Sexta-feira, 30 de Junho de 2017

The National - Guilty Pleasures

The National - Guilty Party

Será a oito de setembro próximo que chegará aos escaparates e através da 4AD, Sleep Well Beast, o tão aguardado novo registo de originais dos norte-americanos The National, que irá suceder a Trouble Will Find Me, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no já longínquo ano de 2013.

The System Only Dreams in Total Darkness foi o primeiro single retirado de Sleep Well Beast e agora chegou a vez de conferir Guilty Pleasures, canção que coloca os The National no trilho de uma sonoridade eminentemente reflexiva, como é apanágio do projeto, mas cada vez menos sombria e mais optimista, demonstrando o cada vez maior ecletismo de um grupo consciente de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Confere...


autor stipe07 às 18:17
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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

The Drums – Abysmal Thoughts

Oriundos de Brooklin, em Nova Iorque, os The Drums foram formados ainda na década passada por Jonathan Pierce e Jacob Graham e são um dos grandes nomes do movimento saudosista de revitalização do lo-fi, que tem feito escola no século XXI. Na verdade, continuam a ser uma daquelas bandas que pura e simplesmente não custa nada gostar, apesar dos momentos menos felizes que viveram ultimamente e que ditaram praticamente o ocaso do projeto quando, em 2010, o guitarrista Adam Kessler abandonou o projeto. Agora, alguns anos depois, o grupo ainda procura estabilizar-se numa posição de relevo dentro do espetro sonoro que calcorreia, procurando fazê-lo à boleia de Abysmal Thoughts, doze canções que viram recentemente a luz do dia à boleia da ANTI Records. 

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Sucessor do pouco entusiasmente Encyclopedia, este Abysmal Thoughts é um passo firme na reabilitação de uns The Drums que corriam o sério risco de cairem no esquecimento, depois do furor que em tempos provocaram na crítica e no grande público, principalmente devido à obra-prima Portamento. Assim, a audição deste alinhamento oferece-nos uma coleção de boas canções com uma sonoridade bastante alegre e com traços bem delimitados da etiqueta sonora da banda que obedece à velha combinação mágica, assente numa presença forte do baixo, guitarras límpidas, uma bateria cadente e frenética, vibrante e cheia de energia e, a compor o ramalhete, um Jonathan Pierce cada vez mais seguro na voz. Logo em Mirror confere-se um rock algo melancólico e ingénuo, com esta ímpar impressão nostálgica a ampliar-se no modo como o timbre da guitarra que plana sobre o tema é dedilhada em I'll Fight For Your Life e no modo como o mesmo efeito metálico conduz Blood Under My Belt.

Este auspicioso início de Abysmal Thoughts dá-nos a percepção que o antecessor Encyclopedia foi, claramente, um momento menos bom e que este terceiro trabalho é que pode ser encarado como o mais fiel depositário da filosofia estilística firmada pelos The Drums em Portamento. O modo como a percussão mantém o ritmo frenético, tema após tema, o uso exaustivo de um caraterístico timbre da guitarra, geralmente a tocar três notas, a opção pela utilização cada vez mais precisa do sintetizador como veículo privilegiado de condução melódica, exemplar na já referida canção I'll Fight For Your Life e bastante eficaz no modo inventivo como se conjuga com os metais em Your Tenderness e a forma como em temas como a surf pop luminosa de Heart Basel, ou a resilência inquietante de Are U Fucked o baixo acomoda os restantes instrumentos, dando-lhes a rugosidade e a substância que precisam para a obtenção do tal charme lo-fi presente no adn do grupo, são caraterísticas transversais ao disco que reafirmam a certeza de que parece haver uma reentrada desta banda norte-americana numa rota mais certeira.

Abysmal Thoguhts é um trabalho interessante e pensado para ser escutado como um todo, contendo bons exemplos do potencial criativo e da sensibilidade lirica desta banda. Reergue os The Drums para uma segunda vida, que será ainda mais bem sucedida se o grupo não hesitar, no futuro, em colocar o seu enorme potencial criativo na abordagem mais corajosa e extrovertida de outros espetros sonoros, sem haver necessidade de colocarem em causa o habitual ambiente nostálgico que os carateriza. Espero que aprecies a sugestão... 

The Drums - Abysmal Thoughts

01. Mirror
02. I’ll Fight For Your
03. Blood Under My Belt
04. Heart Basel
05. Shoot The Sun Down
06. Head Of The Horse
07. Under The Ice
08. Are U Fucked
09. Your Tenderness
10. Rich Kids
11. If All We Share (Means Nothing)
12. Abysmal Thoughts


autor stipe07 às 14:17
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Domingo, 4 de Junho de 2017

Beach Fossils – Somersault

Os Beach Fossils são uma banda de Brooklyn, Nova Iorque e que começou por ser um projeto a solo de Dustin Payseur, ao qual se juntaram, entretanto, Tommy Davidson e Jack Doyle Smith. Estão de regresso aos discos com Somersault, um trabalho lançado pela Bayonet Records e que sucede a um homónimo, datado de 2010 e ao aclamado antecessor, Clash The Truth (2013). Somersault conta com a participação especial de Rachel Goswell no tema Tangerine e de Cities Aviv em Rise e contém onze canções com um têmpero lo fi muito próprio. Refiro-me a um indie rock alternativo, com leves pitadas de surf pop, eletrónica e garage rock, tudo embrulhado com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que se escuta de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação.

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Somersault é um refúgio luminoso e aconchegante, um recanto sonoro sustentado por guitarras melodicamente simples, mas com um charme muito próprio e intenso, principalmente quando a elas se agregam outros arranjos, com a curiosidade de o violino ser uma arma de arremesso bastante utilizada nesses detalhes que adornam as melodias. Logo no enorme esgar de sorriso que comporta This Year e no clima lisérgico de Tangerine os violinos surgem amiúde, a consolidar a vertente vocal e a dar um polimento charmoso de inegável valia às guitarras, que são quem toma conta da condução dos temas. Depois, em redor da toada barroca das cordas que marcam a majestosidade de Closer Everywhere e no dedilhar corpulento e na percussão ritmada de Saint Ivy, assim como na leveza enternecedora do baixo de Sugar, esses violinos continuam a planar e a carimbar com acerto esta espécie de passeio tímido à beira mar numa manhã de sol, mas que também serve de consolo para quem tiver de se contentar com um cenário mais noturno, cinzento e urbano.

Somersault eleva os Beach Fossils a um novo patamar criativo, com as canções a abrigarem-se à sombra de uma filosofia estilística bastante marcada e homogéna, o que faz com que funcionem, individualmente, como vinhetas climáticas que vão servindo para marcar o ambiente e a cadência do mesmo. Mas, um dos maiores atributos do alinhamento é a quase indivisibilidade entre os temas, que podem ser apreciados como um todo, já que, liricamente, debruçando-se sobre as agruras de uma América cada vez mais confusa, garantem a formatação de uma obra de maior alcance e até, do modo como estão alinhados, engrandecem algumas canções menores. É o caso de Be Nothing, composição posicionada no final de Somersault e que, no modo como cresce e progride, além de personificar aquele grito de raiva que muitas vezes é imprescindível soltar no clímax de um instante reflexivo, acaba também por fazer uma súmula de todo o ideário, quer sentimental, quer sonoro, subjacente à intimidade que exala de toda a obra e que nos envolve de um modo muito particular. Espero que aprecies a sugestão...

Beach Fossils - Somersault

01. This Year
02. Tangerine (Feat. Rachel Goswell)
03. Saint Ivy
04. May 1st
05. Rise (Feat. Cities Aviv)
06. Sugar
07. Closer Everywhere
08. Social Jetlag
09. Down The Line
10. Be Nothing
11. That’s All For Now


autor stipe07 às 14:35
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

!!! - Shake The Shudder

Lançado no passado dia dezanove através da Warp Records, Shake The Shudder é o novo tomo discográfico dos norte-americanos !!! (Chk Chk Chk), um coletivo liderado por Nick Offer, ao qual se juntam atualmente Mario Andreoni, Dan Gorman, Paul Quattrone e Rafael Cohen. Este é o sétimo disco da carreira de um dos nomes fundamentais do punk rock do novo milénio e talvez um dos melhores trabalhos da carreira deste grupo já com duas décadas de vida, formado em 1995 das cinzas dos míticos  Black Liquorice e dos Popesmashers.

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Salvo algumas excepções de nomeada, nomeadamente nomes como os LCD Soundsystem, The Juan Maclean, os The Rapture ou os próprios Thee Oh Sees, o espetro sonoro em que os !!! (Chk Chk Chk) se movimentam ganhou um fôlego enorme no início deste século, mas tem vindo a perder terreno no seio do rock alternativo. É um receituário que serve-se, geralmente, de linhas de baixo encorpadas, riffs de guitarra pulsantes e batidas muitas vezes sintetizadas com o intuíto de fazer dançar todos aqueles que gostam de abanar a anca mas deprezam terrenos sonoros como o house, o discosound e afins. Hoje em dia, além do anunciado regresso da banda de James Murphy aos discos e da manutenção da pujança do coletivo liderado por John Dwyer, os !!! (Chk Chk Chk) serão talvez o projeto que ainda se consegue manter nas luzes da ribalta e assumir um protagonismo na defesa dos interesses de uma sonoridade que, sendo bem burilada é, sem dúvida, uma das mais atrativas no universo do rock.

A miscelânea assertiva entre rock e eletrónica que os !!! (Chk Chk Chk) nos oferecem neste Shake The Shudder, fica plasmada logo desde o início. Se o ligeiro travo R&B de The One2 é uma daquelas típicas canções de início de festa, com o falsete vocal e a batida seca a puxarem-nos sedutoramente para debaixo da bola de espelhos, depois o domínio do rock faz-se sentir em Dancing Is The Best Revenge, tema onde sobressai um aditivo refrão e que é conduzido por uma simples linha de baixo, acompanhada por uma bateria enleante e guitarras insinuantes, com a eletrónica a tomar as rédeas de NRGQ, canção adornada por guitarras de inspiração oitocentista e onde a voz de Lea Lea aprimora o travo vintage de um tema onde cabedal e lantejoulas se misturam sem pudor. E, logo nesse arranque ficam desfeitas todas as dúvidas sobre a boa forma dos !!! (Chk Chk Chk) e o modo como ainda nos fazem dançar e vibrar com ímpeto, quase até à exaustão, além de serem canções que plasmam o enorme talento de Nick Offer, quer como escritor quer como compositor e, principalmente, como agitador.

A partir daí, no sintético groove negro de Things Get Hard, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som dos !!! (Chk Chk Chk) no pós punk de Throw Yourself In The River e no modo inédito como o trombone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta R Rated Pictures, espraia-se nos nossos ouvidos e vibra de alto a baixo um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco mais ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:40
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Quinta-feira, 11 de Maio de 2017

The National - The System Only Dreams in Total Darkness

The National

Será a oito de setembro próximo que chegará aos escaparates e através da 4AD Sleep Well Beast, o tão aguardado novo registo de originais dos norte-americanos The National, que irá suceder a Trouble Will Find Me, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no já longínquo ano de 2013.

The System Only Dreams in Total Darkness é o primeiro single retirado de Sleep Well Beast, canção que coloca os The National no trilho de uma sonoridade cada vez menos sombria e com ênfase numa toada mais épica, aberta e dançável, demonstrando o cada vez maior ecletismo de um grupo consciente de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Confere The System Only Dreams In Total Darkness e a tracklist de Sleep Well Beast...

Nobody Else Will Be There
Day I Die
Walk It Back
The System Only Dreams In Total Darkness
Born To Beg
Turtleneck
Empire Line
I’ll Still Destroy You
Guilty Party
Carin At The Liquor Store
Dark Side Of The Gym
Sleep Well Beast


autor stipe07 às 11:55
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Segunda-feira, 8 de Maio de 2017

Grizzly Bear – Three Rings

Grizzly Bear - Three Rings

Até parece mentira, mas já foi em 2004 que Horn of Plenty estreou os nova iorquinos Grizzly Bear de Edward Dros, Daniel Rossen, Christopher Bear e Chris Taylor nos lançamentos musicais. Na época, o disco passou despercebido e até há quem não o inclua na discografia oficial da banda, até porque foi composto inteiramente pelo vocalista, Edward Dros, com apenas algumas contribuições do baterista, Christopher Bear. Agora, quase década e meia depois, irá chegar finalmente, o quinto disco dos Grizzly Bear, editado a dezoito de setembro através da Warp Records e já cinco anos depois do antecessor, o excelente Shields.

Three Rings é o primeiro single divulgado desse novo registo do quarteto norte-americano, ainda sem data de lançamento definida, uma canção que acaba por refletir muita da melancolia que era exposta nos primórdios da carreira dos Grizzly Bear, algo que se infere da camada de ruídos experimentais e compostos acinzentados que sustentam o tema, com o acrescento de arranjos onde contrastam elementos acústicos e elétricos e que deitam por terra qualquer sintoma de monotonia e repetição. Confere...


autor stipe07 às 21:38
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2017

Lcd Soundsystem - Call The Police vs American Dream

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Se já não restavam quaisquer dúvidas que 2017 iria ser o ano em que os LCD Soundsystem de James Murphy iriam editar o sucessor de This Is Happening, há poucas horas elas dissiparam-se completamente com a divulgação de duas novas canções desta banda nova iorquina, já disponíveis para audição. Call The Police e American Dream são os títulos destas composições intensas e melancólicas e que nos possibilitam usufruir de um mosaico declarado de referências, com a primeira a piscar o olho a uma mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon dos anos oitenta e a segunda, dentro da mesma bitola, a dividir-se num período introspetivo, para depois resvalar para um final épico e de maior exaltação.

Entretanto, James Murphy adiantou que o novo disco está quase pronto, que está bastante ansioso por terminá-lo e lançá-lo e que pretende que tenha uma edição em vinil, tendo também esclarecido que faltam apenas algumas vozes e misturas e que este foi o álbum que mais o divertiu e gozo lhe deu compôr, sentindo-se muito feliz com o conteúdo do mesmo. Confere...


autor stipe07 às 13:58
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Sexta-feira, 3 de Março de 2017

Clap Your Hands Say Yeah – The Tourist

Gravado em apenas uma semana em Filadélfia e misturado por Dave Fridmann, The Tourist é o novo disco dos norte americanos Clap Your Hands Say Yeah. Lançado a vinte e quatro de fevereiro último, este é já o quinto da carreira de uma banda oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, liderada pelo carismático por Alec Ounsworth e que há uma dúzia de anos causou enorme furor com um fabuloso homónimo junto de uma blogosfera atenta, que sempre os seguiu com devoção e na qual me incluo, até se tornarem, aos dias de hoje, num projeto de dimensão mundial.

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Nesse arranque de carreira, os Clap Your Hands Say Yeah começaram numa toada mais experimental, depois procuraram ser dançáveis, no antecessor Only Run (2014) optaram por uma sonoridade mais melancólica e introspetiva e uma troca do entusiasmo inicial por paisagens mais experimentais e negras, que puderam não agradar aos seguidores mais puristas da banda e agora, voltaram a olhar de novo, mas com um olhar ainda mais anguloso, para sonoridades mais ecléticas, tal como no início e com os anos oitenta em ponto de mira.

Logo na exuberância das cordas de The Pilot é intenso o travo a Talking Heads e depois, à medida que o baixo e a melodia sintetizada se vão apoderando da canção, percebe-se essa reaproximação ao vintage de outrora. A própria postura vocal em Fireproof, a recordar alguns dos melhores instantes da carreira de David Byrne e o modo como uma guitarra insinuante se vai entrecortando com a bateria, à medida que a canção progride, ampliam esta impressão, num disco com momentos intensos, mas onde também não falta algum daquele negrume punk que tipifica os Clap Your Hands Say Yeah

Esta espécie de metamorfose e ambivalência entre territórios mais luminosos e outros mais introspetivos, encontra justificação no baixo pulsante de Better Off e, em oposição, nas acusticidade enternecedora de Loose Ends, um dos temas mais belos da carreira deste projeto e no experimentalismo folk que abastece Visiting Hours. Depois, o andamento algo cru e efusiante de The Vanity Of Trying, canção onde a percussão hipnotiza e gela os nossos ouvidos e o mesmo clima festivo que se escuta em Ambulance  Chaser, canção conduzida por um sintetizador, que procura, teimosamente, assumir-se como um foco divergente das guitarras, apesar de nos remeterem de imediato para a herança do post punk dos anos oitenta, conseguem, de algum modo, conferir um cariz um pouco mais expansivo e aberto ao clima geral do disco.

Muitas vezes, em momentos de perca e de aparente infortúnio, a procura de novos ares e de uma identidade diferente pode ser uma solução conveniente ou ideal, dependendo dos resultados que acontecem com a ação dessa tomada de decisão. Teria sido mais simples para Alec seguir o habitual rumo de busca de novos conceitos e sonoridades, mas esta decisão de voltar a olhar um pouco para os primórdios da carreira da banda mantém acesa a chama dos mais puristas, num disco que atesta que os Clap Your Hands Say Yeah continuam a  merecer o seu lugar de relevo, diferencial e distinto no cenário musical alternativo. No futuro irão reencontrar este novo apelo como fizeram na estreia e, no entanto, nunca se sabe se acontece outra metamorfosoe. Na mente de Alec tudo parece possível. Espero que aprecies a sugestão...

Clap Your Hands Say Yeah - The Tourist

01. The Pilot
02. A Chance To Cure
03. Down (Is Where I Want To Be)
04. Unfolding Above Celibate Moon (Los Angeles Nursery Rhyme)
05. Better Off
06. Fireproof
07. The Vanity Of Trying
08. Loose Ends
09. Ambulance Chaser
10. Visiting Hours


autor stipe07 às 18:46
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Porcelain Raft – Microclimate

Depois de Strange Weekend (2012) e Permanent Signal (2013), Remiddi, um italiano nascido em 1972 e a viver em Nova Iorque, está de regresso com o seu projeto Porcelain Raft, fazendo-o à boleia de Microclimate, doze canções gravadas pelo músico em los Angeles, cidade californiana onde também foram misturadas por Chris Coady, tendo sido masterizadas já na costa leste por Heba Kaby.

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Remiddi é, claramente, um caso especial no universo sonoro indie e alternativo, pois pertence a uma geração que sempre se colou a uma sonoridade mais rock ou, pelo menos, algo distante do som típico deste projeto que batizou de Porcelain Raft. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011, este projeto foi ganhando respeito no seio da crítica devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno das suas composições, com os dois discos anteriores a este Microclimate não só a confirmarem as enormes expetativas de elevada bitola qualitativa do projeto, mas também a alargarem a amplitude e a abrangência sonora do mesmo.

Assim, e porque o cardápio sonoro de Porcelain Raft é cada vez mais heterógeneo e abrangente convém, antes de colocar um olhar e um ouvido clínicos em Microclimate, fazer uma espécie de exercício de auto contextualização e definir sobre que prisma queremos interpretar estas doze canções. Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música e acaba por nos contagiar também com tal abrangência.

Portanto, em Microclimate, a primeira pedra do edifício que Porcelain Raft escolheu para sustentar a sua música é aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida, com as batidas e o clima de Kookaburra e Distant Shore, por exemplo, a colocarem os anos oitenta em ponto de mira e com Rising a perpetuar este olhar de um modo mais introvertido e sentimental. E depois, porque esse também é um aspeto primordial da sua filosofia melódica e interpretativa, deu elevado relevo à sua voz andrógena, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e intenso em temros de nitidez no modo com expressa as sensações que a sua escrita pretende transmitir. Em Big Sur, canção inspirada numa localidade com o mesmo nome da Califórnia que Remiddi visitou e que o inspirou para este disco, é exemplar o modo como ele implora a uma terceira pessoa que regresse do casulo onde vive e o acompanhe vida fora e no mundo real, porque tudo irá ficar bem de novo (before you know it, all the answers are on the way).

Microclimate é o termo científico utilizado para designar uma área relativamente pequena cujas condições atmosféricas diferem da zona exterior e que surgem porque há barreiras geomorfológicas ou elementos naturais que confinam tal espaço. Remiddi terá escolhido este título para o seu terceiro álbum porque quer que cada uma das canções do seu alinhamento tenha uma identidade própria e única e que cada uma delas nos transporte para um universo psicossomático diferente e inédito. Missão cumprida. Espero que aprecies a sugestão...

Porcelain Raft - Microclimate

01. The Earth Before Us
02. Distant Shore
03. Big Sur
04. Rolling Over
05. Rising
06. Kookaburra
07. The Greatest View
08. Bring Me To The River
09. Accelerating Curve
10. The Poets Were Right
11. Zero Frame Per Second
12. Inside The White Whale


autor stipe07 às 18:16
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016

Tim Burgess And Peter Gordon – Same Language, Different Worlds

Foi já a dois de setembro e à boleia da O Genesis que chegou aos escaparates Same Language, Different Worlds, um tomo de nove canções que resulta de uma colaboração profícua entre Tim Burgess, vocalista dos The Charlatans e o mítico Peter Gordon, que já na casa dos sessenta anos, continua a ser um mestre do rock experimental, tendo feito parte dos créditos de discos dos The Love of Life Orchestra, Laurie Anderson e The Flying Lizards, entre outros. Os dois músicos conheceram-se em Nova Iorque, no já longínquo ano de 2012 e desde então começaram a incubar e a gravar estas canções que contam com a participação especial de Ernie Books (participou com Arthur Russel no primeiro álbum dos Modern Lovers), Peter Zummo (trombone), Mustafa Ahmed (congas) e Nik Voyd (DFA) e são inspiradas no trabalho que em tempos Gordon desenvolveu com os já referidos The Love Of Life Orchestra, um dos nomes mais relevantes do catálogo da DFA de Peter Murphy.

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Quem estiver à espera de encontrar nestas novas canções a típica sonoridade dos The Charlatans, banda que na década de noventa misturou o rock clássico com sonoridades mais experimentais, encabeçando um verdadeiro motim sonoro, para regozijo da agitada juventude britânica, sempre sedenta de novas experiências e daquela efervescência que o clima local não proporciona e que acaba por ser a música, muitas vezes, a ter esse papel agitador e impulsivo, desengane-se, porque o que temos neste Same Language, Different Worlds é uma exploração de paisagens sonoras que, obedecendo também a um conceito estilístico eminentemente experimental, procuram recriar um ambiente futurista algo glam, mas sem deixar de acomodar-nos temporalmente nas mais recentes tendências. O single Begin não terá sido escolhido de modo inocente para abrir o alinhamento, já que a forte sintetização do teclado, entrelaçada com o timbre soturno da voz de Burgess e o estrilho agudo de uma guitarra planante, plasmam essa convivência entre aqueles que são hoje alguns dos traços mais vincados da pop eletrónica e os novos horizontes que se vão colocando ao próprio rock

No restante alinhamento do disco, não pode passar em claro a soul negra de Say, o luminoso e aquático single Ocean Terminus, o groove pop que sobrevive da fusão entre saxofone e batidas em Around e Being Unguarded, com esse mesmo saxofone a transmitir uma alma incrível à irónica Tracks Of My Past e o tributo ao rock dos anos quarenta deste século feito em com Temperature High, tema onde a vasta miríade de arranjos orgânicos impressiona, assim como alguns instrumentos de percussão algo inéditos,com destaque para o bongo. Quer estas quer as restantes canções são uma resoluta declaração de sobrevivência misturada com a reflexão que esta dupla certamente faz sobre o seu som e o modo como o viveram nos mais variados projetos em que se envolveram e em como ele pode sobreviver imaculado à passagem do tempo e deixar marcas impressivas para o futuro próximo. Same Language, Different Worlds é, em suma, um excelente trabalho de rock mutante, que dá vida a letras impressivas e inspiradas, num disco atemporal e revivalista, porque é de hoje, mas pode vir a ser novamente editado lá para 2040. Espero que aprecies a sugestão...

Tim Burgess And Peter Gordon - Same Language, Different Worlds

01. Begin
02. Say
03. Around
04. Being Unguarded
05. Ocean Terminus
06. Temperature High
07. Like I Already Do
08. Tracks Of My Past
09. Oh Men


autor stipe07 às 18:23
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