Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Swim Mountain - Swim Mountain EP

Oriundos de Londres, os britânicos Swim Mountain são Tom Skyrme, Joff Macey, Andrew Misuraca e Teej Marshall e no passado dia vinte e nove de setembro editaram o EP homónimo de estreia, através da londrina Hey Moon. Produzido pelo próprio Tom Skyrme, entre Londres e Los Angeles, Swim Mountain são pouco mais de vinte minutos que abarcam um vast leque de influências que vão da pop aditiva, ao indie rock psicadélico, tudo sustentado por uma arquitetura de versos e sons festivos, que comprova a capacidade deste coletivo para produzir composições puras, encantadoras e delicadas e cuja sonoridade vai do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza.

Com vibrantes linhas de baixo e guitarras sintetizadas cheias de cor e brilho, os Swin Mountain mergulham num festim de sons adocicados e guiados por uma elevada instrumentalidade melancólica. O quarteto tanto abraça o cenário musical dos anos sessenta, criado por bandas como Argent & Blunsonte, Rundgren e os The Wilson Brothers, como se deixa contagiar pelo calor brasileiro de um Tom Jobim e um João Gilberto. No entanto, a influência principal é o universo musical dos antípodas proporcionado por nomes como os Tame Impala ou os Coloured Clocks. Influências à parte, importa reter que os Swim Mountain convidam-nos a embarcar numa pequena viagem onde sintetizadores, guitarras, batidas e uma escrita às vezes pouco óbvia e sem muito sentido, dançam num jogo colorido de referências.

A curiosa luminosidade das canções dos Swim Mountain espraia-se com todo o esplendor logo no single Yesterday, um tema com uma melodia verdadeiramente acessível e fácil de cantarolar e cheia de detalhes e arranjos samplados de cenas do quotidiano comum. Entra-se em Ornella e mal se percebe a mudança de faixa, apesar de uma distorção em eco dar uma toada algo psicadélica à canção, mas esse pormenor não coloca em causa a forte componente radiofónica e com arranjos que nos prendem até ao último acorde. Este revivalismo setentista acentua-se no teclado sintetizado de Dream It Real e surge-nos no imediato à memória o tal cenário dos antípodas. Já na sensibilidade perene de Everyday dá-se nova inflexão, agora rumo à pop e à eletrónica, com a batida ritmada a piscar o olho à pista de dança. Este ambiente mais eletrónico permanece durante a subtileza synth pop de Nothing Is Quite As It Seems e no final da viagem não duvidamos que escutamos um compêndio sonoro carregado de luz e vivacidade, uma coleção de belos acertos sonoros e canções memoráveis, que refletem uma já assinalável maturidade de um grupo particularmente criativo e dotado de um assinalável bom gosto.

Os Swim Mountain são um projeto que deve ser levado muito a sério e este EP merece uma audição atenta e dedicada. Existe um elevado toque de modernidade nas suas canções, apesar da evidente agenda de revivalismo que pretendem seguir, ou seja, o toque e o perfume de outros tempos estão lá, mas estes quatro músicos replicam um som bastante atual, original e maduro. Espero que aprecies a sugestão...

Swim Mountain - EP, Swim Mountain

Ticket

Yesterday

Ornella

Dream It Real

Everyday

Nothing Is Quite As It Seems


autor stipe07 às 18:37
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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Melody’s Echo Chamber – Shirim

Melody's Echo Chamber

Melody’s Echo Chamber é Melody Prochet, uma cantora e compositora parisiense que toca uma fantástica pop psicadélica. Estreou-se nos disco em 2012 com um homónimo produzido por Kevin Parker, o vocalista dos Tame impala e  na próxima primavara vai lançar o seu segundo disco de originais.

Esse trabalho ainda não tem nome, mas já se sabe que será a própria Prochet a produzir o disco, que tem em Shirim o primeiro avanço divulgado, uma curiosa canção pop que deambula entre a habitual psicadelia e o groove do ska. Confere aqui...


autor stipe07 às 13:19
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Meatbodies - Meatbodies

Natural de Los Angeles, na Califórnia, o norte americano Chad Ubovich tem-se destacado como baixista e guitarrista na banda de Mikal Cronin e como baixista nos FUZZ, um dos projetos do inconfundível Ty Segall. No entanto, ele também tem a sua própria banda, juntamente com os músicos Cory Thomas Hanson e Riley Youngdahl; Chamam-se Meatbodies e no passado dia catorze de outubro editaram um longa duração homónimo, através da insuspeita In The Red, que Larry Hard, responsável dessa etiqueta, enviou em boa hora para a minha redação, já que me tem proporcionado a audição de um excelente álbum de indie rock.

Meatbodies: (left to right) Patrick Nolan, Chad Ubovich, Ryan Moutinho, Killian De Luke - PHOTO BY ALICE BAXLEY

A visceral sequência de abertura de Meatbodies, formada por Disorder, Mountain, HIM e, principalmente, o single Tremmors, mostra-nos logo ao que vem este projeto, que aposta em canções que explodem em cordas eletrificadas e que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que não nos deixa duvidar acerca do ADN do grupo, ao longo dos poucos mais de quarenta e cinco minutos que duram as doze canções do disco.

Quem arriscar a audição deste verdadeiro tratado sonoro a transbordar de fuzz e de distorção, deve preparar-se antecipadamente para embarcar numa viagem que leva-nos do noise, ao grunge (Gold), passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, à medida que se sucedem canções simples, mas verdadeiramente capazes de empolgar os ouvintes.

E Meatbodies não vive só de guitarras; Basta escutar-se o baixo na já referida Mountain e em Transparent World para se perceber a importância que este instrumento também tem para a exploração de um som alongado, além de ser um factor decisivo para o abraço constante que junta o punk com a psicadelia, de modo a criar uma atmosfera verdadeiramente nostálgica e hipnotizante. As próprias cordas de um violão em Plank e Dark Road fazem desses temas dois instante de audição obrigatória para quem quiser deixar-se absorver pela lisergia de um espaço sideral musical, que oscila, neste caso, entre o rock sinfónico e guitarras elétricas e acústicas experimentais, com travos de krautrock.

Se globalmente há uma forte tendência para a produção lo fi, este trabalho prova que os Meatbodies apreciam uma maior aproximação ao clima natural de quem não receia transitar entre o presente e o passado, através da definição de um som atento às tendências atuais, digitalmente cuidado, mas que também bebe da nostalgia instrumental firmada há três ou quatro décadas. Por exemplo, na sequência Wahoo e Two, e mesmo em Plank, a sonoridade ensolarada da década de sessenta e o rock de garagem dos anos setenta estão por todo o lado, em canções que não ferem os ouvidos mais incautos, mas que não deixam de nos espancar com uma extraordinária sequência de ruídos estrondosos, mas bastante assertivos e inspirados.

Estes Meatbodies querem parecer grandes, nomeadamente quando abraçam a psicadelia e buscam momentos de pura exaltação, em busca de um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa. Meatbodies é um verdadeiro delírio para os apreciadores deste espetro sonoro, um trabalho onde este grupo californiano arremessa e agita a sua insana cartilha, que até inclui detalhes de garage folk e rock blues, fazendo-o com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deles é uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão...

Album-Art-for-Meatbodies-Meatbodies

01. The Archer
02. Disorder
03. Mountain
04. HIM
05. Tremmors
06. Plank
07. Gold
08. Wahoo
09. Two
10. Off
11. Dark Road
12. The Master

 


autor stipe07 às 19:15
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Shy Boys - Shy Boys

Oriundos do estado do Kansas, os norte americanos Shy Boys são Collin Rausch, Kyle Rausch e Konnor Ervin, um trio que surpreendeu em 2013 com Peachy, o disco de estreia. Pouco mais de um ano depois, estão de regresso aos lançamentos discográficos com um trabalho homónimo que viu a luz do dia por intermédio da High Dive Records.

Os Shy Boys servem-se daquela cartilha vintage que alicerça o processo de composição melódica nos primórdios da pop e do surf rock dos anos sessenta, mas que depois vai também beber alguns detalhes e arranjos ao rock alternativo de finais do século passado. É uma receita muito em voga nos dias de hoje e onde, neste caso, também cabe o punk de cariz mais lo fi e a chamada psicadelia. Uma percurssão sóbria e inspirada, teclados, guitarras, baixo e voz, são o arsenal particular destes Shy Boys, onde reina a simplicidade estrutural, algo bem evidente logo na abertura, em Is This What You Are, um dos grandes destaques do disco, um tema que nos remete, no imediato, para essa teia intrincada de influências, incluindo a tal psicadelia.

Se esse arranque é perfeito para balizar a nossa bússola no ideário sonoro que nos espera, todos os contrastes que, de algum modo, descrevem o ideário sonoro deste Shy Boys, encontram-se bem audíveis ao longo do alinhamento; Se Notion entra no nosso ouvido do mesmo modo bizarro que o som de um búzio que resgata para nós o barulho das ondas de uma praia havaina frequentada há meio século pelos The Birds ou os Beach Boys, já um pouco adiante, a banda sonora ideial para um instante cinéfilo western spaghetty é proposto em And I Am Nervous, enquanto Heart Is Mine e Fireworks trazem de volta tudo aquilo que de icónico, sensual e apelativo tem o universo criado em tempos pelos míticos The Velvet Underground. No entanto, um dos temas mais curiosos do disco e que aponta num sentido distinto do restante cardápio é Submarine, um título feliz para uma canção em que, ajudados por um baixo monocórdico, os Shy Boys submergem-nos numa atmosfera nosdisctálgica, hipnotizante e algo claustrufóbica.

As vocalizações de Collin são únicas e particularmente originais. Produzido com o vintage eco lo fi tão em voga atualmente e conduzido por uma percurssão acelerada e distorções de guitarra que vão beber ao cruzamento da surf music com a psicadelia, é um falsete melódico e harmonioso, que se mistura com mestria com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia, delicadeza e melancolia o que perde em alguma distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não deixar de fazer parte do cardápio sonoro dos Shy Boys.

Para quem procura aquela sonoridade indie mais inocente e etérea, que nos recorda aquelas cassetes antigas que temos lá em casa, empoeiradas, cheias de gravações caseiras e lo fi, mas onde não falta uma dose equilibrada de ruído, está aqui uma proposta que certamente irá encher as medidas e que traz-nos à memória aquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primórdios do rock alternativo. Estas dez canções bastante fiáveis estão cheias dessa inocência regada com acne, mas também imploram para serem levadas muito a sério, até porque foram criadas por um grupo que quer muito ser uma referência obrigatória no universo sonoro em que se situa, enquanto espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais experimental, alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Is This Who You Are
Keeps Me On My Toes
Notion
Bully Fight
And I Am Nervous
Heart Is Mine
Postcard
Submarine
Fireworks
Trim


autor stipe07 às 18:16
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The Flaming Lips – Lucy In the Sky With Diamonds (Feat. Miley Cyrus & Moby) (The Beatles Cover)

The Flaming Lips - "Lucy In the Sky With Diamonds" (Feat. Miley Cyrus & Moby) (The Beatles Cover)

Já é conhecido o alinhamento e a lista completa de artistas convidados de With A Little Help From My Fwends, o álbum de tributo dos norte americanos The Flaming Lips ao clássico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, um dos discos fundamentais da carreira dos Beatles.

With A Little Help From My Fwends irá chegar aos escaparates já a vinte e oito de outubro, via Warner Brothers, e um dos destaques é, sem dúvida, a versão da intemporal Lucy In The Sky With Diamonds, que conta com as participações de Moby e Miley Cyrus. O tema pode ser escutado aqui, assim como ser feita a aquisição do álbum.

Confere abaixo a tracklist de With A Little Help From My Fwends e a contribuição dos Electric Würms, outro projeto de Wayne Coyne, a meias com Steven Drozd, para Fixing A Hole.

 

Tracklist de With A Little Help From My Fwends:
01 “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (Feat. My Morning Jacket, Fever the Ghost & J Mascis)
02 “With A Little Help From My Friends” (Feat. Black Pus & Autumn Defense)
03 “Lucy In The Sky With Diamonds” (Feat. Miley Cyrus & Moby)
04 “Getting Better” (Feat. Dr. Dog, Chuck Inglish & Morgan Delt)
05 “Fixing A Hole
06 “She’s Leaving Home” (Feat. Phantogram, Julianna Barwick & Spaceface)
07 “Being For The Benefit Of Mr. Kite!” (Feat. Maynard James Keenan, Puscifer & Sunbears!)
08 “Within You Without You” (Feat. Birdflower & Morgan Delt)
09 “When I’m Sixty-Four” (Feat. Def Rain & Pitchwafuzz)
10 “Lovely Rita” (Feat. Tegan and Sara & Stardeath and White Dwarfs)
11 “Good Morning Good Morning” (Feat. Zorch, Grace Potter & Treasure Mammal)
12 “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)” (Feat. Foxygen & Ben Goldwasser)
13 “A Day In The Life” (Feat. Miley Cyrus & New Fumes)

 


autor stipe07 às 14:11
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Domingo, 12 de Outubro de 2014

Menace Beach - Come On Give Up

Menace Beach - Ratworld

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que irá estrear-se nos discos a dezanove de janeiro do próximo ano com Ratworld, um trabalho com um dos artworks mais insólitos que vi ultimamente e que chegará aos escaparates através da Memphis Industries.

A navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a surf pop e a psicadelia lo fi, os Menace Beach acabam de divulgar Come On Give Up, o single que antecipa Ratworld. Este tema foi disponibilizado para download gratuito. Confere...

 


autor stipe07 às 15:31
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Sábado, 11 de Outubro de 2014

Bike Thief – Stuck In A Dream

Oriundos de Portland, no Oregon, os Bike Thief são Febian Perez, Greg Allen, Patrick White, Steve Skolnik e Thomas Paluck, uma daquelas típicas bandas indie que gostam de se mover por vários terrenos sonoros, fazendo-o com um equilibrio tal que evitam ao máximo decalcar apenas um espetro sonoro, para que a monotonia não se instale e um desses territórios não acabe por se tornar movediço, sugando a banda para um marasmo de onde dificilmente se encontra a saída. Assim, eles percorrem de forma inteligente estilos musicais tão variados como a indie pop, o rock progressivo e até a folk. Além da guitarra, da bateria e do baixo, também usam sintetizadores e instrumentos peculiares como o xilofone e o violino, ou seja, apostam numa conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, o que resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, em canções carregadas de letras que andam quase sempre à volta de histórias sobre personagens peculiares e do universo fantástico, escritas por Febian Perez, dono de uma magnífica voz e aparentemente o lider da trupe.

Stuck In A Dream é um disco recheado de intensidade e de boas canções, com Ghosts Of Providence e Kiss The Light a serem bons exemplos da exuberância e do ritmo forte e alegre que os Bike Thief gostam de imprimir à sua música, sem que isso descure uma atmosfera bastante sentimental e até algo dramática. Se a folk parece querer dominar incialmente temas como We Once Knew Ya, a já referida Kiss The Light ou The Burning Past, neles o violino é rapidamente acompanhado por outros arranjos sintetizados e distorções que engrandecem essas canções e dão-lhes o tal clima de diversidade que os Bike Thief tanto apreciam. Mesmo em Violet Waves e Shimmer, duas canções que abordam essencialmente o indie rock, os Bike Thief fazem-no de formas distintas, com a primeira a ser objeto de um modo luminoso e ligeiro e a segunda a chamar a si um ambiente mais punk e sombrio, com uma abordagem ao rock de um modo mais progressivo e até psicadélico. Esta atmosfera acaba por se alastrar ate ao final, sendo a grande força motriz da magnificiência que percorre os mais de dez minutos do tema homónimo do disco, uma espécie de climax de todo o alinhamento, a bohemian rapsody dos Bike Thief que funciona como se fosse o olho de um furacão para onde convergem todos os temas escutados anteriormente.

Stuck In A Dream é, no fundo, um compêndio de art rock, um disco eloquente, cheio de vida e inspirador para quem gosta daquele rock feito de ambientes sonoros preenchidos e particularmente exóticos. Como podes verfificar abaixo, o disco está disponível no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente. Espero que aprecies a sugestão...

Bike Thief - Stuck In A Dream

01. A Breath
02. Ghosts Of Providence
03. Kiss The Light
04. We Once Knew Ya
05. Somewhere New
06. The Burning Past
07. Violet Waves
08. Tide Of Reason
09. Shimmer
10. Stuck In A Dream



autor stipe07 às 15:24
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Nick Nicely - Space Of A Second

Lançado no passado dia vinte e nove de setembro, através da Lo Recordings, Space Of Sound é o novo compêndio sonoro de Nick Nicely, uma verdadeira caldeirada de pop psicadélica concebida por um músico e produtor que é já um nome lendário da eletrónica britânica, desde que se estreou no início dos anos oitenta com DCT Dreams, um single que, de Neu aos Kraftwerk, olhava já nessa altura e com acerto para o período mais psicotrópico dos Beatles e dos Pink Floyd, quando era Syd Barrett quem ditava as regras.

O primeiro disco chegou apenas em 2004 quando a Tenth Planet Records resolveu compilar uma série de singles que este músico tinha editado de 1978 até esse ano, tendo nascido assim Psychotropia. Com esse longa duração, Nick Nicely aitngiu um maior número de ouvintes e aquilo que era até então um segredo bem guardado da eletrónica de Terras de Sua Majestade, tornou-se num fenómeno à escala global. Não tardaram a surgir colaborações com nomes tão importantes como Ariel Pink ou John Maus e, como a sonoridade que o músico replica está na ordem do dia, tornava-se urgente ele mostrar a sua visão desta tendência atual na pop que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

Space of a Second são então catorze canções que, muitas vezes, são dificeis de serem catalogadas como canções com identidade própria e que obdecem ao habitual formato das mesmas, já que que parecem funcionar como um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, a habitual onda expressiva de Nick relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre o rock sinfónico feito de guitarras experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal e de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros.

A canção que melhor se aproxima do habitual formato e de uma sonoridade indie mais acessível é Longwaytothebeach, um tema que inicia com sons de passos na areia e que depois encontra os alicerces num baixo encorpado, numa bateria cheia de groove e numa guitarra que dispara riffs em várias direções. Mas quer nesta música, quer nas restantes, a voz de Nick aparece sempre num registo modificado sinteticamente e funciona, geralmente, como mais um agregado sonoro que amplia um certo barroquismo lo fi que exala dos temas, do que propriamente com a função explícita de dar vida e som a um poema com uma mensagem clara e entendivel. Se em HeadwindAheadwind parece que o produtor enlouqueceu de vez, Hilly Road é um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a hipnótica Wrottersley Road subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. A referida revisão eufórica que parece orientar o trabalho de Nick atinge o auge quando Space Of A Second desperta-nos para os tais Pink Floyd imaginários e futuristas ao som da sequência London South e Raw Euphoria, e principalmente de Rrainbow, o tema que melhor revive uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há quarenta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação.

Uma das virtudes e encantos de Nick Nicely terá sido sempre essa capacidade de criar tratados sonoros algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre embebidos num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Space Of A Second segue esta permissa temporal, agora num futuro pós apocalítico e coloca o autor no olho do furacão de uma encruzilhada sonora, ao fazer uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos. Este é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante, garanto-vos. Espero que aprecies a sugestão...

1. HeadwindAheadwind
2. Rosemarys Eyes
3. Space Of A Second
4. Wrottersley Road
5. Whirlpool
6. London South
7. Raw Euphoria
8. Change In Charmaine
9. Rrainbow
10. Longwaytothebeach
11. Lobster Dobbs
12. Hilly Fields Acoustic


autor stipe07 às 19:17
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Joel Gion – Apple Bonkers

Joel Gion, conhecido por ser o homem da percurssão e do tamborim nos Brian Jonestown Massacre, acaba de iniciar uma carreira discográfica em nome próprio com Apple Bonkers, uma coleção de dez canções que viu a luz do dia a dezoito de agosto. A propósito do desejo de se estrear numa carreira a solo e numa fase de relativo pousio dos Brian Jonestown Massacre, Joel revela na sua página oficial:

With all the BJM members now living  so spread out across the world, I found myself increasingly missing the album making process. This feeling of disconnect is what kick started me into exploring my own song writing process and turned out to be a hugely important piece of self discovery. No more time for my beloved laziness. So I made my own music with a with bunch of friends in the studio coming and going and having a great time creating. I think a lot of people are going to be surprised by this album

Como se depreende desta declaração, se, por um lado o processo de idealização e criação de Apple Bonkers foi muito espontâneo e partiu, essencialmente, das saudades que o músico já sentia de estar em estúdio, por outro, também se deve ao desejo de Joel em trabalhar com outros músicos seus amigos, com esta sua estreia a contar com as participações especiais de membros dos Dandy Warhols, dos próprios BJM, dos Dead Skeletons, dos Sprindrift e dos The Warlocks.

Com o single Yes a abrir as hostilidades e a assumir-se como grande destaque de Apple Bunkers, o disco é um mergulho profundo no lado mais lisérgico da mente do seu criador. Em vez das esperadas distorções e de um som algo ríspido, encontramos texturas sonoras que se aproximam do shoegaze, uma marca forte na discografia de bandas como os Tame Impala, assim como os TOY, The Horrors, POND, ou os próprios MGMT, grupos que têm aberto uma espécie de caixa de pandora e onde a estética sonora que reinventaram serve de inspiração para novos projetos, como é o caso de Joel Gion, mas onde também podemos arriscar incluir os norte americanos Moon Duo ou os os Wooden Shjips, além dos conterrâneos Black Market Karma.

Neste caldo psicadélico destacam-se os excelentes arranjos de cordas, sendo bom exemplo disso não só o single já citado, mas também Smile, uma canção que mantém a toada anterior. Já Flowers apela a um travo mais ponderado e luminoso, um tema clássico no que diz respeito à conexão feliz entre o fuzz de uma guitarra e a secção rítmica vitaminada que encorpora o rock psicadélico dos anos sessenta. O mesmo sucede com Dart e Sun Structures, canções onde a intimidade centra-se no baixo e na guitarra, feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência daquele rock muito britânico. Mas também há uma viola completamente desligada da corrente, uma outra forma válida para a criação de ambientes psicadélicos, neste caso em Change My Mind, uma das canções mais calmas e bonitas do disco. Já Mirage, com arranjos e efeitos épicos e uma voz etérea conjugada com uma secção rítmica assertiva, é outra canção de audição obrigatória, assim como Radio Silence, um tema que nos remete para o período aúreo do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta e aquele que talvez melhor indique que a bateria é também uma das importantes mais valias deste trabalho, como não podia deixar de ser em Joel. Aliás, quer Radio Silence, quer depois Two Daisies e Sail On são os temas mais volumosos do cardápio de Apple Bonkers e aqueles que viabilizam a condução de um som mais denso, atmosférico e sujo, podendo, quem sabe, apontar caminhos para, no futuro, Joel demandar em busca de diferentes viagens a vários universos sonoros, tendo talvez amanhã o sintetizador como veículo privilegiado dessa demanda por distintos territórios auditivos. 

Apple Bonkers faz-nos, com grande eficácia, um convite para uma viagem no tempo, do passado ao presente, no disco de estreia de um artista que aposta em melodias contagiantes e que parece ser mais experiente do que o tempo de existência do seu projeto a solo, tal é o grau de maturidade que já demonstra neste trabalho. A experiência dos amigos músicos que aparecem no alinhamento também terá sido importante para a materialização desta evidência. Espero que aprecies a sugestão...

Joel Gion - Apple Bonkers

01. Yes
02. Smile
03. Hairy Flowers
04. Dart
05. Change My Mind
06. Mirage
07. Radio Silence
08. Two Daisies
09. Sail On
10. S Bring You Down


autor stipe07 às 22:24
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Germany Germany - Substance

Germany Germany - "Substance"

Oriundos da cidade de Victoria, nos antípodas, os australianos Germany Germany são Graham Keehn, Nathan Willson, Michael Matier e Drew Harris, um quarteto que se prepara para editar um homónimo, já no próximo dia vinte e cinco deste mês.

Substance é o mais recente avanço divulgado de Germany Germany, um título irónico para uma canção que só tem como letra um simples verso que diz I can’t let you go. Seja como for, após várias audições, começa a ser claro que o indie rock de cariz fortemente etéreo e experimental destes Germany Germany é bastante rico e assertivo.

A serenidade do longo instrumental que abre o tema é interrompida por um breve momento de silêncio e este é o ponto fulcral da canção, já que a partir daí somos lançados para diante através de um loop de guitarra e uma batida frenética e fortemente emotiva, enquanto Drew repete até à exaustão a curta mas significativa letra de Substance. Uma viagem musical cósmica imperdível. Lá para o final do mês regressarei a estes Germany Germany, para divulgar o restante conteúdo de um disco que promete. Confere...


autor stipe07 às 13:24
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