Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

ScotDrakula - Burner & Break Me Up EP

Os ScotDrakula são Matt Neumann (guitarra, voz), Evianne Camille (bateria, voz) e Dove Bailey (baixo, voz), três jovens músicos australianos, oriundos de Melbourne, que gostam de misturar cerveja com o rock de garagem e darem assim asas à devoção que sentem pela música e pela cultura punk. No passado dia dezasseis foi disponibilizado fisicamente, em formato cassete e num único exemplar, Burner, o novo disco do grupo, no lado a, assim como um EP intitulado Break Me Up, no lado b, com a edição a poder ser encomendada através da insuspeita e espetacular Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Para ouvir e apreciar os ScotDrakula é necessário ter fé, sentir a luz do alto e ter a mente aberta e livre de qualquer ideia pré concebida relativamente a um hipotético encontro imediato com canções detentoras de artifícios sonoros intrincados e alicerçados numa receita demasiado complexa. Percebe-se, logo que inicia a audição, que da percussão vibrante de Ain't Scared ao baixo de Burner!, passando pela distorção que orienta Little Jesus, um tema clássico no que diz respeito à conexão feliz entre o fuzz de uma guitarra e a secção rítmica vitaminada que encorpora o rock psicadélico dos anos sessenta, estes nove temas são, apenas e só, mais uma excelente porta de entrada para um universo sonoro feito com guitarras carregadas de fuzz, uma percussão vibrante e ritmada e uma postura vocal jovial e com um encanto lo fi que inicialmente se estranha, mas que depois, rapidamente se entranha.

A maior parte destas canções vive da intimidade psicadélica que se estabelece no baixo e na guitarra, uma conexão algumas vezes com uma toada visceral algo sensual, como se percebe na crueza vintage de Doors & Fours e de Dynopsykism, mas feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência de um rock que nos convida para uma viagem no tempo, do passado ao presente, através de uma banda contagiante e que parece ser mais experiente do que o seu tempo de existência, tal é o grau de maturidade que já demonstra. O hipnotismo desenfrado que se pode conferir em CrazyGoNuts é uma autêntica ode à revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock clássico que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Burner & Break Me Up tem uma forte ligação com o passado e se tivermos a capacidade de confiar nestes ScotDrakula e deixarmos que eles nos mostrem que são também o caminho, a verdade e a vida, conseguimos facilmente viajar e delirar ao som das suas canções. Apreciar o verdadeiro rock clássico é também uma questão de fé e este trio australiano sabe o caminho certo para nos guiar até uma feliz, renovada e efetiva conversão. Espero que aprecies a sugestão.


autor stipe07 às 18:28
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

Mile Me Deaf - Holography

Oriundos de Viena, os austríacos Mile Me Deaf regressaram em 2014 aos discos com Holography, um trabalho que viu a luz do dia no início de maio e que podes escutar no bandcamp do grupo, onde está igualmente disponível toda a sua discografia, podendo ser adquirido através da Siluh Records.

Um músico chamado Wolfgang Möstl é o lider destes Mile Me Deaf, sendo ele quem escreve e compôe a maioria das canções. No entanto, não se trata propriamente de um projeto a solo até porque ao vivo os Mile Me Deaf apresentam-se como um conjunto coeso, com vários músicos e que não sofre grandes alterações desde 2008, ano em que se estrearam nos lançamentos.

Quanto à música e a este disco em particular, os Mile Me Deaf são exemplares no modo como sugerem um rock de garagem, cru e lo fi, exemplarmente replicado em canções como Science Fiction, o sensual rock de cabaret de True Blood, o grunge de Cryptic Boredom Rites e em Out Of Breath At Ego Death, este último um tema algo inédito no alinhamento já que nele coexiste uma relação frutuosa entre a distorção da guitarra e da voz, com uma bateria acelerada, algo que remete a canção para o experimentalismo punk, que se estende para Domestics, no caso da voz e também para o fuzz psicadélico de Motor Down, plasmado na relação progressiva que, neste caso, se estabelece entre o baixo e a bateria.

No entanto, os Mile Me Deaf também não descuram paisagens sonoras mais amenas, com a indie pop descomprometida que temas como o single Artificial ou a divertida War Bonding, claramente comprovam. A primeira é um dos grandes destaques de Holography, uma canção com uma tonalidade muito vincada e onde Wolfgang consegue, através da voz, envolver-nos numa elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.

