Sábado, 19 de Abril de 2014

Tame Impala - Live Versions

Naturais de Perth e liderados pelo multi instrumentista Kevin Parker, os Tame Impala são um dos grandes destaques do dia de hoje, data em que se celebra a edição de 2014 do Record Store Day. No âmbito desta efeméride é hoje editado Live Versions, um novo EP dos Tame Impala, composto por gravações ao vivo.

Do alinhamento do EP constam nove temas captados num concerto do ano passado em Chicago e, segundo Kevin Parker, pretendem ilustrar o quanto ficam diferentes as canções ao vivo comparadas com as versões de estúdio. De acordo com o press release do alnçamento, o objectivo é dar aos fãs algo que ainda não possuam; algo que apenas tenham experienciado num concerto dos Tame Impala.

Tendo como principal trunfo a capacidade que demonstram em replicar a psicadelia que surgiu na década de sessenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas, os Tame Impala são uma das bandas fundamentais do universo sonoro alternativo atual e Innerspeaker e Lonerism os discos da banda australiana que forneceram a matéria-prima de Live Versions.

Este EP é um excelente aperitivo para a atuação que os Tame Impala têm prevista dia deassete de Julho no Meco, por ocasião do Super Bock Super Rock. Confere...

Tame Impala - Live Versions

01. Endors Toi
02. Why Won’t You Make Up Your Mind
03. Sestri Levante
04. Mind Mischief
05. Desire Be Desire Go
06. Half Full Glass
07. Be Above It
08. Feels Like We Only Go Backwards
09. Apocalypse Dreams

 


autor stipe07 às 18:30
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Underground Lovers – Weekend

Oriundos de Melbourne, na Austrália, os Underground Lovers são atualmente constituidos por Philippa Nihill, Richard Andrew, Maurice Argiro, Glenn Bennie, Vincent Giarrusso e Emma Bortignon. Apostam no revivalismo do rock progressivo e psicadélico, com uma forte componente experimental, que começou a fazer escola nas décadas de sessenta e de setenta. Pouco conhecidos no resto do mundo, são acompanhados com particular devoção no país de origem e considerados como uma das mais inovadoras bandas australianas, pela forma como conjugam a tradicional tríade baixo, guitarra e bateria com a tecnologia e a eletrónica que hoje prolifera na música e que permite às bandas alargar o seu cardápio instrumental.

Editado a treze de abril do último ano através da Rubber Records, Weekend é o trabalho mais recente dos Underground Lovers, um disco que celebra vinte e cinco anos da carreria do grupo e que sucede a Wonderful Things (2011).

A banda iniciou a sua carreria discográfica em mil novecentos e noventa e um com um homónimo e Weekend é já o décimo primeiro álbum da carreira dos Underground Lovers, um grupo que passou por algumas transformações, várias entradas e saídas de elementos e com um historial típico de uma banda com um elevado número de músicos com vidas díspares e conturbadas. 

Weekend são dez canções que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Apesar da já extensa carreira, não conhecia este grupo e confesso-me impressionado pela beleza utópica das composições dos Underground Lovers, algo que não falta neste álbum, assim como as belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos mais agressivos. 

Weekend denota esmero e paciência por parte de Vincent Giarrusso, o grande mentor e compositor da banda, principalmente na forma como acerta nos mínimos detalhes. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver Weekend como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Underground Lovers projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de psicadelia, rock progressivo, soul e blues.

O som espacial, experimental, psicodélico, barulhento e melódico que a banda criou ao longo da carreira, não se compara, de acordo com o que percebi de outras críticas que li do disco, com o conteúdo de Weekend, pelos vistos o trabalho mais intenso e marcante da carreira da banda. Weekend acrescenta à bagagem sonora dos Underground Lovers novas e belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte do ADN do grupo.

O meu grande destaque deste disco é a elevadíssima dose de psicadelia em que assenta Can For Now e, já agora, a recente edição desta música no formato single inclui no alinhamento uma fantástica versão do clássico I'll Be Your Mirror dos Velvet Underground, certamente uma influência importante do grupo. Outro tema que merece amplo destaque e audições repetidas é a batida ácida e o baixo de Au Pair, um tema cantado com uma voz em eco entrelaçada com uma guitarra plena de distorção, dois detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage.

Apesar da longevidade e da erosão que a instabilidade da formação provoca no seio de uma banda, os Underground Lovers parecem não ter perdido o brilho e não demonstram cansaço ou falta de inspiração. Weekend tem tudo para, daqui a alguns anos, ser o clássico da banda que todos aqueles que pretendem revisitar a carreira deste grupo australiano vão querer ouvir. Na verdade, mergulhados num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações, os Underground Lovers soam tão poderosos, joviais e inventivos como soavam há duas décadas. Espero que aprecies a sugestão...

01. Spaces
02. Can For Now
03. Haunted (Acedia)
04. Dream To Me
05. Signs Of Weakness
06. Riding
07. St Germain
08. Au Pair
09. In Silhouette
10. The Lie That Sets You Free

 


autor stipe07 às 21:37
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Protomartyr - Under Color Of Official Right

Os Protomartyr são uma banda pós-punk norte americana formada em em 2008, em Detroit. Joe Casey toma conta das vozes, Greg Ahee da guitarra, Alex Leonard da bateria e Scott Davidson do baixo. Under Color Of Official Right é o novo disco dos Protomartyr, um álbum que viu a luz do dia a oito de abril por intermédio da Hardly Art.

Os Protomartyr são uma daquelas bandas que se destacam por uma vincada atitude rock, muito à moda antiga, de punhos cerrados e contra as normas vigentes. Oriundos de uma cidade fortemente industrializada, conhecida pelos longos invernos e por ter criado, ao longo da sua história, mentes brilhantes, mas fortemente atingida pela crise que atingiu o mercado imobiliário em 2008, não tiveram grandes dificuldades em arranjar várias fontes de inspiração para as suas letras com forte sentido crítico. Para lhes dar vida, fazem um som post punk que me despertou a atenção devido ao facto de conseguirem englobar várias influências de forma coesa e com sentido.

Esta banda de Detroit começou por editar dois EPs em 2012, Dreads 85 84 e Colpi Proibiti, que vieram logo demonstrar que eram uma banda a ter em conta e com o álbum de estreia, No Passion All Technique, lançado no mesmo ano, receberam elogios de várias publicações especializadas físicas e digitais, espalhadas por esse mundo fora.

A sonoridade deste Under Color Of Official Right, o sempre dificil segundo disco, é forte, dinâmica e conta com uma variedade de texturas sonoras que, como já referi, parecem entroncar no post punk e em outras sonoridades típicas dos anos oitenta, algures entre os Gang of Four e o hard rock dos Devo. Nota-se também a influência dos seus conterrâneos MC5 e o som característico da fase final dos Black Flag. As guitarras são barulhentas e sente-se igualmente alguma daquela claustrofobia espalhada pelos primeiros álbuns dos Interpol.

