Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Craft Spells - Nausea

Oriundos de São Francisco, na Califórnia e formados por Justin Paul Vallesteros, Jack Doyle Smith, Javier Suarez e Andy Lum, os norte americanos Craft Spells estão de regresso aos discos Nausea, um trabalho que viu a luz do dia a dez de junho por intermédio da Captured Tracks e que sucede a Idle Labor, o disco de estreia dos Craft Spells, lançado em 2011 e ao EP Gallery, editado no ano seguinte.


Os Craft Spells são mais um daqueles projetos que aposta numa indie pop com um cariz tipicamente lo fi e shoegaze, plasmada em composições recheadas com aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.  Os anos oitenta e a psicadelia de décadas anteriores preenchem o disco e ao longo da audição de Nausea percebemos que o álbum reforça a capacidade de Vallesteros e seus parceiros em promover novos conceitos dentro da mesma composição acolhedora da estreia, à medida que entregamos os ouvidos a um disco fresco e hipnótico e assente numa chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos.

Nausea é, portanto, um compêndio de onze canções construídas em redor de uma bateria eletrónica, guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições, algumas delas verdadeiros tratados de dream pop, carregadas de detalhes deliciosos, principalmente na forma como as guitarras ocupam todas as lacunas do disco, um esforço que sobressai em alguns temas de maior duração, nomeadamente a apaixonante Komorebi e a lisérgica Changing Faces, mas com a luminosa e divertida Twirl ou mesmo a espiral sonora de Laughing for My Life a serem bons exemplos da mestria com que os Craft Spells tocam para criar uma obra equilibrada e assertiva.

Disponibilizado para download gratuito no soundcloud da editora, Breaking The Angle Against The Tide é o primeiro single divulgado de Nausea, um grandioso tratado musical de indie rock e outro destaque de um trabalho que teve uma difícil gestação e que ganhou vida depois de Vallesteros ter confessado estar a atravessar um período difícil em termos criativos, que fez com que o próprio se tivesse isolado do mundo, de modo a reencontrar-se, apenas acompanhado pela música de Haroumi Hosono e Yukihiro Takahashi, a dupla dos Yellow Magic Orchestra e que acabaram por ser uma influência decisiva em Nausea.

Liricamente mais direto e incisivo e menos inocente e idealista que o disco de estreia, Nausea fala sobre o amor e fá-lo já de forma madura e consciente e que nos conquista, por se servir de uma sonoridade envolvente e sedutora e mesmo nas instrumentais Instrumental e Still Fields (October 10, 1987) percebe-se que o amor está lá e que as melodias foram criadas tendo em conta esse sentimento único. No entanto, Komorebi é, talvez, a canção onde esta temática vibra de forma mais vincada e apaixonada, com o cruzamento entre uma melodia hipnótica e cativante com uma letra profunda e consistente, a ganhar contornos verdadeiramente únicos.

Ouvir Nausea é acompanhar os Craft Spells numa curiosa viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisas e diretas, mas sentidas na forma como resgatam as confissões amorosas de Vallesteros e as nossas, caso partilhemos da mesma compreensão sentimental. Espero que aprecies a sugestão...

Craft Spells - Nausea

01. Nausea
02. Komorebi
03. Changing Faces
04. Instrumental
05. Dwindle
06. Twirl
07. Laughing For My Life
08. First Snow
09. If I Could
10. Breaking The Angle Against The Tide
11. Still Fields (October 10, 1987)

 


autor stipe07 às 21:44
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Slowness – How To Keep From Falling Off A Mountain

Formados em 2008 em São Francisco, os norte americanos Slowness são uma dupla formada por Julie Lynn e Geoffrey Scott. Deram início às hostilidades com Hopeless but Otherwise, um EP produzido por Monte Vallier (Weekend, The Soft Moon, Wax Idols) e no ano passado surpreenderam com o longa duração For Those Who Wish to See the Glass Half Full, produzido pelo mesmo Vallier e que teve uma edição física em vinil, via Blue Aurora Audio Records. Agora, no passado dia três de junho, foi editado How to Keep From Falling Off a Mountain, o sempre difícil segundo disco.

Algures entre Stereolab, os seus conterrâneos The Soft Moon e Slowdive, os Slowness são uma excelente banda para se perceber como os anos oitenta devem soar em 2014. Produzido, como é habitual, por Vallier, How To Keep From Falling Off A Mountain são oito canções tranquilas, com leves pitadas de shoegaze e pós rock, mas nada de muito barulhento, apesar de uma forte componente experimental, explícita logo no início na sobreposição de distorções e efeitos de guitarras em Mountain. Division e Illuminate têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e são para mim os grandes momentos do disco, belos instantes sonoros pop onde a voz é colocada em camadas, bem como as guitarras, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa.
As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Se a já citada Illuminate remete-nos para uma certa onda dançante do Primary Colours, dos The Horrors, a canção seguinte, Anon (Part I), usa as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E nos restantes temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por How To Keep From Falling Off A Mountain.
De certa forma, os Slowness seguem as pisadas do pós punk mais sombrio, que busca uma sonoridade menos comercial e mergulha num oceano de ruídos, com um certo toque de psicadelia, atestando, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, além de provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.
How To Keep From Falling Off A Mountain não vai dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico, como uma veia mais etérea e até melancólica. É um disco bom para ouvir enquanto se contempla o céu naqueles finais de tarde junto a um mar sem ondas. Espero que aprecies a sugestão...

Slowness - How To Keep From Falling Off A Mountain

01. Mountain
02. Division
03. Illuminate
04. Anon (Part I)
05. Anon (Part II)
06. Anon (Part III)
07. Anon (Part IV)
08. Anon (A Requiem In Four Parts)


autor stipe07 às 22:17
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Domingo, 20 de Julho de 2014

The KVB – Out Of Body EP

Nicholas Wood e Kat Day são o núcelo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós-punk britânico dos anos oitenta. Out Of Body é o mais recente registo de originais da dupla, um EP com seis canções lançado pela a Recordings.

Gravado por Fabien Leseure nos estúdios da editora e nos estúdios H1-3, em Funkhaus, nos arredores de Berlim e com a participações especial de Joe Dilworth, na bateria, Out Of Body é um exemplo claro de que é possível ainda apresentar uma sonoridade própria e um som adulto e jovial, mesmo que o género musical esteja já algo saturado de propostas que pretendem destacar-se e obter uma posição relevante. Os The KVB não esmorecem perante a concorrência e neste EP esmeraram-se na construção de canções volumosas, viabilizadas por se deixarem conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras e na bateria, instrumentos que se entrelaçam na construção dos melhores momentos do trabalho, com especial destaque para Heavy Eyes, música onde a banda espreita perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

No entanto, instrumentalmente, From Afar e, principalmente, Cartesian Bodies, são os momentos altos do EP, canções conduzidas por um baixo vibrante e que recordam-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva do sintetizador. No final, Between Suns segue as pisadas deixadas pelos cinco temas anteriores mas, além do baixo vibrante e de uma guitarra carregada de fuzz e distorção, há uma toada que privilegia a primazia da bateria, cheia de mudanças de ritmo, outro traço identitário do rock psicadélico, assim como alguns arranjos delicados feitos com metais quase impercetiveis.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB, logo na estreia, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Out Of Body é um excelente EP e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver. É que se há projetos que atestam a sua maturidade pela capacidade que têm em encontrar a sua sonoridade típica e manter um alto nível de excelência, os The KVB provam já a sua na capacidade que demonstram em mutar a sua música e adaptá-la a um público ávido de novidades, de algo novo e refrescante e que as faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Out Of Body

01. All Around You
02. From Afar
03. Heavy Eyes
04. Cartesian Bodies
05. Across The Sea
06. Between Suns

 

 


autor stipe07 às 23:38
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Parquet Courts - Sunbathing Animal

Liderados por Andrew Savage, os Parquet Courts são um quarteto norte americano que apresentei em 2012 por causa de Light Up Gold, um disco que incorpora aquela sonoridade crua, rápida e visceral, que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Dois anos depois, esta banda oriunda de Brooklyn, em Nova Iorque, regressou aos lançamentos discográficos com Sunbathing Animal, um álbum que foi editado a três de junho por intermédio da What’s Your Rupture/Mom + Pop.

Sunbathing Animal pode começar a ser escutado logo pelo single homónimo, uma canção assente num punk rock vigoroso e cheio de guitarras distorcidas, mas logo aí percebe-se que a atmosfera musical enraivecida e algo descontraída da estreia é apenas uma mera recordação. Sunbathing Animal continua a ser um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das suas diferentes composições, sempre com o acompanhamento exemplar do baixo e não deixa de soar a um daqueles trabalhos que parece ter sido gerado por artifícios caseiros de gravação, além de não descurar métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu o rock em finais dos anos setenta. No entanto, é um disco mais maduro que Light Up Gold e nele Savage continua a escrever canções para ouvir a qualquer hora do dia, sem que necessariamente seja preciso uma solução filosófica para desvendar os seus versos, mas entrega-se de forma mais incisiva à escrita, com temas que abordam o tédio do dia a dia (Into The Garden), o amor (Dear Ramona) ou o simples flirt (Always Back In Town) e onde parece possível visualizar histórias de vida comuns, através da audição de retratos honestos sobre pessoas (She’s Rolling) ou sentimentos (Instant Disassembly), numa Nova Iorque cheia de gente algo inócua, mas que não deixa de ser honesta e de ter o seu encanto.

Esta relação estreita dos Parquet Courts com a sua cidade não é apenas percetível nas letras; A componente instrumental remete-nos facilmente para a herança dos The Velvet Undergorund de John Cale. Os arranjos sujos e as guitarras desenfreadas da já citada She's Rolling, um tema com uma forte índole psicadélica, são um exemplo claro dessa aproximação, mas nomes como os Television (Black and White), Talking Heads (What Color Is Blood) e até os britânicos Wire também passeiam as suas influências pelo disco.

Independentemente de todas as referências nostálgicas que Sunbathing Animal possa suscitar, o que importa reter é o seu conteúdo musical e a verdade é que neste trabalho, em pouco mais de quarenta minutos, os Parquet Courts apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido numa simbiose entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

01 Bodies
02 Black and White
03 Dear Ramona
04 What Color Is Blood
05 Vienna II
06 Always Back in Town
07 She's Rollin
08 Sunbathing Animal
09 Up All Night
10 Instant Disassembly
11 Duckin and Dodgin
12 Raw Milk
13 Into the Garden


autor stipe07 às 22:08
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

TV Girl - French Exit

Os TV Girl são uma banda de São Diego formada por Trung Ngo e Brad Peterson e tocam aquele típico bedroom pop, lo fi, caseiro e deliciosamente irresistível. No final de 2010 e já em 2011 lançaram uma série de EPs, sempre disponibilizados gratuitamente, com especial destaque para o EP Dirty Gold, resultado de uma parceria com os Dirty Gold, também de San Diego e em cuja edição as bandas partilharam uma versão da outra. No início do passado mês de junho, chegou finalmente o primeiro longa duração dos TV Girl, um trabalho intitulado French Exit e também disponivel para download no bandcamp da banda.

Seria perfeitamente natural que os TV Girl optassem, no primeiro longa duração da história do grupo, por uma súmula dos EPs lançados anteriormente, mas um dos aliciantes de French Exit é ser constituído por um alinhamento de doze canções que são inéditos na carreira da dupla.

Acaba por ser muito apropriado este álbum surgir nesta época já que ele desperta em nós imagens mentais que forçosamente nos remetem para situações vividas em dias cheios de sol, luz, água e calor. Pantyhose, o tema de abertura, mas, principlamente, a atmosfera vibe e relaxada do indie surf de Birds Don't Sing trazem-nos à memória o clima quente e tropical, tão apropriado para este verão que apesar de teimar em manter-se tímido e reservado, terá certamente ainda dias com luz, cor e calor para nos brindar e onde estas canções dos TV Girl encaixarão certamente e com particular sincronia. Essa canção, o single já retirado do disco e Daughter Of A Cop, impressionam pela forma relaxante como conjugam alguns arranjos que piscam o olho declaradamente ao jazz e à bossa nova e todos juntos, de mãos dadas, apresentam um verdadeiro festim sonoro para os nossos ouvidos sempre sedentos de paisagens sonoras relaxantes e elegantes.

Ouvimos cada uma das músicas deste trabalho e conseguimos, com uma certa clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que foram sendo adicionados e que esculpiram as canções, com particular destaque para as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e para alguns arranjos sintéticos que sobressaiem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

O clássico indie power pop, lo fi, mas alegre e luminoso, assentará arraiais onde quer que French Exit se escute; Além dos destaques já referidos, a graciosidade dos teclados em Louise, uma canção enfeitada com vários samples de vozes femininas, ou a pop adocicada de Hate Yourself e The Getaway, ou o charme inconfundível de The Blonde são canções que merecem todo o destaque, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. A fusão destas várias influências não se restringe a estas canções, mas permeia todo o disco, de forma extremamente contagiante.

Em suma, French Exit são doze canções que se ouvem em pouco mais de trinta minutos, temas curtos e diretos, mas com a duração suficiente para transmitirem uma mensagem alegre e divertida. Guitarras luminosas e com as cordas a vibrar acusticamente ou ligadas às máquinas, um baixo vibrante e uma bateria cheia de potência e cor, são os ingredientes principais de que os TV Girl se servem para dar vida a estas canções. As mesmas têm uma tonalidade e uma temática um pouco adolescente, bem recreada na capa do álbum, que evoca a melancolia dos nossos verdes anos, mas é um compêndio sonoro onde esta dupla californiana avança em passo acelerado em direção à maturidade, num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

01 – Pantyhose
02 – Birds Dont Sing
03 – Louise
04 – Hate Yourself
05 – The Getaway
06 – Talk to Strangers
07 – The Blonde
08 – Daughter of a Cop
09 – Lovers Rock
10 – Her and Her Friend
11 – Come When You Call
12 – Anjela


autor stipe07 às 21:37
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Domingo, 13 de Julho de 2014

Viet Cong - Cassette EP

Uma das melhores surpresas do ano são os Viet Cong, uma banda formada por Matt Flegel e Mike Wallace, dois músicos dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo e aos quais se juntam Scott "Monty" Munro e Danny Christiansen. No passado dia oito de julho os Viet Cong editaram, através da Mexican SummerCassette, um EP que inclui no seu alinhamento Static Wall, uma incrível canção que nos leva numa viagem do tempo até à psicadelia dos anos setenta, assim como o restante alinhamento de sete canções.

Logo no início, em Throw It Away, ao revisitarem a herança dos Rolling Stones, percebe-se que estes Viet Cong não têm receio de mostrar a capacidade intrínseca que possuem para replicar a psicadelia que surgiu na década de sessenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas. Logo de seguida, Uncouscious Melody faz uma revisão dessa psicadelia, mas numa busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes desse espetro sonoro que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

O EP prossegue repleto de surpresas e Oxygen Feed inflete em direção à mesma época, mas através de uma pop luminosa tão solarenga como o verão de Calgary, onde a banda reside. E enquanto a música avança e depois Static Wall e a sintetizada Structureless Design encaixam no mesmo ambiente sonoro, deixamo-nos ir com eles enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que buscam uma qualquer praia onde depois do pôr do sol cabe uma fogueira que se acende noite dentro e onde existe um vidrão que irá ficar cheio, enquanto a areia se confunde com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação não deixaria raízes para que no futuro se instalasse uma onda revivalista em redor da sonoridade que daí brotava, deve ouvir atentamente Dark Entries porque ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove da guitarra e da voz sintetizada de Matt, a grande força motriz de um EP dotado de uma maturidade particular, com canções que pretendem hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, mas com os pés bem fixos no presente. Criativo e coerente, Cassette parece ser um EP que será melhor compreendido no futuro próximo e, enquanto tal não sucede, resta-nos viajar e delirar ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão... 

01 Throw It Away
02 Unconscious Melody
03 Oxygen Feed
04 Static Wall
05 Structureless Design
06 Dark Entries
07 Select Your Drone


autor stipe07 às 17:48
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Sábado, 12 de Julho de 2014

Kasabian – 48:13

Lançado através do consórcio RCA/Columbia 48:13 é o tempo de duração exato e o nome do quinto álbum de estúdio dos Kasabian, o novo disco desta banda liderada por Tom Meighan e um trabalho produzido por Sergio Pizzorno, o guitarrista da banda.

48:13 é um álbum pesado, marcante, elétrico e explosivo e logo desde a primeira canção; Bumblebee traz consigo todo o esplendor festivo dos Beastie Boys e ao longo do tema sente-se a vibração a aumentar e diminuir de forma ritmada e damos por nós a desejar que o resto do disco seja assim. A urgente e grandiosa Stevie não fica atrás e, após seres bombardeado com uma percurssão muito vincada e uma guitarra cheia de fuzz, quando te apercebes já estás a cantar o refrão, devendo esta canção de ser uma das escolhas para single, algo que, na minha opinião, seria bem recebido pela crítica.

O festim é interrompido um pouco por Mortis, um dos dois interlúdios do disco, juntamente com Levitation, mas logo de seguida Doomsday e Treat levam-nos de volta ao indie rock cru e direto, que não descura a presença de sinteitzadores cheio de efeitos, com a função, várias vezes simultânea, de conferirem alguns detalhes e uma energia diferente ao corpo das canções que não defruadam quem quer abanar a anca ao som de algo grandioso. Esta Treat, uma canção que explora a temática do groove sobre diferentes espetros e Glass, um tema que conta com a paticipações especial do rapper Suli Breaks, são duas das faixas mais interessantes de 48:13, já que há um sintetizador com um cariz fortemente experimental e límpido a guiar às cançôes e abrem-se algumas pistas interessantes acerca do futuro discográfico dos Kasabian, que poderá partir em busca de ambientes pop mais épicos e etéreos, o que não deixa de ser curioso já que foi o guitarrista a produzir este álbum.

O eletro rock bem vincado, pulsante e visceral de Clouds e o agitado e ritmado single Eez-eh é mais uma grande sequência do disco e, pouco depois, ele termina com a apoteótica S.P.S, uma típica canção de fim de festa, daquele nascer do sol que incomoda o olhar depois de termos perdido a noção do tempo.

A perceçao final que fica é que, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos sintetizados, pelos efeitos e pelas vozes, tudo se movimentou de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de 48:13 tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de eletrónica, psicadelia e rock progressivo.

Ao quinto álbum os Kasabian voltam a procurar atingir o pico na busca constante do verdadeiro caminho e da sua sonoridade e confirmam o estilo, o método e a obsessão típicas de quem quer abalar definitivamente o atual sistema musical, trazendo uma nova sonoridade ao rock alternativo e ansiando continuar a ser um marco no cenário musical indie. Espero que aprecies a sugestão...

Kasabian - 48-13

01. (Shiva)
02. Bumblebee
03. Stevie
04. (Mortis)
05. Doomsday
06. Treat
07. Glass
08. Explodes
09. (Levitation)
10. Clouds
11. Eez-eh
12. Bow
13. S.P.S.

 


autor stipe07 às 17:01
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Terça-feira, 8 de Julho de 2014

The Fresh And Onlys – House Of Spirits

Lançado através da Mexican Summer, House Of Spirits é o novo disco dos The Fresh & Onlys, um trabalho que sucede a  Long Slow Dance (2012) e ao EP Soothsayer (2013),  sendo já o quinto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco e formado por Tim Cohen, Shayde Sartin, Wymond Miles e Kyle Gibson.

House Of Spirits é mais uma firme coleção de dez canções que mantêm os The Fresh & Onlys fiéis a um fio condutor, que exploram até à exaustão e com particular sentido criativo. É um filão que abraça todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise, lado a lado com a folk com um elevado pendor psicadélico.

Em relação a Long Slow Dance, o antecessor, House Of Spirits acaba por ter um elevado foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras e canções como Who Let The DevilAnimal of One e April Fools são as que mais se aproximam desse registo, principalmente pelas letras e pela voz de Tim Cohen, que várias vezes nos remete para a nostalgia sombria dos anos oitenta.

O sabor a novidade é algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada Home Is Where? e, logo a seguir, no single Who Let The Devil. No entanto, apesar da distorção e do cariz lo fi de vários arranjos, o controle e a harmonia estão sempre presentes, mesmo em Bells Of Paonia, o tema mais experimental do disco, uma balada que assenta num reverb de guitarra, conjugado com um teclado épico e com um registo bastante adoçicado na voz de Tim Cohen, um dos principais atributos desta banda. Esse cariz inventivo também é notório na envolvente Candy, uma canção com uma belíssima base melódica assente em belos acordes de cordas que se entrelaçam com samples de teclado e arranjos de sopro e também em Madness, um tema que progride da eletrónica até distorções hipnotizantes e que impressionam quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.

Durante a audição do álbum é notória uma certa leveza nas canções, uma enorme busca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras e, por isso, o resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável. House Of spirits é uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das referências noise, folk e psicadélicas, através de um som leve e cativante, com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

The Fresh And Onlys - House Of Spirits

01. Home Is Where?
02. Who Let The Devil
03. Bells Of Paonia
04. Animal Of One
05. I’m Awake
06. Hummingbird
07. April Fools
08. Ballerina
09. Candy
10. Madness

 


autor stipe07 às 18:27
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Domingo, 6 de Julho de 2014

Cold Cave – Full Cold Moon

O projeto Cold Cave liderado por Wesley Eisold, com a colaboração de Amy Lee está de regresso aos discos com Full Cold Moon, um disco lançado em nome próprio e que foi antecedido pelo lançamentos de vários singles já desde meados de 2013. Essa contínua antecipação do conteúdo deste novo trabalho dos Cold Cave fez com que o mesmo fosse aguardado com alguma expetativa, uma avalanche de composições avulsas que mostraram um concentrado de experiências capaz de repetir a mesma formatação sombria dos discos Love Comes Close (2009) e Cherish the Light Years (2011).

Na verdade, não sendo um disco tão sombrio como algumas das anteriores propostas deste projeto, Full Cold Moon divide-se entre essa subtileza experimental e uma certa busca de algo mais comercial e, para o conseguir, Wesley não deixa de apostar nas batidas velozes e nos efeitos assertivos dos sintetizadores, com o tema A Little Death To Laugh a não ser uma escolha inocente para aberura do disco, já que faz uma súmula significativa do conteúdo do restante alinhamento. A rápida e efervescente Young Orisoner Dreams Of Romance tem uma toada mais lo fi, com a distorção da guitarra e um efeito sintetizado futurista e suportarem a voz manipulada de Eisold. Esta canção prova que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte anos depois, a fazer escola. A instrumental Tristan Corbière já nos remete para um universo eletrónico mais experimental e depois Oceans With No End é rock sem complexos e complicações, concentrado com alguns detalhes típicos do indie rock alternativo dos anos noventa.

Com este início tão diversificado, acaba-se por perceber que os Cold Cave misturam a psicadelia, o rock e a eletrónica quase sempre numa toada lo fi e querem que degustemos uma belíssima caldeirada, feita com estas várias espécies sonoras. Seja como for, apesar das guitarras e do baixo estarem sempre presentes, a eletrónica é o fio condutor de todo o trabalho, quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que dá a Full Cold Moon uma atmosfera sombria e visceral.

É, em suma, uma míriade de sons que fluem livres de compromissos e com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Cave - Full Cold Moon

01. A Little Death To Laugh
02. Young Prisoner Dreams Of Romance
03. Tristan Corbiere
04. Oceans With No End
05. People Are Poison
06. Black Boots
07. Meaningful Life
08. God Made The World
09. Dandelion
10. Nausea, The Earth And Me
11. Don’t Blow Up The Moon
12. Beaten 1979

 


autor stipe07 às 23:35
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Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Ought - More Than Any Other Day

Oriundos de Montreal, os canadianos Ought acabam de surpreender com More Than Any Other Day, o primeiro longa duração do grupo, lançado no passado dia vinte e nove de abril através da Constellation Records. More Than Another Day foi antecipado por New Calm, um EP editado em maio de 2012 e disponivel para download no bandcamp do grupo, com a possibilidade de o obteres gratuitamente, ou doares um valor pelo mesmo.

Os Ought são uma boa surpresa, uma banda que se apresenta ao mundo com um disco capaz de nos guiar até a um mundo paralelo. E fazem-no através de uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, aliam o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros que nomes como os Led Zeppelin, os Television e os Wire tão bem recriaram e reproduziram há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

Pode parecer um pouco ridícula esta equação ou termo de comparação, como lhe quiserem chamar, mas é como se algures Kurt Cobain e Jimmy Page se tivessem juntado, sob supervisão direta de Thurstoon Moore e assim criado algo que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria britpop, imagine-se, na mira. Os My Bloody Valentine também podem ser para aqui chamados, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama prova que os Ought estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

More Than Any Other Day são oito canções enérgicas, cerca de quarenta e cinco minutos onde somos invadidos por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Habit ou The Weather Song atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade estonteante, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim punk acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do punk e que em Clarity e Gemini se enche de luz, mas com o tema homónimo a ser talvez aquele que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Ought. Aliás, o vídeo já divulgado de More than Any Other Day, realizado por Adam Finchler, é feliz na forma como coleciona imagens aleatórias e cortes rápidos de uma cidade, acelerando e diminuindo conforme o ritmo da canção.

Esta intensidade experimental acaba por ganhar um lado ainda mais humano e sentimental devido à performance de Tim Beeler, o vocalista e líder dos Ought, dono de um registo vocal desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, sendo o grande suporte do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

More Than Any Other Day é um compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as últimas décadas do século passado, um indie punk space rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Ought são assim, um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

1. Pleasant Heart 
2. Today, More Than Any Other Day 
3. Habit 
4. The Weather Song 
5. Forgiveness 
6. Around Again 
7. Clarity! 
8. Gemini


autor stipe07 às 17:02
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Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Shy Boys - Life Is Peachy

Shy Boys

Oriundos de Kansas City, os norte americanos Shy Boys são Collin Rausch, Kyle Rausch e Konnor Ervin, um trio que surpreendeu em 2013 com Peachy, o disco de estreia e que está de regresso com Life Is Peachy, um novo single, que terá edição física no próximo dia quinze de julho, via High Dive Records.

Uma voz única, produzida com o vintage eco lo fi tão em voga atualmente e conduzida por uma percurssão acelerada e distorções de guitarra que vão beber ao cruzamento da surf music com a psicadelia, fazem a receita desta nova canção dos Shy Boys, disponbilizada para download e que se espera ser o avanço para um novo trabalho da banda. Confere...


autor stipe07 às 10:54
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Sábado, 28 de Junho de 2014

Strand of Oaks - Heal

Goshen, no estado de Indiana, é o porto de abrigo do norte americano Timothy Showalter, o grande mentor do projeto Strand Of Oaks que, com quinze anos, no sotão de sua casa, se sentiu alienado do resto do mundo e percebeu que a música seria a sua cura e a composição sonora a alquimia que lhe permitiria exorcizar todos os seus medos, problemas eangúsitas. Esta é a ideia que suporta Goshen '97, o tema de abertura de Heal (cura), um disco que acaba de surpreender o universo sonoro, um compêndio de dez belíssimas canções, editado no passado dia vinte e quatro por intermédio da Dead Oceans.

Década e meia depois dessa visão, Timothy é hoje uma espécie de reverendo barbudo e cabeludo, que vagueia pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young ou Devendra Banhart; Encharcado, pega no piano, na viola elétrica e em sintetizadores cheios de efeitos e canta sobre tudo aquilo que o impeliu para o mundo da música, mas também sobre viagens sem destino, o amor, o desapego às coisas terrenas e a solidão.

O aparecimento de Devendra Banhart no começo da década passada teve uma importância única para o resgate das influências hippies bem como o fortalecimento de um som de oposição ao que propunham as guitarras típicas da cena indie norte americana, principalmente o que era construído em Brooklyn, Nova Iorque. Strand Of Oaks é mais um novo nome que arrisca, com sucesso, a mergulhar fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas apoiado num som montado em cima de um imenso cardápio sonoro e musical que, de mãos dadas com uma produção irrepreensível, nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

É curioso atravessar as pontes que Timothy construiu em Heal, tendo sempre como permissa a busca de uma súmula de referências noise, folk e psicadélicas. Ele consegue ir do caraterístico punk rock feito com um baixo proeminente e guitarras simultaneamente sombrias e carregadas de distorção, como se escuta em For Me ou na homónima Heal, até a uma toada mais pop que em Plymouth e Wait For Love, o tema que encerra de forma magnífica o disco, servem-se do mesmo baixo, mas agora acompanhado por um piano épico e sedutor, adornado por camadas sonoras ricas em detalhes implícitos, mas que nunca ofuscam o desejo de serem as cordas do baixo, na primeira, e as teclas do piano, na segunda, as pedras de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema.

Heal tem uma atmosfera viciante e introspetiva, é um disco que se ouve de punhos cerrados com a convicção plena que tem conteúdo e que o mesmo, ao impelir-nos à reflexão interior, pode dar um pequeno contributo para que aconteça algo que faça o bem a nós próprios. É um disco que exala certeza e coerência nas opções sonoras que replica, um emaranhado de antigas nostalgias e novas tendências, que reproduzem toda a força neo hippie que preenche cada instante de um álbum tipicamente rock, mas que também se deixa consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem também algumas das dez canções e expandem os territórios deste artista verdadeiramente singular. A simbiose entre estes dois géneros possibilita que frequentemente se encontrem, como em Shut In, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma feliz aproximação com o cancioneiro norte americano, suportado na herança de Bruce Springsteen.

Heal é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Timothy sereno e bucólico, através de uma viagem cheia de versos intimistas que flutuam livremente, um compêndio de várias narrativas onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, o existencialismo e as perceções humanas, fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a habitual riqueza instrumental da folk não foi descurada, mas com a eletrónica a ser também uma das forças motrizes que dá vida aos cerca de quarenta minutos que este disco dura. Obrigado ao Ricardo Fernandes pela dica e pela presença constante neste espaço e espero que aprecies a nossa sugestão...

1. Goshen '97
2. HEAL
3. Same Emotions
4. Shut In
5. Woke Up To The Light
6. JM
7. Plymouth
8. Mirage Year
9. For Me
10. Wait For Love


autor stipe07 às 14:32
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Thee Oh Sees - Drop

Depois de ter anunciado que os The Oh Sees de John Dwyer estariam numa espécie de período sabático e que Dwyer estava concentrado num novo projeto a solo chamado Damaged Bug, a banda surpreendeu, mostrou-se ativa e tem um novo disco lançado. O novo álbum desta banda onde a Dwyer se junta a roliça Brigid Dawson, chama-se Drop e viu a luz do dia a dezanove de abril, o último Record Store Day, através da Castle Face, a editora do prório Dwyer.

Penetrating Eye, o visceral tema de abertura de Drop, foi o primeiro single do álbum divulgado e depois da introdução sombria, a canção explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que não nos deixa duvidar acerca da manutenção do ADN dos Thee Oh Sees ao longo dos poucos mai de trinta minutos que duram as nove cançoes do disco, que curiosamente conclui com a balada The Lens, uma canção que surpreende pelos belíssimos arranjos orquestrais, onde não faltam inéditos instrumentos de sopro.

Oriundo do sempre profícuo cenário musical de São Francisco, uma cidade onde reside um verdadeiro manancial de bandas e projetos que assumem o gosto por sonoridades alternativas e onde sobressaiem nomes como Ty Segall ou Mikal Cronin, os Thee Oh Sees são outra referência local obrigatória e um dos grupos mais bem sucedidos do cenário indie norte americano. Já agora, Cronin participa em Drop, assim como Chris Woodhouse, Greer McGettrick e Casafis, outros intervenientes ativos do atual indie rock alternativo norte americano.

A viverem um período de intensa criação musical e aditar em média um disco por ano, apesar do tal anúncio de pausa, em Drop o casal continua a espicaçar ainda mais o arsenal instrumental que guarda no estúdio, com uma visão um pouco mais domesticada das guitarras relativamente a Floating Coffin ou Carrion Crawler/The Dream, dois antecessores da banda, mas ainda a transbordar de fuzz e de distorção, numa viagem que leva-nos do noise, ao grunge, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, à medida que se sucedem canções simples, mas verdadeiramente capazes de empolgar os ouvintes.

Mas Drop não vive só das guitarras; Basta escutar-se o baixo em Savage Victory e em Transparent World para se perceber a importância que este instrumento também tem para a exploração de um som alongado, além de ser um factor decisivo para o abraço constante que junta o punk com a psicadelia, de modo a criar uma atmosfera verdadeiramente nostálgica e hipnotizante.

Escuta-se Drop e a sensação que fica é que os The Oh Sees atravessaram novamente as barreiras do tempo até uns vinte anos atrás mas, ao mesmo tempo, mantêm-se joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo de São Francisco mantém a sua insana cartilha de garage folk e rock blues com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deles é uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão... 

01 – Penetrating Eye
02 – Encrypted Bounce (A Queer Song)
03 – Savage Victory
04 – Put Some Reverb on My Brother
05 – Drop
06 – Camera
07 – The Kings Nose
08 – Transparent World
09 – The Lens


autor stipe07 às 17:27
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Viet Cong - Static Wall

Viet Cong

Uma das melhores surpresas do ano são os Viet Cong, uma banda formada por Matt Flegel e Mike Wallace, dois músicos dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou suadades no universo sonoro alternativo.

No próximo dia oito de julho os Viet Cong vão editar através da Mexican Summer, Cassette, um EP que irá incluir no seu alinhamento Static Wall, uma incrível canção que nos leva numa viagem do tempo até à psicadelia dos anos setenta, uma sonoridade que já tinha ficado patente em outros dois temas editados em stembro do ano passado no bandcamp do grupo e partilhados abaixo. Confere...


autor stipe07 às 14:04
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2014

Eternally Dizzy - People Walking

Eternally Dizzy é uma nova banda de Columbus que inclui membros dos Van Dale, This Is My Suitcase e Sleep Fleet. E tal como estas bandas, os Eternally Dizzy exibem uma capacidade ímpar para criar aquele indie rock melódico e incisivo que marcou toda uma geração que viveu intensamente a última década do século passado, feito de canções caseiras e perfumadas por distorções de guitarra, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.

People Waiting é o primeiro avanço para Dirty Dirt, o próximo EP dos Eternally Dizzy, uma excelente canção, disponível para download, via Stereogum.


autor stipe07 às 13:15
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2014

Kishi Bashi – Lighght

 

Lançado no passado dia treze de maio, Lighght é o novo disco de Kishi Bashi, um multi-intrumentista de Athens, na Georgia e colaborador de nomes tão conhecidos como Regina Spektor e os Of Montreal e que se aventurou a solo em 2012 pela mão da Joyful Noise, com 151a, disco que era um enorme e generoso festim de alegria e descomprometimento, tal como acontece com este sucessor que viu a luz do dia por intermédio da mesma etiqueta.

Kaoru Ishibashi é o verdadeiro nome de um artista de ascendência japonesa, que começou a chamar a atenção em 2011, com apresentações surpreendentes, onde cantava e tocava violino e acrescentava uma caixa de batidas e sintetizadores, agregando novos e diferentes elementos e fazendo incursões em diversas sonoridades. Conhecido pela sua profunda veia inventiva, Kishi Bashi aposta num micro género da pop, uma espécie de ramificação barroca ou orquestral desse género musical, uma variante que vive em função de violinos, de arranjos claramente pomposos e cheios de luz e de vozes cristalinas, com o falsete a ser uma opção óbvia e constante.

O violino é mesmo o fio condutor de Lighght e a introdutória Debut – Impromptu e o single Philosophize In It! Chemicalize With It!, abrem o disco de forma a que ninguém tenha a mínima dúvida acerca de qual é o instrumento predileto de Bashi. Mas não é só da folk orgânica que o violino propicia que este trabalho vive e as batidas de The Ballad Of Mr. Steak e a melodia épica e exuberante de Carry on Phenomenon, mostram um Bashi impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos pôr a dançar. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, como na dupla Hahaha e In Fantasia, não há lugar para a amargura e o sofrimento.

A música de Kishi Bashi tem muita da universalidade própria daquelas canções que aparecem em anúncios comerciais e que servem, por isso mesmo, para passar mensagens positivas e sedutoras e este músico acaba por ser exímio na forma como se apodera da música pop para pintar nela as suas cores prediletas de forma memorável e também influenciado pela música árabe e oriental. Assim, Lighght contém belos momentos com vocalizações e dedilhados de instrumentos variados que preenchem o som impecavelmente. Mas o músico também experimenta gravações ao avesso e arranjos etéreos, com tiques de new age, dando a cada uma das onze músicas uma sonoridade diferente e onde coloca, com particular mestria, elementos orgânicos lado a lado com pormenores eletrónicos deliciosos.

A audição deste disco faz-nos sentir que estamos a degustar a própria música, como se cada garfada que damos na canção nos fizesse sentir todos os elementos de textura, cheiros e sabores da mesma. Salvo uma ou outra excepção, a pop barroca de Lighght transmite a sensação de que os dias bons estão aqui para durar e que nada de mal pode acontecer enquanto se escuta todo este otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. Este álbum impressiona pela forma como foi concebido, com tanto cuidado e criatividade, sustenta uma aura de felicidade, mesmo nos momentos mais contidos e prova que Kishi Bashi é um músico inventivo, de rara sensibilidade e que não tem medo de fazer as coisas da forma que acredita. Espero que aprecies a sugestão...

Kishi Bashi - Lighght

01. Debut – Impromptu
02. Philosophize In It! Chemicalize With It!
03. The Ballad Of Mr. Steak
04. Carry on Phenomenon
05. Bittersweet Genesis For Him AND Her
06. Impromptu No 1
07. Q&A
08. Once Upon A Lucid Dream (In Afrikaans)
09. Hahaha Pt. 1
10. Hahaha Pt. 2
11. In Fantasia

 


autor stipe07 às 21:45
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Domingo, 15 de Junho de 2014

No Coda - The Entire Cast

Os No Coda são uma banda natural de Gävle, perto de Sandviken, na Suécia, formada por cinco músicos e representada pela etiqueta Nomethod Records. São amigos de infância dos Simian Ghost  e dos YAST, esta última uma banda que já passou  por cá. Os No Coda lançaram no passado dia catorze de maio o trabalho de estreia, um disco chamado The Entire Cast e Numbers foi o primeiro single extraído deste novo trabalho do coletivo sueco.

Os No Coda chamaram-me a atenção porque são grandes adeptos da pop lo fi que era sugerida há umas três décadas. The Entire Cast são então são dez canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e nomes como os Pylon, Felt ou The Go-Betweens são influências declaradas dos No Coda, que hoje encontrarão paralelo em nomes como os Real Estate, Pale Saints, Violens, The Chills ou os Mojave 3.

Numbers foi uma escolha feliz para single de avanço do disco já que é uma canção com uma forte carga hipnótica, verdadeiramente aditiva e visceral, que replica com enorme intensidade algumas das grandes propostas musicais desse período e que marcaram definitivamente a história do indie rock alternativo. Com uma melodia etérea e com o reverb das guitarras no maximo, Numbers é um dos melhores temas do género que ouvi ultimamente. Mas há outros destaques em The Entire Cast e canções como Lucas Parts ou No Ransom serão também potenciais singles de um disco especial e viciante, duas canções onde o jogo de vozes dos dois vocalistas do grupo atinge o auge açucarado qualitativo e que ilustram o quanto certeiros e incisivos os No Coda conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.

Com essas vozes em reverb a cimentar um dos trunfos maiores do grupo, uma opção que acaba por ser uma consequência lógica na demanda de uma melancolia épica, destaco também a parte instrumental, que é capaz, por si só, de transmitir as mais diversas emoções, seja essa melancolia e a alegria, ou a urgência de soltar algo cá para fora. Algumas músicas tornam-se longas devido ao prolongamento de momentos instrumentais mas, na minha opinião, em todas essas situações justifica-se a opção, que nos permite ir lentamente saboreando com indiscritível satisfação o final dos temas.
Dizer que os No Coda praticam uma sonoridade pop rock de contornos alternativos e indie pode ser verdade, mas acho redutor catalogá-los apenas desta forma. E este é, quanto a mim, mais um caso de uma banda que só não irá mais longe na carreira por não ser suportada por uma máquina promocional bem oleada. É que a qualidade e a criatividade musical estão lá... E bem doseadas.
No fundo, os No Coda acabam por ser mais uma visão atual do que realmente foi o rock alternativo, as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho deste disco é, ao ouvi-lo, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada. Além de Numbers, os No Coda também disponibilizaram gratuitamente Holy War no seu soundcloud. Espero que aprecies a sugestão...

01. Gone Inane
02. Lucas Parts
03. Tail Gun
04. Numbers
05. Suspended Animation
06. Who Said Chivalry Is Dead
07. Heretic
08. The Entire Cast
09. No Ransom
10. Blake, willingly


autor stipe07 às 23:29
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2014

Papercuts – Life Among The Savages

Editado no passado dia doze de maio por intermédio da Easy Sound Recording Co., Life Among The Savages é o novo longa duração dos Papercuts, um projeto musical oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América, liderado por Jason Robert Quever e que só não é um típico projeto a solo porque conta com a ajuda constante dos músicos David Enos, Frankie Koeller e Graham Hill, entre outros.

Desde o já longínquo ano de 2000 que os Papercuts dão cartas no universo indie rock na sua vertente mais pura e na folk com um pendor algo psicadélico e, dentro destes dois pilares, sempre se mantiveram fiéis a um fio condutor que exploram, até à exaustão e com particular sentido criativo. Still Knocking At The Door abre Life Among The Savages e percebe-se, imediatamente, com o clima sonoro que se escuta, abrilhantado pelo faslete de Jason, que há aqui atributos suficientes para afirmar que os Papercuts serão uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual.

Mestres na construção de melodias, ao quinto disco os Papercuts aprimoram o habitual cruzamento feliz que costumam encetar entre elas e a voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Assim, em pouco mais de meia hora, as nove canções de Life Among The Savages juntam as típicas cordas da folk com riffs de guitarra cheios de distorção e alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

O tema homónimo é um bom exemplo de como na indie folk também cabem elementos menos clássicos e mais ruidosos, com o sintetizador a conferir à canção um sugestivo pendor pop e que melodicamente cola-se com enorme mestria ao nosso ouvido. No entanto, há outros momentos que merecem amplo destaque e um deles é, sem dúvida, o jogo de cruzamentos entre o baixo das cordas e da viola no início de Staring At The Bright Lights, uma canção que sobressai no alinhamento devido à sua duração e à toada lenta que hipnotiza pelo clima denso e sombrio, mas épico, potenciado pelo aumento progressivo do nível de distorção da guitarra.

Até ao final do disco, também não pode ser ignorado o grande momento folk do disco encarnado por Family Portrait, o piano jovial e vintage de Easter Morning, a dedicatória sentida e feliz, sustentada pelo dedilhar sóbrio, mas emocionado e cheio de luz de Psychic Friends e Afterlife Blues, um tema que nos remete para o universo dos The Smiths, em especial no que diz respeito aos arranjos das cordas e à secção rítmica. O disco encerra com Tourist, uma canção monumental e com um forte cariz orquestral que nos leva numa viagem a um passado algo distante, até aos meandros da mais radiante psicadelia que os Led Zeppelin nos deixaram como herança e onde a voz de Jason atinge o auge interpretativo

A receita de Life Among The Savages é extremamente assertiva e eficaz. Entre cordas, um baixo vibrante, o falsete de Jason, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Escutar este disco acaba por ser uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das tais referências noise, folk e psicadélicas. Espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Life Among The Savages

01. Still Knocking At The Door
02. New Body
03. Life Among The Savages
04. Staring At The Bright Lights
05. Family Portrait
06. Easter Morning
07. Psychic Friends
08. Afterlife Blues
09. Tourist

 


autor stipe07 às 18:15
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Hooray For Earth - Keys

Hooray For Earth - "Keys"

Oriundos de Broolyn, Nova Iorque, os Hooray For Earth apostam num indie rock com uma forte componente sintética e desde Never, um single que lançaram em 2012, não davam notícias. Em 2014 estão de regresso aos discos, precisamente a vinte e nove de julho, com Racy e Keys, uma excelente canção com uma sonoridade épica e intensa, é o primeiro single divulgado pela Dovecote Records, além de um trailer do disco. Confere...

 

autor stipe07 às 13:06
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

The Pains Of Being Pure At Heart – Days Of Abandon

Depois do homónimo registo de estreia edtiado em 2009 e do aclamado sucessor, Belong, lançado dois anos depois, a mesma fórmula assertiva que propõe verdadeiros tratados de indie pop açucarada, épica e cheia de luz, é a pedra de toque que sustenta o alinhamento de Days Of Abandon, o novo disco do projeto The Pains Of Being Pure At Heart, de Kip Berman e que, segundo o próprio, é um disco alegre e cheio de luz, apesar de, em determinadas canções, abordar temas sombrios e menos otimistas, com o lado mais complicado do amor e as experiências típicas de jovens adultos a serem o pão que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos.

Oriundo de Nova Iorque, Berman consegue realmente ser um prodígio na criação de canções que estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, um pouco à imagem da dicotomia e deste contraste agridoce de uma cidade que nunca dorme, mas que, apesar dessa constante animação, também é conhecida por albergar histórias de vida trágicas e por nem sempre corresponder aos desejos de quem aí procura o sonho americano.

Com uma mão na indie pop e a outra no noise e no shoegaze vintage, reinventado com particular mestria há uns trinta anos, The Pains Of Being Pure At Heart debruça-se sobre a melancolia e a nostalgia com canções cheias de ritmo e de audição simples, daquelas que provocam um inevitável sorriso, mesmo em quem vive momentos de menor predisposição para apreciar música alegre, com ritmo e luz. Kelly, uma canção que carrega consigo a herança dos The Smiths e Eurydice são dois temas que nos fazem abanar a anca quase sem nos apercebermos e que nos arrancam um sorriso que será sempre espontâneo.

Impecavelmente produzido, Days Of Abandon impressiona pela limpidez e pela forma divertida como Berman apresenta um novo conjunto de referências e propôe uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários. É uma espécie se som pop instantâneo, daquele que se coloca no leitor e basta clicar play, sem adicionar mais ingredientes â mente que a possiblitem absorver com detalhe e nitidez um alinhamento de dez canções que não distorcem em nada a herança que o projeto deixou nos dois discos anteriores e que são uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo, que temas como Simple and Sure ou A Teenager In love claramente demonstram.

Days Of Abandon começa e termina em poucos instantes, quase sem darmos por isso. E, pelo meio, passaram cerca de quarenta minutos cheios de boas melodias e de confissões (The Asp In My Chest), memórias que The Pains Of Being Pure At Heart foi armazenando num espaço familiar e doce, transformado em disco por um dos vocalistas e guitarristas mais interessantes e promissores do cenário indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão... 

The Pains Of Being Pure At Heart - Days Of Abandon

01. Art Smock
02. Simple And Sure
03. Kelly
04. Beautiful You
05. Coral And Gold
06. Eurydice
07. Masokissed
08. Until The Sun Explodes
09. Life After Life
10. The Asp At My Chest

 


autor stipe07 às 17:51
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Terça-feira, 10 de Junho de 2014

Bear In Heaven - Time Between

Os Bear In Heaven, um grupo norte americano natural de Brooklyn, na big apple e encabeçado por Jon Philpot desde a sua fundação, em 2003, lançaram há pouco mais de dois anos I Love You, It’s Cool, o sucessor de Beast Rest Forth Mouth, um trabalho lançado em 2009.

Este trio tem alcançado o distinto resultado que apresenta hoje, depois de uma série de experiências e um variado jogo de referências acumuladas. Por isso, no regresso aos discos daqui a algumas semanas com Time Is Over One Day Old, eles transpiram em Time Between, o primeiro avanço do álbum, as mais diversificadas escolas musicais formadas ao longo das últimas décadas, numa canção com referências diretas ao movimento krautrock, doses imoderadas de psicadelia e um acerto com a música eletrônica que suporta toda uma estrutura melódica que faz com que esta canção augure a chegada de um grande disco, a cinco de agosto, através da Dead Oceans.

 


autor stipe07 às 14:03
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Domingo, 8 de Junho de 2014

Black Twig – Heliogram

Depois do aclamado Paper Trees, o disco de estreia editado em 2012, os finalndeses Black Twig estão de regresso aos registos musicais com Heliogram, o segundo álbum deste coletivo oriundo de Helsinquia e formado por Aki (guitarras, voz), Aleksi (bateria), Janne - guitarra, teclados, voz) e Kaarlo (baixo). Heliogram viu a luz do dia a doze de fevereiro último por intermédio da insuspeita Soliti Music e o single Pastel Blue está disponivel para download através da editora.

Paper Trees foi um trabalho que deixou bem claro que este quarteto nórdico gosta de se movimentar livremente pelas múltiplas oportunidades sonoras que a dream pop proporciona. Assim, do shoegaze, ao post rock, passando pelo próprio indie rock e até uma faceta mais punk, são vários os terrenos que os Black Twig têm pisado na sua ainda curta carreira e que Heliogram potencia.

A base melódica através da qual os Black Twig partem para começar a distribuir jogo está bem definida e Heliogram está carregado de belíssimas improvisações melódicas, que criam paisagens enérgicas e cheias de movimento, que não deixam de ter aquela típica melancolia nórdica que nos ajuda a emergir às profundezas das nossas memórias.

As guitarras ferozes do single Pastel Blue destacam-na e fazem dela a canção mais parecida com muitas das propostas punk rock atuais, tendo um cariz um pouco mais comercial, o que pressupôe que não terá sido inocente a tentativa de compôr uma espécie de canção chamariz, que depois fizesse chamar a atenção do público para o resto do álbum e para a música que os Black Twig realmente gostam de fazer. No entanto, canções como Halfaways, um tema que se destaca pelo dedilhar a guitarra, ou a energia instrumental de Sunday Air e Quiet Time, também apostam no mesmo indie punk rock melódico, adornado com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, tornando as canções mais ricas e luminosas. Mesmo na mais melancólica Further Here, a canção mais acústica e serena do disco, não se perde o ambiente incisivo e a energia psicadélica intrínseca ao ambiente geral do álbum.

Não há dúvida que em Heliogram estes quatro rapazes finlandeses voltaram a levantar asas e subiram bem alto, rumo a paisagens sonoras brilhantes e enérgicas. Com o segundo disco tornaram-se ainda mais expansivos, encheram-se com uma sonoridade vincada, com a atual bagagem vintage algo crua, mas madura e assertiva e conseguiram fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, provando que são hoje um dos projetos mais interessantes da Finlândia. Espero que aprecies a  sugestão...

 www.blacktwigmusic.com/ www.facebook.com/blacktwigmusic twitter.com/blacktwigmusic

Black Twig - Heliogram

01. Halfways
02. Pastel Blue
03. Summer Slow Down
04. Sunday Air
05. On White
06. Floors
07. Until You Know
08. She’s Still My Friend
09. Further Here
10. Quiet Daytime

 


autor stipe07 às 18:33
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Gruff Rhys – American Interior

Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em 18 de julho de 1970, é um músico do País de Gales conhecido tanto pela sua carreira a solo como pela sua presença nos Super Furry Animals, banda que obteve relativo sucesso na década de noventa. Paralelo ao eficiente trabalho com os Super Furry Animals, Gruff Rhys também tem uma bem sucedida carreira a solo onde testa novas fórmulas, um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicodelia da banda.

A aventura a solo deste músico começou em 2005 com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreve como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destaca também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em 2011, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois o galês está de regresso com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys é também o ator principal e embarca numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século XVIII.

gruff rhys

John Evans partiu em 1792 em busca de uma tribo de índios americanos que julgava ser composta por seguidores de Madoc, o príncipe galês que a lenda diz ter embarcado para a América trezentos anos antes da viagem de Cristóvão Colombo. Gruff Rhys, acompanhado por Dylan Goch, que com ele assume a realização de American Interior (depois de já terem realizado juntos Separado!, em 2010), e pelo avatar do explorador com um metro de altura, partem para o interior da América e percorrem o caminho de Evans, tentando juntar as peças da vida misteriosa desta figura a quem se deve um dos primeiros mapas do Rio Missouri. Pelo caminho vão dando palestras e concertos, pesquisando os arquivos, a geografia e as gentes locais e compondo o álbum que resulta desta mesma viagem.

Este disco, lançado no passado dia cinco de maio na etiqueta Turnstile, é um projeto multimédia que prevê também a publicação de um livro e um filme, ambos com o mesmo nome do disco, para que, através da fusão de diferentes plataformas seja possível criar uma experiência multi-sensorial que conte a incrível história real de John Evans.

As treze canções de American Interior são o resultado esperado quando um relato histórico de viagens de exploração de território se une a um universo de sons psicadélicos. Há diversos instrumentais e logo em American Exterior, com os sintetizadores, é dado o mote que depois com o piano, a voz sintetizada e a percussão de American Interior. A típica soul e a folk norte americana invade os nossos ouvidos em 100 Unread Message, uma música que, por si só, é já uma verdadeira viagem pela América, com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

A partir daí mergulhamos fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, com American Interior a aproximar-se frequentemente de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, num disco que se deixa consumir abertamente tanto pela música country como pela soulnuma simbiose entre a pop e o indie rock com estes dois géneros, num processo que possibilita que eles se encontrem, como em The Wheter (Or Not) e The Last Conquistador, canções onde a folk, na primeira e a soul na segunda, são referências exploradas de igual forma, o que prova que há uma tentativa descarada, mas feliz, de aproximação com o cancioneiro norte americano

Ao longo do disco, umas vezes somos embalados e outras dançamos ao som de simples acordes, várias vezes dispostos em várias camadas sonoras, com uma naturalidade que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz do Rhys encaixa na melodia das canções. Percebe-se com naturalidade que o músico mantém-se inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

America Interior é, sem dúvida, um trabalho coeso, dinâmico e concetual e um marco na trajetória deste músico. O melhor exemplo dessa aproximação com um resultado temático está na condução pop do single homónimo, mas tão grande quanto o território que carrega no título, America Interior transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys. Espero que aprecies a sugestão...

Gruff Rhys - American Interior

01. American Exterior
02. American Interior
03. 100 Unread Messages
04. The Whether (Or Not)
05. The Last Conquistador
06. Lost Tribes
07. Liberty (Is Where We’ll Be)
08. Allweddellau Allweddol
09. The Swamp
10. lolo
11. Walk Into the Wilderness
12. Year Of The Dog
13. Tiger’s Tale

 


autor stipe07 às 19:01
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Conheces os The Good Morrows?

The Good Morrows’s avatar

Oriundos de Melbourne, na Austrália, os The Good Morrows são Jarred Scopel, Andrew Plisi, Liam Skoblar, Steve Acott e Tim Bass e descritos como uma bandas de indie rock e que aposta principalmente no rock de garagem que debita elevadas doses de distorção através de guitarras que fazem sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o punk rock, o surf rock e a psicadelia.

No fundo, influenciados por nomes tão fundamentais como os The Rolling Stones, 13th Floor Elevators, The Easybeats, The Kinks, The Beatles, The Stooges ou Black Lips, os The Good Morrows acabam por ser mais uma visão atual do que realmente foi o rock alternativo, as guitarras barulhentas e os sons melancólicos da segunda metade do século passado. Running Around é o mais recente single lançado pelos The Good Morrows e este e outros temas, estão disponíveis gratuitamente no soundcloud do grupo. Confere...


autor stipe07 às 16:46
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2014

The Horrors - Luminous

Três anos depois do grandioso e extraordinário Skying, já ganhou vida Luminous, o novo disco dos The Horrors, de de Faris Badwan, Joshua Hayward, Tom Cowan, Rhys Webb e Joseph Spurgeon, um trabalho que foi lançado às feras no último dia cinco de maio através da XL Recordings.

Já no quarto tomo de uma discografia, este quinteto de rapazes com o típico ar punk de há quaretna anos atrás têm mostrado que não pretendem apenas ser mais uma banda propagadora do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta, mas indivíduos donos de uma sonoridade própria e de um som adulto e jovial. E, com efeito, disco após disco, eles têm-se revelado como uma das mais importantes do cenário indie britânico.

Faris, o vocalista, já confessou que este é um álbum que deu imenso gozo à banda compôr e que, de todos os discos lançados até hoje pelos The Horrors, Luminous é aquele em que coloca maiores expetativas, principalmente porque ampliaram o cardápio sonoro do grupo com mais sintetizadores e criaram um som mais amplo e elaborado.

Escuta-se o disco e percebe-se desde logo, que estão presentes os habituais ingredientes desta banda britânica, mas que existe, realmente, uma maior primazia da vertente sintética em relação à orgânica das guitarras, apesar de muita da orientação sonora do alinhamento encontrar o seu principal sustento nas guitarras de Joshua e na bateria de Joseph, instrumentos que se entrelaçam na construção de algumas das melhores canções de um disco que mostra uma faceta mais pop, mas criado por uma banda que faz questão de viver permanenetemente de braço dado com o experimentalismo em simbiose com a psicadelia.

Se Luminous é, como já referi, o disco dos The Horrors que contém uma toada mais pop, não defrauda, no entanto, quem está habituado a ouvir os álbuns deste grupo e a deparar-se com diferentes viagens a vários universos sonoros, tendo sempre o sintetizador como veículo privilegiado dessa demanda por distintos territórios auditivos. Do indie rock de Falling Star, ao delírio indie pop de First Day Of Spring ou ao rock sintético proposto pelo teclado de I See You, há sempre esse elemento comum, um instrumento que é inerente ao status dos The Horrors e com o qual exploram as meldias e as harmonias que nos conquistam e, quase sem darmos por ela, têm em nós um efeito normalmente aditivo e fortemente viciante.

Num disco que transborda coerência do nome à capa, passando pelo ideário festivo, positivo e de esperança das letras, Luminous acaba por ser um nome feliz para um disco que apesar de ter ainda muito presente a guitarra de Joshua  a dançar em altos e baixos divagantes que formam a tal química interessante com a secção rítmica, aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos que criam um álbum simultaneamente denso e dançável, um compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

The Horrors - Luminous

01. Chasing Shadows
02. First Day Of Spring
03. So Now You Know
04. In And Out Of Sight
05. Jealous Sun
06. Falling Star
07. I See You
08. Change Your Mind
09. Mine And Yours
10. Sleepwalk

 


autor stipe07 às 21:08
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