Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

Robot Princess - Action Park

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Robot Princess são Beau Alessi, Daniel D. Lee, Peter Ingles, Joe Reichel e Catherine Anderson, uma das novas apostas da Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Os Robot Princess gravaram Ten Vogue, o disco de estreia, nos estúdios Seriuos Business. em Nova Iorque, há um par de anos, mas esse trabalho nunca viu a luz do dia, ou qualquer tipo de edição, quer física, quer digital. Recentemente, Catherine Anderson, membro da banda, produziu mais um punhado de canções do grupo, que resultaram num EP intitulado Action Moves.

Com estes dois trabalhos em mãos e com a Fleeting Youth Records a apostar seriamente nos Robot Princess, chegou finalmente a hora de um dos segredos mais bem guardados do indie rock nova iorquino ver finalmente música a chegar aos escaparates, com a edição em conjunto do álbum e do EP, que verão a luz do dia em formato digital e cassete a vinte e quatro de março.

Já disponivel para download gratuito, Action Park é o primeiro avanço divulgado do cardápio que vai ser editado, uma canção onde Beau Alessie, o vocalista, ironiza com um parque temático situado nos arredores de Nova Jersey com o mesmo nome e com a tudo aquilo que de semelhante tem o amor e todas as emoções que um parque de diversões nos oferece. No final do mês divulgarei certamente a análise crítica desta estreia nos lançamentos dos Robot Princess. Confere...


autor stipe07 às 18:58
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015

Grooms – Comb The Feelings Through Your Hair

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Grooms têm no texano Travis Johnson o grande mentor e suporte, um músico que tem vivido e composto neste bairro da big apple, tendo a banda ensaiado e gravado nos estúdios locais Death By Audio, entretanto encerrados, durante sete anos. Primeiro como Muggabears e depois Grooms, o coletivo passou nos últimos tempos por algumas dificuldades, nomeadamente financeiras, que forçaram o baixista e também compositor Emily Ambruso a um hiato, deixando apenas Johnson como membro original do alinhamento que, felizmente, não desistiu da banda. Lutando contra todas estas contrariedades, Johnson recrutou Jay Heiselmann para o baixo e o ator e comediante Steve Levine para a bateria e Comb The Feelings Through Your Hair é o primeiro capítulo desta nova etapa da vida dos Grooms, um disco que viu a luz do dia a dezassete de fevereiro, através da Western Vinyl.

A indie pop e o rock luxuriante, com o ritmo e a cadência certas e uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que abraça um interessante e algo inédito leque de influências, sempre com uma filosofia vintage, é a pedra de toque de onze canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Genuínos, ecléticos e criativos, estes Grooms compõem temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, numa parada de cor, festa e alegria, onde terá havido certamente um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a músicas que gostam.

Ouvimos cada uma das músicas de Comb The Feelings Through Your Hair e conseguimos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que esculpiram as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e alguns arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Este é, portanto, um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada.

Um belíssimo instante indie chamado Bed Version é o aperitivo que abre o alinhamento e depois vamos sendo constantemente convidados a dançar ao som de uma filosofia sonora bastante aditiva e peculiar, que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê.

A guitarra elétrica, como já foi referido, possui o ónus da condução melódica, mas também há uma forte presença da sua congénere acústica e do baixo. Até o sintetizador faz a sua aparição e logo no tema homónimo cria uns loopings que introduzem eficazmente uma linha de guitarra inebriante, cabendo-lhe o mesmo papel num memorável instante épico, impregnado de cor e luz graças chamado Cross Off, canção que obtém o sustento nas teclas que graciosamente se insinuam e deambulam em redor das cordas eletrificadas, dando origem a um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante. Já Grenadine Scene From Inside é uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. As notas parecem sinónimos de tranquilidade, guiam os efeitos ao fundo da música e acompanham uma inédita secção de sopros com excelente sintonia.

De vez em quando também se escutam arranjos e melodias sintetizadas, mas as cordas, o baixo e a bateria são o busílis do grupo para atingir os seus propósitos. E voltando às cordas, a sequência feita com o rock angular e rugoso de Doctor M e a cavalgada entusiástica e delirante de Will The Boys em oposição ao experimentalismo acústico noir e contemplativo de Half Cloud, um daqueles instantes retro, relaxante e atmosférico que nos desarma, é um dos pontos altos e imperdiveis de Comb The Feelings Through Your Hair, depois de em Something Wild termos sido agraciados por uma outra estirpe de cordas, aquelas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, quer no entusiasmo lírico. 

Para o ocaso o sentimentalismo imberbere de Foster Sister e a altivez orquestral de Later A Dream oferecem-nos paisagens ainda mais grandiosas e significativas, dois arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões e que se servem também, em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico, certamente com o propósito de contornar todas as amarras que prendem a nossa alma e apresentar, desse modo, a notável disponibilidade dos Grooms para nos fazer pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz.

Com um forte cariz urbano e atual, Comb The Feelings Through Your Hair é um disco excitante e intenso, que nos prende numa bolha dinâmica adornada por aquele rock pastiche que nos desperta para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nos apoquente. Pleno de cenários complexos e repletos de sensações únicas, que os Grooms conseguem muito bem transmitir à boleia de um cardápio instrumental bastante diversificado, Comb The Feelings Through Your Hair prova que este coletivo norte americano entra no estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispor para criar música, com uma quase pueril simplicidade, que plasma uma noável capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje para nos oferecer, enquanto se vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme. Espero que aprecies a sugestão...

Grooms - Comb The Feelings Through Your Hair

01. Bed Version
02. Comb The Feelings Through Your Hair
03. Cross Off
04. Something Wild
05. Doctor M
06. Half Cloud
07. Will The Boys
08. Savage Seminar
09. Grenadine Scene From Inside
10. Foster Sister
11. Later A Dream


autor stipe07 às 21:20
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015

Suburban Living – Suburban Living

Wesley Bunch, um músico de Filadélfia, é a mente criativa que dá vida a Suburban Living, um projeto de que acaba de se estrear no formato álbum com um homónimo preenchido com oito canções, editado através da etiqueta nova iorquina PaperCup Music, o abrigo perfeito para um trabalho que tem os seus pilares assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia.

Gravado nos estúdios EarthSound, em Virginia Beach, com o engenheiro de som Mark Padgett, Suburban Living traça linhas paralelas com a tradição sonora deixada por herança há umas três décadas por nomes como os My Bloody Valentine, os Pylon ou os Cure, claramente audíveis na forte vertente experimental nas guitarras pulsantes e numa certa soul na secção rítmica, dois aspetos essenciais do tratamento sonoro que Wesley resolveu dar à nostalgia que certamente sente relativamente a uma outra época, que marcou fortemente várias gerações de músicos e ainda hoje é um referencial bastante explorado. Assim, obscuro e melancólico, mas pleno de energia e focado numa enorme dedicação à causa, Suburban Living não complica na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage

Se durante a audição de Suburban Living somos confrontados com a aparente primazia da guitarra e do efeito peculiar que ela debita e que carimba e tipifica o som caraterístico que Wesley quer que seja marca identificativa do projeto, o que mais me agradou neste disco foi, no entanto, o baixo vigoroso e o modo como dá as mãos a uma bateria, numa relação progressiva que contém uma tonalidade muito vincada e que acaba por ser um excelente tónico para potenciar a capacidade do músico, num registo vocal geralmente em eco, mas também amiúde reverberado, em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, provocando um cocktail delicioso de boas sensações.

Canções como a épica Faded Lover, mas também Wasted ou Dazed, além de conterem belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, são exemplares no modo como nelas Wesley deixou as guitarras, o baixo e a bateria seguir a sua dinâmica natural, fazendo com que os temas assumissem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico. Esta dinâmica ganha um fôlego ainda maior em New Strings, um dos singles de Suburban Living e um tema onde a voz atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiro e incisivo o músico conseguiu ser na replicação do ambiente sonoro que escolheu.

Instrumentalmente Drowning é outro dos meus destaques deste trabalho, uma canção naturalmente conduzida pelo tal baixo vibrante, mas que sobressai pela distorção da guitarra e o efeito sintetizado que constrói a melodia, um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia. No final do disco, Different Coast segue-lhe as pisadas, numa toada que privilegia a simbiose entre traços identitários do rock psicadélico, e da dream pop, o que justifica os elogios realtivamente ao modo como sendo este compêndio tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, também consegue mostrar canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora.

O clima geral lo fi, que não é mais do que um notório marco de libertação e de experimentação vintage, acaba por ser uma consequência lógica de todo o ideário sonoro e conceptual de Suburban Living. E este é um disco que nos agarra pelos colarinhos, sobretudo pelo modo como nos mostra a interpretação contemporânea do revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio, pelas mãos de um músico bastante inspirado e mestre a misturar e a explorar diferentes territórios sonoros, sugando-nos assim para um universo pop que impressiona pelo bom gosto com que se cruzam várias dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador de um imenso arsenal de arranjos e detalhes, que são um atestado de qualidade ao alcance de poucos projetos que pretendem deixar uma marca indelével neste universo sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

Suburban Living - Suburban Living

01. Faded Lover
02. New Strings
03. Wasted
04. Dazed
05. Drowning
06. No Fall
07. Hotel Unizo
08. Different Coast


autor stipe07 às 22:09
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2015

Tiny Victories – Haunts

Oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os norte americanos Tiny Victories são uma dupla formada por Greg Walters e Cason Kelly, uma banda que se estreou recentemente nos discos com Haunts, um álbum com onze canções que sucede ao EP Those Of Us Still Alive, editado em 2012.

Haunts encarna um desejo claro por parte dos Tiny Victories de criar um forte impacto, explorando uma amálgama de referências dentro do universo sonoro que aposta na fusão de rock, com a pop, a soul e o funk, fazendo-o de uma forma direta e com elevado apelo comercial, mas também sem descurar uma vertente mais densa e sombria e marcadamente experimental. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar um sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades, uma receita levada à prática com o firme propósito de criar ambientes sonoros amplos, luminosos e onde a banda projeta inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção.

Oriundos de um universo sonoro bastante peculiar e com os TV On The Radio a serem, certamente, referência fundamental, os Tiny Victories empacotam as sua canções com melodias impregnadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Do indie rock clássico de Drinking With Your Ghost, ao clima épico, expansivo e luminoso de System e This Revolution, passando pela pop sintetizada de Let It Burn, uma canção dominada por um sintetizador repescado no período aúreo do eletropop dos anos oitenta, não faltam em Haunts instantes que deambulam pela pop mais requintada e pelo rock progressivo cheio de distorções inebriantes, feitas com pedais carregados de reverb e arranjos captados das mais diversas fontes orgânicas e sintéticas.

Com um ambiente sonoro geralmente empolgante e ritmado e um som de fundo orquestralmente rico, Haunts plasma uma saudável incerteza, ironicamente reconfortante, relativamente ao que poderá reservar o futuro deste grupo nova iorquino, mas é natural a sensação de prazer que qualquer conhecedor profundo do espetro sonoro onde eles se situam sente ao escutar este trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

Tiny Victories - Haunts

01. Drinking With Your Ghost
02. Scott And Zelda
03. Systems
04. Let It Burn
05. This Revolution
06. Austin, TX
07. Proton Pagoda
08. Life Is Boring
09. Our Lady Of Route 80
10. Justine
11. You’re Gone


autor stipe07 às 19:03
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2015

Leapling - Vacant Page

Hoje, dia dez de fevereiro, chegou aos escaparates, através da Inflated/Exploding In SoundVacant Page o novo disco do projeto nova iorquino Leapling, um quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione e que plana em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica.

A intro Negative Space, uma verdadeira amálgama de sons rugosos e metálicos, que ajudados por uma voz reverberada se acumulam sem um propósito evidente, é uma porta de entrada que plasma com nitidez o clima identitário dos Leapling que, apesar de em Flesh Meadowns, devido ao efeito da guitrarra, à subtileza da bateria e ao timbre das cordas, já se aproximam do habitual edificio melódico que sustenta o formato canção mais acessível, não deixam de se manter fiéis ao espírito inicial, permitindo que nos embrenhemos num disco onde é constante o desafio entre o experimentalismo e a chamada dream pop, já que o nível de desordem sonora serve apenas para colocar a nú um aparente caos, com o conteúdo de Vacant Page a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e, apesar de parecer que vale (quase) tudo, a fluir dentro de limites bem definidos.

O típico som feito com guitarras distorcidas, também tem um elevado protagonismo. Silent Stone, uma magnífica canção que que flutua entre o indie rock mais anguloso e aquele que aposta num forte cariz experimental, já que no tema, além de um maravilhoso falsete, sobressai uma percussão com um elevado pendor jazzístico e o doce romantismo de Slip Slidin' Away e a toada blues conferida pelo baixo vigoroso em N.E.R.V.E., entrelaçado com uma bateria que se estende livremente pela melodia, sem cadência rítmica homogénea, são mais três lindíssimos instantes do álbum, que entre o experimental e o atmosférico, seduzem e emocionam. Depois, no piscar de olho à bossa nova em Going Nowhere e no acerto da quente e sedosa melancolia que escorre da guitarra de Retrograde e em redor da qual abundam violinos que tão depressa surgem como se desvanecem, ficamos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, algo que nos exige um alerta permanente e o foco contínuo naquilo que se escuta.

