Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Slowness – How To Keep From Falling Off A Mountain

Formados em 2008 em São Francisco, os norte americanos Slowness são uma dupla formada por Julie Lynn e Geoffrey Scott. Deram início às hostilidades com Hopeless but Otherwise, um EP produzido por Monte Vallier (Weekend, The Soft Moon, Wax Idols) e no ano passado surpreenderam com o longa duração For Those Who Wish to See the Glass Half Full, produzido pelo mesmo Vallier e que teve uma edição física em vinil, via Blue Aurora Audio Records. Agora, no passado dia três de junho, foi editado How to Keep From Falling Off a Mountain, o sempre difícil segundo disco.

Algures entre Stereolab, os seus conterrâneos The Soft Moon e Slowdive, os Slowness são uma excelente banda para se perceber como os anos oitenta devem soar em 2014. Produzido, como é habitual, por Vallier, How To Keep From Falling Off A Mountain são oito canções tranquilas, com leves pitadas de shoegaze e pós rock, mas nada de muito barulhento, apesar de uma forte componente experimental, explícita logo no início na sobreposição de distorções e efeitos de guitarras em Mountain. Division e Illuminate têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e são para mim os grandes momentos do disco, belos instantes sonoros pop onde a voz é colocada em camadas, bem como as guitarras, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa.
As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Se a já citada Illuminate remete-nos para uma certa onda dançante do Primary Colours, dos The Horrors, a canção seguinte, Anon (Part I), usa as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E nos restantes temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por How To Keep From Falling Off A Mountain.
De certa forma, os Slowness seguem as pisadas do pós punk mais sombrio, que busca uma sonoridade menos comercial e mergulha num oceano de ruídos, com um certo toque de psicadelia, atestando, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, além de provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.
How To Keep From Falling Off A Mountain não vai dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico, como uma veia mais etérea e até melancólica. É um disco bom para ouvir enquanto se contempla o céu naqueles finais de tarde junto a um mar sem ondas. Espero que aprecies a sugestão...

Slowness - How To Keep From Falling Off A Mountain

01. Mountain
02. Division
03. Illuminate
04. Anon (Part I)
05. Anon (Part II)
06. Anon (Part III)
07. Anon (Part IV)
08. Anon (A Requiem In Four Parts)


autor stipe07 às 22:17
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Moebius Story Leidecker - Snowghost Pieces

Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius são a força motriz de Moebius, que se agregou à dupla Tim Story e Jon Leidecker, para criar um projeto sonoro bastante curioso que editou recentemente Snowghost Pieces, gerado por uma miríade de artistas que conferiu ao disco uma visão sonora bastante heterogénea e abrangente da música eletrónica atual na sua faceta mais ambiental.

Snowghost Pieces são onze canções carregadas de detalhes e sons que, do mais comum ao mais bizarro, agregam-se e dão origem a peças sonoras bastante futuristas e que contrariam quem considera que a eletrónica ambiental é um estilo musical marcadamente minimal e pouco diversificado. De certo modo é como se  projeto quisesse reinventar o krautrock, dando-lhe uma toada mais ambiental e futurista, mas sem descurar o habitual rigor e rigidez que a junção de diferentes tiques criados pela faceta mais sintética da música exige, para queo resultado final seja coerente e audível de forma harmoniosa e comunicativa.  

À medida que as canções vão desfilando nos nossos ouvidos e se sente o seu enorme charme e a extrema capacidade de sedução que nos impele a ouvir o disco até ao final, vamos sendo presenteados com uma teia de sons eletrónicos e acústicos que nunca se abstraem da sua função essencial que é criar, dentro da amálgama concetual delineada, temas com uma forte componente melódica e que sejam diferentes partes de um todo, nada mais nada menos que sonoro harmonioso e construido com enorme mestria nos estúdios de Brett Allen, no estado de Montana.

A atmosfera intimista e até surreal do local onde gravaram, assim como todo o vasto arsenal tecnológico ao dispôr, terá tido certamente impacto no resultado final e na empatia que os músicos criaram entre si, a única explicação plausível para o entendimento do conteúdo tão intenso, firme e de elevada bitola qualitativa que é disponibilizado em Snowghost Pieces, um disco que, tendo em conta o espetro sonoro que abrange, só poderia ter sido lançado através da insuspeita Bureau B, uma das melhores etiquetas a nível mundial neste género musical.

1 Flathead (5:14)
2 Treadmill (4:27)
3 Cut Bank (5:27)
4 Fracture Fuss (7:34)
5 Yaak (5:19)
6 Olara (3:49)
7 Cliff Doze (4:20)
8 Whelmed (4:45)
9 Pinozeek (1;42)
10 Vex (10:37)
11 Defenestrate (5:00)


autor stipe07 às 13:33
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Perfume Genius - Queen

É já a vinte e dois de setembro que chega aos escaparates Too Bright, o terceiro álbum de Perfume Genius, um dos discos mais aguardados do ano e que verá a luz do dia através da Matador Records.

O primeiro avanço de Too Bright, o novo álbum deste alter ego de Mike Hadreas, é Queen, um tema dominado por um potente sintetizador, épico, intenso e fortemente autobiográfico, já que aborda algumas fobias relacionadas com a homossexualidade.

Too Bright foi gravado com Adrian Utley, dos Portishead e conta também com a colaboração de John Parish em alguns temas. Confere...


autor stipe07 às 21:25
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Glass Animals - Zaba

Depois de um EP homónimo lançado no passado dia dezasseis de Abril, os Glass Animals de Dave Bayley, Drew MacFarlane, Edmund Irwin-Singer e Joe Seaward estão de regresso aos discos com Zaba, o longa duração de estreia do grupo, editado no passado dia dez de junho pela Wolf Tone, a nova editora de Paul Epworth, um produtor responsável por alguns dos mais importantes lançamentos discográficos da pop britânica dos últimos anos (Adele, Bloc Party, Florence & The Machine) e já se rendeu aos encantos dos Glass Animals, sem dúvida, um dos projetos mais interessantes e inovadores que ouvi ultimamente.

Com uma sonoridade eletrónica algo minimal mas, ao mesmo tempo, rica em detalhes e com um groove muito genuíno, Black Mambo é o grande destaque deste disco, uma canção com uma atmosfera dançante, mas também muito introspetiva e sedutora. A audição deste single de Zaba acaba por ser um excelente tónico para a descoberta de onze magistrais canções onde encaixam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, detalhes sonoros reproduzidos quase sempre por sintetizadores inspirados e que parecem ter sempre uma função específica e que nos faz descobrir a complexidade do processo criativo dos Glass Animals à medida que vamos ouvindo este disco de forma viciante.

