Terça-feira, 5 de Julho de 2016

Caveman – Otero War

Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e de um homónimo lançado dois anos depois, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Otero War, um registo lançado a dezassete de junho último, por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico rock norte americano, desta vez procurando recriar uma espécie de narrativa sci-fi, como exemplarmente ilustra também, além das doze canções, o artwork de Otero War, da autoria de ilustrador Marc Ericksen.

Tal como os dois discos antecessores, este terceiro alinhamento da carreira dos Caveman pode servir como exemplo do estado atual do indie rock nesta segunda década do século XXI. A exuberância da bateria e das guitarras e o modo como as teclas se entrelaçam nesse pulsar orgânico que se estabelece entre cordas e percussão, é um bom exemplo do modo como trinta anos depois dos gloriosos anos oitenta ainda é possível construir baladas pop, plenas de ritmo e intensidade e, simultaneamente, com aquela sensibilidade desarmante capaz de tocar no coração mais empedrenido. Os sintetizadores de Life Or Just Leaving e o modo como em dois ou três acordes apenas exaltam a mensagem otimista de Believe, reforçam o ideário comparativo acima descrito, agora num modo mais contemplativo e os efeitos que enfeitam o frenesim de On My Own são outro detalhe que atesta o modo assertivo como estes Caveman expressam todo um catálogo de sons e estratégias de composição melódica que consolidam o indie rock atual.

Apesar do nome da banda, estes Caveman não têm muito de cavernoso e obscuro. Mesmo quando em Project o baixo salta para a linha da frente e uma certa toada punk assalta o edifício sonoro da canção, isso serve apenas para reforçar o ecletismo e a abrangência de um disco com uma sonoridade bastante pop e acessível. As canções também se destacam pela voz de Matthew e o vigor da bateria de Stefan é outro trunfo essencial, como se percebe, por exemplo, na cadência de Human, mais uma composição que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje não deixa ainda, como se percebe neste Otero War, de ser um manancial de inspiração no momento de compôr. 

Numa época em que muitos críticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção essa crítica, assentando tal permissa não só na elevada qualidade da sua seleção instrumental, mas também numa habilidade lírica incomum e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.

Disco dominado essencialmente pelas guitarras, há em Otero War um notório amadurecimento na forma desta banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...

Caveman - Otero War

01. Never Going Back
02. Life Or Just Living
03. On My Own
04. Project
05. Lean On You
06. The State Of Mind
07. 80 West
08. Human
09. Believe
10. Over The Hills
11. All My Life
12. I Need You In My Life


autor stipe07 às 22:20
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 13 de Junho de 2016

Leapling - Suspended Animation

Depois de no início de 2015 me terem espantado com o fabuloso Vacant Page, os nova iorquinos Leapling, um quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione e que plana em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica, regressaram aos lançamentos discográficos com Suspended Animation, um álbum que viu a luz do dia a dez de junho, através da Exploding In Sound.

Hey Sister, Alabaster Snow e One Hit Wonder são alguns dos momentos altos de Suspended Animation, um trabalho que continua a revelar extraordinários acordes de guitarra com um comovente objetivo melódico, como só estes Leapling nos sabem oferecer. Tal é, sem dúvida, o resultado de todas as experiências acumuladas por Dan Arnes, o líder do projeto, além, claro, das referências melódicas típicas do grupo, que da herança que os The Beach Boys, os The Kins e os The Smiths, passando pelos Wilco, nos deixaram, parece também utilizar referências do próprio quotidiano para construir um panorama instrumental e lírico que pende ora para o rock experimental, ora para a indie pop adocicada e acessível.

Estes Leapling continuam a provar serem mestres no desenvolvimento de uma instrumentação radiante, reflexo da capacidade do grupo em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que se repete neste Suspended Animation, disco que fala de paixão e de amor, como os melhores psicoativos sentimentais que podemos usar, mas também de portas que se abrem para nunca mais se fechar, decisões difíceis e manhãs irrepetíveis, exemplos felizes do lado mais sensível e emotivo deste grupo. E o que mais sobressai durante a audição integral do trabalho é a perceção clara que os Leapling optaram por ligar a sua faceta experimental a pleno gás, obtendo um balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, mas sem nunca descurar aquela particularidade fortemente melódica que já define o arquétipo das suas composições. Espero que aprecies a sugestão...

Leapling - Suspended Animation

01. I Decide When It Begins
02. Alabaster Snow
03. Don’t Move Too Fast
04. Shakin’
05. You Lemme Know
06. Suspended Animation
07. One Hit Wonder
08. Hey Sister
09. Why Can’t You Open Up Your Door?
10. Good Morning (It’s Okay)
11. Time Keeps Tickin’


autor stipe07 às 23:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 7 de Junho de 2016

Psychic Ills – Inner Journey Out

Um das mais curiosas apostas do catálogo da Sacred Bones Records são os Psychic Ills, um projeto norte americano oriundo da big apple e que desde 2003 tem divagado por um universo de explorações sonoras que criam pontos de interseção seguros e estreitos entre eletrónica, rock ambiental e rock progressivo, sempre com uma toada eminentemente lo fi e psicadélica, que até nem dispensou alguns artifícios caseiros de gravação, como se percebe em Inner Journey Out, o quinto disco do grupo, editado no passado dia três de junho pela referida etiqueta.

Tocar a nostalgia e dar vida a uma sensação tão singela e simultaneamente perene como essa requere, obrigatoriamente, uma jornada sonora com uma elevada dose de bom gosto e que busque uma harmonia e um rigor instrumentais que são, quanto a mim, uma imagem de marca destes Psychic Ills. Essa evidência fica plasmada bem cedo, durante a audição de Inner Journey Out, não só na escuta do orgão de Back To You e no modo como os instrumentos percussivos e de sopro vão sendo adicionados à melodia, à medida que a emotividade vocal de Tres Warren toma conta do nosso âmago, mas também, e principalmente, no ritmo efusiante, marcado pelo baixo rugoso e pelo compasso de uma bateria intransigente nos tempos e que se vai deixando enlear por uma distorção de guitarra a espumar aquele blues tipicamente americano até ao tutano, em Another Change, mas também na luminosidade das cordas da folk boémia e contemplativa de I Don't Mind, canção que conta com a participação especial de Hope Sandoval (Mazzy Star) e que na componente eletrificada, também ressuscita alguns dos melhores atributos do cardápio de efeitos que define a típica guitarra do outro lado do atlântico e que exala uma mansidão folk rock psicadélica incomum e capaz de nos envolver num torpor intenso.

Já completamente absorvidos por um início de alinhamento tão intenso e incandescente, levamos um soco no baixo ventre quando entra pelos nossos ouvidos Mixed Up Mind, canção que, quanto a mim (e como ninguém vai ler isto, posso dizê-lo abertamente), tem na sua génese tudo para ser sexualmente bastante apelativa e funcionar como um verdadeiro e eficaz estimulante. Na verdade, quer esta Mixed Up Mind, quer All Alone, parecem uma espécie de parelha inseparável, dois temas que se enrolaram sem apelo nem agravo, envoltos numa sonoridade que faz com que pareçam ter estado presos num qualquer transítor há várias décadas e que finalmente libertados com o aconchego que a evolução tecnológica destes dias permite, tendo ficado disponíveis algures num assento almofadado virado para uma solarenga praia, no início daquela madrugada que todos vivemos uma vez na vida, ou na cama mais confortável lá de casa, com vista para um vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, se bem acompanhados, oferece-nos uma estadia de magia e delicadeza invulgares.

Até ao final aguardam-nos muitas outras surpresas e instantes de difícil mas bastante acessível e recompensadora catalogação sonora, que experimentados à boleia do cinismo de Coca-Cola Blues, da simplicidade crua de Music In My Head e da exuberância e majestosidade de Ra Wah Wah, permitem-nos a absorção plena e dedicada de uma assumida grandiosidade celestial, onde o retro se confunde com charme, uma simbiose à qual é impossível ficar indiferente, imbuída de uma salutar complexidade que coloca os autores rumo ao típico rock que se situa num patamar superior de abrangência.

Estes Psychic Ills deixam-nos viajar no tempo e enquanto nos fazem recuar quase meio século, sob o efeito soporífero de canções que parecem não ter um tempo exato para viverem e que se deixam espraiar até ao limite de tudo aquilo que têm de sublime para nos transmitir, oferecem-nos uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos deixou até hoje. Espero que aprecies a sugestão... 

Psychic Ills - Inner Journey Out

01. Back To You
02. Another Change
03. I Don’t Mind
04. Mixed Up Mind
05. All Alone
06. New Mantra
07. Coca-Cola Blues
08. Baby
09. Music In My Head
10. No Worry
11. Hazel Green
12. Confusion (I’m Alright)
13. Ra Wah Wah
14. Fade Me Out


autor stipe07 às 23:23
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 6 de Junho de 2016

Beck - Wow

Beck - Wow

Depois de mais de meia de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, regressou em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora, com a divulgação de um novo single intitulado Wow, se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço, depois de no verão passado ter igualmente surpreendido com outro single intitulado Dreams.

Entre o hip-hop e o R&B, Wow deverá fazer parte do alinhamento do próximo disco de Beck e, de acordo com o músico, o sucessor de Morning Phase será um trabalho completamente diferente e misturará garage rock com dance music. Assim, além de ter sido uma enorme surpresa, esta canção merece destaque porque nela Beck colaborou com vários ilustradores, designers gráficos e artistas, nomeadamente o português Bráulio Amado. Este designer gráfico vive em Brooklyn, Nova Iorque e foi, juntamente com o realizador Jimmy Turrell, co-responsável pela direcção de arte do tema. Confere...


autor stipe07 às 23:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 1 de Junho de 2016

Porches – Pool

Foi em fevereiro que regressou aos lançamentos discográficos um dos projetos mais interessantes da pop alternativa nova iorquino da última meia década. Refiro-me aos Porches de Aaron Maine, grupo já com seis discos em carteira, sendo o último Pool, doze canções efusiantes e impregnadas com um entusiasmo ímpar, que da pop mais clássica ao jazz, passando pelo R&B, a eletrónica e o rock mais rugoso, abarca um alargado leque de influências e detalhes, que merecem atenção e audição dedicadas.

O sintetizador abafado de Underwater faz-nos submergir, de imediato, para um mundo em que, como o título do álbum sugere, festa e água se confundem, numa teia que nos enrola e nos pode deixar completamente inertos e submissos. Aliás, o charme inebriante da batida de Braid e, mais adiante, das teclas do introspetivo R&B que alimenta o tema homónimo, dão-nos as mãos e conduzem-nos para um canto onde somos completamente seduzidos e dominados por um mundo onde estamos rodeados de biquinos curvilíneos e troncos delineados, um cenáro idílico para quem tem aquilo a que usualmente e duvidosamente chamam bom gosto e glamour.

Pool prossegue, quase sem darmos por isso e a cândura retro de Glow e a exuberância e majestosidade de Be Apart, conferida pelo modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam nesse tema, não permitem que vacilemos na demanda por um cruzar de olhares que será certamente fatal, mesmo que, logo depois e em oposição, o trompete descarado, a bateria empolgante e o piano com uma tonalidade mais nostálgica, reflexiva e introvertida de Shaver, nos faça acordar um pouco enquanto nos oferece esta eficaz oscilação e simbiose entre os dois mundos sonoros onde estes Porches se movem, com elevada  mestria, criatividade, heterogeneidade e confiança.

Não é possível deixar para trás Pool sem referir e enfatizar o modo como a voz de Maine dá relevo a tons mais agudos e a emoção que transborda, intensae efusiva em Shape, por exemplo, em pouco mais de trinta minutos que plasmam uns Porches a procurar um cada vez maior ecletismo e a tentar estabelecer um óbvio progresso relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes, impressiona neste alinhamento o modo como os Porches exploram territórios menos imediatos e emotivamente mais intrincados e abrangentes e estes nova iorquinos parecem perceber que as grandes bandas atingem elevados patamares quando se reinventam-se permanentemente e exploram diferentes campos musicais. Espero que aprecies a sugestão...

Porches. - Pool

01. Underwater
02. Braid
03. Be Apart
04. Mood
05. Hour
06. Even The Shadow
07. Pool
08. Glow
09. Car
10. Shaver
11. Shape
12. Security


autor stipe07 às 21:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

Leapling - Suspended Animation (preview)

Depois de no início de 2015 me terem espantado com o fabuloso Vacant Page, os nova iorquinos Leapling, um quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione e que plana em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica, preparam-se para regressar aos lançamentos discográficos com Suspended Animation, um álbum que irá ver a luz do dia já a dez de junho, através da Exploding In Sound.

