Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

My Morning Jacket – The Waterfall

Os norte americanos My Morning Jacket de Jim James já têm sucessor para o aclamado Circuital (2011) e regressaram aos discos a quatro de maio com The Waterfall, um trabalho produzido novamente por Tucker Martine (The Decemberists, Modest Mouse, Neko Case). Gravado maioritariamente em Stinson Beach, na Califórnia, mas também noutros locais como Portland ou a cidade natal da banda e com a luz do dia a ser possível com a chancela da insuspeita ATO Records, em parceria com a Capitol Records, The Waterfall é mais um marco obrigatório na carreira desta banda já veterana mas ainda fundamental no universo sonoro norte americano.

Os My Morning Jacket sempre impressionaram pela amplitude e grandiosidade do seu som e a camada sonora conduzida por teclas de Believe (Nobody Knows) é um notável resguardo que emoldura e carimba com precisão essa herança, não defraudando, logo à partida, os mais fiéis seguidores da banda. Sempre com a cartilha fundamental da melhor folk debaixo do braço e de mente aberta para se irem adaptando às novas tendências, estes já veteranos do indie rock demonstram em 2015 e à boleia desse tema que querem a continuar a ser uma referência e que o cérebro de Jim James se mantém particularmente inventivo e refrescante.

Além deste clássico indie rock orquestral do tema de abertura, há outros géneros sonoros que são bastante caros a estes My Morning Jacket e que demonstram neste disco manter-se intocável a vontade e a capacidade criativa deste quinteto de Louisville, no Kentucky, para a renovação constante do seu ambiente particular, sem colocar em causa as permissas essenciais que identificam e tipificam o seu som específico. Por um lado, há a soul que se mostra inebriante nas guitarras de Compound Fracture e algo smbria na balada Only Memories Remain, mas também essa folk que lhes é tão querida, acústica introspetiva e pastoral em Like A River e a piscar o olho ao tipico blues sulista em Get The Point. Na verdade, quer a soul quer a folk são por aqui os subgéneros dominantes; Acabam por balizar os opostos em que os My Morning Jacket se movem e revelam-nos que The Waterfall jorra perante os nossos ouvidos uma verdadeira jornada sentimental e realística pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que encarna atualmente um desejo claro de renovação, explorando habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão de vários elementos de uma forma direta, mas também densa, sombria e marcadamente experimental. A própria psicadelia também faz a sua aparição e até com um certo esplendor, quer em Big Decisions e na pop setentista e lisérgica de Thin Line, mas também em Spring (Among The Living), canção onde o esplendor das cordas distorcidas e os arranjos de percussão inéditos e outros recursos sonoros de cariz orquestral, exprimem um renovado olhar no modo como a banda reflete as tendências atuais mais bem aceites pelo público.

Impecavelmente produzido, particularmente inspirado e situado num elevado nível qualitativo no que concerne à visão caleidoscópica que plasma em relação ao indie rock atual, The Waterfall é rico não só porque não receia abusar dos detalhes que salvaguardam alguns dos melhores aspetos da herança sonora do grupo que concebeu este disco, mas também porque se mostra poderoso no modo como cruza diversos espetros sonoros com impressionante bom gosto e segurança. Percebe-se claramente que os My Morning Jacket apreciam navegar em águas turvas, fazendo-o com impressionante mestria e que se sentem confortáveis ao deixar-se embrenhar num certo caos, sempre controlado e claramente ponderado, rico, exuberante, oferecendo-nos assim canções que borbulham um forte sinal de esperança e de renascimento, sementes que vão provavelmente conquistar para o grupo novos públicos. Espero que aprecies a sugestão...

My Morning Jacket - The Waterfall

01. Believe (Nobody Knows)
02. Compound Fracture
03. Like A River
04. In Its Infancy (The Waterfall)
05. Get The Point
06. Spring (Among The Living)
07. Thin Line
08. Big Decisions
09. Tropics (Erase Traces)
10. Only Memories Remain


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2015

Peter Broderick - Colours Of The Night

Gravado em Lucerna, na Suiça e editado pela Bella Union a vinte e sete de abril, Colours Of The Night é o novo trabalho discográfico de Peter Broderick, um músico norte americano, natural de Portland e que nos oferece mais dez canções que são uma colecção intimista de experiências vocais e líricas, que confirmam o ambiente sonoro predileto do autor.

Etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente, Colours Of The Night é aquele disco que faltava ao lado da tua mesa de cabeceira, mesmo junto do mais recente best seller do teu escritor preferido. Com a participação especial de alguns músicos suiços com quem dividiu belíssimos instantes sonoros espontâneos e com canções como Red Heart ou o tema homónimo que nos mergulham num universo acústico folk particularmente emotivo e profundo, muito do agrado deste músico, Colours Of The Night materializa o período mais fulgurante e expressivo da carreira do autor, que neste álbum sonoramente amplia as suas experiências e as suas virtudes, quer vocais quer experimentais, servindo-se smepre do piano como a arma de arrmesso primordial e o grande trunfo do processo de composição, mas dando também luz verde para que as cordas também tenham o protagonismo devido.

É claramente percetível como ao longo do álbum Broderick transpira confiança e como esta simbiose com músicos com os quais nunca tinha trabalhado resultou na perfeição. A guitarra delicada e as harmonias frágeis da já citada Red Heart, apresentam-nos essa colaboração estreita e alicerçam as fundações de uma plenitude sonora que será transversal a todo o alinhamento, que mesmo o modo pouco ortodoxo como The Reconnection sustenta o seu ritmo ou a postura vocal em If I Sinned, dois dos momentos mais curiosos de Colours Of The Night, não colocam em causa. Já os belos arranjos, as subtis mudanças de ritmo e a delicadeza pueril de Our Best, a toada afrobeat de One Way e os ecos de One Time, entram diretamente para a lista dos melhores instantes sonoros com a chancela de Broderick.

Colours Of the Night promete uma noite relaxada a tranquila. Adormecer a meio da sua adição acaba por ser uma benesse já que até ao ocaso usufruimos de uma banda sonora excelente para conduzir a nossa mente até ao mundo dos nossos sonhos mais desejados, prometendo uma noite repleta de emoções agradáveis, à boleia de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente. Espero que aprecies a sugestão...

Peter Broderick - Colours Of The Night

01. Red Earth
02. The Reconnection
03. Colours Of The Night
04. Get On With Your Life
05. If I Sinned
06. Our Best
07. One Way
08. On Time
09. More And More
10. Rotebode


autor stipe07 às 21:32
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Sábado, 4 de Abril de 2015

Peter Broderick – X Luzern

É já a vinte e sete de abril que chega aos escaparates Colours Of The Nighto novo trabalho discográfico de Peter Broderick, um disco que vai ver a luz do dia através da Bella Union e que contém dez canções que certamente irão ser mais uma colecção intimista de experiências vocais e líricas e que confirmarão o ambiente sonoro predileto de Peter, etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente.

Em jeito de antecipação, Broderick acaba de divulgar um single com duas canções intitulado X Luzern e que resulta de um projeto desenvolvido pela cidade suiça citada no título, que uma vez por mês divulga gravações de bandas e artistas que atuam no local. Os dois temas incluidos no lançamento, Rainy Day e A Peace I Aim to Make, mergulham-nos num universo acústico folk particularmente emotivo e profundo, muito do agrado deste músico norte americano natural de Portland. Confere...

Peter Broderick - X Luzern

01. Rainy Day
02. A Peace I Aim To Make


autor stipe07 às 14:54
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

YACHT - Where Does The Disco? EP

Compositores, escultores, filósofos, ativistas e músicos, os YACHT (Young Americans Challenging High Technology) são um projeto concetual sedeado em Los Angeles, mas consideram Marfa, no Texas, a sua casa espiritual. No entanto, o projeto nasceu em 2002, em Portland, sendo nesta espécie de utópico triângulo das Bermudas em pleno Oeste dos Estados Unidos da América que se move um grupo que começou por servir como um veículo para Jona Bechtolt, que escreve sobre ciência, cultura e tecnologia num blogue chamado Universe, divulgar o seu trabalho em diversas áreas, qe vão da pesquisa científica à música, obviamente. Em 2008 Claire L. Evans juntou-se a Jona e já foi juntos que gravaram e publicaram em 2009  o aclamado See The Mystery Lights, na tal localidade texana chamada Marfa, ao qual se seguiu, em 2011, Shangri-la, um disco sobre a utopia, a distopia e tudo o que fica no meio. Entretanto, Bobby Birdman e Jeffrey Brodsky, amigos de Jona e Claire, já se juntaram aos YACHT, compondo a banda nas atuações ao vivo.

Com cinco discos já lançados através de editoras tão proeminentes como a DFA Records, a Marriage Records, ou a States Rights Records, onde se estrearam, os YACHT são já considerados como uma das bandas norte americanas mais criativas, principalmente por causa dos concertos, tendo já tocado em lugares tão díspares como museus, galerias de arte, barcos, casas de banho e até numa zona rural da China e das remisturas inconfundíveis, tendo já desmantelado canções de Snoop Dogg, Kings of Leon, Phoenix, Neon Indian, Stereolab, RATATAT, Classixx e muitos outros.

Um Ep com quatro temas chamado Where Does The Disco? é a mais recente novidades dos YACHT, com a última canção do alinhamento a ser uma remistura da autoria de Jerome LOL do tema homónimo, que fala sobre o amor e os CDs (Compact Disc). Assente numa batida retro sintetizada, com efeitos que disparam em diferentes direções e com um timbre sintético na voz que lhe dá uma toada que tem tanto de sexy como de robótico, Where Does The Disco? parece ser a banda sonora perfeita para uma odisseia espacial, congeminada algures no início da década de oitenta e do período aúreo do disco sound. A viagem interestelar continua em Works Like Magic, que avança agora cerca de duas décadas, até aquele período em que no início deste século, em Nova Iorque, as guitarras e o baixo começaram a dar as mãos aos sintetizadores e à eletrónica e a invadir as pistas de dança do mundo inteiro. O tema fala do fascínio que a tecnologia e a realidade virtual provocam no ser humano e como existe uma ligação estreita entre  sexo e a tecnologia; We argue that sex and technology coexist in our present: we touch, we push buttons, we seek intimacy in screens. When we connect, it works like magic, afirmou recentemente Jona sobre o tema.

Terminal Beach é uma canção diferente das antecessoras. Mantêm-se os flashes de efeitos vários, mas aqui é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas, uma melodia orelhuda, uma bateria bem marcada e uma postura vocal a fazer recordar divas dos anos setenta como Blondie ou Debbie Harry. O resultado final é um verdadeiro e imenso hino indie rock.

Quanto à remistura do tema homónimo do disco da autoria de Jerome Lol, o autor confere um ambiente mais negro e místico ao tema, quando amplia a percussão, dando-lhe uma tonalidade algo grave, acentuada por alguns elementos novos como o som de xilofones e da bateria.

Neste EP os YACHT continuam a dar vida à fusão única que alimentam entre o talento musical que possuem e o mundo tecnológico, propondo mais um punhado de canções que exploram a eletrónica e o indie rock de modo a serem simultaneamente abrangentes, versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Where Does The Disco? está disponivel atualmente apenas no formato digital, através da Downtown Records, mas haverá uma edição especial física, à venda durante a próxima digressão da banda que se irá chamar Where Does This Disco? Tour. Confere...

Where Does This Disco

Works Like Magic

Terminal Beach

Where Does This Disco (Jerome LOL Remix)


autor stipe07 às 22:06
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Sábado, 11 de Outubro de 2014

Bike Thief – Stuck In A Dream

Oriundos de Portland, no Oregon, os Bike Thief são Febian Perez, Greg Allen, Patrick White, Steve Skolnik e Thomas Paluck, uma daquelas típicas bandas indie que gostam de se mover por vários terrenos sonoros, fazendo-o com um equilibrio tal que evitam ao máximo decalcar apenas um espetro sonoro, para que a monotonia não se instale e um desses territórios não acabe por se tornar movediço, sugando a banda para um marasmo de onde dificilmente se encontra a saída. Assim, eles percorrem de forma inteligente estilos musicais tão variados como a indie pop, o rock progressivo e até a folk. Além da guitarra, da bateria e do baixo, também usam sintetizadores e instrumentos peculiares como o xilofone e o violino, ou seja, apostam numa conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, o que resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, em canções carregadas de letras que andam quase sempre à volta de histórias sobre personagens peculiares e do universo fantástico, escritas por Febian Perez, dono de uma magnífica voz e aparentemente o lider da trupe.

Stuck In A Dream é um disco recheado de intensidade e de boas canções, com Ghosts Of Providence e Kiss The Light a serem bons exemplos da exuberância e do ritmo forte e alegre que os Bike Thief gostam de imprimir à sua música, sem que isso descure uma atmosfera bastante sentimental e até algo dramática. Se a folk parece querer dominar incialmente temas como We Once Knew Ya, a já referida Kiss The Light ou The Burning Past, neles o violino é rapidamente acompanhado por outros arranjos sintetizados e distorções que engrandecem essas canções e dão-lhes o tal clima de diversidade que os Bike Thief tanto apreciam. Mesmo em Violet Waves e Shimmer, duas canções que abordam essencialmente o indie rock, os Bike Thief fazem-no de formas distintas, com a primeira a ser objeto de um modo luminoso e ligeiro e a segunda a chamar a si um ambiente mais punk e sombrio, com uma abordagem ao rock de um modo mais progressivo e até psicadélico. Esta atmosfera acaba por se alastrar ate ao final, sendo a grande força motriz da magnificiência que percorre os mais de dez minutos do tema homónimo do disco, uma espécie de climax de todo o alinhamento, a bohemian rapsody dos Bike Thief que funciona como se fosse o olho de um furacão para onde convergem todos os temas escutados anteriormente.

Stuck In A Dream é, no fundo, um compêndio de art rock, um disco eloquente, cheio de vida e inspirador para quem gosta daquele rock feito de ambientes sonoros preenchidos e particularmente exóticos. Como podes verfificar abaixo, o disco está disponível no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente. Espero que aprecies a sugestão...

Bike Thief - Stuck In A Dream

01. A Breath
02. Ghosts Of Providence
03. Kiss The Light
04. We Once Knew Ya
05. Somewhere New
06. The Burning Past
07. Violet Waves
08. Tide Of Reason
09. Shimmer
10. Stuck In A Dream



autor stipe07 às 15:24
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Sábado, 6 de Setembro de 2014

Dana Buoy - Preacher EP

9Dana Buoy - "Everywhere" (Fleetwood Mac Cover)

Baterista dos Akron/Family Dana Janssen é também Dana Buoy, o nome artístico através do qual publica a sua própria música. O seu mais recente registo discográfico chama-se Preacher, uma coleção de cinco canções, onde se inclui uma cover de Everywhere, um clássico dos Fleetwood Mac, que faz parte do alinhamento de Tango In The Night, o disco que essa banda editou em mil novecentos e oitenta e sete.

Preacher assenta no clássico indie rock contemporâneo feito com encantadores teclados, uma percurssão geralmente subtil, mas transversal ao EP e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar, assim como arranjos que muitas vezes incluem sons orgânicos e da natureza e um jogo de vozes quente e intimista.

Os pássaros que chilream no início de Isla Mujeres são apenas um pequeno detalhe, mas define com um certo charme a elevada bitola qualitativa de cinco canções que, apesar do pendor épico e festivo, não transpiram pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica.

Um dos destaques deste trabalho é, quanto a mim, It's Alright, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e um sintetizador que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade da voz. Já Let's Star A War destaca-se pelos pequenos toques no tambor e um teclado profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.

Dana Buoy deitou-se numa nuvem feita com a melhor synthpop atual e operou um pequeno milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada, sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Em suma, Preacher é um belíssimo EP, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 16:04
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Mimicking Birds – Eons

Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel são o trio que constitui os Mimicking Birds, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, que acaba de surpreender com Eons, um traablho editado no passado da treze de maio através da Glacial Pace Records, estando o single Bloodlines disponivel para download gratuíto.

A introdução de Eons, com o efeito da guitarra e a batida de Memorabilia e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Acting Your Age e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muto bem interpretar, na senda de nomes como os Phosphorescent, os Wilco, os The War On Drugs ou os Lambchop, bandas que sabem hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Eons é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem mais expansivo e épico que o antecessor homónimo, que tinha uma elevada componente lo fi.

Um dos aspetos mais interessantes de Eons é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração, com o baixo e a percussão a serem, talvez, o elemento estruturalmente dominante da esmagadora maioria das canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em Night Light e no rock de Spent Winter à abordagem mais eletrónica de Water Under Burned Bridges, ou da mais ambiental Seeing Eye Dog, Eons está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Bloodlines e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite

O disco termina com a belissima e catártica Moving On e nesse epílogo percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Eons

01. Memorabilia
02. Acting Your Age
03. Owl Hoots
04. Spent Winter
05. Bloodlines
06. Night Light
07. Water Under Burned Bridges
08. Wormholes
09. Seeing Eye Dog
10. Moving On

 


autor stipe07 às 22:09
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Arrange - Their Bodies In A Fog

Natural de Portland, no Oregon, Arrange é o projeto musical de Malcom Lacey, que lançou no passado dia dezoito de março, por intermédio da Orchid Tapes, Their Bodies In A Fog, um disco com onze canções disponível gratuitamente no soundcloud e no bandcamp do músico, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.


Their Bodies In A Fog é já o terceiro registo de originais que divulgo de Arrange, depois de Plantation (2011) e New Memory (2012). Em Their Bodies In A Fog, Lacey mantém a sua típica sonoridade etérea e lenta, mas também algo inquietante.

Algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, as músicas de Their Bodies In A Fog são construídas sobre camadas de guitarras e efeitos que criam exuberantes paisagens sonoras, com arranjos a recordar, a espaços, Tim Hecker, James Blake e Sigur Rós e que criam ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza.

Lacey é capaz de de criar composições que, mesmo mantendo uma bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme, algures entre climas opressivos e outros mais intemporais, mas sempre circulares e falsamente herméticos. Home é um excelente exemplo de uma canção que começa num registo quase minimal e que depois cresce até atingir um clima fortemente épico e luminoso. Além dessa canção, também a guitarra de Stranger, o piano e os sons ambiente da instrumental Heart // What If This Were It, ou o sinterizador de Dream, apenas para citar alguns bons exemplos, aliados a uma percussão cheia de variações e diferentes instrumentos, provam que cada detalhe das onze músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. Estas são canções que, com o tempo, ficam no ouvido e cada um de nós poderá interpretar pessoalmente a sonoridade da música de Arrange e o que ele pretende transmitir.

O disco ouve-se de um travo só, quase como se fosse uma grande canção. Não há nada de demasiado complicado nas letras, o que até é mais um facto que abona a favor do álbum e comprova que Lacey não anda particularmente desesperado em demonstrar que é uma espécie de génio precoce, mas apenas um artista preocupado em revelar os seus sentimentos mais comuns através da música. Seja como for, temas como o sofrimento e a solidão e o aor envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz do autor.

Mkisturado por Warren Hildebrand, Their Bodies In A Fog é mais um triunfo em toda a escala de Arrange e, sem grandes alaridos ou aspirações, outro passo seguro na carreira deste jovem e talentoso músico norte americano que, apesar da aparente fragilidade da sua produção, consegue sempre resultados magníficos.

Parece difícil acreditar que um projeto possa amadurecer e criar tanto em apenas três anos, mas felizmente existe este Arrange e a sua fórmula simples, porque não se propõe criar algo demasiado denso, mas proporcionar a audição de canções que nos ficam no ouvido, sedutoramente abertas e convidativas a audições repetidas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:38
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014

Fanno Creek – Monuments

Os Fanno Creek são Quinn Mulligan, Evan Hailstone e Dane Brist, um trio de Portland, no Oregon, que aposta numa sonoridade ligeira e tipicamente folk. Monuments é o disco de estreia deste grupo norte americano, um trabalho que viu a luz do dia em dezembro de 2013 por intermédio da Sohitek Records.

Monuments é uma coleção de doze canções feitas com uma folk muito inspirada e liderada, quase sempre, pelo belíssimo jogo de vozes entre Quinn e Evan, sem dúvida uma das mais valias dos Fanno Creek. O single On My Way é um dos grandes destaques deste trabalho, um tema que nos remete para o universo de uns Fleet Foxes, uma canção com uma belíssima harmonia repleta de elementos pop, com palmas no momento certo e as cordas, a percurssão, os metais e o orgão sintetizado a assumirem a vanguarda na composição.

Outro tema que também chama facilmente a nossa atenção é How Long, não só devido ao falsete da voz, mas também por causa da vibração da guitarra e de um baixo proeminente, que criam uma atmosfera sonora que nos remete para a década de sessenta. Mas a minha canção favorita é Trilithon, um tema que começa com uma simples guitarra e que depois se vai alicerçando numa bateria em contínuo crescimento e numa voz harmoniosa que, juntamente com o violino, confere à canção um ambiente muito nostálgico e emotivo, enquanto a banda canta I’ve seen death, and I’ve seen love, but all that I am thinking of, is dollar bills that I don’t have, it’s comfort in your clenching hands. Este é um bom exemplo de como as histórias contidas neste álbum fazem-nos sentir tudo aquilo que os Fanno Creek têm para nos contar, sobre o amor, a felicidade, o companheirismo ou simples desabafos.

Depois, ao longo do disco, além da instrumentação de base já referida, os trompetes, os metais, o violoncelo e o violino e alguns elementos sintetizados criam arranjos que enriquecem imenso Monuments e o fazem fluir para territórios que irão certamente unir todos aqueles que tanto apreciam uma folk, algures entre Neil Young e os Lumineers

É interessante ouvir Mountains e perceber que os Fanno Creek não tiveram receio de arriscar e buscaram uma simbiose de detalhes raramente ouvida nas propostas atuais. É uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e da eletrónica assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares. A banda impressiona pela simplicidade e rusticidade e demonstram que não é preciso ser demasiado extravagante e ousado para soar musicalmente bem. Têm um som honesto e despido de grandiosidade e é exatamente isso que faz deste Monuments um ótimo disco.

Uma das iniciativas mais peculiares que a banda para promover monuments foi a realização de uma espécie de caça ao tesouro; Espalharam em nove monumentos e locais emblemáticos de Portland um pacote com um exemplar de Monuments e outro material promocional, para que, quem quisesse, os procurasse, havendo algumas pistas no site oficial dos Fanno Creek. Espero que aprecies a sugestão...

Fanno Creek - Monuments

01. Overture
02. On My Way
03. Trilithon
04. How Long
05. Page
06. Bones
07. Body, Brain
08. Dead Wrong
09. Break In
10. Green Stones
11. Dream Song
12. What Am I Thinking

 


autor stipe07 às 14:02
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2013

Peter Broderick - Float

Depois de em 2012 ter lançado http://www.itstartshear.com e These Walls Of Mine, Peter Broderick, um músico norte americano de Portland e que se iniciou nos discos com Home, editado em 2008, está de regresso com Float, um álbum que viu a luz do dia a vinte e oito de Outubro, através da Erased Tapes.

Float não é propriamente um novo álbum de originais de Broderick; Este disco já foi composto há uma meia dúzia de anos, em 2006, quando Broderick tinha vinte anos e, de acordo com o próprio músico, é a concretização de um sonho porque sempre quis que estas músicas, que foram das primeiras que compôs na carreira, fossem no futuro editadas. Em pouco mais de meia hora, escutam-se dez temas com um forte ambiente clássico e ambiental, uma proposta algo diferente das anteriores, mas que justifica muito do que sonoramente Peter propôs nos seus discos, já que o piano sempre foi o insturmento predileto do seu processo de composição melódica.

Float foi criado entre quatro paredes num período em que o músico trabalhava numa pizzaria cinco dias por semana e nos seus tempos livres vivia obcecado por música, por tocar sozinho ou com amigos, assistir a concertos locais e por adquirir e colecionar a maior quantidade possível de discos. Broderick acabou por mergulhar no universo folk local e foi gastando as suas economias não só na aquisição de discos e na audição compulsiva dos mesmos, mas também na compra de instrumentos cada vez mais diversificados, ocupando a sua mente e a sua capacidade criativa na exploração dos mesmos.
Numa época em que ainda não vivia da música, Broderick acabou por criar uma colecção intimista de dez experiências vocais e líricas, que soam a um conjunto de explorações, muitas vezes lo fi, sem grandes planos ou estudos. No geral, confirma o ambiente sonoro predileto de Peter, etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:08
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