Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

Allah-Las - Calico Review

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las são Miles, Pedrum, Spencer e Matt e têm um novo disco intitulado Calico Review, um trabalho lançado por intermédio da Mexican Summer no último dia nove de setembro e que sucede ao excelente Worship The Sun (2014) e a um homónimo, que foi o disco de estreia da banda, editado em 2012. Calico Review foi gravado no Valentine Recording Studio, um estúdio famoso em Los Angeles que estava encerrado desde finais da década de setenta, com o equipamento utilizado a ser, de acordo com a banda, semelhante ao que foi usado pelos The Beach Boys em Pet Sounds.

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Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Depois de terem impressionado com o búzio de Allah-Las e a abrangência vintage de Worship The Sun, estes californianos trazem o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações dos antecessores, mas de forma ainda mais abrangente e eficaz, levando-nos numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguindo apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente.

No momento de compôr e de selecionar o cardápio instrumental das canções a receita dos Allah-Las é muito simples mas tremendamente eficaz e aditiva, mesmo no sentido psicotrópico do termo. A embalagem muito fresca e luminosa, apimentada por um manto de fundo lo fi empoeirado, e rugoso mas pleno de soul, é assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks.

Começa-se a escutar Strange Heat e cá vamos nós a caminho da praia ao som dos Allah-Las e de volta à pop etérea e luminosa dos anos sessenta para, pouco depois, na percussão vibrante exemplarmente cruzada com as cordas de um violão em Satisfied e nos acordes sujos de Famous Phone Figure, assim como no groove da guitarra e de uma voz que parece planar sobre It Could Be You e Autumn Dawn, os dois dos melhores temas do disco,ficarmos completamente absortos por este experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem, num disco que até abraça a folk e o country sulista americano em Terra Ignota.

Place In The Sun, o ocaso de Calico Review, é uma feliz homenagem ao final do verão, uma canção com sabor a despedida do sol e do calor, através de uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e uma forma muito assertiva de encerrar um disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações. Ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda californiana, Calico Review conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Calico Review

01. Strange Heat
02. Satisfied
03. Could Be You
04. High And Dry
05. Mausoleum
06. Roadside Memorial
07. Autumn Dawn
08. Famous Phone Figure
09. 200 South La Brea
10. Warmed Kippers
11. Terra Ignota
12. Place In The Sun


autor stipe07 às 17:56
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016

Wilco - Schmilco

Pouco mais de um ano após Star Wars, os míticos Wilco de Jeff Tweedy, estão de regresso aos discos com Schmilco, mais uma notável coleção de canções oferecida por esta banda de Chicago, que com o passar dos anos não abranda, parece não ser atingida pelas normais crises de writer's block e parecendo, claramente, ser cada vez mais criativa e refinada no modo como alia o seu adn às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo.

Resultado de imagem para wilco 2016

Se Star Wars continha canções impregnadas com um excelente rock alternativo, onde abundavam composições ligados à corrente, efeitos indutores e guitarras cheias de fuzz, oferecendo ao ouvinte um clima marcadamente progressivo e rugoso, alicerçado num garage rock, ruidoso e monumental, Schmilco vira um pouco as agulhas para o experimentalismo folk, num disco conduzido por cordas mais acústicas e um minimalismo lo fi, aspectos que também não são estranhos ao percurso discográfico do projeto, mas que estavam um pouco alheados da sonoridade dos Wilco nos mais recentes trabalhos discográficos.

Schmilco contém uma atmosfera bucólica e encantatória, mas intrigante, sendo um álbum que à primeira audição poderá parecer algo uniforme e homogéneo, mas que, devidamente desconstruído, é diversificado, sem perder coerência e unidade. Assim, se Normal American Kids abre o alinhamento num universo mais recatado, através de uma folk intimista, nostálgica e contemplativa e que tem nas cordas da viola a principal arma de arremesso, mas onde também não falta um feito de fundo eletrificado indispensável para o clima sedutor e soturno do tema, já a bateria e o baixo da preguiçosa Lose e da intrigante Someone To Lose, aproximam os Wilco de uma psicadelia blues de superior filigrana, que se escuta com aquela intensidade que fisicamente não deixa a anca indiferente. Depois, temas como a encantadora If I Ever Was A Child ou a radiofónica We Aren't The World (Safety Girl) piscam o olho aquela pop sessentista luminosa e colorida, tipicamente Beach Boys, com o fuzz cru de Locator e a confessional Cry All Day a exalarem um balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, mas sem nunca descurarem aquela particularidade fortemente melódica que costuma definir as composições do grupo.

Disco que se destaca pelo habitual entusiasmo lírico e por um prolífero e desafiante incómodo contínuo, que neste caso se saúda com inegável deleite, Schmilco mantém firme o traço de honestidade de uma banda que quer continuar a ser protagonista no universo sonoro em que se move. É um trabalho que desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas, no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito, nem sempre devidamente realista e racional. Com a temática das canções a expôr as habituais angústias da sociedade de hoje profundamente tecnológica e a dependência da contínua revolução que vivemos, Jeff Tweedy avisa-nos que não se pode deixar de vivenciar sentimentos e emoções reais, de preferência com a crueza e a profundidade simultaneamente vigorosas e profundas que merecem. Espero que aprecies a sugestão...

Wilco - Schmilco

01. Normal American Kids
02. If I Ever Was A Child
03. Cry All Day
04. Common Sense
05. Nope
06. Someone To Lose
07. Happiness
08. Quarters
09. Locator
10. Shrug And Destroy
11. We Aren’t The World (Safety Girl)
12. Just Say Goodbye


autor stipe07 às 12:37
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016

Jimmy Eat World – Get Right

Jimmy Eat World - Get Right

Os norte americanos Jimmy Eat World já têm sucessor para Damage, o disco que lançaram há três anos e que foi o oitavo do cardápio deste projeto de Meza, no Arizona e que lançou álbuns tão fundamentais como Clarity (1999) ou Bleed American (2001), a obra-prima do colectivo. Isso irá mudar em 2016, já que este excelente grupo de rock alternativo divulgou para audição Get Right, uma nova canção que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que não nos deixa duvidar acerca da manutenção do ADN dos Jimmy Eat World no nono disco, ainda sem data de lançamento prevista. Confere...


autor stipe07 às 17:11
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2016

Jagwar Ma - O B 1 & Give Me A Reason

Os Jagwar Ma são Jono Ma, Jack Freeman e Gabriel Winterfield uma banda australiana apaixonada pelas sonoridades alternativas dos anos noventa e que procuram promover na sua música uma espécie de simbiose entre a neopsicadelia desenvolvida, por exemplo, pelos Primal Scream a a brit pop dos Blur no período Parklife e os próprios Stone Roses. Fazem canções cheias de colagens e sobreposições instrumentais, que em Howlin, o disco de estreia do projeto, encarnaram uma espécie de súmula de alguns dos mais interessantes detalhes sonoros dessa época.

Ainda em 2016 os Jagwar Ma vão regressar aos discos com Every Now & Then, o sucessor de Howlin, mais concretamente a catorze de outubro e através da insuspeita Mom+Pop/Marathon. Serão onze temas produzidos por Ewan Pearson e gravados aqui, na Europa, em dois locais; Na pitoresca ruralidade de França, numa quinta que tem um estúdio, chamada La Brèche e no famoso Le Bunker, no norte de Londres.

Os Beastie Boys foram uma inspiração clara para os Jagwar Ma neste disco e O B 1, canção que conta com a participação especial de Stella Mozgawa das Warpaint e Give Me A Reason, os dois singles já divulgados do trabalho, demonstram-no, quer no pendor nostálgico dos tais anos noventa, mas também na contemporaneidade de duas canções, que num misto de pop, eletrónica e pequenas experimentações próximas do rock, exemplificam a massa sonora que sustentará o disco e que, como sabemos, caraterizam uma vasta coleção de propostas musicais que nos dias de hoje nos chegam dos quatro cantos do mundo. Confere...

Jagwar Ma - O B 1

 

 

Jagwar Ma - Give Me A Reason

01. Give Me A Reason
02. Give Me A Reason (Radio Edit)


autor stipe07 às 19:12
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Sexta-feira, 12 de Agosto de 2016

Pfarmers – Our Puram

Depois de Gunnera, uma planta gigante que abunda, por exemplo, nas margens do biblíco Rio Jordão e que se tornou personagem principal de um sonho que invadiu em tempos o descanso sagrado de Danny Seim (Menomena e Lackthereof), ter sido a grande referência conceptual do trabalho de estreia do super projeto Pfarmers, que além desse músico conta também com Bryan Devendorf (The National) e Dave Nelson (David Byrne, St. Vincent, Sufjan Stevens), agora é a comunidade Rajneeshpuram, fundada na década de oitenta pelo mistíco sacerdote e filósofo Bhagwan Shri Rajneesh (também conhecido como Rajneesh, ou Osho), a servir de inspiração para Our Puram, o segundo disco de um coletivo com um universo sonoro fortemente cinematográfico e imersivo e que conta com a chancela da insuspeita Joyful Noise Recordings.

Our Puram foi escrito enquanto Danny Seim se mudava de Portland, no Oregon, para Louisville, no Kentucky, com a ideia fixa de criar um álbum conceptual sobre o Oregon onde viveu grande parte da sua vida, tendo escolhido debruçar-se particularmente sobre a comunidade Rajneeshpuram, de que ouvia falar na infância e cuja natureza real e trágica, devido às tensas e dificéis relações com as localidades vizinhas, se foi apercebendo já na vida adulta. A ideia inicial era colocar-se no papel de um membro dessa comunidade que procura inserir-se na sociedade exterior, mas acaba por, inconscientemente, debruçar-se no seu próprio êxodo. Já agora, e completando informação anterior, esta comunidade chegou a ter cerca de sete mil membros, ocupando uma área com milhares de hectares completamente autónoma, onde não faltavam escolas, supermercados, hospitais , restaurantes e outros serviços públicos, que podes conhecer melhor aqui.

Em Our Puram, tal como tinha sucedido em Gunnera, são poucos os resquícios da sonoridade habitual dos projetos de onde os músicos que compôem este coletivo são originários. Talvez os sopros de Here With Us sejam uma daquelas marcas sonoras que tanto nos The National como nos Menomena ainda se consigam ouvir, mas a filosofia Pfarmers defende a criação de composições de cariz fortemente ambiental, com um elevado ênfase numa percurssão vincada e com forte cariz étnico, variações ritmícas constantes, a inserção de uma vasta miríade de efeitos e sons sintetizados, quase de modo anárquico e sustentados por várias camadas de sopros, também de origem sintética, lançando o grupo e este Our Puram numa espiral pop, majestosa, por exemplo, no clima jazzístico de Sheela e onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso. A voz grave de Seim é outro atributo fundamental para a criação de um som profundo, assim como o seu baixo pleno de groove.

Com momentos de elevada intensidade, algumas vezes passíveis de entroncar entre as últimas propostas dos Battles e algumas criações dos The Books, Our Puram é um álbum esculpido e complexo, onde é forte a dinâmica entre os sopros e o baixo, num encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador, tudo ampliado por um claro misticismo, que trespassa continuamente o cenário audível. The Commune será, talvez, o exemplo mais bem conseguido do modo eficaz como Seim conseguiu plasmar o controverso ideário Rajneeshpuram em formato canção, mas os trombones de Tour Guide, a  insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons das guitarras e do baixo que dão vida a 97741 e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos dos sopros e dos flashes sintetizados que nos fazem levitar no single Red Vermin, justificam, sem qualquer sombra de dúvida, a atribuição de um claro nível de excelência aos diferentes fragmentos que os Pfarmers convocaram nos vários universos sonoros que os rodeiam e que da eletrónica, à folk, passando pela pop e o rock progressivo, criam uma relação simbiótica bastante sedutora, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras que podem muito bem servir de referência para projetos futuros.

Our Puram é um ribeiro sonoro por onde confluem vários sons da mais diversa estirpe e de diferentes proveniências, mas todos cheios de vida e prestes a desaguar na Terra Prometida idealizada pelos Pfarmers. Aí são arremessadas para longe todas as tensões e desajustes de um passado de Seim, que está, pelos vistos, na sua vida pessoal, a salivar por uma banda sonora tremendamente sensorial, feita aqui com uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante. Para chegar a este resultado único, Seim e os seus parceiros, não recearam entregar-se de corpo e alma ao instrumentos que mais apreciam mas também ao mundo das máquinas, numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, em oito canções que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios destes Pfarmers. Espero que aprecies a sugestão...

Pfarmers - Our Puram

01. 97741
02. Tour Guide
03. Red Vermin
04. You’re with Us
05. Sheela
06. The Commune
07. Osho Rising
08. Our Puram


autor stipe07 às 16:30
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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

TOY - Fast Silver

Uma das bandas fundamentais de indie rock psicadélico são os londrinos TOY de Tom Dougall (voz e guitarras), Dominic O'Dair (guitarras), Maxim Barron (baixo e voz), Alejandra Diez (sintetizadores e modulação) e Charlie Salvidge (bateria e voz). Depois de um espetacular disco homónimo de estreia e de um sucessor intitulado Join The Dots, os TOY estão de regresso aos discos daqui a algumas semanas com Clear Shot, dez canções que chegam aos escaparates a vinte e oito de outubro por intermédio da Heavenly Recordings e produzidas por David Wrench.

Fast Silver é o primeiro avanço divulgado de Clear Shot, uma inebriante viagem psicadélica, onde também merece particular realce a voz de Tom Dougall que denota aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, ainda mais quando é acompanhada por um instrumental épico e marcante como este. Imperdível! Confere o tema e o alinhamento de Clear Shot...

01 “Clear Shot”
02 “Another Dimension”
03 “Fast Silver”
04 “I’m Still Believing”
05 “Clouds That Cover The Sun”
06 “Jungle Games”
07 “Dream Orchestrator”
08 “We Will Disperse”
09 “Spirits Don’t Lie”
10 “Cinema”


autor stipe07 às 14:41
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Sexta-feira, 5 de Agosto de 2016

LNZNDRF - Green Roses

Coletivo fundamental do indie rock deste século, os norte americanos The National têm sabido potenciar e expressar a enorme veia criativa dos seus membros noutros projetos paralelos, que devem o sucesso obtido não só ao símbolo de qualidade intrínseco à presença de um membro dessa banda nos créditos, mas também, e principalmente por isso, por causa da superior qualidade do conteúdo sonoro que é criado. Assim, se em 2015 Matt Berninger e Bryce Dessner uniram-se a Brent Knopf dos Menomena para formar os EL VY e se Bryan Devendorf deu as mãos a Danny Seim, dos mesmos Menomena e a Dave Nelson (David Byrne, St. Vincent, Sufjan Stevens), para incubar os Pfarmers, os irmãos Scott e o mesmo Bryan Devendorf unirem-se a Ben Laz dos Beirut, para criar os LNZNDRF, um projeto que se estreou no início deste ano com um discos homónimo, à boleia da conceituada 4AD, e que parece ter já um sucessor na calha.

Enquanto o segundo registo dos originais dos LNZNDRF não chega, a banda acaba de editar dois temas em formato EP; Refiro-me a Green Roses e Salida, dois monumentos sonoros majestosos e de qualidade ímpar, instrumentais com um cariz fortemente ambiental, sustentados por várias camadas de sopros sintetizados, guitarras plenas de frenesim e efeitos que piscam o olho a uma orgânica particularmente minimal, mas profunda e crua, num universo fortemente cinematográfico e imersivo.

Nestes vinte e cinco minutos escuta-se uma espiral pop onde não falta o marcante estilo percurssivo de Devendorf, ou algum do cardápio de efeitos que Danny apresentou nos Menomena, mas onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso. O lançamento acaba por seguir um pouco a linha experimental das oito canções que faziam parte do alinhamento de LNZNDRF, mas quer os sopros de Green Roses e principalmente o krautrock do baixo de Salida dão asas a emoções mais etéreas e luminosas, exaladas desde as profundezas do refúgio bucólico e denso onde certamente estes músicos se embrenham para criar composições que impressionam pelo forte cariz sensorial. Confere...

LNZNDRF - Green Roses

01. Green Roses
02. Salida


autor stipe07 às 15:54
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2016

Warpaint - New Song

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa estão de regresso com Heads Up, um título feliz para batizar aquele que será o terceiro disco das Warpaint, sucessor de um homónimo, lançado em 2014.

Heads Up irá ver a luz do dia à boleia da Rough Trade Records já a vinte e três de setembro e New Song é o primeiro single divulgado do disco, canção algo inédita no percurso do quarteto por mostrar uma faceta mais polida e luminosa. A mesma conta com uma belíssima letra, entrelaçada com deliciosos acordes e uma melodia minusiosamente construída com diversas camadas de instrumentos. Acaba por ser mais um passo em frente num projeto que nunca se acomodou a uma abordagem estilística estanque, apesar de manter no seu epicentro sonoro uma intensa aúrea sexual, que despe as Warpaint de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que as poderia envolver, mostrando, assim, mais uma vez, com ousadia, a sua verdadeira personalidade. Confere...

Warpaint - New Song


autor stipe07 às 19:03
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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

FAWNN – Ultimate Oceans

Ferndale, nos arredores de Detroit, no Michigan, é o poiso dos FAWNN, uma banda formada por Alicia Gbur, Christian Doble, Matt Rickle e Mike Spence e que aposta na opulência e na majestosidade sonoras, como permissas fundamentais do seu cardápio sonoro, recentemente atualizado com Ultimate Oceans, o quarto álbum da carreira do grupo, onze canções que viram a luz do dia o início deste verão à boleia da Quite Scientific Records.

Ultimate Oceans é uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia da pop, do rock experimental, do grunge e do punk rock, uma multiplicidade de géneros e estilos que, entrocando no ramo comum do rock alternativo, encontram nas guitarras o seu grande referencial instrumental. Assim, se temas como Galaxies e Master Blaster são um piscar de olhos objetivo ao rock mais melódico e pulsante, já o baixo, as variações ritmícas e o fuzz da guitarra de Secret Omnivore piscam o olho a ambientes mais experimentais, com o clima soturno de Nosebleed a conter algumas marcas identitárias do típico som americano de final do século passado.

Traçado logo até à terceira música o cenário deste Ultimate Oceans e da cartilha sonora destes FAWNN, percebe-se que conhecedores profundos e claramente marcados por uma sonoridade que é muito própria de uma América que sabe como condensar diferentes estilos, não faltando até um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi nesta música, numa espécie de space rock que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem em Survive, por exemplo, a própria pop adocicada e intimista na mira. Os Breeders, os My Bloody Valentine e, mais recentemente, os próprios Surfer Blood, podem ser para aqui chamados como referenciais incontornáveis, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama que prova que os FAWNN estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

Num alinhamento que avança permitindo às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora da banda que as criou, Ultimate Oceans é pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Espero que aprecies a sugestão...

FAWNN - Ultimate Oceans

01. Galaxies
02. Secret Omnivore
03. Nosebleed
04. Shadow Love
05. Dream Delivery
06. Master Blaster
07. Survive
08. Phantom Phantasy
09. Red Moon
10. Watching You…
11. Pixel Fire
12. Galaxies (Remix)
13. Shadow Love (Remix)
14. Red Moon (Remix)
15. Pixel Fire (Remix)


autor stipe07 às 17:22
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2016

Wilco - Locator

Wilco - Locator

Exatamente um ano após a surpreendente edição do excelente Star Wars, os norte americanos Wilco de Jeff Tweedy, ofereceram uma nova canção, de modo a celebrar a efeméride. Disponível aqui em troca do teu endereço de email, Locator teria cabido no alinhamento de Star Wars, pela excelência de um folk noise algo cru e minimal e que contém aquele balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, sem nunca descurar a particularidade fortemente melódica que costuma definir as composições desta banda de Chicago. Confere...


autor stipe07 às 18:54
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