Gravado num único fim de semana com a ajuda de Bill Skibbe e Jessica Ruffins (Wolf Eyes, Cass McCombs, Lower Dens, Six Organs of Admittance) nos estúdios Key Club Recording Studio, em Benton Harbor, o disco tem perto de quarenta minutos e ouve-se de um fôlego, até porque as canções são curtas e concisas, ou seja, estão ali no ponto certo tendo em conta a sonoridade típica. Dele já foram retirados os singles Singles Scum, Rise! e Come & See, mas o meu grande destaque da rodela vai, sem dúvida, para Tarpeian Rock, uma canção vibrante, assente num rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o biaxo vibrante em perfeita harmonia e a voz amplificada e distorcida, conjugada com guitarras carregadas de distorção, a conferir à canção uma toada psicadélica extraordinária.

 A voz de Zachary é um dos trunfos do disco, já que parece uma simbiose perfeita entre Nick Cave e Jeffrey Lee Pierce e as letras que escreve obedecem a um padrão onde abundam os estados de alma depressivos, abordando temas como a noite, a escuridão e o sexo em contextos menos convencionais, aém da temática politica que enunciei.

Under Color Of Official Right é um disco feito de peito aberto para o mundo, sem rodeios nem concessões. O seu conteúdo apresenta temas que se movem em diferentes velocidades e ritmos de forma convincente e vem reforçar tudo o que já se notava nos anteriores trabalhos dos Protomartyr. É, certamente, um álbum que figurará em muitas listas de melhores do ano. Espero que aprecies a sugestão...

1. Maidenhead
2. Ain’t So Simple
3. Want Remover
4. Trust Me Billy
5. Pagans
6. What the Wall Said
7. Tarpeian Rock
8. Bad Advice
9. Son of Dis
10. Scum, Rise!
11. I Stare at Floors
12. Come & See
13. Violent
14. I’ll Take That Applause


autor stipe07 às 19:55
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

TOONS - TOONS

Naturais de Brooklyn, Nova Iorque, os TOONS são Matthew Gregory (voz e bateria), Brian Wess (baixo), Davey Jones (voz e guitarra) e Ryan Foster (guitarra) e lançaram no passado dia vinte e cinco de março, através da Old Flame Records, TOONS, um disco homónimo, disponível abaixo para audição e download e possível de ser adquirido em formato cassete, numa edição limitada a trezentos exemplares.

Álbum conceptual, TOONS fala da importância que uma simples vaca leiteira tem na vida destes quatro rapazes que, pelos vistos dão ao leite uma importância algo inédita para quem está mais na idade de elogiar e carburar outros liquidos mais etílicos. Vivendo na cosmopolita Nova Iorque, os TOONS terão frequentes sonhos sórdidos e pouco recomendáveis acerca da pacata e saudável vida no campo e TOONS foi a melhor forma que encontraram de expôr essa curiosa tendência.

TOONS foi misturado por Mike Ditrio e as suas onze canções estão cheias de guitarras que, do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa. Não há grandes segredos no alinhamento do disco e esse é, decididamente, um elogio que se pode fazer a um álbum divertido e animado, feito por quatro músicos que sonham resgatar a alma de um som com mais de vinte anos e que, muitas vezes tocado com uma certa displicência, mas sempre com uma grande dose de alma e criatividade, marcou indubitavelmente uma geração.

Milkn', o segundo tema do alinhamento de TOONS, é um  dos grandes destaques do trabalho e essencial para se perceber o universo que os TOONS procuram criar neste disco que, até ao final, em Watch We Change, não dá descanso a guitarras que debitam continuamnete melodias certeiras, que vão diretas ao assunto e que impressionam pelas variadas mudanças de direção e por um clima sempre acelerado e festivo.

Canções como Strip Club Blues e What You Back, além das já citadas, exemplificam com precisão que estes quatro músicos são excelentes representantes da melhor herança norte americana atual do rock alternativo que se fazia há uns vinte anos, exímios intérpretes de um noise rock cheio de guitarras distorcidas e inebriantes. Depois há ainda temas mais melódicos, como N.E.T.S. (I Care) e Smile (Sold Out), que mostram um outro lado, também feito de alguma introspeção e de uma complexidade instrumental e lírica que nos envolve e nos faz mergulhar numa animada teia, tecida por uma banda que está no rumo certo para se tornar numa referência essencial do rock alternativo nos próximos anos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:44
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Douga - Kids Of Tomorrow

Naturais de Manchester e liderados pelo multi-instrumentista Johnny Winbolt-Lewis, aos quais se junta John Waddington (baixo e teclas)e o violinista e guitarrista convidado DBH, os Douga são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia com alguns dos melhores detalhes do rock experimental contemporâneo. Kids Of Tomorrow, o single que está a lançar esta banda para a ribalta, tem uma atmosfera única e pode ser caraterizado como um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos.

Esta canção está disponível para download gratuito e deixou-me a salivar pelo disco de estreia do projeto chamado The Silent Well, que foi gravado nos estúdios 80 Hertz com o produtor George Atkins e que chegará aos escaparates a dezanove de maio por intermédio da Do Make Merge Records. Confere...


autor stipe07 às 17:15
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Angel Olsen - Burn Your Fire With No Witness

Grande fã de Lou Reed e uma das peças essenciais da banda de Bonnie Prince Billy, Angel Olsen é um dos novos nomes a reter no universo sonoro alternativo. Entre o rock e o grunge dos anos noventa, a folk dos anos setenta e o chamado alt country, Burn Your Fire With No Witness é o disco que apresenta ao mundo esta cantora de vinte e seis anos, que já se tinha estreado nos discos em 2012 com Half Way Home, além de ter também no seu cardápio Strange Cacti, um EP que editou em 2010. Burn Your Fire With No Witness foi produzido por John Congleton, habitual colaborador de Bill Callahan e editado por intermédio da conceituada Jagjaguwar.

Natural do estado norte americano do Missouri, esta norte americana usa como principal combustível do seu processo de composição a temática do amor e vai beber as suas maiores influências ao puro rock assente numa elaborada arquitetura de efeitos da pedaleira e uma voz que surge, bastantes vezes, analógica, distorcida e enigmática, como se pode escutar, neste disco e logo a abrir, num típico tema introdutório chamado Unfucktheworld.

Pouco mais de quarenta anos depois de Joni Mitchell ter surpreendido com a obra prima Blue (1971), Angel usa outros ingredientes sonoros mas estão também aqui os princípios liricos e o ideal temático que a canadiana explorou sabiamente nesse disco e que se relacionavam com  a melancolia escancarada de um coração partido.

O pedal da distorção é ligado em Forgiven/Forgotten, uma canção dominada integralmente pelas guitarras à Sonic Youth e que aponta também à herança das gémeas Deal. Mas a interpretação country de Hi-Five, com a voz novamente num registo analógico e distorcido, já nos leva por outros caminhos e mostra-nos que não é só do rock sónico que vive Angel Olsen. Esta tríade abre o disco da melhor forma e coloca a nú diferentes sensações que o amor pode despertar e que tantas vezes oscilam entre o ódio e a paixão e que Olsen traz até nós através de um rock dançante mas que nunca abandona as fronteiras da folk, umas vezes algo inocente, noutros momentos mais sisudo.

O disco prossegue e impressiona novamente quando os conflitos amorosos, tantas vezes impregnados de inebriantes sentimentos de culpa, ficam expostos em baladas como Lights Out e Windows, temas carregados de sentimento e que mostram que o amor, sendo tantas vezes descrito através do martírio alcoólico das palavras, também pode ser cantado com lógica e, como um respiro, terminar sem motivos.

Burn Your Fire For No Witness é a banda sonora perfeita de um romance moderno, o passo certo depois de um relacionamento que não resultou, um conto romântico particular, uma procissão melancólica de canções densas que exorcizam diversos demónios, sustentadas na crueza amarga dos versos e na forma como as guitarras dão um sombreado estético simultaneamente belo e perturbador a este exercício redentor levado a cabo por uma cantora e compositora que, com uma guitarra nas mãos, demonstra uma criatividade efervescente de louvar. Espero que aprecies a sugestão...

Angel Olsen - Burn Your Fire For No Witness

01 Unfucktheworld
02 Forgiven/Forgotten
03 Hi-Five
04 White Fire
05 High & Wild
06 Lights Out
07 Stars
08 Iota
09 Dance Slow Decades
10 Enemy
11 Windows


autor stipe07 às 22:01
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Terça-feira, 1 de Abril de 2014

The War On Drugs – Lost In The Dream

 Depois de Slave Ambient, disco que os The War On Drugs, editaram no final de 2011 e que foi destaque em Man on The Moon poucas semanas depois, a banda de Adam Gradunciel,  um músico norte americano cuja sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos foi aos poucos transformando-se numa referência para vários artistas em início de carreira, está de regresso com um novo registo de originais. Lost In The Dream viu a luz do dia a catorze de março de 2014, via Secretly Canadian e Red Eyes foi o primeiro avanço conhecido desse trabalho.


Red Eyes é uma canção perfeita para nos recordar o quanto esta banda é fantástica e como esta sonoridade indie rock, solta e etérea e abastecida por sintetizadores enérgicos e dançáveis, é a banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que descrevem este início de primavera. Assim que ouvi a canção criei logo elevadas expetativas em relação ao restante conteúdo de Lost In The Dream, cuja capa feita por uma foto envelhecida pelo tempo enquanto Gradunciel medita e repousa, fez-me logo criar suposições e imaginar que este novo álbum dos The War On Drugs contém uma elevada vertente autobiográfica, que poderá servir para o músico entender melhor o seu âmago, fazendo-o através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical.

Na verdade, Lost In The Dream é um compêndio de várias narrativas, onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor e a perceber sobre aquilo que medita, as suas conclusões e as perceções pessoais daquilo que observa enquanto a sua vida vai-se desenrolando e ele procura não se perder demasiado na torrente de sonhos que guarda dentro de si e que nem sempre são atingíveis.

Musicalmente, Lost In The Dream deambula entre a folk, a dream pop, o indie rock e a psicadelia, com o reverb das guitarras e os sintetizadores a sustentarem o cardápio sonoro de um disco dinâmico e que se destaca logo na abertura com Under The Pressure, uma longa canção que apresenta uma progressão interessante e onde vão sendo adicionados os diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, nomeadamente sintetizadores e saxofones, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte.

Letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados, com os quais o autor se identifique profundamente e, além da secção de sopros do já citado single Red Eyes, há que enfatizar as paisagens sonoroas criadas em Suffering e Eyes To The Wind, duas canções que, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz se posiciona e se destaca.

Lost In The Dream é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Gradunciel sereno e bucólico, através de uma viagem aos universo de Dylan e Kurt Vile, passando por Springsteen, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências amorosoas do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas. Espero que aprecies a sugestão...

The War On Drugs - Lost In The Dream

01. Under The Pressure
02. Red Eyes
03. Suffering
04. An Ocean In Between The Waves
05. Disappearing
06. Eyes To The Wind
07. The Haunting Idle
08. Burning
09. Lost In The Dream
10. In Reverse

 


autor stipe07 às 22:37
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Sábado, 29 de Março de 2014

Mikal Cronin - Soul In Motion

Depois de ter contribuido para o mais recente álbum dos The Oh Sees e de ter editado o ano passado MCII, o seu segundo disco, o músico Mikal Cronin prepara-se para editar mais um álbum, que se irá chamar LAMC e chegará às lojas a um de abril, via Famous Class.

Enquanto esse trabalho não chega, editou com Wand um single em vinil, para o qual contribuiu com Soul In Motion, a canção do lado A desse vinil. Este tema impressiona pela preponderância das cordas nos arranjos e, ao mesmo tempo, pela vitalidade das guitarras, numa feliz simbiose entre o acústico e o elétrico, apresentada de forma muito intensa e vibrante. 

Este lançamento está disponivel para download, com a possibilidade de obteres o single gratuitamente ou doares um valor pelo mesmo. A verba angariada pelo download e pela venda do single reverterá para o Ariel Panero Memorial Fund at VH1 Save the Music, uma organização sem fins lucrativos que se dedica ao incremento do estudo da música em escolas públicas americanas. Confere...


autor stipe07 às 16:04
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Quinta-feira, 27 de Março de 2014

The Soft Hills - Departure

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.

Entretanto, já em 2013, chegou o terceiro álbum; Lançado em fevereiro desse ano, Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofundou a sonoridade proposta pelo disco anterior. Agora, cerca de um ano depois, já é conhecido o quarto tomo da discografia dos Soft Hills; O álbum chama-se Departure e mantém a aposta dos The Soft Hills na abordagem de diferentes espetros sonoros dentro do universo indie.

Departure é um disco de contrastes: sente-se o sol, harmonias e calor da Califórnia e o escuro, falta de cor e a chuva de Seattle. O disco conjuga a típica toada pop, com alguma folk implícita, à mistura com a psicadelia europeia e o rock alternativo de início dos anos oitenta. O resultado final envolve-nos num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio, algo que comprova, uma vez mais as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição, ele que, ainda por cima, é detentor de uma voz única e incomparável.

Seja através de efeitos com ecos e com reverb das guitarras, ou através do simples dedilhar de uma corda acústica, ou de um efeito sintetizado luminoso, ou sombrio, Departure levanta voo em Nova Iorque (The Golden Hour), com a ajuda dos Interpol e aterra na Berlim governada por Bowie nos anos setenta (Stairs). Pelo meio não deixa de abordar também os caraterísticos sons da folk, momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e, como já referi, por tiques típicos da psicadelia.

Em suma, num disco eclético e variado, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, mas desta vez também cruzaram o atlântico em busca das raízes do indie rock mais sombrio, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. O single Golden Hour está disponivel no soundcloud da Tapete Records. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Deaprture

01. Golden Hour
02. Black Flowers
03. Road To The Sun
04. The Fold
05. White Queen
06. Reverie
07. How Can I Explain?
08. Here It Comes
09. Blue Night
10. Belly Of A Whale
11. Stairs


autor stipe07 às 21:25
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Quarta-feira, 26 de Março de 2014

Haunted Hearts - Johnny Jupiter

Dee Dee das Dum Dum Girls e Brandon Welchez dos Crocodiles são casados mas também têm uma banda juntos chamada Haunted Hearts. A dupla acaba de anunciar o lançamento do disco de estreia do projeto; O disco chama-se Initiation e será editado a vinte e sete de maio pela Zoo Music.

Como podem reparar acima, Initiation tem um artwork bastante original. O disco foi escrito durante o inverno de 2012, no apartamento do casal, rodeados de livros e, de acordo com ambos, ao som de discos de krautrock e motown.

Já em 2013 os Haunted Hearts tinham revelado o single Something That Feels Bad Is Something That Feels Good e que fará parte do alinhamento de Initiation e agora chegou a vez de Johnny Jupiter, uma canção que já tem também um video oficial e que soa exatamente aquilo que deve soar uma hipotética colaboração entre as Dum Dum Girls e os Crocodiles, destacando-se nela a voz lo fi de Dee Dee e a guitarra carregada de fuzz e de detalhes psicadélicos de Brandon. Confere... 


autor stipe07 às 18:23
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Segunda-feira, 24 de Março de 2014

The Afghan Whigs - The Lottery

Após um hiato de dezasseis anos os The Afghan Whigs estão de regresso com Do To The Beast , um disco que vai ver a luz do dia a quinze de abril por intermédio da Sub Pop. Depois de Algiers, The Lottery é o segundo e potente novo tema divulgado do novo trabalho deste grupo de Cincinatti, no Ohio, liderado por Greg Dulli. Confere...

 


autor stipe07 às 18:03
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Sexta-feira, 21 de Março de 2014

Real Estate - Atlas

Editado a quatro de março por intermédio da Domino Records, Atlas é o terceiro álbum dos Real Estate, uma banda norte americana formada por Martin Courtney, Matt Mondanile, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman. Este trabalho sucede a Days, um dos álbuns mais aclamados em 2011 no universo sonoro indie e alternativo, ano em que foi editado.

Os Real Estate sempre se assumiram como uma banda que aposta nos traços mais caraterísticos da indie pop, algo que ficou muito claro logo na estreia com Fake Blues. Em Days aprimorou-se a mistura com as guitarras e soou ainda melhor esta vontade dos Real Estate em serem exímios na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja. Assim, os Real Estate ficaram famosos pela qualidade que demonstram na criação de típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo que agora, em Atlas, olha cada vez mais e com maior atenção, para o rock alternativo dos anos oitenta e, servindo-se de uma mais vincada vertente sintética, mostra neste novo disco um cariz mais urbano e atual.

Ouvimos cada uma das músicas deste trabalho e conseguimos, com uma certa clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que foram sendo adicionados e que esculpiram as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os tais arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Num disco que não deixa de ser variado quanto às temáticas que aborda, vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. E há que salientar que esse amor que é tão caro aos Real Estate, tem uma componente cada vez mais biográfica e canções como Crime ou Talking Backwards e até a instrumental April's Song, estão cobertas por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Atlas está imbuído de uma enorme beleza melódica, escuta-se com enorme fluidez, há um encadeamento claro entre os vários temas, uma noção de sequencialidade e uma relação clara entre os temas, mesmo aqueles que parecem opostos no conceito e na ideia que procuram aflorar.

Em Atlas os Real Estate avançam em passo acelerado em direção à maturidade, num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

Real Estate - Atlas01. Had To Hear

02. Past Lives
03. Talking Backwards
04. April’s Song
05. The Bend
06. Crime
07. Primitive
08. How Might I Live
09. Horizon
10. Navigator

 

 

 


autor stipe07 às 21:12
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Terça-feira, 18 de Março de 2014

Brace/Choir - Turning On Your Double

Num tempo em que o mundo em que vivemos não roda à volta da sua estrela, mas, em vez disso, rodopia com particular frenesim e um ênfase tal que faz com que vivamos num mundo cheio de perigos e que parece, em determinados períodos da história contemporânea, ter um apetite voraz e incontrolado pela implosão, Turning On Your Double é, de acordo com o press release do lançamento, uma série de oito contos sombrios sobre doença mental, uma meditação sobre as lutas individuais e sociais com distúrbios compulsivos e esquizofrenia: quatro pessoas unidas por uma visão idealista de colaboração, na qual chegaram a pensar que eram uma só pessoa, e as fracturas que surgiram nas suas vidas e personalidades quando a música pára. Temas como a traição, ficção satânica, neuroses relacionadas com a tecnologia e a morte de Osama Bin Laden são revelados através duma combinação de improvisação arrebatadora e composição sublime.

Os Brace/Choir são Christoph Adrian, Max Gassmann, Alex Samuels e Dave Youssef, um quarteto que se formou em Berlim, na Alemanha, no já longínquo ano de 2006. Este disco, lançado por intermédio da Tapete Records no final de fevereiro, sucede a um EP homónimo de 2010 e embarca esta banda num espiral sombria, mas, nem por isso, menos empolgante e atrativa. Falo de um caldeirão sonoro assente num rock progressivo e psicadélico, que não vive só do baixo e da guitarra, mas também do teclado, um elemento essencial do processo de criação melódica de quase todas as canções de Turning On Your Double. Estes instrumentos constituem a tríade que a banda usa como canal privilegiado para comunicar conosco sobre temas como a morte e o renascer e as já clássicas temáticas do amor e de alguns distúrbios emocionais que o mesmo pode provocar, assim como alguns eventos marcantes da nossa história contemporânea. Por exemplo, Fallmen alude explicitamente à captura e morte de Osama Bin Laden.

Uma das particularidades dos Brace/Choir é serem, praticamente todos, multi-instrumentistas, o que lhes permite trocar de ferramenta sonora entre as músicas, quer ao vivo quer em estúdio, o que faz com que cada um dos instrumentos fale com uma diferente voz, cada vez que ganha vida e cor nas canções dos Brace/Choir. É curioso sabermos que este disco tem uma conceção sonora geral e bem balizada e depois percebermos, ao longo da audição, que os diferentes instrumentos têm uma diferente tonalidade e timbre, de mão para mão.

Nomes como os the Replacements ou os Faust são influências declaradas dos Brace/Choir, mas os Mogway ou, num plano oposto, os Jesus and Mary Chain, ou os Doors, são também projetos que certamente terão passado bastante pelos ouvidos deste grupo, que toca um rock que tanto pode ter cor devido às aproximações indisfarçáveis que faz à pop mais melódica e de cariz épico, como se escuta em Biond, ou ter aquela toada mais vintage, feita com um baixo pulsante, um teclado psicadélico, uma distorção hipnótica e uma percussão vincada, aspetos típicos de uma psicadelia que nos remete para ambientes mais sombrios, como fica patente em Five Fingered Leaf ou na longa peça sonora orquestral que é Enemy's Friend, duas canções que, por si só, já fazem com que Turning On Your Double mereça uma audição atenta e integral. Espero que aprecies a sugestão...

