music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Depois de CarrionCrawler/The Dream, disco editado em 2011 e que divulguei na altura e de Putrifiers II, os Thee Oh Sees de John Dwyer e Brigid Dawson, os músicos por detrás deste projeto natural de São Francisco, estão de regresso com Floating Coffin, álbum editado no passado dia dezasseis de abril por intermédio da Castle Face Records, editora do próprio John Dwyer.
Uma das principais permissas evidentes no cenário do rock alternativo da costa oeste carateriza-se pela existência de bandas onde a figura criativa central está concentrada num só músico. Ty Segall, Tim Presley dos White Fence e John Dwyer destes The Oh Sees, são exemplos concretos de músicos que lideram grupos que misturam o rock de garagem com a psicadelia e assim constroem experiências musicais hipnóticas e lisérgicas que não são mais do que a materialização do que sonoramente vagueia pela mente de cada um deles.
Floating Coffin tem um conteúdo sonoro que abarca a sonoridade surf rock dos anos sessenta e os elementos do rock clássico dos anos setenta, enfeitados com as cores da psicadelia e a aceleração do punk, até alcançar o rock de garagem, num resultado final feito de uma massa de sons camuflados pelo toque sempre caseiro dos ruídos. São colagens absorvidas pela capacidade do músico em produzir um som que mesmo referencial, encontra na maturidade pop das letras um rumo distinto que firma um vínculo muito próprio com o ouvinte.
Assim, neste novo disco dos Thee Oh Sees, Dwyer continua a sequência que havia iniciado há dois anos. Sustentado pelas mesmas experiências instrumentais que se ouve em Castlemania e Carrion Crawler/The Dream, este recente álbum traz no uso orquestrados das guitarras um exercício de estimulo para manter o ouvinte atento durante toda a obra. Seja pelo uso de sons mais sérios (Night Crawler) ao uso de canções que brincam com a psicadelia mais convencional (Strawberries One & Two), a forma como são apresentadas as distorções e ruídos flui como a linha condutora de todo o trabalho.
Movido pela agressividade, mas sem o desprezo pelo uso coerente de melodias, Toe Cutter/Thumb Buster, caberia muito bem no Lonerism dos Tame Impala e, no sentido oposto, No Spell, assentaria perfeitamente no Days dos Real Estate. Também há aproximações ao hardcore em Maze Fancier e experimentações insutiadas em Tunnel Time.
Em suma, Floating Coffin é mais uma prova da imensa maturidade dos Thee Oh Sees e mostra a capacidade do seu líder em se aproximar cada vez mais do grande público, mas mantendo-se fiel ao ambiente desconcertante que tanto gosta de plasmar nas suas criações sonoras. Espero que aprecies a sugestão...
01 I Come From the Mountain 02 Toe Cutter – Thumb Buster 03 Floating Coffin 04 No Spell 05 Strawberries 1 + 2 06 Maze Fancier 07 Night Crawler 08 Sweet Helicopter 09 Tunnel Time 10 Minotaur
Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por Richard Swift e lançado no início deste ano pelo selo Jagjaguwar, traz o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz.
A audição de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, impressiona desde logo por em apenas nove músicas e pouco mais de trinta e seis minutos abarcar uma vasta rede de influências sonoras que, em comparação com a estreia, também abrangem agora a folk e o rock dos anos setenta, indo muito ao encontro do que atualmente faz um cruzamento dos compatriotas MGMT e The Black Keys com os australianos Tame Impala e os Unknown Mortal Orchestra. Houve um amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.
In The Darkness abre o álbum e recorda logo, em apenas dois minutos e com o piano e a percussão, os The Beatles da fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleónicas dos voz de Sam e os seus belos agudos, às vezes sintetizados. Em apenas dois minutos, a canção traz a sonoridade psicodélica sessentista que estará presente em grande parte do disco. Em seguida, No Destruction mantém a toada revivalista, com um travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Stones e fala do amor e de alguns absurdos que às vezes estão implícitos a esse sentimento.
On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração à The Black Keys, que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.
San Francisco tem o melhor refrão de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Bowling Trophiestem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção.
O primeiro single retirado de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic foi Shuggie, outra canção com várias nuances, um refrão soul e um início pouco usual feito à base de sintetizadores e com um timbre bem estranho. Oh Yeah é groove e funky e leva-nos de volta ao camaleão dos anos setenta e só no tema homónimo é que reaparece a toada lo fi que se ouviu no disco de estreia dos Foxygen, por sinal de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e novamente de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magictermina com a hipnótica Oh No 2, canção com uma belíssima melodia que nos remete para os Pink Floyd.
We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magicé um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen. É um impressionante passo em frente quando comparado com Take the Kids Off Broadway e um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...
In The Darkness
No Destruction
On Blue Mountain
San Francisco
Bowling Trophies
Shuggie
Oh Yeah
We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic
No passado dias cinco de abril chegou aos escaparates, por intermédio da Soliti Music, Black Lizard, o homónimo de estreia dos Black Lizard, uma banda finlandesa formada por Paltsa-Kai Salama, Joni Seppänen (guitarra e sintetizador), Lauri Lyytinen (baixo) e Onni Nieminen (bateria e percurssão).
As sessões de gravação de Black Lizard decorreram entre Berlim e Helsinquia e contaram com a participação especial de Anton Newcombe dos The Brian Jonestown Massacre, sendo Love Is A Lie o primeiro single retirado deste trabalho. Os Black Lizard assentam a sua sonoridade no rock psicadélico e hipnótico, com raízes nos anos setenta, na senda de outras bandas atuais, nomeadamente os Brian Jonestown Massacre, Spacemen 3 ou os B.R.M.C., entre outros.
Para a sonoridade deste homónimo, com nove canções e quase quarenta minutos de duração, terá sido fundamental a ajuda de Anton Newcombe, durante as sessões de gravação que decorreram em Berlim. A simplicidade ao nível da percussão e uma abordagem direta por parte das guitarras em busca da tão ansiada sonoridade hipnótica psicadélica, acabam por ser dois grandes trunfos, com um cunho pessoal que faz dos Black Lizard mais do que apenas uma banda que recorre a uma súmula de influências sonoras.
Cada uma das canções do disco tem um selo próprio ou um detalhe diferente que a diferencia das demais. O disco começa com a simples Honey, Please, um tema muito ao estilo dos Spacemen 3; Depois, Love Is A Lie é uma escolha perfeita para single, principalmente pelos coros e pelo desempenho vocal, em especial ao nível dos coros. New Kind Of High prepara o caminho para Some Drugs, uma canção com uma batida constante altamente aditiva e Forever Goldé um brilhante momento pop, mesmo antes da atmosfera sombria que Thrill proporciona, uma canção muito próxima da sonoridade dos The Velvet Undferground, com a própria voz de Paltsa-Kai Salama a aproximar-se perigosamente do registo de um Lou Reed. Esta aproximação também é audível no final, em Fucking Up. Boundaries é uma das melhores canções do álbum, não só por inculir uma interessante variedade instrumental, que incluí a cítara, que lhe confere um elevado pendor hipnótico, mas por contar com o desempenho de Anton numa curiosa bateria elétrica.
Os finlandeses Black Lizard são mais um nome a ter em conta no universo musical psicadélico e apesar de se dedicarem a dar um cunho próprio a uma sonoridade que surgiu há quase quarenta anos, com este estreia colocaram-se na linha da frente de um grupo importante de bandas que voltaram a colocar no nosso roteiro sonoro o rock psicadélico e hipnótico. Espero que aprecies a sugestão...
Honey, Please Boundaries Dead Light Love Is A Lie New Kind Of High Some Drugs Forever Gold Thrill Fucking UP
Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto.The Terror, o último trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne, é mais um capítulo desta saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka). The Terrorchegou às lojas a um de abril por intermédio da Warner e sucede a Embryonic, álbum editado em 2009, tendo sido produzido, como é habitual, por David Fridmann.
The Terror é já o décimo terceiro disco de um grupo que, com tão rico cardápio, está, certamente, no olho do furacão de uma encruzilhada sonora. The Terror não deixa de funcionar como um quase aditamento às experimentações de Embryonic, o antecessor, também evidentes na coletânea The Flaming Lips And Heavy Fwends, lançada o ano passado e que contou com nomes tão importantes como Nick Cave, Yoko Ono, Tame Impala ou Bon Iver no alinhamento. Assim, este novo trabalho dos The Flaming Lips mantém a haibtual estratégia da banda de construir um alinhamento de vários temas, mas que funcionam como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções.
Conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, patente nas colaborações recentes com Tame Impala e Neon Indian, os The Flaming Lips revelam neste novo trabalho composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogênea que The Terror, como todos os discos deste grupo, está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição.
Sonoramente, a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock. Se no tema homónimo parece que os The Flaming Lips enlouqueceram de vez, Be Free, a Way é um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a hipnótica Try to Explain subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Destaco também You Lust, um tema que conta com a participação especial da dupla Phantogram. Já agora, o primeiro single retirado de The Terrorfoi o tema Sun Blows Up Today, canção que não faz parte do alinhamento do disco, sendo só obtido por quem adquirir a versão digital, que também inclui uma cover de All You Need Is Love, um clássico dos The Beatles.
Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. The Terror segue esta permissa temporal, agora num futuro pós apocalítico mas, tematicamente, parece ser um trabalho muito terreno, digamos assim, porque fala imenso do amor, mas também do abandono e da proximidade com a morte. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...
CD 1 01. Look… The Sun Is Rising 02. Be Free, A Way 03. Try To Explain 04. You Lust 05. The Terror 06. You Are Alone 07. Butterfly, How Long It Takes To Die 08. Turning Violent 09. Always There In Our Hearts
CD 2 01. Sun Blows Up Today 02. All You Need Is Love
Depois de The Bell, um EP que divulguei oportunamente, os Post War Years, uma banda londrina formada por Simon, Tom, Fred e Henry, estão de regresso com Galapagos, um longa duração editado a vinte e cinco de fevereiro pela Chess Club / RCA via Rough Trade. Galapagos sucede a The Greats and The Happenings, o disco de estreia dos Post War Years, que foi resultado de um intenso processo de gravação num claustrufóbico armazém de Londres e que continha uma explosão de sons lo fi dançáveis, que fizeram desta banda uma promessa que agora, em Galapagos, recebe a merecida confirmação.
Galapagosfoi o resultado de ano e meio de gravações, período em que os Post War Years também andaram em digressão. O disco começa com All Eyes, um tema que fez furor na blogosfera o ano passado devido à synth pop que alberga, misturada com traços de post rock e com a voz de Henry Gigg, um dos vocalistas, a assumir o papel de grande agitador, ele que acaba por ser a peça fulcral e quem faz mover toda a engrenagem, apesar de haver três músicos na banda que cantam.
Os anos oitenta e a pop eletrónica dos New Order e dos Depeche Mode deverão ser o grande ponto de referência deste grupo, mas também se encontra, nomeadamente em The Bell, uma forte sonoridade épica, típica de uns Arcade Fire e travos funk muito bem aproveitados. O krautrock também é uma referência para o grupo, que germinou depois de um concerto em Barcelona onde os Post War Years tiveram a oportunidade de contactar com intérpretes de música eletrónica feita na Alemanha.
Há uma preocupação clara numa atmosfera vibrante e texturas sonoras que possam chegar ao grande público, com exuberância e competência, mas sem deixar de lado, alguns períodos mais contemplativos. Existe uma intensa mistura de sons, momentos em que os mesmos parecem algo decontrolados e há casos, como os de Volcano, em que as guitarras com uma sonoridade mais índie também têm um papel preponderante no processo de definição melódica, atingindo uma atmosfera shoegaze que também é percetível em Nova.
Ao segundo disco ainda não é fácil descrever com exatidão o rumo sonoro dos Post War Years e essa aparente indecisão e procura acabam por ser as maiores qualidades e defeitos na sua ainda curta discografia. Se por um lado há dispersão e a perceção de alguma falta de discernimento relativamente ao que realmente pretendem, por outro, devido à interessantíssima qualidade dos dois discos que compôem o seu catálogo, também se poderá afirmar que são sonoramente ecléticos e que não se deixam balizar facilmente por um estilo ou influência. Talvez o verdadeiro tira teimas esteja mesmo reservado para o terceiro disco e poderá vir a ser esse o trabalho que confirma o verdadeiro e cimentado amadurecimento musical dos Post War Years. Até lá não ficamos nada mal servidos com a audição quer da estreia, quer, principalmente, deste Galapagos. Espero que aprecies a sugestão...
01. All Eyes 02. The Bell 03. Glass House 04. Be Someone 05. Growl 06. Lost Winter 07. Mellotron 08. Volcano 09. Nova 10. God
Os Elephant Stone são Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, uma banda de Montreal, no Canadá, que se formou em 2009 pela iniciativa de Rishi Dhir, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Basta dizer que nos últimos anos gravou e andou em digressão com nomes tão importantes desse género musical como os The Black Angels, Brian Jonestown Massacre, ou os The Horrors.
Ainda nesse ano de 2009 os Elephant Stone editaram The Seven Seas, o disco de estreia. Nesse trabalho Dhir deu início à sua busca, quase obsessiva pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que o músico também andou na digressão de 2011, dos The Brian Jonestown Massacre. Agora, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records.
O uso da cítara por Dhir no TheSeven Seas não foi uma novidade em trabalhos do universo indie e shoegaze, mas sucedeu com uma qualidade tão invulgar, que obrigou os habituais ouvintes deste género de sonoridade a ficarem atentos aos Elephant Stone. No entanto, o conteúdo do álbum ainda não estava devidamente balizado e a míriade de detalhes sonoros presentes, e que passavam também pela brit pop, não deixava que se formasse uma opinião rigorosa acerca do que, musicalmente, os Elephant Stone pretendem atingir. Assim, dar a este segundo disco o nome da prória banda, talvez seja uma forma de dar as cartas de novo, uma espécie de recomeço, finalmente um assumir mais preciso das verdadeiras motivações destes quatro músicos, onde Dhir é o cérebro dominante.
Neste segundo álbum a cítara ouve-se ainda mais e agora é também usada, nos arranjos, para fazer sobressair a tonalidade psicadélica das canções e não apenas para substituir a guitarra na primazia melódica. Além da cítara, também se escuta outro instrumento de cordas tradicional indiano, tocado com um arco, chamado dilruba.
Os cinco primeiros temas de Elephant Stone obedecem aos padrões habituais da indie pop de cariz mais psicadélico, onde além das cordas cativa o brilho e o pulsar intenso da bateria. A partir da segunda metade do disco a velocidade abranda, aumenta a complexidade e sobressai uma tonalidade quase espiritual em algumas canções, com especial ênfase para a instrumental Sally go Round The Sun. Ouve-se com maior regularidade os instrumentos tradicionais indianos já referidos, nomeadamente, como reforcei, no esplendor que conferem ao nível dos arranjos. A guitarra também ganha um pendor mais sinistro, efeito reforçado pela componente acústica da mesma e pela maior predominância da voz em reverb e eco.