A forma como os Glass Animals conjugam este arsenal instrumental com harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pelas canções e que se deizam afagar livremente pleos manto sonoro que as sustenta, cria a impressão que que os temas nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente.

Além do destaque já referido, há outros temas de Zaba que também merecem uma audição atenta; Há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade de Gooey e Pools, duas canções que abarcam os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop. E depois, Wyrd e, principalmente, Walla Walla sobrevivem algures entre a soul e a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, explícitos na prestação vocal e a climática e psicadélica, enquanto que Intruxx deixa-nos a sonhar com um novo mundo dominado por guitarras memoráveis e uma percussão intensa, cheia de ritmos tribais.

Sem grandes alaridos ou aspirações, Zaba são pouco mais de quarenta minutos assentes num ambiente sonoro intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza, uma melancolia digital que enriquece aquele que é um dos grandes discos do início deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Animals - Zaba

01. Flip
02. Black Mambo
03. Pools
04. Gooey
05. Walla Walla
06. Intruxx
07. Hazey
08. Toes
09. Wyrd
10. Cocoa Hooves
11. Jdnt


autor stipe07 às 13:45
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Balue - Quiet Dreamer

O verão está quase a chegar e apesar deste breve interregno, algo molhado, no bom tempo, apetece ouvir canções alegres e luminosas que criem o ambiente perfeito para o usufruto pleno destes dias quentes de verão. Natural do Novo México, o norte americano Eli Thomas é a mente criativa que dá vida ao projeto Balue, mais uma proposta da etiqueta Fleeting Youth Records e Quiet Dreamer, o seu longa duração de estreia, um álbum que viu a luz do dia a vinte e quatro de junho e disponível no bandcamp do músico.

Fecha os olhos, desce as escadas até à cave da tua alma, respira fundo, carrega no play e prepara-te para entrar em alguns dos teus sonhos, através da música, a melhor psicotropia que existe. Esta é das melhores descrições que me ocorre para Quiet Dreamer, obra sonora de um artista multifacetado e bastante criativo. Quiet Dreamer balança entre a luminosidade de uma voz única, com um encanto relaxante e atmosférico e a toada melódica criada por uma bateria eletrónica e guitarras e sintetizadores com uma sonoridade às vezes retro e outras futurista, mas que dão o tempero ideal às composições. Seja como for, Balue parece ser um músico apaixonado, aicma de tudo, pela mistura lo fi e sintetizada que definia a magia da pop de há trinta anos e ele pretende não só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador ao mesmo tempo, de forma sóbria, coesa e acessível.
Charming Flow foi o primeiro single divulgado de Quiet Dreamer, uma canção com uma sonoridade tipicamente pop, assente numa voz um pouco lo fi e shoegaze, com aquele encanto retro, relaxante e atmosférico e uma intrumentalização assente numa bateria eletrónica e em guitarras e sintetizadores com o tempero ideal, ou seja, um fantástico aperitivo para um disco que acaba por replicar essa receita de forma particularmente feliz. Outros temas como Post Graduation, Grow Up e Trippin' At The Beach, seguem a fórmula, mas depois Balue ainda inflete por outros caminhos paralelos, durante a épica e melancólica God's Magic Circle e na climática Beaches Be Trippin, canção que mistura e herança fiel do surf rock com o melhor indie rock alternativo.
Quiet Dreamer é um daqueles discos que se ouve em frente à praia enquanto saboreamos uma esplanada virada para o pôr do sol. As canções têm algo de fresco e hipnótico, uma chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:19
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Low Roar – 0

Low Roar é o projeto a solo de um músico chamado Ryan Karazija, que depois de alguns anos em São Francisco, na Califórnia, a tentar dar vida à banda Audrye Sessions, decidiu atravessar o Atlântico e instalar-se em Reiquiavique, capital da Islândia. Finalmente aí conseguiu o seu momento Cinderela, sendo o frio mas inspirador ambiente local o sapato onde a sua música conseguiu encaixar. Assim, a um de novembro de 2011, lançou o seu disco de estreia homónimo através da Tonequake Records e agora, dois anos e meio depois, já há sucessor; O, o sempre difícil segundo álbum de Low Roar, chegou aos escaparates no passado dia oito de julho, através da mesma etiqueta do primeiro.

Não sei se a culpa é do longo e rigoroso inverno, das paisagens rochosas, ou das águas das inúmeras nascentes que banham aquela ilha, mas há algo de incrível naquela atmosfera e que pelos vistos inspira decisivamente à criação musical. E depois de tantos anos de busca, parece que foi mesmo na Islândia que este artista introvertido mas cheio de talento, parece ter encontrado a sua redenção sonora.

0 utiliza os mesmos arranjos orquestrais e o clima místico de Low Roar, mas Ryan perdeu alguma da timidez inicial e agora surpreende-nos com um clima mais agressivo, aberto, ambiental e orquestral. Se Low Roar era um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientava de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som, em 0 mantêm-se as harmonias magistrais e o disco pode ser também escutado com um único bloco de som, mas é dada uma maior liberdade e volume ao arsenal instrumental de que Low Roar se serve para recriar as treze canções de um disco invulgarmente longo, com canções intensas e que são certamente resultado de um período de intensa inspiração nas vida de Ryan.

Cada canção deste 0 é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina destas frias manhãs de inverno. A abertura do disco com Breathe In, coloca-nos imediatamente num universo místico ou imerso no mesmo plano gracioso que move um músico que gosta certamente de realizar um som totalmente bucólico, épico e melancólico, feito com a viola eo violino e que sirva de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, apesar dos diferentes ruídos que vão sendo adicionados parecerem ter sido extraídos do próprio subsolo desta ilha vulcânica o que projeta também na canção um som acizentado e urbano, mais terra a terra.

A guitarra liga-se à corrente em Easy Way Out e a melancolia instala-se em nosso redor, assim como o desejo profundo de contemplação dos nossos maiores medos, já que esta parece ser uma canão convidativa ao exercício de exorcização plena dos mesmos, principalmente quando a melodida se expande com a adição de instrumentos de sopro e uma bateria mais marcada que amplia o cariz épico do tema. Basta escutar-se a forma como ele conjuga a voz com os diferentes instrumentos de Nobody Loves Me Like You, o single do disco, para se ficar verdadiramente impressionado, não só com a musicalidade criada, mas também com a intemporalidade da mesma e a centelha criativa que a sustenta. Depois, I'll Keep Coming é comandada por um som sintetizado lúguebre e rugoso, que aliado às cordas e a uma percussão vincada, dá um tom fortemente eletrónico à canção e juntamente com os timbres de voz de Ryan, consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, fazendo dela mais um momento obrigatório de contemplar em 0. Esta fórmula algo minimalista mas extremamente eficaz, onde às cordas e à componente sintética vão sendo adicionados ruídos e pequenos sons num permanente crescendo, repete-se graciosamente em Please Don't Stop (Chapter I) e Please Don't Stop (Chapter II).

Esta sequência inicial acaba por ser o momento nevrálgico do álbum que, como se percebe, tem como um dos pontos fortes de Low Roar a  voz, que eleva-se ao máximo da beleza intemporal, num registo a fazer-me lembrar os melhores momentos de Thom Yorke em Numb ou Street Spirit (Fade Out) e a postura de Jónsi em Valtari, um dos trabalhos mais recentes dos Sigur Rós. Ryan é decididamente um especialista na criação de canções lacrimejantes e que transportam as nossas emoções para um estado emocional que pode parecer depressivo, à imagem dos conterrâneos islandeses, mas que acaba por ser libertador.

0 é um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som. Quando chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela, o que faz de 0 uma das grandes referências para os melhores álbuns do ano. Espero que aprecies a sugestão... 

Low Roar - 0

01. Breathe In
02. Easy Way Out
03. Nobody Loves Me Like You
04. I’ll Keep Coming
05. Half Asleep
06. Please Don’t Stop (Chapter 1)
07. I’m Leaving
08. In The Morning
09. Phantoms
10. Anything You Need
11. Dreamer
12. Vampire On My Fridge
13. Please Don’t Stop (Chapter 2)


autor stipe07 às 22:06
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Alt-j - Left Hand Free

Depois de o trio birtânico alt-J ter anunciado que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie, divulgou o primeiro avanço, uma canção bastante atmosférica e introspetiva, chamada Hunger Of The Pine.

Agora, algumas semanas depois, já se conhece o segundo avanço de This Is All Yours. O tema chama-se Left Hand Free e assenta num corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. O novo disco dos alt-J irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious. Confere...


autor stipe07 às 14:24
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Sleep Party People – Floating

Os Sleep Party People são um projeto dinamarquês encabeçado e idealizado pelo músico, compositor e multi-instrumentista Brian Batz, natural de Copenhaga. Já tinha falado deste projeto há cerca de dois anos quando divulguei We Were Drifting On A Sad Song, o quarto EP do grupo, lançado a nove de abril de 2012. Agora, no passado dia dois de junho, chegou aos escaparates Floating, o terceiro longa duração dos Sleep Party People, uma banda que ao vivo, além de Brian Batz, conta com os contributos de Kaspar Kaae, Ask Bock, Rasmus Lindahl e Jacob Haubjerg.

Os Sleep Party People fazem uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Change In Time, a canção de abertura do álbum, In Another World e Floating Blood Of Mine, os três tremas que a voz de coelho entretanto divulgou, localizam-se entre o sono e o estado de consciência, ou seja, transportam-nos até aquele limbo matinal e intimista, mas Batz, um produtor cada vez mais maduro e assertivo, parece desta vez apostado em sair um pouco do seu casulo instrospetivo e da timidez que o enclausura e apostar num ambiente sonoro mais luminoso, colorido e expansivo, que as guitarras de I See The Moon também apontam, adornadas pela belíssima voz de Lisa Light, a vocalista dos The Lovemakers.

Se estas quatro canções, por si só, já justificam uma audição dedicada de Floating, há outros temas que merecem destaque, nomeadamente I See The Sun, Harold, aquela em que Batz mais se afasta da sua habitual zona de conforto, em oposição a Only a Shadow, um momento em que os pianos caberiam exemplarmente no alinhamento de We Were Drifting On A Sad Song.

Ouvir Floating é, em suma, apreciar um conjunto de nove canções que transmite todas as sensações possíveis e improváveis de existir no pensamento do humano. A Stranger Among Us, a melhor música do álbum, vem descortinar isso mesmo. Estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, mais uma vez, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, mas agora com melodias que exploram uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente o invade. A melancolia continua nas notas do piano e do violino, mas a bateria e os sintetizadores deixam uma marca mais profunda em canções que parecem feitas para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Floating serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Floating

01. Change In Time
02. Floating Blood Of Mine
03. A Stranger Among Us
04. In Another World
05. Death Is The Future
06. I See The Sun, Harold
07. I See The Moon
08. Only A Shadow
09. Scattered Glass


autor stipe07 às 20:54
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Alt-j - Hunger of the Pine

Alt-J - "Hunger Of The Pine"

A semana passada o trio birtânico alt-J anunciou que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie. Agora acaba de ser divulgado o primeiro avanço deste novo disco dos alt-J, que irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious.

Hunger Of The Pine é uma canção bastante atmosférica e introspetiva, um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Um sample de I'm Female Rebel, de Miley Cyrus, é uma das surpresas desta canção que antecipa aquele que ainda virá a tempo de ser um dos discos do ano. Confere...


autor stipe07 às 13:09
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

The Pains Of Being Pure At Heart – Days Of Abandon

Depois do homónimo registo de estreia edtiado em 2009 e do aclamado sucessor, Belong, lançado dois anos depois, a mesma fórmula assertiva que propõe verdadeiros tratados de indie pop açucarada, épica e cheia de luz, é a pedra de toque que sustenta o alinhamento de Days Of Abandon, o novo disco do projeto The Pains Of Being Pure At Heart, de Kip Berman e que, segundo o próprio, é um disco alegre e cheio de luz, apesar de, em determinadas canções, abordar temas sombrios e menos otimistas, com o lado mais complicado do amor e as experiências típicas de jovens adultos a serem o pão que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos.

Oriundo de Nova Iorque, Berman consegue realmente ser um prodígio na criação de canções que estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, um pouco à imagem da dicotomia e deste contraste agridoce de uma cidade que nunca dorme, mas que, apesar dessa constante animação, também é conhecida por albergar histórias de vida trágicas e por nem sempre corresponder aos desejos de quem aí procura o sonho americano.

Com uma mão na indie pop e a outra no noise e no shoegaze vintage, reinventado com particular mestria há uns trinta anos, The Pains Of Being Pure At Heart debruça-se sobre a melancolia e a nostalgia com canções cheias de ritmo e de audição simples, daquelas que provocam um inevitável sorriso, mesmo em quem vive momentos de menor predisposição para apreciar música alegre, com ritmo e luz. Kelly, uma canção que carrega consigo a herança dos The Smiths e Eurydice são dois temas que nos fazem abanar a anca quase sem nos apercebermos e que nos arrancam um sorriso que será sempre espontâneo.

Impecavelmente produzido, Days Of Abandon impressiona pela limpidez e pela forma divertida como Berman apresenta um novo conjunto de referências e propôe uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários. É uma espécie se som pop instantâneo, daquele que se coloca no leitor e basta clicar play, sem adicionar mais ingredientes â mente que a possiblitem absorver com detalhe e nitidez um alinhamento de dez canções que não distorcem em nada a herança que o projeto deixou nos dois discos anteriores e que são uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo, que temas como Simple and Sure ou A Teenager In love claramente demonstram.

Days Of Abandon começa e termina em poucos instantes, quase sem darmos por isso. E, pelo meio, passaram cerca de quarenta minutos cheios de boas melodias e de confissões (The Asp In My Chest), memórias que The Pains Of Being Pure At Heart foi armazenando num espaço familiar e doce, transformado em disco por um dos vocalistas e guitarristas mais interessantes e promissores do cenário indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão... 

The Pains Of Being Pure At Heart - Days Of Abandon

01. Art Smock
02. Simple And Sure
03. Kelly
04. Beautiful You
05. Coral And Gold
06. Eurydice
07. Masokissed
08. Until The Sun Explodes
09. Life After Life
10. The Asp At My Chest

 


autor stipe07 às 17:51
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Yalls - United

Editado no passado dia seis de maio através da Gold Robot Records, United é o primeiro álbum do produtor Dan Casey, aka Yalls, um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Berkeley, na Califórnia, acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. 

Um dos melhores elogios que se pode começar por fazer a este disco é, após a audição, ter sido notória a perceção que Casey não tem uma especial preocupação por construir os temas com rigidez e com uma certa formatação, ou seja, o experimentalismo e a sensação de descartável não são envergonhados. Mas não é propriamente correto supor que o compositor não procura ser sério e minimamente coerente quando cria as suas canções, quase sempre carregadas de sentimentos melancólicos, até porque as criações deste produtor estão abrigadas por uma instrumentação sofisticada e simultaneamente com algo de retro e futurista, que nos colocam num ambiente que pode ir da pista de dança ao mais aconchegante sofá da divisão mais isolada e tranquila de nossa casa.

Logo na abertura, com a instrumental Safe Soundsz e, mais adiante, em Cooking e Butterfalls, percebe-se o forte cariz sintético da música de Yalls e mesmo quando a voz chega, em High Society, a mesma parece ser apenas mais um instrumento de que Casey se serve para alicerçar tudo aquilo que a sua imaginação lhe dita.

Sendo o disco dominado, na sua essência, por uma pop sintetizada de forte cariz eletrónico, é interessante perceber-se que há um piscar de olhos a outros espetros sonoros. Há uma certa tropicalidade em Warlords e no groove funky de DC, uma canção disponível para download na página do artista e músicas como Fresh Party ou Like a Foll são exemplos perfeitos para nos trasnportar aos dois mundos opostos citados acima e atestam, em conjunto, a enorme maturidade e confiança que parece definir a mente de Yalls, um músico que aprecia a combinação e a experimentação e fazer espraiar um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos, sem nunca se entregar ao exagero.

Algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, do funk e até do hip hop, as músicas de United são construídas sobre camadas de efeitos e uma percussão cheia de variações e diferentes instrumentos, detalhes que provam que cada componente das treze músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. United é um álbum inovador, atual, o terreno onde Yalls testou sonoridades e experimentações, certamente sem ter tido o receio de ser apontado ou de o acharem uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

Safe Soundsz
Leak On
High Society
DC
Fresh Part
Terrain
Warlords
Cooking
Unite
Butterfalls
Like A Fool
Finalized
Psychic Retreat (Digital Only Bonus Track)


autor stipe07 às 21:40
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Sábado, 7 de Junho de 2014

Yuko – Long Sleeves Cause Accidents

Lançado pela Unday Records a sete de abril último, Long Sleeves Cause Accidents é o mais recente disco dos belgas Yuko, uma banda que se divide por Ghent e Bruxelas e formada por Kristof (voz, guitarra), Karen (bateria, percussão), Jasper (guitarras) e Thomas (baixo). Long Sleeves Cause Accidents está disponível para audição na aplicação Spotify


A frase Long Sleeves Cause Accidents era usada como forma de aviso durante a II Guerra Mundial quando a mão de obra masculina foi substituida por mulheres nas fábricas, devido à partida de soldados para a linha a frente e um título feliz para um disco que resulta do trabalho árduo de Kristof Deneijs, o grande cérebro dos Yuko, incubado nos novos estúdios da banda e que viu finalmente a luz, três anos após As If We Were Dancing, o antecessor. Long Sleeves Cause Accidents é uma coleção de nove canções com uma sonoridade única e peculiar, paisagens sonoras que do post rock mais barroco à típica pop nórdica, estão impregnadas com uma beleza e uma complexidade tal que merecem ser apreciadas com alguma devoção e fazem-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início.

O baixo de Dive! e a sonoridade orquestral e épica que vai crescendo em seu redor, conduz-nos logo para um lugar umas vezes calmo outras mais agitado, mas certamente distante, que consegue também ser alcançado muito por influência de uma voz que, algures entre Jónsi e Thom Yorke, parece conversar connosco. A melancolia de While You Figure Things Out é comandada por um som de guitarra, que aliado a outras cordas e ao piano, dão um tom fortemente denso e contemplativo à canção e juntamente com os timbres de voz de Casper, consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, fazendo dela mais um momento obrigatório de contemplar em Long Sleeve Cause Accidents. O groove de You Took A Swing At Me faz uma simbiose cuidada entre o jazz e a folk pop melancólica mais negra e introspetiva, com ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica e que mesmo acompanhado por uma variada secção de metais, não colocam em causa uma faceta algo acústica. de uma canção cheia de otimismo (And I konw, you're not a disaster).

O momento alto do disco chega com First Impression, um dos singles já retirados deste álbum e que impressiona pelo tambor da percussão que, juntamente com o baixo, fazem a canção mudar constantemente de velocidade, preparando o caminho para as guitarras e a definir um rock melódico extasiante, que conta ainda com um baixo insistente e um desempenho fortemente emocional por parte de Casper. A beleza contagiante e a limpidez do dedilhar da guitarra e da voz em Usually You Are Mine, elevam os Yuko à dimensão de mestres da folk acústica, ampliada quando um coro gospel a exalar blues por todos os poros emerge de um sono profundo e converte-se num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido que alimenta as distorções das guitarras, o ênfase da bateria e os lamentos do indie rock alternativo que cobre Justine Part 1.

Até ao fim impressiona ainda o post rock de She Keeps Me Thin, mas o que importa salientar mesmo é o constante sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Long Sleeves Cause Accidents é um disco que tem como maiores trunfos uma escrita maravilhosa e os sublimes arranjos orquestrais que o sustentam e quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão... 

Yuko - Long Sleeves Cause Accidents

01. Dive!

02. While You Figure Things Out
03. You Took A Swing At Me
04. First Impression
05. Usually You Are Mine
06. Justine Part 1
07. The Idealist
08. She Keeps Me Thin
09. A Couple Of Months On The Couch

 


autor stipe07 às 18:36
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Coldplay - Ghost Stories

Os Coldplay de Chris Martin regressaram aos discos nos passado dia dezanove de maio e, como sempre, por intermédio da Parlophone. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica chama-se Ghost Stories e foi produzido por Tim Bergling, Paul Epworth, Daniel Green, Jon Hopkins, Rik Simpson, Avicii e os próprios Coldplay.


Ghost Stories é um título feliz para um disco que gira muito em redor da ideia de algo cuja presença já não é concreta e física e que com a partida, que não tem de ser necessariamente a morte, deixou um vazio em redor e um fator de perturbação que, neste caso concreto, pode muito bem ser o fim do casamento de dez anos de Chris Martin com Gwineth Paltrow. Mesmo tendo sido uma separação amigável, se tomarmos como verdadeira a suposição que Ghost Stories é um disco concetual sobre este evento pessoal na vida de Chris e que serve, de algum modo, para o exorcizar, parece-me que esse processo não será simples e que há uma cicatriz na alma do líder dos Coldplay difícil de curar. A letra de True LoveSo tell me you love me. And if you don’t then lie, lie to me, emocionalmente forte e cantada por gritos abafados, acompanhados por uma guitarra algo dolorosa, é o melhor exemplo que comprova que este é, acima de tudo, um disco de e sobre o amor.

Mas esta transposição do conteúdo de Ghost Stories para a intimidade de quem o canta, também pode alargar o seu espetro para a própria realidade banda. A sonoridade das nove canções que compôem este alinhamento expôe alguns fantasmas estéticos que sempre acompanharam a carreira discográfica dos Coldplay, que tantas vezes procurou um equilíbrio nem sempre fácil entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes quatro músicos em experimentar novos arranjos, técnicas e sonoridades.

Desta vez os quatro terão dado um forte e vigoroso murro na mesa e feito tudo para criarem libertos desses constrangimentos editoriais, deixando de lado os enfeites e os excessos estilísticos de Viva La Vida (2008) e Mylo Xyloto (2011), para apostarem na simplicidade e em camadas sonoras mais ricas em detalhes implícitos, algo que, em termos estratégicos, só encontra paralelo em Parachutes, o primeiro disco da banda e, para mim, ainda a obra prima do quarteto. Se nesse disco editado em 2000 o orgânico dedilhar acústico das cordas foi a pedra de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema, agora chegou a vez de apostar em canções que também nos contam histórias na mesma medida, mas fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a riqueza instrumental não foi descurada e até talvez exista uma maior diversidade ao nível dos sons que se escutam, mas com a eletrónica a ser a força motriz que dá vida aos quarenta minutos que este disco dura.

A primeira audição de Ghost Stories poderá chocar os fãs mais puristas, mas os atentos e conscientes da realidade musical e identitária dos Coldplay, ao escutarem a discografia da banda cronologicamente, acabarão por perceber que este é, de certa forma, um passo lógico e que o próprio percurso anterior já tinha deixado algumas pistas sobre a vontade do grupo em apostar na primazia dos sintetizadores, consequência da tal demanda constante por novos e diferentes caminhos, que a escrita deste trabalho também comprova. Os Coldplay sempre provaram ser uma banda inquieta e que não repete a rigor a última rota que percorreu.

Com a narrativa do disco a viver muito da tal circuntância pessoal atual de Chris, o principal letrista da banda, estar atento às letras destas novas canções é tomar contacto com diferentes humores naturais de alguém que sofreu uma perda e agora lida com essa espécie de assombração na vida. Da introspecção (Always in my Head) à euforia (Sky Full of Stars), passando pela melancolia (Oceans), a alegria contagiante (Ink) e até o silêncio (Midnight), há aqui canções com poemas que servem de banda sonora para os diversos estados de alma que tantas vezes nos invadem, sempre cantados e expostos em composições ricas e simultaneamente acessíveis. Another’s Arm é  talvez, a par da já referida True Love, a canção do disco mais abrangente, que melhor exemplifica a excelência de processos e que chama a atenção pelas estrofes simples, mas sentidas e pensadas de forma a dar espaço à valorização das batidas eletrónicas, sem colocar de lado a habitual delicadez da guitarra de Johnny Buckland.

Em Ghost Stories não falta o o habitual cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay, mas como me confidenciou a fã Ana Lopes, é um álbum mais experimental, não como os outros em que as músicas continuam a tocar e  ter airplay até hoje. É um disco menos comercial e que dificilmente irá resultar em grandes palcos ao vivo, mas tem o enorme atributo de ter belas músicas para ouvir enquanto se pensa na vidaPessoalmente concordo e confesso que o disco soa cada vez melhor a cada audição. Não é um trabalho nem melhor nem pior que os outros. É diferente e talvez se deva, antes de mais, aplaudir essa inflexão sonora e o desbravar de outras sonoridades.

Quando um dia a discografia dos Coldplay ficar completa, este disco será valorizado de uma outra forma porque, apesar de não ser um álbum feliz, é um álbum real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. É um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes. Conforme refere a Luísa Marques, outra admiradora profunda deste quarteto britânico, tendo em conta o que os Coldplay já fizeram, não preocupa muito que façam um álbum um pouco diferente e que custe mais a entrar no ouvido. Já provaram que são um grupo fenomenal com um talento invejável e eu completo a ideia dizendo que Ghost Stories serve para confirmar com enorme ênfase esta constatação clara, óbvia e inteiramente justa. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Ghost Stories

01. Always In My Head
02. Magic
03. Ink
04. True Love
05. Midnight
06. Another’s Arms
07. Oceans
08. A Sky Full of Stars
09. O
10. All Your Friends
11. Ghost Story
12. O (Part 2/Reprise)

 


autor stipe07 às 18:27
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014

The Acid - The Acid EP

Lançado no passado dia catorze de abril e disponível para audição no soundcloud, The Acid é o Ep homónimo de um projeto que anuncia e antecipa desta forma o lançamento de um disco chamado Liminal, que vai chegar a sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há algo de místico nestes The Acid, formados por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴. Esta aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, mas antes numa espécie de penumbra, tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descobetrta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustreante a escassez de fontes disponíveis.

A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste EP nos suscita e que, tendo no tema Basic Instinct o destaque maior, deixa certamente água na boca em relação aquele que poderá ser um dos discos mais interessantes do próximo verão. Confere...

The Acid - The Acid

01. Animal
02. Basic Instinct
03. Fame
04. Tumbling Lights


autor stipe07 às 18:15
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

The Bedroom Hitchhikers - The Red Bright Cherry

The Bedroom Hitchhikers - The Red Bright Cherry

Castelo de Paiva é um terreno fértil para o aparecimento de projetos musicais que também se inserem no universo sonoro abordado neste blogue e os The Bedroom Hitchhikers são a nossa descoberta mais recente, um trio que tem no núcelo duro dois irmãos que já fizeram parte de alguns dos mais emblemáticos projetos musicais alternativos locais da última década.

De acordo com Jóni Vieira (The Other Side, 1 is the lonely number), os The Bedroom Hitchhikers surgiram da vontade espontânea de fazer música explorando novas fronteiras, juntamente com o irmão Ricardo (The Other Side, Mind Shelter). A Rita juntou-se porque tem uma voz que soa lindamente e uma imaginação extremamente fértil.

No início da aventura, e ainda de acordo com Jóni, o Ricardo estava a aprender a tocar guitarra, a Rita nunca tinha pegado num sintetizador nem num sampler e nunca tinha tocado numa banda, e ele estava igualmente a aprender a trabalhar com sintetizadores e samplers e a explorar a voz de uma forma muito diferente dos meus projetos anteriores. Era tudo novidade para o grupo.

O trabalho da banda vive da exploração musical baseada em cenários imaginários. O projecto nunca saiu da sala de ensaios, tendo apenas gravado um total de três temas, dois dos quais nunca chegaram a ficar completos. Os ensaios da banda eram basicamente diálogos acerca da criação de cenários mentais baseados nas letras e ideias. A música era apenas uma forma de dar corpo ao pensamento.
O tema The Red Bright Cherry, letra escrita por Ricardo Vieira, à qual o trio deu vida, é inspirado num universo paralelo, repleto de seres místicos que interagem entre si e simultaneamente com o cenário durante o desenrolar da história.
Na minha opinião, os The Bedroom Hitchhiker fazem alguma da melhor pop que se ouve por ai, daquela que vive afundada num colchão de sons eletrónicos, introspetiva, cheia de charme e bom gosto e este tema é suficientemente bom para o comprovar. Altamente recomendável! Confere...


autor stipe07 às 16:25
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2014

Helado Negro – Island Universe Story Three

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos radicado nos Estados Unidos e que também encabeça o projeto Ombre. Depois de no início de 2013 ter lançado Invisible Life, Helado Negro dedicou-se à publicação de uma série de EPs denominados Island Universe Story, trabalhos que dão vida a uma série de publicações discográficas com esse formato e que contêm momentos mais experimentais do músico, ajudado por alguns convidados especiais. A primeira parte desta série foi publicada em 2012 e chama-se Island Universe Story One, o tomo Island Universe Story Two chegou no final do verão passado e agora chegou a vez de Island Universe Story Three, disponível para audição no soundcloud Ashtmatic Kitty.

Roberto Carlos gosta de afirmar que estas Island Universe Stories não são compilações de lados b ou temas que vão ficando de fora dos seus discos, mas antes cancões com muito valor, que merecem o seu próprio espaço e destaque, apesar de serem quase todas instrumentais que resultam normalmente de descontraídas jam sessions. Mas a sua voz também surge algumas vezes, com destaque para a sua interpretação hipnótica nos temas Levantar Las Piernas e Arboles Atras. Como acontece quase sempre neste tipo de álbuns, o alinhamento acaba por incluir verdadeiras pérolas sonoras porque, neste caso, resulta de momentos em que o músico toca sem sentir o peso da vertente comercial, o que faz com que possa mais genuinamente compôr a música que realmente gosta e com os arranjos que mais aprecia. O trabalho em estúdio de um músico não é apenas o resultado final do que se escuta em disco; Muitas vezes esse alinhamento é uma ínfima parte daquilo que ele produziu. E a propósito disso Roberto Carlos afirma: This is more of what I do. I’m really making music every day.

Island Universe Story Three tem, à semelhança dos outros dois capítulos, uma sonoridade essencialmente etérea e introspetiva, mas o groove latino e luminoso de Mitad De Tu Mondo, Arboles Atras ou Suntan Overcoat dão ao EP um ar festivo e mais expansivo. Esta exploração muito subtil de dois mundos sonoros aparentemente opostos é algo muito habitual na sonoridade deste músico.

Ao longo desta sequência de EPs, Lange contou com a participação de outros músicos e o autor considera muito importantes estes e outros contributos que tem recebido e admite que isso ajudou-o imenso a progredir musicalmente. Diz Lange sobre estes contributos: They are wildly free, and some of them are very structured and have a large amount of direction. It’s widely variable in terms of what freedoms are given and what control is taken. (...) I like the idea of process, and then what happens on the other side, too. Both are important to me.

É esta interação experimental frutuosa entre um musico equatoriano e alguns amigos que carateriza a triologia Island Universe Story, mais um capítulo da história musical de uma espécie de fantasma latino-americano que compila música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que transitam entre dois mundos que Roberto Lange sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Island Universe Story Three

01. Salva Nada
02. Mitad De Tu Mundo
03. Levantar Las Piernas
04. Suntan Overcoat
05. The Elephants Foot
06. Lechuguilla, Bassapella
07. Lentamente, First Run
07. Antes
08. Arboles Atras


autor stipe07 às 16:31
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014

Total Warr - Is This It (The Strokes cover)

Total Warr Is This It

Soturna, intrigante e melancólica... assim se pode descrever a versão que a dupla francesa Total Warr acaba de revelar do clássico Is This It que dá o nome ao disco de estreia dos nova iorquinos The Strokes de Julian Casablancas. Assente num sintetizador bastante inspirado, a cover está disponível para download gratuíto. Confere...

 

We did a cover of “Is This It” one of our favorite songs from The Strokes.
We hope you’ll love it.
Download it, share it, delete it.

Bisous


autor stipe07 às 12:45
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Sábado, 10 de Maio de 2014

Coloured Clocks – All Is Round

Editado no passado dia treze de abril e disponível para download no bandcamp da banda, All Is Round é o novo trabalho dos Coloured Clocks, uma banda australiana que é já presença habitual neste espaço. Com as origens a remontar ao início de 2011, os Coloured Clocks são um projeto musical liderado por James Wallace, um músico australiano natural de Melbourne. Estrearam-se nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final de 2012, mais concretamente no passado dia dezoito de dezembro, deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine, disco que divulguei no início deste ano.

All Is Round é, de acordo com os Coloured Clocks, uma espécie de álbum interativo, para ser escutado na sequência que entendermos, já que o início pode ser o fim ou o meio, ou seja, as canções circulam livremente e isso só não é concreto por estarem presas à realidade lógica da indispensável seuquência numérica do disco.

Os Coloured Clocks fazem um indie progressivo, com fortes reminiscências do rock da década de setenta e sem porem de lado o que de melhor se propôe atualmente inspirado nesse universo musical. Num disco com vinte canções e que deve ser ouvido na íntegra atentamente, Tell Her About The Gig e Killing Time são os dois maiores destaques de All Is RoundAssim sendo, se gostas de sonoridades cósmicas e psicadélicas tens de conhecer esta banda e este disco verdadeiramente épico, com uma estrutura melódica tradicional e com riffs de guitarra luminosos, bem acompanhados pela bateria e por sintetizadores flutuantes e poderosos que nos conduzem a um universo lisérgico e tortuoso, mas cheio de cor, numa espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo.
O disco foi escrito, produzido, gravado e misturado pelo próprio James Wallace, que contou com a ajuda indispensável de Brendan Thompson, tendo a masterização ficado a cargo de Tommy Zoogarden. Já agora, o artwork é da autoria de Coloumb Collins. Espero que aprecies a sugestão...

Coloured Clocks - All Is Round

01. Irrational I
02. Point At The Door
03. Killing Time
04. Brick
05. Only Watching
06. Mr Green and The Telescope Console
07. Elevators
08. Round And Round
09. Tell Her About The Gig
10. As Much As I’d Like
11. It’s Getting So Close
12. Next Time
13. All Your Life
14. Watertight
15. Don’t Break The Spell
16. A Song For The Aeroplanes
17. All Coming Down
18. Dr. Williamsburg
19. Irrational II
20. Talking To The People


autor stipe07 às 21:00
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Terça-feira, 6 de Maio de 2014

The Antlers - Hotel

The Antlers - "Hotel"

Um dos discos que aguardo com maior expetativa é Familiars, o novo trabalho dos The Antlers, uma banda de Brooklyn, Nova Iorque, liderada por Peter Silberman, ao qual se juntam Darby Cicci e Michael Lerner.

Depois de terem revelado o video de Palace, o primeiro tema do alinhamento de Familiars, agora foi editado, em formato single, Hotel, uma das canções mais bonitas do disco, não só devido ao piano que sustenta a canção, mas também por causa do falsete de Peter.

Hotel tem um intenso caráter relaxante e absorve as habituais referências dos The Antlers, próximas do post rock e de outras mais etéreas, que passam também pelo jazz e pela música experimental. Confere...



autor stipe07 às 12:48
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Sábado, 3 de Maio de 2014

Glass Animals - Glass Animals EP

Lançado no passado dia dezasseis de Abril, Glass Animals é o EP homónimo dos norte americanos Glass Animals de Dave Bayley, uma coleção de quatro canções que antecipa o disco de estreia da banda, um trabalho chamado Zaba e que chegará às lojas já a nove de junho.

A Wolf Tone é a nova editora de Paul Epworth, um produtor responsável por alguns dos mais importantes lançamentos discográficos da pop britânica dos últimos anos (Adele, Bloc Party, Florence & TheMachine) e já se rendeu aos encantos dos Glass Animals, sem dúvida, um dos projetos mais interessantes e inovadores que ouvi ultimamente.

Com uma sonoridade eletrónica algo minimal mas, ao mesmo tempo, rica em detalhes e com um groove muito genuíno, Psylla é o grande destaque deste EP, uma canção com uma atmosfera dançante, mas também muito introspetiva e sedutora. Nela encaixam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a complexidade do tema à medida que o vamos ouvindo de forma viciante.

Mas os outros três temas de Glass Animals também merecem uma audição atenta; Há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade de Black Mambo e Exxus, duas canções que abarcam os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop.

Encerra o EP Woozy, um tema que conta com a participação especial de Jean Deux. e que, algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, contém traços distintivos do R&B, explícitos na prestação vocal da convidada.

Sem grandes alaridos ou aspirações, Glass Animals são pouco mais de quinze minutos assentes num ambiente sonoro intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza, uma melancolia digital que antecipa aquele que poderá vir a ser um dos grandes discos do início deste verão e que será certamente divulgado por cá. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Animals - Glass Animals

01. Psylla

02. Black Mambo
03. Exxus
04. Woozy (Feat. Jean Deaux)

 

 


autor stipe07 às 21:46
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Bruno Pernadas - How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? é o seu disco de estreia a solo. Composto e produzido pelo próprio, conta com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense).

O sitio da Pataca Discos esclarece os mais incautos que How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? é Folk, Jazz, Space Age-Pop, Exótica, Afro-beat, Rock Psicadélico, Electrónica e Ambient e, realmente, em How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? o público contacta com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarra e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteia-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que faz com que o álbum seja uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade.

É impressionante a quantidade de detalhes que Bruno coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco e ainda mais diversificado é o conjunto de ritmos, sons e incontáveis referências que borbulham enquanto se desenvolve o álbum. Sejam a pop agradável e nada descartável de Première, as pequenas transições pelo jazz e pela bossa nova em Huzoor, o samba e a blues em Ahhhhh, ou mesmo todo o clima caliente de Guitarras, tudo se ouve como se estivessemos a fazer um grande passeio por diferentes épocas, estilos e preferências musicais.

Assim que o disco começa somos rapidamente absorvido pelo mundo caleidoscópico de Pernadas, um universo cheio de cores e sons que nos causam tanto espanto como a interjeição que intitula o primeiro tema do alinhamento. Em Ahhhhh parece-me que Bruno procura mostrar como abre a sua boca para absorver todos os sons que o rodeiam e que, depois de serem devidamente processados no seu âmago, são novamente expelidos em música, como se a mesma fosse para si tão importante como o ar que respira e que Ahhhhh também pode claramente querer exemplificar. A canção leva-nos do típico ambiente folk nórdico, ao blues de Nashville feito com um subtil e enevoado acorde de uma guitarra elétrica que, adiante, inflete num arco írís de cordas e arranjos luminosos muito típicos da melhor tropicália de além mar, a sul do Equador.

A voz é um importante trunfo em How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowdlege?, quer devido ao registo vocal clássico, que se destaca amplamente não só no Ahhhhh do tema de abertura, mas, principalmente em Première, assim cono na enorme quantidade de samples que Bruno utiliza nas canções sendo, em algumas, o único registo vocal existente.

Após Guitarras, uma canção cujo nome define claramente o jogo instrumental e alegre desse instrumento, ao qual se junta uma espécie de solo de improvisação de xilofone, o ambiente criado em Pink Ponies Don't Fly on Jupiter e as batidas eletrónicas que se escutam, antecipam o que a melancólica dose dupla intitulada How Would It Be propôe-nos, no fundo uma segunda metade do disco em que domina um som essencialmente bucólico, épico e melancólico, que pode servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, que aterrarão um dia, algures em L.A., ao som do último tema do alinhamento.

Em suma, How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? é uma coleção de excelentes canções, com uma toada ora tímida ora experimental, pontuadas por uma verdadeira mescla de influências que fazem deste trabalho um verdadeiro e feliz caldeirão sonoro. Se Bruno quis abarcar todo o conhecimento deste mundo no cosmos que é este seu How Can We Be Joyful In A World Full Of knowledge?, o que ele realmente conseguiu foi estabelecer um convívio saudável entre tudo o que é a música hoje como forma de arte, sem se especializar conscientemente em nenhum género e sem deixar que qualquer um deles se sobreponha verdadeiramente.

A música que se ouve aqui é uma harmoniosa chuva de conhecimento musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje e representa uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único.

Agradeço à Raquel Laíns e à Let's Start A Fire pelo envio do exemplar físico do disco que possibilitou a publicação deste crítica e espero que aprecies a sugestão...

01. Ahhhhh
02. Indian Interlude
03. Huzoor
04. Première
05. Guitarras
06. Pink Ponies Don’t Fly on Jupiter
07. How Would It Be 1
08. How Would it Be 2
09. L.A.


autor stipe07 às 21:37
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Fuji Kureta - Zest for Life

Depois de See-Through, os turcos Fuji Kureta de Deniz Öztürk e do compositor Sahin Kureta, estão de regresso aos discos com Andrey, um trabalho que vai ver a luz do dia no próximo dia cinco de maio.

Os Fuji Kureta nasceram em 2008 em Istambul e são uma inovadora dupla de eletrónica, que impressiona pelas melodias suaves, mas bem vincadas e batidas incomuns, regadas com trip hop e jazz. Zest For Life, o primeiro avanço divulgado de Andrey, é uma música repleta de charme e sensualidade devido às melodias tocadas pelo teclado e à batida intermitente, que cria um ritmo hipnótico perfeito. Confere...


autor stipe07 às 19:15
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

The Flaming Lips – 7 Skies H3

Os The Flaming Lips de Wayne Coyne são uma presença habitual nas edições do Record Store Day e na edição de 2014 marcaram a sua presença com 7 Skies H3, um EP com dez canções, onde se destaca o single honónimo.

A canção 7 Skies H3 já havia sido divlgada pelos The Flaming Lips no Halloween de 2011 e a versão da altura era um tema megalómano com a exata duração de vinte e quatro horas, que foi vendido no formato Pen Drive, incrustradas em caveiras humanas, tendo sido vendidos dezassete exemplares dessa edição especial ao preço unitário de cinco mil doláres.

Três anos depois o coletivo de Oklahoma recupera a canção para a edição deste ano do Record Store Day e reduz a sua duração para uns meros quarenta e três minutos, divididos em dez temas, misturados por Dave Fridmann com o apoio de Michael Ivins. Como é de esperar e a sequência do que os The Flaming Lips propuseram em The Terror, 7Skies H3 baseia-se em composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea. A habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral que diz tanto a Coyne, tem vindo a oscilar, desta vez, entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock.

A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. O artwork desta edição em vinil é da autoria de George Salsibury. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - 7 Skies H3

01. 7 Skies H3 (Can’t Shut Off My Head)
02. Meepy Morp
03. Battling Voices From Beyond
04. In A Dream
05. Metamorphosis
06. Requiem
07. Meepy Morp (Reprise)
08. Riot In My Brain!!
09. 7 Skies H3 (Main Theme)
10. Can’t Let It Go


autor stipe07 às 20:48
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Sigur Rós - The Rains of Castamere (Game Of Thrones cover)

Já há alguns meses tinha sido anunciado que os Sigur Rós iriam ter uma participação especial da quarta temporada da aclamada série Game of Thrones e, além disso, a gravação de um tema para a banda sonora também era algo expetável. Na verdade, depois de os The National já o terem feito, agora chegou a vez do grupo islandês divulgar a sua versão do tema The Rains Of Castamere, que faz parte da banda sonora da série. Confere...


autor stipe07 às 11:29
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Yalls - High Society

United

Natural de Berkeley, o produtor Dan Casey assina como Yalls e além de editar música em nome próprio costuma colaborar em outros projetos, sempre com uma enorme bitola qualitativa. A seis de maio vai ser editado United, o seu disco de estreia, através da Gold Robot e High Society é um dos avanços revelados desse trabalho. A paisagem etérea e melancólica da canção, criada por uma nuvem de sintetizadores, uma bateria eletrónica e um solo de guitarra deslumbrante, impressiona e cria o ambiente perfeito para nos ajudar a recordar no mais íntimo de cada um de nós, alguns momentos de puro êxtase. High Society foi disponibilizada para download gratuíto. Confere...

 


autor stipe07 às 19:11
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