01. Biond
02. Five Fingered Leaf

03. Enemy’s Friend
04. Fallmen
05. Be Let Down
06. Coil
07. Satisfier
08. 1 Is 2 


autor stipe07 às 20:58
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The Horrors - So Now You Know

Depois de I See You, já é conhecido So Now You Know, mais um avanço para Luminous, o novo trabalho dos britânicos The Horrors, que verá a luz do dia a cinco de maio e sucederá ao excelente Skying (2011), 

Faris, o vocalista, já confessou que este é um álbum que deu imenso gozo à banda compôr e que, de todos os discos lançados até hoje pelos The Horrors, é aquele em que coloca maiores expetativas, principalmente porque ampliaram o cardápio sonoro do grupo com mais sintetizadores e criaram um som mais amplo e elaborado. So Now You Know é um tema mais acessível que I See You mas, tal como essa, além de ter é os habituais ingredientes desta banda britânica, percebe-se que há, realmente, uma maior primazia da vertente sintética em relação à orgânica das guitarras. Confere...


autor stipe07 às 18:39
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Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Cassettes On Tape - Murmuration EP

Os Cassettes On Tape são uma banda post punk de Chicago, formada por Joe Kozak (guitarras e voz), Greg Kozak (baixo e voz), Shyam Telikicherla (guitarras e voz) e Chris Jepson (bateria). Escrevi sobre eles no início de 2013 a propósito de Cathedrals, o primeiro registo discográfico da banda, um EP com sete canções e agora estão de regresso, no mesmo formato, com outro EP intitulado Murmuration, lançado no passado dia quinze de março e disponível para audição no bandcamp da banda e em formato figital nas habituais plataformas  iTunes, Spotify e Amazon.

Nunca o ressuscitar do post punk e do shoegaze estiveram tão em voga como nos últimos tempos e o vigor desta tendência percebe-se pelo acompanhamento atento deste blogue. Têm sido imensas as bandas a obter sucesso apostando no reviver de diversas sonoridades que despontaram mais intensamente nas décadas de setenta e oitenta. No entanto, essa aposta atual não se tem limitado ao replicar do que era feito nessa altura e em ambos os lados do oceano atlântico.

Os Cassettes On Tape são mais uma banda que aposta nessa simbiose de legados deixados por nomes como Ian Curtis ou os Led Zeppelin, há cerca de três décadas, não descurando a habitual cadência proporcionada pela tríade baixo, guitarra e bateria e uma outra tendência mais virada para a psicadelia. É nessas guitarras carregadas de reverb e distorção e na voz grave de Joe Kozak, cujo efeito em eco ouve-se e entranha-se com particular emoção, que assenta a base melódica das canções de Murmuration, os dois aspetos vitais do perfil identitário sonoro deste grupo de Chicago.

Murmuration é um excelente cartão de visita para quem não conhece os Cassettes On Tape e uma ótima sequência da estreia deste quarteto. Temas como I Was Wrong e She Said plasmam com particular ênfase a mestria com que este quarteto revive sonoridades antigas, com guitarras plenas de distorção e lhes dá uma roupagem pop, melodicamente épica e, também por isso, muito atual e inovadora, não havendo qualquer tipo de desculpas para que os apreciadores desta espécie de mescla não os possam conhecer e ouvir. Em Murmuration há um mérito e uma qualidade não deverão passar em claro. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:54
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Domingo, 16 de Março de 2014

Plumerai - Seattle

Os Plumerai juntaram-se em 2011 para fazer música e assim nasceu uma banda em Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras), James Newman (baixo) e Mickey Vershbow (bateria). Em novembro de 2012 a Darushka-4 lançou Mondegreen, um disco do grupo que divulguei na altura e, desde aí, nunca mais perdi contacto com Martin Newman, o lider do projeto, que também faz parte da dupla The New Schwansteins. Já agora, Mondegreen sucedeu ao EP Marco Polo, lançado em janeiro desse mesmo ano e tanto o EP como o disco estão disponíveis para audição no bandcamp e no soundcloud dos Plumerai.

Martin contactou-me há poucos dias para me informar que os Plumerai têm um novo single chamado Seattle e que poderá vir a fazer parte do alinhamento do próximo disco desta banda norte americana, que está, neste momento, a ser concebido. Envolvido por uma sonoridade indie e alternativa, que balança entre a dream pop e o shoegaze, Seattle assenta numa abordagem simples, dominada por uma percussão assertiva e por guitarras carregadas de distorção, um manto sonoro que se interliga, com particular encanto, com o sotaque francês de Eliza, um trunfo explorado positivamente até à exaustão neste tema e uma opção linguística nova nos Plumerai. Confere...


autor stipe07 às 10:49
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Sábado, 15 de Março de 2014

Posse – Soft Opening

Lançado no passado dia quatro deste mês, Soft Opening é o novo disco dos Posse, um grupo formado por Paul Wittmann-Todd, Sacha Maxim e Jon Salzman, que nasceu em 2010 quando Paul e Sacha se conheceram num bar lésbico de Seattle, tendo o baterista Jon juntado-se pouco depois à dupla. Soft Opening viu a luz do dia através da Beating A Dead Horse Records, sucede a um álbum de estreia homónimo, foi gravado integralmente no sotão de Sacha e foi misturado por José Diaz Rohena e masterizado por Mell Dettmer.

Se a simplicidade de processos e uma evidente quimica estiveram na génese da formação dos Posse, basta ouvir Soft Opening para perceber que esses conceitos também fazem parte da identidade sonora da banda. Não há grandes segredos neste disco e essa é uma das suas principais virtudes, já que todas as canções assentam em linhas de guitarra bastante melódicas, onde os arranjos dessas cordas são dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e também numa percurssão pouco variada mas marcante e aditiva. Esta receita instrumental, onde cada elemento tem o seu próprio espaço e existe um protagonismo equilibrado entre cordas e secção ritmíca, é simples, mas extremamente eficaz e perfeita para a voz algo discreta mas muito encantadora de Paul que, juntamente com Sacha, foram o núcleo duro dos Posse.

Delay pedals and 27 years of disappointmen é uma frase chamariz que os Posse utilizam para descrever a música que fazem e, na verdade, Soft Opening é um delicioso compêndio para os verdadeiros apreciadores de um indie rock feito com guitarras, que tanto é capaz de assumir uma toada épica e mais ampla, enriquecida por longos instrumentais, algo muito audível nas variações de intensidade de Shut Up, Talk e Zone, assim como aquele indie rock ligeiramente pop e implicitamente dançável, muito patente no início do disco, na convidativa sequência assegurada por Interesting Thing No. 2 e Afraid.

Estamos na presença de oito canções que contêm a produção algo psicadélica típica da década de oitenta e as transformações sonoras que o indie rock experimentou na década seguinte, para musicar letras que falam das típicas angústias de quem está a deixar para trás uma juventude que foi vivida num período de fortes duvidas existenciais e se prepara para abrir as portas da idade adulta e pede, como fica explícito em Zone, no fim do disco, que o deixem levar por diante esse processo evolutivo pessoal, sem intromissões e de acordo com os seus mais intímos desejos (Don't touch Me, I'm In My Zone). Espero que aprecies a sugestão...

Posse - Soft Opening

01. Interesting Thing No. 2
02. Afraid
03. Talk
04. Shut Up
05. Jon
06. 2U
07. Cassandra B.
08. Zone

 


autor stipe07 às 15:06
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Quinta-feira, 13 de Março de 2014

Bear Hands - Distraction

Oriundos de Brooklyn, Nova iorque, os Bear Hands são Dylan Rau, Ted Feldman, Val Loper, TJ Orsche, uma banda norte americana que no passado dia dezoito de fevereiro editou o sempre difícil segundo disco. O álbum chama-se Distraction e viu a luz do dia por intermédio da Cantora Records, tendo sido produzido por Ted Feldman, o guitarrista da banda e misturado por James Brown (Foo Fighters, Nine Inch Nails).

