Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

STRFKR – Being No One, Going Nowhere

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris.

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Com Interspace a dividir o alinhamento do disco em dois momentos distintos, Being No One, Going Nowhere foi produzido pelo próprio Josh hodges, o carismático líder do grupo e configura numa espécie de álbum concetual que, lirica e sentimentalmente, se debruça sobre os dois aspetos temáticos que trilham o seu título. Assim, se as primeiras cinco canções se debruçam, basicamente, sobre a perca e a deriva quando se vive uma vida inócua e sem objetivos, a partir de In The End os STRFKR procuram dar pistas e traçar um roteiro para uma vida mais feliz, apontando algumas consequências nefastas no eu de cada ouvinte caso a teimosia ou a cobardia continuem a vencer os conflitos interiores. Esta In The End é mesmo uma canção essencial para o entendimento cabal deste ideário, porque nela Hodges expôe com brilhantismo tudo aquilo que sentiu quando se isolou para compôr o disco (Stranger light; on the highway; golden; hours; hover and retreat. She said I want someone I can grow into).

A pop sintética dos anos oitenta do século passado e alguns dos detalhes mais relevantes da eletrónica de igual período, marcam musicalmente este disco coeso, com instantes mais animados e divertidos e outros onde a melancolia impera. Impregnado, como é natural tendo em conta a filosofia do seu alinhamento, com letras de forte cariz introspetivo, tem um resultado final algo hipnótico, muito também por causa do realismo da atmosfera que se cria, apesar dos filmes de ficção e o espaço aparecerem, constantemente, no perfil estilístico do trabalho, começando, desde logo, pelo artwork do mesmo. Assim, de Being No One, Going Nowhere importa apreciar cuidadosamente a forte cadência do baixo que conduz Satellite, o cariz acessível, pop e radiante do single Never Ever, um tema que fica marcado na mente com enorme fluidez e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Something Ain't Right, uma das melhores canções do disco.

Tratado musical leve e cuidado e que encanta, ao mesmo tempo que abarca um conteúdo grandioso e repleto de experimentações que interagem com a pop convencional, Being no One, Going Nowhere transporta-nos para uma dimensão paralela, onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Being No One, Going Nowhere

01. Tape Machine
02. Satellite
03. Never Ever
04. Something Ain’t Right
05. Open Your Eyes
06. Interspace
07. In The End
08. Maps
09. When I’m With You
10. Dark Days
11. Being No One, Going Nowhere


autor stipe07 às 17:50
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

Elbow – Little Fictions

Uma das bandas fundamentais do cenário indie das duas últimas décadas são, com toda a justiça, os britânicos Elbow de Guy Garvey, uma banda natural de uma pequena localidade inglesa chamada Salford e de regresso aos discos com Little Fictions, dez canções que acabam de ver a luz do dia à boleia da Polydor Records em parceria com a Concord Records. Este é o trabalho discográfico de um grupo honesto, coeso e com uma fleuma muito própria e sua, que busca no panorama internacional o mesmo reconhecimento que já tem, como projeto de topo, em terras de sua majestade.

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Donos de um som épico, eloquente e que exige dedicação, os Elbow chegam a Little Fictions a verbalizar sonoramente uma necessidade quase biológica de nos elucidar como enfrentar a habitual ressaca emocional que os normais eventos de uma vida em sociedade nos dias de hoje provocam no equilíbrio emocional de qualquer mortal, razão pela qual são um daqueles grupos com os quais tanta gente acaba por se identificar, principalmente quem, de modo mais ou menos devoto, vai procurando destrinçar a escrita apurada de Garvey e que no antecessor, The Take Off And Landing Of Everything, editado na primavera de 2014, atingiu contornos particularmente intimistas, por ser ter debruçado na separação, à altura, do músico com a escritora Emma Jane Unsworth.

Cada vez mais maduro e sempre a fazer questão de ser profundo e poético na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir, este quinteto mantem a sonoridade elaborada que o carateriza, mas tem aqui talvez o momento mais alto da sua carreira depois do maravilhoso The Seldom Seen Kid (2008). Na verdade, os Elbow acertaram novamente e criaram mais um disco bonito e emotivo, cheio de sentimentos que refletem não só os ditos desabafos de Garvey, mas também a forma como ele entende o mundo hoje e as rápidas mudanças que sucedem, onde parece não haver tempo para cada um de nós parar e refletir um pouco sobre o seu momento e o que pode alterar, procurar, ou lutar por, para ser um pouco mais feliz. Canções como a optimista e orquestral Magnificient (She Says), a luminosidade intimista e charmosa de Gentle Storm, a cândura arrebatadora que transborda da emotiva All Disco ou a sedutora reflexão acerca de um adeus que nunca termina, plasmada em K2constituem a banda sonora ideal para essa paragem momentânea, que para todos nós deveria ser obrigatória e que pode muito bem servir-se de Little Fictions, deixando-o ali a tocar, a meio volume e em pano de fundo.

Sempre encantadores, aditivos e simultaneamente amplos e grandiosos e detalhados e impressivos no modo como falam e cantam sobre o amor, no fundo a grande força motriz de toda a pafernália de sensações e acontecimentos que fui descrevendo até aqui, os Elbow provam em Little Fictions que estão num elevado e excitante momento criativo e intactos e genuínos a expôr-se e a desarmar-nos. Afirmo-o convictamente porque este disco tem alguns momentos que, sendo devidamente absorvidos, não deixarão de nos provocar aquelas reações físicas que muitas vezes tentamos refrear, porque há quem considere que a cena dos sentimentalismos, do sorriso sem razão aparente e das lágrimas felizes ou infelizes (e aqui há as duas possibilidades) é só para os fracos de coração e de espírito. Quanto a mim, o verdadeiro e o mais recompensador é exatamente o contrário e aqueles que se expôem assim, é que são os fortes... E a música dos Elbow, disco após disco, tem-me ajudado a perceber nas últimas duas décadas como cimentar e vivenciar esta minha certeza, da qual não me envergonho minimamente. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - Little Fictions

01. Magnificent (She Says)
02. Gentle Storm
03. Trust The Sun
04. All Disco
05. Head For Supplies
06. Firebrand And Angel
07. K2
08. Montparnasse
09. Little Fictions
10. Kindling


autor stipe07 às 21:45
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

Next Stop: Horizon – The Grand Still

Quase cinco anos depois do maravilhoso disco de estreia We Know Exactly Where We Are Going e pouco mais de dois depois do excelente sucessorThe Harbour, My Home, a dupla Next Stop:Horizon está de regresso com The Grand Still, um trabalho que contém uma incomum riqueza pop, incubado por uma dupla oriunda de Gotemburgo, na Suécia e formada por Pär Hagström e Jenny Roos, dois músicos que, além de partilharem um pequeno apartamento, fazem música juntos e acreditam piamente que o mundo seria um local bem melhor se tivesse a possibilidade de ouvir as suas criações sonoras. Na verdade, depois de ouvir The Grand Still, compreendo este desejo, assente na presunção de que há uma elevada bitola qualitativa no produto que a dupla tem para nos oferecer e com a qual concordo. 

Foto de Next Stop: Horizon.

Influenciados por uma vasta rede de influências que vão do rock ao jazz, passando, pela folk europeia e a pop contemporânea, os Next Stop: Horizon gostam de escrever sobre a vida, a morte e tudo o que fica ali, exatamente no meio, desta vez com maior luminosidade, cor e alegria do que o disco antecessor, um trabalho que foi bastante marcado pela participação do projeto, na altura, na banda sonora de uma peça de teatro que se baseava num conto de Wilhelm Hauff chamado Das kalte Herz e onde a história girava em torno de um jovem ganancioso que vendeu o seu coração para conseguir fazer fortuna. Esta experiência teatral marcou profundamente a dupla e o processo de criação desse disco explica o clima algo denso e sombrio do mesmo, algo que não sucede em Grand Still, como, aliás, se percebe logo nos dois temas iniciais, muito vibrantes, efusivos e claramente festivos.

Cheio de canções com uma toada eminentemente sintética, fornecida por teclados inspirados, mas que são contrapostos pela percussão, muitas vezes com objetos inusitados e também pelos timbres de voz que vão sendo adicionados e que conseguem dar a algumas canções a oscilação necessária para transparecerem mais sentimentos, The Grand Still é um verdadeiro arco-íris de emoção, que nos deixa marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento no final da sua audição. A mixórdia, no sentido positivo do termo, em que se sustenta The Waltz, ou o jogo que se estabelece entre teclas, sopros e metais em A Fall Within A Fall, são bons exemplos do modo como estes Next Stop: Horizon conseguem ser calorosos e divertidos, ao mesmo tempo que mostram uma facilidade singular para elaborar melodias deliciosas. Depois, a forma coesa como os dois músicos se complementam fica evidente também em músicas como a mais climática e intrincada The Melting e no cândido sentimentalismo que abastece Where Are We Heading Baby. Mas as pérolas, quer vocais quer instrumentais não param por aí. É uma árdua tarefa encontrar alguma faixa de qualidade questionável em The Grand Still, já que durante as nove canções do disco o que se ouve é consistência pura.

Este é um registo discográfico que digere-se de modo agradável e onde os Next Stop: Horizon exploram um género sonoro que lhes permite revelar toda a sua essência, sem influências externas ou exigências do mercado, demonstrando um talento invejável e revelando uma alma pura que continua a ter muito a oferecer aqueles que, como eu, estão sempre sedentos por boa música. Espero que aprecies a sugestão...

Next Stop Horizon - The Grand Still

01. Everyone’s Earthquake
02. The Mixtape That I loved
03. The Waltz
04. Do It Anyway
05. The Melting
06. When We Get There We Will Know
07. Where Are We Heading Baby
08. A Fall Within A Fall
09. What If


autor stipe07 às 17:02
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

The XX - I See You

Terminou há poucos dias uma longa espera relativamente a novidades dos The XX, após o aclamado Coexist, um longa duração lançado pelo grupo, à boleia da Young Turks, já há quatro anos e que tem finalmente sucessor. O terceiro álbum do trio foi editado com o mesmo selo Young Turks e chama-se I See You. O disco tem um alinhamento de dez canções, gravadas entre Março de 2014 e Agosto de 2016 em vários sítios como New York, Texas, Reykjavique, Los Angeles e Londres e foi produzido por Jamie Smith e Rodaidh McDonald.

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Ao contrário de outros projetos que muitas vezes se dispersam caso haja um relativo hiato entre discos, o tempo é, sem dúvida, um aliado na curta e bem resolvida trajetória dos The XX. Ocorreram transformações na vida de cada um dos componentes da banda nos últimos anos e, apesar da espera entre cada trabalho, mantém-se o carinho e uma pressão positiva por parte do grande público. Assim, ao terceiro disco os The XX mostram a habitual boa forma, assente numa filosofia sonora muito própria e fortemente identitária e uma saudável disponibilidade para o alargamento do espetro sonoro em que se movimentam e que balança muitas vezes entre a pista de dança e a mais recatada introspeção, como se percebe logo nos dois primeiros temas do alinhamento de I See You. Logo em Dangerous, umas inéditas sirenes e a sedutora batida oferecem-nos maior audácia, relativamente ao anterior catálogo da dupla e depois, em Say Something Loving, aproveitando um sample de Alessi Brothers, a emoção instala-se facilmente em quem se deixar envolver pela beleza melódica do tema.

Percebe-se, pois, logo neste início auspicioso de I SeeYou, que este é mais um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes ainda são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra do trio britânico, mas a diferença, desta vez está na maneira como exploram essa unidade e nas nuances sonoras que interligam as canções. No fundo, a receita é exatamente a do costume, mas a sonoridade foi renovada, tendo cabido ao baterista e produtor Jamie Smith assumir a linha da frente nessa tarefa, nomeadamente quando acerta nas batidas hipnóticas que servem de base para as vozes de Romy e Oliver. Todos estes acertos encontram o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de On Hold, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior o diálogo entre Romy e Oliver, dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre.

No restante alinhamento de I See You, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira Performance e o incisivo espairecer que nos suscita Test Me, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado em I Dare You, por outro, insistem nesta já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que quer fazer juz a uma herança e apontar, em simultâneo, novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop atual e que ao terceiro disco continua a instigar, hipnotizar e emocionar. Espero que aprecies a sugestão...

The XX - On Hold

01. Dangerous
02. Say Something Loving
03. Lips
04. A Violent Noise
05. Performance
06. Replica
07. Brave For You
08. On Hold
09. I Dare You
10. Test Me


autor stipe07 às 15:37
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Domingo, 15 de Janeiro de 2017

The Flaming Lips - Oczy Mlody

Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody é o nome do novo trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne e mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

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Foi no passado dia treze que chegou aos escaparates esta nova coleção de canções dos The Flaming Lips, por intermédio da Warner, uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que, por incrível que pareça, direcionam, em simultâneo, esta banda para duas direções aparentemente opostas. Assim, se canções como o single The Castle e, de modo ainda mais incisivo, os samples e as distorções vocais de Listening To The Frogs With Demon Eyes nos proporcionam a audição de um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica, de natureza hermética, que aproxima este projeto da melhor fase da sua carreira, no ocaso do século passado e início deste, já as batidas sintetizadas de Nigdy Nie (Never No) e o efeito do baixo de Do Glowy colocam os The Flaming Lips na linha da frente de alguns dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedecem a algumas das permissas mais contemporâneas da eletrónica ambiental.

Décimo quarto disco da carreira dos The Flaming Lips, Oczy Mlody posiciona o grupo no olho do furacão de uma encruzilhada sonora. se tem momentos que não deixam de funcionar como um quase aditamento às experimentações de Embryonic, a participação especial de Miley Cyrus no belíssimo tema We A Famly é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita e solidifica a habitual estratégia da banda nos últimos discos de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Podemos, sem receio, olhar para Oczy Mlody como uma grande composição que se assume num veículo pronto a conduzir-nos numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, forte oppositor de Trump, disserta sobre alguns dos maiores dilemas e perigos dos dias de hoje; O fim do mundo descrito copiosamente em There Should Be Unicorns e o verdadeiro muro das lamentações que é Almost Home (Blisko Domu), revelam-nos essa rota e apresentam a já habitual faceta fortemente humanista e impressiva da escrita deste músico de Oklahoma, mas que também é capaz de nos fazer acreditar numa posterior redenção e na esperança num mundo melhor e que pode ainda renascer, nem que seja com todos nós montados no belíssimo piano que conduz Sunrise (Eyes Of The Young), ou a relaxar ao som da suavidade fluorescente da já referida We A Famly.

No fundo, conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, os The Flaming Lips revelam neste novo trabalho composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea que Oczy Mlody, como todos os discos deste grupo, está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Sonoramente, a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre efeitos etéreos e nuvens doces de sons que parecem flutuar no céu azul, com guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico. Se em How?? parece que os The Flaming Lips enlouqueceram de vez no modo como mostram perplexidade perante tudo aquilo que hoje os inquieta, já Galaxy, I Sink revela-se um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a convincente e sombria percussão de One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente.

Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Oczy Mlody segue esta permissa temporal, agora numa espécie de futuro pós apocalítico mas, tematicamente, parece ser um trabalho muito terreno, digamos assim, porque fala imenso de todas as atribulações normais da existência comum, especialmente, como já enfatizei, na algo desregulada sociedade norte americana de hoje. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - Oczy Mlody

01. Oczy Mlody
02. How??
03. There Should Be Unicorns
04. Sunrise (Eyes Of The Young)
05. Nigdy Nie (Never No)
06. Galaxy I Sink
07. One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill
08. Do Glowy
09. Listening To The Frogs With Demon Eyes
10. The Castle
11. Almost Home (Blisko Domu)
12. We A Famly


autor stipe07 às 21:45
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016

Os melhores discos de 2016 (10-01)

10 - Suuns - Hold/Still

Assertivos e capazes de romper limites, os Suuns oferecem-nos, em Hold/Still, entre belíssimas sonorizações instáveis e pequenas subtilezas, um portento sonoro de invulgar magnificiência, com proporções incrivelmente épicas, um disco bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero a quem se deixar enredar nesta armadilha emocionalmente desconcertante, feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico.

Suuns - Hold-Still

01. Fall
02. Instrument
03. UN-NO
04. Resistance
05. Mortise And Tenon
06. Translate
07. Brainwash
08. Careful
09. Paralyzer
10. Nobody Can Save Me Now
11. Infinity

 

09 - LNZNDRF - LNZNDRF

LNZNDRF é uma simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, entre três músicos que acabaram por ser aquele detalhe orgânico que dá alma a todas as ligações de fios e transístores que tiveram que estabelecer nestas oito canções e que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de cada um deles e de todos em conjunto. Espero que aprecies a sugestão...

LNZNDRF - LNZNDRF

01. Future You
02. Beneath The Black Sea
03. Mt Storm
04. Kind Things
05. Hypno-Skate
06. Stars And Time
07. Monument
08. Samarra

08 - Allah-Las - Calico Review

Calico Review é um disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações. Ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda californiana, Calico Review conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas.

Allah-Las - Calico Review

01. Strange Heat
02. Satisfied
03. Could Be You
04. High And Dry
05. Mausoleum
06. Roadside Memorial
07. Autumn Dawn
08. Famous Phone Figure
09. 200 South La Brea
10. Warmed Kippers
11. Terra Ignota
12. Place In The Sun

07 - Astronauts - End Codes

Dan Carney é um mestre da introspeção que todos precisamos de fazer periodicamente, aquela que resulta porque vai direita ao âmago, de punhos cerrados, com garra e fibra, sem falsos atalhos e cansativos clichês. Além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, Astronauts fá-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Astronauts - End Codes

01. Recondition
02. Civil Engineer
03. Dead Snare
04. You Can Turn It Off
05. A Break In The Code, A Cork In The Stream
06. When It’s Gone
07. Split Screen
08. Hider
09. Breakout
10. Newest Line
11. Skeleton

 

06 - Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Young Narrator In The Breakers tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo umgroove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa.

Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers

01. Ran Ran Run
02. Annie Hall
03. Ruby (Let’s Buy The Bike)
04. Wiserway
05. A Quiet Time With Spaceman Sputz
06. Somewhere In Iowa
07. Belle Of The Ball
08. The Aquarium
09. No Mind
10. John (A Little Time)
11. Young Narrator In The Breakers
12. 2020, We’ll Have Nothing Going On

05 - You Can't Win, Charlie Brown - Marrow

Marrow escuta-se num ápice e não deixa ninguém indiferente! Mexe, espicaça, suscita um levantar de poeira que depois não se resolve de modo a que no fim assente pedra sobre pedra e exala uma curiosa sensação de sofreguidão, porque se quer ouvir sempre mais e mais e ficar ali, preso neste mundo dosYou Can't Win, Charlie Brown, consistentes e esplendororos no modo como, música após música, conceptual e criativamente nos confortam e desassossegam com melodias maravilhosamente irresistiveis e onde é muito ténue a linha que separa o positivamente irascível do enigmaticamente ternurento.

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1 – Above The Wall

2 – Linger On

3 – Pro Procrastinator

4 – Mute

5 – If I Know You, Like You Know I Do

6 – In The Light There Is No Sun

7 – Joined By The Head

8 – Frida (La Blonde)

9 - Bones

04 - Radiohead - A Moon Shaped Pool

Disco muito desejado por todos os seguidores e não só e que quebra um longo hiato de praticamente meia década, A Moon Shaped Pool é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também observadora de outros eventos e emoções, um trabalho experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas, como tão bem prova a fabulosa e surpreendente versão de True Love Waits, uma das mais bonitas canções que a banda compôs e que tocou ao vivo pela primeira vez já no longínquo ano de 1995.

Radiohead - A Moon Shaped Pool

01. Burn The Witch
02. Daydreaming
03. Decks Dark
04. Desert Island Disk
05. Ful Stop
06. Glass Eyes
07. Identikit
08. The Numbers
09. Present Tense
10. Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief
11. True Love Waits

03 - DIIV - Is The Is Are

Is The Is Are é um daqueles registos discográficos onde a personalidade de cada uma das canções do alinhamento demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas é incrivelmente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que as distingue e que sustenta a bitola qualitativa de um disco incubado por um grupo que procura redimir-se do seu passado, mas que também quer mostrar que vive no pico da sua produção criativa, porque exige e consegue navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. A imprevisibilidade é, afinal, algo de valor no mundo artístico e Zachary Cole, uma dos personagens mais excêntricas no mundo da música de hoje, continua a jogar com essa evidência a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado um dos álbuns essenciais do ano.

01. Out Of Mind
02. Under The Sun
03. Bent (Roi’s Song)
04. Dopamine
05. Blue Boredom (Sky’s Song)
06. Valentine
07. Yr Not Far
08. Take Your Time
09. Is The Is Are
10. Mire (Grant’s Song)
11. Incarnate Devil
12. (Fuck)
13. Healthy Moon
14. Loose Ends
15. (Napa)
16. Dust
17. Waste Of Breath

02 - Parquet Courts - Human Performance

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Human Performance possa suscitar, este tomo de canções possibilita-nos apreciar uns Parquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, que chegam a 2016 instalados no seu trabalho mais consistente e ousado, uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos esingles e passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos.

01. Dust
02. Human Performance
03. Outside
04. I Was Just Here
05. Paraphrased
06. Captive Of The Sun
07. Steady On My Mind
08. On Man, No City
09. Berlin Got Blurry
10. Keep It Even
11. Two Dead Cops
12. Pathos Prairie
13. It’s Gonna Happen

01 - MALL WALK - Funny Papers

Funny Papers sabe a muito pouco, tal é a hipnose instrumental que nos oferece, pensada para nos levar numa road trip pelo deserto com o sol quente na cabeça, à boleia da santa tríade do rock, uma viagem lisérgica através do tempo em completo transe e hipnose. Da psicadelia, ao garage rock, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado punk rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos MALL WALK, que acabam de dar um passo bastante confiante, criativo e luminoso na sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:26
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

Os melhores discos de 2016 (20-11)

Aproxima-se o final do ano e o momento de fazer o balanço discográfico de 2016. Como é habitual, Man On The Moon começa hoje a publicar a lista daqueles que considera terem sido os vinte melhores discos do ano, abrindo as hostilidades com os lançamentos discográficos posicionados da vigésima à décima primeira posição. Confere...

20- Wussy - Forever Sounds

Em Forever Sounds os Wussy mantêm-se concisos e diretos na visceralidade controlada que querem exalar e provam elevada competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que lhes dão substância. Muitas vezes torna-se demasiado dominante e percetivel a distorção das guitarras em bandas que apostam no espetro sonoro relacionado com o indie rock mais cru, mas no caso deste quinteto tal preponderância atinge uma bitola qualitativa elevada, além de não faltar uma porta aberta a um saudável experimentalismo. O modo exemplar como Forever Sounds amplifica estas impressões faz deste Wussy um nome a reter com urgência, impulsionados por um disco que é um espetacular tratado de indie punk rock aternativo, aditivo, rugoso e viciante.

Wussy - Forever Sounds

01. Dropping Houses
02. She’s Killed Hundreds
03. Donny’s Death Scene
04. Gone
05. Hello, I’m A Ghost
06. Hand Of God
07. Sidewalk Sale
08. Better Days
09. Majestic-12
10. My Parade

19 - The Lees Of Memory - Unnecessary Evil

Os The Lees Of Memory deslumbram pelo à vontade com que navegam nos meandros intrincados e sinuosos do indie rock mais progressivo e psicadélico. A leveza contínua, o entusiasmo lírico, a atmosfera amável, apesar do fuzz constante e o clima geral luminoso, enérgico e algo frenético de Unnecessary Evil, são os principais indicadores de um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda que quer tornar-se protagonista no universo sonoro em que se move. Espero que aprecies a sugestão...

The Lees Of Memory - Unnecessary Evil

01. Any Way But Down
02. No Power
03. XLII
04. Stay Down
05. Just For A Moment
06. Unnecessary Evil
07. Artificial Air
08. The End Of The Day
09. Squared Up
10. Look Away

18 - James Supercave - Better Strange

Better Strange é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor.

James Supercave - Better Strange

01. Better Strange
02. Whatever You Want
03. Burn
04. Body Monsters
05. How To Start
06. Get Over Yourself
07. The Right Thing
08. Virtually A Girl
09. Chairman Gou
10. With You
11. Just Repeating What’s Around Me
12. Overloaded

17 - Autolux - Pussy's Dead

Pussy's Dead contou com uma enorme sapiência para a criação de nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e que obriga a crítica a ficar mais uma vez particularmente atenta a esta nova definição sonora que deambula algures pela cidade dos anjos. Espero que aprecies a sugestão...

Autolux - Pussy's Dead

01. Selectallcopy
02. Soft Scene
03. Hamster Suite
04. Junk For Code
05. Anonymous
06. Brainwasher
07. Listen To The Order
08. Reappearing
09. Change My Head
10. Becker

 

16 - American Wrestlers - Goodbye Terrible Youth

Terrible Youth, permitem-nos contemplar todo um charme rugoso que os American Wrestlers replicam hoje melhor que ninguém e dão-nos o mote para um álbum curioso e desafiante, que impressiona pela forma livre e espontânea como os vários instrumentos, mas em especial as guitarras, se expressam, guiadas pela nostalgia e pelas emoções que Gary, o líder deste projeto, pretende transmitir.

 

15 - Pfarmers - Our Puram

Our Puram é um ribeiro sonoro por onde confluem vários sons da mais diversa estirpe e de diferentes proveniências, mas todos cheios de vida e prestes a desaguar na Terra Prometida idealizada pelos Pfarmers. Aí são arremessadas para longe todas as tensões e desajustes de um passado de Seim, que está, pelos vistos, na sua vida pessoal, a salivar por uma banda sonora tremendamente sensorial, feita aqui com uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante. Para chegar a este resultado único, Seim e os seus parceiros, não recearam entregar-se de corpo e alma ao instrumentos que mais apreciam mas também ao mundo das máquinas, numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, em oito canções que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios destes Pfarmers.

Pfarmers - Our Puram

01. 97741
02. Tour Guide
03. Red Vermin
04. You’re with Us
05. Sheela
06. The Commune
07. Osho Rising
08. Our Puram

 

14 - Ultimate Painting - Dusk

Em Dusk vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. Neste disco, os Ultimate Paiting avançam em passo acelerado em direção à maturidade, de um modo extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retratam sonoramente eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro. 

Ultimate Painting - Dusk

01. Bills
02. Song For Brian Jones
03. A Portrait Of Jason
04. Lead The Way
05. Monday Morning, Somewhere Central
06. Who Is Your Next Target?
07. Skippool Creek
08. I’m Set Free
09. Silhouetted Shimmering
10. I Can’t Run Anymore

 

13 - Helado Negro - Private Energy

Ao quinto disco, cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Langecontinua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas canções contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é, mais uma vez, sonoramente tão bem retratado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si próprio, enquanto compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar.

Helado Negro - Private Energy

01. Calienta
02. Tartamudo
03. Obra Dos
04. Lengua Larga
05. Runaround
06. Young, Latin And Proud
07. Obra Tres
08. Transmission Listen
09. Persona Facil
10. Mi Mano
11. Obra Cuatro
12. It’s My Brown Skin
13. We Don’t Have Time For That
14. Obra Cinco

 

12 - Wilco - Schmilco

Disco que se destaca pelo habitual entusiasmo lírico e por um prolífero e desafiante incómodo contínuo, que neste caso se saúda com inegável deleite, Schmilco mantém firme o traço de honestidade de uma banda que quer continuar a ser protagonista no universo sonoro em que se move. É um trabalho que desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas, no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito, nem sempre devidamente realista e racional. Com a temática das canções a expôr as habituais angústias da sociedade de hoje profundamente tecnológica e a dependência da contínua revolução que vivemos, Jeff Tweedy avisa-nos que não se pode deixar de vivenciar sentimentos e emoções reais, de preferência com a crueza e a profundidade simultaneamente vigorosas e profundas que merecem.

Wilco - Schmilco

01. Normal American Kids
02. If I Ever Was A Child
03. Cry All Day
04. Common Sense
05. Nope
06. Someone To Lose
07. Happiness
08. Quarters
09. Locator
10. Shrug And Destroy
11. We Aren’t The World (Safety Girl)
12. Just Say Goodbye

 

11 - Psychic Ills – Inner Journey Out

Os Psychic Ills fazem-nos recuar quase meio século, sob o efeito soporífero de canções que parecem não ter um tempo exato para viverem e que se deixam espraiar até ao limite de tudo aquilo que têm de sublime para nos transmitir, oferecem-nos uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos deixou até hoje. 

Psychic Ills - Inner Journey Out

01. Back To You
02. Another Change
03. I Don’t Mind
04. Mixed Up Mind
05. All Alone
06. New Mantra
07. Coca-Cola Blues
08. Baby
09. Music In My Head
10. No Worry
11. Hazel Green
12. Confusion (I’m Alright)
13. Ra Wah Wah
14. Fade Me Out


autor stipe07 às 21:26
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Domingo, 20 de Novembro de 2016

Pavo Pavo – Young Narrator In The Breakers

Eliza Bagg, Oliver Hil, Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer vêm de Brooklyn, Nova Iorque e renascidos das cinzas dos Plume Giant e com ligações estreitas a nomes tão importantes como os San Fermim ou os Here We Go Magic formam os Pavo Pavo e fazem aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, como prova Young Narrator In The Breakers, disco editado por este quinteto a onze de novembro último à boleia da Bella Union. Trabalho produzido pela dupla Danny Molad (Lucius) e Sam Cohen (Yellowbirds, Apollo Sunshine), contém doze canções com uma elegância ímpar, sustentada em guitarras plenas de charme, harmonias particularmente cativantes e sintetizadores com uma luminosidade intensa e sedutora que serviram para criar uma banda sonora feliz no modo como descreve toda aquela magia intrínseca à entrada na vida adulta, mas também os medos, as turbulências e as dúvidas e hesitações que tal passo provoca.

Pavo Pavo

No início de um percurso sonoro que se prevê auspicioso, os Pavo Pavo logo em Ran Ran Run, o tema que abre o disco, balizam com exatidão as suas coordenadas, que servem para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Young Narrator in The Breakers nos oferece, no seu todo, vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, um ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Começam, geralmente, por uma base instrumental minimal, que será aquela que vai sustentar o tema até ao seu ocaso. Tal acontece, logo no início, nos teclados, nos metais e nos coros de Annie Hall e depois acontece sempre uma explosão sónica, feita de exuberância e cor que, do território mais negro e encorpado do instrumental A Quiet Time With Spaceman Sputz, até ao jogo lascivo que se estabelece entre o baixo e o bandolim em 2020, We’ll Have Nothing Going On, passando pela nuvem de plumas que sustenta Somewhere In Iowa, tema que disserta sobre a inocência daqueles dias de verão onde tudo parece possível e a exuberância rítmica de Belle Of The Ball, ou o ambiente mais punk e até dançável do notável baixo de No Mind, mostra-nos sempre um percurso triunfante e seguro, onde abundam guitarras experimentais, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Young Narrator In The Breakers ruge nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuítivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. E fá-lo conduzido por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante dos efeitos dos violinos em que se sustenta John (A Little Time), mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Young Narrator In The Breakers tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um groove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers

01. Ran Ran Run
02. Annie Hall
03. Ruby (Let’s Buy The Bike)
04. Wiserway
05. A Quiet Time With Spaceman Sputz
06. Somewhere In Iowa
07. Belle Of The Ball
08. The Aquarium
09. No Mind
10. John (A Little Time)
11. Young Narrator In The Breakers
12. 2020, We’ll Have Nothing Going On


autor stipe07 às 14:56
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Domingo, 13 de Novembro de 2016

The XX – On Hold

The XX - On Hold

Terminou há poucos dias uma longa espera relativamente a novidades dos The XX, após o aclamado Coexist, um longa duração lançado pelo grupo, à boleia da Young Turks, já há quatro anos e que tem finalmente sucessor. O terceiro álbum do trio será editado a treze de Janeiro de 2017 com o mesmo selo Young Turks e chamar-se-á I See You. O disco terá um alinhamento de dez canções, gravadas entre Março de 2014 e Agosto de 2016 em vários sítios como New York, Texas, Reykjavique, Los Angeles e Londres e foi produzido pot Jamie Smith e Rodaidh McDonald.

On Hold é o mais recente tema divulgado desse novo disco de Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith (a baixista Baria Qureshi deixou o grupo ainda em 2009) uma lindíssima composição, certamente das melhores que este projeto já criou e que faz jus à imagem de marca dos The XX. É uma canção de amor que tem como atributo maior o diálogo entre Romy e Oliver, dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. Confere...


autor stipe07 às 19:24
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

Cultural Lungs - Fortress

Com uma guitarra na mão e um universo infinito de possibilidades de escrita e composição na outra, Cássio Ferreira é o grande mentor do projeto musical Cultural Lungs, nascido em 2005 e que, de acordo com várias descrições, soa a Hans Zimmer a tentar encorajar os Radiohead a ultrapassar uma depressão. Independentemente dessa ideia e do modo como a mesma poderá, desde logo, balizar na nossa mente o conteúdo sonoro de Fortress, o mais recente disco deste projeto, o importante é, à partida, esclarecer que este não é um alinhamento para ser escutado sem a noção clara que Fortress é um álbum concetual sobre a história da humanidade e que a escolha do modo como se escutam os temas, define o final da mesma.

Nos pouco mais de quarenta minutos deste álbum escorrem dezoito canções que encontram nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão de sentimentos e emoções que impressionam, uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Logo em Prologue uma voz feminina bastante sedutora e apelativa, dá-nos as boas vindas a esta viagem, que promete ser única, com a crueza das cordas de Glass a esclarecer-nos, no imediato, do elevado grau de pureza e de delicadeza deste autor, que em Walls consegue, num abrir e fechar de olhos, levar-nos do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, cruzado com rock progressivo, uma mistura que encontra o seu sustento nas teclas de um piano carregado de um intenso charme e que parece também não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este tema representa.

De aí em diante, enquanto cada canção segue um encadeamento e continua o ideário transmitido pela anterior, Cássio vai continuando a oferecer-nos um naipe riquíssimo de imagens evocativas, que depois sustenta em melodias bastante virtuosas e cheias de cor, arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos e variações rítmicas e emotivas inesperadas, um caudal sonoro e lírico cuja filosofia subjacente prova a sensibilidade do mesmo para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Se Room levita em redor de uma névoa lo fi com um fulgurante travo acústico à mistura, já People e Mask são duas peças sonoras eminentemente contemplativas e que oferecem-nos uma espécie de monumentalidade comovente, enquanto Fear e Voice mostram-nos um lado mais solar e extrovertido, algo que sucede em ambos com elevado sentido melódico e uma vincada estética pop.

Com alguns dos temas acima referidos, assim como outros, a terem direito a uma segunda versão, nasegunda metade do álbum, competindo a cada ouvinte, como referi, selecionar que percurso ousa trilhar nesta viagem, Fortress contém um tempero muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimentos, eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atingem à boleia deste músico um estado elevado de consciência e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:24
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