Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

YACHT - Where Does The Disco? EP

Compositores, escultores, filósofos, ativistas e músicos, os YACHT (Young Americans Challenging High Technology) são um projeto concetual sedeado em Los Angeles, mas consideram Marfa, no Texas, a sua casa espiritual. No entanto, o projeto nasceu em 2002, em Portland, sendo nesta espécie de utópico triângulo das Bermudas em pleno Oeste dos Estados Unidos da América que se move um grupo que começou por servir como um veículo para Jona Bechtolt, que escreve sobre ciência, cultura e tecnologia num blogue chamado Universe, divulgar o seu trabalho em diversas áreas, qe vão da pesquisa científica à música, obviamente. Em 2008 Claire L. Evans juntou-se a Jona e já foi juntos que gravaram e publicaram em 2009  o aclamado See The Mystery Lights, na tal localidade texana chamada Marfa, ao qual se seguiu, em 2011, Shangri-la, um disco sobre a utopia, a distopia e tudo o que fica no meio. Entretanto, Bobby Birdman e Jeffrey Brodsky, amigos de Jona e Claire, já se juntaram aos YACHT, compondo a banda nas atuações ao vivo.

Com cinco discos já lançados através de editoras tão proeminentes como a DFA Records, a Marriage Records, ou a States Rights Records, onde se estrearam, os YACHT são já considerados como uma das bandas norte americanas mais criativas, principalmente por causa dos concertos, tendo já tocado em lugares tão díspares como museus, galerias de arte, barcos, casas de banho e até numa zona rural da China e das remisturas inconfundíveis, tendo já desmantelado canções de Snoop Dogg, Kings of Leon, Phoenix, Neon Indian, Stereolab, RATATAT, Classixx e muitos outros.

Um Ep com quatro temas chamado Where Does The Disco? é a mais recente novidades dos YACHT, com a última canção do alinhamento a ser uma remistura da autoria de Jerome LOL do tema homónimo, que fala sobre o amor e os CDs (Compact Disc). Assente numa batida retro sintetizada, com efeitos que disparam em diferentes direções e com um timbre sintético na voz que lhe dá uma toada que tem tanto de sexy como de robótico, Where Does The Disco? parece ser a banda sonora perfeita para uma odisseia espacial, congeminada algures no início da década de oitenta e do período aúreo do disco sound. A viagem interestelar continua em Works Like Magic, que avança agora cerca de duas décadas, até aquele período em que no início deste século, em Nova Iorque, as guitarras e o baixo começaram a dar as mãos aos sintetizadores e à eletrónica e a invadir as pistas de dança do mundo inteiro. O tema fala do fascínio que a tecnologia e a realidade virtual provocam no ser humano e como existe uma ligação estreita entre  sexo e a tecnologia; We argue that sex and technology coexist in our present: we touch, we push buttons, we seek intimacy in screens. When we connect, it works like magic, afirmou recentemente Jona sobre o tema.

Terminal Beach é uma canção diferente das antecessoras. Mantêm-se os flashes de efeitos vários, mas aqui é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas, uma melodia orelhuda, uma bateria bem marcada e uma postura vocal a fazer recordar divas dos anos setenta como Blondie ou Debbie Harry. O resultado final é um verdadeiro e imenso hino indie rock.

Quanto à remistura do tema homónimo do disco da autoria de Jerome Lol, o autor confere um ambiente mais negro e místico ao tema, quando amplia a percussão, dando-lhe uma tonalidade algo grave, acentuada por alguns elementos novos como o som de xilofones e da bateria.

Neste EP os YACHT continuam a dar vida à fusão única que alimentam entre o talento musical que possuem e o mundo tecnológico, propondo mais um punhado de canções que exploram a eletrónica e o indie rock de modo a serem simultaneamente abrangentes, versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Where Does The Disco? está disponivel atualmente apenas no formato digital, através da Downtown Records, mas haverá uma edição especial física, à venda durante a próxima digressão da banda que se irá chamar Where Does This Disco? Tour. Confere...

Where Does This Disco

Works Like Magic

Terminal Beach

Where Does This Disco (Jerome LOL Remix)


autor stipe07 às 22:06
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Sábado, 11 de Outubro de 2014

Bike Thief – Stuck In A Dream

Oriundos de Portland, no Oregon, os Bike Thief são Febian Perez, Greg Allen, Patrick White, Steve Skolnik e Thomas Paluck, uma daquelas típicas bandas indie que gostam de se mover por vários terrenos sonoros, fazendo-o com um equilibrio tal que evitam ao máximo decalcar apenas um espetro sonoro, para que a monotonia não se instale e um desses territórios não acabe por se tornar movediço, sugando a banda para um marasmo de onde dificilmente se encontra a saída. Assim, eles percorrem de forma inteligente estilos musicais tão variados como a indie pop, o rock progressivo e até a folk. Além da guitarra, da bateria e do baixo, também usam sintetizadores e instrumentos peculiares como o xilofone e o violino, ou seja, apostam numa conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, o que resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, em canções carregadas de letras que andam quase sempre à volta de histórias sobre personagens peculiares e do universo fantástico, escritas por Febian Perez, dono de uma magnífica voz e aparentemente o lider da trupe.

Stuck In A Dream é um disco recheado de intensidade e de boas canções, com Ghosts Of Providence e Kiss The Light a serem bons exemplos da exuberância e do ritmo forte e alegre que os Bike Thief gostam de imprimir à sua música, sem que isso descure uma atmosfera bastante sentimental e até algo dramática. Se a folk parece querer dominar incialmente temas como We Once Knew Ya, a já referida Kiss The Light ou The Burning Past, neles o violino é rapidamente acompanhado por outros arranjos sintetizados e distorções que engrandecem essas canções e dão-lhes o tal clima de diversidade que os Bike Thief tanto apreciam. Mesmo em Violet Waves e Shimmer, duas canções que abordam essencialmente o indie rock, os Bike Thief fazem-no de formas distintas, com a primeira a ser objeto de um modo luminoso e ligeiro e a segunda a chamar a si um ambiente mais punk e sombrio, com uma abordagem ao rock de um modo mais progressivo e até psicadélico. Esta atmosfera acaba por se alastrar ate ao final, sendo a grande força motriz da magnificiência que percorre os mais de dez minutos do tema homónimo do disco, uma espécie de climax de todo o alinhamento, a bohemian rapsody dos Bike Thief que funciona como se fosse o olho de um furacão para onde convergem todos os temas escutados anteriormente.

Stuck In A Dream é, no fundo, um compêndio de art rock, um disco eloquente, cheio de vida e inspirador para quem gosta daquele rock feito de ambientes sonoros preenchidos e particularmente exóticos. Como podes verfificar abaixo, o disco está disponível no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente. Espero que aprecies a sugestão...

Bike Thief - Stuck In A Dream

01. A Breath
02. Ghosts Of Providence
03. Kiss The Light
04. We Once Knew Ya
05. Somewhere New
06. The Burning Past
07. Violet Waves
08. Tide Of Reason
09. Shimmer
10. Stuck In A Dream



autor stipe07 às 15:24
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Sábado, 6 de Setembro de 2014

Dana Buoy - Preacher EP

9Dana Buoy - "Everywhere" (Fleetwood Mac Cover)

Baterista dos Akron/Family Dana Janssen é também Dana Buoy, o nome artístico através do qual publica a sua própria música. O seu mais recente registo discográfico chama-se Preacher, uma coleção de cinco canções, onde se inclui uma cover de Everywhere, um clássico dos Fleetwood Mac, que faz parte do alinhamento de Tango In The Night, o disco que essa banda editou em mil novecentos e oitenta e sete.

Preacher assenta no clássico indie rock contemporâneo feito com encantadores teclados, uma percurssão geralmente subtil, mas transversal ao EP e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar, assim como arranjos que muitas vezes incluem sons orgânicos e da natureza e um jogo de vozes quente e intimista.

Os pássaros que chilream no início de Isla Mujeres são apenas um pequeno detalhe, mas define com um certo charme a elevada bitola qualitativa de cinco canções que, apesar do pendor épico e festivo, não transpiram pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica.

Um dos destaques deste trabalho é, quanto a mim, It's Alright, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e um sintetizador que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade da voz. Já Let's Star A War destaca-se pelos pequenos toques no tambor e um teclado profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.

Dana Buoy deitou-se numa nuvem feita com a melhor synthpop atual e operou um pequeno milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada, sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Em suma, Preacher é um belíssimo EP, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 16:04
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Mimicking Birds – Eons

Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel são o trio que constitui os Mimicking Birds, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, que acaba de surpreender com Eons, um traablho editado no passado da treze de maio através da Glacial Pace Records, estando o single Bloodlines disponivel para download gratuíto.

