01. Barriers
02. Snowblind
03. It Starts And Ends With You
04. Sabotage
05. For The Strangers
06. Hit Me
07. Sometimes I Feel I’ll Float Away
08. What Are You Not Telling Me?
09. Always
10. Faultlines
Depois de em 2011 ter conquistado o grande público com um homónimo, que tinha como destaque maior Limit To Your Love, uma cover de um original da canadiana Feist, o compositor e produtor londrino James Blake está de regresso aos discos com Overgrow, um trabalho lançado no passado dia cinco de abril e que é já considerado por imensa crítica com um dos álbuns fundamentais deste ano.

Quem ouviu a estreia de James Blake terá ficado certamente marcado pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, mas altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, pianos, a voz sintetizada e linhas poderosas de baixo. Tudo isto serviu para criar ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Por isso, como era de esperar em qualquer projeto que chama a atenção na estreia, estavamos todos à espera do sempre difícil segundo álbum.
Overgrow é um disco deslumbrante e tecnicamente impecável, enche as medidas e comprova que Blake é capaz de criar composições que, mesmo mantendo a tal bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme, algures entre climas opressivos e outros mais intemporais, mas sempre circulares e falsamente herméticos. Cada detalhe de cada uma das dez músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada tema sejam sentidas mais facilmente e como as canções assentam em batidas eletrónicas esparsas e efeitos sonoros ora hipnóticos, ora claustrufóbicos, o ouvinte pode sentir o desejo de ele próprio imaginar como preencheria esses mesmos espaços. Por exemplo, em Our Love Comes Back, uma das músicas mais calmas do disco, os ruídos desequilibram um pouco a tranquilidade que a canção poderia conter.
Blake poderia ter escolhido insistir no tal dubstep, mas avançou e muito. Mantêm-se as suas características principais, expressas na estreia, mas cada detalhe parece estar um nível acima do homónimo. Até mesmo as letras, que nunca foram dos aspectos mais importantes da sua produção, foram aperfeiçoadas; Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de Blake. Take A Fall For Me, com a participação do rapper RZA, é um apelo desesperado, onde a eminência da perda está muito presente. Ainda na componente temática e lírica, a utilização de frases que se repetem é um truque bastante explorado, acompanhadas quase sempre pelas tais linhas de baixo muito marcadas e por batidas criativas.
Logo na abertura, Overgrown, a canção homónima embalada por ondas de melancolia digital, deixa claro que ouvir este álbum será uma viagem bem mais intensa do que foi o primeiro trabalho. Em I Am Sold, por exemplo, apesar da introdução calma, a mudança para uma batida mais dura e a voz ecoada a partir do refrão transportam a música para um ambiente bem mais sombrio e obscuro, resultado estendido em outras canções do disco. Já o single Retrograde aproxima James Blake do R&B e, apesar da calma cósmica de Overgrown, não faltam também alguns momentos mais exaltados, com destaque para Digital Lion, uma canção produzida por Brian Eno e onde, após a introdução, alguns segundos de silêncio precedem a entrada de uma vincada combinação de baixo, percussão e belíssimos samples vocais. O tema cresce com muita intensidade, mas nunca explode e Voyeur parece seguir também essa fórmula, com a voz de Blake a repetir-se hipnoticamente por cima de uma batida mais rápida que o normal e com sintetizadores e efeitos a fundirem-se com essa mesma voz, cobrindo-a quase por completo. De seguida, To The Last traz de volta a soul para o primeiro plano e suaviza o ambiente.
Overgrow é um triunfo em toda a escala e, sem grandes alaridos ou aspirações, mais um passo seguro na carreira deste jovem e talentoso músico britânico que, apesar da aparente fragilidade da sua produção, consegue sempre resultados magníficos. É arriscado dizer que com apenas vinte e três anos Blake está no seu auge artístico, apesar de já fazerem fila os artistas que pretendem colaborar com ele, muitos deles nomes bastante consagrados do universo musical alternativo. E parece evidente que ele não pretende abrigar-se em zonas de conforto e que está disponível para futuras experimentações que certamente irão fortalecer ainda mais o seu crescimento e fazer com que a sua música alcance um universo maior. Espero que aprecies a sugestão....
01. Overgrown
02. I Am Sold
03. Life Around Here
04. Take A Fall For Me (Feat. RZA)
05. Retrograde
06. DLM
07. Digital Lion (Feat. Brian Eno)
08. Voyeur
09. To The last
10. Our Love Comes Back (Bonus Track)
Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.
Entretanto já chegou o terceiro álbum; Lançado no passado dia oito de fevereiro e disponível para audição no bandcamp da banda, Chromatisms é o novo disco dos The Soft Hills, um trabalho carregado de referências literárias e que incorpora referências a sonhos e visões que fazem da audição do mesmo uma experiência algo mística que nos leva até ambientes mitológicos, através de nuvens sonoras cheias de magia e melancolia.
Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofunda a sonoridade proposta pelo disco anterior. Contendo Riding High e Sweet Louise (o primeiro single retirado do disco), dois temas impregnados com a sujidade de um Neil Young, uma acidez lírica e com profundas raízes no rock, não deixam de abordar também os caraterísticos sons da folk, nomeadamente em Dear Mr. Moonlight e na soturna On The Beach, dois temas que devido às guitarras e à percurssão me soaram a um cruzamento feliz entre Fleet Foxes e Pink Floyd.
Mas Chromatisms não se baliza apenas por estas duas tendências sonoras; Há um momento épico em Mighty River e depois chega-nos o centro espiritual do disco com Payroll e a belíssima linha melódica de Un; Estes dois temas estão cheio de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e por tiques típicos da psicadelia, devido aos ecos e ao reverb das guitarras.
À imagem do que fazem os seus primos Fleet Foxes e My Morning Jacket, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, sendo Chromatisms um convite feito por Hobba e os seus companheiros para uma viagem sonora pelo interior desse país e das suas raízes, através de uma escrita que apela a tradições e eventos do passado, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...
01. Riding High
02. Sweet Louise
03. Marigolds
04. Dear Mr. Moonlight
05. Payroll
06. Un
07. Horse And Carriage
08. The Gifts You Hide
09. Mighty River
10. Desert Rose

Um ano após o lançamento do álbum Coyote, o norte americano Mesita, ou seja, o músico de vinte e quatro anos James Cooley, natural de Denver, no Colorado, acaba de divulgar um novo EP. A belíssima coleção de quatro canções chama-se XYXY, foi lançada no passado dia vinte e três de abril e está disponível para download no bandcamp do músico, graças também à sempre louvável generosidade do mesmo.
Mesita é um projeto que tem em Sufjan Stevens e os Sea And Cake algumas das suas principais influências. O EP começa com Alone Is Okay, um tema introdutório e com um forte teor introspetivo, guiado por um piano muito melódico, alguns metais e a voz de James em falsete. Depois, Hostages mantém o mesmo piano, mas já inclui uma percussão sintetizada, com uma certa toada soul e a mesma voz de James, mas agora em coro, algo que amplia o pendor emocional do tema. De seguida chega o grande destaque do EP; Kingston é uma canção conduzida por uma percussão rápida e aditiva, acompanhado por um baixo em groove, um sintetizador cheio de loops e efeitos e a voz em eco e quase impercetível do músico a espalhar sensualidade e hipnotismo à canção. Para o fim, chega o tema homónimo, uma canção cheia de charme e com uma nova batida, também rápida mas com algumas variações e os efeitos metálicos de sempre, que incluem cordas e instrumentos de sopro.
XYXY são cerca de quinze minutos muito inspirados de um músico que entretanto já está de regresso ao estúdio para compôr e gravar novos temas pelo que em breve deverão haver novidades de Mesita para podermos disfrutar. Espero que aprecies a sugestão...
Editado a oito de abril através da Naïve, Tomorrow's World é o disco homónimo de estreia de um novo projeto francês, suportado numa dupla formada por Jean-Benoît Dunckel dos Air e Lou Hayter, dos New Young Pony Club.
Nos períodos em que os Air estão parados Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E agora, em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome é inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica. Desta vez, a outra face é feminina, neste caso a lindíssima Lou Hayter e desta dupla cheia de charme só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que é apresentado nas onze canções do homónimo de estreia.

Em Tomorrow's World ouve-se mais reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, do que dos New Young Pony Club, o que deverá significar que as rédeas ficaram nas mãos de Dunckel. A eletrónica está muito presente, mas na versão mais calma, melódica e clássica.
Um dos meus temas preferidos do disco é A Heart That Beats For Me, uma canção com uma certa doçura chic que me fez lembrar o saudoso Moon Safari (1998). Há igualmente uma escrita apurada, que resultou em notáveis momentos de poesia, com realce para as letras de Don’t Let Them Bring You Down (It’s not the time of year that brings me down/It’s not the rain that’s falling down, down/It’s all the people who are not around. e de Drive (Follow the moon through the night/ I feel the pull of the machine/The blood is rushing to my head/I’m driving closer to the edge).
Mesmo que Dunckel, por ter na mão as tais rédeas, não fuja aqui muito do estilo eletrónico típico dos Air, é importante ressaltar a bela voz de Lou Hayter que casa muito bem com as viagens climáticas e etéreas que o seu parceiro compôe, com a performance vocal da miúda a destacar-se em Think Of Me, uma canção que assenta numa melodia simples de um teclado e Insider, já para não falar do charme de Pleurer Et Chanter, acentuado por a música ser cantada em francês. Esta canção mistura também um baixo espacial, com um piano etéreo e uma batida que fazem dela uma espécie de trip ácida implícita. A já citada Drive, sonoramente remete-nos para os anos oitenta e o movimento new wave mais dançante, típico de uns Human League e, finalmente, So Long My Love, uma canção cheia de efeitos, tem influências bem vincadas do krautrock.
À imagem da capa do disco, Tomorrow's World acaba por ser uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...
01. A Heart That Beats For Me
02. Think Of Me
03. Drive
04. Pleurer Et Chanter
05. So Long My Love
06. Don’t Let Them Bring You Down
07. Metropolis
08. You Taste Sweeter
09. Catch Me
10. Life On Earth
11. Inside
Os Suede estão de regresso aos discos com Bloodsports, o sexto álbum desta banda de rock alternativo britânica. Bloodsports foi editado no passado mês de março, sendo o primeiro trabalho da banda depois de um hiato de uma década, já que sucede a A New Morning, álbum de 2002. Nesse ano os Suede sairam de circulação na ressaca do movimento brit pop que liderou o rock alternativo na década de noventa e numa altura em que eram as bandas do lado de lá do atlântico, lideradas pelos The Strokes e pelos Interpol, que começavam a dar cartaz no universo musical alternativo.

Grupo que teve e tem como maiores referências os Smiths e os Commotions, os Suede andaram sempre à procura da direção certa e dos melhores cruzamentos sonoros dentro da esfera brit pop. Curiosamente, quando a banda se formou em 1989, num anúncio de jornal era pedido um baterista e o ex Smiths Mike Joyce candidatou-se ao cargo, mas logo desistiu quando percebeu que a sua anterior banda seria uma das bitolas dos Suede e que ele próprio poderia tornar-se num óbice dentro de um projeto que queria estabelecer uma identidade própria apesar de não renegar influências.
Ao longo da carreira, os Suede acabaram por conseguir estabelecer uma sonoridade muito peculiar e sua, graças não só à postura de Brett Anderson, o carismático líder, mas também devido aos detalhes sofisticados e aos arranjos únicos do guitarrista Richard Oakes. Não houve propriamente uma coesão em termos de sonoridade já que a discografia dos Suede não é particularmente homogénea; O primeiro álbum homónimo, editado em 1993, era um disco mais rock e Dog Man Star (1994) já mostrava uma faceta da banda mais obscura e de sonoridades sofisticadas. O terceiro, Coming Up (1996) mostrou um lado pop e melódico da banda, sendo até hoje o disco dos Suede mais bem sucedido comercialmente. Depois do experimentalismo em excesso com Head Music (1999) a banda lançou A New Morning (2002), trabalho cheio de arranjos acústicos e que apesar da qualidade não chamou muito a atenção do grande público.
Pouco mais de dez anos depois a banda regressa, curiosamente numa fase em que o retro e os anos noventa voltam a estar na moda e os Suede deixam para os fãs a possibilidade de eles próprios concluirem se o grupo foi capaz de lançar canções de qualidade e finalmente estabelecer a tal identidade que tanto procuraram toda a carreira. A própria banda deixa pistas já que em entrevistas recentes Brett Anderson disse que Bloodsports combina o lado mais lírico de Coming Up com os elementos obscuros de Dog Man Star.
Embora isso pareça estranho, não posso deixar de concordar que é esse o clima que permeia grande parte das canções deste novo álbum. Bloodsports está impregnado com os tais arranjos envolventes e sofisticados e transporta uma sensibilidade melódica muito aprazível. Há vários arranjos e riffs inspirados como em Snowblind e Starts And Ends With You e a melódica For The Strangers mostra um competente trabalho do guitarrista Richard Oakes e um clima que os Suede sempre exploraram de forma criativa. O primeiro tema do álbum, Barriers, talvez seja um dos pontos mais fracos do disco, mas gostaria de destacar a soturna Sometimes I Feel I'll Float Away, uma canção com uma toada inicial atmosférica, mas que depois cresce para um registo muito aditivo e linear. Gostei também da grandiosa Hit Me, tema que intercala uma excelente interpretação de Anderson com um trabalho habilidoso da restante banda. Já a fúnebre Always traz sons modulados e camadas sonoras que lhe dão um clima espectral.
Se no início de carreira os Suede não sabiam muito bem para onde iriam, após tantos discos lançados parece-me que ainda não terão chegado a um consenso sobre isso e talvez resida aí a sua maior virtude. Espero que aprecies a sugestão...
Echopark é o novo projeto do italiano Antonio Elia Forte, um músico a residir atualmente em Londres. Trees, lançado a dezasseis de abril, é o disco de estreia e foi gravado quase inteiramente num quarto arrendado em Whitechapel, nos arredores da capital britânica, com meios instrumentais rudimentares e apenas uma mão cheia de microfones.
Teleportation é o primeiro single retirado de Trees. O video foi realizado por Valentina Dell’Aquila e o download do tema pode ser feito gratuitamente através da página do soundcloud da editora Enclaves.

Antonio é natural de Lecce onde, com cinco anos, pegou na guitarra que era do seu pai e começou a querer tocar. Lecce é uma cidade mediterrânica do sul de Itália conhecida pelo bom tempo durante todo o ano e pelo dinâmico movimento underground. É um local onde proliferam músicos, e praticantes de skate e surf. Em Itália acaba por ser o equivalente a Echo Park, uma importante zona industrial de Los Angeles, onde se inspirou para batizar este seu projeto musical.
Para Antonio a imperfeição é um objetivo concreto, uma espécide de ideal que busca com lucidez e um bom gosto que merece amplo destaque. Atualmente abundam propostas sonoras que fazem do ruído e da imprecisão sonora pontos de partida no processo de criação musical e Echopark segue esse rumo, mas fá-lo com inegável mestria, nomeadamente na forma como consegue captar o instante mais emotivo de uma canção e deixá-lo submergir, sem que o conceito lo fi e impreciso seja subjugado.
Trees percorre o mesmo território da dream pop de uns Beach House ou uns Midas Fall, mas sem obedecer ao habitual formato canção, indo mais ao encontro do que, por exemplo, Four Tet ou Youth Lagoon costumam sugerir. É um disco que se deve ouvir de uma enfiada, como um todo, como se fosse apenas um tema de trinta e seis minutos e proporciona sentimentos antagónicos já que é um disco muito acessível mas difícil de descrever. Tem momentos intrigantes, principalmente aqueles em que se ouvem as tais imperfeições, ruídos de fundo e colagens e aqui reside o maior charme do disco porque ficamos sem saber muito bem se são sempre propositadas ou até momentos sonoros involuntários. Tão depressa surgem ruídos sintetizados como um incrível baixo (Mountain) ou sons de cordas perfeitamente limpídos (For Lore), mas sempre com um fundo, que muitas vezes é um simples bater de ondas ou a aspereza do contacto entre dois grãos de areia.
Esta primavera Antonio vai passar do quarto arrendado para os palcos e entrar em digressão para promover Trees. E uma das grandes novidades é que terá uma banda a acompanhá-lo. O disco tem momentos que poderão agradar bastante ao vivo. Espero que aprecies a sugestão...

Cranes
Teleportation
Mountain
Franky
Youth and Fury
Raindrops
Gray Clouds
Brother
No Time To Riot
Waves
For Lore
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You Belong Here é o disco de estreia dos Leagues, um grupo norte americano natural de Nashville e formado por Tyler Burkum, Thad Cockrell e Jeremy Lutito, três músicos já com experiência e um passado solidificado na indústria musical local. O álbum viu a luz do dia a vinte e nove de janeiro deste ano por intermédio da Bufalotone Records e sucede a um EP homónimo lançado em 2011.

Este trio é uma das novas coqueluches do profícuo cenário indie de Nashville, devido essencialmente às suas meldias pop luminosas e aditivas, feitas com guitarras quase sempre límpidas, algo bem patente em Spotlight, o tema de abertura e primeiro single retirado do álbum.
Além de Spotlight, destaco, na sequência, a perfeição da bateria, a beleza do baixo e a melodia da guitarra do tema homónimo e depois as canções Lost It All e Friendly Fire. A última é uma balada dominada pelo piano e que exemplifica com mestria um dos grandes trunfos dos Leagues, que é a performance vocal de Thad, o vocalista, que canta quase sempre num registo agudo e que muitas vezes se confunde com uma voz feminina. Essa voz ganha novamente amplo destaque em Magic, um tema com fortes raízes locais já que o riff de guitarra remete-nos para Jack White e os coros que acompanham Thad, fazem da canção, um potencial sucesso, certamente com uma ainda maior amplitude quando interpretada ao vivo.
O amor e o romantismo são as temáticas abordadas em quase todas as canções, que narram aspetos comuns da vivência humana, retratando com proximidade sentimentos normais de serem extravasados por qualquer um de nós. Haunted, um dos temas que fazia parte do EP de estreia, é um exemplo paradigmático desta proximidade com o ouvinte: You came to me in a summer dream, you came to me in a mystery. All alone on a desert road at night. I saw you in a motel room, I found my way but I do not have a clue. All along, I felt you deep inside. Everybody has a heart worth breaking, everybody has someone that got away. Everybody has a love they’re looking for. Mas a já referida Friendly Fire, canção que encerra o disco, ao referir-se à temática da separação também emociona e arrebata qualquer coração, mesmo algum que seja menos propenso às coisas do amor: I wasn’t fighting with you, I was fighting for you. I was trying to do what I could do. And if it came across wrong, that wasn’t my intention. Sometimes I come across too strong, I think I just failed to mention. And if I ever hurt you, that was never my desire. You’ve been wounded by my friendly fire.
Nesta interessantíssima estreia, os Leagues não desejam que a inocência seja um adjetivo que qualifique You Belong Here, porque as canções abordam, antes de mais, a vontade de tirar partido do amor e de outras das coisas boas da vida mesmo quando esta tem momentos mais complicados. Espero que apreecies a sugestão...

01. Spotlight
02. You Belong Here
03. Haunted
04. Walking Backwards
05. Lost It All
06. One Hand
07. Magic
08. Mind Games
09. Pass My Way
10. Friendly Fire
Natural de Los Angeles, Colleen Green editou no passado dia dezanove de março Sock It To Me, o seu segundo álbum, por intermédio da etiqueta de Seattle Hardly Art. Heavy Shit e Time In The World são os dois singles já conhecidos deste álbum, criado por uma artista que aposta na simplicidade e que costuma subir sozinha ao palco, apenas com uma guitarra, uma beat box e um par de óculos.
No universo musical é comum a possibilidade de dividirmos os executantes e compositores em dois grandes grupos; Por um lado há aqueles que se destacam pelas suas composições grandiosas e carregadas de detalhes que procuram abarcar uma heterogénea míriade sonora e depois há quem prefira ser o mais simples possível, servindo-se de uma teia instrumental curta e, mesmo assim, conseguir criar um bom naipe de canções. Colleen Green insere-se claramente neste segundo grupo; É fácil imaginarmos a miúda no interior de um quarto completamente desarrumado e com uma guitarra na mão, apenas acompanhada por uma beat box, a fazer música. Sock It To Me remete-nos para a pop e para o punk dos anos sessenta, seguindo a tradição minimal de uns Ramones ou uns Beat Happening e, tentando ser mais atual, com algumas semelhanças com os primeiros trabalhos dos Best Coast. Há um certo charme implícito nas limitações que Colleen impôs ao conteúdo de Sock It To Me, mas também na sinceridade com que as admite já que, por exemplo, confessa que optou utilizar uma beat box em vez da tradicional bateria, porque não sabe tocar uma.
No que concerne às canções, Heavy Shit não tem o sintetizador que se destacava em Time in the World; porém, a artista tem o dom de saber lidar com a simplicidade e, ao mesmo tempo, situar-se numa zona de conforto onde é capaz de compôr belíssimas composições. Dois elementos fundamentais na música de Colleen Green são a distorção e uma certa toada lo fi. Ambos estão presentes, assim como uma postura vocal ímpar e guitarras bastante aditivas e com uma forte toada punk.
Além dos dois singles já citados, os fãs do filme True Romance irão apreciar a canção You're So Cool, já que se refere à relação entre a personagem Alabama, interpretada por Patricia Arquette e Clarence, interpretado por Christian slater. A temática das canções gira muito em redor de temas típicos de miúdas, algo que mais uma vez nos remete para a década de sessenta, já que também é devido à sensibilidade da escrita de Colleen, que ela recorda outras bandas desse período. When He Tells Me, Darkest Eyes e Every Boy Wants a Normal Girl, são três temas que o atestam já que falam de sentimentos e emoções típicas do universo adolescente feminino.
Sock It To Me conjuga e atualiza para 2013 o que de melhor existia nos grupos pop femininos dos anos sessenta e o punk da década seguinte, com melodias carregadas de charme, feitas com uma beat box, riffs de guitarra simples mas poderosos e alguma sintetização. É uma coleção honesta de canções onde não parece ter havido uma especial preocupação em compôr para a crítica, mas antes, com a tal simplicidade, criar a música que Colleen mais aprecia. Here's what I got. No questions. Espero que aprecies a sugestão...

01. Only One
02. Time in the World
03. You’re So Cool
04. Close to You
05. Sock it to Me
06. Darkest Eyes
07. Heavy Shit
08. Every Boy Wants a Normal Girl
09. Taxi Driver
10. Number One
Divulgado no Curtas... XCI, viu a luz do dia no início de novembro de 2012 Quadro, o novo disco dos Trêsporcento, uma banda de Lisboa formada por Tiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista). Quadro foi editado com selo da Azáfama e os singles de apresentação, Veludo e Cascatas, já estão disponíveis e a rodar em várias rádios e plataformas digitais. Quadro foi produzido e arranjado pelos próprios Trêsporcento e por Diego Salema Reis, tendo sido gravado por Diego Salema Reis e Nuno Roque e misturado no Islignton Arts Factory Studio, em Londres.
Recentemente também foi divulgado o vídeo de Cascatas, realizado por Tomás Paiva Raposo, com um conteúdo algo negro, cru e direto, em contraste com o teor colorido do filme divulgado anteriormente para Veludo. Quadro sucede a Hora Extraordinária, álbum de 2011, um trabalho que incluia o tema Elefantes Azuis e que fez furor na altura. A banda tinh-se estreado em 2009 com um EP homónimo.

De acordo com a entrevista que a banda me concedeu e que poderão conferir adiante, Quadro é um salto em frente no cardápio musical desta banda, já que tem um conteúdo mais maduro e dentra o processo evolutivo de composição que a banda tem sofrido desde que existe. Esta ideia de maturidade é a que salta mais à vista quando apreciamos a atualidade dos Trêsporcento, mas eles mantêm-se fiéis a si próprios e trilham o mesmo percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop, cada vez mais aberta e luminosa e sempre cantada em português. Esta opção pela língua materna acabou por ser, de acordo com a banda, uma escolha natural, justificada por ser a língua que utilizam para comunicar com os amigos e as pessoas que conhecem e, sendo a sua música também uma forma de comunicar e estabelecer redes, cantar em português parece-lhes ser o mais indicado. Aliás, esta tendência para um cada vez maior recurso a língua portuguesa pelas nossas bandas, é bastante atual, com destaque para os TV Rural, oLUDO, O Martin ou Manuel Fúria, só para citar três exemplos dentro da esfera sonora dos Trêsporcento.
Tematicamente, o Portugal contemporâneo e as pessoas que nele vivem e lutam diariamente pela felicidade e realização pessoais são a pedra de toque do conteúdo lírico de Quadro proposto por Tiago Esteves, algo que também comprova um nítido alinhamento do grupo com outras bandas que fazem da simplicidade e dos pequenos detalhes da existência humana, ideias passíveis de serem contadas, descritas e pintadas sonoramente, com sensibilidade e altivez, no seio de uma simples canção pop, cheia de luz, de cor e de esperança. Espero que aprecies a sugestão...

Depois de Trêsporcento (EP 2009) e Hora Extraordinária (CD 2011), Já chegou às lojas Quadro. Quais são as principais diferenças entre EP e o disco de estreia e o conteúdo sonoro este sucessor?
A principal diferença é ter sido o mais recente e só por isso já reflecte uma postura diferente dos seus antecessores. A nossa maneira de fazer música tem evoluído muito ao longo destes anos, este é talvez um álbum mais maduro.
Da capa de Quadro à temática das canções, parece-me que há aqui algo de conceptual, uma tentativa de pintar quadros sonoros que abordam explicitamente o dia a dia de um qualquer comum mortal, apesar do teor algo abstracto da capa do disco. Como chegaram à escolha do nome para o álbum?
A capa nasceu de uma experiência feita com o artista plástico Vasco Monteiro em que lhe pedimos que pintasse alguma coisa enquanto ouvia pela primeira vez o álbum. Esta experiência foi filmada para fazer parte do videoclipe da música Veludo e o resultado originou a capa do álbum, que por ser um quadro se chama Quadro.
Durante a audição de Quadro chamou-me particularmente a atenção a simplicidade da vossa escrita e a mestria com que encaixam as letras na melodia. Como é o processo de criação musical dos Trêsporcento? Surgem primeiro as letras, ou elas são criadas em função de melodias que entretanto vão surgindo?
Esse processo varia muito, umas vezes as letras são escritas primeiro que as músicas, outras vezes são escritas a pensar em melodias que já existem.
Onde se inspiram para escrever as vossas canções?
No dia a dia, no que nos envolve e em qualquer forma de arte. A leitura, o cinema e também a música são óptimas fontes de inspiração.
Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse. Quais são as vossas principais influências musicais?
Elas são variadas, desde Pink Floyd, Beatles, The Walkmen, Jonhy Cash, Radiohead e actualmente quase tudo o que se faz em Portugal.
O vídeo do single Cascatas, de acordo com o press release do single, pretende apresentar o lado menos colorido de Quadro, de intenções mais cruas e directas e foi filmado por Tomás Paiva Raposo durante o concerto de apresentação do álbum em Lisboa, e editado por Highopes Visuals. Como surgiu a ideia?
Foi uma escolha natural. Os planos do Tomás já nos tinham impressionado no primeiro vídeo que lançámos, Elefantes Azuis.
A banda tem uma canção preferida neste álbum?
Acho que cada um tem a sua preferida no entanto nos concertos gostamos de tocar a “quero que sejas minha”!
Cantar em português é uma opção para a vida, ou não está colocada de lado a hipótese de cantarem noutros idiomas?
Foi tão natural como falar com um amigo. Somos portugueses e falamos para portugueses logo ter que fazer uma escolha nem nos passou pela cabeça. Quem sabe o que o futuro nos reserva, todas as formas de expressão são válidas.
No passado dia seis de abril participaram e tocaram na grande festa da Azáfama, que decorreu no Teatro do Bairro,em Lisboa. Como correu? É importante para os Trêsporcento esta ligação à Azáfama?
Uma loucura, o espírito da família Azáfama surgiu a todo gás no meio daquele palco. Quem lá esteve não esquecerá tão breve e claro, sentimos orgulho em fazer parte de tudo isto.
Onde é que os leitores de Man On The Moon podem ver os Trêsporcento a tocar nos próximos tempos?
Para já em Lisboa, possivelmente na segunda semana de Maio. Estejam atentos ao Facebook.
O que podemos esperar do futuro discográfico dos Trêsporcento?
Falta no nosso portefólio um registo ao vivo e é muito provável que seja um projecto a realizar ainda este ano.
Ace Reporter é o projeto musical de Chris Snyder, um cantor, escritor, compositor e multi-instrumentisata de Brooklyn, Nova Iorque e Yearling o disco de estreia deste projeto, disponível para download gratuito no sitio da banda. Snyder formou este projeto depois de em 2010 os The States, a sua banda de sempre, terem terminado. Após quatro EPs que resultaram de uma iniciativa chamada threesixfive project, este músico, que começou a tocar violino com quatro anos, acabou por, na primavera do ano seguinte, escolher algumas das suas melhores canções e deu início ao processo de gravação de Yearling.

Este disco compila algumas das suas experiências pessoais mais marcantes e conta com as participações especiais do baterista Aaron Steele e do guitarrista Chris Kuklis, tendo sido misturado por Chris Grainger, engenheiro de som dos Wilco e dos Switchfoot, entre outros. A propósito do processo de gravação de Yearling, Chris referiu: During the threesixfive project, I had two hours every evening to write, record, and mix a new song. This meant that I had to give up on premeditation, whatever happened when I sat down to write became the song, period. I generally didn't bother to flesh out an idea before pushing the record button because I just didn't have time. Recording the album was an opportunity to see where a few of the songs could go beyond that.
O conteúdo de Yearling é diversificado e balança entre o pop rock melodioso de Untouched And Arrived, um tema onde as cordas e a bateria conjugadas com a voz de Snyder resultam na perfeição. Apreciei igualmente o groove de Collected Works e não posso ainda deixar de destacar os violinos que se podem escutar em If I See You Again.
Globalmente, Yearling acaba por relatar um ano da vida de um músico e poeta, um artista com uma enorme capacidade quer ao nível da escrita, quer da composição. Cada canção é um fragmento da sua existência e evoca diferentes locais, situações e momentos pelos quais passou e não apenas em Nova Iorque. O próprio Snyder assume que este disco é auto biográfico e o resultado de uma vontade explícita de fazer algo introspetivo e solitário, depois do fim dos The States. Suddenly I was a musician without a mission after The States broke up. I wanted to do something extremely solitary, and overnight the threesixfive project was born. The record feels like an inside-out biography, and the threesixfive project even more so, which is why the lyrics tend to oscillate between diary-like and impressionistic. The songs are snapshots of slippery, fragile moments, which are gone as soon as they come. Ace Reporter começou por ser um escape, mas agora, com Yearling na bagagem, Snyder tem argumentos sólidos para expandir este conceito e mostrá-lo ao mundo inteiro. Espero que aprecies a sugestão...
01. Bronze
02. Untouched And Arrived
03. Stick To
04. Into Chicago
05. Aesop
06. Arcadia
07. Collected Works
08. Guilttrip
09. Pepsicosign
10. If I See You Again
Já chegou às lojas Dormarion, o terceiro disco do projeto norte americano Telekinesis, lançado no passado dia doze de abril de 2013, via Merge Records. Dormarion foi produzido pelo baterista Jim Eno, dos Spoon, e por Michael Benjamim Lerner, o grande mentor e líder dos Telekinesis. Dormarion sucede 12 Desperate Straight Lines, álbum lançado em 2011.
Lerner escreveu as doze músicas de Dormarion no início de 2012, em sua casa e na residência dos seus pais, mas as mesmas só foram gravadas no final do verão desse ano, no estúdio do produtor, em Austin, no Texas, chamado Public Hi-Fi. Dormarion é o nome da rua onde esse estúdio se situa. Lerner e Jim Eno tocaram todos os instrumentos no disco, mas ao vivo, a banda também conta com Erik Walters (The Globes) na guitarra, Eric Elbogen (Sy Hi) no baixo, e Rebecca Cole (Wild Flag) no teclado.

Michael Benjamin Lerner voltou à atividade depois de dois anos sem inéditos e parece tê-o feito sem grande pressão já que Dormarion divide-se em canções que retratam ambientes muito confortáveis. Dividido entre a sua casa e o lar dos seus pais, o processo de escrita e composição foi fortemente introspetivo e os resultados só vieram à tona no final desse verão, altura em que Lerner se reuniu ao produtor Jim Eno, que, além de ser baterista dos Spoon, assistiu Michael na criação e nos processos técnicos deste álbum.
Em Dormarion a sonoridade dos Telekinesis regressa um pouco às origens, aproximando-se da tranquilidade intimista do disco homónimo de estreia, editado em 2009 e que foi quebrada com 12 Desperate Straight Lines, um álbum com uma sonoridade mais elétrica e próxima do rock n'roll. Nesta toada novamente mais tranquila, Dormarion é um resumo de anteriores experiências de Michael e a junção de algumas experimentações com sintetizadores, algo que aproxima este álbum de uma sonoridade pop feita de baladas tranquilas conduzidas pela viola e outras composições mais agitadas, algumas com interessantes efeitos vocais.
Não há, portanto, uma clara lineariedade no material de Dormarion, já que é possível sentir as frequentes mudanças a cada nova canção. Symphony, por exemplo, é uma canção romântica, vagarosa, sentimental e acústica que se encaixaria facilmente num trabalho plenamente folk e tradicional. No entanto, ela é contraposta a seguir por uma série de camadas eletrónicas e percussões frenéticas em Dark To Light. Os timbres de voz editados e permeados por uma atmosfera quase espacial não impressionam e ganham um novo caminho em Little Hill, que apoia-se num indie rock facilmente ouvido, por exemplo, nos Death Cab For Cutie.
Dormarion comprova novamente a mestria de Michael Lerner na forma como demonstra flexibilidade em abordar diferentes malhas sonoras sem deixar de ser minimamente coeso, o que lhe abre, em termos de futuro, um alargado leque de possibilidades que o poderão impulsionar para um patamar ainda mais elevado de destaque e de reconhecimento público. Temas como Power Lines e Lean On Me, com uma essência mais roqueira, talvez sejam, na minha opinião, a melhor opção que os Telekinesis deverão tomar em futuros lançamentos. Espero que aprecies a sugestão...
01. Power Lines
02. Empathetic People
03. Ghosts And Creatures
04. Wires
05. Lean On Me
06. Symphony
07. Dark To Light
08. Little Hill
09. Ever True
10. Island #4
11. Laissez Faire
12. You Take It Slowly
Natural da belíssima Islândia, o compositor Ólafur Arnalds deu-nos no passado dia vinte e cinco de fevereiro a mais recente versão do seu inverno, através de For Now I Am Winter, o seu terceiro disco que, estimados leitores, é um trabalho tão aconchegante que as doze músicas que contém conseguem facilmente tirar-nos o fôlego. For Now I Am Winter contou com arranjos de Nico Muhly e a participação especial, na voz, de Arnór Dan Arnarson em quatro canções, cantor dos Agent Fresco e que já tinha participado no projeto de beneficiência do japonês Ryuichi Sakamoto de apoio às vítimas do tsunami no seu país natal.

Ólafur estreou-se em 2007 com Eulogy For Evolution e é já um dos mais reputados compositores da atualidade. Combina música de orquestra com eletrónica. Além dos dois discos anteriores, Ólafur já tinha editado alguns EPs e composto bandas sonoras de filmes. Ele próprio considera que este disco é, para já, a obra-prima da sua carreira, um álbum que atesta o seu enorme amadurecimento porque embarca numa evolução conceptual sazonal que usufrui do neo-clássico e estabelece-se como um pilar do estilo e que benefecia certamente do salto que deu recentemente da Erased Tapes para a Mercury Classics.
Uma das grandes novidades do álbum é, pela primeira vez nos seus trabalhos, incluir a voz; Se And They Have Escaped The Weight Of Darkness (2010) tinha colocado Ólafur na linha da frente do universo sonoro que abarca, este For Now I Am Winter dá um novo passo em frente, não só por causa dessa inserção vocal, mas principalmente porque expande ainda mais os seus horizontes e aprimora a elegância e o cunho sentimental com que abraça a míriade sonora que de que se serve para compôr.
Se anteriormente era o piano que liderava o processo de composição, neste terceiro disco Ólafur também colocou em enorme plano de destaque as cordas, com particular destaque para o violino. Os arranjos do norte americano Nico também adicionaram novas texturas ao som do compoitor islandês e adicionaram os sintetizadores ao seu cardápio essencial.
O álbum tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de For Now I Am Winter, já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um disco carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define pela tal deriva entre a componente mais orquestral e elementos típicos da eletrónica.
A voz de Arnór acaba por fazer dos quatro temas onde o podemos ouvir os destaques maiores de For Now I Am Winter, porque, nas mesmas, o patamar de emoção acaba por ser potenciado, já que este cantor conjuga, por exemplo, a genialidade de Jónsi (Sigur Rós) com a sensibilidade vocal de Martyn Heyne dos dinamarqueses Efterklang.
For Now I Am Winter é uma extraordinária coleção de catorze temas islandeses, misturados com técnicas minimalistas norte americanas e regadas com a tradicional sensibilidade europeia. Simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, fundem novos e antigos estilos sonoros, uma sugestão que todos irão certamente apreciar...

01. Sudden Throw
02. Brim
03. For Now I Am Winter (Feat. Arnor Dan)
04. A Stutter (Feat. Arnor Dan)
05. Words Of Amber
06. Reclaim (Feat. Arnor Dan)
07. Hands, Be Still
08. Only The Winds
09. Old Skin (Feat. Arnor Dan)
10. We (Too) Shall Rest
11. This Place Was A Shelter
12. Carry Me Anew
13. No. Other (Feat. Arnor Dan)
Depois do EP de estreia Iron, cujo tema homónimo foi usado por Quentin Tarantino em Django Unchained, já chegou aos escaparates, no passado dia dezanove de março, The Golden Age, o disco de estreia de Woodkid e que também tem essa canção no alinhamento. Woodkid é o nome de um projecto musical criado pelo fotógrafo e realizador francês Yoann Lemoine, um rapaz talentoso e pelos vistos multifacetado.

Apesar de ter demorado cerca de dois anos a ser editado, The Golden Age já causava furor o ano passado quando foram divulgados os temas Run Boy Run e I Love You. Desde o EP que aguardava com alguma expetativa este estreia e confesso ter saboreado com particular gosto o dinamismo e a grandeza deste trabalho.
The Golden Age confirma a estreita ligação entre os dois mundos, o musical e o cinematográfico, onde habita Yoann. Isso está bem evidente quando esta estreia segue as pisadas do primeiro EP e, dessa forma, navega na similar atmosfera ambiciosa e majestosa de Iron, feita com arranjos orquestrais que fazem lembrar a banda sonora de uma epopeia fantástica. Fica evidente que Woodkid aprecia heróis épicos e convive confortavelmente com a grandiosidade sonora que a composição sobre eles exige. E esses heróis poderão ser um simples rapaz que, na tal Run Boy Run, tema que lhe valeu a nomeação para um Grammy, luta pela sua sobrevivência e torna-se num homem cheio de batalhas para enfrentar. Logo a seguir, em The Great Escape, essa personagem encontra, como o título da canção indica, um sempre indispensável refúgio, alimentado com uma base instrumental alegre e repleta de trompetes.
Há uma evidente heterogeneidade entre as catorze canções do disco, onde se incluem dois interlúdios, com destaque para Shadows, uma belíssima ode sinfónica. Logo no início, à delicadeza e sensibilidade do tema homónimo, feitas com pianos e violinos, sucede a atmosfera mais caótica de Run Boy Run. E este dinamismo entre ambientes mais calmos e outros mais agitados vai sendo jogado com vários sons orquestrais e outros mais introspetivos, dos quais destaco, nos primeiros, Iron e Conquest Of Spaces e, nos segundos, Boat Song, Where I Live, uma canção onde Yoann confessa a sua resignação perante a inevitabilidade da morte e as angústias da vida (Where I'm born is where I'll die. Where I live is where I cry) e, principalmente, além do caos agitado, os coros e a voz de Yoann em Stabat Mater.
A audição de The Golden Age é uma viagem a um mundo imaginado por Yoann, com personagens que encarnam a pacatez do nosso quotidiano e que são elevadas a um ímpar patamar de grandeza e admiração porque lutam, diariamente, pela sobrevivência, nessa espécie de mundo, algo surreal, mas onde se refletem os nossos maiores medos, expetativas e interrogações. Como se pode escutar no final, em The Other Side, é intrínseca à natureza humana uma constante insatisfação e que, por isso mesmo, o homem, quer seja um soldado, um príncipe, um pequeno rapaz, ou um agricultor, estará sempre, enquanto existir, em permanente conflito interior, sendo as pequenas vitórias que vai conseguindo contra si mesmo que sustentam o seu crescimento pessoal e que definem as escolhas que vai fazendo ao longo da vida.
No sitio de Yoann poderás conferir algum do seu art work e de vídeos que realizou, nomeadamente os vídeos Born To Die, da Lana del Rey, Dreaming of Another World, dos Mistery Jets e vídeos de Kate Perry, Rhianna e os seus próprios, conhecidos por roçarem sempre o épico e por terem uma estética inconfundível. Espero que aprecies a sugestão...
Um dos melhores discos que ouvi em 2013 chama-se Past Perfect e assinala a estreia nos trabalhos de longa duração dos Paperfangs, uma banda finlandesa natural de Helsinquia, formada pelos irmãos Jyri e Tarleena e pelo amigo Mikko. Past Perfect viu a luz do dia a vinte e dois de fevereiro por intermédio da Soliti Music e sucede aos EPs ePop006, editado em 2010 e AAVAV, disponibilizado em 2012 e que contém Violet, uma cover de um original dos Kiss Kiss. (O último está disponível para audição no Bandcamp dos Paperfangs e ePop006 pode ser obtido gratuitamente na Eardrums Pop).

Past Perfect é um dos discos que mais tenho ouvido nos últimos dias, muito por culpa de encantadores teclados, de uma batida subtil transversal ao disco e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar e de um jogo de vozes quente e intimista. Past Perfect ouve-se com satisfação no carro, no escritório, no quarto, ou no exterior enquanto se pratica exercício físico, sendo um álbum excelentemente produzido e que viaja bem connosco, independentemente do local onde se está.
Não é fácil destacar algumas canções devido à homonegeidade sonora do álbum e à elevada bitola qualitativa do mesmo. Não há pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica. No entanto impressionou-me In Age, tema que dá o mote para o conteúdo dos cerca de trinta e cinco minutos dos disco e das próximas nove canções e também, logo depois, Bathe In Glory, o primeiro single de Past Perfect e já conhecido há algum tempo, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e uma viola que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade do sintetizador. This Power destaca-se pelos pequenos toques de uma corneta e um piano profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.
All Girls Are Grey é o segundo single já retirado de Past Perfect; Começa de forma muito simples, apenas com a bateria e o sintetizador, para depois receber, de braços abertos, o piano, uma batida dançável e a peculiar voz grave de Jyri.
Para estreia, os Paperfangs não se sairam nada mal. O irmão, a irmã e o amigo dos dois deitaram-se numa nuvem feita com a melhor dream pop escandinava e operaram um pequeno milagre sonoro; Tornaram-se expansivos e luminosos, encheram essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que está quase a chegar e o mais interessante é que conseguiram fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida.
Em suma, Past Perfect é um belíssimo álbum, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...
“(…) Almirante é a personagem que ilustra o primeiro e tão aguardado álbum de oLUDO. Um ser, de face e feições ocultas mas, ao mesmo tempo, familiar. Lembra-nos a presença e o respeito pelo mar, sempre marcados na alma Portuguesa. É contudo, uma figura simples e marcante para quem o ouve. Não são estórias de mar. São melodias de vida, aventuras, amizades, amores perdidos e vividos… Esta personagem do Almirante é transparente para quem o quer ver e é uma sombra para quem não o conhece. Mas está sempre presente (…)” (nota de imprensa)

Estrearam-se em 2009 com Nascituro, disco que incluia o grande sucesso A Minha Grande Culpa, um dos temas mais rodados das rádios nesse ano e que foi escolhido para banda sonora dos separadores do canal Sic Radical. Dois anos depois regressaram aos lançamentos discográficos com Almirante. Falo dos oLUDO, um coletivo algarvio formado por Davide (Vozes, guitarras), João Baptista (Guitarras e vozes), Nuno Campos (Piano e teclados), Paulo Ferreirim (Baixo) e Filipe Cabeçadas (Bateria).
Almirante é um disco com simples e eficaz, com treze temas feitos com uma sonoridade pop bastante orelhuda e que apontam claramente às rádios. É um conjunto de canções homogéneo, todas elas cantadas na nossa língua materna, manuseada com mestria, já que todas as palavras, mesmo as mais simples, encaixam sempre na melodia. Esta fórmula simples e eficaz, cativa e cria uma mistura sonora agradável, dando origem a boas músicas, nomeadamente os singles Fica, Não Te Vás Daqui e Um Universo Maior, um tema com uma fantástica linha de percurssão.
Os oLUDO provam que a pop portuguesa não precisa de ser demasiado complicada para ser audível com prazer. Há uma guitarra que pauta a ordem das canções e depois surgem órgãos e vários instrumentos de sopro e percurssão que dão a cada tema a roupagem que ele necessita para ter o brilho, a harmonia e a cor que estes cinco músicos certamente procuraram tentar transmitir.
Para os oLUDO, que estão de regresso ao estúdio e a testar uma nova sala de ensaios, o caminho a seguir deverá ser este e não se devem afastar da rota que o Almirante lhes traçou e que lhes exige que continuem a criar estórias que falam da vida, aventuras e desventuras, amizades, amores perdidos e vividos. Esta personagem do Almirante é transparente para quem o quer ver e é uma sombra para quem não o conhece. Mas está sempre presente. Confere abaixo a entrevista com a banda e espero que aprecies a sugestão...

01. Vem comigo agora
02. Fica não te vás daqui
03. De dia sou piloto do meu pensar
04. Queria ficar sem receios
05. Um Universo maior
06. O meu suspiro
07. Muzar
08. Sentir o que não digo faz bem
09. A onda já me levou
10. Canção do Almirante
11. Memórias de um dia perfeito
12. A minha grande culpa
13. O sofá velho
Depois de Nascituro e mil Tentações, os EPs de estreia, surgiu finalmente, Almirante, o longa duração. Há uma continuidade dos EPs para o álbum?
Sim, o álbum Almirante é uma continuidade, é o culminar de experiencias que fizemos nos primeiros EP´s, tomámos muitas decisões baseadas nos primeiros trabalhos.
Segundo uma nota de imprensa, o Almirante é Um ser, de face e feições ocultas, que lembra-nos a presença e o respeito pelo mar, mas as treze canções do disco abordam outras temáticas mais terrenas, digamos assim. Como chegaram à escolha do nome para o álbum?
É um disco de sensações, tentámos através das canções, definir um pouco da vida deste Almirante. A saudade, o desejo de conquista descontrolado e também a falta de controlo do destino. A sensação de perda constante e o respeito pela viagem. O Almirante é de facto um disco de vida, de entrega e sobretudo de paixão pelo mar.
Claro que quem quiser explorar o disco por outras vertentes também pode, a viagem amorosa é tão perigosa quanto a marítima!
Este novo álbum tem algumas participações especiais, a nível experimental, na escrita e na voz. Como foi possível congregar tantos marujos de excelência em redor desta causa?
Grande amizade, companheirismo e muito amor por esta arte que é fazer música.
Durante a audição de Almirante chamou-me particularmente a atenção a simplicidade da vossa escrita e a mestria com que encaixam as letras na melodia. Como é o processo de criação musical dos oLUDO? Surgem primeiro as letras, ou elas são criadas em função de melodias que entretanto vão surgindo?
As letras e as melodias vêm muitas vezes em conjunto.
Na maioria das vezes é o João Batista que escreve muitos dos poemas das musicas d´oLudo, e normalmente o Davide adapta os poemas às melodias que vai criando em cima das harmonias. Este processo desenvolve-se muito naturalmente.
Por outro lado, quando é o Davide escrever algumas das letras o processo já é diferente, a letra e a melodia vão sendo construídas em paralelo.
Onde se inspiram para escrever as vossas canções?
Em tudo o que está à nossa volta, nas nossas vivencias pessoais, no que a vida nos põe à frente… as ideias aparecem-nos na maioria das vezes à nossa frente, só pegamos na matéria prima e vamos moldando.
Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse. Quais são as vossas principais influências musicais?
Não conseguimos ficar agarrados a nada nem nos podemos caracterizar por uma banda influenciada por A ou por B, a depender do que o tema que estamos construindo nos peça, por vezes podemos” ir beber à fonte” de uma música ou banda naquele determinado momento para percebermos as sonoridades. Claro que cada um de nós tem os seus gostos e preferências musicais, os seus artistas preferidos, que no fim definem muito o resultado final de cada tema que oLudo faz, mas no como oLudo não nos vimos influenciados por nada em concreto ou então, podemos dizer que também somos influenciados por tudo.
O vídeo do single Fica, Não Te Vás Daqui, e foi realizado por Pedro Pinto e impressionou-me, além do preto e branco, pela forma hipnótica como foram editadas as sequências de imagens do casal. Há aqui aquela metáfora que procura ilustrar quando duvidamos se queremos , ou não, que aconteça ou se mantenha a presença de alguém nas nossas vidas e, por isso, há um período de vai e vem relacional, ou a mensagem que procuraram transmitir é outra?
A sua análise é muito boa! Porque o tema fala precisamente nisso, na importância de alguém nas nossas vidas, mas pode haver também outras interpretações.
É sim uma forma de ver o vídeo e captar a mensagem do tema, mas este na verdade é muito aberto à interpretação de cada pessoa.
Uma pessoa que ouve uma determinada música sente-a ou interpreta-a à sua maneira, pode depender do seu estado de espirito, cada cabeça é um mudo, e cada pessoa filtra de forma diferente da outra…
No caso do Video, deixamos o Pedro Pinto interpretar o tema à sua maneira e ele recriou o que se vê no vídeo, quisemos dar-lhe toda a liberdade artística, e o resultado é este, um vídeo fantástico, foi a interpretação dele em relação ao tema.
A banda tem uma canção preferida neste álbum?
Gostamos de todas elas!
A que se deveu a opção de disponibilizar gratuitamente a edição digital de Almirante?
Vivemos tempos de mudança e temos que nos ajustar. Decidimos fazer edição física do disco e distribui-lo no circuito das lojas nacionais mas, de facto, se temos esta ferramenta da Internet que nos permite chegar a muito mais gente... O que queremos é que a musica chegue aos ouvintes.
O que podemos esperar do futuro discográfico dos oLUDO?
Entrámos num ciclo diferente, para já, começámos a testar a nossa nova sala de ensaios com umas gravações, temos gravado muitas coisas, ideias e já temos excelentes resultados deste trabalho. Queremos trabalhar nas novas músicas num ambiente mais descontraído e sem timmings. E quem sabe, até ao final do ano podemos ter algumas novidades. Por agora estamos a curtir este momento e somente com um objetivo, compor.
Roxanne Clifford (voz e guitarra), James Hoare (voz e guitarra), Marion Herbain (baixo) e Patrick Doyle (bateria) juntaram-se em 2009 para fazer música e assim nasceram os Veronica Falls, uma banda de Londres que estreou nos discos em 2011 com um homónimo que lhes deu imensa visibilidade. Agora, no passado dia quatro de fevereiro, chegou o sempre difícil segundo disco. O álbum chama-se Waiting For Something To Happen, foi lançado pela conceituada Bella Union e mostra uns Veronica Falls amadurecidos e com novos ingredientes sonoros, carregados de romance e de alegria.

As treze canções de Waiting For Something To Happen equilibram-se entre guitarras ásperas e uma forte cumplicidade entre as vozes, as almas e os corações de Roxanne e James, algo bem audível em If You Still Want Me e em My Heart Beats, enquanto a bateria e o baixo cumprem com mestria o seu papel. Esta harmonia deve-se certamente também ao excelente trabalho de produção, que esteve a cargo do experimentado Rory Attwell, repsonsável por álbuns dos The Vaccines. Ele também deu uma sonoridade um pouco mais retro e típica dos ambientes nascidos na indie pop dos anos oitenta e noventa aos Veronica Falls, aproximando-os das inevitáveis influências que deverão ser os conterrâneos The Cure, Elastica e The Cranberries.
Quase ingenuamente, com o seu gosto genuíno pelos sons feitos com o ambiente de garagem e utilizando o conceito single pop de três minutos, que se escuta enquanto se fuma um cigarro, como disse Damon Albarn certo dia, os Veronica Falls acabaram por acordar os fantasmas, por sinal muito bem vindos, dos R.E.M e dos The Smiths, conseguindo ser seguros, aventureiros e competentes.
Ousados e a denotar uma tremenda evolução lírica, logo na abertura, em Tell Me, os Veronica Falls perguntam-nos: Tell me, what are you thinking? Follow me, There’s no Reason to Stay. E nós ficamos tentados a ir e a ficar, de tal forma que na segunda canção, Teenage, parece que já fazemos parte do conteúdo de Waiting for Something To Happen e que toda a magia deste grupo londrino já se entranhou no nosso íntimo, de tal forma que damos por nós a acompanhar os refrões e a bater o pé no chão.
Talvez imbuídos por uma qualquer seta de um cupido com sede de guitarras e vozes melodiosas, avançamos para Broken Toy, um tema viciante e desarmante, que parte qualquer coração, por mais impenetrável que julgue ser. O tema homónimo remete-nos para o tempo ameno que se aproxima e Falling Out é uma das canções mais orelhudas, já que o diálogo inicial entre bateria e baixo, apoiadas na voz melodiosa de Roxanne, é muito bem conseguido. A música cresce e ganha corpo com o avançar do tempo. Mais rápida, So Tired afasta a letargia e coloca mais adrenalina nos nossos ouvidos.
O sexo feminino encabeça este projeto, não só na componente lírica repleta de referências ao amor, ao perder e ao ter, mas também musicalmente, já que o ambiente melódico criado é luminoso, com um tom doce, angelical, delicado e apaixonado. Em Waiting For Something To Happen, pressentem-se dias soalheiros e cores vibrantes e este quarteto deixa de ser, no universo indie, uma promessa, para se tornar numa viciante certeza que resulta da cadência de acordes simples, mas deliciosos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tell Me
02. Teenage
03. Broken Toy
04. Shooting Star
05. Waiting For Something To Happen
06. If You Still Want Me
07. My Heart Beats
08. Everybody’s Changing
09. Buried Alive
10. Falling Out
11. So Tired
12. Daniel
13. Last Conversation
Depois de se ter estreado em 2011 com The Year Of Hibernation, um dos mais belos disco editados nesse ano, Trevor Powers, um músico norte americano que parece viver num universo mágico conhecido e construído inteiramente por ele, está de regresso com Wondrous Bughouse, disco lançado no passado dia cinco de março por intermédio da Fat Possum.

Trevor Powers assina como Youth Lagoon e parece viver mergulhado num mundo controlado por sintetizadores, que criam melodias que passeiam pelo mundo dos sonhos. As letras que escreve dançam nos nossos ouvidos e a voz deste jovem compositor cresce num misto de euforia, sutileza e entrega.
Em Wondrous Bughouse cada sílaba ou frase das dez canções parece servir um propósito global, como se estivessemos na presença de um álbum conceptual sobre uma casa governada por insetos. Com base nessa observação fantástica e literal, o disco parece um conto infantil que poderia ser ilustrado pela mesma capa de cores exageradas e traço pueril que guarda a rodela. No entanto, uma audição mais atenta mostra-nos que este passeio por um universo feito de exaltações melancólicas nada mais é do que um retrato sombrio do estranho quotidiano que sustenta a vida adulta.
Enquanto o clima matinal e as composições agridoces de The Year of Hibernation pareciam lentamente acordar o músico de um estágio letárgico, em Wondrous Bughouse a compreensão da maturidade e a depressão rompem com a antiga lógica. Por mais encantadoras que sejam as melodias abordadas pela obra, está latente uma dor profunda que praticamente afoga tudo o que Powers construiu há dois anos. O amor, a solidão, o abandono, a vida e a morte, tudo serve como assunto, conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade.
Dropla, o meu tema preferido de Wondrous Bughouse e, para já, na liderança das minhas melhores canções do ano, é um exemplo perfeito de uma belíssima melodia, que quase abafa o desesperado grito de Youth Lagoon para que a morte o poupe, ou que, pelos menos, os seus demónios não permitam que ele se consuma numa espiral recessiva mais profunda que a crise económica em que vivemos (You will never die, you will never die, You're playing a song, one that's for me, While my physical body is turning in my grave, Fierceful demon, no demon the brain, But It doesn't know how!). Dropla sintetiza a amargura do músico por ver a infância a ficar para trás e ter agora de conviver com as obrigações da vida adulta.
Trevor esforça-se por dar alguma cor e alegria às letras depressivas, através da sonoridade e da conceção visual de Wondrous Bughouse, onde há um certo clima circense e uma evidente psicadelia pop que lida com as orquestrações lo fi, uma espécie de meio termo entre os clássicos Funeral dos Arcade Fire (2004) e o In A Aeroplane Over The Sea dos Neutral Milk Hotel (1998).
Mute e Dropla são as canções mais acessíveis, mas dá um gozo enorme perceber que Wondrous Bughouse revela, a cada audição, novos detalhes, que antes pareciam de impossível previsão. Sleep Paralysis, por exemplo, contém um ambiente sonoro similar a Year Of Hibernation, até que uma onda de sintetizadores muda tudo e incendeia a canção com sons inéditos na carreira do músico. A partir de Third Dystopia esta nova variedade de elementos ganha novo fôlego e as batidas eletrónicas antecipam o que a melancólica Raspberry Cane reformula de maneira acessível e quase comercial do universo sonoro de Youth Lagoon. Daisyphobia encerra o álbum com pequenas contradições intencionais, um misto de maturidade e regresso ao tal clima infantil de Year Of Hibernation, como se a mente de Powers se perdesse no tal mundo adulto que ele mesmo criou.
Mesmo que a loucura seja uma espécie de fio condutor de Wondrous Bughouse e que ela seja tratada como um referencial que flutua constantemente entre a metáfora e a realidade, através de letras corroídas pelo medo de encarar o quotidiano adulto, as melodias ascendentes e alegres do disco, fazem dele uma obra prima, porque raramente um compositor conseguiu analisar o universo de um jovem adulto com tanta veracidade e dor e, simultaneamente, deixar-nos com um enorme sorriso nos lábios quando somos conforntados com a beleza melódica de que se serve para atingir tal desiderato. Espero que aprecies a sugestão...
01. Through Mind and Back
02. Mute
03. Attic Doctor
04. The Bath
05. Pelican Man
06. Dropla
07. Sleep Paralysis
08. Third Dystopia
09. Raspberry Cane
10. Daisyphobia
Os Spinto Band de Nick Krill são uma banda norte americana de Wilmington, no Delaware, com dezassete anos de existência e uma carreira bem solidificada no universo musical indie. Há sete anos atrás receberam notoriedade por terem sido os primeiros a gravar nas já emblemáticas performances do La Blogotheque de Paris. No passado dia cinco de fevereiro deram a conhecer Cool Cocoon, o quarto disco de originais do grupo, por intermédio da Spintonic Recordings.

Musicalmente, Cool Cocoon é um compêndio índie que se ouve de um só travo e que nos remete exatamente para a década em que o grupo se fundou, mas sem deixarem de abordar novos horizontes sonoros. Logo na abertura, no single Shake It Off e depois também nas harmonias inspiradas de She Don't Want Me e na indie pop meticulosa de Memo e Amy + Jen, somos transportados até um universo sonoro melódico e com belíssimos arranjos que facilmente nos encantam.
Líricamente, as canções versam e falam sobre as dúvidas da vida e a sua aparente simplicidade; Estão lá os habituais sentimentos de rejeição, nomeadamente em Shake It Off, onde se pode escutar You say it hurts to kiss me over and over again, e em She Don’t Want Me, por razões óbvias. Mas o processo de escrita das canções também procurou contemplar momentos positivos e alegres, nomeadamente em What I Love.
Cool Cocoon não é um disco festivo, não é um disco que fale do fim de relações, ou uma rodela para uma determinada ocasião específica. Cool Coccon é linear mas, ao mesmo tempo, transversal e maleável, porque tem uma pop folk simultaneamente animada e algo tímida e que se adapta facilmente ao nosso estado de espírito, seja ele qual for.
Este disco encarna mais um passo em frente de uma banda que nos últimos dezassete anos assinou alguns momentos bastante inspirados do cenário musical alternativo. Neste disco os The Spinto Band amadureceram, aprenderam o caminho e encontraram a direção certa. Espero que aprecies a sugestão...
01. Shake It Off
02. Amy + Jen
03. What I Love
04. Memo
05. Look Away
06. She Don’t Want Me
07. Static
08. Enemy
09. Na Na Na
10. Breath Goes In
Depois de Court The Storm, disco que divulguei oportunamente, os Y La Bamba, um sexteto natural de Portalnd, estão de regresso aos lançamentos com Oh February, um EP que pode ser ouvido no soundcloud da Tender Loving Empire, a habitual etiqueta do grupo, e onde o single homónimo pode ser obtido gratuitamente, assim como o terceiro tema, Death On The Road. Oh February foi produzido por Chris Funk dos The Decemberists, músico que já tinha tomado as rédeas de Lupon, o disco de estreia dos Y La Bamba, editado em 2010.

O reportório deste EP é um pouco menos alegre e festivo que Court The Storm e os seis temas têm uma sonoridade mais folk e acústica. No entanto, apesar do predomínio da viola acústica, continuam a ouvir-se as habituais referências sonoras da world music e aquele toque um pouco mexicano, algo para o qual a voz da exótica e lindíssima Luz Elana Mendoza também contribui decisivamente. Basta ouvir o segundo tema, A Poet's Tune e principalmente River In Drought, para nos sentirmos imediatamente invadidos pela paisagem tipica dos sombreros, feita de violas, acordeãos, trompetes, castanholas e uma percurssão efusiva, tudo bem regado a cerveja mexicana e tequilla.
Os Y La Bamba andam neste momento em digressão com os The Lumineers na costa leste dos Estados Unidos da América. Espero que aprecies a sugestão...
01. Oh February
02. A Poet’s Tune
03. Death On The Road
04. Clarij
05. River In Drought
06. Oh February: Mad As We Are
Conforme anunciei num recente Curtas..., o projeto Apparat, do músico alemão Sascha Ring, está de volta cerca de um ano após a edição do excelente The Devil’s Walk. O novo álbum, Krieg und Frieden, chegou recentemente através da Mute e basicamente é a banda sonora da produção teatral de Sebastian Hartman para a peça Guerra e Paz de Tolstoi.
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Tudo aquilo que tu precisas para te deliciares com o décimo registo da carreira de Apparat é um bom par de headphones e um cenário... E qualquer cenário serve, seja uma paisagem campestre e bucólica, ou um emaranhado de ruas de uma grande cidade, com milhares de pessoas que não se conhecem ou alguma vez se viram a cruzarem-se a cada segundo das suas efémeras existências. É irrelevante a tua escolha, mas os headphones são essenciais; Krieg und Frieden (Music For Theatre) está repleto com uma mistura bem interessante entre elementos de uma orquestra e música eletrónica, com alguns temas puramente instrumentais.
Em Krieg und Frieden (Music For Theatre), Apparat consegue ser, ao mesmo tempo, poderoso e delicado, criando um naipe delicioso de atmosferas sonoras, através de instrumentos digitais, mas também com alguns elementos da percussão. Há por aqui algumas parecenças com os islandeses Sigur Rós, não só no ambiente criado e na duração de algumas canções, como na pafernália de elementos inusitados de que o produtor se serve para criar sons.
São imensos os detalhes sonoros que conseguem transformar, garanto-vos, qualquer cena normal, mundana e irrelevante de um dia a dia, em algo misterioso e carregado de tensão. Esta será sem dúvida a pretensão maior de um compositor de bandas sonoras e, por isso, este disco é perfeito para ser ouvido em qualquer circunstância real.
Como numa peça de teatro, este disco tem uma sequência; É para ser ouvido, durante os cerca de quarenta minutos que dura, do início ao fim sem interrupções e asseguro-vos que vale bem a pena esperar pelo final e pela belíssima A Violent Sky. Espero que aprecies a sugestão...
01. 44
02. 44 (Noise Version)
03. LightOn
04. Tod
05. Blank Page
06. PV
07. K&F Thema (Pizzicato)
08. K&F Thema
09. Austerlitz
10. A Violent Sky
Os Mister And Mississippi são uma banda de indie folk experimental, natural da cidade holandesa de Utrecht, formada por Maxime Barlag, Samgar Jacobs, Danny van Tiggele e Tom Broshuis. Mister And Mississippi é o disco homónimo de estreia, editado pela V2 Records, no passado dia vinte e oito de janeiro.
Os Mister And Mississippi confessam que nomes como Fleet Foxes, Monsters of Folk, Sigur Ros, Bon Iver, Angus and Julia Stone, Crosby, Stills & Nash, Other Lives, Patrick Watson, são as suas principais influências. Os onze temas de Mister And Mississippi obedecem à sonoridade indie pop, com a intimidade habitual da folk norte americana entrelaçada com a sonoridade etérea, nostálgica e, ao mesmo tempo luminosa e contemplativa que este género musical geralmente transmite, quando é proposta por grupos europeus.
De Follow The Sun a Circulate somos invadidos por cordas dedilhadas sem pressa, pequenas distorções, quase sempre com uma textura suave e, por alguns detalhes sonoros inusitados. Six Feet Under começa com um som muito orgânico que deixa mesmo a sensação que o tema está a sair das profundezas e a belíssima voz que canta em Northern Sky, assim como o reverb da guitarra em eco e o bombo final, leva-nos até mundos mais a norte.
Além dos soberbos arranjos orquestrais, uma das virtudes deste disco é mesmo a voz em falsete com um timbre que parece pairar por entre as canções e que, no caso de Circulate, o meu tema preferido do disco, faz a canção levitar em simultâneo com o aumento progressivo da melodia da guitarra, criando uma espécie de catarse sónica.
Este disco é para ser ouvido sem pressas e tem uma beleza e uma complexidade que merecem ser apreciadas com alguma devoção e fazem-nos sentir vontade de carregar novamente no play e voltar ao inicio. Espero que aprecies a sugestão...
01. Follow The Sun
02. Nemo Nobody
03. Calm
04. See Me
05. Same Room, Different House
06. Running
07. Bon Vivant
08. Six Feet Under
09. Coloured In White
10. Northern Sky
11. Circulate
Os La Big Vic são Toshio Masuda, Emilie Friedlander, Peter Pearson, uma banda norte americana de Brooklin, Nova Iorque, que se estreou nos álbuns em 2011 com Actually. Conforme referi no Curtas... LXXVIII, este grupo acaba de lançar Cold War, o sucessor, tendo-o feito no passado dia vinte e nove de janeiro pela Underwater Peoples.

Toshio Masuda é um produtor e multi instrumentista japonês, com um passado na pop e no R&B e foi ele quem tomou a iniciativa de começar a banda em 2009, com Emilie Friedlander, uma cantora e, imagine-se, jornalista de crítica musical.
Rapidamente surgiu Peter Pearson, um compositor e teclista, que também se dedica nos tempos livre a restaurar sintezadores antigos e que adora mexer em sons analógicos e interessa-se particularmente pela eletrónica dos anos setenta e pelo trip hop. Com esta reunião repleta de oportunidades e este caldeirão, em Cold War os La Big Vic capturam com perfeição o clima underground da big apple e atiram-se de cabeça na pop experimental que encontra tanta inspiração nesta cidade.
Na verdade, é complicado encontrar bandas com uma sonoridade similar ao que os La Big Vic propôem. E esté é, desde logo, um enorme elogio que lhes pode ser feito. A banda desliza facilmente por terrenos tão díspares como o jazz e o trip hop, as batidas típicas do hip hop são uma presença constante e não há, por exemplo, muitas bandas de rock a usar o violino como instrumento de base e em conjugação com sonoridades eletrónicas. Os La Big Vic fazem este junção com bom gosto e servem-se destas duas vertentes, em conjunto, para criarem uma base melódica melancólica e que consegue fazer-nos imaginar românticas narrativas, algo que até a mim me surpreendeu já que, particularmente, nunca apreciei a sonoridade deste instrumento noutros territórios sonoros sem ser o mais clássico.
O disco tem arranjos exuberantes e cheios de brilho e tal deve-se ao talento de Toshio, que misturou o disco no estúdio montado no seu quarto, mas também à técnica de Steve Griesgraber, que tratou das vozes e do violino, nos estúdios Soft Landing.
Cold War molda os La Big Vic de acordo com o turbilhão de influências musicais que os define, é uma espécie de carta de amor à cidade que nunca dorme, através do som de três músicos que conhecem melhor que ninguém as suas ruas, segredos e esconderijos e os seus desejos mais inconfessados. Espero que aprecies a sugestão...
1. Cold War
2. Emilie Say’s
3. All That Heaven Allows
4. Nuclear Bomb
5. Ave B
6. Save the Ocean
7. Cave Man
8. Charlotte Francis Practice
Lançado com o apoio da Let's Start A Fire e pela Azáfama no passado dia quatro de fevereiro, Em Banho Maria sucede ao EP Um Caso Perdido e é o novo disco de O Martim, de nome próprio Martim Torres, um contrabaixista de origem e um rapaz com música a correr-lhe nas veias e que em Abril deste 2012 lançou-se para os registos em nome próprio. Em Banho Maria foi gravado no início de 2012, algures entre Belém e o Cais do Sodré e conta com as participações de David Pires, na gravação das baterias acústicas e nos arranjos e de Tony Bruheim que gravou as linhas de saxofone no single Banho Maria. O Martim gravou vozes, baixos, guitarras, beats e produziu o disco no seu estúdio caseiro e algumas canções, como a Belzebu, Meu Amor e a Cafuné, tiveram o dedo de B Fachada na mistura, que também contou com o contributo de Eduardo Vinhas.

Muitos de nós já conhecemos este trabalho devido ao single homónimo, que tem passado com alguma insistência em várias rádios e que já fez com que este músico fosse considerado por vária crítica como a nova coqueluche da pop portuguesa. No entanto, ele pede tempo antes de fazerem uma avaliação tão séria daquilo que vale e pleo menos mais um ou dois discos para que possa sentir-se seguro com tão importante estatuto.
Martim Torres começou por gravar sozinho a maior parte dos temas do álbum e depois adicionou um baterista, David Pires, que deu uma nova vida às batidas programadas iniciais. Com um bom conjunto de canções, a dupla consegue concertos e é confrontada com a necessidade de completar a banda. O baterista permanece no seu posto e a eles junta-se o exímio António Quintino no baixo eléctrico e, mais tarde, a versátil Íris Sarai nos teclados. Então, O Martim deixa de ser um projeto a solo e torna-se em algo mais coletivo, numa simbiose entre quatro músicos que tornam realidade histórias que falam de uma Lisboa onde tudo pode acontecer, musicadas com os traços habituais da pop, do punk e do rock, aos quais se acrescentam alguns detalhes típicos de universos mais quentes e tropicais.
O próximo grande concerto importante de O Martim vai ser amanhã no Ritz Clube. Confere a entrevista que Martim me concedeu e espero que aprecies a sugestão...

Depois do EP Um Caso Perdido, surgiu finalmente Em Banho Maria, o teu primeiro disco a solo. Antes de mais, quem é a Maria?
A Maria... ora bem, talvez seja melhor falar antes do título completo: Em banho Maria. Tem um significado ambíguo, refere-se em primeiro lugar ao facto de eu ainda me estar a descobrir, ainda a encontrar a minha identidade como cantautor, a escrever as primeiras canções, a “cozinhar em banho maria”. Em segundo refere-se à visão oasiana da tal Maria a tomar banho. Pensei no título do disco antes de escrever a canção (banho Maria) esta foi-se desenvolvendo para vir a contar a história de um rapaz frustrado com o amor que não consegue arranjar maneira de encontrar parceira. A Maria acaba por ser a representação de algo em que se consegue tocar mas não se consegue ter ainda completamente, ou da imagem utópica que criamos de alguém com quem queremos estar e que pode não corresponder à realidade. Portanto a Maria é no fundo a expectativa, uma espera sem garantia....
Li algures que não gostas de te considerar um poeta, mas não posso deixar de ler as letras das tuas canções e, além das rimas, sentir que há algo de autobiográfico na tua escrita. És então mais do que um simples poeta, um poeta cantautor?
Não sei quanto a isso. De facto nunca percebi muito de poesia e com certeza que é preciso mais do que rimar para ser poeta. Sou um cantautor, é certo, já que canto as canções da minha autoria, mas não me posso assumir como poeta só porque comecei a escrever.
No príncipio tinha um trauma meio parvo sobre a minha escrita, quando ouvia o Fachada a cantar as músicas dele achava que não estava a altura de fazer canções, não sabia escrever assim e não devia sequer tentar. É claro que não devia tentar, mas não devia tentar era escrever como ele. Explicou-me que eu tinha de escrever como eu próprio. Foi ai que percebi que tinha que aceitar aquilo que sou, e ser autentico naquilo que escrevo e que faço. Usar a minha maneira de falar, a minha métrica, encontrar o meu dialecto. Se isso é poesia ou não, deixo ao vosso critério.
Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse, em particular o que se faz na América do Norte e que revive antigas sonoridades punk rock do início dos anos oitenta. Pode-se dizer que, em simultâneo com a tua paixão pelo jazz e o blues, o rock feito de canções que sabem tão bem e se esfumam tão rápido como um cigarro são também uma das tuas maiores influências, independentemente da míriade sonora presente em Em Banho Maria? Se estiver errado, corrige-me!
Claro que sim, não estás nada errado. Quando comecei a estudar música dediquei-me ao jazz, mas antes dessa odisseia ter início, tudo o que eu ouvia era rock e punk. Ao longo dos anos o Miles, o Pastorius e o Paul Chambers puxaram as minhas atenções só para eles. Mas felizmente o Rodrigo Amarante, o Marcelo, o Julian e o Albert Hammond jr. foram-me relembrando que a música vai para além do jazz...
Quando somos mais novos, vivemos as coisas de uma maneira diferente, parece que há uma despreocupação maior e acabamos por fazer as coisas de uma forma mais pura. Absorvemos tudo mais naturalmente, e as primeiras coisas que aprendemos acabam por ser as que nos definem. É muito raro eu tocar em algum projecto onde sinta aquilo que sentia na altura, aquela energia... Foi essa energia que me entusiasmou para começar a estudar música e fazer vida disso. O problema é que é muito fácil ao longo desse percurso esquecermo-nos daquilo que nos motivou a começar. Quando se decide estudar música é comum ficarmos obcecados com o ser o melhor a tocar o nosso instrumento, perder muito tempo a estudar teoria, etc... Não digo que isso não seja importante, mas não podemos deixar que se torne prioritário.
Quis formar “O Martim” para poder voltar a escrever as canções que me saem naturalmente, despreocupado com tudo o resto, regressar às origens. E as minhas origens são essas mesmo, canções simples que se tiverem um toque rockeiro e uma distorção aqui e ali só se tornam melhor ainda.
Há quem te considere a nova coqueluche da pop nacional. O que tens a dizer em tua defesa?
Deixem-me lá gravar mais um disco ou dois antes de se porem com essas coisas...
O vídeo do single Banho Maria é muito simples, mas extraordinário e cheio de participações e personagens, digamos assim. Ficou muito caro?
Não, a bandeja de cocaína que se vê no vídeo não é a sério, por isso não gastámos muito dinheiro. Acho que posso com alguma certeza dizer que não terá sido a produção mais cara do ano .... Conseguimos fazer as coisas com um orçamento muito pequeno. Arranjámos maneira de transformar um pequeno estúdio numa casa de banho de paredes vermelhas com papel de parede da loja dos chineses e filmar a coisa em dois dias. Acho que onde gastámos mais dinheiro foi no aluguer da banheira, mas que valeu bem a pena. Sempre imaginei o clip com uma banheira como aquela que havia em casa da minha avó onde eu tomava banho quando era pequenino, e esta era igualzinha! Tenho a sorte de ter muitos amigos actores que tiveram gosto em fazer parte do video e proporcionar umas risadas boas. E claro, quando se trabalha com pessoas competentes e criativas como os senhores Filipe Casimiro e Francisco Steinwall da Pipoca filmes tudo isto se torna num processo organizado e divertido. (gostaram do props?)
A propósito da tua predileção pelo baixo, quando comecei a ouvir os primeiros segundos do single Banho Maria, o primeiro click que tive foi… Parece mesmo aquele baixo dos Joy Division. Mas não tem nada a ver, pois não?
Sou grande fã de Joy Division. Sabes que há coisa de uns meses atrás pus-me a ouvir assim de rajada alguns discos deles. Talvez até tenha sido perto da altura em que estava a escrever a banho Maria. Eu já nem me lembrava, mas é na verdade bem possível que tenha muito a ver com isso. Eles são incríveis, a simplicidade e som daquelas linhas de baixo ficam na cabeça de qualquer um...
Tens uma canção preferida neste álbum?
Talvez Cais do Sodré, gosto da linha de bateria que o David compôs. A canção representa uma fase interessante da minha vida, na qual eu só pensava em não pensar. É uma fase que não é necessáriamente bonita, mas que faz parte de mim e eu gosto de me lembrar dela. Deu aso a muitos desenvolvimentos interessantes. Costuma-se dizer que de decisões erradas podem surgir as coisas certas (ou qualquer coisa assim), pois eu também acho.
Sei que tocas com ele. Por isso, o que surgiu primeiro… As idas à casa do B Fachada ou a última canção do disco?
Tocava. Antes de ele comprar uma mpc e perceber que dá pra fazer concertos grandes sem banda... maldita mpc!!
Se bem me lembro, as primeiras idas não eram minhas a casa dele, mas sim dele à minha, que era onde ensaiávamos. Eu conheci o Fachada por acaso numa noite de bairro alto como outra qualquer. Estavamos sentados na mesma mesa sem nos conhecermos e pusemo-nos a falar. Ele queria começar a tocar com um contrabaixista, e eu tive a sorte de estar no sítio certo à hora certa. Nessa altura ele ainda morava em Cascais.
Uns tempos mais tarde, comecei também a escrever umas coisas, e assim que tive um primeiro esboço de disco apresentável comecei a ir eu a casa dele (que agora tinha passado a ser lá para os lados de Sintra) para ele me ajudar a dar uns toques naquilo.
A última canção do disco fala justamente de uma das minhas desventuras em que o nome do senhor Fachada veio à baila. Sem querer entrar em muitos pormenores levei a tampa mais engraçada da minha vida quando me disseram “desculpa, mas tu não és o B Fachada”.
Como tem corrido a promoção ao disco? Fala-nos de locais e datas futuras…
Tem sido bom. Muito graças ao fortíssimo trabalho da gigante Raquel Lains, e do mestre Pedro Valente. Mas também a todos os meus amigos e fans que não se cansam de me dar apoio e acreditar no projecto. Especialmente o meu caro amigo Nilton, que apostou n´O Martim desde o primeiro dia.
O próximo concerto grande, aquele que ninguém pode falhar, vai ser no Ritz Clube na sexta feira dia 8 de Fevereiro. É o concerto oficial de lançamento do Em banho Maria e vai contar com a participação de alguns músicos convidados do altíssimo gabarito. E mais! No preço do bilhete está incluída uma cópia do disco.
Antes disso ainda vai haver um mini-concerto na casa de banho mais sexy do mundo da Renova, a “world´s sexiest WC” que fica ali no terreiro do paço. Quinta feira dia 17 de Fevereiro. Para quem puder, acho que não deve perder a oportunidade. Não é todos os dias que temos a possibilidade de ouvir um concerto numa casa de banho. Ainda por cima, uma com este nível.
O que podemos esperar do futuro discográfico de O Martim?
Mais discos, claro! Ainda estamos muito no princípio. Quando eu me sentei a mesa pela primeira vez com a Raquel Lains (let´s start a fire) para falar do disco e de como iam ser as coisas estava cheio de moral a dizer que queria lançar dois discos por ano. Ela com muita calma, olhou para mim e disse uma frase que já me era familiar, “Martim, tu não és o B Fachada...”. Então decidi relaxar e pensar em qualidade, em vez de quantidade. Um disco de cada vez.
Agora que a banda cresceu, vamos começar a trabalhar as músicas em conjunto. Já andamos a carburar no segundo disco, ainda sem título, no qual queremos ter alguns convidados, para além de uma secção de sopros. Não sei se sabes, mas o senhor António Quintino (baixista da banda) não só é um dos melhores contrabaixistas nacionais, como é também um soberdo compositor. Temos passado os primeiros dias de 2013 a fazer sessões para preparar os arranjos, por isso em breve podem contar com novidades.

The Weatherman é o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, que se estreou em 2006 com Cruisin’ Alaska, ao qual se sucedeu Jamboree Park at the Milky Way (2009). Agora, no início de 2013, mais concertamente no passado dia vinte e oito de janeiro, chegou Weatherman, a terceira rodela deste cantautor cujo universo pop e pisicadélico sonoros nos remetem para um mundo sonoro diversificado e versátil, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual.
A primeira ideia implícita em Weatherman e que o autor não rejeita totalmente, apesar de considerar que não escreveu canções como se fossem propriamente um diário, ou com a intenção de se expor, nomeadamente na entrevista que me concedeu e transcrita abaixo, tem a ver com, em Weatherman, ter havido uma maior ousadia lírica, já que estas canções sabem ao próprio autor e poderão contar histórias da sua própria existência, através de letras pessoais e intimistas, em contraste aos registos anteriores.
Masterizado por Tim Debney (Thom York, Lilly Allen, Kasabian, Gorillazz, Super Furry Animals, entre outros) no Fluid Mastering em Londres e com uma produção impecável a cargo de João André, sonoramente o disco é homogéneo, tem canções muito alegres e que tanto dão para abanar a anca, como para apelar aos nossos sentimentos mais profundos. As mesmas estão cheias de sintetizadores, teclados e arranjos orquestrais que alternam entre a tal pop, o rock e a própria folk. Delas destaco o fantástico single Proper Goodbye, a belíssima Fab, a delicada I’ve Come Home e a divertida We All Jumped In.
Weatherman é uma sólida e consistente colecção de canções pop, onde o amor nas suas múltiplas vertentes e a procura de lugares reconfortantes como processo de auto conhecimento são a principal força motriz e confirma Alexandre Monteiro como um dos nomes mais promissores do panorama musical nacional. Espero que aprecies a sugestão...

O press release do novo álbum do projeto The Weatherman refere que estamos na presença do registo mais pop e simultaneamente mais auto biográfico. As canções falam de amor e despedidas, das imperfeições, alegrias e tristezas inerentes à condição humana. Estamos em presença de uma coleção de canções que de algum modo retratam a vida de Alexandre Monteiro?
R.: Pode-se dizer que sim, embora seja dificil detectar-se isso de uma forma linear. Não escrevi canções como se fosse propriamente um diário. Esses retratos estão dispersos pelas várias canções, nem eu tive a intenção de mostrar de uma forma demasiado exposta.
Quanto à vertente pop... Da música eletrónica à folk, ouve-se de tudo um pouco neste homónimo. Quais são as principais diferenças sonoras relativamente aos dois álbuns anteriores e, em termos de bandas e/ou autores, o que é que andas a ouvir e, além dos óbvios The Beatles e Beach Boys, quais são as tuas maiores influências?
R.: Em relação aos discos anteriores houve mais cuidado em termos de produção. Procuramos um som que deixasse as canções comunicarem de uma forma mais transparente. Nada aqui aparece escondido, é tudo assumido de uma forma clara. Houve também o objectivo de afirmar convictamente que eu não estou interessado em copiar coisas que foram feitas no passado. Eu sempre quis trazer algo de fresco ao panorama da música pop, em que sentes o peso da História e ao mesmo tempo sentes que faz sentido ouvir-se agora, e este disco penso que tira todas as dúvidas a esse respeito.
Porquê a escolha de Proper Goodbye para primeiro single?
R.: Numa fase mais atrasada do disco, decidimos escolher uma canção que naquela altura nos parecia mais radio-friendly, e esta enquadrava-se bem. Além disso tinha inenrente um certo feeling de final de Verão, o que se adequava à época em que seria lançada (finais de Agosto). Além disso eu confesso que gosto de baralhar as expectativas do público, e então a ideia de eu reaparecer em cena com uma música despedida pareceu-me perfeito!
Adoro o videoclip e identifiquei-me muito com ele. Partilhamos o desejo que a maioria das crianças tinham de ser astronautas quando fossem grandes?
R.: Obrigado! Sim, lembro-me que algures na minha infância e talvez pré-adolescência andei completamente fascinado por astronomia. Devorei tudo o que era livros sobre astronomia, incluindo livros de ficção científica, e lia tudo o que encontrava sobre OVNIS. Cheguei mesmo a dizer aos meus pais que provavelmente eu ir ser astrónomo, mas a música deitou isso por terra. Se calhar ainda vou a tempo... A ideia do vídeo foi mesmo pegar nesses desejos de infância e transpor isso como se se tratasse da despedida “ideal”. Sou ambicioso, e o que é certo é que pode-se dizer que consegui mesmo cumprir esse sonho de ser astronauta ao fazer este vídeo. Claro que quando soube que o Neil Armstrong morreu fiquei emocionado, e calhou logo na véspera do lançamento (do vídeo).
Já agora, tens uma canção preferida em Weatherman?!
R.:Tenho algumas preferidas, mas não me consigo decidir por apenas uma, francamente.
Como foi o processo de escrita e composição destas canções?
R.: Não foi nada de planeado. Eu tenho suficiente confiança em mim próprio como compositor, por isso sei que é escusado forçar. Foi um processo tão natural, que não me sei situar nem no tempo nem no espaço em relação à composição da maior parte dos temas. Assim que eu sentia que tinha algo a dizer através da minha música, sentava-me a compor, ora ao piano, ora à guitarra.
A estreia com Cruisin'Alaska, foi um trabalho apenas composto e tocado por ti. Mas depois disso, em Jamboree Park at the Milky Way e neste Weatherman já há uma banda e convidados. A que se deveu essa inflexão?
R.: Penso que comecei a sentir saudades de trabalhar em banda, algures a meio do percurso. Aliás, sempre foi meu objectivo tocar com uma banda de apoio nos concertos. Penso que é esse o meu objectivo desde sempre e é assim que resulta melhor: eu compor as músicas, e já depois numa fase mais avançada, de escolher os arranjos, buscar outros músicos para colaborarem.
Como é que foi possível a escolha de joão andré para colocar as mãos na produção do disco?
R.: Ele propôs-me produzir este disco logo assim que nos conhecemos. Foi em 2009, na altura em que ele deu alguns concertos comigo, ainda de promoção do meu segundo disco. Penso que ele teve desde logo uma ideia daquilo que poderia ser o meu caminho num futuro disco em termos sonoros. Acabou por ser um processo muito longo, e mesmo ainda que nem sempre com as condições ideais, conseguimos fazer um bom trabalho, penso eu.
E os próximos espetáculos? Onde é que os leitores de Man On The Moon te podem ir ver e ouvir nos próximos tempos? Das actuações ao vivo, devem-se esperar performances a solo ou acompanhado?
R.: Vou fazer inúmeros showcases acústicos, munido apenas de voz e guitarra. Pelo meio, vou ter os concerto de apresentação oficial do disco, com banda completa, no Porto, no Passos Manuel no dia 22 Fevereiro, e em Lisboa, algures em Março.
Depois de alguns meses a trabalhar com Alex somers, habitual produtor de Jónsi e dos Sigur Rós, o músico experimental islandês Sin Fang (aka Sindri Már Sigfússon), vocalista dos Seabear, está de regresso aos lançamentos discográficos a solo com Flowers, rodela editada na europa no passado dia um de fevereiro por intermédio da Morr Music.

Por cá, o sol começa, hesitante, a espreitar de novo e a aquecer um pouco os nossos dias, já fartos do manto de névoa húmida e cinzenta que tem descolorido este longo inverno. E enquanto não o temos em pleno e descaradamente, convido-te a descobrires este disco e assim visitares um dos lugares mais solarengos e radiantes da pop nórdica. Flowers convida a investidas primaveris e é sobre o eixo antecipado do solstício de verão que o recebemos.
Ao terceiro álbum a solo, o vocalista dos Seabear vive profundamente enraizado numa indie pop que faz dele um mestre na costura de diferentes camadas e contrastes sonoros, feitas com sintetizadores, guitarras e voz e uma orquestração intemporal. O resultado final desta sobreposição são dez temas envolvidos por um manto cristalino e vibrante de canções que invocam uma intimidade contida e retraída por uma delicadeza cautelosa, com especial destaque para Young Boys e Feel See.
Em relação a Summer Echoes, o antecessor, Flowers é um álbum mais encorpado e assumido, uma síntese amadurecida do cardápio sonoro de Sigfússon, agora mais complexo, completo e palpável, mas, ao emesmo tempo, sem pôr de lado a maravilhosa sensação de pureza e simplicidade típicas da sua música e da musicalidade do seu país de origem.
Flowers é uma tempestade melódica primaveril e um apelo desenfreado aos nossos sentidos. Neste álbum, Sin Fang liga as luzes do palco e abre o pano para darmos as boas vindas a um novo mundo cheio de luz e cor, onde os sentimentos mais ingénuos têm lugar de destaque e o amor e a rejeição, com os seus momentos felizes e tristes, são as personagens principais de um enredo que poderia muito bem ter sido inspirado na vida de qualquer um de nós. Flowers é para sentir, para ver, para descobrir e para mergulhar. Espero que aprecies a sugestão...
01. Young Boys
02. What’s Wrong With Your Eyes
03. Look At The Light
04. Sunbeam
05. Feel See
06. See Ribs
07. Catcher
08. Everything Alright
09. Not Enough
10. Weird Heart
as minhas bandas
The Good The Bad And The Queen
My Town
eu...
Outros Planetas...
Isto interessa-me...
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