Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

They Might Be Giants – Glean

Lançado no passado dia vinte e um de abril por intermédio da Idlewild/Lojinx, Glean é, imagine-se, o décimo sétimo álbum da carreira dos They Might Be Giants, uma mítica banda norte americana, oriunda da big apple e atualmente formada por John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller. Este disco tem a particularidade de ter no seu alinhamento vários temas que se inserem numa iniciativa da banda chamada Dial-A-Song Project, que teve início já na decada de oitenta e terminou em 2008, sobrevivendo apenas na internet. Este recurso permite ligarmos para um número de telefone que nos oferece a audição de um tema da banda com Glean e conter uma base de canções regularmente partilhadas com os visitantes.

Com quinze canções que se estendem por pouco mais de meia hora, Glean é um exercício poético de muitos contrastes, um pouco à imagem do indefinível e sedutor vídeo da canção de End of the Rope e impressiona pela viagem divertida e ligeira que oferece ao ouvinte, até um amplo espetro sonoro que se estende entre a pop luminosa da Answer, ou a mais lamechas de Madam, I Challenge You To A Duel e o rock alternativo de I Can Help The Next In Line, sem descurar alguns aspetos essenciais do punk rock, claramente esplanados em Erase, mas também daquela folk blues sulista que Good To Be Alive replica com um acerto e uma luminosidade invulgares. E, qual cereja no topo do bolo desta alegoria pop, também não falta um trajeto curioso de cariz mais eletrónico, patente em All The Lazy Boyfriends e Unpronounceable.

Mas do frenesim rock de Aaa, à psicadelia de I'm a Coward, passando pelo rock mais progressivo de Underwater Woman, não faltam outros piscares de olho a toda a herança não só da própria banda como da história do rock nas últimas décadas, havendo até espaço para uma interessante referência à música francesa dos anos vinte em Let Me Tell You About My Operation, com o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. Estas sonoridades mais clássicas não se esgotam nesse instante, podendo ser novamente conferidas não só no mirabolante tema homónimo, mas principalmente, no modo como o jazz e o blues se fundem à boleia da dança que o piano, o trompete e a bateria estabelecem em Music Jail, Pt. 1 And 2.

Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas duas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras. Glean é mais uma prova concerta da excentricidade deste grupo, da rara graça como combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história contemporânea do rock alternativo. Os They Might Be Giants não perderam a capacidade de escrever belas canções no universo das coisas estranhas que fazem apenas parte do mundo da dupla que lidera o grupo e demonstram essa virtude de modo cativante e com uma salutar criatividade e elevada imaginação. Espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - Glean

01. Erase
02. Good To Be Alive
03. Underwater Woman
04. Music Jail, Pt. 1 And 2
05. Answer
06. I Can Help The Next In Line
07. Madam, I Challenge You To A Duel
08. End Of The Rope
09. All The Lazy Boyfriends
10. Unpronounceable
11. Hate The Villanelle
12. I’m A Coward
13. Aaa
14. Let Me Tell You About My Operation
15. Glean


autor stipe07 às 22:28
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

Passenger Peru - Break My Neck (video)

Oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, a dupla norte americana Passenger Peru editou o seu trabalho de estreia no início de 2014, uma edição apenas em cassete e em formato digital, através da Fleeting Youth Records e que foi dissecada já por cá. Formados por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, os Passenger Peru regressaram em 2015 com Light Places, um compêndio de doze novas canções da dupla, que viu a luz do dia a vinte e quatro de fevereiro e que podes encomendar facilmente.

Um dos grandes destaques de Light Places é Break My Neck, um tema vincadamente reflexivo e introspetivo, cheio de cordas com arranjos e detalhes que facilmente nos deslumbram e onde a voz de Stivers é um trunfo declarado, no modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína (one deep breath, sad but true, one deep breath, leads to you, break my neck, break my neck to, break my neck to see the stars, the stars explode above...). Este tema plasma com precisão as virtudes técnicas que os Passenger Peru possuem para criar música e a forma como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Confere o fabuloso video de Break My Neck, recentemente divulgado...

 


autor stipe07 às 13:23
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

Lost Boy? - Canned

Oriundos do convidativo bairro de Brooklyn, em Nova Iorque, os Lost Boy? são liderados por Davey Jones, ao qual se juntam Ryan, Matt e R.J., um grupo que aposta claramente naquela receita simples mas claramente aditiva que suporta os fundamentos básicos do indie punk rock. Canned, o registo de originais de estreia do grupo, é um trabalho cheio de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, uma coleção de canções enérgica, animada e bastante divertida, lançada via Double Double Whammy/Old Flame Records e que contém vários destaques que fazem com que este disco mereça audição atenta.

