Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016

DIIV - Is The Is Are

Os DIIV (lê-se Dive) são um grupo do nova iorquino Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Devin Ruben Perez (baixo) e Colby Hewitt (bateria). O disco de estreia chamou-se Oshin e viu a luz do dia há pouco mais de três anos através da Captured Tracks, mas já tem sucessor. Is The Is Are, o novo trabalho dos DIIV, foi escrito na íntegra por Zachary, gravado em Brooklyn e chegou recentemente aos escaparates à boleia da mesma etiqueta.

Se em Oshin Zachary se deixou envolver pelo garage rock e dialogou incansavelmente com a recente tendência surf rock que ocupa boa parte do panorama alternativo norte americano, principalmente no modo como incorpora doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, Is The Is Are não renega totalmente estes atributos essenciais para a definição justa do adn do grupo, mas basta ouvir o single ouvir Bent (Roi’s Song) para se perceber que esta nova trip deambulante dos DIIV, proporcionada pelas guitarras e pela voz melódica do autor, conduzindo-nos a esse rock alternativo de cariz mais lo fi, privilegia, desta vez, o confronto amigavel com uma pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar. E por tudo isto torna-se claro que em 2016 Zachary Cole quer reclamar uma posição quer de destaque quer de abrangência junto da massa crítica, enquanto alarga o potencial do seu cardápio relativamente à agregação de um maior leque de apreciadores do mesmo e, já agora, limpa a imagem pessoal e de uma banda que acumulou alguns episódios menos positivos nos últimos tempos e que agora não importa enumerar, mas que conotaram os DIIV de um grupo de músicos homofóbicos e dependentes de substâncias ilícitas. 

Chegamos a Dopamine, canção que versa exatamente sobre a questão da adição às drogas, assim como, mais adiante, a homónima, e nela o autor além de se referir à sua experiência pessoal, procura influenciar o ouvinte para que não repita os seus erros (Fixing now to mix the white and brown, Buried deep in a heroin sleep). Neste tema, conduzidos por uma bateria frenética, um baixo vibrante e uma guitarra estratosférica e luminosa, deparamo-nos com o ponto mais alto de Is The Is Are, canção que além de assegurar algum ideal de continuidade relativamente a Oshin, algo que mais adiante o ambiente sonhador e cristalino de Loose Ends também consegue transmitir com eficácia, é um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea. Esta canção, mas também depois o fuzz da guitarra e os efeitos sombrios do teclado de Valentine, o hipnotismo incisivo da guitarra de Blue Boredom (Sky’s Song), canção que conta com a participação vocal de Sky Ferreira, companheira de Cole e o piscar de olhos do baixo de Yr Not Far a um ambiente mais punk e progressivo, puxam os autores para um patamar superior de abrangência, não só pela miríade sonora que abrangem, mas também, e principalmente, por estarmos a falar de canções que misturam acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, tudo com enorme eficácia.

Compêndio que privilegia então uma sensibilidade pop inédita nos DIIV e que em alguns momentos é atingida com um forte cariz épico e monumental, como se infere, por exemplo, nas derivações melódicas e na majestosidade instrumental de Take Your Time, Is The Is Are contém uma mágica melancolia que trespassa e que nos permite obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou pode afetar em nosso redor. E além destes aspetos, transversais a grande parte do historial do grupo e que se misturam e se sublimam em vários temas deste novo álbum, com o já citado riff alegre e sonhador do single Dopamine a ser talvez aquele que melhor consegue juntar toda a amálgama que hoje define o adn dos DIIV, há outros traços também expressos com intensidade e requinte superiores, nomeadamente um piscar de olhos objetivo aquela crueza orgânica que aqui faz questão de viver permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia e que em Mire (Grant’s Song) atinge um patamar particularmente turtuoso.

