Domingo, 14 de Junho de 2015

Widowspeak - All Yours

Widowspeak - All Yours

Molly Hamilton & Robert Earl Thomas são os Widowspeak, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas atualmente sedeados em Brooklyn, Nova Iorque. Depois de vários singles lançados no início da presente década e disponíveis no bandcamp da banda e do disco homónimo de estreia, editado em 2011, chegou, em 2013, Almanac, sendo o sucessor desse disco All Yours, um trabalho que irá ver a luz do dia a quatro de setembro através da Captured Tracks.

A dream pop e os acertos típicos do rock alternativo de cariz mais urbano ditam as regras em All Yours, tema homónimo deste novo disco dos Widowspeak e canção com um forte cariz bucólico. A presença das guitarras, logo desde o início, ajuda a canção a assumir uma representação curiosa e bem estruturada de tudo o que marca o atual momento desta dupla nova iorquina; Enquanto a voz de Hamilton, bastante orgânica, representa a busca do campestre, as cordas tocadas por Thomas fazem a ponte com o passado da dupla. Confere...


autor stipe07 às 15:14
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Sábado, 6 de Junho de 2015

A Place To Bury Strangers - Transfixiation

Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers estão de regresso aos discos com Transfixiation, um trabalho editado a dezassete de fevereiro pela Dead Oceans e que sucede a Worship, um álbum lançado em 2012 e que, tal como este novo registo, explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze.

Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Supermaster, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e a percussão inebriante do noise rock de Straight, reproduzida por Robi Gonzalez e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.

O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, está no modo como os A Place To Bury Strangers escapam a todas categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarcam num enorme armário que, tendo tanto de caótico como de hermético, não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Há um forte sentido melódico na distorção da guitarra em Love High e no punk de What We Don't See, assim como um ambiente psicadélico em We've Come So Far que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver Ackerman, em Deeper, possa distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem, frequentemente, de elo de ligação entre os temas, Transfixiation avança com o ambiente a tornar-se cada vez mais rugoso, ao mesmo tempo que o ritmo da bateria abranda, com o instrumental Lower Zone, a dividir, de certo modo, o disco em duas partes distintas, no modo como parece agregar um emaranhado de melodias que, por si só, parecem temas distintos, enquanto faz a súmula de todo o conteúdo do alinhamento.

A já citada We've Come So Far, acaba por colocar tudo no devido lugar e se Fill The Void tem o típico clima de ocaso, é ao quase instrumental I Will Die que cabe a tarefa de encerrar uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva do trio, à boleia de algumas frases soltas e curiosos efeitos, que termina um disco pleno de ruido, espasmos de guitarra funk, ruído, contaminação cruzada de microfones e odes ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...

1. Supermaster
2. Straight
3. Love High
4. What We Don’t See
5. Deeper
6. Lower Zone
7. We’ve Come So Far
8. Now It’s Over
9. I’m So Clean
10. Fill The Void
11. I Will Die


autor stipe07 às 23:20
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2015

Beirut - No No No

Gravado em Nova Iorque, em pouco mais de um mês, durante um período do último inverno particularmente frio, No No No é o novo compêdio de canções dos Beirut de Zach Condon, ao qual se juntam Nick Petree, Paul Collins, Ben Lanz e Kyle Resnick, um trabalho que irá ver a luz do dia a onze de setembro através da etiqueta 4AD.

O primeiro tema divulgado de No No No é o homónimo, uma canção evidencia a nova fase positiva da vida pessoal de Condon, que reencontrou novamente o amor e ultrapassou definitivamente o colapso físico e mental que o músico sofreu em 2013, na Austrália, devido aos seu processo de divórcio.

Para apresentar este novo trabalho, os Beirut vão estar em digressão pela América do Norte e pela Europa. Confere...


autor stipe07 às 14:07
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2015

Tanlines - Highlights

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Tanlines são Jesse Cohen e Eric Emm, uma dupla que se distinguiu em 2012 com Mixed Emotions, um extraordinário disco de estreia que já tem, finalmente, sucessor. Chegou a dezanove de maio aos escaparates, por intermédio da True Panther Sounds, Highlights, o novo trabalho de um projeto que impressiona pela pop experimental que sugere e que mistura sintetizadores e a eletrónica com uma base de percussão sempre vibrante, muitas vezes a piscar o olho ao chamado afrobeat, numa espécie de indietrónica, adornada com alguns dos habituais detalhes da chillwave e da música de dança.

Capazes de atingir uma bitola qualitativa superior a alguns projetos que também abordam sonoridades eletrónicas que podem piscar o olho a alguns aspetos significativos do indie rock, reza a lenda que quando os Tanlines se sentaram no estúdio para começar a produzir os temas deste novo disco o computador que guardava as demos explodiu literalmente e que, por isso, as guitarras e a bateria acabaram por passar para a linha da frente da condução melódica dos novos temas da dupla, em deterimento de uma superior primazia dos sintetizadores, algo que sucedeu na estreia e que teria continuidade nas intenções iniciais deste sucessor. E na verdade, logo em Pieces se percebe que Highlights é um portentoso e contemporâneo convite à dança sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir, à boleia de cordas presentes em guitarras distorcidas e um baixo vincado e teclados sintetizados, num efeito amiúde agridoce e indiossincrático. Com este arsenal disponível em todo o seu esplendor e alinhados por uma batida quente e um andamento melódico único e fortemente inebriante, os Tanlines agarram-nos imediatamente pelos colarinhos e colocam-nos, mesmo que não se queira, na pista de dança mais próxima, não importando que ela se situe, por exemplo, no recanto mais secreto da nossa mente.

Chega aos nossos ouvidos Slipping Away, o primeiro avanço divulgado de Highlights, um single disponivel para download na página oficial da dupla, e ficamos definitivamente convencidos que o tal indie rock vibrante e festivo, coabitando lado a lado, em deteminados instantes, com alguns dos detalhes mais sombrios do universo punk, é, realmente, já uma marca importante dos Tanlines, que desse modo alargam horizontes de forma ressonante e exótica, com elevação, reflexão, método e entusiasmo, não faltando um toque acústico a ampliar essa perceção, envolvido pela tradicional voz sobreposta de Eric Emm. Mesmo em Palace, uma canção com um elevado pendor emocional e que mostra um outro lado mais reflexivo dos Tanlines, há um convite à dança e simultaneamente ao canto, com toda a alma, convidando-nos a uma postura corporal diferente, mas fisicamente com um grau semelhante de lisergia daquele que exala de temas mais festivos do disco.

A nostálgica e melancólica Invisible Ways ou a sincera e emocionada Bad Situations, são outros exemplos sonoros que mostram que a música de dança não tem de ser apenas e só frenética e ruidosa, já que estas duas canções também nos abanam sem pudor, mas á boleia de um charme sofisticado, onde efeitos flamejantes e uma percussão sintética cheia de variações, foram retirados de uma sedutora receita que nos coloca na linha da frente de um universo particularmente radioso e onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado.

Highlights mantém-nos debaixo da bola de espelhos e marca-nos pela melancolia discreta e pelo charme maduro e inteligente que exala de uma cúpula incisiva entre rock e eletrónica, uma relação quente e assertiva que nos convoca para uma verdadeira orgia entre sub-géneros da pop, que ao longo das dez canções vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena e substituindo-se entre si, com talento e energia, mostrando que estes Tanlines possuem uma perspectiva musical do universo sonoro que os satisfaz, bastante interessante e bem executada. Espero que aprecies a sugestão...

Tanlines - Highlights

01. Pieces
02. Slipping Away
03. Palace
04. Two Thousand Miles
05. Invisible Ways
06. Bad Situations
07. Running Still
08. Thinking
09. If You Stay
10. Darling Dreamer


autor stipe07 às 21:51
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Oberhofer – Memory Remains

Oberhofer - Memory Remains

Depois de no início de 2012 ter revelado Time Capsules e um ano depois o EP Notalgia, Brad Oberhofer, um músico, compositor e multi-instrumentista de vinte e dois anos, natural de Tacoma e agora residente em Brooklin e lider dos Oberhofer, está de regresso em 2015 com Chronovision, um disco que vai ver a luz do dia a vinte e um de agosto àboleia da Glassnote Records. Brad é um músico extremamente criativo e já com um assinalável cardápio sonoro na bagagem, jnutandose a ele nesta banda Dylan Treleven, Ben Weatherman Roth e Pete.Sustarsic.

Memory Remains, o primeiro avanço divulgado de Chronovision, plasma o charme efervescente do líder, Brad Oberhofer, que impulsiona o processo de criação musical num projeto onde o rock alternativo é a tendência principal, replicado, neste tema, com guitarras cheias de distorção e reverb e uma percurssão bastante vincada. Confere...


autor stipe07 às 17:12
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

They Might Be Giants – Glean

Lançado no passado dia vinte e um de abril por intermédio da Idlewild/Lojinx, Glean é, imagine-se, o décimo sétimo álbum da carreira dos They Might Be Giants, uma mítica banda norte americana, oriunda da big apple e atualmente formada por John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller. Este disco tem a particularidade de ter no seu alinhamento vários temas que se inserem numa iniciativa da banda chamada Dial-A-Song Project, que teve início já na decada de oitenta e terminou em 2008, sobrevivendo apenas na internet. Este recurso permite ligarmos para um número de telefone que nos oferece a audição de um tema da banda com Glean e conter uma base de canções regularmente partilhadas com os visitantes.

Com quinze canções que se estendem por pouco mais de meia hora, Glean é um exercício poético de muitos contrastes, um pouco à imagem do indefinível e sedutor vídeo da canção de End of the Rope e impressiona pela viagem divertida e ligeira que oferece ao ouvinte, até um amplo espetro sonoro que se estende entre a pop luminosa da Answer, ou a mais lamechas de Madam, I Challenge You To A Duel e o rock alternativo de I Can Help The Next In Line, sem descurar alguns aspetos essenciais do punk rock, claramente esplanados em Erase, mas também daquela folk blues sulista que Good To Be Alive replica com um acerto e uma luminosidade invulgares. E, qual cereja no topo do bolo desta alegoria pop, também não falta um trajeto curioso de cariz mais eletrónico, patente em All The Lazy Boyfriends e Unpronounceable.

Mas do frenesim rock de Aaa, à psicadelia de I'm a Coward, passando pelo rock mais progressivo de Underwater Woman, não faltam outros piscares de olho a toda a herança não só da própria banda como da história do rock nas últimas décadas, havendo até espaço para uma interessante referência à música francesa dos anos vinte em Let Me Tell You About My Operation, com o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. Estas sonoridades mais clássicas não se esgotam nesse instante, podendo ser novamente conferidas não só no mirabolante tema homónimo, mas principalmente, no modo como o jazz e o blues se fundem à boleia da dança que o piano, o trompete e a bateria estabelecem em Music Jail, Pt. 1 And 2.

Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas duas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras. Glean é mais uma prova concerta da excentricidade deste grupo, da rara graça como combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história contemporânea do rock alternativo. Os They Might Be Giants não perderam a capacidade de escrever belas canções no universo das coisas estranhas que fazem apenas parte do mundo da dupla que lidera o grupo e demonstram essa virtude de modo cativante e com uma salutar criatividade e elevada imaginação. Espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - Glean

01. Erase
02. Good To Be Alive
03. Underwater Woman
04. Music Jail, Pt. 1 And 2
05. Answer
06. I Can Help The Next In Line
07. Madam, I Challenge You To A Duel
08. End Of The Rope
09. All The Lazy Boyfriends
10. Unpronounceable
11. Hate The Villanelle
12. I’m A Coward
13. Aaa
14. Let Me Tell You About My Operation
15. Glean


autor stipe07 às 22:28
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

Passenger Peru - Break My Neck (video)

Oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, a dupla norte americana Passenger Peru editou o seu trabalho de estreia no início de 2014, uma edição apenas em cassete e em formato digital, através da Fleeting Youth Records e que foi dissecada já por cá. Formados por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, os Passenger Peru regressaram em 2015 com Light Places, um compêndio de doze novas canções da dupla, que viu a luz do dia a vinte e quatro de fevereiro e que podes encomendar facilmente.

Um dos grandes destaques de Light Places é Break My Neck, um tema vincadamente reflexivo e introspetivo, cheio de cordas com arranjos e detalhes que facilmente nos deslumbram e onde a voz de Stivers é um trunfo declarado, no modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína (one deep breath, sad but true, one deep breath, leads to you, break my neck, break my neck to, break my neck to see the stars, the stars explode above...). Este tema plasma com precisão as virtudes técnicas que os Passenger Peru possuem para criar música e a forma como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Confere o fabuloso video de Break My Neck, recentemente divulgado...

 


autor stipe07 às 13:23
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

Lost Boy? - Canned

Oriundos do convidativo bairro de Brooklyn, em Nova Iorque, os Lost Boy? são liderados por Davey Jones, ao qual se juntam Ryan, Matt e R.J., um grupo que aposta claramente naquela receita simples mas claramente aditiva que suporta os fundamentos básicos do indie punk rock. Canned, o registo de originais de estreia do grupo, é um trabalho cheio de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, uma coleção de canções enérgica, animada e bastante divertida, lançada via Double Double Whammy/Old Flame Records e que contém vários destaques que fazem com que este disco mereça audição atenta.

Se Hollywood e Car Wash abrem o alinhamento de modo enérgico e agitado, com toda a nostalgia do melhor punk de final do século passado a estender-se pelos nosso ouvidos sem qualquer reserva, é para fazer-nos perceber que a receita destes Lost Boy? baseia-se em efeitos e distorções da guitarra desgarrados e vibrantes e uma bateria subtil, de modo a ser firme e eficaz a busca do edificio melódico que sustente o formato canção mais acessível, mas sem deturpar a fidelidade a um espírito muito próprio e que não impõe quase nenhuma regra ao ruído inebriante e visceral.

Apesar desta linha condutora especifica e claramente balizada ser transversal a todo o álbum não faltam momentos mais experimentais e até progressivos, com o balanço entre o acústico e o ruidoso em Bank e USA, ou o piscar de olho a um indie rock mais comercial e melódico, até com um certo espírito folk, em Chew e numa toada mais nostálgica em About The Future, a impressionarem e a convidarem o ouvinte a repensar uma impressão inicial que possa ter sido mais rígida sobre o ambiente sonoro que o grupo procura replicar. O próprio baixo de Hemorrage e o modo como é audível ao longo de todo o tema, sendo o grande sustentáculo do mesmo, inclusive quando as guitarras se mostram em todo o seu esplendor, não só comprova o cuidado trabalho de produção de que foi alvo Canned, como é mais uma referência importante para caraterizar o som típico da banda, mesmo que o baixo não seja o principal protagonista do disco.

O ponto alto de Canned acaba por ser, na minha opinião, a sequência feita com Taste Butter e Revenge Song, duas canções em que as guitarras piscam o olho aos tais tiques progressivos que citei acima e que encontram as suas raízes duas décadas mais cedo do que o período temporal que inspirou o álbum. São temas que exemplificam com precisão aquilo que pretendem e quem realmente são estes Lost Boy?, exímios intérpretes de um noise rock cheio de guitarras distorcidas e inebriantes, donos de um saudável travo irreverente e beliçoso, que se desenvolve dentro de limites bem definidos, apesar de parecer, em determinados momentos, que vale (quase) tudo.

Canned é mais um daqueles álbuns feitos por quatro músicos que sonham resgatar a alma de um som com mais de vinte anos e que, muitas vezes tocado com uma certa displicência, mas sempre com uma grande dose de alma e criatividade, marcou indubitavelmente uma geração. Este disco não tem segredos para todos os apreciadores do melhor indie rock, cru e lo fi, que pisca o olho ao grunge e esse é, desde logo, um excelente atributo de uma coleção de canções que nos transportam eficazmente para o interior do universo sonoro que tipifica estes Lost Boy?. Espero que aprecies a sugestão...

1. Hollywood
2. USA
3. Chew
4. Car Wash
5. Taste Butter
6. About The Future
7. Revenge Song
8. Bank
9. Deep Fried Young
10. Fuck This Century
11. Hemorrhage

 


autor stipe07 às 16:24
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Terça-feira, 12 de Maio de 2015

Lilith Ai - Hang Tough

Oriunda de Londres e bastante talentosa no modo com reflete na sua música todos os sentimentos antagónicos e contrastantes que invadem uma mente que ainda se prepara para entrar na idade adulta mas que já atravessou sozinha o atlântico até Queens, Nova Iorque, com apenas setenta libras no bolso e a música como sonho maior, Lilith Ai é uma voz talentosa que se prepara para captar definitivamente a nossa atenção.

Hang Tough é o primeiro suspiro de Lilith Ai em forma de música, um tratado sonoro que mistura eletrónica, chillwave e r&b com um charme e uma delicadeza invulgares e exalando uma já notável maturidade. O lado b do single Yeah Yeah, amplifica os predicados instrumentais que irão certamente fazer parte do futuro discográfico deste belíssima cantora, onde o clássico e o contemporâneo se misturam com aquela delicadeza tipicamente feminina. confere... 


autor stipe07 às 17:36
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Segunda-feira, 13 de Abril de 2015

Robot Princess - Teen Vogue LP vs Action Moves EP

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Robot Princess são Beau Alessi, Daniel D. Lee, Peter Ingles, Joe Reichel e Catherine Anderson, uma das novas apostas da Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Os Robot Princess gravaram Teen Vogue, o disco de estreia, nos estúdios Serious Business, em Nova Iorque, há um par de anos, mas esse trabalho nunca viu a luz do dia, ou qualquer tipo de edição, quer física, quer digital. Recentemente, Catherine Anderson, membro da banda, produziu mais um punhado de canções do grupo, que resultaram num EP intitulado Action Moves.

Com estes dois trabalhos em mãos e com a Fleeting Youth Records a apostar seriamente nos Robot Princess, chegou finalmente a hora de um dos segredos mais bem guardados do indie rock nova iorquino ver música a chegar aos escaparates, com a edição em conjunto do álbum e do EP, que viram a luz do dia em formato digital e cassete a vinte e quatro de março.

Wake Me Up When Everyone Is Dead não tem segredos para todos os apreciadores do melhor indie rock, cru e lo fi, que pisca o olho ao grunge e esse é, desde logo, um excelente atributo de uma canção que nos transporta eficazmente para o interior do universo sonoro que tipifica estes Robot Princess. Uma bateria cheia de mudanças de ritmo, guitarras que desafiam o red line mas que também sabem ponderar os efeitos e a distorção e uma voz que tanto busca um registo rugoso, como procura soar doce como o mel, são alguns dos truques deste coletivo.

Logo a seguir, em Violent Shooting Stars, um tema particularmente melódico e que sobressai pelo inspirado jogo de vozes que contém e pela riqueza instrumental e diversidade de ritmos e emoções que transborda, numa exuberância pop bastante recomendável, fica claro que estes Robot Princess planam em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica. Amateur Surgery segue esta permissa exuberante e festiva, mas Teen Vogue ou Super R-Type, numa toada mais nostálgica e pausada, também servem como porta de entrada para o clima identitário dos Robot Princess que, devido ao efeito da guitrarra, à subtileza da bateria e ao timbre das cordas, já se aproximam aqui do habitual edificio melódico que sustenta o formato canção mais acessível, mas sem deixar de se manter fiéis ao espírito inicial. O próprio baixo de You Or Your Sister, dividindo o protagonismo com a guitarra, que se destaca durante o refrão, ajuda a cimentar essa apenas aparente dicotomia entre experimental e acessível, indie rock alternativo e rock clássico, com o nível de desordem sonora a servir única e exclusivamente para colocar a nú um apenas aparente caos. Tudo foi claramente ponderado pelos Robot Princess e o próprio punk rock desgarrado e acelerado de Broke Dentist não desmorona o edifício sóbrio anteriormente edificado, que se mantém até ao fim sustentado por una arquitetura sonora genuina e atrativa, assimilável por qualquer ouvudo com minimo bom gosto, mas sem perder um saudável travo irreverente e beliçoso, dentro de limites bem definidos , apesar de parecer, em determinados momentos, que vale (quase) tudo.

Já perto do ocaso, o alinhamento prosegue, quase sem se dar por isso e Walking Someone Else's Dog, uma magnífica canção que flutua entre o indie rock mais anguloso e aquele que aposta num forte cariz experimental, já que no tema, além de um maravilhoso falsete, sobressai uma percussão com um elevado pendor jazzístico e o travo psicadélico, experimental e progressivo de The Cancer Joke, assim como o rock épico e monumental de My Hands Are On Fire e o músculo de Action Park, entrelaçado por uma bateria que se estende livremente pela melodia, sem cadência rítmica homogénea, são outros extraordinários instantes do álbum, que entre o experimental, o cru, o rugoso, o lo fi e o atmosférico, seduzem e emocionam, como é exigível a un género sonoro que procura sempre expôr sem desvios ou concessões algumas da típicas angústias, dilemas ou dúvidas existenciais de quem vive na ténue fronteira que separa a adolescência da vida adulta.

O indie rock genuíno, feito sem truques, sabe melhor quando vai direto ao assunto e, como referi no início, este quinteto nova iorquino não complica quando compõe com particular profundidade sentimental e interessante sentido melódico, sem descurar todos os atributos ruidosos que se exigem a uma banda que quer fazer-se notar pelo vigor e pela postura irreverente. Os Robot Princess devem ser imediatamente acescentados à lista daquelas bandas que merecem atenção redobrada, uma expisição abrangente e, mais importante que tudo isso, uma audição dedicada. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:50
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