Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

STRFKR – Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Agora, alguns meses depois, o quarteto regressa à carga com uma série de compilações, das quais já se conhecem dois tomos, num total previsto de três. Refiro-me às Vault Vol., volumes de canções que nunca foram editadas pelos STRFKR, autênticas raridades, muitas delas salvas do primeiro computador pessoal já moribundo de Josh Hodges e que nunca foram escutadas por ninguém exterior ao círculo mais íntimo do grupo.

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Estas duas compilações já divulgadas dos STRFKR têm como maior atributo a possibilidade de nos permitir um olhar bastante impressivo e esclarecedor para o outro lado da cortina, acerca do processo criativo de Hodges, enquanto compositor, ele que é a grande força motriz da banda. A partir daí, desde instantes que são apenas e só esparsos devaneios experimentais, até algumas composições que poderiam muito bem ter figurado num álbum dos STRFKR, é diverso e múltiplo o calibre qualitativo do material sonoro disponibilizado.

Não existe grande diferença estilística e conceptual entre os dois volumes já disponibilizados, o que justifica, por si só, a análise de ambos em simultâneo. E neste emaranhado de registos, muitos deles com menos de um minuto e com o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica, já que, objetivamente, alguns eram momentos de experimentação, libertação, ou de teste, quer melódico quer instrumental, não deixam de existir aqui algumas canções que merecem destaque. Assim, se os quarenta e quatro segundos bastante harmoniosos de Wasting Away ou os teclados planantes e a batida luminosa de Beat 8 têm potencial para servirem de suporte a uma canção mais longa, o indie rock lo fi e a atmosfera retro de Downer, assim como o cariz acessível, pop e radiante de Stoned 2 e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Sound Track, merecem destaque e ruidosa exaltação dentro de todo este agregado que irá, certamente, deixar inebriados os seguidores mais acérrimos dos STRFKR.

Enquanto não chega o terceiro capítulo desta curiosa saga, Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2 são suficientes para nos transportar para uma dimensão paralela, até porque os STRFKR gostam de nos levar até onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Vault Vol. 1

01. Long Time
02. Eyes In The Back Of Your Head
03. Just Like You
04. Basically
05. Prrrty
06. Keeps Us Together
07. Baby
08. Benine Redux
09. Make Into Something Nice
10. Only Humans
11. Anything At All
12. Rachel
13. Oh Darling
14. I Wanna Hear About That
15. Daylight
16. Boogie Woogie
17. Goofy Shit
18. Flyer
19. So Sexy
20. Gerl

STRFKR - Vault Vol. 2

01. Happy Summertime
02. Hanna
03. Fuck Off
04. Downer
05. Beginner Space
06. Late Again
07. Stoned
08. Queer Bot
09. Sound Track
10. Listen
11. Wasting Away
12. Waiting
13. Best I Ever Had
14. Snow Tires
15. Missing You
16. Laa Loo
17. Pine Tree Smell
18. Jesus Christ Baby
19. Intro Sexton
20. Whateverer
21. Beat 4
22. Beat 8
23. Purple and Black
24. Be Leave
25. Marionette


autor stipe07 às 17:35
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Terça-feira, 18 de Julho de 2017

Portugal. The Man – Woodstock

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley estão de regresso aos discos com Woodstock, um álbum que sucede ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo, juntamente com Mac Miller e John Hill. Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man mostram, assim, o oitavo registo de originais da carreira, um álbum baptizado quando o pai de John Gourley encontrou o bilhete que usou no primeiro dia do mítico festival Woodstock e o ofereceu ao filho. Aliás, o disco inicia com Number One, uma canção que homenageia o evento por usar samples de Freedom, o último tema que o falecido cantor Richie Havens tocou no concerto que deu nesse Woodstock.

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Ecletismo e abrangência são duas ideias chave de quase quarenta minutos de rock alternativo, um alinhamento que justifica a sua contemporaneidade pelo modo como abraça esse rock ao hip-hop, ao jazz, ao R&B e à eletrónica, com criatividade e uma salutar dose de experimentalismo. Se em Evil Friends o grupo optou por um maior conservadorismo e por deixar de lado a vertente mais experimental para se concentrar num emaranhado de canções pop, agora, no alinhamento de Woodstock, temos momentos em que muitas vezes duvidamos se o tema que inicia pertence ao mesmo álbum e banda da canção anterior. Bom exemplo disso é como o grupo passa do rock épico e algo sombrio de Live In The Moment para o funk do baixo e o clima psicadélico de Feel It Still, composição que faz-nos querer instantaneamente cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. E depois, do piscar do olhos virulento ao R&B em So Young, ao hip-hop em Mr. Lonely, tema onde intervém Fat Lip dos The Pharcyde e à pop de cariz mais lisérgico e experimental de Tidal Wave e, principalmente, na indulgência ambiental de Noise Pollution, tudo assenta, basicamente, em permissas que obedecem a um alinhamento instrumental preciso, mas também a um completo desapego relativamente a tudo o que a banda propôs anteriormente, numa espécie de manta de retalhos minuciosamente arquitetada e que não deixa também de demonstrar com precisão, a opção, em determinados períodos, por sonoridades mais fáceis, comerciais e acessíveis ao grande público. Espero que aprecies a sugestão...

Portugal. The Man - Woodstock

01. Number One (Feat. Richie Havens And Son Little)
02. Easy Tiger
03. Live In The Moment
04. Feel It Still
05. Rich Friends
06. Keep On
07. So Young
08. Mr Lonely (Feat. Fat Lip)
09. Tidal Wave
10. Noise Pollution (Feat. Mary Elizabeth Winstead And Zoe Manville) [Version A, Vocal Up Mix 1.3]


autor stipe07 às 21:13
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Segunda-feira, 6 de Março de 2017

Portugal. The Man – Feel It Still

Portugal. The Man - Feel It Still

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley preparam-se para regressar aos discos em 2017 com Gloomin + Doomin, um álbum que irá suceder ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo e Mac Miller.

Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man vão, assim, para o oitavo registo de originais da carreira e pela amostra recentemente divulgada, o single Feel It Still, o seu alinhamento comprovará, mais uma vez, porque são considerados unanimemente um nome relevante no universo alternativo, justificada por uma permanente toada experimental e ausência de linearidade instrumental nos seus sucessivos lançamentos. O funk do baixo e o clima psicadélico deste single, fazem-nos querer instantaneamente pegar nele e cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. Confere...


autor stipe07 às 17:29
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

STRFKR – Being No One, Going Nowhere

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris.

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Com Interspace a dividir o alinhamento do disco em dois momentos distintos, Being No One, Going Nowhere foi produzido pelo próprio Josh hodges, o carismático líder do grupo e configura numa espécie de álbum concetual que, lirica e sentimentalmente, se debruça sobre os dois aspetos temáticos que trilham o seu título. Assim, se as primeiras cinco canções se debruçam, basicamente, sobre a perca e a deriva quando se vive uma vida inócua e sem objetivos, a partir de In The End os STRFKR procuram dar pistas e traçar um roteiro para uma vida mais feliz, apontando algumas consequências nefastas no eu de cada ouvinte caso a teimosia ou a cobardia continuem a vencer os conflitos interiores. Esta In The End é mesmo uma canção essencial para o entendimento cabal deste ideário, porque nela Hodges expôe com brilhantismo tudo aquilo que sentiu quando se isolou para compôr o disco (Stranger light; on the highway; golden; hours; hover and retreat. She said I want someone I can grow into).

A pop sintética dos anos oitenta do século passado e alguns dos detalhes mais relevantes da eletrónica de igual período, marcam musicalmente este disco coeso, com instantes mais animados e divertidos e outros onde a melancolia impera. Impregnado, como é natural tendo em conta a filosofia do seu alinhamento, com letras de forte cariz introspetivo, tem um resultado final algo hipnótico, muito também por causa do realismo da atmosfera que se cria, apesar dos filmes de ficção e o espaço aparecerem, constantemente, no perfil estilístico do trabalho, começando, desde logo, pelo artwork do mesmo. Assim, de Being No One, Going Nowhere importa apreciar cuidadosamente a forte cadência do baixo que conduz Satellite, o cariz acessível, pop e radiante do single Never Ever, um tema que fica marcado na mente com enorme fluidez e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Something Ain't Right, uma das melhores canções do disco.

Tratado musical leve e cuidado e que encanta, ao mesmo tempo que abarca um conteúdo grandioso e repleto de experimentações que interagem com a pop convencional, Being no One, Going Nowhere transporta-nos para uma dimensão paralela, onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Being No One, Going Nowhere

01. Tape Machine
02. Satellite
03. Never Ever
04. Something Ain’t Right
05. Open Your Eyes
06. Interspace
07. In The End
08. Maps
09. When I’m With You
10. Dark Days
11. Being No One, Going Nowhere


autor stipe07 às 17:50
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

The High Violets – Heroes And Halos

Oriundos de Portland, no Oregon e nascidos das cinzas dos míticos The Bella Low, os norte americanos The High Violets são um quarteto formado por Clint Sargent, Kaitlyn ni Donovan, Luke Strahota e Colin Sheridan. Editaram já este ano Heroes And Halos, o quinto registo do grupo, uma coleção de dez canções que da pop ao shoegaze, passando pelo rock experimental, viram a luz do dia à boleia da Saint Marie Records.

É num indisfarçável cruzamento explícito entre esplendor, majestosidade, epicidade e intimidade que deambulam as guitarras planantes de How I Love (Everything About You), canção que abre o alinhamento de Heroes And Halos e nos coloca frente a frente com um rock adocicado, intenso e convidativo, uma sonoridade que tanto cabe na amplitude de um estádio imenso como, em simultâneo, e se percebe nas cordas de Dum Dum, serve para uma introspeção serena, com Long Last Night a ser uma daquelas canções que crescem em arrojo e emoção, mostrando-se desafiante no modo como nos envolve.

Depois, o groove algo sinistro de Longitude, o beijo intenso que nos é proporcionado por Ease On e finalmente, no epílogo, a crueza acústica orgânica mas sentida de Heart In Our Throats, atestam o elevado grau de assertividade melódica e instrumental de uma banda intensa e que compôe música de forte cariz sensorial, já que sabe carregar nos botões certos das nossas emoções, oferecendo-nos um disco perfeito para ser escutado naquelas manhãs difíceis, em que a noite foi longa e agitada, mas onde existe um sopro que nos permite voltar a respirar com o ritmo e a cadência certas, para ser possível olhar o novo dia com uma renovada pujança e a certeza de que os mesmos podem ser sempre cada vez melhores. Espero que aprecies a sugestão...

The High Violets - Heroes And Halos

01. How I Love (Everything About You)
02. Dum Dum
03. Long Last Night
04. Break A Heart
05. Bells
06. Heroes And Halos
07. Longitude
08. Ease On
09. Comfort In Light
10. Hearts In Our Throats

 


autor stipe07 às 21:50
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2015

Cemeteries – Barrow

Lançado no passado dia vinte e oito de julho pelo consórcio Track and Field / Snowbeast Records, Barrow é o segundo disco do cardápio sonoro de Cemeteries, um projeto liderado por Kyle J. Reigle. Falo-vos de um músico norte americano natural de Buffalo, nos arredores de Nova Iorque, mas a viver atualmente em Portland e ao qual se juntam, nas atuações ao vivo, Jonathan Ioviero e Kate Davis.

Barrow é reflexo não só da referida mudança recente na vida pessoal do artista, a passagem de uma grande metrópole da costa leste para as montanhas do Oregon, mas também um reviver de memórias antigas relacionadas com verões felizes que Kyle passou junto a um lago próximo do local onde residia à época, mas também uma forma que encontrou de demonstrar o seu fascínio por The Fog, um clássico do cinema da autoria de John Carpenter.

O mar sempre foi sinónimo de imensidão, poder, vida e grandiosidade e começar e terminar um disco com o conteúdo de Borrow com o som do contacto de um imenso oceano com a costa é uma forma perfeita de balizar nove canções ousadas no modo como conjugam texturas claramente etéreas com belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes, uma receita que resultou em doces melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos.

O piano parece ser o aliado de eleição de Cemeteries quando se trata de criar a base melódica das suas canções e o single Luna (Moon Of Claiming) é uma demonstração clara do modo assertivo como Kyle usa as teclas para emocionar. Mas já antes, em Nightjar e pouco depois, em Cicada Howl, quando um apenas aparente minimalismo tornou-se na principal arma de arremesso do músico nessas duas canções, na demanda a que se propôs de nos obrigar a acusar o toque do seu ambiente sonoro no recanto mais escondido do nosso peito, foi óbvio que o simples toque na tecla certa e no instante oportuno, conjugado com arranjos felizes na forma como fazem vibrar o coração mais empedrenido, tornou-se suficiente para nos oferecer uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto à sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi que carateriza o conteudo de Barrow. Esta evidência desarma completamente Cemeteries e além de embrulhar o seu mentor numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, despe-o de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que o poderia envolver, para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que o carateriza e que justifica, plenamente, a obtenção plena do referencial temático acima descrito que caraterizou a conceção deste seu segundo trabalho.

Na verdade, algo que impressiona claramente em Barrow é o modo como as canções seguem a sua dinâmica natural e mesmo assumindo aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, não deixam de, em alguns instantes, de se assumir como defensoras de um álbum implicitamente rock, onde até não faltam alguns instantes esculpidos com cordas ligas à eletricidade. Mas, como se percebe, por exemplo, em I Will Run From You, apesar da distorção das cordas, o que domina claramente neste alinhamento são canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Seja como for, há também que aludir à importância da percussão como elemento igualmente preponderante na música de Cemeteries, principalmente quando se alia às cordas para ditar as regras no andamento de uma canção. Se a grandiosidade de Sodus depende quase única e exclusivamente das mudanças rítmicas da bateria e do encadeamento feliz que a guitarra traça com as baquetas e os tambores, já as batidas sintéticas de Empty Camps acomodam uma espécie de euforia apoteótica, que não se vê, mas que ecoa ao longo da canção, como um manto que a cobre, mesmo que de forma quase inaudível, numa espécie de silêncio que, ao contrário da maior parte dos silêncios, é um silêncio que se escuta e que sem esse pulsar rítmico não existiria.

Barrow é um notório marco de experimentação, terra firme onde nos podemos acomodar e contemplar um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a vastidão imensa e simultaneamente diversificada das paisagens que Reigle pretendeu recriar e que submergem à boleia de uma fórmula inventada para temporizar, adicionar e remover diferentes tipos de sons e, como se as canções fossem um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários detalhes sonoros, peças sonoras sólidas particularmente ousadas e inebriantes. Espero que aprecies a sugestão...

Cemeteries - Barrow

01. Procession
02. Nightjar
03. Luna (Moon Of Claiming)
04. Can You Hear Them Sing?
05. Cicada Howl
06. I Will Run From You
07. Empty Camps
08. Sodus
09. Our False Fire On Shore


autor stipe07 às 15:14
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Sábado, 11 de Outubro de 2014

Bike Thief – Stuck In A Dream

Oriundos de Portland, no Oregon, os Bike Thief são Febian Perez, Greg Allen, Patrick White, Steve Skolnik e Thomas Paluck, uma daquelas típicas bandas indie que gostam de se mover por vários terrenos sonoros, fazendo-o com um equilibrio tal que evitam ao máximo decalcar apenas um espetro sonoro, para que a monotonia não se instale e um desses territórios não acabe por se tornar movediço, sugando a banda para um marasmo de onde dificilmente se encontra a saída. Assim, eles percorrem de forma inteligente estilos musicais tão variados como a indie pop, o rock progressivo e até a folk. Além da guitarra, da bateria e do baixo, também usam sintetizadores e instrumentos peculiares como o xilofone e o violino, ou seja, apostam numa conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, o que resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, em canções carregadas de letras que andam quase sempre à volta de histórias sobre personagens peculiares e do universo fantástico, escritas por Febian Perez, dono de uma magnífica voz e aparentemente o lider da trupe.

Stuck In A Dream é um disco recheado de intensidade e de boas canções, com Ghosts Of Providence e Kiss The Light a serem bons exemplos da exuberância e do ritmo forte e alegre que os Bike Thief gostam de imprimir à sua música, sem que isso descure uma atmosfera bastante sentimental e até algo dramática. Se a folk parece querer dominar incialmente temas como We Once Knew Ya, a já referida Kiss The Light ou The Burning Past, neles o violino é rapidamente acompanhado por outros arranjos sintetizados e distorções que engrandecem essas canções e dão-lhes o tal clima de diversidade que os Bike Thief tanto apreciam. Mesmo em Violet Waves e Shimmer, duas canções que abordam essencialmente o indie rock, os Bike Thief fazem-no de formas distintas, com a primeira a ser objeto de um modo luminoso e ligeiro e a segunda a chamar a si um ambiente mais punk e sombrio, com uma abordagem ao rock de um modo mais progressivo e até psicadélico. Esta atmosfera acaba por se alastrar ate ao final, sendo a grande força motriz da magnificiência que percorre os mais de dez minutos do tema homónimo do disco, uma espécie de climax de todo o alinhamento, a bohemian rapsody dos Bike Thief que funciona como se fosse o olho de um furacão para onde convergem todos os temas escutados anteriormente.

Stuck In A Dream é, no fundo, um compêndio de art rock, um disco eloquente, cheio de vida e inspirador para quem gosta daquele rock feito de ambientes sonoros preenchidos e particularmente exóticos. Como podes verfificar abaixo, o disco está disponível no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente. Espero que aprecies a sugestão...

Bike Thief - Stuck In A Dream

01. A Breath
02. Ghosts Of Providence
03. Kiss The Light
04. We Once Knew Ya
05. Somewhere New
06. The Burning Past
07. Violet Waves
08. Tide Of Reason
09. Shimmer
10. Stuck In A Dream



autor stipe07 às 15:24
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Sábado, 6 de Setembro de 2014

Dana Buoy - Preacher EP

9Dana Buoy - "Everywhere" (Fleetwood Mac Cover)

Baterista dos Akron/Family Dana Janssen é também Dana Buoy, o nome artístico através do qual publica a sua própria música. O seu mais recente registo discográfico chama-se Preacher, uma coleção de cinco canções, onde se inclui uma cover de Everywhere, um clássico dos Fleetwood Mac, que faz parte do alinhamento de Tango In The Night, o disco que essa banda editou em mil novecentos e oitenta e sete.

Preacher assenta no clássico indie rock contemporâneo feito com encantadores teclados, uma percurssão geralmente subtil, mas transversal ao EP e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar, assim como arranjos que muitas vezes incluem sons orgânicos e da natureza e um jogo de vozes quente e intimista.

Os pássaros que chilream no início de Isla Mujeres são apenas um pequeno detalhe, mas define com um certo charme a elevada bitola qualitativa de cinco canções que, apesar do pendor épico e festivo, não transpiram pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica.

Um dos destaques deste trabalho é, quanto a mim, It's Alright, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e um sintetizador que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade da voz. Já Let's Star A War destaca-se pelos pequenos toques no tambor e um teclado profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.

Dana Buoy deitou-se numa nuvem feita com a melhor synthpop atual e operou um pequeno milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada, sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Em suma, Preacher é um belíssimo EP, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 16:04
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Mimicking Birds – Eons

Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel são o trio que constitui os Mimicking Birds, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, que acaba de surpreender com Eons, um traablho editado no passado da treze de maio através da Glacial Pace Records, estando o single Bloodlines disponivel para download gratuíto.

A introdução de Eons, com o efeito da guitarra e a batida de Memorabilia e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Acting Your Age e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muto bem interpretar, na senda de nomes como os Phosphorescent, os Wilco, os The War On Drugs ou os Lambchop, bandas que sabem hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Eons é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem mais expansivo e épico que o antecessor homónimo, que tinha uma elevada componente lo fi.

Um dos aspetos mais interessantes de Eons é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração, com o baixo e a percussão a serem, talvez, o elemento estruturalmente dominante da esmagadora maioria das canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em Night Light e no rock de Spent Winter à abordagem mais eletrónica de Water Under Burned Bridges, ou da mais ambiental Seeing Eye Dog, Eons está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Bloodlines e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite

O disco termina com a belissima e catártica Moving On e nesse epílogo percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Eons

01. Memorabilia
02. Acting Your Age
03. Owl Hoots
04. Spent Winter
05. Bloodlines
06. Night Light
07. Water Under Burned Bridges
08. Wormholes
09. Seeing Eye Dog
10. Moving On

 


autor stipe07 às 22:09
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014

Fanno Creek – Monuments

Os Fanno Creek são Quinn Mulligan, Evan Hailstone e Dane Brist, um trio de Portland, no Oregon, que aposta numa sonoridade ligeira e tipicamente folk. Monuments é o disco de estreia deste grupo norte americano, um trabalho que viu a luz do dia em dezembro de 2013 por intermédio da Sohitek Records.

Monuments é uma coleção de doze canções feitas com uma folk muito inspirada e liderada, quase sempre, pelo belíssimo jogo de vozes entre Quinn e Evan, sem dúvida uma das mais valias dos Fanno Creek. O single On My Way é um dos grandes destaques deste trabalho, um tema que nos remete para o universo de uns Fleet Foxes, uma canção com uma belíssima harmonia repleta de elementos pop, com palmas no momento certo e as cordas, a percurssão, os metais e o orgão sintetizado a assumirem a vanguarda na composição.

Outro tema que também chama facilmente a nossa atenção é How Long, não só devido ao falsete da voz, mas também por causa da vibração da guitarra e de um baixo proeminente, que criam uma atmosfera sonora que nos remete para a década de sessenta. Mas a minha canção favorita é Trilithon, um tema que começa com uma simples guitarra e que depois se vai alicerçando numa bateria em contínuo crescimento e numa voz harmoniosa que, juntamente com o violino, confere à canção um ambiente muito nostálgico e emotivo, enquanto a banda canta I’ve seen death, and I’ve seen love, but all that I am thinking of, is dollar bills that I don’t have, it’s comfort in your clenching hands. Este é um bom exemplo de como as histórias contidas neste álbum fazem-nos sentir tudo aquilo que os Fanno Creek têm para nos contar, sobre o amor, a felicidade, o companheirismo ou simples desabafos.

Depois, ao longo do disco, além da instrumentação de base já referida, os trompetes, os metais, o violoncelo e o violino e alguns elementos sintetizados criam arranjos que enriquecem imenso Monuments e o fazem fluir para territórios que irão certamente unir todos aqueles que tanto apreciam uma folk, algures entre Neil Young e os Lumineers

É interessante ouvir Mountains e perceber que os Fanno Creek não tiveram receio de arriscar e buscaram uma simbiose de detalhes raramente ouvida nas propostas atuais. É uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e da eletrónica assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares. A banda impressiona pela simplicidade e rusticidade e demonstram que não é preciso ser demasiado extravagante e ousado para soar musicalmente bem. Têm um som honesto e despido de grandiosidade e é exatamente isso que faz deste Monuments um ótimo disco.

Uma das iniciativas mais peculiares que a banda para promover monuments foi a realização de uma espécie de caça ao tesouro; Espalharam em nove monumentos e locais emblemáticos de Portland um pacote com um exemplar de Monuments e outro material promocional, para que, quem quisesse, os procurasse, havendo algumas pistas no site oficial dos Fanno Creek. Espero que aprecies a sugestão...

Fanno Creek - Monuments

01. Overture
02. On My Way
03. Trilithon
04. How Long
05. Page
06. Bones
07. Body, Brain
08. Dead Wrong
09. Break In
10. Green Stones
11. Dream Song
12. What Am I Thinking

 


autor stipe07 às 14:02
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