Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Thom Yorke – Tomorrow’s Modern Boxes

Vocalista da banda que ocupa o trono do indie rock alternativo há quase duas décadas e um dos criativos musicais fundamentais da história da música contemporânea, Thom Yorke está claramente apostado em deixar uma marca indelével na história da música e não apenas e só por causa do conteúdo do seu cardápio sonoro, mas também na forma inovadora como pretende revelar e disponibilizar o mesmo. Crítico assumido sobre a forma como a indústria fonográfica tem assumido as rédeas da distribuição, Yorke disponibilizou no passado dia vinte e seis de setembro Tomorrow's Modern Boxes, o seu segundo disco a solo, para download digital e também em vinil na página oficial, experimentando uma nova forma de edição e distribuição, através da tecnologia BitTorrent, criada por uma empresa norte-americana e que permite a cada consumidor partilhar e gerir ficheiros sem intermediários.

Num comunicado que assina com Nigel Godrich, o produtor do disco e divulgado no dia do lançamento, ambos explicavam que Tomorrow’s Modern Boxes é uma experiência e que, se correr bem, poderá ser o caminho para que os criadores artísticos voltem a ter controlo sobre o comércio na Internet. Seja como for, e independemente do sucesso desta nova abordagem comercial, importa é, desde já, debruçarmo-nos sobre aquilo que realmente importa, o conteúdo deste registo de um músico que promete, como já referi, deixar uma marca indelével na história da música, particularmente a eletrónica.

Uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante e elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um baixo sintético com um volume crescente, quase sempre livres de constrangimentos estéticos e que nos provocam um saudável torpor, são já a imagem de marca da música de Thom Yorke, alguém que parece decididamente apostado em compôr música principalmente para si e, de forma subtil, criar um ambiente muito próprio e único através da forma como o sustenta instrumentalmente, ao privilegiar uma abordagem eminentemente sintética. Os oito temas do alinhamento de Tomorrow's Modern Boxes vivem, portanto, da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral. É deste cruzamento espetral e meditativo que o disco vive, um registo que espelha a elevada maturidade do autor e espelha a natural propensão do mesmo para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe, muitas vezes de forma bastante implícita e quase inaudível o baixo e a bateria.

Analisar a música de Thom Yorke e não falar da sua voz é desprezar um elemento fulcral da sua criação artística; Ela é também em Tomorrow's Modern Boxes um fio condutor das canções, seja através do habitual falsete, amiúde manipulado em A Brain In A Bottle, o tema onde essa forma de cantar é mais explícita,ou através de um registo sussurrante, ou ainda de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais. E este último registo ganha contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste disco quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb em temas como Truth Ray ou There Is No Ice (For My Drink) e transforma-se numa das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Yorke está ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. Curiosamente, o piano costuma ser um fiel companheiro do músico e um instrumento que se alia com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge destacado em Pink Section, por sinal um tema onde o protagonismo da voz é ínfimo.

Tomorrow's Modern Boxes é de um subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Thom Yorke.

Nigel Goodrich já tinha produzido The Eraser, o primeiro registo a solo de Yorke e também foi ele que OkComputorizou os Radiohead, pelo que este novo manifesto de eletrónica experimental é também certamente responsabilidade sua, assim como a opção pela ausência total das guitarras e pela primazia do trabalho de computador, da construção de samples, no fundo, da incubação de uma arquitetura sonora que sobrevive num domínio muito próprio e que dificilmente encontra paralelo no cenário musical atual.

Mais apontado para satisfazer o seu umbigo do que propriamente saciar a fome de excelência de quem o venera e exulta a cada suspiro ruidoso que o autor exala, Tomorrow's Modern Boxes é um despertar maquinal, onde a pureza da voz contrasta com a agressividade de uma modernidade plasmada em letras que mostram o mesmo Thom Yorke de sempre, irreverente, meio perdido, entre o compreensível e o mundo dele, estando, no meio, a sua luta constante com a sociedade e a sua vertente intervencionista politica, ambiental e social. Espero que aprecies a sugestão... 

Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes

01. A Brain In A Bottle
02. Guess Again!
03. Interference
04. The Mother Lode
05. Truth Ray
06. There Is No Ice (For My Drink)
07. Pink Section
08. Nose Grows Some


autor stipe07 às 22:46
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Sábado, 27 de Setembro de 2014

Perfume Genius - Too Bright

Editado no passado dia vinte e três de setembro por intermédio da Matador Records, Too Bright é o novo álbum de Perfume Genius, aka Mike Hadreas, um músico natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos nomes mais excitantes do cenário alternativo. Dois anos depois, Put Your Back N 2 It ofereceu-nos momentos sonoros soturnos e abertamente sofridos e agora, em Too Bright, Hadreas amplia as suas virtudes como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são profundamente autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam  connosco com elevada empatia.

Gravado com Adrian Utley dos Portishead e com a participação especial de John Parish em vários temas, Too Bright é um disco inteiramente dominado por uma voz que se faz acompanhar de um ilustre piano, enquanto relata eventos de uma vida com alguns detalhes que nem sempre são particularmente agradáveis. Mike teve grandes dificuldades em lidar com a homofobia que sempre sentiu em redor devido à sua condição sexual e ao processo de recuperação que teve de encetar devido a uma dependência do álcool e das drogas, algo que a atmosfera lo-fi dos seus álbuns ilustra como uma necessidade confessional de resolução e redenção. Como o próprio Hadreas, os seus discos são delicados, emocionantes, e inerentemente tristes.

Too Bright não é uma inflexão radical em relação à toada dos trabalhos anteriores, mas há aqui algo mais intenso, também por causa das suas mudanças na vida pessoal e que, ao escutarmos a sua música, sentimos enorme curiosidade em conhecer. A forma contundente como Mike abre-nos o seu coração, impele-nos ao desejo de conhecer melhor o homem por detrás do piano e dos sintetizadores, os dois grandes pilares instrumentais de Too Bright e que, no caso dos últimos, alargaram exponencialmente o leque de possibilidades melódicas e de tomada de decisões ao nível dos arranjos.

Sendo então um artista que já confessou que não consegue fazer música se ela não falar sobre si próprio e que aproveitou, ainda, para referir que continua a guardar muitos segredos dentro de si, em Too Bright os timbres distorcidos de Queen, a dinâmica melosa e emotiva de Fool e a pop vintage de Grid, são exemplos nítidos sobre a forma como Mike criou neste trabalho, através de um aparato tecnológico mais amplo, caminhos de expressão musical inéditos na sua discografia e, simultaneamente, novas formas de se revelar a quem quiser conhecer a sua personalidade.

Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial para a mente criativa do músico, tendo em conta as especificidades da sua realidade que já referi, apenas genericamente. A voz grave e algo enraivecida e ferida que se escuta em I'm A Mother e que se distorce ainda mais em My Body, à medida que a componente instrumental sintética cria, nesta última, um ambiente sinistro e nos suga para o interior do âmago de Hadreas, provoca em nós um sentimento de repulsa, porque sentimos vontade de lutar contra essa evidência mas, por outro lado, causa uma atração intensa, como se não quisessemos deixar tão cedo de escutar este momento de verdadeiro delírio.

Perfume Genius é, como vemos, mestre na forma como utiliza a dor para transformar a sua intimidade em algo universal e na maneira como aborda de forma inédita as relações e a fragilidade humana. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada por ele na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída.

Too Bright faz justiça ao nome porque traz-nos luz... Não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas o contacto e a tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. É uma luz suplicante, que luta contra os nossos desejos, ou que quer apenas ser a materialização deles, emanada de um disco sombrio e, por isso, muito forte, enquanto plasma uma nova faceta do percurso discográfico do autor. Espero que aprecies a sugestão...

Perfume Genius - Too Bright

01. I Decline
02. Queen
03. Fool
04. No Good
05. My Body
06. Don’t Let Them In
07. Grid
08. Longpig
09. I’m A Mother
10. Too Bright
11. All Along

 


autor stipe07 às 13:59
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Alt-J (∆) – This Is All Yours

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, está de regresso aos lançamentos com This Is All Yours, através da Infectious, um álbum que, além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a eleva para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

As treze canções de An Awesome Wave encaixavam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito; Eram canções que nos faziam descobrir a sua complexidade à medida que se escutava o alinhamento de forma viciante. A atmosfera dançante de Brezeblocks e de Fitzpleasure, misturava-se com músicas mais calmas e relaxantes como Something Good e Taro e, na verdade, talvez ainda estejamos todos demasiado conetados com essa doce recordação para aceitarmos com facilidade a nova vida deste (agora) trio que aposta num som mais esculpido e complexo, algo que nos obriga a um exercício maior na primeira percepção das novas composições, mas que eu recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

Mais uma vez, os Alt-J (∆) têm como base insturmental o uso de sintetizadores e continuam a ser exímios na replicação de harmonias vocais belíssimas, mantendo-se aquela impressão de que as canções nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente. Mas, o grande motivo de verdadeira celebração relativamente ao conteúdo do sempre difícil segundo disco deste projeto de Leeds, certamente um dos mais excitantes do cenário indie atual, é a forma particularmente viva e espontânea com que celebram os ideais de charme e delicadeza; Eles ficam explícitos durante a viagem que o alinhamento de This Is All Yours nos permite fazer entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, uma epopeia de treze canções onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de ofrma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual.

Ao longo deste álbum abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Escuta-se a forte comoção latente de Hunger Of The Pine, o punk blues enérgico e libertário de Left Hand Free, o momento de maior excelência deste disco, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a The Gospel of John Hurt e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos que nos fazem levitar na sequência final feita com Bloodfood Pt. II Leaving Nara, para se conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que o grupo foi convocar a esses dois universos sonoros que o rodeia e com os quais se identifica, com um elevado índice de maturidade e firmeza, mostrando imenso bom gosto na forma como apostam nesta relação simbiótica, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras.

Se An Awesome Wave tinha momentos que, como já referi, convidavam ao abanar de ancas explícito e propositado, este sucessor impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno, mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Além do já referido sintetizador, uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instrumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. Ao confrontar-se com a saída de Gwil, para muitos o líder do projeto, o trio que manteve o barco à tona teve de arregaçar as mangas e, talvez liberto de uma certa formatação criativa bem balizada que esse músico impunha, dedicar-se de forma mais democrática à expansão do seu cardápio sonoro, com uma dose algo arriscada de experimentalismo, mas bem sucedida, feita de imensos detalhes e uma elevada subtileza.

Em equipa que ganha às vezes também se mexe e o som complexo e profundo dos Alt-J (∆) resistiu com solidez e de modo exemplar à mudança, já que This Is All Yours comprova que um dos predicados que poderemos, pelos vistos, esperar sempre deste coletivo britânico prende-se com a capacidade que tem em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico que apresenta. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos Alt-J (∆) e este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda. Espero que aprecies a sugestão...

Alt-J (∆) - This Is All Yours

01. Intro
02. Arrival In Nara
03. Nara
04. Every Other Freckle
05. Left Hand Free
06. Garden Of England
07. Choice Kingdom
08. Hunger Of The Pine
09. Warm Foothills
10. The Gospel Of John Hurt
11. Pusher
12. Bloodflood Pt. II
13. Leaving Nara


autor stipe07 às 21:33
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Avi Buffalo – At Best Cuckold

Os norte americanos Avi Buffalo são de Long Beach, na California e estrearam-se em 2010 com um registo homónimo que conquistou a crítica. Depois disso mantiveram-se num silêncio que acaba, finalmente, de ser quebrado com o anúncio de At Best Cuckold, um novo disco do grupo, que viu a luz do dia a nove de setembro através da Sub Pop RecordsAt Best Cuckold foi produzido por Avi Zahner-Isenberg, o líder da banda e gravado em Los Angeles, São Francisco e Nova Iorque.

Banda responsável por uma das melhores estreias de 2010, os Avi Buffalo estão de volta e a querer resgatar o verdadeiro espírito dos anos sessenta em diante com dez canções bastante fiáveis e que nos remetem, com notável mestria, para as origens da pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta. E já percebi que tudo isto é certamente influenciado por nomes tão importantes como os Talking Heads, Fleetwood Mac, The Microphones e os The Beach Boys.

At Best Cuckold tem pouco mais de trinta minutos e, por isso, ouve-se de uma assentada. Aliás, entende-se que há uma interligação latente entre os temas e que não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. Um belíssimo instante indie pop lo fi chamado So What é o aperitivo que abre o alinhamento e depois vamos sendo constantemente convidados a dançar ao som de uma pop bastante aditiva e peculiar.

As canções são quase sempre conduzidas pela guitarra elétrica, mas também há uma forte presença da sua congénere acústica e do baixo. Até o piano faz a sua aparição e logo no segundo tema e em She Is Seventeen. Memories Of You é um memorável instante épico, impregnado de cor e luz graças às teclas que graciosamente deambulam em redor das cordas eletrificadas, dando origem a um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante; Já She Is Seventeen é uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. As notas parecem sinónimos de tranquilidade, guiam os efeitos ao fundo da música e acompanham o piano sem pressa.

De vez em quando também se escutam arranjos e melodias sintetizadas, mas as cordas, o baixo e a bateria são aqui mais do que suficientes para o grupo atingir os seus propósitos. E voltando às cordas, a sequência feita com Two Cherished Understandings e Overwhelmed With Pride é um daqueles instantes retro, relaxante e atmosférico, duas canções verdadeiramente imperdíveis, enquanto que em Found Blind já temos cordas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, como no entusiasmo lírico.

Os Avi Buffalo têm um encanto muito particular na postura vocal na forma como aconchegam a voz e ausam para dar corpo às canções, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que dá ao conjunto uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica, num disco onde o trato sobre o amor não é leve e sublime, preferindo antes debruçar-se sobre a paixão e as suas travessuras, uma temática bastante usual nos álbuns dos Avi Buffalo.

Para quem procura aquela pop algo inocente, está aqui uma proposta que certamente irá encher as medidas. Estas canções estão cheias daquela inocência regada com acne, mas já imploram para serem levadas muito a sério, até porque foram criadas por um grupo que é já uma referência obrigatória no universo sonoro em que se situa, enquanto espelham com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente.. Espero que aprecies a sugestão...

Avi Buffalo - At Best Cuckold

01. So What
02. Memories Of You
03. Can’t Be Too Responsible
04. Two Cherished Understandings
05. Overwhelmed With Pride
06. Found Blind
07. She Is Seventeen
08. Think It’s Gonna Happen Again
09. Oxygen Tank
10. Won’t Be Around No More

 


autor stipe07 às 23:18
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Starwalker – Losers Can Win EP

Editado já a dezoito de março via Prototyp Recording & Bang ehf e disponivel para escutaLosers Can Win é o nome do EP de estreia dos Starwalker, uma dupla maravilha que junta dois ícones da pop dos nossos dias, nada mais nada menos que Jean-Benoit Dunckel (Air) e o compositor islandês Bardi Johannsson (Bang Gang, Lady & Bird).


Quando os Air vivem um hiato, Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome era inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica e onde ele deu as mãos à lindíssima Lou Hayter, dando origem a uma dupla cheia de charme e de onde só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que foi apresentado nas onze canções do homónimo de estreia desse projeto.

Agora, em Losers Can Win, predominam as reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, com a eletrónica muito presente, essencialmente na versão mais calma, melódica e clássica, sendo Bad Weather um tema fortemente apelativo para quem aprecia o período mais recente da carreira dos Air e as cordas luxuriantes do tema homónimo, uma porta de entrada privilegiada para quem sente saudades do período inicial aúreo da dupla francesa. 

As cinco canções deste EP são construídas de forma particularmente inspirada no modo como unem a orgânica vocal de Dunckel com uma sintetização que, carregada de efeitos de piano, metais, bateria e outros elementos sonoros nem sempre claramente percetíveis e que funiconam como simples mas preciosos detalhes na manta sonora apresentada, facilmente nos tiram do chão em direção ao espaço. É uma música espacial e inventiva, equilibrada com a rigidez contemplativa kraftwerkiana,o pendor cinematográfico de um Brian Eno e a serenidade típica dos Air e mesmo que Dunckel tenha aqui deixado que Bardi fosse um parceiro ativo no processo de criação melódica, predomina muito do estilo eletrónico típico dos Air, com a bela voz de Dunckel a casar muito bem com as viagens climáticas e etéreas que a dupla compôs.

Seja quando, por exemplo em Losers Can Win, existe um apelo para o movimento new wave mais dançante, ou quando Moral Sex sobrevive com notável sobriedade à custa de lindíssimos efeitos plenos de influências bem vincadas do krautrock, Losers Can Win é uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Starwalker - Losers Can Win

01. Losers Can Win
02. Bad Weather
03. Moral Sex
04. Losers Can Win (All That You’ve Got)
05. Bad Weather (Bloodgroup Remix)


autor stipe07 às 22:43
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Sábado, 20 de Setembro de 2014

Millionyoung – Materia EP

Lançado com o selo da insuspeita Old Flame Records e disponível para audição no bandcamp da etiqueta, Materia é o novo EP de Millionyoung, o projeto musical de Mike Diaz, um músico e produtor norte americano, natural de Miami, na Flórida e que contou, como é habitual, com a ajuda preciosa de Kristof Ryan.

Nestas novas cinco canções do seu cardápio sonoro, Mike mantêm a busca pela simbiose entre a eletrónica de cariz mais ambiental e o R&B. É uma receita que, no caso deste autor, raramente dispensa linhas de baixo com uma toada funk e sintetizadores retro, dois aspetos claramente audíveis, por exemplo, em VII, o momento instrumental por excelência do EP. A estes detalhes junta-se uma voz que pode ser manipulada com efeitos, geralmente em eco e reverb e obtem-se um resultado final repleto com o charme inconfundível e urbano que plasma o que de melhor se vai propondo atualmente no universo da chillwave.

O que Materia tem e facilmente nos fascina é, tendo em conta o universo sonoro descrito, uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo o single homónimo, poderão facilmente fazer-nos abanar a anca sem percebermos muito bem como e porquê, devido aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhado por um sintetizador delicioso. Mas também destaco Tell Me, uma música que me levou até aos Memory Tapes e o album Seek Magic (2009), uma intrincada composição e que, no meio do EP, funciona como uma espécie de catarse sónica claramente agregadora do seu conteúdo e onde tudo o o que atrai e influencia Millionyoung é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto..

É, pois, muito agradável ouvir o EP na íntegra, até porque a transição entre os temas muitas vezes mal se percebe, já que é tudo muito melódico e bem estruturado. Mais do que para cantar ou dançar, Materia é uma coleção de canções perfeita para relaxar e descontrair, além de provar que a chillwave está longe de ser um género musical passageiro e secundário e que é um ótimo terreno para quem gosta de testar sonoridades e experimentações, sem recear ser apontado como uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

Millionyoung - Materia

01. Materia
02. Feeder Band
03. Tell Me
04. VII
05. Fade Away

 


autor stipe07 às 21:51
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Astronauts – Hollow Ponds

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e Hollow Ponds o disco de estreia desta nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings.

Assim que se inicia a audição de Hollow Ponds percebemos que o nome desta banda faz todo o sentido, porque, apesar de serem bem reais e terrenas as cordas, as teclas e as baquetas que guardam no seu arsenal instrumental, eles só podem ter sido inspirados por um universo sonoro que não parece ser deste mundo, snedo igualmente fácil imaginá-los a tocar estas canções devidamente equipados com um fato hermético que lhes permita transmitir a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que Hollow Ponds transmite.

Se a folk etérea de Skydive é uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Astronauts nos sentam, já o baixo encorpado e a percurssão hipnótica e pulsante de Everything’s A System, Everything’s A Sign, fazem deste disco, logo ao segundo tema, uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Dan Carney entregou-se à introspeção, sentiu necessidade de desabafar connosco e refletiu sobre si e o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos cúmplices das suas angústias e incertezas. Quase pedindo-nos conselhos, Carney inicita à dança e à melancolia com texturas eletrónicas polvilhadas com um charme que atinge o auge no tema homónimo do disco, com um piano particularmente inspirado a receber um abraço sentido de uma guitarra que nos embala e paralisa, em sete minutos de suster verdadeiramente a respiração.

Num disco equilibrado, que vai da introspeção à psicadelia mais extrovertida, Hollow Ponds prima pela constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades. É um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...

Astronauts - Hollow Ponds

01. Skydive

02. Everything’s A System, Everything’s A Sign
03. Vampires
04. Flame Exchange
05. Spanish Archer
06. Hollow Ponds
07. In My Direction
08. Try To Put It Out Of Your Mind
09. Openside
10. Slow Days


autor stipe07 às 21:46
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Sinkane - Mean Love

Quase dois anos após o magnífico Mars, Sinkane está de regresso aos discos com Mean Love, o seu novo registo a solo, novamente com a chancela da insuspeita DFA Records de James Murphy. Extraordinário músico e compositor, oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão, Sinkane desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político e cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, onde, antes de iniciar a carreira a solo, tocou com nomes tão importantes do universo indie como os Of Montreal, Yeasayer, ou Caribou e, nesta última década, tem-se debruçado a fundo sobre aquilo que vai escutando e acontecendo musicalmente ao redor, num bairro musicalmente tão efervescente como é Brooklyn, tendo já abordado espetros sonoros tão divergentes como o post rock ou a música de cariz mais erudito, mas nunca renegando as suas raízes africanas, sendo esse, muitas vezes, o elo de ligação privilegiado entre os diferentes géneros que remexe e onde se posiciona.


Se a sonoridade de Mars apontava, acima de tudo, para a sua origem nos povos sudaneses e as suas raízes músicais africanas, em Mean Love Sinkane olha com outra profundidade para aquilo que mais o seduz na música norte-americana e em especial na soul. Com a permanente parceria com os nomes de peso acima citados e, mais recentemente, tendo sido incumbido da direção musical de Atomic Bomb, de Willian Onyeabor, Sinkane acabou por se especializar num espetro sonoro que diz muito ao país que o acolheu. Desse modo, Mean Love é uma bela homenagem à soul que o adotou, mas onde não falta o R&B ou a bossa nova, por exemplo, para enriquecer ainda mais um quadro sonoro magnífico, feito de dez canções que merecem a nossa mais completa devoção. Sejamos, ou não, verdadeiros apreciadores deste universo musical, devemos olhar para Mean Love como uma jóia rara, já que seste disco é um paraíso soul em todos os sentidos e isso deve-se à sua sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave.

Ouve-se Mean Love com alguma descontração e somos atravessados por uma certa homogeneidade sonora, como se o alinhamento fosse um todo constituido pela soma de várias partes que pouco diferem entre si. No entanto, da pop luminosa e assente num jogo entre o orgânico, audível na percurssão das palmas e o sintético fornecido pelo efeito do teclado sintetizado em How We Be, ao afrobeat de New Name, passando pelo funk de Yacha, o meu tema preferido do disco, a pop melancólica de Hold Tight e de Son, a bossa nova que sustenta Moonstruck, o reggae que alimenta Young Trouble, o jazz e o blues de Mean Love, o tema homónimo, ou a implícita toada folk de Galley Boys, que se torna mais festiva devido ao efeito de sopros em Omdurman, Mean Love é uma verdadeira passerelle de uma diversidade incrivel de traços e tiques, uma mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza aos produtores e compositores.

Como sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras, conseguindo soar, em simultâneo e de forma inteligente, sofisticado e descontraído, havendo no ambiente criado pelas canções um certo humor e boa disposição, numa atmosfera típica de um afável e acolhedor dia de verão.

Em Mean Love, Sinkane deitou-se numa nuvem feita com a melhor pop atual e operou mais um milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade eminentemente introspetiva, mas que não deixa de ser alegre, floral e perfumada e fê-lo sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Mean Love é um belíssimo disco, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 

01. How We Be
02. New Name
03. Yacha
04. Young Trouble
05. Moonstruck
06. Mean Love
07. Hold Tight
08. Galley Boys
09. Son
10. Omdurman


autor stipe07 às 22:25
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

heklAa - Songs In F.

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso aapixonado pelo post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, ele fez chegar à nossa redação Songs In F., um EP com quatro canções que o músico idealizou e compôs inspiradas na viagem que fez à Islândia em 2010, onde esteve retido devido à famosa erupção vulcânica do vulcão Eyjafjallajökull. Por exemplobAck to jokulsArlon, a canção de abertura do EP, é uma verdadeira visita guiada sonora às maravilhas naturais da localidade que dá nome à canção.

Tanto essa como as outras três canções que compôem Songs In F. impressionam pelo charme e pela limpidez exata com que transparecem o ambiente típico da ilha mais a norte do nosso continente, quase trinta minutos em que podemos facilmente imaginar os espaços, as cores e os cheiros que inspiraram Touraton e que se aprimoram numa elegância altiva, potenciada pelo cunho sentimental com que o compositor abraça a míriade sonora de que se serviu para compôr.

Com uma forte componente insturmental e uma ausência algo sentida da voz, este EP disponível no bandcamp, tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Songs In F., já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um EP carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define por uma deriva entre a componente orquestral, quase sempre assente em simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, que se fundem com novos e antigos estilos sonoros e elementos típicos da eletrónica.

Em Songs In F. e em particular na magnífica thousAnds of comets Are fAlling down on eArth, o meu tema preferido do EP, Sebastién aproxima-se com vigor da chamada música erudita, usando-a com o mesmo à vontade com que tantos outros se apropriam de quaisquer outras formas de experimentação sonora e atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todoâ os instrumentos que ele utiliza fossem agrupados num bloco único de som chamado Islândia, um país que afinal também pode ser além de um pedaço de território vulcÂnico onde vive um povo resistente e milenar, quatro canções avassaladoras e marcantes e com uma sonoridade única e peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

  • bAck to jokulsArlon
  • thousAnds of comets Are fAlling down on eArth
  • oceAns
  • being steindor Andersen


autor stipe07 às 21:50
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Helado Negro – Double Youth

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos radicado nos Estados Unidos e que também encabeça o projeto Ombre. Depois de no início de 2013 ter lançado Invisible LifeHelado Negro dedicou-se depois à compilação com Island Universe Story, um conjunto de vários EPs que contêm momentos mais experimentais do músico, ajudado por alguns convidados especiais. Agora, no passado dia dois de setembro, chegou aos escaparates Double Youth, o novo longa duração do músico, como é habitual através da Asthmatic Kitty.


Em mais um tomo da sua já apreciável e bastante recomendável discografia, Roberto Carlos continua a sua demanda pela busca da canção perfeita, em mais um trabalho onde predomina uma sonoridade acústica e tipicamente latina, liderada pelas cordas e com as letras quase sempre em castelhano. Num disco fortemente conduzido por uma tendência urbana e contemporânea, alicerçada na eletrónica e numa dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos de hip hop, Lange desabafa sobre experiências individuais que, de acordo com o título do disco, poderão indicar a presença de uma elevada vertente autobiográfica. Além de este disco, o quarto da carreira, ter sido gravado no seu estúdio caseiro, apenas com um computador e a sua voz, pelos vistos o terceiro elemento decisivo do trabalho é o poster que ilustra a capa, uma fotografia que ele encontrou na casa onde cresceu durante a sua infância e que, de repente, fez com que ele sentisse necessidade de evocar algumas das suas memórias passadas, plasmando-as nestas suas novas canções.

Em mais um álbum com um forte pendor temperamental, como não podia deixar de ser, e carregado de ambientes feitos com cor, sonho e sensualidade, Double Youth é mais um disco que transpira uma enorme sensação de dinamismo e coerência, na forma como consegue, em simultâneo, abraçar uma forte veia contemplativa e incluir igualmente temas que podem servir como uma espécie de banda sonora de uma festa pop, psicadélica e sensual, sem que se percam importantes elos de ligação e de correspondência sonora, instrumental e até melódica entre os mesmos. Canções como I Krill You, Triangulate ou Queriendo, aparentemente díspares, se escutadas com atenção facilmente se percebe que entroncam num mesmo ramo sonoro feito com aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhado por um sintetizador delicioso e uma viola com cordas cheias de luz e esplendor.

Algures entre Toro Y Moi e Caetano Veloso, Lange aventura-se na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas dez canções contorna todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é sonoramente tão bem retratado,por exemplo, em That Shit Makes Me Sad, uma canção onde tudo o que o atrai e influencia é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre um acontecimento significativo da sua infância.

Nos Helado Negro este músico equatoriano transforma-se numa espécie de fantasma latino-americano e faz mais do que música eletrónica, cantada, normalmente, em castelhano; Aqui, ele compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que transitam entre dois mundos que Roberto sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Double Youth

01. Are I Here
02. I Krill You
03. It’s Our Game
04. Myself On 2 U
05. Friendly Arguments
06. Triangulate
07. Ojos Que No Ven
08. Queriendo
09. Invisible Heartbeat
10. That Shit Makes Me Sad


autor stipe07 às 21:39
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Foxygen – Cosmic Vibrations

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão.

Depois de na primeira metade de 2013 terem atingido o estrelato com We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, um disco produzido por Richard Swift e lançado pelo selo Jagjaguwar, o regresso está próximo com …And Star Power, um álbum que será editado a catorze de outubro pelo mesmo selo.

Cosmic Vibrations é um dos avanços já divulgados desse álbum e, pela amostra, persiste a sonoridade psicadélica sessentista vintage, fruto de um psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, através de uma pop caleidoscópia que exala um intenso sentido de liberdade e prazer juvenil. Confere...

 


autor stipe07 às 16:17
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Domingo, 24 de Agosto de 2014

Sin Cos Tan – Blown Away

Os Sin Cos Tan são um projeto comandado pela dupla Jori Hulkkonen, um importante músico e produtor do cenário eletrónico e Juho Paalosmaa, um músico que faz parte da dupla finlandesa Villa Nah. Os Sin Cos Tan tinham-se estreado em 2012 com um homónimo que foi muito bem aceite pela crítica e que fez incidir sobre eles o olhar da mesma e o sempre difícil segundo disco dos Sin Cos Tan chegou no ano seguinte, um trabalho chamado Afterlife e chamou-me a atenção devido à participação de Casey Spooner em Avant Garde, um dos temas do álbum, um músico que é a metade mais influente dos nova iorquinos Fischerspooner, uma das minhas bandas preferidas, ao qual se junta Warren Fischer. Agora, no passado dia um de agosto, a dupla regressou aos lançamentos com Blown Away, uma coleção de dez canções que viu a luz do dia por intermédio da Solina Records.

Quando dois nomes importantes e talentosos da música se juntam para algum projeto, o resultado geralmente costuma ser satisfatório. Em Blown Away os Sin Cos Tan vão de Brian Ferry aos Pet Shop Boys e os A-Ha e seguem a cartilha sonora na qual a dupla se especializou e que assenta numa eletrónica que navega por várias épocas e influências, mas que se concentra, essencialmente, na pop nórdica dos anos setenta e oitenta.

Os anos setenta e, principalmente, oitenta foram marcantes no mundo da música, assim como no universo cinematográfico. Todos os adultos de hoje cresceram naquele ambiente de euforia e recordam-no com saudade. Em Blown Away, os Sin Cos Tan não querem só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador, ao mesmo tempo. Realizado por Sakke Soini, o próprio vídeo de Love Sees No Colour, o single já retirado de Blown Away, é claramente inspirado nessa época.

As canções desta dupla nórdica prendem-se aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás, ditam as regras no processo de criação melódica e de seleção dos arranjos. Mesmo em momentos mais soturnos e melancólicos, os Sin Cos Tan não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e se debruçar em sonhos por realizar também servem para dançar.

Blown Away navega entre a luz e a escuridão e o sintético e o orgânico, em dez canções onde a eletrónica é um elemento preponderante e a presença de outros instrumentos serve apenas para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes. É uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

Sin Cos Tan - Blown Away

01. Divorcee
02. Love Sees No Colour
03. A New World
04. Colombia
05. Lifestyle
06. Traffic
07. Addiction
08. Cocaine
09. Blown Away
10. Heart Of America


autor stipe07 às 20:25
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Blonde Redhead - The One I Love

Blonde Redhead 2014

Kazu Makino, Amedeo Pace, Simone Pace são os Blonde Redhead e preparam-se para lançar em setembro Barragán, o nono álbum na carreira deste grupo oriundo de Nova Iorque e que tem construido um catálogo sonoro bastante consistente, com a dream pop sempre na fila da frente, no que diz respeito à sonoridade que replicam.

Com uma faceta fortemente instrumental, mas com um vincado teor minimal e acústico, The One I Love é o mais recente avanço divulgado de Barragán, um disco que  chega às lojas a dois de setembro, pelo selo Kobalt. Confere...


autor stipe07 às 11:03
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

My Autumn Empire – The Visitation

Natural do condado de Staffordshire, na Inglaterra, Benjamin Thomas Holton é a mente brilhante por trás do projeto My Autumn EmpireThe Visitation, um disco lançado no passado mês de abril, o seu mais recente trabalho, uma obra conceptual, inspirada em imagens televisivas, na complexidade das relações humanas e no imenso espaço sideral, tantas vezes o maior ponto de encontro de imensos dos nossos sonhos.

Cheio de harmonias vocais verdadeiramente sumptuosas, The Visitation é um belíssimo tratado de indie folk, um disco que transborda uma imensa sinceridade e onde Benjamim certamente compôs e criou aquilo que realmente quis. Pelo conteúdo lírico deste álbum percebe-se que My Autumn Empire deseja ardentemente espicaçar a mente de quem vive  permanentemente inquieto pela forma como tratamos este mundo, em dez letras que transbordam modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, como se qualquer um de nós pudesse vestir a sua pele e viceversa, quando exalta o direito à individualidade de cada um, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Benjamim entregou-se então à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Com momentos que apelam à folk pop melancólica mais negra e introspetiva, com ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica e que mesmo acompanhados por uma variada secção de metais, não colocam em causa uma faceta algo acústica, que parece orientar o processo base da composição melódica do projeto, à medida que o disco escorre pelos nosso ouvidos, acabamos por conferir, acima de tudo, um misto de cordas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, que se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos, dez canções que parecem emergir de um sono profundo e que ao ganharem vida se convertem num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido, com que todos nós contatamos pelo menos uma vez na vida.

Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, em The Visitation tudo se movimenta de forma sempre estratégica e sumptuosa, como se cada mínima fração do disco tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. A constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...  

My Autumn Empire - The Visitation

01. When You Crash Landed
02. Blue Coat
03. Where Has Everybody Gone
04. Summer Sound
05. Afternoon Transmission
06. It’s Around
07. Andrew
08. The People I Love
09. The Visitation
10. All In My Head

 


autor stipe07 às 22:26
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Cloud Boat – Model Of You

Naturais de Londres, os britânicos Cloud Boat são Sam Ricketts e Tom Clarke, uma dupla de indie pop que lançou no passado dia catorze de julho Model Of You, através da Apollo Records. Este novo álbum dos Cloud Boat sucede a Book Of Hours, o trabalho de estreia dos Cloud Boat.

Quando eram mais novos, Tom e Sam tocaram em bandas de metal e de post rock e só mais tarde, no meio universitário, descobriram a eletrónica e o gosto por esse género musical foi-se acentuando à medida que, juntos, começaram a compôr. Começaram por editar em 2010, e através da etiqueta R&S, Lions On The Beach, um single que causou impacto pela mistura entre o dubstep e a folk, algures entre os Burial e os Hood e no ano seguinte dedicaram-se às remisturas. Finalmente, em 2013, surgiu Book Of Hours, o primeiro longa duração e, devido ao sucesso desse lançamento, Model Of You era aguardado pela crítica especializada com alguma expetativa.

Um sintetizador cheio de loops e efeitos e uma voz com um registo grave, mas ardente, que procura dar alguma cor e alegria às letras depressivas e assim espalhar sensualidade e hipnotismo às canções, são alguns dos trunfos usados pelos Cloud Boat, manuseados com evidente inspiração e que originam um ambiente sonoro cheio de charme, onde também não faltam algumas variações e os efeitos metálicos, que incluem cordas e instrumentos de sopro. Assim, Model Of You impressiona pela exuberância dos arranjos, apesar de não haver uma orientação explícita para as pistas de dança; No entanto, temas como Thoughts In Mine a Aurelia poderão agradar a quem procura essa vertente na música destes dois produtores britânicos.

O que se procura criar neste trabalho é, acima de tudo, paisagens sonoras amenas, mas cheias de movimento e cor, uma eletrónica com momentos mais ambientais, audíveis, por exemplo, em The Glow ou Golden Lights e outros onde há um apelo direto à típica indie pop de cariz mais comercial, com o piano de Hideaway ou as cordas de Bricks Are For a cumprirem cabalmente essa missão, ao memso tempo que nos permitem sermos invadidos por uma doce sensação de ternura e de melancolia. Os efeitos inebriantes que sustentam a percussão de Portraits Of Eyes, acompanhados por um loop de guitarra algo frenético, são outros trunfos de um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Seja como for, o maior destaque deste disco será, talvez, Carmine, uma canção assente na tal voz grave, invasiva e visceral, a conferir um interessante colorido a um tema com uma toada eminentemente pop e com arranjos pensados para a criação de um ambiente épico e cheio de paisagens deslumbrantes.

groove e a luminosidade deste registo são dois aspetos suficientemente apelativos para que não se deixe passar em claro uma coleção de doze canções intensas e bastante inspiradas que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressionam pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Model Of You é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Boat - Model Of You

01. Prelude
02. Hideaway
03. Carmine
04. Portraits Of Eyes
05. Bricks Are For
06. The Glow
07. Golden Lights
08. Aurelia
09. Thoughts In Mine
10. Told You
11. All Of My Years
12. Hallow


autor stipe07 às 22:08
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Blurred City Lights - Anamorphic


Lançado no passado dia oito de junho apenas em formato digital disponível no bandcamp, Anamorphic é o primeiro longa duração dos Blurred City Lights, um grupo formado por Jarek Leskiewicz (Naked On My Own, NOMODD) e Dean Garcia (Curve, SPC ECO), mas que também conta com as participações especiais de Rose Berlin, Russell Keeble e Perry Pelonero. A banda já tinha lançado em março de 2013 Neon Glow, um EP com seis canções.

Anamorphic é um disco rock com um travo aquele espírito industrial, mas com uma carga ambiental assinalável, bem patente, por exemplo, nos temas Try e Chained, mas essas batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Smalls Fears Magnified, uma excelente amostra de rock industrial e progressivo prova esta minha teoria quando a voz de Jarek e uma certa toada psicadélica fazem do tema dos momentos mais atraentes e diferentes do disco. No entanto, os elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um teclado sintético e a uma percussão orgânica com um volume crescente, em OP4, fazem deste instrumental um dos grandes momentos sonoros do ano.

Outro dos maiores destaques de Anamorphic acaba por ser também o single Inside, uma feliz escolha para amostra, já que, de certa forma, compila toda a arrojada e diversificada míriade sonora do álbum, incluindo o acerto de uma voz, que se assume também como um importante fio condutor das onze canções, seja através de um registo sussurrante, ou através de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais e dos devaneios muitas vezes algo inconclusivos e misteriosos das guitarras.

Este extraordinário álbum de estreia de um projeto que merece toda a atenção destaca-se pela intensidade ambiental que nos atira para paisagens eletrónicas de outrora, com os teclados e as guitarras a terem o maior destaque, a construirem diversas camadas sonoras e onde há uma voz omnipresente entregue a um espírito desolado e que nos remete, devido ao baixo constante, para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. É um disco com uma acentuada componente experimental e aconselha-se audições repetidas para que se tenha a perceção clara do seu conteúdo e dos mínimos detalhes. O sucesso da estreia dos Blurred City Lights depende da predisposição do ouvinte e do cenário que cada um de nós cria tendo em conta a atmosfera sonora proposta. São quase sessenta minutos cheios de momentos brilhantes, com diferentes graus de intensidade e que precisa de um tempo que objetivamente merece. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 21:36
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Fusing Culture Experience 2014 - Entrevista a Noiserv

Como tenho revelado por cá, o Fusing Culture Experience é um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia e que decorre na Figueira da Foz, com a edição deste ano a acontecer já nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Com um cartaz que, no campo musical, abarca alguns nomes da música nacional absolutamente obrigatórios, resolvi entrevistar algumas das bandas e projetos presentes, para aferir das suas expetativas para esta iniciativa e se há, eventualmente, alguma surpresa preparada.

A primeira entrevista que partilho convosco é a de David Santos, aka Noiserv, a quem desde já agradeço, publicamente, a atenção e o carinho dispensados, assim como à Raquel Laíns, da Let's Start A Fire, por ter intermediado a minha solicitação... No final da entrevista poderás deliciar-te com a audição de Almost Visible Orchestra, o lindíssimo último álbum da carreira de Noiserv.

 

Parece-me evidente e justo considerar que Almost Visible Orchestra é já um marco importante na história da música nacional contemporânea mais recente. Como tem sido a aceitação deste trabalho pelo grande público?

Tem sido muito boa. Depois de todos os medos de um segundo disco, dos receios que as pessoas pudessem não gostar daquilo que a mim me fazia todo o sentido, acho que o feedback que tenho recebido justificou todo o trabalho que tive com o disco e deixa-me muito feliz.

 

O Noiserv prepara-se para participar na próxima edição do Fusing Culture Experience, um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia, que decorre na Figueira da Foz nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Quais são as expetativas do David para este concerto, num evento que agrega alguns dos nomes fundamentais do universo musical indie nacional do momento?

Não gosto muito de criar expetativas antes das coisas acontecerem. Acima de tudo tentarei dar o meu melhor concerto e esperar que essa vontade chegue a quem estiver a ver.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição de Almost Visible Orchestra foi a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. O ambiente sonoro que recriaste de forma exemplar em estúdio mantém-se nas versões ao vivo dos temas, ou gostas de adicionar novos elementos ou transformar os temas, até de acordo com o ambiente onde vais tocar? Uma mesma canção tem diferentes arranjos ao vivo se for tocada numa pequena sala ou no palco do Fusing Culture Experience para milhares de fãs?

Tento sempre acreditar que a minha música funciona bem numa sala pequena ou num palco grande ao ar livre. A forma de tocar as canções não muda de sitio para sitio, mas por vezes deixo algumas músicas de fora se sentir que não funcionam tão bem no local do concerto.

 

Já há canções novas que poderão ser ouvidas no concerto?

Apenas músicas 'relativamente' novas, as do Almost Visible Orchestra. :)

 

Qual te parece ser a importância para a música portuguesa este tipo de eventos como o Fusing Culture Experience?

São eventos de extrema importância. Festivais com esta exposição mediática, que apostam tanto na música portuguesa, acabam por ser fundamentais para cada músico, cada banda conseguir chegar a um público mais vasto.

 

Arriscarias participar noutras vertentes do evento, nomeadamente na gastronómica?

Claramente a gastronomia não é o meu forte, pelo que se acontecer poder participar, será para aprender e nunca para mostrar os dotes que não tenho :)!

 

Quais são os planos futuros para o projeto Noiserv? Há algum regresso já programado ao estúdio, ou o David vai continuar a dar concertos nos próximos tempos?

Por enquanto continuo focado em apresentar este disco ao vivo e conseguir que ele chegue ao máximo possível de pessoas.


autor stipe07 às 14:08
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Domingo, 3 de Agosto de 2014

GRMLN - Time After Time (Cyndi Lauper cover)

Os GRMLN acabam de disponibilizar uma versão de Time After Time, um single da cantora Cindy Lauper retirado de She's So Unusual, o álbum da artista norte americana, editado em outubro de 1983.

Esta balada é considerada um clássico da década de oitenta e ainda é tocada frequentemente nas rádios contemporâneas. A canção é conhecida também pelas inúmeras covers, feitas por uma vasta gama de artistas. Confere...


autor stipe07 às 11:29
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

The Acid - Liminal

Há algo de místico nos The Acid, um projeto musical formado por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴Depois de terem lançado no passado dia catorze de abril um EP homónimo, disponível para audição no soundcloud, agora estão de regresso com Liminal, um disco ditado no passado dia sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há nos The Acid uma aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, numa espécie de penumbra que tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descoberta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustrante a escassez de fontes disponíveis. A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste disco nos suscita, um trabalho onde o australiano RY X assume o maior protagonismo. As suas canções parecem ter sido embaladas num casulo de seda e em coros de sereia, um novo trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker, a espiritualidade negra e o falsete de Bon Iver. Assim, não espanta Liminal estar repleto de melodias doces com um leve toque de acidez, mas que se escutam com invulgar fluidez.

Temas como Animal ou Trumbling Lights, a minha canção preferida de Liminal, espantam pelo minimalismo insturmental e pelo corpo imenso que a voz lhes confere, um registo que algures entre elegância e fragilidade, deixa-nos a suspirar no seio de uma calma cósmica e instrospetiva, que dá vida a canções com letras carregadas de drama e melancolia.

Já temas como Ghost ou Creeper, ou o dedilhar da viola acústica em Basic Instinct, apostam em outros detalhes, com sintetizadores mais luminosos e expressivos, mas mantém-se o mesmo fio condutor marcado pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, alguns teclados, a voz agora sintetizada e linhas poderosas de baixo.

Toda esta amálgama apenas aparente serve para criar ambientes intensos e emocionantes, que nunca deixam de lado a delicadeza e onde cada detalhe existe por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada tema sejam sentidas mais facilmente e como as canções assentam em batidas eletrónicas esparsas e efeitos sonoros ora hipnóticos, ora claustrufóbicos, o ouvinte pode sentir o desejo de ele próprio imaginar como preencheria esses mesmos espaços.

The Liminal é um triunfo em toda a escala e, sem grandes alaridos ou aspirações, mais um passo seguro na carreira deste grupo. E parece evidente que os The Acid não pretendem abrigar-se em zonas de conforto e que estão disponíveis para futuras experimentações subtis, que certamente irão fortalecer ainda mais o seu crescimento e fazer com que a música do projeto alcance um universo maior. Espero que aprecies a sugestão....

The Acid - Liminal

01. Animal
02. Veda
03. Creeper
04. Fame
05. RA
06. Tumbling Lights
07. Ghost
08. Basic Instinct
09. Red
10. Clear
11. Feed

 


autor stipe07 às 18:31
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Slowness – How To Keep From Falling Off A Mountain

Formados em 2008 em São Francisco, os norte americanos Slowness são uma dupla formada por Julie Lynn e Geoffrey Scott. Deram início às hostilidades com Hopeless but Otherwise, um EP produzido por Monte Vallier (Weekend, The Soft Moon, Wax Idols) e no ano passado surpreenderam com o longa duração For Those Who Wish to See the Glass Half Full, produzido pelo mesmo Vallier e que teve uma edição física em vinil, via Blue Aurora Audio Records. Agora, no passado dia três de junho, foi editado How to Keep From Falling Off a Mountain, o sempre difícil segundo disco.

Algures entre Stereolab, os seus conterrâneos The Soft Moon e Slowdive, os Slowness são uma excelente banda para se perceber como os anos oitenta devem soar em 2014. Produzido, como é habitual, por Vallier, How To Keep From Falling Off A Mountain são oito canções tranquilas, com leves pitadas de shoegaze e pós rock, mas nada de muito barulhento, apesar de uma forte componente experimental, explícita logo no início na sobreposição de distorções e efeitos de guitarras em Mountain. Division e Illuminate têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e são para mim os grandes momentos do disco, belos instantes sonoros pop onde a voz é colocada em camadas, bem como as guitarras, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa.
As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Se a já citada Illuminate remete-nos para uma certa onda dançante do Primary Colours, dos The Horrors, a canção seguinte, Anon (Part I), usa as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E nos restantes temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por How To Keep From Falling Off A Mountain.
De certa forma, os Slowness seguem as pisadas do pós punk mais sombrio, que busca uma sonoridade menos comercial e mergulha num oceano de ruídos, com um certo toque de psicadelia, atestando, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, além de provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.
How To Keep From Falling Off A Mountain não vai dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico, como uma veia mais etérea e até melancólica. É um disco bom para ouvir enquanto se contempla o céu naqueles finais de tarde junto a um mar sem ondas. Espero que aprecies a sugestão...

Slowness - How To Keep From Falling Off A Mountain

01. Mountain
02. Division
03. Illuminate
04. Anon (Part I)
05. Anon (Part II)
06. Anon (Part III)
07. Anon (Part IV)
08. Anon (A Requiem In Four Parts)


autor stipe07 às 22:17
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Moebius Story Leidecker - Snowghost Pieces

Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius são a força motriz de Moebius, que se agregou à dupla Tim Story e Jon Leidecker, para criar um projeto sonoro bastante curioso que editou recentemente Snowghost Pieces, gerado por uma miríade de artistas que conferiu ao disco uma visão sonora bastante heterogénea e abrangente da música eletrónica atual na sua faceta mais ambiental.

Snowghost Pieces são onze canções carregadas de detalhes e sons que, do mais comum ao mais bizarro, agregam-se e dão origem a peças sonoras bastante futuristas e que contrariam quem considera que a eletrónica ambiental é um estilo musical marcadamente minimal e pouco diversificado. De certo modo é como se  projeto quisesse reinventar o krautrock, dando-lhe uma toada mais ambiental e futurista, mas sem descurar o habitual rigor e rigidez que a junção de diferentes tiques criados pela faceta mais sintética da música exige, para queo resultado final seja coerente e audível de forma harmoniosa e comunicativa.  

À medida que as canções vão desfilando nos nossos ouvidos e se sente o seu enorme charme e a extrema capacidade de sedução que nos impele a ouvir o disco até ao final, vamos sendo presenteados com uma teia de sons eletrónicos e acústicos que nunca se abstraem da sua função essencial que é criar, dentro da amálgama concetual delineada, temas com uma forte componente melódica e que sejam diferentes partes de um todo, nada mais nada menos que sonoro harmonioso e construido com enorme mestria nos estúdios de Brett Allen, no estado de Montana.

A atmosfera intimista e até surreal do local onde gravaram, assim como todo o vasto arsenal tecnológico ao dispôr, terá tido certamente impacto no resultado final e na empatia que os músicos criaram entre si, a única explicação plausível para o entendimento do conteúdo tão intenso, firme e de elevada bitola qualitativa que é disponibilizado em Snowghost Pieces, um disco que, tendo em conta o espetro sonoro que abrange, só poderia ter sido lançado através da insuspeita Bureau B, uma das melhores etiquetas a nível mundial neste género musical.

1 Flathead (5:14)
2 Treadmill (4:27)
3 Cut Bank (5:27)
4 Fracture Fuss (7:34)
5 Yaak (5:19)
6 Olara (3:49)
7 Cliff Doze (4:20)
8 Whelmed (4:45)
9 Pinozeek (1;42)
10 Vex (10:37)
11 Defenestrate (5:00)


autor stipe07 às 13:33
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Perfume Genius - Queen

É já a vinte e dois de setembro que chega aos escaparates Too Bright, o terceiro álbum de Perfume Genius, um dos discos mais aguardados do ano e que verá a luz do dia através da Matador Records.

O primeiro avanço de Too Bright, o novo álbum deste alter ego de Mike Hadreas, é Queen, um tema dominado por um potente sintetizador, épico, intenso e fortemente autobiográfico, já que aborda algumas fobias relacionadas com a homossexualidade.

Too Bright foi gravado com Adrian Utley, dos Portishead e conta também com a colaboração de John Parish em alguns temas. Confere...


autor stipe07 às 21:25
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Glass Animals - Zaba

Depois de um EP homónimo lançado no passado dia dezasseis de Abril, os Glass Animals de Dave Bayley, Drew MacFarlane, Edmund Irwin-Singer e Joe Seaward estão de regresso aos discos com Zaba, o longa duração de estreia do grupo, editado no passado dia dez de junho pela Wolf Tone, a nova editora de Paul Epworth, um produtor responsável por alguns dos mais importantes lançamentos discográficos da pop britânica dos últimos anos (Adele, Bloc Party, Florence & The Machine) e já se rendeu aos encantos dos Glass Animals, sem dúvida, um dos projetos mais interessantes e inovadores que ouvi ultimamente.

Com uma sonoridade eletrónica algo minimal mas, ao mesmo tempo, rica em detalhes e com um groove muito genuíno, Black Mambo é o grande destaque deste disco, uma canção com uma atmosfera dançante, mas também muito introspetiva e sedutora. A audição deste single de Zaba acaba por ser um excelente tónico para a descoberta de onze magistrais canções onde encaixam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, detalhes sonoros reproduzidos quase sempre por sintetizadores inspirados e que parecem ter sempre uma função específica e que nos faz descobrir a complexidade do processo criativo dos Glass Animals à medida que vamos ouvindo este disco de forma viciante.

A forma como os Glass Animals conjugam este arsenal instrumental com harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pelas canções e que se deizam afagar livremente pleos manto sonoro que as sustenta, cria a impressão que que os temas nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente.

Além do destaque já referido, há outros temas de Zaba que também merecem uma audição atenta; Há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade de Gooey e Pools, duas canções que abarcam os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop. E depois, Wyrd e, principalmente, Walla Walla sobrevivem algures entre a soul e a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, explícitos na prestação vocal e a climática e psicadélica, enquanto que Intruxx deixa-nos a sonhar com um novo mundo dominado por guitarras memoráveis e uma percussão intensa, cheia de ritmos tribais.

Sem grandes alaridos ou aspirações, Zaba são pouco mais de quarenta minutos assentes num ambiente sonoro intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza, uma melancolia digital que enriquece aquele que é um dos grandes discos do início deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Animals - Zaba

01. Flip
02. Black Mambo
03. Pools
04. Gooey
05. Walla Walla
06. Intruxx
07. Hazey
08. Toes
09. Wyrd
10. Cocoa Hooves
11. Jdnt


autor stipe07 às 13:45
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Balue - Quiet Dreamer

O verão está quase a chegar e apesar deste breve interregno, algo molhado, no bom tempo, apetece ouvir canções alegres e luminosas que criem o ambiente perfeito para o usufruto pleno destes dias quentes de verão. Natural do Novo México, o norte americano Eli Thomas é a mente criativa que dá vida ao projeto Balue, mais uma proposta da etiqueta Fleeting Youth Records e Quiet Dreamer, o seu longa duração de estreia, um álbum que viu a luz do dia a vinte e quatro de junho e disponível no bandcamp do músico.

Fecha os olhos, desce as escadas até à cave da tua alma, respira fundo, carrega no play e prepara-te para entrar em alguns dos teus sonhos, através da música, a melhor psicotropia que existe. Esta é das melhores descrições que me ocorre para Quiet Dreamer, obra sonora de um artista multifacetado e bastante criativo. Quiet Dreamer balança entre a luminosidade de uma voz única, com um encanto relaxante e atmosférico e a toada melódica criada por uma bateria eletrónica e guitarras e sintetizadores com uma sonoridade às vezes retro e outras futurista, mas que dão o tempero ideal às composições. Seja como for, Balue parece ser um músico apaixonado, aicma de tudo, pela mistura lo fi e sintetizada que definia a magia da pop de há trinta anos e ele pretende não só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador ao mesmo tempo, de forma sóbria, coesa e acessível.
Charming Flow foi o primeiro single divulgado de Quiet Dreamer, uma canção com uma sonoridade tipicamente pop, assente numa voz um pouco lo fi e shoegaze, com aquele encanto retro, relaxante e atmosférico e uma intrumentalização assente numa bateria eletrónica e em guitarras e sintetizadores com o tempero ideal, ou seja, um fantástico aperitivo para um disco que acaba por replicar essa receita de forma particularmente feliz. Outros temas como Post Graduation, Grow Up e Trippin' At The Beach, seguem a fórmula, mas depois Balue ainda inflete por outros caminhos paralelos, durante a épica e melancólica God's Magic Circle e na climática Beaches Be Trippin, canção que mistura e herança fiel do surf rock com o melhor indie rock alternativo.
Quiet Dreamer é um daqueles discos que se ouve em frente à praia enquanto saboreamos uma esplanada virada para o pôr do sol. As canções têm algo de fresco e hipnótico, uma chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:19
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Low Roar – 0

Low Roar é o projeto a solo de um músico chamado Ryan Karazija, que depois de alguns anos em São Francisco, na Califórnia, a tentar dar vida à banda Audrye Sessions, decidiu atravessar o Atlântico e instalar-se em Reiquiavique, capital da Islândia. Finalmente aí conseguiu o seu momento Cinderela, sendo o frio mas inspirador ambiente local o sapato onde a sua música conseguiu encaixar. Assim, a um de novembro de 2011, lançou o seu disco de estreia homónimo através da Tonequake Records e agora, dois anos e meio depois, já há sucessor; O, o sempre difícil segundo álbum de Low Roar, chegou aos escaparates no passado dia oito de julho, através da mesma etiqueta do primeiro.

Não sei se a culpa é do longo e rigoroso inverno, das paisagens rochosas, ou das águas das inúmeras nascentes que banham aquela ilha, mas há algo de incrível naquela atmosfera e que pelos vistos inspira decisivamente à criação musical. E depois de tantos anos de busca, parece que foi mesmo na Islândia que este artista introvertido mas cheio de talento, parece ter encontrado a sua redenção sonora.

0 utiliza os mesmos arranjos orquestrais e o clima místico de Low Roar, mas Ryan perdeu alguma da timidez inicial e agora surpreende-nos com um clima mais agressivo, aberto, ambiental e orquestral. Se Low Roar era um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientava de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som, em 0 mantêm-se as harmonias magistrais e o disco pode ser também escutado com um único bloco de som, mas é dada uma maior liberdade e volume ao arsenal instrumental de que Low Roar se serve para recriar as treze canções de um disco invulgarmente longo, com canções intensas e que são certamente resultado de um período de intensa inspiração nas vida de Ryan.

Cada canção deste 0 é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina destas frias manhãs de inverno. A abertura do disco com Breathe In, coloca-nos imediatamente num universo místico ou imerso no mesmo plano gracioso que move um músico que gosta certamente de realizar um som totalmente bucólico, épico e melancólico, feito com a viola eo violino e que sirva de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, apesar dos diferentes ruídos que vão sendo adicionados parecerem ter sido extraídos do próprio subsolo desta ilha vulcânica o que projeta também na canção um som acizentado e urbano, mais terra a terra.

A guitarra liga-se à corrente em Easy Way Out e a melancolia instala-se em nosso redor, assim como o desejo profundo de contemplação dos nossos maiores medos, já que esta parece ser uma canão convidativa ao exercício de exorcização plena dos mesmos, principalmente quando a melodida se expande com a adição de instrumentos de sopro e uma bateria mais marcada que amplia o cariz épico do tema. Basta escutar-se a forma como ele conjuga a voz com os diferentes instrumentos de Nobody Loves Me Like You, o single do disco, para se ficar verdadiramente impressionado, não só com a musicalidade criada, mas também com a intemporalidade da mesma e a centelha criativa que a sustenta. Depois, I'll Keep Coming é comandada por um som sintetizado lúguebre e rugoso, que aliado às cordas e a uma percussão vincada, dá um tom fortemente eletrónico à canção e juntamente com os timbres de voz de Ryan, consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, fazendo dela mais um momento obrigatório de contemplar em 0. Esta fórmula algo minimalista mas extremamente eficaz, onde às cordas e à componente sintética vão sendo adicionados ruídos e pequenos sons num permanente crescendo, repete-se graciosamente em Please Don't Stop (Chapter I) e Please Don't Stop (Chapter II).

Esta sequência inicial acaba por ser o momento nevrálgico do álbum que, como se percebe, tem como um dos pontos fortes de Low Roar a  voz, que eleva-se ao máximo da beleza intemporal, num registo a fazer-me lembrar os melhores momentos de Thom Yorke em Numb ou Street Spirit (Fade Out) e a postura de Jónsi em Valtari, um dos trabalhos mais recentes dos Sigur Rós. Ryan é decididamente um especialista na criação de canções lacrimejantes e que transportam as nossas emoções para um estado emocional que pode parecer depressivo, à imagem dos conterrâneos islandeses, mas que acaba por ser libertador.

0 é um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som. Quando chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela, o que faz de 0 uma das grandes referências para os melhores álbuns do ano. Espero que aprecies a sugestão... 

Low Roar - 0

01. Breathe In
02. Easy Way Out
03. Nobody Loves Me Like You
04. I’ll Keep Coming
05. Half Asleep
06. Please Don’t Stop (Chapter 1)
07. I’m Leaving
08. In The Morning
09. Phantoms
10. Anything You Need
11. Dreamer
12. Vampire On My Fridge
13. Please Don’t Stop (Chapter 2)


autor stipe07 às 22:06
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