Quarta-feira, 13 de Maio de 2015

Villagers – Darling Arithmetic

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

A treze de abril último chegou aos escaparates Darling Arithmetic, o novo álbum dos Villagers, através da Domino Records e produzido pelo próprio Conor. Hot Scary Summer, o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção onde o autor canta emotivamente sobre o fim do amor e o lado mais destrutivo desse sentimento (all the pretty young homophobes looking out for a fight), plasma a temática de um disco que se debruça sobre a temática da sexualidade do grande mentor deste projeto e dos desafios emocionais que a questão da sua homossexualidade lhe tem colocado.

O amor e os conflitos que provoca, quando não é correspondido ou resvala para um ponto de ruptura provoca sentimentos e emoções transversais à orientação sexual. Serve isto para dizer que, independentemente da mesma, qualquer um de nós pode sentir-se identificado com o conteúdo destas canções que mostram como a energia destrutiva que esse sentimento muitas vezes liberta pode ter um enorme potencial artístico. Basta escutar a tensão sombria de Courage ou a luminosidade das cordas e do piano de Everything I Am Is Yours, para se perceber claramente esses dois lados de um mesmo sentimento, em canções onde Conor fala constantemente de modo autobiográfico e com a temática mais física da relação a ter destaque. Depois, a primazia da viola confere um cariz ainda mais intimista a Darling Arithmetic.

O modo como Villagers fala de si e das suas experiências e o ênfase que dá a determinadas emoções, ampliadas pela cândura do seu falsete, acabam por fazer com que certas canções, além de o despirem totalmente, exalem uma vincada veia erótica; Escuta-se Dawning On Me com atenção e torna-se fácil sentirmos que estamos abraçados ao músico, a partilhar o mesmo espaço físico do mesmo, completamente desprovidos de qualquer defesa, enquanto testemunhamos o modo como ele se entrega a uma aritmética amorosa, onde está em causa não só o modo como gere a sua relação com o amante, mas também consigo mesmo e os seus próprios conflitos emocionais.

Cheio de bonitos arranjos e resultado de um trabalho de composição elaborado e de elevada consistência técnica, Darling Arithmetic pode ser aquele disco que vai aguçar definitivamente o nosso gosto para o usufruto de sonoridades que são contemporâneas e que podem alargar o nosso panorama cénico e a ginástica linguística das canções que nos tocam profndamente. Temas como The Soul Serene, o já citado Hot Scary Summer, ou a ode ao amor intitulada Little Bigot podem colocar também a folk a tocar profundamente nas bases genéticas mais profundas da nossa identidade, à boleia de um género sonoro que, apesar da sua história, popularidade e raízes, que muitos puristas não gostam de ver quebradas, pode sempre atualizar-se e procurar novos caminhos, sem perder a sua génese. O modo como Conor consegue entrelaçar letras e melodias e adicionar ainda belos arranjos aliados, de forte teor sentimental, fazem já de Villagers uma referência essencial e obrigatório no género e um bom aconchego para alguns dos nossos instantes mais introspetivos e fisicamente intimistas.

Parafraseando o autor em Näive, descontando o facto de sermos woman, man, boy, girl e não importando como estes ítens se cruzam ou relacionam... este disco serve para todos aqueles que, independentemente das experiências vividas, estão sempre disponíveis a abrir as portas para o amor. (I believe I make part of something bigger). Espero que aprecies a sugestão...

Villagers - Darling Arithmatic

01. Courage
02. Everything I Am Is Yours
03. Dawning On Me
04. Hot Scary Summer
05. The Soul Serene
06. Darling Arithmetic
07. Little Bigot
08. No One To Blame
09. So Naive

 


autor stipe07 às 22:23
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Terça-feira, 12 de Maio de 2015

Lower Dens – Escape From Evil

Viu a luz do dia no final de março Escape From Evil, o novo disco dos Lower Dens, uma banda norte americana natural de Baltimore, liderada por Jana Hunter e que em 2010 chamou, de imediato, todos os holofotes para si com o emocionante álbum de estreia Twin-Hand Movement. Em 2012 voltaram a surpreender com Nootropics, e agora, três anos depois, pela mão da Ribbon Music, chega-nos este novo trabalho que se deve ouvir sem expetativas porque aviso desde já que nos irá sugar para uma rede sonora construída com ritmos repetitivos e um emaranhado de sons e imagens etéreas.

Cada vez mais abrangentes e em busca de um universo sonoro mais amplo, consistente e luminoso, um pouco em contraste com o cinza que marcou os registos anteriores, mesmo ao nível visual, os Lower Dens chegam ao terceiro disco em pleno processo de exploração de novas possibilidades melódicas e ritmícas que oferecem ao cardápio do grupo uma maior consolidação e abrangência e cenários estilísticos que abarcam um leque mais aberto de influências, com a eletrónica a ter uma concorrência mais acentuada da dream pop e do post punk no resultado final. Responsável pela produção de Bloom dos Beach House ou Singles dos Future Islands, Chris Coady produziu Escape From Evil e acaba por ser uma figura central nesta nova realidade dos Lower Dens  e onde é clara uma superior espontaneidade e fluidez de processos.

Os sintetizadores luminosos de To Die In L.A. e o modo como o groove das guitarras nos convidam em Non Grata e Company a um abanar de ancas mais ou menos explícito, são apenas três notáveis exemplos desta menor frieza dos Lower Dens e a demanda por ambientes menos amargos e melancólicos em troca da transmissão de sensações mais calorosas, extrovertidas e acolhedoras.

Jana Hunter, a líder e figura principal do projeto, continua a encantar-nos com uma voz que apela diretamente ao nosso intímo e que em canções como a dream pop de Your Heart Still Beating nos desperta para a necessidade de apreciarmos devidamente algumas das nossas memórias e convidando-nos, em praticamente todo este novo alinhamento, a passear por recordações do passado e por pequenas frações de pensamentos individuais que musicadas nos soam próximas, como se as canções quisessem conversar connosco.

Com um imenso arsenal de arranjos, temas e conceitos explorados, Escape From Evil é, sem dúvida, um disco de ruptura, um virar de página sem aparente retorno, uma fuga apenas aparentemente espontânea, porque terá sido certamente devidamente ponderada de uma zona de conforto para um novo manancial de possibilidades que beneficiam o ouvinte ávido pela audição de algo diferente e surpreendente no inesgotável universo da dream pop. Há que saudar, no entanto, na componente lírica, o evidente sentimentalismo confessional e a manutenção da exposição intimista que Jana Hunter continua a não hesitar em partilhar connosco sem qualquer tipo de receio. Espero que aprecies a sugestão... 

Lower Dens - Escape From Evil

01. Sucker’s Shangri-La
02. Ondine
03. To Die In L.A.
04. Quo Vadis
05. Your Heart Still Beating
06. Electric Current
07. I Am The Earth
08. Company
09. Société Anonyme


autor stipe07 às 22:26
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2015

Happyness – Weird Little Birthday

Oriundos de Londres, os britânicos Happyness são Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan, um trio que após um aclamado EP homónimo editado em 2013, estreou-se nos lançamentos no verão passado com Weird Little Birthday, um trabalho que viu a luz do dia através da Weird Smiling, misturado por Adam Lasus e masterizado por Greg Calbi, dois nomes também essenciais no assumir das rédeas de uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente.

Weird Little Birhday é um trabalho que junta alguns dos melhores atributos do indie rock contemporâneo, onde a psicadelia e o lo fi se cruzam constantemente, havendo temas como It's On You ou Leave The Party, particularmente animados, luminosos e festivos e outros instantes que assentam num formato mais íntimo e silencioso, onde existe uma maior escassez instrumental e um registo vocal sussurrante, Nestas canções mais contemplativas, onde também destaco a belíssima balada Regan’s Lost Weekend (Porno Queen), ou o delicioso reverb vocal e as variações rítmicas e dos efeitos da guitarra em Lofts, também há imensa beleza, registada em deliciosos detalhes sonoros, com as cordas a assumir portagonismo óbvio, percetíveis se a audição for feita com recurso a headphones. A longa e introspetiva Weird Little Birthday Girl, canção sonoramente detalhada e tema homónimo do disco, que amarra, por si só, várias pontas do mesmo, acaba por ser o clímax de todo este ideário processual e timbra o som identitário dos Happyness, numa melodia amigável e algo psicadélica, feita com guitarras ligeiramente distorcidas, enquanto se arrasta até ao fim com um longo diálogo entre timbres.

O ambiente sonoro que este trio oferece exala um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assenta. Depois, alguns arranjos na percussão claramente jazzísticos e uma voz num registo grave e em reverb, acentuam o charme rugoso de um álbum que nos oferece uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo.

Em Weird Little Birthday é incrível a sensação de ligação entre as canções, mesmo havendo alguns segundos de quase absoluto silêncio entre elas. Assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável, sendo difícil ficar indiferente perante preciosidades como a enérgica e infecciosa, mas controlada Naked Patients, a sedutora Monkey In The City, o já citado tema homónimo ou o single Baby, Jesus (Jelly Boy). As distorções são sempre bem controladas, os ruídos minimalistas gravitam suavemente em redor do disco ampliando subtilemtne o seu espelndor lo fi, os arranjos das cordas estão dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e a subtileza na voz funciona na nossa mente como um verdadeiro psicoativo sentimental, guiada pela nostalgia e pelas emoções que Benji, o principal vocalista, pretende transmitir.

Com uma variedade de referências e encaixes sonoros que se aproximam do indie rock atual, Weird Little Birthday é um excelente disco de estreia e uma boa ferramenta para todos aqueles que queiram apresentar aos descendentes de idades mais precoces, de modo algo subtil e surpreendentemente apelativo, algumas das melhores caraterísticas do indie rock alternativo. Atravessado por um certo transe libidinoso que o cinismo de algumas letras apenas amplia, é aquele disco de rock que tanto pode ser escutado nos jardins de infância após o almoço, como além das paredes do nosso refúgio mais secreto, com a mesma exuberância e dedicação. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Weird Little Birthday [Deluxe Edition]

01. Baby, Jesus (Jelly Boy)
02. Naked Patients
03. Great Minds Think Alike, All Brains Taste The Same
04. Orange Luz
05. Refrigerate Her
06. Pumpkin Noir
07. Anything I Do Is All Right
08. Weird Little Birthday Girl
09. It’s On You
10. Regan’s Lost Weekend (Porno Queen)
11. Leave The Party
12. Lofts
13. Monkey In The City
14. Montreal Rock Band Somewhere (Bonus Track)
15. Stop Whaling (Bonus Track)
16. You Come To Kill Me?! (Bonus Track)
17. A Whole New Shape (Bonus Track)

 


autor stipe07 às 21:42
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Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

digitalanalogue - Be Embraced, You Millions

Be Embraced, You Millions!

Membro dos escoceses Broken Records, Ian Turnbull também tem um belíssimo projeto a solo intitulado digitalanalogue, uma das novas coqueluches da Song By Toad, Records, de Matthew Young e que editou no passado dia 16 de maio Be Embraced, You Millions, um extraordinário compêndio de treze canções que resultaram numa obra de arte que balança entre a dream pop e a música clássica e onde o piano, a viola acústica e uma bateria eletrónica são os grandes protagonistas.

Delicado e envolvente, Turnbull cria peças instrumentais únicas, que emocionam facilmente os mais incautos e de lágrima fácil, alicerçadas, geralmente, num piano adulto e jovial, que vai transitando entre o orgânico e o sintético, à volta do qual gravitam alguns arranjos mais ou menos implicítos, com particular destaque parao diálogo entre uma criança e uma avó em NO.99 (I Love To Go A-Wandering) e cordas que adivinham um clímax sónico, criando uma atmosfera no mínimo encantadora.

Confessadamente autobiográfico, Be Embraced You Millions é declaradamente inspirado em Gavin Bryars, Brian Eno, ou o mais contemporâneo Gonzales e foi a terapia que Turnbull encontrou para superar um passado recente menos feliz, nomeadamente entre 2012 e 2013, período da sua existênciap pessoal conturbado, em que foi pela primeira vez pai e teve dificuldades em conciliar essa novidade com as exigências profissionais musicais e a doença e morte da sua mãe. Cada um dos treze temas é sobre uma pessoa ou evento específico desse período e particularmente cinematográfico. A música de digitalanalogue oferece-nos instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para dar vida a um conjunto volumoso de sentimentos sinceros, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente que oscila entre a amplitude luminosa da crença e o cariz nostálgico da dúvida e do receio, em canções que tanto podem ser extremamente simples e prezar pelo minimalismo da combinação instrumental que as sustenta.

Sincera, emotiva e profundamente tocante, a música de digitalanalogue acaba por ser um dos bons exemplos atuais da tomada de consciência por parte de um músico de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:54
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Sábado, 25 de Abril de 2015

The Kindling - By Morning

Guy Weir, Tomas Garcia e Ben Ramster são os The Kindling uma banda sedeada em Londres, que contou com as participações especiais dos violinos de Kelly Jakubowski e dos efeitos de Joe Leach para gravar um disco novo intitulado By Morning, um trabalho que aposta forte numa profunda melancolia proporcionada por canções que gravitam em redor de uma folk introspetiva e tipicamente nórdica, onde sobressaiem deliciosos arranjos de cordas e melodias que se arrastam sem pressa, mas com uma direção bem definida, aquela que segue diretamente e pelo caminho mais curto rumo aos nossos sentimentos mais profundos e delicados.

A apenas aparente rudeza da distorção de Television Static Dreams, o primeiro single retirado deste disco e seu maior destaque, transmite uma poderosa sensação introspetiva e sonhadora. Imersa em pequenos detalhes, dos quais sobressai a pandeireta e o tambor, que procuram conferir uma forte sensação crua e orgânica ao tema, são elementos que se repetem ao longo de um alinhamento que só poderá ser devidamente apreciado se estivermos dispostos a fazê-lo equipados com um fato hermético que nos permita captar a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que estes The Kindling possuem e transmitem.

O falsete e a guitarra de Guy conduzem temas como Climb In, Unlucky e Long Distance e estes são apenas alguns dos vários exemplos que, em By Morning, exaltam uma tremenda serenidade e um natural excesso de tempo, conceitos que sobressaiem nestas canções com uma clareza incomum. Este é um acordar matinal musical proposto pelos The Kindling, uma alvorada tão diferente e proporcionalmente oposta às nossas rotinas diárias e à escravatura do relógio que roda incessantemente a partir do momento em que somos forçados a deixar o mundo dos sonhos para trás e viver um dia a dia nem sempre suficientemente recompensador.

As cordas e o jogo de vozes de Hunting Stars e Slow Down tocam profundamentem o coração. Como a maioria das canções, começam com o dedilhar de uma guitarra, neste caso a acústica, mas depois vão sendo adicionados novos instrumentos, que acrescentam pequenos detalhes sonoros, mas que fazem muitas vezes toda a diferença e demonstram a abundância de talento dos mentores deste projeto, já que pintam uma belíssima paleta de cores sonoras e criam uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada.

Alguma das nossas manhãs deviam ser assim, arrastadas por esta visão poética dos primeiros minutos dos nossos dias, em que a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, com as canções de By Morning a servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:15
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Domingo, 19 de Abril de 2015

Zero 7 – EP3

Depois do EP Simple Science, editado a dezoito de agosto do ano passado por intermédio da Make Records, os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, estão de regresso com um novo EP intitulado EP3, que dá continuidade à filosofia que orientou EP1 (1999) e EP2 (2000), dois trabalhos lançados quando a dupla ainda estava vinculada a etiquetas menores.

Com a participações especiais de nomes como José González, Only Girl e o australiano Danny Pratt, EP3 contém quatro originais e uma remistura, composições que, de acordo com os Zero 7, foram sendo compostas ao longo do ano anterior e como não se incluiam no arquétipo sonoro de Simple Science, acabaram por ficar na gaveta à espera do melhor momento para verem a luz do dia. Como a banda achou que a sonoridade de 400 Blows tinha um certo paralelismo com uma cover que fizeram de The Colour Of Spring, um original de Mark Hollis, então estava encontrado o mote para este EP3.

E que sonoridade é esta que se interliga entre os diferentes temas deste novo capítulo discográfico dos Zero 7? Uma eletrónica sofisticada e ambiental, com um cariz quase minimal e cheia de detalhes preciosos, que dão às canções uma toada densa, mas bastante agradável. Das passagens de piano do primeiro tema, aos sons da natureza que se escutam em The Colour Of Spring, passando pela excelência das vozes de Pratt e de Only Girl e no modo como encaixam de modo fluente no conceito sonoro dos Zero 7, são vários os pontos de contacto entre as várias músicas. E depois há José González e a sua participação especial na enigmática e sombria Last Light, que oferece à dupla britânica uma performance vocal irreprensível numa canção de forte cariz cinematográfico, num registo muito quente e a apelar à soul.

EP3 encerra com um belíssimo instrumental eletrónico, que se destaca pela percurssão orgânica ritmada, com as pistas de dança na mira, acoplada a detalhes sintéticos absolutamente deliciosos e que exalam aquele charme típico dos Zero 7, que dão à dupla aquele ambiente fashion que sempre os caraterizou.

Disponível no formato físico vinil e em formato digital, EP3 é um extraordinário momento de puro relaxamento e de contemplação sonora que nos permite embarcar numa curta mas profunda viagem ao universo musical típico dos Zero 7 e do seu cardápio sonoro. Em EP3 tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e conseguido, alicderçado em criações sonoras versáteis e que resultam de uma fórmula legítima e louvável de uma dupla que está sempre aberta a encontrar um sopro de renovação. Espero que aprecies a sugestão...

Zero 7 - EP3

01. 400 Blows
02. The Colour Of Spring
03. Last Light (Feat. José Gonzalez)
04. Crush Tape
05. 400 Blows (John Wizards Remix)


autor stipe07 às 18:14
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Sábado, 4 de Abril de 2015

Peter Broderick – X Luzern

É já a vinte e sete de abril que chega aos escaparates Colours Of The Nighto novo trabalho discográfico de Peter Broderick, um disco que vai ver a luz do dia através da Bella Union e que contém dez canções que certamente irão ser mais uma colecção intimista de experiências vocais e líricas e que confirmarão o ambiente sonoro predileto de Peter, etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente.

Em jeito de antecipação, Broderick acaba de divulgar um single com duas canções intitulado X Luzern e que resulta de um projeto desenvolvido pela cidade suiça citada no título, que uma vez por mês divulga gravações de bandas e artistas que atuam no local. Os dois temas incluidos no lançamento, Rainy Day e A Peace I Aim to Make, mergulham-nos num universo acústico folk particularmente emotivo e profundo, muito do agrado deste músico norte americano natural de Portland. Confere...

Peter Broderick - X Luzern

01. Rainy Day
02. A Peace I Aim To Make


autor stipe07 às 14:54
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Terça-feira, 31 de Março de 2015

Memory Tapes – Fallout / House On Fire

Depois de um hiato de pouco mais de dois anos, o produtor chillwave de New Jersey Dayve Hawk, aka Memory Tapes, está de regresso com um single e uma nova digressão pela américa do norte. Editado hoje com o selo da Carpark Records, Fallout tem como lado b House On Fire e marca o regresso das típicas batidas cerebrais e reconfortantes de Hawk, alicerçadas por uma eletrónica densa e, neste caso, catárquica, já que o hiato deveu-se a alguns problemas pesoais e profissionais que o músico teve de enfrentar, com a sonoridade dos dois temas a demonstrar bem o estado de espírito do músico. Confere...

Memory Tapes - Fallout - House On Fire

01. Fallout
02. House On Fire


autor stipe07 às 21:59
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Domingo, 22 de Março de 2015

Django Django - Reflections

Django Django - Reflections

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome que acompanho com toda a atenção desde que há cerca de dois anos lançaram um espectacular homónimo de estreia.

A banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, vai regressar aos discos este ano, mais propriamente a cinco de maio por intermédio da Ribbon Music. O álbum chama-se Born Under Saturn e já há dois avanços conhecidos; Depois de em janeiro termos conhecido First Light, agora chegou a vez de ser divulgado Reflections, mais um tema onde os Django Django aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, sempre acompanhada por guitarras e um teclado que, neste caso, parece ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas. Basicamente, uma mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento. Confere...


autor stipe07 às 15:12
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Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Kodak To Graph - ISA

Depois de em agosto de 2013 Mikey Maleki ter andado a editar uma canção por mês, numa longa e bonita jornada que resultou na compilação 2013 Monthly Singles, disponivel para audição e download e que fui dando conta, por cá, durante esse ano, este músico e produtor norte americano de origens iranianas oriundo de Pensacola, na Flórida, atualmente a residir em Los Angeles e que assina a sua música como Kodak To Graph, começou 2015 a participar ativamente na gravação de Oldies, um trabalho também disponivel gratuitamente e que plasma eletrificantes experimentações sonoras. Agora, a dez de março, chegou, finalmente, o seu longa duração de estreia, um disco chamado ISA, também possivel de ser obtido gratuitamente e que é uma verdadeira jornada emotiva e emocional pelos pensamentos, experiências e momentos que se revelaram significativos para o autor nos últimos temps e que o transformaram no músico e pessoa que é hoje.

Maleki sempre gostou de gravar e depois reproduzir sinteticamente sons reais, que capta ao seu redor e que tanto podem ser relacionados com a natureza, nomeadamente o chilrear de aves ou os galhos que se quebram durante um passeio pela floresta, como sons mais citadinos e que reproduzem ruídos habituais num ambiente citadino. Desolation Wilderness é um bom tema para se perceber de que modo funciona esta imagem de marca de Kodak to Graph e igualmente bastante presente no restante alinhamento de ISA. O autor confessa cultivar esse gosto com método porque acha que a inserção desses arranjos nas melodias enriquece-as e funciona, de certa forma, como a componente lírica das suas canções, geralmente instrumentais, dando-lhes uma clara sensação de narrativa e ampliando o propósito que elas têm, que é o de contar histórias concretas e com vida, mesmo que não contenham letras e uma voz que as replique de modo entendível. Quando a voz surge nas canções de Maleki é quase sempre modificada e samplada, funcionando como mais um detalhe sonoro ou outro dos instrumentos que deambulam pelas composições. Los Angeles, tema de tributo à cidade que recentemente acolheu este músico, é um notável exemplo do modo como Maleki utiliza a voz como mero recurso sonoro, no meio de outros detalhes e sons que facilmente nos colocam no meio da movimentada South Vermont rumo a Beverly Hills.

A música de Kodak To Graph exala imenso uma sensação de convite frequente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e este produtor não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Belong, o tema de abertura, a surpreender desde logo pelo cariz pop claramente urbano, proporcionado por uma eletrónica manipulada com mestria, não só no modo como o cruza o trompete com a melodia, mas também pelo realce que alguns metais usufruem em determinados momentos da canção. Belong liga-se com Floating através de uma batida minimal que depois parece submergir num mundo aquático e, por isso, sonoramente mais denso e pastoso e se esta conexão entre canções acentua o tal espírito de narrativa sequencial que domina ISA, a opção por arranjos, detalhes, ruídos e métodos de manipulação sonora que se interligam com o título das canções, além de nos fazerem perceber as diversas variáveis que Mike introduz no sintetizador para transmitir uma sensação intrincada e fortemente espiritual. Na verdade, ISA transborda um ideal de leveza e cor constantes, como se o disco transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, apesar de, felizmente, serem agora menos frios e sombrios, permitindo-nos escutar uma música bastante sensorial, que parece ter textura, cheiro e flutuações térmicas condizentes com o ritmo, a batida ou o borbulhar de determinados detalhes, aquáticos ou terrenos que facilmente se identificam e que são passíveis de serem confrontados com aspetos reais e palpáveis do meio que nos rodeia. Se a sensibilidade emotiva, minimal e arrepiante de Glaciaa nos obriga a vestir um agasalho bem quente enquanto sobrevoamos os pólos, as já citadas Los Angeles e Belong retratam uma América multicultural e cosmopolita que acolheu e inspira Maleki.

Rico e arrojado e apontando em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, ISA tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor eletrónica contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, oferecer música que se sente e que se vê, englobando diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, que podem passar pelo trip hop, a chillwave, o hip hop ou o R&B num pacote que conta histórias que as máquinas de Maleki sabem, melhor do que ninguém, como reporduzir e encaixar. Este é um álbum para ser escutado, visto e sentido, recheado de paisagens sonoras bastante diversificadas, mas de algum modo descomplicadas e acessíveis e que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 19:14
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