Um dos momentos altos de Vacant Page é, sem duvida, a original secção rítmica que sustenta Crooked, onde se inclui um baixo com um certo toque psicadélico, que não receia o risco no modo como transmite nervo e intensidade e alguns arranjos de cordas, aquáticos e claustrufóbicos, que contrastam com a clareza de uma voz que nos embala e convida de modo sedutor a penetrar em direção a um mundo algo fantasmagórico e claustrufóbico, ao qual é difícil resistir. Um pouco adiante, em Hung Out Dry, esse mesmo baixo teima em espreitar, para massajar as nossas têmporas com um misto de delicadeza e vigor, numa canção feita com a típica luminosidade de uma quente tarde de verão que atiça e desarma todos os nossos sentidos.

Com um certo travo punk, enérgico e libertário, que escorre por todos os poros da melodia hipnótica e repetitiva que alicerça In Due Time, termina um disco cheio de emoções fortes, inédito no modo como dificulta uma catalogação rigida e bem balizada, intemporal no cruzamento transversal que faz entre os mais variados espetros do universo sonoro indie, delicado na invocação de sentimentos felizes, divertido na forma como esbanja ritmo e sensualidade e jovial no modo como pode conquistar na nossa prateleira discográfica aquele recanto especial onde se guardam aquelas coleções de canções que chamamos para a parada dos nossos momentos mais genuínos, muitas vezes ocupados na busca por uma musicalidade amena, coberta por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Espero que aprecies a sugestão...

Vacant Page cover art

 

Negative Space

Flesh Meadows

N.E.R.V.E.

Going Nowhere

Crooked

Retrograde

Silent Stone

Hung Out To Dry

Slip Slidin' Away

In Due Time

 


autor stipe07 às 21:20
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Passenger Peru - Break My Neck

Oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, a dupla norte americana Passenger Peru editou o seu trabalho de estreia no início de 2014, uma edição apenas em cassete e em formato digital, através da Fleeting Youth Records e que foi dissecada por cá. Formados por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, estão de regresso em 2015 com Light Places, um compêndio de doze novas canções da dupla, que irá ver a luz do dia a vinte e quatro de fevereiro e que já podes encomendar.

Break My Neck é o segundo single retirado de Light Places, um tema vincadamente reflexivo e introspetivo, cheio de arranjos e detalhes que facilmente nos deslumbram e onde a voz de Stivers é um trunfo declarado, no modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína (one deep breath, sad but true, one deep breath, leads to you, break my neck, break my neck to, break my neck to see the stars, the stars explode above...).

Break My Neck é mais um tema que plasma as virtudes técnicas que os Passenger Peru possuem para criar música e a forma como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Esta é uma excelente opção para quem aprecia aquela sonoridade pop rock, algo cósmica, mas ligeiramente lo fi, cheia de arranjos detalhados. Como é habitual neste projeto, o single está disponivel para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 17:19
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015

Breakfast In Fur – Flyaway Garden

Em Nova Iorque, algures entre Manhattan e Catskills, fica New Paltz, zona da cidade que nunca dorme de onde são oriundos os Breakfast In Fur, uma banda que começou por ser o projeto a solo de um músico chamado Dan Wolfe, que depois acabou por recrutar alguns amigos que partilham consigo a sua visão do indie rock lo fi, experimental e psicadélico. Na verdade, este projeto acaba de me surpreender com Flyaway Garden, o trabalho de estreia, um disco editado no passado dia três de fevereiro por intermédio da Bar/None Records.

Em onze canções distribuidas por cerca de trinta e cinco minutos, os Breakfast In Fur desvendam-nos um som com um forte sentido melodioso e épico que, como se percebe logo em Shape, apesar da imponência das guitarras, levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, não deixam de ter um vincado cariz dream pop, nostálgico e sonhador, que seduz pelo calor e pela vibração que transmite. 

Cuidadosos e inspirados no modo como conferem detrermnados detalhes às suas canções, fazem com que as mesmas se envolvam numa certa dose de mistério e fantasia que a postura vocal doce e sussurrante amplia. A profunda e contemplativa Portrait é apenas um exemplo de como esses detalhes, quase sempre bastante orgânicos, mas onde também não faltam sons sintetizados, nos tiram do chão em direção ao espaço, mas os violinos, a cadência da percussão e os instrumentos de sopro de Lifter, assim como os sons flutuantes que transbordam dos etéreos momentos instrumentais Ghum e Flyaway Garden e os efeitos metálicos abrasivos que deambulam em redor das cordas em Setting Stone, são só três exemplos dos vários que no disco provam que estes Breakfast In Fur são exímios no modo como se servem da psicadelia para transmitir sensações profundas e com nervo e intensidade. A forma como Aurora Falls alterna a cadência e o ritmo e, quase no fim, inflete melodicamente, também demonstra uma certa apetência dos Breakfast In Fur para um saudável experimentalismo que, em Whisper, soa de modo leve e arejado, mesmo sendo uma balada de cariz algo sombrio e nostálgico e em Cripple Creek Ferry, em virtude de alguns arranjos aquáticos e claustrufóbicos e da sintetização da voz, nos embala e nos convida de modo sedutor a penetrar em direção a um mundo algo fantasmagórico e claustrufóbico, ao qual é difícil resistir.

Com a subtil lentidão fortemente contemplativa e minimal de Episode e, na sequência, o mergulho nas águas profundas de um sol luminoso que parece brilhar nas profundezas de um imenso aquário de sobreposições vocais e instrumentais que não se deixam enlear por regras e imposições herméticas chamado Sun Catcher, termina um disco que, em todos os seus momentos, nos pede calorosa e carinhosamente para o levar connosco sempre que queiramos deambular e pairar livremente por um universo paralelo, onde ficam de fora as nossas dúvidas, hesitações e tudo aquilo que nos atormenta e aflige.

Flyaway Garden é um título feliz para um imenso jardim esvoaçante, um mundo colorido de emoções fortes, dispostas perante nós em pleno céu aberto e que, batendo à porta do nosso coração, clamam com ternura para que as deixemos entrar e invadir os nossos sonhos, para que nos tornemos também nós portadores da tosca infantilidade que governa o poço criativo de onde se abastecem estes Breakfast In Fur. Espero que aprecies a sugestão...

Breakfast In Fur - Flyaway Garden

01. Shape
02. Portrait
03. Aurora Falls
04. Whisper
05. Lifter
06. Ghum
07. Setting Stone
08. Cripple Creek Ferry
09. Flyaway Garden
10. Episode
11. Sun Catcher


autor stipe07 às 21:12
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2015

Passenger Peru - The Best Way To Drown

Oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, a dupla norte americana Passenger Peru editou o seu trabalho de estreia no início de 2014, uma edição apenas em cassete e em formato digital, através da Fleeting Youth Records e que foi dissecada já por cá. Formados por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, estão de regresso em 2015 com Light Places, um compêndio de doze novas canções da dupla, que irá ver a luz do dia a vinte e quatro de fevereiro e que já podes encomendar.

The Best Way To Drown é o primeiro single retirado de Light Places, um tema cheio de arranjos e detalhes que facilmente nos deslumbram e que plasma as virtudes técnicas que os Passenger Peru possuem para criar música e a forma como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Esta é uma excelente opção para quem aprecia aquela sonoridade pop rock, algo cósmica, mas ligeiramente lo fi, cheia de arranjos detalhados, que nomes tão influentes como os Yo La Tengo, Neutral Milk Hotel, Early Animal Collective, entre outros, tão bem replicam sonoramente. Como é habitual neste projeto, o single está disponivel para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 13:22
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015

Split Screens - Meeker Hollow (Video oficial)

Oriundo dos arredores de Nova Iorque, mas agora em São Francisco, na Califórnia, Split Screens começou por ser um projeto a solo saido da mente criativa do músico Jesse Cafiero (I started Split Screens as a solo project, to explore the tension between what we are and what we want to be) sendo o nome Split Screens inspirado na técnica cinematográfica que te permite visulizar na tela dois acontecimentos que sucedem em simultâneo em dois locais diferentes, o que, de certa forma, é coerente com o ideário que mais inspira Jesse e que o próprio justifica acima e também descreve a sua música que tanto vagueia pela pop de pendor mais comercial, como outras vertentes mais experimentais que não renegam o próprio blues e o jazz.

Depois de em setembro do último ano Jesse Cafiero ter dado a conhecer Before The Storm, o último longa duração dos Split Screens, agora, no início de um novo ano, surpreende com um novo vídeo de um tema, o filme de Meeker Hollow, o lado b de The Sinner, um single editado pelo projeto em março do ano passado.

O vídeo, com uma forte componente vintage, é bastante interessante e original já que usa imagens retiradas de um filme da Nasa datado de 1963, num resultado final que surpreende e que merece a nossa mais dedicada visualização. O conceito criado e desenvolvido acaba por se aliar na perfeição com a componente sonora de Meeker Hollow, uma belíssima canção, conduzida por um piano inspirado e luminoso, ao qual se vão adicionando diferentes fragmentos sonoros, adocicados na forma de arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida não só pelas cordas mas também pela percussão, tudo envolto com a pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste projeto, que tem criado um alinhamento consistente de canções, carregadas de referências assertivas. Confere... 

 


autor stipe07 às 18:32
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015

Split Screens – Before The Storm

Oriundo de Pine Plains, nos arredores de Nova Iorque, Split Screens começou por ser um projeto a solo saido da mente criativa do músico Jesse Cafiero (I started Split Screens as a solo project, to explore the tension between what we are and what we want to be) sendo o nome Split Screens inspirado na técnica cinematográfica que te permite visulizar na tela dois acontecimentos que sucedem em simultâneo em dois locais diferentes, o que, de certa forma, é coerente com o ideário que mais inspira Jesse e que o próprio justifica acima e também descreve a sua música que tanto vagueia pela pop de pendor mais comercial, como outras vertentes mais experimentais que não renegam o próprio blues e o jazz e que temas como All I See, um dos grandes destaques de Before The Storm, o último registo de originais do grupo, editado a nove de setembro de 2014 e produzido por Jeremy Black, claramente exemplifica.

Para gravar Before The Storm juntaram-se a Jesse Cafiero, Phil Pristia, Debbie Neigher, Andrew Paul Nelson e Kyle Kelly Yahner. Jesse compôs e escreveu todas as canções mas é preponderante a presença de todos estes músicos para o resultado final que faz uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a pop nos últimos trinta anos, atráves de canções bem estruturadas, comandadas pela guitarra mas devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida não só pelas cordas mas também pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que parece vir a caraterizar a personalidade deste projeto, que criou neste álbum um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

Um dos detalhes mais interessantes deste disco é a fragilidade da voz refrescante e ternurenta do registo vocal de Jess, amiúde semelhante a um Tunde Adembimpe, como sucede em Stand Alone, mas que também é capaz de, em Close Your Eyes, se colar à delicadeza impar de um Sondre Lerche, uma prova bastante audível de uma notável fusão entre um notável recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e tranquila de paisagens sonoras, que não só encontram a sua riqueza no registo vocal, mas também nas janelas instrumentais e líricas que se abrem ao ouvinte que se predispõe a saborear com o preguiçoso deleite o sumo que cançoes como I Will Never Know ou No More Sound claramente exigem. Mas não posso também deixar de destacar a delicadeza de Time to Wait e o charme único de The Sinner, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível das cordas e da percurssão de Mirrors In The Maze. A audição cuidada do trompete com um ligeiro travo ao típico blues do outro lado do atlântico de Home e a grandiosa Back And Forth, canção que intercala uma excelente interpretação de Jesse com um trabalho habilidoso da restante banda, um tratado sonoro que traz sons modulados e camadas sonoras que dão à canção um clima espectral, são mais dois momentos altos deste trabalho.

Há um elevado teor experimental em Before The Storm, que plasma uma saudável incerteza, ironicamente reconfortante, relativamente ao que poderá reservar o futuro deste grupo nova iorquino, mas é natural a sensação de prazer que qualquer conhecedor profundo do indie rock atual sente ao escutar um trabalho que nos oferece uma coleção irrepreensível de canções capazes de nos transmitir sentimentos que são, frequentemente, um exclusivo dos cantos mais reconditos da nossa alma. Espero que aprecies a sugestão...

Split Screens - Before The Storm

01. Stand Alone
02. All I See
03. No More Sound
04. Close Your Eyes
05. I Will Never Know
06. Mirrors In The Maze
07. Before The Storm
08. Home
09. Back And Forth
10. The Sinner
11. Time To Wait


autor stipe07 às 17:53
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