Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Panda Bear – A Day With The Homies EP

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira a solo de Noah Lennox, aka Panda Bear, um músico natural de Baltimore, no Maryland e com residência em Lisboa, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase três anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo de A Day With The Homes, um EP de cinco canções onde encontramos uma sequência de primorosas e ainda atrativas experimentações, com o nível de desordem sonora a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e o disco a fluir dentro de limites bem definidos.

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Neste A Day With The Homies as canções sucedem-se articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea. É a materialização de um universo muito próprio e algo peculiar e até colorido, uma impressão obtida logo noinício com a batida animada de Flight a surpreender pelo seu nível de humor e de acessibilidade.

O EP avança e quer no clima kraut algo subversivo de Parth Of The Math ou nos flashes e ruídos que correm impecavelmente atrás de uma percussão orgânica e bem vincada que, em Shepard Tone, nos faz transpor quase instantaneamente uma espécie de portal, para um universo de pendor mais psicadélico, escutamos dois temas com uma filosofia diferente e menos imediata do que a da canção incial e que nos deixam a impressão que Lennox quis, desta vez, trazer à tona sons, efeitos e melodias que estavam guardadas e à espera do momento certo para ganharem vida, porque o autor considerava que antes não se encaixavam no perfil sonoro dos seus alinhamentos, ou porque ainda não tinham sido objeto do trabalho de produção merecido. 

O ocaso do EP chega mais depressa do que gostaríamos com o clima etéreo de Noad To The Folks, canção onde as batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem em demasiado ao restante conteúdo sonoro, assente em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um efeito aquático com um volume crescente e com um piscar de olhos sintético a sonoridades mais negras em Sunset, mais duas canções que justificam o modo como A Day With The Homies pode ser descrito como extraordinário. Naturalmente corajoso, complexo e encantador, além de não renegar a identidade sonora distinta de Panda Bear, ainda a eleva para um novo patamar de diferentes cenários e experiências instrumentais, onde exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário sonoro desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, mas repleta de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - A Day With The Homies

01. Flight
02. Part Of The Math
03. Shepard Tone
04. Nod To The Folks
05. Sunset


autor stipe07 às 16:44
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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2018

Franz Ferdinand – Feel The Love Go

Franz Ferdinand - Feel The Love Go

Quatro anos depois de Right Thoughts, Right Words, Righ Action podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar está de volta com Always Ascending, lá para o próximo mês de fevereiro.

Depois de termos escutado o single homónimo desse novo registo de originais dos Franz Ferdinand, em outono, agora chegou a vez de conferir Love To Go, mais um tema desse Always Ascending, uma nova espiral rugosa e dançante em que crescem guitarras e bateria e o pendor exaltante dos sintetizadores, num frenesim de dance post punk rock que irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro indie em que se insere. Confere...


autor stipe07 às 17:27
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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

Máquina Del Amor - Disco

É em Braga e numa feliz simbiose entre elementos dos peixe:avião e dos Smix Smox Smux que se encontra a génese dos Máquina Del Amor, um quarteto que já carrega nos braços um fabuloso tomo de canções intitulado Disco. São oito temas impregnados com um rock cru, intenso e maquinal, um rock feito sem limites pré-definidos ou concessões a estreótipos de géneros e estilos e do qual exala uma salutar sensação intuitiva. Nela, improviso instrumental e sensibilidade melódica entrelaçam-se constantemente, sem cânones ou fronteiras rígidas e com uma ímpar homogeneidade, um coito desprovido de qualquer tipo de pudor entre o orgânico e o sintético, que acabou por resultar num registo desconcertante e inigualável no panorama sonoro nacional atual.

Resultado de imagem para Máquina Del Amor Disco

Logo no modo lascivo e de certo modo corrosivo como Karate aborda e conjuga efeitos etéreos, distorções rugosas e uma batida bastante proeminente percebe-se que este álbum não é para ser escutado por quem é adepto de ambientes sonoros mais amenos e delicados. Esta sonoridade algo psicótica não é propriamente confortável para o ouvido, mas esse acaba por ser, curiosamente, um dos maiores atributos destes Máquina Del Amor que, mesmo com essa permissa sempre presente, conseguem oferecer ao ouvinte instantes melódicos atrativos e que vagueiam pela nossa mente sem atropelo, alguns de um modo até tremendamente hipnótico, como é o caso de Mau ou o falso minimalismo coercivo de Carta de Amor e, de um modo ainda mais progressivo, Nova Antiga, composição onde a delicadeza emotiva nunca deixa de fazer mossa, mesmo que à medida que o tema se desenvolve, longos loopings sintetizados e riffs de guitarra alucinogénicos, façam a sua aparição sem qualquer tipo de mácula ou entrave.

Disco é rock puro e duro e que corta e rebarba de alto a baixo. Frenético, labiríntico, sufocante e cerebral, é capaz de nos levar do subsolo aos confins do universo num ápice, sendo proposto por um projeto que estará totalmente alheado, de forma consciente, do que são hoje os os habituais patamares de rugosidade instrumental e estilística de um campo sonoro que permite uma multiplicidade infinita de abordagens, mas que nem sempre aceita de bom grado a busca de atmosferas mais opressivas e desoladoras que o habitual, mesmo que isso seja apenas uma primeira impressão que pode até nem corresponder à real génese do trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:58
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2018

MGMT - Hand It Over

MGMT - Hand It Over

Pouco mais de quatro anos depois de um homónimo, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, está prestes a regressar aos discos com Little Dark Age, o quarto trabalho destes já veteranos do indie rock psicadélico, que desde o espetacular disco de estreia Oracular Spectacular nos habituaram a uma espécie de rock psicadélico algures entre os Pink Floyd das décadas de sessenta e setenta e uns mais contemporâneos Flaming Lips, mas também com os olhos e ouvidos postos em projetos mais atuais e até, de algum modo, concorrentes.

Depois do ambiente sonoro algo cinzento e eminentemente sintético de Little Dark Age, a canção homónima do trabalho, divulgada em outubro último e dos sons poderosos que esculpiam When You Die, já é conhecido o terceiro single do disco. É uma canção intitulada Hand It Over e contém uma toada luminosa, cheia de sons etéreos e efeitos lisérgicos adornados por sintetizadores flutuantes e com direito a um video bastante curioso, comparável com uma pintura em movimento e realizado em parceria por Old Man Future e Shively Humperdink. Confere...


autor stipe07 às 17:59
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018

Laura Marling – A Hard Rain’s A-Gonna Fall

Laura Marling -  A Hard Rain's A-Gonna Fall

A britânica Laura Marling editou na passada primavera Semper Femina, um excelente registo de indie folk que além de ter melhorado consideravelmente a sua já inatacável reputação como cantora e compositora, acabou por lhe valer comparações como nomes tão importantes como Joni Mitchell ou Patti Smith.

Agora, alguns meses depois, enquanto não anuncia um novo trabalho, terminou o ano de 2017 a divulgar uma cover de um clássico de Bob Dylan intitulado A Hard Rain’s A Gonna Fall. Na reinterpretação que concebeu do tema, não só fez juz à emotividade latente no original, como ampliou aquela curiosa sensação de otimismo que transparece do poema que dá vida ao tema. Confere...


autor stipe07 às 21:36
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018

Luke Sital-Singh – Thirteen

Luke Sital-Singh - Thirteen

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição.

Uma das canções presentes nesse alinhamento que Luke escutou nessa road trip sonora é Thirteen, um clássico original de 1972 dos Big Star, já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith e que acabou por ser também cantado por Luke, numa versão recentemente divulgada e que é fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a própria canção, na sua génese, transborda, nomeadamente da sua letra. Confere... 


autor stipe07 às 17:31
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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2018

Soft Serve – Trap Door EP

Os canadianos Soft Serve formaram-se em 2013, mas só em 2016 conseguiram alguma projeção quando Kyle Thiessen, líder do projeto, mudou-se para Toronto, mesmo que Thomas James, o seu parceiro, que também assina o projeto Milk, tenha permanecido em Vancouver. Já agora, nesta cidade abriram uma espécie de estúdio de gravação comunitário, os Luna Studios, que hoje é um porto de abrigo de muitos grupos locais que, não tendo um espaço próprio para gravar, socorrem-se dele. Trap Door é o novo EP destes Soft Serve que têm um pé no passado e o outro firmemente plantado no presente, algo comum a um elevado número de grupos que enquanto revivem influências de alguns dos melhores catálogos sonoros das últimas cinco décadas, procuram também dar um cunho algo pessoal, genuíno e identitário a essa permissa revivalista, de forte cariz sentimental.

Foto de Soft Serve.

Do post punk oitocentista, ao indie rock da década seguinte, passando pelo lo-fi setentista, Trap Door é uma excitante viagem temporal por um arquétipo sonoro que soa familiar a quem se habituou a crescer ao som de alguns dos melhores projetos deste universo sonoro. Da vibe melancólica e contemplativa de Whisper In The Wind, ao timbre corrosivo e encorpado que escorre de Phantasm, passando pela luminosidade sedutora e inebriante de Pat's Pun Open Blues Jam, as suas cinco canções foram um alinhamento primoroso e bastante audível. Não faltam nele leves pitadas de shoegaze, com as guitarras plenas de efeitos metálicos e timbres luminosos e uma bateria com a cadência adequada ao sentimentalismo das canções, a serem os grandes trunfos de um compêndio que colocará estes Soft Serve na mira de um número cada vez maior de entusiastas de um rock descomplicado e que se saboreia por nunca deixar de soar de modo refrescante e simultaneamente vintage. Trap Door tem tanto de acessível como de inédito, criativo e agradavelmente refrescante e único. Espero que aprecies a sugestão...

Soft Serve - Trap Door EP

01. Whisper In The Wind
02. Pat’s Pub Open Blues Jam
03. Phantasm
04. Camera Phone
05. Soft Soap


autor stipe07 às 17:46
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017

James Blake - Vincent

James Blake - Vincent

Enquanto não edita um novo disco, o londrino James Blake resolveu oferecer como prenda de natal aos seus fãs, uma lindíssima versão de Vincent, um clássico da autoria do cantor norte-americano Don McLean, originalmente gravada há quarenta e seis anos anos, como homenagem ao pintor Vincent Van Gogh.

Com o original presente na banda sonora do filme Loving Vincent, lançado recentemente, esta versão de Blake teve já também direito a um vídeo, gravado em Los Angeles e dirigido por Andrew Douglas, sendo uma lindíssima canção tocada ecantada ao piano, uma reinterpretação que criou um ambiente algo intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Confere...


autor stipe07 às 15:25
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017

Gonçalo - Boavista

Figura de proa dos míticos Long Way To Alasca, Gonçalo Alvarez acaba de estrear o seu projeto a solo no formato disco com Boavista, nove cançoes que sucedem a QUIM, o EP que este músico bracarense lançou em 2014 pela Lovers & Lollypops, a mesma etiqueta que abriga este registo. Este disco chega após uma recente participação com Castello Branco, num projeto com o nome de Mar Nenhum, colaboração proposta e promovida pela webzine Bodyspace e que contou com a participação de vários músicos lusófonos.

Gonçalo (Long Way to Alaska) - Boavista

Gravado e produzido por Gonçalo e João Moreira e com várias participações de relevo, nomeadamente André Simão (La La La Ressonance), Filipe Azevedo (Sensible Soccers), João Moreira, João Pereira (Guilty Ones), Jorge Queijo (Torto), Pedro Oliveira (peixe : avião)  e Sérgio Alves (Marta Ren), Boavista é um raio de luz e de cor que flameja com vigor no inverno cinzento e fusco que tem caraterizado os dias mais recentes. Feito com uma instrumentação diversificada que, numa mesma canção, é capaz de ir do simples dedilhar de um par de cordas até à inserção de uma miríade heterogénea de efeitos sintetizados, cruzados por sopros e percurssão de várias proveniências, Boavista é um caldeirão sonoro vivo e tremendamente comunicativo. Carrosséis, com exuberância e Lorosae, de modo mais contido, mas também contundente, mostram-nos, logo a abrir, o esplendor deste receituário estilístico, uma pop refinada, plena de charme e impressiva porque se deixa enlear quase de modo intuitivo pelas memórias que Gonçalo pretende transmitir a quem se predispuser a ser seu confidente íntimo.

O piano é também figura de proa deste sentido quadro, o rei de vários temas, como é o caso de Pianda, uma espécie de divagar soturno por aquele céu onde os sonhos ganham uma leveza irreal, mas também de Bonanza, canção onde a bateria contrasta, parecendo martelar em visões que desvendam algo misterioso e que não é deste mundo, para depois nos aconchegar em Bravo!, uma canção a conter uma acusticidade inicial um pouco sombria, mas simultaneamente festiva e onde uma viola paira delicadamente enquanto debita uma melodia pop simples e muito elegante, para depois se eletrificar sem pudor, proporcionando-nos uma assombrosa sensação de conforto. Mas é na graciosidade algo pueril de Champagna que ficamos definitivamente ofuscados pelo brilho incomensurável de um registo ímpar que não permite entrelinhas ou hesitações.

Boavista é, em suma, uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade do autor para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Gonçalo combina aqui, com uma perfeição raramente ouvida, a música pop com sonoridades mais progressivas e experimentais, provocando um efeito devastador e que torna este álbum numa espécie de disco híbrido perfeito. Espero que aprecies esta sugestão...

 


autor stipe07 às 15:58
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2017

Os melhores discos de 2017 (10-01)

10 - Paperhaus - Are These The Questions That We Need To Ask

Em Are These The Questions That We Need To Ask os Paperhaus aprimoram o seu espetro sonoro, mostrando-nos um som corrosivo, hipnótico e contundente, um clarividente exemplar da habitual cartilha sonora que este coletivo da costa leste costuma guardar na sua bagagem. Há neles uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que também recordem os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabus ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Paperhaus produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico.

Paperhaus - Are These The Questions That We Need To Ask

01. Told You What To Say
02. Go Cozy
03. Nanana
04. Walk Through the Woods
05. It’s Not There
06. Needle Song
07. Serentine
08. Bismillah

09 - Sleep Party People - Lingering

Lingering é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também observadora de outros eventos e emoções, um trabalho experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas.

Sleep Party People - Lingering

01. Figures
02. The Missing Steps
03. Fainting Spell
04. Salix And His Soil
05. Lingering Eyes
06. Dissensions (Feat. Luster)
07. Limitations
08. The Sound Of His Daughter
09. The Sun Will Open Its Core
10. We Are There Together (Feat. Beth Hirsch)
11. Odd Forms
12. Vivid Dream

08 - Grooms - Exit Index

Com um forte cariz urbano e atual, Exit Index é um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. É um disco que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Todos os temas são arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões e que se servem também, em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico, certamente com o propósito de contornar todas as amarras que prendem a nossa alma e apresentar, desse modo, a notável disponibilidade dos Grooms para nos fazerem pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Há neste alinhamento quase uma pueril simplicidade, que plasma uma notável capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje, oferecendo-nos, enquanto se vai num abrir e fechar de olhos do nostálgico ao glorioso, uma caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme.

Grooms - Exit Index

01. The Directory
02. Horoscopes
03. Turn Your Body
04. Magistrate Seeks Romance
05. End
06. Dietrich
07. Softer Now
08. Some Fantasy
09. They Can Tell
10. Thimble

07 - LCD Soundsystem - American Dream

American Dream talvez reflita, no fundo, a realidade atual de uma América onde não existem, nos dias de hoje, muitas razões para celebrar ou motivos que inspirem à criação musical que exale, de modo evidente, a gloriosa celebração do que é viver num país que nunca se cansa de apregoar que lidera os destinos do mundo. De um modo mais particular, talvez aquele que mais interesse, ensina-nos que nunca é tarde para recomeçar, que os anos podem passar por nós, mas o nosso espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados LCD Soundsystemcomo entidade.

LCD Soundsystem - American Dream

01. Oh Baby
02. Other Voices
03. I Used To
04. Change Yr Mind
05. How Do You Sleep?
06. Tonite
07. Call The Police
08. American Dream
09. Emotional Haircut
10. Black Screen

06 - Slowdive - Slowdive

Disco muito desejado por todos os seguidores e não só e que quebra um longo hiato, Slowdive é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde o amor é tantas vezes protagonista, mas onde também subsistem outros eventos e emoções capazes de nos transformar positivamente.

Slowdive - Sugar For The Pill

01. Slomo
02. Star Roving
03. Don’t Know Why
04. Sugar For The Pill
05. Everyone Knows
06. No Longer Making Time
07. Go Get It
08. Falling Ashes

05 - Beach Fossils - Somersault

Somersault eleva os Beach Fossils a um novo patamar criativo, com as canções a abrigarem-se à sombra de uma filosofia estilística bastante marcada e homogéna, o que faz com que funcionem, individualmente, como vinhetas climáticas que vão servindo para marcar o ambiente e a cadência do mesmo. Mas, um dos maiores atributos do alinhamento é a quase indivisibilidade entre os temas, que podem ser apreciados como um todo, já que, liricamente, debruçando-se sobre as agruras de uma América cada vez mais confusa, garantem a formatação de uma obra de maior alcance e até, do modo como estão alinhados, engrandecem algumas canções menores. É o caso de Be Nothing, composição posicionada no final de Somersault e que, no modo como cresce e progride, além de personificar aquele grito de raiva que muitas vezes é imprescindível soltar no clímax de um instante reflexivo, acaba também por fazer uma súmula de todo o ideário, quer sentimental, quer sonoro, subjacente à intimidade que exala de toda a obra e que nos envolve de um modo muito particular.

Beach Fossils - Somersault

01. This Year
02. Tangerine (Feat. Rachel Goswell)
03. Saint Ivy
04. May 1st
05. Rise (Feat. Cities Aviv)
06. Sugar
07. Closer Everywhere
08. Social Jetlag
09. Down The Line
10. Be Nothing
11. That’s All For Now

04 - The War On Drugs - A Deeper Understanding

A Deeper Understanding é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Gradunciel sereno e bucólico, através de uma viagem aos universos de Dylan e Kurt Vile, passando por Springsteen, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências pessoais do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas de uma América que parece ter encalhado e não saber como voltar novamente ao rumo certo.

The War On Drugs - A Deeper Understanding

01. Up All Night
02. Pain
03. Holding On
04. Strangest Thing
05. Knocked Down
06. Nothing To Find
07. Thinking Of A Place
08. In Chains
09. Clean Living
10. You Don’t Have To Go

03 - Father John Misty - Pure Comedy

Sedutor, cativante, profundamente engenhoso e com todos os atributos para ser um verdadeiro diabo vestido de anjo, John Tillman aprofunda neste seu novo trabalho, que é já, claramente, um dos melhores discos do ano, o refinado e oportuno sentido de humor que tão bem o carateriza e a sagacidade das suas letras, cada vez mais inteligentes e enigmáticas. E Father John Mistyleva a cabo esta demanda com um elevado sentido críptico e desafiante, já que não é óbvia, em alguns instantes, a descodificação célere das suas reais intenções relativamente a todos aqueles que se deixam inebriar pelos seus sermões e fazer parte de um rebanho que se assanha sempre que o pastor investe no seu tema recorrente, o amor.

Resultado de imagem para father john misty love comedy tracklist

1. Pure Comedy
2. Total Entertainment Forever
3. Things It Would Have Been Helpful to Know Before the Revolution
4. Ballad of the Dying Man
5. Birdie
6. Leaving LA
7. A Bigger Paper Bag
8. When the God of Love Returns There'll Be Hell to Pay
9. Smoochie
10. Two Wildly Different Perspectives
11. The Memo
12. So I'm Growing Old on Magic Mountain
13. In Twenty Years or So

02 - The Feelies - In Between

Aos quarenta anos de idade, os The Feelies deslumbram intensamente pelo à vontade com que, nas várias inflexões e variações, quer de sons quer de arranjos, que colocam nas suas músicas, ainda navegam em segurança e vigor nos meandros intrincados e sinuosos de um indie rock que entre uma toada maisgrunge, progressiva e psicadélica e uma leveza pop mais intimista, nunca deixam de exalar um sedutor entusiasmo lírico, uma atmosfera amável mesmo no meio de algum fuzz constante e um clima geral luminoso, enérgico e até algo frenético, num disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda cada vez mais protagonista no universo sonoro em que se move.

The Feelies - In Between

01. In Between
02. Turn Back Time
03. Stay The Course
04. Flag Days
05. Pass The Time
06. When To Go
07. Been Replaced
08. Gone, Gone, Gone
09. Time Will Tell
10. Make It Clear
11. In Between (Reprise)

01 - Ulrika Spacek - Modern English Decoration

Os Ulrika Spacek levam-nos a sorrir e a abanar a anca ao som de canções que se insinuam continuamente por causa do modo algo desconexo como se vão desenvolvendo ritmíca e melodicamente, acabando este disco por ser a expressão máxima de um modo bastante textural, orgânico e imediato de criar música e de fazer dela uma forma artística privilegiada na transmissão de sensações que não deixam ninguém indiferente. Modern English Decoration atesta a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este grupo britânico entra em estúdio para compôr e criar um shoegaze progressivo que se firma com um arquétipo sonoro sem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual. O melhor disco do ano, claramente.

Ulrika Spacek - Modern English Decoration

01. Mimi Pretend
02. Silvertonic
03. Dead Museum
04. Ziggy
05. Everything, All The Time
06. Modern English Decoration
07. Full Of Men
08. Saw A Habit Forming
09. Victorian Acid
10. Protestant Work Slump

 
 

autor stipe07 às 14:20
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