Hey Sister, Alabaster Snow e One Hit Wonder são os três temas já divulgados de Suspended Animation, um trabalho que deverá continuar a revelar extraordinários acordes de guitarra com um comovente objetivo melódico, como só estes Leapling nos sabem oferecer. Tal é, sem dúvida, o resultado de todas as experiências acumuladas por Dan Arnes, o líder do projeto, além, claro, das referências melódicas típicas do grupo, que da herança que os The Beach Boys, os The Kins e os The Smiths nos deixaram, parece também utilizar referências do próprio quotidiano para construir um panorama instrumental e lírico que pende ora para o rock experimental, ora para a indie pop adocicada e acessível.

Estes Leapling continuam a provar serem mestres no desenvolvimento de uma instrumentação radiante, reflexo da capacidade do grupo em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que deve repetir-se, portanto, no novo disco da banda, que será cuidadosamente dissecado por cá logo após o lançamento. Confere...


autor stipe07 às 16:51
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Ra Ra Riot – Need Your Light

Lançado a dezanove de fevereiro último através da Barsuk Records, Need Your Light é o mais recente registo discográfico dos norte americanos Ra Ra Riot de Milo Bonacci, Wes Miles, Mathieu Santos, Rebecca Zeller, Kenny Bernard e John Pike, uma banda oriunda de Siracusa, nos arredores de Nova Iorque e com mais de uma década de uma já respeitável carreira, que tem merecido cada vez maior atenção da crítica especializada, um efeito que este quarto longa duração do grupo irá certamente ampliar.

Produzido por Rostam Batmanglij e Ryan Hadlock, Need Your Light mantém os Ra Ra Riot no trilho de um indie rock bastante melódico e sentido, que agrega eficazmente guitarras e efeitos sintetizados, uma estratégia de composição simbiótica que se mantém intacta desde o extraordinário The Rhumb Line, o disco de estreia do grupo, editado em 2008.

Álbum após álbum, a concepção sonora dos Ra Ra Riot, parecendo algo estanque, já que a bitola é curta e, instrumentalmente, o grupo não costuma variar demasiado, não deixou que o grupo deixasse de conseguir ir inovando e de apresentar novas nuances, pois houve sempre a busca de uma recomendável versatilidade, principalmente ao nível da panóplia de arranjos e distorções das guitarras que foram sendo sugeridas. Assim, se o ambiente mais festivo de Beta Love, o antecessor deste Need Your Light, entroncou em alguns dos pilares essenciais da pop atual, agora é declaradamente assumido um piscar de olhos a territórios mais experimentais e progressivos, com as batidas e os sintetizadores de Water Call Me Out e o abraço nostálgico que nos é oferecido pelas guitarras de Absolutely e de Every Time I'm Ready To Hug, a destacarem-se num alinhamento que prima também pela versatilidade vocal, na demanda de um equilíbrio nem sempre fácil de obter entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes músicos em testar, sempre dentro da tal baliza, novos arranjos, técnicas e sonoridades.

Os leitores mais atentos e conscientes da realidade musical e identitária dos Ra Ra Riot, ao escutarem a discografia da banda cronologicamente, acabarão por perceber que o conteúdo deste Need Your Light é, de certa forma, um passo lógico, na medida em que o próprio percurso anterior já tinha deixado algumas pistas sobre a vontade do grupo em apostar numa maior primazia dos sintetizadores, até porque estes nova iorquinos sempre provaram ser uma banda inquieta e que não repete a rigor a última rota que percorreu. Espero que aprecies a sugestão...

Ra Ra Riot - Need Your Light

01. Water
02. Absolutely
03. Foreign Lovers
04. I Need Your Light
05. Bad Times
06. Call Me Out
07. Instant Breakup
08. Every Time I’m Ready To Hug
09. Bouncy Castle
10. Suckers


autor stipe07 às 22:02
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 26 de Abril de 2016

We Are Scientists – Helter Seltzer

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos com Helter Seltzer, o quinto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Logo no trocadilho entre uma conhecida marca de águas internacional e o clássico dos The Beatles Helter Skelter fica expressa a habitual boa disposição de uma banda que muitas vezes parece pedir para não ser levada demasiado a sério, apesar de já amealhar na sua herança alguns pergaminhos sonoros que apesar de inapelavelmente fazerem alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos e as t-shirts coloridas e convidarem a que se ponha o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa, também são verdadeiros marcos sonoros, já que temas como Nobody Move, Nobody Get Hurt ou The Great Escape e Impatience, são hinos não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

A banda sonora destes We Are Scientists e de Helter Seltzer firma-se, pois, no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, um rock algo inofensivo e que em canções como Buckle ou a rugosa Classic Love se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor às composições.

