Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

Old Yellow Jack - Magnus EP

Oriundos do meio universitário lisboeta, os Old Yellow Jack são Guilherme Almeida (voz, guitarra), Henrique Fonseca (guitarra, teclado), Miguel Costa (baixo) e Filipe Collaço (bateria), uma banda que nasceu em 2011, fundamentalmente por iniciativa do Filipe. Conheceu o Guilherme e após alguns meses a tocarem juntos juntou-se a eles o Miguel, e por fim, o Henrique.

Começaram por se inscrever e participar em concursos de bandas e, desse modo, darem a conhecer a sua insana cartilha sonora, assente num indie rock psicadélico, direto e algo cru, mas também amplo e abrangente, uma sonoridade ainda pouco explorada por cá, a nivel nacional e que apenas agora começa a ser objeto de outra atenção.

Os Old Yellow Jack editaram este mês de Janeiro, Magnus, o seu EP de estreia, um compêndio de cinco canções, produzido por Bruno Pedro Simões (Sean Riley & The Slowriders) nos Black Sheep Studios em Sintra, um compêndio de rock energético e viajante, assente em guitarras tão agressivas quanto angelicais, deixando uma boa amostra daquilo que podemos esperar do futuro desta jovem banda de Lisboa.

No fuzz das guitarras de The Man Who Knew Too Much, um tema disponível para download na bandcamp da banda e nas variações de ritmo e no amplo arsenal instrumental que além da tríade sagrada, inclui sintetizadores e arranjos metálicos, fica claro que Magnus é uma porta de entrada reluzente para o indie rock psicadélico dos anos sessenta e setenta, com as memórias de Can e Syd Barrett à cabeça. como a própria banda confessa, mas também para um espetro algo progressivo e experimental, sempre em busca de um equilíbrio lisérgico entre momentos frenéticos e contemplativos.

Os Old Yellow Jack são inspirados no modo como pegam em possíveis influências que admiram e lhes dão um cunho muito próprio, uma marca deles, única e distinta. É, como já disse, um indie rock clássico, com fortes reminiscências nos anos setenta, luminoso e vibrante, cheio de fuzz nas guitarras, mas que também não dispensa uma sonoridade urbana e clássica.

Os cinco temas do EP cruzam diferentes espaços num mesmo universo sonoro e saboreiam-se de um trago, tendo um efeito saboroso e inebriante e que pode ser potenciado por repetidas audições que permitem que determinados detalhes e arranjos se tornem cada vez mais nítidos e possam, assim, ser plenamente apreciados.

Magnus é um contributo nacional de peso para a equipa formada por aquelas bandas que ajudam a contrariar quem, já por milhares de vezes, anunciou a morte do rock. Podendo, no futuro, abrir novas possibilidades de reinvenção do seu som, atravessando terrenos ainda mais experimentais, etéreos e com alguma dose de eletrónica, os Old Yellow Jack são já, atualmente, uma referência do melhor indie rock alternativo que ilumina o nosso país e o sol à volta do qual deverão gravitar outros projetos que tenham interesse em apostar neste tipo de sonoridade que, pessoalmente, considero bastante apelativa. Convido, de seguida, à leitura da entrevista que o colectivo me concedeu com o inestimável apoio da Let's Start A Fire e espero que apreciem a sugestão...

Os Old Yellow Jack abriram as hostilidades em 2011, participaram em alguns concursos e viram o vosso nome destacado lá fora, nomeadamente no Brasil. Este é o momento certo para o primeiro lançamento discográfico oficial, apesar de já terem lançado alguns temas (Demos) em outubro? E a que se deveu a opção por um EP? Ainda não há cardápio para um longa duração?

De certa forma, a nossa ideia inicial passava por lançar o disco ainda em 2014, mas tal mostrou-se complicado de se realizar devido ao tempo necessário para a promoção que queríamos. Escolhemos fazer um EP pois achávamos que um álbum era um passo maior que a perna, não por falta de quantidade, mas mais por um desejo de fazer algo coeso.

Como deverão compreender, é natural escutar-se este fantástico EP Magnus e sermos transportados para o indie rock psicadélico dos anos sessenta e setenta que hoje está muito em voga, com os Tame Impala à cabeça, mas com outros nomes como os Pond e agora os Temples, na linha da frente. No entanto, também há aqui fortes reminiscências do punk rock alternativo, com um certo cariz lo fi, dos anos oitenta e até um certo travo pop, nomeadamente na luminosidade melódica. Sendo assim, acho que um dos vossos maiores atributos foi ter sabido pegar em possíveis influências que admiram e dar-lhes um cunho muito próprio, uma marca vossa e distinta. Como descrevem, em traços muito gerais, o conteúdo sonoro de Magnus?

Acho que a pergunta se responde a ela própria! Melhor descrição do nosso som até agora.

Este indie rock com algum fuzz nas guitarras que debitam distorções vintage e com um baixo encorpado, mas que também não dispensa os teclados que ajudam a conferir uma sonoridade mais expansiva, luminosa, urbana e clássica, é mesmo o género de música que mais apreciam?

É, mas penso que não temos a parte revivalista a que muitas bandas psicadélicas se apegam. Temos todos cultura musical, conhecemos os álbuns mas as nossas maiores influências são todas recentes à exceção talvez de Can e Syd Barrett. Partilhamos uma grande parte do nosso gosto musical mas depois há coisas que gostamos mas que não transparecem para as nossas músicas. Todos ouvimos hip hop e eletrónica por exemplo mas há um filtro sobre o que potencialmente faz parte do nosso pequeno universo musical.

Quais são as vossas expectativas para Magnus? Querem que este trabalho vos leve até onde?

Achamos que agora o desafio é criar uma fanbase nacional e o Magnus é a nossa tentativa de o fazer. É também um aquecimento para o álbum e para uma possível internacionalização.

Penso que a vossa sonoridade poderia ser bem-sucedida nos países que abrem os braços ao chamado indie rock mais psicadélico. Os Old Yellow Jack estão, de algum modo, a pensar numa internacionalização, ou é apenas Portugal importante para o futuro da vossa carreira?

Conseguir sair do país é o nosso projecto, objectivo e sonho a médio prazo. Somos uma banda ambiciosa.

Acho curioso o artwork do disco e muito bem conseguido, curiosamente da vossa autoria, com a cover a cargo de Francisco Ferreira. Há alguma relação entre o conteúdo das canções e as areias do deserto e a civilização nativa de um ambiente desse género, digamos assim, aí representada?

A capa e o artwork foram feitos depois do disco estar acabado portanto não há grande relação entre a música e a parte visual. Nós gostamos bastante do trabalho dele, portanto demos-lhe carta branca para fazer o que a música lhe ditasse e acho que estamos perfeitamente contentes com o resultado final.

Adorei Murky Water; E a banda, tem um tema preferido em Magnus?

Gostamos de todas, claro, mas acho que temos um carinho especial pela última, Two Lightbulbs, porque é a mais antiga e é a que tem fechado todos os nosso concertos desde há quase um ano. O fim da música é o nosso momento espiritual no concerto.

Não sou um purista e acho que há imensos projectos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem também em inglês. Há alguma razão especial para cantarem apenas em inglês e a opção será para se manter?

Tínhamos todos dezasseis anos quando formámos a banda portanto essa decisão foi feita um bocado sem razão definida mas dadas as nossas ambições internacionais achamos que é um ponto a nosso favor nesse campo. E há óptimos exemplos: Björk, Iceage, Kings of Convenience, Air, etc… A certa altura faremos músicas em português, não sei se em Old Yellow Jack ou num projecto paralelo, mas neste momento sentimo-nos (Skronk e Riscas) francamente mais à vontade a escrever em inglês do que em português.

Imagino que entretanto já tenham temas novos compostos. Será preciso esperar mais três anos para saborear um novo trabalho dos Old Yellow Jack?

Quem nos tem seguido ao vivo tem ouvido músicas que ainda não foram lançadas e que, algumas delas, farão parte do álbum que queremos gravar ainda este ano. Além das que temos tocado ao vivo, ainda temos uma quantidade razoável de canções semi-acabadas mas ainda não ensaiadas.

O que vos move é apenas o indie rock ou gostariam no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Old Yellow Jack?

Terão de esperar para ver. É muito difícil de prever, já mudámos desde que gravámos o Magnus e continuaremos a mudar e desde que seja um processo orgânico, não vamos filtrar demasiado as nossas mudanças sonoras. E podemos ter sempre outras bandas e projectos se quisermos muito experimentar com outros géneros.

Como vai decorrer a promoção de Magnus? Onde poderemos ver os Old Yellow Jack a tocar num futuro próximo?

O lançamento vai ser dia trinta no Sabotage e estamos a marcar mais datas pelo norte do país para Fevereiro e Março.


autor stipe07 às 21:38
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015

Viet Cong – Viet Cong

Os Viet Cong são uma banda formada por Matt Flegel e Mike Wallace, dois músicos dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo. À dupla juntou-se, entretanto, Scott Monty Munro e Danny Christiansen. No último verão os Viet Cong editaram, através da Mexican SummerCassette, um EP que incluia no seu alinhamento Static Wall, uma incrível canção que nos levava numa viagem do tempo até à psicadelia dos anos setenta e agora, pouco mais de meio ano depois, chegou finalmente o primeiro longa duração do grupo, um compêndio com sete novas canções, que viu a luz do dia por intermédio da conceituada Jagjaguwar.

Viet Cong's self-titled album comes out on Jan. 20.

