Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Childhood – Lacuna

Formado por Ben Romans Hopcraft, Leo Dobsen, Daniel Salamons e Jonny Williams e oriundo de Londres, o coletivo britânico Childhood acaba de se estrear nos discos com Lacuna, um trabalho produzido por Dan Carey e que viu a luz do dia por intermédio da Marathon Artists.

Childhood é um daqueles projetos que aposta numa veia sonora algo instável e experimental, uma espécie de eletropsicadelismo assente numa pop de cariz eletrónico que, neste caso, parece viver mergulhada num mundo controlado por sintetizadores, que criam melodias que passeiam pelo mundo dos sonhos. As próprias letras que os Childhood escrevem dançam nos nossos ouvidos e a voz de Leo, um dos destaques do projeto, cresce, música após música, num misto de euforia, subtileza e entrega.

De cariz eminentemente nostálgico, mas que não coloca de lado um ambiente bastante animado e festivo, Lacuna é um disco com o qual criamos facilmente empatia, já que desperta sensações apelativas, relacionadas com eventos passados que nos marcaram, despertando em nós aquelas referências pessoais que nunca nos deixam. Tendo em conta esta constatação fantástica e até literal, o disco poderá acabar por parecer a banda sonora de um conto infantil que poderia ser ilustrado pela mesma capa de cores exageradas e pelo traço pueril que guarda a rodela. No entanto, uma audição atenta mostra-nos que este passeio por um universo feito de exaltações melancólicas nada mais é do que um retrato sombrio, mas sonoramente épico e luminoso, do tantas vezes estranho quotidiano que sustenta a vida adulta. Em onze canções onde há um certo clima circense e uma evidente psicadelia pop que lida com as orquestrações lo fi, o amor, mas também a solidão ou o abandono, servem como assunto, estes últimos conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade.

Uma das ideias que mais me absorveu durante a audição dos Lacuna foi uma certamente consciente vontade dos Childhood em soarem genuínos e apresentarem algo de inovador; Em alguns instantes desta obra, como nos ruídos sintéticos de You Could Be Different, nos ritmos das roqueiras Sweet Preacher e When You Rise, a última fortemente progressiva e na melancolia de As I Am ou do single épico Falls Away, a banda faz algo inovador e diferente, e Tides e Solemn Skies ampliam esta quase obsessiva vontade dos Childhood em se afastarem das habituais referências que suportam o edifício comercial do universo sonoro indie, para flutuarem entre a metáfora e a realidade, através de letras corroídas pelo medo de encarar o quotidiano adulto e melodias ascendentes e alegres. Esta fórmula faz de Lacuna uma obra prima fortemente sentimental e capaz de abarcar um cardápio instrumental bastante diversificado, que prova que os Childhood entraram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, seja eletrónico ou acústico e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas.

Com canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, Lacuna torna percetivel a evidente capacidade que os Childhood possuem, logo na estreia, de criar algo único e genuíno, através dessa fórmula acima descrita feita com uma quase pueril simplicidade, num trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, uma espécie de caldeirão sonoro feito por uma banda que parece saber como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no tal eletropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Childhood - Lacuna

01. Blue Velvet
02. You Could Be Different
03. As I Am
04. Right Beneath Me
05. Falls Away
06. Sweeter Preacher
07. Tides
08. Solemn Skies
09. Chiliad
10. Pay For Cool
11. When You Rise


autor stipe07 às 19:21
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Stardeath And White Dwarfs – Wastoid

Os Stardeath and White Dwarfs de Dennis Coyne, Matt Duckworth, Casey Joseph e Ford Chastain estão de regresso aos discos com Wastoid, um trabalho que tem o selo da insuspeita Federal Prism e que sucede ao aclamado Playing Hide and Seek With the Ghosts of Dawn (2012). Oriundos de Oklahoma e liderados por Dennis Coyne, sobrinho de Wayne Coyne, o lider dos The Flaming Lips, os Stardeath and White Dwarfs seguem, neste Wastoid, o terceiro disco do grupo, por caminhos tão experimentais quanto os trabalhos antecessores do grupo.


Com a participação especial dos próprios The Flaming Lips em Screaming e dos New Fumes e Chrome Pony em várias canções, Wastoid amplia ainda mais o clima lisérgico de uma banda que além de possuir um dos nomes mais intrigantes e originais do universo indie, aborda como muitas poucas o rock alternativo e a eletrónica, através de uma amálgama sonora com um forte pendor experimental.

Cada nova canção ou disco destes Stardeath and White Dwarfs alimenta, inevitavelmente, comparações entre essas novas propostas e o que os The Flaming Lips têm apresentado. Wayne Coyne tem estado bastante ativo e ultimamente, tanto no seu projeto alternativo Electric Würms, onde dá as mãos a Stephen Drodz e nos Lips, que atualmente estão a desenvolver um disco de tributo ao clássico Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos The Beatles, à semelhança do que fizeram há agum tempo, com a ajuda dos próprios Stardeath and White Dwarfs, com o Dark Side Of The Moon dos Pink Floyd (The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon), mantém-se no trilho aventureiro de um experimentalismo ousado e que parece não conhecer tabús ou fronteiras. Wastoid acompanha essa bitola, o sobrinho calcorreira o mesmo percurso do tio e este caminho paralelo tem um estilo bem definido, com o reverb e as distorções a serem a regra fundamental de todo o processo de composição melódica.

Conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, os Stardeath And White Dwarfs são exímios na forma como criam composições que, apesar da rugusidade dos arranjos e do tom sombrio das cordas e dos efeitos, não deixam de ter um elevado cariz atmosférico, muitas vezes com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental, sendo depois tudo dissolvido de forma tão aproximada e homogénea que Wastoid está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição.

Ao tentar separar-se um pouco o trigo do joio, percebe-se que a mistura entre o rock alternativo e a eletrónica faz-se num caldeirão onde cabem vários subgéneros do rock e da pop, com o blues e a folk à cabeça; Se canções como Luminous Veil, assentam num folk rock desacelerado, a canção homónimoa do disco cheira a blues por todos os poros e depois temas como Birds of War e a tal The Screaming, que conta com a ajuda dos The Flaming Lips, contêm alguns dos mais elementares detalhes da pop, onde também não falta a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que oscila entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock, sendo Frequency um tema exemplar para a perceção desta apenas aparente ambivalência.

Uma das virtudes e encantos deste grupo de Oklahoma parece ser a capacidade de criarem canções algo desfasadas do tempo real, quase sempre relacionadas com um tempo futuro. Escutar Wastoid leva-nos a imaginar cenários e universos paralelos, através de uma permissa temporal algo esotérica, mas este parece ser também um trabalho muito terreno, porque fala imenso do amor, do abandono e dos problemas existencias típicos no seio de uma família vulgar de quem está prestes a entrar na vida adulta. A poesia dos Stardeath And White Dwarfs é algo metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos.

Com tanto a unir os parentes Coyne, o único ponto de divergência é que se ao décimo terceiro disco, em The Terror, o último registo de originais dos The Flaming Lips, eles viviam no olho do furacão de uma encruzilhada sonora que, diga-se, superaram, na minha opinião, com distinção, estes Stardeath and White Dwarfs parecem ainda muito longe de querer apontar agulhas para outros caminhos, o que, tendo em conta o conteúdo de Wastoid, naturalmente se saúda. Espero que aprecies a sugestão...

Stardeath And White Dwarfs - Wastoid

01. The Chrome Children
02. Frequency
03. Hate Me Tomorrow
04. Wastoid
05. Birds Of War
06. All Your Friends
07. The Screaming
08. Luminous Veil
09. Guess I’ll Be Okay
10. Sleeping Pills And Ginger Ale
11. Surprised


autor stipe07 às 21:44
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Sinkane - New Name

Mean Love

Ahmed Gallab é Sinkane, um compositor oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão e que desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político. Cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, já tocou com os Of Montreal, Yeasayer, Caribou e lançou a vinte e três de outubro de 2012, por intermédio da DFA de James Murphy, Mars, um dos álbuns desse ano.

Dois anos depois, vai chegar no início de setembro aos escaparates o sucessor, também por intermédio da DFA nos Estados Unidos e da City Slang na Europa. O novo trabalho de Sinkane chama-se Mean Love e depois de Hold Tight,e How We Be, agora chegou a vez de podermos escutar New Name, mais um paraíso soul em todos os sentidos, uma canção com uma sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave. Como acontece sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras. Confere...


autor stipe07 às 13:53
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Blonde Redhead - The One I Love

Blonde Redhead 2014

Kazu Makino, Amedeo Pace, Simone Pace são os Blonde Redhead e preparam-se para lançar em setembro Barragán, o nono álbum na carreira deste grupo oriundo de Nova Iorque e que tem construido um catálogo sonoro bastante consistente, com a dream pop sempre na fila da frente, no que diz respeito à sonoridade que replicam.

Com uma faceta fortemente instrumental, mas com um vincado teor minimal e acústico, The One I Love é o mais recente avanço divulgado de Barragán, um disco que  chega às lojas a dois de setembro, pelo selo Kobalt. Confere...


autor stipe07 às 11:03
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Landfork - Trust

A viver atualmente em Calgary, no Canadá, Jon Gant é Landfork, uma espécie de alter-ego de um músico que tem na chamada synth pop uma grande paixão. Por isso, a sonoridade do projeto assenta num forte predomínio da eletrónica e dos sintetizadores e conta com a ajuda de Derek Wilson, nas teclas, nas atuações ao vivo. Descobri-o quando editou em agosto de 2013 Nights At The Kashmir Burlesk, um trabalho que sucedeu a Tiománaí, o disco de estreia do projeto, editado em outubro de 2011. Agora, no passado dia oito de julho, Landfork está de regresso com Trust, o seu terceiro álbum, onde consegue, de novo, chamar a atenção dos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop há uns trinta anos atrás.

Com a pop sintetizada a servir de força motriz para a composição e com uma escrita bastante autobiográfica, Trust está carregado com elementos sonoros onde a herança de nomes como os Fischerspooner à cabeça e alguns ecos dos Joy Division e, naturalmente, dos New Order, são uma evidência, que se entende quando o próprio musico confessa que o disco começou a ser pensado depois de ter passado a ouvir música de dança no terraço de um hotel mexicano e, nesse instante, ter-se sentido invadido por uma avassaladora vontade de também compôr material sonoro para abanar a anca, mas que replicasse alguns dos traços identitários e melancólicos da música pop de cariz mais eletrónico. Dois dias depois dessa experiência curiosa, Landfork regressou ao Canadá, instalou-se durante duas semanas no The Banff Centre for the Arts e com um pequeno gravador portátil e alguns instrumentos começou a trabalhar no conteúdo de Trust.

Há excelentes momentos contemplativos e festivos em Trust e o disco vive um pouco da busca de equilibrio entre estes dois pólos previsivelmente opostos, com o núcleo duro do trabalho a ser um enorme oceano de sons e ecos que nos convidam à auto análise interior, mas que também não descuram a busca de sons de outras latitudes mais quentes. O processo de composição melódica acaba por se sustentar tendo os teclados como maiores protagonistas, em redor dos quais foram surgindo diferentes efeitos e arranjos, muitas vezes dominados por cordas e por uma percussão bastante inspirada.

Trust conta com as participações especiais de Jamie Fooks (Jane Vain and the Dark Matter, Shematomas) e de Ryan Sadler (Teledrome, Thee Thems) e está disponivel no bandcamp de Landfork, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:12
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Miracles Of Modern Science - Swipe (feat. Kristin Slipp)

Os Miracles Of Modern Science são Evan, Josh, Geoff, Kieran e Serge, um quinteto com raízes na Universidade de Princeton e oriundo de Brooklyn, Nova Iorque. Depois do EP MEEMS, editado em 2013, estão de regresso com uma nova canção chamada Swipe, gravada e misturada por Evan Younger, o líder da banda e masterizada por Joe Lambert. O artwork da canção é também da autoria de Evan Younger e conta com a participação especial de Kristin Slipp dos Cuddle Magic, na voz.