A introdução de Eons, com o efeito da guitarra e a batida de Memorabilia e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Acting Your Age e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muto bem interpretar, na senda de nomes como os Phosphorescent, os Wilco, os The War On Drugs ou os Lambchop, bandas que sabem hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Eons é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem mais expansivo e épico que o antecessor homónimo, que tinha uma elevada componente lo fi.

Um dos aspetos mais interessantes de Eons é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração, com o baixo e a percussão a serem, talvez, o elemento estruturalmente dominante da esmagadora maioria das canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em Night Light e no rock de Spent Winter à abordagem mais eletrónica de Water Under Burned Bridges, ou da mais ambiental Seeing Eye Dog, Eons está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Bloodlines e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite

O disco termina com a belissima e catártica Moving On e nesse epílogo percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Eons

01. Memorabilia
02. Acting Your Age
03. Owl Hoots
04. Spent Winter
05. Bloodlines
06. Night Light
07. Water Under Burned Bridges
08. Wormholes
09. Seeing Eye Dog
10. Moving On

 


autor stipe07 às 22:09
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Arrange - Their Bodies In A Fog

Natural de Portland, no Oregon, Arrange é o projeto musical de Malcom Lacey, que lançou no passado dia dezoito de março, por intermédio da Orchid Tapes, Their Bodies In A Fog, um disco com onze canções disponível gratuitamente no soundcloud e no bandcamp do músico, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.


Their Bodies In A Fog é já o terceiro registo de originais que divulgo de Arrange, depois de Plantation (2011) e New Memory (2012). Em Their Bodies In A Fog, Lacey mantém a sua típica sonoridade etérea e lenta, mas também algo inquietante.

Algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, as músicas de Their Bodies In A Fog são construídas sobre camadas de guitarras e efeitos que criam exuberantes paisagens sonoras, com arranjos a recordar, a espaços, Tim Hecker, James Blake e Sigur Rós e que criam ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza.

Lacey é capaz de de criar composições que, mesmo mantendo uma bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme, algures entre climas opressivos e outros mais intemporais, mas sempre circulares e falsamente herméticos. Home é um excelente exemplo de uma canção que começa num registo quase minimal e que depois cresce até atingir um clima fortemente épico e luminoso. Além dessa canção, também a guitarra de Stranger, o piano e os sons ambiente da instrumental Heart // What If This Were It, ou o sinterizador de Dream, apenas para citar alguns bons exemplos, aliados a uma percussão cheia de variações e diferentes instrumentos, provam que cada detalhe das onze músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. Estas são canções que, com o tempo, ficam no ouvido e cada um de nós poderá interpretar pessoalmente a sonoridade da música de Arrange e o que ele pretende transmitir.

O disco ouve-se de um travo só, quase como se fosse uma grande canção. Não há nada de demasiado complicado nas letras, o que até é mais um facto que abona a favor do álbum e comprova que Lacey não anda particularmente desesperado em demonstrar que é uma espécie de génio precoce, mas apenas um artista preocupado em revelar os seus sentimentos mais comuns através da música. Seja como for, temas como o sofrimento e a solidão e o aor envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz do autor.

Mkisturado por Warren Hildebrand, Their Bodies In A Fog é mais um triunfo em toda a escala de Arrange e, sem grandes alaridos ou aspirações, outro passo seguro na carreira deste jovem e talentoso músico norte americano que, apesar da aparente fragilidade da sua produção, consegue sempre resultados magníficos.

Parece difícil acreditar que um projeto possa amadurecer e criar tanto em apenas três anos, mas felizmente existe este Arrange e a sua fórmula simples, porque não se propõe criar algo demasiado denso, mas proporcionar a audição de canções que nos ficam no ouvido, sedutoramente abertas e convidativas a audições repetidas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:38
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014

Fanno Creek – Monuments

Os Fanno Creek são Quinn Mulligan, Evan Hailstone e Dane Brist, um trio de Portland, no Oregon, que aposta numa sonoridade ligeira e tipicamente folk. Monuments é o disco de estreia deste grupo norte americano, um trabalho que viu a luz do dia em dezembro de 2013 por intermédio da Sohitek Records.

Monuments é uma coleção de doze canções feitas com uma folk muito inspirada e liderada, quase sempre, pelo belíssimo jogo de vozes entre Quinn e Evan, sem dúvida uma das mais valias dos Fanno Creek. O single On My Way é um dos grandes destaques deste trabalho, um tema que nos remete para o universo de uns Fleet Foxes, uma canção com uma belíssima harmonia repleta de elementos pop, com palmas no momento certo e as cordas, a percurssão, os metais e o orgão sintetizado a assumirem a vanguarda na composição.

Outro tema que também chama facilmente a nossa atenção é How Long, não só devido ao falsete da voz, mas também por causa da vibração da guitarra e de um baixo proeminente, que criam uma atmosfera sonora que nos remete para a década de sessenta. Mas a minha canção favorita é Trilithon, um tema que começa com uma simples guitarra e que depois se vai alicerçando numa bateria em contínuo crescimento e numa voz harmoniosa que, juntamente com o violino, confere à canção um ambiente muito nostálgico e emotivo, enquanto a banda canta I’ve seen death, and I’ve seen love, but all that I am thinking of, is dollar bills that I don’t have, it’s comfort in your clenching hands. Este é um bom exemplo de como as histórias contidas neste álbum fazem-nos sentir tudo aquilo que os Fanno Creek têm para nos contar, sobre o amor, a felicidade, o companheirismo ou simples desabafos.

Depois, ao longo do disco, além da instrumentação de base já referida, os trompetes, os metais, o violoncelo e o violino e alguns elementos sintetizados criam arranjos que enriquecem imenso Monuments e o fazem fluir para territórios que irão certamente unir todos aqueles que tanto apreciam uma folk, algures entre Neil Young e os Lumineers

É interessante ouvir Mountains e perceber que os Fanno Creek não tiveram receio de arriscar e buscaram uma simbiose de detalhes raramente ouvida nas propostas atuais. É uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e da eletrónica assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares. A banda impressiona pela simplicidade e rusticidade e demonstram que não é preciso ser demasiado extravagante e ousado para soar musicalmente bem. Têm um som honesto e despido de grandiosidade e é exatamente isso que faz deste Monuments um ótimo disco.

Uma das iniciativas mais peculiares que a banda para promover monuments foi a realização de uma espécie de caça ao tesouro; Espalharam em nove monumentos e locais emblemáticos de Portland um pacote com um exemplar de Monuments e outro material promocional, para que, quem quisesse, os procurasse, havendo algumas pistas no site oficial dos Fanno Creek. Espero que aprecies a sugestão...

Fanno Creek - Monuments

01. Overture
02. On My Way
03. Trilithon
04. How Long
05. Page
06. Bones
07. Body, Brain
08. Dead Wrong
09. Break In
10. Green Stones
11. Dream Song
12. What Am I Thinking

 


autor stipe07 às 14:02
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2013

Peter Broderick - Float

Depois de em 2012 ter lançado http://www.itstartshear.com e These Walls Of Mine, Peter Broderick, um músico norte americano de Portland e que se iniciou nos discos com Home, editado em 2008, está de regresso com Float, um álbum que viu a luz do dia a vinte e oito de Outubro, através da Erased Tapes.

Float não é propriamente um novo álbum de originais de Broderick; Este disco já foi composto há uma meia dúzia de anos, em 2006, quando Broderick tinha vinte anos e, de acordo com o próprio músico, é a concretização de um sonho porque sempre quis que estas músicas, que foram das primeiras que compôs na carreira, fossem no futuro editadas. Em pouco mais de meia hora, escutam-se dez temas com um forte ambiente clássico e ambiental, uma proposta algo diferente das anteriores, mas que justifica muito do que sonoramente Peter propôs nos seus discos, já que o piano sempre foi o insturmento predileto do seu processo de composição melódica.

Float foi criado entre quatro paredes num período em que o músico trabalhava numa pizzaria cinco dias por semana e nos seus tempos livres vivia obcecado por música, por tocar sozinho ou com amigos, assistir a concertos locais e por adquirir e colecionar a maior quantidade possível de discos. Broderick acabou por mergulhar no universo folk local e foi gastando as suas economias não só na aquisição de discos e na audição compulsiva dos mesmos, mas também na compra de instrumentos cada vez mais diversificados, ocupando a sua mente e a sua capacidade criativa na exploração dos mesmos.
Numa época em que ainda não vivia da música, Broderick acabou por criar uma colecção intimista de dez experiências vocais e líricas, que soam a um conjunto de explorações, muitas vezes lo fi, sem grandes planos ou estudos. No geral, confirma o ambiente sonoro predileto de Peter, etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:08
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Terça-feira, 24 de Setembro de 2013

Blouse - Imperium

Depois de se terem estreado em 2011 com um excelente homónimo, mas ainda algo tímido, os Blouse de Charlie Hilton, Jacob Portrait e Patrick Adams não se deixaram acomodar por esse sucesso, procuraram de algum modo reinventar-se e agora estão de regresso com Imperium, um disco editado no passado dia dezassete de setembro por intermédio da Captured Tracks e com o qual comprovam que são hoje um dos projetos a ter em muito boa conta no universo sonoro aletrnativo relacionado com a dream pop.

Curiosamente, Imperium começa exatamente onde os Blouse ficaram em Blouse; Até Capote reina a eletrónica e há uma homogeneidade sonora nos cinco temas iniciais feita com nostalgia e detalhes que são, muitas vezes, ruídos quase impercetíveis. Escutam-se nas canções uma voz amena e há um ambiente algo calmo, sombrio e letárgico e sempre constante.

A partir da segunda metade do álbum este grupo de Portland foca-se menos nas máquinas e coloca toda a sua confiança e criatividade nos instrumentos ao vivo; As guitarras expandem-se, o ruído aumenta e músicas como Arrested e Happy Days e principalmente o fantástico single No Shelter afastam definitivamente os Blouse do clima etéreo inicial e aproximam-nos de um universo mais sombrio e visceral e onde as guitarras, a percurssão e a voz sempre algo lo fi se conjugam de forma a ampliar o mais possível o potencial sonoro das canções.

Imperium é um assumir enfático por parte dos Blouse da capacidade que possuem em serem ecléticos e abordarem diferentes universos sonoros sem deixarem de ser coerentes e criativos. Experimentar, testar e misturar são verbos muito presentes no processo de composição da banda, o que acaba por fazer com que eles desbravem novos caminhos à medida que enveredam por outros, além de transbordarem um charme imenso durante este processo de descoberta. Este segundo trabalho deste trio norte americano acaba, também por isso, por criar enormes expetativas sobre os próximos discos dos Blouse. Espero que aprecies a sugestão... 

Blouse - Imperium

01. Imperium
02. Eyesight
03. 100 Years
04. In A Glass
05. Capote
06. In A Feeling Like This
07. No Shelter
08. Happy Days
09. Arrested
10. Trust Me


autor stipe07 às 19:49
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Sexta-feira, 6 de Setembro de 2013

Pure Bathing Culture - Moon Tides

Naturais de Nova Iorque mas atualmente a residir em Portland, no Oregon, os Pure Bathing Culture são uma dupla formada por Daniel Hindman e Sarah Versprille, antigos membros dos consagrados Vetiver e que começa a ser muito falada dentro do universo dream pop. Moon Tides, o disco de estreia, chegou às lojas a vinte de agosto via Memphis Industries/Partisan e a banda já divulgou dois singles, Pendulum e Dream The Dare, estando o primeiro disponível gratuitamente.


Esta dupla começou por causar furor em 2012 com um EP homónimo que desde logo chamou a atenção da crítica especializada, mas que confesso que passou despercebido por cá. Felizmente consegui escutar Moon Tides e fiquei logo convenvido sobre o enorme potencial que os Pure Bathing Culture provam ter. 

Produzido por Richard Swift, um dos principais membros dos The Shins, Moon Tides é uma viagem sonora carregada de espiritualidade e misticismo por um universo sonoro governado por uma indie pop que flutua algures entre os Beach House e os Cocteau Twins, sem desprezar a doçura que se escutava nos anos setenta por intermédio de uns tais de Fleetwood Mac.

Não é fácil destacar um tema de Moon Tides já que um dos principais aspectos do disco é a homogeneidade sonora que o sustenta; Seja como for, há que realçar a luminosidade evidente do single Pendulum, uma canção onde os acordes da guitarra e o teclado atmosférico nos fazem planar de forma quase surrealista. No entanto, Dream The Dare também nos transporta facilmente para ambientes etéreos e onde a pop dos anos oitenta dita as suas regras.

Álbum conceptual acerca da relação entre a Lua e a Terra e a influência que o nosso astro tem nas marés, Moon Tides fala muito de água, de movimento e do efeito que os elementos têm na vivência humana e nas nossas emoções, representadas pelo constante movimento da água. Aliás, de acordo com o guitarrista Daniel Hindman, a ideia de constante transformação é a mensagem que está sublimada em Moon Tides.

Moon Tides é uma das grandes surpresas deste ano, um dos mais interessantes lançamentos ds últimos tempos e um trabalho que tem tido uma excelente aceitação da crítica. Os Pure Bathing Culture não são os primeiros a apropriar-se da sonoridade pop de há trinta anos atrás, mas conseguem demarcar-se da concorrência devido ao charme e ao bom gosto que colocam na reciclagem que fazem de um género sonoro que facilmente nos emociona e nos relaxa. Se não aprecias a típica sonoridade de uns Beach House então é melhor atravessares para o outro lado da rua caso te depares com esta dupla norte americana que é capaz de muito em breve vir a competir com Victoria Legrand e Alex Scally pelo domínio da dream pop. Espero que aprecies a sugestão...

Pure Bathing Culture - Moon Tides

01. Pendulum
02. Dream The Dare
03. Ever Greener
04. Twins
05. Only Lonely Lovers
06. Scotty
07. Seven to One
08. Golden Girl
09. Temples Of The Moon


autor stipe07 às 22:34
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Terça-feira, 9 de Julho de 2013

Radiation City - Animals in the Median

Lançado pela Tender Loving Empire no passado dia vinte e um de maio, Animals in The Median é o mais recente e segundo disco dos Radiation City, uma banda norte americana natural de Portland, no Oregon e formada por Cameron Spies, Elisabeth Ellison, Randy Bemrose, Matt Rafferty e Patti King. Entretanto, o single Foreign Bodies está disponível para download na Rolling Stone. Os Radiation City surgiram em 2009 devido ao relacionamento afetivo dos dois fundadores a quem se juntaram, pouco tempo depois, um outro casal de músicos e um multi-instrumentista. The Hands That Take You, o disco de estreia, o EP Cool Nightmare que se seguiu em 2011 e os concertos de promoção desses trabalhos deram rapidamente ao grupo uma excelente reputação e fizeram com que Animals In The Median estivesse a ser aguardado com alguma expetativa.

 

Antes de mais importa referir que Animals in the Median é um daqueles discos que não podes deixar de ouvir. As doze músicas são cantadas por Cameron e Elisabeth, sempre com a companhia animada dos outros três elementos. As canções são algo sofisticadas porque têm a típica sonoridade indie pop alegre e extrovertida, apesar de falarem muito da morte (Zombies), de amores perdidos e de traições, o que lhes confere uma certa aura nostálgica. Essa espécie de viagem ao passado também é audível na nebulosa e excitante Wash of Noise, nas nuvens cinzentas de Lark e na melancolia refinada feita com sons de grilos e coaxares de sapos que se escutam em Call Me. O grupo diz que as suas canções falam de corações que não perdem a esperança em dias melhores num mundo cada vez mais perigoso.
Há um apreciável ritmo em muitas canções, com influências da própria bossa nova e alguns tiques e lampejos típicos da eletrónica. Parece-me bastante plausível que os Radiation City ouçam alguns ícones da música brasileira como João Gilberto e Tom Jobim, assim como os Beatles na sua fase mais psicadélica (Buckminsterfullerene), apesar de citarem Dusty Springfield e até os The Flaming Lips e os Stereolab como influências declaradas. Acaba por ser interessante escutar o disco e apreender os diferentes universos sonoros que as canções procuram replicar, ouvir tudo isso em conjunto e assim, perceber o processo de criação dos Radiation City, que escreveram e arranjaram todas as canções em conjunto, durante um ano, entre Washington e Portland.
Animals In The Median impressiona pela excelência alcançada tanto lirica como instrumentalmente e melhora a cada audição. É um disco muito pouco convencional, leve, ideal para esta altura do ano, que flui naturalmente e permanece facilmente na nossa mente durante um longo período de tempo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Zombies
02. So Long
03. Wash Of Noise
04. Food
05. Foreign Bodies
06. Wary Eyes
07. LA Beach
08. Entropia
09. Buckminsterfullerene
10. Summer Rain
11. Lark
12. Call Me


autor stipe07 às 13:09
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