Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016

Savages - Adore Life

Quase dois anos depois do estrondoso Silence Yourself, o registo de estreia, editado em maio de 2013 através da Matador Records, as londrinas Savages de Ayşe Hassan, Fay Milton, Gemma Thompson e Jehnny Beth, estão de regresso aos discos à boleia da mesma etiqueta e de punhos cerrados com Adore Life, dez canções escritas pela vocalista Jehnny Beth e que, na sequência do que foi possível apreciar no antecessor, continuam a debruçar-se sobre a intimidade sentimental de Beth, mas de modo a que qualquer comum dos mortais se possa apropriar das suas mágoas e prazeres, transportando-as para o seu próprio ideário sentimental.

Num universo pessoal em constante mutação e que encontra paralelismo nas próprias dinâmicas sociais e no frenesim dos dias de hoje, Adore Life submete-nos a um caos sonoro imponente e ruidoso, mas profundamente nostálgico e reflexivo, principalmente pelo modo como aborda o conceito de mudança e o poder que o amor tem para nos fazer evoluir e até, em casos mais extremos, modificar totalmente o nosso âmago.

O amor tem diferentes armas, com diversos calibres e várias escalas de destruição, mas também o potencial para, se for utilizado com mestria e sinceridade, fazer-nos ver com nitidez aquilo que de melhor guardamos dentro de nós e que podemos oferecer, para que possamos receber em troca semelhante manifestação de entrega. Aqui reside muitas vezes o busílis das relações a dois, na discrepância entre aquilo que se tem para oferecer e realmente se coloca à disposição e depois o grau de expetativa que se coloca do outro lado, não só em relação aos efeitos de tal atitude, mas também, e principalmente, aquilo que se espera em troca. E as Savages exploram até à exaustão e com enorme nitidez e capacidade reflexiva, este ideário, propondo a busca de um difícil mas recompensador equilíbrio, como a fórmula que poderá melhor balançar uma coexistência partilhada.

O verdadeiro amor é, pois então, a solução para a grande parte dos problemas do mundo e de cada um e logo em The Answer, o tema de abertura, essa verdade insofismável fica gravada de modo forte e dinâmico, montada numa variedade de texturas sonoras que entroncam no post punk e em outras sonoridades típicas dos anos oitenta. É um rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o baixo vibrante em perfeita harmonia, conjugada com guitarras carregadas de distorção, que oferecem à canção uma toada psicadélica extraordinária. Depois, enquanto em I Need Something New abordam a necessidade natural de deixar para trás vivências que nos aprosionam, ou em Sad Person exploram os tais conflitos emocionais e, quase no ocaso, em T.I.W.Y.G. (This is what you get when you mess with love), reforçam os aspetos menos coloridos do amor, as Savages arrastam-nos continuamente para um turbilhão de sensações fisicas e emocionais que nem a mais contida Adore, por exemplo, abranda, com aquela contínua sensação de eminente caos e descontrole a nunca deixar de ser uma presença constante e bastante vincada.

Cheio de puzzles e dilemas nem sempre fáceis de destrinçar e visceral no modo como pretende questionar os alicerces da nossa individualidade, Adore Life flagela constantemente o ouvinte com verdades nem sempre fáceis de enfrentar e nada melhor que um som ruidoso, mas fortememente melódico e que se move em diferentes velocidades e ritmos de forma convincente, para reforçar essa mensagem forte e turbulenta. É um trabalho que se apresenta perante quem se presdispõe a deixar-se aprisionar por ele, como um bloco sombrio e único de som, um soco direto que estraçalha os maxilares e os ouvidos de quem chega desprotegido, uma estratégia agressiva desprovida de qualquer proximidade com o comercial e com uma sujidade que aprisiona, numa espécie de relação de amor ódio com as Savage. Espero que aprecies a sugestão...

1. The Answer
2. Evil
3. Sad Person
4. Adore
5. I Need Something New
6. Slowing Down The World
7. When In Love
8. Surrender
9. T.I.W.Y.G.
10. Mechanics


autor stipe07 às 21:20
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
|
Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2016

Coloured Clocks – Particle

Editado hoje mesmo, dia oito de janeiro, e disponível para download no bandcamp da banda, Particle é o novo trabalho dos Coloured Clocks, uma banda australiana que é já presença habitual neste espaço. Com as origens a remontar ao início de 2011, os Coloured Clocks são um projeto musical liderado por James Wallace, um músico australiano natural de Melbourne. Estrearam-se nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final de 2012 deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine e logo depois, em 2014, All Is Round, uma espécie de álbum interativo, que pedia para ser escutado na sequência que entendessemos, já que o início pode ser o fim ou o meio, ou seja, as canções circulavam livremente e isso só não era concreto porque estavam presas à realidade lógica da indispensável sequência numérica do disco.

Particle contém doze canções que se por um lado não defraudam a herança identitária do ideário sonoro que instiga Wallace a compôr, por outro, mostram um autor e um projeto no auge de uma carreira sustentada por um indie progressivo e psicadélico, com fortes reminiscências do rock da década de setenta e sem por de lado o que de melhor se propôe atualmente inspirado nesse universo musical.

Este é um trabalho que deve ser ouvido na íntegra atentamente e apreciado como um todo, apesar de saltar ao ouvido composições como a contemplativa e cósmica The Craziest Street That There Has Ever Been, ou a sedutora Waiting On You, canção que se aconchega nos nossos ouvidos e cola-se à pele com o amparo certo para que se expresse a melíflua melancolia que Wallace certamente quis que deslizasse dela, já que o mistério é, também, um elemento estruturante da filosofia sonora dos Coloured Clocks. Green Lights também merece audição dedicada, devido ao modo como um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas se manifestam com uma mestria instrumental vintage única, mas apostando, também, em mudanças de ritmo e sobreposições com elementos sintéticos, sendo um dos temas onde eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop.

Assim sendo, se gostas de sonoridades cósmicas e psicadélicas tens de reviver esta banda e este disco verdadeiramente épico, com uma estrutura melódica tradicional e com riffs de guitarra luminosos, bem acompanhados pela bateria e por sintetizadores flutuantes e poderosos que nos conduzem a um universo lisérgico e tortuoso, mas cheio de cor, numa espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo. Escrito, produzido, gravado e misturado pelo próprio James Wallace e masterizado por Steve Smart, Particle contém uma aúrea resplandescente e romântica invulgares e espelha uma feliz revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Craziest Street That There Has Ever Been
02. Fly The Bi-Plane
03. Butterflies
04. Green Lights
05. Racing Down The Road
06. Why Weren’t You There?
07. Waiting On You
08. Life Is So Defined
09. Coming Back To You
10. Pop Songs
11. 27
12. The Pattern Particle Set


autor stipe07 às 21:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016

Beliefs – Leaper

Toronto, no Canadá, é o poiso dos Beliefs de Jesse Crowe e Josh Korody, dupla que lançou no passado mês de novembro um compêndio de indie rock absolutamente obrigatório intitulado Leaper, tendo-o feito à boleia da insuspeita Hand Drawn Dracula. É um disco imponente, visionário e empolgante, que assenta no típico indie rock atmosférico, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do shoegaze, da dream pop e do post punk lo fi, a conferirem a estes Beliefs uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum.

Tidal Wave, o contundente tema que abre este disco, é um exemplo corrosivo, hipnótico e contundente da cartilha sonora que os Beliefs guardam na sua bagagem, com o eco da guitarra a assumir, desde logo, um amplo plano de destaque no processo de condução melódica, eficazmente acompanhada por um baixo vigoroso e uma bateria entusiasmante e luminosa. As mudanças de ritmo com que a mesma abastece 1992 e o modo como acompanham o efeito abrasivo da guitarra, ampliam a perceção fortemente experimental e algo soturna, mas intensa e sedutora, de uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Beliefs conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.

À medida que Leaper avança, em composições tão díspares como a etérea Drown ou a caótica e impulsiva Morning Light, torna-se claro que o som destes Beliefs, sendo mais ou menos luminoso, conforme as sensações que cada tema pretende extravasar, é sempre encorpado, decidido e seguro e surpreende o modo como a dupla transforma uma hipotética rispidez visceral em algo de extremamente sedutor e apelativo, com uma naturalidade e espontaneidade curiosas. Depois, escuta-se o rock incisivo de Ghosts e percebe-se não só o modo como o efeito da voz de Jess é um trunfo declarado dos Beliefs, até porque transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína, mas também fica plasmado como determinados arranjos, como aquele que, neste caso, é proporcionado pelo baixo, plasmam com precisão as virtudes técnicas da dupla e o modo como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Na verdade, é impossível, ao longo de todo o alinhamento, ficar indiferente à emotividade que transborda do efeito das guitarras, mas também nos atinge no âmago e de modo contundente o modo como os temas progrides, orientados pela secção percussiva, apoiada numa bateria e num baixo que expandem criatividade e arrojo quase sem limites. Parece, frequentemente, que a dupla foi dominada por uma aúrea psicotrópica lisérgica que lhe tolheu os sentidos, para deixar os instrumentos se expressarem livremente, como é o caso do tema homónimo, numa verdadeira espiral de fuzz rock, rugoso, visceral e psicadélico, cheio de efeitos e flashes, uma ordenada onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que oscila entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock.

Há nestes Beliefs uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos reavivando no ouvinte outros projetos que foram preponderantes nas últimas décadas do século passado e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabús ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Beliefs produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Beliefs - Leaper

01. Tidal Wave
02. 1992
03. Colour Of Your Name
04. Drown
05. Leaper
06. Ghosts
07. Morning Light
08. Go Ahead And Sleep
09. Leave With You
10. Swooner


autor stipe07 às 21:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015

Black Market Karma – The Sixth Time Around

Depois de em 2012 terem editado ComatoseCoccon, e Easy Listening, três álbuns amplamente divulgados em Man On The Moon, os londrinos Black Market Karma, uma banda de rock psicadélico natural de Londres, formada por Stan Belton, Mike Sutton, Sam Thompon Garido, Mat Salerno, Louisa Pili e Tom Parker, voltaram aos discos em janeiro de 2014 com Upside Out Inside Down, mantendo-se assim na rota de um indie rock que aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, de modo simultaneamente denso e dançável, oferecendo-nos consecutivos compêndios de um acid rock psicadélico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

The Sixth Time Around é a nova etapa desta demanda que parece não ter fim, o sexto capítulo de uma saga sonora abrigada à sombra de guitarras distorcidas e carregadas de alucinógeneos, com temas como Jokerjam ou Coming Down And About a revelarem duas faces de uma mesma moeda onde nomes tão consensuais como os vintage The Velvet Underground, Jesus And Mary Chain e Rolling Stones e outros mais contemporâneos, nomeadamente Black Rebel Motorcycle Club, The Horrors e os Brian Jonestown Massacre são eixos sonoros que balizam com precisão um caldeiraã psicadélico que condensa o melhor que há no shoegaze e no rock alternativo, com travos de folk e blues. Letárgico e com as habituais vozes etéreas, linhas de baixo bem vincadas, guitarras salpicadas com camadas de efeitos e distorções planantes e uma bateria cativante, The Sixth Time Around é um compêndio sonoro pleno de personalidade, onde não falta aquela aúrea melodicamente intensa e propositadamente contemplativa que tantas vezes carateriza o trajeto destes Black Market Karma, atraídos por um forte travo setentista que nos permite aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Black Market Karma - The Sixth Time Around

01. The First Time Around
02. Timed Response
03. Coming Down And About
04. The Second Time Around
05. Jokerjam
06. When The Sound Comes Slow
07. The Third Time Around
08. Shakey Greetings
09. Mule Kick
10. The Fourth Time Around
11. Wherever You’d Like
12. At Either End (The Twin)
13. The Fifth Time Around
14. Always Everywhere
15. The Noise in Your Head
16. The Sixth Time Around


autor stipe07 às 19:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015

Cage The Elephant – Tell Me I’m Pretty

Lançado no passado dia dezoito de dezembro pela RCA Records, Tell Me I'm Pretty é o quarto álbum dos norte americanos Cage The Elephant, uma banda formada por Matt Schultz (voz), Brad Schultz (guitarra), Jared Champion (bateria), Daniel Tichenor (baixo) e Lincoln Parish (guitarra) e oriunda de Bowling Green, no Kentucky. Este novo disco dos Cage The Elephant foi produzido por Dan Auerbach e conduz-nos por uma verdadeira  road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose.

Da psicadelia à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Cage The Elephant, que atravessam o momento mais confiante, criativo e luminoso da sua já respeitável carreira. O baixo impetuoso e o riff de guitarra imponente de Dry Baby empurram-nos para um ambiente muito próprio, simultaneamente denso e dançável, em pouco mais de quatro minutos que são um verdadeiro compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Fica dado o mote para um registo com elevado efeito soporífero, mas também acessível e do agrado de um público mais abrangente, como se percebe logo em Mess Around e Sweetie Little Jean, canções que mantêm o fuzz da guitarra da primeira canção, mas onde também sobressai a luminosidade folk de algumas cordas com um espírito particularmente jovem e bastante beliçoso, que nos recordam o período aúreo da pop sessentista. E a verdade é que com estes temas iniciais ficam logo plasmadas as verdadeiras intenções dos Cage The Elephant, que, não caindo na tentação de complicar, mostram-se mais corajosos e abertos a um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, mas que mostra novos atributos e maior competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções.

Disco impregnado de sons hipnóticos e melodias psicadélicas, muito apropriadas para quem é viciado por música e pela capacidade que ela pode ter de provocar reações físicas verdadeiramente psicotrópicas, Tell Me I'm Pretty balança, portanto, entre a típica rugosidade do rock feito sem adereços desnecessários, mas que impressiona pela forma como as cordas são manuseadas e produzidas e a calorosa e acústica pop, misturada com um salutar experimentalismo psicadélico. Se a primeira nuance acaba por fazer também juz ao universo sonoro que mais agrada a Dan Auerbach e que em temas como Too Late To Say Goodbye e That's Right, mas principalmente em Punchin' Bag fica claramente explícito, já o segundo aspeto mais notado neste alinhamento, com pontos altos assentes na luminosidade de Cold Cold Cold, na epicidade e na cândura de Trouble, é aquele que nos oferece maior dose de imprevisibilidade e ineditismo,  várias vezes pensada para fugir aos habituais cânones em termos de formatação sonora.
A minha noção de identidade faz-me desde logo suspeito relativamente à isenção da análise, mas a verdade é que é em Portuguese Knife Fight que acabas por ser sugado para uma espécie de centrifugadora, que mistura alguns dos mais saborosos ingredientes do rock alternativo atual, com um resultado que te faz sentir emoções fortes e verdadeiramente inebriantes, numa canção que é um verdadeiro caldeirão sonoro, onde o experimentalismo dita a sua lei, principalmente nos efeitos e no fuzz que é debitado nas guitarras. E este tema que encerra Tell Me I'm Pretty é um retrato fiel e conciso de uma coleção de temas que nos deixam constantemente à espera que surja nos nosso ouvidos algo de imprevisível e inédito e que contribui para que sejamos definitivamente absorvidos pela mente insana de uma banda sem preocupações estilísticas ou de obediência cega a fronteiras sonoras e que voltou a criar um conjunto de canções plenas de originalidade e com uma elevada bitola qualitativa e que, neste caso, desafiam os hábitos do sentido da audição, enquanto brincam com os nossos sentimentos mais íntimos. Espero que aprecies a sugestão...

Cage The Elephant- Tell Me I'm Pretty

01. Cry Baby
02. Mess Around
03. Sweetie Little Jean
04. Too Late To Say Goodbye
05. Cold Cold Cold
06. Trouble
07. How Are You True
08. That’s Right
09. Punchin’ Bag
10. Portuguese Knife Fight


autor stipe07 às 21:30
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2015

Bed Legs - Vicious

Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo e David Costa são os Bed Legs, uma banda que começou por criar um certo e justificado burburinho à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e que continha cinco canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

Dois anos depois os Bed Legs estão de regresso com o longa duração de estreia. Disco de certo modo concetual já que, de acordo com o press release do lançamento, conta a história de uma noite estranha naquele bar onde entras enganado, mas do qual não queres sair, Black Bottle é o nome desse novo compêndio do grupo, nove canções que, de acordo com Vicious, a primeira amostra divulgada, estão impregnadas com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas onde não faltam arranjos inéditos e uma guitarra nada longe do rock de garagem e daquele blues rock minimal e duro, mas também a piscar o olho a uma salutar vibe psicadélica. Nestes Bed Legs é viva e evidente mais uma prova que se o rock estiver em boas mãos tem capacidade que sobra de renovar-se e quantas vezes for necessário. Brevemente divulgarei a crítica desta certamente espetacular estreia discográfica. Confere...


autor stipe07 às 11:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015

The Orange Revival – Futurecent

Eric, Christian e Andreas são os The Orange Revival, uma banda sueca de indie rock psicadélico, que causou furor em 2011 com Black Smoke Rising, um trabalho que os colocou debaixo dos holofotes mais atentos e que já tem finalmente sucessor. Lançado por inteemédio da Fuzz Club Records, Futurecent é o novo álbum destes The Orange Revival, sete canções que não envergonham a herança sonora que os anos sessenta do século passado nos deixaram, feita com uma elevada dose de hipnotismo, apimentada com uma percussão vibrante, riffs de guitarra abrasivos e cheios de fuzz e teclados plenos de efeitos com elevado teor lisérgico.

Escuta-se Saturation, o tema que abre o alinhamento de Futurecent e percebe-se desde logo o modo como este espetacular tratado sonoro aditivo, rugoso e viciante, nos leva rumo a uma pop psicadélica muito caraterística e que nos é particularmente familiar, não só devido ao solo e ao riff da guitarra, que exibe linhas e timbres muito peculiares, mas também devido ao modo como os restantes instrumentos se vão agregando em seu redor, num saudável experimentalismo que não inibindo os The Orange Revival de serem concisos e diretos no modo como se apresentam, mostra novos atributos e elevada competência relativamente aos procedimentos de separação dos diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância não só a esta mas, como se percebe depois, às restantes canções do disco. Na verdade, a distorção do teclado de Lying In The Sand e a linha de guitarra que o acompanha e a luminosidade das cordas que orientam a planante Setting Sun, são apenas mais dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes deste trio, mas também marcas impressivas de um posicionamento melódico ímpar e que busca a criação de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também acessíveis e do agrado de um público particularmente abrangente. Carolyn é o exemplo maior deste passo em frente relativamente à estreia, uma catarse psicadélica com mais de sete minutos, assente numa linha de guitarra distorcida inspirada, teclas efusivas e alguns detalhes percussivos que nos fazem dançar em altos e baixos divagantes e que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, uma canção onde os The Orange Revival apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferece um verdadeiro compêndio de acid rock, despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Futurecent eleva os seus autores para um patamar superior de qualidade e de inedetismo quando se compara este trabalho com tudo o que apresentaram antes. Proposto por um trio sueco que parece viver numa espécie de hipnose e que se serve desse estado de alma simultaneamente profundo e juvenil para incubar uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose, este é um disco que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, abraça várias vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade criativa, confiante e luminosa que está impressa no adn destes The Orange Revival. Espero que aprecies a sugestão...

The Orange Revival - Futurecent

01. Saturation
02. Lying In The Sand
03. Speed
04. Setting Sun
05. Carolyn
06. 1999
07. All I Need


autor stipe07 às 20:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2015

Violent Mae – Kid

Connecticut e The Outer Banks são as raízes da dupla Becky Kessler e Floyd Kellogg, juntos desde o final de 2013 e a coberto do nome Violent Mae e da The Telegraph Recording Company que acaba de editar Kid, o fabuloso segundo disco de um projeto que se estreou com um também bastante recomendável homónimo, lançado logo no início da carreira.

Antes de nos debruçarmos sobre o conteúdo de Kid, é interessante referir que a intenção inicial destes dois músicos não era formar os Violent Mae. Tudo começou quando Becky convidou Floyd para gravar e produzir o seu disco de estreia a solo, mas a química entre ambos foi tão forte que acabou por ser espontânea a necessidade de ambos em se juntarem num projeto a dois,algo que aconteceu em boa hora.

Tiro certeiro no rumo exato e na direção sonora que esta dupla pretende seguir na sua demanda sonora, muito relacionada com a típica soul de uma américa profunda, com fortes raízes e uma identidade bastante vincada, Kid tem tudo para se tornar numa referência obrigatória no espetro sonoro em que se insere, pelo modo como ao longo do seu alinhamento o reverb e a distorção das guitarras replicam com enorme naturalidade um rock genuino e altivo, que não defraúda a herança que nomes como PJ Harvey, na fase inicial da carreira, ou, mais recentemente, a enorme Cat Power, têm construído com notável precisão e elevada bitola qualitativa.

Do rock direto e conciso de In The Sun, até ao ambiente algo místico e espiritual que serve de base ao código genético do indie rock de cariz mais psicadélico, presente nas guitarra de In My Ring, passando pelo percussiva progressão galopante que nos oferece a cândura de Rob Me Blind, Kid inicia de modo esplendoroso, imbuído com uma contemporaneidade desarmante, ampliada pelo travo retro que exala por todos os poros e prende-nos até ao ocaso de um alinhamento que, independentemente das diferentes nuances que depois adopta, transporta uma identidade rica e um carimbo particularmente impressivo.

Na verdade, esse início prometedor tem sequência e o restante conteúdo contém outros momentos que deixarão certamente uma extraordinária impressão relativamente à banda e, melhor que isso, proporcionam momentos de puro prazer e diversão sonoras, capazes de nos elevar a um patamar superior de emoção, movimento e lisergia. E isso sucede quando em temas mais intimistas e reflexivos como Away e Flame e outros mais experimentais como a primeiro caótica e depois charmosa Murdered Bird, ou a profunda Birthday, os Violent Mae colocam um pouco de lado os tiques estereotipados que sustentam a arquitetura sonora do rock e optam por uma psicadelia fortemente eletrificada, arriscando a busca por um inedetismo que asfalta um caminho que é só deles e diferente de todos os outros que nos podem levar rumo ao mesmo espetro sonoro. Aliás, a nebulosidade corpulenta de Lou1 e o eco estratosférico que levita em redor do caldeirão inebriante que resulta da amálgama de sons que escorrem do arsenal instrumental de Neon Halos, num frenesim visceral algo lascivo, são composições que nos oferecem um ambiente envolvente, quente e assumidamente másculo e direto, mas também intimista e acolhedor.

Verdadeiro tratado de indie rock, pleno de fuzz e reverb, como já foi referido, mas também muito mais rico e abrangente que estas duas permissas, até porque não se confunde com a miríade de propostas semelhantes que atualmente vão surgindo neste género sonoro, Kid só poderia ter germinado num universo muito próprio e certamente acolhedor de uma banda que logo pretende assumir uma posição cimeira à custa de uma sensibilidade melódica invulgarmente eletrificada e que sabe muito bem o caminho que quer continuar a trilhar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Violent Mae - Kid

01. In The Sun
02. In My Ring
03. Rob Me Blind
04. Away
05. IOU1
06. Murdered Bird
07. Kid
08. Flame
09. Intro
10. Neon Halos
11. Birthday


autor stipe07 às 20:47
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 15 de Novembro de 2015

The Brian Jonestown Massacre – Mini Album Thingy Wingy

Os The Brian Jonestown Massacre surgiram em 1990, na Califórnia e são conhecidos pela mistura de psicadelia com o folk. Com um enorme cardápio discográfico já no historial da banda, do qual se destaca, por exemplo, Aufheben, um disco lançado na primavera de 2012 e décimo terceiro álbum de estúdio desta banda de Anton Newcombe, esta é um grupo que coloca em sentido todos os admiradores deste espetro sonoro e sobre o qual se lançam todos os holofotes sempre que dão sinal de vida e ampliam o seu catálogo.

Grvado em Berlim, nos estúdios de Anton e lançado pela A. Records, selo do próprio Newcombe, Mini Album Thingy Wingy é mais um mergulho profundo no lado mais lisérgico da mente do seu criador, o grande líder de uma banda sempre em constante mutação e que conta atualmente no seu alinhamento com os guitarristas Jeff Davies and Peter Hayes, entre outros. Pish, o tema que abre o disco, clarifica o caldo psicadélico em que estes The Brian Jonestown Massacre se movimentam, onde além de guitarras plenas de fuzz e distorções planantes e lisérgicas, também encontramos pandeiretas, uma bateria encorpada e um baixo pleno de personalidade, instrumentos que nos oferecem texturas sonoras que se aproximam do shoegaze, uma marca forte na sonoridade desta banda.

Além do elevado pendor eletrificado das cordas dos The Brian Jonestown Massacre, há uma faceta acústica melodicamente intensa e propositadamente contemplativa na sua música. A viola de Prší Prší e Dust e os instrumentos de sopro que a acompanham, assim como os efeitos do teclado, oferecem-nos um forte travo setentista que nos permitem aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Mas é em Get Some, o destaque maior de Mini Album Thingy Wingy, que fica claramente plasmado o estilo, o método e a obsessão típicas de Newcombe, um dos poucos génios do rock atual e que apenas subsiste num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações, sem nunca deixar de soar tão poderoso, jovial e inventivo como já o fazia há duas décadas. Na verdade, ele reinventa a sua banda em cada novo álbum e deixa sempre claro que é irrepreensível na interpretação das suas influências, que constantemente se renovam e se alteram. Espero que aprecies a sugestão...

The Brian Jonestown Massacre - Mini Album Thingy Wingy

01. Pish
02. Prší Prší
03. Get Some
04. Dust
05. Leave It Alone
06. Mandrake Handshake
07. Here Comes The Waiting For The Sun


autor stipe07 às 19:04
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 5 de Novembro de 2015

Here We Go Magic – Be Small

Vêm de Nova Iorque, são uma das grandes apostas da Secretly Canadian e tocam um indie rock experimental bastante apelativo e rico em detalhes e texturas capazes de nos surpreender em cada audição. Chamam-se Here We Go Magic e estão de regresso aos discos com Be Small, onze canções que viram a luz do dia a quinze de outubro e que caracterizam-se pela subtileza com que este grupo incorpora uma musicalidade prática, concisa e ao mesmo tempo muito mais abrangente, num disco marcado pela proximidade entre as canções, fazendo com que o uso de letras cativantes e de uma instrumentação focada em estruturas técnicas simples, amplie os horizontes e os limites que foram sendo traçados numa carreira com quase uma década e marcada por discos como A Different Ship ou Pigeons, já verdadeiros clássicos da pop experimental.

Se os Here We Go Magic fizeram sempre questão e não se preocupar demasiado em manter o controle quando pisavam um terreno mais experimental e banhado pela psicadelia pop mais ampla e elaborada, principalmente no antecessor A Different Ship, produzido por Nigel Godrich, habitual colaborador dos Radiohead, agora, em Be Small, apresentam um som mais íntimo e resguardado, mas também mais firme e definido e onde cada instrumento parece assumir uma função de controle, nunca se sobrepondo demsiado aos restantes, evitando a todo momento que o disco desande, apesar das cordas e das teclas mostrarem uma constante omnipresença, como é apanágio de um som que se pretende luminoso, atrativo e imponente, sem descurar aquela fragilidade e sensorialidade que no tema homónimo, por exemplo, encanrna um registo ecoante e esvoaçante que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

A nova direção, delicada e ao mesmo tempo mais esculpida e etérea, que a banda assume em Be Small, arranca o máximo de cada componente do projeto. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas, como sucede em Candy Apple ou Stella e se bases suaves sintetizadas, acompanhadas de batidas, cruzam-se com cordas e outros elementos típicos da folk em Girls In The Early Morning ou Ordinary Feeling, já Tokyo London US Korea torna sonoramente bem audível um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzando com um certo minmalismo eletrónico, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento límpido e minimalista, seguindo em ritmo ascendente, mas sempre controlado, até à última canção.

Quanto às letras, parecem ser aquele aspeto do alinhamento, que gozou de uma maior liberdade e indulgência interpretativa. Divididos entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica, os versos parecem dançar de acordo com a música. É como se para cada acorde, uma estrofe específica fosse montada e reaproveitada posteriormente. Tanto a melancólica e já citada Girls In The Morning, como News assumem isso, evitando que o álbum atinja uma proposta excessivamente calculada e linear.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Be Small tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, através de um disco assertivo, onde os Here We Go Magic utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente único e imponente e que obriga a crítica a ficar mais uma vez particularmente atenta a esta nova definição sonora que deambula algures pela big apple. Espero que aprecies a sugestão.

Here We Go Magic - Be Small

01. Intro
02. Stella
03. Be Small
04. Falling
05. Candy Apple
06. Girls In The Early Morning
07. Tokyo London US Korea
08. Wishing Well
09. Ordinary Feeling
10. News
11. Dancing World


autor stipe07 às 21:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Fevereiro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29


posts recentes

Savages - Adore Life

Coloured Clocks – Particl...

Beliefs – Leaper

Black Market Karma – The ...

Cage The Elephant – Tell ...

Bed Legs - Vicious

The Orange Revival – Futu...

Violent Mae – Kid

The Brian Jonestown Massa...

Here We Go Magic – Be Sma...

Alpaca Sports – When You ...

Silversun Pickups – Bette...

Mild High Club – Timeline

Deerhunter - Fading Front...

Glass Vaults – Sojourn

Hatcham Social – The Birt...

The Smoking Trees – TST

Summer Heart – Thinkin Of...

Brave Baby – Electric Fri...

Painted Palms – Horizons

X-Files

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

blogs SAPO

subscrever feeds