Swipe é uma canção cheia de cor e boa disposição, com uma limpeza purificadora que pole cada pormenor e, desta forma, retira o melhor de cada um dos instrumentos, com uma extrema sensibilidade pop. O single está disponível no bandcamp, com a possibilidade de o obteres gratuitamente, ou de doares um valor pelo mesmo. Confere...


autor stipe07 às 14:10
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Margo, Margo – Old Nights, New Days

Oriundos de Fredericton, os canadianos Margo, Margo são Jane Blanchard, Michael Leger, Keegan MC, Kieran Smyth, Matt Whipple e Jeff Wo. Disponível para download no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo e editado no passado dia vinte e quatro de junho, Old Nights, New Days é o segundo trabalho do grupo, depois de um homónimo editado em 2012.
O indie rock com elevada influência da folk é a pedra de toque do catálogo sonoro dos Margo, Margo, que dominam com apreciável bom gosto a fórmula correta para compôr com cuidado nos arranjos e as nove canções não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, à imagem do que propusrema recentmenete os Dark Arc em Saintseneca, mas onde não falta também aquele típico fuzz-folk às vezes caótico e saturado, às vezes ameno, que os Neutral Milk Hotel de Jeff Mangum tão bem recriaram há já quase duas décadas e que temas como Breath Wasted ou Mountain Beaches tão bem replicam.
A música destes Margo, Margo tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico. Eles sabem como dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também se inclui a voz; Os registos vocais de Michael e Kieran, uma das mais valias deste projeto, são capazes de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo e que se firmam como uma das marcas identitárias destes Margo, Margo, deixando o primeiro vincada toda a sua arte enquanto acompanha as cordas em On And Off ou em Alexander e a voz feminina quando vibra nos nossos ouvidos com gracosidade, charme e estilo na soberba Melodica.
Old Nights, New Days é um disco que se ouve sempre que queiramos, mas tem momentos cuja audição se recomenda naquelas dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores. A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, além de ser um instante precioso na discografia de um projeto notável e que merece maior destaque. Espero que aprecies a sugestão...

Margo, Margo - Old Nights, New Days

01. New Days

02. Breath Wasted
03. On And Off
04. Melodica
05. Mountain Beaches
06. Alexander
07. Cuckold
08. All Together Now
09. Beats

 


autor stipe07 às 21:09
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Alex Feder - Moments Of Silence

Alex Feder - "Moments Of Silence"

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Alex Feder, antigo elemento dos XYZ Affair, também poderia ser Leonard Friend, um seu outro alter-ego, mais eletrónico. No próximo outono ele vai regressar em nome próprio com um EP e Moments Of Silence é o primeiro tema divulgado desse trabalho.

Algures entre LCD Soundsystem e Foster The People, Moments of Silence, contém um forte apelo pop, num tema grandioso, onde há que destacar a presença destacada dos sintetizadores, mas com as guitarras a estarem também num plano de evidência. A canção foi disponibilizada para download gratuíto. Confere...


autor stipe07 às 18:54
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

My Autumn Empire – The Visitation

Natural do condado de Staffordshire, na Inglaterra, Benjamin Thomas Holton é a mente brilhante por trás do projeto My Autumn EmpireThe Visitation, um disco lançado no passado mês de abril, o seu mais recente trabalho, uma obra conceptual, inspirada em imagens televisivas, na complexidade das relações humanas e no imenso espaço sideral, tantas vezes o maior ponto de encontro de imensos dos nossos sonhos.

Cheio de harmonias vocais verdadeiramente sumptuosas, The Visitation é um belíssimo tratado de indie folk, um disco que transborda uma imensa sinceridade e onde Benjamim certamente compôs e criou aquilo que realmente quis. Pelo conteúdo lírico deste álbum percebe-se que My Autumn Empire deseja ardentemente espicaçar a mente de quem vive  permanentemente inquieto pela forma como tratamos este mundo, em dez letras que transbordam modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, como se qualquer um de nós pudesse vestir a sua pele e viceversa, quando exalta o direito à individualidade de cada um, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Benjamim entregou-se então à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Com momentos que apelam à folk pop melancólica mais negra e introspetiva, com ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica e que mesmo acompanhados por uma variada secção de metais, não colocam em causa uma faceta algo acústica, que parece orientar o processo base da composição melódica do projeto, à medida que o disco escorre pelos nosso ouvidos, acabamos por conferir, acima de tudo, um misto de cordas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, que se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos, dez canções que parecem emergir de um sono profundo e que ao ganharem vida se convertem num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido, com que todos nós contatamos pelo menos uma vez na vida.

Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, em The Visitation tudo se movimenta de forma sempre estratégica e sumptuosa, como se cada mínima fração do disco tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. A constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...  

My Autumn Empire - The Visitation

01. When You Crash Landed
02. Blue Coat
03. Where Has Everybody Gone
04. Summer Sound
05. Afternoon Transmission
06. It’s Around
07. Andrew
08. The People I Love
09. The Visitation
10. All In My Head

 


autor stipe07 às 22:26
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Cloud Boat – Model Of You

Naturais de Londres, os britânicos Cloud Boat são Sam Ricketts e Tom Clarke, uma dupla de indie pop que lançou no passado dia catorze de julho Model Of You, através da Apollo Records. Este novo álbum dos Cloud Boat sucede a Book Of Hours, o trabalho de estreia dos Cloud Boat.

Quando eram mais novos, Tom e Sam tocaram em bandas de metal e de post rock e só mais tarde, no meio universitário, descobriram a eletrónica e o gosto por esse género musical foi-se acentuando à medida que, juntos, começaram a compôr. Começaram por editar em 2010, e através da etiqueta R&S, Lions On The Beach, um single que causou impacto pela mistura entre o dubstep e a folk, algures entre os Burial e os Hood e no ano seguinte dedicaram-se às remisturas. Finalmente, em 2013, surgiu Book Of Hours, o primeiro longa duração e, devido ao sucesso desse lançamento, Model Of You era aguardado pela crítica especializada com alguma expetativa.

Um sintetizador cheio de loops e efeitos e uma voz com um registo grave, mas ardente, que procura dar alguma cor e alegria às letras depressivas e assim espalhar sensualidade e hipnotismo às canções, são alguns dos trunfos usados pelos Cloud Boat, manuseados com evidente inspiração e que originam um ambiente sonoro cheio de charme, onde também não faltam algumas variações e os efeitos metálicos, que incluem cordas e instrumentos de sopro. Assim, Model Of You impressiona pela exuberância dos arranjos, apesar de não haver uma orientação explícita para as pistas de dança; No entanto, temas como Thoughts In Mine a Aurelia poderão agradar a quem procura essa vertente na música destes dois produtores britânicos.

O que se procura criar neste trabalho é, acima de tudo, paisagens sonoras amenas, mas cheias de movimento e cor, uma eletrónica com momentos mais ambientais, audíveis, por exemplo, em The Glow ou Golden Lights e outros onde há um apelo direto à típica indie pop de cariz mais comercial, com o piano de Hideaway ou as cordas de Bricks Are For a cumprirem cabalmente essa missão, ao memso tempo que nos permitem sermos invadidos por uma doce sensação de ternura e de melancolia. Os efeitos inebriantes que sustentam a percussão de Portraits Of Eyes, acompanhados por um loop de guitarra algo frenético, são outros trunfos de um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Seja como for, o maior destaque deste disco será, talvez, Carmine, uma canção assente na tal voz grave, invasiva e visceral, a conferir um interessante colorido a um tema com uma toada eminentemente pop e com arranjos pensados para a criação de um ambiente épico e cheio de paisagens deslumbrantes.

groove e a luminosidade deste registo são dois aspetos suficientemente apelativos para que não se deixe passar em claro uma coleção de doze canções intensas e bastante inspiradas que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressionam pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Model Of You é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Boat - Model Of You

01. Prelude
02. Hideaway
03. Carmine
04. Portraits Of Eyes
05. Bricks Are For
06. The Glow
07. Golden Lights
08. Aurelia
09. Thoughts In Mine
10. Told You
11. All Of My Years
12. Hallow


autor stipe07 às 22:08
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Gold Panda – Clarke’s Dream

Gold Panda - "Clarke's Dream"

O produtor britânico Gold Panda editou o ano passado Half Of Where You Live, o seu disco de estreia e já trabalha no sucessor, que ainda não tem nome e data de lançamento prevista.

Clarke's Dream é o tema mais recente que Gold Panda disponibilizou mas, de acordo com informações recolhidas, não fará parte do alinhamento do novo disco do produtor. Este tema é um excelente instrumental, bastante funky, com um potencial enorme para ser alvo do encaixe por parte de uma voz do universo do hip-hop, por exemplo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:40
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Sábado, 9 de Agosto de 2014

OK Go – Upside Out EP

 

Os norte americanos OK Go são Damian Kulash, Tim Nordwind, Dan Konopka e Andy "Rusty" Ross, um quarteto que começou por nascer em Chicago, mas que agora reside em Los Angeles, na Califórnia, representado pela Paracadute, a sua própria etiqueta e que se estreou em 2002 com um homónimo. Doze anos depois dessa estreia eles acabam de lançar Upside Out, o sucessor de Of the Blue Colour of the Sky (2010), um EP de quatro canções que antecipa Hungry Ghosts, o próximo álbum da banda que chegará aos escaparates no outono e que terá estes quatro temas no alinhamento.

Para gravar estas quatro canções os OK Go trabalharam com o produtor e amigo Dave Fridmann (Flaming Lips, Weezer, MGMT) e também contaram com a ajuda do veterano Tony Hoffer, habitual colaborador de nomes tão conhecidos como Beck, Phoenix, ou Foster the People. O conteúdo do EP tem uma toada fortemente comercial e virada para o airplay fácil, com a banda a partir, de forma decidida, para ambientes mais épicos e climáticos, com as guitarras e os sintetizadores dos anos oitenta a servirem de bitola no processo de criação musical. Da melancolia efervescente de The Writing’s on the Wall, ao groove de Turn Up The Radio, passando ainda pelo indie rock de The One Moment, ou o groove sintetizado e extremamente dançavel de I Won’t Let You Down, escutamos um ambiente sonoro bastante festivo e particularmente grandioso, destacado-se a presença dos sintetizadores, mas com as guitarras a estarem também num plano de bastante evidência.

Upside Out é uma divertida e dançante antecipação de um disco que será certamente um marco no universo indie pop deste ano. Espero que aprecies a sugestão...

OK Go - Upside Out

01. Turn Up The Radio
02. The Writing’s On The Wall
03. I Won’t Let You Down
04. The One Moment


autor stipe07 às 11:11
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Blurred City Lights - Anamorphic


Lançado no passado dia oito de junho apenas em formato digital disponível no bandcamp, Anamorphic é o primeiro longa duração dos Blurred City Lights, um grupo formado por Jarek Leskiewicz (Naked On My Own, NOMODD) e Dean Garcia (Curve, SPC ECO), mas que também conta com as participações especiais de Rose Berlin, Russell Keeble e Perry Pelonero. A banda já tinha lançado em março de 2013 Neon Glow, um EP com seis canções.

Anamorphic é um disco rock com um travo aquele espírito industrial, mas com uma carga ambiental assinalável, bem patente, por exemplo, nos temas Try e Chained, mas essas batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Smalls Fears Magnified, uma excelente amostra de rock industrial e progressivo prova esta minha teoria quando a voz de Jarek e uma certa toada psicadélica fazem do tema dos momentos mais atraentes e diferentes do disco. No entanto, os elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um teclado sintético e a uma percussão orgânica com um volume crescente, em OP4, fazem deste instrumental um dos grandes momentos sonoros do ano.

Outro dos maiores destaques de Anamorphic acaba por ser também o single Inside, uma feliz escolha para amostra, já que, de certa forma, compila toda a arrojada e diversificada míriade sonora do álbum, incluindo o acerto de uma voz, que se assume também como um importante fio condutor das onze canções, seja através de um registo sussurrante, ou através de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais e dos devaneios muitas vezes algo inconclusivos e misteriosos das guitarras.

Este extraordinário álbum de estreia de um projeto que merece toda a atenção destaca-se pela intensidade ambiental que nos atira para paisagens eletrónicas de outrora, com os teclados e as guitarras a terem o maior destaque, a construirem diversas camadas sonoras e onde há uma voz omnipresente entregue a um espírito desolado e que nos remete, devido ao baixo constante, para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. É um disco com uma acentuada componente experimental e aconselha-se audições repetidas para que se tenha a perceção clara do seu conteúdo e dos mínimos detalhes. O sucesso da estreia dos Blurred City Lights depende da predisposição do ouvinte e do cenário que cada um de nós cria tendo em conta a atmosfera sonora proposta. São quase sessenta minutos cheios de momentos brilhantes, com diferentes graus de intensidade e que precisa de um tempo que objetivamente merece. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 21:36
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Fusing Culture Experience 2014 - Entrevista a Noiserv

Como tenho revelado por cá, o Fusing Culture Experience é um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia e que decorre na Figueira da Foz, com a edição deste ano a acontecer já nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Com um cartaz que, no campo musical, abarca alguns nomes da música nacional absolutamente obrigatórios, resolvi entrevistar algumas das bandas e projetos presentes, para aferir das suas expetativas para esta iniciativa e se há, eventualmente, alguma surpresa preparada.

A primeira entrevista que partilho convosco é a de David Santos, aka Noiserv, a quem desde já agradeço, publicamente, a atenção e o carinho dispensados, assim como à Raquel Laíns, da Let's Start A Fire, por ter intermediado a minha solicitação... No final da entrevista poderás deliciar-te com a audição de Almost Visible Orchestra, o lindíssimo último álbum da carreira de Noiserv.

 

Parece-me evidente e justo considerar que Almost Visible Orchestra é já um marco importante na história da música nacional contemporânea mais recente. Como tem sido a aceitação deste trabalho pelo grande público?

Tem sido muito boa. Depois de todos os medos de um segundo disco, dos receios que as pessoas pudessem não gostar daquilo que a mim me fazia todo o sentido, acho que o feedback que tenho recebido justificou todo o trabalho que tive com o disco e deixa-me muito feliz.

 

O Noiserv prepara-se para participar na próxima edição do Fusing Culture Experience, um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia, que decorre na Figueira da Foz nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Quais são as expetativas do David para este concerto, num evento que agrega alguns dos nomes fundamentais do universo musical indie nacional do momento?

Não gosto muito de criar expetativas antes das coisas acontecerem. Acima de tudo tentarei dar o meu melhor concerto e esperar que essa vontade chegue a quem estiver a ver.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição de Almost Visible Orchestra foi a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. O ambiente sonoro que recriaste de forma exemplar em estúdio mantém-se nas versões ao vivo dos temas, ou gostas de adicionar novos elementos ou transformar os temas, até de acordo com o ambiente onde vais tocar? Uma mesma canção tem diferentes arranjos ao vivo se for tocada numa pequena sala ou no palco do Fusing Culture Experience para milhares de fãs?

Tento sempre acreditar que a minha música funciona bem numa sala pequena ou num palco grande ao ar livre. A forma de tocar as canções não muda de sitio para sitio, mas por vezes deixo algumas músicas de fora se sentir que não funcionam tão bem no local do concerto.

 

Já há canções novas que poderão ser ouvidas no concerto?

Apenas músicas 'relativamente' novas, as do Almost Visible Orchestra. :)

 

Qual te parece ser a importância para a música portuguesa este tipo de eventos como o Fusing Culture Experience?

São eventos de extrema importância. Festivais com esta exposição mediática, que apostam tanto na música portuguesa, acabam por ser fundamentais para cada músico, cada banda conseguir chegar a um público mais vasto.

 

Arriscarias participar noutras vertentes do evento, nomeadamente na gastronómica?

Claramente a gastronomia não é o meu forte, pelo que se acontecer poder participar, será para aprender e nunca para mostrar os dotes que não tenho :)!

 

Quais são os planos futuros para o projeto Noiserv? Há algum regresso já programado ao estúdio, ou o David vai continuar a dar concertos nos próximos tempos?

Por enquanto continuo focado em apresentar este disco ao vivo e conseguir que ele chegue ao máximo possível de pessoas.


autor stipe07 às 14:08
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Zulu Winter – Stutter

Os Zulu Winter são um quinteto britânico, natural de Londres e liderado por Will Daunt, uma banda que há cerca de dois anos surpreendeu com Language, o muito aplaudido disco de estreia. Agora, dois anos depois, os Zulu Winter regressam às edições com o lançamento de Stutter, um  compêndio de dez canções que viu a luz do dia a vinte e um de julho passado e que será o último álbum de um grupo que já anunciou oficialmente a separação.


A sonoridade dos Zulu Winter condiz com o indie rock da década de oitenta, aquele rock independente e de garagem, dissociado das grandes editoras e Stutter é consequência óbiva do conteúdo de Language, mantendo-se nestas novas dez canções do grupo, a demanda por canções diretas, com pouco mais de três minutos e que se esfumam com uma velocidade estonteante, adornadas por um falsete que lembra Chaplin, a nostalgia de um Chris Martin e uma densidade sonora muito próxima do shoegaze.

Durante a audição de Stutter somos confrontados com a beleza utópica de temas como Heavy Rain ou Need You Onside, recheados de belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com distorções e arranjos mais agressivos. O groove e a soul de Trigger abrem o disco, com um baixo encorpado e uma guitarra a transbordar fuzz a encontrarem sequência numa Games mais melancólica e na tal Heavy Rain, pensada para amostra de um disco que satisfaz plenamente quem aprecia ser sonoramente trespassado por texturas borbulhantes e grooves funk desfocados, mas eléctricos e apostulados heroicamente numa esfera envolvente de projeção poética.

Esta apenas aparente amálgama de estilos, acaba por ser uma mistura louvável, deliciosa e aditiva, onde uma bateria marcante e vários efeitos eletrónicos, ajudaram a criar canções viciantes e bem elaboradas. É um indie rock cósmico e espacial, onde também marca uma forte posição de destaque o hipnotismo das guitarras, que nos transportam com particular mestria para um universo sonoro recheado de experimentações e renovações. 

Os Zulu Winter começaram e terminaram a carreira algo amarrados às influências que os fizeram sonhar com um percurso musical bem sucedido e agora que arriscaram e conseguiram compor algo mais desprendido e original, que os levará a atingir justamente um patamar bastante relevante, no competitivo, mas nem sempre diferenciado, universo sonoro alternativo, anunciam um epílogo que se lamenta, tendo em conta o conteúdo fortemente recomendável de Stutter. Espero que aprecies a sugestão...

Zulu Winter - Stutter

01. Trigger
02. Games
03. Heavy Rain
04. Feel Love
05. Other Man
06. Need You Onside
07. Silence Is Golden
08. The Drift
09. Let Sleep Close Your Eyes
10. Bodies


autor stipe07 às 21:13
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Paperhaus - Cairo

Paperhaus - Cairo

Oriundos de Washington, os norte americanos Paperhaus são uma banda de indie rock bastante seguida e apreciadano cenário alternativo local, até porque gerem um espaço de diversão noturna onde costumam decorrer concertos, com o mesmo nome da banda.

Recentemente decorreu um festival de bandas nesse espaço chamado In It Together, dinamizado pelo grupo, mas agora é tempo de se concentrarem na sua música.

Cairo é o primeiro avanço divulgado de um novo disco que os Paperhaus pretendem editar no início do próximo ano e o tema surpreende pela sonoridade inicial atmosférica, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do krautrock e do post punk a darem ao tema uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum. Confere...

 


autor stipe07 às 11:58
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Space Daze – Follow My Light Back Home

Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista ecompositor dos consagrados Seapony e Follow My Light Back Home o seu primeiro disco desta nova aventura musical de um músico oriundo de Seattle e que encontra nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que o impressionam. Com uma edição física limitada a cem cópias e no formato cassete, através da Pea Green Cassette, Follow My Light Back Home tem um belíssimo artwork da autoria de Jen Weidl e está também disponivel para download no bandcamp da Beautiful Strange, uma editora independente sedeada em Londres.

Follow My Light Back Home são doze canções em pouco mais de vinte e seis minutos, um disco curto mas incisivo e onde Danny não perdeu o espírito nostálgico e sentimental da escrita e composição que costuma sugerir nos Seapony, já que estamos na presença de um trabalho cheio de letras pessoais, que falam da forma como o músico sente o mundo que o rodeia, com canções como The Voices of StrangersIts Getting Lighter Earlier, ou o tratado folk I'll Know Tomorrow, a mostrarem a fina fronteira que existe muitas vezes entre a dor e a redenção.

Instrumentalmente, Space Daze é um projeto fortemente influenciado pela pop britânica dos anos oitenta, feita por nomes tão consagrados como Echo And The Bunnymen e os The Smiths. E letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados. Assim, durante esta meia hora que o disco dura somos constantemente inundados por belíssimos arranjos de cordas que dão vida a improvisações melódicas com aquela forte componente etérea que nos deixa a levitar e que criam paisagens etéreas e melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias, mas onde também não deixa de brilhar, amiúde, uma bateria inspirada e guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições. Kill Me é um lindíssimo exemplo da conjugação de todos estes ingredientes, com um resultado final verdadeiramente  jovial, vibrante e luminoso.

Space Daze é a afirmação clara de um músico que consegue provar definitivamente ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Danny tem a capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, que acaba por se tornar na banda sonora perfeita para um fim de tarde quente e prolongado, enquanto se prepara mais um churrasco e salta a tampa das primeiras garrafas daquela caixa de cerveja que vai animar mais um feliz serão entre aqueles amigos de ontem, de hoje e de sempre. Espero que aprecies a sugestão...

Space Daze - Follow My Light Back Home

01. Woke Up In The Summer

02. The Voices Of Strangers
03. Line Up On The Solstice
04. It’s Getting Lighter Earlier
05. It Becomes Silent
06. Going Out
07. I’ll Know Tomorrow
08. Having A Bad Time
09. Follow My Light Back Home
10. Kill Me
11. Close The Curtains
12. The Fireflies Are Gone

 


autor stipe07 às 23:25
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Best Wishes – Best Wishes EP

 

Os Best Wishes são o novo projeto musical do músico canadiano Scott Orr (Guitarra, bateria, voz, piano), ao qual se juntou Eric Fusilier (Baixo, voz) e Matt Henderson (Sintetizadores, guitarra, programação, voz), um trio oriundo de Hamilton, nos arredores de Ontário e o EP Best Wishes o primeiro registo do grupo, um trabalho que viu a luz do dia a treze de maio último e que foi produzido pelo próprio Scott Orr e por Matt Henderson. Este EP foi disponibilizado digitalmente pela Other Songs Music Co., uma etiqueta independente canadiana, com a possibilidade de o adquirires gratuitamente ou doares um valor pelo mesmo.


Best Wishes é uma coleção de seis canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e isso percebe-se rapidamente, pela forma assertiva como os Best Wishes misturam as cordas com as teclas e no modo como definem uma fronteira ténue entre o orgânico e o sintético, de forma a criar melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

O trio domina uma fórmula muito própria, através da qual cria típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro do grupo que, neste EP, olha com particular atenção para o rock alternativo, ao mesmo tempo que, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fortalece no seu ADN sonoro um cariz urbano e atual.

Com a guitarra ligada à corrente na primeira metado do EP, a sustentar melodias bastante virtuosas, cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, a partir de Riverwilde, um dos temas mais curiosos do EP, há uma inflexão e nas últimas três canções os Best Wishes dão um novo passo em frente em busca de um ambiente mais clássico e envolvente, não só por causa da majestosa inserção vocal no caldeirão de arranjos que suportam essas músicas, mas principalmente porque nelas aprimoram a elegância e o cunho sentimental, na forma como selecionam a míriade sonora de que se servem para compôr.

Cada canção de Best Wishes é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina das frias manhãs de inverno, mas este EP também tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Best Wishes, já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um trabalho carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define pela deriva entre uma componente mais orquestral feita com elementos típicos da eletrónica e o lado mais oculto e sombrio do rock progressivo. Uma estreia em grande, portanto. Espero que aprecies a sugestão...

Best Wishes - Best Wishes EP01. Youth

02. Clouds
03. Frus
04. Riverwild
05. Wishes
06. Friendship


autor stipe07 às 17:20
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Tape Waves – Let You Go

Os norte americanos Tape Waves são Jarod Weldin e Kim Weldin, uma dupla oriunda de Charleston que acaba de se estrear nos discos com Let you Go, um disco gravado e misturado pelo próprio Jarod Weldin e masterizado por Joe Goodwin. Let You Go viu a luz do dia por intermédio da Bleeding Gold Records e contou com a participação especial de Danny Rowland nas guitarras, nas teclas e na percussão em alguns dos temas do álbum. Já agora, o lindíssimo artwork do disco é da autoria de Savannah Rusher.

Se nos deixarmos levar pela cândura de Let You Go, é bem possível que a nossas mente nos faça aterrar naquela praia vintage que nos leva de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde a banda reside. Essa passagem para uma outra dimensão sucede naturalmente enquanto se escuta dez canções tranquilas, que não deixam de conter leves pitadas de shoegaze e post rock, mas que nunca atravessam aquela fronteira que poderia conduzir a sonoridade do disco para algo de muito barulhento ou demasiado experimental.

Assim, num disco com uma sonoridade leve e simples e impecavelmente produzido, há também uma evidente aproximação ao surf pop, através de guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo tal sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Temas como All I Can See ou Ready Now têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e são para mim os grandes momentos de Let You Go, belos instantes sonoros pop onde a voz é colocada em camadas, bem como as guitarras, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa.

Mas o álbum tem outros instantes snoros cobertos por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis, canções com uma enorme beleza melódica e que se escutam com particular fluidez. Em Beachfront e Slow Days o trabalho das cordas é exemplar na forma como confere aos temas um ambiente sonoro amiúde acústico, mas sem desligar as guitarras da corrente, numa apenas aparente divergência lo fi, que reforça o charme que está sempre intrínseco ao pendor retro que carateriza o tipo de sonoridade que os Tape Waves tão bem replicam. A voz doce de Kim e o acerto instrumental de Jarold contrastam e complementam-se, em simultâneo, mas trasnbordam uma imensa eficácia e bom gosto na forma como dão vida a temas coerentes, com um forte cariz romântico e que versam sobre o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios. No fundo, são dois artistas que falam com particular delicadeza sobre o sabor doce e amargo da vida, tal como a conhecemos.

A praia dos Tape Waves começa com um peqeuno almoço daqueles dias em que o plano principal é não haver planos e continua até chegar o pôr do sol e com ele uma fogueira que nos leva noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa algo melancólica e instrospetiva, mas que não deixa de ser também feita de cor, movimento e muita letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Tape Waves - Let You Go

01. Slow Days
02. All I Can See
03. Let You Go
04. Ready Now
05. Beachfront
06. Another Day
07. Wherever I Go
08. Looking Around
09. Stay All Night
10. I Can Tell


autor stipe07 às 16:30
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MagaFest 2014

A primeira edição do MagaFest, o festival de música nacional que propõe apresentar nove projectos musicais num só dia, terá lugar em Lisboa, na Casa Independente, no dia 6 de Setembro das 15h às 02h00m, no largo do Intendente, com o apoio da Tasca Tropical. J.P. Simões, Norberto Lobo, Bruno Pernadas e Tiago Sousa são algumas das presenças garantidas.

De acordo com o press release que me foi remetido pela Let's Start A Fire, uma das entidades promotoras do evento, MagaFest é a consequência natural das MagaSessions que viram passar pela casa da Inês Magalhães e do seu irmão Pedro mais de vinte espectáculos ao longo de dois anos. Músicos nacionais e internacionais fizeram desta casa a sua, apresentando aos convidados as mais diversas experimentações sonoras.

As MagaSessions nasceram espontaneamente da necessidade de ter um espaço em que músicos pudessem apresentar propostas das mais distintas origens sonoras. Aproveitando o ambiente informal, viveram-se, mais que concertos, encontros íntimos de criatividade, aproximando músicos e público.

As MagaSessions transformaram-se rapidamente num laboratório de experimentação, tanto para novos projectos como para autores consagrados do panorama musical português, tornando-se passagem obrigatória para quem gosta de aproveitar uma tarde de domingo entre amigos. Desafiar autores a apresentar-se em ambiente caseiro de forma a dar acesso à cultura, permitindo que se reúnam à volta de uma heterogénea selecção musical, sempre foi um dos grandes objectivos.

Se, no início, as sessões eram a convite da organização, há algum tempo que as portas se abriram a todo o tipo de projectos, ficando toda a produção, curadoria e comunicação a cargo de Inês Magalhães, que, incansavelmente, vai acolhendo não só músicos como artistas das mais variadas áreas.

Os bilhetes custam 15€ e estão à venda nas plataformas MagaSessions e Casa Independente e esta é, sem d´vida, uma excelente proposta para um final de verão diferente na capital.

www.magasessions.com   www.facebook.com/MagaSessions   www.vimeo.com/magasessions

MAGAFEST // 6 SETEMBRO - CASA INDEPENDENTE from MAGASESSIONS on Vimeo.

 


autor stipe07 às 12:35
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Friendship Park - Not A Word

Divididos entre Detroit e Brooklyn, Nova Iorque, os Friendship Park são Justin Lawes e Joshua Jouppi, uma dupla que tem em comum uma adição intensa ao mundo da informática, uma atração que fez com que se conhecessem, apesar de serem oriundos de duas cidades algo distantes entre si.

Esta dupla digital aprecia uma mistura curiosa entre a folk e o rock progressivo, mas não descuram uma assertiva aproximação a uma estética mais synthpop.

Not A World é o tema mais recente divulgado pelos Friendship Park, uma canção onde abundam as boas sequências de sintetizadores, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo. Confere...


autor stipe07 às 11:07
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Domingo, 3 de Agosto de 2014

GRMLN - Time After Time (Cyndi Lauper cover)

Os GRMLN acabam de disponibilizar uma versão de Time After Time, um single da cantora Cindy Lauper retirado de She's So Unusual, o álbum da artista norte americana, editado em outubro de 1983.

Esta balada é considerada um clássico da década de oitenta e ainda é tocada frequentemente nas rádios contemporâneas. A canção é conhecida também pelas inúmeras covers, feitas por uma vasta gama de artistas. Confere...


autor stipe07 às 11:29
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Sugiro... XLV

record


autor stipe07 às 11:15
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Sábado, 2 de Agosto de 2014

Teleman - Breakfast

Nascidos das cinzas dos Pete & The Pirates, um quinteto de Reading que editou dois excelentes discos no final da década passada, os britânicos Teleman são o vocalista Tommy Sanders, o seu irmão Johnny (teclados), o baixista Peter Cattermoul e o baterista Hiro Amamiya. Breakfast é o fantástico disco de estreia desta banda que é já um dos grandes destaques do catálogo de 2014 de insuspeita Moshi Moshi Records, um álbum que viu a luz do dia no final do passado mês de maio e que foi produzido por Bernard Butler, guitarrista dos Suede.

Da cândura de Cristina à imponência de Travel Song, os Teleman fazem, no primeiro disco do seu cardápio, uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que parece vir a caraterizar a personalidade deste quarteto, que criou neste álbum um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

O baixo de Steam Train Girl, o primeiro single divulgado do disco, já em 2013, merecia, por si só, a audição deste álbum, com um punhado de outras notáveis canções, que mostram um notável recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e tranquila de paisagens instrumentais e líricas. Delas destaco também a delicadeza de Lady Low e o charme único do tema de abertura, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível de canções como 23 Floors Up, ou Skeleton Dance, que poderiam muito bem fazer parte do ideário sonoro da banda de onde é oriundo o produtor de Breakfast. Recomendo igualmente a audição cuidada da guitarra com um ligeiro travo ao blues do outro lado do atlântico de Mainline, da grandiosa Travel Song, canção que intercala uma excelente interpretação de Anderson com um trabalho habilidoso da restante banda e da divertida Monday Morning, um tratado sonoro que traz sons modulados e camadas sonoras sintetizadas  que lhe dão um clima espectral.

A fragilidade da voz refrescante e ternurenta de Tommy Sanders é mais um importante trunfo de um disco que consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma, através de uma fresca coleção de canções pop que são uma das melhores surpresas de 2014 e que caiem muito bem neste verão que teima em manter-se um pouco na penumbra. Espero que aprecies a sugestão...

Teleman - Breakfast

01. Cristina
02. In Your Fur
03. Steam Train Girl
04. 23 Floors Up
05. Monday Morning
06. Skeleton Dance
07. Mainline
08. Lady Low
09. Redhead Saturday
10. Travel Song


autor stipe07 às 20:47
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

The Acid - Liminal

Há algo de místico nos The Acid, um projeto musical formado por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴Depois de terem lançado no passado dia catorze de abril um EP homónimo, disponível para audição no soundcloud, agora estão de regresso com Liminal, um disco ditado no passado dia sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há nos The Acid uma aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, numa espécie de penumbra que tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descoberta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustrante a escassez de fontes disponíveis. A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste disco nos suscita, um trabalho onde o australiano RY X assume o maior protagonismo. As suas canções parecem ter sido embaladas num casulo de seda e em coros de sereia, um novo trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker, a espiritualidade negra e o falsete de Bon Iver. Assim, não espanta Liminal estar repleto de melodias doces com um leve toque de acidez, mas que se escutam com invulgar fluidez.

Temas como Animal ou Trumbling Lights, a minha canção preferida de Liminal, espantam pelo minimalismo insturmental e pelo corpo imenso que a voz lhes confere, um registo que algures entre elegância e fragilidade, deixa-nos a suspirar no seio de uma calma cósmica e instrospetiva, que dá vida a canções com letras carregadas de drama e melancolia.

Já temas como Ghost ou Creeper, ou o dedilhar da viola acústica em Basic Instinct, apostam em outros detalhes, com sintetizadores mais luminosos e expressivos, mas mantém-se o mesmo fio condutor marcado pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, alguns teclados, a voz agora sintetizada e linhas poderosas de baixo.

Toda esta amálgama apenas aparente serve para criar ambientes intensos e emocionantes, que nunca deixam de lado a delicadeza e onde cada detalhe existe por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada tema sejam sentidas mais facilmente e como as canções assentam em batidas eletrónicas esparsas e efeitos sonoros ora hipnóticos, ora claustrufóbicos, o ouvinte pode sentir o desejo de ele próprio imaginar como preencheria esses mesmos espaços.

The Liminal é um triunfo em toda a escala e, sem grandes alaridos ou aspirações, mais um passo seguro na carreira deste grupo. E parece evidente que os The Acid não pretendem abrigar-se em zonas de conforto e que estão disponíveis para futuras experimentações subtis, que certamente irão fortalecer ainda mais o seu crescimento e fazer com que a música do projeto alcance um universo maior. Espero que aprecies a sugestão....

The Acid - Liminal

01. Animal
02. Veda
03. Creeper
04. Fame
05. RA
06. Tumbling Lights
07. Ghost
08. Basic Instinct
09. Red
10. Clear
11. Feed

 


autor stipe07 às 18:31
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Zulu Winter – Stutter

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