Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

Dutch Uncles – Big Balloon

Cerca de dois anos após o excelente O Shudder, os britânicos Dutch Uncles estão de regresso aos discos com Big Balloon e novamente sob a chancela da insuspeita Memphis Industries, Falo de um registo discográfico intenso, charmoso e e efusivo, incubado por este quarteto sedeado em Marple e atualmente formado por Duncan Wallis, Andy Proudfoot, Robin Richards e Peter Broadhead e que é já o quinto álbum da carreira de um projeto que deu o ponto de partida em 2009 com um homónimo editado pela Tapete Records e que com Cadenza e Out Of Touch In The Wild, conseguiu começar a ser olhado pela crítica com particular devoção, sendo ainda hoje um dos melhores segredos do universo sonoro indie e alternativo.

Resultado de imagem para dutch uncles 2017

Ainda mais inebriantes, musculados e seguros do que aquilo que mostraram em O Shudder, neste Big Balloon os Dutch Uncles mostram porque chegaram a um ponto da carreira em que não era mais possível abrigarem-se apenas à sombra de uma certa penumbra e de um limitado nicho de fiéis seguidores. Aceitaram essa fatalidade sem receios e arregaçaram as mangas de modo a compôr canções que pudessem, com mérito próprio, extravasar as anteriores fronteiras e assim atingirem, finalmente, uma projeção superior e universal. Logo na guitarra serpenteante que conduz o tema homónimo essa permissa fica expressa de modo indelével e com o fulgor pop oitocentista de Baskin' é ainda mais vincada, com o disco a não defraudar, logo à partida, quem, como eu, estava à espera de uma proposta sonora ambiciosa e sofisticada, criada por uns Dutch Uncles que sempre souberam provar conhecer os melhores atalhos para aprimorar uma queda acentuada para a vertente experimental, mas sem descurar a oferta de canções acessíveis à maioria dos ouvidos, com o período aúreo da pop europeia de final do século passado em ponto de mira.

O piano de Combo Box acaba por ser mais uma acha preciosa para a fogueira de esplendor e sofisticação que define a filosofia sonora dos Dutch Uncles, assim como o efeito sintetizado de Hiccup ou a linha melódica que introduz a epicidade visceral de Streetlight, três dos melhores momentos de Big Balloon e que comprovam que nem só das cordas vive este quarteto, mas também das teclas que, quer num campo orgânico ou com um perfil mais sintético, são também um ingrediente primordial para o grupo. Já em Oh Yeah, se o sintetizador também assume a batuta, a bateria chama para si os holofotes no modo como define o andamento da canção e a alma e a alegria que dela transborda. Depois, em Sink, apesar da distorção da guitarra ser esplendorosa, a bateria ganha de novo relevo pelo modo como se abriga claramente na herança da synthpop típica dos anos oitenta, que, como se percebe, e já referi, está fortemente representada na vertente instrumental, mas também no próprio clima vocal. O registo vocal em falsete de Duncan, algo emotivo,que ajuda à aproximação entre a banda e o ouvinte, ao mesmo tempo que confere a densidade correta às letras, ajudando a que o conjunto final de muitas canções tenha vida e um pulsar que não nos passa despercebido, vai de encontro à habitual estética dos Dutch Uncles que têm abraçado, também através da voz, a simbiose entre pop vintage e contemporânea e ajudado imenso ao seu enriquecimento, pelo modo inédito como olham para o passado sem se deixarem seduzir demasiado por ele.

Disco com uma sonoridade muito particular e com um balanço temporal equilibrado que apresenta uma mescla de referências que ganham vida de mãos dadas com a ponte entre o presente e o passado, quer pelo modo curioso como a voz é reproduzida, mas também pela disposição das cordas e das teclas nas melodias e o uso do reverb, Big Balloon abre-se de par em par como uma enorme janela de luz, cimentando a firmeza sonora identitária dos Dutch Uncles, que atingem com estas dez canções o momento mais alto da sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...

Dutch Uncles - Big Balloon

01. Big Balloon
02. Baskin’
03. Combo Box
04. Same Plane Dream
05. Achameleon
06. Hiccup
07. Streetlight
08. Oh Yeah
09. Sink
10. Overton


autor stipe07 às 16:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Thievery Corporation – The Temple Of I And I

Sem um daqueles sucessos radiofónicos que catapultam um projeto para o éden durante um longo período de tempo, sem uma portentosa máquina de marketing por trás, vídeos com milhões de visualizações ou uma editora internacional nos seus créditos, os Thievery Corporation continuam, quase duas décadas após a estreia, a ser um dos nomes mais consensuais e influentes da chamada música de fusão, tendo uma base de seguidores fiel e numerosa em todo o mundo, a sua própria editora, a ESL Music Label, assento destacado em cartazes de alguns dos mais relevantes festivais de música e, mais importante que tudo isso, uma carreira recheada de extraordinários momentos sonoros. Assim, em 2017 os Thievery Corporation chegam ao seu oitavo disco de originais e embarcam em mais uma digressão que passa hoje por Portugal e que será certamente recheada de excelentes concertos, assentes não só neste novo disco, mas num extenso e eclético catálogo capaz de agradar a todos aqueles que se predisponham a dançar ao som desta dupla de Washington, formada por Rob Garza e Eric Hilton.

Resultado de imagem para thievery corporation 2017

Se em 2014 os Thievery Corporation olharam profundamente para o Brasil no disco Saudade, agora em The Temple Of I And I, é a Jamaica que os seduz, com as quinze canções do registo a captarem muita da essência mítica e do poder da música deste arquipélago caribenho, resultado de uma prolongada estadia da dupla em 2015 numa das suas principais cidades, Port Antonio. Repleto de participações especiais das quais se destacam, por exemplo, os rappers Zee e Notch ou a norte americana Lou Lou Ghelichkhani, acaba por ser à boleia da jamaicana Raquel Jones, quer na contagiante Letter To The Editor, quer na interventiva Road Block, que melhor é absorvida e explanada toda a influência e exotismo deste pedaço de mundo onde nasceu, como todos sabemos, o reggae.

Estando, portanto, toda a herança sonora da Jamaica em ponto de mira para os Thievery Corporation neste The Temple Of I And I, esse mesmo reggae firma-se, naturalmente, como o grande suporte estilístico da sonoridade do seu alinhamento, com o dubb, o jazz, o rap e a eletrónica e fornecerem a base para arranjos, batidas, efeitos e até trechos melódicos, destacando-se, como grandes instantes do disco, o excelente baixo que conduz Strike The Root e True Sons Of Zion, a cadência algo inebriante e hipnótica do instrumental Let The Chalize Blaze e também do tema homónimo e as batidas de Babylon Falling. O objetivo primordial é que se mantém o de sempre; Fazer o ouvinte dançar mas também refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea. nomeadamente os de cariz eminentemente político.

Já não restam dúvidas que Garza e Hilton apreciam imenso ir ao génese de alguns dos movimentos musicais essenciais da dita música do mundo, num disco onde, de acordo com os próprios, os Thievery Corporation dão vida à vocalização melancólica, quente e cheia de alma que faz parte da essência do reggae e completam um círculo onde, depois de deambularem pela música eletrónica e, no exato momento anterior a este registo, pela bossa nova, viajaram agora para algo ainda eminentemente orgânico, construindo mais um tronco do túnel do tempo musical que é a sua discografia, antes de passarem ao próximo capítulo. Espero que aprecies a sugestão...

Thievery Corporation - The Temple Of I And I

01. Thief Rockers (Feat. Zee)
02. Letter To The Editor (Feat. Racquel Jones)
03. Strike The Root (Feat. Notch)
04. Ghetto Matrix (Feat. Mr. Lif)
05. True Sons of Zion (Feat. Notch)
06. The Temple of I And I
07. Time + Space (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
08. Love Has No Heart (Feat. Shana Halligan)
09. Lose To Find (Feat. Elin Melgarejo)
10. Let The Chalice Blaze
11. Weapons Of Distraction (Feat. Notch)
12. Road Block (Feat. Raquel Jones)
13. Fight To Survive (Feat. Mr. Lif)
14. Babylon Falling (Feat. Puma)
15. Drop Your Guns (Feat. Notch)


autor stipe07 às 21:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

Generationals – Keep It Low

Generationals - Keep It Low

Aproximadamente dois anos após o excelente álbum Alix, a dupla norte americana Generationals, de Louisiana, está de regresso com uma nova canção intitulada Keep It Low, um tratado de indie rock repleto de fuzz e incisivo e feliz no modo como nos faz dançar e despertar em nós aquela alegria e boa disposição que muitas vezes buscamos na música e raramente encontramos com este acerto criativo. Desconhece-se, para já, se esta composição irá fazer parte de um novo registo de originais do projeto. Confere...


autor stipe07 às 18:32
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

STRFKR – Being No One, Going Nowhere

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris.

Resultado de imagem para strfkr 2016

Com Interspace a dividir o alinhamento do disco em dois momentos distintos, Being No One, Going Nowhere foi produzido pelo próprio Josh hodges, o carismático líder do grupo e configura numa espécie de álbum concetual que, lirica e sentimentalmente, se debruça sobre os dois aspetos temáticos que trilham o seu título. Assim, se as primeiras cinco canções se debruçam, basicamente, sobre a perca e a deriva quando se vive uma vida inócua e sem objetivos, a partir de In The End os STRFKR procuram dar pistas e traçar um roteiro para uma vida mais feliz, apontando algumas consequências nefastas no eu de cada ouvinte caso a teimosia ou a cobardia continuem a vencer os conflitos interiores. Esta In The End é mesmo uma canção essencial para o entendimento cabal deste ideário, porque nela Hodges expôe com brilhantismo tudo aquilo que sentiu quando se isolou para compôr o disco (Stranger light; on the highway; golden; hours; hover and retreat. She said I want someone I can grow into).

A pop sintética dos anos oitenta do século passado e alguns dos detalhes mais relevantes da eletrónica de igual período, marcam musicalmente este disco coeso, com instantes mais animados e divertidos e outros onde a melancolia impera. Impregnado, como é natural tendo em conta a filosofia do seu alinhamento, com letras de forte cariz introspetivo, tem um resultado final algo hipnótico, muito também por causa do realismo da atmosfera que se cria, apesar dos filmes de ficção e o espaço aparecerem, constantemente, no perfil estilístico do trabalho, começando, desde logo, pelo artwork do mesmo. Assim, de Being No One, Going Nowhere importa apreciar cuidadosamente a forte cadência do baixo que conduz Satellite, o cariz acessível, pop e radiante do single Never Ever, um tema que fica marcado na mente com enorme fluidez e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Something Ain't Right, uma das melhores canções do disco.

Tratado musical leve e cuidado e que encanta, ao mesmo tempo que abarca um conteúdo grandioso e repleto de experimentações que interagem com a pop convencional, Being no One, Going Nowhere transporta-nos para uma dimensão paralela, onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Being No One, Going Nowhere

01. Tape Machine
02. Satellite
03. Never Ever
04. Something Ain’t Right
05. Open Your Eyes
06. Interspace
07. In The End
08. Maps
09. When I’m With You
10. Dark Days
11. Being No One, Going Nowhere


autor stipe07 às 17:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Porcelain Raft – Microclimate

Depois de Strange Weekend (2012) e Permanent Signal (2013), Remiddi, um italiano nascido em 1972 e a viver em Nova Iorque, está de regresso com o seu projeto Porcelain Raft, fazendo-o à boleia de Microclimate, doze canções gravadas pelo músico em los Angeles, cidade californiana onde também foram misturadas por Chris Coady, tendo sido masterizadas já na costa leste por Heba Kaby.

Resultado de imagem para porcelain raft remiddi 2017

Remiddi é, claramente, um caso especial no universo sonoro indie e alternativo, pois pertence a uma geração que sempre se colou a uma sonoridade mais rock ou, pelo menos, algo distante do som típico deste projeto que batizou de Porcelain Raft. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011, este projeto foi ganhando respeito no seio da crítica devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno das suas composições, com os dois discos anteriores a este Microclimate não só a confirmarem as enormes expetativas de elevada bitola qualitativa do projeto, mas também a alargarem a amplitude e a abrangência sonora do mesmo.

Assim, e porque o cardápio sonoro de Porcelain Raft é cada vez mais heterógeneo e abrangente convém, antes de colocar um olhar e um ouvido clínicos em Microclimate, fazer uma espécie de exercício de auto contextualização e definir sobre que prisma queremos interpretar estas doze canções. Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música e acaba por nos contagiar também com tal abrangência.

Portanto, em Microclimate, a primeira pedra do edifício que Porcelain Raft escolheu para sustentar a sua música é aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida, com as batidas e o clima de Kookaburra e Distant Shore, por exemplo, a colocarem os anos oitenta em ponto de mira e com Rising a perpetuar este olhar de um modo mais introvertido e sentimental. E depois, porque esse também é um aspeto primordial da sua filosofia melódica e interpretativa, deu elevado relevo à sua voz andrógena, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e intenso em temros de nitidez no modo com expressa as sensações que a sua escrita pretende transmitir. Em Big Sur, canção inspirada numa localidade com o mesmo nome da Califórnia que Remiddi visitou e que o inspirou para este disco, é exemplar o modo como ele implora a uma terceira pessoa que regresse do casulo onde vive e o acompanhe vida fora e no mundo real, porque tudo irá ficar bem de novo (before you know it, all the answers are on the way).

Microclimate é o termo científico utilizado para designar uma área relativamente pequena cujas condições atmosféricas diferem da zona exterior e que surgem porque há barreiras geomorfológicas ou elementos naturais que confinam tal espaço. Remiddi terá escolhido este título para o seu terceiro álbum porque quer que cada uma das canções do seu alinhamento tenha uma identidade própria e única e que cada uma delas nos transporte para um universo psicossomático diferente e inédito. Missão cumprida. Espero que aprecies a sugestão...

Porcelain Raft - Microclimate

01. The Earth Before Us
02. Distant Shore
03. Big Sur
04. Rolling Over
05. Rising
06. Kookaburra
07. The Greatest View
08. Bring Me To The River
09. Accelerating Curve
10. The Poets Were Right
11. Zero Frame Per Second
12. Inside The White Whale


autor stipe07 às 18:16
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2017

Mariano Marovatto - Lá Cima Ao Castelo.

Resultado de imagem para Mariano Marovatto lá cima ao castelo

Brasileiro de nascimento, tendo isso sucedido a um de abril de 1982, no Rio de Janeiro, mas a residir atualmente em Lisboa, o escritor, cantor e compositor luso-brasileiro Mariano Marovatto começa a ganhar notoriedade devido ao seu trabalho artístico e nos dois lados do atlântico. E a música é, sem dúvida, a sua forma de expressão artística predileta, tendo como mais recente materialização um álbum intitulado Selvagem, que chegou aos escaparates há poucos dias e que encontra muita da sua génese na aldeia de Monsanto, como se percebe em Lá Cima Ao Castelo, o single já retirado do alinhamento.

Originalmente título de uma moda cantada durante a Festa do Castelo que ocorre anualmente na primeira semana de maio em Monsanto, aldeia de Castelo Branco, Lá Cima Ao Castelo, sobre o olhar de Marovatto, é uma lindíssima canção que coloca a nú todo o esplendor, bom gosto e criatividade de um músico ímpar no modo como entrelaça instrumentos e melodia e lhes dá um cunho bastante misterioso e sensorial. A canção já tem também direito a um vídeo, da autoria da cineasta russa Anastasia Lukovnikova e usa a aldeia como pano de fundo, complementando, na perfeição, o cariz fortemente impressivo da composição. Confere...


autor stipe07 às 18:53
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

Elbow – Little Fictions

Uma das bandas fundamentais do cenário indie das duas últimas décadas são, com toda a justiça, os britânicos Elbow de Guy Garvey, uma banda natural de uma pequena localidade inglesa chamada Salford e de regresso aos discos com Little Fictions, dez canções que acabam de ver a luz do dia à boleia da Polydor Records em parceria com a Concord Records. Este é o trabalho discográfico de um grupo honesto, coeso e com uma fleuma muito própria e sua, que busca no panorama internacional o mesmo reconhecimento que já tem, como projeto de topo, em terras de sua majestade.

Resultado de imagem para elbow 2017

Donos de um som épico, eloquente e que exige dedicação, os Elbow chegam a Little Fictions a verbalizar sonoramente uma necessidade quase biológica de nos elucidar como enfrentar a habitual ressaca emocional que os normais eventos de uma vida em sociedade nos dias de hoje provocam no equilíbrio emocional de qualquer mortal, razão pela qual são um daqueles grupos com os quais tanta gente acaba por se identificar, principalmente quem, de modo mais ou menos devoto, vai procurando destrinçar a escrita apurada de Garvey e que no antecessor, The Take Off And Landing Of Everything, editado na primavera de 2014, atingiu contornos particularmente intimistas, por ser ter debruçado na separação, à altura, do músico com a escritora Emma Jane Unsworth.

Cada vez mais maduro e sempre a fazer questão de ser profundo e poético na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir, este quinteto mantem a sonoridade elaborada que o carateriza, mas tem aqui talvez o momento mais alto da sua carreira depois do maravilhoso The Seldom Seen Kid (2008). Na verdade, os Elbow acertaram novamente e criaram mais um disco bonito e emotivo, cheio de sentimentos que refletem não só os ditos desabafos de Garvey, mas também a forma como ele entende o mundo hoje e as rápidas mudanças que sucedem, onde parece não haver tempo para cada um de nós parar e refletir um pouco sobre o seu momento e o que pode alterar, procurar, ou lutar por, para ser um pouco mais feliz. Canções como a optimista e orquestral Magnificient (She Says), a luminosidade intimista e charmosa de Gentle Storm, a cândura arrebatadora que transborda da emotiva All Disco ou a sedutora reflexão acerca de um adeus que nunca termina, plasmada em K2constituem a banda sonora ideal para essa paragem momentânea, que para todos nós deveria ser obrigatória e que pode muito bem servir-se de Little Fictions, deixando-o ali a tocar, a meio volume e em pano de fundo.

Sempre encantadores, aditivos e simultaneamente amplos e grandiosos e detalhados e impressivos no modo como falam e cantam sobre o amor, no fundo a grande força motriz de toda a pafernália de sensações e acontecimentos que fui descrevendo até aqui, os Elbow provam em Little Fictions que estão num elevado e excitante momento criativo e intactos e genuínos a expôr-se e a desarmar-nos. Afirmo-o convictamente porque este disco tem alguns momentos que, sendo devidamente absorvidos, não deixarão de nos provocar aquelas reações físicas que muitas vezes tentamos refrear, porque há quem considere que a cena dos sentimentalismos, do sorriso sem razão aparente e das lágrimas felizes ou infelizes (e aqui há as duas possibilidades) é só para os fracos de coração e de espírito. Quanto a mim, o verdadeiro e o mais recompensador é exatamente o contrário e aqueles que se expôem assim, é que são os fortes... E a música dos Elbow, disco após disco, tem-me ajudado a perceber nas últimas duas décadas como cimentar e vivenciar esta minha certeza, da qual não me envergonho minimamente. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - Little Fictions

01. Magnificent (She Says)
02. Gentle Storm
03. Trust The Sun
04. All Disco
05. Head For Supplies
06. Firebrand And Angel
07. K2
08. Montparnasse
09. Little Fictions
10. Kindling


autor stipe07 às 21:45
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017

Father John Misty - Pure Comedy

Father John Misty - Pure Comedy

Father John Misty já foi visto como um reverendo barbudo e cabeludo, que vagueava pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young. Encharcado, pegava no violão e cantava sobre cenas bíblicas, Jesus e João Batista e a solidão. Hoje, este ser único não é só um artista, é uma personagem criada e interpretada por Josh Tillman, antigo baterista dos Fleet Foxes, e com uma já respeitável carreira a solo, prestes a ver um novo capítulo.

O próximo registo discográfico de Joshua Tillman irá chamar-se Pure Comedy, chega aos escaparates a sete de abril e dele foi divulgado, recentemente, o tema homónimo. Já com direito a um vídeo realizado por Matthew Daniel Siskin, Pure Comedy é uma sátira feroz e irónica à América atual, numa canção de inegável beleza e melancolia, que se não é a reinvenção da roda contém uma saudável dose de letargia que garante sucessivas audições, por dias a fio. Acaba por ser mais um belo exemplo do modo como Tillman serve-se, neste caso, do piano, para expressar sentimentos que podem causar algum desconforto na mente dos mais desconfiados sobre as suas reais intenções, além de afagarem, com notável eficácia, as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a sua doutrina. Confere...


autor stipe07 às 17:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 29 de Janeiro de 2017

Real Estate - Darling

Real Estate - Darling

Os norte americanos Real Estate de Martin Courtney, Matt Mondanile, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman, regressam em 2017 aos discos com In Mind, um trabalho que irá ver a luz do dia a dezassete de março e do qual já foi retirado o single Darling, canção que abre o alinhamento do registo.

In Mind será o quarto álbum da carreira dos Real Estate e, pela amostra já conhecida, vem certamente aí um compêndio de canções  feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo, que olha cada vez mais e com maior atenção para o rock alternativo de final do século passado e, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fá-lo-o com um cariz algo urbano e sempre atual. Confere...


autor stipe07 às 20:10
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 28 de Janeiro de 2017

POND - 3000 Megatons vs Sweep Me Off My Feet

Depois do excelente Man It Feels Like Space Again (2015), os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso aos discos em 2017 com The Weather, um álbum que irá ver a luz do dia a cinco de maio através da Marathon Artists e do qual já são conhecidos dois temas; 3000 Megatons e Sweep Me Off My Feet. Se a primeira canção é um instante lisérgico conduzido por um sintetizador munido de um infinito arsenal de efeitos, literalmente cortado a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde nunca é descurado um forte sentido melódico, que mostra a capacidade que estes Pond têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop, já a delicada sensibilidade das cordas que suportam a monumentalidade comovente de Sweep Me Off My Feet resgata e incendeia o mais frio e empedrenido coração que se atravesse, numa canção com uma energia contagiante e libertária e que acaba de ter direito a um excelente vídeo, dirigido por Matt Sav. Já agora, torna-se obrigatório visualizar os videos dos Pond e perceber a forte ligação que existe sempre entre eles e a música, visto estarmos na preença de um coletivo que dá enorme importância à componente visual das suas composições sonoras. Confere...

Pond - 30000 Megatons

Pond - Sweep Me Off My Feet


autor stipe07 às 17:57
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Fevereiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
14
16
18

19
21
22
23
24
25

26
27
28


posts recentes

Dutch Uncles – Big Balloo...

Thievery Corporation – Th...

Generationals – Keep It L...

STRFKR – Being No One, Go...

Porcelain Raft – Microcli...

Mariano Marovatto - Lá Ci...

Elbow – Little Fictions

Father John Misty - Pure ...

Real Estate - Darling

POND - 3000 Megatons vs S...

Heat – Overnight

Next Stop: Horizon – The ...

Menace Beach – Lemon Memo...

Arcade Fire - I Give You ...

The XX - I See You

oLUDO - Abraço

Temples – Strange Or Be F...

The Flaming Lips - Oczy M...

Tiger Lou – The Wound Dre...

The New Division – Precis...

X-Files

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds