Quinta-feira, 2 de Julho de 2015

Cold Weather Company – Somewhere New

Brian Curry, Jeff Petescia e Steve Shimchick são os Cold Weather Company, um trio norte americano oriundo de New Brunswick, em Nova Jersey, que se estreou nos discos no início deste ano com Somewhere New, treze canções que viram a luz do dia logo em janeiro e que foram captadas em quartos, caves e até numa cabine, gravadas e misturadas por Ralph Nicastro dos Boxed Wine.

É a mais genuína herança sonora da América profunda que preenche o código genético destes Cold Weather Company, abastecido por cordas, que servem como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções. Este coletivo mergulha fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, este trio deixa-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem cada uma destas treze canções e expandem os territórios deste grupo da costa leste. A simbiose entre os dois géneros possibilita que eles se encontrem, como em Steer, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma tentativa descarada de aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia que o ambiente acústico de Fellow In The North, o piano de Unlocked, a luminosidade do dedilhar de Jasmine ou a pronúncia grave das notas de Fall Low denunciam de forma declarada.

Há em Somewhere New uma capacidade subtil de incorporar um sentimento universal e quase filosófico de crença em algo novo, diferente e, por isso, conforme indica o título, substancialmente melhor. Nas letras os Cold Weather Company assumem uma postura quase religiosa, com muitas das canções a refletirem sobre fé e crenças, num disco bucólico e nostálgico que o aproxima de outros grandes representantes da cena folk atual, com os Fleet Foxes, ou os The Decemberists a serem, cdertamente, referências óbvias. A própria subtileza vocal de Brian Curry parece rondar em várias canções Colin Meloy, uma aproximação que, por exemplo, em Horizon Fire, resulta num doce retrato do que seria a música pop há umas cinco décadas. Esta calma acaba por definir a estrutura geral de Somewhere New, com a busca de delicadeza e um altivo controle da espontaniedade a serem, para já, uma imagem de marca destes Cold Weather Company.

Na estreia, este trio norte americano utiliza a santa triologia da pop, da folk e da country de forma extremamente assertiva e eficaz, num resultado final que reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que simultanemente nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Weather Company - Somewhere New

01. Horizon Fire
02. Fellow In The North
03. Steer
04. Inside Your Eyes
05. Someone Else
06. Hey Bodham Dae / What Do I Do
07. Garden
08. Unlocked
09. Jasmine
10. Tumbling
11. Recollection
12. Fall Low
13. Seafarer


autor stipe07 às 22:00
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Beach House - Sparks

Beach House - Sparks

É já a vinte e oito de agosto que chega às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House e Sparks é o primeiro single divulgado do sucessor do aclamado Bloom

Com uma sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, assente em sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, os Beach House mantêm, em Sparks, intacta a sua aura melancólica e mágica, que vive em redor da voz doce de Victoria Legrand e da mestria instrumental de Alex Scally e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, com My Bloody Valentine, Rocketship e Slowdive a serem recordados com alguma nitidez neste tema. Confere...


autor stipe07 às 16:37
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DIV I DED - Late Awakening

A dezassete de julho chega aos escaparates Born To Sleep, o disco de estreia dos DIV I DED, um projeto checo criado pelo multi-instrumentista Filip Helštýn em 2013, juntamente com a vocalista Viktorie Marksová e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Inspirados pela pop melancólica simples e intrigante, feita com aquele intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação e adornada com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, os DIV I DED também piscam o olho ao punk rock em Late Awakening, o primeiro single divulgado de Born To Sleep, um tema que exala um charme melódico que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Confere...


autor stipe07 às 16:25
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2015

André Barros - Soundtracks Vol. I

Estudante de direito, André Barros resolveu, em boa hora, aprender a tocar piano, de modo autodidata e numa idade considerada por muitos como tardia mas que, pelos vistos, tendo em conta a beleza da tua música, resultou na perfeição. O passo seguinte, acabou por ser estudar produção musical e para isso rumou à Islândia para trabalhar alguns meses no Sundlaugin Studio dos Sigur Rós, uma das minhas bandas preferidas, num espaço que eu adorava visitar.

Particularmente apaixonado por música instrumental, André Barros sempre adorou escutar bandas sonoras e a facilidade com que tocou um dos temas de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de Yann Tiersen, num piano acústico de uma amiga, acabou por ser o click final para o arranque de uma carreira, feita muitas vezes de improviso e que acaba de ter um enorme fòlego intitulado Soundtracks Vol. I, o seu rerceiro registo de originais e que, gravado entre Lisboa e Paço de Arcos, viu a luz do dia a dezoito de maio, por intermédio da Omnichord Records.

Soundtracks Vol. I contém, entre outros, os temas do filme Our Father, de Linda Palmer, que renderam ao autor um galardão para melhor banda sonora no Los Angeles Independent Film Festival Awards e que, depois de ter alcançado boas críticas e alguns prémios em vários festivais, chegou também à edição de 2015 do Festival de Cannes.

Músico de excelência e exímio criador de arranjos, quer de teclas quer de cordas, em Soundtracks Vol. 1 André Barros oferece-nos vários temas criados essencialmente para curtas metragens e documentários, com Between Waves a ser a única canção que não é da sua autoria. Refiro-me a um tema de Yuchiro Nakano, com arranjos da autoria de André Barros e que fez parte de uma curta-metragem com o mesmo nome. Depois, há também uma excelente composição intitulada Gambiarras, que conta com a participação especial do escritor Valter Hugo Mãe, que escreveu um poema que o próprio leu, além de uma canção intitulada Flowers On Your Skin, criada propositadamente para o espetáculo de dança contemporânea Short Street Stories.
Trabalho comtemplativo, relaxante e intimista, Soundtracks Vol. I é um admirável compêndio de trechos sonoros, feitos com cordas e pianos que se unem entre si com uma confiança avassaladora, tornando-se absolutamente recompensadores pelo modo como nos transmitem uma paz de espírito genuína, ao memso tempo que conseguem ajudar-nos a materializar visualmente os diferentes cenários que as composições pretendem recriar nos diferentes filmes em que são utilizados. Este é um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, capaz de colocar o ouvinte no meio da ação dos filmes e documentários que utilizam as várias composições do alinhamento, contemplando-os usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, já que esta é, na minha opinião, música com cheiros e cores muito próprios.

Não só no conceito que pretendeu, pelos vistos, criar sons tendo em conta a trama que se desenrola no grande ecrã, sons do momento e, por isso irrepetíveis, mas também na materialização, onde não faltam instantes sonoros subtis proporcionados por alguns arranjos que, confesso, só uma audição atenta com headphones me permitiu conferir, já que alguns são audíveis de forma quase impercetível, percebe-se que a sonoridade geral de Soundtracks Vol. 1 exala uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental e tem tudo o que é necessário para, finalmente, o André Barros ter o reconhecimento público que merece. Confere a entrevista que André Barros concedeu a Man On The Moon e espero que aprecies a sugestão...

Gravado em Lisboa e em Paço de Arcos, Soundtracks Vol. 1 é um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, capaz de colocar o ouvinte no meio da ação dos filmes e documentários que utilizam as várias composições do alinhamento, contemplando-os usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, já que esta é, na minha opinião, música com cheiros e cores muito próprios. Como surgiu a ideia de gravar um disco assim?

Agradeço imenso estas palavras! Diria que não houve, inicialmente, qualquer intenção de gravar um disco assim pois aquando da composição das várias bandas sonoras a que estes temas pertencem (portanto, desde final de 2013) eu não antevia que, juntamente com a editora, viríamos posteriormente a tomar a decisão de os compilar num CD e passar a ter esta mostra do meu trabalho nesta área dividida por volumes. No entanto, depois de termos os temas prontos, depois de terminadas as bandas sonoras, tudo fez sentido e dado que continuarei a trabalhar com afinco neste mundo da música para imagem, então que melhor forma de o partilhar com o público do que criar estas compilações ao longo do tempo?

Pessoalmente, penso que Soundtracks Vol. 1  tem tudo o que é necessário para, finalmente, o André Barros ter o reconhecimento público que merece. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu novo fôlego no teu projeto a solo?

É extraordinário sentir isso, e sinto-me muito grato por até hoje ter recebido um bom feedback deste trabalho de que tanto me orgulho. Espero tão somente que possa continuar a partilhar as minhas criações com as pessoas, seja gravando mais bandas sonoras, seja pelos concertos, seja pelo lançamento de um novo álbum de originais (que não para filmes). Para o fazer, certamente que terei de influenciar positivamente quem escuta o meu trabalho para que possa ter as condições para continuar, e estou convicto de não defraudarei as expectativas de quem, tão gentilmente, tem seguido o meu percurso.

Ouvir Soundtracks Vol. 1 foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante e melancólico, é realmente um documento que não tem apenas as teclas do piano como protagonistas maiores do processo melódico, com as cordas, quer de violas, quer de violinos, a serem, também, parte integrante e de pleno direito das emoções que os diversos temas transmitem. Esta supremacia do cariz fortemente orgânico e vivo que esta miríade instrumental constituída por teclas e cordas por natureza confere à música que replica, corresponde ao que pretendeste transmitir sonoramente neste trabalho?

Sem dúvida! Estes temas, todos eles, vivem muito da intenção aquando da sua interpretação, e não apenas de todo o aparato técnico que montamos quando os criamos em estúdio. Este é um aspecto crucial que influenciará certamente a escuta atenta de quem põe o disco a tocar, é também um aspecto que vou tentando aprimorar a cada trabalho que vou produzindo, sendo que por vezes se pode tornar um desafio enorme partilhar com os músicos exactamente a intenção que pretendo que coloquem em cada frase, mas tudo isto é uma aprendizagem e felizmente vejo-me rodeado de músicos bem talentosos e maduros, apesar da sua (nossa!) juventude!

Em traços gerais, como foram sendo selecionados os filmes e documentários onde se podem escutar estas canções? Recebeste convites para participares na banda-sonora ou tu próprio abordaste alguns realizadores com essa intenção?

Até agora, todos os filmes nos quais tive o prazer de participar com o meu trabalho (tirando somente produções para filmes institucionais e corporativos/publicidade) surgiram graças ao meu trabalho de pesquisa (uma parte fundamental da minha actividade!) que desenvolvo incessantemente, procurando projectos de filmes em fases de pré-produção para os quais acha uma futura possibilidade de vir a integrar enquanto compositor. Uma vez captado o interesse de um realizador/produtores, desenvolvo os contactos por forma a mostrar que consigo atingir a sonoridade que pretendem, enviando demos com base em guiões ou outro material já disponível, até que (nos casos em que fui bem sucedido) recebo a confirmação do outro lado para integrar oficialmente a equipa de produção.

Não só no conceito que pretendeu, pelos vistos, criar sons tendo em conta a trama que se desenrola no grande ecrã, sons do momento e, por isso irrepetíveis, mas também na materialização, onde não faltam instantes sonoros subtis proporcionados por alguns arranjos que, confesso, só uma audição atenta com headphones me permitiu conferir, já que alguns são audíveis de forma quase impercetível, percebe-se que a sonoridade geral de Soundtracks Vol. 1 exala uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental. Houve, desde o início do processo de gravação, uma rigidez no que concerne às opções que estavam definidas, nomeadamente o tipo de sons a captar no piano e a misturar com as cordas e as vozes, ou durante o processo houve abertura para modelar ideias à medida que o barro se foi moldando?

Sim, há sempre uma certa flexibilidade que me dão durante o processo de amadurecimento dos temas, e que me permite experimentar novos sons ou novos efeitos que poderão enriquecer o resultado final do trabalho. Acredito que tais pormenores, e claro muitos deles apenas perceptíveis se escutados atentamente, acabam por contribuir para uma identidade mais vincada de cada projecto, ajudando-me a enriquecer e a complementar uma melodia.

Além de ter apreciado a riqueza sonora natural, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei muito bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

Muito obrigado! De facto, tento sempre que o meu trabalho tenha uma boa estrutura melódica pois acabou por ser esta a razão que me levou a entrar no universo da música, da composição... é muito inglório atribuir a este ou outro aspecto/acontecimento o papel de  fonte de inspiração pois será sempre uma resposta subjectiva e incompleta, na medida em que sinto que há uma infinidade de factores de certamente contribuirão para a génese do meu trabalho de composição, muitos deles claramente intuitivos e difíceis de racionalizar!

Valter Hugo Mãe escreveu propositadamente o poema de Gambiarras, um tema em que ele próprio também colabora com a voz. Como surgiu a possibilidade de trabalhar com este escritor ilustre no disco? De quem partiu a iniciativa desta colaboração?

Eu conheci o Valter e enderecei-lhe o convite, sendo que já vinha a amadurecer este tema há algum tempo, e com ele também a ideia de cruzar a poesia (ainda que não declamada, apenas lida) com o este meu trabalho. E quem melhor do que o Valter, que aliás tem imensas colaborações com projectos musicais, para me ajudar a concretizar este devaneio?

Adoro a composição Wounds Of Waziristan, por sinal o single do disco. O André tem um tema preferido em Soundtracks Vol. 1?

É-me sempre difícil responder a esta questão, pois tenho muito carinho por todos os temas do álbum... mas se realmente tivesse de eleger um e distingui-lo como uma espécie de “single” do disco, de facto escolheria precisamente o Wounds of Waziristan pois trata-se do primeiro tema que alguma vez compus para filme, logo terá sempre um espaço especial no meu trajecto e nas minhas memórias!

Em relação ao futuro, após Soundtracks Vol. 1, já está definido o próximo passo na tua carreira?

Continuar a trabalhar nesta área das bandas sonoras pois, para além de me dar imenso prazer, dá-me também um certo conforto financeiro para que me possa continuar a aventurar sem receios nesta indústria! Continuar com os concertos de apresentação tanto deste álbum como do anterior e ir pensando em temas para um eventual álbum a solo (isto é, que não de temas para bandas sonoras).

Em tempos, quando estudavas Direito, resolveste aprender a tocar piano, pelos vistos de modo autodidata, numa idade que muitos podem considerar tardia mas que, pelos vistos, tendo em conta a beleza da tua música, resultou na perfeição. Como se deu esse click?

Sim! Agradeço a simpatia. Eu já ouvia imensa música instrumental e nomeadamente de bandas sonoras pela altura em que estava perto de terminar o curso de Direito, pelo que um dia lembrei-me de tentar tocar um dos temas da banda sonora do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” de Yann Tiersen... pesquisei no Youtube como tocar o tema e pedi a uma amiga que me deixasse tentar fazê-lo num piano acústico que ela tinha em casa. Quando percebi que o fiz com relativa facilidade, apaixonei-me de imediato pelo toque e pela sonoridade do piano, daí até comprar um piano digital passaram uns dias e desde logo me aventurei no improviso até construir os meus temas!

Depois, o passo seguinte, acabou por ser estudar produção musical e para isso rumaste à Islândia para trabalhar alguns meses no Sundlaugin Studio dos Sigur Rós, uma das minhas bandas preferidas, num espaço que eu adorava visitar. Como é, em traços gerais, o ambiente nesse estúdio? Como foi essa experiência?

Sim, estive naquele estúdio maravilhoso durante 3 meses, no Verão de 2012. Foi uma experiência inesquecível, aprendi imenso, contactei com músicos e técnicos extraordinários e seria ridículo não dizer que foi o concretizar de um sonho poder partilhar aquele ambiente com músicos e projectos que tanto admiro. São todos extremamente profissionais e pessoas muito dedicados a esta arte. Reina a calma e a boa disposição e procura-se sempre a perfeição sonora respeitando-se todo e cada instrumento e músico para que transpareça nas gravações a paixão que se sente pelo que fazem.

 


autor stipe07 às 21:32
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Paper Beat Scissors - Go On

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que se prepara para lançar um novo registo de originais intitulado Go On. Esse álbum vai ser editado no próximo dia catorze de agosto, através da Forward Music Group/Ferryhouse, depois do disco de estreia, um homónimo lançado em 2012, que foi dissecado por cá.

Go On, o tema homónimo do segundo disco de Paper Beat Scissors e primeiro avanço divulgado do trabalho, disponível para download gratuíto, é mais um exemplo feliz desta visão poética em que as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado mas, no caso deste projeto, a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções de Paper Beat Scissors servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos.

Go On é uma compilação dramática de uma folk que nos tira o fôlego, com um falsete que nos deixa sem reação e toca profundamente no nosso coração e um dedilhar de uma guitarra acústica, que depois recebe pequenos detalhes sonoros e que aqui fazem toda a diferença, demonstrando a abundância de talento de Crabtree, que se prepara, certamente, para nos deliciar com mais uma belíssima paleta de cores sonoras, com uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada. Confere...


autor stipe07 às 21:29
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

La Garçonne - As Days Go By

La Garçonne é o projeto a solo de Ranya Dube uma cantora, compositora e produtora canadiana, natural de Whistler e que se estreou nos discos a vinte e seis de maio com As Days Go By. Este trabalho viu a luz dia em formato digital e cassete através da True Horror Music de Jason Sheppard.

Com um Macbook Pro debaixo do braço e uma mente particularmente inventiva e criativa, Ranya cria música em redor de um eletropop que se cruza com o post punk e a new wave, uma sonoridade predominantemente sintética, muito à imagem do que propôem atualmente nomes tão fundamentais no género, como os Chromatics, Glass Candy ou Zola Jesus.

I'm On Punch foi o primeiro avanço divulgado de As Days Go By, mais de quatro minutos disponibilizados para download gratuíto e que plasmavam o enorme charme e bom gosto deste diamante sonoro ainda em bruto, que viu o ano passado um tema seu inserido na banda sonora do aclamado filme independente de terror Starry Eyes e que foi já o principal motivo para a criação da True Horror Music. Mas, da climática e envolvente Zebra Kids, tema com uma batida grave bastante aditiva, à etérea e contemplativa Social Misfits, canção com um baixo implícito a conduzir a melodia, passando pela amplitude luminosa particularmente sedutora de Crimson Bolt, são vários os instantes sonoros deste trabalho que contém uma natureza contagiante e que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, propostos por uma autora bastante criativa e vocalmente inspirada.

Em suma, As Days Go By vive afundado num colchão de sons eletrónicos que satirizam uma eletrónica retro, feita com VHS. Escutar o seu alinhamento é participar num passeio divertido e, ao mesmo tempo, introspetivo, cheio de charme e bom gosto, por um percurso sonoro que replica o que de melhor foi feito numa época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo, servindo também para mostrar o futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...

1. Intro
2. I'm On Punch
3. Geeks After Dark
4. Crimson Bolt
5. Social Misfits view
6. Super Hero view
7. Zebra Kids
8. Vestibule
9. As Days Go By
10. As Days Go By (Alternate Mix) (bonus)



autor stipe07 às 23:08
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Domingo, 14 de Junho de 2015

Barbarossa – Imager

Oriundo de Londres, o britânico James Mathé assina a sua música como Barbarossa e editou a onze de maio, através da Memphis industries, Imager, o terceiro disco de um músico com uma carreira já interessante no domínio da pop que coloca a eletrónica na linha da frente do processo de criação sonora, sempre tingida com melancolia e um humanismo particularmente sedutor.

Nestas dez canções, este músico e também reputado produtor que colocou as mãos em trabalhos dos Metronomy ou dos Summer Camp, oferece-nos uma visão relaxante e intimista do modo como vê a eletrónica de cariz mais ambiental, num trabalho que firma, definitivamente, um posicionamento do mesmo num campo sonoro mais sintético, ele que começou por chamr a atenção da crítica pelas baladas folk que criou no início da carreira e que fizeram com que fosse comparado a nomes tão fundamentais como Jose Gonzalez que, curiosamente, ou talvez não, participa em Home, o single já retirado de Imager. Há alguns anos atrás, Barbarossa, como intérprete folk, chegou a abrir alguns dos concertos do músico sueco que agora oferece a sua voz a esta canção.

Se o tema homónimo do disco mostra-nos, claramente, o novo arquétipo sonoro de Barbarossa, através de uma abordagem algo inclinada para as pistas de dança, com um claro piscar de olhos a uma faceta mais techno, a tal Home, tranquila e redentora, coloca todas as fichas numa visão mais emotiva e contemplativa, com o efeito do teclado a convidar-nos a conferir um hino eletrónico elegíaco, com um imediatismo simples, mas pungente.

À medida que o alinhamento de Imager avança, pressente-se um certo sentimento de inquietude, que o registo vocal de Solid Soul ou o sintetizador inebriante de Settle, uma canção que se debruça sobre a solidão que quem vive numa grande cidade frequentemente sente, não disfarçam, como se houvesse um fluxo emocional que conduz as canções que nos oferecem momentos redentores com o intuíto de agitar primeiro e confortar depois, o âmago da nossa alma. O refrão de Silent Island é, talvez, o melhor exemplo desta melancolia que quer descobrir o equilibrio perfeito entre hinos de dança contidos e uma intimidade orgânica singular, uma refrega intensa que coloca em campo de batalha aberto e sem reservas emoção e racionalidade.

Imager é Barbarossa a sair da sombra e a colocar um passo firme debaixo das luzes da ribalta à boleia de um talento para a composição e produção musical inato, que parece ter perdido a timidez e que exige ser reconhecido enquanto membro de pleno direito, do clube dos principais arquitetos da eletrónica contemporânea de terras de Sua Majestade. Neste álbum o autor oferece-nos, com a sua escrita intensa, mas direta e incisiva, algumas respostas que são incontornáveis tendo em conta o cariz afetivo e reflexivo das melodias a que dá vida.  Enquanto se escuta Dark Hopes e se acompanha com atençaõ o poema inspirador que abraça a melodia, percebemos o imenso fôlego libertador e esotérico que Imager transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Barbarossa - Imager

01. Imager
02. Home
03. Solid Soul
04. Settle
05. Nevada
06. Dark Hopes
07. Silent Island
08. Muted
09. Human Feel
10. The Wall


autor stipe07 às 21:25
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2015

Peter Broderick - Colours Of The Night

Gravado em Lucerna, na Suiça e editado pela Bella Union a vinte e sete de abril, Colours Of The Night é o novo trabalho discográfico de Peter Broderick, um músico norte americano, natural de Portland e que nos oferece mais dez canções que são uma colecção intimista de experiências vocais e líricas, que confirmam o ambiente sonoro predileto do autor.

Etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente, Colours Of The Night é aquele disco que faltava ao lado da tua mesa de cabeceira, mesmo junto do mais recente best seller do teu escritor preferido. Com a participação especial de alguns músicos suiços com quem dividiu belíssimos instantes sonoros espontâneos e com canções como Red Heart ou o tema homónimo que nos mergulham num universo acústico folk particularmente emotivo e profundo, muito do agrado deste músico, Colours Of The Night materializa o período mais fulgurante e expressivo da carreira do autor, que neste álbum sonoramente amplia as suas experiências e as suas virtudes, quer vocais quer experimentais, servindo-se smepre do piano como a arma de arrmesso primordial e o grande trunfo do processo de composição, mas dando também luz verde para que as cordas também tenham o protagonismo devido.

É claramente percetível como ao longo do álbum Broderick transpira confiança e como esta simbiose com músicos com os quais nunca tinha trabalhado resultou na perfeição. A guitarra delicada e as harmonias frágeis da já citada Red Heart, apresentam-nos essa colaboração estreita e alicerçam as fundações de uma plenitude sonora que será transversal a todo o alinhamento, que mesmo o modo pouco ortodoxo como The Reconnection sustenta o seu ritmo ou a postura vocal em If I Sinned, dois dos momentos mais curiosos de Colours Of The Night, não colocam em causa. Já os belos arranjos, as subtis mudanças de ritmo e a delicadeza pueril de Our Best, a toada afrobeat de One Way e os ecos de One Time, entram diretamente para a lista dos melhores instantes sonoros com a chancela de Broderick.

Colours Of the Night promete uma noite relaxada a tranquila. Adormecer a meio da sua adição acaba por ser uma benesse já que até ao ocaso usufruimos de uma banda sonora excelente para conduzir a nossa mente até ao mundo dos nossos sonhos mais desejados, prometendo uma noite repleta de emoções agradáveis, à boleia de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente. Espero que aprecies a sugestão...

Peter Broderick - Colours Of The Night

01. Red Earth
02. The Reconnection
03. Colours Of The Night
04. Get On With Your Life
05. If I Sinned
06. Our Best
07. One Way
08. On Time
09. More And More
10. Rotebode


autor stipe07 às 21:32
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2015

Mew – + -

Sexto disco da carreira de uma banda que se estreou em 1997 com A Triumph For Man e que alcançou o estrelato em 2003 com o aclamado Frengers+ - (ou Plus Minus) é o novo registo de originais dos dinamarqueses Mew de Jonas Bjerre, que se encontravam em silêncio discográfico desde que em 2009 editaram o excelente No More Stories Are Told Today, mas tendo feito desde então algumas digressões, com a curiosidade de este + - ser o primeiro trabalho deste querteto de Hellerup, em que algumas canções foram escritas em plena época de estrada.

Satellites, o primeiro avanço divulgado de + -, abre o disco com esplendor textural, uma canção com uma belíssima melodia e alguns arranjos distorcidos que trazem de volta a habitual toada ambiental, épica e psicadélica do grupo. Este é um instante sonoro que confirma a boa forma dos Mew e que não defrauda quem estiver à espera, tendo em conta a herança identitária do projeto, de canções coloridas e envolventes. Mas a melhor canção para ilustrar todo este colorido sonoro que a capa tão bem ilustra, é Rows, um longo tema que que decalca com esplendor a cartilha sonora dos Mew, de modo quase sinestético. Mas até chegar a essa Rows podemos apreciar um alinhamento que contém uma série de canções positivas, alegres e bem construídas, alicerçadas em guitarras que, da maior delicadeza à mais implcável das distorções, deambulam por variados registos, de acordo com as emoções de cada tema. Além da guitarra, contamos com um baixo sempre vigoroso, tocado por Johan Wohlert e que em Clinging to a Bad Dream é mesmo o grande protagonista da condução melódica, além de diversas camadas de teclados sintetizados, sofisticados e tecnologicamente avançados. Estes são geralmente replicados com bom gosto e contêm o típico charme que resulta da mistura feita com requinte entre pop e rock progressivo e que os nórdicos propôem melhor que ninguém. Além de Satellites, a sublime melodia que sustenta Witness, o piscar de olhos sintetizado da pop à soul em Making Friends e o refrão irresistível de The Night Believer, um tema que conta com a participação especial vocal da neozelandesa Kimbra, justificam esta minha impressão inicial e o modo assertivo como os Mew, desta vez secundados pelo produtor norte americano Michael Beinhorn, entregam ao mundo canções irresistíveis e implacavelmente cativantes.

Além da já referida Kimbra, outra das participações especiais que encontramos na ficha técnica de + - é Russell Lissack, guitarrista dos Bloc Party, que emprestou os seus dotes interpretativos em My Complication, dando à canção, com a sua guitarra, uma toada roqueira que nos Mew não é tão comum quanto isso e que em Water Slides, principalmente na pujança do refrão, também se pode absorver, quer num caso quer noutro, sempre de forma controlada.

Impecavelmente produzido, vibrante, luminoso e com alguns momentos de absoluta catarse, + - é um regresso em excelente forma deste quarteto dinamarquês aos discos, à boleia de uma paleta de cores intensa e diversificada, que navega entre a luz e a escuridão e o sintético e o orgânico, em dez canções cativantes e que se sustentam numa espantosa solidez estrutural, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Satellites
02. Witness
03. The Night Believer
04. Making Friends
05. Clinging To A Bad Dream
06. My Complications
07. Water Slides
08. Interview The Girls
09. Rows
10. Cross The River On Your Own


autor stipe07 às 14:57
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Terça-feira, 2 de Junho de 2015

Twin Hidden - A Berry Bursts

Divididos entre Londres e Manchester os Twin Hidden são Matthew Shribman e Sam Lea, dois amigos de infância que com dez anos já faziam música juntos, tendo-se estrado nos lançamentos em 2001 com um disco cujo rasto é desconhecido (This album is now where it belongs, at the bottom of the sea, where it will never be found).

A separação física de ambos deu-se com a entrada na universidade, quando Matthew foi estudar para Oxford e Sam para Manchester. Acabou por haver um breve hiato no grupo, mas os Twin Hidden parecem estar apostados em regressar novamente à ribalta, desde que no ano passado resolveram voltar a compôr juntos, tendo o piano como instrumento privilegiado destas novas experências sonoras conjuntas.

Depois de em dezembro de 2014 a dupla ter enviado para a redação de Man On The Moon Join Hands, o primeiro single deste novo sopro de vida da dupla, agora chegou a vez de os Twin Hidden nos deslumbrarem com a pop épica de A Berry Bursts, mais uma peça musical magistral e grandiosa, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como os falsetes da dupla se entrelaçam entre si, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilam orgulhosas e altivas, mais parece uma parada de cor, festa e alegria, onde todos comungam o privilégio de estarem juntos, do que propriamente um agregado de sons no formato canção. Ficarei muito atento a este projeto que está a captar a atenção das pessoas certas, nomeadamente ao possível lançamento de um disco. Confere...

 


autor stipe07 às 16:28
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