Antes de teminar importa referir que Elephant Stoneé inspirado na música dos Stone Roses com o mesmo nome e numa estátua do deus hindu Ganesh que o próprio Rishi Dhir possui e que o leva a referi que a sua banda tem uma sonoridade hindie rock. Espero que aprecies a sugestão...
01. Setting Sun 02. Heavy Moon 03. Masters Of War 04. Hold Onto Yr Soul 05. A Silent Moment 06. Looking Thru Baby Blue 07. Sally Go Round the Sun 08. Love The Sinner, Hate The Sin 09. The Sea Of Your Mind 10. The Sacred Sound
Os The Growlers são uma banda norte americana da Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra). Hung At Heart é o terceiro álbum da discografia do grupo, foi gravado em Nashville, editado em novembro de 2012 através da Everloving Records e produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. A propósito desta interessante parceria com Auerbach, a Everloving, publicou recentemente, uma afirmação muito peculiar: Indie Iron Chef Dan Auerbach had initially tried his hand in the kitchen but when the dish ended up overcooked, the Growlers brought it back to the home kitchen, drank the juice and started over.
Os The Growlers têm uma sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta, sendo óbvias referências os The Doors, Country Joe e os Beach Boys da era Pet Sounds. São frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, mas a sua sonoridade vai muito além dessa simples bitola. Na verdade, eles terão pegado em tudo aquilo que Dan produziu e remexeram totalmente, acrescentando uma certa toada lo fi, mas que não apagou o caráter festivo e animado deste álbum.
Esta aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso e deve obedecer a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.
Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com esta dicotomia, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria. Logo no início, em Someday, Brooks goza com as habituais contradições do amor (when tall boys turn into champagne, when bologna turns into steak), mas a guitarra de Matt não deixa a canção resvalar para o facilitismo que a letra pode indiciar. Mais abaixo, Living In A Memory, é outra ode festiva, mas está lá um baixo para impôr algum respeito.
Embora grande parte da diversão musical patente em Hung At Heartpareça de fácil idealização, alguns ecos crescentes e explosões percurssivas plasmam uma notória mestria na arte de composição por parte dos The Growlers. Mesmo alguns laivos de psicadelia não parecem nada inocentes. Espero que aprecies a sugestão...
01. Someday 02. Naked Kids 03. Salt On A Slug 04. One Million Lovers 05. No Need For Eyes 06. Living In A Memory 07. Pet Shop Eyes 08. In Between 09. Burden Of The Captain 10. Row 11. It’s No Use 12. Use Me For Your Eggs 13. Derka Blues 14. Beach Rats
Os Guards são um trio de Nova Iorque formado pelo vocalista Richie James Follin (irmão de Madeline Follin, o elemento feminino da dupla Cults), Loren Humphrey e Kaylie Church. In Guards We Trust, o disco de estreia, viu a luz do dia a cinco de fevereiro via Black Bell Records e Velvet Vision. O disco está disponível para audição na Pitchfork.
É incontável o número de bandas que nos últimos trinta anos surgiram influenciadas e fascinadas pelos Velvet Underground, desejosas de serem, no imediato, classificados de indie, devido à sonoridade em que apostam, mas também à postura que alimentam. Este trio oriundo da cidade que nunca dorme chamado Guards, não esconde a busca por uma zona de conforto no seio dessa espécie de cliché cada vez mais atual, por estarmos num período de assunção do fenómeno vintage e retro, ao qual a música não escapa. Assim, com tanta oferta e com tantas bandas novas a darem o corpo ao manifesto no universo indie e alternativo, com um cariz assumidamente lo fi e psicadélico, há que dar o devido mérito aquelas que de algum modo se destacam e nos oferecem algo de novo, diferente e contagiante.
Em In Guards We Trust, a guitarra é o instrumento nuclear, o elo de ligação de toda a sonoridade e a distorção que delas debita, o manto que cobre belíssimos teclados e que adorna, com doçura, luz e brilhantismo, doze canções onde a voz se divide muitas vezes entre os universos masculino e feminino. Neste disco os Guards, assumem, sem rodeios, que lhes corre nas veias essa toada surf pop, retro e lo fi, apaixonada e nostálgica, mas sem deixarem de colocar o olho a outros horizontes mais abrangentes. Coming Truee Giving Outnão terão sido certamente escolhidos ao acaso como singles de In Guards We Trust, porque são duas canções que nos remetem para o rock mais comercial.
Esta aparente dicotomia talvez venha um dia a colocar os Guards numa encruzilhada muito semelhante aquela que, por exemplo, os Kings Of Leon tiveram que resolver há meia década. Pessoalmente, estou convicto que os Guards merecem ficar debaixo dos radares mais atentos e espero que se mantenham nesta toada que adorna a estreia. Espero que aprecies a sugestão...
Well take the very best moment that you ever had That’s the one, that is what we have Now take the very same moment when you fell apart Give it back, ‘cause that is where you stopped
Guards - I Know It's you
01. Nightmare 02. Giving Out 03. Ready To Go 04. Silver Lining 05. Heard The News 06. Not Supposed To 07. I Know It’s You 08. Coming True 09. Your Man 10. Can’t Repair 11. Home Free 12. 1 And 1
Os Unknown Mortal Orchestra vêm da Nova Zelândia e são liderados por Ruban Nielsen, vocalista e compositor, ao qual se juntaram, Jake Portrait e Greg Rogove. II é o segundo álbum da banda, viu a luz no passado dia cinco de fevereiro, sucede ao homónimo de 2011 e reforça de forma comercial e ainda assim específica o que há de mais tradicional e inventivo na curta trajetória da banda, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B.
Em II, os Unknown Mortal Orchestra aperfeiçoam letras e ruídos, duas vertentes essencias do seu cariz identitário. Em relação à estreia, tem uma sonoridade mais grandiosa e controlada, ao mesmo tempo. As canções têm um maior volume e densidade, mas continuam a soar muito bem em ambientes fechados e reduzidos. A simplicidade não deixa de se fazer notar e o disco flutua num ambiente próprio, livre de exageros e coerente com a proposta determinada pela banda e que, como ficou patente na estreia, sustenta-se na dualidade existente nos tais laços entre a psicadelia e o R&B. Assim, há uma espécie de contraste sequencial; Enquanto a dolorosa So Good At Being In Trouble, por exemplo, se perde em passagens sombrias pelo passado recente do vocalista, One At A Timequebra esse mesmo regime de sofrimento e morosidade musical com acordes sujos que tocam no garage rock. Liricamente, ao reforçar o disco com as confissões de Ruban Nielson, a banda pisa um território de transformações expressivas e trata da intimidade e da dor de forma adulta.
No que diz respeito à produção, as aproximações ao lo fi patentes em Unknown Mortal Orchestra, foram relegadas para um novo plano e a relação com os sons marcantes da década de setenta ocupam um lugar fundamental na construção da obra, transformando II num trabalho de referências bem estabelecidas. Esta arquitetura musical que solidifica o álbum, garante ao grupo a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite-lhes terem margem de manobra para futuras experimentações. Faded In The Morningé um tema que não destoa no disco, mas que nos seus pouco mais de quatro minutos de duração abrange as referências musicais e a estética de II, além de reviver marcas típicas do rock novaiorquino do fim da década de setenta. A própria Secret Xtians, canção que encerra o disco, ao ressuscitar referências dos The Velvet Underground, aponta marcas do que pode vir a ser encontrado num futuro próximo, quando o sucessor de II for entregue.
Coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta, II é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...
01 – From The Sun 02 – Swim And Sleep (Like A Shark) 03 – So Good At Being In Trouble 04 – One At A Time 05 – The Opposite Of Afternoon 06 – No Need For A Leader 07 – Monki 08 – Dawn 09 – Faded In The Morning 10 – Secret Xtians
Os Airstrip são uma banda norte americana liderada por Matthew Park, dos extintos Veelee, ao qual se juntaram Tre Acklen dos Gross Ghost e John Crouch e Nick Petersen, dos Horseback. Após terem andado em digressão durante o último ano e a abrir concertos dos Godspeed You Black Emperor, foram até aos estúdios Track And field, em Carrboro, na Carolina do Norte, estado natal, onde gravaram Willing, o disco de estreia, lançado no passado dia cinco de fevereiro pela Holidays for Quince Records.
Willing é um quadro sonoro pintado com guitarras melódicas que constroem cenários policromáticos nos nossos ouvidos. Descrito pelo vocalista como uma súmula de nightmare pop, este disco de estreia dos Airstrip começa desde logo com uma declaração da guitarra: Let’s prevent your face from sagging. Pick them up, your feet are dragging, canta Matthew Park, com um tom algo sarcástico mas que avisa, desde logo, para o que aí vem; Nove canções hipnotizantes e intensas, dominadas por essas guitarras algo cruas e que se deixam envolver numa nuvem de distorções leves e acolhedoras.
Mas o baixo de Nick Petersen é também um instrumento essencial em Willing; Basta ouvir So-Soe Pleasure's Centerpara perceber uma certa toada psicadélica e a componente hipnótica e que de algum modo justifica a tal definição que Matthew confere à sua música e ao conteúdo deste disco.
Os Airstrip replicam influências, mas já apresentam uma sonoridade distinta. Fazem uma revisão da psicadelia, buscam pontos de encontro com o rock mais clássico e são outra banda que contraria quem anunciou já a morte do rock, porque dominam a fórmula correta para adicionar à canção, no momento certo, diferentes ritmos e andamentos e conhecem as complexas texturas sonoras que são essenciais para criar a sonoridade visceral e psicadélica que tão bem nos apresentam nesta estreia.
Estão disponível no bandcamp da banda, para download gratuito, três dos temas de Willing; Middle Of Night, Magician's Assistante So-So. Espero que aprecies a sugestão...
Os britânicos Esben And The Witch são Daniel, Thomas e Rachel, um trio de Brighton e o nome da banda é inspirado num conto de fadas dinamarquês. Depois de um EP em 2009 e do singleLucia, At The Precipice, em fevereiro do ano seguinte, assinaram pela Matador Records e estrearam-se nessa etiqueta com mais um single, um tema intitulado Marching Song, editado em outubro desse ano. Poucos meses depois, em janeiro de 2011, chegou Violet Cries, o disco de estreia e agora, um ano depois, o sucessor. O novo álbum intitula-seWash The Sins Not Only The Face, viu a luz do dia a vinte e um de janeiro e os Esben And The Witch estão a disponibilizar gratuitamente o primeiro single, Deathwaltz, no seu sitio. Já agora, o registo está disponível para escuta íntegral, através do Pitchfork Advance.
Os Esben and the Witch procuram ser totalmente únicos, inovadores. Referindo-se ao albúm de estreia afirmaram que o sucessor tinha que ser algo novo, algo que sentíssemos que ainda não tinha sido explorado. A banda tem recebido críticas positivas por parte de entidades reconhecidas como é o caso da Pitchfork Media e do The Guardian. Wash The Sins Not Only The Face tem uma sonoridade segura, intrigante e orgânica. Despair é um dos meus destaques do álbum, um tema com uma sonoridade que balança entre o gótico e o shoegaze, construido em redor de uma paisagem sonora glacial e que cria uma melodia intrigante, que parece dar com uma mão e tirar com a outra, criando um balanço groove estranhamente atrativo e abrasivo. O video foi dirigido por Matt Bowron e conta com os contorcionismos dançantes de Simon Fowler e Simon Palmer.
Os Esben And the Witch abriram concertos de bandas como The XX, Wild Beasts, Foals e The Big Pink e estreiam-se em Portugal em 26 de Abril de 2013, na edição do Newcomers Week. Espero que aprecies a sugestão...
01. Iceland Spar 02. Slow Wave 03. When That Head Splits 04. Shimmering 05. Deathwaltz 06. Yellow Wood 07. Despair 08. Putting Down The Prey 09. The Fall Of Glorieta Mountain 10. Smashed To Pieces In The Still Of
Formados em março de 2011, os Coloured Clocks são James Wallace, Matthew Stott, Lachlan MacFarlane e Daniel Stott, uma banda australiana, natural de Melbourne. Estrearam-se nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final deste mesmo ano, mais concretamente no passado dia dezoito de dezembro, deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine. E, imaginem só, a banda disponibilizou toda esta discografia para download gratuíto no seu bandcamp.
Os Coloured Clocks fazem um indie rock progressivo, com fortes reminiscências do rock da década de setenta e sem porem de lado o que de melhor se atualmente nesse universo musical. Portanto, se gostas de sonoridades cósmicas e psicadélicas tens de conhecer esta banda. Já agora, de toda a discografia, destaco Maze, o primeiro single retirado de Nectarine, um tema épico, com uma estrutura melódica tradicional e com um riff de guitarra luminoso, bem acompanhado pela bateria e com a voz de James a fazer recordar a do seu conterrâneo Brian Aubert, dos Silversun Pickups. Espero que aprecies a sugestão...
01. Nobody’s Watching 02. Fading Light 03. Uncovered Sun 04. Maze 05. Icecream 06. All The Time 07. Enormous Mushroom 08. Somewhere 09. Don’t You Believe 10. Orion
Os Cassettes On Tape são uma banda post punk de Chicago, formada por Joe Kozak (guitarras e voz), Greg Kozak (baixo e voz), Shyam Telikicherla (guitarras e voz) e Chris Jepson (bateria). Cathedrals é o primeiro registo discográfico da banda, um EP lançado em julho de 2012, com sete canções e disponível para download gratuíto no bandcamp da banda.
Nunca o ressuscitar do post punk e do shoegaze estiveram tão em voga como no último ano. Basta olhar para a minha tabela dos melhores de 2012 para perceber o vigor desta tendência e o sucesso que tem sido a aposta no reviver de diversas sonoridades que despontaram mais intensamente na década de setenta. No entanto, essa aposta atual não se tem limitado ao replicar do que era feito nessa altura e em ambos os lados do oceano atlântico; Os Cassettes On Tape são mais uma banda que aposta nessa simbiose de legados deixados por nomes como Ian Curtis ou os Led Zeppelin, há cerca de três décadas, não descurando a habitual cadência proporcionada pela tríade baixo, guitarra e bateria e uma outra tendência mais virada para a psicadelia, da qual, na minha opinião, os The Horrors e os TOY são, atualmente, os expoentes máximos. É nessas guitarras carregadas de reverb e distorção e na voz grave de Joe Kozak que assenta a base melódica das canções de Cathedrals, os dois aspetos vitais para a assunção do futuro identitário sonoro deste grupo de Chicago.
Cathedrals é um excelente cartão de visita e uma ótima estreia deste quarteto, não havendo qualquer tipo de desculpas para que os apreciadores não os possam conhecer e ouvir, já que, como referi no início, as canções são de acesso gratuito. Nestes dias em que somos constantemente invadidos por novas propostas, há algumas que pelo mérito e pela qualidade não deverão passar em claro. Acho que no futuro ainda vamos ouvir falar muito destes Cassettes On Tape. Espero que aprecies a sugestão...
01. Bad Letter (She Don’t Know) 02. Adored 03. The Lovely Elizabeth 04. Chelsea Said 05. Great Lake Heart Break 06. Of Winter 07. She Colors The Sea
Os The Green Pajamas formaram-se em 1984 na cidade norte americana de Seattle e atualmente são formados por Jeff Kelly, Joe Ross, Laura Weller, Scott Vanderpool e Eric Lichter. Considerados pela crítica como uma das bandas mais ativas e inventivas do cenário alternativo local, lançaram em 2012 três álbuns, Green Pajamas Country, Summer of Lust e Death By Misadventure, sendo o último o que aqui apresento e mais um importante capítulo da sua já longa discografia. Death By Misadventure foi editado através de uma importante editora underground local, a Green Monkey Records, depois de já terem editado álbuns através de outras editoras, nomeadamente a Bomp!, Camera Obscura e a Get Hip.
Death By Misadventure é já o trigésimo álbum dos The Green Pajamas, um trabalho conceptual que configura uma espécie de peça musical, uma ópera rock à volta de um tema épico intitulado The Fall Of The Queen Bee.
If The Universe is Full Of Noise, então os The Green Pajamas terão uma importante palavra a dizer na banda sonora criada com o exclusivo propósito de demonstrar a uma qualquer entidade exterior do que os humanos são capazes de produzir de melhor no universo indie mais progressivo e psicadélico. É um pouco incompreensível constatar que esta banda liderada pelo carismático Jeff Kelly é muito pouco conhecida e um mistério decifrar os motivos pelos quais se manteve praticamente incógnita ao longo de quase trinta anos, tantos quantos os discos que já lançou. O primeiro foi editado na primavera de 1984, quando Jeff Kelly e Joe Ross gravaram Summer Of Lust, com o firme propósito de representarem uma alternativa credível ao na altura florescente cenário alternativo de Los Angeles.
Death By Misadventure é um estonteante exercício de psicadelia, cheio de referências relacionadas com o sobrenatural, mitos, romances e lendas antigas! Um álbum conceptual, como já referi, sobre o ciclo da vida de uma colmeia e, por isso, com algumas ideias sinistras, mesmo quando as canções falam do sol ou da magia da vida, já que tudo gira em torno da morte da abelha rainha, comida depois pelos seus súbditos e da celeuma que isso causa no seio da própria colmeia. Essa morte é detalhada com todo o requinte em The Queen Bee’s Last Tango, quando se pode escutar She strips off her girdle, slips off her swastika ring, While 17 boys dressed up as dolls and toys blow the king, In the opium fog, the prince and his dog start to sing, And there’s no sense of the sorrow to befall them all tomorrow. Uma festa, portanto...
Em suma, da folk balcânica de The Queen Bee Is Dead à pop feita com teclados sintetizados de 2nd To The Reward, a fazer lembrar Golden Brown dos The Stranglers, Death By Misadventure prova que os The Green Pajamas têm uma incrível capacidade de se envolver em torno de uma ideia e dar-lhe vida, levando-nos, desta vez, através de um fluxo sonoro bastante teatral, para o interior de uma colmeia, num trabalho que vai muito além das próprias canções e que comprova o génio e a extrema capacidade inventiva desta banda de Seattle. Espero que aprecies a sugestão...
01. You Can’t Look 02. Ring Around The Sun 03. The Universe Is Full Of Noise 04. Sky Blue Balloon 05. The Queen’s Last Tango 06. Silk’s Final Breath 07. The Queen Bee Is Dead 08. Wrong Home 09. A Piece Of A Dream 10. Carrie 11. Rain Runs Down 12. Beat Me Sally 13. Supervirgin 14. Christabel 15. In The Moonlight Dim 16. The Spell
Bored Nothing é um projeto de Melbourne, na Austrália, liderado por Fergus Miller. Depois de ter lançado diversas demos e Eps, disponíveis num dos mais interessantes e complexos bandcamps que já tive a oportunidade de espreitar, chegou finalmente um disco, por sinal homónimo, através da Spunk Records.
A sonoridade de Bored Nothing é uma mistura indie lo fi, feita com psicadelia, folk e punk e que se carateriza por uma percurssão acentuada, guitarras contidas e uma voz frequentemente sintetizada e em reverb. Um dos destaques deste Bored Nothing é Bliss, um tema com uma sonoridade também ligeiramente épica e com um vídeo muito original, onde o protagonista principal é o próprio Fergus e gravado por um amigo seu chamado Jared, em casa do músico.
Apesar do nome do projeto, o tédio e aquela frustração tantas vezes plasmadas pelo grunge dos ano noventa, não têm aqui lugar; Mas as guitarras são, como referi, mais contidas e geralmente procuram um ponto de equilíbrio, felizmente quase sempre instável, entre submissão e agressão.
Considero que esta demanda é um reflexo da vida de Miller, considerada um pouco obscura e, talvez, uma das melhores explicações para a postura algo dramática e ofegante da sua voz. Aliás, neste disco homónimo, ficou-me bem claro que estamos na presença de um conjunto de canções que personificam mais do que a história de um indivíduo que ainda anda à procura do melhor registo da sua voz, a história de alguém que busca, usando a música, o melhor da sua própria individualidade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Shit For Brains 02. Popcorn 03. Just Another Maniac 04. Bliss 05. Darcy 06. I Wish You Were Dead 07. Echo Room 08. Get Out Of Here 09. Let Down 10. Snacks 11. Charlie’s Creek 12. Only Old 13. Build A Bridge (And Then How About You Get the Fuck Over It) 14. Dragville, TN
Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois do grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011, Ty está de volta com Twins, mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, o que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual.
Twins foi lançado pela Drag House e, inicialmente, não se identifica logo importantes diferenças realtivamente ao antecessor. No entanto, assim que começa e se ouve as guitarras de Thank God for Sinners, torna-se claro um ambiente mais grandioso, menos caseiro, mais festivos e com acordes e linhas melódicas mais acessíveis.
Uma menor tendência lo fi e uma maior aproximação ao clima natural de um Jack White ou de uns Guided By Voices, são duas evidências e Ty não receia transitar entre o presente e o passado, através da definição de um som atento às tendências atuais, mas que também bebe da nostalgia instrumental firmada há três ou quatro décadas. Por exemplo, a sonoridade ensolarada da década de sessenta e o rock de garagem dos anos setenta estão por todo o lado. Ao acrescentar guitarras sujas às melodias de vozes testadas por diversas bandas ao longo da década de sessenta, nomeadamente os The Beach Boys, o músico estabelece um trabalho recheado pelo contraste, algo bem audível no single The Hill, uma canção que nos espanca com a extraordinária sequência de ruídos estrondosos.
Em Twins, Ty Segall tenta, a todo o custo, parecer grande, nomeadamente quando abraça a psicadelia em Ghost e emThere Is No Tomorrow, duas canções que deixam de lado os tais limites do rock caseiro e convertem-se em momentos de pura exaltação, em busca de um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa.
Felizmente, por muito que legitimamente Ty Segall, procure abarcar novos horizontes sonoros e expandir o seu cardápio de influências, é fantástico perceber que a tal não identificação de importantes diferenças realtivamente aos discos anteriores, assenta em algo que nunca muda, o habitual nível de anarquia firmada na execução de todos os registos que precedem Twinse o mesmo desequilíbrio particular de outrora, sem sofrer de desgaste ou possíveis redundâncias. Espero que aprecies a sugestão...
01. Thank God For Sinners 02. You’re The Doctor 03. Inside Your Heart 04. The Hill 05. Would You Be My Love 06. Ghost 07. They Told Me Too 08. Love Fuzz 09. Handglams 10. Who Are You 11. Gold On The Shore 12. There Is No Tomorrow
Lançado no passado dia cinco de outubro pela Modular, Lonerism é o disco mais recente dos australianos Tame Impala e sucede a Innerspeaker, um álbum que há dois anos transformou este quarteto num dos novos talentos e ícones da cena alternativa e da música psicadélica. Os Tame Impala são de Perth, nos antípodas e liderados pelo multi instrumentista Kevin Parker.
Um dos segredos do sucesso dos Tame Impala está na capacidade que demonstram em replicar a tal psicadelia que surgiu na década de sessenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas. Ainda dentro do tal universo psicadélico, aqui não há aquela sonoridade mais pop de uns MGMT, mas uma revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock clássico que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Os Tame Impala homenageiam então bandas como os Pink Floyd ou os Cream e artistas mais recentes, como os The Flaming Lips e até os My Bloody Valentine.
Ao longo da audição de Lonerism vai-se ficando com a percepção que há aqui uma notável evolução do grupo que, além de replicar as já referidas influências, consegue construir uma sonoridade típica, só deles, ou seja, profundamente inventiva. E assim, fica desde logo evidente que existe um abismo gigantesco entre a sonoridade proposta pelos Tame Impala e o de outras bandas que nos últimos anos têm propagado e procurado abarcar o universo sonoro psicadélico.
Lonerism é um quadro sonoro pintado com guitarras melódicas que constroem cenários policromáticos nos nossos ouvidos. Comparado ao antecessor Innerspeaker, o novo disco é muito mais subtil e naturalmente atrativo. As guitarras são menos cruas e agora deixam-se envolver numa nuvem de distorções leves e acolhedoras. Mesmo que o enquadramento seja outro, é visível ao longo do álbum a construção de músicas que parecem uma continuação aprimorada do que fora testado no disco passado. Elephant e Apocalypse Dreams exemplificam bem essa passagem, como se a banda, ciente da necessidade de evoluir, mantivesse ainda uma forte ligação com o disco passado, sem descurar a óbvia evolução que Lonerism configura, como já referi.
Nas minhas pesquisas descobri que o uso e abuso de várias substâncias psicotrópicas são uma influência confessada pelos Tame Impala e que ajudaram a servir de base a grande parte do conteúdo de Lonerism; Seja como for, muito do que estimula o crescimento do álbum vem de referências maiores e curiosamente externas aos tradicionais apontamentos relacionados ao coletivo. Além das naturais confissões amorosas que se anunciam no decorrer de Why Won’t They Talk To Me? e She Just Won’t Believe Me, muito do que solidifica e amplia os horizontes do grupo advém da necessidade de criar um som pop acessível, já que o próprio Kevin Parker assumiu em entrevistas que, em Lonerism, Tame Impala soa à Britney Spears a cantar com os The Flaming Lips. Se não haviam outras provas mais evidentes, esta simples afirmação prova a tal influência e abuso de alucinogéneos.
A herança de Wayne Coyne e o cheiro constante da banda de Portland persiste nos constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, no almofadado conjunto de vozes em eco e nas guitarras mágicas que se manifestam ao longo da obra e na mestria instrumental de canções como Nothing That Has Happened So Far e Music To Walk Home By.
Em suma, Lonerism, divulgado em Curtas... XLIII, é um disco dotado de uma maturidade particular, com canções que pretendem hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Criativo e coerente, Lonerism parece ser um disco que será melhor compreendido no futuro próximo e, enquanto tal não sucede, resta-nos viajar e delirar ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão...
01. Be Above It 02. Endors Toi 03. Apocalypse Dreams 04. Mind Mischief 05. Music to Walk Home By 06. Why Won’t They Talk to Me? 07. Feels Like We Only Go Backwards 08. Keep On Lying 09. Elephant 10. She Just Won’t Believe Me 11. Nothing That Has Happened So Far 12. Sun’s Coming Up
Os Free Energy são um dos projetos mais interessantes e divertidos que surgiram em 2010. Com um disco tão aditivo como a pastilha elástica que ilustrava a capa do primeiro álbum, Stuck On Nothing, a banda norte-americana está de volta para lançar mais um álbum, intitulado Lovesign. Prevista para o dia quinze de janeiro de 2013, a rodela deverá apostar na mesma sonoridade da estreia, algo que o rock clássico e melancólico do single Dance All Night evidencia. Com versos simples e atrativos, a canção enche as medidas de quem busca um som fácil e livre dos exageros e redundâncias de outros discos do género.
Para assinalar a entrada na Soliti Music, os finlandeses Black Lizard acabam de divulgar uma nova canção intitulada Dead Light e disponível para download gratuito. Os Black Lizard assentam a sua sonoridade no rock piscadélico e hipnótico, com raízes nos anos setenta, na senda de outras bandas atuais, nomeadamente os Brian Jonestown Massacre, Spacemen 3 ou os B.R.M.C., entre outros.
Russ Manning (aka Rush Midnight), ex-baixista dos Twin Shadow, prepara o seu EP +1- inspirado nas viagens que o músico fez pela Europa, Brasil e Austrália. O EP chega a trinta de outubro pelo selo Cascine. The Night Was Young Enoughé o primeiro single extraído do trabalho, uma canção pop cujo vídeo, carregado de sensualidade e dirigido por Sam Ellison e Claudia LaBianca, acompanha um grupo de dançarinas num estúdio cheio de luzes vermelhas.
Naturais de Ontario, no Canadá, os New Hands de Spence Newell, Ben Munoz, Pat O'Brien, Evan Bond e Gordy Bond, estão de regresso às canções e disponibilizaram para download, no bandcamp da banda, Wichever Way You'll Have It, um extraordinário tema, bastante dançável, dominado pelo baixo e pelas guitarras e que nos faz regressar ao que melodica e instrumentalmente de melhor se ouvia nos anos oitenta.
Anthony Ferraro estudava música em Berkeley, numka vertente eminentemente clássica, quando decidiu criar um projeto eletrónico que produz uma dream pop doce, íntima e melancólica, bem produzida e sonoramente lo-fi, mas agradável. O artista diz-se influenciado por bandas como os The XX, Beach House e os The Antlers, principalmente no que concerne à voz.
No passado dia oito de setembro editou o EP Supermelodic Pulp, que tem como grande single o tema Mystery Colors.
Depois de acabar de divulgar Mazes, o álbum de 2011 dos Moon Duo, de Ripley Johnson e Sanae Yamada, eis que já chegou aos escaparates, Circles, o sucessor, no passado dia dois de outubro, através da Sacred Bones.
Neste Circles, a banda de São Francisco segue a mesma linha pop-psicodélica do disco de estreia. De acordo com a banda, a temática do álbum é inspirada num ensaio de Ralph Waldo, lançado em 1841, sobre o voo perfeito, que diz que não há um fim na natureza; O fim é sempre um começo e é possível desenhar um círculo dentro de outro, ininterruptamente.
Como já era de esperar, Circles mantém então a sonoridade de Mazes, assente na percussão, teclados, guitarra e voz. Melodicamente escutam-se canções hipnóticas e com uma dimensão espacial, com a sensibilidade do teclado de Yamada a levar-nos rumo à pop psicadélica dos anos setenta e com os solos e riffs da guitarra de Ripley a exibirem linhas e timbres muito presentes na country americana e no chamado garage rock, apoiado em muita distorção. Espero que aprecies a sugestão...
01. Sleepwalker 02. I Can See 03. Circles 04. I Been Gone 05. Sparks 06. Dance Pt. 3 07. Free Action 08. Trails 09. Rolling Out
Depois de em 2012 já terem editado Comatose e Coccon, dois álbuns amplamente divulgados em Man On The Moon, os londrinos Black Market Karma, uma banda de rock psicadélico natural de Londres, formada por Stan Belton, Mike Sutton, Sam Thompon Garido, Mat Salerno, Louisa Pili e Tom Parker, voltaram aos discos com Easy Listening, a terceira rodela já lançada este ano e mais uma através da Flower Power Records e disponível para download gratuito no sitio da editora, assim como a restante discografia da banda.
Tal como já sucedia com os dois álbuns anteriores, Easy Listeningé movido a guitarras distorcidas e carregado de alucinógeneos. Os Black Rebel Motorcycle Club, The Horrors, Jesus And Mary Chain e os Brian Jonestown Massacre são os eixos sonoros que orientam os Black Market Karma, o que resulta em algo bastante psicadélico e onde se escuta o melhor que há no shoegaze e no rock alternativo, com travos de folk e blues. Em Easy Listening o resultado é um pouco menos barulhento e mais letárgico que o conteúdo de Cocoon ou Comatose, mas não deixam de estar lá as vozes etéreas, as linhas de baixo bem vincadas, as guitarras salpicadas com camadas de efeitos e uma bateria cativante. Espero que aprecies a sugestão...
01. Jingle 02. WW3 03. Grand Theft Brain 04. G to C 05. Slow 06. Dancing On The Sun 07. Bloomer 08. Catsigh 09. Adrone 10. Stars And Stripes (Hammer And Sickle) 11. Neghead 12. Rough Idea
Os londrinos TOY formaram-se em 2010 a partir de elementos dos Joe Lean & The Jing Jang Jong. Atualmente o grupo é formado por Tom Dougall (voz e guitarras), Dominic O'Dair (guitarras), Maxim Barron (baixo e voz), Alejandra Diez (sintetizadores e modulação) e Charlie Salvidge (bateria e voz) e ultimamente tenho ouvido, quase até à exaustão, o primeiro, homónimo e incensado álbum desta banda, lançado no passado dia três de setembro, através da Heavenly Recordings. Este disco de estreia, gravado durante a primavera deste ano, foi produzido por Dan Carey (Mystery Jets, M.I.A, CSS e Hot Chip) e nele escuta-se um leque alargado de sonoridades que incluiem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, aliadas a um trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio.
Uma das maiores curiosidades em torno desta banda reside na data de formação, ou seja, os TOY formaram-se entre o Primary Colours (2009) e Skying (2011), os dois últimos discos dos também ingleses The Horrors (a banda britânica que mais me seduziu nos últimos anos). E parece-me óbvio não só a mim como à maioria da crítica especializada que isso não foi uma coincidência e que o grupo surge impulsionado pela atração que sentem pelo conteúdo de Primary Colours e pela sonoridade única da banda liderada por Faris Badwan, que meses depois retribuiria convidando os TOY a abrirem alguns dos seus concertos na Europa.
Assim, um dos desafios que se coloca durante a audição de TOY é distrinçar alguns detalhes mais genuínos e que de alguma forma possam distinguir as duas bandas. E pessoalmente considero que estes TOY são um pouco mais melancólicos e menos ruidosos que os The Horrors, além de serem influenciados de forma ainda mais intensa pelo krautrock dos anos setenta.
Talvez seja ainda um pouco cedo para se tecer qualquer opinião concreta sobre a banda ou para se fazer apostas sobre como será o futuro dos TOY. O certo é que a estreia é extraordinária, feita através de um disco que demonstra que eles são mais uma daquelas bandas que ajudam a contrariar quem, já por milhares de vezes, anunciou a morte do rock. Apesar de, em abono da verdade, não trazerem nada de novo na sua bagagem sonora, têm um som bastante genuíno e essa acaba por ser a maior virtude deste quinteto londrino; A sua música é parecida com a música de outras bandas, a tal colagem aos conterrâneos The Horrors é indesmentível e por isso, o resto que possam dizer deles pouco me interessa. Os TOY são bons, adorei descobrir um álbum que irá em breve fazer parte da minha coleção particular, até porque Dead & Gonee Lose My Waysão duas das grandes canções de 2012 e, na minha opinião, gostar de TOY é uma simples questão de bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...
CD 1 01. Colours Running Out 02. The Reasons Why 03. Dead And Gone 04. Lose My Way 05. Drifting Deeper 06. Motoring 07. Heart Skips A Beat 08. Strange 09. Make It Mine 10. Omni 11. Walk Up To Me 12. Kopter
CD 2 (BBC Sessions) 01. Left Myself Behind 02. Clock Chime 03. Black White Shimmering Sun 04. Motoring 05. Colours Running Out 06. When I Went Back
Mazes é um daqueles discos que infelizmente já chegam um pouco tarde aos meus ouvidos e acabam por ser divulgados neste blogue ligeiramente fora de horas. No entanto, devido ao seu conteúdo e porque, na minha opinião, estamos na presença de um álbum intemporal e marcante, não o poderia colocar de lado, como já fiz com outras rodelas cuja audição peca por tardia.
Mazes é assinado pelos Moon Duo, uma dupla de São Francisco que se formou em 2009. Os integrantes são Erik Johnson, já conhecido dos Wooden Shjips e Sanae Yamada. Como não podia deixar de ser, o punk e a psicadelia balizam a sonoridade de Mazes porque é dessa cartilha que esta dupla bebe, criando uma sonoridade que assenta num baixo monocórdico e em vocalizações a fazerem lembrar nomes como os Joy Division, Bauhaus ou até mesmo os Motorama.
Sempre admirei a capacidade que as duplas têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, a fórmula selecionada é muito simples e aquilo que sobressai acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução; Nos Moon Duo a sonoridade é constituída por percussão, teclados, guitarra e voz e reina a simplicidade estrutural, algo bem evidente na homónima Mazes, o grande destaque do disco, que remete, no imediato, o grupo para a tal psicadelia. Melodicamente, criam atmosferas notálgicas e hipnotizantes e nos cerca de quarenta e quatro minutos que dura Mazes somos transportados para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea cinzenta, crua e visceral.
Já agora, a grande diferença entre os Moon Duoe os Wooden Shjips, o outro projeto de Erik, tem a ver simplesmente com a presença de Sanae e o cariz pop que ela confere à sonoridade da dupla, não só através da sua excecução nos teclados, mas também porque, juntamente com as distorções criadas por Erik, roubadas quase sempre à synth pop, criam uma identidade própria e imediatamente percetível.
Mazes peca apenas e só por, no geral, levar-nos demasiado longe na questão melancólica e, por isso, talvez não seja recomendável viajarmos com assiduidade ao som desta dupla se não tivermos a companhia de alguém, ou algo que nos faça levitar com maior facilidade. Não é fácil descolar ao som de Mazes mas, se o conseguirmos, é um bom álbum, sem dúvida. Espero que aprecies a sugestão...
01. Seer 02. Mazes 03. Scars 04. Fallout 05. When You Cut 06. Run Around 07. In The Sun 08. Goners
Os The Laurels são uma banda de Sidney, na Austrália, formada por Luke O’Farrell (voz, guitarra), Piers Cornelius (voz, guitarra), Conor Hannan (baixo) e Kate Wilson (bateria). Plains é o disco de estreia do grupo, editado no passado mês de julho pela Rice Is Nice e foi produzido por Liam Judson, o mesmo que orientou o EP Mesozoic, primeiro registo oficial da banda, lançado em 2011.
Changing the Timelineé o primeiro single retirado de Plains e mostra o estilo que já fez desta banda um dos grandes expoentes do shoegaze e do cenário psicodélico dos antípodas em 2012. Já agora, a editora disponibilizou para downloadTidel Wave, a canção de abertura do álbum.
Os The Laurels são mais uma banda, como tantas outras que têm passado por cá, a seguir a tendência de redescobrir e reutilizar sonoridades do passado. Algumas fazem-no de forma descaradamente objetiva, copiando estilos e até melodias de forma exaustiva. Outros conseguem utilizar o som de ontem de outra forma, procurando reinventar, fundir referências e, sobretudo, dar personalidade e um cunho identitário próprio (da banda ou artista) ao som.
Considero que os The Laurels encaixam-se na segunda opção. Plains é um misto de várias sonoridades do passado que, por se combinarem, não ficam datadas. Assim, estamos na presença de um som muito plural, criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos, sem que soem necessariamente presos a esses géneros.
Ouvir este disco é como dar um passeio pela história do pop e da psicadelia e também por outros teritórios.Tidal Wavetraz-nos as guitarras potentes e empoeiradas do shoegaze, também presentes noutras canções eChanging The Timelinecontém uma dose de distorção que lembra os Sonic Youth. No entanto, a música que mais se aproxima do rock psicadélico dos anos setenta é This City Is Coming Down.
Em suma, estamos na presença de um típico disco de estreia, onde há uma banda que procura, desde logo, assumir uma determinada postura sonora, quase até à exaustão. Espero que aprecies a sugestão...
01. Tidal Wave 02. Changing The Timeline 03. Traversing The Universe 04. This City Is Coming Down 05. Glacier 06. Manic Saturday 07. Mesozoic 08. One Step Forward (Two Steps Back) 09. Sway Me Down Gently 10. A Rival
Depois de Comatose, os Black Market Karma, uma banda de rock psicadélico natural de Londres, formada por Stan Belton, Mike Sutton, Sam Thompon Garido, Mat Salerno, Louisa Pili e Tom Parker. Estão de volta aos discos com Cocoon, disco editado no passado dia vinte e nove de junho, novamente através da Flower Power Records. À semelhança do disco anterior, a editora disponibilizou o álbum para download gratuito.
Cocoon não foge muito à linha sonora de Comatose e fez disparar ainda mais o burburinho à volta da banda no seio dos amantes do psicadelismo. Como já referi anteriormente, quando falei do primeiro disco, estesBlack Market Karma têm a estranha capacidade de me fazerem procurar imaginar uma simbiose perfeita entre os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club e os conterrâneos The Horrors. E digo estranha porque, aparentemente, seria impossível encontrar no mesmo invólucro sonoro o melhor de cada uma destas duas bandas, já que, ironicamente, até nem são muitos os detalhes sonoros que as afastam. No entanto, a subtileza com que estes Black Market Karma retiram o melhor que há da psicadelia, do shoegaze e do rock alternativo, com travos de folk e blues, permite-me ter a ousadia de visualizar esta fusão.
Assim, Cocoon mantém o som corrosivo e psicadélico, mas também incorpora belos momentos melódicos que vale a pena escutar com atenção. É um lote de canções que nos levam numa viagem surreal e hipnótica, mas consistente. Cada música parece ter sido criada por um instrumento diferente, com efeitos diferentes, o que dá um efeito um pouco flutuante ao disco, mas sempre com a tal consistência sonoroa descrita acima como bitola. Vozes etéreas, linhas de baixo bem vincadas, guitarras salpicadas com camadas de efeitos e uma bateria cativante, permitem que cada música tenha a sua própria nuvem de som. Espero que aprecies a sugestão...
01. Wilter 02. Refusal 03. Dirty Water 04. Sole Abuser 05. Cocoon 06. If I Could 07. Violet 08. Hold Me Down 09. Neutral 10. Iono 11. Phase Out
Catalogado pela NPR como o melhor álbum dos Radiohead depois de Kid A, WIXIW é o disco mais recente dos Liars, lançado no passado dia cinco de junho, pela Mute.
Poucas bandas se transformaram tanto ao longo da última década como este trio de Nova Iorque chamado Liars e formado por Angus Andrew, Aaron Hemphill e Julian Gross. Deram início à carreira com uma sonoridade muito perto do noise rock, com experimentações semelhantes ao que fora testado pelos Sonic Youth do início de carreira e até com algumas doses de punk dance e aos poucos foram aproximando-se de uma sonoridade mais amena e introspetiva. O que antes era ruído, distorção e gritos desordenados, passou a debitar algo mais brando, com uma proposta de som muito mais voltada para um resultado atmosférico, definição que passou a imperar com evidência desde o disco homónimo lançado em 2007.
Este toque experimental acabou por se manter e WIXIW (pronuncia-se wish you) acaba por ser o culminar de uma tríade que começou no tal Liars de 2007 e prosseguiu em Sisterworld (2010).
WIXIW é um disco colossal, do melhor que já ouvi este ano! E digo-o com racionalidade objetiva, aceitando, obviamente, que para partilharem da minha opinião, terão necessariamente que apreciar o género, já que este é um conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, uma proposta ora banhada por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo.
Com uma estrutura inicialmente lenta e arrastada no decorrer das primeiras audições, o disco aos poucos revela uma variedade de texturas e transformações que parecem filtradas pelos atmosféricos ensinamentos da banda. Lembrando muito os Deerhunter do álbum Halcyon Digest (2010) e nitidamente sem a preocupação de comporem um registo comercial, os Liars tocam a mesma psicadelia suja desse grupo de Atlanta, algo que as guitarras suaves de His And Mine Sensations ou os loopings de distorção de No. 1 Against The Rush evidenciam claramente.
Talvez o que mais caracterize e por vezes distancie WIXIW de anteriores obras seja a tonalidade minimalista que costura todas as canções do álbum, evitando excessos e optando por uma sonoridade intencionalmente controlada. Da voz, passando pelas batidas, teclados, até chegar às guitarras, tudo é moldado de maneira controlada, com acordes minuciosos, a voz reduzida ao essencial e todas as canções a soarem encadeadas, como se todo o disco fosse apenas uma única e extensa canção.
Embora assertiva e capaz de manter a mesma proposta experimental que tanto define a carreira da banda, o teor excessivamente controlado de WIXIW bem como a incapacidade do trio de romper limites acaba por impedir que o álbum alcance um melhor desempenho. Mesmo a aproximação à eletrónica bem presente em Brats, uma das minhas canções preferidas de WIXIW e em doses menores noutras músicas do álbum acaba por afastar os Liars do mesmo caráter desafiador de outrora.
Seja como for, os acertos prevalecem e acabam por proteger a obra, algo sustentado em belíssimas sonorizações instáveis (Octagon), pequenas subtilezas (His And Mine Sensations) e até alguns apontamentos do que poderá vir a ser o futuro próximo dos Liars (Flood To Flood), como se estivessem a preparar-se para lançarem algo ainda maior e mais audacioso. Espero que aprecies a sugestão...
1. The Exact Colour Of Doubt 02. Octagon 03. No.1 Against The Rush 04. A Ring On Every Finger 05. Ill Valley Prodigies 06. WIXIW 07. His And Mine Sensations 08. Flood To Flood 09. Who Is The Hunter 10. Brats 11. Annual Moon Words