Domingo, 20 de Novembro de 2016

Pavo Pavo – Young Narrator In The Breakers

Eliza Bagg, Oliver Hil, Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer vêm de Brooklyn, Nova Iorque e renascidos das cinzas dos Plume Giant e com ligações estreitas a nomes tão importantes como os San Fermim ou os Here We Go Magic formam os Pavo Pavo e fazem aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, como prova Young Narrator In The Breakers, disco editado por este quinteto a onze de novembro último à boleia da Bella Union. Trabalho produzido pela dupla Danny Molad (Lucius) e Sam Cohen (Yellowbirds, Apollo Sunshine), contém doze canções com uma elegância ímpar, sustentada em guitarras plenas de charme, harmonias particularmente cativantes e sintetizadores com uma luminosidade intensa e sedutora que serviram para criar uma banda sonora feliz no modo como descreve toda aquela magia intrínseca à entrada na vida adulta, mas também os medos, as turbulências e as dúvidas e hesitações que tal passo provoca.

Pavo Pavo

No início de um percurso sonoro que se prevê auspicioso, os Pavo Pavo logo em Ran Ran Run, o tema que abre o disco, balizam com exatidão as suas coordenadas, que servem para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Young Narrator in The Breakers nos oferece, no seu todo, vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, um ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Começam, geralmente, por uma base instrumental minimal, que será aquela que vai sustentar o tema até ao seu ocaso. Tal acontece, logo no início, nos teclados, nos metais e nos coros de Annie Hall e depois acontece sempre uma explosão sónica, feita de exuberância e cor que, do território mais negro e encorpado do instrumental A Quiet Time With Spaceman Sputz, até ao jogo lascivo que se estabelece entre o baixo e o bandolim em 2020, We’ll Have Nothing Going On, passando pela nuvem de plumas que sustenta Somewhere In Iowa, tema que disserta sobre a inocência daqueles dias de verão onde tudo parece possível e a exuberância rítmica de Belle Of The Ball, ou o ambiente mais punk e até dançável do notável baixo de No Mind, mostra-nos sempre um percurso triunfante e seguro, onde abundam guitarras experimentais, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Young Narrator In The Breakers ruge nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuítivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. E fá-lo conduzido por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante dos efeitos dos violinos em que se sustenta John (A Little Time), mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Young Narrator In The Breakers tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um groove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers

01. Ran Ran Run
02. Annie Hall
03. Ruby (Let’s Buy The Bike)
04. Wiserway
05. A Quiet Time With Spaceman Sputz
06. Somewhere In Iowa
07. Belle Of The Ball
08. The Aquarium
09. No Mind
10. John (A Little Time)
11. Young Narrator In The Breakers
12. 2020, We’ll Have Nothing Going On


autor stipe07 às 14:56
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2016

Leapling - Killing Time EP

Alguns meses após o fabuloso Suspended Animation, os nova iorquinos Leapling, um quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione e que plana em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Killing Time, seis canções disponíveis em formato digital no bandcamp do grupo e em formato cassete através da Babe City Records e que sendo b sides de Suspended Animation, mostram uma faceta um pouco mais crua e, na minha opinião, genuína, do modo como se servem de extraordinários acordes de guitarra com um comovente objetivo melódico.

Resultado de imagem para leapling band 2016

Utilizando referências do próprio quotidiano para construir um panorama instrumental e lírico que pende ora para o rock experimental, ora para a indie pop adocicada e acessível, os Leapling não param de surpreender e continuam a provar serem mestres no desenvolvimento de uma instrumentação radiante, reflexo da capacidade do grupo em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte. Canções do calibre da insinuante A Different Kind e da deliciosa Just To Hear You Say, temas possuidos por uma crueza e por uma nitidez ímpar, ou a luminosa Killing Time constituem-se como autênticos psicoativos sentimentais que podemos usar sempre que nos apeteça, mas também portas que se abrem para nunca mais se fechar e que têm do outro decisões difíceis que, de repente, perdem toda a sua complexidade. Mas estas canções podem também encarnar manhãs irrepetíveis, sendo exemplos felizes do lado mais sensível e emotivo de um grupo que não receia ligar a sua faceta experimental a pleno gás e que em Tunnelvision atinge um nível de excelência no modo como consegue aquele balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, sem nunca descurar aquela particularidade fortemente melódica que define, desde o excelente disco de estreia, Vacant Page (2015), o arquétipo das suas composições. Espero que aprecies a sugestão...

Leapling - Killing Time EP

01. A Different Kind
02. Killing Time
03. Just To Hear You Say
04. Your Garden Grows
05. Tunnelvision
06. Believe It Or Not


autor stipe07 às 21:01
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Sexta-feira, 5 de Agosto de 2016

LNZNDRF - Green Roses

Coletivo fundamental do indie rock deste século, os norte americanos The National têm sabido potenciar e expressar a enorme veia criativa dos seus membros noutros projetos paralelos, que devem o sucesso obtido não só ao símbolo de qualidade intrínseco à presença de um membro dessa banda nos créditos, mas também, e principalmente por isso, por causa da superior qualidade do conteúdo sonoro que é criado. Assim, se em 2015 Matt Berninger e Bryce Dessner uniram-se a Brent Knopf dos Menomena para formar os EL VY e se Bryan Devendorf deu as mãos a Danny Seim, dos mesmos Menomena e a Dave Nelson (David Byrne, St. Vincent, Sufjan Stevens), para incubar os Pfarmers, os irmãos Scott e o mesmo Bryan Devendorf unirem-se a Ben Laz dos Beirut, para criar os LNZNDRF, um projeto que se estreou no início deste ano com um discos homónimo, à boleia da conceituada 4AD, e que parece ter já um sucessor na calha.

Enquanto o segundo registo dos originais dos LNZNDRF não chega, a banda acaba de editar dois temas em formato EP; Refiro-me a Green Roses e Salida, dois monumentos sonoros majestosos e de qualidade ímpar, instrumentais com um cariz fortemente ambiental, sustentados por várias camadas de sopros sintetizados, guitarras plenas de frenesim e efeitos que piscam o olho a uma orgânica particularmente minimal, mas profunda e crua, num universo fortemente cinematográfico e imersivo.

Nestes vinte e cinco minutos escuta-se uma espiral pop onde não falta o marcante estilo percurssivo de Devendorf, ou algum do cardápio de efeitos que Danny apresentou nos Menomena, mas onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso. O lançamento acaba por seguir um pouco a linha experimental das oito canções que faziam parte do alinhamento de LNZNDRF, mas quer os sopros de Green Roses e principalmente o krautrock do baixo de Salida dão asas a emoções mais etéreas e luminosas, exaladas desde as profundezas do refúgio bucólico e denso onde certamente estes músicos se embrenham para criar composições que impressionam pelo forte cariz sensorial. Confere...

LNZNDRF - Green Roses

01. Green Roses
02. Salida


autor stipe07 às 15:54
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2016

Future Generations – Future Generations

Eric Grossman, Mike Samsevere, Eddie Gore, Dylan e Devon Sheridan são os Future Generations, um coletivo nova iorquino sedeado no Bronx e que acaba de se estrear nos discos com um homónimo, dez canções que viram a luz do dia há poucos dias através da Frenchkiss Records.

Tudo começou na universidade de Fordham, há cerca de meia década, quando Eddie conheceu Eric e Mike. Começaram a viver juntos e daí até fazerem música foi um pequeno passo. Depois de Devon se ter juntado ao grupo, chegou o primeiro EP, a atenção da Frenchkiss, uma etiqueta nova iorquina de relevo no cenário indie e agora, finalmente, este compêndio de canções que são já um marco imprescindível e obrigatório neste ano repleto de novidades e registos sonoros qualitativamente incomuns.

Em quase quarenta minutos, Future Generations tem bem assentes as suas coordenadas, de modo a estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico, bem patente logo na formosa Grace. É uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e uma voz que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Future Generations nos oferece vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, num ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Sintetizadores e cordas onde abundam guitarras experimentais trocam piropos, para depois, como é o caso de Stars, desabrocharem numa explosão sónica, feita de exuberância e cor. Mesmo no território mais negro e minimal de This Place We go, no tribalismo percussivo de Black and Bleu, ou na mais reflexia e etérea Coast, ocorre sempre um percurso triunfante e seguro, numa súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade e uma sensualidade pop lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Future Generations faz mossa nos nossos ouvidos e agita a mente, assim deixemo-nos nós ser conduzidos por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante da linha sintetizada em que se sustenta 60 Seconds, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete de efeitos borbulhantes que contém, numa riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma ordenada amálgama sonora, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, colocando as agulhas intencionalmente orientadas para algo épico.

Future Generations é um corpo único e indivisível e com vida própria, servido em bandeja de ouro, uma alegoria pop aventureira que plasma intensamente e com elevada bitola qualitativa as novas e mais inspiradas tendências do indie contemporâneo, mesmo no clima retro vintage oitocentista de You've Got Me Flush. É, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Future Generations - Future Generations

01. Grace
02. Stars
03. Rain
04. Black And Bleu
05. This Place We Go
06. You’ve Got Me Flush
07. Find An Answer
08. Coast
09. 60 Seconds
10. Thunder In The City


autor stipe07 às 11:05
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Domingo, 31 de Julho de 2016

Helado Negro - Runaround

Helado Negro - Runaround

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos e que vai lançar, já a seis de outubro, Private Energy, o seu quinto longa duração. Runaround é o mais avanço divulgado do álbum, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade.

Private Energy será mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco em que Lange irá ampliar as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar, em catorze canções, uma multiplicidade de referências sonoras, contando, desta vez, com o contibuto visual e artístico, nomeadamente em palco, do coletivo Tinsel Mammal, um grupo de dançarinos com vestes prateadas e que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro. Confere...


autor stipe07 às 16:57
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Terça-feira, 5 de Julho de 2016

Caveman – Otero War

Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e de um homónimo lançado dois anos depois, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Otero War, um registo lançado a dezassete de junho último, por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico rock norte americano, desta vez procurando recriar uma espécie de narrativa sci-fi, como exemplarmente ilustra também, além das doze canções, o artwork de Otero War, da autoria de ilustrador Marc Ericksen.

Tal como os dois discos antecessores, este terceiro alinhamento da carreira dos Caveman pode servir como exemplo do estado atual do indie rock nesta segunda década do século XXI. A exuberância da bateria e das guitarras e o modo como as teclas se entrelaçam nesse pulsar orgânico que se estabelece entre cordas e percussão, é um bom exemplo do modo como trinta anos depois dos gloriosos anos oitenta ainda é possível construir baladas pop, plenas de ritmo e intensidade e, simultaneamente, com aquela sensibilidade desarmante capaz de tocar no coração mais empedrenido. Os sintetizadores de Life Or Just Leaving e o modo como em dois ou três acordes apenas exaltam a mensagem otimista de Believe, reforçam o ideário comparativo acima descrito, agora num modo mais contemplativo e os efeitos que enfeitam o frenesim de On My Own são outro detalhe que atesta o modo assertivo como estes Caveman expressam todo um catálogo de sons e estratégias de composição melódica que consolidam o indie rock atual.

Apesar do nome da banda, estes Caveman não têm muito de cavernoso e obscuro. Mesmo quando em Project o baixo salta para a linha da frente e uma certa toada punk assalta o edifício sonoro da canção, isso serve apenas para reforçar o ecletismo e a abrangência de um disco com uma sonoridade bastante pop e acessível. As canções também se destacam pela voz de Matthew e o vigor da bateria de Stefan é outro trunfo essencial, como se percebe, por exemplo, na cadência de Human, mais uma composição que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje não deixa ainda, como se percebe neste Otero War, de ser um manancial de inspiração no momento de compôr. 

Numa época em que muitos críticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção essa crítica, assentando tal permissa não só na elevada qualidade da sua seleção instrumental, mas também numa habilidade lírica incomum e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.

Disco dominado essencialmente pelas guitarras, há em Otero War um notório amadurecimento na forma desta banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...

Caveman - Otero War

01. Never Going Back
02. Life Or Just Living
03. On My Own
04. Project
05. Lean On You
06. The State Of Mind
07. 80 West
08. Human
09. Believe
10. Over The Hills
11. All My Life
12. I Need You In My Life


autor stipe07 às 22:20
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2016

Leapling - Suspended Animation

Depois de no início de 2015 me terem espantado com o fabuloso Vacant Page, os nova iorquinos Leapling, um quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione e que plana em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica, regressaram aos lançamentos discográficos com Suspended Animation, um álbum que viu a luz do dia a dez de junho, através da Exploding In Sound.

Hey Sister, Alabaster Snow e One Hit Wonder são alguns dos momentos altos de Suspended Animation, um trabalho que continua a revelar extraordinários acordes de guitarra com um comovente objetivo melódico, como só estes Leapling nos sabem oferecer. Tal é, sem dúvida, o resultado de todas as experiências acumuladas por Dan Arnes, o líder do projeto, além, claro, das referências melódicas típicas do grupo, que da herança que os The Beach Boys, os The Kins e os The Smiths, passando pelos Wilco, nos deixaram, parece também utilizar referências do próprio quotidiano para construir um panorama instrumental e lírico que pende ora para o rock experimental, ora para a indie pop adocicada e acessível.

Estes Leapling continuam a provar serem mestres no desenvolvimento de uma instrumentação radiante, reflexo da capacidade do grupo em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que se repete neste Suspended Animation, disco que fala de paixão e de amor, como os melhores psicoativos sentimentais que podemos usar, mas também de portas que se abrem para nunca mais se fechar, decisões difíceis e manhãs irrepetíveis, exemplos felizes do lado mais sensível e emotivo deste grupo. E o que mais sobressai durante a audição integral do trabalho é a perceção clara que os Leapling optaram por ligar a sua faceta experimental a pleno gás, obtendo um balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, mas sem nunca descurar aquela particularidade fortemente melódica que já define o arquétipo das suas composições. Espero que aprecies a sugestão...

Leapling - Suspended Animation

01. I Decide When It Begins
02. Alabaster Snow
03. Don’t Move Too Fast
04. Shakin’
05. You Lemme Know
06. Suspended Animation
07. One Hit Wonder
08. Hey Sister
09. Why Can’t You Open Up Your Door?
10. Good Morning (It’s Okay)
11. Time Keeps Tickin’


autor stipe07 às 23:19
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Terça-feira, 7 de Junho de 2016

Psychic Ills – Inner Journey Out

Um das mais curiosas apostas do catálogo da Sacred Bones Records são os Psychic Ills, um projeto norte americano oriundo da big apple e que desde 2003 tem divagado por um universo de explorações sonoras que criam pontos de interseção seguros e estreitos entre eletrónica, rock ambiental e rock progressivo, sempre com uma toada eminentemente lo fi e psicadélica, que até nem dispensou alguns artifícios caseiros de gravação, como se percebe em Inner Journey Out, o quinto disco do grupo, editado no passado dia três de junho pela referida etiqueta.

Tocar a nostalgia e dar vida a uma sensação tão singela e simultaneamente perene como essa requere, obrigatoriamente, uma jornada sonora com uma elevada dose de bom gosto e que busque uma harmonia e um rigor instrumentais que são, quanto a mim, uma imagem de marca destes Psychic Ills. Essa evidência fica plasmada bem cedo, durante a audição de Inner Journey Out, não só na escuta do orgão de Back To You e no modo como os instrumentos percussivos e de sopro vão sendo adicionados à melodia, à medida que a emotividade vocal de Tres Warren toma conta do nosso âmago, mas também, e principalmente, no ritmo efusiante, marcado pelo baixo rugoso e pelo compasso de uma bateria intransigente nos tempos e que se vai deixando enlear por uma distorção de guitarra a espumar aquele blues tipicamente americano até ao tutano, em Another Change, mas também na luminosidade das cordas da folk boémia e contemplativa de I Don't Mind, canção que conta com a participação especial de Hope Sandoval (Mazzy Star) e que na componente eletrificada, também ressuscita alguns dos melhores atributos do cardápio de efeitos que define a típica guitarra do outro lado do atlântico e que exala uma mansidão folk rock psicadélica incomum e capaz de nos envolver num torpor intenso.

Já completamente absorvidos por um início de alinhamento tão intenso e incandescente, levamos um soco no baixo ventre quando entra pelos nossos ouvidos Mixed Up Mind, canção que, quanto a mim (e como ninguém vai ler isto, posso dizê-lo abertamente), tem na sua génese tudo para ser sexualmente bastante apelativa e funcionar como um verdadeiro e eficaz estimulante. Na verdade, quer esta Mixed Up Mind, quer All Alone, parecem uma espécie de parelha inseparável, dois temas que se enrolaram sem apelo nem agravo, envoltos numa sonoridade que faz com que pareçam ter estado presos num qualquer transítor há várias décadas e que finalmente libertados com o aconchego que a evolução tecnológica destes dias permite, tendo ficado disponíveis algures num assento almofadado virado para uma solarenga praia, no início daquela madrugada que todos vivemos uma vez na vida, ou na cama mais confortável lá de casa, com vista para um vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, se bem acompanhados, oferece-nos uma estadia de magia e delicadeza invulgares.

Até ao final aguardam-nos muitas outras surpresas e instantes de difícil mas bastante acessível e recompensadora catalogação sonora, que experimentados à boleia do cinismo de Coca-Cola Blues, da simplicidade crua de Music In My Head e da exuberância e majestosidade de Ra Wah Wah, permitem-nos a absorção plena e dedicada de uma assumida grandiosidade celestial, onde o retro se confunde com charme, uma simbiose à qual é impossível ficar indiferente, imbuída de uma salutar complexidade que coloca os autores rumo ao típico rock que se situa num patamar superior de abrangência.

Estes Psychic Ills deixam-nos viajar no tempo e enquanto nos fazem recuar quase meio século, sob o efeito soporífero de canções que parecem não ter um tempo exato para viverem e que se deixam espraiar até ao limite de tudo aquilo que têm de sublime para nos transmitir, oferecem-nos uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos deixou até hoje. Espero que aprecies a sugestão... 

Psychic Ills - Inner Journey Out

01. Back To You
02. Another Change
03. I Don’t Mind
04. Mixed Up Mind
05. All Alone
06. New Mantra
07. Coca-Cola Blues
08. Baby
09. Music In My Head
10. No Worry
11. Hazel Green
12. Confusion (I’m Alright)
13. Ra Wah Wah
14. Fade Me Out


autor stipe07 às 23:23
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2016

Beck - Wow

Beck - Wow

Depois de mais de meia de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, regressou em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora, com a divulgação de um novo single intitulado Wow, se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço, depois de no verão passado ter igualmente surpreendido com outro single intitulado Dreams.

Entre o hip-hop e o R&B, Wow deverá fazer parte do alinhamento do próximo disco de Beck e, de acordo com o músico, o sucessor de Morning Phase será um trabalho completamente diferente e misturará garage rock com dance music. Assim, além de ter sido uma enorme surpresa, esta canção merece destaque porque nela Beck colaborou com vários ilustradores, designers gráficos e artistas, nomeadamente o português Bráulio Amado. Este designer gráfico vive em Brooklyn, Nova Iorque e foi, juntamente com o realizador Jimmy Turrell, co-responsável pela direcção de arte do tema. Confere...


autor stipe07 às 23:59
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Quarta-feira, 1 de Junho de 2016

Porches – Pool

Foi em fevereiro que regressou aos lançamentos discográficos um dos projetos mais interessantes da pop alternativa nova iorquino da última meia década. Refiro-me aos Porches de Aaron Maine, grupo já com seis discos em carteira, sendo o último Pool, doze canções efusiantes e impregnadas com um entusiasmo ímpar, que da pop mais clássica ao jazz, passando pelo R&B, a eletrónica e o rock mais rugoso, abarca um alargado leque de influências e detalhes, que merecem atenção e audição dedicadas.

O sintetizador abafado de Underwater faz-nos submergir, de imediato, para um mundo em que, como o título do álbum sugere, festa e água se confundem, numa teia que nos enrola e nos pode deixar completamente inertos e submissos. Aliás, o charme inebriante da batida de Braid e, mais adiante, das teclas do introspetivo R&B que alimenta o tema homónimo, dão-nos as mãos e conduzem-nos para um canto onde somos completamente seduzidos e dominados por um mundo onde estamos rodeados de biquinos curvilíneos e troncos delineados, um cenáro idílico para quem tem aquilo a que usualmente e duvidosamente chamam bom gosto e glamour.

Pool prossegue, quase sem darmos por isso e a cândura retro de Glow e a exuberância e majestosidade de Be Apart, conferida pelo modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam nesse tema, não permitem que vacilemos na demanda por um cruzar de olhares que será certamente fatal, mesmo que, logo depois e em oposição, o trompete descarado, a bateria empolgante e o piano com uma tonalidade mais nostálgica, reflexiva e introvertida de Shaver, nos faça acordar um pouco enquanto nos oferece esta eficaz oscilação e simbiose entre os dois mundos sonoros onde estes Porches se movem, com elevada  mestria, criatividade, heterogeneidade e confiança.

Não é possível deixar para trás Pool sem referir e enfatizar o modo como a voz de Maine dá relevo a tons mais agudos e a emoção que transborda, intensae efusiva em Shape, por exemplo, em pouco mais de trinta minutos que plasmam uns Porches a procurar um cada vez maior ecletismo e a tentar estabelecer um óbvio progresso relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes, impressiona neste alinhamento o modo como os Porches exploram territórios menos imediatos e emotivamente mais intrincados e abrangentes e estes nova iorquinos parecem perceber que as grandes bandas atingem elevados patamares quando se reinventam-se permanentemente e exploram diferentes campos musicais. Espero que aprecies a sugestão...

Porches. - Pool

01. Underwater
02. Braid
03. Be Apart
04. Mood
05. Hour
06. Even The Shadow
07. Pool
08. Glow
09. Car
10. Shaver
11. Shape
12. Security


autor stipe07 às 21:31
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