O punk rock dos Viet Cong tem uma originalidade muito própria e um acentuado cariz identitário, por procurar, em simultâneo, uma textura sonora aberta, melódica e expansiva e não descurar o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, percetivel na distorção das guitarras, no vigor do baixo de Matt Flengel e, principalmente, na bateria de Wallace. Este instrumento é frequentemente chamado para a linha da frente na arquitetura sonora de Viet Cong, ficando com as luzes da ribalta e um elevado protagonismo em várias canções, com particular destaque logo para a percussão tribal de Newspaper Spoons e, no epílogo, para o modo como é tocado em Death, como vamos ver adiante.

É perigoso dizer-se que os Viet Cong são apenas e só mais uma banda de punk rock, apesar de Continental Shelf, um dos singles já retirados de Viet Cong, ser um espetacular tratado sonoro aditivo do género, rugoso e viciante, até porque, em Bunk Buster, a sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, em contraste com a pujança do baixo e a amplitude épica da melodia, que nos leva rumo ao rock alternativo dos anos novemtna e os solos e riffs da guitarra de Scott e Daniel, em Silhouettes, a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, alicerçado num garage rock, ruidoso e monumental, também se exibem no cardápio deste coletivo.

No fundo, o que os Viet Cong fazem é combinar algum do melhor post punk atual com o shoegaze, numa fórmula já pessoal e muito deles, onde o ruído não funciona com um entrave à expansão das canções, sendo, principalmente, um veículo privilegiado para lhes dar um relevo muito próprio que, sem esse mesmo ruído, os temas certamente não teriam. Fazer barulho também é uma arte que nem todas as bandas dominam, mas os Viet Cong sabem como harmonizá-lo e torná-lo agradável aos nossos ouvidos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que o quarteto nos oferece nas reverberações ultra sónicas de March Of Progress, inicialmente à boleia de uma melodia hipnótica sintetizada, depois por um efeito luminoso em tudo semelhante ao som da harpa e, finalmente, num agregado instrumental clássico, despido de exageros desnecessários mas apoteótico, é a demonstração cabal do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos. Além deste exemplo, a arquitetura sonora variada e sempre crescente de Death, um longo tema, mas nada monótono, cheio de mudanças de ritmo, com a junção crescente de diversos agregados e que atinge o auge interpretativo numa bateria esquizofrénica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada, num resultado de proporções incirvelmente épicas, é algo bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero, a quem se deixar enredar na armadilha emocionalmente desconcertante que os Viet Cong construiram neste tema.

O efeito robótico da voz na inspirada e soporífera Pointless Experience e o modo como esse registo cola no timbre algo agudo e cru da bateria e no rigor inflamado do baixo, mostra ainda mais atributos e elevada competência no modo como os Viet Cong separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções, mas depois, no resultado final, tudo resulta de forma coesa e o ruído abrasivo fascina e seduz.

Viet Cong é uma estreia em grande estilo de um coletivo irreverente e inspirado, uma irrepreensível coletânea que aposta numa espécie de hardcore luminoso, uma hipnose instrumental abrasiva e direta, mas melodiosa e rica, que nos guia propositadamente para um mundo criado específicamente pelo grupo, onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Viet Cong produzem, feita com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Viet Cong - Viet Cong

01. Newspaper Spoons
02. Pointless Experience
03. March Of Progress
04. Bunker Buster
05. Continental Shelf
06. Silhouettes
07. Death


autor stipe07 às 21:16
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Gengahr - She's A Witch

Gengahr - She's A Witch

Oriundos de Londres, os britânicos Gengahr causaram sensação no meio alternativo local quando em outubro último divulgaram Powder, por intermédio da Trasngressive records, uma canção que os posicionou, desde logo, no universo da indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências para a análise por parte da crítica.

Agora, alguns meses depois, os Gengahr acabam de desvendar mais um belíssimo segredo intitulado She's A Witch, o tema homónimo do EP do grupo, que chegará aos escaparates a dez de março através da mesma Transgressive. A canção é uma peça musical magistral, uma pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como o falsete da voz se entrelaça com a melodia, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilam orgulhosas e altivas, mais parece uma parada de cor, festa e alegria, onde todos os intervenientes comungam o privilégio de estarem juntos, do que propriamente um agregado de sons no formato canção. Ficarei muito atento a este projeto e regressarei aos Gengahr para a análise crítica do EP. Confere...


autor stipe07 às 13:18
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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015

Mew - Satellites

Mew - '+' -

Em silêncio desde que em 2009 editaram o aclamado No More Stories Are Told Today, I’m Sorry They Washed Away, os dinamarqueses Mew estão de regresso aos discos com  + - (pronuncia-se plus minus), o sexto álbum da carreira deste coletivo liderado por Jonas Bjerre e que se estreou em 1997 com A Triumph for Man.

Satellites é o primeiro avanço divulgado de + -, uma canção com uma excelente melodia e alguns arranjos distorcidos que trazem de volta a habitual toada ambiental, épica e psicadélica do grupo, um instante sonoro que confirma a boa forma deste quarteto oriundo de Hellerup. Confere o single e a tracklist do novo álbum dos Mew.

 

01. “Satellites”
02. “Witness”
03. “The Night Believer”
04. “Making Friends”
05. “Clinging To A Bad Dream”
06. “My Complications”
07. “Water Slides”
08. “Interview The Girls”
09. “Rows”
10. “Cross The River On Your Own”


autor stipe07 às 17:11
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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015

Ty Segall - Mr Face EP

tycrop

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. A primeira obra que Ty Segall nos oferece em 2015, e eu digo primeira porque me atrevo a considerar que vai haver mais novidades deste músico durante o ano, é Mr Face, um EP com quatro canções editado a treze de janeiro através da Famous Class Records. A edição em vinil do EP tem mais um ponto de enorme interesse, já que foi impressa em dois tomos, azul e vermelho, ambos translúcidos, permitindo que funcionem como um par de lentes através do qual se consegue visualizar o artwork, em 3D, de Mr Face.

O EP inicia com Mr Face, o tema homónimo e com ele e um dedilhar de guitarra rugoso, mas vigoroso e com uma forte toada blues, ampliada por um efeito da prima elétrica, que vai brincando com a voz, sentada lá ao fundo, damos por nós a sorrir ao som de um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem da década seguinte, uma canção que surpreende por essas guitarras sujas, pela bateria frenética, mas também por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um EP que merece audição dedicada não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis também nos restantes temas, como assim como pelas já habituais linhas de baixo a que Ty já nos habituou, absolutamente incríveis.

Ty Segall atingiu um grau de maturidade tal, graças a uma vasta e imaculada discografia, que já nem surpreende o inedetismo do luminoso instante surf psicadélico presente em Circles e o modo como cruza uma toada algo pop, com o fuzz típico do garage rock, fazendo com que este tema deixe de lado os habituais limites do rock caseiro e se converta num momento de pura exaltação, proposto por quem ainda busca um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa, mas que, quanto a mim, nada mais tem a provar para ter direito a uma posição de relevo nesse antro de perdição.

Com o hard rock setentista, de mãos dadas com rock de garagem e o blues de Drug Mugger e a toada hippie, vintage e acústico psicadélica de The Picture, Ty merece ser avaliado com uma ainda maior dose de charme e uma nova personalidade, devido a a alguns arranjos inéditos e uma guitarra cada vez mais perto da psicadelia.

 

É difícil prever o futuro sonoro de Ty Segall e se este EP serve de bitola para os seus próximos lançamentos. No entanto, em Mr Face o músico deixa definitivamente de lado um habitual nível de anarquia e desiquilibrio que frequentemente firma na execução dos seus registos e, sem sofrer de desgaste ou possíveis redundâncias, executa um ensaio de assimilação de heranças, com um sentido melódico irrepreensível, que exala um sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

01. Mr. Face
02. Circles
03. Drug Mugger
04. The Picture


autor stipe07 às 17:29
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015

Django Django - First Light

Django Django

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome que acompanho com toda a atenção desde que há cerca de dois anos lançaram um espectacular homónimo de estreia.

A banda, formada então por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, vai regressar aos discos este ano. Ainda não se conhece a data de lançamento precisa desse novo trabalho, algures na primavera, mas já há avanço; First Light é o primeiro tema conhecido e nele os Django Django aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, sempre acompanhada por guitarras que parecem ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas. Basicamente, uma mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento. Confere...


autor stipe07 às 17:26
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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015

Quiet Quiet Band - Battery Human

Paul, Jon, Scott, Jay, Tom e Devon são os Quiet Quiet Band, um coletivo inglês, oriundo de Londres e que forma uma verdadeira orquestra folk que aposta numa fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, tudo assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Alegres e festivos, já com alguma reputação relativamente aos espetáculos ao vivo, sempre cheios de diversão e alegria, os Quiet Quiet Band são uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor e preparam-se para a estreia nos discos com Low Noon, um trabalho que vai ver a luz do dia em março próximo.

Composição sonora carregada de texturas, criadas através da justaposição de diferentes camadas de instrumentos e sons, Battery Human é o primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção com um elevado cariz contemporâneo e atual, apesar do forte revivalismo que o espetro sonoro que os Quiet Quiet Band abordam sempre encerra. O resultado final é verdadeiramente vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece não querer olhar apenas para o universo tipicamente folk, mas também abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos, outros universos musicais. Confere...

 


autor stipe07 às 17:32
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2015

Imploding Stars - A Mountain and a Tree

Nascidos nas Taipas, Guimarães, em 2011, os Imploding Stars são atualmente Jorge Cruz, Diogo, Élio, Filipe e Francisco, uma banda inserida no panorama do post-rock português. Depois do lançamento do primeiro EP, Young Route e muitos concertos em Portugal, Irlanda e Espanha, a banda sofreu algumas alterações até à atual formação. Em Fevereiro de 2014 mudam-se para Braga onde compõem e gravam o seu primeiro álbum, nos Bug Studios, um disco chamado A Mountain And A Tree, editado pelas mãos da também bracarense, Cosmic Burger, com oito temas que traduzem uma nova jornada no espaço e no tempo à procura da expressão melódica da natureza e dos sentimentos humanos, bem como a envolvência entre ambos e que poderia também muito bem ter sido num vulcão islandês, numa caverna sueca ou junto a um fjorde norueguês.

Mesmo estando abertos a experimentar, no futuro, outras sonoridades, a bitola sonora destes Imploding Stars andará sempre em redor do post rock com uma forte componente melódica, um aspeto essencial do ADN do grupo, bem patente em A Mountain And A Tree e que fará sempre parte da sua essência, como podes conferir na entrevista que o grupo concedeu ao blogue, transcrita abaixo.

Disco que deve ser escutado como se fosse uma história, uma viagem, que é contada no formato canção, A Mountain And A Tree aprecia-se do mesmo modo que abrimos um livro. E o alinhamento das oito canções obedece, de acordo com o que defendem os Imploding Stars, a essa permissa. Segundo eles, apreciar este álbum é quase como abrir um livro e realmente percebe-se a existência de uma linha sonora contínua já que, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem A Mountain And A Tree é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Imploding Stars projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, num resultado final que se assume como um álbum conceptual, que impressiona pela beleza utópica das composições, assim como as belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos mais agressivos. 

No processo de criação deste álbum o grupo explorou ao máximo a relação sensorial humana e o som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico que este quarteto nos oferece atiça todos os nossos sentidos, provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar e, contendo belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte da tal essência do grupo, trespasssam sempre o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui de maneira hermética e acizentada, sempre sustentado por uma base instrumental plena de nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todos os protagonistas materiais, quer orgânicos, quer sintéticos, que debitam notas musicais, fossem agrupados, em suma, num bloco único de som.

Tentar explicar racionalmente o conteúdo formal e concreto desta viagem que os Imploding Stars nos propôem pode ser uma tarefa um tanto obsessiva e destrutiva, mesmo que este som algo bucólico, épico e melancólico, possa servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, já que a espécie de súmula de toda uma amálgama de elementos e referências sonoras que sustentam a obra, confere-lhe uma sensação um pouco dúbia e de difícil catalogação e assim deveras interessante de tentar deslindar. Se existem momentos em que somos conduzidos para lugares calmos e distantes, os quais conseguem ser alcançados muito por influência de uma voz que parece conversar connosco, nos instantes em que sobe o volume das canções e a bateria ganha uma maior relevância, expandem-se esses horizontes algo minimalistas e quando se eleva o volume dos instrumentos como um todo e temos aquela explosão que dá a cor e o brilho que nos fazem levitar, então esvai-se qualquer receio e torna-se firme a sensação que acabou de passar pelos nossos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento.

Algumas canções de A Mountain And A Tree soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado neste trabalho, o que faz do disco uma das grandes referências e coloca os Imploding Stars na lista dos grandes expoentes musicais do género no panorama musical, alcançando merecidamente esse estatuto graças ao rico cardápio instrumental que este grupo conseguiu alicerçar com esta estreia e, principalmente, pelo modo como sem abandonarem a sua essência, são bem sucedidos no seu esforço, às vezes eufórico, de provocar um intenso impacto lisérgico no ouvinte. Espero que aprecies a sugestão...

Unquiet Breeze

Awaken Forest

A Mountain And A Tree

Earthquake

Across Distant Seas

The Earth In The Sight Of Men

Beyond The Horizon

Beneath This Tired Ground

 

Os Imploding Stars nasceram nas Taipas, em Guimarães, em 2011, começaram a carreira com um EP, deram vários concertos por cá e lá fora, houve algumas mudanças no elenco e agora chegou finalmente o primeiro longa duração. Tem sido um percurso normal, ou conturbado? Há relatos de alguma indefinição em relação ao som pretendido que só se resolveu com o atual plantel…

Achamos que acaba por ser normal. Quando fazes uma banda e começas a querer levar as coisas para outro patamar as exigências são complexas e torna-se complicado. Tens de dedicar muito tempo, tens de ter tempo para dedicar, tens de ter um grupo de pessoas muito coeso que apesar de diferentes devem ter um rumo muito bem definido e coincidente entre si. Estas exigências acabam por levar muitas vezes a mudanças na formação da banda e até na sonoridade que a banda explora ao longo do tempo.

Achei bastante curioso e até algo inédito o vosso disco, tendo em conta o panorama nacional. A Mountain And A Tree foi incubado e gravado quase no meio do nada, nos Bug Studios, lá no alto de Braga, mas poderia muito bem ter sido num vulcão islandês, numa caverna sueca ou junto a um fjorde norueguês. É esse post rock, com fortes raízes no norte da Europa, com um forte pendor melódico que está definitivamente impregnado no ADN dos Imploding Stars, ou estão abertos a experimentar, no futuro, outras sonoridades?

É esse o post rock que queremos fazer essencialmente. Será essa a linha de pensamento que vamos seguir no futuro até porque é importante teres um sentido e um tacto muito próprio dentro do post rock que é, por si só, muito variado e complexo. Podemos explorar eventualmente coisas novas mas será sempre com a forte componente melódica que gostamos de impor.

Li que A Mountain And A Tree procura ser uma expressão melódica da natureza e dos sentimentos humanos, bem como a envolvência entre ambos. Estamos na presença de um álbum conceptual, que deve ser escutado como um todo, ou é possível extrair diferentes partes de um todo? A própria audição do alinhamento, com colagens entre as canções, dá uma ideia de continuidade e constante progressão.

É muito importante para nós que as pessoas ouçam o álbum como um todo porque, essencialmente, é assim que ele faz sentido para nós. Todo ele é, de certa forma, “colado” e o início e o fim do disco não foram feitos por acaso. É uma história, uma viagem, que deve ser contada dessa forma. Quase como abrires um livro. Quando vais ler um livro começas no início e acabas no fim porque é assim que deve ser. No nosso disco também podes usar uma ou duas músicas como uma sinopse e perceber o que poderá ser o conteúdo. A Earthquake foi escolhida como single por isso mesmo. No entanto queremos que seja um álbum conceptual, sim.

A ausência de voz e de letras é algo assumido e intrínseco aos Imploding Stars, acham que a vossa música tem mais sentido e aproxima-se mais da expressividade que pretendem apenas com a componente instrumental, ou haverá no futuro lugar para a contratação de um vocalista, ou que algum de vós tome conta do microfone?

Escolhemos que fosse assim e é assim que queremos continuar. Sem voz, agora e no futuro. Não que seja uma melhor ou pior opção, simplesmente gostamos que assim seja. Acreditamos que a ausência de voz dá uma maior liberdade para explorar as melodias e harmonias de guitarras e achamos que isso também nos dá alguma identidade própria. Para nós faz mais sentido assim.

Quais são, na verdade as vossas expectativas para A Mountain And A Tree? Querem que o disco vos leve até onde?

Em primeiro lugar queremos que as pessoas gostem dele. Que se identifiquem com as músicas, que sintam alguma coisa com o disco independentemente das circunstâncias. Depois queremos tocá-lo muito ao vivo, em Portugal e fora dele. E por fim queremos que seja um bom disco de estreia em todos os sentidos.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental e também a criatividade com que selecionaram os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas vossas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota, todos juntos, havendo um posterior processo de agregação?

A inspiração vem de vivências, cenários, imagens que dão origem a uma melodia base inicial que pode vir de qualquer um de nós. Pode ser mais simples ou mais complexa mas parte normalmente de uma guitarra e depois todos juntos vamos acrescentando quase em modo pergunta/resposta elementos ao tema. É um processo talvez pouco ortodoxo mas que acaba por ser interessante e muito imediato e cru. Depois vamos trabalhando estruturas e ligações mas acaba por ter aquela componente colectiva importante que depois faz com que todos tenhamos uma ligação muito pessoal aos temas.

Adorei o artwork de A Mountain And A Tree. A quem se devem os créditos e a ideia?

Rafael Lemos! Grande designer, fotógrafo e amigo (mais do que tudo!). O Rafa é família para nós e consegue ser das pessoas que mais entende aquilo que fazemos e como fazemos principalmente pela proximidade que tem com a banda. Quando pensamos em fazer a capa demos-lhe total liberdade porque sabíamos que iria ser perfeita e melhor do que alguma vez poderíamos pedir. E foi.

A banda tem um tema preferido ou que dê mais gozo tocar em A Mountain And A Tree?

A coisa que mais nos custa é não tocar alguma das músicas ao vivo quando temos de cortar o set! Como o disco é todo ele uma viagem, sentimos sempre ali um vazio quando temos de cortar. No entanto, se nos pedissem para escolher uma seria Beyond the horizon. É uma música baseada num riff simples mas que vai crescendo de tal forma que a intensidade com que a terminamos torna-se contagiante para nós.

Apenas em jeito de curiosidade e para terminar… Quais são as três bandas ou projetos atuais que mais admiram?

Não sabemos se a questão é para nacionais ou internacionais mas vamos falar dos portugueses porque o que é nacional é bom! Os The Quartet of Woah, PAUS e Memória de Peixe.


autor stipe07 às 21:26
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015

The Blank Tapes – Hwy. 9

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes e depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland, agora, pouco antes do ocaso do último ano, divulgaram mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9.

Matt, o líder do grupo, que é, basicamente, um projeto a solo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Ele toca todos os instrumentos neste projeto e lançou o primeiro disco, Home Away From Home, em 2010. O sucesso foi tanto que os The Blank Tapes andaram pelo Brasil, pelo Japão e pela Europa, com os Thee Oh Sees. De regresso a casa foram para o estúdio e compuseram Vacation, e, pelos vistos, não esgotaram aí a sua veia criativa, já que este novo trabalho, apesar de conter algumas demos e temas ao vivo, é constituído, quase integralmente, por novos originais que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

E vamos com ele enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos The Blank Tapes, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do banjo folk e da harmónica de Long The Way, My Ladybug e Hallelujah, ou do experimentalismo instrumental de Rabbit Hole, que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica em Kazoo Song, além da percussão orgânica e de alguns ruídos, vozes e metais que assentam muito bem na canção. Makebelievin’ e Trinocular mantêm a toada revivalista, com um certo travo folk, em canções que fundem Lou Reed e Jimmy Hendrix, numa sonoridade grandiosa e controlada, ao mesmo tempo.

Até ao epílogo escuta-se um trabalho de referências bem estabelecidas, uma arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhes deu margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuraram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta.

Hwy. 9 é, portanto, uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Seis canções deste disco tiveram direito a um vídeo oficial e podes conferi-los a todos já a seguir, além de poderes escutar Hwy. 9 na íntegra. Espero que aprecies a sugestão...

The Blank Tapes - Hwy. 9

01. A Little A Lot Of The Time
02. You Tube
03. Along The Way
04. Rabbit Hole
05. Shmaltz Waltz
06. Hwy. 9
07. Rabid Rabbi
08. Hallelujah
09. Mad Scientist
10. Cheese
11. Kazoo Song
12. Indian Hwy.
13. Enipucrop
14. Little One
15. Makebelievin’
16. Ivy Hill
17. My Ladybug
18. Glass Cloud
19. Sperman
20. Trinocular
21. Milky Way
22. Potato Pancake
23. Blood And Brains
24. Renaissance Seance
25. Humming Bird
26. End Of The Road
27. The Giving Gift
28. Chill Pill
29. Ommmmm
30. O, Distractions
31. Starry Skies
32. Mini Van
33. Down To The Wire
34. The Only One
35. Woodshedding
36. Descending Ending
37. June Gloom
38. Smokey Road
39. Hwy. 9 (Revisited)
40. Frontal Robotomy
41. Sperman [Demo]
42. PTC
43. Hallelujah [Demo]
44. Untitled Comedy Podcast Theme Song (Live In Memphis, TN)

 

autor stipe07 às 18:40
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Sábado, 27 de Dezembro de 2014

Os melhores discos de 2014 (10-01)

10 - Black Whales - Throught The Prim, Gently

Há uma farta beleza utópica nas composições dos Black Whales, assim como as belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Throught The Prim, Gently esbanja todo o esmero e a paciência do quarteto em acertar os mínimos detalhes de um disco. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop psicadélica e rock progressivo.

Black Whales - Through The Prism, Gently

01. Spilt Personalities
02. Avalon
03. The Warm Parade
04. Are You The Matador
05. Red Fantastic
06. Come Get Immortalized
07. No Sign Of Life
08. O Fortuna
09. Do You Wanna Dance?
10. You Don’t Get Your Kicks
11. Tiny Prisms
12. Metamorphosis

9 - Foxygen - ...And Star Power

Deliciosamente arrojado e mal acabado, ...And Star Power é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento de vinte e quatro canções nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen, uma banda com uma identidade muito própria e um sentido melódico irrepreensível. Numa dupla que primeiro se estranha, mas depois se entranha, é um impressionante passo em frente quando comparado com os registos anteriores, num disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado.

I: The Hits & Star Power Suite
Star Power Airlines
How Can You Really
Coulda Been My Love
Cosmic Vibrations
You & I
Star Power I: Overture
Star Power II: Star Power Nite
Star Power III: What Are We Good For
Star Power IV: Ooh Ooh
II: The Paranoid Side
I Don’t Have Anything / The Gate
Mattress Warehouse
666
Flowers
Wally’s Farm
Cannibal Holocaust
Hot Summer
III: Scream: A Journey Through Hell
Cold Winter / Freedom
Can’t Contextualize My Mindi
Brooklyn Police Station
The Game
Freedom II
Talk
IV: Hang On To Love
Everyone Needs Love
Hang

8 - You Can't Win Charlie Brown - Diffraction/Refraction

Diffraction / Refraction é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos You Can't Win Charlie Brown para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que eles combinam com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. No que diz respeito à escrita, uma espécie de fantasmagoria impregna a poesia das canções, por isso Diffraction / Refraction recordou-me também tempos idos, sonhos e aquelas pessoas especiais que não estão mais entre nós, mas que ficaram fotografadas por uma máquina em tudo semelhante à da capa na nossa memória.

1 - After December
2 - Fall For You
3 - Post Summer Silence
4 - Be My World
5 - I Wanna Be Your Fog
6 - Shout
7 - Natural Habitat
8 - Heart
9 - From Her Soothing Mouth
10 - Under
11 - Won’t Be Harmed

7 - Parquet Courts - Sunbathing Animal

Independentemente de todas as referências nostálgicas que Sunbathing Animal possa suscitar, o que importa reter é o seu conteúdo musical e a verdade é que neste trabalho os Parquet Courts apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido numa simbiose entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

01 Bodies
02 Black and White
03 Dear Ramona
04 What Color Is Blood
05 Vienna II
06 Always Back in Town
07 She's Rollin
08 Sunbathing Animal
09 Up All Night
10 Instant Disassembly
11 Duckin and Dodgin
12 Raw Milk
13 Into the Garden

6 - Sunbears! - Future Sounds

Future Sounds contém um cardápio instrumental bastante diversificado e prova que os Sunbears! entram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispor para criar música. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção e estes norte americanos conseguem-no com uma quase pueril simplicidade, ao mesmo tempo que mostram capacidade para reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje para nos oferecer. Assim, Future Sounds é um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos, um caldeirão sonoro feito por um coletivo que sabe melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo.

Sunbears! - Future Sounds

01. Future Sounds

02. He’s a Lie! He’s Not Real!
03. I’m Feelin’ Low
04. Don’t Take Too Many Things
05. Overspiritualized
06. How Do You Go Forward??
07. Now You’re Gone
08. I Dreamed a Dream (That I Dreamt You)
09. Laughing Girl!
10. A Sad Case of Hypersomnia
11. Love (Breaks All Sadness)

5 - Teleman - Breakfast

Este disco consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma, através de uma fresca coleção de canções pop que são uma das melhores surpresas de 2014.

Teleman - Breakfast

01. Cristina
02. In Your Fur
03. Steam Train Girl
04. 23 Floors Up
05. Monday Morning
06. Skeleton Dance
07. Mainline
08. Lady Low
09. Redhead Saturday
10. Travel Song

4 - Ty Segall - Manipulator

Manipulator é o ponto alto da carreira de Ty Segall e um dos álbuns de referência deste ano. Não é apenas um disco de indie rock de garagem, é um compêndio de fusão de várias nuances que definem o que de melhor se pode escutar no indie rock com um cariz mais psicadélico.

01 Manipulator
02 Tall Man, Skinny Lady
03 The Singer
04 It's Over
05 Feel
06 The Faker
07 The Clock
08 Green Belly
09 Connection Man
10 Mister Main
11 The Hand
12 Susie Thumb
13 Don't You Want To Know? (Sue)
14 The Crawler
15 Who's Producing You?
16 The Feels
17 Stick Around

3 - Damon Albarn - Everyday Robots

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente a sempre a convergir para a soul, Albarn entregou-se à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, havendo, neste disco, vários exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo da mesma.

Damon Albarn - Everyday Robots

01. Everyday Robots
02. Hostiles
03. Lonely Press Play
04. Mr Tembo
05. Parakeet
06. The Selfish Giant
07. You And Me
08. Hollow Ponds
09. Seven High
10. Photographs (You Are Taking Now)
11. The History Of A Cheating Heart
12. Heavy Seas Of Love

2 - Beck - Morning Phase

O Beck que antes brincava com o sexo (Sexx Laws) ou que gozava com o diabo (Devil's Haircut) faz agora uma espécie de ode à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e da country. A receita é extremamente assertiva e eficaz e Morning Phase reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Fica claro em Morning Phase que Beck ainda caminha, sofre, ama, decepciona-se, e chora, mas que vive numa fase favorável e tranquila.

Beck - Morning Phase

01. Morning
02. Heart Is A Drum
03. Say Goodbye
04. Waking Light
05. Unforgiven
06. Wave
07. Don’t Let It Go
08. Blackbird Chain
09. Evil Things
10. Blue Moon
11. Turn Away
12. Country Down

1 - The Antlers - Familiars

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Familiars é mais um tiro certeiro na carreira deste trio de Nova Iorque e talvez o melhor álbum dos The Antlers até ao momento, não só por causa destas caraterísticas assertivas, mas também por ser capaz de nos transportar para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional.

The Antlers - Familiars

01. Palace
02. Doppelgänger
03. Hotel
04. Intruders
05. Director
06. Revisited
07. Parade
08. Surrender
09. Refuge

 


autor stipe07 às 21:58
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