Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Twin Hidden – Join Hands

Twin Hidden

Divididos entre Londres e Manchester os Twin Hidden são Matthew Shribman e Sam Lea, dois amigos de infância que com dez anos já faziam música juntos, tendo-se estrado nos lançamentos em 2001 com um disco cujo rasto é desconhecido (This album is now where it belongs, at the bottom of the sea, where it will never be found).

A separação física de ambos deu-se com a entrada na universidade, quando Matthew foi estudar para Oxford e Sam para Manchester. Acabou por haver um breve hiato no grupo, mas os Twin Hidden parecem estar apostados em regressar novamente à ribalta, desde que no ano passado resolveram voltar a compôr juntos, tendo o piano como instrumento privilegiado destas novas experências sonoras conjuntas.

Join Hands, o novo single da dupla, será editado em dezembro, mas já chegou à redação de Man On The Moon, enviado pela própria banda. Pelos vistos, está a captar a atenção das pessoas certas, porque o tema está a fazer enorme furor junto da crítica especializada e basta escutar a canção para se perceber porquê. Join Hands é uma peça musical magistral, uma pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como os falsetes da dupla se entrelaçam entre si, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilam orgulhosas e altivas, mais parece uma parada de cor, festa e alegria, onde todos comungam o privilégio de estarem juntos, do que propriamente um agregado de sons no formato canção. Ficarei muito atento a este projeto, nomeadamente ao possível lançamento de um disco. Confere...

 


autor stipe07 às 13:29
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Sábado, 25 de Outubro de 2014

Tashaki Miyaki – The Beautiful Ones (Prince Cover)

Tashaki Miyaki

A vocalista Lucy Miyaki e o guitarrista Tashaki formam os Tashaki Miyaki, uma dupla oriunda de los Angeles, que navega nas águas turvas e profundas da dream pop de pendor psicadélico. Em digressão com os Allah-Las durante este outono, resolveram gravar algumas covers para a ocasião, um trabalho que irá ser editado com o sugestivo nome The Covers EP.

Uma das canções que os Tashaki Miyaki resolveram revisitar com a ajuda do produtor Joel Jerome foi o clássico The Beautiful Ones, um original de Prince, tendo-o feito de forma bastante original e assertiva e criado uma atmosfera densa e particularmente sensual e hipnótica.  A versão está disponivel para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 20:10
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Blue Hawaii – Get Happy / Get Happier

Blue Hawaii – "Get Happy" / "Get Happier"

Os Blue Hawaii são um projeto canadiano formado pelo enigmático casal Agor e Raph (na verdade chamam-se Alexander Cowan e Raphaelle Standell-Preston), uma dupla originária de Montreal e que se estreou nos discos em 2010 com Blooming Summer. O sucessor chamou-se Untogether e viu a luz do dia no início de 2013 por intermédio da Arbutus Records.

Quase dois anos depois os Blue Hawaii voltam a mostrar-se com a divulgação de uma nova canção intitulada Get Happy, gravada no início deste ano. E além desse tema, incluiram no single Get Happier, uma versão da canção principal, mais acelerada, criada no passado mês de agosto. A digressão de apresentação de Untogether foi marcante para os Blue Hawaii e Get Happy reflete esse estado de alma de um casal que teve de gerir novas realidades e conflitos.

 As the year progressed, we found our live show intensify but still had all these softer recordings which would never be released. Hence we present ’Get Happy’ / ’Get Happier’, where we explore both sides: the original demo and a fun, double-time edit made one day in August.

Os dois temas estão disponíveis para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 13:31
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Panda Bear - Noah EP

Chega no dia doze de novembro às lojas Meets The Grim Reaper, o novo e quinto álbum da carreira de Panda Bear, um músico com fortes ligações a Portugal, adepto confesso de grande Sport Lisboa e Benfica e membro fundador dos Animal Collective.

Depois do cariz minimal em que alicerçou Tomboy, de acordo com a imprensa este novo trabalho de Panda Bear, gravado entre Lisboa e a planície texana com a colaboração de Pete Kember, leva o músico de regresso à estratégia em que é mestre, a junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Pela amostra, intitulada Mr Noah, um single lançado em formato EP, acompanhado por mais três canções que não farão parte do alinhamento de Meets The Grim Reaper, essa opção terá sido bem sucedida e o novo trabalho do músico será certamente um marco fundamental da sua carreira.

No EP encontramos uma sequência de primorosas e ainda mais atrativas experimentações. Se Mr Noah prepara o terreno sendo o tema mais acessível do EP, a cândura pop e romântica de Faces In The Crowd levanta um pouco mais o véu sobre o futoro sonoro de Bear, o que será finalizado no toque de psicadelia que define Untying The Knot, um tema que leva Panda Bear para o clima hipnótico e lisérgico da década de setenta e que é bem capaz de ser o o novo território sonoro que o deixa atualmente algo siderado. Por fim, This Side of Paradise é um momento de pura experimentação, uma colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que incluem samples de vozes e arranjos em eco e sintetizados, nem sempre claramente percetíveis.

Confere o EP de lançamento do single Mr Noah, já disponível para download no itunes e a tracklist de Meets The Grim Reaper...

Album cover: Panda Bear - Mr Noah

Mr Noah
Faces In The Crowd
Untying The Knot
This Side Of Paradise

01.Sequential Circuits
02.Mr Noah
03.Davy Jones’ Locker
04.Crosswords
05.Butcher Baker Candlestick Maker
06.Boys Latin
07.Come To Your Senses
08.Tropic Of Cancer
09.Shadow Of The Colossus
10.Lonely Wanderer
11.Principe Real
12.Selfish Gene
13.Acid Wash


autor stipe07 às 21:05
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Foxes In Fiction - Ontario Gothic

Líder da insuspeita etiqueta Orchid Tapes, Warren Hildebrand também compôe música e fá-lo como Foxes In Fiction. Natural de Toronto, no Canadá, mas a residir atualmente nos Estados Unidos, em Brooklyn, Nova Iorque, Warren editou no passado dia vinte e três de setembro, por intermédio da sua Orchid Tapes, um homónimo que é um verdadeiro tratado de dream pop, da autoria de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro da eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas mais calmas e ambientais.

Através das teclas do sintetizador, de samples de sons e ruídos variados e de uma percurssão sintética, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros, Warren criou sete canções que sublimam com mestria uma profunda emoção, já que transportam claramente bonitos sentimentos, dedicados integralmente a Cait, uma amiga muito próxima de Warren, que faleceu em 2010 e que ele conheceu depois de ter chegado em 2004 a Toronto com a sua família, vindos de uma zona rural no Ontario, onde viviam desde 2001. Apesar destas canções narrarem um dos períodos mais tumultuosos da existência do autor, em que acumulou muita ansiedade e tristeza, Warren preferiu abordar melodicamente essa conjuntura algo sombria da parte lírica das canções, de um modo suave e de algum modo luminoso, homenageando esta amizade que terá sido tão profunda, bonita e intensa como o ambiente sonoro de Ontario Gothic.

E no que concerne então a esse ambiente, destaco, desde logo, Into The Fields e Glow (v079), duas canções que constroem uma sequência onde a melancolia de ambas se junta numa única atmosfera sonora comandada por um sintetizador, que aliado a cordas e ao piano, origina um tom fortemente denso e contemplativo, com a voz de Warren a conferir a oscilação que depois é necessária para transparecer essa elevada veia sentimental. De seguida, em Shadow's Song, escuta-se um violino com arranjos que ficaram a cargo do consagrado Owen Pallett; Tal é a beleza dos mesmos, simultaneamente deslumbrantes e delicados e ampliados pela cândura da voz, que não há como evitar sermos levados para uma atmosfera muito própria, que transmite uma certa inocência romântica com uma estética sonora e visual inédita e onde a noção de retro terá sido um conceito claramente tido em conta. O clímax do alinhamento acaba por chegar com o tema homónimo, que ganha um tom fortemente frágil e uma atmosfera verdadeiramente sublime quando Warren entrega-se de corpo e alma à canção enquanto canta alguns dos versos mais intrincados e emocionais que pudemos escutar ultimamente.

