Sábado, 25 de Outubro de 2014

DRLNG - Icarus EP

Os Plumerai juntaram-se em 2011 para fazer música e assim nasceu uma banda em Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras), James Newman (baixo) e Mickey Vershbow (bateria). Agora, três anos depois, alguns dos integrantes dessa banda resolveram dar vida a um novo projeto paralelo intitulado DRLNG (darling), que se estreou no passado dia dezasseis de outubro com um EP intitulado Icarus, disponível numa edição limitada em vinil de 12" e no bandcamp e soundcloud do projeto.
Gravado por Alex Gracia-Rivera nos estudios Mystic Valey, um dos poucos estúdios americanos que usa ainda apenas e só equipamento analógico, este EP contém quatro excelentes canções que apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura e límpida de Eliza é um trunfo explorado positivamente até à exaustão e que ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas de Martin têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz de Eliza, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.

Icarus, o tema homónimo, permite-nos desde logo dissecar diferentes vias e infuências, já que, ao mesmo tempo que há uma paisagem sonora que transparece calma e serenidade, também existe na guitarra uma tensão constante, numa melodia amigável e algo psicadélica, que se arrasta até ao final num longo diálogo entre a distorção e o timbre do baixo. My Gipsy tem um formato intímo e marcadamente nostálgico e Playground Punk usa a bateria para brincar com os nossos sentidos, sempre à espera do momento certo para explodir. Para o ocaso ficou Seattle, um tema cantado em francês e onde o fio condutor parece incialmente ser o jazz e a folk, mas com o indie rock mais progressivo a ser o grande suporte de uma canção que mostra uns DRLNG que parecem também querer apostar, no futuro, em ambientes sonoros mais ruidosos.

Há uma enorme sensação de conforto durante a audição de Icarus, possibilitada por uma atmosfera rítmica e sonora claramente orientada para permitir aos autores expressarem-se de forma melancólica e, desse modo, exaltarem cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. Este EP tem uma expressividade única e claramente intencional, que abrange, de forma reconfortante, o espaço onde é ouvido, como se fosse um manto que permanece sempre cativante, mas também feliz e carregado de esperança. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:14
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Tashaki Miyaki – The Beautiful Ones (Prince Cover)

Tashaki Miyaki

A vocalista Lucy Miyaki e o guitarrista Tashaki formam os Tashaki Miyaki, uma dupla oriunda de los Angeles, que navega nas águas turvas e profundas da dream pop de pendor psicadélico. Em digressão com os Allah-Las durante este outono, resolveram gravar algumas covers para a ocasião, um trabalho que irá ser editado com o sugestivo nome The Covers EP.

Uma das canções que os Tashaki Miyaki resolveram revisitar com a ajuda do produtor Joel Jerome foi o clássico The Beautiful Ones, um original de Prince, tendo-o feito de forma bastante original e assertiva e criado uma atmosfera densa e particularmente sensual e hipnótica.  A versão está disponivel para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 20:10
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Blue Hawaii – Get Happy / Get Happier

Blue Hawaii – "Get Happy" / "Get Happier"

Os Blue Hawaii são um projeto canadiano formado pelo enigmático casal Agor e Raph (na verdade chamam-se Alexander Cowan e Raphaelle Standell-Preston), uma dupla originária de Montreal e que se estreou nos discos em 2010 com Blooming Summer. O sucessor chamou-se Untogether e viu a luz do dia no início de 2013 por intermédio da Arbutus Records.

Quase dois anos depois os Blue Hawaii voltam a mostrar-se com a divulgação de uma nova canção intitulada Get Happy, gravada no início deste ano. E além desse tema, incluiram no single Get Happier, uma versão da canção principal, mais acelerada, criada no passado mês de agosto. A digressão de apresentação de Untogether foi marcante para os Blue Hawaii e Get Happy reflete esse estado de alma de um casal que teve de gerir novas realidades e conflitos.

 As the year progressed, we found our live show intensify but still had all these softer recordings which would never be released. Hence we present ’Get Happy’ / ’Get Happier’, where we explore both sides: the original demo and a fun, double-time edit made one day in August.

Os dois temas estão disponíveis para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 13:31
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Gut und Irmler - 500M

Gravado no estúdio Faust em Scheer no Outono de 2013, 500M é o novo disco da dupla Gut und Irmler, formada por Jochen Irmler, um mestre do krautrock e um explorador sonoro nato e por Gudrun Gut, uma produtora berlinense experimentada e disciplinada. 500M foi editado no passado dia oito de setembro por intermédio da Bureau B.

Membro fundador dos Malaria!, dos Mania D e dos Einsturzende Neubauten, Gut é exímia na forma como manipula um verdadeiro arsenal de equipamento sonoro que replica uma vasta teia de instrumentos e sons e depois no modo como os transforma a seu belo prazer, mas sempre com corência e com aquela típica sobriedade alemã. Simultaneamente analógico e digital, envolto num manto de referências que nos remetem para o glorioso passado do krautrock, mas também para um presente feito com melodias elípticas e beats lineares que definem as novas tendências do cenário eletrónico berlinense que insiste em manter-se na vanguarda há várias décadas, 500M é um tratado sonoro com nove capítulos que se complementam duma maneira cósmica!

Nome lendário e reputado, Irmler também teve uma importante palavra a dizer no conteúdo deste disco, nomeadamente no modo como a dupla explorou um cruzamento assertivo entre o aspeto mais maquinal e carregado das batidas, com o caldeirão algo psicadélico de onde brotaram alguns dos arranjos e detalhes que foram sendo sobrepostos à percurssão, de um modo particularmente intuitivo e expressivo. O teclado e o detalhe sonoro metálico que vagueia por Fruh, o orgão de Mandarine ou uma voz samplada em Traum e em Auf Und Ab são apenas três exemplos do modo particularmente esmerado e criativo com que estes Gut und Irmler conseguem sobrepôr sobre uma base sonora maquinal aparentemente fria e desprovida de vida, vários elementos e fragmentos que acabam por originar edifícios sonoros expressivos, frequentemente hipnóticos e, quase sempre, dotados de um certo charme que nem o ambiente mais psicotrópico que se escuta nos ritmos programados para criar Parfum consegue disfarçar.

500M é um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, asssiste-se a um desfile de alguns dos pilares fundamentais da eletrónica, nas suas mais diversas vertentes e sub géneros, feito de acertos e instantes sonoros experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal que se pode imaginar, mas também de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros. Este é um disco claramente embebido num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionado com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Espero que aprecies a sugestão...

Fruh
Chlor
Mandarine
Traum
Noah
Auf und Ab
Parfum
Brucke
500m

autor stipe07 às 22:15
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Panda Bear - Noah EP

Chega no dia doze de novembro às lojas Meets The Grim Reaper, o novo e quinto álbum da carreira de Panda Bear, um músico com fortes ligações a Portugal, adepto confesso de grande Sport Lisboa e Benfica e membro fundador dos Animal Collective.

Depois do cariz minimal em que alicerçou Tomboy, de acordo com a imprensa este novo trabalho de Panda Bear, gravado entre Lisboa e a planície texana com a colaboração de Pete Kember, leva o músico de regresso à estratégia em que é mestre, a junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Pela amostra, intitulada Mr Noah, um single lançado em formato EP, acompanhado por mais três canções que não farão parte do alinhamento de Meets The Grim Reaper, essa opção terá sido bem sucedida e o novo trabalho do músico será certamente um marco fundamental da sua carreira.

No EP encontramos uma sequência de primorosas e ainda mais atrativas experimentações. Se Mr Noah prepara o terreno sendo o tema mais acessível do EP, a cândura pop e romântica de Faces In The Crowd levanta um pouco mais o véu sobre o futoro sonoro de Bear, o que será finalizado no toque de psicadelia que define Untying The Knot, um tema que leva Panda Bear para o clima hipnótico e lisérgico da década de setenta e que é bem capaz de ser o o novo território sonoro que o deixa atualmente algo siderado. Por fim, This Side of Paradise é um momento de pura experimentação, uma colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que incluem samples de vozes e arranjos em eco e sintetizados, nem sempre claramente percetíveis.

Confere o EP de lançamento do single Mr Noah, já disponível para download no itunes e a tracklist de Meets The Grim Reaper...

Album cover: Panda Bear - Mr Noah

Mr Noah
Faces In The Crowd
Untying The Knot
This Side Of Paradise

01.Sequential Circuits
02.Mr Noah
03.Davy Jones’ Locker
04.Crosswords
05.Butcher Baker Candlestick Maker
06.Boys Latin
07.Come To Your Senses
08.Tropic Of Cancer
09.Shadow Of The Colossus
10.Lonely Wanderer
11.Principe Real
12.Selfish Gene
13.Acid Wash


autor stipe07 às 21:05
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Thurston Moore – The Best Day

Editado no passado dia vinte e um de outubro por intermédio da Matador Records, The Best Day é o novo álbum do norte americano Thurston Moore, uma das peças mais importantes de uma das principais engrenagens da história do rock alternativo e independente, chamada Sonic Youth, que também contava com a sua ex Kim Gordon e com Lee Ranaldo no núcleo duro. Este trabalho sucede a Demolished Thoughts (2011) e contou com os contributos de James Sedwards (guitarras), Deb Googe, dos My Bloody Valentine (baixo) e Steve Shelley (bateria), os músicos que atualmente têm acompanhado Moore.

Ao ser dominado por guitarras, The Best Day não surpreende, já que esse é o instrumento de eleição de Moore, um dos guitarristas fundamentais das últimas décadas e influência importante para novas e anteriores gerações de músicos. Permaentemente ligado à corrente, Moore abre as hostilidades com a impressionante Speak To The Wild, um verdadeiro tratado de indie rock, cru e sem espinhas e com uma melodia extroardinária. Pela forma como esse tema nos agarra logo pelos colarinhos e nos impele a submergirmos nele sem olharmos para trás, percebemos que isso acontece com toda a naturalidade porque este é um disco dominado pela distorção típica dos Sonic Youth, sempre acomodada em diferentes camadas, como convém aos verdadeiros amantes desta fórmula única e genuína que praticamente só preenchia e impregnava o receituário do coletivo nova iorquino. O baixo e a bateria também são dois elementos preciosos neste quadro chamado The Best Day, já que lhes compete adicionar o ritmo e o corpo necessários para a obtenção do ambiente denso, mas de fácil e aditiva assimilação, por onde as melodias se estendem e se cruzam, ao longo de oito canções que merecem a mais atenta audição. Depois, há ainda a cereja no topo do bolo, a voz de Thurston, um registo predominantemente grave mas produzido com uma limpidez incrivel, que ora parece um pouco deslocado das melodias, ora parece declamar em vez de cantar, mas é exatamente neste modo peculiar de cantar que reside o charme de uma prestação, que em Forevermore atinge um cariz particularmente emotivo, quando, quase hipnoticamente e, amiúde, sem avisar, Moore canta um refrão particularmente emotivo e de modo embargado (That’s why I’ll love you forevermore, That’s why I want you forevermore).

Com oito músicas a estenderem-se por mais de cinquenta minutos, obivamente que este é um disco com um elevado cariz experimental, apesar de estar bem definido e vincado o som caraterístico que domina a obra, que apenas se distancia ligeiramente quando é dada absoluta primazia a um enorme e barroco arsenal de cordas, dedilhadas de modo acústico, mas convincente, em Tapes, uma canção que prescinde da percurssão e que acolhe as violas com o vigor de um baixo omnipresente.

O protagonismo da vertente acústica volta a mostrar predicados em Vocabularies, uma canção onde o baixo abre ainda mais os braços para acolher uma viola num abraço com um sabor psicadélico, acentuado com uma voz algo enraivecida que se debruça sobre a temática da igualdade sexual e do preconceito (Vocabularies of dominance now obsolete, Un-possessed by all men). Esta ousadia permanente também fica plasmada, em direção oposta, no punk de Detonation e na distorção contínua, abrasiva e hipnótica que se estende ao longo do instrumental progressivo Grace Lake, um desejo de tentar algo diferente que direcionou-se, nestes e noutros casos, não tanto para o arsenal instrumental, mas para o catálogo de arranjos proporcionados pelo mesmo e, principalmente, para o processo de construção melódica das canções. Por exemplo, a já citada Speak To The Wild são oito minutos cheios de guitarras que nunca esmorecem e de constantes mudanças de ritmo e de explosões sónicas devidamente controladas e Forevermore estende-se por onze, com o conceito de diversidade patente no modo como os vários instrumentos competem entre si à medida que dão asas ao voo picado de uma melodia orelhuda, uma estratégia que se repete no single homónimo, um verdadeiro deleite para quem é um fã incondicional dos Sonic Youth.

The Best Day é, pois, um álbum que transporta a carreira a solo do autor para o universo mais próximo da banda icónica que fez parte, já que se Demolished Thoughts tinha uma componente acústica inédita e que, por acaso, era qualitativamente bastante recomendável, tendo surpreeendido positivamente a crítica e os ouvintes, desta vez Thurston Moore procurou fugir um pouco do óbvio e mostrar o seu lado pessoal mais enraivecido, incansável, agridoce e rugoso e assim, comprovar o seu próprio ecletismo. Espero que aprecies a sugestão... 

Thurston Moore - The Best Day

01. Speak To The Wild
02. Forevermore
03. Tape
04. The Best Day
05. Detonation
06. Vocabularies
07. Grace Lake
08. Germs Burn


autor stipe07 às 21:34
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Foxes In Fiction - Ontario Gothic

Líder da insuspeita etiqueta Orchid Tapes, Warren Hildebrand também compôe música e fá-lo como Foxes In Fiction. Natural de Toronto, no Canadá, mas a residir atualmente nos Estados Unidos, em Brooklyn, Nova Iorque, Warren editou no passado dia vinte e três de setembro, por intermédio da sua Orchid Tapes, um homónimo que é um verdadeiro tratado de dream pop, da autoria de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro da eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas mais calmas e ambientais.

Através das teclas do sintetizador, de samples de sons e ruídos variados e de uma percurssão sintética, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros, Warren criou sete canções que sublimam com mestria uma profunda emoção, já que transportam claramente bonitos sentimentos, dedicados integralmente a Cait, uma amiga muito próxima de Warren, que faleceu em 2010 e que ele conheceu depois de ter chegado em 2004 a Toronto com a sua família, vindos de uma zona rural no Ontario, onde viviam desde 2001. Apesar destas canções narrarem um dos períodos mais tumultuosos da existência do autor, em que acumulou muita ansiedade e tristeza, Warren preferiu abordar melodicamente essa conjuntura algo sombria da parte lírica das canções, de um modo suave e de algum modo luminoso, homenageando esta amizade que terá sido tão profunda, bonita e intensa como o ambiente sonoro de Ontario Gothic.

E no que concerne então a esse ambiente, destaco, desde logo, Into The Fields e Glow (v079), duas canções que constroem uma sequência onde a melancolia de ambas se junta numa única atmosfera sonora comandada por um sintetizador, que aliado a cordas e ao piano, origina um tom fortemente denso e contemplativo, com a voz de Warren a conferir a oscilação que depois é necessária para transparecer essa elevada veia sentimental. De seguida, em Shadow's Song, escuta-se um violino com arranjos que ficaram a cargo do consagrado Owen Pallett; Tal é a beleza dos mesmos, simultaneamente deslumbrantes e delicados e ampliados pela cândura da voz, que não há como evitar sermos levados para uma atmosfera muito própria, que transmite uma certa inocência romântica com uma estética sonora e visual inédita e onde a noção de retro terá sido um conceito claramente tido em conta. O clímax do alinhamento acaba por chegar com o tema homónimo, que ganha um tom fortemente frágil e uma atmosfera verdadeiramente sublime quando Warren entrega-se de corpo e alma à canção enquanto canta alguns dos versos mais intrincados e emocionais que pudemos escutar ultimamente.

Quando Warren decidiu deitar-se numa nuvem feita com a melhor dream pop operou um pequeno milagre sonoro e incubou um belíssimo álbum, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

Image of FOXES IN FICTION - ONTARIO GOTHIC 12" (Pre-sale)

1. March 2011
2. Into The Fields
3. Glow (v079)
4. Shadow's Song
5. Ontario Gothic
6. Amanda
7. Altars


autor stipe07 às 20:45
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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Swim Mountain - Swim Mountain EP

Oriundos de Londres, os britânicos Swim Mountain são Tom Skyrme, Joff Macey, Andrew Misuraca e Teej Marshall e no passado dia vinte e nove de setembro editaram o EP homónimo de estreia, através da londrina Hey Moon. Produzido pelo próprio Tom Skyrme, entre Londres e Los Angeles, Swim Mountain são pouco mais de vinte minutos que abarcam um vast leque de influências que vão da pop aditiva, ao indie rock psicadélico, tudo sustentado por uma arquitetura de versos e sons festivos, que comprova a capacidade deste coletivo para produzir composições puras, encantadoras e delicadas e cuja sonoridade vai do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza.

Com vibrantes linhas de baixo e guitarras sintetizadas cheias de cor e brilho, os Swin Mountain mergulham num festim de sons adocicados e guiados por uma elevada instrumentalidade melancólica. O quarteto tanto abraça o cenário musical dos anos sessenta, criado por bandas como Argent & Blunsonte, Rundgren e os The Wilson Brothers, como se deixa contagiar pelo calor brasileiro de um Tom Jobim e um João Gilberto. No entanto, a influência principal é o universo musical dos antípodas proporcionado por nomes como os Tame Impala ou os Coloured Clocks. Influências à parte, importa reter que os Swim Mountain convidam-nos a embarcar numa pequena viagem onde sintetizadores, guitarras, batidas e uma escrita às vezes pouco óbvia e sem muito sentido, dançam num jogo colorido de referências.

A curiosa luminosidade das canções dos Swim Mountain espraia-se com todo o esplendor logo no single Yesterday, um tema com uma melodia verdadeiramente acessível e fácil de cantarolar e cheia de detalhes e arranjos samplados de cenas do quotidiano comum. Entra-se em Ornella e mal se percebe a mudança de faixa, apesar de uma distorção em eco dar uma toada algo psicadélica à canção, mas esse pormenor não coloca em causa a forte componente radiofónica e com arranjos que nos prendem até ao último acorde. Este revivalismo setentista acentua-se no teclado sintetizado de Dream It Real e surge-nos no imediato à memória o tal cenário dos antípodas. Já na sensibilidade perene de Everyday dá-se nova inflexão, agora rumo à pop e à eletrónica, com a batida ritmada a piscar o olho à pista de dança. Este ambiente mais eletrónico permanece durante a subtileza synth pop de Nothing Is Quite As It Seems e no final da viagem não duvidamos que escutamos um compêndio sonoro carregado de luz e vivacidade, uma coleção de belos acertos sonoros e canções memoráveis, que refletem uma já assinalável maturidade de um grupo particularmente criativo e dotado de um assinalável bom gosto.

Os Swim Mountain são um projeto que deve ser levado muito a sério e este EP merece uma audição atenta e dedicada. Existe um elevado toque de modernidade nas suas canções, apesar da evidente agenda de revivalismo que pretendem seguir, ou seja, o toque e o perfume de outros tempos estão lá, mas estes quatro músicos replicam um som bastante atual, original e maduro. Espero que aprecies a sugestão...

Swim Mountain - EP, Swim Mountain

Ticket

Yesterday

Ornella

Dream It Real

Everyday

Nothing Is Quite As It Seems


autor stipe07 às 18:37
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Domingo, 19 de Outubro de 2014

Martin Carr - The Breaks

Martin Carr, também conhecido como vocalista dos The Boo Radleys, editou no passado dia vinte e nove de setembro The Breaks, o seu segundo disco solo, um músico e compositor que, de acordo com o press release que me chegou às mãos da Tapete Records, é um songwriter cujo trabalho é pop mas não necessariamente popular e cujo percurso revela uma relação ambivalente com as sensibilidades convencionais. Neste disco, a sua voz transforma-se num eco confessional de todas as nossas dúvidas. The Breaks conta com as participações especiais de Andy Fung, Corin Ashley e John Rae.

Martin Carr aposta forte em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exala uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Neste trabalho ele apresenta em apenas dez canções toda a herança que os Red House Painters, os Fleetwood Mac ou os conterrâneos Prefab Sprout e os The Smiths deixaram na formação do músico, que parece ter utilizado referências do próprio quotidiano para construir o panorama lírico do disco, que pende para vários espetros sonoros, nomeradamente o indie rock, a própria folk (No Money In My Pocket) e a indie pop adocicada e acessível. Há desde logo aqui sucessos garantidos como The Santa Fe Skyway, St Peter In Chains e Senseless Apprentice, músicas que possibilitam não apenas o desenvolvimento de uma instrumentação radiante, como a possibilidade de constatar que Martin alcançou elevados parâmetros e patamares de qualidade, inclusive na sua intepretação vocal.

Ao longo do disco, umas vezes somos embalados e outras dançamos ao som de simples acordes, várias vezes dispostos em diversas camadas sonoras, com as cordas à cabeça. Estas podem escutar-se num registo acústico ou eletrificado e, muitas vezes, em ambos em simultâneo, onde também não falta uma secção de sopros imponente e um piano, que em Sometimes It Pours mal se nota e em Mainstream tem uma subtileza avassaladora enquanto sustenta uma viola. Acaba por ser um misto de cordas mas, seja em que registo for que se escutem, estão todas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, principalmente quando se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos. A bateria tem também uma presença sempre radiante, com a batida que marca o ritmo de Mountains e de Senseless Apprentice a serem os instantes do disco onde a percurssão mais se destaca.

Mesmo nos momentos mais melancólicos e sombrios, como Mainstream e No Money In My Pocket, dois belíssimos instantes acústicos e melódicos, há uma curiosa sensação de naturalidade e dinamismo em The Breaks, uma espécie de ligeireza cheia de charme e delicadeza, um ambiente sonoro descontraído que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz de Martin e dos seus convidados que, quase sempre, são vozes de suporte, encaixam na melodia das canções. Percebe-se claramente que o músico é bastante inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Disco imponente mas também delicado e repleto de bons arranjos, The Breaks é um refúgio bucólico bastante aprazível, um compêndio de sensibilidade e optimisto onde o autor entregou-se à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

1. Santa Fe Skyway
2. St. Peter In Chains
3. Mainstream
4. Mountains
5. Sometimes It Pours
6. Senseless Apprentice
7. No Money In My Pocket 
8. I Don't Think I'll Make It
9. Mandy Get Your Mello On
10. The Breaks


autor stipe07 às 21:04
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Subplots – Future Tense

Subplots - Autumning

Oriundos de Dublin, na Irlanda, os Subplots são uma dupla formada por Phil boughton e Daryl Chaney, que ao vivo conta ainda com o baterista Ross Chaney. Estrearam-se nos discos em 2009 com Nightcycles e finalmente já há novidades quanto a um sucessor.

O novo álbum dos Subplots irá chamar-se Autumning e verá a luz do dia a trinta de janeiro próximo por intermédio da Cableattack!!, podendo ser já feita a encomenda da edição limitada em vinil no Bandcamp da banda.

Future Tense é o mais recente avanço divulgado de Autumning, uma obra de arte que balança entre a dream pop e o rock progressivo, uma melodia delicada e envolvente, que emociona facilmente os mais incautos e de lágrima fácil, alicerçada num piano adulto e jovial, à volta do qual gravita uma voz deslumbrante e uma guitarra que adivinha um clímax sónico com forte sentido de urgência. Confere...


autor stipe07 às 19:52
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