Sábado, 28 de Maio de 2016

Metronomy – Old Skool

Metronomy - Old Skool

Dois anos depois de Love Letters, os britânicos Metronomy de Joe Mount estão prestes a regressar aos discos com Summer 08, um álbum que irá ver a luz do dia já a um de julho e que será, certamente, um dos acontecimentos musicais do próximo verão.

Como o nome do tema indica, Old Skool, um dos avanços já divulgados de Summer 08, impressiona pelo clima retro proporcionado pelo funk da batida, um baixo bastante vigoroso e vários arranjos metálicos, aspectos que conferem à canção uma curiosa mescla entre indie rock, eletrónica e hip-hop, numa espécie de fusão entre Daft Punk e Beastie Boys, impressão ampliada por um sintetizador que obedece a uma lógica sonora próxima do chamado discosound, particularmente efusiva e que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade, num ambiente algo psicadélico e que apela claramente às pistas de dança. Confere...


autor stipe07 às 14:45
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

Unknown Mortal Orchestra - First World Problem

Depois de os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielsen e de Jake Portrait e Greg Rogove, terem-nos oferecido Multi-Love, um dos melhores discos do ano passado, eis que voltam a dar sinais de vida com First World Problem, uma extraordinária canção que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contém a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente.

Além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, esta canção ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior. O volume e a densidade instrumental da canção torna indisfarçável a busca dos Unknown Mortal Orchestra de uma melodia agradável, marcante e rica em detalhes e texturas, com uma grandiosidade controlada e que contém um forte apelo às pistas de dança. Confere...

 


autor stipe07 às 22:06
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 24 de Maio de 2016

Damien Jurado - Visions Of Us On The Land

Lançado no passado mês de março pela Secretly Canadian, Visions Of Us On The Land é o novo compêndio de canções do norte americanos Damien Jurado e encerra uma trilogia iniciada em 2012 com Maraqopa, disco ao qual se seguiu Brothers and Sisters of the Eternal Son, dois anos depois.  Este Visions Of Us On The Land foi  produzido por Richard Swift e confirma Damien Jurado como um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas de uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente Jurado.

Este Visions Of Us On The Land é, portanto, uma homenagem profunda aquela América feita de índios e cowboys, mas também de pioneiros, viajantes e exploradores, uma narrativa vibrante onde vozes e instrumentos compôem um painel muito impressivo que nos permite viajar no tempo. E nessa demanda podemos ir até às montanhas rochosas do Utah, à neve do Alasca, ao sol da Califórnia e ao pó do deserto texano ou aos desfiladeiros de Yellowstone, à medida que apreciamos descrições vivas e intensas de cenários que muitas vezes só vemos em filmes.

Assim, e citando alguns dos instantes mais impressivos de um alinhamento que é, no seu todo, um retrato vivo, se Mellow Blue Polka Dot nos coloca bem no centro de um acampamento índio, já o rock psicadélico setentista de Lon Bella senta-nos ao volante de um descapotável em plena Route 66, sem destino fixo, enquanto QACHINA deixa-nos apreciar deslumbre paisagístico de montanhas verdejantes, com fontes de água pura ainda intactas e onde ursos, águias, lobos e veados coabitam pacificamente, sem nunca terem sentido a presença humana.

O alinhamento prossegue e não há como evitar uma enorme sensação de conforto ou esconder o sorriso perante o excelente registo vocal que conduz ONALASKA, o êxtase percussivo carregado de sol da inebriante Walrus, a majestosidade melódica de Exit 353, a cândura e a inocência de Queen Anne ou o aconchegante dedilhar da viola da noturna e introspetiva On The Land Blues, outros exemplos da excelência de um disco que, sendo já o décimo segundo da carreira de Damien Jurado, é um dos momentos maiores da sua carreira, pricncipalmente pelo modo como este músico se coneta com o solo que diariamente pisa e o honra e preserva, mostrando-nos, numa jornada evocativa, o melhor que tem e que sente pelo seu país. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - Visions Of Us On The Land

01. November 20

02. Mellow Blue Polka Dot
03. QACHINA
04. Lon Bella
05. Sam And Davy
06. Prisms
07. ONALASKA
08. TAQOMA
09. On The Land Blues
10. Walrus
11. Exit 353
12. Cinco De Tomorrow
13. And Loraine
14. A.M. AM.
15. Queen Anne
16. Orphans In The Key Of E
17. Kola


autor stipe07 às 21:29
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 23 de Maio de 2016

Mira, Un Lobo! - Heart Beats Slow

Esplendor, exuberância e sentimento, são adjetivos que me assaltaram com insistência o pensamento durante as várias audições de Heart Beats Slow, o refúgio sonoro lançado recentemente pela Tapete Records e criado pelo lisboeta Luís F. de Sousa, que assina a sua música como Mira, Un Lobo!. É um disco com dez canções que apostam as fichas todas na voz eclética do autor, conjugada com arranjos bastante melódicos, refrões simples e versos contundentes, uma estrutura inicial depois suportada por uma invulgar criatividade no manuseamento dos sintetizadores e que está explícita, por exemplo, na intensidade do trip hop de Newborn Killers, mas também por algumas cordas, elétricas e acústicas. É um compêndio sonoro de forte cariz fortemente ambiental, uma verdadeira espiral pop onde não falta também um marcante estilo percurssivo.

Sustentado por uma propensão certamente inata para a feliz sobreposição de várias camadas de sopros sintetizados, mas também inspirado no modo como é capaz de utilizar o simples dedilhar de uma viola para instigar Sliced Guitar, uma das melhores canções deste disco, em Heart Beats Slow Mira, Un Lobo! filtra tudo de modo bastante orgânico, amplo e rugoso, numa linha vincadamente experimental. São canções que se sustentam numa receita particularmente minimal, mas profunda e crua, que cria um universo fortemente cinematográfico e imersivo. A verdade é que parece haver momentos em que o autor toca submergido num mundo subterrâneo, de onde debita sons através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exala desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenhou. A tecla do piano que introduz Like Punching Glass é, por si só, um marco impressivo desta fórmula, mas Tramadol ou Serotonin também demonstram-no, dois temas que parecem ter vida própria, com os seus efeitos a parecer que foram esculpidos e debitados pela própria natureza. E logo depois, assistir ao modo como progride o edifício instrumental que anima Suffocation, obriga a um exercício exigente de percepção, mas que além de ser fortemente revelador é claramente recompensador.

A mesma receita, mas de modo ainda mais grandioso e hipnótico, repete-se em We're Not Far, canção que impressiona pela cândura inicial dos efeitos que manipulam a voz, que funciona e sussurra também como membro pleno do arsenal instrumental, mas que depois se desenvolve e simultaneamente nos envolve, numa espiral de sentimento e grandiosidade, patente também no no frenesim do sintetizador e numa bateria inebriante, não havendo, como se percebe, regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos.

De facto, este Mira, Un Lobo! é mais um bom exemplo de um músico capaz de ser genuíno no modo como manipula o sintético, de modo a dar-lhe vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos ou linhas melódicas dispersas em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico. Os constantes flashes metálicos projetados pelas teclas em várias direções criam um cenário idílico, não faltando, inclusive, no tema homónimo, uma deliciosa pitada psicadélica a escorrer por todos os seus poros, potenciando a incontestável beleza e coerência de um álbum que nos catapulta rumo a um universo invulgarmente empolgante e sensorial, que da eletrónica, à pop, passando pelo rock progressivo cria uma relação simbiótica bastante sedutora, um disco entalhado no ventre da terra mãe e de onde brotou para se tornar na banda sonora perfeita de um território tremendamente sensorial, assente numa arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande obra linda e inquietante. Espero que aprecies a sugestão...

1. Tramadol
2. Newborn Killers
3. Serotonin
4. Suffocation
5. Sliced Guitar
6. We're Not Far
7. Like Punching Glass
8. Spaceman
9. Heart Beats Slow
10. Introduction


autor stipe07 às 23:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 19 de Maio de 2016

Quelle Dead Gazelle - Maus Lençois

Miguel Abelaira e Pedro Ferreira são a dupla que encarna Quelle Dead Gazelle, um projeto artistíco de indie rock experimental, oriundo de Lisboa e que está de regresso aos discos com Maus Lençóis, oito canções produzidas pelos próprios e por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim e que traduzem uma jornada sonora no espaço e no tempo, à procura da expressão melódica da natureza e dos sentimentos humanos, bem como a envolvência entre ambos e que se inspira fortemente na contemporaneidade de um país que vive há meia década assombrado por uma inquietante crise, que começou por ser económica mas que, hoje em dia, é também já uma profunda crise de valores, de ausência de rumo e de identidade, suportada de um povo que parece cada vez mais resignado a toda esta conjuntura e fatalidade.

Mesmo não parecendo presos por amarras ou balizas que enclausurem o arquétipo sonoro pelo qual se regem, o alargado espetro rítmico de uma bateria capaz de encarnar as diferentes personagens que ganham vida em cada uma destas canções e o timbre típico agudo e lo fi da guitarra, que se afirma, também, como uma verdadeira imagem de marca desta dupla, mostra que a bitola sonora destes Quelle Dead Gazelle andará sempre em redor do post rock com uma forte componente melódica, um aspeto essencial do adn do grupo, bem patente quer na toada mais étnica de Burundi ou no groove efusivo de Pedra Pomes, apenas dois exemplos de como, apesar da ausência da compoente lírica, é possível escutar Maus Lençóis e perceber que há aqui uma narrativa de diferentes tramas. É possível apreciar este álbum do mesmo modo que abrimos um livro e, de facto, contemplá-lo é quase como abrir várias áginas já que, realmente, percebe-se a existência dessa linha sonora contínua, onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Sejamos, ou não, apreciadores desta sonoridade mais crua, ríspida e claramente experimental, mas inspirada e sentida, não é possível escutar Maus Lençóis sem absorver a obra como um todo e entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o seu alinhamento é resultado da mais pura satisfação, como se os Quelle Dead Gazelle projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, num resultado final que se assume como um álbum conceptual, que impressiona pela beleza utópica de composições que exploram ao máximo a relação sensorial humana, com um som psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar e, contendo belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte da essência do grupo, trespassam sempre o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui de maneira hermética e acizentada, como convém a uma crise bem sucedida. Espero que aprecies a sugestão...

Maus Lençóis cover art

Sede

Pedra-Pomes

Vaca Fria

Abismo

Burundi

Costas Quentes

Chavalo Lusitano

Fala Baixo


autor stipe07 às 22:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

Marvel Lima - Fever

Depois de em 2014 terem surpreendido a mais atenta crítica nacional com Mi Vida, canção que seria o primeiro avanço para o disco de estreia, que parece que irá ver, finalmente, a luz do dia, lá para setembro, à boleia da editora pontiaq, os alentejanos Marvel Lima acabam de divulgar uma nova prova sonora, que comprova ser este um projeto a ter claramente em conta no panorama indie e alternativo nacional.

Esse sinal dado por este quinteto oriundo de Beja, intitula-se Fever, um tema que encontra a sua alma e pujança numa mistura de indie pop e indie rock com o punk e o post rock, sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, um cocktail ampliado por uma elevada dose de emoção, arrojo e amplitude progressiva que, conforme indica o press release do lançamento, també conta com um forte tempêro mediterrâneo e uma assumida influência latina. Confere...


autor stipe07 às 22:02
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 17 de Maio de 2016

The Weatherman - Eyeglasses for the masses

Gravado nos estúdios Hertzcontrol em Caminha por Marco Lima, produzido pelo próprio e por e Alexandre Almeida, e misturado nos SoundHill Studios no Porto por João André, Eyeglasses For The Masses é o quarto e novo registo de originais de The Weatherman, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, cujo universo pop e psicadélico nos remete para um mundo sonoro onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como os The Beatles, claramente audíveis na cândura de Now & Then, ou os Beach Boys, homenageados a preceito em Endless Expectations, são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da pop e da eletrónica atual.

Masterizado em Los Angeles pela mão do galardoado Brian Lucey (Artic Monkeys, Black Keys, The Shins, Beck, Sigur Ros, entre outros), Eyeglasses For The Masses assinala uma década de carreira de um músico que sempre demonstrou ser um inspirado e comovente escritor de canções e que, desta vez, quis, de acordo com o press release do lançamento, mover tudo e todos com o poder de uma grande canção. De facto, apoiado pela enorme mestria com que manipula, principalmente, as teclas de um piano, The Weatherman dá-nos a mão e convida-nos a penetrar sem hesitações num disco que faz de nós, inicialmente estranhos numa terra estranha, acabados de chegar ou prontos para partir, num alinhamento que funciona como um campo de sacos cheios de memórias onde a vida se refugia ou fica presa, quando o amor nos resolve pregar, mais uma vez, uma enorme partida.

Tal como esse amor, esta é uma viagem empolgante, onde tudo começa e acaba, instigados pela motivação de canções tão felizes como All The In Between e outras capazes de manipular a nossa mente fragilizada e entorpecida para o lado mais positivo da existência humana, algo que sucede intuitivamente a quem se deixar embrenhar pela monumentalidade instrumental de A Kind Of A Bliss, canção que nos oferece uma sensação de liberdade incomensurável, com o bónus de expirar do nosso âmago toda a cegueira, vertigem, ou abismo, que a solidão tantas vezes nos proporciona.

Parece-me que para quem recentemente ficou só e sente medo que essa fatalidade se prolongue no tempo, algo que nem sempre está nas nossas mãos evitar, este é um álbum que pode indicar pistas seguras para que tal não suceda e que nos pode mostrar o que há do outro lado do vidro que reflete a nossa existência, agora algo perdida. Se tantas vezes nos esquecemos que aquilo que é esta fragilidade que é visível, principalmente aos outros, pode ser apenas aparente, o grito de esperança que desembrulhamos em Unpack My Mind, mostra-nos que muitas vezes depende da nossa força interior o encontro, ou não, de uma nova felicidade, que tantas vezes, por conformismo ou pessimismo, julgamos inatingível.

Mesmo que o ideário global do autor, ao idealizar Eyeglasses For the Masses, não tenha tido esta premissa de busca e reencontro do lado mais positivo e colorido da existência e da felicidade, não há como resistir a esse forte apelo, algumas vezes bastante emotivo, em onze canções onde se cruzam pessoas e factos reais, que nos ensinam que há escolhas que dependem exclusivamente de nós e que nunca devemos condicionar o nosso acesso ao amor devido à nossa religião, estatuto social ou género. One Of These Days, tudo ficará novamente no sítio certo, nem que isso signifique a nossa vida precise de ser completamente virada do avesso. Espero que aprecies a sugestão...

At The In Between

To The Universe

A Kind Of Bliss

Now & Then

Eyeglasses For The Masses

Endless Expectations

Unpack My Mind

Ice II

One Of These Days

Good Dreaming

Call All Monkeys (bonus track)


autor stipe07 às 21:22
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 13 de Maio de 2016

Hooded Fang - Venus On Edge

Chegou hoje aos escaparates à boleia da DAPS Records Venus On Edge, o muito aguardado quarto álbum dos canadianos Hooded Fang, uma banda natural de Toronto, formada por April Aliermo, Daniel Lee, D. Alex Meeks e Lane Halley e que do blues dos anos sessenta ao rock de garagem, são competentes na forma como abordam diferentes estilos e tendências dentro do universo sonoro mais experimental e alternativo.

De regresso à Daps Records, a etiqueta com a qual lançaram o homónimo de estreia em 2010,  que na altura impressionou a crítica mais atenta e onde também incubaram o sempre difícil, mas também bem sucedido, segundo álbum, intitulado Tosta Mista, este quarteto tem vindo a apresentar um som cada vez mais adulto e intrincado, com uma forte tonalidade urbana e típica dos subúrbios. O baixo e a guitarra abrasiva de Tunnel Vision e os desvios rítmicos percussivos dessa canção, clarificam, logo no começo do alinhamento, que este é um disco com uma forte componente instrumental, um trabalho exploratório que sem colocar definitivamente de lado a essência pop dos anos sessenta e setenta, que tem sempre acompanhado os Hooded Fang, pisca o olho a um universo ainda mais progressivo e sombrio.

Já convencidos e esclarecidos do que nos espera daí em diante, embrenhamo-nos corajosamente em Venus On Edge e, ainda sem sabermos que, lá mais para o ocaso, o solo do baixo de Vacant Light vai convencer definitivamente os mais cépticos acerca da excelência criativa destes Hooded Foang, a distorção aguda e o ritmo frenético do baixo impulsivo de Shadow e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento blues de Plastic Love, são bons exemplos de duas canções que poderiam estar esquecidas algures numa cassete legendada com uma banda lá do bairro, que apesar de nunca ter saído de um sala de ensaios que também servia de destilaria, tinha todo o potencial para poder chegar a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas, como parece ser o caso destes Hooded Fang, prestes a conseguir posição de relevo na esfera indie internacional, se Venus On Edge lhe possibilitar o destaque que merecem.

A verdade é que, apesar de serem canadianos, Venus On Edge poderia ter sido gravado num velho saloon do oeste americano, cheio de cowboys a destilar whisky. O rock americano, com uma produção forte e notoriamente agressiva e progressiva, torna-se num verdadeiro cavalo de batalha na crueza lo fi e rugosa de Glass Shadows e no ambiente inquietante de Impressions, duas canções que são um verdadeiro caldeirão insinuante de ruído ordenado e feito com propósito e com todos os tiques do melhor punk rock que se pode escutar atualmente

Querem cantem sobre o amor no seu estado mais puro ou se debrucem sobre paragens de autocarros e como poderão ser um belo local para morrer, estes Hooded Fang são, definitivamente, mestres na manipulação do ruído sem colocar em causa propósitos melódicos e a necessária acessibilidade que lhes permita atingir uma base sustentada de ouvintes, nunca defraudando a essência de um projeto que, disco após disco, aperfeiçoa a abordagem experimental ao universo indie punk rock, através de um noise com uma base sonora bastante peculiar, ora banhada por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. Espero que aprecies a sugestão....

Hooded Fang - Venus On Edge

01. Tunnel Vision
02. Shallow
03. Plastic Love
04. Dead Battery
05. Glass Shadows
06. Impressions
07. Miscast
08. A Final Hello
09. Vacant Light
10. Venus


autor stipe07 às 18:54
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 5 de Maio de 2016

Suuns – Hold/Still

Num momento de enorme e justificada histeria coletiva devido ao novo álbum dos Radiohead, prestes a ver a luz do dia não se sabe bem quando, vindo de onde, como e com o quê, não deve passar em claro e despercebido aquele que poderia ser, para mim, o melhor lançamento discográfico desse grupo de Oxford depois de Kid A. Refiro-me a Hold/Still, um compêndio de onze canções com a chancela da Secretly Canadian e assinado pelo excelente projeto Suuns, um quarteto oriundo de Montreal, no Canadá. Os Suuns apareceram em 2007 pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em 2010 com Zeroes QC, três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, trendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa, sendo este Hold/Still, o terceiro disco, a confirmação de estarmos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

Fall, o primeiro tema do alinhamento de Hold/Still, coloca-nos bem no centro de um noise rock que não deixa de nos fazer recordar experimentações semelhantes ao que foi testado pelos Sonic Youth do início de carreira e logo depois, em Instrument, existe uma implícita dose de punk dance que enquanto nos aproxima de uma sonoridade algo amena e introspetiva, mostra-nos a abrangência destes Suuns e o modo quase impercetível como mesclam orgânico e sintético com propósitos bem definidos.

Na verdade, o que parece ser inicialmente apenas ruído, distorção e gritos desordenados, passa a debitar algo mais brando, com uma proposta de som muito mais voltada para um resultado atmosférico, definição que se amplia com evidência em UN-NO, canção onde o dedilhar e a distorção da guitarra oferece aquele toque experimental que nos faz crer, logo ao terceiro tema, que este é um disco colossal, do melhor que já ouvi este ano! E o pendor hipnótico, intenso e efervescente de Resistance e de Translate, assim como a rugosidade intensa e algo caótica de Brainwash, reforçam tal impressão com racionalidade objetiva, sobre um conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, uma proposta ora banhada por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. 

Com uma estrutura inicialmente lenta no decorrer das primeiras audições, o disco aos poucos revela uma variedade de texturas e transformações que parecem filtradas pelos atmosféricos ensinamentos da banda. É uma espécie de  psicadelia suja, que além da pafernália de sons sintetizados que contém, é banhada, ora por guitarras suaves, ora por loopings de distorção, numa união com uma certa tonalidade minimalista, que costura todas as canções do álbum, evitando excessos e onde tudo é moldado de maneira controlada, com acordes minuciosos e com a voz reduzida ao essencial, com todas as canções a soarem encadeadas, como se todo o disco fosse apenas uma única e extensa canção.

Assertivos e capazes de romper limites, os Suuns oferecem-nos, em Hold/Still, entre belíssimas sonorizações instáveis e pequenas subtilezas, um portento sonoro de invulgar magnificiência, com proporções incrivelmente épicas, um disco bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero a quem se deixar enredar nesta armadilha emocionalmente desconcertante, feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Suuns - Hold-Still

01. Fall
02. Instrument
03. UN-NO
04. Resistance
05. Mortise And Tenon
06. Translate
07. Brainwash
08. Careful
09. Paralyzer
10. Nobody Can Save Me Now
11. Infinity


autor stipe07 às 20:56
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 4 de Maio de 2016

Wussy – Forever Sounds

Considerados por imensa crítica especializada como a melhor banda norte americana da atualidade, os Wussy andam por cá desde 2001 e acabam de regressar aos discos com Forever Sounds, o sexto registo de originais da carreira deste grupo oriundo de Cincinnati, no Ohio e formado por Chuck Cleaver, antigo líder dos Ass Ponys e Lisa Walker, Mark Messerly, Joe Klug e John Erhardt. Este tomo de dez canções viu a luz do dia à boleia da insuspeita Shake It Records, sendo já um marco discográfico do ano no panorama alternativo norte americano.

Intensos, rugosos e com um cardápio sonoro impregnado com um manancial de efeitos e distorções alicerçadas em trinta anos de um indie rock feito com guitarras bastante inspiradas, estes Wussy transportam já uma herança no seu cardápio que sempre buscou texturas sonoras abertas, melódicas e expansivas, mas onde o ruído e o pendor lo fi são também traves mestras da sua filosofia sonora. O magnífico reverb da guitarra de Donny’s Death Scene, a luminosidade melódica de Hello, I'm A Ghost, a comoção latente em Sidewalk Sale, ou  a grandiosidade do single Dropping Houses, composição que exibe linhas e timbres de cordas eletrificadas muito comuns no chamado garage rock, uma produção suja, um registo vocal cru e um ruído constante, são aspetos que nunca inibem os Wussy de se manterem concisos e diretos na visceralidade controlada que querem exalar e provam elevada competência no modo como, nos exemplos citados, separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que lhes dão substância.

Muitas vezes torna-se demasiado dominante e percetivel a distorção das guitarras em bandas que apostam no espetro sonoro relacionado com o indie rock mais cru, mas no caso deste quinteto tal preponderância atinge uma bitola qualitativa elevada, além de não faltar uma porta aberta a um saudável experimentalismo. O modo exemplar como Forever Sounds amplifica estas impressões faz deste Wussy um nome a reter com urgência, impulsionados por um disco que é um espetacular tratado de indie punk rock aternativo, aditivo, rugoso e viciante. Confere...

Wussy - Forever Sounds

01. Dropping Houses
02. She’s Killed Hundreds
03. Donny’s Death Scene
04. Gone
05. Hello, I’m A Ghost
06. Hand Of God
07. Sidewalk Sale
08. Better Days
09. Majestic-12
10. My Parade


autor stipe07 às 21:41
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Maio 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
14

15
16
20
21


29
30
31


posts recentes

Metronomy – Old Skool

Unknown Mortal Orchestra ...

Damien Jurado - Visions O...

Mira, Un Lobo! - Heart Be...

Quelle Dead Gazelle - Mau...

Marvel Lima - Fever

The Weatherman - Eyeglass...

Hooded Fang - Venus On Ed...

Suuns – Hold/Still

Wussy – Forever Sounds

Electric Man - Electric M...

Parquet Courts - Human Pe...

Woods – City Sun Eater In...

Doug Tuttle – It Calls On...

Ghost King - Bones

Glass Vaults - Life Is Th...

Old Jerusalem - A rose is...

Elephant Stone - Where I'...

The KVB – Of Desire

Capitão Fausto - Amanhã T...

X-Files

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds