Sábado, 6 de Setembro de 2014

Dana Buoy - Preacher EP

9Dana Buoy - "Everywhere" (Fleetwood Mac Cover)

Baterista dos Akron/Family Dana Janssen é também Dana Buoy, o nome artístico através do qual publica a sua própria música. O seu mais recente registo discográfico chama-se Preacher, uma coleção de cinco canções, onde se inclui uma cover de Everywhere, um clássico dos Fleetwood Mac, que faz parte do alinhamento de Tango In The Night, o disco que essa banda editou em mil novecentos e oitenta e sete.

Preacher assenta no clássico indie rock contemporâneo feito com encantadores teclados, uma percurssão geralmente subtil, mas transversal ao EP e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar, assim como arranjos que muitas vezes incluem sons orgânicos e da natureza e um jogo de vozes quente e intimista.

Os pássaros que chilream no início de Isla Mujeres são apenas um pequeno detalhe, mas define com um certo charme a elevada bitola qualitativa de cinco canções que, apesar do pendor épico e festivo, não transpiram pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica.

Um dos destaques deste trabalho é, quanto a mim, It's Alright, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e um sintetizador que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade da voz. Já Let's Star A War destaca-se pelos pequenos toques no tambor e um teclado profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.

Dana Buoy deitou-se numa nuvem feita com a melhor synthpop atual e operou um pequeno milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada, sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Em suma, Preacher é um belíssimo EP, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 16:04
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Mimicking Birds – Eons

Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel são o trio que constitui os Mimicking Birds, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, que acaba de surpreender com Eons, um traablho editado no passado da treze de maio através da Glacial Pace Records, estando o single Bloodlines disponivel para download gratuíto.

A introdução de Eons, com o efeito da guitarra e a batida de Memorabilia e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Acting Your Age e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muto bem interpretar, na senda de nomes como os Phosphorescent, os Wilco, os The War On Drugs ou os Lambchop, bandas que sabem hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Eons é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem mais expansivo e épico que o antecessor homónimo, que tinha uma elevada componente lo fi.

Um dos aspetos mais interessantes de Eons é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração, com o baixo e a percussão a serem, talvez, o elemento estruturalmente dominante da esmagadora maioria das canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em Night Light e no rock de Spent Winter à abordagem mais eletrónica de Water Under Burned Bridges, ou da mais ambiental Seeing Eye Dog, Eons está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Bloodlines e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite

O disco termina com a belissima e catártica Moving On e nesse epílogo percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Eons

01. Memorabilia
02. Acting Your Age
03. Owl Hoots
04. Spent Winter
05. Bloodlines
06. Night Light
07. Water Under Burned Bridges
08. Wormholes
09. Seeing Eye Dog
10. Moving On

 


autor stipe07 às 22:09
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Arrange - Their Bodies In A Fog

Natural de Portland, no Oregon, Arrange é o projeto musical de Malcom Lacey, que lançou no passado dia dezoito de março, por intermédio da Orchid Tapes, Their Bodies In A Fog, um disco com onze canções disponível gratuitamente no soundcloud e no bandcamp do músico, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.


Their Bodies In A Fog é já o terceiro registo de originais que divulgo de Arrange, depois de Plantation (2011) e New Memory (2012). Em Their Bodies In A Fog, Lacey mantém a sua típica sonoridade etérea e lenta, mas também algo inquietante.

Algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, as músicas de Their Bodies In A Fog são construídas sobre camadas de guitarras e efeitos que criam exuberantes paisagens sonoras, com arranjos a recordar, a espaços, Tim Hecker, James Blake e Sigur Rós e que criam ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza.

Lacey é capaz de de criar composições que, mesmo mantendo uma bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme, algures entre climas opressivos e outros mais intemporais, mas sempre circulares e falsamente herméticos. Home é um excelente exemplo de uma canção que começa num registo quase minimal e que depois cresce até atingir um clima fortemente épico e luminoso. Além dessa canção, também a guitarra de Stranger, o piano e os sons ambiente da instrumental Heart // What If This Were It, ou o sinterizador de Dream, apenas para citar alguns bons exemplos, aliados a uma percussão cheia de variações e diferentes instrumentos, provam que cada detalhe das onze músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. Estas são canções que, com o tempo, ficam no ouvido e cada um de nós poderá interpretar pessoalmente a sonoridade da música de Arrange e o que ele pretende transmitir.

O disco ouve-se de um travo só, quase como se fosse uma grande canção. Não há nada de demasiado complicado nas letras, o que até é mais um facto que abona a favor do álbum e comprova que Lacey não anda particularmente desesperado em demonstrar que é uma espécie de génio precoce, mas apenas um artista preocupado em revelar os seus sentimentos mais comuns através da música. Seja como for, temas como o sofrimento e a solidão e o aor envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz do autor.

Mkisturado por Warren Hildebrand, Their Bodies In A Fog é mais um triunfo em toda a escala de Arrange e, sem grandes alaridos ou aspirações, outro passo seguro na carreira deste jovem e talentoso músico norte americano que, apesar da aparente fragilidade da sua produção, consegue sempre resultados magníficos.

Parece difícil acreditar que um projeto possa amadurecer e criar tanto em apenas três anos, mas felizmente existe este Arrange e a sua fórmula simples, porque não se propõe criar algo demasiado denso, mas proporcionar a audição de canções que nos ficam no ouvido, sedutoramente abertas e convidativas a audições repetidas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:38
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014

Fanno Creek – Monuments

Os Fanno Creek são Quinn Mulligan, Evan Hailstone e Dane Brist, um trio de Portland, no Oregon, que aposta numa sonoridade ligeira e tipicamente folk. Monuments é o disco de estreia deste grupo norte americano, um trabalho que viu a luz do dia em dezembro de 2013 por intermédio da Sohitek Records.

Monuments é uma coleção de doze canções feitas com uma folk muito inspirada e liderada, quase sempre, pelo belíssimo jogo de vozes entre Quinn e Evan, sem dúvida uma das mais valias dos Fanno Creek. O single On My Way é um dos grandes destaques deste trabalho, um tema que nos remete para o universo de uns Fleet Foxes, uma canção com uma belíssima harmonia repleta de elementos pop, com palmas no momento certo e as cordas, a percurssão, os metais e o orgão sintetizado a assumirem a vanguarda na composição.

Outro tema que também chama facilmente a nossa atenção é How Long, não só devido ao falsete da voz, mas também por causa da vibração da guitarra e de um baixo proeminente, que criam uma atmosfera sonora que nos remete para a década de sessenta. Mas a minha canção favorita é Trilithon, um tema que começa com uma simples guitarra e que depois se vai alicerçando numa bateria em contínuo crescimento e numa voz harmoniosa que, juntamente com o violino, confere à canção um ambiente muito nostálgico e emotivo, enquanto a banda canta I’ve seen death, and I’ve seen love, but all that I am thinking of, is dollar bills that I don’t have, it’s comfort in your clenching hands. Este é um bom exemplo de como as histórias contidas neste álbum fazem-nos sentir tudo aquilo que os Fanno Creek têm para nos contar, sobre o amor, a felicidade, o companheirismo ou simples desabafos.

Depois, ao longo do disco, além da instrumentação de base já referida, os trompetes, os metais, o violoncelo e o violino e alguns elementos sintetizados criam arranjos que enriquecem imenso Monuments e o fazem fluir para territórios que irão certamente unir todos aqueles que tanto apreciam uma folk, algures entre Neil Young e os Lumineers

É interessante ouvir Mountains e perceber que os Fanno Creek não tiveram receio de arriscar e buscaram uma simbiose de detalhes raramente ouvida nas propostas atuais. É uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e da eletrónica assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares. A banda impressiona pela simplicidade e rusticidade e demonstram que não é preciso ser demasiado extravagante e ousado para soar musicalmente bem. Têm um som honesto e despido de grandiosidade e é exatamente isso que faz deste Monuments um ótimo disco.

Uma das iniciativas mais peculiares que a banda para promover monuments foi a realização de uma espécie de caça ao tesouro; Espalharam em nove monumentos e locais emblemáticos de Portland um pacote com um exemplar de Monuments e outro material promocional, para que, quem quisesse, os procurasse, havendo algumas pistas no site oficial dos Fanno Creek. Espero que aprecies a sugestão...

Fanno Creek - Monuments

01. Overture
02. On My Way
03. Trilithon
04. How Long
05. Page
06. Bones
07. Body, Brain
08. Dead Wrong
09. Break In
10. Green Stones
11. Dream Song
12. What Am I Thinking

 


autor stipe07 às 14:02
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2013

Peter Broderick - Float

Depois de em 2012 ter lançado http://www.itstartshear.com e These Walls Of Mine, Peter Broderick, um músico norte americano de Portland e que se iniciou nos discos com Home, editado em 2008, está de regresso com Float, um álbum que viu a luz do dia a vinte e oito de Outubro, através da Erased Tapes.

Float não é propriamente um novo álbum de originais de Broderick; Este disco já foi composto há uma meia dúzia de anos, em 2006, quando Broderick tinha vinte anos e, de acordo com o próprio músico, é a concretização de um sonho porque sempre quis que estas músicas, que foram das primeiras que compôs na carreira, fossem no futuro editadas. Em pouco mais de meia hora, escutam-se dez temas com um forte ambiente clássico e ambiental, uma proposta algo diferente das anteriores, mas que justifica muito do que sonoramente Peter propôs nos seus discos, já que o piano sempre foi o insturmento predileto do seu processo de composição melódica.

Float foi criado entre quatro paredes num período em que o músico trabalhava numa pizzaria cinco dias por semana e nos seus tempos livres vivia obcecado por música, por tocar sozinho ou com amigos, assistir a concertos locais e por adquirir e colecionar a maior quantidade possível de discos. Broderick acabou por mergulhar no universo folk local e foi gastando as suas economias não só na aquisição de discos e na audição compulsiva dos mesmos, mas também na compra de instrumentos cada vez mais diversificados, ocupando a sua mente e a sua capacidade criativa na exploração dos mesmos.
Numa época em que ainda não vivia da música, Broderick acabou por criar uma colecção intimista de dez experiências vocais e líricas, que soam a um conjunto de explorações, muitas vezes lo fi, sem grandes planos ou estudos. No geral, confirma o ambiente sonoro predileto de Peter, etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:08
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Terça-feira, 24 de Setembro de 2013

Blouse - Imperium

Depois de se terem estreado em 2011 com um excelente homónimo, mas ainda algo tímido, os Blouse de Charlie Hilton, Jacob Portrait e Patrick Adams não se deixaram acomodar por esse sucesso, procuraram de algum modo reinventar-se e agora estão de regresso com Imperium, um disco editado no passado dia dezassete de setembro por intermédio da Captured Tracks e com o qual comprovam que são hoje um dos projetos a ter em muito boa conta no universo sonoro aletrnativo relacionado com a dream pop.

Curiosamente, Imperium começa exatamente onde os Blouse ficaram em Blouse; Até Capote reina a eletrónica e há uma homogeneidade sonora nos cinco temas iniciais feita com nostalgia e detalhes que são, muitas vezes, ruídos quase impercetíveis. Escutam-se nas canções uma voz amena e há um ambiente algo calmo, sombrio e letárgico e sempre constante.

A partir da segunda metade do álbum este grupo de Portland foca-se menos nas máquinas e coloca toda a sua confiança e criatividade nos instrumentos ao vivo; As guitarras expandem-se, o ruído aumenta e músicas como Arrested e Happy Days e principalmente o fantástico single No Shelter afastam definitivamente os Blouse do clima etéreo inicial e aproximam-nos de um universo mais sombrio e visceral e onde as guitarras, a percurssão e a voz sempre algo lo fi se conjugam de forma a ampliar o mais possível o potencial sonoro das canções.

Imperium é um assumir enfático por parte dos Blouse da capacidade que possuem em serem ecléticos e abordarem diferentes universos sonoros sem deixarem de ser coerentes e criativos. Experimentar, testar e misturar são verbos muito presentes no processo de composição da banda, o que acaba por fazer com que eles desbravem novos caminhos à medida que enveredam por outros, além de transbordarem um charme imenso durante este processo de descoberta. Este segundo trabalho deste trio norte americano acaba, também por isso, por criar enormes expetativas sobre os próximos discos dos Blouse. Espero que aprecies a sugestão... 

Blouse - Imperium

01. Imperium
02. Eyesight
03. 100 Years
04. In A Glass
05. Capote
06. In A Feeling Like This
07. No Shelter
08. Happy Days
09. Arrested
10. Trust Me


autor stipe07 às 19:49
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Sexta-feira, 6 de Setembro de 2013

Pure Bathing Culture - Moon Tides

Naturais de Nova Iorque mas atualmente a residir em Portland, no Oregon, os Pure Bathing Culture são uma dupla formada por Daniel Hindman e Sarah Versprille, antigos membros dos consagrados Vetiver e que começa a ser muito falada dentro do universo dream pop. Moon Tides, o disco de estreia, chegou às lojas a vinte de agosto via Memphis Industries/Partisan e a banda já divulgou dois singles, Pendulum e Dream The Dare, estando o primeiro disponível gratuitamente.


Esta dupla começou por causar furor em 2012 com um EP homónimo que desde logo chamou a atenção da crítica especializada, mas que confesso que passou despercebido por cá. Felizmente consegui escutar Moon Tides e fiquei logo convenvido sobre o enorme potencial que os Pure Bathing Culture provam ter. 

Produzido por Richard Swift, um dos principais membros dos The Shins, Moon Tides é uma viagem sonora carregada de espiritualidade e misticismo por um universo sonoro governado por uma indie pop que flutua algures entre os Beach House e os Cocteau Twins, sem desprezar a doçura que se escutava nos anos setenta por intermédio de uns tais de Fleetwood Mac.

Não é fácil destacar um tema de Moon Tides já que um dos principais aspectos do disco é a homogeneidade sonora que o sustenta; Seja como for, há que realçar a luminosidade evidente do single Pendulum, uma canção onde os acordes da guitarra e o teclado atmosférico nos fazem planar de forma quase surrealista. No entanto, Dream The Dare também nos transporta facilmente para ambientes etéreos e onde a pop dos anos oitenta dita as suas regras.

Álbum conceptual acerca da relação entre a Lua e a Terra e a influência que o nosso astro tem nas marés, Moon Tides fala muito de água, de movimento e do efeito que os elementos têm na vivência humana e nas nossas emoções, representadas pelo constante movimento da água. Aliás, de acordo com o guitarrista Daniel Hindman, a ideia de constante transformação é a mensagem que está sublimada em Moon Tides.

Moon Tides é uma das grandes surpresas deste ano, um dos mais interessantes lançamentos ds últimos tempos e um trabalho que tem tido uma excelente aceitação da crítica. Os Pure Bathing Culture não são os primeiros a apropriar-se da sonoridade pop de há trinta anos atrás, mas conseguem demarcar-se da concorrência devido ao charme e ao bom gosto que colocam na reciclagem que fazem de um género sonoro que facilmente nos emociona e nos relaxa. Se não aprecias a típica sonoridade de uns Beach House então é melhor atravessares para o outro lado da rua caso te depares com esta dupla norte americana que é capaz de muito em breve vir a competir com Victoria Legrand e Alex Scally pelo domínio da dream pop. Espero que aprecies a sugestão...

Pure Bathing Culture - Moon Tides

01. Pendulum
02. Dream The Dare
03. Ever Greener
04. Twins
05. Only Lonely Lovers
06. Scotty
07. Seven to One
08. Golden Girl
09. Temples Of The Moon


autor stipe07 às 22:34
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Terça-feira, 9 de Julho de 2013

Radiation City - Animals in the Median

Lançado pela Tender Loving Empire no passado dia vinte e um de maio, Animals in The Median é o mais recente e segundo disco dos Radiation City, uma banda norte americana natural de Portland, no Oregon e formada por Cameron Spies, Elisabeth Ellison, Randy Bemrose, Matt Rafferty e Patti King. Entretanto, o single Foreign Bodies está disponível para download na Rolling Stone. Os Radiation City surgiram em 2009 devido ao relacionamento afetivo dos dois fundadores a quem se juntaram, pouco tempo depois, um outro casal de músicos e um multi-instrumentista. The Hands That Take You, o disco de estreia, o EP Cool Nightmare que se seguiu em 2011 e os concertos de promoção desses trabalhos deram rapidamente ao grupo uma excelente reputação e fizeram com que Animals In The Median estivesse a ser aguardado com alguma expetativa.

 

Antes de mais importa referir que Animals in the Median é um daqueles discos que não podes deixar de ouvir. As doze músicas são cantadas por Cameron e Elisabeth, sempre com a companhia animada dos outros três elementos. As canções são algo sofisticadas porque têm a típica sonoridade indie pop alegre e extrovertida, apesar de falarem muito da morte (Zombies), de amores perdidos e de traições, o que lhes confere uma certa aura nostálgica. Essa espécie de viagem ao passado também é audível na nebulosa e excitante Wash of Noise, nas nuvens cinzentas de Lark e na melancolia refinada feita com sons de grilos e coaxares de sapos que se escutam em Call Me. O grupo diz que as suas canções falam de corações que não perdem a esperança em dias melhores num mundo cada vez mais perigoso.
Há um apreciável ritmo em muitas canções, com influências da própria bossa nova e alguns tiques e lampejos típicos da eletrónica. Parece-me bastante plausível que os Radiation City ouçam alguns ícones da música brasileira como João Gilberto e Tom Jobim, assim como os Beatles na sua fase mais psicadélica (Buckminsterfullerene), apesar de citarem Dusty Springfield e até os The Flaming Lips e os Stereolab como influências declaradas. Acaba por ser interessante escutar o disco e apreender os diferentes universos sonoros que as canções procuram replicar, ouvir tudo isso em conjunto e assim, perceber o processo de criação dos Radiation City, que escreveram e arranjaram todas as canções em conjunto, durante um ano, entre Washington e Portland.
Animals In The Median impressiona pela excelência alcançada tanto lirica como instrumentalmente e melhora a cada audição. É um disco muito pouco convencional, leve, ideal para esta altura do ano, que flui naturalmente e permanece facilmente na nossa mente durante um longo período de tempo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Zombies
02. So Long
03. Wash Of Noise
04. Food
05. Foreign Bodies
06. Wary Eyes
07. LA Beach
08. Entropia
09. Buckminsterfullerene
10. Summer Rain
11. Lark
12. Call Me


autor stipe07 às 13:09
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Quarta-feira, 26 de Junho de 2013

Portugal. The Man – Evil Friends

Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man lançaram a quatro de junho Evil Friends, aquele que é já o sétimo registo de originais da carreira da banda, tendo o álbum visto a luz do dia por intermédio da Atlantic records. Conhecidos por serem um nome relevante no universo alternativo devido à permanente toada experimental e ausência de linearidade instrumental nos sucessivos lançamentos, esta banda liderada por John Baldwin Gourley prossegue em Evil Friends a sua cruzada de construir uma discografia que seja um catálogo vivo das mais variadas e inusitadas experimentações sonoras.

Os Portugal. The Man têm sido bastante profícuos no processo de criação musical, já que ultimamente têm lançado discos com uma regularidade interessante e pouco comum; Em The Satanic Satanist (2009), brincaram com a psicadelia pop e um ano antes tinham andado às voltas com o art rock em Censored Colors (2008). Em 2010 a eletrónica foi um elmento preponderante em American Ghetto e todos estes trabalhos anteriores a Evil Friends, acabaram por alargar e assentar a rede de influências do grupo que se tornou naturalmente muito querido de um público específico, mas que não conseguiu, ainda, abarcar uma teia mais numerosa de seguidores e admiradores do cardápio sonoro da banda.

Evil Friends talvez tenha sido construído com esse firme propósito e pode muito bem vir a ser o álbum que irá colocar este coletivo definitivamente na primeira divisão do cenário musical índie e alternativo. Neste, como já disse, sétimo disco, o grupo de Portland, optou por um maior conservadorismo e por deixar de lado a vertente mais experimental para se concentrar num emaranhado de canções pop. De Plastic Soldiers, até à colorida Smile, cada canção é preenchida com refrões carregados de vozes felizes, assente num alinhamento instrumental preciso e um completo desapego relativamente a tudo o que a banda propôs anteriormente.

Assim, Evil Friends poderá soar como algo fantástico para quem não conhece em pormenor a discografia dos Portugal. The Man e ser uma tremenda desilusão para aquele nicho que ao longo do tempo aprendeu a apreciar a aparente indecisão sonorda do grupo e admirava a forma como eles iam explorando com alguma mestria, diga-se, diferentes territórios sonoros. A escolha de Purple Yellow Red and Blue para single, uma canção que, por exemplo, nos remete para qualquer outra música dos Foster The People, não terá sido inocente já que é um tema algo incaraterístico no percurso sonoro do grupo e demonstra com precisão a tal opção por sonoridades mais fáceis, comerciais e acessíveis ao grande público. Outros dois temas que escapam ao passado do grupo são Hip Hop Kids e Atomic Man, canções que poderia muito bem estar no alinhamento de um disco dos MGMT.

Produzido por Danger Mouse, até neste campo específico do trabalho de tratamento e execução de um álbum houve, em Evil Friends, um cuidado na escolha, tendo a opção recaído num nome consensual do universo pop e que tem tido bons resultados comerciais nos discos onde se intromete. A envolvência do produtor no resultado final é tão intensa que todos aqueles que forem conhecedores profundos dos trabalhos que ele produziu, identificarão facilmente alguns detalhes sonoros típicos de outros artistas que já produziu.

Evil Friends é um marco importante na carreira dos Portugal. The Man já que poderá vir a ser o ponto definitivo de viragem para uma banda que talvez tenha perdido um pouco a paciência a experimentar e com isso tirado poucos dividendos, mesmo económicos, do seu percurso musical, e queira tornar-se definitivamente mais acessível à multidão e disponível para o airplay fácil. Ou então este sétimo trabalho não deixa de ser mais um capítulo nos habituais devaneios experimentais dos Portugal. The Man e, desta vez, o segredo esteve exatamente na ausência do risco e na aposta pela luminosidade pop simples e direta, estando no futuro reservado um novo regresso ao laboratório onde a banda costuma misturar diferentes géneros e tendências, geralmente, na minha opinião, com elevado grau de criatividade e bom gosto. O disco foi disponibilizado para audição pela banda. Espero que aprecies a sugestão...

01. Plastic Soldiers
02. Creep In A T-Shirt
03. Evil Friends
04. Modern Jesus
05. Hip Hop Kids
06. Atomic Man
07. Sea Of Air
08. Waves
09. Holy Roller (Hallelujah)
10. Someday Believers
11. Purple Yellow Red And Blue
12. Smile


autor stipe07 às 16:18
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

STRFKR - Miracle Mile

Os STRFKR (Starfucker) são uma banda norte americana de Portland, no Oregon, formada por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Conforme anunciei no Curtas... LXXVI, Miracle Mile é o último disco da banda, lançado no passado dia dezanove de fevereiro pela Polyvinyl Records.

Os STRFKR (Starfucker), antigos Pyramids, sempre foram uma banda de grandes melodias, letras aditivas e uma sonoridade impecável. Isso é bem evidente ao longo de toda a discografia deste coletivo, disponível para audição gratuita e integral no sitio da editora e com um conteúdo assente em sintetizadores e numa voz peculiar e bem enquadrada. Tem sido assim desde o surgimento do grupo, em 2007, marca que se repete no homónimo lançado em 2008 e no Reptilians de 2011. Após meia dúzia de anos, este era o momento certo para o grupo arriscar um pouco mais, o que aconteceu neste Miracle Mile, o álbum mais coerente e com melhor estratégia musical do grupo.

Em canções como Julius, Florida e mesmo na versão do clássico Girls Just Want To Have Fun de Cyndi Lauper, o novo álbum deixa os teclados fluírem de forma suave e muito encantadora. De mãos dadas com a pop durante toda a audição, este novo disco deixa de lado uma aúrea algo cinzenta que pairava nos outros discos e, tal como a capa colorida de Miracle Mile, os STRFKR operam um pequeno milagre sonoro e tornam-se mais expansivos e luminosos, com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que está quase a chegar. E o mais interessante é que conseguem fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam a tal coerência e acerto na estratégia musical.

Em Miracle Mile há menos pressa e menos sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e as aproximações com a eletrónica, que sempre fizeram parte do ADN dos STRFKR, agora abrem espaço para uma simbiose entre a indie pop da década passada e a folk confortável da década de noventa. Basta contactarmos com o cenário mágico de Say To You ou o clima nostálgico de Fortune’s Fool para ficarmos plenamente convencidos que Miracle Mile é um belíssimo álbum, com um desempenho formidável, ao nível instrumental e da voz e que apesar de faltarem mais canções com um cariz tão comercial como a primeira, não é difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo.

De Toro Y Moi a Foster The People, passando pela synthpop de Leave It All Behind, um tema que passeia pela década de oitenta sem colocar de lado a música pop mais recente, nomeadamente os Passion Pit do álbum Gossamer ou os Ra Ra Riot no recente Beta Love, estamos na presença de uma obra com um conteúdo grandioso e experimentações que interagem com a pop convencional. Em suma, um tratado musical leve e cuidado e que encanta. Espero que aprecies a sugestão...

01. While I’m Alive
02. Sazed
03. Malmö
04. Beach Monster
05. Isea
06. YA YA YA
07. Fortune’s Fool
08. Kahlil Gibran
09. Say to You
10. Atlantis
11. Leave It All Behind
12. I Don’t Want to See
13. Last Words
14. Golden Light
15. Nite Rite


autor stipe07 às 21:57
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013

Y La Bamba – Oh February EP

Depois de Court The Storm, disco que divulguei oportunamente, os Y La Bamba, um sexteto natural de Portalnd, estão de regresso aos lançamentos com Oh February, um EP que pode ser ouvido no soundcloud da Tender Loving Empire, a habitual etiqueta do grupo, e onde o single homónimo pode ser obtido gratuitamente, assim como o terceiro tema, Death On The Road. Oh February foi produzido por Chris Funk dos The Decemberists, músico que já tinha tomado as rédeas de Lupon, o disco de estreia dos Y La Bamba, editado em 2010.

O reportório deste EP é um pouco menos alegre e festivo que Court The Storm e os seis temas têm uma sonoridade mais folk e acústica. No entanto, apesar do predomínio da viola acústica, continuam a ouvir-se as habituais referências sonoras da world music e aquele toque um pouco mexicano, algo para o qual a voz da exótica e lindíssima Luz Elana Mendoza também contribui decisivamente. Basta ouvir o segundo tema, A Poet's Tune e principalmente River In Drought, para nos sentirmos imediatamente invadidos pela paisagem tipica dos sombreros, feita de violas, acordeãos, trompetes, castanholas e uma percurssão efusiva, tudo bem regado a cerveja mexicana e tequilla.

Os Y La Bamba andam neste momento em digressão com os The Lumineers na costa leste dos Estados Unidos da América. Espero que aprecies a sugestão...

Y La Bamba - Oh February

01. Oh February
02. A Poet’s Tune

03. Death On The Road
04. Clarij
05. River In Drought
06. Oh February: Mad As We Are


autor stipe07 às 13:10
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2012

Peter Broderick – These Walls Of Mine

Depois de ter lançado em fevereiro deste ano http://www.itstartshear.comPeter Broderick, um músico norte americano de Portland e que se iniciou nos discos com Home, editado em 2008, está de regresso com These Walls Of Mine, o nome do seu novo álbum, lançado no passado dia vinte e dois de Outubro através da Bella Union.

Acerca do conceito que levou Peter a gravar o disco, o autor afirmou:

I had recently been experimenting at home with a microphone and a laptop, recording and uploading new songs for free online, each one alongside a photo and some words, and open to comments from the outside world. At some point Robert (Erased Tapes label founder) started listening to the music and felt compelled to encourage me to compile an album with all this material. [...] And in the end Robert got behind all the songs, which gave me the courage to finish the music for this release. These songs are best viewed as a collection of lyrical and vocal experiments. Of course the instruments and the music are important, but this album is held together by a dialogue of voices. Conversations with myself and with others. Several tracks contain lyrical contributions from friends and strangers, made possible with the help of the internet.

Peter Broderick tem vindo a construir uma carreira prolífica nos últimos anos, quer a gravar discos com princípio meio e fim, quer a produzir música para dança contemporânea ou bandas sonoras. Quem acompanha a sua carreira, sendo justo, constata com admiração e, no meu caso, com satisfação, que apresenta sempre propostas que abarcam diferentes sonoridades e influências.
These Walls Of Mine, certamente criado entre quatro paredes, é uma colecção intimista de dez experiências vocais e líricas e soa a um conjunto de explorações, muitas vezes lo fi, sem grandes planos ou estudos. No geral, confirma o ambiente sonoro predileto de Peter, etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente. Espero que aprecies a sugestão...

01. Inside Out There
02. Freyr!
03. I’ve Tried
04. Proposed Solution To the Mystery Of The Soul
05. When I Blank I Blank
06. These Walls Of Mine I
07. These Walls Of Mine II
08. I Do This
09. Copenhagen Ducks
10. Til DanMark 


autor stipe07 às 21:37
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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2012

Menomena – Moms

Moms é o novo álbum dos norte americanos de Portland  Menomena e viu a luz do dia a dezoito de setembro através da Barsuk Records. Este álbum é um ponto de viragem na banda, ponto esse que começou quando, em 2010, Brent Knopf deixou a banda para se dedicar aos Ramona Falls e apenas ficaram com as rédeas a dupla restante, formado por Justin Harris e Danny Seim.

Assim, o quinto disco dos Menomena é uma espécie de reinício, à primeira vista acertado já que o primeiro single extraído de Moms, a canção Heavy Is As Heavy Does, mantém os antigos inventos do grupo, apesar do saxofone hipnótico e típico dos Menomena ter agora um papel meramente acessório e pontual, sendo substituida, no plano de destaque, pela bateria e pelas guitarras.
A partida de Brent terá assim libertado as amarras criativas da dupla que se manteve, já que Moms comprova a facilidade que estes dois tipos têm em compor melodias densas, complexas, fantasmagóricas e arrebatadoras. A banda é agora uma fonte inesgotável de riffs, ritmos e frases cheias daquele espírito roqueiro que fica colado, sem dó nem piedade, nos ouvidos de quem os escuta.

Já agora, importa também referir que ao nível da voz a dupla também resolveu de certa forma dividir o protagonismo, optando ambos por cantar num registo anasalado e sem grandes floreados ou invenções, como se quer a quem não é especialmente dotado. Seja como for, o registo que utilizam assenta que nem uma luva na proposta alternativa, indie e experimental do grupo. A voz esganiçada de Harris e a voz mais abafada de Danny formam o contraponto entre o lado agressivo e o lado sensível da banda.

Desde 2007, quando lançaram o estupendo Friend And Foe, os Menomena têm obtido reconhecimento por parte da crítica e do público. Mudou a formação, mas não mudou a qualidade e as composições intrincadas e elaboradas comuns do grupo. Menomena faz parte daquele grupo de bandas que não conquista qualquer ouvinte de início, segue a fórmula pop rock que ouvimos há décadas, mas não têm medo de ousar e criam discos que exigem repetidas e cuidadas audições, mas que depois compensam. Espero que aprecies a sugestão...

01. Plumage
02. Capsule
03. Pique
04. Baton
05. Heavy Is As Heavy Does
06. Giftshoppe
07. Skintercourse
09. Don’t Mess With Latexas
10. One Horse

myspace / twitter / website


autor stipe07 às 22:01
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2012

Battleme - Battleme

Battleme é o novo projeto de Matt Drenick, vocalista dos Lions e um músico de Austin, no Texas, com uma história de vida bastante peculiar; Diagnosticado com uveíte (uma doença dos olhos decorrente de uma inflamação da úvea), transformou essa contrariedade em música e em 2009, sob a alcunha de Battleme, resolveu compôr canções que agora compilou num disco homónimo produzido por Thomas Yurner (músico da dupla Ghostland Observatory) e lançado no final do passado mês de abril através da Trashy Moped Recordings.

Este músico começou a fazer furor quando algumas das suas canções apareceram na terceira temporada de uma série de televisão norte americana chamada Sons Of Anarchy, com destaque para uma cover de Hey Hey, My My (Into The Black) de Neil Young.

Battleme foi gravado num estúdio caseiro em Portland, no Oregon, para onde Matt se mudou em 2010 com o único propósito de fazer este disco. Depois de ter cerca de quarenta demos, fez alguma seleção e no fim ficou com um álbum de dez canções onde abundam sentimentos e facilmente se entende que serviram para exorcizar alguns dos demónios que há muito apoquentavam o autor.

Logo no início do disco apela à ação e a um efetivo cerrar de punhos, nomeadamente em Closer (It’s do or die and everybody knows it), uma canção onde um imperial falsete e uma bateria bem marcada constroem um verdadeiro e imenso hino indie rock. E além de pretender elevar a nossa auto estima, o músico também parece ter o desejo de apregoar a quem estiver disposto a ouvi-lo que somos os únicos donos do nosso destino e que ao irmos ao seu encontro, se o podermos fazer ao som do rock (Touch, Wait For Me), com pitadas de blues e até de uma folk acústica um pouco lo fi (Killer High e Trouble), então a caminhada será potencialmente ainda mais épica e intensa!

Battleme deverá, naqueles momentos em que estamos um pouco mais reticentes, servir como uma espécie de lembrete, para que possamos acreditar que, além de uma família, da saúde, do dinheiro e de uma carreira, a música também nos pode salvar ou, pelo menos, dar-nos vontade de descarregar alguma adrenalina e saltar até ao recinto de jogos ou ao ginásio mais próximo! Espero que aprecies a sugestão...

01. Touch
02. Closer
03. Wire
04. Killer High
05. Shoot The Noise Man
06. Woman I’m A Lost Cause
07. Tears In My Pile
08. Doin Time In My Head
09. Wait For Me
10. Trouble
11. Pocket Full Of Flies


autor stipe07 às 17:29
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Domingo, 29 de Abril de 2012

Engineers – Engineers

Banda natural de Portland, os Engineers (não confundir com estes homónimos ingleses) lançaram no passado dia vinte e quatro de março o disco homónimo, pelos vistos de estreia, já que é muito escassa a informação disponível sobre o grupo.
Engineers está disponível para download no bandcamp  da banda e assenta na típica sonoridade pop folk feita no outro lado do atlântico.

01. Magic Mtn.
02. Black And White
03. Bachman Park
04. Ruby Dead
05. Four Mile Beach
06. Down And Out
07. For Sure
08. Break A Leg
09. We’ll Be Back Soon

Engineers by engineers.music

 


autor stipe07 às 13:43
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

The Dandy Warhols – This Machine

No passado dia vinte e quatro de abril foi colocado no mercado discográfico This Machine o nono disco de estúdio dos The Dandy Warhols e sucessor do divertido The Dandy Warhols Are Sound, de 2009, através da etiqueta The End Records. O disco contém onze músicas e é produzido pela própria banda e por Jeremy Sherrer, todas compostas por Courtney Taylor-Taylor, Brent DeBoer e Zia McCabe. No entanto, na gravação do disco contaram com as participações especiais de David J dos Love and Rockets e Bauhaus e Miles Zuniga dos Fastball.

Certamente todos se recordam de Bohemian Like You, canção que se ouviu com insistência no já longínquo virar do milénio e que colocou estes The Dandy Warhols no pedestal, etiquetados como os novos heróis da pop alternativa. No entanto, ao contrário do que seria expectável, este grupo norte americano formado em Portalnd, em 1994, acabou por defraudar todas estas expectativas, que já vinham desde The Dandy Warhols Come Down (1997), um disco que encarna um dos melhores exercícios de revivalismo new wave dos anos 90. A tal confirmação estava apontada para o disco de 2003, Welcome To The Monkey House que, apesar de ter contado com Nick Rhodes e Tony Visconti na produção e ter canções que procuravam sustentar uma visão definitiva sobre essa mesma ideia pop, musculada nas guitarras e de arestas polidas pelos sintetizadores, em nada capitalizaram o efeito de Bohemian Like You. A banda acabou por isso por atravessar toda a sua carreira numa espécie de limbo, sem saber muito bem para que lado pender e tentando tirar o melhor do universo indie new wave e do psicadelismo.

Esta contínua indecisão volta a ser patente neste This Machine que traz momentos muito interessantes, como o single Well The’re Gone ou The Autumn Carnival e que parecem querer mudar o tal cenário de indecisão. Há aqui ecos dos dois focos de interesse dos outros discos (a new wave e o psicadelismo), mas também deve-se registar uma maior coerência na forma como procuram um sentido para o disco no espaço rock onde nem sempre é pacífica a convivência entre a pop e algum experimentalismo. O tal impulso só não é mais vincado porque algumas músicas ganharam contornos definitivos quando a elas poderia ser acrescentado ainda algo mais e porque Taylor tem uma performance vocal discreta no álbum, apesar de algo sofisticada, já que canta em voz baixa e amiúde sussurra e de forma quase sempre melancólica.

This Machine, o disco mais curto da banda, é um toque final de crepúsculo, muitas vezes nublado, mas também com vários raios de luz e que poderá marcar o ponto de viragem definitivo da banda para um ambiente mais shoegaze e menos comercial, fazendo com que Bohemian Like You, se torne cada vez mais numa mera recordação e nunca como um farol definidor daquilo que os The Dandy Warhols pretendem estampar na sua base sonora identitária. Espero que aprecies a sugestão...

01. Sad Vacation
02. The Autumn Carnival
03. Enjoy Yourself
04. Alternative Power To The People
05. Well They’re Gone
06. Rest Your Head
07. 16 Tons
08. I Am Free
09. SETI vs The Wow! Signal
10. Don’t Shoot She Cried
11. Slide


autor stipe07 às 21:52
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

M. Ward – A Wasteland Companion

Outrora um dos segredos mais bem guardados de Portland, Matthew Stephen Ward, aka M. Ward, é hoje um dos nomes mais aclamados da folk norte americana e acaba de lançar A Wasteland Companion, o seu sétimo disco de originais, no passado dia dez de abril, através da Merge Records.

A Wasteland Companion conta com alguns convidados especiais, nomeadamente Howe Gelb , John Parish, Mike Mogis, Steve Shelley (Sonic Youth), Tom Hagerman (DeVotchka) e a lindíssima Zooey Deschanel, sua companheira no projeto She & Him e que emprestou a voz aos singles Primitive Girl e The First Time I Run Away. A presença de Zooey entre os convidados ajuda a entender a figura eclética deste músico que não tem medo de se arriscar e transitar entre estilos. Este álbum foi gravado em oito estúdios diferentes, em Portland, Omaha, New York City, Los Angeles, Austin e Bristol, em Inglaterra.

A Wasteland Companion vai desapontar todos aqueles que querem escutar aqui os caminhos de luminosidade pop retro que hoje fazem a imagem de marca dos She & Him. Ward arruma aqui as canções com uma lógica vinil, já que é fácil dividir as canções de A Wasteland Companion em duas faces distintas. Inicialmente temos canções mais ritmadas e sorridentes, nomeadamente as versões de Sweetheart (original de Daniel Johnston) e de I Get Ideas (de Louis Armstrong) e a vitamina pop Primitive Girl, o single já retirado do álbum. A segunda metade revela sentimentos mais profundos e dramáticos e uma sonoridade muito próxima de heranças folk, onde M. Ward caminha entre trovas mais confessionais.

As guitarras pesadas de Me and My Shadow argumentam a favor da inventividade de Ward, algo que se repete um pouco em Watch the Show, que tem um pé no blues e no rock devido à bateria bem demarcada e na própria versão já citada de I Get Ideas, com uma sonoridade dançante e leve. Ainda assim, com tantas transições, é nas composições folk que Ward mostra  a sua maestria; Canções como The First Time I Ran Away, Crawl After You e a bela canção homónima cumprem a proposta emocional e contemplativa. Pure Joy fecha o disco e faz a ponte entre os dois lados já que os seus últimos acordes coincidem com os primeiros da canção de abertura, o que torna o álbum perfeito para se ouvir em repeat.

Em suma, este Sucessor de Hold Time (editado em 2009), não parece procurar outros caminhos que não os que M. Ward já seguia anteriormente na sua obra discográfica por conta própria. Não será um bom álbum para recrutar novos admiradores, mas não desiludirá os que já o acompanhavam. Espero que aprecies a sugestão... 

M. Ward - A Wasteland Companion

01. Clean Slate
02. Primitive Girl
03. Me And My Shadow
04. Sweetheart
05. I Get Ideas
06. The First Time I Ran Away
07. A Wasteland Companion
08. Watch The Show
09. There’s A Key
10. Crawl After You
11. Wild Goose
12. Pure Joy


autor stipe07 às 21:58
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Domingo, 18 de Dezembro de 2011

Mint Julep - Save Your Season

Os Mint Julep são uma dupla de irmãos, Hollie e Keith Kenniff, natural de Portland, no Oregon. Sentiram-se desde sempre atraídos pelas experiências musicais ressaltadas pelos My Bloody Valentine e também são entusiastas da eletrónica. Desse casamento entre os fluidos sintéticos e a instrumentação ruidosa nascem as dez canções de Save Your Season, disco com alguns contornos sombrios, mas que também transita suavemente por um catálogo de elementos fáceis e capazes de agradar um público menos exigente.

Não é de hoje que o rock shoegaze e a música eletrónica vêm promovendo um casamento bem sucedido e permeado por grandes lançamentos. Aliás, essa tem sido uma tendência que surgiu nos anos oitenta e trinta anos depois é uma fórmula que sendo bem utilizada garante um enorme sucesso. Em 2011 temos o Hurry Up dos M83 e Space Is Only Noise, o álbum de estreia de Nicolas Jaar, para atestar a veracidade desta minha suposição.

Indo ao disco, a capa deste Save Your Season não deverá ser inocente relativamente ao conteúdo; Tal como a figura que se eleva amenamente, grande parte do registo segue mergulhado no desenvolvimento de canções suavizadas e marcadas por um ritmo leve, quase possibilitando que o próprio ouvinte também levite. Mesmo que as batidas sintéticas consigam por alguns instantes mobilizar um fluxo dançante ao longo do trabalho, o tom sóbrio da voz de Hollie e as guitarras e sintetizadores nebulosos de Keith impossibilitam que qualquer possível reprodução alegre ou radiante se materialize no interior da obra.

No final da audição é clara a perceção que Save Your Season é um trabalho simples e limitado, talvez fruto dos recursos escassos dos dois irmãos, o que de forma alguma prejudica o bom rendimento do álbum. Mas mesmo assim asseguro que consegue projetar algumas boas composições. É nas músicas voltadas para um ritmo mais ambiental e pop como No Letting Go ou Aviary e quando o duo se entrega a ritmos mais eletrónicos, como em Days Gone By, que o disco acaba revelar maior acerto. Nesta última canção, enquanto se ouve uma bateria eletrónica, a voz de Hollie é protegida por uma fina camada de sons artificiais que transformam a vocalista numa espécie de diva da dream pop.

Mesmo cientes dos tais limites, estes Mint Julep não diminuem o fluxo do trabalho até à última canção, Why Don’t We. Aliás, cada música do disco parece encaixar na composição seguinte. Agora resta apenas ao casal estabelecer de forma definitiva quais serão os rumos no desenvolver dos futuros trabalhos, se um som mais eletrónico ou voltado para o rock. Independente das escolhas, penso que a dupla provavelmente irá acertar. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Chasing The Wind Catching the Shadows
02. Aviary
03. Days Gone By
04. Save Your Season
05. To The Sea
06. Cherry Radio
07. No Letting Go
08. Stay
09. Time Is Distance
10. Why Don’t We


autor stipe07 às 18:20
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

The Decemberists - Long Live The King EP

Após o belo desempenho em The King Is Dead, lançado em janeiro deste ano e do qual dei conta Aqui, os The Decemberists não demoraram muito a presentear o público com um novo registo de estúdio, o EP Long Live the King (2011, Capitol). Portanto, se o rei morreu... Agora, de repente, por obra e graça dos The Decemberists, ressuscitou!

 

Este EP tem, diga-se em abono da verdade, a grande virtude de em apenas seis canções conseguir concentrar toda  destreza musical deste grupo norte americano, promovendo mais uma sequência de composições melódicas do género das que substanciam o último álbum do quinteto de Portland. Por isso é um EP situado no mesmo campo instrumental de The King Is Dead, com canções grandiosas e crescentes, havendo como fator distintivo, as composições parecerem menos melancólicas. Tal resultou talvez numa sonoridade mais suave e dinâmica, capaz de agradar todos os grupos de ouvintes.

Assim como The King Is Dead apresentou uma sequência de bem produzidas composições, com destaque para Down By the Water e This Is Why We Fight que acabaram por se transformar em novos clássicos da carreira do grupo, com Long Live the King isso não é diferente. Da exposição folk da simplista E. Watson, passando pela grandiosidade melódica e quase country de Foregone, tudo no interior do EP se movimenta de forma bem elaborada, com consistência instrumental e a traduzir na perfeição a boa fase que toma conta da carreira dos The Decemberists. Há também que salientar a cover de Row Jimmy dos Greateful Dead. O meu grande destaque do EP acaba por ser Burying Davy, uma canção que evoca uma sonoridade muito próxima dos anteriores trabalhos do grupo e com uma instrumentação primorosa e sempre capaz de surpreender.
Depois de o rei ter morrido no início do ano, parece que afinal há que o saudar e desejar-lhe uma vida longa. Espero que aprecies a sugestão...
 
http://www.mediafire.com/?9om2kbcrw2sp5u5

01 E. Watson
02 Forgone
03 Burying Davy
04 I 4 U & U 4 ME
05 Row Jimmy (Grateful Dead Cover)
06 Sonnet


autor stipe07 às 19:01
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

Blouse - Blouse

Mais uma vez a dream pop choca com este satélite natural do planeta música, agora com uma banda natural de Portland, nos Estados Unidos, formada por Charlie Hilton, Patrick Adams e Jacob Portrait. O cometa chama-se Blouse  e lançaram na segunda feira, dia trinta e um de outubro, o disco homónimo através da Captured Tracks.


Este Blouse mistura muito bem a tal dream pop com o shoegaze, de forma a fazer-nos viajar por um ambiente sonoro pouco comum. Desta forma, o trio conseguiu um estilo único, sujo e que se diferencia justamente pelas distorções inesperadas. Logo a abrir, a ótima Firestarter, comandada pela voz melódica de Charlie Hilton num ambiente totalmente lo fi, introduz devidamente a sonoridade do disco ao ouvinte. Depois, em Time Travel ouve-se uma batida romântica e pouco convencional, também bem vincada em Videotapes. É uma batida que de certa forma nos eleva de uma forma leve e quase a manter-nos, ao mesmo tempo, no chão. No fundo, talvez se esteja aqui em presença de um novo estilo de música onde os instrumentos praticamente não se diferenciam uns dos outros, onde tudo nos leva a viajar num clima de verdadeiro romance, onde apenas... sonhamos. Outra faixa que destaco, mas pelo antagonismo, é Into Black, uma canção que nos transporta para outro ambiente, agora mais sombrio, como que a querer desmanchar toda a delicadeza anterior. O resto do disco comprova que tal tentativa não é definitivamente bem sucedida.

Blouse é, portanto, um disco bastante bonito e que remete com frequência para os sintetizadores dos anos oitenta, muitas vezes considerados os vilões daquele período da música pop e pós punk; Mas os Blouse conseguiram com perspicácia elucidar-nos acerca da beleza desse instrumento quando devidamente usado. As canções são quase todas misturas bem sucedidas de bandas como os Blondie, Beach HouseOMD e afins e servem de elo de ligação com os tempos presentes, assegurando que não pretendem ser apenas um simples devaneio saudosista. Em suma, é um disco que transporta os ouvidos do presente para um passado que foi bastante interessante, banhado em melancolia e pretensa seriedade e maturidade artísticas. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Firestarter
02. Time Travel
03. They Always Fly Away
04. Into Black
05. Videotapes
06. Controller
07. Roses
08. White
09. Ghost Dream
10. Fountain In Rewind 

Bandcamp                   Facebook


autor stipe07 às 22:09
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