Terça-feira, 18 de Julho de 2017

Portugal. The Man – Woodstock

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley estão de regresso aos discos com Woodstock, um álbum que sucede ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo, juntamente com Mac Miller e John Hill. Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man mostram, assim, o oitavo registo de originais da carreira, um álbum baptizado quando o pai de John Gourley encontrou o bilhete que usou no primeiro dia do mítico festival Woodstock e o ofereceu ao filho. Aliás, o disco inicia com Number One, uma canção que homenageia o evento por usar samples de Freedom, o último tema que o falecido cantor Richie Havens tocou no concerto que deu nesse Woodstock.

Resultado de imagem para portugal. the man 2017

Ecletismo e abrangência são duas ideias chave de quase quarenta minutos de rock alternativo, um alinhamento que justifica a sua contemporaneidade pelo modo como abraça esse rock ao hip-hop, ao jazz, ao R&B e à eletrónica, com criatividade e uma salutar dose de experimentalismo. Se em Evil Friends o grupo optou por um maior conservadorismo e por deixar de lado a vertente mais experimental para se concentrar num emaranhado de canções pop, agora, no alinhamento de Woodstock, temos momentos em que muitas vezes duvidamos se o tema que inicia pertence ao mesmo álbum e banda da canção anterior. Bom exemplo disso é como o grupo passa do rock épico e algo sombrio de Live In The Moment para o funk do baixo e o clima psicadélico de Feel It Still, composição que faz-nos querer instantaneamente cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. E depois, do piscar do olhos virulento ao R&B em So Young, ao hip-hop em Mr. Lonely, tema onde intervém Fat Lip dos The Pharcyde e à pop de cariz mais lisérgico e experimental de Tidal Wave e, principalmente, na indulgência ambiental de Noise Pollution, tudo assenta, basicamente, em permissas que obedecem a um alinhamento instrumental preciso, mas também a um completo desapego relativamente a tudo o que a banda propôs anteriormente, numa espécie de manta de retalhos minuciosamente arquitetada e que não deixa também de demonstrar com precisão, a opção, em determinados períodos, por sonoridades mais fáceis, comerciais e acessíveis ao grande público. Espero que aprecies a sugestão...

Portugal. The Man - Woodstock

01. Number One (Feat. Richie Havens And Son Little)
02. Easy Tiger
03. Live In The Moment
04. Feel It Still
05. Rich Friends
06. Keep On
07. So Young
08. Mr Lonely (Feat. Fat Lip)
09. Tidal Wave
10. Noise Pollution (Feat. Mary Elizabeth Winstead And Zoe Manville) [Version A, Vocal Up Mix 1.3]


autor stipe07 às 21:13
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 16 de Julho de 2017

Work Drugs – Midnight Emotion

Work Drugs - Midnight Emotion

Depois do excelente Louisa, editado em finais de 2015, os Work Drugs, uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estreou com Blood, em 2010, está de regresso neste verão com Midnight Emotion, um avanço para Flaunt the Imperfection, o proximo disco do grupo, que verá brevemente a luz do dia.

Como seria de esperar, este novo tema dos Work Drugs está impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze, numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave. Esta é uma dupla que serve-se de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria eletrónica bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico, como é o caso desta Confere...


autor stipe07 às 18:22
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Lush Purr - Cuckoo Waltz

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os escoceses Lush Purr dos irmãos Gavin Will e Rikki Will, aos quais se juntam Emma Smith e Andres Fazio, nasceram das cinzas dos míticos The Yawns e, à imagem desse consagrado projeto, seguem na senda de um indie punk rock psicadélico com um certo pendor lo fi e que tem em Cuckoo Waltz o trabalho de estreia. São treze notáveis canções incubadas em Glasgow, cidade escolhida pela banda para ponto de encontro de músicos que, entre Aberdeen e Santiago do Chile, se distribuem por diferentes proveniências, mas que nessa cidade em boa hora se conheceram e resolveram compôr juntos.

Resultado de imagem para Lush Purr band edinburgh

O disco inicia com Wave e logo se percebe um fio condutor bem definido, assente na primazia das cordas, que vão deixando-se levar por um salutar experimentalismo, à medida que progridem e ampliam a tonalidade da canção. Depois, em Bananadine, um riff eletrificado e o modo como a bateria se encaixa na melodia, têm o propósito bem claro de captar definitivamente o lado mais radiofónico do ouvinte, sem colocar em causa uma certa ousadia experimental, à qual aludi acima e que acabará por ser transversal a todas as canções independentemente do rumo que as mesmas tomem.

Depois deste início prometedor e já completamente absorvidos pelo conteúdo de Cuckoo Waltz, Horses On Morphine, mantendo o estilo, acelera o ritmo até territórios de maior pendor punk, para, pouco depois, em Stuck In A Bog, sermos surpreendidos pela acutilância percurssiva de uma bateria cheia de personalidade e por mudanças de acordes bem delineadas e em (I Admit It) I’m A Gardener, por uma ainda maior rugosidade, quer percussiva, quer elétrica, uma espiral crescente de fulgor e emotividade que não deserma até ao fim. É uma forma de compôr e de manusear o arsenal instrumental escolhido que não deixa margem para dúvidas relativamente ao modo excitante e anguloso como os Lush Purr conseguem cirandar por diferentes espetros sonoros e parecendo que flutuam entre eles, conseguem criar sempre fios condutores que facultam uma homogeneidade bastante impressiva ao disco, sem que ele deixe de exalar uma superior maturidade e um ecletismo claramente indie.

Até ao ocaso, com o baixo de Mr. Maybe, que dita regras de modo ditadorial, mesmo que a guitarra procure imiscuir-se na liderança do ambiente do tema, com, em I, Bore, a opção por um travo algo vintage ou com o noise algo contemplativo da guitarra de Triple Squit, existe sempre a tal variedade de referências a palpitar e fica a certeza que estes Lush Purr são uma das novidades mais refrescantes deste verão indie e que o rock que seguram com unhas e dentes, feito de um certo experimentalismo alternativo novecentista, dificilmente encontra melhores interlocutores. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:05
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 10 de Julho de 2017

Sun Airway – Heraldic Black Cherry

Filadélfia, na Pensilvânia, é a morada dos Sun Airway, uma dupla norte-americana formada por Jon Barthmus e Patrick Marsceill, que editou no início deste ano Heraldic Black Cherry, um compêndio de quinze canções que apostam nos traços mais caraterísticos da indie pop, algo que ficou muito claro, em Landscapes, o antecessor, mas também noutros lançamentos anteriores do projeto. Este Heraldic Black Cherry aprimora a mistura de todo o arsenal instrumental de que a dupla se serve com os sintetizadores, amplificando a vontade da dupla em ser exímia na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

Os Sun Airway distinguem-se, logo à partida e conforme se confere em FOAM, a canção que abre este disco, por uma certa aúrea encantatória, um salutar experimentalismo livre de constrangimentos e amarras e onde o reverb e o fuzz se misturam com liberdade plena, originando um clima fortemente lisérgico que os cobre com uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. E a verdade é que depois, temas como All In, uma canção conduzida por um teclado emotivamente forte e um registo vocal sintetizado convincente, ou Sleeping Sound, uma composição de forte cariz cósmico conduzida por um efeito vincado e um piano cheio de soul, assim como o agregado ternurento que sustenta Small Fires ou a luminosidade melódica algo inebriante de Violent Gray permitem-nos, com uma certa clareza, refletir sobre alguns dos mais nobres sentimentos que nos invadem e tudo aquilo que de bom a vida tem para nos oferecer.

Heraldic Black Cherry torna-se desafiante pela forma como nos convida a tentarmos perceber os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e esculpindo as suas canções, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e com os arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Assim, neste registo vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa viagem psicadélica proporcionada por estes Sun Airway, mestres de um estilo sonoro carregado de uma intensa jovialidade e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. Espero que aprecies a sugestão...

Sun Airway - Heraldic Black Cherry

01. FOAM
02. All In
03. Absolut
04. Sleeping Sound
05. Ha Ha
06. Violent Gray
07. Skiff
08. Small Fires
09. Big Ideas
10. Sand
11. Carry Away
12. Debraining
13. Landfall
14. Gob
15. All I Ever


autor stipe07 às 00:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 7 de Julho de 2017

Day Wave – The Days We Had

Depois dos EPs Headcase e Hard To Read, que o colocaram logo nos radares da crítica mais atenta, o norte americano Jackson Phillips, que assina a sua música como Day Wave, está de regresso com Hard To Read, o seu primeiro lançamento no formato álbum, onze canções que viram a luz do dia no início do passado mês de maio pela mão da Capitol Records e que obedecem a uma fórmula de composição bastante particular, na qual os sintetizadores assumem a primazia no modo como acomodam o restante arsenal orgânico que, numa espécie de simbiose entre o polimento melódico de uns Real Estate, o efeito de guitarras que aponta para a luminosidade efusiva de uns DIIV e um baixo com um pulsar muito vincado e caraterístico, tem a mira apontada para os pilares fundamentais da indie pop contemporânea que, como tem sido norma, encontra no saudosismo de outras épocas a sua grande força motriz e que, neste caso específico de Day Wave, olha de modo beliçoso para a herança oitocentista do século passado.

Resultado de imagem para day wave 2017

O primeiro elogio que se pode fazer a Day Wave e a este seu disco de estreia é que as canções nele contidas são realmente boas e apontam para diversas referências, basicamente descritas acima, não de modo a replicá-las, mas procurando abrangê-las naquele que é um cunho estilísitico identitário já bem definido. Por exemplo, se em Home a guitarra parece ter sido retirada do clássico All I Want dos LCD Soundsystem ou se a distorção de Something Here segue os mesmos cânones de Sparks, um dos temas fundamentais da discografia dos Beach House, a verdade é que não deixa de haver algo de distintivo e único no modo como depois, deixa que as canções sigam o seu percurso natural.

Phillips oferece-nos de mão beijada uma estreia que contendo uma filosofia algo introspetiva mas, por um lado fazendo-se espraiar por uma lúcida cadência épica, nomeadamente no primeiro tema do alinhamento e por outro, por um frenesim solarengo, nomeadamente em Promises, acaba por, no seu todo, resultar em algo consistente e até ligeiramente hipnótico. O dedilhar inicial da guitarra de I'm Still There e o modo como ela depois se transforma e ganha músculo e a voz ecoante do músico que parece planar ligeiramente acima do baixo e do sintetizador, acabam por materializar aquela curiosa sensação que muitas vezes nos invade quando ouvimos uma canção que parece querer forçar o ouvinte a deixar, nem que seja por breves instantes, tudo e todos para trás, rumo aquela luz que está sempre ali, mas que nunca temos coragem de perscutar.

Com a melhor dream pop também na mira,  The Days We Had é um alinhamento de temas vibrantes, que tanto contém uma atmosfera catárquica como um clima sonhador, com belos momentos que sabem aquela brisa quente e aconchegante que entra pela nossa janela nestas convidativas noites de verão. Day Wave pode gabar-se de ser capaz de mostrar uma invulgar intensidade emocional na sua escrita e de poder ser já caraterizado como um artista possuidor não só dessa importante valência mas também de um tímbre vocal único e uma postura confiante. Ele exala uma faceta algo sonhadora e romântica que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada e que irá certamente agradar a todos os apreciadores do género. Espero que aprecies a sugestão...

Day Wave - The Days We Had

01. Something Here
02. Home
03. Ordinary
04. Untitled
05. Bloom
06. On Your Side
07. Bring You Down
08. Wasting Time
09. Promises
10. Disguise
11. I’m Still Here


autor stipe07 às 15:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
|
Quinta-feira, 6 de Julho de 2017

Overlake – Fall

Oriundos de Nova Jersey, os Overlake são Tom Barrett, Lysa Opfer e Nick D'Amore, um trio que começou a fazer música em 2012 e que se estreou nos discos no ocaso de 2014 com Sighs, nove canções que viram a luz do dia através da Killing Horse Records. Agora, pouco mais de dois anos depois, já chegou o segundo disco deste grupo norte-americano, um compêndio de oito canções intitulado Fall e que viu a luz do dia através da insuspeita Bar-None Records, morada de nomes tão fundamentais para o indie rock como os The Feelies, os Happyness, Of Montreal, Yo La Tengo, The Spinto Band, Breakfast In Fur e The Individuals, entre outros.

Apaixonados pelo rock alternativo dos aos oitenta e noventa, os Overlake começaram como tantas outras bandas, através de jam sessions naturais e certamente bem sucedidas que foram construindo o esboço de uma carreira que, no segundo capítulo, acentua uma obediência lúcida a um cardápio confessado de inspirações, que de My Bloody Valentine a Pavement, passando por Sonic Youth, não colocam em causa uma identidade bem vincada e que se firma em paisagens sónicas criadas pela voz e pelas guitarras e por um baixo pulsante e uma percussão vibrante.

A escuta de Fall exige logo no belíssimo aglomerado épico Unnamed November uma audição dedicada, de modo a que todos os detalhes que suportam o alinhamento sejam devidamente contemplados. O riff metálico da guitarra de Winter Is Why e as distorções que o acompanham e a relação progressiva que o baixo e a bateria constroem em You Don't Know Everything, canção com um início algo inocente mas que depois ganha uma tonalidade muito vincada, são excelentes tónicos parase perceber a capacidade dos Overlake em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, mesmo que a sonoridade pareça algo sombria e rugosa.

Com uma filosofia muito assertiva no modo como aborda o rock de cariz mais progressivo, o disco não deixa de fazer o nosso espírito facilmente levitar e de provocar um cocktail delicioso de boas sensações. Por exemplo, em determinado momento, a bateria toma conta das rédeas de And Again, uma canção que começa por impressionar no modo como a guitarra deambula livremente, mas assim que a percurssão surge, ficam irremediavelmente disponíveis os melhores atributos no que diz respeito à capacidade de composição e ao requinte que preenche o ideário sonoro destes Overlake e não duvidamos mais que as sensações de mestria e de bom gosto não surgem espontaneamente por acaso e que merecem ser devidamente realçadas pelo modo como vêm à tona. Há exemplos em que a sapiência criativa dos Overlake se torna algo negra e obscura, nomeadamente em Pines On A Beach, um imenso oceano de hipnotismo e letargia, que pisca o olho aos melhores atributos do punk rock luminoso e outros em que se mostra mais vibrante, mas também em Goodbye, composição que é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia.

Seja qual for a variante do rock alternativo replicada pelos Overlake, a súmula de Fall carateriza-se por um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade e que ilustra o quanto certeiros e incisivos estes três músicos conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram, assente numa pop com traços de shoegaze, mas também num indie rock carregado de psicadelia e sempre com uma sobriedade sentimental marcada por uma intensa aúrea vincadamente orgânica. Espero que aprecies a sugestão...

Overlake - Fall

01. Unnamed November
02. Winter Is Why
03. You Don’t Know Everything
04. Can Never Tell
05. Gardener’s Bell
06. And Again
07. Pines On A Beach
08. Goodbye


autor stipe07 às 14:08
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 5 de Julho de 2017

You Can't Win, Charlie Brown - If I Know You, Like You Know I Do

Resultado de imagem para You Can't Win, Charlie Brown If I Know You, Like You Know I Do

Marrow é um vegetal parente da courgette, cultivado nas ilhas britânicas, na Holanda e na Nova Zelândia e também o título do último registo de originais dos extraordinários You Can't Win, Charlie Brown de Afonso Cabral (voz, teclas, guitarra), Salvador Menezes (voz, guitarra, baixo), Tomás Sousa (bateria, voz), David Santos (teclas, voz), João Gil (teclas, baixo, guitarra, voz) e Luís Costa (guitarra). Este Marrow foi um dos discos do ano de 2016 para este blogue e com toda a justiça porque, no seu todo, contém um sentido conjunto de quadros sonoros pintados com belíssimos arranjos de cordas, sintetizadores capazes de fazer espevitar o espírito mais empedernido e imponentes doses eletrificadas de fuzz e distorção, que se saúdam amplamente, tudo adornado por uma secção vocal contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto e proximidade.

Um dos grandes temas de Marrow é, claramente, If I Know You, Like You Know I Do, quinta canção do alinhamento do álbum e que piscando o olho à eletrónica dos anos oitenta, carateriza-se como uma alegoria pop extravagante e irresistivelmente dancável, que acaba de ter direito a um extraordinário vídeo que mostra os You Can't Win, Charlie Brown de bem perto, com produção dos We Are Plastic Too e realização de Afonso Cabral.

Os You Can't Win, Charlie Brown vão mostrar este e outros temas no palco Nos do Nos Alive, já amanhã, dia seis de julho e por todo o país durante o verão, com passagens marcadas para o Vodafone Paredes de Coura, Douro Rock e Feira de São Mateus, entre outros. Confere...


autor stipe07 às 18:17
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 4 de Julho de 2017

Abram Shook – Love At Low Speed

Depois dos fantásticos Sun Marquee e Landscape Dream, Abram Shook regressou em 2017 aos discos com Love At Low Speed, dez canções que deverão certamente muito do seu conteúdo e da sua alma a uma estadia recente do músico na Europa, com passagem demorada no nosso país. Penitencio-me desde já publicamente por não ter estado com Shook durante a sua presença por Portugal na última primavera, mas se a vida é feita muitas vezes de encontros fortuítos, também é, infelizmente, assídua em desencontros inevitáveis, porque quer a vida pessoal quer a vida profissional não propiciam, com frequência, a que possamos estar onde queremos e quando desejamos.

Resultado de imagem para Abram Shook 2017

A ideia romântica da busca espiritual do nosso âmago sempre fez parte do imaginário de quem desde muito cedo se habituou a ser sistematicamente auto reflexivo e a exigir mais do que o normal quer de si próprio quer do mundo que o rodeia. E Shook é um indivíduo que tem bastante impressa em si esta filosofia. Este músico e compositor natural de Austin, no Texas e tendo crescido em Santa Cruz, na Califórnia, desde muito novo sentiu alguma dificuldade em perceber qual o seu lugar neste mundo e, tendo a felicidade de ter condições materiais para isso, aventurou-se pelo mundo numa odisseia espiritual que ainda hoje prossegue e que lhe tem permitido absorver várias culturas e perceber outras realidades, algo que se reflete nas canções que cria.

Estas duas facetas, a musical e a de viajante, vão, álbum após álbum, aprimorando a sua particular minúcia relativamente ao modo impressivo como relata acontecimentos reais ou fictícios e de um modo sempre algo romancista. Seja como for, está sempre muito presente o  muitas vezes o cariz autobiográfico, com canções como Lisbon ou The Hours a serem exemplos claros de relatos de instantes de estadia ou de transição entre lugares.

Abram é, nitidamente, um viajante que gosta de explorar o mundo musicalmente e dos sons que cria extrair diferentes sensações. Ele tem a pop de índole mais acústica como guia espiritual, mas acaba por cometer o pecado da gula quando também se serve de um imenso cardápio que, do jazz ao experimentalismo eletrónico e à psicadelia, abarca um vasto espetro referencial, principalmente ao nível dos detalhes e dos arranjos com que adorna os seus temas. Do baixo vibrante de No Return, às guitarras que piscam o olho ao rock setentista em Eventually, passando pela vibe surf de Machinery ou a tropicália de Device e o charme algo inquietante de Quiet Side, são vários os pontos altos de um disco que sendo, claramente, um compêndio intimista, também se mostra expansivo e luminoso e, em determinados instantes, detentor de um açucar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento.

Love At Low Speeed é mais uma materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural típica de quem teve o jazz como elemento base da formação musical e quis reforçar, no terceiro capítulo da sua discografia, uma nova abordagem, desta vez mais orgânica, a diferentes géneros musicais, sendo confessadamente influenciado por nomes que são referências de géneros diversos, nomeadamente Shuggie Otis, Serge Gainsbourg ou o brasileiro Chico Buarque. Espero que aprecies a sugestão..

Abram Shook - Love At Low Speed01. The Hours

02. Eventually
03. Lies
04. Divinity
05. Red Lines
06. Machinery
07. No Return
08. Device
09. Lisbon
10. Quiet Side


autor stipe07 às 21:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 3 de Julho de 2017

Arcade Fire – Signs Of Life

Arcade Fire - Signs Of Life

Três anos depois do excelente Reflektor e de dois discos a solo de Will Butler, os canadianos Arcade Fire apostam muita da sua reputação num disco que chega daqui a umas semanas e que, de acordo com as várias amostras já divulgadas, além de parecer vir a tornar-se num claro manifesto político e de protesto ao novo rumo tomado pelo país vizinho do Canadá de onde são originários, aponta o grupo, definitivamente, rumo a sonoridades de cariz eminentemente pop, com o modo contemporâneo como a herança oitocentista tem estado em ponto de mira, não só no que concerne ao uso dos sintetizadores, mas também à maior predominância do baixo na condução melódica a serem aspetos muito presentes e marcantes.

A mais recente canção divulgada pelos Arcade Fire chama-se Signs Of Life e logo nos sopros e no baixo que antecedem a batida que depois conduz a canção que também conta com um teclado rugoso com uma intensidade firmemente sintética, prova, à semelhança dos temas anteriormente divulgados, que esta filosofica mais pop está a oferecer aos Arcade Fire uma nova aúrea, completamente remodelada, que também pisca o olho às pistas de dança, um pouco à semelhança do que já sucedia em Reflektor. Confere...


autor stipe07 às 13:37
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 1 de Julho de 2017

Minta & The Brook Trout - Slow

A indie pop indulgente e deliciosa de Francisca Cortesão e o seu projeto Minta & The Brook Trout está de regresso em 2017 com Slow, o terceiro registo de originais deste projeto ímpar no panorama alternativo nacional. Slow é a primeira edição de Minta & The Brook Trout à boleia da Norte Sul/Valentim de Carvalho e teve também uma reedição em vinil, que viu a luz do dia no passado mês de maio, acompanhada por uma série de novidades, entre elas um EP intitulado Row, com três temas, Tropical Resort, So This Has To Do e Mild-Mannered Man, que acabam por deixar já algumas pistas sobre o próximo registo do projeto.

Resultado de imagem para Minta & The Brook Trout 2017

Disco embelezado por indíssimas ilustrações da autoria de José Feitor, Slow contém onze deliciosas canções adornadas por uma tranquilidade acústica, uma filosofia estilística que logo no baixo e no banjo de Bangles impressiona e fica exemplarmente descrita. Daí em diante, o arquétipo das canções é guiado por guitarras, ora límpidas, ora plenas de efeitos eletrificados algo insinuantes e sempre com uma profunda gentileza sonora.

Slow acaba por impressionar como um todo, mas há uma ou outra canção que merece audição mais cuidada para que se expresse no nosso âmago com toda a ternura que merece. Assim, se em Plaid And Denim quer a soul da guitarra quer a gentileza subtil da bateria ficam a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar, mais adiante, em Sand, contemplamos um belíssimo tratado de folk acústica onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave e depois, canções como a cândida e intimista Light Blues Blues ou o minimalismo suave delicioso de I Can't Handle The Summer, são exemplos extraordinários de temas que transbordam uma majestosa e luminosa melancolia.

Acompanhada por Mariana Ricardo, Bruno Pernadas, Margarida Campelo e Nuno Pessoa, entre outros, em Slow Francisca Cortesão afirma-se como uma compositora ímpar no panorama indie nacional e o modo como neste projeto Minta & The Brook Trout a guitarra com cordas de nylon é dedilhada com mestria e consegue enriquecer as harmonias sem complicar, criando um ambiente sonoro descontraído e algo minimal, mas extremamente rico, impressiona e instiga não deixando indiferente quem se oferece ao prazer de escutar com deleite este alinhamento. E à medida que a voz de Francisca se estende pelas melodias das canções, sem pressas ou amarras, solidão, melancolia e inadaptação positiva ao amor e a outros cânones sociais estabelecidos desfilam por letras que versam sobre estes e outros temas comuns, algo que até nem é de estranhar já que é normal encontrar esta autora, a antítese de uma estrela pop, numa loja da esquina, a fazer a sua vida rotineira, como uma cidadã comum.

Francisca tem como virtude maior o facto de compor valendo-se, acima de tudo, das suas próprias experiências. É curioso, intenso e impressivo o modo como escreve assumindo-se como cobaia dos seus próprios pensamentos, além de servir-se de todos aqueles que a rodeiam também como testemunhas e referências do seu cardápio, quer lírico quer sonoro, sempre com um resultado final avassalador e tremendamente reflexivo. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 11:57
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Julho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12
13
15

17
21

23
24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

Portugal. The Man – Woods...

Work Drugs – Midnight Emo...

Lush Purr - Cuckoo Waltz

Sun Airway – Heraldic Bla...

Day Wave – The Days We Ha...

Overlake – Fall

You Can't Win, Charlie Br...

Abram Shook – Love At Low...

Arcade Fire – Signs Of Li...

Minta & The Brook Trout -...

The National - Guilty Ple...

The Drums – Abysmal Thoug...

Trêsporcento - A Ciência

Radiohead – OK Computer: ...

Gorillaz – Sleeping Powde...

Everything Everything – C...

Arcade Fire – Creature Co...

Fleet Foxes – Crack-Up

Sufjan Stevens, Bryce Des...

Alt-J (∆) – Relaxer

X-Files

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds