Domingo, 5 de Julho de 2015

The Soft Hills – Cle Elum

Depois de Chromatisms e Departure, os norte americanos The Soft Hills de Garrett Hobba estão de regresso com Cle Elum, um novo tomo de canções, que viram a luz do dia a doze de maio por intermédio da Tapete Records.

Um dos projetos mais profícuos dos últimos anos na costa oeste dos Estados Unidos, os The Soft Hills têm em Garrett Hobba a sua grande força motriz e sendo este disco escrito na íntegra e produzido pelo próprio, acaba por ser, naturalmente, um reflexo muito pessoal de um músico sensível e emotivo e dono de uma voz que vinca, com particular ênfase, essas caraterísticas, projetando tudo aquilo que mexe consigo e preenche o seu coração. O orgão minimal e o modo suplicante como Hobba se expressa em Temple of Heavan e, em oposição, a luminosidade da flauta, da viola acústica e das vozes de San Pablo Bay, apresentam-nos, logo na abertua de Cle Elum, a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor da Califórnia, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva de uma Seattle que já foi também poiso do músco .

Mais calmo e acústico que os antecessores, Cle Elum é uma ode explícita à tipica folk norte-americana, com origens e uma matriz singular e um dedilhar de guitarra muito próprio. O modo como alguns efeitos nublosos se misturam com as cordas em My Lucky Pal, por exemplo, contém todos esses genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio. E depois, na simplicidade melódica de temas como Feathers que, com uma simples harmonia e algumas teclas transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprova-se que as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que, ainda por cima, é, como já referi, detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar.

Em suma, num disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Cle Elum

01. Temple Of Heavan
02. San Pablo Bay
03. Gold Leaves
04. My Lucky Pal
05. The Mess You’re In
06. Into The Lately
07. Skeleton Key (Return To The Earth)
08. Feathers
09. Singing A Song Nobody Knows
10. In The Cool Breath Of Morning
11. It’s A Perfect Day
12. Transient Hotels


autor stipe07 às 17:54
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

Gengahr – A Dream Outside

Oriundos de Londres, os britânicos Gengahr são Felix, Danny, John, e Hugh e causaram sensação no meio alternativo local quando em outubro último divulgaram Powder, por intermédio da Transgressive Records, uma canção que os posicionou, desde logo, no universo da indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências óbvias.

Alguns meses depois, os Gengahr desvendaram mais um belíssimo segredo intitulado She's A Witch, através da mesma Transgressive, uma peça musical magistral, assente numa pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como o falsete da voz de Felix se entrelaçava com a melodia nessa canção, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilavam orgulhosas e altivas, mais parecia uma parada de cor, festa e alegria, onde todos os intervenientes comungam mais o privilégio de estarem juntos, do que propriamente celebrarem um agregado de sons no formato canção. E esse é, em suma, o travo geral de A Dream Outside, um titulo feliz e apropriado para a estreia de um quarteto que escreve e canta sobre bruxas, fantasmas e criaturas marinhas que povoam o nosso imaginário na forma de criaturas horripilantes e desprezíveis, mas que retratadas pelos Gengahr quase que poderiam ser o nosso animal de estimação predilecto, numa ode ao fantástico particularmente colorida e deslumbrante.

A música dos Gengahr tem esse poder de nos descolar da realidade, oferecendo-nos, de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro de onze canções fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que, de certo modo, nos ajuda a resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância. À boleia de guitarras plenas de reverb, falsetes sedutores e uma percussão animada e luminosa, canções frenéticas como Embers ou Heroine, outras mais contemplativas como Bathed In Light e Dark Star e ainda outras com abordagens certeiras a um clima pop mais comercial, nos dois temas acima descritos, She's a Witch e Powder, A Dream Outside foi incubado com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita para demonstrar uma formatação já adulta nestes Gengahr, assertivos no modo como reinventaram, reformularam ou simplesmente replicaram o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que se inserem e que fazem da simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos, o seu cavalo de batalha, recortando, picotando e colando o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Gengahr - A Dream Outside

01. Dizzy Ghosts
02. She’s A Witch
03. Heroine
04. Bathed In Light
05. Where I Lie
06. Dark Star
07. Embers
08. Powder
09. Fill My Gums With Blood
10. Loney As A Shark
11. Trampoline


autor stipe07 às 22:43
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2015

Unknown Mortal Orchestra - Multi-Love

Os Unknown Mortal Orchestra vêm da Nova Zelândia e são liderados por Ruban Nielsen, vocalista e compositor, ao qual se juntaram, Jake Portrait e Greg Rogove. II, o segundo álbum da banda, viu a luz há cerca de dois anos e catapultou o projeto para o estrelato, ao reforçar de forma comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B.

No passado dia vinte e seis de maio chegou aos escaparates Multi-Love, o novo disco dos Unknown Mortal Orchestra, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Jagjaguwar e que mantendo o cariz sempre sensivel, profundo e enigmático da escrita de Ruban Nielsen, que exige o prévio conhecimento de contextos e motivações (Nielsen é casado e pai, mas neste momento vive um multi-love já que com ele e a mulher coabita uma rapariga de dezoito anos que o músico conheceu recentemente numa viagem), sonoramente volta a catapultar o grupo, de modo ainda mais abrangente, para uma estética que além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica.

A impressão firme da sonoridade típica dos Unknown Mortal Orchestra está um pouco mais límpida, com o ruído e a estética lo fi a continuarem presentes, mas com as canções a terem um maior volume e densidade e a ser indisfarçavel a busca de melodias agradáveis e marcantes e ricas em detalhes e texturas, sendo Puzzle um bom exemplo das mesmas. Há uma grandiosidade sempre controlada e um maior apelo às pistas de dança que se percebe logo no groove e na riqueza dos arranjos do tema homónimo, que arranca o alinhamento.

Multi-Love flutua, daí em diante, num ambiente próprio, livre de exageros e coerente com a proposta determinada desde a estreia, e que se sustenta, principalmente, na dualidade existente nos laços entre a psicadelia e o R&B. Mas, há uma espécie de contraste sequencial, com outras esferas e o blues negro de The World Is Crowded ou o rock vintage nova iorquino de Like Acid Rain, que exala Prince por todos os poros, são instantes que calcorreiam territórios ainda mais abrangentes, com a banda a pisar universos nostálgicos, cheios de transformações expressivas e onde a relação com os sons marcantes da década de setenta ocupam um lugar fundamental na construção da obra, um trabalho de referências bem estabelecidas. Mas há ainda mais exemplos; Se o teclado e o efeito de Ur Life One Night, por exemplo, pisca o olho à pop e ao discosound da década seguinte, já a guitarra e a percussão de Can't Keep Checking My Phone, canção que satiriza alguns aspetos da sociedade contemporânea e com um travo intenso à melhor tropicália e com um indisfarçável odor a retro, como uma velhas cassete encontrada num sotão em tempo de mudanças.

A conquistarem um número maior de adeptos devido a esta especificidade sonora vintage cada vez mais pop e acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao terceiro tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta, oferecendo aos ouvintes uma viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...

Unknown Mortal Orchestra - Multi-Love

01 Multi-Love
02 Like Acid Rain
03 Ur Life One Night
04 Can’t Keep Checking My Phone
05 Extreme Wealth and Casual Cruelty
06 The World Is Crowded
07 Stage or Screen
08 Necessary Evil
09 Puzzles


autor stipe07 às 18:39
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Sábado, 6 de Junho de 2015

A Place To Bury Strangers - Transfixiation

Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers estão de regresso aos discos com Transfixiation, um trabalho editado a dezassete de fevereiro pela Dead Oceans e que sucede a Worship, um álbum lançado em 2012 e que, tal como este novo registo, explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze.

Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Supermaster, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e a percussão inebriante do noise rock de Straight, reproduzida por Robi Gonzalez e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.

O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, está no modo como os A Place To Bury Strangers escapam a todas categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarcam num enorme armário que, tendo tanto de caótico como de hermético, não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Há um forte sentido melódico na distorção da guitarra em Love High e no punk de What We Don't See, assim como um ambiente psicadélico em We've Come So Far que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver Ackerman, em Deeper, possa distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem, frequentemente, de elo de ligação entre os temas, Transfixiation avança com o ambiente a tornar-se cada vez mais rugoso, ao mesmo tempo que o ritmo da bateria abranda, com o instrumental Lower Zone, a dividir, de certo modo, o disco em duas partes distintas, no modo como parece agregar um emaranhado de melodias que, por si só, parecem temas distintos, enquanto faz a súmula de todo o conteúdo do alinhamento.

A já citada We've Come So Far, acaba por colocar tudo no devido lugar e se Fill The Void tem o típico clima de ocaso, é ao quase instrumental I Will Die que cabe a tarefa de encerrar uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva do trio, à boleia de algumas frases soltas e curiosos efeitos, que termina um disco pleno de ruido, espasmos de guitarra funk, ruído, contaminação cruzada de microfones e odes ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...

1. Supermaster
2. Straight
3. Love High
4. What We Don’t See
5. Deeper
6. Lower Zone
7. We’ve Come So Far
8. Now It’s Over
9. I’m So Clean
10. Fill The Void
11. I Will Die


autor stipe07 às 23:20
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2015

Pfarmers – Gunnera

Nome de planta gigante que abunda, por exemplo, nas margens do biblíco Rio Jordão e que se tornou personagem principal de um sonho que invadiu em tempos o descanso sagrado de Danny Seim (Menomena e Lackthereof), Gunnera é o trabalho de estreia do super projeto Pfarmers, que além desse músico conta também com Bryan Devendorf (The National) e Dave Nelson (David Byrne, St. Vincent, Sufjan Stevens).

Apesar da enorme notoriedade dos seus membros, Gunnera não soa a nada do que tenham produzido antes nos projetos de origem. Benthos, o tema de abertura de Gunnera, é uma longa composição instrumental de cariz fortemente ambiental, sustentada por várias camadas de sopros sintetizados e lança o disco numa espiral pop onde não falta o marcante estilo percurssivo de Devendorf, ou algum do cardápio de efeitos que Danny apresentou nos Lackthereof, mas onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso. A voz grave de Seim é outro atributo fundamental para a criação de um som profundo, assim como o seu baixo pleno de groove.

You Shall Know The Spirit lança-nos definitivamente no universo fortemente cinematográfico e imersivo destes Pfarmers, que parecem tocar submergidos num mundo subterrâneo de onde debitam música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exalam desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar estas sete músicas que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. No caso deste tema, apresentam-nos um som esculpido e complexo, onde é forte a dinâmica entre os sopros e o baixo, num encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. A mesma receita, mas de modo ainda mais grandioso e hipnótico repete-se em How To Build A Tube, canção que impressiona pela grandiosidade, patente nos samples, nos teclados e nos sintetizadores inebriantes, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Mais um bom exemplo de uma banda capaz de ser genuína no modo como manipula o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Os feitos que borbulham de Work For Me, uma canção onde os flashes metálicos projetados em várias direções e a percussão inebriante e irregular criam um cenário idílico para os apreciadores do punk blues mais enérgico e libertário, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons das guitarras e do baixo que dão vida a El Dorado e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos dos sopros e dos flashes sintetizados que nos fazem levitar no single The Ol' river Gang, justificam, sem qualquer sombra de dúvida, a atribuição de um claro nível de excelência aos diferentes fragmentos que os Pfarmers convocaram nos vários universos sonoros que os rodeiam e que da eletrónica, à folk, passando pela pop e o rock progressivo criam uma relação simbiótica bastante sedutora, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras que podem muito bem servir de referência para projetos futuros.

Gunnera termina com Promised Land, um ribeiro sonoro por onde confluem vários sons da mais diversa estirpe e de diferentes proveniências, mas todos cheios de vida e prestes a desaguar na Terra Prometida idealizada pelos Pfarmers. Aí são arremessadas para longe todas aquelas manhãs dominadas pelo nevoeiro e pelo frio intenso, que parecem muitas delas ter vindo do tal universo submerso, escuro e entalhado quase no ventre da terra mãe, para se passar a viver rodeados de sons fortemente apelativos e luminosos, sendo Gunnera a banda sonora perfeita desse território tremendamente sensorial, feita com uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante. Para chegarem a este resultado único, os Gunnera não recearam entregar-se de corpo e alma ao instrumentos que mais apreciam mas também ao mundo das máquinas, numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, acabando cada um dos músicos por ser aquele detalhe orgânico que dá alma a todas as ligações de fios e transístores que tiveram que criar nestas sete canções e que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de cada um deles. Espero que aprecies a sugestão...

Pfarmers - Gunnera

01. Benthos
02. You Shall Know The Spirit
03. Work For Me
04. El Dorado
05. The Ol’ River Gang
06. How To Build A Tube
07. Promised Land


autor stipe07 às 22:09
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Terça-feira, 26 de Maio de 2015

Landfork - Koreatown Station

A viver atualmente em Calgary, no Canadá, Jon Gant é Landfork, uma espécie de alter-ego de um músico que tem na chamada synth pop uma grande paixão. Por isso, a sonoridade do projeto assenta num forte predomínio da eletrónica e dos sintetizadores. Descobri-o quando editou em agosto de 2013 Nights At The Kashmir Burlesk, um trabalho que sucedeu a Tiománaí, o disco de estreia do projeto, editado em outubro de 2011. No passado dia oito de julho de 2014 Landfork editou Trust, o seu terceiro álbum e já está de volta com Koreatown Station, o quarto tomo de uma exemplar carrreira discográfica onde a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop há uns trinta anos atrás, são reis e senhores do respetivo conteúdo.

Parece fácil vislumbrar o período aúreo da synth pop dos anos oitenta à boleia da aúrea nostálgica que circunda a música de Landfork. Basta escutar-se a toada épica e reconfortante de Wild Love ou o charme de Staring At The Movie, para se perceber o modo como o autor se movimenta confortavelmente pelos meandros da pop mais introspetiva, mas a percussão frenética da bateria, o efeito em eco da voz e os flashes sintetizados de California Gold ou o sintetizador rugoso de Running Wild, continuando a replicar com enorme bom gosto os traços identitários e mais melancólicos da pop de cariz eminentemente eletrónico, também mostram vigor e um interessante apelo às pistas de dança, não faltando aqui material sonoro capaz de nos fazer abanar a anca. 

Koreatown Station acaba por viver da busca de equilibrio entre estes dois pólos previsivelmente opostos, com o núcleo duro do trabalho a ser um enorme oceano de sons e ecos que nos convidam à auto análise interior, mas que também não descuram a busca de sons de outras latitudes mais quentes. O processo de composição melódica acaba por se sustentar tendo os teclados como maiores protagonistas, em redor dos quais foram surgindo diferentes efeitos e arranjos, muitas vezes dominados por cordas e por uma percussão bastante inspirada.

Com a espiral sintetizada e o baixo de Can't Stop a piscarem já o olho a alguns dos traços identitários da génese do punk rock mais sombrio e o tema homónimo a espreitar ambientes mais progressivos e pesados, o groove e a natureza contagiante do arsenal instrumental de Grey Bandana acaba por funcionar como uma súmula deste agregado de tendências, quer rítmicas, quer melódicas que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, feitas por um artista que além de tocar todos os instrumentos de base, também manuseiam o sintetizador.

Afundado num colchão de sons eletrónicos e que satirizam de certa forma a eletrónica retro, feita com VHS, Landfork leva-nos num passeio divertido, mas também introspetivo, cheio de charme e bom gosto por uma década ímpar no cenário musical conjugando e recriando com distinção o que de melhor foi feito numa época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo. Mas em abono da verdade, também fará algum sentido afirmar que poderão estar aqui algumas pistas interessantes sobre o próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:15
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2015

Thee Oh Sees - Mutilator Defeated At Last

Viu a luz do dia a dezoito de maio, através da Castle Face, a editora do prório John Dwyer, Mutilator Defeated At Last, o nono álbum da carreira dos norte americanos Thee Oh Sees, que são liderados por este músico e ao qual se juntam ataulmente Tim Hellman (baixo), Nick Murray (bateria), Brigid Dawson (teclados) e Chris Woodhouse (enginheiro de som). Este é um regresso aos lançamentos discográficos que se saúda desta banda californiana que tem impressionado pelo modo como sugere uma sonoridade que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, num incómodo sadio que já não nos deixa duvidar acerca do ADN destes Thee Oh Sees, que também sabem surpreender quando adicionam belíssimos arranjos orquestrais, onde não faltaram, nomeadamente em Drop (2014), o antecessor, inéditos instrumentos de sopro.

Com a guitarra eletrificada debaixo do braço e o garage rock a escorrer por veias salutarmente contaminadas por um vírus lisérgico que o atrai compulsivamente ao universo da psicadelia, John Dwier é já uma referência obrigatória do bem sucedido cenário indie norte americano, de mãos dadas com Ty Segall ou Mikal Cronin, outros exemplos, ainda que com abordagens díspares, desta fixação pela criação de canções simples mas empolgantes e a transbordar de fuzz e de distorção, numa viagem que leva-nos do noise, ao grunge, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa.

Mutilator Defeated At Last é mais um capítulo bem sucedido desta saga que, no caso dos Thee Oh Sees e, diga-se em abono da verdade, também no de Ty Segall, se mostra bastante profícua, com a edição, em média, de um disco por ano. E esta elevada bitola qualitativa sobrevive à custa do modo astuto como o grupo continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos que, quer se prolonguem por músicas completas, ou por instantes das composições, têm sempre uma forte vertente hipnótica e uma ilimitada ousadia visceral.

Os Thee Oh Sees sabem quais são os seus pontos fortes e exploram-nos até à exaustão e de modo cada vez mais ousado e tecincamente perfeito; Logo no ritmo frenético de Web, passando pela enraivecida e emotiva toada de Whitered Hand ou a atrrebatadora intensidade de Lupine Ossuary, torna-se claro que a guitarra de John Dwier está mais solta, viva e criativa do que nunca e os músicos que o acompanham vivem no auge do seu virtuosismo interpretativo e no modo como o colocam ao serviço deste abraço constante que junta o punk com a psicadelia, de modo a criar uma atmosfera verdadeiramente hipnotizante.

A voz sempre aguda e nem sempre percetível de Dwier surge, neste disco, mais bem acompanhada pelos sintetizadores do que em qualquer registo anterior, numa exploração de novas tendências paricularmente feliz e estes dois aspetos assim como o modo como o baixo surge com um maior protagonismo no sustento melódico e a bateria plasma um inédito sentido de urgência, como é o caso de Whitered Hand, comprovam esse auge progressivo do grupo, sempre com o blues ali ao virar da esquina, que o frenesim punk de Rogue Planet e Turned Out Light, a contundente Pour Queen e um caldeirão sonoro chamado Lupine Ossuary, também carimbam. Mesmo os orgãos de Sticky Hulks ou o dedilhar acústico das cordas em Holy Smoke não destoam da toada geral de Mutilator Defeated At Last, nem colocam em causa a centelha que guia e ilumina o ritmo empolgante do disco. 

Escuta-se Mutilator Defeated At Last e a sensação que fica é que os The Oh Sees atravessaram novamente as barreiras do tempo até há umas décadas atrás mas, ao mesmo tempo, mantêm-se joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo mantém intata a sua insana cartilha de garage folk e rock blues com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deste grupo é, cada vez mais, uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão... 

Web
Withered Hand
Poor Queen
Turned Out Light
Lupine Ossuary
Sticky Hulks
Holy Smoke
Rogue Planet
Palace Doctor


autor stipe07 às 23:01
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

They Might Be Giants – Glean

Lançado no passado dia vinte e um de abril por intermédio da Idlewild/Lojinx, Glean é, imagine-se, o décimo sétimo álbum da carreira dos They Might Be Giants, uma mítica banda norte americana, oriunda da big apple e atualmente formada por John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller. Este disco tem a particularidade de ter no seu alinhamento vários temas que se inserem numa iniciativa da banda chamada Dial-A-Song Project, que teve início já na decada de oitenta e terminou em 2008, sobrevivendo apenas na internet. Este recurso permite ligarmos para um número de telefone que nos oferece a audição de um tema da banda com Glean e conter uma base de canções regularmente partilhadas com os visitantes.

Com quinze canções que se estendem por pouco mais de meia hora, Glean é um exercício poético de muitos contrastes, um pouco à imagem do indefinível e sedutor vídeo da canção de End of the Rope e impressiona pela viagem divertida e ligeira que oferece ao ouvinte, até um amplo espetro sonoro que se estende entre a pop luminosa da Answer, ou a mais lamechas de Madam, I Challenge You To A Duel e o rock alternativo de I Can Help The Next In Line, sem descurar alguns aspetos essenciais do punk rock, claramente esplanados em Erase, mas também daquela folk blues sulista que Good To Be Alive replica com um acerto e uma luminosidade invulgares. E, qual cereja no topo do bolo desta alegoria pop, também não falta um trajeto curioso de cariz mais eletrónico, patente em All The Lazy Boyfriends e Unpronounceable.

Mas do frenesim rock de Aaa, à psicadelia de I'm a Coward, passando pelo rock mais progressivo de Underwater Woman, não faltam outros piscares de olho a toda a herança não só da própria banda como da história do rock nas últimas décadas, havendo até espaço para uma interessante referência à música francesa dos anos vinte em Let Me Tell You About My Operation, com o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. Estas sonoridades mais clássicas não se esgotam nesse instante, podendo ser novamente conferidas não só no mirabolante tema homónimo, mas principalmente, no modo como o jazz e o blues se fundem à boleia da dança que o piano, o trompete e a bateria estabelecem em Music Jail, Pt. 1 And 2.

Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas duas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras. Glean é mais uma prova concerta da excentricidade deste grupo, da rara graça como combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história contemporânea do rock alternativo. Os They Might Be Giants não perderam a capacidade de escrever belas canções no universo das coisas estranhas que fazem apenas parte do mundo da dupla que lidera o grupo e demonstram essa virtude de modo cativante e com uma salutar criatividade e elevada imaginação. Espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - Glean

01. Erase
02. Good To Be Alive
03. Underwater Woman
04. Music Jail, Pt. 1 And 2
05. Answer
06. I Can Help The Next In Line
07. Madam, I Challenge You To A Duel
08. End Of The Rope
09. All The Lazy Boyfriends
10. Unpronounceable
11. Hate The Villanelle
12. I’m A Coward
13. Aaa
14. Let Me Tell You About My Operation
15. Glean


autor stipe07 às 22:28
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2015

Surfer Blood - 1000 Palms

Os Surfer Blood são uma banda de surf rock natural de West Palm Beach, na Flórida, formada por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Thom Fekete e Kevin Williams. Impressionaram esta publicação há cerca de dois anos com Pythons, o segundo longa duração do grupo. No passado dia doze chegou aos escaparates 1000 Palms, o sucessor de Pythons, uma nova coleção de canções destes Surfer Blood sedentos e claramente felizes no modo como piscam o olho a espetros sonoros tão variados como a surf music ou o rock alternativo dos anos noventa, fazendo-o com uma particular relevância comercial que tem aproximado o quarteto de um número cada vez maior de ouvintes. Na verdade, logo desde o início de 1000 Palms, da toada inicialmente sombria mas depois fortemente orquestral de Grand Inquisitor à nostalgia ensolarada de Island, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em I Can't Explain, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários.

Além desta ampla miríade de influências que fundamentam o seu cardápio sonoro, um dos grandes trunfos destes Surfer Blood é, sem sombra de dúvida, a voz de John Pitts, um importante factor para essa aproximação com o ouvinte já que, melodicamente, decide a maioria dos rumos sonoros que as diferentes canções têm, mesmo que abundem várias camadas de distorção nos alicerces das mesmas. Seja como for e apesar da tal importância da voz, as guitarras são um dos principais atributos de 1000 Palms e imprescindíveis para o seu dinamismo. Tocadas por Thom Fekete e pelo também vocalista John Paul Pitts, são extremamente criativas e dão-nos melodias únicas, com destaque para Sabre-Tooth And Bone e a já citada I Can't Explain; Se a primeira dissolve-se uniformemente em acordes muito precisos, mesmo que os efeitos alternem entre o rugoso e o luminoso, a segunda cresce num solo que nos leva, ainda que levemente, até à psicadelia, conferindo a tal toada progressiva referida. Já Covered Wagons conduz o registo das cordas para uma toada mais pop e os vários blocos de distorção de Dorian aproximam claramente o quarteto da essência de Slow Six, o primeiro disco e claramente o mais cru ate à data.

Novamente afastados de grandes editoras e de regresso ao circuito comercial independente depois de terem editado Pythons à sombra da Warner Bros. e, talvez por isso, libertos de algumas amarras editoriais, os Surfer Blood continuam na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcada por uma angústia quase inofensiva, onde não faltam momentos altos e, como mostra, por exemplo, Other Desert Cities, instantes de notável esplendor e júbilo. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - 1000 Palms

01. Grand Inquisitor
02. Island
03. I Can’t Explain
04. Feast/Famine
05. Point Of No Return
06. Sabre-Tooth And Bone
07. Covered Wagons
08. Dorian
09. Into Catacombs
10. Other Desert Cities
11. NW Passage


autor stipe07 às 21:45
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

Tame Impala – Eventually

Tame Impala - Eventually

Os australianos Tame Impala de Kevin Parker continuam a divulgar a um ritmo frenético mais avanços para Currents, o sucessor de Lonerism, um novo trabalho que vai ver a luz do dia ainda em 2015.

Eventually é o novo tema divulgado, uma canção que sonoramente confirma uns Tame Impala menos dependentes das guitarras e a chamarem os sintetizadores para plano de maior destaque, mas sem deixarem de lado a sua típica groove viajante, mantendo-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Desta vez fazem-no com uma toada mais épica, experimental e progressiva, numa canção dominada por um sintetizador imponente, um registo vocal em eco e um orquestral bastante encorpado, mas cheio de pequenos detalhes deliciosos.

Além de encontrarmos Currents nas lojas em breve, será possível também ver os Tame Impala em Portugal este ano, pois já estão confirmados no Festival Vodafone Paredes de Coura. Confere...

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autor stipe07 às 17:26
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