Is The Is Are é um daqueles registos discográficos onde a personalidade de cada uma das canções do alinhamento demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas é incrivelmente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que as distingue e que sustenta a bitola qualitativa de um disco incubado por um grupo que procura redimir-se do seu passado, mas que também quer mostrar que vive no pico da sua produção criativa, porque exige e consegue navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. A imprevisibilidade é, afinal, algo de valor no mundo artístico e Zachary Cole, uma dos personagens mais excêntricas no mundo da música de hoje, continua a jogar com essa evidência a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado um dos álbuns essenciais do ano. Espero que aprecies a sugestão...

01. Out Of Mind
02. Under The Sun
03. Bent (Roi’s Song)
04. Dopamine
05. Blue Boredom (Sky’s Song)
06. Valentine
07. Yr Not Far
08. Take Your Time
09. Is The Is Are
10. Mire (Grant’s Song)
11. Incarnate Devil
12. (Fuck)
13. Healthy Moon
14. Loose Ends
15. (Napa)
16. Dust
17. Waste Of Breath


autor stipe07 às 21:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016

Kinsey – My Loneliest Debut

Dezoito de setembro último foi o dia do lançamento de My Loneliest Debut, o registo de estreia do baterista, produtor, compositor e multi instrumentista nova iorquino Kinsey, onze canções produzidas pelo próprio músico e misturadas por Chris Athens e que agregam alguns dos mais interessantes detalhes que definem a indie pop contemporânea norte americana, nomeadamente quando se mistura com pilares fundamentais do rock setentista de século passado, uma simbiose magistralmente interpretada aqui, em composições como Wide Awake, o esplendoroso tema de abertura de My Loneliest Debut.

Kinsey oferece-nos, logo na estreia, um registo discográfico pleno de luz em forma de música, um disco cheio de brilho e cor em movimento, uma obra com um alinhamento alegre e festivo e que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana. Não é só o tema já referido que transborda alegria e majestosidade; A folk charmosa debitada pela viola de Dawn e, de modo mais animado, pelo banjo de Whipping Boy, as cordas reluzentes e o piano frenético da composição homónima, os tambores e novamente o piano, mas mais deambulante e soturno em Defender, ou os efeitos da guitarra que adornam o blues empolgante de I'm Home e o ruído envolvente de We Are Pipes, são composições que abordando a pop sobre as diferentes perspetivas que comprovam o elevado ecletismo do autor, nos fazem desertar por uma espécie de universo paralelo, que nos proporciona um presente feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos e que, ao longo da audição deste My Loneliest Debut, vão surgindo quer nas notas mais delicadas, quer quando as mesmas se mostram num modo particularmente explosivo, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si.

Em My Loneliest Debut vence aquela pop clássica e intemporal e que só ganha vida se houver quem se predisponha a entrar num estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim dar origem a canções cheias de sons poderosos e tortuosos e sintetizadores flutuantes e vozes deslumbrantes. E Kinsey parece dominar a fórmula correta para o fazer, como se percebe por este álbum pop poderoso, sem cantos escuros, orquestral e extremamente divertido, que sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, tem a capacidade de a usar como instrumento privilegiado para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia e que nos permite aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, onde tudo soa utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Kinsey - My Loneliest Debut

01. Wide Awake
02. Dawn
03. Get Lost
04. Whipping Boy
05. Youth
06. My Loneliest Debut
07. Chateau Ludlow
08. Defender
09. I’m Home
10. We Are Pipes
11. Eat Your Heart Out


autor stipe07 às 21:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 9 de Janeiro de 2016

Yeasayer – I Am Chemistry

Yeasayer - I Am Chemistry

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer se mantinham num silêncio que já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas parece que essa compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, já tem finalmente sucessor.

Amen & Goodbye, o novo disco dos Yeasayer, será editado a um de abril através da insuspeita Mute e I Am Chemistry é o primeiro single divulgado das treze composições que irão constar no seu alinhamento. O romantismo lisérgico do tema consolida a veia instável e experimental de um projeto cada vez mais assente numa pop de cariz eletrónico e bastante recomendável. Confere...


autor stipe07 às 15:54
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015

Le Rug - Game Over

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records e um nome importante do cenário indie punk local, já que em integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug foi a sua última aposta e dei-a a conhecer há pouco mais de um ano devido a Press Start (The Collection), uma coleção de canções que Weiss apresentou ao mundo por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Quase no ocaso de 2015 este projeto Le Rug regressou, e para se despedir, com Game Over, uma espécie de balanço de toda a carreira artística do seu grande mentor, que se orgulha de nos últimos dois anos ter editado dez discos e composto mais de trezentas e cinquenta canções, algumas delas incubadas durante um breve período da sua vida passado em Bangecoque, na Tailândia.

Do alinhamento de setenta e uma canções de Game Over, há várias que merecem audição dedicada, tendo sempre como denominador comum um punk rock direto e incisivo, mas também com uma apelativa sensibilidade melódica, que temas como Gloss ou 1779 comprovam com notável grau de assertividade e imaginação. Já agora, esta última conta com a participação especial de Tim Rusterholtz e é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca, o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante.

O universo sonoro que rege a paleta sonora de Le Rug alimenta-se de uma instrumentação vincada, assente numa linha de baixo encorpada e em guitarras carregadas de fuzz, havendo depois, a partir da seleção dos efeitos e do modo como a bateria conduz os temas, o piscar de olhos aos mais variados subgéneros do rock. Se Gaxinthaw, por exemplo, transporta todos os detalhes fundamentais do melhor grunge, o baixo de Mammal exala hard punk por todos os poros e canções como Telebones, Hindenburg ou St. Vincents oferecem-nos uma visão sonora mais experimental e até, num certo sentido, com uma luminosidade pop bastante curiosa, com o pendor acústico da última a conter uma intensa dose de rugosidade e lisergia. Já temas como The Loveless Fuzz ou Perodafodil baseiam-se naquela simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, abrigados pela sonoridade crua, rápida e típica que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.
Game Over é uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, composições sonoras que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É um compêndio concentrado, tendo como grande ponto de acerto o movimento das diferentes composições e o modo como se arriscam em aproximações a diversos espetros sonoros, havendo em comum uma voz sempre vincada, letras algo sensíveis e, como referi logo no início, melodias acessíveis, o que faz com que o próprio som destes Le Rug ganhe em harmonia e delicadeza o que, em algumas canções, perde em distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não deixar de fazer sempre parte do cardápio sonoro dos Le Rug. Nostálgico e carregado de referências, parece claro o compromisso assumido por Ray Weiss de não produzir algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:57
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015

The Pains Of Being Pure At Heart – Hell EP

Mestres do Indie pop, os norte americanos The Pains Of Being Pure At Heart estão de regresso aos lançamentos discográficos com Hell, um Ep com três canções, que além de apresentar uma nova roupagem do original homónimo, mais límpida e luminosa que a demo divulgada anteriormente, também inclui duas versões, Balled Of The Band, um original dos Felt e Laid, inédito dos britânicos James, que conta com a participação vocal de Jen Goma.

101115_pureheart5

Depois de um início de carreira, no final da década passada, em que esta banda de Brooklyn, Nova Iorque, apostou numa avalanchede ruídos e distorções com forte pendor lo fi, a verdade é que desde Days Of Abandon, o último longa duração da banda, a bitola sonora parece passar por um ambiente musicla, mais polido e acessível. E quer Hell, quer as duas covers mostram-se prodigiosas no modo como se apresentam envolvidas por um embrulho melódico animado pela forma divertida como Berman apresenta um novo conjunto de referências e propôe uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários.

Este ep é, portanto, uma espécie de som pop instantâneo, daquele que se coloca no leitor e basta clicar play, sem adicionar mais ingredientes à mente que o possiblitem absorver com detalhe e nitidez. Em suma, escorre pelos nossos ouvidos um alinhamento de três canções que não distorcem em nada a herança que o projeto deixou no disco anterior e que  uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo. Espero que aprecies a sugestão...

 

The Pains Of Being Pure At Heart - Hell

01. Hell
02. Ballad Of The Band
03. Laid


autor stipe07 às 18:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Skylar Spence - Prom King

Viu a luz do dia no final do último verão Prom King, o disco de estreia do projeto Skylar Spence, encabeçado por Ryan DeRobertis, um músico norte americano que começou por assinar a sua música como Saint Pepsi, mas que resolveu infletir para uma pop efusiva, em oposição a atmosferas mais etéreas e experimentais em que se baseava no seu anterior projeto. Sendo assim, estamos na prsença de um disco que apela sem desvios ou truques desnecessários a uma visita demorada e dedicada a uma pista de dança, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade.

Num disco carregado de temas com airplay fácil e com tudo para darem a volta ao mundo, Skylar Spence oferece-nos, em quarenta e cinco minutos, um alinhamento com uma elevada componente sintética, impregnado de batidas aceleradas e plenas de groove, com temas como Can't You See, tema cantado pelo próprio Ryan, mas também Ridiculous! e Bounce Is Back a concretizarem um piscar de olho indiscreto ao house mais comercial, mas onde não faltam guitarras e outros detalhes mais orgânicos, sejam acústicos ou eletrificados. I Can't Be Your Superman é uma canção extraordinária para o testemunho desta simbiose com uma guitarra com um efeito vintage fortemente narcótico e uma batida bem vincada, a marcarem um andamento de um tema com uma personalidade muito forte e festiva.

Este é um alinhamento de canções que, de acordo com o próprio autor, refletem eventos que marcaram a sua vida pessoal, nomeadamente o facto de ter testemunhado espirais de descontrole emocional protagonizadas por alguns dos seus melhores amigos e a impotência que o assaltou nesses instantes, mas também a sua experiência na estrada como músico e todo o tipo de tentações que esse estilo de vida contém. O tema homónimo deste disco versa diretamente sobre este ideário, contendo alguns samples que refletem essa experiência pessoal e o modo marcante como a mesma moldou a personalidade deste autor.

Prom King tem diversos momentos particularmente deslumbrantes e efusivos e outros mais contemplativos, nomeadamente All I Want, mas que não deixam de ser igualmente intensos. Canções como Bounce Is Back e as já citadas Ridiculous! e Can't You See deviam ser uma presença obrigatória em qualquer pista de dança, não só pelo ambiente dançante efusivo que criam, mas também pelo travo vintage psicadélico que contêm, num alinhamento que é para ser escutado, quase na íntegra, debaixo da bola de cristal, com uma atitude insinuante, um charme e uma sofisticação muito próprios, sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir. espero que aprecies a sugestão...

1. Intro

2. Can't You See
3. Prom King
4. I Can't Be Your Superman
5. Ridiculous!
6. Fall Harder
7. Bounce is Back
8. Affairs
9. All I Want
10. Cash Wednesday
11. Fiona Coyne


autor stipe07 às 20:47
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Le Rug - 1779

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records e um nome importante do cenário indie punk local, já que em integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug foi a sua última aposta e dei-a a conhecer há pouco mais de um ano devido a Press Start (The Collection), uma coleção de canções que Weiss apresentou ao mundo por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Quase no ocaso de 2015 este projeto Le Rug está de regresso, e para se despedir, com Game Over, uma espécie de balanço de toda a carreira artística do seu grande mentor, que se orgulha de nos últimos dois anos ter editado dez discos e composto mais de trezentas e cinquenta canções, algumas delas incubadas durante um breve período da sua vida passado em Bangecoque, na Tailândia.

Do alinhamento de setenta e uma canções de Game Over, há várias que merecem audição dedicada e 1779, é, certamente, uma delas, um tema que conta com a participação especial de Tim Rusterholtz e é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca, o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante. Confere...


autor stipe07 às 19:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Walking Shapes – Taka Come On

Agressivos, rugosos e permanentemente ligados à corrente, assim são os Walking Shapes, uma banda norte americana, oriunda da cidade que nunca dorme e formada por Nathaniel Hoho, Jesse Alexander Kotanksy, Dan Krysa, Christopher Heinz e Jake Generalli. Taka Come On é o registo de originais de estreia deste quinteto, treze canções e mais dois temas adicionais, que viram a luz do dia à boleia da No Shame e que foram incubadas em Brooklyn, numa casa situada em Kingsland Avenue, pertença do artista plástico Joseph Grazi, ponto de encontro de músicos, atores e outras pessoas ligadas a diferentes quadrantes do universo artístico.

Gravado no Soho, em plena Nova Iorque e produzido por Gus Oberg, Taka Come On vive do esplendor das guitarras, geralmente distorcidas e ruidosas, mas há espaço também para uma mistura assertiva com a viola acústica, como é o caso de Saturday Song, uma das melhores canções do disco e com vários acordes que dispensam amplificação, assim como os violinos que passeiam pela lindíssima balada acústica Find Me. Na sequência, a emotiva e insinuante (no) também conta com a inserção de alguns efeitos e um riff de guitarra áspero e corpulento, mas os acordes acústicos espalhados ao longo do tema, conferem-lhe uma alma e uma emotividade ímpares e amainam um pouco toda a raiva que transborda do corpo da canção.

Ao longo do lainhamento de Taka Come On multiplicam-se os exemplos desta ímpar dicotomia, pouco vista e, por isso, merecedora do maior realce. O andamento vibrante e frenético de Milo's Shell transborda energia e eletrificação, mas há um dedilhar de fundo indsisfarçável que sobressai com nitidez e nem o baixo encorpado de In The Wake consegue tirar a primazia às guitarras na condução melódica de outra composição com um elevado nível de epicidade e sentimento.

Os Walking Shapes tocam um indie rock cru e pulsante, sem amarras e concessões e são diretos e arrojados no modo como viram as agulhas para um universo eminentemente punk, sem perder o norte, mesmo nos momentos mais contemplativos e intimistas, com a já citada Find Me a ser o momento mais alto dessa faceta mais sentimental da música deste quinteto. Eles exploram novos territórios sonoros com o baixo e a guitarra sempre no limite do vermelho, com uma também clara vertente experimental, onde rock e eletrónica se cruzam, dedilhados e eletrificados com particular mestria.

Em suma, em Taka Come On há abertura, arrojo, disposição para o choque e não há momentos de desnecessária complexidade. Desse modo o resultado final soa de forma muito consistente e bem definida e que confere aos Walking Shapes uma identidade sonora com um cunho muito próprio, que consegue falar sobre a melancolia e impressiona pela grandiosidade instrumental das canções e, acima de tudo, pela capacidade que elas têm de comunicar connosco. Espero que aprecies a sugestão...

Walking Shapes - Taka Come On

01. Woah Tiger
02. Milo’s Shell
03. Find Me
04. Winterfell
05. In The Wake
06. Mussolini
07. Let It Will
08. Saturday Song
09. (No)
10. Feel Good
11. Measure For Measure
12. Chinatown
13. The Right Time
14. Pool (Bonus Track)
15. Black Eye (Bonus Track)


autor stipe07 às 21:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 5 de Novembro de 2015

Here We Go Magic – Be Small

Vêm de Nova Iorque, são uma das grandes apostas da Secretly Canadian e tocam um indie rock experimental bastante apelativo e rico em detalhes e texturas capazes de nos surpreender em cada audição. Chamam-se Here We Go Magic e estão de regresso aos discos com Be Small, onze canções que viram a luz do dia a quinze de outubro e que caracterizam-se pela subtileza com que este grupo incorpora uma musicalidade prática, concisa e ao mesmo tempo muito mais abrangente, num disco marcado pela proximidade entre as canções, fazendo com que o uso de letras cativantes e de uma instrumentação focada em estruturas técnicas simples, amplie os horizontes e os limites que foram sendo traçados numa carreira com quase uma década e marcada por discos como A Different Ship ou Pigeons, já verdadeiros clássicos da pop experimental.

Se os Here We Go Magic fizeram sempre questão e não se preocupar demasiado em manter o controle quando pisavam um terreno mais experimental e banhado pela psicadelia pop mais ampla e elaborada, principalmente no antecessor A Different Ship, produzido por Nigel Godrich, habitual colaborador dos Radiohead, agora, em Be Small, apresentam um som mais íntimo e resguardado, mas também mais firme e definido e onde cada instrumento parece assumir uma função de controle, nunca se sobrepondo demsiado aos restantes, evitando a todo momento que o disco desande, apesar das cordas e das teclas mostrarem uma constante omnipresença, como é apanágio de um som que se pretende luminoso, atrativo e imponente, sem descurar aquela fragilidade e sensorialidade que no tema homónimo, por exemplo, encanrna um registo ecoante e esvoaçante que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

A nova direção, delicada e ao mesmo tempo mais esculpida e etérea, que a banda assume em Be Small, arranca o máximo de cada componente do projeto. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas, como sucede em Candy Apple ou Stella e se bases suaves sintetizadas, acompanhadas de batidas, cruzam-se com cordas e outros elementos típicos da folk em Girls In The Early Morning ou Ordinary Feeling, já Tokyo London US Korea torna sonoramente bem audível um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzando com um certo minmalismo eletrónico, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento límpido e minimalista, seguindo em ritmo ascendente, mas sempre controlado, até à última canção.

Quanto às letras, parecem ser aquele aspeto do alinhamento, que gozou de uma maior liberdade e indulgência interpretativa. Divididos entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica, os versos parecem dançar de acordo com a música. É como se para cada acorde, uma estrofe específica fosse montada e reaproveitada posteriormente. Tanto a melancólica e já citada Girls In The Morning, como News assumem isso, evitando que o álbum atinja uma proposta excessivamente calculada e linear.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Be Small tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, através de um disco assertivo, onde os Here We Go Magic utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente único e imponente e que obriga a crítica a ficar mais uma vez particularmente atenta a esta nova definição sonora que deambula algures pela big apple. Espero que aprecies a sugestão.

Here We Go Magic - Be Small

01. Intro
02. Stella
03. Be Small
04. Falling
05. Candy Apple
06. Girls In The Early Morning
07. Tokyo London US Korea
08. Wishing Well
09. Ordinary Feeling
10. News
11. Dancing World


autor stipe07 às 21:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

DIIV - Bent (Roi’s Song)

Os DIIV (lê-se Dive) são um grupo do nova iorquino Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Devin Ruben Perez (baixo) e Colby Hewitt (bateria). O disco de estreia chamou-se Oshin e viu a luz do dia há pouco mais de três anos através da Captured Tracks, mas já tem sucessor.

Is The Is Are, o novo trabalho dos DIIV, foi escrito na íntegra por Zachary, gravado em Brooklyn e chegará lá para fevereiro de 2016 à boleia da mesma etiqueta. Depois de ter sido divulgado Dopamine, o primeiro single retirado do registo, agora chegou a vez de podermos ouvir Bent (Roi’s Song), mais uma trip deambulante proporcionada pelas guitarras e a voz melódica do autor e onde o rock alternativo de cariz mais lo fi se confronta amigavelmente com uma pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar, mais comum em projetos do outro lado da costa americana. Confere...


autor stipe07 às 20:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Fevereiro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29


posts recentes

DIIV - Is The Is Are

Kinsey – My Loneliest Deb...

Yeasayer – I Am Chemistry

Le Rug - Game Over

The Pains Of Being Pure A...

Skylar Spence - Prom King

Le Rug - 1779

Walking Shapes – Taka Com...

Here We Go Magic – Be Sma...

DIIV - Bent (Roi’s Song)

Company of Selves - Butte...

Youthless - Golden Spoon

EL VY – Return To The Moo...

Doubting Thomas Cruise Co...

Sleepy Crash - Sleepy Cra...

DIIV - Dopamine

Beirut - No No No

Widowspeak - All Yours

Oberhofer - Chronovision

Au Revoir Simone - Red Ra...

X-Files

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

blogs SAPO

subscrever feeds