Quinta-feira, 5 de Março de 2015

Moon Duo – Shadow Of The Sun

Oriundos de São Francisco, na Califórnia, os norte americanos Moon Duo, de Ripley Johnson e Sanae Yamada, são já uma banda incontornável do indie rock psicadélico atual. Detentores de um trajeto discográfico imaculado e já com vários pontos altos, nomeadamente Circles e Mazes, encontraram na Sacred Bones o refúgio perfeito para explorar o hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial, que carateriza a sua música. Gravado numa bafienta cave de Portland e editado no passado dia três de março, Shadow Of The Sun é o terceiro tomo de uma saga que merece figurar já nos anais dos melhores percursos discográficos da última década, mais uma coleção de nove excelentes canções e que elevam os Moon Duo para um patamar superior de qualidade e de inedetismo quando se compara este trabalho com tudo o que a dupla apresentou até então.

Quem conhece com algum detalhe a típica sonoridade dos Moon Duo vai reparar, logo a partir de Wilding, na maior amplitude do trabalho de produção, com a procura de uma textura sonora mais aberta, melódica e expansiva. Aquele pendor algo lo fi que muitas vezes era percetivel na própria distorção das guitarras, foi substituido por um maior vigor do baixo e também pela chamada deste instrumento para a linha da frente na arquitetura sonora, que tem agora, frequentemente, as luzes da ribalta e um maior protagonismo.

É perigoso afirmar que os Moon Duo estão mais direcionados para o punk rock, apesar de Animal, um dos singles já retirados de Shadow Of The Sun, ser um espetacular tratado do género, aditivo, rugoso e viciante, até porque a sensibilidade do teclado de Yamada, que nos leva rumo à pop psicadélica dos anos setenta e os solos e riffs da guitarra de Ripley, a exibirem linhas e timbres muito presentes na country americana e no chamado garage rock, continuam a fazer parte do menú. Mas neste Shadow Of the Sun é justo afirmar que estão mais corajosos e abertos a uma saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, mas mostra novos atributos e maior competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções. Se as linhas de teclado sublimes de Slow Down Low e o efeito da guitarra em In A Cloud são apenas dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes dos Moon Duo, é evidente, noutros casos, o diferente posicionamento melódico da dupla pela busca de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também mais acessíveis e do agrado de um público mais abrangente. Ice, é o exemplo maior deste passo em frente, uma catarse psicadélica, assente numa batida inspirada que nos faz dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, uma canção onde os Moon Duo apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, em pouco mais de seis minutos que são um verdadeiro compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Shadow Of The Sun é, como não podia deixar de ser, tendo em conta os autores, uma irrepreensível coletânea de rock psicadélico, proposta por um casal que aposta numa espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip pelo deserto, com o sol quente na cabeça, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Moon Duo, que atravessam o momento mais confiante, criativo e luminoso da sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...

Moon Duo - Shadow Of The Sun

01. Wilding
02. Night Beat
03. Free The Skull
04. Zero
05. In A Cloud
06. Thieves
07. Slow Down Low
08. Ice
09. Animal


autor stipe07 às 22:16
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Quarta-feira, 4 de Março de 2015

My Morning Jacket – Big Decisions

My Morning Jacket - Big Decisions

Os norte americanos My Morning Jacket de Jim James já têm sucessor para o aclamado Circuital (2011) e regressam aos discos a quatro de maio próximo com The Waterfall, um trabalho produzido novamente por Tucker Martine (The Decemberists, Modest Mouse, Neko Case).

Gravado maioritariamente em Stinson Beach, na Califórnia, mas também noutros locais como Portland ou a cidade natal da banda e com a luz do dia a ser possível com a chancela da insuspeita ATO Records, em parceria com a Capitol Records, The Waterfall será certamente mais um marco obrigatório na carreira desta banda já veterana mas ainda fundamental no universo sonoro norte americano. O indie rock psicadélico de Big Decisions, o primeiro single divulgado do disco, comprova claramente que este quinteto de Louisville, no Kentucky, deve continuar a merecer a nossa atenção. Confere...

Stinson Beach was so psychedelic and focused. It was almost like we lived on our own little moon out there. It feels like you’re up in the sky. - Jim James


autor stipe07 às 15:56
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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

Warpaint - No Way Out

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa são as Warpaint, um título feliz para quatro intérpretes que compôem música que parece vir do interior da alma mais sincera e verdadeira que podemos imaginar e que o ano passado surpreenderam com um disco homónimo onde deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta negra e obscura, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade e com uma certa timidez que não era mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica

Agora, quase um ano depois, as Warpaint voltam a deixar-nos boquiabertos com No Way Out, uma nova canção que indicia a proximidade de um novo registo de originais e que promete ser mais um marco na carreira deste projeto californiano. O tema assenta em deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. A escrita carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi. Confere...


autor stipe07 às 15:56
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Sábado, 28 de Fevereiro de 2015

Highlands – Dark Matter Remnants EP

Editado no passado dia quinze de julho, Dark Matter Traveler foi o segundo disco dos Highlands, um grupo de Long Beach, na Califórnia, formado por Scott, Chris, Stephen e Beau Balek. Esse trabalho, produzido pela banda e por Rollie Ulug e masterizado por J.P. Bendzinski, era particularmente tenso, narcótico, intenso e hipnótico, já que o ambiente sonoro destes Highlands, que partilham connosco o seu gosto pelo cruzamento entre o punk mais sombrio e o rock clássico e noisy, carregado de reverb, debitava melodias épicas, com um certo groove e um forte pendor psicadélico.

Dark Mark Traveler continha dez canções mas, à época, os Highlands tiveram de fazer alguma seleção relativamente ao alinhamento já que dispunham de outros temas que acabaram por ficar de fora do conteudo desse disco. Dark Matter Remnants viu a luz do dia a vinte de novembro último e é uma súmula com cinco canções que ficaram de fora do segundo álbum do projeto, mas que poderiam muito bem ter feito parte desse disco, já que continuam a demonstrar que os Highlands não têm receio de mostrar a capacidade intrínseca que possuem para replicar a psicadelia que se desenvolveu nas décadas de setenta e oitenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas.
Logo em Red, o primeiro tema do EP, confere-se uma revisão dessa psicadelia e uma busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock alternativo que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.
Com uma postura vocal algo arrastada mas assertiva, o reverb na voz acaba por ser uma consequência lógica desta opção que, na melancolia épica de Delusion, carrega toda a componente nostágica com que os Highlands pretendem impregnar o seu ADN. O vocalista, ao soprar na nossa mente e ao envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, faz o nosso espírito facilmente levitar, algo que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.
Dark Matter Remnants era o capítulo que faltava no percurso destes Highlands para poderem agora prosseguir em paz de espírito e sem remorsos por terem deixado de fora no seu último longa duração temas tão excelentes como os que compôem este EP e assim, olhando definitivamente em frente, continuarem a sua saga musical com o exclusivo propósito de demonstrar a uma qualquer entidade exterior o que os humanos são capazes de produzir de melhor no universo indie mais progressivo e psicadélico. Espero que aprecies a sugestão...
 

Highlands - Dark Matter Remnants

01. Red
02. Delusion
03. Never Look
04. The Only Things
05. Eternal Coast


autor stipe07 às 21:17
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015

Pond – Man It Feels Like Space Again

São Francisco, na Califórnia e Perth na Austrália, são os dois grande polos atuais do indie rock piscadélico e, oriundos do último, os Pond de Nick Allbrook, Jay Watson, Joseph Ryan, Jamie Terry, um verdadeiro projeto paralelo dos Tame Impala, um dos nomes maiores do género e uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Produzido por Kevin Parker, Man It Feels Like Space Again é o sexto álbum dos Pond, um trabalho lançado no passado dia vinte e três de janeiro por intermédio da Modular e que tem no fuzz rock a sua pedra de toque, talvez a expressão mais feliz para caraterizar o caldeirão sonoro que os Pond reservam para nós e que logo na imponência de Waiting Around For Grace e no festim grandioso de Elvi´s Flaming Star, fica claramente plasmado.

As guitarras são, como seria de esperar, o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Pond, feitas de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez. Mas a receita também se compôe com sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias, uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, que é várias vezes literalmente cortada a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade que, por exemplo, Hobo Rocket, o antecessor, não continha tanto, apesar da excelência do seu conteúdo. A delicada sensibilidade das cordas que suporta a cândida melodia do belíssimo instante de folk psicadélica chamado Holding Out For You e a monumentalidade comovente de Sitting Up On Our Crane são dois extraordinários tratados sonors que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração que se atravesse e plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no disco, a capacidade que estes Pond também têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop

A energia contagiante do eletropunk blues enérgico e libertário, que escorre por todos os poros de Zond, o mais recente single retirado de Man It Feels Like Space Again, um tema que assenta numa voz viciante e numa espiral de sons sintetizados, fortemente lisérgicos e aditivos é, em sentido oposto, outro exemplo claro de toda a amálgama cuidadosamente concebida pelos Pond, ampliada pelo video que é mais uma viagem alucinante filmada por Johnny Mackay, que criou um cenário de artifícios caseiros e adereços imperfeitos, colagens de fundos pintados à mão e um guarda-roupa, no mínimo, original. Já agora, torna-se obrigatório visualizar os videos dos Pond e perceber a forte ligação que existe sempre entre eles e a música, visto estarmos na preença de um coletivo que dá enorme importância à componente visual da sua música, algo que a banda desenhada do artwork do disco também exemplifica.

O álbum avança e depois de em Heroic Shart sermos invadidos por um efeito vocal reverberado que ecoa e paralisa, no meio de uma amálgama assente numa programação sintetizada de forte cariz experimental, Man It Feels Like Space Again prossegue a sua demanda triunfal na insanidade desconstrutiva e psicadélica em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Outside Is The Right Side, canção extremamente dançavel, já que mistura R&B, pop, hip-hopelectrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito. Neste instante, quando damos por nós, já completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou esse tema, percebemos que não há escapatória possível desta ode imensa de celebração do lado mais estratosférico, descomplicado e animado da vida.

É impossível escutar este trabalho e ficarmos imóveis no recanto mais aconchegante que geralmente nos abriga; Torna-se indispensável deixar que o nosso corpo absorva todas as sensações inebriantes que este disco oferece gratuitamente e, repetindo o exercício sensorial várias vezes, permitirmos que depois se liberte o imenso potencial de energia que estas composições recheadas de marcas sonoras rudes, suaves, pastosas, imponentes, divertidas e expressivas, às vezes relacionadas com vozes convertidas em sons e letras e que atuam de forma propositadamente instrumental proporcionam. Aqui tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea, que Man It Feels Like Space Again está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Por exemplo, o ritmo lento e claramente acústico inicial de Medicine Hat é algo enganador porque a canção é subitamente alvo de um intenso upgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, deixando-nos em suspense relativamente ao que resta ouvir da composição e que acaba por ser uma forte cabeçada que nos agita a mente na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico. O tema homónimo, um imenso instante de rock progressivo, onde os Pond gastam todas as fichas e despejam os trunfos que alicerçam a sua estrutura sonora complexa, é uma canção que sabe claramente a despedida, num cenário verdadeiramente complexo, vibrante e repleto de efeitos maquinais que proporcionam sensações únicas.

Já com um acervo único e peculiar e que resulta da consciência que os músicos que compôem este coletivo têm das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os Pond são umbilicalmente responsáveis por praticamente tudo aquilo que move e se move neste género e já se assumiram como referências essenciais para tantos outros. Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é Man It Feels Like Space Again, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os Pond sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Man It Feels Like Space Again

01. Waiting Around For Grace
02. Elvis’ Flaming Star
03. Holding Out For You
04. Zond
05. Heroic Shart
06. Sitting Up On Our Crane
07. Outside Is The Right Side
08. Medicine Hat
09. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 21:11
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2015

Cave Story - Spider Tracks EP

Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga (guitarra e voz) são os Cave Story, uma banda nascida nas Caldas da Rainha em 2013 e que deu o pontapé de saída numa carreira que se adivinha promissora com um conjunto de demos que chamou a atenção de vários promotores e festivais nacionais e internacionais como a FatCat Records e o Reverence Valada.

Spider Tracks é o primeiro EP dos Cave Story, seis canções gravadas durante um ano e que ganham vida quando são descritas dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental que tipifica o som de um trio que admite estar sempre aberto e pronto para novas sonoridades, mas que confessa sentir-se mais confortável a explorar os recantos mais obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora.

Gravado durante cerca de um ano, como já referi, num recanto desconhecido, cuja localização a própria banda não quis revelar na entrevista que me concedeu e que podes conferir adiante e onde não faltavam sons da natureza que a banda não se importou de captar (é possível escutar o som de um cão ladrar aos dezassete segundos do EP), Spider Tracks contém canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva e sem evitar o salutar arrojo de quem olha para a partitura como um tubo de ensaio para a mistura apaixonada de tudo aquilo que é musicalmente viciante e significativo.

O que aqui temos são, no fundo, cerca de vinte minutos onde se pode apreciar um rugoso rigor volumoso de versos sofridos e sons acinzentados e belíssimos arranjos, assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns efeitos e detalhes que nos arrastam sem dó nem piedade para o ambiente que quisermos, ora sombrio e nostálgico, ora aquele onde cabem os jeans coçados escondidos no guarda fatos, as t-shirts coloridas e um congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa.

Conferindo um efeito saboroso e inebriante, que pode ser potenciado por repetidas audições que permitem que determinados detalhes e arranjos se tornem cada vez mais nítidos e possam, assim, ser plenamente apreciados, Cave Story é um EP com uma insana cartilha sonora que busca um equilíbrio lisérgico entre momentos frenéticos e contemplativos e que confirma estarmos na presença de mais uma lebre de uma nova geração de bandas nacionais que redescobriu, à chegada do novo século, o velho fulgor anguloso e elétrico do rock’n’roll.

Hoje, dia catorze de Fevereiro, os Cave Story apresentam este EP ao vivo, pelas 23h00m, no Sabotage Club, em Lisboa. Espero que aprecies a sugestão...

Com uma carreira ainda no início, mas que já chamou a atenção de vários promotores importantes, começo com uma questão cliché… quais são, antes de mais, as vossas expetativas para esta estreia?

Queremos tocar por aí e ficamos muito contentes se alguém vier falar connosco dizer que gostou e falar sobre o EP. Idealmente a conversa segue para mais música, com sorte vamos para casa ouvir uma cena nova que não conhecíamos.

Começaram com um single chamado Richman, um tributo apaixonado a Jonathan Richman e com uma versão do tema Helicopter Spies dos Swell Maps. Algum motivo especial para este arranque? São artistas e bandas que admiram? Como foi saber que o próprio Jowe Head adorou a vossa versão?

No final de 2013 editamos uma demo com três faixas, foi esse o começo. “Richman” que lançamos já em 2014 foi um single muito especial para nós, uma maneira literal de colocar na mesa as nossas intenções. A versão da Helicopter Spies serviu o mesmo propósito além de trazer uma grande malha para o nosso arsenal nos concertos. Desde o ínicio que sabemos o que pode ser o nosso som e aquilo que podemos trazer, mas o ponto de partida serão sempre as nossas influências, e fazemos questão de ser abertos nesse sentido. Dito isto é claro que achámos muita piada ao comentário do Jowe Head, os Swell Maps são uma referência.

Falando agora de Spider Tracks… Gravado numa pequena casa no campo, num ambiente supostamente bastante bucólico e certamente isolado, algures na zona oeste, presumo eu, com as muralhas de Óbidos, ou as praias entre São Martinho do Porto e Lourinhã, ou então os pomares do Bombarral, em pano de fundo, o EP tem seis canções ambiciosas, impecavelmente produzidas e com um brilho raro e inédito no panorama nacional. Se tivessem gravado noutro local, mais agitado, o conteúdo poderia ter sido diferente?

Sem dúvida, mas não só a gravação em particular, todo processo desde os primeiros acordes foi feito no mesmo sítio. Isolado, mas sem isolamento acústico irónicamente. Na capa há uma nota que diz que se ouve ‘ladrar aos dezassete segundos’ e é verdade. Qualquer ruído no jardim poderia ter feito parte do EP se o ganho dos microfones permitisse. Um disco, espera-se ter sempre uma parte mais ou menos marcada do seu próprio tempo e espaço, para nós, o Spider Tracks é aquilo que construimos ao longo do ano passado, numa altura pós-estudos/génese de novas responsabilidades que decidimos passar juntos, a tocar neste tal sítio no campo tanto tempo quanto possível… Guess we could feel better about worse.

Confesso que o que mais me agradou na audição do EP foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral de Spider Tracks uma clara sensação de riqueza e bom gosto. Em termos de ambiente sonoro, o que idealizaram para o álbum inicialmente correspondeu ao resultado final ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

O que idealizámos foi mutando ao longo das gravações e misturas. A começar pela escolha das faixas que queriamos incluir e das que acabámos por excluir. Durante as gravações fazemos questão de deixar espaço para que aconteçam coisas, não queremos ter total controlo sobre a gravação, não queremos saber nota a nota as nossas partes. É a diferença entre tirar uma fotografia num ambiente totalmente controlado ou onde há perigo de algo realmente interessante ou desastroso acontecer. Até agora tem funcionado, há sempre um take que tem qualquer coisa peculiar, irrepetível, que nos faz perceber logo “é este”. Os “arranjos” quase imperceptíveis são uma parte importante, para nós é o que nos deixa não ficar tão cansados das nossas músicas. Algo que lá deixámos que cria uma textura com mais camadas.

Além de ter apreciado o modo como conjugam a guitarra, o baixo e a bateria, também impressionou-me o uso, por exemplo, do violino, em Cleaner e Buzzard Feed e a vossa capacidade criativa na seleção dos arranjos, que conferem ao cenário melódico das canções, uma atmosfera particularmente bonita. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota e depois existe um processo de agregação?

Acontece tudo naturalmente, acho que só o baixo costuma saber a música nota a nota. No caso dos violinos na Cleaner fizemos nove vozes diferentes que depois arranjamos na mistura. Seis vozes pensadas, três aleatórias, alguns bocados foram cortados outros repetidos, esticados invertidos, um processo que seria muito mais romântico se tivesse sido feito em fita. 

Spider Tracks foi misturado pelo Gonçalo Formiga, um de vocês. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início e foi desde sempre uma imposição vossa? E porque a tomaram?

Como já demos a entender, para nós todo o processo desde composição até à mistura passando pela gravação é um difícil de separar. Não foi uma imposição mas foi uma escolha feita desde o início. Tomamos essa decisão porque a escrita de canções e a forma que tomam sónicamente são duas coisas que não nos interessa separar. Seremos sempre os nossos próprios produtores ou co-produtores, vindo a trabalhar com outras pessoas.

Adoro a canção Fantasy Football. Os Cave Sotry têm um tema preferido em Spider Tracks?

A Fantasy Football. Apesar de claro, termos uma relação próxima com todas.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?
É o que faz mais sentido para nós. Podemos aventurar-nos a escrever algo em português mas para já não está nos nossos planos.

O que vos vai mover sempre será este post punk e esta pop experimental ou gostariam ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Cave Story?
No futuro próximo devemos manter a linguagem, ainda há coisas para explorar. Quando sentirmos que esgotamos a nossa proposta, se sentirmos, logo se vê. Mas não acredito em mudar só porque sim, se chegámos até este post punk pop experimental, como dizes, foi porque faz sentido para nós, muito teria de mudar para Cave Story virar reggae.

No próximo dia catorze vão apresentar o EP ao vivo, no Sabotage Club, em Lisboa. Alguma surpresa preparada? Ter calhado no dia de são Valentim foi apenas uma coincidência? Será Spider Tracks uma excelente banda sonora para casais apaixonados?
Foi uma coincidência, mas agora não há hipótese vão ter de levar connosco. Vamos ser acompanhados pelos Ghost Hunt, o seu primeiro concerto, o sr Eduardo Morais nos discos e Helena Fagundes nos visuais, só pode correr bem!

Há cerca de dez anos passei um fim-de-semana nas Caldas da Rainha, hospedado numa residencial no centro de uma rua movimentada, em frente ao parque da cidade. Aí havia um pequeno edifício, uma espécie de café / quiosque e, no fim-de-semana, havia aí bandas a ensaiar. Esse espaço ainda funciona? Como está o cenário musical alternativo das Caldas da Rainha neste momento? Que bandas me aconselham?
Não sei se funciona, e mesmo que funcione não sei se será o mesmo. Há vários sítios para ensaiar e várias bandas, o panorama infelizmente não é maior porque há pouca gente interessada apesar da oferta ser considerável. LEAF e Challenge, bandas em que o Ricardo nosso baterista também toca. Depois há os Füzz e os Lupiter. Ainda há uma editora inteira com o nome do bairro onde moro, AVNL Records, apesar de nunca os ter visto. Para os conhecer foi preciso ler um artigo sobre eles numa publicação internacional, curioso.


autor stipe07 às 18:07
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015

Wand – Self Hypnosis In 3 Days

Os Wand são uma banda norte americana, oriunda de Los Angeles e liderada por Cory Hanson, um músico que toca regularmente com Mikal Cronin e os Meatbodies, dois projetos que já foram referenciados em Man On The Moon. Nestes Wand, juntam-se a Cory, Evan Burrows, Daniel Martens e Lee Landey.

Os Wand tocam um indie punk rock psicadélico e fortemente aditivo e Ganglion Reef, o disco de estreia, editado em 2014, foi um marco e uma referência para os amantes do género. Agora, um ano depois, os Wand já têm sucessor pronto; Golem chega a dezassete de março através da etiqueta In The Red e Self Hynosis In 3 Days, o primeiro single divulgado, é um delicioso exemplar de indie rock astral e vigoroso, um tratado sonoro que ressuscita o que de melhor se pode escutar relativamente ao rock alternativo da última década do século passado, com um upgrade de adição psicotrópica e elevada lisergia. Confere...

Dica Follow Friday da edição de hoje: X-Acto. Recomendo vivamente!


autor stipe07 às 13:16
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015

Unknown Mortal Orchestra - Multi-Love

Os Unknown Mortal Orchestra vêm da Nova Zelândia e são liderados por Ruban Nielsen, vocalista e compositor, ao qual se juntaram, Jake Portrait e Greg Rogove. II, o segundo álbum da banda, viu a luz há cerca de dois anos e catapultou o projeto para o estrelato, ao reforçar de forma comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B.

No próximo dia vinte e seis de maio vai chegar aos escaparates Multi-Love, o novo disco dos Unknown Mortal Orchestra, um trabalho que verá a luz do dia por intermédio da Jagjaguwar e que, de acordo com o tema homónimo hoje, irá conter de novo a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente, que além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica dos anos sessenta. Confere...

 

It felt good to be rebelling against the typical view of what an artist is today, a curator. It’s more about being someone who makes things happen in concrete ways. Building old synthesizers and bringing them back to life, creating sounds that aren’t quite like anyone else’s. I think that’s much more subversive.

Ruban Nielsen


autor stipe07 às 18:47
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2015

Song By Toad, Records - Magic Beanz!

Magic Beanz! é o título da nova compilação da etiqueta escocesa Song By Toad, Records, um cardápio de canções com alguns dos destaques que a editora vai lançar e divulgar este ano. Disponível para download gratuito na página da etiqueta, o disco contém seis temas, sendo o primeiro o punk rock shoegaze de This Morning We Are Astronauts, um dos destaques de A Distorted Sigh, o trabalho de estreia dos Garden Of Elks, que chegará lá para abril.

Depois dos Garden Of Elks, Magic Beanz! prossegue com a eletrónica etérea e psicadélica de Basketball Land, um dos grandes temas de Place Is, o novo EP dos Le Thug, que tem edição prevista para o dia de São Valentim. A seguir é a vez de Cafe Royal, um lindíssimo instrumental, assente num belo piano, retirado de Be Embrace, You Millions, o novo disco do projeto de Ian Turnbull da Broken Records, que assina este disco como digitalanalogue e que verá a luz do dia, no formato vinil, em março.

Para a reta final da compilação temos Vice Over Reason, uma canção retirada do alinhamento de Sunlight on Black Horizon, o álbum de estreia do projeto Numbers Are Futile, composto por músicos gregos e portugueses e que aposta num som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico, que atiça todos os nossos sentidos. Depois há ainda Burial Party, um fantástico instante de indie rock da autoria dos escoceses Plastic Animals, presetes a estrear-se nos discos com Pictures From The Blackout e, para aterrar, BLT, uma nova canção de Passion Pusher, o alter ego sonoro de James Gage, um músico também escocês, natural de Edimburgo e que sobrevive à custa do assertivo clima de um garage rock ligeiro, algo baladeiro e boémio.

Como se percebe, 2015 será um ano em cheio para esta etiqueta liderada pelo meu amigo Matthew Young e estou certo que estes trabalhos serão objeto de revisão e divulgação mais aturadas neste espaço.


autor stipe07 às 21:31
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Sugiro... XLVII

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autor stipe07 às 13:26
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Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

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