores vintage da lamuriante Judgement Time, uma canção que fala do ocaso de uma relação, colocam-nos defitivamente no trilho dessa tal viagem noturna, da qual alguns se arriscam a não regressar. A seguir, Floor Of The Ocean, o single já retirado do disco, é um dos melhores exemplos na carreira de Lanegan sobre esta sua capacidade de dar-nos as mãos enquanto deixa envolver a sua voz profundamente orgânica com texturas e arranjos sintetizados, com um resultado bastante lisérgico, numa espécie de clímax invertido, tal é o cariz fortemente entorpedecedor e simultaneamente hipnótico e anestesiante do tema.

Nas outras canções há que não perder de vista o blues estilizado e sintético de Seventh Day, o jogo de sedução que se estabelece entre a guitarra e a bateria em The Killing Season, o clima dramático que gravita em trono da componente instrumental de I Am The Wolf e a beleza orquestral de Death Trip To Tulsa, uma marcha que exorciza os tormentos de Lanegan e de certo modo o expõe de um modo particularmente real.

Phantom Radio é um atestado de vida em forma de feixe de canções, a materialização da matriz identitária de uma nova fase da carreira deste músico norte americano natural de Ellensburg, em Washington, apostado em ecoar com elevada pessoalidade e sentimentalismo, servindo-se dos anos oitenta, aquela época esplendorosa em que o rock mais sombrio fez escola, mas não dispensadndo mesmo assim a sua herança mais roqueira. Espero que aprecies a sugestão...

Mark Lanegan Band - Phantom Radio

01. Harvest Home
02. Judgement Time
03. Floor Of The Ocean
04. The Killing Season
05. Seventh Day
06. I Am The Wolf
07. Torn Red Heart
08. Waltzing In Blue
09. The Wild People
10. Death Trip To Tulsa

 


autor stipe07 às 21:38
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Canopies – Choose Yer Own Adventure

Canopies - "Choose Yer Own Adventure" (Stereogum Premiere)

É já a nove de dezembro, através da Forged Artifacts, que chega aos escaparates Maximize Your Faith, o primeiro longa duração dos norte americanos Canopies, um coletivo do Milwaukee, no Wisconsin, que se estreou em maio de 2011 com um EP homónimo e que constrói paisagens sonoras verdadeiramente deslumbrantes, sempre com a synth pop e uma elevada dose de psicadelia a orientarem o processo de composição.

Choose Your Own Adventure é o primeiro avanço para Maximize Your Faith, uma canção que vive de uma linha de guitarra inebrainte e à volta da qual borbulham detalhes e efeitos inspirados. Confere...


autor stipe07 às 13:37
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Terça-feira, 4 de Novembro de 2014

North Atlantic Oscillation – The Third Day

Os North Atlantic Oscillation são uma banda natural de Edimburgo, na Escócia e que se move entre o post rock, o rock progressivo e a eletrónica. Um dos segredos mais bem guardados da Kscope, estrearam-se nos discos em 2010 com Grappling Hooks e dois anos depois voltaram a surpreender com Fog Electric, um excelente sucessor. Agora, no final de outubro, chegou aos escaparates The Third Day, o terceiro álbum de uma banda atualmente formada por Sam Healy, Ben Martin e Chris Howard.

Não é tarefa simples catalogar estes North Atlantic Oscillation já que do rock progressivo à pop atmosférica, passando pela eletrónica, é vasta a teia sonora que abarcam, havendo apenas em comum, à medida que vão variando pelas paisagens que sustentam as suas canções, um forte e saudável cariz psicadélico. Em Third Day, este exercício de demanda por diferentes territórios é uma realidade insofismável e ao longo do seu alinhamento escuta-se uma hora de música magnífica, distribuída por dez canções que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Procurando fazer uma espécie de paralelismo entre as origens do grupo e a temática que mais os inspira, escutar The Third Day é um pouco como embarcar numa viagem por um oceano multicolorido que parece não encontrar fronteiras dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros. A verdade é que não falta uma certa acidez psicotrópica dotada por este arsenal instrumental diferenciado e por uma clareza melódica épica, aspetos que servem para engrandecer e ampliar o cariz emotivo da maior parte das canções do disco, tão vasto como o oceno onde este trio navega, feito das tenebrosas águas frias que abastecem o Mar do Norte.

Há no disco temas puramente instrumentais e outros que não dispensam a presença da voz e canções que se estendem de tal modo que as duas vertentes são abastecidas por um referencial distinto, como se houvesse quase duas canões na mesma. August ou When To Stop são dois instantes onde o grupo consegue definir o melhor contraste entre as diferentes referências sonoras que o orientam, acabando por as sublimar com mestria e fazer com que se destaque a emoção, sempre que a voz surge e corta com o caráter mais sombrio e dramático da componente instrumental.

Elsewhere acaba por ser a canção que faz a melhor súmula deste modus operandi que faz jus à fama que estes North Atlantic Oscillation possuem. A canção mostra um equilibrio perfeito entre as componentes instrumentais orgânica e sintética, além de sustentar-se numa melodia particularmente assertiva; As guitarras distorcidas, a voz pulsante e os efeitos de teclado deliciosos, originaram uma estrutura musical onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do tema tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

A grandiosidade dos North Atlantic Oscillation também fica plasmada no modo como colocam a nú aquela melancolia que é tão caraterística de ambientes mais frios e rudes. Em A Little Nice Place, a tensão vocal e os efeitos por detrás inauguram o notável desfile do lado mais introspetivo do grupo, que se repete em Wires e Pines of Eden, outras duas canções onde a melancolia é comandada, no caso da primeira por uma bateria tremendamente jazzística e na segunda por sons de guitarra, que aliados a outras cordas e ao piano, dão um tom fortemente denso e contemplativo ao tema, com a voz a trazer a oscilação necessária para transparecer uma elevada veia sentimental.

O oposto é audível, por exemplo, em Penrose, um tema que mostra como eles conseguem ser luminosos e transmitir uma mensagem forte, mesmo que a voz esteja ausente. Já o intervalo de ruídos e de atmosferas que se escutam em Do Something Useful é claramente inspirada nos Pink Floyd, como se estivessem eles a navegar numa viagem oscilante por um mar alucinogénico, que busca uma psicadelia que se lança sobre o avanço lento mas infatigável de um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e When To Stop é uma forma bastante colorida e doce de terminar um alinhamento de um disco difícil de ouvir para quem não tem por hábito apreciar estruturas sonoras mais ambientais e psicadélicas, mas que é um portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de um amor que definitivamente nos liberta.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto que aposta em várias abordagens sonoras, mas sempre magistrais, numa conversa coerente que celebra a natureza dinâmica da combinação instrumental e explora um método de abordagem criativa, que permite a concordância e a discordância, por sua vez, num alinhamento que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. The Third Day é um disco muito experimentalista, mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

North Atlantic Oscillation - The Third Day

01. Great Plains II
02. Elsewhere
03. August
04. A Nice Little Place
05. Penrose
06. Do Something Useful
07. Wires
08. Pines Of Eden
09. Dust
10. When To Stop

 


autor stipe07 às 21:42
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