Cada uma destas novas dez músicas que os We Are Scientists propôem reflete, portanto, um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de canções que vão cair facilmente no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo. O grande segredo dos We Are Scientists reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar, por isso, aproveitem bem o spotify abaixo e se a festa estiver divertida e onde quer que se encontrem, desde que este disco esteja a tocar e a cerveja esteja fresquinha é só avisar-me que se estiver nas redondezas irei ter convosco. Fico à espera de um convite e espero que aprecies a sugestão...

We Are Scientists - Helter Seltzer

01. Buckle
02. In My Head
03. Too Late
04. Hold On
05. We Need A Word
06. Want For Nothing
07. Classic Love
08. Waiting For You
09. Headlights
10. Forgiveness

 


autor stipe07 às 18:23
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 20 de Abril de 2016

Parquet Courts - Human Performance

Lançado a oito de abril por intermédio da Rough Trade Records, Human Performance é o novo registo de originais dos norte americanos Parquet Courts, uma banda nova iorquina formada pelos guitarristas Andrew Savage e Austin Brown, o baixista Sean Yeaton e o baterista Max Savage e um dos coletivos do universo indie e alternativo mais aclamados da última meia década, muito por culpa de canções que parecem viajar no tempo e que, disco após disco, vão amadurecendo numa simbiose certeira entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

Abrigados numa filosofia instrumental que nos remete facilmente, por exemplo, para a herança dos The Velvet Underground de John Cale, os Parquet Courts servem-se de arranjos sujos e guitarras desenfreadas, às vezes com uma forte índole psicadélica. Este detalhe também aproxima o grupo do lado do lado de cá do atlântico, até à herança de nomes como os Television ou os Talking Heads e até os britânicos Wire. Assim, chegam a Human Performance na fase mais madura da sua curta, mas já rica, carreira e com vontade de bater ensurdecedoramente às portas de um sucesso que materialize numa superior e merecida exposição a um número cada vez maior de ouvintes, já que este quarteto é, sem sombra de dúvidas, um dos coletivos mais excitantes e inovadores do espetro musical em que se movimenta.

Como não podia deixar de ser e tendo em conta os álbuns anteriores, nomeadamente o fabuloso Sunbathing Animal, trabalho que há dois anos tirou os Parquet Courts definitivamente das sombras, Human Performance é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das suas diferentes composições, sempre com o acompanhamento exemplar do baixo, mas é dado, desta vez, um maior relevo à vertente sintética, com Dust, logo na abertura do alinhamento, a cimentar esta nova nuance. Apesar de estar impecavelmente produzido, este é um registo que não deixa de soar a um daqueles trabalhos que parece ter sido gerado por artifícios caseiros de gravação, além de não descurar métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu o rock de finais dos anos setenta, até ao período aúreo do rock alternativo de final do século passado.

Savage continua a escrever canções para ouvir a qualquer hora do dia, sem que necessariamente seja preciso uma solução filosófica para desvendar os seus versos e entrega-se de forma mais incisiva à escrita, com temas como Steady On My Mind ou I Was Just Here a levarem-nos do tédio à euforia, respetivamente, num ápice, não faltando questões relacionadas com o amor (Captive Of The Sun) e sendo também possível visualizar histórias de vida comuns, através da audição de retratos honestos sobre pessoas, percetível em Two Dead Cops, ou sentimentos, bem vincados na ode explosiva de One Man, No City, que é bem capaz de se basear numa Nova Iorque cheia de gente algo inócua, mas que não deixa de ser honesta e de ter o seu encanto.

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Human Performance possa suscitar, este tomo de canções possibilita-nos apreciar uns Parquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, que chegam a 2016 instalados no seu trabalho mais consistente e ousado, uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles e passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Dust
02. Human Performance
03. Outside
04. I Was Just Here
05. Paraphrased
06. Captive Of The Sun
07. Steady On My Mind
08. On Man, No City
09. Berlin Got Blurry
10. Keep It Even
11. Two Dead Cops
12. Pathos Prairie
13. It’s Gonna Happen


autor stipe07 às 21:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 18 de Abril de 2016

Bear Hands – You’ll Pay For This

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Bear Hands são Dylan Rau, Ted Feldman, Val Loper, TJ Orsche, uma banda norte americana que editou no último dia quinze e à boleia da Spensive Records, You'll Pay For This, o terceiro disco de uma carreira já com nove anos e que conseguiu cimentar-se numa posição de particular relevo graças ao excelente Distraction, o antecessor deste novo registo, que há pouco de dois anos chamou imenso a atenção junto da crítica especializada e também desta publicação.

Assim que comecei a escutar este disco achei logo que me soava a algo familiar e que seria um trabalho de fácil assimilação. Mas a verdade é que, poucos instantes depois, percebi que estava na presença de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo, mas também cheio de tiques caraterísticos do pop punk, do eletropop e do rock clássico dos anos oitenta, logo bem presentes nos efeitos, na distorção e no clima soturno e cru de I Won't Pay.

De facto, neste You'll Pay For This os Bear Hands demonstram uma interessante maturidade, quer como escritores de canções mas, principalmente, como criadores de melodias. Se o single 2AM destaca-se por um clima simultaneamente etéreo e majestoso, ampliado pela imponência vocal de Rau, que depois se vai repetir, mas num registo diferente, no curioso piscar de olhos ao hip hop em Déjà Vu, o grande momento de You'll Pay For This acaba por materializar-se na forma como em Like Me Like That esta postura vocal se mistura com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, em simbiose com excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral.

Se em apenas um tema do disco é possível aferir todos os melhores atributos que definem a forma atual destes Bear Hands, além das composições já referidas, não deve passar em claro a luminosidade melódica da intrigante Marathon Man, uma canção que assenta numa densa parede melódica claramente progressiva, assim como a otimista e sedutora Purpose Filled Life, um festim de cordas e efeitos que vão-se enleando e sobrepondo, encerrando da melhor forma um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a canções com um ritmo variado e que tanto sabem aquela urgência do rock dos anos oitenta, como às tendências mais atuais do indie rock que, nitidamente, aposta numa mescla de géneros e estilos sem regras ou convenções.

Hoje em dia, com a multiplicidade de propostas que diariamente chegam aos nossos ouvidos, frequentemente instala-se a confusão e são ténues as fronteiras entre aquilo que é indie ou pop, independentemente da fórmula ser eminentemente orgânica ou sintética. O foco acaba por se direcionar, no meu caso concreto, para a qualidade e para a capacidade que, independentemente do balizamento ou da rotulagem que esteja tentado a fazer, alguns discos têm de transmitir sensações, sejam elas rudes, sinceras, emotivas, simples ou intrincadas. Os Bear Hands são de difícil catalogação, talvez ainda estejam à procura do rumo certo mas, quanto a mim, são bons e serão grandes se optarem sempre por esta miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza You'll Pay For This. Espero que aprecies a sugestão...

Bear Hands - You'll Pay For This

01. I Won’t Pay
02. 2AM
03. Boss
04. Déjà Vu
05. Too Young
06. The Shallows
07. Like Me Like That
08. Chin Ups
09. Marathon Man
10. Winner’s Circle
11. I See You
12. Purpose Filled Life


autor stipe07 às 18:00
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Julho 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
12

17

24
26
27
28
29
30

31


posts recentes

Caveman – Otero War

Leapling - Suspended Anim...

Psychic Ills – Inner Jour...

Beck - Wow

Porches – Pool

Leapling - Suspended Anim...

Ra Ra Riot – Need Your Li...

We Are Scientists – Helte...

Parquet Courts - Human Pe...

Bear Hands – You’ll Pay F...

Yeasayer - Amen and Goodb...

Woods – City Sun Eater In...

Ghost King - Bones

School Of Seven Bells – S...

Ghost King - When The Sky...

Eleanor Friedberger – New...

Youthless - This Glorious...

Sufjan Stevens - Chicago ...

LNZNDRF – LNZNDRF

DIIV - Is The Is Are

X-Files

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds