Domingo, 29 de Janeiro de 2017

Real Estate - Darling

Real Estate - Darling

Os norte americanos Real Estate de Martin Courtney, Matt Mondanile, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman, regressam em 2017 aos discos com In Mind, um trabalho que irá ver a luz do dia a dezassete de março e do qual já foi retirado o single Darling, canção que abre o alinhamento do registo.

In Mind será o quarto álbum da carreira dos Real Estate e, pela amostra já conhecida, vem certamente aí um compêndio de canções  feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo, que olha cada vez mais e com maior atenção para o rock alternativo de final do século passado e, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fá-lo-o com um cariz algo urbano e sempre atual. Confere...


autor stipe07 às 20:10
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Sábado, 28 de Janeiro de 2017

POND - 3000 Megatons vs Sweep Me Off My Feet

Depois do excelente Man It Feels Like Space Again (2015), os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso aos discos em 2017 com The Weather, um álbum que irá ver a luz do dia a cinco de maio através da Marathon Artists e do qual já são conhecidos dois temas; 3000 Megatons e Sweep Me Off My Feet. Se a primeira canção é um instante lisérgico conduzido por um sintetizador munido de um infinito arsenal de efeitos, literalmente cortado a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde nunca é descurado um forte sentido melódico, que mostra a capacidade que estes Pond têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop, já a delicada sensibilidade das cordas que suportam a monumentalidade comovente de Sweep Me Off My Feet resgata e incendeia o mais frio e empedrenido coração que se atravesse, numa canção com uma energia contagiante e libertária e que acaba de ter direito a um excelente vídeo, dirigido por Matt Sav. Já agora, torna-se obrigatório visualizar os videos dos Pond e perceber a forte ligação que existe sempre entre eles e a música, visto estarmos na preença de um coletivo que dá enorme importância à componente visual das suas composições sonoras. Confere...

Pond - 30000 Megatons

Pond - Sweep Me Off My Feet


autor stipe07 às 17:57
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Temples – Strange Or Be Forgotten

Temples - Strange Or Be Forgotten

Naturais de Kettering, no Reino Unido, os Temples são uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista) e que se estreou nos discos em 2014 com o excelente Sun Structures, um trabalho que viu a luz do dia através da Fat Possum. Agora, três anos depois e abrigados pela mesma etiqueta, os Temples irão dar a conhecer ao mundo o seu sempre difícil segundo disco, um álbum intitulado Volcano e que chegará aos escaparates no início de março.

Strange Or Be Forgotten é o primeiro single conhecido de Volcano, pouco mais de quatro minutos de pura lisergia sonora, que numa espécie de cruzamento entre Tame Impala e MGMT, nos oferecem um desfile de electricidade e de fuzz, rematado pela belíssima voz etérea de James e uma secção rítmica assertiva, sendo a bateria uma das importantes mais valias deste tema. A canção tem tudo para se tornar num verdadeiro clássico que incorpora o melhor do rock psicadélico dos anos sessenta. Confere...


autor stipe07 às 12:16
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Domingo, 15 de Janeiro de 2017

The Flaming Lips - Oczy Mlody

Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody é o nome do novo trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne e mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

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Foi no passado dia treze que chegou aos escaparates esta nova coleção de canções dos The Flaming Lips, por intermédio da Warner, uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que, por incrível que pareça, direcionam, em simultâneo, esta banda para duas direções aparentemente opostas. Assim, se canções como o single The Castle e, de modo ainda mais incisivo, os samples e as distorções vocais de Listening To The Frogs With Demon Eyes nos proporcionam a audição de um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica, de natureza hermética, que aproxima este projeto da melhor fase da sua carreira, no ocaso do século passado e início deste, já as batidas sintetizadas de Nigdy Nie (Never No) e o efeito do baixo de Do Glowy colocam os The Flaming Lips na linha da frente de alguns dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedecem a algumas das permissas mais contemporâneas da eletrónica ambiental.

Décimo quarto disco da carreira dos The Flaming Lips, Oczy Mlody posiciona o grupo no olho do furacão de uma encruzilhada sonora. se tem momentos que não deixam de funcionar como um quase aditamento às experimentações de Embryonic, a participação especial de Miley Cyrus no belíssimo tema We A Famly é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita e solidifica a habitual estratégia da banda nos últimos discos de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Podemos, sem receio, olhar para Oczy Mlody como uma grande composição que se assume num veículo pronto a conduzir-nos numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, forte oppositor de Trump, disserta sobre alguns dos maiores dilemas e perigos dos dias de hoje; O fim do mundo descrito copiosamente em There Should Be Unicorns e o verdadeiro muro das lamentações que é Almost Home (Blisko Domu), revelam-nos essa rota e apresentam a já habitual faceta fortemente humanista e impressiva da escrita deste músico de Oklahoma, mas que também é capaz de nos fazer acreditar numa posterior redenção e na esperança num mundo melhor e que pode ainda renascer, nem que seja com todos nós montados no belíssimo piano que conduz Sunrise (Eyes Of The Young), ou a relaxar ao som da suavidade fluorescente da já referida We A Famly.

No fundo, conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, os The Flaming Lips revelam neste novo trabalho composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea que Oczy Mlody, como todos os discos deste grupo, está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Sonoramente, a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre efeitos etéreos e nuvens doces de sons que parecem flutuar no céu azul, com guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico. Se em How?? parece que os The Flaming Lips enlouqueceram de vez no modo como mostram perplexidade perante tudo aquilo que hoje os inquieta, já Galaxy, I Sink revela-se um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a convincente e sombria percussão de One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente.

Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Oczy Mlody segue esta permissa temporal, agora numa espécie de futuro pós apocalítico mas, tematicamente, parece ser um trabalho muito terreno, digamos assim, porque fala imenso de todas as atribulações normais da existência comum, especialmente, como já enfatizei, na algo desregulada sociedade norte americana de hoje. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - Oczy Mlody

01. Oczy Mlody
02. How??
03. There Should Be Unicorns
04. Sunrise (Eyes Of The Young)
05. Nigdy Nie (Never No)
06. Galaxy I Sink
07. One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill
08. Do Glowy
09. Listening To The Frogs With Demon Eyes
10. The Castle
11. Almost Home (Blisko Domu)
12. We A Famly


autor stipe07 às 21:45
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2017

The Flaming Lips – We A Famly

The Flaming Lips - We A Family

Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlodly é o nome do próximo trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne e será mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

A treze de janeiro de 2017 chegará aos escaparates essa nova coleção de canções dos The Flaming Lips, por intermédio da Warner, e depois de ter sido divulgada a canção The Castle, o primeiro avanço do álbum, agora chegou a vez de podermos escutar We A Famly, um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica, de natureza hermética, que conta com Miley Cyrus na voz e que aproxima este projeto da melhor fase da sua carreira, no ocaso do século passado e início deste. Confere...


autor stipe07 às 16:52
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017

Doombird – Past Lives

Com raízes em Sacramento, na Califórnia, os norte-americanos Doombird são Ben Edrington, Joe Davancens, Cory Phillips, Kris Anaya e Fernando Oliva, um quinteto que editou em pleno ocaso de 2016 Past Lives, um compêndio de dez canções impregnadas com uma indie pop psicadélica de superior calibre, alicerçadas com intensidade e condimentadas por arranjos e melodias selecionadas com um bom gosto particularmente incomuns.

Resultado de imagem para doombird sacramento band

Segundo disco deste projeto, Past Lives oferece-nos um manancial de oportunidades de abordagens, tal é a diversidade sonora estilística que contém. E não é preciso ir muito longe na audição do registo para se perceber tal heterogeneidade, que é, nidiscutivelmente, uma súmula de géneros e estilos, mas nada caótica e minuciosamente calculada e pensada.

Logo em Sheers percebe-se o modo assertivo como estes Doombird divagam pela nobre herança da pop oitocentista, conduzidos pela exuberância melódica de um inebriante e épico sintetizador, em redor do qual, quer nesse tema inicial, quer, por exemplo, em The Salt, se entrelaçam as guitarras e uma percussão pulsante. Mas tal efeito vibrante também se mostra impressivo no modo como o baixo e a batida de Fog Rolls In se cruzam com um riff e um flash sintetizado ou, numa outra perspetiva, na alegoria pop oitocentista feita de imponência e de uma elevada dose de sentimentalismo em Dihedral, canção com uma cadência ímpar e que nos leva numa vertiginosa escalada instrumental, rumo a um acolhedor universo, luminoso e melancólico, algures entre a pastosidade dos Radiohead e a fogosidade eletrónica dos Depeche Mode. Numa abordagem um pouco mais introspetiva e intimista, não deve também passar em claro Curtis Park, uma enternecedora balada, capaz de arrebatar o coração mais escondido, lá no canto mais aconchegante do seu quarto.

Compêndio sonoro contundente e feliz no modo como interpreta uma visão muito própria e tremendamente contemporânea do modo como a pop de hoje olha para a sua herança e consegue extraír, de quando em vez, alguns dos seus pilares mais sedutores e firmemente impressivos, Past Lives cria as suas próprias personagens, que passeiam e se desdobram num permanente conflito entre o vintage e o contemporâneo, dando passos seguros ao longo do arquétipo dos temas, quase sempre com um refinamento muito próprio e uma sapiência óbvia. Espero que aprecies a sugestão...

Doombird - Past Lives

01. Sheer
02. Fog Rolls In
03. The Salt
04. Curtis Park
05. Lemma
06. Overflowing
07. Dihedral
08. Commonplace
09. Everything Is Anything
10. Shadow Somber


autor stipe07 às 17:22
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2017

Cassettes On Tape – Anywhere

Depois dos eps Cathedrals (2012) e Murmurations (2014), os Cassettes On Tape, uma banda post punk formada por Joe Kozak (guitarras e voz), Greg Kozak (baixo e voz), Shyam Telikicherla (guitarras e voz) e Chris Jepson (bateria), estrearam-se finalmente nos lançamentos discográficos em formato longa duração com Anywhere, dez canções produzidas e misturadas por Jamie Carter no Atlas Studio e na Pie Holden Suite, em Chicago, cidade de onde a banda é natural e masterizadas por Carl Saff. Anywhere encontra-se disponível para audição no bandcamp da banda.

Foto de Cassettes on Tape.

Nunca o ressuscitar do post punk e do shoegaze estiveram tão em voga como nos últimos anos. Basta olhar para as tabelas mais recentes dos melhores álbuns de rock alternativo para se perceber o vigor desta tendência e o sucesso que tem sido a aposta no reviver de diversas sonoridades que despontaram mais intensamente nos anos setenta e se cimentaram, decisivamente, na década seguinte. No entanto, essa aposta atual não se tem limitado ao replicar do que era feito nessa altura e em ambos os lados do oceano atlântico; Os Cassettes On Tape são mais uma banda que aposta nessa simbiose de legados deixados por nomes como Ian Curtis ou Robert Plant, não descurando a habitual cadência proporcionada pela tríade baixo, guitarra e bateria e uma outra tendência mais virada para a psicadelia, da qual, na minha opinião, os The Horrors e os TOY são, atualmente, os expoentes máximos. Só para citar alguns exemplos, o fuzz da guitarra de Please Please Let Me Go, o sintetizador do tema homónimo e a busca de uma melodia de cariz eminentemente épico nessas canções, remetem-nos, quase automaticamente, para o universo algo sujo e rugoso, mas indisfarçadamente melancólico, idealizado por Faris Badwan, uma receita assertiva que se repete, quase transversalmente, no alinhamento deste trabalho, com particular ênfase em Ocean, canção que prima por um sofisticado bom gosto melódico, com forte impressão oitocentista e uma amostra clara do modo como este quarteto dá uma elevada primazia aos detalhes, com as teclas e alguns arranjos sintéticos a surgirem com insistência no edifício das canções, mas sempre agregados à guitarra e a belíssimos efeitos, com um forte cariz etéreo.

Assim, apesar da importância dos teclados, é nessas guitarras carregadas de reverb e distorção e na voz grave de Joe Kozak que assenta a base melódica das canções de Anywhere, os dois aspetos vitais para a assunção do prisma identitário sonoro deste grupo de Chicago. É um disco onde se escutam canções particularmente hipnóticas e com uma dimensão espacial, balizadas por um fino recorte de sensibilidade e uma sobriedade sentimental contínua. Enquanto existe um apelo sincero em Arms Are Shaking que testa a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil, com vitórias e derrotas para ambos os lados, já o baixo de Don't Want to be Your Friend equilibra um pouco as contas, emergindo-nos numa faceta mais sombria e reflexiva, para, pouco depois, Orphan Boy, uma das minhas canções preferidas deste disco, oferecer-nos um verdadeiro e indispensável tratado de indie rock que justifica imensas loas a este alinhamento, uma canção que não fica a dever nada aos melhores intérpretes atuais deste género musical.

Os Cassettes On Tape escrevem com a mira bem apontada ao nosso âmago, plasmando sonoramente sensações positivas, provocadas por um processo de criação sonora que, no caso deste grupo, deverá ser um momento reconfortante de incubação melódica, também um dos ingredientes indispensáveis para que comecemos a olhar para este coletivo com um olhar mais dedicado. Esta é uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe como agradar aos fãs e Anywhere um excelente cartão de visita e uma ótima estreia, não havendo qualquer tipo de desculpas para que os apreciadores não os possam conhecer e ouvir. Espero que aprecies a sugestão...

Cassettes On Tape - Anywhere

01. Anywhere
02. Ocean
03. Arms Are Shaking
04. Don’t Want To Be Your Friend
05. Liquid Television
06. Modern Love
07. Orphan Boy
08. Please Please Let Me Go
09. Diamonds
10. Shattered


autor stipe07 às 17:52
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

Velhos - Velhos

Gravado e misturado no Estúdio Zeco por João Sozinho e masterizado por Nélson Carvalho no Estúdio SSL Valentim de Carvalho, exceto Manso, canção não masterizada e uma edição conjunta da AMOR FÚRIA e da Flor Caveira, Velhos é o novo registo de originais dos Velhos, um coletivo lisboeta que em nove magníficas canções nos oferece uma das melhores surpresas nacionais sonoras de 2016.

Foto de Os Velhos.

As canções de Velhos têm o curioso efeito de parecerem deambular numa espécie de descontrolado vaivém, sem aparente origem e destino. A falsa lentidão do riff da guitarra de Aberta Nova e o modo como um efeito distorcido se insinua no refrão, são apensas dois dos detalhes que, logo no tema de abertura, nos fazem ter essa impressão de que há aqui algo simultaneamente denso e intrincado, mas também bastante profundo e revelador. O feliz enclausuramento que todos deveríamos sentir pelo menos uma vez na vida e que é descrito em Manso, desfilando perante os nossos ouvidos através dessa matriz sonora, parece ainda mais perene e um daqueles alvos apetitosos, que deve estar ali, num lugar cimeiro dos nossos objetivos mais prementes.

Todo o disco merece dedicada e atenta audição, sendo um exercício ainda mais recompensador se acompanhado por uma interiorização dos diversos poemas musicados, assentando, no geral, em lindíssimas melodias amigáveis e algo psicadélicas, feitas com guitarras distorcidas, mas também momentos mais íntimos e quase silenciosos, onde se canta de modo mais grave e existe uma maior escassez instrumental. Aqui Parado é um tema que nos apresenta, com exatidão, esta ambivalência que, no fundo, é algo fictícia porque o rumo melódico e instrumental que sustenta esta e as outras canções é, apenas, uma forma de apresentar as diversas cargas emotivas que as letras contêm. E depois, no modo como em Dorme a bateria se relaciona com o fuzz da guitarra e os diferentes registos vocais, a solo e em coro, são aspetos que esclarecem-nos que este é um coletivo de músicos único e que também consegue libertar-se de uma certa timidez introspetiva, para se apresentarem, quando é necessário, mais luminosos e expressivos. Aliás, isso também fica plasmado em Casa Comigo, canção que impressiona pelo seu edifício melódico, que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino rock, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de Velhos, mas com superior abrangência e cor.

Velhos acaba por ser uma espécie de narrativa espiritual e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável e, ao longo da sua audição, acabamos, frequentemente, por ter de esquecer tudo aquilo que nos rodeia para conseguirmos saborear devidamente algo grandioso, porque transmite um rol de emoções e sensações com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade melancólica bastante contemplativa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:17
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

The Jesus And Mary Chain – Amputation

The Jesus And Mary Chain - Amputation

Banda icónica do punk rock alternativo de final do século passado, os escoceses The Jesus And Mary Chain acabam de anunciar o seu primeiro registo de originais do século XXI. O sucessor de Munki (1998) chama-se Damage And Joyirá ver a luz do dia a vinte e quatro de março de 2017 à boleia da ADA/Warner Music e já se conhece Amputation, o tema que abre o alinhamento do álbum.

A canção estreou na BBC na passada quinta-feira e, pela amostra, parece claro que o grupo, sem deixar de estar agregado ao estigma inerente à sua sonoridade típica, procurarará evoluir em Damage And Joy para outras sonoridades e para a exploração de diferentes territórios sonoros. O fuzz da guitarra que conduz Amputation, abriga-se numa zona de conforto mas, ao mesmo tempo, procura romper um pouco com a mesma. Confere o single e a tracklist de Damage And Joy...

01. Amputation
02. War On Peace
03. All Things Pass
04. Always Sad
05. Song For A Secret
06. The Two Of Us
07. Los Feliz (Blues and Greens)
08. Mood Rider
09. Presidici (Et Chapaquiditch)
10. Get On Home
11. Facing Up To The Facts
12. Simian Split
13. Black And Blues
14. Can’t Stop The Rock


autor stipe07 às 14:08
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2016

Yo La Tengo – Murder In The Second Degree

Nem sempre devidamente divulgados e apreciados, os norte americanos Yo La Tengo são um dos projetos mais influentes do indie rock contemporâneo. Nasceram em 1984 pelas mãos do casal Ira Kaplan e Georgia Hubley (voz e bateria) e Dave Schramm (entretanto retirado) e James McNew e conquistaram-me definitivamente há quase quatro anos com o excelente Fade, uma rodela lançada à boleia da Matador Records.

Resultado de imagem para yo la tengo 2016

Com um cardápio já extenso e que vale a pena descobrir, nele se inclui Yo La Tengo Is Murdering the Classics, um disco de versões gravado em 2006 e sobre o qual os Yo La Tengo afirmavam que tinha como objetivo principal assassinar os clássicos. O truque e a piada repetem-se agora, dez anos depois, com mais uma fornada de músicas alheias, traduzidas pela ótica peculiar deste grupo e onde se incluem temas tão inusitados e esteticamente abrangentes como Hey Ya dos Outkast, Emotional Rescue dos The Rolling Stones, Girl From The North Country de Bob Dylan ou King Kong de Ray Davies. Murder in the Second Degree é o nome deste novo álbum de versões dos Yo La Tengo, quase uma trintena de canções que a banda foi tocando ao vivo na estação de rádio WFMU, entre 1996 e 2003 e que finalmente são editadas com o merecido destaque.

Há bandas que sabem aproveitar a sua maturidade e dialogar com as tendências mais atuais. Assim, é interessante observar como os Yo La Tengo conseguiram este efeito ao longo de vinte e nove anos de carreira e o modo como revisitam alguns dos temas que fazem certamente parte do seu ideário sonoro e dos seus gostos, resulta num alinhamento coeso, com versões cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente. Nele não falta o habitual registo vocal dos músicos dos Yo La Tengo em coro, melodias amigáveis e algo psicadélicas, feitas com guitarras distorcidas, mas também momentos mais íntimos e quase silenciosos, onde se canta baixo e existe uma maior escassez instrumental. Acaba por ser uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável e acabamos, frequentemente, por esquecer que estes temas têm a assinatura de outros projetos.

Com uma variedade de referências e encaixes sonoros que definem o indie rock atual, a banda faz em Murder In The Second Degree uma ode aos seus heróis, ao mesmo tempo que vibram com a típica sonoridade da última década do século passado e as transformações sonoras que experimentaram na década seguinte. Da autoria do cartonista Adrian Tomine, o artwork do disco merece também todo o destaque.Espero que aprecies a sugestão...

Yo La Tengo - Murder In The Second Degree

01. Alley Cat
02. New York Groove
03. Bertha
04. Add It Up
05. To Love Somebody
06. Civilization (Bongo Bongo Bongo)
07. Suspect Device
08. First I Look At The Purse
09. Jailbreak
10. Popcorn
11. Girl From The North Country
12. Build Me Up Buttercup
13. I Wanna Be Free
14. Rock And Roll Love Letter
15. Emotional Rescue
16. Some Velvet Morning
17. The Low Spark Of High-Heeled Boys/Mr. Soul
18. Pay To Cum
19. Never My Love
20. King Kong
21. White Lines (Don’t Do It)
22. Slurf Song
23. Different Drum
24. Crazy
25. Be My Baby
26. Hey Ya!
27. Heart Of Darkness
28. Chantilly Lace + Medley


autor stipe07 às 18:30
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