Se Hollywood e Car Wash abrem o alinhamento de modo enérgico e agitado, com toda a nostalgia do melhor punk de final do século passado a estender-se pelos nosso ouvidos sem qualquer reserva, é para fazer-nos perceber que a receita destes Lost Boy? baseia-se em efeitos e distorções da guitarra desgarrados e vibrantes e uma bateria subtil, de modo a ser firme e eficaz a busca do edificio melódico que sustente o formato canção mais acessível, mas sem deturpar a fidelidade a um espírito muito próprio e que não impõe quase nenhuma regra ao ruído inebriante e visceral.

Apesar desta linha condutora especifica e claramente balizada ser transversal a todo o álbum não faltam momentos mais experimentais e até progressivos, com o balanço entre o acústico e o ruidoso em Bank e USA, ou o piscar de olho a um indie rock mais comercial e melódico, até com um certo espírito folk, em Chew e numa toada mais nostálgica em About The Future, a impressionarem e a convidarem o ouvinte a repensar uma impressão inicial que possa ter sido mais rígida sobre o ambiente sonoro que o grupo procura replicar. O próprio baixo de Hemorrage e o modo como é audível ao longo de todo o tema, sendo o grande sustentáculo do mesmo, inclusive quando as guitarras se mostram em todo o seu esplendor, não só comprova o cuidado trabalho de produção de que foi alvo Canned, como é mais uma referência importante para caraterizar o som típico da banda, mesmo que o baixo não seja o principal protagonista do disco.

O ponto alto de Canned acaba por ser, na minha opinião, a sequência feita com Taste Butter e Revenge Song, duas canções em que as guitarras piscam o olho aos tais tiques progressivos que citei acima e que encontram as suas raízes duas décadas mais cedo do que o período temporal que inspirou o álbum. São temas que exemplificam com precisão aquilo que pretendem e quem realmente são estes Lost Boy?, exímios intérpretes de um noise rock cheio de guitarras distorcidas e inebriantes, donos de um saudável travo irreverente e beliçoso, que se desenvolve dentro de limites bem definidos, apesar de parecer, em determinados momentos, que vale (quase) tudo.

Canned é mais um daqueles álbuns feitos por quatro músicos que sonham resgatar a alma de um som com mais de vinte anos e que, muitas vezes tocado com uma certa displicência, mas sempre com uma grande dose de alma e criatividade, marcou indubitavelmente uma geração. Este disco não tem segredos para todos os apreciadores do melhor indie rock, cru e lo fi, que pisca o olho ao grunge e esse é, desde logo, um excelente atributo de uma coleção de canções que nos transportam eficazmente para o interior do universo sonoro que tipifica estes Lost Boy?. Espero que aprecies a sugestão...

1. Hollywood
2. USA
3. Chew
4. Car Wash
5. Taste Butter
6. About The Future
7. Revenge Song
8. Bank
9. Deep Fried Young
10. Fuck This Century
11. Hemorrhage

 


autor stipe07 às 16:24
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Terça-feira, 12 de Maio de 2015

Lilith Ai - Hang Tough

Oriunda de Londres e bastante talentosa no modo com reflete na sua música todos os sentimentos antagónicos e contrastantes que invadem uma mente que ainda se prepara para entrar na idade adulta mas que já atravessou sozinha o atlântico até Queens, Nova Iorque, com apenas setenta libras no bolso e a música como sonho maior, Lilith Ai é uma voz talentosa que se prepara para captar definitivamente a nossa atenção.

Hang Tough é o primeiro suspiro de Lilith Ai em forma de música, um tratado sonoro que mistura eletrónica, chillwave e r&b com um charme e uma delicadeza invulgares e exalando uma já notável maturidade. O lado b do single Yeah Yeah, amplifica os predicados instrumentais que irão certamente fazer parte do futuro discográfico deste belíssima cantora, onde o clássico e o contemporâneo se misturam com aquela delicadeza tipicamente feminina. confere... 


autor stipe07 às 17:36
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Segunda-feira, 13 de Abril de 2015

Robot Princess - Teen Vogue LP vs Action Moves EP

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Robot Princess são Beau Alessi, Daniel D. Lee, Peter Ingles, Joe Reichel e Catherine Anderson, uma das novas apostas da Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Os Robot Princess gravaram Teen Vogue, o disco de estreia, nos estúdios Serious Business, em Nova Iorque, há um par de anos, mas esse trabalho nunca viu a luz do dia, ou qualquer tipo de edição, quer física, quer digital. Recentemente, Catherine Anderson, membro da banda, produziu mais um punhado de canções do grupo, que resultaram num EP intitulado Action Moves.

Com estes dois trabalhos em mãos e com a Fleeting Youth Records a apostar seriamente nos Robot Princess, chegou finalmente a hora de um dos segredos mais bem guardados do indie rock nova iorquino ver música a chegar aos escaparates, com a edição em conjunto do álbum e do EP, que viram a luz do dia em formato digital e cassete a vinte e quatro de março.

Wake Me Up When Everyone Is Dead não tem segredos para todos os apreciadores do melhor indie rock, cru e lo fi, que pisca o olho ao grunge e esse é, desde logo, um excelente atributo de uma canção que nos transporta eficazmente para o interior do universo sonoro que tipifica estes Robot Princess. Uma bateria cheia de mudanças de ritmo, guitarras que desafiam o red line mas que também sabem ponderar os efeitos e a distorção e uma voz que tanto busca um registo rugoso, como procura soar doce como o mel, são alguns dos truques deste coletivo.

Logo a seguir, em Violent Shooting Stars, um tema particularmente melódico e que sobressai pelo inspirado jogo de vozes que contém e pela riqueza instrumental e diversidade de ritmos e emoções que transborda, numa exuberância pop bastante recomendável, fica claro que estes Robot Princess planam em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica. Amateur Surgery segue esta permissa exuberante e festiva, mas Teen Vogue ou Super R-Type, numa toada mais nostálgica e pausada, também servem como porta de entrada para o clima identitário dos Robot Princess que, devido ao efeito da guitrarra, à subtileza da bateria e ao timbre das cordas, já se aproximam aqui do habitual edificio melódico que sustenta o formato canção mais acessível, mas sem deixar de se manter fiéis ao espírito inicial. O próprio baixo de You Or Your Sister, dividindo o protagonismo com a guitarra, que se destaca durante o refrão, ajuda a cimentar essa apenas aparente dicotomia entre experimental e acessível, indie rock alternativo e rock clássico, com o nível de desordem sonora a servir única e exclusivamente para colocar a nú um apenas aparente caos. Tudo foi claramente ponderado pelos Robot Princess e o próprio punk rock desgarrado e acelerado de Broke Dentist não desmorona o edifício sóbrio anteriormente edificado, que se mantém até ao fim sustentado por una arquitetura sonora genuina e atrativa, assimilável por qualquer ouvudo com minimo bom gosto, mas sem perder um saudável travo irreverente e beliçoso, dentro de limites bem definidos , apesar de parecer, em determinados momentos, que vale (quase) tudo.

Já perto do ocaso, o alinhamento prosegue, quase sem se dar por isso e Walking Someone Else's Dog, uma magnífica canção que flutua entre o indie rock mais anguloso e aquele que aposta num forte cariz experimental, já que no tema, além de um maravilhoso falsete, sobressai uma percussão com um elevado pendor jazzístico e o travo psicadélico, experimental e progressivo de The Cancer Joke, assim como o rock épico e monumental de My Hands Are On Fire e o músculo de Action Park, entrelaçado por uma bateria que se estende livremente pela melodia, sem cadência rítmica homogénea, são outros extraordinários instantes do álbum, que entre o experimental, o cru, o rugoso, o lo fi e o atmosférico, seduzem e emocionam, como é exigível a un género sonoro que procura sempre expôr sem desvios ou concessões algumas da típicas angústias, dilemas ou dúvidas existenciais de quem vive na ténue fronteira que separa a adolescência da vida adulta.

O indie rock genuíno, feito sem truques, sabe melhor quando vai direto ao assunto e, como referi no início, este quinteto nova iorquino não complica quando compõe com particular profundidade sentimental e interessante sentido melódico, sem descurar todos os atributos ruidosos que se exigem a uma banda que quer fazer-se notar pelo vigor e pela postura irreverente. Os Robot Princess devem ser imediatamente acescentados à lista daquelas bandas que merecem atenção redobrada, uma expisição abrangente e, mais importante que tudo isso, uma audição dedicada. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:50
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Quinta-feira, 9 de Abril de 2015

Sufjan Stevens – Carrie And Lowell

Depois de ter deambulado durante uma década  entre o caótico, o esquizofrénico e o genial em discos tão importantes como Illinoise ou The Age Of Adz, Sufjan Stevens está de regresso mais negro, sombrio e recatado com Carrie And Lowell, um disco que marca o retorno do músico à folk mais intimista, nostálgica e contemplativa e que viu a luz do dia a trinta e um de março através da Asthmatic Kitty.

Oriundo de Detroit, no Michigan e atualmente a residir em Brooklyn, Nova Iorque, Sufjan Stevens começou a dar nas vistas no início da carreira na pele de um trovador acompanhado apenas pelas cordas de uma viola, estreando-se em 2000 com A Sun Came e a cantar sobre as agruras e as encruzilhadas de quem acaba de entrar na vida adulta. O entusiasmo, a inspiração e a apurada veia criativa trouxeram consigo um enorme entusiasmo e uma vontade de trabalhar fora do vulgar, com a exploração de outras possibilidades sonoras mais abrangentes, mas sempre com a folk na mira, a incubarem da mente incansável de um músico que chegou a prometer editar anualmente um disco dedicado a um estado norte americano, demanda que, tendo em conta os mais de cinquenta estados do país, lhe ocupariam mais de meio século de existência.

Carrie & Lowell são os sobrenomes da sua mãe e do seu padrasto e intitulam este seu sétimo disco, aquele que, como já referi, marca o regresso do músico à casa de partida, ficando para trás o experimentalismo avan-garde de The Age Of Adz, para agora voltar o puro sentimentalismo, embalado por uma folk madura e nostálgica, que se debruça sobre o falecimento da sua mãe, occorrido em 2012 após uma vida de excessos, abusos e um dignóstico de esquizofrenia, notícia essa que deixou o músico devastado.

De modo a exorcizar e lamber as feridas e a faxer o seu luto terapêutico de uma dor incontida e profunda, além da viola Sufjan Stevens recebeu também a companhia das teclas de um cândido sintetizador, que serve apenas para encaixar e dar um certo charme e brilho à moldura sonora estética de onze canções que são verdadeiras jóias, em todos os sentidos.

Das lembranças sentimentais que transbordam em Fourth Of July, aos lindíssimos arranjos medievais de All of Me Wants All of You, passando pelos arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos de No Shade In The Shadow Of The Cross, todo o ideário sonoro e lírico de Carrie And Lowell serve para o músico fazer a sua homenagem póstuma à progenitora e recordar tempos idos, procurando a conexão possivel com tempos passados que ainda vageuiam pela sua memória de modo nostálgico e que são impossiveis de recuperar. O objetivo não é trazer até ao ouvinte o fantasma da mãe de Sufjan, mas fazer dele um veículo privilegiado de boas sensações que Sufjan, um homem de fé, convicto e assumido, quer que nós sintamos, para que, por muito amargurada que seja a nossa vida, permanentemente, ou em determinados momentos, ela possa sempre contar com aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade.

Carrie and Lowell é alma e emoção traduzidas à voz e à guitarra, como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem sempre que nos apetecer. Basta deixamo-nos levar pelos sussurros do tema homónimo, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante que, pouco depois, ambientada pelo falsete de Sufjan e pelos sons percurssivos e rústicos de John My Beloved, transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Sufjan Stevens - Carrie And Lowell

01. Death With Dignity
02. Should Have Known Better
03. All Of Me Wants All Of You
04. Drawn To The Blood
05. Fourth Of July
06. The Only Thing
07. Carrie And Lowell
08. Eugene
09. John My Beloved
10. No Shade In The Shadow Of The Cross
11. Blue Bucket Of Gold


autor stipe07 às 21:31
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2015

The National – Sunshine On My Back

The National - Sunshine On My Back

Com a participação especial de Sharon Van Etten, Sunshine On My Back é o novo single dos norte americanos The National de Matt Berninger e uma possível amostra do próximo álbum, o sétimo, desta banda oriunda do Ohio.

Sunshine On My Back foi registada durante as gravações do sexto álbum Trouble Will Find Me, de 2013 e como Scott Devendorf, o baixista da banda, já tinha informado em outubro que estavam a gravar novo material para um disco, estas suspeitas podem muito bem vir a confirmar-se. O tema obedece à zona de conforto sonora estabelecida pelos The National desde a estreia, a mostrarem desejo de se manterem num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, na qual se enredaram, lirica e sonoramente, principalmente desde que em 2003 apresentaram Sad Songs for Dirty Lovers. Confere...


autor stipe07 às 12:14
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Quinta-feira, 26 de Março de 2015

Passenger Peru - Light Places

Oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, a dupla norte americana Passenger Peru editou o seu trabalho de estreia no início de 2014, uma edição apenas em cassete e em formato digital, através da Fleeting Youth Records e que foi dissecada já por cá. Formados por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, os Passenger Peru estão de regresso em 2015 com Light Places, um compêndio de doze novas canções da dupla, viu a luz do dia a vinte e quatro de fevereiro e que podes encomendar facilmente.

Fortemente psicadélicos e com o punk ali ao canto da mira, estes Passenger Peru têm uma originalidade muito própria e um acentuado cariz identitário, por procurarem, em simultâneo, uma textura sonora aberta, melódica e expansiva e não descurar o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, percetivel na distorção das guitarras, no vigor do baixo de Stivers e, principalmente, nas guitarras plenas de fuzz e distorções rugosas e inebriantes. Este instrumento é frequentemente chamado para a linha da frente na arquitetura sonora de Light Places, ficando com as luzes da ribalta e um elevado protagonismo em várias canções, com particular destaque logo para o pop rock, algo cósmico, mas ligeiramente lo fi, cheio de arranjos detalhado da impressiva The Best Way To Drown, o primeiro single retirado do álbum e o contraste entre o red line e a viola acústica em Placeholder e o apenas aparente caos grunge de One Time Daisy Fee, canção onde a sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, sobrevive em contraste com a pujança do baixo, a distorção da voz e a amplitude épica da melodia.

Break My Neck, o segundo single retirado de Light Places, vira um pouco a agulha do álbum para um universo mais melancólico, um tema vincadamente reflexivo e introspetivo, cheio de cordas com arranjos e detalhes que facilmente nos deslumbram e onde a voz de Stivers é um trunfo declarado, no modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína (one deep breath, sad but true, one deep breath, leads to you, break my neck, break my neck to, break my neck to see the stars, the stars explode above...). Este tema plasma com precisão as virtudes técnicas que os Passenger Peru possuem para criar música e a forma como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Na sequÊncia, o lindíssimo clima acústico de Falling Art School, canção que trasnpira a uma naturalidade e espontaneidade curiosas, com diferentes sons a arranjos a serem adicionados e retirados quase sem se dar por isso, é um exemplar modelo sonoro que prova que estes Passenger Peru sabem como harmonizar e tornar agradável aos nossos ouvidos sons aparentemente ofensivos e pouco melódicos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que a dupla nos oferece nas reverberações ultra sónicas deste tema e no transe da batida e dos detalhes sintéticos de Better Than The Movies, assim como no agregado instrumental clássico, despido de exageros desnecessários mas apoteótico que define Impossible Mathematics, é a demonstração cabal do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, levando-nos rumo ao período aúreo rock alternativo, com os solos e riffs da guitarra a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, alicerçado num garage rock, ruidoso e monumental, que comprime tudo aquilo que sonoramente seduz os Passenger Peru em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Na reta final do disco, o regresso do simples dedilhar orgânico da viola na ternurenta On Company Time, que se repete em Pretty Lil' Paintin', alarga ainda mais o abraço sonoro que Stivers e Gonzales dão às fronteiras que definem o seu cardápio e são a cereja que faz de Light Places um marco na carreira destes Passenger Peru, definido em grande estilo, por um coletivo irreverente e inspirado, uma irrepreensível coletânea que aposta numa espécie de hardcore luminoso, uma hipnose instrumental abrasiva e direta, mas melodiosa e rica, que nos guia propositadamente para um mundo criado específicamente pelo grupo, onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Passenger Peru produzem, feita com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:41
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Quinta-feira, 19 de Março de 2015

Robot Princess - Violent Shooting Stars

 

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Robot Princess são Beau Alessi, Daniel D. Lee, Peter Ingles, Joe Reichel e Catherine Anderson, uma das novas apostas da Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Os Robot Princess gravaram Ten Vogue, o disco de estreia, nos estúdios Seriuos Business. em Nova Iorque, há um par de anos, mas esse trabalho nunca viu a luz do dia, ou qualquer tipo de edição, quer física, quer digital. Recentemente, Catherine Anderson, membro da banda, produziu mais um punhado de canções do grupo, que resultaram num EP intitulado Action Moves.

Com estes dois trabalhos em mãos e com a Fleeting Youth Records a apostar seriamente nos Robot Princess, chegou finalmente a hora de um dos segredos mais bem guardados do indie rock nova iorquino ver música a chegar aos escaparates, com a edição em conjunto do álbum e do EP, que verão a luz do dia em formato digital e cassete a vinte e quatro de março.

Action Park foi o primeiro avanço divulgado do cardápio que vai ser editado e agora, poucos dias depois, chegou a vez de ouvirmos Violent Shooting Stars, um tema particularmente melódico e que sobressai pelo inspirado jogo de vozes que contém e pela riqueza instrumental e diversidade de ritmos e emoções que transborda, numa exuberância pop bastante recomendável.

Violent Shooting Stars encontra-se disponivel para download gratuito. No final do mês divulgarei certamente a análise crítica desta estreia nos lançamentos dos Robot Princess. Confere...


autor stipe07 às 13:19
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Terça-feira, 10 de Março de 2015

The Shivers – Forever Is A Word

Procura aquele assento particularmente cómodo e isolado que um dia colocaste no local mais aconchegante de tua casa, abstrai-te e isola-te de todo o género de ruídos que te possam perturbar, escolhe os melhores auscultadores que compraste em tempos e que namoraste durante semanas na prateleira da loja de conveniência que fica ao fundo da tua rua e prepara-te para viajar por um verdadeiro paraíso de luz sonora com Forever Is A Word, o novo disco dos The Shivers, uma dupla norte americana, oriunda da big apple e formada por Keith Zarriello e Benham Jones.

Disponivel para download gratuito, com a possibilidade de doares um valor, na página oficial do projeto, Forever Is A Word contém doze excelentes canções produzidas por Joe Rogers e os próprios The Shivers, alinhadas num manto sonoro que funde o blues e a soul mais negra com o clássico rock e o R&B mais sensual. Este cocktail é exposto, com extraordinária nitidez, nas cordas de uma guitarra cheia de personalidade, numa voz ora rouca, ora num registo em falsete intenso e profundo, mas sempre com um carisma muito particular, num baixo pulsante e numa percussão que sabe como definir o dinamismo que a carga emotiva adjacente a cada tema exige.

O groove e os detalhes sonoros de New Black Shades ou a apaixonada e deambulante Puppy Dog são apenas dois bons exemplos do modo como os The Shivers sopram na nossa mente, envolvendo-a com uma elevada toada emotiva e delicada e fazendo o nosso espírito facilmente levitar, algo que provoca um delicioso emaranhado de boas sensações. Mas a cadência lo fi empoeirada e romântica da guitarra e do piano de Lonely Hearts Club e de Forever Is A Word e o ambiente cinematográfico que escorre do doce mel minimal a que sabem as teclas de My True Love Is In Heaven são outras amostras do requinte com que os The Shivers nos dão as mãos, para nos levarem com eles rumo às profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, com elevada carga poética. Já agora, este é um daqueles discos que merece ser acompanhado por um dicionário ou um bom programa de tradução à cabeceira, já que é irresistivel querer saciar a curiosidade de perceber convenientemente a mensagem que está plasmada em belíssimas letras, sempre entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Se durante a audição de Forever Is A Word, por algum motivo sentires vontade de perder a timidez e abandonar por momentos o confortável assento em que te encontras, fá-lo ao som da sequência feita com We'Re Dancing (Seagulls On Cathedral) e More Gray Than Green e convida aquele belo rosto que te acompanha para todo o lado, à boleia dos teus pensamentos mais inconfessáveis, para uma bela dança a dois, desprovida de chão e de passos intrincados e decorados previamente e talvez descubras plenamente a sobriedade sentimental que marca a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve os The Shivers, conseguindo com ousadia, sentires a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este projeto verdadeiramente único. Espero que aprecies a sugestão...

The Shivers - Forever Is A Word

01. I Got Mine
02. New Black Shades
03. Puppy Dog
04. Heaven, I Got Time
05. Lonely Hearts Club
06. Dog Beach
07. Forever Is A Word
08. Maybe My True Love Is in Heaven
09. The Wave
10. We’re Dancing (Seagulls On Cathedral)
11. More Gray Than Green
12. To The Spring


autor stipe07 às 21:40
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