Assim que comecei a escutar este disco achei logo que me soava a algo familiar e que seria um trabalho de fácil assimilação. Mas a verdade é que, poucos instantes depois, percebi que estava na presença de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo, mas também cheio de tiques caraterísticos do pop punk, do eletropop e do rock clássico dos anos oitenta.

De facto, neste Distraction os Bear Hands demonstram uma interessante maturidade, quer como escritores de canções mas, principalmente, como criadores de melodias. Bone Digger destaca-se pela toada groove, pelo falsete de Rau, que depois se vai repetir na sombria Vile Iowa e pela forma como esta postura vocal se mistura com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação. Sleeping On The Floor contém os melhores ingredientes do chamado garage rock, uma canção que assenta numa densa parede melódica criada por excelentes loops de guitarra e também não posso deixar de falar da intrigante Bad Friend, um tema que cruza algumas das melhores caraterísticas do chamado alt-country com o rock mais progressivo.

Mas o meu grande destaque do álbum vai para Giants, o tema que me fez perceber que os Bear Hands têm algo de distinto, já que é uma canção que começa por apostar num certo hipnotismo algo sombrio, feito com sons sintéticos, para saltar logo para um rock algures entre MGMT e Public Enemy (confuso?) e que depois se estende num refrão épico e clássico e tipicamente pop. Esta canção acaba por ser uma excelente demonstração da abrangência sonora dos Bear Hands, num disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância às canções, com um ritmo variado que sabe aquela urgência do rock dos anos oitenta e que dá vida a letras que narram acontecimentos comuns, de forma inteligente

Hoje em dia, com a multiplicidade de propostas que diariamente chegam aos nossos ouvidos, frequentemente instala-se a confusão e são ténues as fronteiras entre aquilo que é indie ou pop, independentemente da fórmula ser eminentemente orgânica ou sintética. O foco acaba por se direcionar, no meu caso concreto, para a qualidade e para a capacidade que, independentemente do balizamento ou da rotulagem que esteja tentado a fazer, algns discos têm de transmitir sensações, sejam elas rudes, sinceras, emotivas, simples ou intrincadas. Os Bear Hands são de difícil catalogação, talvez ainda estejam à procura do rumo certo mas, quanto a mim, são bons e serão grandes se optarem sempre por esta miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza Distraction. Espero que aprecies a sugestão... 

Bear Hands - Distraction

01. Moment Of Silence
02. Giants
03. Agora
04. Bone Digger
05. Vile Iowa
06. Bad Friend
07. The Bug
08. Peacekeeper
09. Sleeping On The Floor
10. Party Hats
11. Thought Wrong

 


autor stipe07 às 22:24
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Oliver Wilde - On This Morning vs Play & Be Saved

Natural de Bristol, o cantor, produtor e compositor Oliver Wilde captou a atenção da imprensa musical especializada britânica quando lançou o ano passado A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, o seu disco de estreia, rotulado como um verdadeiro tratado de pop psicadélica e que lhe valeu comparações com nomes tão relevanters como Mark Linkous ou Bradford Cox.

Cerca de um ano depois Oliver está de regresso com um novo disco intitulado Red Tide Opal In The Loose End Womb, um trabalho que verá a luz do dia a cinco de maio através da Howling Owl Records. On This Morning foi o primeiro avanço divulgado do disco e agora chegou a vez de Play & Be Saved. Falo de duas exuberantes canções, cheias de arranjos que, juntamente com a voz arrastada de Wilde, dão um cariz efervescente, melancólico e onírico a dois temas cheios de brilho e cor.

Por estas duas amostras, parece-me que Red Tide Opal In The Loose End Womb será uma das obras discográficas mais relevantes de 2014. Confere...


autor stipe07 às 10:57
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Quarta-feira, 5 de Março de 2014

Thee Oh Sees - The Lens

Thee Oh Sees cover

Depois de ter anunciado que os The Oh Sees de John Dwyer estariam numa espécie de período sabático e que Dwyer estava concentrado num novo projeto a solo chamado Damaged Bug, a banda surpreendeu, mostrou-se ativa e tem um novo disco praticamente pronto. O álbum chama-se Drop e irá ver a luz do dia a dezanove de abril, o próximo Record Store Day, através da Castle Face, a editora do prório Dwyer. Penetrating Eye, o visceral tema de abertura de Drop, foi o primeiro single do álbum divulgado e agora chegou a vez da balada The Lens que surpreende pelos belíssimos arranjos orquestrais onde não faltam inéditos instrumentos de sopro. Confere...


autor stipe07 às 14:22
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Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Beck – Morning Phase

Depois de seis anos de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, está de regresso em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia a vinte e cinco de fevereiro por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor com quase quarenta e quatro anos e que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço.

A introdução de Morning Phase, com os violinos de Cycle e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Morning e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Beck está, assim, de regresso a um universo que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este músico norte americano herdou de Neil Young e que sabe hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Morning Phase é uma benção caída do céu para todos aqueles que, como eu, têm alinhada na sua prateleira, cronologicamente, toda a vasta discografia de Beck e que acabam por, invariavelmente, ir desfolhar sempre aquele setor mais central, algures entre Mutations e, principalmente, Sea Change. No entanto, convém esclarecer os mais desatentos e menos familiarizados com o historial de Beck, que as semelhanças ficam por aqui; Apesar de Cycles iniciar com o mesmo acorde Mi da também introdutória Golden Age do disco de 2002, e se Morning mantém a toada, há doze anos Beck exorcizava os seus fantasmas após o final de um relacionamento com uma namorada de muitos anos, vendo-se assim refém de uma obra que representava o seu estado de profunda tristeza e melancolia, mas hoje Morning Phase é reflexo de uma fase muito mais feliz da sua vida, que tem aproveitado devidamente com a sua esposa, Marissa Ribisi e os dois filhos (Cosimo e Tuesday) e que os arranjos coloridos de Heart Is A Drum, um tema que ganha vida através de um blues da melhor qualidade, parecem claramente expressar. Esta canção cheia de efeitos na voz do músico que iluminam o ambiente e a música, é um dos meus destaques deste álbum.

Mas Morning Phase tem outros momentos cheios de esplendor e que importa realçar; Blackbird Chain é a banda sonora perfeita para uma declaração de amor sentida e Unforgiven salta ao ouvido por se afastar do formato mais acústico e servir-se dos sintetizadores e de uma orquestra de fundo para aguçar o nosso espírito. Já Wave impressiona pelas fantasticas linhas do mesmo violino que nos tinha deslumbrado na abertura; Os arranjos densos, orquestrados e quase góticos desta canção, dão-nos uma visão panorâmica de um Beck pequeno e isolado diante da imensidão ao seu redor, como se estivéssemos a contemplar uma figura distante, cada vez mais desfocada e misteriosa. De referir ainda o banjo ternurento de Say Goodbye, a inspiração romântica e a exuberância orquestral de Waking Light e a folk animada de Blue Moon, uma referência direta a Nick Drake, um dos grandes inspiradores deste músico nascido em 1970 em Los Angeles, filho de uma atriz e um compositor.

O Beck que antes brincava com o sexo (Sexx Laws) ou que gozava com o diabo (Devil's Haircut) faz agora uma espécie de ode à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e da country. A receita é extremamente assertiva e eficaz; Com as participações especiais de músicos tão conceituados como o baterista Joey Waronker (Atoms For Peace) e o baixista Justin Meldal-Johnsen, Morning Phase reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Fica claro em Morning Phase que Beck ainda caminha, sofre, ama, decepciona-se, e chora, mas que vive numa fase favorável e tranquila. Espero que aprecies a sugestão...

Beck - Morning Phase

01. Morning
02. Heart Is A Drum
03. Say Goodbye
04. Waking Light
05. Unforgiven
06. Wave
07. Don’t Let It Go
08. Blackbird Chain
09. Evil Things
10. Blue Moon
11. Turn Away
12. Country Down


autor stipe07 às 17:28
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014

She Sir - Go Guitars

Formados por Russell Karloff (voz, guitarra, baixo), Matthew Grusha (voz, baixo, guitarra), Jeremy Cantrell (guitarra) e David Nathan (bateria), os norte americanos She Sir são mais uma banda de Austin, no Texas, que se prepara para alcançar um lugar de relevo no universo sonoro alternativo, devido a Go Guitars, o feliz título do álbum de estreia do grupo, editado no passado dia vinte e cinco de fevereiro, por intermédio da Shelflife Records.

Depois de alguns singles e EPs que foram chamando a atenção para estes She Sir, era aguardada com alguma expetativa o primeiro longa duração desta banda texana que desde 2007 tem acumulado algumas distinções locais e presenças em listas das bandas mais promissoras do cenário alternativo de Austin. O EP de estreia Who Can Say Yes (2006), valeu aos She Sir os títulos de Best of the 2000's decade, Best of the year, e Best out of Austin, Texas.

Gravado, misturado e produzido por Erik Wofford nos estúdios Cacophony, Go Guitars são dez canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e nomes como os Pylon, Felt ou The Go-Betweens são influências declaradas dos She Sir, que hoje encontrarão paralelo em nomes como os Real Estate, Pale Saints, Violens, The Chills ou os Mojave 3.

Na verdade, é fácil traçar paralelismos com todos estes nomes quando, durante a audição do disco, se percebe que há uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica, dois aspetos essenciais do tratamento sonoro deixado por herança por onmes como os My Bloody Valentine ou os Fleetwood Mac.

O reverb na voz acaba por ser uma consequência lógica desta opção que logo na melancolia épica de Portrese carrega toda a componente nostágica com que os She Sir pretendem impregnar o seu ADN. A solarenga guitarra de Kissing Can Wait e a relação progressiva que o baixo e a bateria constroem em Bitter Bazaar, uma canção com um início algo inocente mas que depois ganha uma tonalidade muito vincada, são excelentes tónicos para  potenciar a capacidade de Russell Karloff, o vocalista, em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. Esta mesma sensação ganha um fôlego ainda maior em Condesendidents, um dos singles de Go Guitars e um tema onde a voz de Karloff atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os She Sir conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram. Já agora, outro single de Go Guitars é Snakedow, talvez o tema mais comercial dos She Sir, a fazer recordar a pop melancólica dos Coldplay, onde uma bateria pulsante e variada e distorções agudas da guitarra são a pedra de toque do cenário melódico arquitetado. 

Instrumentalmente Mania Mantle é um dos meus destaques deste trabalho, uma canção conduzida por um baixo vibrante e uma guitarra carregada de fuzz e distorção grave, um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia. Winter Skirt segue-lhe as pisadas, mas numa toada que privilegia a primazia da bateria, cheia de mudanças de ritmo, outro traço identitário do rock psicadélico, assim como alguns arranjos delicados feitos com a guitarra e com alguns metais quase impercetiveis.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os She Sir, logo na estreia, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Go Guitars é um excelente disco e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver. É que se há projetos que atestam a sua maturidade pela capacidade que têm em encontrar a sua sonoridade típica e manter um alto nível de excelência, os She Sir provam já a sua maturidade na capacidade que demonstram em mutar a sua música e adaptá-la a um público ávido de novidades, que tenham algo de novo e refrescante e que as faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

 

Discografia dos She Sir:

Fev. 2014 - Go Guitars CD/LP [Shelflife Records]
Jul. 2012 - You Could Be Tiger digital-only single [s/r]
Jul. 2010 - Ev'ry Thing In Paris CD, Import compilation [Happy Prince Records]
Jan. 2010 - Yens EP, 7" vinyl [s/r]
Set. 2006 - Who Can't Say Yes CD/EP [s/r]

She Sir - Go Guitars

01. Portese

02. Kissing Can Wait
03. Bitter Bazaar
04. Warmwimming
05. Mania Mantle
06. Winter Skirt
07. Snakedom
08. He’s Not A Lawyer, It’s Not A Company
09. Condensedindents
10. Continually Meeting On The Sidewalk Of My Door


autor stipe07 às 21:53
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

Shocking Pinks - Guilt Mirrors

Natural de Christchurch, na Nova Zelândia, Nick Harte é o grande mentor do projeto Shocking Pinks, que está de regresso com novidades, seis anos depois do último trabalho, por sinal um homónimo. Guilt Mirrors é o nome do novo longa duração dos Shocking Pinks, um triplo álbum editado pela norte americana Stars & Letters Records, no passado dia dezoito de fevereiro. Guilt Mirrors é um conjunto de temas que Nick compôs e gravou após a ressaca do terramoto de 2011 e que afetou imenso a sua cidade natal. Harte isolou-se em sua casa e, de acordo com o próprio, esteve vários dias sem dormir, durante os quais gravou material suficiente para quase uma dezena de discos. Guilt Mirrors foi produzido por Mark McNeill.

Se Shocking Pinks (2007) impressionou por ter dezassete músicas em apenas quarenta e cinco minutos, Guilt Mirrors são cento e sessenta minutos que, usando um termo comparativo gastronómico até porque, na minha opinião, a música é um belo alimento para o espírito, se saboreiam como se estivessemos a degustar uma belíssima caldeirada, feita com as mais variadas espécies sonoras que, no final, sabem a um eletropop lo fi, cozinhado por um Chef de renome, no aconchego do seu quarto. E, à semelhança do que muitos profissinais da gastronomia fazem quando visitamos o local onde fazem magia com os alimentos, em Guilt Mirrors também somos convidados a entrar, neste caso no quarto de Nick, tal é a clareza com que conseguimos imaginar toda a pafernália de que o músico se serviu para gravar todas estas canções e como ele convive, naturalmente, no meio de todo esse arsenal, como se fosse parte integrante do seu próprio eu.

Não é de estranhar que Nick se sirva de uma espécie de cliché para dizer que o seu quarto é o seu mundo e onde se sente realizado e feliz, já que os Shocking Pinks são o som de alguém que está acordado e a compôr música madrugada dentro ou sem horário definido, enquanto navega por outros interesses pessoais, sem a noção exata se a cama será, obrigatoriamente, um paradeiro a visitar antes do nascer do sol. Entende-se esta postura num país feito uma ilha vulcânicamente instável, em pleno hemisfério sul, encurralado entre a Austrália e a Antártida, uma espécie de Islândia dos antípodas que convida ao isolamento. Por lá, tudo acontece calmamente, o stress é uma miragem e o gosto pela experimentação, no que diz respeito à música, quase que uma imposição climática.

Este ambiente sonoro fica exposto em Not Gambling, o primeiro single retirado desta vasta coleção de canções distribuida pelas três rodelas de Guilt Mirrors, um tema com uma elevada toada experimental, que impressiona pela percussão eletrónica, pela voz sintetizada e pelo refrão verdadeiramente hipnótico (not gambling now, no she ain’t gambling now). Outro dos grandes destaques desta volumosa coleção de canções é St Louisuma obra prima musicada que conta com a participação especial de Gemma Syme na voz e que mantém na arquitetura minimalista um princípio de transformação para a obra de Harte. Etérea, a canção parece desacelerar o universo de bandas como Chromatics, substituindo a avalanche de sintetizadores por um agregado leve de guitarras. Outros temas desta vasta coleção de canções, como LV VS SX, Get in There Bitch e SoapsuddS, podem ser descritos de acordo com o mesmo referencial que faz do ruído uma peça fundamental de um cozinhado algo agridoce, mas apetitoso e melódico.

cantor e compositor Nick Harte já havia tornado os Shocking Pinks num dos projetos mais significativos da música kiwi quando lançou o seu disco homónimo em 2007. Mas esta nova coleção de referências que passeiam pelo dream pop, o rock alternativo e a psicadelia lo fi, elevam-no a um novo patamar de excelência. Espero que aprecies a sugestão...

Guilt Mirrors I
01 “GUN NEST”
02 “Not Gambling”
03 “DOUBLEVISIONVERSION”
04 “Ten Years”
05 “My Best Friend”
06 “SoapsuddS”
07 “Love Projection” (Dedicated to Jerry Fuchs)
08 “What’s Up With That Girl?” (Featuring Ashlin Frances Raymond/Arkitype)
09 “Vendetta” (Featuring Designer Violence)
10 “Swam”
11 “therearenorivershere”
12 “Few Skeletons”

Guilt Mirrors II
01 “LV VS SX” (Featuring Ashlin Frances Raymond)
02 “Motel”
03 “Hardfuck”
04 “(take me) Lower”
05 “St Louis” (Featuring Gemma Syme)
06 “Glass Slippers”
07 “BEYOND DREAMS”
08 “Hardfuck” (remix by Tristen R Deschain)
09 “Get In There Bitch”

Guilt Mirrors III
01 “A Million Times”
02 “Slightly Killed” (Featuring Arkitype)
03 “Chorus Girls”
04 “Working Holiday”
05 “Looks Black Rain”
06 “B & B”
07 “Translation”
08 “Hospital Garden”
09 “Out of Town Girl”
10 “BLISS”
11 “eleven”
12 “dance the dance electric”
13 “Black Rain Looks”


autor stipe07 às 19:09
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Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

The Horrors - I See You

Sem editar nenhum disco desde o excelente Skying (2011), os britânicos The Horrors de Faris Badwan preparam-se para voltar às luzes da ribalta com Luminous, um trabalho que será editado no próximo dia cinco de maio.

Faris, o vocalista, já confessou que este é um álbum que deu imenso gozo à banda compôr e que, de todos os discos lançados até hoje pelos The Horrors, é aquele em que coloca maiores expetativas, principalmente porque ampliaram o cardápio sonoro do grupo com mais sintetizadores e criaram um som mais amplo e elaborado. I See You, o primeiro avanço divulgado de Luminous, é uma canção com os habituais ingredientes desta banda britânica, mas percebe-se que há, realmente, uma maior primazia da vertente sintética em relação à orgânica das guitarras. Confere...


autor stipe07 às 12:44
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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

Abram Shook – Sun Marquee

A ideia romântica da busca espiritual do nosso âmago sempre fez parte do imaginário de quem desde muito cedo se habituou a ser sistematicamente auto reflexivo e a exigir mais do que o normal quer de si próprio quer do mundo que o rodeia. Natural de Austin, no Texas, o norte americano Abram Shook desde muito novo sentiu alguma difculdade em perceber qual o seu lugar neste mundo e, tendo a felicidade de ter condições materiais para isso, aventurou-se pelo mundo numa odisseia espiritual que da América do Sul a excursões de surf na indonésia possibilitaram-lhe absorver várias culturas e perceber outras realidades.

Abram cresceu em Santa Cruz, na Califórnia, onde estudou jazz e depois mudou-se para Portland e Boston, onde tocou em várias bandas, com destaque para os The Great Nostalgic e foi, assim, alimentando o seu gosto pela música. Estas duas facetas, a musical e a de viajante, acabaram por se conjugar e servir de inspiração para Sun Marquee, o registo de estreia deste músico, que chegou aos escaparaters no passado dia vinte e um de janeiro por intermédio da Western Vinyl.

Com um registo tão vasto de bandas em que tocou e com o jazz como elemento base da sua formação musical, é natural que Sun Marquee seja marcado pela abordagem a diferentes géneros musicais, ainda por cima quando o próprio músico se confessa influenciado por outros nomes que são referências de géneros musicais diversos, nomeadamente Shuggie Otis, Serge Gainsbourge ou o brasileiro Chico Buarque

Assim, Sun Marquee é um desfile de lições musicais aprendidas e questões pessoais por responder através de uma acessível coleção de canções pop. Logo na abertura, a luminosidade de Recovery é um convite amigável para descobrirmos a intimidade de um músico que se expôe intensamente em temas como Coastal, um dos singles do disco e onde a distorção da guitarra conjugada com o ritmo tranquilo torna evidente a aproximação a Gainsbourg, algo também percetível no orgão celestial e nos delicados arranjos de metais da introspetiva Hangover. As belas harmonias e a fantástica percussão de In Mind assim como a primazia da guitarra em Lifeguard são outros instantes deste disco que, juntamente com o foco que Abram coloca na componente metafórica e emotiva das suas letras, nos fazem sentir recompensado pela descoberta de Sun Marquee.

Abram prefere relatar com particular minúcia instantes isolados e acontecimentos concretos, do que propriamente alongar-se em narrativas de cariz mais geral e vago, o que faz com que seja fácil perceber o cariz quase auto biográfico do disco e os momentos da sua vida em que se inspirou para escrever.

Abram é, nitidamente, um viajante que gosta de explorar o mundo musicalmente e dos sons que cria extrair diferentes sensações. Ele tem a pop como guia espiritual e comete o pecado da gula quando se serve de um imenso cardápio que, do jazz, à música latina, passando pelo indie rock e a psicadelia, faz dele um dos mais interessantes novos projetos a solo do universo cenário musical indie atual. Espero que aprecies a sugestão...

Abram Shook - Sun Marquee

01. Recovery
02. In Mind
03. Distance
04. Taken
05. Hangover
06. Coastal
07. Crush
08. Lifeguard
09. Black Submarine
10. Tribe (Bonus Track)
11. Summer Fools (Bonus Track)

 


autor stipe07 às 21:17
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