Quinta-feira, 21 de Abril de 2016

Electric Man - Electric Man

Fundador, vocalista e guitarrista dos Gessicatrip, o lisboeta Tito Pires virou agulhas para uma carreira a solo, assinada com o nome Electric Man e o seu primeiro disco em nome próprio, um homónimo, viu a luz do dia nos primeiros dias de outubro do ano passado.

Independentemente do estado atual daquele indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio que fez furor nos finais da década de setenta e início da seguinte, com nomes com os Joy Division ou os Cure à cabeça, este género que também deve imenso a nomes como os The White Stripes, The Killers, The Strokes e, principalmente, aos Interpol, também tem seguidores por cá e que aplicam o interesse por esta fusão no seu processo de composição sonora. Este projeto Electric Man é um nome importante a reter e, logo na estreia, cimenta uma posição de relevo graças a dez canções que, de forma imaculada, nos levam numa viagem alicerçada em sons sintetizados inebriantes, mas também em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas e um baixo cheio daquele groove punk, com Tito Pires a colar todos estes elementos, através da bateria, com uma coerência exemplar.

O ritmo frenético de canções como Wonder Boy ou a épica Star Point, são excelentes exemplos do forte sentido de urgência que exala de Electric Man, mas também merece dedicação aquela sensualidade algo enigmátiva, mas nada figurativa, do dedilhar da guitarra e do registo vocal de Hot Break, assim como a fabulosa cover do clássico Something In The Way dos Nirvana, uma canção que na voz de Electric Man nos obriga a inspirar e a expirar ao ritmo da mesma até ao êxtase final, enquanto nos recorda aquele prazer tantas vezes difícil de descrever que este tema sempre provocou no nosso íntimo. No entanto, o grande destaque do disco vai para Enemy, quase quatro minutos vibrantes e hipnóticos, que assentam num indie rock rugoso mas épico, intenso e visceral, melodicamente bastante sedutor, um psicotrópico mental verdadeiramente eficaz e aditivo.

Sem rodeios, Electric Man é indie rock e pós punk sem falsos pressupostos, tem um valor natural e genuíno e não precisa de uma análise demasiado profunda para o percebermos, até porque um dos seus grandes atributos, enquanto disco, é não ser demasiado intrincado ou redundante no que concerne aos arranjos e ao arsenal instrumental de que se serve, algo que só demonstra a relevância do seu autor no universo indie nacional atual, uma prova evidente que Electric Man se estreia em grande, com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 12:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 20 de Abril de 2016

Parquet Courts - Human Performance

Lançado a oito de abril por intermédio da Rough Trade Records, Human Performance é o novo registo de originais dos norte americanos Parquet Courts, uma banda nova iorquina formada pelos guitarristas Andrew Savage e Austin Brown, o baixista Sean Yeaton e o baterista Max Savage e um dos coletivos do universo indie e alternativo mais aclamados da última meia década, muito por culpa de canções que parecem viajar no tempo e que, disco após disco, vão amadurecendo numa simbiose certeira entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

Abrigados numa filosofia instrumental que nos remete facilmente, por exemplo, para a herança dos The Velvet Underground de John Cale, os Parquet Courts servem-se de arranjos sujos e guitarras desenfreadas, às vezes com uma forte índole psicadélica. Este detalhe também aproxima o grupo do lado do lado de cá do atlântico, até à herança de nomes como os Television ou os Talking Heads e até os britânicos Wire. Assim, chegam a Human Performance na fase mais madura da sua curta, mas já rica, carreira e com vontade de bater ensurdecedoramente às portas de um sucesso que materialize numa superior e merecida exposição a um número cada vez maior de ouvintes, já que este quarteto é, sem sombra de dúvidas, um dos coletivos mais excitantes e inovadores do espetro musical em que se movimenta.

Como não podia deixar de ser e tendo em conta os álbuns anteriores, nomeadamente o fabuloso Sunbathing Animal, trabalho que há dois anos tirou os Parquet Courts definitivamente das sombras, Human Performance é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das suas diferentes composições, sempre com o acompanhamento exemplar do baixo, mas é dado, desta vez, um maior relevo à vertente sintética, com Dust, logo na abertura do alinhamento, a cimentar esta nova nuance. Apesar de estar impecavelmente produzido, este é um registo que não deixa de soar a um daqueles trabalhos que parece ter sido gerado por artifícios caseiros de gravação, além de não descurar métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu o rock de finais dos anos setenta, até ao período aúreo do rock alternativo de final do século passado.

Savage continua a escrever canções para ouvir a qualquer hora do dia, sem que necessariamente seja preciso uma solução filosófica para desvendar os seus versos e entrega-se de forma mais incisiva à escrita, com temas como Steady On My Mind ou I Was Just Here a levarem-nos do tédio à euforia, respetivamente, num ápice, não faltando questões relacionadas com o amor (Captive Of The Sun) e sendo também possível visualizar histórias de vida comuns, através da audição de retratos honestos sobre pessoas, percetível em Two Dead Cops, ou sentimentos, bem vincados na ode explosiva de One Man, No City, que é bem capaz de se basear numa Nova Iorque cheia de gente algo inócua, mas que não deixa de ser honesta e de ter o seu encanto.

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Human Performance possa suscitar, este tomo de canções possibilita-nos apreciar uns Parquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, que chegam a 2016 instalados no seu trabalho mais consistente e ousado, uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles e passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Dust
02. Human Performance
03. Outside
04. I Was Just Here
05. Paraphrased
06. Captive Of The Sun
07. Steady On My Mind
08. On Man, No City
09. Berlin Got Blurry
10. Keep It Even
11. Two Dead Cops
12. Pathos Prairie
13. It’s Gonna Happen


autor stipe07 às 21:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

Woods – City Sun Eater In The River Of Light

Editado no passado dia oito de abril através da Woodsist, etiqueta da própria banda, City Sun Eater In The River Of Light é o nono tomo da carreira discográfica dos Woods, uma banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl.

A carreira dos Woods impressiona pelo elevado ritmo de criação musical e publicação de discos, sempre com interessante conteúdo e novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e a grande novidade deste City Sun Eater In The River Of Light é a existência de alguns tiques típicos do reggae e do jazz que conferem ao som da banda o tal inedetismo evolutivo e uma ligeireza e positivismo que merecem audição dedicada.

Logo nas guitarras e nos sopros de Sun City Creeps sente-se este clima mais caliente e efusivo, necessariamente experimentalista e, por isso, de certo modo mais intuitivo. O orgão de Can't See At All e, nesta composição, o cariz lo fi da mistura da componente instrumental com a voz, assim como o bongo e os sopros de The Take reforçam não só a impressão acima descrita, mas também todo esse charme noise que é tão caraterístico dos Woods e que se mantém intacto, até porque este novo tomo de canções também vale pela sua heterogeneidade. Todas as canções soam, claramente, ao perfil psicadélico dos autores, cimentado numa carreira de pouco mais de uma década particularmente profícua, mas valorizam-se ainda mais se forem escutadas individualmente, já que cada uma tem aquele aspeto que carimba o seu próprio encanto, dos quais destaco também o cariz algo delirante das cordas de Hollow Home ou o encanto melódico que sobressai na exuberante e majestosa Politics Of Free, um das melhores canções do já impressionante catálogo do grupo.

Estes Woods são, talvez, uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual, já que servem de uma receita extremamente assertiva e eficaz, que entre cordas, um baixo vibrante, um belo falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, reluz porque assenta num som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção. City Sun Eater River Of Light acaba por valer por tudo isto e, principalmente, pelo modo inspirado como nos oferece exemplares sonoros com um sugestivo pendor pop e que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido. Espero que aprecies a sugestão... 

Woods - City Sun Eater In The River Of Light

01. Sun City Creeps
02. Creature Comfort
03. Morning Light
04. Can’t See At All
05. Hang It On Your Wall
06. The Take
07. I See In The Dark
08. Politics Of Free
09. The Other Side
10. Hollow Home


autor stipe07 às 21:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 11 de Abril de 2016

Doug Tuttle – It Calls On Me

Rochester, no estado de New Hampshire, é o refúgio bucólico de Doug Tuttle, um extroardinário músico e cantautor norte americano, de regresso aos discos à boleia da Trouble In Mind Records, com It Calls On Me, uma deliciosa jornada sonora por algumas das paisagens mais significativas da indie pop contemporânea, abastecida por uma simbiose entre folk e psicadelia ímpar, devido ao modo como este compositor domina a guitarra e através dela plasma sentimentos e sensações ricos e com particular intensidade e emoção.

Incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comuns à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar, Doug Tuttle reflete, na sua música, o seu posicionamento relativamente ao mundo em que vive e vivemos, duas realidades diferentes, mas no seu caso paralelas, porque caminham a par e passo, não fosse este músico profundamente autobiográfico e auto reflexivo, servindo-se da música que cria para expiar os seus pecados mas também para comungar com o ouvinte os prazeres que experimenta.

É assim a música de Doug Tuttle, que em apenas vinte e oito minutos consegue ser rico nas descrições que nos faz, quer da sua existência quer do que observa. A jovialidade pop da guitarra e o fuzz que a complementa, em A Place For You, dá o mote para um alinhamento perfeito para quem procura música que inspire a desafiar o destino e a procurar novos sonhos e anseios que não se quer deixar de experimentar um dia. Depois, o frenesim empolgante de It Calls On Me, o tema homónimo, oferece-nos gratuitamente um exercício de aceitação plena de um estado de consciência sobre uma vida em constante rebuliço, mas constante no modo como lida com os diferentes sentimentos e emoções e assim abre um disco com canções que mostram esse Doug Tuttle reflexivo, mas também auto confiante.

Quase sem se dar por isso, as canções sucedem-se e se Make Good Time mostra o músico embarcado numa viagem lisérgica, patente na instrumentação e numa letra que rompe com propostas mais intimistas, apresentando-o cada vez menos tímido e mais grandioso, já These Times e Painted Eyes embarcam-nos numa odisseia rumo aquela América profundo que sente uma constante necessidade de fuga aos padrões sociais e aos cânones pré estabelecidos, mas nem sempre tem o espírito e a ousadia para o conseguir. Uma espécie de exercício auto-crítico e reflexivo que, paralelamente, também nos oferece uma incrível viagem ao rock psicadélico da década de setenta, mantendo-se o derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição de emoções intrínsecas.

Daí em diante não faltam momentos em que prevalece essa sensação nada abstrata, que mostra um músico que procura sempre deixar o seu ambiente para caminhar pelo mundo real, algo audível nas imensas passagens instrumentais, quase sempre feitas com o simples dedilhar de cordas eletrificadas, plenas de fuzz e distorção, que pintam instantes que podem ser possíveis pontos de reflexão silenciosa, que todos experimentamos diariamente e que nos dizem muitas vezes bastante mais e de modo superiormente sábio, do que conversas de circunstância com quem nos é próximo mas tem apenas um conhecimento circunstancial e superficial do nosso âmago.

It Calls On Me é um excelente disco, principalmente pelo modo como manifesta instrumentalmente experiências de vida sincera, sendo uma intensa jornada espiritual que merece ser apreciada e saboreada em plenitude, enquanto discute melancolicamente sobre o amor, a saudade e outras futilidades diárias, à sombra de narrativas criadas por um músico que prova ser capaz de observar o tempo passar e de ser capaz de descrever cada mínimo aspecto sobre ele. Espero que aprecies a sugestão...

Doug Tuttle - It Calls On Me

01. A Place For You
02. It Calls On Me
03. Make Good Time
04. These Times
05. Painted Eye
06. Falling To Believe
07. On Your Way
08. Saturday-Sunday
09. Where You Will Go


autor stipe07 às 18:51
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 10 de Abril de 2016

Ghost King - Bones

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que viu a luz do dia a vinte e seis de março, podendo ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. Bones é a materialização bem sucedida de tal desiderato,um compêndio sonoro que logo no baixo vigoroso e na guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, oferece-nos uma excelente demonstração da cumplicidade que une os Ghost King e que, felizmente, foi utilizada como veículo de manifestação artística, nomeadamente a composição musical.

O clima de Bones não se cinge, naturalmente, aquilo que nos é dado a contemplar na canção que abre este alinhamento de onze composições. A trip deambulante, com intenso travo surf pop, que exala de Ghost In Love e, numa abordagem oposta, o clima mais contemplativo e acústico de Below The Sun e Winter's Air, assim como a visceralidade efusiva e imponente de Skeleton Dance e toda a miríade de tiques e detalhes do melhor rock alternativo de finais do século passado que transbordam das guitarras e da bateria da camposição homónima, dividida em dois capítulos que não sobrevivem isoladamente, são instantes de Bones que carecem de audição dedicada e que comprovam a elevada mestria e bom gosto dos autores.

Imponente, repleto de instantes sonoros ricos em nuances variadas que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, Bones reflete, numa curiosa amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:23
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 8 de Abril de 2016

Glass Vaults - Life Is The Show (video)

Os Glass Vaults são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas, enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado à boleia da Flying Out em 2015 e que foi amplamente destacado neste espaço, tendo mesmo figurado numa posição cimeira na lista dos melhores álbuns do ano passado, para Man On The Moon.

Com justificada aceitação por imensa crítica, Sojourn continua a catapultar os Glass Vaults para as luzes da ribalta, sendo o video do excelente tema Life Is The Show, o mais recente passo dado pelo grupo na divulgação do trabalho. Realizado por Ben Bro e produzido pelos próprios Glass Vaults, este belíssimo filme amplifica exemplarmente as emoções que exalam do sopé desse refúgio bucólico e denso chamado Life Is The Show, um tema feito com considerável exuberância de cor e movimento marcial, numa espiral instrumental desmedida e isenta de qualquer pudor e onde certamente os Glass Vaults se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar quase cinco minutos que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial, agora também visual. Confere...


autor stipe07 às 15:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 22 de Março de 2016

Old Jerusalem - A rose is a rose is a rose

Com uma carreira já cimentada de praticamente quinze anos, o projeto Old Jerusalem está de regresso aos discos com a rose is a rose is a rose, um novo tomo de uma já extensa e riquíssima discografia, após um interregno de quatro anos. Esta é uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham, da autoria de Francisco Silva e este trabalho um jogo de palavras muito curioso que sustenta, na minha opinião, dez canções ambiciosas, impecavelmente produzidas e com um brilho raro e inédito no panorama nacional.

A rose is a rose is a rose, ao contrário do que costuma suceder nos discos de Old Jerusalem, conta com algumas participações especiais, nomeadamente Filipe Melo no piano, Nelson Cascais no contrabaixo, Petra Pais e Luís Ferreira, dos Nobody’s Bizness, na voz e guitarras, respetivamente, o quarteto de cordas de Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano e Ana Cláudia Serrão, tendo sido misturado por Nelson Carvalho e gravado com o apoio de Luís Candeias e João Ornelas.

Confesso que o que mais me agradou na audição deste álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral de a rose is a rose is a rose uma clara sensação de riqueza e bom gosto. Canções do calibre de One for Dusty Light ou a lindíssima A Charm, o meu tema predileto do disco, abracam uma enorme riqueza instrumental, nomeadamente das cordas, sem dúvida o maior trunfo do arsenal instrumental de Old Jerusalem que, com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, prima pela constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, que criaram, neste alinhamento, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades.

A rose is a rose is a rose acaba por ser um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música nacional atual e, já agora, tem também como um dos seus trunfos uma escrita maravilhosa, em canções que, na minha modesta opinião, são uma tentativa, mesmo que pouco consciente, como se percebe na maravilhosa entrevista que o Francisco me concedeu e que podes conferir abaixo, de desmontar o amor enquanto sentimento e torná-lo mais acessível e menos místico. Não posso também deixar de realçar a expressividade do piano do Filipe Melo, o suave charme da bateria e dos restantes elementos percussivos e a criatividade com que Old Jerusalem selecionou os arranjos, o que resultou, no geral, num cenário melódico particularmente bonito.

A rose is a rose is a rose balança um pouco ali, entre o milagre maior que é o amor e que tantas vezes apresenta uma ténue fronteira entre magia e ilusão, como se a explicação desse sentimento quebrasse de algum modo o encanto que aquilo que não podemos explicar racionalmente geralmente nos provoca. Seja como for, estas canções permitem-nos aceder a um universo único, enquanrto experimentamos a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que transmitem. Espero que aprecies a sugestão...

 A Charm

Airs Of Probity

A Rose Is A Rose Is A Rose

All The While

One For Dusty Light

Florentine Course

Summer Storm

Tribal Joys

Dayspring

Twenties

Com uma carreira já cimentada de praticamente quinze anos, o projeto Old Jerusalem está prestes a ver um novo tomo de uma já extensa e riquíssima discografia a tomar finalmente forma, ainda por cima após um interregno de quatro anos. Como tem sido para si, Francisco, esta incrível jornada, batizada com uma  música do mítico Will Oldham?

Tem sido globalmente interessante e enriquecedor, a momentos mais, noutros menos, como tudo na vida.

a rose is a rose is a rose é, então, o título do álbum. Um jogo de palavras muito curioso que sustenta, na minha opinião, dez canções ambiciosas, impecavelmente produzidas e com um brilho raro e inédito no panorama nacional. Começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este novo trabalho?

Não tenho expectativa que o disco venha a ter uma vida muito diferente da dos anteriores trabalhos de Old Jerusalem, seja em termos da abrangência do público que segue o projecto, seja em termos de vendas ou de concertos. Devo se calhar acrescentar que ao dizer isto se calhar estarei a ser optimista, de tal forma o mercado da música se tem modificado nos últimos tempos! Claro que desejaria que este disco fosse apreciado por mais gente e representasse uma evolução no trabalho e na notoriedade do projecto, mas todos esses aspectos são uma incógnita.

A rose is a rose is a rose, ao contrário do que costuma suceder nos discos de Old Jerusalem, conta com algumas participações especiais, nomeadamente Filipe Melo no piano, Nelson Cascais no contrabaixo, Petra Pais e Luís Ferreira, dos Nobody’s Bizness, na voz e guitarras, respetivamente, o quarteto de cordas de Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano e Ana Cláudia Serrão, tendo sido misturado por Nelson Carvalho e gravado com o apoio de Luís Candeias e João Ornelas. Como foi selecionar e agregar nomes tão ilustres à tua volta? Eram pessoas com quem quiseste desde logo, à partida, trabalhar neste disco, ou foram surgindo e sendo convidadas à medida que as canções iam tomando forma no teu âmago?

O trabalho neste disco começou nos moldes tradicionais para Old Jerusalem, mas sofreu uma “reviravolta” quando decidi que ia dar-lhe continuidade contando com a colaboração do Filipe Melo. Foi por intermédio dele que depois viemos a contar com o contributo do Nelson Cascais, com o quarteto de cordas da Ana Cláudia, da Ana Filipa, da Joana e da Ana, e mesmo mais tarde, indirectamente, foi o Filipe que propiciou o contacto com o Nelson Carvalho para as misturas. Com este leque de colaboradores era natural que o trabalho se estendesse também a outros estúdios além da “casa” de Old Jerusalem no AMP do Paulo Miranda.

Confesso que o que mais me agradou na audição deste álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral de a rose is a rose is a rose uma clara sensação de riqueza e bom gosto. Em termos de ambiente sonoro, o que idealizaste para o álbum inicialmente correspondeu ao resultado final ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

O contributo dos músicos envolvidos levou efectivamente a essa característica de forte afirmaçao dos arranjos sem que percam subtileza e elegância. Isso é mérito dos vários intervenientes, sejam músicos, sejam técnicos, e confesso que o disco acabou por se aproximar muito do que de melhor gostaria que fosse, e nesse aspecto suplantou até as minhas expectativas iniciais.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, nomeadamente das cordas, sem dúvida o maior trunfo da tua música, não posso deixar de realçar a expressividade do piano do Filipe Melo, o suave charme da bateria e dos restantes elementos percussivos e a criatividade com que selecionaste os arranjos, o que resultou, no geral, num cenário melódico particularmente bonito. Em que te inspiras para criar estas melodias que nos parecem sempre tão próximas e que cativam com tanta intensidade? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea, ou são criadas individualmente, ou quase nota a nota e depois existe um processo de agregação?

Eu costumava dizer que o meu método para começar a escrever uma canção era tentar soar a um qualquer tema do Van Morrison e depois trabalhar com o tipo de falhanço que resultasse daí. Digo-o em tom de piada mas em parte é o que na prática fazemos: inspiramo-nos em coisas que outros fizeram e que nos soam suficientemente próximas para achar que conseguimos replicá-las e suficientemente distantes para manter a nossa admiração; fazemos jogos com palavras, tentamos abordar temas de sempre de forma diferente do usual (pensamos “lateralmente”, portanto), testamos padrões técnicos diferentes no instrumento que usamos para escrever, experimentamos novas afinações, etc, etc… Em termos processuais, no meu caso, é mais espontâneo do que trabalhado de forma exaustiva e consciente, embora na fase final da escrita possa focar-me em detalhes com essa perspectiva mais técnica.

A rose is a rose is a rose balança, quanto a mim, um pouco ali, entre o milagre maior que é o amor e que tantas vezes apresenta uma ténue fronteira entre magia e ilusão, como se a explicação desse sentimento quebrasse de algum modo o encanto que aquilo que não podemos explicar racionalmente geralmente nos provoca, a rose is a rose is a rose é também uma tentativa de desmontar o amor enquanto sentimento e torná-lo mais acessível e menos místico? Qual é, no fundo, a grande mensagem que querem transmitir neste disco?

O disco não tem intenção de transmitir qualquer grande mensagem, estou mesmo em crer que isso seria uma pretensão falhada à partida se o tentasse fazer. No entanto, essa referência à tentativa de desmontar o amor enquanto sentimento e torna-lo mais acessível e menos místico é seguramente uma parte considerável do que faço enquanto autor e dificilmente o poria em melhores palavras.

Adoro a canção A Charm. O Francisco tem um tema preferido em a rose is a rose is a rose?

Não sinto uma preferência vincada por nenhum dos temas deste disco, embora tenha trechos preferidos em vários deles – continuo a orgulhar-me bastante das guitarras eléctricas no final do tema Summer Storm, por exemplo.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

A preferência pelo inglês não se deve a nenhuma intenção deliberada de marcar uma qualquer posição. Simplesmente para o tipo de canções que decidi escrever enquanto Old Jerusalem pareceu-me sempre muito mais “certo” usar o inglês, uma vez que a própria matriz musical, abordagem de produção, etc, seguem uma linha marcadamente anglo-saxónica. Em projectos anteriores e colaborações pontuais escrevi em português (em geral com resultados mais fracos do que em inglês, é certo) e não posso dizer que não o tente fazer de novo, mas certamente não sob a designação de Old Jerusalem.

O que vai mover Old Jerusalem será sempre esta folk vibrante, com pitadas de jazzblues, ou gostarias ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico deste projeto?

Estou em crer que a matriz estética fundamental de Old Jerusalem está definida, embora a paleta de opções específicas em termos de arranjos, instrumentação, interpretação, etc, seja tão ampla que acaba por haver muito ainda por onde explorar. Gostava de experimentar outras sonoridades mais distintas enquanto “Francisco Silva-músico” mas essas não têm de entrar no “Francisco Silva-Old Jerusalem”. Quanto ao futuro discográfico do projecto, o campo de possibilidades é enorme: pode vir a surgir um disco novo dentro de relativamente pouco tempo, podemos vir a tardar os mesmos 4-5 anos ou mais a fazer alguma coisa, ou pode mesmo não vir a haver outro disco de Old Jerusalem. Não sei mesmo neste momento o que é mais adequado fazer, há muitas coisas a considerar e várias não têm sequer que ver com a música. O tempo, como costuma dizer-se, dirá.


autor stipe07 às 21:18
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 16 de Março de 2016

Elephant Stone - Where I'm Going

Elephant Stone - Where I'm Going

Os canadianos Elephant Stone de Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada pelo primeiro, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde 2009 e logo nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia e, logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de 2011 dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records e agora, quase três anos depois, é anunciado Ship Of Fools, o próximo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

Where I'm Going é o mais recente avanço divulgado de Ship Of Fools, uma extraordinária canção com um ritmo vibrante, assente em faustosas guitarras que criam uma melodia incisiva, com um elevado grau de epicidade e esplendor. O próximo álbum dos Elephant Stone deverá ser, de acordo com esta amostra, mais luminoso, elétrico e amplo que tudo aquilo que a banda apresentou até hoje e, certamente, um dos destaques discográficos do ano. Confere...


autor stipe07 às 20:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 14 de Março de 2016

The KVB – Of Desire

Nicholas Wood e Kat Day são o núcleo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Of Desire é o mais recente registo de originais da dupla, um álbum com doze canções com a chancela da Invada Records e que sucede ao aclamado Mirror Being, uma coleção de vários instrumentais e experimentações analógicas que foram sendo captadas pela dupla ao longo da etapa inicial da carreira.

Gravado em Bristol, nos arredores de Londres, Of Desire é um extraordinário registo sonoro em cuja concepção a dupla esmerou-se na construção de composições volumosas e que acabaram por se deixar conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes instrumentalmente, nomeadamente o compositório eletrónico que sustenta White Walls, o clima hipnótico do ecos e do som repetitivo das teclas de Silent Wave e a melodia enleante de Never Enough, são apenas três dos vários momentos altos deste agregado, canções onde os sintetizadores também se posicionam numa posição cimeira, apesar da tal primazia das guitarras e onde não falta também um baixo vibrante e que recorda-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal. In Deep acaba por infletir um pouco as pisadas deixadas pelos temas anteriormente referidos, já que além de conter uma guitarra carregada de fuzz e distorção, insinua os nosso ouvidos com alguns samples impercetíveis mas que conferem ao tema uma toada orgânica inédita, além da abundância de arranjos delicados feitos com metais minimalistas.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, atirando-nos para ambientes eletrónicos onde os teclados têm o maior destaque, construindo diversas camadas sonoras, quase sempre entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Of Desire

01. White Walls
02. Night Games
03. Lower Depths
04. Silent Wave
05. Primer
06. Never Enough
07. In Deep
08. Awake
09. V11393
10. Unknown
11. Mirrors
12. Second Encounter


autor stipe07 às 18:49
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

Capitão Fausto - Amanhã Tou Melhor

Depois da promissora estreia em 2011 com Gazela e do excelente sucessor, um trabalho intitulado Pesar o Sol, disco com já dois anos e que tem andado, desde então, juntamente com Gazela, num lugar de destaque na algibeira dos Capitão Fausto, da participação em projetos como os Modernos, BISPO e El Salvador e da criação, recentemente, de um selo próprio, esta banda lisboeta formada por Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha, Salvador Seabra e Tomás Wallenstein, revelou hoje Amanhã Tou Melhor, uma nova canção, disponível para download no bandcamp do grupo e que deverá constar do próximo registo de originais dos Capitão Fausto.

Depois do ambiente tipicamente rock, algo experimental e eminentemente cru e psicadélico do alinhamento de Pesar O Sol, esta canção tem uma faceta mais pop e uma tonalidade diferente que os trompetes e os violinos ampliam, mas também uma letra que poderá muito bem apontar para um possível ocaso do grupo, à semelhança do título do próximo disco dos Capitão Fausto, intitulado Capitão Fausto Têm Os Dias Contados e que deverá ver a luz do dia muito em breve. Confere...


autor stipe07 às 18:21
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Abril 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

13
16

19
22
23

24
25
29
30


posts recentes

Electric Man - Electric M...

Parquet Courts - Human Pe...

Woods – City Sun Eater In...

Doug Tuttle – It Calls On...

Ghost King - Bones

Glass Vaults - Life Is Th...

Old Jerusalem - A rose is...

Elephant Stone - Where I'...

The KVB – Of Desire

Capitão Fausto - Amanhã T...

Ghost King - When The Sky...

Youthless - This Glorious...

Living Hour – Living Hour

Wussy - Dropping Houses

James Supercave – Better ...

Yuck - Stranger Things

Cross Record – Wabi-Sabi

Les Crazy Coconuts - Les ...

Wild Nothing – Life Of Pa...

LNZNDRF – LNZNDRF

X-Files

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds