01. Magic Mtn.
02. Black And White
03. Bachman Park
04. Ruby Dead
05. Four Mile Beach
06. Down And Out
07. For Sure
08. Break A Leg
09. We’ll Be Back Soon
Os STRFKR (Starfucker) são uma banda norte americana de Portland, no Oregon, formada por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Conforme anunciei no Curtas... LXXVI, Miracle Mile é o último disco da banda, lançado no passado dia dezanove de fevereiro pela Polyvinyl Records.

Os STRFKR (Starfucker), antigos Pyramids, sempre foram uma banda de grandes melodias, letras aditivas e uma sonoridade impecável. Isso é bem evidente ao longo de toda a discografia deste coletivo, disponível para audição gratuita e integral no sitio da editora e com um conteúdo assente em sintetizadores e numa voz peculiar e bem enquadrada. Tem sido assim desde o surgimento do grupo, em 2007, marca que se repete no homónimo lançado em 2008 e no Reptilians de 2011. Após meia dúzia de anos, este era o momento certo para o grupo arriscar um pouco mais, o que aconteceu neste Miracle Mile, o álbum mais coerente e com melhor estratégia musical do grupo.
Em canções como Julius, Florida e mesmo na versão do clássico Girls Just Want To Have Fun de Cyndi Lauper, o novo álbum deixa os teclados fluírem de forma suave e muito encantadora. De mãos dadas com a pop durante toda a audição, este novo disco deixa de lado uma aúrea algo cinzenta que pairava nos outros discos e, tal como a capa colorida de Miracle Mile, os STRFKR operam um pequeno milagre sonoro e tornam-se mais expansivos e luminosos, com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que está quase a chegar. E o mais interessante é que conseguem fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam a tal coerência e acerto na estratégia musical.
Em Miracle Mile há menos pressa e menos sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e as aproximações com a eletrónica, que sempre fizeram parte do ADN dos STRFKR, agora abrem espaço para uma simbiose entre a indie pop da década passada e a folk confortável da década de noventa. Basta contactarmos com o cenário mágico de Say To You ou o clima nostálgico de Fortune’s Fool para ficarmos plenamente convencidos que Miracle Mile é um belíssimo álbum, com um desempenho formidável, ao nível instrumental e da voz e que apesar de faltarem mais canções com um cariz tão comercial como a primeira, não é difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo.
De Toro Y Moi a Foster The People, passando pela synthpop de Leave It All Behind, um tema que passeia pela década de oitenta sem colocar de lado a música pop mais recente, nomeadamente os Passion Pit do álbum Gossamer ou os Ra Ra Riot no recente Beta Love, estamos na presença de uma obra com um conteúdo grandioso e experimentações que interagem com a pop convencional. Em suma, um tratado musical leve e cuidado e que encanta. Espero que aprecies a sugestão...
01. While I’m Alive
02. Sazed
03. Malmö
04. Beach Monster
05. Isea
06. YA YA YA
07. Fortune’s Fool
08. Kahlil Gibran
09. Say to You
10. Atlantis
11. Leave It All Behind
12. I Don’t Want to See
13. Last Words
14. Golden Light
15. Nite Rite
Depois de Court The Storm, disco que divulguei oportunamente, os Y La Bamba, um sexteto natural de Portalnd, estão de regresso aos lançamentos com Oh February, um EP que pode ser ouvido no soundcloud da Tender Loving Empire, a habitual etiqueta do grupo, e onde o single homónimo pode ser obtido gratuitamente, assim como o terceiro tema, Death On The Road. Oh February foi produzido por Chris Funk dos The Decemberists, músico que já tinha tomado as rédeas de Lupon, o disco de estreia dos Y La Bamba, editado em 2010.

O reportório deste EP é um pouco menos alegre e festivo que Court The Storm e os seis temas têm uma sonoridade mais folk e acústica. No entanto, apesar do predomínio da viola acústica, continuam a ouvir-se as habituais referências sonoras da world music e aquele toque um pouco mexicano, algo para o qual a voz da exótica e lindíssima Luz Elana Mendoza também contribui decisivamente. Basta ouvir o segundo tema, A Poet's Tune e principalmente River In Drought, para nos sentirmos imediatamente invadidos pela paisagem tipica dos sombreros, feita de violas, acordeãos, trompetes, castanholas e uma percurssão efusiva, tudo bem regado a cerveja mexicana e tequilla.
Os Y La Bamba andam neste momento em digressão com os The Lumineers na costa leste dos Estados Unidos da América. Espero que aprecies a sugestão...
01. Oh February
02. A Poet’s Tune
03. Death On The Road
04. Clarij
05. River In Drought
06. Oh February: Mad As We Are
Depois de ter lançado em fevereiro deste ano http://www.itstartshear.com, Peter Broderick, um músico norte americano de Portland e que se iniciou nos discos com Home, editado em 2008, está de regresso com These Walls Of Mine, o nome do seu novo álbum, lançado no passado dia vinte e dois de Outubro através da Bella Union.

Acerca do conceito que levou Peter a gravar o disco, o autor afirmou:
I had recently been experimenting at home with a microphone and a laptop, recording and uploading new songs for free online, each one alongside a photo and some words, and open to comments from the outside world. At some point Robert (Erased Tapes label founder) started listening to the music and felt compelled to encourage me to compile an album with all this material. [...] And in the end Robert got behind all the songs, which gave me the courage to finish the music for this release. These songs are best viewed as a collection of lyrical and vocal experiments. Of course the instruments and the music are important, but this album is held together by a dialogue of voices. Conversations with myself and with others. Several tracks contain lyrical contributions from friends and strangers, made possible with the help of the internet.
01. Inside Out There
02. Freyr!
03. I’ve Tried
04. Proposed Solution To the Mystery Of The Soul
05. When I Blank I Blank
06. These Walls Of Mine I
07. These Walls Of Mine II
08. I Do This
09. Copenhagen Ducks
10. Til DanMark
Moms é o novo álbum dos norte americanos de Portland Menomena e viu a luz do dia a dezoito de setembro através da Barsuk Records. Este álbum é um ponto de viragem na banda, ponto esse que começou quando, em 2010, Brent Knopf deixou a banda para se dedicar aos Ramona Falls e apenas ficaram com as rédeas a dupla restante, formado por Justin Harris e Danny Seim.

Assim, o quinto disco dos Menomena é uma espécie de reinício, à primeira vista acertado já que o primeiro single extraído de Moms, a canção Heavy Is As Heavy Does, mantém os antigos inventos do grupo, apesar do saxofone hipnótico e típico dos Menomena ter agora um papel meramente acessório e pontual, sendo substituida, no plano de destaque, pela bateria e pelas guitarras.
A partida de Brent terá assim libertado as amarras criativas da dupla que se manteve, já que Moms comprova a facilidade que estes dois tipos têm em compor melodias densas, complexas, fantasmagóricas e arrebatadoras. A banda é agora uma fonte inesgotável de riffs, ritmos e frases cheias daquele espírito roqueiro que fica colado, sem dó nem piedade, nos ouvidos de quem os escuta.
Já agora, importa também referir que ao nível da voz a dupla também resolveu de certa forma dividir o protagonismo, optando ambos por cantar num registo anasalado e sem grandes floreados ou invenções, como se quer a quem não é especialmente dotado. Seja como for, o registo que utilizam assenta que nem uma luva na proposta alternativa, indie e experimental do grupo. A voz esganiçada de Harris e a voz mais abafada de Danny formam o contraponto entre o lado agressivo e o lado sensível da banda.
Desde 2007, quando lançaram o estupendo Friend And Foe, os Menomena têm obtido reconhecimento por parte da crítica e do público. Mudou a formação, mas não mudou a qualidade e as composições intrincadas e elaboradas comuns do grupo. Menomena faz parte daquele grupo de bandas que não conquista qualquer ouvinte de início, segue a fórmula pop rock que ouvimos há décadas, mas não têm medo de ousar e criam discos que exigem repetidas e cuidadas audições, mas que depois compensam. Espero que aprecies a sugestão...
01. Plumage
02. Capsule
03. Pique
04. Baton
05. Heavy Is As Heavy Does
06. Giftshoppe
07. Skintercourse
09. Don’t Mess With Latexas
10. One Horse
Battleme é o novo projeto de Matt Drenick, vocalista dos Lions e um músico de Austin, no Texas, com uma história de vida bastante peculiar; Diagnosticado com uveíte (uma doença dos olhos decorrente de uma inflamação da úvea), transformou essa contrariedade em música e em 2009, sob a alcunha de Battleme, resolveu compôr canções que agora compilou num disco homónimo produzido por Thomas Yurner (músico da dupla Ghostland Observatory) e lançado no final do passado mês de abril através da Trashy Moped Recordings.

Este músico começou a fazer furor quando algumas das suas canções apareceram na terceira temporada de uma série de televisão norte americana chamada Sons Of Anarchy, com destaque para uma cover de Hey Hey, My My (Into The Black) de Neil Young.
Battleme foi gravado num estúdio caseiro em Portland, no Oregon, para onde Matt se mudou em 2010 com o único propósito de fazer este disco. Depois de ter cerca de quarenta demos, fez alguma seleção e no fim ficou com um álbum de dez canções onde abundam sentimentos e facilmente se entende que serviram para exorcizar alguns dos demónios que há muito apoquentavam o autor.
Logo no início do disco apela à ação e a um efetivo cerrar de punhos, nomeadamente em Closer (It’s do or die and everybody knows it), uma canção onde um imperial falsete e uma bateria bem marcada constroem um verdadeiro e imenso hino indie rock. E além de pretender elevar a nossa auto estima, o músico também parece ter o desejo de apregoar a quem estiver disposto a ouvi-lo que somos os únicos donos do nosso destino e que ao irmos ao seu encontro, se o podermos fazer ao som do rock (Touch, Wait For Me), com pitadas de blues e até de uma folk acústica um pouco lo fi (Killer High e Trouble), então a caminhada será potencialmente ainda mais épica e intensa!
Battleme deverá, naqueles momentos em que estamos um pouco mais reticentes, servir como uma espécie de lembrete, para que possamos acreditar que, além de uma família, da saúde, do dinheiro e de uma carreira, a música também nos pode salvar ou, pelo menos, dar-nos vontade de descarregar alguma adrenalina e saltar até ao recinto de jogos ou ao ginásio mais próximo! Espero que aprecies a sugestão...
01. Touch
02. Closer
03. Wire
04. Killer High
05. Shoot The Noise Man
06. Woman I’m A Lost Cause
07. Tears In My Pile
08. Doin Time In My Head
09. Wait For Me
10. Trouble
11. Pocket Full Of Flies
01. Magic Mtn.
02. Black And White
03. Bachman Park
04. Ruby Dead
05. Four Mile Beach
06. Down And Out
07. For Sure
08. Break A Leg
09. We’ll Be Back Soon
No passado dia vinte e quatro de abril foi colocado no mercado discográfico This Machine o nono disco de estúdio dos The Dandy Warhols e sucessor do divertido The Dandy Warhols Are Sound, de 2009, através da etiqueta The End Records. O disco contém onze músicas e é produzido pela própria banda e por Jeremy Sherrer, todas compostas por Courtney Taylor-Taylor, Brent DeBoer e Zia McCabe. No entanto, na gravação do disco contaram com as participações especiais de David J dos Love and Rockets e Bauhaus e Miles Zuniga dos Fastball.

Certamente todos se recordam de Bohemian Like You, canção que se ouviu com insistência no já longínquo virar do milénio e que colocou estes The Dandy Warhols no pedestal, etiquetados como os novos heróis da pop alternativa. No entanto, ao contrário do que seria expectável, este grupo norte americano formado em Portalnd, em 1994, acabou por defraudar todas estas expectativas, que já vinham desde The Dandy Warhols Come Down (1997), um disco que encarna um dos melhores exercícios de revivalismo new wave dos anos 90. A tal confirmação estava apontada para o disco de 2003, Welcome To The Monkey House que, apesar de ter contado com Nick Rhodes e Tony Visconti na produção e ter canções que procuravam sustentar uma visão definitiva sobre essa mesma ideia pop, musculada nas guitarras e de arestas polidas pelos sintetizadores, em nada capitalizaram o efeito de Bohemian Like You. A banda acabou por isso por atravessar toda a sua carreira numa espécie de limbo, sem saber muito bem para que lado pender e tentando tirar o melhor do universo indie new wave e do psicadelismo.
Esta contínua indecisão volta a ser patente neste This Machine que traz momentos muito interessantes, como o single Well The’re Gone ou The Autumn Carnival e que parecem querer mudar o tal cenário de indecisão. Há aqui ecos dos dois focos de interesse dos outros discos (a new wave e o psicadelismo), mas também deve-se registar uma maior coerência na forma como procuram um sentido para o disco no espaço rock onde nem sempre é pacífica a convivência entre a pop e algum experimentalismo. O tal impulso só não é mais vincado porque algumas músicas ganharam contornos definitivos quando a elas poderia ser acrescentado ainda algo mais e porque Taylor tem uma performance vocal discreta no álbum, apesar de algo sofisticada, já que canta em voz baixa e amiúde sussurra e de forma quase sempre melancólica.
This Machine, o disco mais curto da banda, é um toque final de crepúsculo, muitas vezes nublado, mas também com vários raios de luz e que poderá marcar o ponto de viragem definitivo da banda para um ambiente mais shoegaze e menos comercial, fazendo com que Bohemian Like You, se torne cada vez mais numa mera recordação e nunca como um farol definidor daquilo que os The Dandy Warhols pretendem estampar na sua base sonora identitária. Espero que aprecies a sugestão...
Outrora um dos segredos mais bem guardados de Portland, Matthew Stephen Ward, aka M. Ward, é hoje um dos nomes mais aclamados da folk norte americana e acaba de lançar A Wasteland Companion, o seu sétimo disco de originais, no passado dia dez de abril, através da Merge Records.
A Wasteland Companion conta com alguns convidados especiais, nomeadamente Howe Gelb , John Parish, Mike Mogis, Steve Shelley (Sonic Youth), Tom Hagerman (DeVotchka) e a lindíssima Zooey Deschanel, sua companheira no projeto She & Him e que emprestou a voz aos singles Primitive Girl e The First Time I Run Away. A presença de Zooey entre os convidados ajuda a entender a figura eclética deste músico que não tem medo de se arriscar e transitar entre estilos. Este álbum foi gravado em oito estúdios diferentes, em Portland, Omaha, New York City, Los Angeles, Austin e Bristol, em Inglaterra.

A Wasteland Companion vai desapontar todos aqueles que querem escutar aqui os caminhos de luminosidade pop retro que hoje fazem a imagem de marca dos She & Him. Ward arruma aqui as canções com uma lógica vinil, já que é fácil dividir as canções de A Wasteland Companion em duas faces distintas. Inicialmente temos canções mais ritmadas e sorridentes, nomeadamente as versões de Sweetheart (original de Daniel Johnston) e de I Get Ideas (de Louis Armstrong) e a vitamina pop Primitive Girl, o single já retirado do álbum. A segunda metade revela sentimentos mais profundos e dramáticos e uma sonoridade muito próxima de heranças folk, onde M. Ward caminha entre trovas mais confessionais.
As guitarras pesadas de Me and My Shadow argumentam a favor da inventividade de Ward, algo que se repete um pouco em Watch the Show, que tem um pé no blues e no rock devido à bateria bem demarcada e na própria versão já citada de I Get Ideas, com uma sonoridade dançante e leve. Ainda assim, com tantas transições, é nas composições folk que Ward mostra a sua maestria; Canções como The First Time I Ran Away, Crawl After You e a bela canção homónima cumprem a proposta emocional e contemplativa. Pure Joy fecha o disco e faz a ponte entre os dois lados já que os seus últimos acordes coincidem com os primeiros da canção de abertura, o que torna o álbum perfeito para se ouvir em repeat.
Em suma, este Sucessor de Hold Time (editado em 2009), não parece procurar outros caminhos que não os que M. Ward já seguia anteriormente na sua obra discográfica por conta própria. Não será um bom álbum para recrutar novos admiradores, mas não desiludirá os que já o acompanhavam. Espero que aprecies a sugestão...
01. Clean Slate
02. Primitive Girl
03. Me And My Shadow
04. Sweetheart
05. I Get Ideas
06. The First Time I Ran Away
07. A Wasteland Companion
08. Watch The Show
09. There’s A Key
10. Crawl After You
11. Wild Goose
12. Pure Joy
Os Mint Julep são uma dupla de irmãos, Hollie e Keith Kenniff, natural de Portland, no Oregon. Sentiram-se desde sempre atraídos pelas experiências musicais ressaltadas pelos My Bloody Valentine e também são entusiastas da eletrónica. Desse casamento entre os fluidos sintéticos e a instrumentação ruidosa nascem as dez canções de Save Your Season, disco com alguns contornos sombrios, mas que também transita suavemente por um catálogo de elementos fáceis e capazes de agradar um público menos exigente.

Não é de hoje que o rock shoegaze e a música eletrónica vêm promovendo um casamento bem sucedido e permeado por grandes lançamentos. Aliás, essa tem sido uma tendência que surgiu nos anos oitenta e trinta anos depois é uma fórmula que sendo bem utilizada garante um enorme sucesso. Em 2011 temos o Hurry Up dos M83 e Space Is Only Noise, o álbum de estreia de Nicolas Jaar, para atestar a veracidade desta minha suposição.
Indo ao disco, a capa deste Save Your Season não deverá ser inocente relativamente ao conteúdo; Tal como a figura que se eleva amenamente, grande parte do registo segue mergulhado no desenvolvimento de canções suavizadas e marcadas por um ritmo leve, quase possibilitando que o próprio ouvinte também levite. Mesmo que as batidas sintéticas consigam por alguns instantes mobilizar um fluxo dançante ao longo do trabalho, o tom sóbrio da voz de Hollie e as guitarras e sintetizadores nebulosos de Keith impossibilitam que qualquer possível reprodução alegre ou radiante se materialize no interior da obra.
No final da audição é clara a perceção que Save Your Season é um trabalho simples e limitado, talvez fruto dos recursos escassos dos dois irmãos, o que de forma alguma prejudica o bom rendimento do álbum. Mas mesmo assim asseguro que consegue projetar algumas boas composições. É nas músicas voltadas para um ritmo mais ambiental e pop como No Letting Go ou Aviary e quando o duo se entrega a ritmos mais eletrónicos, como em Days Gone By, que o disco acaba revelar maior acerto. Nesta última canção, enquanto se ouve uma bateria eletrónica, a voz de Hollie é protegida por uma fina camada de sons artificiais que transformam a vocalista numa espécie de diva da dream pop.
Mesmo cientes dos tais limites, estes Mint Julep não diminuem o fluxo do trabalho até à última canção, Why Don’t We. Aliás, cada música do disco parece encaixar na composição seguinte. Agora resta apenas ao casal estabelecer de forma definitiva quais serão os rumos no desenvolver dos futuros trabalhos, se um som mais eletrónico ou voltado para o rock. Independente das escolhas, penso que a dupla provavelmente irá acertar. Espero que aprecies a sugestão...
01. Chasing The Wind Catching the Shadows
02. Aviary
03. Days Gone By
04. Save Your Season
05. To The Sea
06. Cherry Radio
07. No Letting Go
08. Stay
09. Time Is Distance
10. Why Don’t We
Este EP tem, diga-se em abono da verdade, a grande virtude de em apenas seis canções conseguir concentrar toda destreza musical deste grupo norte americano, promovendo mais uma sequência de composições melódicas do género das que substanciam o último álbum do quinteto de Portland. Por isso é um EP situado no mesmo campo instrumental de The King Is Dead, com canções grandiosas e crescentes, havendo como fator distintivo, as composições parecerem menos melancólicas. Tal resultou talvez numa sonoridade mais suave e dinâmica, capaz de agradar todos os grupos de ouvintes.
Assim como The King Is Dead apresentou uma sequência de bem produzidas composições, com destaque para Down By the Water e This Is Why We Fight que acabaram por se transformar em novos clássicos da carreira do grupo, com Long Live the King isso não é diferente. Da exposição folk da simplista E. Watson, passando pela grandiosidade melódica e quase country de Foregone, tudo no interior do EP se movimenta de forma bem elaborada, com consistência instrumental e a traduzir na perfeição a boa fase que toma conta da carreira dos The Decemberists. Há também que salientar a cover de Row Jimmy dos Greateful Dead. O meu grande destaque do EP acaba por ser Burying Davy, uma canção que evoca uma sonoridade muito próxima dos anteriores trabalhos do grupo e com uma instrumentação primorosa e sempre capaz de surpreender.
01 E. Watson
02 Forgone
03 Burying Davy
04 I 4 U & U 4 ME
05 Row Jimmy (Grateful Dead Cover)
06 Sonnet
Mais uma vez a dream pop choca com este satélite natural do planeta música, agora com uma banda natural de Portland, nos Estados Unidos, formada por Charlie Hilton, Patrick Adams e Jacob Portrait. O cometa chama-se Blouse e lançaram na segunda feira, dia trinta e um de outubro, o disco homónimo através da Captured Tracks.

Este Blouse mistura muito bem a tal dream pop com o shoegaze, de forma a fazer-nos viajar por um ambiente sonoro pouco comum. Desta forma, o trio conseguiu um estilo único, sujo e que se diferencia justamente pelas distorções inesperadas. Logo a abrir, a ótima Firestarter, comandada pela voz melódica de Charlie Hilton num ambiente totalmente lo fi, introduz devidamente a sonoridade do disco ao ouvinte. Depois, em Time Travel ouve-se uma batida romântica e pouco convencional, também bem vincada em Videotapes. É uma batida que de certa forma nos eleva de uma forma leve e quase a manter-nos, ao mesmo tempo, no chão. No fundo, talvez se esteja aqui em presença de um novo estilo de música onde os instrumentos praticamente não se diferenciam uns dos outros, onde tudo nos leva a viajar num clima de verdadeiro romance, onde apenas... sonhamos. Outra faixa que destaco, mas pelo antagonismo, é Into Black, uma canção que nos transporta para outro ambiente, agora mais sombrio, como que a querer desmanchar toda a delicadeza anterior. O resto do disco comprova que tal tentativa não é definitivamente bem sucedida.
Blouse é, portanto, um disco bastante bonito e que remete com frequência para os sintetizadores dos anos oitenta, muitas vezes considerados os vilões daquele período da música pop e pós punk; Mas os Blouse conseguiram com perspicácia elucidar-nos acerca da beleza desse instrumento quando devidamente usado. As canções são quase todas misturas bem sucedidas de bandas como os Blondie, Beach House e OMD e afins e servem de elo de ligação com os tempos presentes, assegurando que não pretendem ser apenas um simples devaneio saudosista. Em suma, é um disco que transporta os ouvidos do presente para um passado que foi bastante interessante, banhado em melancolia e pretensa seriedade e maturidade artísticas. Espero que aprecies a sugestão...
01. Firestarter
02. Time Travel
03. They Always Fly Away
04. Into Black
05. Videotapes
06. Controller
07. Roses
08. White
09. Ghost Dream
10. Fountain In Rewind
as minhas bandas
The Good The Bad And The Queen
My Town
eu...
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