Domingo, 20 de Novembro de 2016

Pavo Pavo – Young Narrator In The Breakers

Eliza Bagg, Oliver Hil, Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer vêm de Brooklyn, Nova Iorque e renascidos das cinzas dos Plume Giant e com ligações estreitas a nomes tão importantes como os San Fermim ou os Here We Go Magic formam os Pavo Pavo e fazem aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, como prova Young Narrator In The Breakers, disco editado por este quinteto a onze de novembro último à boleia da Bella Union. Trabalho produzido pela dupla Danny Molad (Lucius) e Sam Cohen (Yellowbirds, Apollo Sunshine), contém doze canções com uma elegância ímpar, sustentada em guitarras plenas de charme, harmonias particularmente cativantes e sintetizadores com uma luminosidade intensa e sedutora que serviram para criar uma banda sonora feliz no modo como descreve toda aquela magia intrínseca à entrada na vida adulta, mas também os medos, as turbulências e as dúvidas e hesitações que tal passo provoca.

Pavo Pavo

No início de um percurso sonoro que se prevê auspicioso, os Pavo Pavo logo em Ran Ran Run, o tema que abre o disco, balizam com exatidão as suas coordenadas, que servem para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Young Narrator in The Breakers nos oferece, no seu todo, vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, um ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Começam, geralmente, por uma base instrumental minimal, que será aquela que vai sustentar o tema até ao seu ocaso. Tal acontece, logo no início, nos teclados, nos metais e nos coros de Annie Hall e depois acontece sempre uma explosão sónica, feita de exuberância e cor que, do território mais negro e encorpado do instrumental A Quiet Time With Spaceman Sputz, até ao jogo lascivo que se estabelece entre o baixo e o bandolim em 2020, We’ll Have Nothing Going On, passando pela nuvem de plumas que sustenta Somewhere In Iowa, tema que disserta sobre a inocência daqueles dias de verão onde tudo parece possível e a exuberância rítmica de Belle Of The Ball, ou o ambiente mais punk e até dançável do notável baixo de No Mind, mostra-nos sempre um percurso triunfante e seguro, onde abundam guitarras experimentais, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Young Narrator In The Breakers ruge nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuítivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. E fá-lo conduzido por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante dos efeitos dos violinos em que se sustenta John (A Little Time), mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Young Narrator In The Breakers tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um groove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers

01. Ran Ran Run
02. Annie Hall
03. Ruby (Let’s Buy The Bike)
04. Wiserway
05. A Quiet Time With Spaceman Sputz
06. Somewhere In Iowa
07. Belle Of The Ball
08. The Aquarium
09. No Mind
10. John (A Little Time)
11. Young Narrator In The Breakers
12. 2020, We’ll Have Nothing Going On


autor stipe07 às 14:56
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 13 de Novembro de 2016

The XX – On Hold

The XX - On Hold

Terminou há poucos dias uma longa espera relativamente a novidades dos The XX, após o aclamado Coexist, um longa duração lançado pelo grupo, à boleia da Young Turks, já há quatro anos e que tem finalmente sucessor. O terceiro álbum do trio será editado a treze de Janeiro de 2017 com o mesmo selo Young Turks e chamar-se-á I See You. O disco terá um alinhamento de dez canções, gravadas entre Março de 2014 e Agosto de 2016 em vários sítios como New York, Texas, Reykjavique, Los Angeles e Londres e foi produzido pot Jamie Smith e Rodaidh McDonald.

On Hold é o mais recente tema divulgado desse novo disco de Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith (a baixista Baria Qureshi deixou o grupo ainda em 2009) uma lindíssima composição, certamente das melhores que este projeto já criou e que faz jus à imagem de marca dos The XX. É uma canção de amor que tem como atributo maior o diálogo entre Romy e Oliver, dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. Confere...


autor stipe07 às 19:24
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

Cultural Lungs - Fortress

Com uma guitarra na mão e um universo infinito de possibilidades de escrita e composição na outra, Cássio Ferreira é o grande mentor do projeto musical Cultural Lungs, nascido em 2005 e que, de acordo com várias descrições, soa a Hans Zimmer a tentar encorajar os Radiohead a ultrapassar uma depressão. Independentemente dessa ideia e do modo como a mesma poderá, desde logo, balizar na nossa mente o conteúdo sonoro de Fortress, o mais recente disco deste projeto, o importante é, à partida, esclarecer que este não é um alinhamento para ser escutado sem a noção clara que Fortress é um álbum concetual sobre a história da humanidade e que a escolha do modo como se escutam os temas, define o final da mesma.

Nos pouco mais de quarenta minutos deste álbum escorrem dezoito canções que encontram nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão de sentimentos e emoções que impressionam, uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Logo em Prologue uma voz feminina bastante sedutora e apelativa, dá-nos as boas vindas a esta viagem, que promete ser única, com a crueza das cordas de Glass a esclarecer-nos, no imediato, do elevado grau de pureza e de delicadeza deste autor, que em Walls consegue, num abrir e fechar de olhos, levar-nos do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, cruzado com rock progressivo, uma mistura que encontra o seu sustento nas teclas de um piano carregado de um intenso charme e que parece também não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este tema representa.

De aí em diante, enquanto cada canção segue um encadeamento e continua o ideário transmitido pela anterior, Cássio vai continuando a oferecer-nos um naipe riquíssimo de imagens evocativas, que depois sustenta em melodias bastante virtuosas e cheias de cor, arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos e variações rítmicas e emotivas inesperadas, um caudal sonoro e lírico cuja filosofia subjacente prova a sensibilidade do mesmo para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Se Room levita em redor de uma névoa lo fi com um fulgurante travo acústico à mistura, já People e Mask são duas peças sonoras eminentemente contemplativas e que oferecem-nos uma espécie de monumentalidade comovente, enquanto Fear e Voice mostram-nos um lado mais solar e extrovertido, algo que sucede em ambos com elevado sentido melódico e uma vincada estética pop.

Com alguns dos temas acima referidos, assim como outros, a terem direito a uma segunda versão, nasegunda metade do álbum, competindo a cada ouvinte, como referi, selecionar que percurso ousa trilhar nesta viagem, Fortress contém um tempero muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimentos, eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atingem à boleia deste músico um estado elevado de consciência e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:24
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 8 de Novembro de 2016

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Until The Hunter

Uma das parcerias mais interessantes que surgiu recentemente na penumbra do universo sonoro indie intitula-se Hope Sandoval And The Warm Inventions e junta Hope Sandoval, icónica vocalista dos Mazzy Star e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. Há já um disco de estreia, intitulado Until The Hunter, que viu a luz do dia a quatro de novembro, através da Tendril Tales, a editora de Hope Sandoval e nele esta dupla oferece-nos uma belíssima viagem lisérgica, patente na instrumentação que se deixa conduzir pelos trilhos sónicos de uma guitarra, elétrica ou acústica, e pela complacência de uma bateria charmosa, tudo embrulhado em letras de acordo com as propostas mais intimistas dos grupos de origem dos mentores deste projeto e onde Let Me Get There, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kurt Vile, se assume como momento maior de um enredo de particularmente atrativo e com um charme muito próprio.

Resultado de imagem para Hope Sandoval And The Warm Inventions

A folk de cariz mais etéreo e intimista, com aquele pendor feminino tão específico e sui generis, é o eixo principal de Until The Hunter, mas algumas das novas tendências da eletrónica mais ambiental, que prescruta, constantemente, caminhos mais sombrios, também tem papel de relevo e logo em Into The Trees, nove nebulosos minutos particularmente hipnóticos e submersivos. Quem se deixar levar por esse pendor inicial e achar que o restante alinhamento segue essa bitola, surpreender-se-á, logo de imediato, com a soul do efeito da guitarra que plana sobre as cordas e a voz incomensuravelmente doce de Sandoval em The Peasant, assim como com os resquícios da dita chamber folk presentes no dedilhar da viola de A Wonderful Seed e de The Hiking Song.

A partir daqui já não restam dúvidas que este é um disco de fervura lenta, para ser apreciado lentamente, de modo sossegado e intimista. Se a já referida Let Me Gett There e Day Disguise nos oferecem aquela pureza típica de uma primaveril manhã solarenga em que o único propósito que se apresenta diante de nós é um cadeirão de baloiço no alpendre em frente ao jardim lá de casa, já o efeito da guitarra de Treasure pede uma lareira quente, enquanto Salt Of The Sea e Liquid Lady nos colocam ao fundo de um balcão de um bar boémio e fumarento, em final de noite particularmente bem regada.

Until The Hunter sobrevive num clima doce e tocante, com um imenso travo a melancolia, às vezes perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de canções com um travo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico. É um alinhamento que marca um início de percurso nos discos imperdível e claramente inspirado de um projeto no panorama musical atual. Espero que aprecies a sugestão...

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Until The Hunter

01. Into The Trees
02. The Peasant
03. A Wonderful Seed
04. Let Me Get There
05. Day Disguise
06. Treasure
07. Salt Of The Sea
08. The Hiking Sea
08. Isn’t It True
10. I Took A Sip
11. Liquid Lady


autor stipe07 às 20:11
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

Noiserv - 00:00:00:00

Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra, adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's Therehavendo, a partir de amanhã, mais um compêndio de canções para juntar a esta lista. Refiro-me a um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mesmo para o próprio autor, após uma fatalidade originada por um jogo de basquetebol no ocaso do último inverno e que limitando fisicamente Noiserv, devido à fratura de um pé, conduziu-o para a frente das teclas de um piano. Ficaram, assim, lançados os dados para este novo registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Resultado de imagem para noiserv 00:00:00:00

Descrito como a banda sonora para um filme que ainda não existe, mas que pode muito bem servir de mote para um nosso, desde que o queiramos, 00:00:00:00 é uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco, fornecendo-nos inspiração para os filmes que na nossa mente podemos, com elas, produzir. E este é o atributo maior de um trabalho oposto do seu antecessor, que era feito de longos títulos e sonora e visualmente bastante colorido e diversificado, por ser instrumentalmente sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, muitos deles autênticos brinquedos e porque graficamente também obedecia a essa premissa. 00:00:00:00 é absolutamente minimal, incrivelmente simples, estupendamente crú e, por isso, aberto e (de outro modo) desafiante no modo como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida. 

Assim, se Almost Visible Orchestra contava histórias, algumas delas inspiradas em eventos reais, fazendo-o de modo concreto e incrivelmente realista, agora Noiserv sobe um patamar acima no arrojo que coloca no modo como se quer relacionar com os seus seguidores, oferecendo-lhes o inesperado, algo que à primeira audição parece o oposto daquilo a que sempre os habituou. Mas o que ele realmente faz é, obedecendo à filosofia conceptual da sua carreira e, certamente, da sua personalidade, que sempre buscou, deliciosamente, a melancolia, os afetos, a emotividade, a saudável ingenuidade genuína e o louvor do bem e do encontro da felicidade concreta através da experimentação do bem comum, desafiar-nos a darmos-lhe as mãos e sermos nós também, através da audição deste disco, construtores e definidores deste ideário, imaginando as tramas e a mensagem subjacente a cada um destes oito temas, cujos títulos podem muito bem ser o numeral referente a cada um dos takes por nós idealizados.

É curioso constatar o acerto temporal em que 00:00:00:00 chega aos escaparates, fazendo-o em pleno outono tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós e perante quem comungue connosco todo o calor que, potencialmente, este alinhamento contém e que o inverno prestes a chegar certamente exigirá e agradecerá que seja vivido.

Confesso que já me apropriei de Sete, o meu número preferido, um doce e tocante instrumental, com um imenso travo a melancolia, perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de um lindíssimo piano, para primeira cena do meu filme. Convido-vos a fazerem o mesmo e a deixarem-se levar, sem reservas, por este universo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico, que marca um regresso aos discos imperdível e claramente inspirado de um músico, intérprete e compositor único no nosso panorama musical. Lá no alto, sei que alguém já o faz. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para noiserv 00:00:00:00

Três

Sete

Seis

Quinze

Onze

Vinte e Três

Catorze

Dezoito


autor stipe07 às 21:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Bruno Pernadas - Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, à boleia da Pataca Discos.

Resultado de imagem para Bruno Pernadas Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them oferece-nos um delicioso caldeirão sonoro, onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. E fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que Pernadas polvilha o conteúdo das mesmas com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo jazz contemporâneo, indie rock, pop, folk, eletrónica, ritmos latinos e até alguns lampejos da música dita mais clássica e erudita.

Assim, o exercício que se coloca perante o ouvinte que se predispõe a saborear convenientemente o universo criado por those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, deverá firmar-se, por exemplo, em Spaceway 70, na vontade de apreciar o modo como uma flauta ou um trompete cirandam em redor de um par de acordes da guitarra, como em Problem number 6 se equilibram com total desembaraço, flashes de samples, alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a samba por todos os poros, como na soul contemplativa de Valley in the ocean é dada total liberdade ao piano e às cordas para provocarem em nós uma agradável e viciante sensação de letargia e torpor, o modo como o trompete, o sintetizador e um efeito de guitarra quase surreal produzem um intenso travo oriental e exótico em Anywhere in spacetime, o devaneio cavernoso lo fi das teclas de Because it’s hard to develop that capacity on your own, o ménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre trompete, piano e flauta em Galaxy, ou de perceber a teia intrincada de relações promíscuas que se estabelecem, constantemente, durante os mais de doze minutos de Ya ya breathe, entre as teclas do piano, as distorções da guitarra e os diferentes instrumentos percussivos que se escutam, enquanto o baixo, procura estabelecer alguma ordem e harmonizar um salutar caos, numa composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a heterogeneidade instrumental e melódica final e o (aparente) minimalismo inicial é geralmente indecifrável. Com esta atitude certa, constata-se, então, que those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é um ponto de partida para muitas emoções agradáveis, por ser, curiosamente, o ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos.

Saboreando poemas escritos em inglês pelo autor do disco e por Rita Westwood, those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them coloca-nos à prova à medida que diante de nós escorre aquilo que o género humano tem de mais genuíno e seu, enquanto Pernadas disserta alegremente e claramente fascinado pelo lado mais luminoso, colorido e natural deste mundo, sobre uma heterogeneidade de sensações e aspetos físicos e naturais que o atraem e que, em contacto com a espécie humana, obriga todas as partes envolvidas a diferentes processos adaptativos, o que resultou numa multiplicidade de raças, experiências e estádios de desenvolvimento que hoje caraterizam a nossa cultura e a nossa essência e que estas dez canções também, à sua maneira, plasmam. E durante este exercício antropológico, o autor aproveita para estabelecer paralelismos com o amor e a teia intrincada de relações, sensoriais e neurológicas que esse sentimento provoca, quer individualmente, quer durante a sua materialização com outro(s), com canções do calibre das já descritas Problem number 6 ou Valley in the ocean a fazerem-nos crer que se há sentimento mais belo e capaz de nos transformar e fazer-nos ver com exatidão o mundo que nos rodeia é a vivência plena do amor. Espero que aprecies a sugestão…

bp_crocodiles_sq1600-72dpi

01. Poem (1)
02. Spaceway 70
03. Problem Number 6
04. Valley In The Ocean
05. Anywhere In Spacetime
06. Poem (2)
07. Because It's Hard To Develop That Capacity On Your Own
08. Galaxy
09. Ya Ya Breathe
10. Lachrymose


autor stipe07 às 18:00
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 9 de Outubro de 2016

Helado Negro - Private Energy

Helado Negro é um projeto que me é muito querido, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos e que lançou há poucos dias Private Energy, o seu quinto longa duração, como é habitual através da Asthmatic Kitty. Falo de catorze belíssimas canções que são mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco onde Lange amplia as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar uma multiplicidade de referências sonoras. Uma das particularidades deste disco é contar, nas apresentações ao vivo de promoção deste registo, com o contributo visual e artístico do coletivo Tinsel Mammal, um grupo de dançarinos com vestes prateadas e que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro.

Resultado de imagem para helado negro roberto carlos lange 2016

Sublime sapiência e uma incontida sensação de relaxamento e conforto apoderam-se imediatamente do ouvinte logo que os acordes de Calienta sussurram nos nossos ouvidos. Depois planamos com os samples dos sons tipicamente sul americanos que adornam os teclados e os sopros épicos de Tartamudo, com a batida sintética de Lengua Larga a alargar quer os nossos horizontes quer o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, não resistindo a acompanhar uma canção que fala muito de lábios e que sobe de intensidade e emoção, assim como a temperatura do nosso corpo.

É assim a música de Helado Negro, intensa, palpável e dominada por um pendor acústico e tipicamente latino, mas com a eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos de hip hop, a ser cada vez mais um veículo privilegiado no processo de composição.

Disco fortemente conduzido por uma tendência urbana e contemporânea, mas onde também não falta, em Obra Dos, Tres, Cuatro e Cinco, aquele aspeto geográfico e ambiental tâo sul americano em que cidade e floresta tropical amiúde se fundem, em Private Energy Lange desabafa sobre experiências individuais que poderão indicar a presença de uma elevada vertente autobiográfica. Escuta-se o verso I Feel Invisible Without Your Wisdom em Transmission Listen, uma profunda canção sobre muitas das dicotomias subjacentes ao amor e no love can cut our knife in two em Runaround, o primeiro single divulgado do álbum, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade e percebe-se esta filosofia de alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos,reacções e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal.

Ao quinto disco, cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Lange continua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas canções contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é, mais uma vez, sonoramente tão bem retratado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si próprio, enquanto compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Private Energy

01. Calienta
02. Tartamudo
03. Obra Dos
04. Lengua Larga
05. Runaround
06. Young, Latin And Proud
07. Obra Tres
08. Transmission Listen
09. Persona Facil
10. Mi Mano
11. Obra Cuatro
12. It’s My Brown Skin
13. We Don’t Have Time For That
14. Obra Cinco


autor stipe07 às 22:25
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016

Ultimate Painting – Dusk

Editado a trinta de setembro por intermédio da Trouble In Mind Records, Dusk é o terceiro disco da carreira dos Ultimate Painting, uma dupla inglesa formada por Jack Cooper e James Hoare, habituais colaboradores dos Mazes e de Veronica Falls e que contou com a participação especial de Melissa Rigby na bateria, na gravação de um compêndio que sucede a um registo homónimo de estreia e ao muito aclamado álbum Green Lanes, editado o ano transato.

Resultado de imagem para ultimate painting band 2016

Os Ultimate Painting assumem-se claramente como uma banda que aposta nos traços mais caraterísticos da indie pop, algo que ficou muito claro logo na estreia com Ultimate Painting. Em Green Lanes aprimorou-se a mistura com as guitarras e soou ainda melhor esta vontade da dupla em ser exímia na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja. Assim, os Ultimate Paiting começam a distinguir-se pela qualidade que demonstram na criação de típicas canções de amor com um certo toque psicadélico, cobertas, neste caso, por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. E a verdade é que temas como o excelente single Bills, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, o piano ternurento de Lead The Way ou a luminosidade melódica algo inebriante de Skippool Creek permitem-nos, com uma certa clareza, refletir sobre tão nobre sentimento e tudo aquilo que de bom tem para nos oferecer, enquanto percebemos os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e esculpindo as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Em Dusk vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. Neste disco, os Ultimate Paiting avançam em passo acelerado em direção à maturidade, de um modo extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retratam sonoramente eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro. Espero que aprecies a sugestão...

Ultimate Painting - Dusk

01. Bills
02. Song For Brian Jones
03. A Portrait Of Jason
04. Lead The Way
05. Monday Morning, Somewhere Central
06. Who Is Your Next Target?
07. Skippool Creek
08. I’m Set Free
09. Silhouetted Shimmering
10. I Can’t Run Anymore


autor stipe07 às 19:25
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 4 de Outubro de 2016

Warpaint - Heads Up

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa estão de regresso com Heads Up, um título feliz para batizar aquele que é o terceiro disco das Warpaint, sucessor de um homónimo, lançado em 2014. Produzido por Jacob Bercovici, Heads Up viu a luz do dia a vinte e três de setembro à boleia da Rough Trade Records e nele estas quatro miúdas deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta mais polida e luminosa que o antecessor, para criar um álbum tipicamente rock, etéreo q.b. e esculpido com cordas ligadas à eletricidade e com uma identidade muito particular.

Resultado de imagem para warpaint 2016

Abastecidos pelos antecessores e com o conteúdo de ambos ainda a fazer mossa no nosso subconsciente, basta escutar o baixo e a bateria de Whiteout para se perceber que em Heads Up existe uma nova envolvência e um clima mais refinado e cuidado, sem que isso coloque em causa a habitual orgânica e aquele pulsar que faz destas Warpaint um dos melhores projetos sonoros indie contemporâneos.

Piscando também o olho ao funk e ao R&B em By Your Side e, num outro pólo, ao rock oitocentista revestido a neon e plumas em So Good e à eletrónica mais melancólica e ambiental em The Stall, torna-se claro que foi bem sucedida a incessante busca por algo diferente e inovador, com as Warpaint a chegarem ao terceiro álbum dando mais um passo em frente num projeto que nunca se acomodou a uma abordagem estilística estanque, apesar de manterem no seu epicentro sonoro uma intensa aúrea sexual, que as despe de um mistério tantas vezes artificial, mostrando, sem rodeios e mais uma vez, com ousadia, a verdadeira personalidade de um coletivo cada vez mais maduro e confiante.

Charme, luxúria e a sofisticação são adjetivos que descrevem na perfeição um alinhamento de onze canções intenso, experimental e com vida própria e independente, com Heads Up a agarrar-nos pelos colarinhos sem dó nem piedade e a sugar-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa e bela, como as autoras da mesma. Espero que aprecies a sugestão...

Warpaint - Heads Up

01. Whiteout
02. By Your Side
03. New Song
04. The Stall
05. So Good
06. Don’t Wanna
07. Don’t Let Go
08. Dre
09. Heads Up
10. Above Control
11. Today Dear


autor stipe07 às 23:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 25 de Setembro de 2016

Hope Sandoval And The Warm Inventions – Let Me Get There

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Let Me Get There

Uma das parcerias mais interessantes que começa a surgir na penumbra do universo sonoro indie intitula-se Hope Sandoval And The Warm Inventions e junta Hope Sandoval, icónica vocalista dos Mazzy Star e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. Há já um disco de estreia programado para este projeto, a ver a luz do dia lá para novembro e intitulado Until The Hunter e Let Me Get There é o mais recente single divulgado desse registo, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kurt Vile e que nos oferece uma belíssima viagem lisérgica, patente na instrumentação que se deixa conduzir pelos trilhos sónicos de uma guitarra elétrica e pela complacência de uma bateria charmosa, tudo embrulhado numa letra de acordo com as propostas mais intimistas dos grupos de origem dos mentores deste projeto.

Until The Hunter irá ver a luz do dia a quatro de novembro, através da Tendril Tales, a editora de Hope Sandoval. Confere...


autor stipe07 às 23:29
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Dezembro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


posts recentes

Pavo Pavo – Young Narrato...

The XX – On Hold

Cultural Lungs - Fortress

Hope Sandoval And The War...

Noiserv - 00:00:00:00

Bruno Pernadas - Those wh...

Helado Negro - Private En...

Ultimate Painting – Dusk

Warpaint - Heads Up

Hope Sandoval And The War...

O (duplo) regresso de Bru...

Glass Animals - How To Be...

Noiserv - Sete

Poliça - United Crushers

Lisa Hannigan – At Swim

Pfarmers – Our Puram

LNZNDRF - Green Roses

Warpaint - New Song

Future Generations – Futu...

Autolux – Pussy’s Dead

X-Files

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds