Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

STRFKR – Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Agora, alguns meses depois, o quarteto regressa à carga com uma série de compilações, das quais já se conhecem dois tomos, num total previsto de três. Refiro-me às Vault Vol., volumes de canções que nunca foram editadas pelos STRFKR, autênticas raridades, muitas delas salvas do primeiro computador pessoal já moribundo de Josh Hodges e que nunca foram escutadas por ninguém exterior ao círculo mais íntimo do grupo.

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Estas duas compilações já divulgadas dos STRFKR têm como maior atributo a possibilidade de nos permitir um olhar bastante impressivo e esclarecedor para o outro lado da cortina, acerca do processo criativo de Hodges, enquanto compositor, ele que é a grande força motriz da banda. A partir daí, desde instantes que são apenas e só esparsos devaneios experimentais, até algumas composições que poderiam muito bem ter figurado num álbum dos STRFKR, é diverso e múltiplo o calibre qualitativo do material sonoro disponibilizado.

Não existe grande diferença estilística e conceptual entre os dois volumes já disponibilizados, o que justifica, por si só, a análise de ambos em simultâneo. E neste emaranhado de registos, muitos deles com menos de um minuto e com o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica, já que, objetivamente, alguns eram momentos de experimentação, libertação, ou de teste, quer melódico quer instrumental, não deixam de existir aqui algumas canções que merecem destaque. Assim, se os quarenta e quatro segundos bastante harmoniosos de Wasting Away ou os teclados planantes e a batida luminosa de Beat 8 têm potencial para servirem de suporte a uma canção mais longa, o indie rock lo fi e a atmosfera retro de Downer, assim como o cariz acessível, pop e radiante de Stoned 2 e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Sound Track, merecem destaque e ruidosa exaltação dentro de todo este agregado que irá, certamente, deixar inebriados os seguidores mais acérrimos dos STRFKR.

Enquanto não chega o terceiro capítulo desta curiosa saga, Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2 são suficientes para nos transportar para uma dimensão paralela, até porque os STRFKR gostam de nos levar até onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Vault Vol. 1

01. Long Time
02. Eyes In The Back Of Your Head
03. Just Like You
04. Basically
05. Prrrty
06. Keeps Us Together
07. Baby
08. Benine Redux
09. Make Into Something Nice
10. Only Humans
11. Anything At All
12. Rachel
13. Oh Darling
14. I Wanna Hear About That
15. Daylight
16. Boogie Woogie
17. Goofy Shit
18. Flyer
19. So Sexy
20. Gerl

STRFKR - Vault Vol. 2

01. Happy Summertime
02. Hanna
03. Fuck Off
04. Downer
05. Beginner Space
06. Late Again
07. Stoned
08. Queer Bot
09. Sound Track
10. Listen
11. Wasting Away
12. Waiting
13. Best I Ever Had
14. Snow Tires
15. Missing You
16. Laa Loo
17. Pine Tree Smell
18. Jesus Christ Baby
19. Intro Sexton
20. Whateverer
21. Beat 4
22. Beat 8
23. Purple and Black
24. Be Leave
25. Marionette


autor stipe07 às 17:35
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Terça-feira, 18 de Julho de 2017

Portugal. The Man – Woodstock

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley estão de regresso aos discos com Woodstock, um álbum que sucede ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo, juntamente com Mac Miller e John Hill. Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man mostram, assim, o oitavo registo de originais da carreira, um álbum baptizado quando o pai de John Gourley encontrou o bilhete que usou no primeiro dia do mítico festival Woodstock e o ofereceu ao filho. Aliás, o disco inicia com Number One, uma canção que homenageia o evento por usar samples de Freedom, o último tema que o falecido cantor Richie Havens tocou no concerto que deu nesse Woodstock.

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Ecletismo e abrangência são duas ideias chave de quase quarenta minutos de rock alternativo, um alinhamento que justifica a sua contemporaneidade pelo modo como abraça esse rock ao hip-hop, ao jazz, ao R&B e à eletrónica, com criatividade e uma salutar dose de experimentalismo. Se em Evil Friends o grupo optou por um maior conservadorismo e por deixar de lado a vertente mais experimental para se concentrar num emaranhado de canções pop, agora, no alinhamento de Woodstock, temos momentos em que muitas vezes duvidamos se o tema que inicia pertence ao mesmo álbum e banda da canção anterior. Bom exemplo disso é como o grupo passa do rock épico e algo sombrio de Live In The Moment para o funk do baixo e o clima psicadélico de Feel It Still, composição que faz-nos querer instantaneamente cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. E depois, do piscar do olhos virulento ao R&B em So Young, ao hip-hop em Mr. Lonely, tema onde intervém Fat Lip dos The Pharcyde e à pop de cariz mais lisérgico e experimental de Tidal Wave e, principalmente, na indulgência ambiental de Noise Pollution, tudo assenta, basicamente, em permissas que obedecem a um alinhamento instrumental preciso, mas também a um completo desapego relativamente a tudo o que a banda propôs anteriormente, numa espécie de manta de retalhos minuciosamente arquitetada e que não deixa também de demonstrar com precisão, a opção, em determinados períodos, por sonoridades mais fáceis, comerciais e acessíveis ao grande público. Espero que aprecies a sugestão...

Portugal. The Man - Woodstock

01. Number One (Feat. Richie Havens And Son Little)
02. Easy Tiger
03. Live In The Moment
04. Feel It Still
05. Rich Friends
06. Keep On
07. So Young
08. Mr Lonely (Feat. Fat Lip)
09. Tidal Wave
10. Noise Pollution (Feat. Mary Elizabeth Winstead And Zoe Manville) [Version A, Vocal Up Mix 1.3]


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

!!! - Shake The Shudder

Lançado no passado dia dezanove através da Warp Records, Shake The Shudder é o novo tomo discográfico dos norte-americanos !!! (Chk Chk Chk), um coletivo liderado por Nick Offer, ao qual se juntam atualmente Mario Andreoni, Dan Gorman, Paul Quattrone e Rafael Cohen. Este é o sétimo disco da carreira de um dos nomes fundamentais do punk rock do novo milénio e talvez um dos melhores trabalhos da carreira deste grupo já com duas décadas de vida, formado em 1995 das cinzas dos míticos  Black Liquorice e dos Popesmashers.

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Salvo algumas excepções de nomeada, nomeadamente nomes como os LCD Soundsystem, The Juan Maclean, os The Rapture ou os próprios Thee Oh Sees, o espetro sonoro em que os !!! (Chk Chk Chk) se movimentam ganhou um fôlego enorme no início deste século, mas tem vindo a perder terreno no seio do rock alternativo. É um receituário que serve-se, geralmente, de linhas de baixo encorpadas, riffs de guitarra pulsantes e batidas muitas vezes sintetizadas com o intuíto de fazer dançar todos aqueles que gostam de abanar a anca mas deprezam terrenos sonoros como o house, o discosound e afins. Hoje em dia, além do anunciado regresso da banda de James Murphy aos discos e da manutenção da pujança do coletivo liderado por John Dwyer, os !!! (Chk Chk Chk) serão talvez o projeto que ainda se consegue manter nas luzes da ribalta e assumir um protagonismo na defesa dos interesses de uma sonoridade que, sendo bem burilada é, sem dúvida, uma das mais atrativas no universo do rock.

A miscelânea assertiva entre rock e eletrónica que os !!! (Chk Chk Chk) nos oferecem neste Shake The Shudder, fica plasmada logo desde o início. Se o ligeiro travo R&B de The One2 é uma daquelas típicas canções de início de festa, com o falsete vocal e a batida seca a puxarem-nos sedutoramente para debaixo da bola de espelhos, depois o domínio do rock faz-se sentir em Dancing Is The Best Revenge, tema onde sobressai um aditivo refrão e que é conduzido por uma simples linha de baixo, acompanhada por uma bateria enleante e guitarras insinuantes, com a eletrónica a tomar as rédeas de NRGQ, canção adornada por guitarras de inspiração oitocentista e onde a voz de Lea Lea aprimora o travo vintage de um tema onde cabedal e lantejoulas se misturam sem pudor. E, logo nesse arranque ficam desfeitas todas as dúvidas sobre a boa forma dos !!! (Chk Chk Chk) e o modo como ainda nos fazem dançar e vibrar com ímpeto, quase até à exaustão, além de serem canções que plasmam o enorme talento de Nick Offer, quer como escritor quer como compositor e, principalmente, como agitador.

A partir daí, no sintético groove negro de Things Get Hard, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som dos !!! (Chk Chk Chk) no pós punk de Throw Yourself In The River e no modo inédito como o trombone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta R Rated Pictures, espraia-se nos nossos ouvidos e vibra de alto a baixo um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco mais ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:40
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Segunda-feira, 6 de Março de 2017

Portugal. The Man – Feel It Still

Portugal. The Man - Feel It Still

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley preparam-se para regressar aos discos em 2017 com Gloomin + Doomin, um álbum que irá suceder ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo e Mac Miller.

Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man vão, assim, para o oitavo registo de originais da carreira e pela amostra recentemente divulgada, o single Feel It Still, o seu alinhamento comprovará, mais uma vez, porque são considerados unanimemente um nome relevante no universo alternativo, justificada por uma permanente toada experimental e ausência de linearidade instrumental nos seus sucessivos lançamentos. O funk do baixo e o clima psicadélico deste single, fazem-nos querer instantaneamente pegar nele e cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. Confere...


autor stipe07 às 17:29
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

STRFKR – Being No One, Going Nowhere

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris.

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Com Interspace a dividir o alinhamento do disco em dois momentos distintos, Being No One, Going Nowhere foi produzido pelo próprio Josh hodges, o carismático líder do grupo e configura numa espécie de álbum concetual que, lirica e sentimentalmente, se debruça sobre os dois aspetos temáticos que trilham o seu título. Assim, se as primeiras cinco canções se debruçam, basicamente, sobre a perca e a deriva quando se vive uma vida inócua e sem objetivos, a partir de In The End os STRFKR procuram dar pistas e traçar um roteiro para uma vida mais feliz, apontando algumas consequências nefastas no eu de cada ouvinte caso a teimosia ou a cobardia continuem a vencer os conflitos interiores. Esta In The End é mesmo uma canção essencial para o entendimento cabal deste ideário, porque nela Hodges expôe com brilhantismo tudo aquilo que sentiu quando se isolou para compôr o disco (Stranger light; on the highway; golden; hours; hover and retreat. She said I want someone I can grow into).

A pop sintética dos anos oitenta do século passado e alguns dos detalhes mais relevantes da eletrónica de igual período, marcam musicalmente este disco coeso, com instantes mais animados e divertidos e outros onde a melancolia impera. Impregnado, como é natural tendo em conta a filosofia do seu alinhamento, com letras de forte cariz introspetivo, tem um resultado final algo hipnótico, muito também por causa do realismo da atmosfera que se cria, apesar dos filmes de ficção e o espaço aparecerem, constantemente, no perfil estilístico do trabalho, começando, desde logo, pelo artwork do mesmo. Assim, de Being No One, Going Nowhere importa apreciar cuidadosamente a forte cadência do baixo que conduz Satellite, o cariz acessível, pop e radiante do single Never Ever, um tema que fica marcado na mente com enorme fluidez e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Something Ain't Right, uma das melhores canções do disco.

Tratado musical leve e cuidado e que encanta, ao mesmo tempo que abarca um conteúdo grandioso e repleto de experimentações que interagem com a pop convencional, Being no One, Going Nowhere transporta-nos para uma dimensão paralela, onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Being No One, Going Nowhere

01. Tape Machine
02. Satellite
03. Never Ever
04. Something Ain’t Right
05. Open Your Eyes
06. Interspace
07. In The End
08. Maps
09. When I’m With You
10. Dark Days
11. Being No One, Going Nowhere


autor stipe07 às 17:50
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

The High Violets – Heroes And Halos

Oriundos de Portland, no Oregon e nascidos das cinzas dos míticos The Bella Low, os norte americanos The High Violets são um quarteto formado por Clint Sargent, Kaitlyn ni Donovan, Luke Strahota e Colin Sheridan. Editaram já este ano Heroes And Halos, o quinto registo do grupo, uma coleção de dez canções que da pop ao shoegaze, passando pelo rock experimental, viram a luz do dia à boleia da Saint Marie Records.

É num indisfarçável cruzamento explícito entre esplendor, majestosidade, epicidade e intimidade que deambulam as guitarras planantes de How I Love (Everything About You), canção que abre o alinhamento de Heroes And Halos e nos coloca frente a frente com um rock adocicado, intenso e convidativo, uma sonoridade que tanto cabe na amplitude de um estádio imenso como, em simultâneo, e se percebe nas cordas de Dum Dum, serve para uma introspeção serena, com Long Last Night a ser uma daquelas canções que crescem em arrojo e emoção, mostrando-se desafiante no modo como nos envolve.

Depois, o groove algo sinistro de Longitude, o beijo intenso que nos é proporcionado por Ease On e finalmente, no epílogo, a crueza acústica orgânica mas sentida de Heart In Our Throats, atestam o elevado grau de assertividade melódica e instrumental de uma banda intensa e que compôe música de forte cariz sensorial, já que sabe carregar nos botões certos das nossas emoções, oferecendo-nos um disco perfeito para ser escutado naquelas manhãs difíceis, em que a noite foi longa e agitada, mas onde existe um sopro que nos permite voltar a respirar com o ritmo e a cadência certas, para ser possível olhar o novo dia com uma renovada pujança e a certeza de que os mesmos podem ser sempre cada vez melhores. Espero que aprecies a sugestão...

The High Violets - Heroes And Halos

01. How I Love (Everything About You)
02. Dum Dum
03. Long Last Night
04. Break A Heart
05. Bells
06. Heroes And Halos
07. Longitude
08. Ease On
09. Comfort In Light
10. Hearts In Our Throats

 


autor stipe07 às 21:50
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2015

Cemeteries – Barrow

Lançado no passado dia vinte e oito de julho pelo consórcio Track and Field / Snowbeast Records, Barrow é o segundo disco do cardápio sonoro de Cemeteries, um projeto liderado por Kyle J. Reigle. Falo-vos de um músico norte americano natural de Buffalo, nos arredores de Nova Iorque, mas a viver atualmente em Portland e ao qual se juntam, nas atuações ao vivo, Jonathan Ioviero e Kate Davis.

Barrow é reflexo não só da referida mudança recente na vida pessoal do artista, a passagem de uma grande metrópole da costa leste para as montanhas do Oregon, mas também um reviver de memórias antigas relacionadas com verões felizes que Kyle passou junto a um lago próximo do local onde residia à época, mas também uma forma que encontrou de demonstrar o seu fascínio por The Fog, um clássico do cinema da autoria de John Carpenter.

O mar sempre foi sinónimo de imensidão, poder, vida e grandiosidade e começar e terminar um disco com o conteúdo de Borrow com o som do contacto de um imenso oceano com a costa é uma forma perfeita de balizar nove canções ousadas no modo como conjugam texturas claramente etéreas com belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes, uma receita que resultou em doces melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos.

O piano parece ser o aliado de eleição de Cemeteries quando se trata de criar a base melódica das suas canções e o single Luna (Moon Of Claiming) é uma demonstração clara do modo assertivo como Kyle usa as teclas para emocionar. Mas já antes, em Nightjar e pouco depois, em Cicada Howl, quando um apenas aparente minimalismo tornou-se na principal arma de arremesso do músico nessas duas canções, na demanda a que se propôs de nos obrigar a acusar o toque do seu ambiente sonoro no recanto mais escondido do nosso peito, foi óbvio que o simples toque na tecla certa e no instante oportuno, conjugado com arranjos felizes na forma como fazem vibrar o coração mais empedrenido, tornou-se suficiente para nos oferecer uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto à sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi que carateriza o conteudo de Barrow. Esta evidência desarma completamente Cemeteries e além de embrulhar o seu mentor numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, despe-o de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que o poderia envolver, para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que o carateriza e que justifica, plenamente, a obtenção plena do referencial temático acima descrito que caraterizou a conceção deste seu segundo trabalho.

Na verdade, algo que impressiona claramente em Barrow é o modo como as canções seguem a sua dinâmica natural e mesmo assumindo aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, não deixam de, em alguns instantes, de se assumir como defensoras de um álbum implicitamente rock, onde até não faltam alguns instantes esculpidos com cordas ligas à eletricidade. Mas, como se percebe, por exemplo, em I Will Run From You, apesar da distorção das cordas, o que domina claramente neste alinhamento são canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Seja como for, há também que aludir à importância da percussão como elemento igualmente preponderante na música de Cemeteries, principalmente quando se alia às cordas para ditar as regras no andamento de uma canção. Se a grandiosidade de Sodus depende quase única e exclusivamente das mudanças rítmicas da bateria e do encadeamento feliz que a guitarra traça com as baquetas e os tambores, já as batidas sintéticas de Empty Camps acomodam uma espécie de euforia apoteótica, que não se vê, mas que ecoa ao longo da canção, como um manto que a cobre, mesmo que de forma quase inaudível, numa espécie de silêncio que, ao contrário da maior parte dos silêncios, é um silêncio que se escuta e que sem esse pulsar rítmico não existiria.

Barrow é um notório marco de experimentação, terra firme onde nos podemos acomodar e contemplar um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a vastidão imensa e simultaneamente diversificada das paisagens que Reigle pretendeu recriar e que submergem à boleia de uma fórmula inventada para temporizar, adicionar e remover diferentes tipos de sons e, como se as canções fossem um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários detalhes sonoros, peças sonoras sólidas particularmente ousadas e inebriantes. Espero que aprecies a sugestão...

Cemeteries - Barrow

01. Procession
02. Nightjar
03. Luna (Moon Of Claiming)
04. Can You Hear Them Sing?
05. Cicada Howl
06. I Will Run From You
07. Empty Camps
08. Sodus
09. Our False Fire On Shore


autor stipe07 às 15:14
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

My Morning Jacket – The Waterfall

Os norte americanos My Morning Jacket de Jim James já têm sucessor para o aclamado Circuital (2011) e regressaram aos discos a quatro de maio com The Waterfall, um trabalho produzido novamente por Tucker Martine (The Decemberists, Modest Mouse, Neko Case). Gravado maioritariamente em Stinson Beach, na Califórnia, mas também noutros locais como Portland ou a cidade natal da banda e com a luz do dia a ser possível com a chancela da insuspeita ATO Records, em parceria com a Capitol Records, The Waterfall é mais um marco obrigatório na carreira desta banda já veterana mas ainda fundamental no universo sonoro norte americano.

Os My Morning Jacket sempre impressionaram pela amplitude e grandiosidade do seu som e a camada sonora conduzida por teclas de Believe (Nobody Knows) é um notável resguardo que emoldura e carimba com precisão essa herança, não defraudando, logo à partida, os mais fiéis seguidores da banda. Sempre com a cartilha fundamental da melhor folk debaixo do braço e de mente aberta para se irem adaptando às novas tendências, estes já veteranos do indie rock demonstram em 2015 e à boleia desse tema que querem a continuar a ser uma referência e que o cérebro de Jim James se mantém particularmente inventivo e refrescante.

Além deste clássico indie rock orquestral do tema de abertura, há outros géneros sonoros que são bastante caros a estes My Morning Jacket e que demonstram neste disco manter-se intocável a vontade e a capacidade criativa deste quinteto de Louisville, no Kentucky, para a renovação constante do seu ambiente particular, sem colocar em causa as permissas essenciais que identificam e tipificam o seu som específico. Por um lado, há a soul que se mostra inebriante nas guitarras de Compound Fracture e algo smbria na balada Only Memories Remain, mas também essa folk que lhes é tão querida, acústica introspetiva e pastoral em Like A River e a piscar o olho ao tipico blues sulista em Get The Point. Na verdade, quer a soul quer a folk são por aqui os subgéneros dominantes; Acabam por balizar os opostos em que os My Morning Jacket se movem e revelam-nos que The Waterfall jorra perante os nossos ouvidos uma verdadeira jornada sentimental e realística pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que encarna atualmente um desejo claro de renovação, explorando habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão de vários elementos de uma forma direta, mas também densa, sombria e marcadamente experimental. A própria psicadelia também faz a sua aparição e até com um certo esplendor, quer em Big Decisions e na pop setentista e lisérgica de Thin Line, mas também em Spring (Among The Living), canção onde o esplendor das cordas distorcidas e os arranjos de percussão inéditos e outros recursos sonoros de cariz orquestral, exprimem um renovado olhar no modo como a banda reflete as tendências atuais mais bem aceites pelo público.

Impecavelmente produzido, particularmente inspirado e situado num elevado nível qualitativo no que concerne à visão caleidoscópica que plasma em relação ao indie rock atual, The Waterfall é rico não só porque não receia abusar dos detalhes que salvaguardam alguns dos melhores aspetos da herança sonora do grupo que concebeu este disco, mas também porque se mostra poderoso no modo como cruza diversos espetros sonoros com impressionante bom gosto e segurança. Percebe-se claramente que os My Morning Jacket apreciam navegar em águas turvas, fazendo-o com impressionante mestria e que se sentem confortáveis ao deixar-se embrenhar num certo caos, sempre controlado e claramente ponderado, rico, exuberante, oferecendo-nos assim canções que borbulham um forte sinal de esperança e de renascimento, sementes que vão provavelmente conquistar para o grupo novos públicos. Espero que aprecies a sugestão...

My Morning Jacket - The Waterfall

01. Believe (Nobody Knows)
02. Compound Fracture
03. Like A River
04. In Its Infancy (The Waterfall)
05. Get The Point
06. Spring (Among The Living)
07. Thin Line
08. Big Decisions
09. Tropics (Erase Traces)
10. Only Memories Remain


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2015

Peter Broderick - Colours Of The Night

Gravado em Lucerna, na Suiça e editado pela Bella Union a vinte e sete de abril, Colours Of The Night é o novo trabalho discográfico de Peter Broderick, um músico norte americano, natural de Portland e que nos oferece mais dez canções que são uma colecção intimista de experiências vocais e líricas, que confirmam o ambiente sonoro predileto do autor.

Etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente, Colours Of The Night é aquele disco que faltava ao lado da tua mesa de cabeceira, mesmo junto do mais recente best seller do teu escritor preferido. Com a participação especial de alguns músicos suiços com quem dividiu belíssimos instantes sonoros espontâneos e com canções como Red Heart ou o tema homónimo que nos mergulham num universo acústico folk particularmente emotivo e profundo, muito do agrado deste músico, Colours Of The Night materializa o período mais fulgurante e expressivo da carreira do autor, que neste álbum sonoramente amplia as suas experiências e as suas virtudes, quer vocais quer experimentais, servindo-se smepre do piano como a arma de arrmesso primordial e o grande trunfo do processo de composição, mas dando também luz verde para que as cordas também tenham o protagonismo devido.

É claramente percetível como ao longo do álbum Broderick transpira confiança e como esta simbiose com músicos com os quais nunca tinha trabalhado resultou na perfeição. A guitarra delicada e as harmonias frágeis da já citada Red Heart, apresentam-nos essa colaboração estreita e alicerçam as fundações de uma plenitude sonora que será transversal a todo o alinhamento, que mesmo o modo pouco ortodoxo como The Reconnection sustenta o seu ritmo ou a postura vocal em If I Sinned, dois dos momentos mais curiosos de Colours Of The Night, não colocam em causa. Já os belos arranjos, as subtis mudanças de ritmo e a delicadeza pueril de Our Best, a toada afrobeat de One Way e os ecos de One Time, entram diretamente para a lista dos melhores instantes sonoros com a chancela de Broderick.

Colours Of the Night promete uma noite relaxada a tranquila. Adormecer a meio da sua adição acaba por ser uma benesse já que até ao ocaso usufruimos de uma banda sonora excelente para conduzir a nossa mente até ao mundo dos nossos sonhos mais desejados, prometendo uma noite repleta de emoções agradáveis, à boleia de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente. Espero que aprecies a sugestão...

Peter Broderick - Colours Of The Night

01. Red Earth
02. The Reconnection
03. Colours Of The Night
04. Get On With Your Life
05. If I Sinned
06. Our Best
07. One Way
08. On Time
09. More And More
10. Rotebode


autor stipe07 às 21:32
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Sábado, 4 de Abril de 2015

Peter Broderick – X Luzern

É já a vinte e sete de abril que chega aos escaparates Colours Of The Nighto novo trabalho discográfico de Peter Broderick, um disco que vai ver a luz do dia através da Bella Union e que contém dez canções que certamente irão ser mais uma colecção intimista de experiências vocais e líricas e que confirmarão o ambiente sonoro predileto de Peter, etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente.

Em jeito de antecipação, Broderick acaba de divulgar um single com duas canções intitulado X Luzern e que resulta de um projeto desenvolvido pela cidade suiça citada no título, que uma vez por mês divulga gravações de bandas e artistas que atuam no local. Os dois temas incluidos no lançamento, Rainy Day e A Peace I Aim to Make, mergulham-nos num universo acústico folk particularmente emotivo e profundo, muito do agrado deste músico norte americano natural de Portland. Confere...

Peter Broderick - X Luzern

01. Rainy Day
02. A Peace I Aim To Make


autor stipe07 às 14:54
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