Sábado, 29 de Outubro de 2016

Mall Walk - Funny Papers

Lançado ontem à boleia da Mount Saint Mountain, masterizado por John McBain e produzido e misturado por Monte Vallier nos estúdios Ruminator Audio em São Francisco, Funny Papers é o título do álbum de estreia dos MALL WALK. Refiro-me a um trio formado por Daniel Brown, Nicholas Clark e Rob I. Miller, oriunda da mesma São Francisco e com um cardápio sonoro impregnado com um manancial de efeitos e distorções alicerçadas em trinta anos de um indie rock feito com guitarras bastante inspiradas, algo que ficou já patente logo em outubro de 2014 com S/T, o EP da banda que de tempos em tempos ainda roda com insistência na redação deste blogue.

Os MALL WALK têm tudo aquilo que é preciso para serem uma banda importante do indie rock psicadélico atual. Têm no sol da Califórnia o refúgio perfeito para explorar um hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial, que carateriza a sua música e, de facto, as dez canções de Funny Papers impressionam pela amplitude do trabalho de produção e a procura de uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, dentro de um espetro sonoro onde aquela visceralidade algo sombria, típica do punk, costuma ditar cartas. Esta apenas aparente ambivalência está bem expressa na monumentalidade de Street Drugs and Cartoons, canção onde o próprio rock de cariz mais progressivo também está fortemente impresso, em especial na guitarra que conduz o refrão.

Na verdade, o habitual pendor algo lo fi que muitas vezes é percetivel na própria distorção das guitarras em bandas que apostam neste espetro sonoro relacionado com o indie rock mais cru e o punk rock é, neste trio, substituido por um elevado vigor do baixo e também pela chamada deste instrumento para a linha da frente na arquitetura sonora, que tem, frequentemente, as luzes da ribalta e um maior protagonismo, como se percebe, claramente, em Patches, mas também em Call AgainExhauster, três espetaculares tratados de punk rock aditivos, rugosos e viciantes. Mas a sensibilidade dos solos e riffs da guitarra que exibem linhas e timbres muito comuns no chamado garage rock, também não são descurados e em Sleeping In Shits, mas, principalmente, em Protection Spells acabam por ser aquele complemento perfeito que obriga a que seja justo afirmar que os MALL WALK são corajosos e abertos a um saudável experimentalismo. E essa busca de novos caminhos dentro do espetro sonoro que os baliza e que no caso de Sex Negative pisca o olho à psicadelia setentista, nunca inibe o trio de se manter conciso e direto na visceralidade controlada que quer exalar, enquanto prova elevada competência no modo como separa bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções.

Se as linhas de baixo sublimes referidas são exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes dos MALL WALK, é evidente nas distorções das guitarras um posicionamento melódico direcionado para a busca de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também acessíveis e do agrado de um público abrangente. Death In Small Increments é o exemplo maior deste passo em frente, uma catarse psicadélica, assente numa bateria inspirada que nos faz dançar em loopings divagantes, uma canção onde os MALL WALK apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, que é um verdadeiro compêndio de punk rock despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Funny Papers sabe a muito pouco, tal é a hipnose instrumental que nos oferece, pensada para nos levar numa road trip pelo deserto com o sol quente na cabeça, à boleia da santa tríade do rock, uma viagem lisérgica através do tempo em completo transe e hipnose. Da psicadelia, ao garage rock, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado punk rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos MALL WALK, que acabam de dar um passo bastante confiante, criativo e luminoso na sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:39
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

Day Wave - Hard To Read EP

day wave

Natural de Oakland, o norte americano Jackson Phillips, que assina a sua música como Day Wave, está de regresso com Hard To Read, o seu segundo EP lançado em formato digital, o sucessor de Headcase, o primeiro tomo do músico e que o colocou logo nos radares da crítica mais atenta.

Com a melhor dream pop na mira, Phillips tomou as rédeas de todo o trabalho envolvido na gravação destas suas novas cinco canções, desde a mistura à produção, passando pela própria gravação. O resultado é um alinhamento de temas vibrantes, com Gone, o primeiro single retirado de Hard To Read, a impressionar pela linha melódica sintetizada vibrante e pelo modo como um estrondoso baixo e a bateria a ela se juntam para depois abrirem as mãos para uma linha de guitarra insinuante. É uma canção que parece querer forçar o ouvinte a deixar, nem que seja por breves instantes, tudo e todos para trás, rumo aquela luz que está sempre ali, mas que nunca temos coragem de perscutar.

O rock emotivo do tema homónimo, a atmosfera catárquica de Stuck e o clima sonhador de You são mais três belos momentos destes dezoito minutos que sabem aquela brisa quente e aconchegante que entra pela nossa janela nestas convidativas noites de verão. Day Wave pode gabar-se de ser capaz de mostrar uma invulgar intensidade emocional na sua escrita e de poder ser já caraterizado como um artista possuidor não só dessa importante valência mas também de um tímbre vocal único, uma postura confiante e exímio intérprete de guitarras angulares, acompanhadas por sintetizadores luminosos e um baixo geralmente imponente, as suas principais matrizes identitárias. Ele exala uma faceta algo sonhadora e romântica que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada e que irá certamente agradar a todos os apreciadores do género. Espero que aprecies a sugestão...

Day Wave - Hard To Read

01. Gone
02. Stuck
03. Deadbeat Girl
04. Hard To Read
05. You


autor stipe07 às 15:23
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2016

Fine Points – Hover EP

Editado no início do verão do ano passado, Hover é o registo discográfico de estreia dos Fine Points, uma projeto norte americano oriundo da costa oeste e formado por Evan Reiss e Matt Holliman, dois músicos dos míticos Sleepy Sun. Refiro-me a um EP com sete canções, que viu a luz do dia à boleia da Dine Alone Records e que contém uma pop psicadélica invulgar, mas bastante atrativa, gravada numa antiga igreja em New Telos, em Oakland e que captou eficazmente a energia revigorante das ondas do pacífico e a paz cristalina que emana das paisagens de uma porção da imensa América que sempre transmitiu um calor intenso e mágico a quem se foi deixando, desde a década de sessenta do século passado, absorver por este ambiente cristalino único e invulgar.

Hover vale pelo modo como pisa um terreno fortemente experimental, banhado por uma psicadelia pop ampla e elaborada, onde um timbre cristalino debitado por guitarras inebriantes, uma percussão vigorosa e sedutora e uma panóplia de efeitos se cruzam de modo a fazer-nos ranger os dentes e elevar o queixo, guiados por um som luminoso, atrativo e imponente, mas que não descura aquela fragilidade e sensorialidade que, como se percebe logo em Astral Season, encarna um registo ecoante e esvoaçante que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Com um som intenso, épico e esculpido à medida exata, Hover arranca o máximo de cada componente do projeto. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas, como sucede em The Painted Fox ou These Day e se um baixo imponente se cruza com cordas e outros elementos típicos da folk em Just Like That, já Future Hands torna sonoramente bem audível um piscar de olhos insinuante a um krautrock que prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um EP que contém um acabamento límpido e minimalista, seguindo em ritmo ascendente, mas sempre controlado.

Hover oferece-nos aquele sol da Califórnia que tantos de nós se habituaram a ver apenas nos filmes, replicado por uns Fine Points divididos entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica, enquanto escrevem versos que parecem dançar de acordo com harmonias magistrais, onde tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo deste Hover um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, onde foram usadas todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente. Este é um verdadeiro compêndio pop, no sentido mais restrito, que nos acolhe numa ilha mágica, cheia de sonhos e cocktails e onde podemos ser acariciados pela brisa do mar. E quem não acredita que a música pode fazer magia, não vai sentir-se tocado por este EP, que tem nas suas canções visões de cristal, muitos corações e estrelas cintilantes, tornando-se num espetáculo fascinante, capaz de encantar o maior dos cépticos. Espero que aprecies a sugestão...

Fine Points - Hover

01. Astral Season
02. Just Like That
03. The Painted Fox
04. Amalia
05. Future Hands
06. These Days
07. In Lavender


autor stipe07 às 21:04
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Domingo, 15 de Março de 2015

MALL WALK - S/T EP

Abrigados na efervescente Vacant Stare Records, uma fantástica etiqueta de Oakland, na Califórnia, os MALL WALK são Daniel Brown, Nicholas Clark e Rob I. Miller, um trio oriundo dessa cidade norte americana e com um cardápio sonoro impregnado com um manancial de efeitos e distorções alicerçadas em trinta anos de um indie rock feito com guitarras bastante inspiradas, como comprova S/T, o recente EP da banda, um trabalho produzido por Mont Vallier e que viu a luz do dia em formato digital e cassete no passado outono.

Os MALL WALK parecem ter tudo aquilo que é preciso para poderem vir a ser, muito em breve, uma banda importante do indie rock psicadélico atual. Encontraram na Vacant Stare Records o refúgio perfeito para explorar o hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial, que carateriza a sua música e as cinco excelentes canções de S/T impresionam pela amplitude do trabalho de produção e a procura de uma textura sonora aberta, melódica e expansiva. O habitual pendor algo lo fi que muitas vezes é percetivel na própria distorção das guitarras em bandas que apostam neste espetro sonoro relacionado com o indie rock mais cru e o punk rock é, neste trio, substituido por um elevado vigor do baixo e também pela chamada deste instrumento para a linha da frente na arquitetura sonora, que tem, frequentemente, as luzes da ribalta e um maior protagonismo, como se percebe quer em False Living, quer em Teen Missing, dois espetaculares tratados de punk rock aditivos, rugosos e viciantes. E a sensibilidade dos solos e riffs da guitarra, apesar de exibirem linhas e timbres muito comuns no chamado garage rock, acabam por ser aquele complemento perfeito que obriga a que seja justo afirmar que os MALL WALK são corajosos e abertos a um saudável experimentalismo. E essa busca de novos caminhos dentro do espetro sonoro que os baliza e que no caso de Unsold pisca o olho à pop mais melódica e luminosa, nunca os inibe de se manterem concisos e diretos na visceralidade controlada que querem exalar e prova elevada competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções.

Se, nos temas já citados, as linhas de baixo sublimes de False Living e o efeito da guitarra em Teen Missing são apenas dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes dos MALL WALK, é evidente, noutros casos, o diferente posicionamento melódico da dupla pela busca de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também mais acessíveis e do agrado de um público mais abrangente. Treadmill é o exemplo maior deste passo em frente, uma catarse psicadélica, assente numa batida inspirada que nos faz dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante, uma canção onde os MALL WALK apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, em quase seis minutos que são um verdadeiro compêndio de um punk rock despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Quando chega ao ocaso a melancólica, melódica e sedutora Pales In Comparison, a única certeza com que ficamos é que S/T sabe a muito pouco, tal é a hipnose instrumental que nos oferece, pensada para nos levar numa road trip pelo deserto com o sol quente na cabeça, à boleia da santa tríade do rock, uma viagem lisérgica através do tempo em completo transe e hipnose. Da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado punk rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos MALL WALK, que acabam de dar um passo bastante confiante, criativo e luminoso na sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 19:24
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Quarta-feira, 4 de Março de 2015

Pacote Vacant Stare Records - Stalls vs MALL WALK

tapes.jpg

A mítica Vacant Stare Records, uma fantástica etiqueta de Oakland, na Califórnia, tem no seu cardápio os Stalls e os MALL WALK, duas bandas que partilham membros e impregnadas com um manancial de efeitos e distorções alicerçadas em trinta anos de um indie rock feito com guitarras bastante inspiradas.

O blogue Man On The Moon tem para oferecer ao seu maior fã duas excelentes cassetes dos Stalls e dos MALL WALK, que poderá receber em sua casa gratuitamente e que incluem códigos para download legal e gratuito do seu conteúdo. Para isso, quem quiser habilitar-se a este magnífico pacote, tem apenas de entrar no link do blogue (AQUI) onde é feita a análise crítica do EP homónimo dos Stalls, um dos trabalhos oferecidos e deixar a sua opinião sobre o artigo e o conteúdo sonoro do trabalho, assim como da banda.

Depois disso, o interessado tem de partilhar esse link no seu mural pessoal do Facebook e o concorrente que além do comentário que fez no blogue, obter mais Gosto e Comentar nessa partilha, até ao próximo domingo, dia oito de março de 2015, será o feliz contemplado! Arriscas?!


autor stipe07 às 14:23
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2015

Stalls - Stalls EP

Oakland, nos arredores de São Francisco, é um nicho atualmente bastante em voga no universo sonoro alternativo norte americano e Sam Weiss uma das figuras mais emblemáticas do meio local. Antigo membro de bandas como os Pure Bliss, Violent Change, ou os Mall Walk, juntou-se há alhuns meses a Ray Seraphin (Talkies, Violent Change) and Nick Clark (Mall Walk), para formar os Stalls, um novo projeto impregnado por um manancial de efeitos e distorções alicerçadas em trinta anos de um indie rock feito, neste caso, com guitarras bastante inspiradas e um enorme bom gosto e que se estreou no último dia vinte com Stalls, um EP homónimo, através da Vacant Stare Records.

Obscuros e melancólicos, mas plenos de energia e focados numa enorme dedicação à causa, estes Stalls não complicam na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage e são um claro exemplo de que quando a música é boa, esse tipo de projeções e comparações tornam-se inócuos e a data da gravação pouco importa, sendo apenas um mero detalhe formal sem qualquer valor.

Logo no baixo e no fuzz e no efeito metálico da guitarra de Cola percebemos claramente que estes Stalls são uma banda que tem colado a si, como seria de esperar, o indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio que fez furor nos finais da década de setenta e início da seguinte. O próprio registo vocal grave e lo fi de Weiss, com um efeito ligeiramente em eco e com todas as sílabas a serem soletradas com particular vigor, aponta no sentido de uma certa herança glam, ampliada por uma postura autoritária e segura.

Em Paradise o ritmo abranda um pouco, mas mantem-se o vigor do baixo e o fuzz de uma guitarra mais blues, criando uma atmosfera contemplativa, com uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica. O single Tooth And Nail traz de volta aquele efeito metálico com uma tonalidade vincada e, num registo mais punk, fica plasmada toda a crua visceralidade de um trio que sabe como manipular os nossos sentidos, fazendo-nos facilmente dançar, até perdermos o fôlego e deixarmos o nosso corpo esvair-se num misto de agonia e boa disposição.

Até ao final, Miasma of Love pisca o olho ao rock mais experimental e progressivo, devido à ruidosa imponência da guitara e um Sam Weiss que parece cantar diretamente do fundo das trevas, enquanto jura vingança a quem teve a coragem de não permitir a expiação dos seus pecados, numa canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Stalls conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.

Stalls encerra com Cage, o instante mais pop, épico e melancólico do EP, uma canção com uma limpidez e um acerto melódico pomposo e luminoso que projeta os Stalls para uma toada mais épica e aberta e que demonstra a capacidade eclética do grupo em compôr boas letras e oferecer-lhes belíssimos arranjos, sempre assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns dos melhores efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do indie punk vintage mais sombrio. Espero que aprecies a sugestão...

Web


autor stipe07 às 21:05
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Sábado, 23 de Agosto de 2014

Coast Jumper – The End Of Broad Slough EP

Gravado durante o ano de 2013 e apenas terminado devido a vários donativos, The End Of Broad Slough é o novo EP dos Coast Jumper, uma banda norte americana sedeada em Oakland e que no verão de 2012 estreou-se nos discos com Grand Opening, um trabalho produzido por Kevin Harper e que foi dissecado por cá. Editado no passado dia um de agosto e disponibilizado no bandcamp da banda, com a possibilidade de obteres uma edição limitada em vinil, The End Of Broad Slough contém cinco canções feitas com belíssimos arranjos acústicos, mas onde também se nota o esplendor das guitarras elétricas e de uma percurssão bastante vincada e com um apreciável pendor épico.

Os Coast Jumper fazem canções abertas e luminosas enquanto se movimentam dentro do rock experimental e progressivo, mas onde também não faltam alguns dos detalhes mais caraterísticos da típica folk norte americana. Pelos vistos acharam que conceitos como o ambienteagressão, harmonia e libertação, amores perdidos e o crescimento, são boas temáticas para as suas canções, assentes, quase sempre, numa melodiosa alquimia lisérgica, coberta de acordes quase tão hipnóticos como qualquer caleidoscópio ácido.

A canção de abertura do EP, Western Star, tem uma sonoridade grandiosa, seguida da beleza quase etérea de Anita (You're Mad); Esta canção parece que foi matematicamente pensada, com uma voz e acordes que destoam de uma sequência normal na maioria das músicas. As ditas vozes fazem vir à tona lembranças psicadélicas setentistas e as mudanças que o cantor vai efetuando no andamento, faz com que os nossos ouvidos sejam agarrados a cada acorde.

Depois da voz sintetizada e dos violinos que suportam a balada acústica Right On Track e da indie pop nostálgica e simultaneamente ligeira e descomprometida de King Phillip, já estás definitivamente agarrado ao EP a até ao fim será inevitável perceberes que estes Coast Jumper fazem canções profundas e com sentimento, tratados sonoros propostos com uma extrema e delicada sensibilidade e que possuem muito mais do que aquela simples pop chiclete nas suas artérias. Espero que aprecies a sugestão..

Coast Jumper - The End Of Broad Slough

01. Western Star
02. Anita (You’re Mad)
03. Right On Track
04. King Phillip
05. Blackout

 


autor stipe07 às 19:37
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Quarta-feira, 19 de Março de 2014

tUnE-yArDs - Water Fountain

Merrill Garbus e Nate Brenner, a dupla que sustenta o projeto tUnE-yArDs, está de regresso aos discos após um período de ausência moderadamente alargado, já que, Whokill, editado em 2011 através da etiqueta 4AD, foi o último disco a ser editado por esta dupla de Oakland, um trabalho que divulguei pouco tempo depois..

O novo trabalho dos tUnE-yArDs chama-se Nikki Nack, vai ver a luz do dia a cinco de maio próximo e Water Fountain é o primeiro single divulgado do álbum, uma canção alimentada por um verdadeiro caldeirão sonoro que vai da folk ao indie, com os habituais ritmos afrobeat, uma mescla que evidencia a enorme veia criativa deste projeto e que nos deixa a salivar pelo disco. Confere...


autor stipe07 às 12:25
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Domingo, 2 de Setembro de 2012

Birds And Batteries – Stray Light

Os Birds & Batteries são uma banda norte americana, natural de Oakland e formada por Mike Sempert, Jill Heinke, Colin Fahrner e Christopher Walsh. Stray Light, editado no passado dia vinte e sete de agosto é o disco mais recente do grupo e está disponível para audição no sitio da banda, assim como a restante discografia dos Birds and Batteries, nomeadamente o EP Unfold, editado já em 2012, no passado mês de abril.

Os Birds And Batteries já têm uma discografia interessante, iniciada em 2006. No entanto, Panorama, disco de 2010, acabou por chamar a atenção do universo indie para este conjunto de músicos, principalmente devido ao single Strange Kind of Mirror e à versão que na altura fizeram para Squeeze Box, um original dos The Who.

A sonoridade de Stray Light é o culminar de um processo de amadurecimento sonoro que foi sendo cimentado à medida que os lançamentos se sucediam, mas sempre baseado numa pop revivalista, com forte influência dos anos oitenta. Assim, as canções são dominadas por sintetizadores, uma bateria bem vincada e guitarras cheias de efeitos, numa combinação de géneros e influências muito em voga no cenário musical indie atual.

O single Let The Door Swing é claramente apontado às rádios e baliza o estilo do grupo na perfeição, que só destoa um pouco na semi acústica My Life Is Mine e em Are You At Peace?, uma belíssima música que começa com uma toada calma e que depois ganha uma sonoridade épica e, por isso, peculiar, tendo em conta o restante disco, até porque nela se pode escutar uma guitarra acústica e um violino.

Este é mais um daqueles álbuns que recomendo vivamente a quem gosta de reviver gloriosos tempos passados e recordar os primórdios da pop. E aconselho vivamente a não se deixarem ficar por Stray Light; A restante discografia destes Birds And Batteries merece a tua audição atenta! Espero que aprecies a sugestão...

01. The Golden Age Of Dreams
02. Let The Door Swing
03. Love Is Coming Back
04. Be My Girl
05. I Want You
06. Stray Light
07. Are You At Peace?
08. Evolutionary Step
09. My Life Is Mine
10. Arctic Flowers

 


autor stipe07 às 17:57
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Terça-feira, 6 de Março de 2012

tUnE-yArDs - W h o K i l l

tUnE-yArDs é o insólito nome do projeto a solo de uma cantora norte americana chamada Merrill Garbus, oriunda de Oakland, na Califórnia e que em abril de 2011 lançou um álbum através da etiqueta 4AD, que só agora, graças a uma dica DuponD, descobri.

A primeira vez que ouvi W h o K i l l, achei ao incio que o vocalista era um homem. Mas depois, com maior atenção, acabei por encontrar algumas semelhanças entre merrill e nina simone, nomeadamente no timbre. Merrill é uma compositora aberta a experimentalismos, com um pé em África, outro na Jamaica e outro na América Latina. As canções carregadas de melodias oscilantes, batidas angulosas e um baixo bastante marcado, remetem para a sonoridade dos Dirty Projectors e a banda usa e abusa de loopings e efeitos de pedal para dar um clima positivamente estranho às composições, o que resulta num som harmonioso e extremamente pop, repleto de bizarrices folk, experimentalismos eletrónicos, batidas fora de ritmo, inserções de afrobeat e uma espécie de descontrole controlado, no fundo uma pérola repleta de esquisitices pop, fruto da mente insana da cantora e compositora.

Se é necessário rotular o disco dentro de algum género, que seja o experimental. Para o justificar basta ouvir Gangsta, uma canção que começa com sirenes de um carro de bombeiros, seguidas de batidas feitas com percussão, a voz a imitar as mesmas sirenes, um ruído pesado que resulta da soma de diversos instrumentos, um teclado competente e Merrill a soltar despretensiosamente a voz. Se ainda achas pouca excentricidade a tudo isto, então avança para Bizness, uma canção assente num som sofisticado e doce, repleto de sonoridades estranhas, ruídos incoerentes e batidas quentes, um caldeirão sonoro que faz perceber uma visível aproximação à pop. A californiana segue o mesmo exemplo de bandas como os já citados Dirty Projectors e os Animal Collective, por embarcar num universo de experimentações, mas sempre resolvidas de forma fácil e contagiante, com o som a fluir facilmente nos nossos ouvidos, permitindo que cada pequeno acorde seja bem aproveitado.

Lançado, como já referi, através do selo 4AD (etiqueta de artistas como Frank Black, Deerhunter e os Beirut) W h o K i l l figurou merecidamente em várias listas dos melhores lançamentos de 2011 e do início ao fim do álbum Merrill Garbus não nos dececiona, mantendo firme a excentricidade sonora do disco, restando-me apenas penitenciar-me por não o ter ouvido antes. Espero que aprecies os tUnE-yArDs e esta sugestão...

1. My Country
2. Es So
3. Gangsta
4. Powa
5. Riotriot
6. Bizness
7. Doorstep
8. You Yes You
9. Wolly Wolly Gong
10. Killa

 


autor stipe07 às 13:13
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