Segunda-feira, 2 de Março de 2015

Computer Magic - Dreams Of Better Days EP

Danielle Johnson aka Danz, uma DJ e bloguer com especial apetência para espetros musicais que misturem as tendências mais atuais da eletrónica com uma pop de forte pendor vintage é a mente que controla, manipula e dá vida a Computer Magic, um projeto que acaba de divular um novo EP intitulado Dreams Of Better Days, seis canções que se deitam à sombra de cruas batidas, cheias de loops e efeitos que se conjugam com alguns elementos minimalistas, alguns deles particularmente bonitos e curiosos.

A eletrónica e os ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral é, pois, a pedra de toque deste cardápio, onde abunda um som esculpido e complexo audível logo nosefeitos sinteizados e na leve batida de K2 / Intro, mas onde se destaca, sem dúvida, o single Shipwrecking. Esta excelente canção, produzida por Abe Seiferth, borbulha de cor e intensidade, devido aos arranjos sintetizados que contém e à condução proporcionada por uma bateria cheia de charme, encapsulando-a num ambiente algo aquático e denso, mas extremamente sedutor.

Testemunhamos contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste EP quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb; Em My Love, por exemplo, a vertente sintética mostra-se apenas como uma das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que Danz plasma a sua íntima e estreita relação com a pop, udando também alguns dos artifícios obrigatórios do rock clássico, mas sem abandonar as suas origens mais eletrónicas e sombrias. Já agora, este último tema acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros, que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual, fazendo-o com um elevado índice de maturidade e firmeza, o que plasma o imenso bom gosto na forma como a autora aposta nesta relação simbiótica, enquanto parte à descoberta de texturas sonoras. Curiosamente, a gitarra poderia ser um fiel companheiro da artista e um instrumento que se aliaria com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge com um certo destaque e bastante implícito na homónima Dreams of Better Days (Don’t Pass Me By), por sinal um tema onde o protagonismo da voz é menos evidente e o registo algo modificado maquinalmente.

Dream Of Better Days é de uma subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Computer Magic. Espero que aprecies a sugestão...

K2 / Intro
Shipwrecking
My Love
Dreams of Better Days (Don’t Pass Me By)
Mindstate
Birds / Outro


autor stipe07 às 17:56
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Warpaint - No Way Out

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa são as Warpaint, um título feliz para quatro intérpretes que compôem música que parece vir do interior da alma mais sincera e verdadeira que podemos imaginar e que o ano passado surpreenderam com um disco homónimo onde deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta negra e obscura, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade e com uma certa timidez que não era mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica

Agora, quase um ano depois, as Warpaint voltam a deixar-nos boquiabertos com No Way Out, uma nova canção que indicia a proximidade de um novo registo de originais e que promete ser mais um marco na carreira deste projeto californiano. O tema assenta em deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. A escrita carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi. Confere...


autor stipe07 às 15:56
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

In Tall Buildings - Driver

Já foi finalmente editado Driver, um dos trabalhos mais aguardados por cá no início de 2015 e que viu a luz do dia a dezassete de fevereiro através da Western Vinyl. Este disco é da autoria de Erik Hall, um músico e compositor de Pilsen, nos arredores de Chicago, por detrás do projeto In Tall Buildings, que, de acordo com o próprio, compõe inspirado por duas dicas filosóficas, uma de Allen Ginsburg (First thought, best thought) e a outra da autoria de Kurt Vonnegut (Edit yourself, mercilessly). Se a teoria de Ginsburg apela à primazia do instintivo e da naturalidade e da crueza, acima de tudo, já as palavras de Vonnegut parecem instar à constante insatisfação e à busca permanente da perfeição, considerando-se cada criação como algo inacabado e que pode ser alvo de melhorias e alterações. Driver foi produzido entre a casa de Hall e uma quinta em Leelanau County, no Michigan.

A música de Erik Hall vive um pouco desta aparente dicotomia, já que quando assina In Tall Buildings propôe e cria paisagens sonoras simples e amenas, de algum modo descomplicadas e acessíveis, mas que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto na forma como constrói as melodias, deixando sempre margem de manobra para que nos possamos apropriar das suas canções e dar-lhes o nosso próprio sentido. Aquela folk acústica, que em determinados instantes pisca o olho a um certo travo psicadélico, é, portanto, a trave mestra de Driver, competente na forma como abarca diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e como mistura harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a voz grave, mas suave e confessional de Hall, sendo este um álbum ameno, íntimo, cuidadosamente produzido e arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação.

Ficamos logo agarrados ao disco com Bawl Cry Wal, o tema de abertura, feito de uma melodia que tem por base a bateria e umas cordas impregnadas de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado. Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e dominado por cordas com uma forte toada blues. Logo depois, All You Pine, apesar de menos ritmada, segue a mesma dinâmica que sustenta um alinhamento sinuoso e cativante, que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e onde Hall não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Unmistakable, o segundo single, a surpreender pouco depois, não só pelo título da canção, sem dúvida uma opção feliz para mais um registo sonoro de dificil catalogação, mas também pela sonoridade pop claramente urbana, mais eletrónica,perfeita no modo como o baixo e a batida se cruzam com o sintetizador. 

Pouco depois, ao sermos presenteados com I'll Be Up Soon, percebemos que In Tall Buildings também manipula com mestria os típicos suspiros sensuais que a subtil eletrificação da guitarra e uma batida lenta e marcada proporcionam e que há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpretam. Por exemplo, em When You See Me Fall um efeito em espiral e melodicamente hipnótico e o modo com a voz com ele se entrelaça e o dedilhar deambulante de Aloft são outros dois momentos que trazem brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.

O auge do disco chega com a atmosfera simultaneamente íntima e vibrante do single Flare Gun, um tema que está já na minha lista das melhores do ano e isso deve-se à forma particular como as cordas deambulam alegremente pela melodia e dão à canção uma sensação intrincada e fortemente espiritual, um ideal de leveza e cor constantes, como se ela transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nosso dias, agora algo frios e sombrios.

Rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, Driver tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Hall sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Este é um álbum essencial, recheado de paisagens sonoras simples e amenas, de algum modo descomplicadas e acessíveis, mas que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

Bawl Cry Wail

All You Pine

Exiled

Unmistakable

Aloft

Flare Gun

I'll Be Up Soon

Cedarspeak

When You See Me Fall

Pouring Out


autor stipe07 às 19:24
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Heavenly Beat – Eucharist

Heavenly Beat é o alter-ego de John Pena, baixista dos Beach Fossils e um nome bastante conhecido e respeitado no cenário musical independente e alternativo. Lançado no final do ano passado, Eucharist é já o terceiro tomo de uma discografia que foi integralmente dissecada por cá; O álbum de estreia do projeto, editado em Julho de 2012, chamava-se Talent e foi divulgado pouco depois, tendo sucedido o mesmo com Prominence, o sempre difícil segundo disco dos Heavenly Beat, lançado, como sempre, através da Captured Tracks, em outubro de 2013.

Acompanham Pena nos Heavenly Beat os músicos Andrew Mailliard e Chris Burke e ao terceiro disco, como a sonoridade do projeto se mantém inalterada, há pouco a acrescentar às análises anteriores. Seja como for, há que realçar que a música deste projeto, inicialmente se estranha, mas depois, com tempo, facilmente se entranha e provoca em nós sensações de prazer e bem estar. Isso acontece porque nos Heavenly Beat John Pena explora as intersecções entre a índie e a electrónica, numa mistura absolutamente tranquilizante, que assenta muito em batidas paradisíacas, que nos fazem ter sempre a sensação que estamos a escutar o disco num local belo e único. É uma música que acaba por funcionar como uma sonora escapadinha homeopática, sem nunca nos deixa esquecer quem somos e o que desejamos da vida, já que estas canções também nos dão tranquilidade e força para lidar com uma realidade em permanente convulsão.

Logo na introdutória Kin ficam plasmada a caritilha sonora do trio e o single Patience reforça a possibilidade de sermos invadidos por um som simultanamente fresco e hipnótico ao longo de doze canções de agulhas viradas para uma dream pop que assenta, com frequência, numa chillwave simples, bonita e dançável, construída em redor de uma bateria com a cadência e a vibração certas e guitarras e sintetizadores que se entrelaçam constantemente de modo a criar o tempero ideal às composições.

Além destas virtudes no campo instrumental e do casamento assertivo entre o dedilhar das cordas e uma matriz sintética na dose certa, um dos maiores segredos destes Heavenly Beat parece-me ser o arranjo melódico que sustenta os temas e a postura vocal, às vezes um pouco lo fi e shoegaze, mas que dá às composições aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.

O fluxo das canções é muito agradável relaxado e mesmo sensual e se um dos grandes destaques de Eucharist é o já citado single Patience, a energia sexual bastante latente na percurssão e no efeito que deambula por Manna e em Covet. Mas o dedilhar das cordas em Head e o modo como a batida é adicionada, acaba por ter também um inegável charme, festivo e viciante, assim como a forma como cresce o sintetizador de Legacy, nomeadamente durante o minuto incial, quando recebe uma batida que funciona impecavelmente em modo palmas de fundo. Também não há como resistir ao esplendor da viola e das castanholas do solarengo e inebriante tema homónimo.

Se Pena vive atualmente numa espécie de encruzilhada relativamente ao melhor rumo a dar a este projeto, anseio que ele se mantenha neste modus operandi indefinidamente, em vez de procurar calcorrear outros terrenos menos luminosos e que possam colocar em causa a integridade que os Heavenly Beat têm vindo a construir a pulso, com uma cadência praticamente anual e que tem já como enorme atributo espelhar com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Heavenly Beat - Eucharist

01. Kin
02. Patience
03. Manna
04. Faults
05. Head
06. Legacy
07. Covet
08. Eucharist
09. Relevance
10. Beyond
11. Effort
12. Relentless


autor stipe07 às 22:03
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Shirley Said - Salvation (video)

shirleysaid_press_960

Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

Depois de terem divulgado o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia, agora chegou a vez de ser conhecido o filme de Salvation, o lado a de um single que vai ser editado, apenas em formato digital, a vinte e três de março.

Nesta canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Quanto ao video, a junção de paisagens amplas e naturais, com elementos abstratos, funciona como uma metáfora interessante da sonoridade dos Shirley Said que, fazendo juz à descrição deste single acima plasmada, gravita na fusão de dois universos sonoros ambivalentes, onde o sintético e o orgânico se fundem. Confere...


autor stipe07 às 17:55
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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2015

José González – Vestiges And Claws

Depois de se ter mostrado um jovem platónico e apaixonado em Veneer (2003), ou um cru e empírico observador da vida em Our Nature (2007), o sueco José González está de regresso e de mãos dadas com ambientes sonoros mais intimistas, à boleia de Vestiges And Claws, uma coleção de dez temas gravados na sua casa em Gotemburgo e que têm na folk acústica, que em determinados instantes pisca o olho a um certo travo psicadélico, as suas traves mestras. Refiro-me a canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que misturam harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a voz grave, mas suave e confessional de González, sendo este um álbum ameno, íntimo e cuidadosamente produzido pelo próprio autor e arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação.

Com instantes como Stories We Build, Stories We Tell ou Leaf Off/The Cave, capazes de nos envolver num clima doce e reconfortante, mas também festivo, Vestiges And Claws sobrevive à sombra de arranjos bem feitos, que prendem a atenção, alternando entre climas calmos e agitados, conseguidos através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, mas que nunca roubam às cordas o merecido protagonismo.

Cm uma dúzia de anos de carreira, com os Junip a serem também parte fundamental da sua existência musical, González mostra-se, ao terceiro tomo da carreira a solo, mais maduro e consciente do mundo que o rodeia, de certo modo, num estágio superior de sapiência que lhe permite utilizar o seu habitual espírito acústico para colocar-se à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar histórias que o materializam na forma de um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. O sermão que nos oferece no tema homónimo é só um exemplo desta sua vontade de nos fazer refletir, com o romantismo de With The Ink of Ghost, ou a cândura da maravilhosa Let It Carry You (com a percussão feita por uma clave, um instrumento habitual na sua discografia), assim como os sussurros de The Florest a confrontarem-nos com a nossa natureza, uma sensação curiosa e reconfortante que ambientada pelos assobios rústicos de Vessel transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Every Age, o primeiro single retirado de Vestiges And Claws, também materializa esta demanda reflexiva que nos é servida por um sábio que surpreende pelo parco mas suficiente e profundo vocabulário que preenche a sua cartilha, sempre aberto às mais variadas interpretações (Some things change, some things remain, We don't choose where we're born, We don't choose in what pocket or form, But we can learn to know Ourselves on this globe in the void). Este acaba por ser um dos momentos líricos mais bonitos de toda a carreira de GonzálezLeaf Off/ The Cave, o segundo single do disco, obedece igualmente a este conceito da progressiva evolução existencial, rcordando-nos que nunca dvemos descurar os conselhos dos mais velhos, essenciais para que a vida seja vivida em plenitude e não apenas como um ponto de passagem esperado e rotineiro (Let the life lead you out).

Se a calma nos transmite sabedoria, ela não se reflete em passividade. José González diz à sua maneira em What Will que as garras e os vestígios do título do disco são os elementos que muitas vezes sobram após a nossa luta diária constante, enquanto os lindíssimos acordes do tema dão-nos a motivação necessária para acreditarmos que vale a pena esse sacrifício desgastante, desde que resulte na tal vivência existencial plena e verdadeiramente feliz.

Se o hinduismo acredita na existência de um estado transitório entre a morte e o ressurreição, onde a nossa alma recupera a divinidade perdida no nascimento, pode-se dizer que a música deste sueco nos concede a mesma sensação no modo como nos renova espiritualmente e nos acalma enquanto transmite sabedoria. Em Vestiges & Claws, o músico emociona, inspira e ilumina, levando-nos para um lugar calmo e pacífico, onde podemos fugir da velocidade, do caos e da ansiedade da vida moderna, um lugar que, independente de géneros ou estilos, definitivamente só existe na música. Espero que aprecies a sugestão...

José González - Vestiges And Claws

01. With The Ink Of A Ghost
02. Let It Carry You
03. Stories We Build, Stories We Tell
04. The Forest
05. Leaf Off / The Cave
06. Every Age
07. What Will
08. Vissel
09. Afterglow
10. Open Book


autor stipe07 às 14:22
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2015

Subplots - Autumning

Oriundos de Dublin, na Irlanda, os Subplots são uma dupla formada por Phil Boughton e Daryl Chaney (autor do belíssimo artwork deste disco), que ao vivo conta ainda com o baterista Ross Chaney. Estrearam-se nos discos em 2009 com Nightcycles e finalmente já há sucessor. O novo álbum dos Subplots chama-se Autumning e viu a luz do dia a trinta de janeiro por intermédio da Cableattack!!, podendo ser ainda feita a encomenda da edição limitada em vinil no Bandcamp da banda.

É sabido que a dupla funcionalidade da almofada faz dela um objecto perfeito e versátil. Ainda que convenha à madrugada televisiva impingir a todos os que sofrem de insónias as vantagens de uma oitava maravilha ortopédica, anatómica e à prova de ácaros, as qualidades essenciais são as duas comuns a todas as almofadas: dispor de uma face que se possa encharcar de lágrimas e, caso necessário, de um reverso propício a um sono descansado. O próprio acto amoroso geralmente envolve o ajustamento da nuca a uma almofada, que, a bem do conforto, não deve estar húmida. Isto para esclarecer que este novo trabalho dos Subplots, cumpre impecavelmente o aconchego de uma almofada, mas sem existir uma relação direta entre o seu conteúdo e os sentimentos de desgosto e depressão que, frequentemente clamam pela sua presença. Autumning é adequado a servir os nossos propósitos da auto-medicação, mas também em instantes em que é essencial colocar um travão na euforia e satisfaz, com igual mérito, as nossas necessidades de sermos como a avestruz que enterra a cabeça no chão e as do nostálgico que está sempre disposto a exagerar na celebração quando é abençoado pela bondade alheia ou revive as mais queridas memórias de outrora.

Numa perspectiva ainda mais intimista, a música dos Subplots é associável ao sentimento que se vive durante o impasse entre o aperto de mão e a consumação horizontal. Serve, nesses casos, os propósitos fantasiosos de quem passa a noite de gin na mão a observar a mais decotada das manequins que dançam na pista da discoteca da moda. No pior dos casos, e arrisco aqui um freudismo muito caseiro, a repetição mecanizada dos loops básicos que os Subplots extraem das cordas e das teclas pode até satisfazer uma qualquer necessidade física comum a ambos os sexos, mas mais afeta ao masculino. Ficam a cabo do leitor as restantes ilações.

Autumning oferece-nos instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para dar vida a um conjunto volumoso de versos sinceros, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente que oscila entre a amplitude luminosa da crença e o cariz nostálgico da dúvida e do receio, em canções que tanto podem ser extremamente simples e prezar pelo minimalismo da combinação instrumental que as sustenta, como Wave Collapse, Colourbars ou a percurssão de Escherich, ou soarem mais ricas e trabalhadas, sendo 9/8 ou a esplendorosa Epilogue raros exemplos atuais da tomada de consciência de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Aliás, Future Tense, o primeiro avanço divulgado de Autumning, uma obra de arte que balança entre a dream pop e o rock progressivo, delicada e envolvente e que emociona facilmente os mais incautos e de lágrima fácil, já que é alicerçada num piano adulto e jovial, à volta do qual gravita uma voz deslumbrante e uma guitarra que adivinha um clímax sónico com forte sentido de urgência, deixou logo fortes indicações acerca do modo como esta dupla se serve principalmente de guitarras, que parecem amiúde estar assombradas, para criar melodias que circulam ao nosso redor, criando uma atmosfera no mínimo encantadora

Autumning é a página do nosso diário pessoal onde contabilizámos o número de parceiros sexuais, ao elaborar uma lista em que incluimos apenas as iniciais dos seus nomes. Descobrir uma resolução concreta para o seu conteúdo é como tentar diferenciar a cor do céu aquando do anoitecer da tonalidade que este assume pela aurora, sendo a prova irrevogável de que, para compreender o estado atual do que melhor propôe o universo sonoro alternativo é obrigatória a passagem pelo universo Subplots. Espero que aprecies a sugestão...

1. Wave Collapse
2. The Sunken Wild
3. Escherich
4. Colourbars
5. 9/8
6. Future Tense
7. End of Print
8. Follower
9. Epilogue

 


autor stipe07 às 21:14
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

The Union Trade – A Place Of Long Years

Editado a três de fevereiro pela Tricycle Records, A Place Of Long Years é o novo álbum dos The Union Trade, uma banda de São Francisco, na Califórnia, formada por Don Joslin (guitarra), Nate Munger (baixo, voz), Eric Salk (guitarra, piano) e Rhodes Eitan Anzenberg (bateria). A gravação deste disco contou com as contibuições de Nate Blaz dos Geographer e Ann Yu dos Silver Swans, um trabalho conceptual que explora as fronteiras do físico e do psíquico e das transferências de energia que, no ser humano, se estabelecem entre estas duas componentes e o modo intrincado como nos relacionamos com aquilo e aqueles que nos rodeiam, servindo-nos de todo o nosso ser em toda a sua plenitude, competência, capacidades, habilidades e dimensões. Com esta ideia no pensamento os The Union Trade criaram uma coleção de dez paisagens sonoras etéreas e contemplativas, impecavelmente produzidas, reveladoras de uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria, mas onde geralmente nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais, uma conjugação entre exuberância e minimalismo que prova a sensibilidade dos The Union Trade para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana.

O som experimental, psicadélico, barulhento e melódico que este quarteto nos oferece atiça todos os nossos sentidos, provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar e, contendo belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte da tal essência do grupo, trespasssam sempre o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui de maneira hermética e acizentada, sempre sustentado por uma base instrumental plena de nuances variadas e harmonias magistrais, onde a matriz sonora se orienta de forma controlada, como se todos os protagonistas materiais, quer orgânicos, quer sintéticos, que debitam notas musicais, fossem agrupados num bloco único de som.

Com uma sonoridade ampla e quase sempre eloquente e grandiosa, há mesmo instantes em que existe aquela sensação curiosa, mas estranha, de a própria música parecer fugir um pouco ao controle de quem a cria e ganhar vida própria, como é o caso de The Empire Giants, ou de quando a voz surge em Sailing Stones. Aliás, um dos atributos deste disco é a elevada heterogeneidade instrumental, dentro de uma matriz estilística bem definida, tipicamente lo fi, com a percurssão e as cordas, que, por exemplo, em Murmurations atingem um climax ruidoso particularmente visceral, mas sempre controlado, a reproduzirem efeitos bastante sedutores e luminosos,que criam ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, dentro de uma toada mais orgânica, ruidosa e visceral. Esta canção, um dos singles já retirados de A Place Of Long Years, progride e expande-se partindo de horizontes algo minimalistas e quando se eleva o volume dos instrumentos como um todo e temos aquela explosão que dá a cor e o brilho que nos faz levitar, então esvai-se qualquer receio e torna-se firme a sensação que acabou de passar pelos nossos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento.

É deste cruzamento espectral e meditativo que A Place Of Long Years vive, com canções algo complexas, mas bastante assertivas e reféns de uma implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica, com uma amplitude etérea que nos permite aceder à dimensão superior onde os The Union Trade nos sentam e que o efeito da guitarra e o magnífico piano da já citada Sailing Stones tão bem clarifica. Depois, em Drakes Passage, canção onde o esplendor da vertente acústica das cordas tem o seu momento alto, é possível apreciar a junção do cariz mais rugoso do rock alternativo, com outros espetros sonoros, mais progressivos e experimentais, algo que a imponente e bizarra Svalbard também nos oferece em forma de roleta russa, numa banda que não se deixa enlear por regras e imposições herméticas. Bom exemplo disso são também os quase seis minutos de Dead Sea Transform, mais uma canção cheia de detalhes preciosos, com destaque para o dedilhar inicial da guitarra e que parece funcionar como uma sobreposição da linha melódica que o piano cria, provando que neste disco tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Ao mesmo tempo em que é possível absorver esta obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem A Pace Of Long Years é outro resultado da mais pura satisfação, como se os The Union Trade projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, num resultado final que impressiona pela beleza utópica das composições, assim como as belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos mais agressivos. 

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, A Place Of Long Years é um óbvio tiro certeiro na carreira desta banda de São Francisco. Espero que aprecies a sugestão...

The Union Trade - A Place Of Long Years

01. Mineral King
02. The Empire Of Giants
03. Sailing Stones
04. Drakes Passage
05. Marfa Lights
06. Murmurations
07. Svalbard
08. Strangers And Names
09. Dead Sea Transform


autor stipe07 às 21:50
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2015

Leapling - Vacant Page

Hoje, dia dez de fevereiro, chegou aos escaparates, através da Inflated/Exploding In SoundVacant Page o novo disco do projeto nova iorquino Leapling, um quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione e que plana em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica.

A intro Negative Space, uma verdadeira amálgama de sons rugosos e metálicos, que ajudados por uma voz reverberada se acumulam sem um propósito evidente, é uma porta de entrada que plasma com nitidez o clima identitário dos Leapling que, apesar de em Flesh Meadowns, devido ao efeito da guitrarra, à subtileza da bateria e ao timbre das cordas, já se aproximam do habitual edificio melódico que sustenta o formato canção mais acessível, não deixam de se manter fiéis ao espírito inicial, permitindo que nos embrenhemos num disco onde é constante o desafio entre o experimentalismo e a chamada dream pop, já que o nível de desordem sonora serve apenas para colocar a nú um aparente caos, com o conteúdo de Vacant Page a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e, apesar de parecer que vale (quase) tudo, a fluir dentro de limites bem definidos.

O típico som feito com guitarras distorcidas, também tem um elevado protagonismo. Silent Stone, uma magnífica canção que que flutua entre o indie rock mais anguloso e aquele que aposta num forte cariz experimental, já que no tema, além de um maravilhoso falsete, sobressai uma percussão com um elevado pendor jazzístico e o doce romantismo de Slip Slidin' Away e a toada blues conferida pelo baixo vigoroso em N.E.R.V.E., entrelaçado com uma bateria que se estende livremente pela melodia, sem cadência rítmica homogénea, são mais três lindíssimos instantes do álbum, que entre o experimental e o atmosférico, seduzem e emocionam. Depois, no piscar de olho à bossa nova em Going Nowhere e no acerto da quente e sedosa melancolia que escorre da guitarra de Retrograde e em redor da qual abundam violinos que tão depressa surgem como se desvanecem, ficamos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, algo que nos exige um alerta permanente e o foco contínuo naquilo que se escuta.

Um dos momentos altos de Vacant Page é, sem duvida, a original secção rítmica que sustenta Crooked, onde se inclui um baixo com um certo toque psicadélico, que não receia o risco no modo como transmite nervo e intensidade e alguns arranjos de cordas, aquáticos e claustrufóbicos, que contrastam com a clareza de uma voz que nos embala e convida de modo sedutor a penetrar em direção a um mundo algo fantasmagórico e claustrufóbico, ao qual é difícil resistir. Um pouco adiante, em Hung Out Dry, esse mesmo baixo teima em espreitar, para massajar as nossas têmporas com um misto de delicadeza e vigor, numa canção feita com a típica luminosidade de uma quente tarde de verão que atiça e desarma todos os nossos sentidos.

Com um certo travo punk, enérgico e libertário, que escorre por todos os poros da melodia hipnótica e repetitiva que alicerça In Due Time, termina um disco cheio de emoções fortes, inédito no modo como dificulta uma catalogação rigida e bem balizada, intemporal no cruzamento transversal que faz entre os mais variados espetros do universo sonoro indie, delicado na invocação de sentimentos felizes, divertido na forma como esbanja ritmo e sensualidade e jovial no modo como pode conquistar na nossa prateleira discográfica aquele recanto especial onde se guardam aquelas coleções de canções que chamamos para a parada dos nossos momentos mais genuínos, muitas vezes ocupados na busca por uma musicalidade amena, coberta por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Espero que aprecies a sugestão...

Vacant Page cover art

 

Negative Space

Flesh Meadows

N.E.R.V.E.

Going Nowhere

Crooked

Retrograde

Silent Stone

Hung Out To Dry

Slip Slidin' Away

In Due Time

 


autor stipe07 às 21:20
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015

Breakfast In Fur – Flyaway Garden

Em Nova Iorque, algures entre Manhattan e Catskills, fica New Paltz, zona da cidade que nunca dorme de onde são oriundos os Breakfast In Fur, uma banda que começou por ser o projeto a solo de um músico chamado Dan Wolfe, que depois acabou por recrutar alguns amigos que partilham consigo a sua visão do indie rock lo fi, experimental e psicadélico. Na verdade, este projeto acaba de me surpreender com Flyaway Garden, o trabalho de estreia, um disco editado no passado dia três de fevereiro por intermédio da Bar/None Records.

Em onze canções distribuidas por cerca de trinta e cinco minutos, os Breakfast In Fur desvendam-nos um som com um forte sentido melodioso e épico que, como se percebe logo em Shape, apesar da imponência das guitarras, levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, não deixam de ter um vincado cariz dream pop, nostálgico e sonhador, que seduz pelo calor e pela vibração que transmite. 

Cuidadosos e inspirados no modo como conferem detrermnados detalhes às suas canções, fazem com que as mesmas se envolvam numa certa dose de mistério e fantasia que a postura vocal doce e sussurrante amplia. A profunda e contemplativa Portrait é apenas um exemplo de como esses detalhes, quase sempre bastante orgânicos, mas onde também não faltam sons sintetizados, nos tiram do chão em direção ao espaço, mas os violinos, a cadência da percussão e os instrumentos de sopro de Lifter, assim como os sons flutuantes que transbordam dos etéreos momentos instrumentais Ghum e Flyaway Garden e os efeitos metálicos abrasivos que deambulam em redor das cordas em Setting Stone, são só três exemplos dos vários que no disco provam que estes Breakfast In Fur são exímios no modo como se servem da psicadelia para transmitir sensações profundas e com nervo e intensidade. A forma como Aurora Falls alterna a cadência e o ritmo e, quase no fim, inflete melodicamente, também demonstra uma certa apetência dos Breakfast In Fur para um saudável experimentalismo que, em Whisper, soa de modo leve e arejado, mesmo sendo uma balada de cariz algo sombrio e nostálgico e em Cripple Creek Ferry, em virtude de alguns arranjos aquáticos e claustrufóbicos e da sintetização da voz, nos embala e nos convida de modo sedutor a penetrar em direção a um mundo algo fantasmagórico e claustrufóbico, ao qual é difícil resistir.

Com a subtil lentidão fortemente contemplativa e minimal de Episode e, na sequência, o mergulho nas águas profundas de um sol luminoso que parece brilhar nas profundezas de um imenso aquário de sobreposições vocais e instrumentais que não se deixam enlear por regras e imposições herméticas chamado Sun Catcher, termina um disco que, em todos os seus momentos, nos pede calorosa e carinhosamente para o levar connosco sempre que queiramos deambular e pairar livremente por um universo paralelo, onde ficam de fora as nossas dúvidas, hesitações e tudo aquilo que nos atormenta e aflige.

Flyaway Garden é um título feliz para um imenso jardim esvoaçante, um mundo colorido de emoções fortes, dispostas perante nós em pleno céu aberto e que, batendo à porta do nosso coração, clamam com ternura para que as deixemos entrar e invadir os nossos sonhos, para que nos tornemos também nós portadores da tosca infantilidade que governa o poço criativo de onde se abastecem estes Breakfast In Fur. Espero que aprecies a sugestão...

Breakfast In Fur - Flyaway Garden

01. Shape
02. Portrait
03. Aurora Falls
04. Whisper
05. Lifter
06. Ghum
07. Setting Stone
08. Cripple Creek Ferry
09. Flyaway Garden
10. Episode
11. Sun Catcher


autor stipe07 às 21:12
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