Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Interpol – El Pintor

Depois de um interregno de quase quatro anos, os Interpol estão de regresso aos lançamentos com El Pintor, o novo disco desta banda liderada por Paul Banks. Escrito e gravado durante o ano de 2013, em Nova Iorque, cidade de onde o grupo é natural, nos estúdios Electric Lady Studios & Atomic Sound, El Pintor foi misturado em Londres, nos Assault & Battery Studios, por Alan Moulder.

Todas as canções de El Pintor foram escritas e produzidas pelos Interpol, com Daniel Kessler à guitarra, Samuel Fogarino na bateria e Paul Banks na voz, na guitarra e, pela primeira vez, no baixo. O disco conta com as participações especiais de Brandon Curtis (The Secret Machines) nos teclados em nove canções, de Roger Joseph Manning, Jr. (Beck) nos teclados em Tidal Wave e de Rob Moose (Bon Iver) a tocar violino e viola em Twice as Hard.

Independentemente do estado atual daquele indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio que fez furor nos finais da década de setenta e início da seguinte, com nomes com os Joy Division ou os Cure à cabeça, o género deve imenso a nomes como os The White Stripes, The Killers, The Strokes e, principalmente, a estes Interpol, grupos que se destacaram com o disco de estreia no início deste século e que, agregados a esse estigma, procuraram evoluir, nos trabalhos seguintes, para outras sonoridades e para a exploração de diferentes territórios sonoros. Os Interpol seguiram esse percurso e nem sempre o fizeram de forma imaculada, apesar de, pessoalmente, não desvalorizar tanto o conteúdo de Our Love To Admire e do homónimo Interpol, os dois antecessores deste El Pintor, como tanta crítica que li sobre esses trabalhos quando viram a luz do dia. E, na verdade, em 2014, os Interpol resolveram voltar ao trilho inicial, sendo este disco uma espécie de novo reinício de um trio que finalmente percebeu que a sua imensa legião de fãs não se importa que se mantenham no território sonoro onde se sentem mais confortáveis, aquele que os lançou para as luzes da ribalta, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo.

El Pintor, um curioso anacrónico da palavra Interpol, não é Antics, ou Turn On The Bright Lights, ou uma súmula dos dois, mas é o álbum dos Interpol que melhor homenageia esse extraordinário início de carreira. Este trio de Nova Iorque está, pois, de regresso ao formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e não é necessário escutar demasiados acordes de All The Rage Back Home, o tema de abertura, para se perceber essa evidência, à medida que iniciamos uma viagem alicerçada num Banks incisivo como nunca, mas também em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas e num baixo cheio daquele groove punk, com Sam a colar todos estes elementos, através da bateria, com uma coerência exemplar.

Quando o tema de abertura de um disco é tão assertivo, ou mantemos as expetativas ou assumimos que a canção charneira foi colocada no início e o restante alinhamento não atinge essa bitola; Em El Pintor vale a pena seguir pelo primeiro caminho, porque o restante conteúdo sonoro do alinhamento replica e acentua os elogios que a primeira canção suscita. Aquela sensualidade algo enigmática, mas nada figurativa, que sempre rodeou os Interpol, exala por todos os poros de My Blue Supreme e de My Desire, a primeira uma canção que nos obriga a inspirar e a expirar ao ritmo da mesma até ao êxtase final e a segunda um tema que nos recorda aquele prazer tantas vezes difícil de descrever que os Interpol sempre provocaram no nosso íntimo, uma canção de resposta por parte da banda a todos aqueles que já duvidavam das capacidades do grupo em se focar no som que melhor os identifica e na temática lírica que exemplarmente sempre abordaram, relacionada com o lado mais complicado das relações, a frustração e uma faceta algo provocatória que nunca enjeitaram demonstrar (In my desire, I'm a frustrated man, some of us ask for peace, do what we can, play me out, play me out, look like your chance has come).

Outros destaques de El Pintor são o post punk de Everything Is Wrong, o indie rock anguloso e que marca claramente a tal ruptura com o passado recente de Ancient Ways (Oh fuck the ancient ways), Anywhere, uma canção que mantém-nos empolgados do início ao fim, Breaker 1, um extraordinário tema que nos remete para a sonoridade épica, melódica e melancólica do clássico NYC, um dos momentos maiores de Antics e a balada Same Town, New Story; um verdadeiro símbolo, até pelo título, desta nova vida do grupo.

El Pintor é um recomeço em grande forma, como já referi, mas também um grito de raiva por parte da banda em relação às críticas que receberam nos últimos anos. Percebe-se, por este disco, que os Interpol assumiram que há um caminho que só eles podem trilhar solitariamente e que já perceberam que as formas antigas de composição são as mais eficientes, mas que se orgulham dos atalhos e das rotas divergentes que já exploraram e que qerem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns instantes discográficos de determinados projetos que procuraram apenas, ao longo da carreira, perceber zonas de conforto ou, radicalmente, procurar romper com as mesmas e até viver numa espécie de limbo criativo e ir vendo o que dá.

El Pintor é indie rock e pós punk sem falsos pressupostos, tem um valor natural e genuíno e não precisa de uma análise demasiado profunda para o percebermos, até porque um dos seus grandes atributos, enquanto disco, é não ser demasiado intrincado ou redundante no que concerne aos arranjos e ao arsenal instrumental de que se serve, algo que só demonstra a relevância deste trio nova iorquino no universo indie atual, uma prova evidente queo grupo de regresso às origens com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - El Pintor

01. All The Rage Back Home
02. My Desire
03. Anywhere
04. Same Town, New Story
05. My Blue Supreme
06. Everything Is Wrong
07. Breaker 1
08. Ancient Ways
09. Tidal Wave
10. Twice As Hard


autor stipe07 às 22:04
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Parquet Courts – This Is Happening Now (LAMC 13#)

Parquet Courts - "This Is Happening Now"

Há alguns dias fiz referência à iniciativa de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES, para dar conta de Nero (Has A Lot To Think About), a nova canção dos White Fence, um single que tinha como lado b um tema de Jack Name, aka John Webster John, o habitual guitarrista nos White Fence. Hoje foi dado a conhecer o décimo terceiro tomo da coleção, um single que tem como grande destaque This Is Happening Now, dos Parquet Courts.

Esta banda de Brooklyn, Nova Iorque, surpreendeu no início do ano com o excelente Sunbathing Animal e esta nova canção do grupo liderado por Andrew Savage mantém a receita assertiva desse disco, feita com arranjos sujos e as guitarras desenfreadas, num tema com uma forte índole psicadélica e que parece ter viajado no tempo e amadurecido numa simbiose entre garage rock pós punk.

O lado b do single chama-se Spike Train, um original dos também nova iorquinos Future Punx e podes adquirir os dois temas no bandcamp, gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor, como se exige, naturalmente, numa iniciativa de caridade. Confere...


autor stipe07 às 16:47
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Sinkane - Mean Love

Quase dois anos após o magnífico Mars, Sinkane está de regresso aos discos com Mean Love, o seu novo registo a solo, novamente com a chancela da insuspeita DFA Records de James Murphy. Extraordinário músico e compositor, oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão, Sinkane desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político e cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, onde, antes de iniciar a carreira a solo, tocou com nomes tão importantes do universo indie como os Of Montreal, Yeasayer, ou Caribou e, nesta última década, tem-se debruçado a fundo sobre aquilo que vai escutando e acontecendo musicalmente ao redor, num bairro musicalmente tão efervescente como é Brooklyn, tendo já abordado espetros sonoros tão divergentes como o post rock ou a música de cariz mais erudito, mas nunca renegando as suas raízes africanas, sendo esse, muitas vezes, o elo de ligação privilegiado entre os diferentes géneros que remexe e onde se posiciona.


Se a sonoridade de Mars apontava, acima de tudo, para a sua origem nos povos sudaneses e as suas raízes músicais africanas, em Mean Love Sinkane olha com outra profundidade para aquilo que mais o seduz na música norte-americana e em especial na soul. Com a permanente parceria com os nomes de peso acima citados e, mais recentemente, tendo sido incumbido da direção musical de Atomic Bomb, de Willian Onyeabor, Sinkane acabou por se especializar num espetro sonoro que diz muito ao país que o acolheu. Desse modo, Mean Love é uma bela homenagem à soul que o adotou, mas onde não falta o R&B ou a bossa nova, por exemplo, para enriquecer ainda mais um quadro sonoro magnífico, feito de dez canções que merecem a nossa mais completa devoção. Sejamos, ou não, verdadeiros apreciadores deste universo musical, devemos olhar para Mean Love como uma jóia rara, já que seste disco é um paraíso soul em todos os sentidos e isso deve-se à sua sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave.

Ouve-se Mean Love com alguma descontração e somos atravessados por uma certa homogeneidade sonora, como se o alinhamento fosse um todo constituido pela soma de várias partes que pouco diferem entre si. No entanto, da pop luminosa e assente num jogo entre o orgânico, audível na percurssão das palmas e o sintético fornecido pelo efeito do teclado sintetizado em How We Be, ao afrobeat de New Name, passando pelo funk de Yacha, o meu tema preferido do disco, a pop melancólica de Hold Tight e de Son, a bossa nova que sustenta Moonstruck, o reggae que alimenta Young Trouble, o jazz e o blues de Mean Love, o tema homónimo, ou a implícita toada folk de Galley Boys, que se torna mais festiva devido ao efeito de sopros em Omdurman, Mean Love é uma verdadeira passerelle de uma diversidade incrivel de traços e tiques, uma mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza aos produtores e compositores.

Como sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras, conseguindo soar, em simultâneo e de forma inteligente, sofisticado e descontraído, havendo no ambiente criado pelas canções um certo humor e boa disposição, numa atmosfera típica de um afável e acolhedor dia de verão.

Em Mean Love, Sinkane deitou-se numa nuvem feita com a melhor pop atual e operou mais um milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade eminentemente introspetiva, mas que não deixa de ser alegre, floral e perfumada e fê-lo sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Mean Love é um belíssimo disco, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 

01. How We Be
02. New Name
03. Yacha
04. Young Trouble
05. Moonstruck
06. Mean Love
07. Hold Tight
08. Galley Boys
09. Son
10. Omdurman


autor stipe07 às 22:25
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Dead Stars - Slumber

Oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os norte americanos Dead Stars são mais uma das minhas apostas para uma das bandas do ano, no que respeita ao fuzz rock, feito com guitarras cheias de distorção e ligadas à eletricidade, mas que não negligenciam uma forte componente melódica. Nostálgico e carregado de algumas das melhores caraterísticas do indie rock alternativo dos anos noventa, Slumber é o novo disco deste trio formado por Jeff, John e Jaye, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Old Flame Records.

Com os ouvidos colados no passado, mas implacáveis na forma como soam atuais e revigorantes, os Dead Stars cantam sobre a dor, a saudade e os problemas típicos da juventude, com as vocalizações de Jeff, quase sempre melódicas e harmoniosas, a serem, frequentemente, o contraponto com a componente instrumental de cariz mais aspero e lo fi; Jeff mistura bem a sua voz com as letras e os arranjos das melodias e a guitarra que tem junto a si, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza, apesar de, felizmente, o red line das guitarras ser uma componente essencial do cardápio sonoro dos Dead Stars.

Na verdade, ao cruzar as guitarras sujas às melodias de vozes, este trio replica fórmulas assertivas criadas e testadas ao longo de várias décadas e estabelecem, desse modo, um trabalho recheado pelo contraste, algo bem audível em Someone Else ou Older, por exemplo, dois temas com idêntica receita, a primeira mais elétrica e a segunda predominantemente acústica, mas que não deixam de ter profundos pontos de interseção, uma constância concetual que se repete mesmo quando tentam, a todo o custo, parecer grandes, quando não receiam abraçar uma toada mais shoegaze e pop em Dreaming To Forget ou Underwater, duas canções que deixam de lado os tais limites do rock caseiro e convertem-se em momentos de pura exaltação, em busca de um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa.

Slumber traz-nos à memória aquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo. Está aqui toda a nostalgia dessa época, canções que sabem a Teenage Fanclub, guitarras que fazem de Dinosaur Jr., Nirvana, Smashing Pumpkins (Walking Away), Foo Fighters (Crawl) e Pavement, sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com  o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.

No fundo, os Dead Stars acabam por ser a visão atual do que realmente foi o rock alternativo, as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho deste disco é, ao ouvi-lo, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada. Espero que aprecies a sugestão... 

Dead Stars - Slumber

01. Someone Else
02. Summer Bummer
03. Walking Away
04. Crawl
05. Daylight
06. Older
07. Never Knew You
08. Disappearing
09. Dreaming To Forget
10. Underwater
11. Wasted
12. Heal Over Time

 


autor stipe07 às 18:14
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

TV On The Radio - Happy Idiot

 

TV On The Radio - Seeds

Depois de dois temas lançados o ano passado, Mercy e Million Miles, acaba por ser uma excelente novidade a definição concreta da data de lançamento de Seeds, o novo disco dos norte americanos TV On The Radio. 

Tudo começou com a partilha de um teaser do disco e, há algumas horas, a revelação de mais detalhes sobre a obra, nomeadamente a tracklist e um novo single intitulado Happy Idiot. Esta música alegre e luminosa é um excelente tónico para o futuro de uma banda que sentiu, como é óbvio, o inesperado falecimento do baixista Gerard Smith, em 2011.

Seeds foi produzido pelo próprio David Sitek e será editado a dezoito de novembro. Confere...


autor stipe07 às 17:41
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Sábado, 30 de Agosto de 2014

Eastern Hollows – Eastern Hollows

Lançado pela etiqueta Club AC30, Eastern Hollows é o homónimo disco de estreia dos norte americanos Eastern Hollows, mais uma banda oriunda de Brooklyn, um dos bairros mais efervescentes de Nova Iorque. Formados por Travis deVries (voz, guitarra, percurssão), Martin Glazier (voz, guitarra), Sean Gibbons (guitarra), Brian Brennan (baixo) e Jeremy Sampson (bateria, percurssão), os Eastern Hollows apontam sonoramente para as influências nostálgicas dos anos noventa e apresentam na estreia um álbum bem interessante, com dez canções de nível semelhante, que vão do rock progressivo ao fuzz, passando pela britpop.

Grandes admiradores dos The Stone Roses, este quinteto não esconde as suas influências e o próprio registo vocal de Travis DeVries recorda-nos Ian Brown. Logo em Space Spirits, o tema de abertura, percebe-se que há, na conjugação do baixo com a voz em eco e com a melodia da guitarra, um cariz lo fi profundamente nostálgico e que o conjunto criado assenta numa espécie de mistura da psicadelia típica dos anos sessenta com a britpop mais contemporânea. A percussão acelerada de The Way That You've Gone e uma guitarra adornada com leves pitadas de shoegaze e pós rock, dá vida a um turbilhão encorpado e calcado num som garageiro e psicadélico e que evoca grandes épocas do rock n’roll.

As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Temas como Days Ahead ou Summer's Dead também usam as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E noutros temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Eastern Hollows.

De certa forma e à semelhança de outros projetos apresentados por cá ultimamente, os Eastern Hollows seguem pisadas vintage, mas buscam, em simultâneo e sem falsos pudores, uma sonoridade também comercial, mesmo quando mergulhada num oceano de ruídos, ou com um certo toque de psicadelia. Deste modo, acabam por atestar a vitalidade atual do lo fi e do reencontro com sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, através de uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop. Este é mais um disco em que tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação e asseguro-vos que em Eastern Hollows ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.

Considero já estes Eastern Hollows como uma das bandas americanas mais inglesas do momento, até porque além de terem conseguido encontrar um equilíbrio muito interessante entre os principais universos sonoros que os orientam, a audição do disco leva-nos a sentir desde logo um forte sentimento de nostalgia. Ao mesmo tempo que seguram com vigor as amarras do passado, a forma como abordam as influências, nomeadamente através das guitarras, faz-nos perceber que há aqui algo de genuíno e de forte cariz identitário, difícil de ouvir noutro projeto. Espero que aprecies a sugestão...

Eastern Hollows - Eastern Hollows

01. Space Spirits
02. The Way That You’ve Gone
03. Days Ahead
04. Still Smile
05. Mickey Galaxy
06. Summer’s Dead
07. Northern Lad
08. I Have the Past
09. Somewhere In My World
10. One Less Heart

 


autor stipe07 às 14:36
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Hooray For Earth – Racy

Oriundos de Broolyn, Nova Iorque, os Hooray For Earth são um projeto emanado do génio de Noel Heroux, um músico que começou a carreira a criar música de forma caseira e que se estreou em 2011 com True Loves. Rapidamente percebeu que para conseguir misturar com coerência e maior esplendor a pop com o rock alternativo deveria criar uma banda e assim surgiram os Hooray For Earth, um grupo que aposta num indie rock com uma forte componente sintética. Desde Never, um single que lançaram em 2012, que os Hooray For Earth não davam notícias, mas a vinte e nove de julho, voltaram aos escaparates com Racy, por intermédio da Dovecote Records.

Produzido pelo próprio Noel Heroux e por Chris Coady (TV On The Radio, Yeah, Yeah, Yeahs), Racy é um conjunto de nove canções assentes em riffs assimétricos, conjugados com uma panóplia considerável de ruídos sintetizados com uma apreciável toada pop e que além de serem um bom exemplo do que de melhor vai surgindo atualmente que revive todo o assertivo clima do garage rock, também apostam na replicação de um ambiente sonoro grandioso e não necessariamente caseiro e lo fi, mostrando uns Hooray For Earth festivos e em busca de grandes multidões, artilhados com acordes e linhas melódicas particularmente acessíveis.

Depois da introdução com Hey, um tema que pretende prender a nossa atenção para o que aí vem, o primeiro grande momento do disco chega com a sonoridade épica e intensa de Keys, uma canção que ao acrescentar guitarras sujas a um sintetizador cheio de loopings e detalhes cósmicos e a uma melodia vocal pulsante e inspirada, espanca-nos com uma extraordinária sequência de ruídos estrondosos.

O punk rock dos anos oitenta, concertado com a pop eletrónica da mesma época chega com Say Enough e um baixo particularmente esplendoroso e completamente ligado à corrente, acaba por ser um belo aperitivo para outro momento alto de Racy, a rápida e efervescente Somewhere Else; Esta canção tem uma toada algo lo fi, com a distorção de uma guitarra particularmente melódica, mas eleva-se para um patamar elevado quando mostra todo aquele mel que nos remete para indie pop nórdica de há trinta anos atrás, através de um efeito sintetizado futurista a suportar uma voz refinada, vigorosa, intensa e intrincada. Esta canção, o tema homónimo e o excelente momento experimental plasmado na balada Last, First, provam que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos de outras décadas, assim como todo o clima sentimental do passado e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte ou trinta anos depois, a fazer escola.

Apesar das guitarras e do baixo estarem sempre presentes, a eletrónica é o fio condutor de Racy, uma eletrónica quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que dá ao disco uma atmosfera sombria e visceral. No fundo, há uma apenas aparente amálgama de caraterísticas sonoras que tanto se encaixam no indie rock progressivo, que aponta baterias aos estádios, como na pop eletrónica vintage e marcadamente experimental e nostálgica, que uma produção cuidada e límpida potenciou e que deixa para o futuro algumas pistas interessantes que os Hooray For Earth poderão aproveitar para conseguirem ser ainda mais grandiosos, sem descurarem uma sempre recomendável componente psicadélica. Espero que aprecies a sugestão...

Hooray For Earth - Racy

01. Hey
02. Keys
03. Say Enough
04. Somewhere Else
05. Racy
06. Last, First
07. Airs
08. Happening
09. Pass


autor stipe07 às 15:35
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Lost Boy? - Graves

Lost Boy ? - "Graves"

Oriundos do convidativo bairro de Brooklyn, em Nova Iorque, os Lost Boy? são liderados por Davey Jones, ao qual se juntam Ryan, Matt e R.J., um grupo que aposta claramente naquela receita simples mas claramente aditiva que suporta os fundamentos básicos do indie punk rock. Enérgica, animada e bastante divertida, mas com uma abordagem temática algo sombria, como canta Davey no refrão (We hold each other’s hands in our graves), Graves é um dos avanços de Canned, o álbum de estreia do grupo, que verá a sua edição física sair para às lojas lá para março do próximo ano, via Double Double Whammy/Old Flame Records. Confere...


autor stipe07 às 14:22
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Bear In Heaven – Time Is Over One Day Old

Os Bear In Heaven, um grupo norte americano natural de Brooklyn, na big apple e encabeçado por Jon Philpot desde a sua fundação, em 2003, lançaram há pouco mais de dois anos I Love You, It’s Cool, o sucessor de Beast Rest Forth Mouth, um trabalho lançado em 2009. Este trio tem alcançado um distinto resultado, depois de uma série de experiências e um variado jogo de referências acumuladas, que se esperava ter sequência em Time Is Over One Day Old, o novo trabalho do grupo, editado no passado dia cinco de agosto, através da Dead Oceans.


Time Between, o primeiro avanço do álbum, plasmou logo as mais diversificadas escolas musicais formadas ao longo das últimas décadas, que têm inspirado os Bear In Heaven, numa canção com referências diretas ao movimento krautrock, doses imoderadas de psicadelia e um acerto com a música eletrônica que suporta toda uma estrutura melódica. E, na verdade, em Time Is Over One Day Old, este grupo continua a transpirar o género criado na década de sessenta e que composições estruturalmente similares como esse single, Autumn ou The Sun And The Moon And The Stars, ajudam a comprovar.

É interessante escutar este disco e, conhecendo o trabalho anterior do grupo, perceber que o cenário sonoro retratado não é propriamente genuíno, mas acaba por soar como sendo verdadeiramente próprio desta banda, que tem uma forma muito própria de combinar o rock psicadélico com elementos eletrónicos, de modo a crair algo simultaneamente épico e intenso. You Don't Need The World e They Dream são duas canções intensas, exposivas e que nos deixam na dúvida se poderão ser devidamente assimiladas quando escutadas num raro momento de lucidez ou como banda sonora de alguns dos nossos melhores sonhoe e devaneios.

Esse aparente incómodo sobre qual o melhor estado de espírito para a absorção devida do conteúdo de Time Is Over One Day Old, obtém-se precocemente já que, assim que carregamos no play, em poucos minutos, os teclados mágicos, as guitarras que se derretem e os versos fáceis prendem-nos a atenção e convidam-nos, sem retorno possível, para uma sucessão de experimentações complexas que nos vão surpreendendo, numa viagem a bordo de um krautrock psicadélico, particularmente lisérgico e até algo lunático. Basta escutar a guitarra da já citada The Sun And The Moon And The Stars, para se perceber que os Bear In Heaven têm a capacidade de nos levar com eles para lugares distantes e grandiosos, onde o som se propaga de forma crscente e onde também cabe a melancolia (Present Tense) e a sensualidade (If I Were To Lie), num cocktail contagiante, detalhado e complexo de um disco que carece de tempo e da tal predisposição adequada, para ser compreendido como um todo, já que revela também lentamente toda a sua natureza.

Time Is Over One Day Old é um disco ambientado no mesmo cenário do registo de estreia do grupo, uma sucessão de dez canções onde a psicadelia pretende hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Simultaneamente criativos e coerentes, os Bear In Heaven mostram-se particularmente experimentais na forma como deram vida a um trabalho tipicamente rock, onde persiste uma vincada relação entre o vintage e o contemporâneo, mas que será melhor compreendido no futuro próximo, à medida que for mais dissecado. Enquanto tal não sucede, resta-nos começar viajar e a delirar, quanto antes, ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão... 

Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

01. Autumn

02. Time Between
03. If I Were To Lie
04. They Dream
05. The Sun and The Moon And The Stars
06. Memory Heart
07. Demon
08. Way Off
09. Dissolve The Walls
10. You Don’t Need The World

 


autor stipe07 às 20:55
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Sinkane - New Name

Mean Love

Ahmed Gallab é Sinkane, um compositor oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão e que desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político. Cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, já tocou com os Of Montreal, Yeasayer, Caribou e lançou a vinte e três de outubro de 2012, por intermédio da DFA de James Murphy, Mars, um dos álbuns desse ano.

Dois anos depois, vai chegar no início de setembro aos escaparates o sucessor, também por intermédio da DFA nos Estados Unidos e da City Slang na Europa. O novo trabalho de Sinkane chama-se Mean Love e depois de Hold Tight,e How We Be, agora chegou a vez de podermos escutar New Name, mais um paraíso soul em todos os sentidos, uma canção com uma sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave. Como acontece sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras. Confere...


autor stipe07 às 13:53
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Interpol - Ancient Ways

Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já têm praticamente pronto El Pintor, o novo disco desta banda liderada por Paul Banks. Escrito e gravado durante o ano de 2013, em Nova Iorque, cidade de onde a banda é natural, nos estúdios Electric Lady Studios & Atomic Sound, por Mr. James Brown, El Pintor foi misturado em Londres, nos Assault & Battery Studios, por Alan Moulder.

Todas as canções de El Pintor foram escritas e produzidas pelos Interpol, com Daniel Kessler à guitarra, Samuel Fogarino na bateria e Paul Banks na voz, na guitarra e, pela primeira vez, no baixo. O disco conta com as participações especiais de Brandon Curtis (The Secret Machines) nos teclados em nove canções, de Roger Joseph Manning, Jr. (Beck) nos teclados em Tidal Wave e de Rob Moose (Bon Iver) a tocar violino e viola em Twice as Hard.
O álbum chegará aos escaparates a oito de setembro por cá e no dia seguinte nos Estados Unidos da América, mas já pode ser encomendado. A banda disponibilizou no seu site um video das sessões de gravação do disco e acaba de ser divulgado Ancient Ways, mais um avanço da rodela. Confere...


autor stipe07 às 10:57
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Blonde Redhead - The One I Love

Blonde Redhead 2014

Kazu Makino, Amedeo Pace, Simone Pace são os Blonde Redhead e preparam-se para lançar em setembro Barragán, o nono álbum na carreira deste grupo oriundo de Nova Iorque e que tem construido um catálogo sonoro bastante consistente, com a dream pop sempre na fila da frente, no que diz respeito à sonoridade que replicam.

Com uma faceta fortemente instrumental, mas com um vincado teor minimal e acústico, The One I Love é o mais recente avanço divulgado de Barragán, um disco que  chega às lojas a dois de setembro, pelo selo Kobalt. Confere...


autor stipe07 às 11:03
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Miracles Of Modern Science - Swipe (feat. Kristin Slipp)

Os Miracles Of Modern Science são Evan, Josh, Geoff, Kieran e Serge, um quinteto com raízes na Universidade de Princeton e oriundo de Brooklyn, Nova Iorque. Depois do EP MEEMS, editado em 2013, estão de regresso com uma nova canção chamada Swipe, gravada e misturada por Evan Younger, o líder da banda e masterizada por Joe Lambert. O artwork da canção é também da autoria de Evan Younger e conta com a participação especial de Kristin Slipp dos Cuddle Magic, na voz.

Swipe é uma canção cheia de cor e boa disposição, com uma limpeza purificadora que pole cada pormenor e, desta forma, retira o melhor de cada um dos instrumentos, com uma extrema sensibilidade pop. O single está disponível no bandcamp, com a possibilidade de o obteres gratuitamente, ou de doares um valor pelo mesmo. Confere...


autor stipe07 às 14:10
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Friendship Park - Not A Word

Divididos entre Detroit e Brooklyn, Nova Iorque, os Friendship Park são Justin Lawes e Joshua Jouppi, uma dupla que tem em comum uma adição intensa ao mundo da informática, uma atração que fez com que se conhecessem, apesar de serem oriundos de duas cidades algo distantes entre si.

Esta dupla digital aprecia uma mistura curiosa entre a folk e o rock progressivo, mas não descuram uma assertiva aproximação a uma estética mais synthpop.

Not A World é o tema mais recente divulgado pelos Friendship Park, uma canção onde abundam as boas sequências de sintetizadores, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo. Confere...


autor stipe07 às 11:07
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Domingo, 3 de Agosto de 2014

GRMLN - Time After Time (Cyndi Lauper cover)

Os GRMLN acabam de disponibilizar uma versão de Time After Time, um single da cantora Cindy Lauper retirado de She's So Unusual, o álbum da artista norte americana, editado em outubro de 1983.

Esta balada é considerada um clássico da década de oitenta e ainda é tocada frequentemente nas rádios contemporâneas. A canção é conhecida também pelas inúmeras covers, feitas por uma vasta gama de artistas. Confere...


autor stipe07 às 11:29
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Blonde Redhead – Dripping

Kazu Makino, Amedeo Pace, Simone Pace são os Blonde Redhead e preparam-se para lançar em setembro Barragán, o nono álbum na carreira deste grupo oriundo de Nova Iorque e que tem construido um catálogo sonoro bastante consistente, com a dream pop sempre na fila da frente, no que diz respeito à sonoridade que replicam.

Com uma faceta fortemente instrumental e construída a partir de sintetizadores e teclados, Dripping é o mais recente avanço divulgado de Barragán, um disco que  chega às lojas a dois de setembro, pelo selo Kobalt. Confere...

Blonde Redhead - Dripping


autor stipe07 às 10:54
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Parquet Courts - Sunbathing Animal

Liderados por Andrew Savage, os Parquet Courts são um quarteto norte americano que apresentei em 2012 por causa de Light Up Gold, um disco que incorpora aquela sonoridade crua, rápida e visceral, que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Dois anos depois, esta banda oriunda de Brooklyn, em Nova Iorque, regressou aos lançamentos discográficos com Sunbathing Animal, um álbum que foi editado a três de junho por intermédio da What’s Your Rupture/Mom + Pop.

Sunbathing Animal pode começar a ser escutado logo pelo single homónimo, uma canção assente num punk rock vigoroso e cheio de guitarras distorcidas, mas logo aí percebe-se que a atmosfera musical enraivecida e algo descontraída da estreia é apenas uma mera recordação. Sunbathing Animal continua a ser um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das suas diferentes composições, sempre com o acompanhamento exemplar do baixo e não deixa de soar a um daqueles trabalhos que parece ter sido gerado por artifícios caseiros de gravação, além de não descurar métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu o rock em finais dos anos setenta. No entanto, é um disco mais maduro que Light Up Gold e nele Savage continua a escrever canções para ouvir a qualquer hora do dia, sem que necessariamente seja preciso uma solução filosófica para desvendar os seus versos, mas entrega-se de forma mais incisiva à escrita, com temas que abordam o tédio do dia a dia (Into The Garden), o amor (Dear Ramona) ou o simples flirt (Always Back In Town) e onde parece possível visualizar histórias de vida comuns, através da audição de retratos honestos sobre pessoas (She’s Rolling) ou sentimentos (Instant Disassembly), numa Nova Iorque cheia de gente algo inócua, mas que não deixa de ser honesta e de ter o seu encanto.

Esta relação estreita dos Parquet Courts com a sua cidade não é apenas percetível nas letras; A componente instrumental remete-nos facilmente para a herança dos The Velvet Undergorund de John Cale. Os arranjos sujos e as guitarras desenfreadas da já citada She's Rolling, um tema com uma forte índole psicadélica, são um exemplo claro dessa aproximação, mas nomes como os Television (Black and White), Talking Heads (What Color Is Blood) e até os britânicos Wire também passeiam as suas influências pelo disco.

Independentemente de todas as referências nostálgicas que Sunbathing Animal possa suscitar, o que importa reter é o seu conteúdo musical e a verdade é que neste trabalho, em pouco mais de quarenta minutos, os Parquet Courts apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido numa simbiose entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

01 Bodies
02 Black and White
03 Dear Ramona
04 What Color Is Blood
05 Vienna II
06 Always Back in Town
07 She's Rollin
08 Sunbathing Animal
09 Up All Night
10 Instant Disassembly
11 Duckin and Dodgin
12 Raw Milk
13 Into the Garden


autor stipe07 às 22:08
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The Drums - Magic Mountain

Os The Drums estão de volta com Magic Mountain, o sucessor do já longínquo Portamento (2011) e um trabalho que deverá chegar às lojas em setembro. O tema homónimo do disco é o primeiro avanço divulgado pelo grupo nova iorquino liderado por Jonathan Pierce e novamente apenas uma dupla, com Jacob Graham a ser a outra metade e com os The Drums a regressarem à formação original.

De acordo com o vocalista, este retorno às origens irá fazer com que o novo trabalho plasme um som mais genuíno e próximo do ADN do projeto, já que os The Drums puderam voltar a trabalhar sem nenhuma ideia pré-concebida e fizeram um som mais livre e próximo do que os dois sempre idealizaram quando se juntaram para fazer música. Confere...


autor stipe07 às 21:54
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Interpol - All The Rage Back Home

Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já têm praticamente pronto El Pintor, o novo disco desta banda liderada por Paul Banks. Escrito e gravado durante o ano de 2013, em Nova Iorque, cidade de onde a banda é natural, nos estúdios Electric Lady Studios & Atomic Sound, por Mr. James Brown, El Pintor foi misturado em Londres, nos Assault & Battery Studios, por Alan Moulder.

Todas as canções de El Pintor foram escritas e produzidas pelos Interpol, com Daniel Kessler à guitarra, Samuel Fogarino na bateria e Paul Banks na voz, na guitarra e, pela primeira vez, no baixo. O disco conta com as participações especiais de Brandon Curtis (The Secret Machines) nos teclados em nove canções, de Roger Joseph Manning, Jr. (Beck) nos teclados em Tidal Wave e de Rob Moose (Bon Iver) a tocar violino e viola em Twice as Hard.
O álbum chegará aos escaparates a oito de setembro por cá e no dia seguinte nos Estados Unidos da América, mas já pode ser conferido All The Rage Back Home, o primeiro single do disco. Confere...


autor stipe07 às 23:30
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2014

The Antlers – Familiars

Um dos discos que aguardei nas últimas semanas com maior expetativa foi Familiars, o novo trabalho dos The Antlers, uma banda de Brooklyn, Nova Iorque, liderada por Peter Silberman, a quem se juntam Darby Cicci e Michael Lerner. Familiars viu a luz do dia a dezasseis de junho, por intermédio da ANTI.

 

O último sinal de vida dos The Antlers tinha sido dado pelo EP Undersea, quatro canções que ganharam vida em 2012, cheias de sons aquáticos e claustrofóbicos, sem perder o habitual caráter relaxante. Undersea era uma espécie de retorno à boa forma dos The Antlers e absorvia as mesmas referências exploradas no fantástico Hospice, o anterior disco oficial da banda, fazendo-o de forma extensa e bem produzida. Agora, em Familiars, o grupo chega mais uma vez próximo do post rock e de outras preferências mais etéreas, que passam também pelo jazz e pela música experimental, através da habitual receita  feita de guitarras esvoaçantes e tranquilas, uma bateria que ganha em mestria uma calculada ausência de fulgor e a já imagem de marca que é a presença do trompete, um instrumento que aparece sempre de mãos dadas com alguma dose de reverb e que casa na perfeição com o clima melódico que os The Antlers procuram recriar num disco que pretende contar histórias muito concretas, relacionadas com a vida comum e os conflitos psicológicos que ela frequentemente provoca.

Se por uma lado as canções de Familiars podem ter um cariz algo auto biográfico, relacionado com a dimensão pessoal do próprio Silberman, por outro, às vezes dá a sensação que ele está a visualizar os acontecimentos que as letras narram na terceira pessoal, o que cria uma espécie de ilusão, como se ele fosse um duplo que vive e assiste, numa espécie de diálogo interior, um face to face metafórico que, por exemplo, a canção Doppelgänger claramente exemplifica. Se os versos de cada canção abraçam um contexto particular, em termos de arranjos, Familiars é um disco abrangente, com o cruazamento entre a leveza onírica da dream pop e o cariz mais rugoso que faz parte do rock alternativo a não descurar a presença de outros espetros sonoros, possibilitados não só pela presença já mencionada do trompete, como de alguns metais e de guitarras que não se deixam enlear por regras e imposições herméticas. Bom exemplo disso são os mais de sete minutos de Revisited, uma canção lenta mas cheia de detalhes preciosos, com particular destaque para o violoncelo tocado por Brent Arnold e o trombone de Jon Natchez, dois convidados especiais do disco, que criam uma manta sonora particularmente feliz para o encaixe da voz de Silberman.

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Familiars é mais um tiro certeiro na carreira deste trio de Nova Iorque e talvez o melhor álbum dos The Antlers até ao momento, não só por causa destas caraterísticas assertivas, mas também por ser capaz de nos transportar para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional, metaforicamente mais brando e menos doloroso do que o ambiente das propostas anteriores da banda, apesar de Intruders e Director serem duas canções que abordam diretamente a temática da morte. Espero que aprecies a sugestão...

The Antlers - Familiars

01. Palace
02. Doppelgänger
03. Hotel
04. Intruders
05. Director
06. Revisited
07. Parade
08. Surrender
09. Refuge


autor stipe07 às 18:42
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Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Hamilton Leithauser – Black Hours

Hamilton Leithauser, vocalista dos The Walkmen, estreou-se recentemente nos discos em nome próprio com Black Hours, um álbum editado através da Ribbon Music e que, não deixando de aclarar, em alguns momentos, a relação de Hamilton com a sua banda, evidencia o assumir de novos rumos, menos soturnos e mais expansivos, à custa de emoções fortes embrulhadas em temas simples, adornados com enorme versatilidade e um elevado pendor pop.

É importante escutar e escrever sobre Black Hours e não descurar a importância de alguns nomes que são protagonistas ativos e presentes no seu conteúdo. Colaboram com Leithauser neste álbum outros artistas significativos da cena alternativa atual, nomeadamente Paul Maroon, antigo parceiro nos The Walkmen, Amber Coffman dos Dirty Projectors e Richard Swift do The Shins, além de Rostam Batmanglij, multi instrumentista dos Vampire Weekend e responsável pela produção de Black Hours, obra onde não se inibiu de balançar entre dois opostos, uma base mais comercial, percetível, por exemplo, em Alexandra e otra onde o enfoque sonoro abraçou com particular mestria o experimentalismo, exemplificado nos batuques e nas distorções psicadélicas de Bless Your Heart.

Há uma incontida vontade do músico em conquistar um público bem definido e diferente dos admiradores habituais dos The Walkmen; Escuta-se o piano de 5 AM e de St Mary's County e a forma como a sua voz irrequieta se posiciona perante os desafios que as duas melodias colocam e percebe-se imediatamente que não é também inocente a escolha do artwork do disco e que estamos na presença de um artista que pretende sair do nicho indie e alternativo, onde os The Walkmen são uma importante referência, para procurar atingir um universo mais abrangente e onde reinam referências obrigatórias da história da música da segunda metade do século passado, algures entre Paul Simon, Springsteen, Randy Newman e Sinatra.

O que Black Hours tem e facilmente nos fascina é uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo a cor, o sonho e o erotismo de The Silent Orchestra, poderão facilmente fazer-nos abanar a anca, sem percebermos muito bem como e porquê. Há, por exemplo, nas marimbas dessa canção e de O'Clock Friday Night, aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhadas por um sintetizador delicioso, que fazem das canções uma festa pop, psicadélica e sensual. E depois há, na já referida Alexandra, uma escolha feliz para single, uma composição sonora onde Leithauser aventura-se na sua própria imaginação, construída entre a sua devoção aos autores clássicos da América que o viu nascer e a indie pop fresca e luminosa, onde cabem todos os sonhos.

Nas dez canções de Black Hours, Hamilton Leithauser contorna todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é sonoramente tão bem retratado em I Don't Need Anyone, uma canção onde tudo o que o atrai e influencia é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, inclusivamente o habitual cardápio que propunha nos The Walkmen, especialmente em Heaven. Longe de se abrigar apenas à sombra de canções melódicas convencionais, este artista reforça o brilho raro que tem acompanhado a sua carreira artística na simplicidade do trabalho e que esta nova fase a solo parece querer reforçar. Espero que aprecies a sugestão...

Hamilton Leithauser - Black Hours

01. 5 AM
02. The Silent Orchestra
03. Alexandra
04. 11 O’Clock Friday Night
05. St Mary’s County
06. Self Pity
07. I Retired
08. I Don’t Need Anyone
09. Bless Your Heart
10. The Smallest Splinter


autor stipe07 às 17:24
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Terça-feira, 24 de Junho de 2014

Le Rug - Press Start (The Collection)

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records, um nome importante do cenário indie punk local e que integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug é a sua nova aposta e Press Start (The Collection) a nova coleção de canções que apresentou ao mundo, no passado dia dezassete de junho, por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Com vários temas disponíveis para download, Press Start (The Collection) é um disco com trinta e duas canções e que faz um apanhado da discografia dos Le Rug. Assim, o álbum contém no alinhamento alguns dos destaques dos discos Sex Reduction Flower Party Rock, do EP Sticky Buns e dos dois EPs que os Le Rug já editaram este ano, Dead In A Hole e Cut Off Your Dick And Turn Into Slime.
Com uma instrumentação vincada, assente numa linha de baixo encorpada e em guitarras carregadas de fuzz, Harold Camping será talvez o maior destaque de uma compilação que faz uma resenha da carreira atribulada de um músico que passou por váriss bandas, lançou uma quantidade já apreciável de discos, mas é nos Le Rug que melhor se sente e mais se entrega enquanto músico e compositor. 2-CE, o segundo tema do alinhamento, será, no entanto, de escuta obrigatóra já que é essencial para se perceber a receita dos Le Rug, que se baseia numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.
Press Start (The Collection) é uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, composições sonoras que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É um compêndio concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições e que tanto se arriscam em aproximações ao grunge (Making Vaseline), como ao punk mais hardcore (Kathleen) ou ao surf rock, neste caso mais implícitas, mas audíveis em temas como Humam Papillomavirus e Tripper, havendo também momentos em que se ultrapassa as fronteiras da psicadelia, como em Happiness ou Kirby. O próprio rock alternativo americano dos anos noventa não é esquecido e temas como Buffalo ou Godstar misturam bem a voz sempre vincada com letras algo sensíveis e melodias mais acessíveis, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza o que, em algumas canções, perde em distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não deixar de fazer sempre parte do cardápio sonoro dos Le Rug.

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Press Start (The Collecton), merece toda a nossa atençao a partir do momento em que usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos Le Rug de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:04
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Domingo, 22 de Junho de 2014

Clap Your Hands Say Yeah – Only Run

Lançado no passado dia três de junho por intermédio do consórcio CYHSY Inc./Xtra Mile Recordings e produzido por Dave Fridmann, Only Run é o novo disco dos norte americanos Clap Your Hands Say Yeah, o quarto da carreira de uma banda oriunda de Brooklyn, Nova Iorque e que de quinteto passou em 2012 a apenas uma dupla, formada por Alec Ounsworth e Sean Greenhalgh.


Only Run marca mais uma inflexão sonora na carreira dos Clap Your Hands Say Yeah, que começaram numa toada exeprimental, depois procuraram ser dançáveis e agora optaram por uma sonoridade mais melancólica e introspetiva, uma troca do entusiasmo por paisagens mais experimentais e negras, que podem não agradar aos seguidores da banda que viam nela potencial para outros voos, num universo sonoro mais extrovertido e eletrónico.

Matt Berninger, vocalista dos The National, é um convidado apropriado para o ambiente que suporta este disco. Ele participa com a sua voz em Coming Down, uma canção que começa com um baixo ruidoso e intimidante, duas caraterísticas apropriadas para o encaixe pleno da voz grave e dominadora de Matt. Esta metamorfose acentua-se  no clima sombrio e algo cru de Blameless e Beyond Illusion, duas canções onde a percussão etérea gela os nosos ouvidos, o mesmo clima frio e desolador que se escuta em Little Moments, apesar da presença de um sintetizador, que procura, teimosamente, assumir-se um foco divergente, assim como o baixo da canção homónima, que apesar de nos remeter de imediato para a herança do post punk dos anos oitenta, consegue, de algum modo, conferir um cariz um pouco mais expansivo e aberto ao clima geral do disco.

Muitas vezes, em momentos de perca e de aparente infortúnio, a procura de novos ares e de uma identidade diferente pode ser uma solução conveniente ou ideal, dependendo dos resultados que acontecem com a ação dessa tomada de decisão. Teria sido mais simples para Alec, o líder deste projeto, ter terminado com a marca Clap Your Hands Say Yeah quando perdeu três músicos e ficou apenas com Sean ao seu lado. Juntos poderiam ter iniciado um projeto diferente, ou cada um poderia ter seguido o seu rumo, mas decidiram manter acesa a chama e, na minha opinião, tomaram a decisão mais certa. Only Run é um excelente disco para uma nova etapa na vida dos Clap Your Hands Say Yeah que parecem procurar novas boas ideias como comprovam algumas canções que parecem inacabadas, mas que comprovam que eles não desistem de procurar o seu lugar de relevo, diferencial e distinto no cenário musical alternativo. No futuro irão reencontrar um novo apelo como fizeram na estreia e, no entanto, nunca se sabe se, entretanto, acontece outra metamorfosoe. Na mente de Alec tudo parece possível. Espero que aprecies a sugestão...

Clap Your Hands Say Yeah - Only Run

01. As Always
02. Blameless
03. Coming Down
04. Little Moments
05. Only Run
06. Your Advice
07. Beyond Illusion
08. Impossible Request
09. Cover Up
10. Impossible Request (Alternate Version)


autor stipe07 às 22:01
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2014

Hooray For Earth - Keys

Hooray For Earth - "Keys"

Oriundos de Broolyn, Nova Iorque, os Hooray For Earth apostam num indie rock com uma forte componente sintética e desde Never, um single que lançaram em 2012, não davam notícias. Em 2014 estão de regresso aos discos, precisamente a vinte e nove de julho, com Racy e Keys, uma excelente canção com uma sonoridade épica e intensa, é o primeiro single divulgado pela Dovecote Records, além de um trailer do disco. Confere...

 

autor stipe07 às 13:06
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

The Pains Of Being Pure At Heart – Days Of Abandon

Depois do homónimo registo de estreia edtiado em 2009 e do aclamado sucessor, Belong, lançado dois anos depois, a mesma fórmula assertiva que propõe verdadeiros tratados de indie pop açucarada, épica e cheia de luz, é a pedra de toque que sustenta o alinhamento de Days Of Abandon, o novo disco do projeto The Pains Of Being Pure At Heart, de Kip Berman e que, segundo o próprio, é um disco alegre e cheio de luz, apesar de, em determinadas canções, abordar temas sombrios e menos otimistas, com o lado mais complicado do amor e as experiências típicas de jovens adultos a serem o pão que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos.

Oriundo de Nova Iorque, Berman consegue realmente ser um prodígio na criação de canções que estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, um pouco à imagem da dicotomia e deste contraste agridoce de uma cidade que nunca dorme, mas que, apesar dessa constante animação, também é conhecida por albergar histórias de vida trágicas e por nem sempre corresponder aos desejos de quem aí procura o sonho americano.

Com uma mão na indie pop e a outra no noise e no shoegaze vintage, reinventado com particular mestria há uns trinta anos, The Pains Of Being Pure At Heart debruça-se sobre a melancolia e a nostalgia com canções cheias de ritmo e de audição simples, daquelas que provocam um inevitável sorriso, mesmo em quem vive momentos de menor predisposição para apreciar música alegre, com ritmo e luz. Kelly, uma canção que carrega consigo a herança dos The Smiths e Eurydice são dois temas que nos fazem abanar a anca quase sem nos apercebermos e que nos arrancam um sorriso que será sempre espontâneo.

Impecavelmente produzido, Days Of Abandon impressiona pela limpidez e pela forma divertida como Berman apresenta um novo conjunto de referências e propôe uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários. É uma espécie se som pop instantâneo, daquele que se coloca no leitor e basta clicar play, sem adicionar mais ingredientes â mente que a possiblitem absorver com detalhe e nitidez um alinhamento de dez canções que não distorcem em nada a herança que o projeto deixou nos dois discos anteriores e que são uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo, que temas como Simple and Sure ou A Teenager In love claramente demonstram.

Days Of Abandon começa e termina em poucos instantes, quase sem darmos por isso. E, pelo meio, passaram cerca de quarenta minutos cheios de boas melodias e de confissões (The Asp In My Chest), memórias que The Pains Of Being Pure At Heart foi armazenando num espaço familiar e doce, transformado em disco por um dos vocalistas e guitarristas mais interessantes e promissores do cenário indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão... 

The Pains Of Being Pure At Heart - Days Of Abandon

01. Art Smock
02. Simple And Sure
03. Kelly
04. Beautiful You
05. Coral And Gold
06. Eurydice
07. Masokissed
08. Until The Sun Explodes
09. Life After Life
10. The Asp At My Chest

 


autor stipe07 às 17:51
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