Quando Warren decidiu deitar-se numa nuvem feita com a melhor dream pop operou um pequeno milagre sonoro e incubou um belíssimo álbum, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

Image of FOXES IN FICTION - ONTARIO GOTHIC 12" (Pre-sale)

1. March 2011
2. Into The Fields
3. Glow (v079)
4. Shadow's Song
5. Ontario Gothic
6. Amanda
7. Altars


autor stipe07 às 20:45
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Domingo, 19 de Outubro de 2014

Martin Carr - The Breaks

Martin Carr, também conhecido como vocalista dos The Boo Radleys, editou no passado dia vinte e nove de setembro The Breaks, o seu segundo disco solo, um músico e compositor que, de acordo com o press release que me chegou às mãos da Tapete Records, é um songwriter cujo trabalho é pop mas não necessariamente popular e cujo percurso revela uma relação ambivalente com as sensibilidades convencionais. Neste disco, a sua voz transforma-se num eco confessional de todas as nossas dúvidas. The Breaks conta com as participações especiais de Andy Fung, Corin Ashley e John Rae.

Martin Carr aposta forte em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exala uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Neste trabalho ele apresenta em apenas dez canções toda a herança que os Red House Painters, os Fleetwood Mac ou os conterrâneos Prefab Sprout e os The Smiths deixaram na formação do músico, que parece ter utilizado referências do próprio quotidiano para construir o panorama lírico do disco, que pende para vários espetros sonoros, nomeradamente o indie rock, a própria folk (No Money In My Pocket) e a indie pop adocicada e acessível. Há desde logo aqui sucessos garantidos como The Santa Fe Skyway, St Peter In Chains e Senseless Apprentice, músicas que possibilitam não apenas o desenvolvimento de uma instrumentação radiante, como a possibilidade de constatar que Martin alcançou elevados parâmetros e patamares de qualidade, inclusive na sua intepretação vocal.

Ao longo do disco, umas vezes somos embalados e outras dançamos ao som de simples acordes, várias vezes dispostos em diversas camadas sonoras, com as cordas à cabeça. Estas podem escutar-se num registo acústico ou eletrificado e, muitas vezes, em ambos em simultâneo, onde também não falta uma secção de sopros imponente e um piano, que em Sometimes It Pours mal se nota e em Mainstream tem uma subtileza avassaladora enquanto sustenta uma viola. Acaba por ser um misto de cordas mas, seja em que registo for que se escutem, estão todas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, principalmente quando se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos. A bateria tem também uma presença sempre radiante, com a batida que marca o ritmo de Mountains e de Senseless Apprentice a serem os instantes do disco onde a percurssão mais se destaca.

Mesmo nos momentos mais melancólicos e sombrios, como Mainstream e No Money In My Pocket, dois belíssimos instantes acústicos e melódicos, há uma curiosa sensação de naturalidade e dinamismo em The Breaks, uma espécie de ligeireza cheia de charme e delicadeza, um ambiente sonoro descontraído que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz de Martin e dos seus convidados que, quase sempre, são vozes de suporte, encaixam na melodia das canções. Percebe-se claramente que o músico é bastante inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Disco imponente mas também delicado e repleto de bons arranjos, The Breaks é um refúgio bucólico bastante aprazível, um compêndio de sensibilidade e optimisto onde o autor entregou-se à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

1. Santa Fe Skyway
2. St. Peter In Chains
3. Mainstream
4. Mountains
5. Sometimes It Pours
6. Senseless Apprentice
7. No Money In My Pocket 
8. I Don't Think I'll Make It
9. Mandy Get Your Mello On
10. The Breaks


autor stipe07 às 21:04
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Subplots – Future Tense

Subplots - Autumning

Oriundos de Dublin, na Irlanda, os Subplots são uma dupla formada por Phil boughton e Daryl Chaney, que ao vivo conta ainda com o baterista Ross Chaney. Estrearam-se nos discos em 2009 com Nightcycles e finalmente já há novidades quanto a um sucessor.

O novo álbum dos Subplots irá chamar-se Autumning e verá a luz do dia a trinta de janeiro próximo por intermédio da Cableattack!!, podendo ser já feita a encomenda da edição limitada em vinil no Bandcamp da banda.

Future Tense é o mais recente avanço divulgado de Autumning, uma obra de arte que balança entre a dream pop e o rock progressivo, uma melodia delicada e envolvente, que emociona facilmente os mais incautos e de lágrima fácil, alicerçada num piano adulto e jovial, à volta do qual gravita uma voz deslumbrante e uma guitarra que adivinha um clímax sónico com forte sentido de urgência. Confere...


autor stipe07 às 19:52
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Majical Cloudz - Your Eyes

Majical Cloudz by Amber Davis

A dupla canadiana Majical Cloudz continua a divulgar algumas canções que ficaram de fora do extroardinário alinhamento de Impersonator e a disponibilizá-las gratuitamente no seu sitio oficial.

Escrita em 2011, Your Eyes foi reproduzida várias vezes pelo projeto nos concertos de promoção de Impersonator e, como é habitual, contém uma enorme aúrea doce e nostálgica, alicerçada no posicionamento assertivo da voz de Devon e na inclusão de preciosos detalhes finos. Confere...


autor stipe07 às 13:23
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Nick Nicely - Space Of A Second

Lançado no passado dia vinte e nove de setembro, através da Lo Recordings, Space Of Sound é o novo compêndio sonoro de Nick Nicely, uma verdadeira caldeirada de pop psicadélica concebida por um músico e produtor que é já um nome lendário da eletrónica britânica, desde que se estreou no início dos anos oitenta com DCT Dreams, um single que, de Neu aos Kraftwerk, olhava já nessa altura e com acerto para o período mais psicotrópico dos Beatles e dos Pink Floyd, quando era Syd Barrett quem ditava as regras.

O primeiro disco chegou apenas em 2004 quando a Tenth Planet Records resolveu compilar uma série de singles que este músico tinha editado de 1978 até esse ano, tendo nascido assim Psychotropia. Com esse longa duração, Nick Nicely aitngiu um maior número de ouvintes e aquilo que era até então um segredo bem guardado da eletrónica de Terras de Sua Majestade, tornou-se num fenómeno à escala global. Não tardaram a surgir colaborações com nomes tão importantes como Ariel Pink ou John Maus e, como a sonoridade que o músico replica está na ordem do dia, tornava-se urgente ele mostrar a sua visão desta tendência atual na pop que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

Space of a Second são então catorze canções que, muitas vezes, são dificeis de serem catalogadas como canções com identidade própria e que obdecem ao habitual formato das mesmas, já que que parecem funcionar como um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, a habitual onda expressiva de Nick relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre o rock sinfónico feito de guitarras experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal e de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros.

A canção que melhor se aproxima do habitual formato e de uma sonoridade indie mais acessível é Longwaytothebeach, um tema que inicia com sons de passos na areia e que depois encontra os alicerces num baixo encorpado, numa bateria cheia de groove e numa guitarra que dispara riffs em várias direções. Mas quer nesta música, quer nas restantes, a voz de Nick aparece sempre num registo modificado sinteticamente e funciona, geralmente, como mais um agregado sonoro que amplia um certo barroquismo lo fi que exala dos temas, do que propriamente com a função explícita de dar vida e som a um poema com uma mensagem clara e entendivel. Se em HeadwindAheadwind parece que o produtor enlouqueceu de vez, Hilly Road é um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a hipnótica Wrottersley Road subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. A referida revisão eufórica que parece orientar o trabalho de Nick atinge o auge quando Space Of A Second desperta-nos para os tais Pink Floyd imaginários e futuristas ao som da sequência London South e Raw Euphoria, e principalmente de Rrainbow, o tema que melhor revive uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há quarenta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação.

Uma das virtudes e encantos de Nick Nicely terá sido sempre essa capacidade de criar tratados sonoros algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre embebidos num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Space Of A Second segue esta permissa temporal, agora num futuro pós apocalítico e coloca o autor no olho do furacão de uma encruzilhada sonora, ao fazer uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos. Este é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante, garanto-vos. Espero que aprecies a sugestão...

1. HeadwindAheadwind
2. Rosemarys Eyes
3. Space Of A Second
4. Wrottersley Road
5. Whirlpool
6. London South
7. Raw Euphoria
8. Change In Charmaine
9. Rrainbow
10. Longwaytothebeach
11. Lobster Dobbs
12. Hilly Fields Acoustic


autor stipe07 às 19:17
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

Firekites - Closing Forever Sky

Seis anos depois de The Bowery, o registo de estreia, os Firekites de Pegs Adams, Ben Howe, Tim Mcphee e Jason Tampake, um quarteto oriundo da Newcastle australiana, estão de regresso com mais sete belíssimas canções, contidas num novo disco chamado Closing Forever Sky e que viu a luz do dia por intermédio da etiqueta local Spunk Records.

Os acordes iniciais de Closing Forever Sky são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos cerca de quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. Os Firekites deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, para criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

A escrita deste quarteto oriundo dos antípodas carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a essa sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi. Esta evidência desarma completamente os Firekites e além de os envolver numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, despe-os de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que os poderia envolver, para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza os membros do grupo.

Em Closing Forever Sky ouve-se ecos da negrura de projectos recentes como Esben & the Witch. Ouve-se Cocteau Twins. Ouve-se Portishead e Massive Attack, não só no single homónimo, mas também no clima sussurrante e hipnótico de Somewhere Bright First. The Fallen, canção que recebe o alívio de uma guitarra acústica, que depois cresce e se deixa envolver num imenso arsenal de arranjos e detalhes, chega a parecer Radiohead, principalmente na forma como acomoda uma agradável melancolia nas teclas no imenso agregado sonoro que a sustenta. Mas a banda de Thom Yorke também dá uma mãozinha na distorção das guitarras que dá vida ao apogeu final da já referida Somewhere Bright First.

Todos estes exemplos mostram que os Firekites sabem a fórmula exata para temporizar, adicionar e remover pequenos sons e, como se as canções fossem um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, uma peça sonora sólida.

Mas em Closing Forever Sky também ouve-se estranheza e ouve-se escuridão; Em Said Without A Song é difícil catalogar instrumentalmente a natureza tecnológica que sustenta o tema, mas o silêncio abosluto também está lá, bem no fundo, a ecoar ao longo da canção, como um manto que o cobre, mesmo que seja de forma quase inaudível... Um silêncio que, ao contrário da maior parte dos silêncios, é um silêncio que se escuta. Depois, em Antidote, ouve-se harmonias de vozes de outro planeta e surgem os The XX na guitarra e no baixo, de um modo que me despertou um curioso e muito pessoal desejo, que tantas vezes reprimo e que, ao vivenciá-lo neste caso concreto, me faz imaginar um vídeo para o tema, em que me junto ao grupo e abano as ancas enquanto desfilo num qualquer anúncio de moda.

Depois de um disco de estreia que obrigou a banda a emergir da solidão e a revelar-se sem restrições, Closing Forever Sky é um notório marco de libertação e de experimentação onde não terá havido um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, o que deu origem a um disco que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a vastidão imensa e simultaneamente diversificada da paisagem e de um mundo completamente diferente do nosso, de onde estes Firekites são originários. Espero que aprecies a sugestão...

Firekites - Closing Forever Sky

01. Closing Forever Sky
02. Fallen
03. The Counting
04. Fifty Secrets
05. Somewhere Bright First
06. Said Without A Sound
07. Antidote


autor stipe07 às 17:00
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