music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Depois de em 2011 ter conquistado o grande público com um homónimo, que tinha como destaque maior Limit To Your Love, uma cover de um original da canadiana Feist, o compositor e produtor londrino James Blake está de regresso aos discos com Overgrow, um trabalho lançado no passado dia cinco de abril e que é já considerado por imensa crítica com um dos álbuns fundamentais deste ano.
Quem ouviu a estreia de James Blake terá ficado certamente marcado pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, mas altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, pianos, a voz sintetizada e linhas poderosas de baixo. Tudo isto serviu para criar ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Por isso, como era de esperar em qualquer projeto que chama a atenção na estreia, estavamos todos à espera do sempre difícil segundo álbum.
Overgrow é um disco deslumbrante e tecnicamente impecável, enche as medidas e comprova que Blake é capaz de criar composições que, mesmo mantendo a tal bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme, algures entre climas opressivos e outros mais intemporais, mas sempre circulares e falsamente herméticos. Cada detalhe de cada uma das dez músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada tema sejam sentidas mais facilmente e como as canções assentam em batidas eletrónicas esparsas e efeitos sonoros ora hipnóticos, ora claustrufóbicos, o ouvinte pode sentir o desejo de ele próprio imaginar como preencheria esses mesmos espaços. Por exemplo, em Our Love Comes Back, uma das músicas mais calmas do disco, os ruídos desequilibram um pouco a tranquilidade que a canção poderia conter.
Blake poderia ter escolhido insistir no tal dubstep, mas avançou e muito. Mantêm-se as suas características principais, expressas na estreia, mas cada detalhe parece estar um nível acima do homónimo. Até mesmo as letras, que nunca foram dos aspectos mais importantes da sua produção, foram aperfeiçoadas; Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de Blake. Take A Fall For Me, com a participação do rapper RZA, é um apelo desesperado, onde a eminência da perda está muito presente. Ainda na componente temática e lírica, a utilização de frases que se repetem é um truque bastante explorado, acompanhadas quase sempre pelas tais linhas de baixo muito marcadas e por batidas criativas.
Logo na abertura, Overgrown, a canção homónima embalada por ondas de melancolia digital, deixa claro que ouvir este álbum será uma viagem bem mais intensa do que foi o primeiro trabalho. EmI Am Sold, por exemplo, apesar da introdução calma, a mudança para uma batida mais dura e a voz ecoada a partir do refrão transportam a música para um ambiente bem mais sombrio e obscuro, resultado estendido em outras canções do disco. Já o single Retrograde aproxima James Blake do R&B e, apesar da calma cósmica deOvergrown, não faltam também alguns momentos mais exaltados, com destaque para Digital Lion, uma canção produzida por Brian Eno e onde, após a introdução, alguns segundos de silêncio precedem a entrada de uma vincada combinação de baixo, percussão e belíssimos samples vocais. O tema cresce com muita intensidade, mas nunca explode e Voyeur parece seguir também essa fórmula, com a voz de Blake a repetir-se hipnoticamente por cima de uma batida mais rápida que o normal e com sintetizadores e efeitos a fundirem-se com essa mesma voz, cobrindo-a quase por completo. De seguida, To The Last traz de volta a soul para o primeiro plano e suaviza o ambiente.
Overgrowé um triunfo em toda a escala e, sem grandes alaridos ou aspirações, mais um passo seguro na carreira deste jovem e talentoso músico britânico que, apesar da aparente fragilidade da sua produção, consegue sempre resultados magníficos. É arriscado dizer que com apenas vinte e três anos Blake está no seu auge artístico, apesar de já fazerem fila os artistas que pretendem colaborar com ele, muitos deles nomes bastante consagrados do universo musical alternativo. E parece evidente que ele não pretende abrigar-se em zonas de conforto e que está disponível para futuras experimentações que certamente irão fortalecer ainda mais o seu crescimento e fazer com que a sua música alcance um universo maior. Espero que aprecies a sugestão....
01. Overgrown 02. I Am Sold 03. Life Around Here 04. Take A Fall For Me (Feat. RZA) 05. Retrograde 06. DLM 07. Digital Lion (Feat. Brian Eno) 08. Voyeur 09. To The last 10. Our Love Comes Back (Bonus Track)
Um ano após o lançamento do álbum Coyote, o norte americano Mesita, ou seja, o músico de vinte e quatro anos James Cooley, natural de Denver, no Colorado, acaba de divulgar um novo EP. A belíssima coleção de quatro canções chama-se XYXY, foi lançada no passado dia vinte e três de abril e está disponível para download no bandcamp do músico, graças também à sempre louvável generosidade do mesmo.
Mesita é um projeto que tem em Sufjan Stevens e os Sea And Cake algumas das suas principais influências. O EP começa com Alone Is Okay, um tema introdutório e com um forte teor introspetivo, guiado por um piano muito melódico, alguns metais e a voz de James em falsete. Depois, Hostages mantém o mesmo piano, mas já inclui uma percussão sintetizada, com uma certa toada soul e a mesma voz de James, mas agora em coro, algo que amplia o pendor emocional do tema. De seguida chega o grande destaque do EP; Kingston é uma canção conduzida por uma percussão rápida e aditiva, acompanhado por um baixo em groove, um sintetizador cheio de loops e efeitos e a voz em eco e quase impercetível do músico a espalhar sensualidade e hipnotismo à canção. Para o fim, chega o tema homónimo, uma canção cheia de charme e com uma nova batida, também rápida mas com algumas variações e os efeitos metálicos de sempre, que incluem cordas e instrumentos de sopro.
XYXY são cerca de quinze minutos muito inspirados de um músico que entretanto já está de regresso ao estúdio para compôr e gravar novos temas pelo que em breve deverão haver novidades de Mesita para podermos disfrutar. Espero que aprecies a sugestão...
Editado a oito de abril através daNaïve, Tomorrow's Worldé o disco homónimo de estreia de um novo projeto francês, suportado numa dupla formada por Jean-Benoît Dunckel dos Air e Lou Hayter, dos New Young Pony Club.
Nos períodos em que os Air estão parados Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E agora, em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome é inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica. Desta vez, a outra face é feminina, neste caso a lindíssima Lou Hayter e desta dupla cheia de charme só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que é apresentado nas onze canções do homónimo de estreia.
Em Tomorrow's World ouve-se mais reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, do que dos New Young Pony Club, o que deverá significar que as rédeas ficaram nas mãos de Dunckel. A eletrónica está muito presente, mas na versão mais calma, melódica e clássica.
Um dos meus temas preferidos do disco é A Heart That Beats For Me, uma canção com uma certa doçura chic que me fez lembrar o saudoso Moon Safari (1998). Há igualmente uma escrita apurada, que resultou em notáveis momentos de poesia, com realce para as letras de Don’t Let Them Bring You Down (It’s not the time of year that brings me down/It’s not the rain that’s falling down, down/It’s all the people who are not around. e de Drive (Follow the moon through the night/ I feel the pull of the machine/The blood is rushing to my head/I’m driving closer to the edge).
Mesmo que Dunckel, por ter na mão as tais rédeas, não fuja aqui muito do estilo eletrónico típico dos Air, é importante ressaltar a bela voz de Lou Hayter que casa muito bem com as viagens climáticas e etéreas que o seu parceiro compôe, com a performance vocal da miúda a destacar-se em Think Of Me, uma canção que assenta numa melodia simples de um teclado e Insider, já para não falar do charme de Pleurer Et Chanter, acentuado por a música ser cantada em francês. Esta canção mistura também um baixo espacial, com um piano etéreo e uma batida que fazem dela uma espécie de trip ácida implícita. A já citada Drive, sonoramente remete-nos para os anos oitenta e o movimento new wave mais dançante, típico de uns Human League e, finalmente, So Long My Love, uma canção cheia de efeitos, tem influências bem vincadas do krautrock.
À imagem da capa do disco, Tomorrow's Worldacaba por ser uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...
01. A Heart That Beats For Me 02. Think Of Me 03. Drive 04. Pleurer Et Chanter 05. So Long My Love 06. Don’t Let Them Bring You Down 07. Metropolis 08. You Taste Sweeter 09. Catch Me 10. Life On Earth 11. Inside
Liderados pelo simpático Tim Crabtree, os canadianos Paper Beat Scissors lançaram recentemente, por intermédio da Forward Music Group e relacionado com o evento Record Store Day, uma edição em vinil, limitada a trezentos exemplares, de Tendrils - Live At St. Matthew's Church. Produzido pelo próprio Tim Crabtree, o disco inclui apenas dois temas, Tendrils na lado A e Onwards no lado B e ambos foram gravados ao vivo na igreja de St. Matthews, em Halifax, na Nova Escócia, durante um festival de jazz que aí se realizou, no passado dia onze de julho e contaram com a participação especial dos Clogs, uma banda de Nova Iorque que costuma colaborar com os The National e com os My Brightest Diamond, nas vozes, em Tendrils.
Além do vinil com as duas canções, o 45RPM traz um postal com um lindíssimo artwork da autoria da artista Sydney Smith, que inclui im código que possibilita três vezes o download, no site da etiqueta Forward Music Group, dos sete temas que a banda tocou nesse concerto.
Agradeço ao Tim pelo envio do meu exemplar que já chegou e enriqueceu imenso a minha coleção discográfica e desejo-lhe o maior sucesso na digressão europeia que os Paper Beat Scissors estão a iniciar. Espero que aprecies a sugestão...
Echopark é o novo projeto do italiano Antonio Elia Forte, um músico a residir atualmente em Londres. Trees, lançado a dezasseis de abril, é o disco de estreia e foi gravado quase inteiramente num quarto arrendado em Whitechapel, nos arredores da capital britânica, com meios instrumentais rudimentares e apenas uma mão cheia de microfones.
Teleportation é o primeiro single retirado de Trees. O video foi realizado por Valentina Dell’Aquila e o download do tema pode ser feito gratuitamente através da página do soundcloud da editora Enclaves.
Antonio é natural de Lecce onde, com cinco anos, pegou na guitarra que era do seu pai e começou a querer tocar. Lecce é uma cidade mediterrânica do sul de Itália conhecida pelo bom tempo durante todo o ano e pelo dinâmico movimento underground. É um local onde proliferam músicos, e praticantes de skate e surf. Em Itália acaba por ser o equivalente a Echo Park, uma importante zona industrial de Los Angeles, onde se inspirou para batizar este seu projeto musical.
Para Antonio a imperfeição é um objetivo concreto, uma espécide de ideal que busca com lucidez e um bom gosto que merece amplo destaque. Atualmente abundam propostas sonoras que fazem do ruído e da imprecisão sonora pontos de partida no processo de criação musical e Echopark segue esse rumo, mas fá-lo com inegável mestria, nomeadamente na forma como consegue captar o instante mais emotivo de uma canção e deixá-lo submergir, sem que o conceito lo fi e impreciso seja subjugado.
Trees percorre o mesmo território da dream pop de uns Beach House ou uns Midas Fall, mas sem obedecer ao habitual formato canção, indo mais ao encontro do que, por exemplo, Four Tet ou Youth Lagoon costumam sugerir. É um disco que se deve ouvir de uma enfiada, como um todo, como se fosse apenas um tema de trinta e seis minutos e proporciona sentimentos antagónicos já que é um disco muito acessível mas difícil de descrever. Tem momentos intrigantes, principalmente aqueles em que se ouvem as tais imperfeições, ruídos de fundo e colagens e aqui reside o maior charme do disco porque ficamos sem saber muito bem se são sempre propositadas ou até momentos sonoros involuntários. Tão depressa surgem ruídos sintetizados como um incrível baixo (Mountain) ou sons de cordas perfeitamente limpídos (For Lore), mas sempre com um fundo, que muitas vezes é um simples bater de ondas ou a aspereza do contacto entre dois grãos de areia.
Esta primavera Antonio vai passar do quarto arrendado para os palcos e entrar em digressão para promover Trees. E uma das grandes novidades é que terá uma banda a acompanhá-lo. O disco tem momentos que poderão agradar bastante ao vivo. Espero que aprecies a sugestão...
Natural da belíssima Islândia, o compositor Ólafur Arnalds deu-nos no passado dia vinte e cinco de fevereiro a mais recente versão do seu inverno, através de For Now I Am Winter, o seu terceiro disco que, estimados leitores, é um trabalho tão aconchegante que as doze músicas que contém conseguem facilmente tirar-nos o fôlego. For Now I Am Wintercontou com arranjos de Nico Muhly e a participação especial, na voz, de Arnór Dan Arnarson em quatro canções, cantor dos Agent Fresco e que já tinha participado no projeto de beneficiência do japonês Ryuichi Sakamoto de apoio às vítimas do tsunami no seu país natal.
Ólafur estreou-se em 2007 com Eulogy For Evolutione é já um dos mais reputados compositores da atualidade. Combina música de orquestra com eletrónica. Além dos dois discos anteriores, Ólafur já tinha editado alguns EPs e composto bandas sonoras de filmes. Ele próprio considera que este disco é, para já, a obra-prima da sua carreira, um álbum que atesta o seu enorme amadurecimento porque embarca numa evolução conceptual sazonal que usufrui do neo-clássico e estabelece-se como um pilar do estilo e que benefecia certamente do salto que deu recentemente da Erased Tapes para a Mercury Classics.
Uma das grandes novidades do álbum é, pela primeira vez nos seus trabalhos, incluir a voz; Se And They Have Escaped The Weight Of Darkness(2010) tinha colocado Ólafur na linha da frente do universo sonoro que abarca, este For Now I Am Winterdá um novo passo em frente, não só por causa dessa inserção vocal, mas principalmente porque expande ainda mais os seus horizontes e aprimora a elegância e o cunho sentimental com que abraça a míriade sonora que de que se serve para compôr.
Se anteriormente era o piano que liderava o processo de composição, neste terceiro disco Ólafur também colocou em enorme plano de destaque as cordas, com particular destaque para o violino. Os arranjos do norte americano Nico também adicionaram novas texturas ao som do compoitor islandês e adicionaram os sintetizadores ao seu cardápio essencial.
O álbum tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de For Now I Am Winter, já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um disco carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define pela tal deriva entre a componente mais orquestral e elementos típicos da eletrónica.
A voz de Arnór acaba por fazer dos quatro temas onde o podemos ouvir os destaques maiores de For Now I Am Winter, porque, nas mesmas, o patamar de emoção acaba por ser potenciado, já que este cantor conjuga, por exemplo, a genialidade de Jónsi (Sigur Rós) com a sensibilidade vocal de Martyn Heyne dos dinamarqueses Efterklang.
For Now I Am Winteré uma extraordinária coleção de catorze temas islandeses, misturados com técnicas minimalistas norte americanas e regadas com a tradicional sensibilidade europeia. Simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, fundem novos e antigos estilos sonoros, uma sugestão que todos irão certamente apreciar...
01. Sudden Throw 02. Brim 03. For Now I Am Winter (Feat. Arnor Dan) 04. A Stutter (Feat. Arnor Dan) 05. Words Of Amber 06. Reclaim (Feat. Arnor Dan) 07. Hands, Be Still 08. Only The Winds 09. Old Skin (Feat. Arnor Dan) 10. We (Too) Shall Rest 11. This Place Was A Shelter 12. Carry Me Anew 13. No. Other (Feat. Arnor Dan)
Depois do EP de estreia Iron, cujo tema homónimo foi usado por Quentin Tarantino em Django Unchained, já chegou aos escaparates, no passado dia dezanove de março, The Golden Age, o disco de estreia de Woodkid e que também tem essa canção no alinhamento. Woodkid é o nome de um projecto musical criado pelo fotógrafo e realizador francês Yoann Lemoine, um rapaz talentoso e pelos vistos multifacetado.
Apesar de ter demorado cerca de dois anos a ser editado, The Golden Age já causava furor o ano passado quando foram divulgados os temas Run Boy Rune I Love You. Desde o EP que aguardava com alguma expetativa este estreia e confesso ter saboreado com particular gosto o dinamismo e a grandeza deste trabalho.
The Golden Age confirma a estreita ligação entre os dois mundos, o musical e o cinematográfico, onde habita Yoann. Isso está bem evidente quando esta estreia segue as pisadas do primeiro EP e, dessa forma, navega na similar atmosfera ambiciosa e majestosa de Iron, feita com arranjos orquestrais que fazem lembrar a banda sonora de uma epopeia fantástica. Fica evidente que Woodkid aprecia heróis épicos e convive confortavelmente com a grandiosidade sonora que a composição sobre eles exige. E esses heróis poderão ser um simples rapaz que, na tal Run Boy Run, tema que lhe valeu a nomeação para um Grammy, luta pela sua sobrevivência e torna-se num homem cheio de batalhas para enfrentar. Logo a seguir, em The Great Escape, essa personagem encontra, como o título da canção indica, um sempre indispensável refúgio, alimentado com uma base instrumental alegre e repleta de trompetes.
Há uma evidente heterogeneidade entre as catorze canções do disco, onde se incluem dois interlúdios, com destaque para Shadows, uma belíssima ode sinfónica. Logo no início, à delicadeza e sensibilidade do tema homónimo, feitas com pianos e violinos, sucede a atmosfera mais caótica de Run Boy Run. E este dinamismo entre ambientes mais calmos e outros mais agitados vai sendo jogado com vários sons orquestrais e outros mais introspetivos, dos quais destaco, nos primeiros, Iron e Conquest Of Spaces e, nos segundos, Boat Song, Where I Live, uma canção onde Yoann confessa a sua resignação perante a inevitabilidade da morte e as angústias da vida (Where I'm born is where I'll die. Where I live is where I cry) e, principalmente, além do caos agitado, os coros e a voz de Yoann em Stabat Mater.
A audição de The Golden Ageé uma viagem a um mundo imaginado por Yoann, com personagens que encarnam a pacatez do nosso quotidiano e que são elevadas a um ímpar patamar de grandeza e admiração porque lutam, diariamente, pela sobrevivência, nessa espécie de mundo, algo surreal, mas onde se refletem os nossos maiores medos, expetativas e interrogações. Como se pode escutar no final, em The Other Side, é intrínseca à natureza humana uma constante insatisfação e que, por isso mesmo, o homem, quer seja um soldado, um príncipe, um pequeno rapaz, ou um agricultor, estará sempre, enquanto existir, em permanente conflito interior, sendo as pequenas vitórias que vai conseguindo contra si mesmo que sustentam o seu crescimento pessoal e que definem as escolhas que vai fazendo ao longo da vida.
No sitio de Yoann poderás conferir algum do seu art work e de vídeos que realizou, nomeadamente os vídeos Born To Die, da Lana del Rey, Dreaming of Another World, dos Mistery Jets e vídeos de Kate Perry, Rhianna e os seus próprios, conhecidos por roçarem sempre o épico e por terem uma estética inconfundível. Espero que aprecies a sugestão...
01. The Golden Age 02. Run Boy Run 03. The Great Escape 04. Boat Song 05. I Love You 06. The Shore 07. Ghost Lights 08. Shadows 09. Stabat Mater 10. Conquest Of Spaces 11. Falling 12. Where I Live 13. Iron 14. The Other Side
Um dos melhores discos que ouvi em 2013 chama-se Past Perfecte assinala a estreia nos trabalhos de longa duração dos Paperfangs, uma banda finlandesa natural de Helsinquia, formada pelos irmãos Jyri e Tarleena e pelo amigo Mikko. Past Perfectviu a luz do dia a vinte e dois de fevereiro por intermédio da Soliti Music e sucede aos EPs ePop006, editado em 2010 e AAVAV, disponibilizado em 2012 e que contém Violet, uma cover de um original dos Kiss Kiss. (O último está disponível para audição no Bandcamp dos Paperfangs e ePop006 pode ser obtido gratuitamente na Eardrums Pop).
Past Perfect é um dos discos que mais tenho ouvido nos últimos dias, muito por culpa de encantadores teclados, de uma batida subtil transversal ao disco e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar e de um jogo de vozes quente e intimista. Past Perfectouve-se com satisfação no carro, no escritório, no quarto, ou no exterior enquanto se pratica exercício físico, sendo um álbum excelentemente produzido e que viaja bem connosco, independentemente do local onde se está.
Não é fácil destacar algumas canções devido à homonegeidade sonora do álbum e à elevada bitola qualitativa do mesmo. Não há pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica. No entanto impressionou-me In Age, tema que dá o mote para o conteúdo dos cerca de trinta e cinco minutos dos disco e das próximas nove canções e também, logo depois, Bathe In Glory, o primeiro single de Past Perfecte já conhecido há algum tempo, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e uma viola que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade do sintetizador. This Power destaca-se pelos pequenos toques de uma corneta e um piano profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.
All Girls Are Grey é o segundo single já retirado de Past Perfect; Começa de forma muito simples, apenas com a bateria e o sintetizador, para depois receber, de braços abertos, o piano, uma batida dançável e a peculiar voz grave de Jyri.
Para estreia, os Paperfangs não se sairam nada mal. O irmão, a irmã e o amigo dos dois deitaram-se numa nuvem feita com a melhor dream pop escandinava e operaram um pequeno milagre sonoro; Tornaram-se expansivos e luminosos, encheram essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que está quase a chegar e o mais interessante é que conseguiram fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida.
Em suma, Past Perfect é um belíssimo álbum, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...
01. In Age 02. Bathe In Glory 03. Selfless 04. This Power 05. Repeat 06. Darkling, I Listen 07. Widow’s Song 08. Avenue Of Splendours 09. All Girls Are Grey 10. His Famous Last Painting
Conforme anunciei num recente Curtas..., o projeto Apparat, do músico alemão Sascha Ring, está de volta cerca de um ano após a edição do excelente The Devil’s Walk. O novo álbum, Krieg und Frieden, chegou recentemente através da Mute e basicamente é a banda sonora da produção teatral de Sebastian Hartman para a peça Guerra e Paz de Tolstoi.
Tudo aquilo que tu precisas para te deliciares com o décimo registo da carreira de Apparat é um bom par de headphones e um cenário... E qualquer cenário serve, seja uma paisagem campestre e bucólica, ou um emaranhado de ruas de uma grande cidade, com milhares de pessoas que não se conhecem ou alguma vez se viram a cruzarem-se a cada segundo das suas efémeras existências. É irrelevante a tua escolha, mas os headphones são essenciais; Krieg und Frieden (Music For Theatre) está repleto com uma mistura bem interessante entre elementos de uma orquestra e música eletrónica, com alguns temas puramente instrumentais.
Em Krieg und Frieden (Music For Theatre), Apparat consegue ser, ao mesmo tempo, poderoso e delicado, criando um naipe delicioso de atmosferas sonoras, através de instrumentos digitais, mas também com alguns elementos da percussão. Há por aqui algumas parecenças com os islandeses Sigur Rós, não só no ambiente criado e na duração de algumas canções, como na pafernália de elementos inusitados de que o produtor se serve para criar sons.
São imensos os detalhes sonoros que conseguem transformar, garanto-vos, qualquer cena normal, mundana e irrelevante de um dia a dia, em algo misterioso e carregado de tensão. Esta será sem dúvida a pretensão maior de um compositor de bandas sonoras e, por isso, este disco é perfeito para ser ouvido em qualquer circunstância real.
Como numa peça de teatro, este disco tem uma sequência; É para ser ouvido, durante os cerca de quarenta minutos que dura, do início ao fim sem interrupções e asseguro-vos que vale bem a pena esperar pelo final e pela belíssima A Violent Sky. Espero que aprecies a sugestão...
Os Mister And Mississippi são uma banda de indie folk experimental, natural da cidade holandesa de Utrecht, formada por Maxime Barlag, Samgar Jacobs, Danny van Tiggele e Tom Broshuis. Mister And Mississippié o disco homónimo de estreia, editado pela V2 Records, no passado dia vinte e oito de janeiro.
Os Mister And Mississippi confessam que nomes como Fleet Foxes, Monsters of Folk, Sigur Ros, Bon Iver, Angus and Julia Stone, Crosby, Stills & Nash, Other Lives, Patrick Watson, são as suas principais influências. Os onze temas de Mister And Mississippi obedecem à sonoridade indie pop, com a intimidade habitual da folk norte americana entrelaçada com a sonoridade etérea, nostálgica e, ao mesmo tempo luminosa e contemplativa que este género musical geralmente transmite, quando é proposta por grupos europeus.
De Follow The Sun a Circulate somos invadidos por cordas dedilhadas sem pressa, pequenas distorções, quase sempre com uma textura suave e, por alguns detalhes sonoros inusitados. Six Feet Under começa com um som muito orgânico que deixa mesmo a sensação que o tema está a sair das profundezas e a belíssima voz que canta em Northern Sky, assim como o reverb da guitarra em eco e o bombo final, leva-nos até mundos mais a norte.
Além dos soberbos arranjos orquestrais, uma das virtudes deste disco é mesmo a voz em falsete com um timbre que parece pairar por entre as canções e que, no caso de Circulate, o meu tema preferido do disco, faz a canção levitar em simultâneo com o aumento progressivo da melodia da guitarra, criando uma espécie de catarse sónica.
Este disco é para ser ouvido sem pressas e tem uma beleza e uma complexidade que merecem ser apreciadas com alguma devoção e fazem-nos sentir vontade de carregar novamente no play e voltar ao inicio. Espero que aprecies a sugestão...
01. Follow The Sun 02. Nemo Nobody 03. Calm 04. See Me 05. Same Room, Different House 06. Running 07. Bon Vivant 08. Six Feet Under 09. Coloured In White 10. Northern Sky 11. Circulate
Os La Big Vic são Toshio Masuda, Emilie Friedlander, Peter Pearson, uma banda norte americana de Brooklin, Nova Iorque, que se estreou nos álbuns em 2011 com Actually. Conforme referi no Curtas... LXXVIII, este grupo acaba de lançar Cold War, o sucessor, tendo-o feito no passado dia vinte e nove de janeiro pela Underwater Peoples.
Toshio Masuda é um produtor e multi instrumentista japonês, com um passado na pop e no R&B e foi ele quem tomou a iniciativa de começar a banda em 2009, com Emilie Friedlander, uma cantora e, imagine-se, jornalista de crítica musical.
Rapidamente surgiu Peter Pearson, um compositor e teclista, que também se dedica nos tempos livre a restaurar sintezadores antigos e que adora mexer em sons analógicos e interessa-se particularmente pela eletrónica dos anos setenta e pelo trip hop. Com esta reunião repleta de oportunidades e este caldeirão, em Cold War os La Big Vic capturam com perfeição o clima underground da big apple e atiram-se de cabeça na pop experimental que encontra tanta inspiração nesta cidade.
Na verdade, é complicado encontrar bandas com uma sonoridade similar ao que os La Big Vic propôem. E esté é, desde logo, um enorme elogio que lhes pode ser feito. A banda desliza facilmente por terrenos tão díspares como o jazz e o trip hop, as batidas típicas do hip hop são uma presença constante e não há, por exemplo, muitas bandas de rock a usar o violino como instrumento de base e em conjugação com sonoridades eletrónicas. Os La Big Vic fazem este junção com bom gosto e servem-se destas duas vertentes, em conjunto, para criarem uma base melódica melancólica e que consegue fazer-nos imaginar românticas narrativas, algo que até a mim me surpreendeu já que, particularmente, nunca apreciei a sonoridade deste instrumento noutros territórios sonoros sem ser o mais clássico.
O disco tem arranjos exuberantes e cheios de brilho e tal deve-se ao talento de Toshio, que misturou o disco no estúdio montado no seu quarto, mas também à técnica de Steve Griesgraber, que tratou das vozes e do violino, nos estúdios Soft Landing.
Cold War molda os La Big Vic de acordo com o turbilhão de influências musicais que os define, é uma espécie de carta de amor à cidade que nunca dorme, através do som de três músicos que conhecem melhor que ninguém as suas ruas, segredos e esconderijos e os seus desejos mais inconfessados. Espero que aprecies a sugestão...
1. Cold War 2. Emilie Say’s 3. All That Heaven Allows 4. Nuclear Bomb 5. Ave B 6. Save the Ocean 7. Cave Man 8. Charlotte Francis Practice
Os norte americanos ON AN ON são Nate Eiesland, Alissa Ricci e Ryne Estwing, três antigos membros dos Scattered Trees, um quinteto de Chicago que lançou três discos pela EMI e terminou quando estes três músicos resolveram abandonar esse projeto. O disco de estreia da banda, produzido e misturado por Dave Newfeld (Broken Social Scene, Los Campesinos!), foi gravado em Toronto, no Canadá e chama-se Give In. Foi editado a vinte e nove de janeiro nos Estados Unidos através da Roll Call Records e na Europa pela City Slang.
Muita da crítica que li considera que estes On An On são uma das grandes estreias do início deste ano e depois de ouvir Give In, admito que realmente me impressionaram e este terá sido um dos melhores álbuns que ouvi ultimamente.
Os dez temas do disco estão impregnados de efeitos de voz (vocoders) que conferem uma sonoridade futurística ao grupo, um ritmo e uma bateria marcantes e sintetizadores que explodem como fogos de artifício. Duas canções que sustentam na perfeição esta descrição sãoGhostse The Hunter, os dois singles já disponibilizados pelos On An On. A produção mágica, como já disse a cargo de Dave Newfeld, é algo suja, graças a um filtro de texturas saturadas e um reverb pesado, que eu pessoalmente aprecio, mas que não conseguem tirar o brilho dos vários temas e das grandiosas harmonias vocais que os sustentam. A banda tem andado em digressão com os Geographer. Espero que aprecies a sugestão...
01. Ghosts 02. Every Song 03. American Dream 04. The Hunter 05. All The Horses 06. Bad Mythology 07. War Is Gone 08. Cops 09. Panic 10. I Wanted To Say More
Os Gliss são um trio sediado em Los Angeles, formado por músicos dinamarqueses e norte americanos, nomeadamente Victoria Cecilia, Martin Klingman e David Reiss. Langson Dams é o terceiro disco do grupo e foi lançado no passado dia vinte e dois de janeiro pela Modern Outsider. Refiro-me a um intenso compêndio de pop suave e etérea e que confirma anteriores comparações da banda a nomes como os Beach House, Crystal Castles e Lower Dens, entre outros, aos quais ouso juntar The XX, Portishead, Joy Formidable, Purity Ring e Depeche Mode.
A sonoridade pop tipicamente escandinava, feita de paisagens sonoras atmosféricas assentes no sintetizador e de vocalizações intensas e cheias de efeito, aqui asseguradas pela belíssima voz de Victoria Cecilia, é o fio condutor da tapeçaria sonora que compõe Langsom Dans. Nota-se que houve um cuidado extremo ao nível dos arranjos e que tudo o que se ouve foi pensado com detalhe. Guitarras cheias de eco e teclados murmurantes e que fazem lembrar os anos oitenta ajudam a aprimorar uma certa subtileza, algo sombria e até sinistra, uma espécie de pop obscura, mas sem ser gótica. Tudo isto confere aos Gliss um indisfarçavel encanto e atração, uma aúrea que faz deles mais um nome a ter em conta no universo pop alternativo.
Weight Of Love é o primeiro single retirado de Langsom Dans, um tema que já tem um vídeo, realizado por Paul Boyd, num clima surreal e quase psicadélico.
Ouvir os Gliss faz-nos sentir uma enorme nostalgia porque eles sabem como dar vida à sonoridade pop, com influências retro e vintage, tão em voga nos dias de hoje. Espero que aprecies a sugestão...
01. Blood On My Hands 02. A To B 03. Into The Water 04. Weight Of Love 05. Blur 06. Hunting 07. Waves 08. The Sea Tonight 09. Through The Mist 10. In Heaven 11. Black Is Blue 12. Kite In The Sky
Son Lux é o projeto de Ryan Lott, um músico de Nova Iorque e que descobri porque a Noisetrade está a disponibilizar para download gratuíto At War With Walls And Mazes, o seu disco de estreia, editado em 2008 pela Anticon e que lhe valeu na altura o título de Best New Artist, pela conceituada publicação NPR. At War With Walls And Mazesé considerado uma espécie de concerto de pop eletrónica e ambiental, onde existe um maestro e depois uma míriade imensa de instrumentos, com Ryan a tomar conta das rédeas nos dois lados da barricada. A sua música, simples e intrigante, feita de intimismo romântico e linhas agrestes de trip hop, tocada por uma fúria experimental que integra uma espantosa solidez de estruturas, é um continente que se desbrava num misto de euforia e contemplação.
Em 2011 seguiu-se o sucessor; O álbum viu a luz do dia em abril de 2011, também por intermédio da Anticon e chamou-se We Are Rising, descrito pela crítica como uma negra simbiose entre Owen Pallett e o período mais recente dos Radiohead. We Are Risingfoi a resposta a um desafio lançado pela NPR que pedia que, do nada, um álbum inteiro fosse criado no espaço de apenas 28 dias. Assim nasceu este álbum que levou bem mais adiante as visões que o próprio antes experimentara no álbum de estreia At War with Walls and Mazes. O disco é uma aventura que transcende as noções de género e fronteira, experimentando cenografias elaboradas e linhas complexas sem contudo perder de vista a ideia da canção. As electrónicas são aqui um elemento estruturalmente marcante, a presença de outros instrumentos amplifica os contrastes e acrescenta cores a uma música que cativa e desafia. We Are Risingé daqueles raros discos que, chegados ao fim, nos compelem a regressar ao início e uma experiência rica em acontecimentos sonoros. Atualmente Ryan está a trabalhar no terceiro álbum.
Durante estes quatro anos e inclusivé nestes dois álbuns, o músico já estabeleceu parcerias e colaborações como nomes tão distintos como Sufjan Stevens, Peter Silberman (The Antlers), These New Puritans, My Brightest Diamond, Nico Muhly, Richard Perry (Arcade Fire) e Judd Greenstein, entre outros. Espero que aprecies a sugestão...
01 Flickers 02 All the Right Things 03 Rising 04 Leave the Riches 05 Flowers 06 Chase 07 Claws 08 Let Go 09 Rebuild
Rhye é uma dupla oriunda de Los Angeles, na Califórnia e que resulta da combinação do canadiano Milosh com Robin Hannibal dos dinamarqueses Quadron, uma banda com uma sonoridade eletrosoul.
The Fall é o nome do novo disco desta dupla, uma das grandes apostas para 2013. As dez canções são uma trama de versos confessionais, apaixonados e levemente dançantes, uma sonoridade sublime, feita com muitas teclas de piano que constroem detalhes sonoros adoráveis, algo que vai de encontro ao que há de mais sublime na pop. Há uma toada soul com algumas semelhanças com o que é proposto pelos britânicos The XX.
Para entender com clareza do que se trata este The Fall basta uma rápida audição da canção que dá título ao registo, um tema com uma tonalidade algo implícita e muito sedutora, que parece desmanchar-se suavemente nos nossos ouvidos. É possível descarregarem o tema gratuitamente através do sítio oficial do projecto californiano. Espero que aprecies a sugestão...
01. Open 02. The Fall 03. Last Dance 04. Verse 05. Shed Some Blood 06. 3 Days 07. One Of Those Summer Days 08. Major Minor Love 09. Hunger 10. Woman
Alexandrina é o EP de estreia dos Orae, um projeto musical que surgiu em Berlim em outubro do ano passado, formado por Geordie Little, Sam Rogers, Scott Van Manen e Jian Kellett Liew. O EP foi lançado ontem, dia dezassete de janeiro, através da Bad Panda Records e disponibilizado gratuitamente por esta editora que já nos habituou a estar na linha da frente na revelação de novos talentos no universo indie e de sonoridades inovadoras e que só são surpreendentes para quem ainda não se habituou a estar atento, por exemplo, ao soundcloud da etiqueta.
Alexandrina tem quatro canções, baseadas numa eletrónica de cariz eminentemente acústico, o que resulta numa sonoridade muito etérea. O chill out acaba por ser o género musical que melhor carateriza o EP, que me lembra, em vários momentos, nomeadamente em Green & Fog, uma espécie de simbiose entre os The XX e os Massive Attack.
Há cruzamentos interessantes e precisos entre a eletrónica e a guitarra acústica, nomeadamente no instrumental Lesson Of Thought, uma canção que me fez recuar mais de uma década, porque me remeteu para o Simple Things dos Zero 7. A presença das cordas e do piano, entrecruzados com os beeps maquinais, batidas sintetizadas e mesmo sons do ambiente (a água é um dos instrumentos usados em Lesson Of Thought) criam em cada tema um estado de espírito muito próprio e provam que estes Orae tiveram uma estreia em cheio e são ecléticos com enorme bom gosto, além de exímios a misturar e combinar emocionalmente estilos novos e antigos. Espero que aprecies a sugestão...
Toro Y Moy é o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em 2009, onde tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras. Sempre em busca da instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This, de 2010, compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse disco tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado, ao lado de trabalhos como Life of Leisure dos Washed Out e Psychic Chasms de Neon Indian.
No ano seguinte, em 2011, surgiu Underneath The Pine, o sucessor e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos,com vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return, o terceiro disco de Chazwick, lançado no início deste ano através da Carpark Records.
Anything In Return divide-se entre a tal subtileza experimental da estreia e uma certa busca de algo mais comercial no sucessor; No fundo, sonoramente, é uma súmula de tudo o que o produtor já se serviu na carreira e por isso deverá agradar a todos aqueles que já se deixaram encantar pela carreira deste músico. Além da tal súmula, também dá algumas novas pistas, já que o conteúdo tem detalhes que piscam o olho à hip hop e ao R&B, fruto da recente relação musical com Tyler The Creator e Frank Ocean, além de se aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins.
Uma das virtudes de Anything In Return é demonstrar que Toro Y Moy não tem uma especial preocupação por construir os temas com rigidez e com uma certa formatação, ou seja, o experimentalismo e a sensação de descartável não são envergonhados, apesar de não ser correto supor que o compositor não procura ser sério e minimamente coerente, quando cria as suas canções, até porque é preciso salientar que os temas estão carregados de sentimentos melancólicos e cada música tem sempre algo de pessoal. Da carência assumida em So Many Details (You send my life, into somewhere, I can’t describe, so many details) aos pequenos pontos dolorosos que se escondem em High LivingeDay One, tudo se sustenta de maneira adulta, como se o R&B de Frank Ocean e até detalhes de veteranos como Prince se derretessem no meio de sintetizadores e batidas irregulares.
Mas voltando à capacidade inventiva de Toro Y Moy, gostaria também de salientar canções como Say That, um tema que pode fazer furor em algumas pistas de dança e Touch, para mim o melhor momento chillwave da carreira do músico.
Em suma,Anything In Return comprova a força de Bundick, hoje o nome de maior destaque de um género que ele próprio ajudou a construir. Com fôlego renovado e a estabelecer uma multiplicidade de novos caminhos em relação ao anterior Underneath The Pine, Chaz prova que a chillwave está longe de ser um género musical passageiro e secundário e que é um ótimo terreno para quem gosta de testar sonoridades e experimentações, sem recear ser apontado de ser uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações.
Há pouco menos de dois anos Chaz Bundick parecia ter inventado a música pop à sua maneira; Agora ele faz o mesmo, porém, com a ajuda de uma míriade de outros estilos. Espero que aprecies a sugestão...
1. Harm In Change 2. Say That 3. So Many Details 4. Rose Quartz 5. Touch 6. Cola 7. Studies 8. High Living 9. Grown Up Calls 10. Cake 11. Day One 12. Never Matter 13. How's It Wrong
Nos últimos dias, não sei se por influência deste tempo escuro e chuvoso ou das constantes sonecas que o meu filho disfruta ao meu lado enquanto, nesse tempo livre que ele me concede, ouço nova música, tenho dado por mim a sentir uma especial atração por sonoridades mais etéreas, melancólicas e com uma forte componente eletrónica, algo notório nas minhas últimas publicações neste blogue. E uma das minhas recentes descobertas vem de Los Angeles. Falo de Alek Fin, um produtor e compositor de música eletrónica que está a fazer furor devido a um EP que lançou no passado dia um de dezembro de 2012. O trabalho intitula-se Mull e contém quatro temas que plasmam sonoridades típicas de nomes como os Captions, Death Rabbit, DJ 501, Jon Hopkins, Radiohead, Vex Mohan, James Blake, Robot Koch, Flying Lotus e Atlas Sound, influências declaradas do músico.
Mull ouve-se do início ao fim sem grandes sobressaltos. E apesar de só ter quatro canções, são suficientes para conseguirmos descolar para um outro ambiente calmo e soturno, feito com fantasmagóricas nuvens que nos catapultam para paisagens sonoras espaciais, uma atmosfera introspetiva mas que inclui algumas pequenas surpresas, conferidas por subtis detalhes sonoros. Os temas estão carregados de graves e compactas batidas cósmicas feitas com bateria e sintetizadores e a voz em eco, envolvida quase sempre por uma espécie de fragilidade cristalina, nomeadamente no single homónimo, ajuda a agudizar essa sensação de evitação para uma outra dimensão física. Se aprecias o universo mais recente friado por Thom Yorke nos Atoms For Peace ou em King Of Limbs, o último disco dos Radiohead, então garanto-te que vais ficar plenamente convencido e adorar escutar este EP, principamente o single Waiting Like A Wolf, disponibilizado para download pelo músico, como podes conferir abaixo. Espero que aprecies a sugestão...
01. Mull 02. Rocks In Paper 03. Waiting Like A Wolf 04. Gone
Os Voyager são uma banda norte americana de Birmingham, no Alabama, formada por Evan Mullins, Grant Cook, Michael Dickinson e Jacob Pendergrass. O EP Midnight Fang, editado no passado dia vinte e um de dezembro e disponível para audição e download no bandcamp da banda, é o primeiro registo deste grupo.
Midnight Fang é uma coleção de sete canções pop, com uma sonoridade shoegaze, etérea e espacial. Alguns dos temas são instrumentais (Dusk é um extraordinário exemplo de um belo instrumental pop, que dispensa muito bem a presença superflúa de uma voz), mas não perdem valor por isso, até porque quando a voz é usada, é quase sempre como um complemento, acabando por ser Mountain, o meu destaque do EP, o tema onde a voz de Evan Mullins mais se destaca, curiosamente muito bem acompanhada, não só por uma linha de guitarra a fazer lembrar os The XX, mas também pela bateria.
Assim, neste EP, a primazia, em termos de composição, ficou entregue às guitarras e aos sintetizadores. Os apreciadores da chamada dream pop, irão apreciar imenso este EP e, tal como eu, ficarão de olho no que reserva o futuro próximo deste projeto. Espero que aprecies a sugestão...
01. Dusk 02. Mountain 03. No Hibernation 04. Night Eyes 05. I Don’t Bite 06. Riviera 07. Dawn
Formados em março de 2011, os Coloured Clocks são James Wallace, Matthew Stott, Lachlan MacFarlane e Daniel Stott, uma banda australiana, natural de Melbourne. Estrearam-se nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final deste mesmo ano, mais concretamente no passado dia dezoito de dezembro, deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine. E, imaginem só, a banda disponibilizou toda esta discografia para download gratuíto no seu bandcamp.
Os Coloured Clocks fazem um indie rock progressivo, com fortes reminiscências do rock da década de setenta e sem porem de lado o que de melhor se atualmente nesse universo musical. Portanto, se gostas de sonoridades cósmicas e psicadélicas tens de conhecer esta banda. Já agora, de toda a discografia, destaco Maze, o primeiro single retirado de Nectarine, um tema épico, com uma estrutura melódica tradicional e com um riff de guitarra luminoso, bem acompanhado pela bateria e com a voz de James a fazer recordar a do seu conterrâneo Brian Aubert, dos Silversun Pickups. Espero que aprecies a sugestão...
01. Nobody’s Watching 02. Fading Light 03. Uncovered Sun 04. Maze 05. Icecream 06. All The Time 07. Enormous Mushroom 08. Somewhere 09. Don’t You Believe 10. Orion
Os Death In The Afternoon são Christian (voz, guitarra e sintetizadores), Albin (guitarra e sintetizadores), Linda (baixo e sintetizadores) e Rasmus (bateria e sintetizadores), uma banda da Suécia, formada em 2010. Kino é o disco de estreia e viu a luz do dia no dia trinta de novembro de 2012.
Se tivesse de escolher uma só palavra para descrever os Death In The Afternoon, atmosféricos seria o vocábulo escolhido. Assim que ouvi os onze temas deste disco senti que tinha acabado de regressar de uma viagem rumo aquelas bandas sonoras feitas nos anos oitenta propositadamente para filmes mudos, algo que atinge o auge na sequência feito com o austero tema J (L) G e a longa Tricks. E essa época musical é exatamente uma das declaradas influências do grupo, já que Kino contém melodicamente o que de melhor foi feito ultimamente na synth pop europeia, um género musical várias vezes citado em Man On The Moon. Quem estiver atento certamente terá notado que ultimamente a nostagia desta década é uma forte aposta no cenário indie europeu, especialmente o francês e o escandinavo.
Logo desde o início os Death In The Afternoon vincam um estilo que se mantém ao longo de Kino; Oh Youth! é uma canção carregada de groove e Francis & The City, destaca-se pela simplicidade da secção rítmica. Depois, dos restantes temas destacam-se ainda Fandango, OKOK, um tema onde se ouvem umas belíssimas palmas e teclados em espiral e Villains; Qualquer uma destas canções tem uma natureza contagiante, são verdadeiras obras primas que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, feitas por uma banda onde todos os elementos, além de tocarem um instrumento de base, também manuseiam o sintetizador.
Os Death In The Afternoon têm feito algum furor na MTV europeia mas soarão certamente muito melhor no alinhamento de um classics da VH1; Este revivalismo dos anos oitenta, década em que terá nascido a synth pop, além de ser sustentado pelo caráter minimalista da instrumentação, também se encontra no forte sentido de humor de algumas letras, cantadas por Christian quase sempre num falsete afundado num colchão de sons eletrónicos e que satirizam essa eletrónica retro, feita com VHS. Tudo isto faz de Kino um passeio divertido e, ao mesmo tempo, introspetivo, cheio de charme e bom gosto. Os Death In The Afternoon conjugam e recriam com distinção o que de melhor foi feito numa época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo e talvez nos sirvam também para mostrar o futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...
01. Oh Youth! 02. Francis And The City 03. John Who 04. Fandango 05. OKOK 06. J(L)G 07. Tricks 08. Natalya 09. Villains 10. Lions 11. Spain
Os Kid Mountain são uma banda de Boston, nos Estados Unidos, formada por Cole Wuilleumier, Derek Goulet, Tyler Rosenholm e Tim Patterson. Estrearam-se nos lançamentos em janeiro deste ano com o EP Visitor's Center, disponível para download no bandcamp da banda. No passado mês de novembro editaram finalmente Happies, o tão aguardado álbum de estreia.
Os Kid Mountain caraterizam-se por ser uma banda que leva muito a sério o desejo de não quererem ser demasiado... levados a sério. E a própria sonoridade das suas canções demonstra-o com imensa fiabilidade porque remete-nos, com notável mestria, para as origens da pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta. E já percebi que tudo isto é certamente influenciado por nomes tão importantes como os Avi Buffalo, Talking Heads, Modest Mouse, The Microphones e os The Beach Boys.
Happies tem pouco mais de trinta minutos e, por isso, ouve-se de uma assentada. Aliás, entende-se que há uma certa interigação entre os temas e que não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. Ao longo dos seus dez temas somos convidados a dançar ao som de uma pop bastante aditiva e peculiar; As canções são quase sempre conduzidas pela guitarra elétrica, mas também há uma forte presença da sua congénere acústica. De vez em quando lá se ouve uma pandeireta, mas as cordas, o baixo e a bateria são aqui mais do que suficientes para o grupo atingir os seus propósitos, dão corpo às canções e aconchegam a voz, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que lhe dá uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica.
Para quem procura pouco mais de trinta minutos daquela pop algo inocente, está aqui uma proposta que certamente irá encher as medidas. Fiquei com imensa curiosidade para perceber qual será o futuro dos Kid Mountain e se estas canções, ainda tão cheias daquela inocência cheia de acne que, como referi acima, quase que imploram para não serem levadas demasiado a sério, irão, ou não, amadurecer e, caso o façam, se mantém este elevado nível da estreia. Espero que aprecies a sugestão...
01. Parashootin 02. No Place 03. Kinda Strange 04. Take Your Legs 05. Happy Lappies 06. Bur Hurbur 07. New Hat 08. Vermont 09. Laughing All Your Laughs Out 10. Clouds
Já há algum tempo que não havia novidades dos Flashing Red Lights, um projeto californiano, oriundo de Los Angeles, liderado por Mack Slevin. O último lançamento tinha sido o EP Faster Horses, mas já tem sucessor. No passado dia vinte e sete de novembro foi divulgado Prestige, mais um EP de um músico que continua a progredir no desenvolvimento de uma pop eletrónica, assente numa sonoridade límpida e etérea e com a voz e as letras de Slevin a assumirem o destaque.
O título Prestige foi inspirado no nome de um supermercado de Los Angeles. A audição das quatro canções do EP é quase uma espécie de monólogo que o autor tem connosco, tal é a profundidade e o domínio da sua voz, muito parecida com a de Moby. A gravação terá sido pouco dispendiosa e feita com aparente simplicidade, socorrendo-se de algum software de sintetização, que serviu para compôr batidas extraordinárias, das quais destaco nao só o single If I Had The Time, mas também a dançável You're Not Smart. Além desse software, assume um papel preponderante nos temas, a utilização de samples variados; Um exemplo disso foi o recurso a gravações de vozes através do seu telefone, em bares, festas e casas de amigos, simples elementos do quotidiano comum de Mack, vivências que todos nós testemunhamos e que são o grande suporte da música dos Flashing Red Lights. Espero que aprecies a sugestão...
Os In The Valley Below são um novo par que começa a fazer-se notar lá para os lados de Los Angeles formado por Angela Gail e Jeffrey Jacob. No início do passado mês de outubro editaram o trabalho homónimo de estreia, um EP com quatro canções disponíveis no bandcamp da banda e que têm no single Peaches o grande destaque.
A sonoridade desta dupla é uma espécie de chic dream pop, assente em sintetizadores que procuram criar paisagens sonoras etéreas. No entanto, deve ser desde já evitada a tendência para procurar algum tipo de comparação com outras duplas do mesmo universo musical, nomeadamente os Beach House. Estes dois músicos e intérpretes confessam ter uma obsessão por sonoridades dos anos oitenta e apontam mesmo o exemplo da canção In The Air Tonight, de Phil Collins, como um exemplo perfeito da sonoridade que os fascina e pretendem reproduzir.
A audição de In The Valley Below comprova esta busca, mas o que mais me agradou nos quatro temas foi o ênfase muito particular que é colocado na voz de ambos. Não há aqui um elemento que assuma a primazia vocal; Os temas são quase sempre cantados pelos dois, em simultâneo, uma particularidade muito interessante e fundamental para dar mais corpo e uma toada algo épica aos temas. A nostálgica Take Me Backilustra com notável perfeição esta simbiose sincera e profundamente emocional entre ambos que ganha contornos de uma quase evidente interação sexual entre ambos em Hymnal.
Estamos no inverno e há dias em que nos assalta aquela nostalgia que nos quer levar até aqueles finais solarengos dos dias de verão; In The Valley Below é para guardar num recanto precioso do iPOD ou do leitor de mp3 e devidamente apreciado, daqui a alguns meses, numa esplanada junto ao mar, em pleno pôr do sol. São poucas as vezes em que uma proposta tão óbvia, vulgar e algo redundante, assume particular significado. Espero que aprecies a sugestão...