Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

Máquina Del Amor - Disco

É em Braga e numa feliz simbiose entre elementos dos peixe:avião e dos Smix Smox Smux que se encontra a génese dos Máquina Del Amor, um quarteto que já carrega nos braços um fabuloso tomo de canções intitulado Disco. São oito temas impregnados com um rock cru, intenso e maquinal, um rock feito sem limites pré-definidos ou concessões a estreótipos de géneros e estilos e do qual exala uma salutar sensação intuitiva. Nela, improviso instrumental e sensibilidade melódica entrelaçam-se constantemente, sem cânones ou fronteiras rígidas e com uma ímpar homogeneidade, um coito desprovido de qualquer tipo de pudor entre o orgânico e o sintético, que acabou por resultar num registo desconcertante e inigualável no panorama sonoro nacional atual.

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Logo no modo lascivo e de certo modo corrosivo como Karate aborda e conjuga efeitos etéreos, distorções rugosas e uma batida bastante proeminente percebe-se que este álbum não é para ser escutado por quem é adepto de ambientes sonoros mais amenos e delicados. Esta sonoridade algo psicótica não é propriamente confortável para o ouvido, mas esse acaba por ser, curiosamente, um dos maiores atributos destes Máquina Del Amor que, mesmo com essa permissa sempre presente, conseguem oferecer ao ouvinte instantes melódicos atrativos e que vagueiam pela nossa mente sem atropelo, alguns de um modo até tremendamente hipnótico, como é o caso de Mau ou o falso minimalismo coercivo de Carta de Amor e, de um modo ainda mais progressivo, Nova Antiga, composição onde a delicadeza emotiva nunca deixa de fazer mossa, mesmo que à medida que o tema se desenvolve, longos loopings sintetizados e riffs de guitarra alucinogénicos, façam a sua aparição sem qualquer tipo de mácula ou entrave.

Disco é rock puro e duro e que corta e rebarba de alto a baixo. Frenético, labiríntico, sufocante e cerebral, é capaz de nos levar do subsolo aos confins do universo num ápice, sendo proposto por um projeto que estará totalmente alheado, de forma consciente, do que são hoje os os habituais patamares de rugosidade instrumental e estilística de um campo sonoro que permite uma multiplicidade infinita de abordagens, mas que nem sempre aceita de bom grado a busca de atmosferas mais opressivas e desoladoras que o habitual, mesmo que isso seja apenas uma primeira impressão que pode até nem corresponder à real génese do trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:58
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018

Laura Marling – A Hard Rain’s A-Gonna Fall

Laura Marling -  A Hard Rain's A-Gonna Fall

A britânica Laura Marling editou na passada primavera Semper Femina, um excelente registo de indie folk que além de ter melhorado consideravelmente a sua já inatacável reputação como cantora e compositora, acabou por lhe valer comparações como nomes tão importantes como Joni Mitchell ou Patti Smith.

Agora, alguns meses depois, enquanto não anuncia um novo trabalho, terminou o ano de 2017 a divulgar uma cover de um clássico de Bob Dylan intitulado A Hard Rain’s A Gonna Fall. Na reinterpretação que concebeu do tema, não só fez juz à emotividade latente no original, como ampliou aquela curiosa sensação de otimismo que transparece do poema que dá vida ao tema. Confere...


autor stipe07 às 21:36
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018

Luke Sital-Singh – Thirteen

Luke Sital-Singh - Thirteen

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição.

Uma das canções presentes nesse alinhamento que Luke escutou nessa road trip sonora é Thirteen, um clássico original de 1972 dos Big Star, já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith e que acabou por ser também cantado por Luke, numa versão recentemente divulgada e que é fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a própria canção, na sua génese, transborda, nomeadamente da sua letra. Confere... 


autor stipe07 às 17:31
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017

James Blake - Vincent

James Blake - Vincent

Enquanto não edita um novo disco, o londrino James Blake resolveu oferecer como prenda de natal aos seus fãs, uma lindíssima versão de Vincent, um clássico da autoria do cantor norte-americano Don McLean, originalmente gravada há quarenta e seis anos anos, como homenagem ao pintor Vincent Van Gogh.

Com o original presente na banda sonora do filme Loving Vincent, lançado recentemente, esta versão de Blake teve já também direito a um vídeo, gravado em Los Angeles e dirigido por Andrew Douglas, sendo uma lindíssima canção tocada ecantada ao piano, uma reinterpretação que criou um ambiente algo intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Confere...


autor stipe07 às 15:25
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2017

Os melhores discos de 2017 (10-01)

10 - Paperhaus - Are These The Questions That We Need To Ask

Em Are These The Questions That We Need To Ask os Paperhaus aprimoram o seu espetro sonoro, mostrando-nos um som corrosivo, hipnótico e contundente, um clarividente exemplar da habitual cartilha sonora que este coletivo da costa leste costuma guardar na sua bagagem. Há neles uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que também recordem os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabus ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Paperhaus produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico.

Paperhaus - Are These The Questions That We Need To Ask

01. Told You What To Say
02. Go Cozy
03. Nanana
04. Walk Through the Woods
05. It’s Not There
06. Needle Song
07. Serentine
08. Bismillah

09 - Sleep Party People - Lingering

Lingering é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também observadora de outros eventos e emoções, um trabalho experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas.

Sleep Party People - Lingering

01. Figures
02. The Missing Steps
03. Fainting Spell
04. Salix And His Soil
05. Lingering Eyes
06. Dissensions (Feat. Luster)
07. Limitations
08. The Sound Of His Daughter
09. The Sun Will Open Its Core
10. We Are There Together (Feat. Beth Hirsch)
11. Odd Forms
12. Vivid Dream

08 - Grooms - Exit Index

Com um forte cariz urbano e atual, Exit Index é um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. É um disco que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Todos os temas são arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões e que se servem também, em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico, certamente com o propósito de contornar todas as amarras que prendem a nossa alma e apresentar, desse modo, a notável disponibilidade dos Grooms para nos fazerem pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Há neste alinhamento quase uma pueril simplicidade, que plasma uma notável capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje, oferecendo-nos, enquanto se vai num abrir e fechar de olhos do nostálgico ao glorioso, uma caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme.

Grooms - Exit Index

01. The Directory
02. Horoscopes
03. Turn Your Body
04. Magistrate Seeks Romance
05. End
06. Dietrich
07. Softer Now
08. Some Fantasy
09. They Can Tell
10. Thimble

07 - LCD Soundsystem - American Dream

American Dream talvez reflita, no fundo, a realidade atual de uma América onde não existem, nos dias de hoje, muitas razões para celebrar ou motivos que inspirem à criação musical que exale, de modo evidente, a gloriosa celebração do que é viver num país que nunca se cansa de apregoar que lidera os destinos do mundo. De um modo mais particular, talvez aquele que mais interesse, ensina-nos que nunca é tarde para recomeçar, que os anos podem passar por nós, mas o nosso espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados LCD Soundsystemcomo entidade.

LCD Soundsystem - American Dream

01. Oh Baby
02. Other Voices
03. I Used To
04. Change Yr Mind
05. How Do You Sleep?
06. Tonite
07. Call The Police
08. American Dream
09. Emotional Haircut
10. Black Screen

06 - Slowdive - Slowdive

Disco muito desejado por todos os seguidores e não só e que quebra um longo hiato, Slowdive é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde o amor é tantas vezes protagonista, mas onde também subsistem outros eventos e emoções capazes de nos transformar positivamente.

Slowdive - Sugar For The Pill

01. Slomo
02. Star Roving
03. Don’t Know Why
04. Sugar For The Pill
05. Everyone Knows
06. No Longer Making Time
07. Go Get It
08. Falling Ashes

05 - Beach Fossils - Somersault

Somersault eleva os Beach Fossils a um novo patamar criativo, com as canções a abrigarem-se à sombra de uma filosofia estilística bastante marcada e homogéna, o que faz com que funcionem, individualmente, como vinhetas climáticas que vão servindo para marcar o ambiente e a cadência do mesmo. Mas, um dos maiores atributos do alinhamento é a quase indivisibilidade entre os temas, que podem ser apreciados como um todo, já que, liricamente, debruçando-se sobre as agruras de uma América cada vez mais confusa, garantem a formatação de uma obra de maior alcance e até, do modo como estão alinhados, engrandecem algumas canções menores. É o caso de Be Nothing, composição posicionada no final de Somersault e que, no modo como cresce e progride, além de personificar aquele grito de raiva que muitas vezes é imprescindível soltar no clímax de um instante reflexivo, acaba também por fazer uma súmula de todo o ideário, quer sentimental, quer sonoro, subjacente à intimidade que exala de toda a obra e que nos envolve de um modo muito particular.

Beach Fossils - Somersault

01. This Year
02. Tangerine (Feat. Rachel Goswell)
03. Saint Ivy
04. May 1st
05. Rise (Feat. Cities Aviv)
06. Sugar
07. Closer Everywhere
08. Social Jetlag
09. Down The Line
10. Be Nothing
11. That’s All For Now

04 - The War On Drugs - A Deeper Understanding

A Deeper Understanding é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Gradunciel sereno e bucólico, através de uma viagem aos universos de Dylan e Kurt Vile, passando por Springsteen, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências pessoais do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas de uma América que parece ter encalhado e não saber como voltar novamente ao rumo certo.

The War On Drugs - A Deeper Understanding

01. Up All Night
02. Pain
03. Holding On
04. Strangest Thing
05. Knocked Down
06. Nothing To Find
07. Thinking Of A Place
08. In Chains
09. Clean Living
10. You Don’t Have To Go

03 - Father John Misty - Pure Comedy

Sedutor, cativante, profundamente engenhoso e com todos os atributos para ser um verdadeiro diabo vestido de anjo, John Tillman aprofunda neste seu novo trabalho, que é já, claramente, um dos melhores discos do ano, o refinado e oportuno sentido de humor que tão bem o carateriza e a sagacidade das suas letras, cada vez mais inteligentes e enigmáticas. E Father John Mistyleva a cabo esta demanda com um elevado sentido críptico e desafiante, já que não é óbvia, em alguns instantes, a descodificação célere das suas reais intenções relativamente a todos aqueles que se deixam inebriar pelos seus sermões e fazer parte de um rebanho que se assanha sempre que o pastor investe no seu tema recorrente, o amor.

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1. Pure Comedy
2. Total Entertainment Forever
3. Things It Would Have Been Helpful to Know Before the Revolution
4. Ballad of the Dying Man
5. Birdie
6. Leaving LA
7. A Bigger Paper Bag
8. When the God of Love Returns There'll Be Hell to Pay
9. Smoochie
10. Two Wildly Different Perspectives
11. The Memo
12. So I'm Growing Old on Magic Mountain
13. In Twenty Years or So

02 - The Feelies - In Between

Aos quarenta anos de idade, os The Feelies deslumbram intensamente pelo à vontade com que, nas várias inflexões e variações, quer de sons quer de arranjos, que colocam nas suas músicas, ainda navegam em segurança e vigor nos meandros intrincados e sinuosos de um indie rock que entre uma toada maisgrunge, progressiva e psicadélica e uma leveza pop mais intimista, nunca deixam de exalar um sedutor entusiasmo lírico, uma atmosfera amável mesmo no meio de algum fuzz constante e um clima geral luminoso, enérgico e até algo frenético, num disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda cada vez mais protagonista no universo sonoro em que se move.

The Feelies - In Between

01. In Between
02. Turn Back Time
03. Stay The Course
04. Flag Days
05. Pass The Time
06. When To Go
07. Been Replaced
08. Gone, Gone, Gone
09. Time Will Tell
10. Make It Clear
11. In Between (Reprise)

01 - Ulrika Spacek - Modern English Decoration

Os Ulrika Spacek levam-nos a sorrir e a abanar a anca ao som de canções que se insinuam continuamente por causa do modo algo desconexo como se vão desenvolvendo ritmíca e melodicamente, acabando este disco por ser a expressão máxima de um modo bastante textural, orgânico e imediato de criar música e de fazer dela uma forma artística privilegiada na transmissão de sensações que não deixam ninguém indiferente. Modern English Decoration atesta a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este grupo britânico entra em estúdio para compôr e criar um shoegaze progressivo que se firma com um arquétipo sonoro sem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual. O melhor disco do ano, claramente.

Ulrika Spacek - Modern English Decoration

01. Mimi Pretend
02. Silvertonic
03. Dead Museum
04. Ziggy
05. Everything, All The Time
06. Modern English Decoration
07. Full Of Men
08. Saw A Habit Forming
09. Victorian Acid
10. Protestant Work Slump

 
 

autor stipe07 às 14:20
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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2017

Os melhores discos de 2017 (20-11)

20 - Foxygen - Hang

Hang é um verdadeiro tratado sonoro carregado de emoção, cor e alegria, uma verdadeira viagem no tempo, mas também um disco intemporal na forma como plasma com elevada dose de criatividade o que de melhor recria atualmente o vintage. MasHang também aponta caminhos para o futuro não só da dupla, como de todo um género musical que não se deve esgotar apenas na recriação de algumas das referências fundamentais do passado, mas também subsistir numa demanda constante por algo genuíno e que depois sirva de modelo e de referencial sonoro. O modo como o misticismo exótico dos Foxygen recria a música de outrora, faz já deles um modelo a seguir para outros projetos que queiram trilhar este caminho sinuoso e claramente aditivo, principalmente pelo modo como, não só neste disco, mas mesmo em cada música, conseguem ser transversais e estabelecer pontes entre o passado e o futuro.

Foxygen - Hang (2017)

01. Follow the Leader
02. Avalon
03. Mrs. Adams
04. America
05. On Lankershim
06. Upon a Hill
07. Trauma
08. Rise Up

19 - Courtney Barnett And Kurt Vile – Lotta Sea Lice

Lotta Sea Lice é um exercício de aceitação plena por parte dos autores de um estado de consciência sobre uma vida que ambos saboreiam em constante rebuliço, mas constante no modo como lidam com os diferentes sentimentos e emoções estejam em que local do mundo estiverem. É, em suma, um conjunto de canções que mostram dois seres humanos profundamente reflexivos, mas também auto confiantes e que servem-se da viola e da guitarra, seus fiéis companheiros nestas jornadas únicas e sentimentais sobre as vidas de dois músicos transportadas para uma contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas.

Courtney Barnett  And Kurt Vile - Lotta Sea Lice

01. Over Everything
02. Let It Go
03. Fear Is Like A Forest
04. Outta the Woodwork
05. Continental Breakfast
06. On Script
07. Blue Cheese
08. Peepin’ Tom
09. Untogether

18 - Oh Sees - Orc

Edifício sonoro brilhante e cheio de vida e cor, Orc possibilita aosOh Sees atravessarem novamente as barreiras do tempo e manterem-se, ao mesmo tempo, joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo mantém intata a sua insana cartilha de garage folk rock blues com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deste grupo é, cada vez mais, uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes.

Download Oh Sees   Orc (2017) Mp3

01. The Static God
02. Nite Expo
03. Animated Violence
04. Keys to the Castle
05. Jettisoned
06. Cadaver Dog
07. Paranoise
08. Cooling Tower
09. Drowned Beast
10. Raw Optics

17 - Grizzly Bear - Painted Ruins

Álbum desafiante porque só revela todo o seu potencial instrumental e todos os detalhes e nuances que o trespassam após repetidas audições, Painted Ruins é uma verdadeira obra de arte por isso e porque mantém acesa a chama algo angustiante e nebulosa de uns Grizzly Bear que mais do que se preocuparem em agradar ao mainstream e à radiofonia, preferem estar na linha da frente daqueles que compõem com o firme propósito de deixar algo que marque e exercite a mente de quem aceita ouvir e deliciar-se com os seus sermões.

Grizzly Bear - Painted Ruins

01. Wasted Acres
02. Mourning Sound
03. Four Cypresses
04. Three Rings
05. Losing All Sense
06. Aquarian
07. Cut-Out
08. Glass Hillside
09. Neighbors
10. Systole
11. Sky Took Hold

16 - Perfume Genius - No Shape

Nada subtil, confiante, decidido e até, em certos momentos, algo descarado, Hadreas renova em No Shape o seu firme propósito de utilizar a música não apenas como um veículo de manifestação artística, mas, principalmente, como um refúgio explícito para uma narrativa que, sendo feita quase sempre na primeira pessoa, materializa o desejo de alguém que já confessou não conseguir fazer música se ela não falar sobre si próprio e que amiúde admite guardar ainda muitos segredos dentro de si. Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial que se em alguns provoca um sentimento de repulsa, noutros causa uma atração intensa, como se o uso da dor para transformar a intimidade de alguém em algo universal fosse afinal uma das estratégias mais bem sucedidas de abordar de modo genuíno as relações e a fragilidade humana. No Shape lança os holofotes não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, já que ajuda ao contacto e à tomada de consciência de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar.

Perfume Genius - No Shape

01. Otherside
02. Slip Away
03. Just Like Love
04. Go Ahead
05. Valley
06. Wreath
07. Every Night
08. Choir
09. Die 4 You
10. Sides
11. Braid
12. Run Me Through
13. Alan

15 - Tashaky Miyaki - The Dream

Com uma sonoridade cada vez mais sóbria e adulta, Lucy e Tashaki criaram em The Dream um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia, através de uma instrumentação que tem como pano de fundo essencial o clássico rock abarcado pela típica herança da América do Norte, que serve-se de guitarras sobriamente eletrificadas e distorcidas para obter uma mistura sem fronteiras definidas, entre esse grande universo sonoro e o blues, a folk, e, implicitamente, alguns pilares fundamentais da eletrónica ambiental. É, em suma, um compêndio sonoro que surpreende pelo bom gosto como apresenta de forma sombria e introspetiva, mas superiormente frágil e sedutora, a visão dosTashaki Miyaki sobre alguns temas que sempre tocaram a dupla, mas, principalmente, pela forma madura e sincera como tentam conquistar o coração de quem os escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser.

Tashaki Miyaki - The Dream

01. L.A.P.D. Prelude
02. City
03. Girls On T.V.
04. Out Of My Head
05. Anyone But You
06. Cool Runnings
07. Tell Me
08. Facts Of Life
09. Keep Me In Mind
10. Get It Right
11. Somethin Is Better Than Nothin
12. L.A.P.D. Finale
13. L.A.P.D.

14 - Elbow - Little Fictions

Sempre encantadores, aditivos e simultaneamente amplos e grandiosos e detalhados e impressivos no modo como falam e cantam sobre o amor, no fundo a grande força motriz de toda a pafernália de sensações e acontecimentos que fui descrevendo até aqui, os Elbow provam em Little Fictions que estão num elevado e excitante momento criativo e intactos e genuínos a expôr-se e a desarmar-nos. Afirmo-o convictamente porque este disco tem alguns momentos que, sendo devidamente absorvidos, não deixarão de nos provocar aquelas reações físicas que muitas vezes tentamos refrear, porque há quem considere que a cena dos sentimentalismos, do sorriso sem razão aparente e das lágrimas felizes ou infelizes (e aqui há as duas possibilidades) é só para os fracos de coração e de espírito.

Elbow - Little Fictions

01. Magnificent (She Says)
02. Gentle Storm
03. Trust The Sun
04. All Disco
05. Head For Supplies
06. Firebrand And Angel
07. K2
08. Montparnasse
09. Little Fictions
10. Kindling

13 - My Sad Captains - Sun Bridge

Sun Bridge é um disco que não nos dá tempo para recuperar o fôlego, porque são imensos os momentos que proporcionam prazer, conforto e admiração durante a sua escuta. É um trabalho para ser ouvido e contemplado, um alinhamento onde há momentos animados e luminosos, mas também instantes de pausa, de sossego e melancolia, esta, muitas vezes, quase absurda. Tal sofreguidão deve-se, em suma, à consistência com que, música após música, somos confrontados e confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas.

My Sad Captains - Sun Bridge

01. Early Rivers
02. Everything At The End Of Everything
03. Destination Memory
04. Don’t Listen To Your Heart
05. None In A Million
06. William Campbell
07. Curtain Calls
08. New Sun
09. Wintersweet
10. Relive

12 - Happyness - Write In

Write In é outro clímax de todo o ideário processual que timbra o som identitário dos Happyness, que nos oferecem um álbum que, sendo um belo psicoativo sentimental, encarna uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso.

Happyness - Write In

01. Falling Down
02. The Reel Starts Again (Man As Ostrich)
03. HAnytime
04. Through Windows
05. Uptrend / Style Raids
06. Bigger Glass Less Full
07. Victor Lazarros Heart
08. Anna, Lisa Calls
09. The C Is A B A G
10. Tunnel Vision On Your Part

11 - Pond - The Weather

Já com um acervo único e peculiar e que resulta da consciência que os músicos que compôem este coletivo têm das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os POND são umbilicalmente responsáveis por praticamente tudo aquilo que move e se move neste género e já se assumiram como referências essenciais para tantos outros. Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é The Weather, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os POND sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente aorock psicadélico do século passado.

Pond - The Weather

01. 30000 Megatons
02. Sweep Me Off My Feet
03. Paint Me Silver
04. Colder Than Ice
05. Edge Of The World, Pt. 1
06. A / B
07. Zen Automaton
08. All I Want For Xmas (Is A Tascam 388)
09. Edge Of The World, Pt. 2
10. The Weather


autor stipe07 às 17:59
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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2017

Elbow – The Best Of

Uma das bandas fundamentais do cenário indie das duas últimas décadas são, com toda a justiça, os britânicos Elbow de Guy Garvey, uma banda natural de uma pequena localidade inglesa chamada Salford e de regresso aos discos com um Best Of, uma excleente súmula de todo o trabalho discográfico de um grupo honesto, coeso e com uma fleuma muito própria e sua, que tarda em obter no panorama internacional o mesmo reconhecimento que já tem, como projeto de topo, em terras de sua majestade.

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Donos de um som épico, eloquente e que exige dedicação, os Elbow têm em quase duas décadas de carreira verbalizado sonoramente uma necessidade quase biológica de nos elucidar como enfrentar a habitual ressaca emocional que os normais eventos de uma vida em sociedade provocam no equilíbrio emocional de qualquer mortal, razão pela qual são um daqueles grupos com os quais tanta gente acaba por se identificar, principalmente quem, de modo mais ou menos devoto, vai procurando destrinçar a escrita apurada de Garvey.

Mostrando-se, de álbum para álbum, cada vez mais maduros e sempre a fazerem questão de serem profundos e poéticos na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir, este quinteto manteve sempre uma sonoridade elaborada que terá tido talvez o momento mais alto da carreira no maravilhoso The Seldom Seen Kid (2008), apesar do extraordinário conteúdo do último compêndio de originais, o Little Fictions, editado a dois de fevereiro deste ano.

Na verdade, os Elbow acertaram sempre, trabalho após trabalho e conseguiram neste Best Of um alinhamento bonito e emotivo, cheio de sentimentos que refletem não só os ditos desabafos de Garvey, mas também a forma como ele entende o mundo hoje e as rápidas mudanças que sucedem, onde parece não haver tempo para cada um de nós parar e refletir um pouco sobre o seu momento e o que pode alterar, procurar, ou lutar por, para ser um pouco mais feliz. Canções como a optimista e orquestral Magnificient (She Says), a luminosidade intimista e charmosa de Mirrorball, a cândura arrebatadora que transborda da emotiva My Sad Captains ou a sedutora reflexão acerca de uma infância que nunca termina, plasmada em Lippy Kidsconstituem a banda sonora ideal para essa paragem momentânea, que para todos nós deveria ser obrigatória e que pode muito bem servir-se deste Best Of, deixando-o ali a tocar, a meio volume e em pano de fundo.

Sempre encantadores, aditivos e simultaneamente amplos e grandiosos e detalhados e impressivos no modo como falam e cantam sobre o amor, no fundo a grande força motriz de toda a pafernália de sensações e acontecimentos que fui descrevendo até aqui, os Elbow provam nesta súmula da sua maravilhosa carreira que possuem uma elevada e excitante veia criativa intacta e genuína a expôr-nos e a desarmar-nos. São, claramente, uma daquelas bandas capazes de criar momentos que, sendo devidamente absorvidos, não deixam de nos provocar aquelas reações físicas que muitas vezes tentamos refrear, porque há quem considere que a cena dos sentimentalismos, do sorriso sem razão aparente e das lágrimas felizes ou infelizes (e aqui há as duas possibilidades) são só para os fracos de coração e de espírito. Quanto a mim, o verdadeiro e o mais recompensador é exatamente o contrário e aqueles que se expôem assim, é que são os fortes... E a música dos Elbow, disco após disco, tem-me ajudado a perceber nas últimas duas décadas como cimentar e vivenciar esta minha certeza, da qual não me envergonho minimamente. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - The Best Of Deluxe Edition

CD 1
01. Grounds For Divorce
02. Magnificent (She Says)
03. Lippy Kids
04. One Day Like This
05. The Bones Of You
06. My Sad Captains
07. Leaders Of The Free World
08. Mirrorball
09. Fugitive Motel
10. New York Morning
11. Great Expectations
12. The Birds
13. Scattered Black And Whites
14. Golden Slumbers

CD 2
01. Any Day Now
02. Fly Boy Blue / Lunette
03. Weather To Fly
04. Station Approach
05. Switching Off
06. Little Fictions
07. This Blue World
08. Kindling (Fickle Flame) (Feat. John Grant)
09. Newborn
10. The Night Will Always Win
11. Starlings
12. Puncture Repair
13. The Loneliness Of A Tower Crane Driver
14. Dear Friends


autor stipe07 às 00:05
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

Björk – Utopia

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, já tem sucessor. O novo disco da artista islandesa chama-se Utopia, viu a luz do dia a vinte e quatro último, via One Little Indian Records, e constitui uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam, depois do antecessor ter sido um disco intimista e algo depressivo, que se focou muito no termino da relação amorosa da autora com Matthew Barney, um reputado artista plástico americano.

Resultado de imagem para Björk Utopia

De facto, o que não falta em Utopia são ideias e sugestões para um mundo melhor e o venezuelano Arca, produtor deste disco, é um elemento preponderante para o deslumbre que se sente com toda a pafernália de sons, detalhes e efeitos que vão cirandando em redor da voz de uma Björk que parece ter encontrado de novo motivos para olhar com optimismo para o mundo que a rodeia. Se The Gate, o terceiro tema do disco é, de acordo com a própria autora, a canção que melhor retrata as diferenças entre Vulnicura e Utopia, muito por causa do modo como Björk posiciona o seu registo vocal no meio de uma vasta miríade de luxuriantes efeitos e detalhes eminentemente sintéticos e com um poderoso potencial impressivo, logo na luxuriante secção de metais que vai sobressaindo em Arisen My Senses percebe-se que a compositora islandesa sente-se mais sorridente e disponível para a celebração. Logo depois, em Blissing Me, somos confrontados com uma canção cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. É uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondicional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro e que vinca, definitivamente, aquela que será a filosofia sonora do restante alinhamento de Utopia.

Até ao ocaso deste trabalho, quer na extensa e espiritual Body Memory, uma canção que conta com a extraordinária participação especial de seis dezenas de vozes feminimas, quer na complexidade orquestral de temas tão envolventes como Tabula Rasa, uma composição que eriça com contundência o nosso lado mais sensível, ou de Losss, um oásis de cândura e suavidade, assim como de Claimstaker, uma ode ao amor tremendamente retemperadora, somos absorvidos sem apelo nem agravo por um álbum que representa, claramente, uma espécie de renascimento e de virar de página para um universo mais eloquente e transcendental por parte de uma das intérpretes mais inspiradas e influentes do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão....


autor stipe07 às 20:42
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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

Björk – Blissing Me

Björk - Blissing Me

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, prepara-se para ter sucessor já dentro de dias.

O novo disco da artista islandesa chamar-se-à Utopia, irá ver a luz do dia já dia vinte e quatro, via One Little Indian, e será, de acordo com a própria autora, uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam. Supostamente irá conter algumas ideias e sugestões para um mundo melhor, o que deverá ser mesmo uma realidade tendo em conta Blissing Me, o novo single divulgado do disco, cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. Falo de uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondcional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro. Confere...


autor stipe07 às 21:34
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Sábado, 11 de Novembro de 2017

Plastic Flowers – Absent Forever

Juntam-se guitarras impregnadas de efeitos com uma forte toada shoegaze e um ambiente melódico particularmente lisérgico e contemplativo e estão lançados os dados para a chegada às luzes da ribalta de mais um projeto indie dentro do espectro sonoro que nos oferece uma versão algo ruidosa da dream pop mais ambiental e que também revive, em grande parte, épocas gloriosas de um rock alternativo que fez escola na reta final do século passado em Terras de Sua Majestade. Refiro-me a Plastic Flowers, o alter-ego sonoro do grego, sedeado em Londres, George Samaras, um projeto que nasceu na zona de Tessalónica, na Grécia, há pouco mais de meia década. Plastic Flowers vai já no terceiro lançamento discográfico, sendo o mais recente Absent Forever, dez canções que acabam de ver a luz do dia à boleia da The Native Sound.

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Com algumas canções já arquitetadas desde 2013 e gravado em apenas três meses, em diferentes espaços de Londres e num pequeno estúdio da casa de um amigo de Samaras em Hampstead, arredores da capital britânica, Absent Forever é um disco de contrastes. Se contém instantes tremendamente ruidosos e com uma forte complexidade instrumental, também deve muito da sua bitola qualitativa superior a outros intensamente calmos e reflexivos, sendo inteligente o modo como se vão revezando entre si, muitas vezes dentro dos próprios temas, numa demanda sonora onde a ideia de experimentalismo é elevada à forma de arte, neste caso sonora, com charme, bom gosto e uma invulgar sapiência.

Um dos truques que explica o som inédito e bastante identitário deste álbum é o modo como no processo criativo foram capturados alguns dos instrumentos através da antiga e analógica tecnologia da fita magnética. Depois, a participação de um quarteto de cordas também ajudou a ampliar ainda mais o clima rugoso e orgânico de um alinhamento que possui o habitual cariz melancólico em que Plastic Flowers gosta de nos imergir. No single How Can In, o modo como um imparável riff eletrificado se sobrepõe e um trecho de guitarra ternurento que se repete ininterruptamente, plasma esta sensação agridoce que acaba por se estender à meia hora que o disco dura, até porque essa sensação se repete logo a seguir em Seventeen, canção que inicia com uma guitarra fortemente etérea e luminosa que pouco depois é trespassada por uma bateria imponente, com o resultado final a ser uma composição de forte cariz orquestral, com deliciosos acordes e melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, algo que à partida não era fácil de adivinhar assim que o tema começou. Depois, a sobriedade sentimental esplendorosa de Falling Off, o modo quase espiritual como em Half Life somos confrontados com um edifício sonoro com uma epicidade incomum e algo intrigante e a feliz nostalgia oitocentista que exala do post rock que define So Long, uma daquelas canções cujas diversas camadas de sons impelem ao cerrar de punho, são outros exemplos felizes do modo como neste Absent Forever é possível apreciar ruído e rugosidade, sem deixar de estar à tona uma toada eminentemente tranquila e sedutora, mesmo que, durante a audição, o frenesim na percussão e o ruído das guitarras, principalmente nos refrões, sejam nuances que parecem apontar numa outra direção, até algo oposta.

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Absent Forever exala o contínuo processo de transformação de Plastic Flowers que procura mostrar, ao terceiro registo, com a marca do indie shoegaze, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Plastic Flowers - Absent Forever

01. Absent Forever
02. How Can I
03. Seventeen
04. Falling Off
05. Dalliance
06. Half Life
07. So Long
08. Where Are You
09. January 2017
10. NN


autor stipe07 às 22:50
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