Holography são doze canções onde a herança dos anos oitenta e do rock alternativo da década seguinte estão bastante presente e com o processo de construção melódica a não descurar uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica, o que só abona a favor deste projeto austríaco que contém uma forte componente nostálgica, mas também algo descomprometida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:12
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

Canopies - Maximize Your Faith

Foi a nove de dezembro, através da Forged Artifacts, que chegou aos escaparates Maximize Your Faith, o primeiro longa duração dos norte americanos Canopies, um coletivo do Milwaukee, no Wisconsin, que se estreou em maio de 2011 com um EP homónimo e que constrói paisagens sonoras verdadeiramente deslumbrantes, sempre com a synth pop e uma elevada dose de psicadelia a orientarem o processo de composição.

Assim que foi divulgado Choose Your Own Adventure, o primeiro avanço para Maximize Your Faith, uma canção que vive de uma linha de guitarra inebriante e à volta da qual borbulham detalhes e efeitos inspirados, percebeu-se, desde logo, que estes Canopies orbitram em redor do indie rock de cariz mais melódico e que aposta no revivalismo de outras épocas. Este é o código genético de uma banda fiel aos princípios que estiveram na génese da sua formação e Maximize Your Faith tresanda essa honestidade desde o início, como se percebe na toada épica e luminosa de Getting Older, ampliada por um sintetizador que conduz a canção e impregnado com uma forte componente vintage.

Como se percebe, logo a seguir, na dança que se estabelece entre a guitarra e os teclados de New Memories, ou, mais adiante, nos efeitos do teclado que borbulham em The Year Of Jubilee, o disco também exala uma apreciável veia experimentalista, com a adição destes detalhes que vão sendo disparados ao longo das canções e fazerem balançá-las entre o indie rock luminoso e épico e aquela toada mais sensível e sombria, que o rock alternativo dos anos oitenta ajudou a disseminar e que as guitarras e a percurssão do baixo e da bateria de The Plunderers And The Pillagers ou de Enter Pure / Exit Pure também replicam, revisitam e resumem.

A voz parece ser um trunfo importante para os Canopies, já que não descola de um elevado e constante grau de emotividade que é colocada na interpretação que, ao longo do disco, evidencia uma elevada elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um significativo plano de destaque.

Recheado de sensações positivas, plasmadas em temas expansivos e, ao mesmo tempo, imbuídas por um forte caráter intimista, Maximize Your Faith são dez canções dominadas pelo rock festivo e solarengo, mas onde a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduzem, quase sempre, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona pelo charme vintage. Os riffs de guitarra harmoniosos e a percurssão vincada de temas como Sparkle And Hum e Miss You Now, além de outros já citados, abrem-nos uma janela imensa de luz e cor e convidam-nos a espreitar para um mundo envolvido por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial, que está sempre presente durante os cerca de quarenta minutos que dura o disco. Espero que aprecies a sugestão...

Canopies - Maximize Our Faith

01. Getting Older
02. New Memories
03. The Plunderers And The Pillagers
04. Enter Pure / Exit Pure
05. Miss You Now
06. Choose Yer Own Adventure
07. The Year Of Jubilee
08. Sparkle And Hum
09. All That’s Left Is All We Need
10. Deliverance


autor stipe07 às 14:15
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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2014

Le Rug - Swelling (My Own Worst Anime)

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records, um nome importante do cenário indie punk local e que integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf, Rasputin's Secret Police ou Medics. A banda Le Rug é a sua nova aposta e Press Start (The Collection) a primeira coleção de canções que apresentou ao mundo, no passado dia dezassete de junho, por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Apesar deste novo projeto chamado Le Rug, Weiss tem tido um ano de 2014 complicado; Os Butter the Children separaram-se, o músico viu-se igualmente confrontado com o fim de uma relação amorosa, a luta permanente contra os sintomas de bipolaridade que sofre, algumas tendências suicidas e, finalmente, a solidão. Todos estes contratempos não afetaram a enorme veia criativa do músico que passou uma temporada por Banguecoque, na Tailândia, onde acabou por compôr algumas canções. Por isso, os Le Rug, que também vão terminar a carreira em breve, segundo o que afirma Weiss, já têm pronto o seu segundo e último disco, o sucessor de Press Start (The Collection).

O novo trabalho dos Le Rug chama-se Swelling (My Own Worst Anime), foi editado em formato digital e cassete a dois de dezembro, podendo ser já encomendado através da editora. Este é um álbum que gira em redor de conceitos tão sombrios como a morte, o cinismo e as separações amorosas. Dudley foi o primeiro avanço divulgado do disco, tendo sido também tornado público o respetivo video, que foi gravado em Banguecoque e realizado por Gary Boyle. Entretanto, a pouco mais de uma semana do lançamento do álbum, Le Rug tinha apresentado mais duas canções do alinhamento, Dipshit e Birth Control, que confirmaram as expetativas anteriores. Se a frenética Dipshit é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca e o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante, já Birth Control dá vida ao tal desejo do músico de dizer adeus a uma vida que ultimamente lhe tem sido madrastra (I believe in birth control because the world is already full and everyone wants to die).

Disponivel para audição gratuita, Swelling (My Own Worst Anime), usa e abusa da simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico. O alinhamento está recheado com uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. São onze canções com um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar de alguns momentos mais contemplativos e intrincados, como What's Best For Glenn e da especificidade rugosa do som que carateriza Le Rug, notavelmente expresso, por exemplo, no experimentalismo progressivo de Hotline e Optional Discharge.

Portentosa e assente nos já habituais riffs da guitarra que vincam o ADN de Weiss, esta amálgama sonora, que inicialmente se estranha e depois entranha-se rapidamente, sobrevive muito bem a audições repetidas, incita várias reações físicas e prende o nosso ouvido a algo incomum mas visceralmente sedutor. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:33
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Domingo, 14 de Dezembro de 2014

Dirt Dress - Revelations EP

Ativos desde 2007, ano em que se estrearam com o EP Theme Songs, os norte americanos Dirt Dress vêm de Los Angeles, na Califórnia e têm no indie rock a sua força motriz, uma sonoridade que não é inédita, mas que, neste caso, é feita com enorme originalidade, já que o grupo tem uma forma muito própria de conjugar a guitarra com os sintetizadores, como ficou particularmente explícito em Donde La Vida No Vale Nada, o último trabalho do trio, editado em novembro de 2012. Agora, estão de regresso com mais quatro canções, ensacadas num EP intitulado Revelations, que viu a luz do dia a dezoito de novembro, por intermédio da Future Gods.

Twelve Pictures foi o primeiro tema do EP divulgado pelos Dirt Dress e logo aí percebeu-se que vivem muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte. O breve interlúdio feito com um saxofone, as guitarras e a voz, levam-nos de volta aos primórdios do punk de cariz mais lo fi, em plena década de setenta e onde não falta aquele travo do surf pop psicadélico, numa canção que também comprova o elevado grau de emotividade e de impressionismo que o projeto coloca nas suas letras (I’ve cut myself so deep I’ve seen my muscles bleed).

O clássico rock sombrio e visceral, misturado com o punk e o surf rock mais obscuro, são, portanto, o grande referencial sonoro do grupo, mas também a pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta. Assim, a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza, são amenizadas por um grande cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas e por uma utilização assertiva do sintetizador.

Além de Twelve Pictures, temas como Skin Diving e, principalmente, Silk Flowers, plasmam um superior cuidado não só na procura de uma diversidade melódica e até instrumental, mas também na demonstração de controle das operações, mas sem deixar que isso ofusque o charme exalado pelo universo cinzento e nublado que cobre a mente criativa do coletivo. Isso também é conseguido no modo como as canções aconchegam a voz, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que lhe dá uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica.

Interessantes no modo como dissecam uma já clássica relação estreita entre o rock de garagem, a pop lo fi e o punk psicadélico e exímios na forma como colocam na voz o tal cariz algo sombrio que tão bem os carateriza, em Revelations os Dirt Dress apresentam-nos quatro canções cheias de estilo, tão enevoadas como a penumbra que rodeia o próprio grupo, mas também tão luminosas como só as bandas que sabem ser eficazes à sombra das suas próprias regras conseguem ser. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:07
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Sunbears! - Wonderful Christmas Time

 

Oriundos de Jacksonville, na Flórida e formados por Jonathan Berlin, Jared Bowser, Walter Hill e Jordan Allen Davis, os norte americanos Sunbears! apostam no indie rock psicadélico, amplo, luminoso e orquestral.

Há alguns dias divulguei a minha crítica a Future Sounds, o mais recente trabalho dos Sunbears!, por sinal um disco que vai direitinho e com todo o mérito, para o top ten daqueles que eu considero serem os melhores álbuns de 2014 e, pelos vistos, como modo de agradecerem tão ilustre nomeação por parte de uma publicação tão presitigada mundialmente como é Man On The Moon, resolveram compôr um tema de Natal e oferecer a todos os seus fãs.

Wonderful Christmas Time é, portanto, a canção de Natal dos Sunbears! e, com seria de esperar, tem um conteúdo sonoro embutido numa aúrea psicadélica vintage, luxuriante e orquestral, com forte sentido melódico e um experimentalismo que se saúda sempre, principalmente quando se tenta gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, como é claramente o caso destes Sunbears!, pelos vistos capazes de compôr um tratado sonoro tão autêntico e intenso como o Natal que se aproxima. Confere...


autor stipe07 às 17:02
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

Deerhoof - La Isla Bonita

Os Deerhoof são uma banda rock de São Francisco, formada por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier e estão de regresso aos discos com mais dez canções, certamente impregandas com um indie rock carregado de distorções e pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hopriffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela chama-se La Isla Bonita e viu  luz do dia a três de novembro através da Polyvinyl Records.

Impressionado pelos Deerhoof quando escutei, há uns dois anos Breakup Song, aguardava com confessada expetativa um novo trabalho deste coletivo norte americano que, em abono da verdade, não defraudou as minhas expetativas mais otimistas. Nos Deerhoof, quanto maior for a sensação de caos e confusão nos nossos ouvidos, maior é a vontade que se tem de elogiar a sua música e em La Isla Bonita aquele lixo sonoro, completamente metefórico, que achei sublime em Breakup Song, mantém os seus altíssimos padrões qualitativos, com a voz da japonesa Satomi Matsuzaki, uma miúda cheia de energia, com quem dá vontade de rebolar num jardim e acabar com a boca cheia de húmus e pétalas de jasmins e malmequeres, a ser, ainda por cima, aquele detalhe que não nos faz hesitar em qualquer instante relativamente ao desejo de escutar este trabalho com frequência e de o balizar com natural louvor.

Em La Isla Bonita há rumba e synthpop, rock e hip hop, guitarras, sintetizadores, sinos, tambores, violas e xilofones, uma praga de instrumentos que nos consomem e Matsuzaki ao megafone em Big House Waltz, numa filosofia de montagem de canções em torre, com loopings e riffs até que a tal torre pareça uma canção e dela se liberte uma energia que nos impele ao movimento indiscriminado. Apesar de o disco conter também belos momentos melódicos, com especial destraque para Mirror Monster, a estrutura caótica, barulhenta e tematicamente reinvindicativa de Paradise Girl é um excelente exemplo do poder de diversão que a música pode ter e, numa banda que, imagine-se, vai já no décimo terceiro trabalho da carreira e conseuge sempre ser, em simultâneo, familiar e surpreendeente, esta vitalidade no modo como se vai constantemente reinventando, ficando tão bem plasmada logo na abetrura de um alinhamento e, já agora, em Exit Only, o primeiro tema ecolhido para single do disco, comprova que dificilmente os Deerhoof têm concorrência á altura no modo como se servem das guitarras distorcidas de Ed Rodriguez e John Dieterich, do baixo sincopado e da constante alternância entre as células rítmicas da bateria de Greg Saunier, particularmente assertiva na já referida Big House waltz, para instaurar um clima caótico que, tendo pontos de encontro com diferentes estilos, é no punk experimental que encontra o porto seguro para quem quiser defini-los de modo mais balizado. Paradise Girls é também uma  boa canção para se perceber o modo como os Deerhoof conseguem manter intacta a sua ideologia e, simultaneamente, abraçarem o inedetismo, mas Last Fad e Doom também cumprem essa dupla função com grande relevância.

Em La Isla Bonita, os Deerhoof mostram-se mais roqueiros e pesados, mas mantêm, a vitalidade habitual, expressa naquela capacidade de experimentar e de compor sem alienar o ouvinte, assim como o espírito que os fez avançar no universo sonoro alternativo, sempre numa posição de merecido destaque, tanto para quem aprecia sonoridades mais comerciais, como para aqueles que procuram algo diferente e profundamente intrincado, psicadélico e até nebuloso. O póprio título do disco, que nos remete, como já terão todos percebido, para o maior sucesso da rainha da pop, é apenas e só um exemplo claro e feliz desta apenas aparente contradição e deste posicionamento a meio caminho entre dois extremos, a verdadeira zona de conforto deste coletivo californiano. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhoof - La Isla Bonita01 Paradise Girls
02 Mirror Monster
03 Doom
04 Last Fad
05 Tiny Bubbles
06 Exit Only
07 Big House Waltz
08 God 2
09 Black Pitch
10 Oh Bummer


autor stipe07 às 21:57
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014

His Name is Alive - Tecuciztecatl

Liderados por Warren Defever, o único elemento do grupo que se mantém desde a formação, os norte americanos His Name Is Alive são uma banda de rock experimental oriunda de Livonia, uma pequena cidade no estado do Michigan. Depois de algumas cassetes gravadas em nome próprio, estrearam-se nos discos no início da década de noventa, através da conceituada 4AD Records e, de então para cá, entre EPs e álbuns, nunca ficaram muito tempo sem gravar, durante duas décadas de apreciável consistência e forte identidade, com Warren a conseguir manter a sonoridade do grupo, apesar da enorme variedade de músicos que têm passado pelo projeto.

No passado dia vinte e oito de outubro chegou aos escaparates Tecuciztecatl, via HNIA, o novo disco dos His Name Is Alive, um trabalho descrito por Warren como um compêndio de ópera rock que serviu para exorcizar alguns demónios que vinha carregando consigo. Sendo este um projeto que aposta no revivalismo do glam e do rock progressivo e psicadélico, com uma forte componente experimental, que começou a fazer escola nas décadas de sessenta e de setenta, tal temática conceptual de Tecuciztecatl acaba por encaixar que nem uma luva nessa sonoridade e o disco é feliz no modo como nos permite aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e na forma como aparentes equívocos não são mais do que conscientes estratégias para a junção de vários espetros sonoros, ficando para segundo plano o hipotético grau de psicotropia em que germinam. Basta escutar, logo no início, os nove minutos de The Examination para ficar claro em cada um de nós o modo como estes His Name His Alive são mestres em subverter qualquer lógica, apresentando uma composição que funciona como uma espécie de medley de tudo aquilo que vamos conferir a seguir, numa colagem consideravelmente aditiva e psicotrópica de vários fragmentos, oriundos das mais diversas latitudes e épocas sonoras, cheios de variações de ritmos e que projetam inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte, num misto de psicadelia, rock progressivo e orquestral, soul e blues.

Pouco conhecidos no resto do mundo, os His Name is Alive são acompanhados com particular devoção no país de origem e considerados como uma das mais inovadoras bandas norte americanas, pela forma como conjugam a tradicional tríade baixo, guitarra e bateria com a tecnologia e a eletrónica que hoje prolifera na música e que permite aos grupos alargar o seu cardápio instrumental, fazendo, simultaneamente, uma ode às fundações do universo musical alternativo contemporâneo, enquanto adicionam também novas e belíssimas texturas ao seu já extenso cardápio sonoro, que não se desviam, naturalmente, do cariz fortemente experimental que faz parte do ADN do grupo.

Além do já referido tema inicial extenso mas obrigatório, outro meu grande destaque deste disco é a elevadíssima dose de psicadelia em que assenta See You In A Minute, uma canção que impressiona pelo fuzz das guitarras e que evidencia o modo como a voz de Warren assenta na perfeição neste registo, merecendo também amplo destaque e audições repetidas, pelos mesmos motivos, a hipnótica Reflect Yourself, uma canção com variações de ritmo estonteantes e um tiro certeiro no melhor rock dos anos setenta. Atenção também para os violinos da épica e marcadamente experimental I Will Disappear You, um tema cantado com uma voz em eco que se vai entrelaçando com uma lindíssima melodia, feita com uma guitarra plena de distorção, dois detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage.

Um curioso dedilhar de cordas em The Essence Of Your Power Is An Eye That Darkens The Light que volta, mais à frente a surgir no single African Violet Casts a Spell, uma canção preenchida com arranjos que têm tanto de lindíssimo como de bizarro, numa espécie de mistura entre a folk clássica e uma pop luxuriante e sem paralelo, são também dois instantes fabulosos de Tecuciztecatl, que impressionam pela beleza utópica, assim como pelas belas orquestrações que vivem e respiram, nestas e noutras canções, lado a lado, com distorções e arranjos mais agressivos. .

Tecuciztecal arruma estes já veteranos His Name Is Alive na prateleira do psicadelismo de forte raiz experimentalista e ligado ao rock progressivo que convém visitar frequentemente e com particular devoção, devido a um trabalho que funcionando assumidamente como uma ópera rock, está dotado com uma maturidade particular, com canções que pretendem hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Espero que aprecies a sugestão...

The Examination

Hold On To Your Half

See You in a Minute

I’m Getting Alone
Reflect Yourself
I Will Disappear You

The Essence Of your Power Is An Eye That Darkens The Light

I Believe Your Heart Is No Longer Inside This Room

Vampire List
African Violet Casts a Spell

Reciprocal Tensions And Polarized Components

Yes Yes Yesterday
The Cup


autor stipe07 às 21:56
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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2014

Shimmering Stars – Bedrooms Of The Nation

Oriundos de Vancouver, os canadianos Shimmering Stars são Rory McClure, Andrew Dergousoff, Brent Sasaki e Elisha May Rembold, uma banda que se estreou nos discos em 2011 com Violent Hearts e que editou no passado verão Bedrooms Of The Nation, o segundo trabalho da carreira, através da Shitty BIke Records no Canada e a Almost Musique na Europa. Já agora, no bandcamp poderás ouvir este trabalho e encontrar outros singles e EPs da autoria da banda.

Os Shimmering Stars são uma banda ainda há procura de um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e Bedrooms Of Nation tem tudo para os catapultar para uma posição mais visível, devido ao modo assertivo e até exuberante, como propôem um rock cheio de sintetizações, efeitos e ruídos, mas com uma toada muito rica e sombria, já que estes quatro músicos deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta algo negra e obscura, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade e com um interessante cariz épico que não é mais do que um assomo de elegância incontida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Aguarda-nos também na audição de Bedrooms Of The Nation belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. A escrita carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi.

Esta receita fica logo bem patente logo na Intro do alinhamento e nas camadas de ruídos que sustentam AnomieDérèglement, duas canções que desde logo captam a nossa atenção e a curiosidade em relação ao resto do disco, que depois acaba por impressionar pelo bom gosto com que cruza vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador, numa toada que tem tanto de shoegaze como de progressivo e que até busca pontos de interseção com a pop mais experimental e algumas paisagens e sensibilidades que piscam o olho ao punk e ao blues. Se as sucessivas distorções que conduzem a melodia rugosa e visceral de If You Love Me Let Me Go não defraudam os amantes de sonoridades que esticam ao máximo a coluna dos décibeis, já a linha de guitarra de You Were There pisca o olho a um rock com uma toada mais blues e o frenesim que o baixo e a bateria impôem, num combate de notas agudas e graves em Role Confusion, é rock épico e luminoso, sem estribeiras e longe de qualquer tipo de concessão.

Uma das cançoes mais curiosas deste disco é, sem dúvida, Defective Heart – Dreams, uma composição que começa e termina com uma sucessão imprecisa de ruidos que confundem e iludem, mas que entretanto surpreende e nos conquista com uma melodia particularmente deslumbrante apesar de se manter sempre a sintetização da voz. 

Msturado por Colin Stewart, um mítico engenheiro de som de Vancouver e masterizado por Dan Emery em Nashville, nos Estados Undos, Bedrooms of The Nation é um disco de difícil trato, que virou completamente as costas a um apelo comercial que certamente se entendia numa banda que pretende uma outra projeção, mas que merece o maior relevo pelo modo como plasma um feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando as regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta o rock alternativo com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com elevada dose de ruído e distorção.

Os Shimmering Stars têm no seu ADN bem vincada a vontade de experimentar e Bedrooms Of The Nation respira por todos os poros uma enorme faceta laboratorial, com melodias que se parecem incomodar, na verdade, devidamente compreendidas, poderão fazer levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer, de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Shimmering Stars - Bedrooms Of The Nation

01. Intro
02. Anomie
03. Dérèglement
04. You Were There
05. If You Love Me Let Me Go
06. Defective Heart – Dreams
07. Shadow Visions
08. Role Confusion
09. Fangs
10. First Time I Saw You
11. Ego Identity
12. I Found Love


autor stipe07 às 18:51
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014

Black Whales – Through The Prism, Gently

Oriundos de Seattle, os norte americanos Black Whales são Alex Robert, Ryan Middleton, Dave Martin, Adam Fream e Mica Crisp. Já fazem música juntos desde 2008 e estrearam-se nos discos em 2011. Sensivelmente três anos após a estreia, com Shangri-La Indeed, estão de regresso com Through The Prism, Gently, um trabalho produzido por Eric Corson e Alex Robert, o líder e principal compositor do grupo e  que viu a luz do dia a onze de novembro, sendo dedicado a Rick Parashar, um amigo da banda entretanto desaparecido.

Começa-se a escutar o som analógico e claramente vintade do introdutório instrumental Split Personalities e percebemos imediatamente que a escuta desta álbum levar-nos-á forçosamente numa máquina do tempo que, tendo em conta Avalon, não se cingirá a uma época específica, mas aos primórdios do rock nos anos sessenta, a psicadelia na década seguinte e o indie rock mais sombrio e sintetizado nos anos oitenta, sendo este, de certa forma, o largo período temporal que define a cartilha sonora deste quarteto oriundo de Seattle. Curiosamente, tal leque alargado que define o som do grupo, sendo proposto, como acontece neste caso, com elevado bom gosto e criatividade, confunde mesmo o ouvido mais experimentado, porque torna bastante ténue a fronteira entre o retro e o futurista, estabelecendo pontes entre o passado e o futuro, ainda por cima numa época em que abundam as propostas de elevada bitola qualitativa que se apoiam no mesmo conceito.

Seja como for, se quisermos encontrar um elemento agregador de tudo aquilo que define o som dos Black Whales, a pop psicadélica, será uma boa forma de caraterizar a banda, que teve um enorme cuidado na produção do disco, procurando que as canções soassem límpidas e luminosas. O solo de guitarra alegre de The Warm Parade, asim como a percussão cheia de cor e a melodia que o sintetizador replica no refrão, fazem deste tema um extraordinário exemplo da tal luz épica e deslumbrante que dá ao som dos Black Whales aquela sensação de intemporalidade típica do power pop americano clássico que nunca sai de moda.

Em Are You The Matador, a voz em reverb, fortemente sintetizada e a presença do baixo na linha da frente do arsenal instrumental, são mais uma prova de abrangência e de heterogeneidade, mas sempre com o tal fulcro na psicadelia que se evidencia não só pelo fuzz das guitarras, como pelos arranjos que envolvem, em inúmeras situações e também neste tema, a presença quase impercetivel de um orgão.

O segundo instrumental do alinhamento, Red Fantastic, permite-nos olhar um pouco em redor e recuperar o fôlego das fortes sensações que a audição dedicada da primeira parte do disco provocou no nosso íntimo. O posicionamento deste tema não é inocente já que, de seguida, escuta-se algo inédito em Come Get Immortalized, nomeadamente a preponderância da vertente mais acústica das cordas que guiam uma balada que nos permite aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Tal beleza utópica assente no particular deslumbramento que o dedilhar da viola causa, estende-se de um modo mais introspetivo em No Sign Of Life, mesmo quando o tema toma um rumo mais roqueiro e sensual, atingindo o auge numa aceleração que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

Estas duas canções dão o mote para o que resta de Through The Prism, Gently, com a viagem temporal a continuar a fazer-nos avançar e recuar, num vai e vem vertiginoso e, infelizmente, nada linear. Se O Fortuna e Tiny Prisms (delicioso o detalhe da cítara) são uma verdadeira ode ao experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela percussão visceral, pelo baixo encorpado e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem nas composições, que vão acelerando e aumentando o nível de ruído e de distorção à medida que avançam, já o fuzz e a distorção da guitarra em Do You Wanna Dance?, leva-nos ao período mais shoegaze do rock clássico, em plena década de setenta e o piano e o efeito em eco da sedutora You Don't Get Your Kicks acelera novamente os ponteiros e embarca-nos num clima enganadoramente doce e, por isso, potencialmente lisérgico.

Há uma farta beleza utópica nas composições dos Black Whales, assim como as belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Throught The Prim, Gently esbanja todo o esmero e a paciência do quarteto em acertar os mínimos detalhes de um disco. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop psicadélica e rock progressivo.

A banda criou uma campanha de angariação de fundos para poder editar o disco fisicamente. Espero que aprecies a sugestão...

Black Whales - Through The Prism, Gently

01. Spilt Personalities
02. Avalon
03. The Warm Parade
04. Are You The Matador
05. Red Fantastic
06. Come Get Immortalized
07. No Sign Of Life
08. O Fortuna
09. Do You Wanna Dance?
10. You Don’t Get Your Kicks
11. Tiny Prisms
12. Metamorphosis


autor stipe07 às 17:33
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