Domingo, 2 de Agosto de 2015

Summer Fiction – Himalaya

Depois de um homónimo lançado em 2011, o nova iorquino Bill Ricchini, aka Summer Fiction, está de regresso aos discos com Himalaya, um compêndio de dez canções e três temas bónus, disponíveis para audição no bandcamp do projeto e que foram misturadas por Geoff Sanoff e masterizadas por Joe Lamber.

Bill Ricchini é um confesso admirador da herança deixada pelos Beach Boys e audaz não só no modo como emula os seus ídolos, mas também como os elogia, logo na exuberância das cordas de On And On ou no tamborim de Lauren Lorraine, mas também na acústica folk de By My Side, no lindíssimo piano que orienta Manchester e no orgão celestial de Cathedral.

Mas, na verdade, mais importante do que fazer apenas um exercício lato e comparativo com referências óbvias, importa abordar a génese criativa deste músico norte americano que domina o modus operandi capaz de nos oferecer uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a pop nos últimos trinta anos. E fá-lo atráves de canções bem estruturadas, comandadas pela guitarra mas devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida não só pelas cordas mas também pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que parece caraterizar a personalidade deste projeto, que criou neste álbum um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

Em Himalaya o esplendor das cordas é transversal e recorrente, mas tanto pode ocorrer de modo eletrificado, mas também acústico. O andamento luminoso adornado por efeitos empolgantes em Perfume Paper ou o dedilhar caliente da viola que conduz Genevieve comprovam-no e, na mesma medida, contribuem de modo notável para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que possui um espírito nostálgico e sentimental apurado e que carateriza igualmente a sua escrita e composição.

Himalaya é uma prova bastante audível de uma notável fusão entre um intenso recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e tranquila de paisagens sonoras, que não só encontram a sua riqueza no registo vocal, mas também nas janelas instrumentais e líricas que se abrem ao ouvinte que se predispõe a saborear com o preguiçoso deleite o sumo que canções como a já citada Manchester ou o tema homónimo claramente exigem. Mas não posso também deixar de destacar a delicadeza da já referida By My Side e o charme único de Dirty Blonde, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível das cordas e da percurssão de Religions Of Mine, num disco que será, certamente, justamente considerado como um marco fundamental na carreira de um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado. Espero que aprecies a sugestão...

Summer Fiction - Himalaya

01. On And On
02. Dirty Blonde
03. Perfume Paper
04. Himalaya
05. Lauren Lorraine
06. Genevieve
07. Religion Of Mine
08. Manchester
09. By My Side
10. Cathedral
11. Perfume Paper Demo (Bonus)
12. Dirty Blonde Demo (Bonus)
13. Lauren Lorraine Instrumental (Bonus)


autor stipe07 às 21:13
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Sábado, 25 de Julho de 2015

Doubting Thomas Cruise Control - Sof Focus

Bobby Cardos, Sean Kelly, Chris Sprindis e Joe McCarthy são os Doubting Thomas Cruise Control, um coletivo norte americano oirundo de Brooklyn, Nova Iorque e que orienta a sua sonoridade por um vasto espetro que vai do rock alternativo mais clássico até ao punk.

Remember Me John Lydon Forever será o próximo registo de originais da banda, um trabalho que irá ver a luz do dia a catorze de agosto através da Duckbill Records e a insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Soft Focus, o último single divulgado de Remember Me John Lydon Forever é um festim inebriante, feito com guitarras distorcidas, uma voz que ruge sem desafinar e que exala um espírito jovem e bastante beliçoso. Fica logo claro que os Doubting Thomas Cruise Control não caiem na tentação de complicar e não se deixam levar por experimentalismos e arranjos desnecessários, conseguindo partir em busca de alguns detalhes do rock sem descurar um salutar sentido mais brando ou melancólico, havendo uma componente melódica particularmente assertiva neste tema. Confere...

 

 


autor stipe07 às 13:54
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2015

Son Lux – Bones

Editado no passado dia vinte e três de junho, Bones é o novo trabalho dos Son Lux, um trio oriundo de Nova Iorque liderado por Ryan Lott e ao qual se juntam, ao vivo, Rafiq Bhatia e Ian Change. Falo de um projeto que sobrevive à luz de uma indie pop eletrónica de forte cariz ambiental, feita com uma míriade imensa de instrumentos e elaboradas cenografias sonoras, que transcendem as noções de género e fronteira, sem nunca se perder de vista a ideia da canção.

Bones, o quarto álbum da carreira dos Son Lux, é um excelente exemplo de como um disco feito quase exclusivamente com uma instrumentalização baseada em software informático, pode também criar canções com vida, substância e com um elevado pendor orgânico. A eletrónica é aqui um elemento preponderante e a presença de outros instrumentos serve apenas para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes. 

Logo a abrir e após a enigmática intro Breat In, o esplendor de Change Is Everything dá-nos a certeza que estamos perante um álbum épico e cheio de luz. Isso sucede também devido à forma emotiva como Ryan canta a canção, um atributo precioso para dar ao tema essa vertente grandiosa. A míriade instrumental desse tema inclui arranjos com sons de sinos e uma percussão abrasiva e, logo a seguir, os flashes vigorosos da bateria eletrónica de Flight, adornados por samples de flautas e xilofones digitais, comprovam o virtuosismo de Son Lux em frente do computador e o seu génio na criação de texturas sonoras.

No restante alinhamento de Bones percebe-se uma maior dinâmica estrutural das canções relativamente aos trabalhos anteriores, um novo espírito mais superlativo, mas sem haver perda de controle, apesar de Lott arriscar frequentemente não só em variações rítmicas, mas também em densidade e volume, numa mesma canção. O rigor hipnótico do efeitos de You Don't Know Me e os flashes de cordas e as palmas, a toada tribal de Undone adornada depois por uma guitarra cristalina, ou a percussão exórica e cavernosa de Now I Want, são bons exemplos desta riqueza compositória claramente intuitiva e cerebral, que origina uma espécie de eletrónica minimalista mas ampliada até ao máximo do seu potencial. Já a melancolia de White Lies, que se desbrava num misto de euforia e contemplação, à medida que os diferentes efeitos vão-se revezando na linha da frente da estrutura melódica da composição e a espantosa solidez de I Am The Others, uma canção com diferentes linhas agrestes mas que exalam um intimismo romântico bastante peculiar, além de serem excelentes exemplos do que melhor se vai ouvindo na eletrónica atual, são mais dois temas que aprimoram eficazmente a atmosfera sonora de um grupo com uma direção sonora que às vezes parece recuar duas décadas, no modo como cruza sintetizadores e vozes com uma forte toada nostálgica e contemplativa.

Simples e intrigante, fortemente hermético e fechado num casulo muito próprio, Bones está revestido com uma eletrónica que exige particular dedicação, mas que recompensa quem se atreve a descobrir os seus recantos mais profundos e a procurar desbravar os territórios sonoros que decalca. Espero que aprecies a sugestão... 

Son Lux - You Don't Know Me

01. Breathe In
02. Change Is Everything
03. Flight
04. You Don’t Know Me
05. This Time
06. I Am The Others
07. Your Day Will Come
08. Undone
09. White Lies
10. Now I Want
11. Breathe Out


autor stipe07 às 21:15
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Domingo, 14 de Junho de 2015

Widowspeak - All Yours

Widowspeak - All Yours

Molly Hamilton & Robert Earl Thomas são os Widowspeak, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas atualmente sedeados em Brooklyn, Nova Iorque. Depois de vários singles lançados no início da presente década e disponíveis no bandcamp da banda e do disco homónimo de estreia, editado em 2011, chegou, em 2013, Almanac, sendo o sucessor desse disco All Yours, um trabalho que irá ver a luz do dia a quatro de setembro através da Captured Tracks.

A dream pop e os acertos típicos do rock alternativo de cariz mais urbano ditam as regras em All Yours, tema homónimo deste novo disco dos Widowspeak e canção com um forte cariz bucólico. A presença das guitarras, logo desde o início, ajuda a canção a assumir uma representação curiosa e bem estruturada de tudo o que marca o atual momento desta dupla nova iorquina; Enquanto a voz de Hamilton, bastante orgânica, representa a busca do campestre, as cordas tocadas por Thomas fazem a ponte com o passado da dupla. Confere...


autor stipe07 às 15:14
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Sábado, 6 de Junho de 2015

A Place To Bury Strangers - Transfixiation

Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers estão de regresso aos discos com Transfixiation, um trabalho editado a dezassete de fevereiro pela Dead Oceans e que sucede a Worship, um álbum lançado em 2012 e que, tal como este novo registo, explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze.

Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Supermaster, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e a percussão inebriante do noise rock de Straight, reproduzida por Robi Gonzalez e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.

O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, está no modo como os A Place To Bury Strangers escapam a todas categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarcam num enorme armário que, tendo tanto de caótico como de hermético, não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Há um forte sentido melódico na distorção da guitarra em Love High e no punk de What We Don't See, assim como um ambiente psicadélico em We've Come So Far que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver Ackerman, em Deeper, possa distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem, frequentemente, de elo de ligação entre os temas, Transfixiation avança com o ambiente a tornar-se cada vez mais rugoso, ao mesmo tempo que o ritmo da bateria abranda, com o instrumental Lower Zone, a dividir, de certo modo, o disco em duas partes distintas, no modo como parece agregar um emaranhado de melodias que, por si só, parecem temas distintos, enquanto faz a súmula de todo o conteúdo do alinhamento.

A já citada We've Come So Far, acaba por colocar tudo no devido lugar e se Fill The Void tem o típico clima de ocaso, é ao quase instrumental I Will Die que cabe a tarefa de encerrar uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva do trio, à boleia de algumas frases soltas e curiosos efeitos, que termina um disco pleno de ruido, espasmos de guitarra funk, ruído, contaminação cruzada de microfones e odes ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...

1. Supermaster
2. Straight
3. Love High
4. What We Don’t See
5. Deeper
6. Lower Zone
7. We’ve Come So Far
8. Now It’s Over
9. I’m So Clean
10. Fill The Void
11. I Will Die


autor stipe07 às 23:20
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2015

Beirut - No No No

Gravado em Nova Iorque, em pouco mais de um mês, durante um período do último inverno particularmente frio, No No No é o novo compêdio de canções dos Beirut de Zach Condon, ao qual se juntam Nick Petree, Paul Collins, Ben Lanz e Kyle Resnick, um trabalho que irá ver a luz do dia a onze de setembro através da etiqueta 4AD.

O primeiro tema divulgado de No No No é o homónimo, uma canção evidencia a nova fase positiva da vida pessoal de Condon, que reencontrou novamente o amor e ultrapassou definitivamente o colapso físico e mental que o músico sofreu em 2013, na Austrália, devido aos seu processo de divórcio.

Para apresentar este novo trabalho, os Beirut vão estar em digressão pela América do Norte e pela Europa. Confere...


autor stipe07 às 14:07
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2015

Tanlines - Highlights

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Tanlines são Jesse Cohen e Eric Emm, uma dupla que se distinguiu em 2012 com Mixed Emotions, um extraordinário disco de estreia que já tem, finalmente, sucessor. Chegou a dezanove de maio aos escaparates, por intermédio da True Panther Sounds, Highlights, o novo trabalho de um projeto que impressiona pela pop experimental que sugere e que mistura sintetizadores e a eletrónica com uma base de percussão sempre vibrante, muitas vezes a piscar o olho ao chamado afrobeat, numa espécie de indietrónica, adornada com alguns dos habituais detalhes da chillwave e da música de dança.

Capazes de atingir uma bitola qualitativa superior a alguns projetos que também abordam sonoridades eletrónicas que podem piscar o olho a alguns aspetos significativos do indie rock, reza a lenda que quando os Tanlines se sentaram no estúdio para começar a produzir os temas deste novo disco o computador que guardava as demos explodiu literalmente e que, por isso, as guitarras e a bateria acabaram por passar para a linha da frente da condução melódica dos novos temas da dupla, em deterimento de uma superior primazia dos sintetizadores, algo que sucedeu na estreia e que teria continuidade nas intenções iniciais deste sucessor. E na verdade, logo em Pieces se percebe que Highlights é um portentoso e contemporâneo convite à dança sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir, à boleia de cordas presentes em guitarras distorcidas e um baixo vincado e teclados sintetizados, num efeito amiúde agridoce e indiossincrático. Com este arsenal disponível em todo o seu esplendor e alinhados por uma batida quente e um andamento melódico único e fortemente inebriante, os Tanlines agarram-nos imediatamente pelos colarinhos e colocam-nos, mesmo que não se queira, na pista de dança mais próxima, não importando que ela se situe, por exemplo, no recanto mais secreto da nossa mente.

Chega aos nossos ouvidos Slipping Away, o primeiro avanço divulgado de Highlights, um single disponivel para download na página oficial da dupla, e ficamos definitivamente convencidos que o tal indie rock vibrante e festivo, coabitando lado a lado, em deteminados instantes, com alguns dos detalhes mais sombrios do universo punk, é, realmente, já uma marca importante dos Tanlines, que desse modo alargam horizontes de forma ressonante e exótica, com elevação, reflexão, método e entusiasmo, não faltando um toque acústico a ampliar essa perceção, envolvido pela tradicional voz sobreposta de Eric Emm. Mesmo em Palace, uma canção com um elevado pendor emocional e que mostra um outro lado mais reflexivo dos Tanlines, há um convite à dança e simultaneamente ao canto, com toda a alma, convidando-nos a uma postura corporal diferente, mas fisicamente com um grau semelhante de lisergia daquele que exala de temas mais festivos do disco.

A nostálgica e melancólica Invisible Ways ou a sincera e emocionada Bad Situations, são outros exemplos sonoros que mostram que a música de dança não tem de ser apenas e só frenética e ruidosa, já que estas duas canções também nos abanam sem pudor, mas á boleia de um charme sofisticado, onde efeitos flamejantes e uma percussão sintética cheia de variações, foram retirados de uma sedutora receita que nos coloca na linha da frente de um universo particularmente radioso e onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado.

Highlights mantém-nos debaixo da bola de espelhos e marca-nos pela melancolia discreta e pelo charme maduro e inteligente que exala de uma cúpula incisiva entre rock e eletrónica, uma relação quente e assertiva que nos convoca para uma verdadeira orgia entre sub-géneros da pop, que ao longo das dez canções vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena e substituindo-se entre si, com talento e energia, mostrando que estes Tanlines possuem uma perspectiva musical do universo sonoro que os satisfaz, bastante interessante e bem executada. Espero que aprecies a sugestão...

Tanlines - Highlights

01. Pieces
02. Slipping Away
03. Palace
04. Two Thousand Miles
05. Invisible Ways
06. Bad Situations
07. Running Still
08. Thinking
09. If You Stay
10. Darling Dreamer


autor stipe07 às 21:51
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Oberhofer – Memory Remains

Oberhofer - Memory Remains

Depois de no início de 2012 ter revelado Time Capsules e um ano depois o EP Notalgia, Brad Oberhofer, um músico, compositor e multi-instrumentista de vinte e dois anos, natural de Tacoma e agora residente em Brooklin e lider dos Oberhofer, está de regresso em 2015 com Chronovision, um disco que vai ver a luz do dia a vinte e um de agosto àboleia da Glassnote Records. Brad é um músico extremamente criativo e já com um assinalável cardápio sonoro na bagagem, jnutandose a ele nesta banda Dylan Treleven, Ben Weatherman Roth e Pete.Sustarsic.

Memory Remains, o primeiro avanço divulgado de Chronovision, plasma o charme efervescente do líder, Brad Oberhofer, que impulsiona o processo de criação musical num projeto onde o rock alternativo é a tendência principal, replicado, neste tema, com guitarras cheias de distorção e reverb e uma percurssão bastante vincada. Confere...


autor stipe07 às 17:12
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

They Might Be Giants – Glean

Lançado no passado dia vinte e um de abril por intermédio da Idlewild/Lojinx, Glean é, imagine-se, o décimo sétimo álbum da carreira dos They Might Be Giants, uma mítica banda norte americana, oriunda da big apple e atualmente formada por John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller. Este disco tem a particularidade de ter no seu alinhamento vários temas que se inserem numa iniciativa da banda chamada Dial-A-Song Project, que teve início já na decada de oitenta e terminou em 2008, sobrevivendo apenas na internet. Este recurso permite ligarmos para um número de telefone que nos oferece a audição de um tema da banda com Glean e conter uma base de canções regularmente partilhadas com os visitantes.

Com quinze canções que se estendem por pouco mais de meia hora, Glean é um exercício poético de muitos contrastes, um pouco à imagem do indefinível e sedutor vídeo da canção de End of the Rope e impressiona pela viagem divertida e ligeira que oferece ao ouvinte, até um amplo espetro sonoro que se estende entre a pop luminosa da Answer, ou a mais lamechas de Madam, I Challenge You To A Duel e o rock alternativo de I Can Help The Next In Line, sem descurar alguns aspetos essenciais do punk rock, claramente esplanados em Erase, mas também daquela folk blues sulista que Good To Be Alive replica com um acerto e uma luminosidade invulgares. E, qual cereja no topo do bolo desta alegoria pop, também não falta um trajeto curioso de cariz mais eletrónico, patente em All The Lazy Boyfriends e Unpronounceable.

Mas do frenesim rock de Aaa, à psicadelia de I'm a Coward, passando pelo rock mais progressivo de Underwater Woman, não faltam outros piscares de olho a toda a herança não só da própria banda como da história do rock nas últimas décadas, havendo até espaço para uma interessante referência à música francesa dos anos vinte em Let Me Tell You About My Operation, com o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. Estas sonoridades mais clássicas não se esgotam nesse instante, podendo ser novamente conferidas não só no mirabolante tema homónimo, mas principalmente, no modo como o jazz e o blues se fundem à boleia da dança que o piano, o trompete e a bateria estabelecem em Music Jail, Pt. 1 And 2.

Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas duas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras. Glean é mais uma prova concerta da excentricidade deste grupo, da rara graça como combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história contemporânea do rock alternativo. Os They Might Be Giants não perderam a capacidade de escrever belas canções no universo das coisas estranhas que fazem apenas parte do mundo da dupla que lidera o grupo e demonstram essa virtude de modo cativante e com uma salutar criatividade e elevada imaginação. Espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - Glean

01. Erase
02. Good To Be Alive
03. Underwater Woman
04. Music Jail, Pt. 1 And 2
05. Answer
06. I Can Help The Next In Line
07. Madam, I Challenge You To A Duel
08. End Of The Rope
09. All The Lazy Boyfriends
10. Unpronounceable
11. Hate The Villanelle
12. I’m A Coward
13. Aaa
14. Let Me Tell You About My Operation
15. Glean


autor stipe07 às 22:28
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

Passenger Peru - Break My Neck (video)

Oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, a dupla norte americana Passenger Peru editou o seu trabalho de estreia no início de 2014, uma edição apenas em cassete e em formato digital, através da Fleeting Youth Records e que foi dissecada já por cá. Formados por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, os Passenger Peru regressaram em 2015 com Light Places, um compêndio de doze novas canções da dupla, que viu a luz do dia a vinte e quatro de fevereiro e que podes encomendar facilmente.

Um dos grandes destaques de Light Places é Break My Neck, um tema vincadamente reflexivo e introspetivo, cheio de cordas com arranjos e detalhes que facilmente nos deslumbram e onde a voz de Stivers é um trunfo declarado, no modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína (one deep breath, sad but true, one deep breath, leads to you, break my neck, break my neck to, break my neck to see the stars, the stars explode above...). Este tema plasma com precisão as virtudes técnicas que os Passenger Peru possuem para criar música e a forma como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Confere o fabuloso video de Break My Neck, recentemente divulgado...

 


autor stipe07 às 13:23
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