music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e que divulguei na altura, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Caveman, um homónimo lançado no passado dia dois de abril por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico folk rock norte americano.
Forjado num celeiro de New Hampshire, propriedade da avó de Iwanusa, Caveman é resultado de longas jam sessions, dentro de uma sonoridade post rock que tinha tido alguns lampejos na estreia e que caraterizava as anteriores bandas dos elementos do quinteto, veteranos e profundos conhecedores do cenário musical nova iorquino (We’d all sit in this one room together and one by one we’d all go into the bathroom and record ourselves making the most psycho noises possible.).
No entanto, apesar do nome e dessa herança, Caveman não tem muito de cavernoso e obscuro, pois até é um disco com uma sonoridade bastante pop e folk, ouvindo-se apenas algum barulho e distorção aqui ou ali. As canções destacam-se pela voz de Matthew e pela vigorosa bateria de Stefan, havendo lampejos de pop (My Time), de alt country (Old Friend) e experimentações etéreas (Over My Head e I See You), que chegam a pisar territórios explorados pelos Radiohead ou Pink Floyd, apesar dos Fleet Foxes serem o projeto que mais vezes assalta a nossa memória durante a audição deste homónimo. In The City, o single já retirado do álbum, acaba por ser o seu maior destaque, um tema que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje é reproduzida com mestria, por exemplo, pelos The Antlers.
Numa época em que muitos criticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção o habitual síndroma do segundo álbum, assentando essa permissa numa habilidade lírica incomum, apesar da temática das canções ser algo generalista e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.
Não há uma total reconstrução da sonoridade estética de Coco Beware, disco que foi dominado pelas guitarras, mas em Caveman há um notório amadurecimento na forma da banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que, apesar de fazer com que tenham perdido alguma daquela espontaniedade que as guitarras geralmente permitem que exista, potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...
01. Strange To Suffer 02. In The City 03. Shut You Down 04. Where’s The Time 05. Chances 06. Over My Head 07. Ankles 08. Pricey 09. I See You 10. Never Want To Know 11. The Big Push
Ace Reporter é o projeto musical de Chris Snyder, um cantor, escritor, compositor e multi-instrumentisata de Brooklyn, Nova Iorque e Yearlingo disco de estreia deste projeto, disponível para download gratuito no sitio da banda. Snyder formou este projeto depois de em 2010 os The States, a sua banda de sempre, terem terminado. Após quatro EPs que resultaram de uma iniciativa chamada threesixfive project, este músico, que começou a tocar violino com quatro anos, acabou por, na primavera do ano seguinte, escolher algumas das suas melhores canções e deu início ao processo de gravação de Yearling.
Este disco compila algumas das suas experiências pessoais mais marcantes e conta com as participações especiais do baterista Aaron Steele e do guitarrista Chris Kuklis, tendo sido misturado por Chris Grainger, engenheiro de som dos Wilco e dos Switchfoot, entre outros. A propósito do processo de gravação de Yearling, Chris referiu: During the threesixfive project, I had two hours every evening to write, record, and mix a new song. This meant that I had to give up on premeditation, whatever happened when I sat down to write became the song, period. I generally didn't bother to flesh out an idea before pushing the record button because I just didn't have time. Recording the album was an opportunity to see where a few of the songs could go beyond that.
O conteúdo de Yearling é diversificado e balança entre o pop rock melodioso de Untouched And Arrived, um tema onde as cordas e a bateria conjugadas com a voz de Snyder resultam na perfeição. Apreciei igualmente o groove de Collected Works e não posso ainda deixar de destacar os violinos que se podem escutar em If I See You Again.
Globalmente, Yearling acaba por relatar um ano da vida de um músico e poeta, um artista com uma enorme capacidade quer ao nível da escrita, quer da composição. Cada canção é um fragmento da sua existência e evoca diferentes locais, situações e momentos pelos quais passou e não apenas em Nova Iorque. O próprio Snyder assume que este disco é auto biográfico e o resultado de uma vontade explícita de fazer algo introspetivo e solitário, depois do fim dos The States. Suddenly I was a musician without a mission after The States broke up. I wanted to do something extremely solitary, and overnight the threesixfive project was born. The record feels like an inside-out biography, and the threesixfive project even more so, which is why the lyrics tend to oscillate between diary-like and impressionistic. The songs are snapshots of slippery, fragile moments, which are gone as soon as they come.Ace Reporter começou por ser um escape, mas agora, com Yearlingna bagagem, Snyder tem argumentos sólidos para expandir este conceito e mostrá-lo ao mundo inteiro. Espero que aprecies a sugestão...
01. Bronze 02. Untouched And Arrived 03. Stick To 04. Into Chicago 05. Aesop 06. Arcadia 07. Collected Works 08. Guilttrip 09. Pepsicosign 10. If I See You Again
Após dois anos de espera, ou até mais para quem considerou Angles (2011) um tiro ao lado na carreira dos The Strokes, esta banda fundamental do universo musical indie punk rock está de regresso com Comedown Machine, um álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis e que volta a colocar este coletivo de Nova Iorque no caminho correto rumo ao pódio do espantoso legado sonoro que ajudaram a criar já no longíquo ano de 2001 com Is This It. Comedown Machine, o quinto álbum do grupo, voltou a ver a luz do dia por intermédio da RCA Records, a editora de sempre dos The Strokes.
Acredito que haja fãs dos The Strokes que tenham gostado do conteúdo de Angles, um álbum cheio de samples e sintetizadores e que pouco queria saber das guitarras e que tinha interrompido uma extraordinária sequência discográfica que ainda no anterior First impressions Of Heart (2006) tinha sido imaculada. Houve mesmo quem desconfiasse do futuro deste coletivo liderado por Julian Casablancas e se atrevesse a pronunciar o seu fim eminente. Comedown Machine é o reflexo de um período de alguma reflexão no seio de uma banda que voltou a gravar toda junta e a acertada tomada de consciência de que, por muita liberdade que exista para se experimentar novos ângulos sonoros e abordagens, quase sempre, o segredo para o sucesso é não deixar a habitual zona de conforto, não mexer numa fórmula vencedora e que, por o ser, nunca se desgasta.
Mesmo com esse tropeção, os The Strokes são um grupo que já não precisa de provar nada para deixar bem impresso o seu legado na história fundamental do rock alternativo e, por esse motivo, podem perfeitamente, logo a seguir, fazer a música que bem lhes apetece. E se essa permissa existiu, como na realidade se consta, então que ninguém se atreva nunca a tentar-lhes impôr ou até sugerir, seja o que for.
Tap Out, o tema de abertura do álbum, indicia desde logo o restante conteúdo e funciona como ruptura com o passado recente e um convincente convite à festa, que só termina, como seria de esperar, com toda a gente muito feliz, em Happy Ending. All The Timee One Way Triggerserão mais dois clássicos do grupo e as guitarras de Nick Valensi e Albert Hammond Jr voltam a rugir alegremente. 50/50e Partners In Crimesão duas súmulas incisivas do caraterístico som dos The Strokes e ainda há espaço para a acelarada Chances, um tema que me encheu as medidas e para uma abordagem mais experimental e blues na Call It Fate, Call It Karma, aquela canção que nunca seria associada aos The Strokes se não fosse conhecida a sua proveniência, uma canção que toca no jazz e numa espécie de bossa nova rock n'roll. Além disso, também há que destacar a energia do punk de 80's Comedown Machine, um dos meus temas preferidos do álbum. No fundo, ainda subsistem alguns laivos de eletrónica, que casam sempre bem com a voz de Casablancas que volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano de destaque, mas é o punk rock orelhudo quem dita as leis.
Depois deste Comedown Machine, o futuro dos The Strokes voltou a ser uma incógnita e os mais puristas poderão recear que esta aparente indecisão entre a eletrónica e o índie rock dançável e orelhudo, à luz dos dois últimos trabalhos, os leve a resvalar novamente para propostas do nível sonoro qualitativo de Angles. Mas o que importa agora é usufruir do presente e, para minha alegria e certamente de muitos de vós, está de regresso a lebre de uma geração que redescobriu, à chegada do novo século, o velho fulgor anguloso e elétrico do rock’n’roll. Espero que aprecies a sugestão...
01. Tap Out 02. All The Time 03. One Way Trigger 04. Welcome To Japan 05. 80′s Comedown Machine 06. 50/50 07. Slow Animals 08. Partners In Crime 09. Chances 10. Happy Endings 11. Call It Fate, Call It Karma
Phosphorescent é o projeto musical de Matthew Houck, um músico que se move entre Brooklyn e o Alabama e que lançou em 2010 o aclamado álbum Here’s To Taking It Easy. Agora, em 2013 e de acordo com o que anunciei em Curtas... LXXV, chegou aos escaparates, a dezanove de março, Muchacho, o sucessor, por intermédio da Dead Oceans, onde Matthew se fez acompanhar do engenheiro de som John Agnello, que ajudou Kurt Vile na construção do memorável Smoke Ring For My Halo.
Escrito numa praia mexicana, Muchacho tem impresso alguns dos mais importantes detalhes do cancioneiro norte americano dos últimos vinte anos. Com raízes na folk, o projeto Phosphorescent já abordou sonoridades mais excêntricas, nomeadamente em Pride (2007), mas depois passou a deixar-se influenciar pela dor e pela saudade, quer no álbum seguinte, quer neste Muchacho.
Wilco, Jim James, Bon Iver e até os Lambchop são referências óbvias de um projeto e um álbum que, por abarcar um universo sonoro rico e vasto, estende-se para além dos limites iniciais da composição. Há canções grandiosas (The Quotidian Beasts) e outras mais simples, quer na escrita, quer na sonoridade (Muchacho's Tune) e onde elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres se apoderam da obra com extrema delicadeza.
Muchacho é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos, algo percetível logo na abertura, em Sun, Arise! (An Invocation, An Introduction). A temática das canções gira em redor da dor da perca e do posterior e indispensável processo de libertação, algo plasmado no tema homónimo (See I was slow to understand, This river’s bigger than I am, It’s running faster than I can, though lord I tried) ou em Terror In The Canyons (Now you’re telling me my heart’s safe, And I’m telling you I know/,You’re telling me lean in and I’m telling you to go), canções onde Houck parece lentamente despertar e onde deixa para trás a dor expressa nos álbuns anteriores, utilizando então Muchacho para depurar antigos fantasmas.
Mas o disco tem outros destaques... Ride On, Right On é uma canção rock com um clima eletrónico e Down To Gorecorda os momentos mais sombrios e introspetivos dos The National. E depois há Song For Zula, o primeiro single de Muchacho, um tema épico, cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que expressam com particular envolvência o amor, que volta a ser elevado em em Terror In The Canyons (The Wounded Master).
Muchacho é a partir de agora a obra prima de Matthew Houck. Sem precisar de soar demasiado grandioso, Phosphorescent celebra a melancolia como quem sobreviveu à dor e caminha de rosto erguido. Transita intencionalmente entre o passado e o presente e deverá ser uma referência para os seus lançamentos futuros. Espero que aprecies a sugestão...
01. Sun, Arise! (An Invocation, An Introduction) 02. Song For Zula 03. Ride On / Right On 04. Terror In The Canyons (The Wounded Master) 05. A Charm / A Blade 06. Muchacho’s Tune 07. A New Anhedonia 08. The Quotidian Beasts 09. Down To Go 10. Sun’s Arising (A Koan, An Exit)
Conforme anunciei em Curtas... LXXVII os norte americanos They Might Be Giants estão de regresso aos discos, com Nanobots, o décimo sexto álbum da banda e que viu a luz do dia a cinco de março do corrente ano, através da Idlewild Records. Já antes, a vinte e dois de janeiro, tinha sido divulgado um EP com o mesmo nome e que de algum modo antecipava, com três canções, o conteúdo de Nanobots. Atualmente, esta banda de Nova Iorque liderada pela dupla John Flansburgh e John Linnell, conta também na sua formação com Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller.
Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas duas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que fas parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras.
Nanobots é mais uma prova concerta da excentricidade deste grupo, da rara graça como combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, algo também plasmado, desta vez, na capa do disco e na duração do mesmo, com vinte e cinco músicas em apenas quarenta e cinco minutos, que nunca sabemos muito bem onde irão parar.
Nanobots divide-se em duas grandes partes, sendo a primeira metade do disco mais luminosa, criativa e feliz.You’re On Fire e Call Your Mom, um instante rockabilly, trazem de volta a refinada ironia da banda, enquanto o lado comicamente educativo e nerd das suas composições está perfeitamente representado, ainda na primeira metade por Nanobots, um tema muito divertido e que chama a atenção pelo pára-arranca das guitarras e as vozes em harmonia, a excelente Black Ops, canção cheia de teclas e uma belíssima percurssão, Tesla e pela nostálgica Circular Karate Chop, tema que abre com um riff clássico e bem oleado.
Na segunda metade temos dez temas, pequenas vinhetas com menos de um minuto que abrangem um vasto universo sonoro, atestando o talento e a variedade musical de um grupo que usa com a mesma mestria cordas, metais e instrumentos de sopro.
Os They Might Be Giants já abandonaram há algum tempo o rótulo de banda para crianças, mas se as crianças os ouvissem diariamente, o mundo seria um local muito mais divertido. Nanobots, um disco sem concessões, está disponível para audição no soundcloud da banda. Confere e espero que aprecies a sugestão...
01. Call You Mom 02. Lost My Mind 03. Black Ops
01. You’re On Fire 02. Nanobots 03. Black Ops 04. Lost My Mind 05. Circular Karate Chop 06. Call You Mom 07. Tesla 08. Sleep 09. Stone Cold Coup D’etat 10. Sometimes A Lonely Way 11. Destroy The Past 12. 9 Secret Steps 13. Hive Mind 14. Decision Makers 15. Nouns 16. There 17. Insect Hospital 18. Tick 19. Replicant 20. The Darlings Of Lumberland 21. Great 22. Stuff Is Way 23. Icky 24. Too Tall Girl 25. Didn’t Kill Me
Os Guards são um trio de Nova Iorque formado pelo vocalista Richie James Follin (irmão de Madeline Follin, o elemento feminino da dupla Cults), Loren Humphrey e Kaylie Church. In Guards We Trust, o disco de estreia, viu a luz do dia a cinco de fevereiro via Black Bell Records e Velvet Vision. O disco está disponível para audição na Pitchfork.
É incontável o número de bandas que nos últimos trinta anos surgiram influenciadas e fascinadas pelos Velvet Underground, desejosas de serem, no imediato, classificados de indie, devido à sonoridade em que apostam, mas também à postura que alimentam. Este trio oriundo da cidade que nunca dorme chamado Guards, não esconde a busca por uma zona de conforto no seio dessa espécie de cliché cada vez mais atual, por estarmos num período de assunção do fenómeno vintage e retro, ao qual a música não escapa. Assim, com tanta oferta e com tantas bandas novas a darem o corpo ao manifesto no universo indie e alternativo, com um cariz assumidamente lo fi e psicadélico, há que dar o devido mérito aquelas que de algum modo se destacam e nos oferecem algo de novo, diferente e contagiante.
Em In Guards We Trust, a guitarra é o instrumento nuclear, o elo de ligação de toda a sonoridade e a distorção que delas debita, o manto que cobre belíssimos teclados e que adorna, com doçura, luz e brilhantismo, doze canções onde a voz se divide muitas vezes entre os universos masculino e feminino. Neste disco os Guards, assumem, sem rodeios, que lhes corre nas veias essa toada surf pop, retro e lo fi, apaixonada e nostálgica, mas sem deixarem de colocar o olho a outros horizontes mais abrangentes. Coming Truee Giving Outnão terão sido certamente escolhidos ao acaso como singles de In Guards We Trust, porque são duas canções que nos remetem para o rock mais comercial.
Esta aparente dicotomia talvez venha um dia a colocar os Guards numa encruzilhada muito semelhante aquela que, por exemplo, os Kings Of Leon tiveram que resolver há meia década. Pessoalmente, estou convicto que os Guards merecem ficar debaixo dos radares mais atentos e espero que se mantenham nesta toada que adorna a estreia. Espero que aprecies a sugestão...
Well take the very best moment that you ever had That’s the one, that is what we have Now take the very same moment when you fell apart Give it back, ‘cause that is where you stopped
Guards - I Know It's you
01. Nightmare 02. Giving Out 03. Ready To Go 04. Silver Lining 05. Heard The News 06. Not Supposed To 07. I Know It’s You 08. Coming True 09. Your Man 10. Can’t Repair 11. Home Free 12. 1 And 1
Os The Ropes são uma dupla norte americana, de Nova Iorque, formada por Sharon Shy, na voz e Toppy nos instrumentos. Conforme podes conferir abaixo, a dupla tem lançado alguns EPs e singles desde 2008, mas agora chegou, finalmente, o primeiro longa duração. Post-entertainment foi lançado pela SINLO Records e está disponível gratuitamente no bandcamp da banda, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.
A sonoridade dos The Ropes é algo abrangente, indo do indie pop lo fi ao rock e ao post punk. Localmente são comparados com grupos tão diversos como os The Cure, The Knife ou Interpol, não só pela questão sonora, mas também porque, liricamente, compôem músicas com letras negras e carregadas de mensagens para reflexão, com destaque apara a letra do tema homónimo que antecipa a morte da rainha da pop (No more happy people singing sad songs And no more screaming unless you're in pain How is everybody doing tonight? About three years before Madonna died, You weren’t aware that you could run out of time. About three years before Madonna died, Post-entertainment, The dividing line).
Assim, além dessa tema, destaco o belíssimo single Hey Faggot e a dançavel Black All Day, Bright All Night. Espero que aprecies a sugestão...
01. America Will Copy 02. Ice Cube In An Ocean 03. Black All Day, Bright All Night 04. People Are Living Longer, But Dying Younger 05. Another Safe Landing 06. Hey Faggot 07. Windows of Windows Of Windows 08. Post-entertainment 09. The 57th Floor
Os Beach Fossils, uma banda de Brooklyn, Nova Iorque e que começou por ser um projeto a solo de Dustin Payseur, ao qual se juntou Tommy Gardner, regressaram aos discos a dezanove de fevereiro com Clash The Truth. Este novo trabalho foi lançado pela Captured Tracks, sucede ao homónimo de 2010 e conta com a participação especial de Kazu Makine dos Blonde Redhead, no tema In Vertigo. Ao vivo, além de Dustin e Tommy, a banda também conta com Jack Doyle Smith e Tommy Davidson e não há que esquecer Zachary Cole Smith, habitual colaborador dos Beach Fossils e líder do projeto DIIV.
Oshin, o disco de estreia dos DIIV, acabou por ter importância na sonoridade de Clash The Truth. Este novo disco, encarna uma maior aproximação aos sons da década de oitenta, com algumas experimentações que denotam um visível acerto e maturidade. As guitarras, quase uma diretriz durante a construção do homónimo de 2010 e posteriormente aplicadas no bem sucedido What a Pleasure EP (2011), agora ganharam mais distorção, aspereza e elevaram o grupo a um novo patamar criativo. O novo mundo sonoro proposto pelos Beach Fossils deixa de ser um passeio tímido à beira mar numa manhã de sol, para passar a albergar um cenário mais noturno, cinzento e urbano.
Apesar da similaridade entre alguns temas, um detalhe importante em Clash The Truthestá na forma como as músicas se interligam e nas pequenas transições e interlúdios que separam algumas canções. São uma espécie de vinhetas climáticas, nomeadamente Modern Holiday, Brightere Ascencion, que preparam o terreno, garantem a formatação de uma obra de maior alcance e até engrandecem algumas canções menores. É o caso de Crashed Out, canção posicionada no final do disco e que só não passa despercebida graças ao estímulo ambiental e sujo da curta composição instrumental que a precede.
Outra transformação curiosa na execução da obra está em perceber que mesmo cercada por um reforço sombrio e por vezes experimental,Clash The Truthé o registo que mais se aproxima do grande público. Basta o riff leve de Generational Syntheticou a relação com o rock alternativo da década de noventa emCarelesse Shallow para perceber esta intimidade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Clash The Truth 02. Generational Synthetic 03. Sleep Apnea 04. Careless 05. Modern Holiday 06. Taking Off 07. Shallow 08. Burn You Down 09. Birthday 10. In Vertigo (Feat. Kazu Makino Of Blonde Redhead) 11. Brighter 12. Caustic Cross 13. Ascension 14. Crashed Out
Molly Hamilton & Robert Earl Thomas são dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas atualmente sedeados em Brooklyn, Nova Iorque. Depois de vários singles lançados nos últimos dois anos e disponíveis no bandcamp da banda e do disco homónimo de estreia, editado em 2011, chegou Almanac, álbum lançado no passado dia vinte e dois de janeiro através da Captured Tracks.
Quando lançaram o primeiro disco, os Widowspeak andavam algures entre a pop de finais dos anos oitenta e não restam dúvidas que é nas construções musicais lançadas há cerca de três décadas que se inspiram, mas sem deixarem de lado sonoridades mais contemporâneas e renovadas. Almanacé um avanço relativamente à estreia homónima porque, apesar de ainda próximos das mesmas experiências consolidadas há dois anos, deixaram de lado as massas elétricas de distorção para viajar no tempo, intergir com maior acerto com a folk e acomodar de forma mais inteligente a tal pop de finais dos anos oitenta, com detalhes sonoros que nos remetem a décadas anteriores. No fundo, sem descurarem a bitola que os orienta, tornaram-se mais abrangentes.
Os Fletwood Mac parecem-me uma influência assumida, mas não é propriamente apenas a dream pop e os acertos típicos do rock alternativo de cariz mais urbano a ditarem as regras em Almanac. Há uma forte cariz bucólico e a presença das guitarras logo desde o início, em The Dark Age, assume uma representação curiosa e bem estruturada de tudo o que marca o atual momento desta dupla nova iorquina; Enquanto a voz de Hamilton, bastante orgânica, representa a busca do campestre, as cordas tocadas por Thomas fazem a ponte com a estreia e o elo entre Almanac e o passado.
Como seria de esperar, esta sonoridade mais polida poderia resvalar para um conteúdo mais comercial, algo a que os Widowspeak não conseguem escapar. E sabemos que esta tendência acaba, muitas vezes, por fazer cair a qualidade do conteúdo. Neste caso concreto, a banda sai airosamente desse risco já que a nova proposta instrumental que revelam vai de encontro ao movimento atual que resgata de forma renovada as principais marcas e particularidades sonoras de décadas anteriores. Temas como Locusts e Minnewaska representam com beleza e qualidade toda essa transformação e deixam água na boca para o futuro dos Widowspeak.
Tendo consciência da sonoridade que carregam, Hamilton e Thomas não fazem de Almanac uma continuação, mas uma espécie de recomeço necessário. Mesmo que por diversas vezes a aproximação com o disco anterior seja visível, cada passo dado no decorrer do disco proporciona ao casal um plano de ineditismo e natural possibilidade de invento. Espero que aprecies a sugestão...
01. Perennials 02. Dyed In The Wool 03. The Dark Age 04. Thick As Thieves 05. Almanac 06. Ballad Of The Golden Hour 07. Devil Knows 08. Sore Eyes 09. Locusts 10. Minnewaska 11. Spirit Is Willing 12. Storm King
Os Summer Hours são um trio de Nova Iorque formado por Rachel Dannefer e Mike Bliss, que se conheceram no Oberlin College e formaram a banda em 2000, com o nome La Pieta. O primeiro disco, Summer, viu a luz do dia ainda esse ano através da Contraphonic Records, ao qual se seguiu Inside Out, em 2003. O baterista Griffin Richardson juntou-se à banda em 2006 e no ano seguinte alteraram o nome para Summer Hours e assinaram pela Deep Elm Records. Este grupo costuma demorar algum tempo a lançar novos trabalhos já que os membros da banda têm uma vida pessoal que os afasta para diferentes pontos do país de origem e os apreciadores dos Summer Hours aguardam sempre com enorme expetativa por novidades. Na verdade, há relatos de que a música deste grupo costuma tocar profundamente no âmago de quem os acompanha com devoção. E essas novidades chegaram no início de 2013; Conforme anunciei num recente Curtas..., Closer Still, produzido por Richard Upchurch nos estúdios Parkside, é o último disco da banda, lançado no passado dia cinco de fevereiro pela Technical Echo Records e está disponível para download no bandcamp da banda.
A propósito de Closer Still, Mike Bliss referiu recentemente: As music lovers, we know how much a great album or song can mean to a person. We want people to feel like our music understands them, supports them, and accompanies them in their life. E na verdade, os Summer Hours parece-me que vão ser bem sucedidos nessa pretensão com este novo álbum. Close and Closer, o primeiro single retirado de Closer Still e oferecido pela banda, é uma canção comovente e que balança entre o shoegaze e a melhor pop rock da década de noventa. E ao longo do disco, também com uma forte raíz acústica, bem patente, por exemplo, em Wintere Seven Count, são as cordas de Mike, um apaixonado pelo hardcore, punk, post-punk e metal e a voz doce de Rachel, uma admiradora confessa da indie pop, quem ditam as regras deste grupo de talentosos músicos, apesar de em Organ Song haver também um belíssimo piano e que, ainda por cima, toca sobre imaginary boyfriends e o amor.
Apesar de à primeira audição tudo parecer relativamente simples nos Summer Hours, há uma inusitada complexidade estrutural e instrumental em Closer Still, algo que advém, certamente, da míriade de influências da dupla em que a banda assenta. E esse tal amor, também na sua vertente mais sofredora e nostálgica, é o tema perfeito das letras, porque também, por ser um sentimento cheio de vida e musicalidade, é algo nem sempre simples, belo e linear. Cada canção assenta no baixo encorpado e nas melodias aditivas que a guitarra cria e soa exatamente ao pretendido. Toda essa vertente sonora capta com emoção, bom gosto e eficácia a energia e a profundidade das letras.
Os Summer Hours são mais um daqueles estranhos casos de uma banda que ninguém percebe como se mantêm tanto tempo longe dos holofotes. Espero que aprecies a sugestão...
Os La Big Vic são Toshio Masuda, Emilie Friedlander, Peter Pearson, uma banda norte americana de Brooklin, Nova Iorque, que se estreou nos álbuns em 2011 com Actually. Conforme referi no Curtas... LXXVIII, este grupo acaba de lançar Cold War, o sucessor, tendo-o feito no passado dia vinte e nove de janeiro pela Underwater Peoples.
Toshio Masuda é um produtor e multi instrumentista japonês, com um passado na pop e no R&B e foi ele quem tomou a iniciativa de começar a banda em 2009, com Emilie Friedlander, uma cantora e, imagine-se, jornalista de crítica musical.
Rapidamente surgiu Peter Pearson, um compositor e teclista, que também se dedica nos tempos livre a restaurar sintezadores antigos e que adora mexer em sons analógicos e interessa-se particularmente pela eletrónica dos anos setenta e pelo trip hop. Com esta reunião repleta de oportunidades e este caldeirão, em Cold War os La Big Vic capturam com perfeição o clima underground da big apple e atiram-se de cabeça na pop experimental que encontra tanta inspiração nesta cidade.
Na verdade, é complicado encontrar bandas com uma sonoridade similar ao que os La Big Vic propôem. E esté é, desde logo, um enorme elogio que lhes pode ser feito. A banda desliza facilmente por terrenos tão díspares como o jazz e o trip hop, as batidas típicas do hip hop são uma presença constante e não há, por exemplo, muitas bandas de rock a usar o violino como instrumento de base e em conjugação com sonoridades eletrónicas. Os La Big Vic fazem este junção com bom gosto e servem-se destas duas vertentes, em conjunto, para criarem uma base melódica melancólica e que consegue fazer-nos imaginar românticas narrativas, algo que até a mim me surpreendeu já que, particularmente, nunca apreciei a sonoridade deste instrumento noutros territórios sonoros sem ser o mais clássico.
O disco tem arranjos exuberantes e cheios de brilho e tal deve-se ao talento de Toshio, que misturou o disco no estúdio montado no seu quarto, mas também à técnica de Steve Griesgraber, que tratou das vozes e do violino, nos estúdios Soft Landing.
Cold War molda os La Big Vic de acordo com o turbilhão de influências musicais que os define, é uma espécie de carta de amor à cidade que nunca dorme, através do som de três músicos que conhecem melhor que ninguém as suas ruas, segredos e esconderijos e os seus desejos mais inconfessados. Espero que aprecies a sugestão...
1. Cold War 2. Emilie Say’s 3. All That Heaven Allows 4. Nuclear Bomb 5. Ave B 6. Save the Ocean 7. Cave Man 8. Charlotte Francis Practice
Son Lux é o projeto de Ryan Lott, um músico de Nova Iorque e que descobri porque a Noisetrade está a disponibilizar para download gratuíto At War With Walls And Mazes, o seu disco de estreia, editado em 2008 pela Anticon e que lhe valeu na altura o título de Best New Artist, pela conceituada publicação NPR. At War With Walls And Mazesé considerado uma espécie de concerto de pop eletrónica e ambiental, onde existe um maestro e depois uma míriade imensa de instrumentos, com Ryan a tomar conta das rédeas nos dois lados da barricada. A sua música, simples e intrigante, feita de intimismo romântico e linhas agrestes de trip hop, tocada por uma fúria experimental que integra uma espantosa solidez de estruturas, é um continente que se desbrava num misto de euforia e contemplação.
Em 2011 seguiu-se o sucessor; O álbum viu a luz do dia em abril de 2011, também por intermédio da Anticon e chamou-se We Are Rising, descrito pela crítica como uma negra simbiose entre Owen Pallett e o período mais recente dos Radiohead. We Are Risingfoi a resposta a um desafio lançado pela NPR que pedia que, do nada, um álbum inteiro fosse criado no espaço de apenas 28 dias. Assim nasceu este álbum que levou bem mais adiante as visões que o próprio antes experimentara no álbum de estreia At War with Walls and Mazes. O disco é uma aventura que transcende as noções de género e fronteira, experimentando cenografias elaboradas e linhas complexas sem contudo perder de vista a ideia da canção. As electrónicas são aqui um elemento estruturalmente marcante, a presença de outros instrumentos amplifica os contrastes e acrescenta cores a uma música que cativa e desafia. We Are Risingé daqueles raros discos que, chegados ao fim, nos compelem a regressar ao início e uma experiência rica em acontecimentos sonoros. Atualmente Ryan está a trabalhar no terceiro álbum.
Durante estes quatro anos e inclusivé nestes dois álbuns, o músico já estabeleceu parcerias e colaborações como nomes tão distintos como Sufjan Stevens, Peter Silberman (The Antlers), These New Puritans, My Brightest Diamond, Nico Muhly, Richard Perry (Arcade Fire) e Judd Greenstein, entre outros. Espero que aprecies a sugestão...
01 Flickers 02 All the Right Things 03 Rising 04 Leave the Riches 05 Flowers 06 Chase 07 Claws 08 Let Go 09 Rebuild
Roberto Carlos, o grande mentor do projeto de eletrónica experimental Helado Negro, vai lançar, através da Asthmatic Kitty, um novo disco em 2013 e que se chamará Invisible Life. Entretanto já foi disponibilizado para download gratuito o primeiro single desse disco; O tema intitula-se Dance Ghost.
Recordo que Roberto tem uma outra banda, os Ombre, em parceria com Juliana Barwick. Editaram Believe You Me no passado mês de agosto, também através da Asthmatic Kitty.
O projeto Sweet Baboo também terá um novo álbum em 2013! O disco irá chamar-se Shipse verá a luz do dia em abril, por intermédio da Moshi Moshi Records. Let´s Go Swimming Wild é o single de avanço para Ships e podes efetuar o download do tema aqui, ou no Facebook do grupo.
Continuando com as novidades já conhecidas para 2013, os Phosphorescent, uma banda de Athens liderada pelo compositor Matthew Houck, já têm sucessor para o disco Here’s To Taking It Easy, de 2010. O novo álbum terá Muchacho como curioso título, mas compreensível porque Houck referiu recentemente que quase todas as canções foram escritas numa praia do México. O primeiro single já revelado de Muchacho é a belíssima Song For Zula. Confere...
Sonsick é o single que antecipa o disco homónimo do projeto San Fermin, um álbum que será lançado a doze de fevereiro de 2013. Os San Fermin são uma banda Brooklyn, Nova Iorque, liderada por Ellis Ludwig-Leone, uma compositora de apenas vinte e três anos que estudou composição musical em Yale e trabalhou como assistente de Nico Muhly, um nome importante nos arranjos de álbuns dos the National, Passion Pit, Sufjan Stevens e muitos outros.
Ellis escreveu este disco homónimo durante uma estadia de dois meses no Canadá e quando regressou a Nova Iorque juntou os restantes elementos dos San Fermin; Holly Laessig e Jess Wolfe, da banda indie Lucius, e Allen Tate. Para abrilhantar ainda mais esta equipa, Ellis serviu-se de músicos que já trabalharam com Bon Iver e com a Asphalt Orchestra, para a gravação de San Fermin.
Finalmente, Raj Dawson, aka Mystery Pills, acaba de lançar um novo single; Anti Patterntem como lado B Vital Signe ambos estão disponíveis no bandcamp do músico.
O single foi gravado nos estúdios Rabbit Hole, em Rapid City, misturado por Stuart Sikes nos Elmwood Recording, em Dallas, Texas e masterizado por Timothy Stollenwerk nos Stereophonic Mastering, em Portland. Confere...
Os pouquíssimos leitores de Man On The Moon e ouvintes do respetivo programa de rádio na Paivense FM terão certamente já notado na insistência com que são divulgados discos que procuram reviver o espírito instaurado nas composições e registros memoráveis lançados entre as décadas de 1970 e 1980. Faço-o não só por gosto pessoal, apesar de Man On The Moon também ter uma forte componente de serviço público, mas também porque 2012 tem sido um ano muito profícuo em álbuns que usam artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período. Assim, de repente, recordo-me de Ty Segall e de Yuck, e numa toada mais psicadélica os Sisters Of Your Sunshine Vapor ou os Moon Duo, tudo lançamentos que se baseiam numa simbiose entre garage rock, pós punk e rock clássico. Light Up Gold, dos Parquet Courts, um quarteto norte americano onde se inclui Andrew Savage do projeto Fergus & Geronimo, chegou aos escaparates através da Dull Tools e é mais um lançamento deste ano de um disco inserido nesta corrente que me deslumbrou e que partilho com enorme satisfação.
Light Up Goldincorpora uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Em pouco mais de meia hora estes quatro músicos apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É, pois, um disco rápido, concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, nomeadamente em Yonder is Closer to the Heart, e no single Borrowed Time que consegue aproximar-se de uma sonoridade que mistura momentos mais luminosos de uns Joy Division, com uma faceta algo adolescente dos Sonic Youth.
A aproximação à psicadelia fica-se por aqui e o cariz lo fi mais típico da Califórnia prevalece apesar desses fogachos. Por exemplo, emYr No Stoneras guitarras aproximam-se do surf rock típico da década de sessenta e a canção consegue fazer-nos visualizar enormes pranchas de surf em pleno rodeo texano. Experimenta ouvir e irás perceber o que eu digo, acredita!
Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Light Up Goldrompe com as tais várias proposta de outros registos similares, porque usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido de não produzirem algo demsaiado sério, aceertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Assim como o touro enraivecido que tenta derrubar o toureiro na capa do disco, Light Up Goldquer derrubar o ouvinte de tanto o fazer dançar. Espero que aprecies a sugestão...
Como já vem sendo habitual, a publicação Noise Trade acaba de disponibilizar, gratuitamente, o seu álbum de natal, uma compilação de vários temas cedidos por bandas e artistas do panorama índie e alternativo, relacionados com esta quadra festiva. A coleção deste ano conta com canções de Sufjan Stevens, Great Lake Swimmers, Hey Rosetta!, John Roderick e Jonathan Coulton entre outros. Fica esta dica de banda sonora para a ceia de natal. Confere e usufrui...
Os Interpol de Paul Banks estão a comemorar o décimo aniversário do lançamento de Turn On The Bright Lights, o álbum que os catapultou para a linha da frente do cenário musical internacional, com todo o mérito e um dos melhores discos da década passada. Fica a reedição especial comemorativa, que contém, além do alinhamento principal remasterizado, um disco bónus com várias demos, inéditos e raridades.
CD 1 (The Original Album, Remastered)
01. Untitled 02. Obstacle 1 03. NYC 04. PDA 05. Say Hello To The Angels 06. Hands Away 07. Obstacle 2 08. Stella Was A Diver And She Was Always Down 09. Roland 10. The New 11. Leif Erikson
CD 2 (The Bonus Material) 01. Interlude (iTunes single) 02. Specialist (Interpol EP) 03. PDA (First Demo, 1998) 04. Roland (First Demo, 1998) 05. Get The Girls (Song 5) (First Demo, 1998) 06. Precipitate (2nd Demo, 1999) 07. Song Seven (Original Version) (2nd Demo, 1999) 08. A Time To Be So Small (Orig Version) (2nd Demo,1999) 09. Untitled (Third Demo, 2001) 10. Stella (Third Demo, 2001) 11. NYC (Third Demo, 2001) 12. Leif Erikson (Third Demo, 2001) 13. Gavilan (Cubed) (Third Demo, 2001) 14. Obstacle 2 (Peel Session, 2001) 15. Hands Away (Peel Session, 2001) 16. The New (Peel Session, 2001) 17. NYC (Peel Session, 2001)
A paixão pela década de oitenta nunca foi um segredo muito guardado pelos Chromatics, que agora levaram ainda mais longe essa fixação ao aventurarem-se numa versão de Ceremony, um clássico dos New Order.
Ceremony foi lançada em 1981, poucos meses após a morte de Ian Curtis e já mereceu versões dos Radiohead e dos Galaxie 500, entre muitos outros. Esta versão dos Chromatics distingue-se pela delicadeza melódica e pela nuvem de letargia feita com sintetizadores que a cobre, fazendo com que o tema soe ainda mais obscuro que o original.
Donos de um disco de estreia bastante apreciado pela crítica e de um ótimo EP lançado em 2011, intitulado What A Pleasure, os Beach Fossils estão de regresso aos discos com Clash The Truth, trabalho que será editado em meados de fevereiro. Já é conhecido o tema Careless, o primeiro single retirado desse novo álbum, uma canção que prova que este grupo de Brooklyn, Nova iorque, está de regresso à boa forma, já que misturam, com coerência, as habituais guitarras típicas do rock de garagem com a leveza da surf music.
Dan Deacon tem tido um ano de 2012 bastante produtivo. Depois de ter lançado America, um dos melhores álbuns de 2012 para Man On The Moon, tem-se dedicado ultimamente a fazer remisturas e mashups, que compilou em Wish Book Volume 1, . Nesta primeira compilação de mixtapes do produtor canadiano ouve-se Grimes, Beach House e PSY, entre outros, em cerca de quarenta minutos de uma sequência de sobreposições curiosas e que unem rap, com hip hop, experimentalismo, eletrónica e toda uma variedade de colagens bastante divertidas.
O cantor folk australiano Angus Stone tem andado atarefado; Começou por compôr uma cover de The Blower's Daughter, um original de Damien Rice, para celebrar o Guinness’ Arthur’s Day e depois deu a conhecer Monsters, mais um single do seu último álbum, intitulado Broken Brights.
O músico norte americano Mark Kozelek, o líder dos carísmáticos Red House Painters, acaba de editar, através da sua Caldo Verde Records, Mark Kozelek - On Tour: A Documentary - The Soundtrack. É um triplo álbum que faz uma resenha da sua carreira na última década, no que diz respeito à sua carreira a solo em nome próprio e ao projeto Sun Kil Moon.
Recordo que no início deste verão divulguei Among The Leaves. Os três discos contêm temas ao vivo, takes, versões alternativas, raridades, covers e um concerto completo em Copenhaga.
CD 1 01. Sam Wong Hotel (From Sun Kil Moon “Admiral Fell Promises”) 02. Alesund (From Sun Kil Moon “Admiral Fell Promises”) 03. Void (Live In Sweden) 04. Bologna Piece 05. Katy Song (Live In Italy) 06. Koko (From Desertshore “Drifting Her Majesty”) 07. Half Moon Bay (Live In Switzerland) 08. Ålesund (Live In Belgium) 09. Australian Winter (Live In France) 10. Logrono Piece 11. Tonight In Bilbao 12. Lucky Man (Hotel Performance) 13. Seville Piece 14. Trailways (Live In Spain) 15. Four Fingered Fisherman 16. Like The River (Live In Spain)
CD 2 01. Lost Verses (From Mark Kozelek “Lost Verses Live”) 02. Australian Winter (Airport Scene) 03. Vigo Piece 04. Blue Orchids (Live In Spain) 05. Third And Seneca (Copenhagen Hotel Performance) 06. Carry Me Ohio (From Mark Kozelek “Lost Verses Live”) 07. You Are My Sun (From Sun Kil Moon “Admiral Fell Promises”) 08. First Unitarian Piece 09. Backstage Unitarian Piece 10. Natural Light (Live In USA) 11. Moorestown (Live In USA) 12. Heron Blue (Live In Canada) 13. Sintra Hotel Performance 14. Take Me Out (Live In Italy) 15. Cruiser (Live In USA) 16. Mistress (Live In USA) 17. Things Mean A Lot (Live In France)
Bonus CD (Live In Copenhagen) 01. 3rd And Seneca 02. Australian Winter 03. Follow You, Follow Me 04. Mistress 05. Church Of The Pines 06. You Don’t Got A Hold On Me 07. Void 08. You Are My Sun 09. Randolph’s Tango 10. Jesus Christ Was An Only Child 11. Brockwell Park 12. Get Along Home Cindy 13. Rock n Roll Singer 14. Natural Light 15. Ålesund
Os We Are Animal são uma banda formada por Cynyr Hamer, Dion Hamer, Sion Edwards, Liam Simpson e Owain Ginsberg. Vêm do norte do País de Gales e preparam-se para lançar o segundo disco, sucessor do estreante e aclamado Idolise, de 2010.
Indus Sealé o single já retirado desse sucessor, gravado na região montanhosa de Snowdonia, na terra natal. O álbum ainda não tem título, mas deverá ver a luz do dia em meados de 2013. Se gostas de Kasabian e Arctic Monkeys, fica sintonizado com estes We Are Animal.
Na sequência da comemoração do aniversário do lançamento de Turn On The Bright Lights, os Interpol e a Matador Records divulgaram e disponibilizaram hoje a primeira demo de Roland, um dos destaques desse álbum, o primeiro desta banda extraordinária. Ao clicares na imagem acedes ao download da demo, gravada algures em Brooklyn, em 1998.
OS R.E.M. podem ter terminado a carreira, mas continuam a render e a colher frutos. Recentemente foi divulgado o vídeo de Blue, realizado por James Franco. Blue é uma das canções de Collapse Into Now, o último disco do grupo de Athens, na Geórgia. Esta canção é uma parceria com Patti Smith que, como os mais atentos saberão, também participou no New Adventures In Hi-Fi, cantando com Michael Stipe na épica E-Bow The Letter.
Panagiotis Melidis, um produtor oriundo de Milão que se esconde atrás de Larry Gus, lançou no início desta semana o seu primeiro álbum e com direito a download gratuito. O conjunto de ficheiros chama-se Silent Congas, está disponível na página da DFA e são nove extraordinárias canções que dão o pontapé de saída numa carreira que será certamente promissora!
Depois de em 2011 ter editado I Need A Vacation, o projeto islandês Ruddinn, liderado por Bertel Ólafsson, está a preparar novas canções. Há poucos dias Bertel enviou para Man On The Moon, em estreia nacional, Chrome Like Mirror, um novo tema que tem tido bastante aceitação nas rádios dessa ilha do atlântico norte. Quando chegar, o novo álbum merecerá certamente toda a minha atenção e divulgação.
Depois do aclamado EP The Rookie, e do álbum de estreia Shadows lançado em 2011, o quarteto californiano The New Division irrompe do silêncio com um novo EP. O trabalho chama-se Night Escapee tem como grande destaque o single homónimo que conta com a participação da dupla dream pop grega Keep Shelly in Athens.
Produzido por John Kunkel, Night Escapeafasta-se um pouco das influências seminais da banda, decalcadas da synthpop dos Joy Division, New Order ou Depeche Mode e explora paisagens sonoras mais ambientais e flutuantes, feitas com sintetizadores cósmicos que levantam voo graças à voz celestial de Sarah P..
01. Pride 02. Kids 03. Night Escape (Ft. Keep Shelly In Athens) 04. Start Over
Os nova iorquinos Ra Ra Riot, de Wes Miles, estão quase a lançar o terceiro disco, que deverá chegar no início de 2013, sendo o primeiro após a saída da multi instrumentista Alexandra Lawn. Beta Loveé o primeiro single e deverá também ser o título desse álbum. Pela amostra, ficarão de fora os elementos mais orgânicos e os violinos, cabendo agora a primazia aos sintetizadores e a uma produção mais eletrónica e futurista. Beta Love será uma das grandes entradas no novo ano!
Coldplay Live 2012é o primeiro registo ao vivo desta banda britânica em nove anos. O concerto foi gravado no Stade de France e teve direito a estreia mundial no cinema ontem, dia 13 de Novembro. A edição em CD e DVD será a dezanove de Novembro e permite aos fãs reviver alguns dos melhores momentos da digressão de Mylo Xyloto.
01. Mylo Xyloto 02. Hurts Like Heaven 03. In My Place 04. Major Minus 05. Yellow 06. God Put A Smile Upon Your Face 07. Princess Of China 08. Up In Flames 09. Viva La Vida 10. Charlie Brown 11. Paradise 12. Us Against The World 13. Clocks 14. Fix You 15. Every Teardrop Is A Waterfall
Ahmed Gallab é Sinkane, um compositor oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão e que desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político. Cresceu no Ohio a ouvir punk, reggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, já tocou com os Of Montreal, Yeasayer, Caribou e, conforme anunciei num Curtas..., lançou no passado dia vinte e três de outubro, por intermédio da DFA de James Murphy, Mars, aquele que já considerado por imensa crítica como um dos álbuns de 2012.
Mars é, antes de mais, um paraíso soul em todos os sentidos, com uma sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave. Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras. No entanto, conta com as contribuições de George Lewis Jr. dos Twin Shadows, Ira Wolf Tuton dos Yeasayer, alguns elementos da banda afrobeat Nomo, do flautista Stutzmcgee e do cantor Roberto Carlos Lange.
Num ano em que têm brilhado nomes como Frank Ocean, Onuinu, XXYYXX, Azealia Banks ou Alt-J, Sinkane dá mais um impulso gigantesco na música tipicamente folk e regional, com tiques da eletrónica, hip hop, dubstep, groove, reggae e o que mais apetecer a quem agora se dedica a esta mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza aos produtores e compositores; Esta é, de certa forma, a seara sonora mais estimulante do ano de 2012, digamos assim e o novo grande nicho criativo, aquele que apresenta um horizonte mais amplo de expansão num futuro próximo.
Seja como for, a velhinha pop não deixa de estar presente, numa vertente um pouco psicadélica, assente nos ritmos e instrumentos africanos, sinal que Sinkane também estudou a fundo as pesquisas magrebinas de Damon Albarn. Mars acaba por soar, em simultâneo e de forma inteligente, como algo sofisticado e descontraído, havendo no ambiente criado pelas canções um certo humor e boa disposição, numa atmosfera típica de um afável e acolhedor dia de verão. Espero que aprecies a sugestão...
Os Ravens And Chimes são uma banda de art rock natural de Nova Iorque e formada por Asher Lack, o vocalista e líder da banda e por Avery Brooks, Rebecca Rossi, Mike Riddleberger e Patrick Ford. Estudantes de arte, música e cinema numa universidade da big apple, juntaram-se em 2005 para fazer música e depois de terem assinado pela Better Looking Records, estrearam-se nos discos, em 2006, com Reichenbach Falls , um disco muito louvado pela crítica local, a que se sucedeu o EP Holiday Life/Carousel, em 2009. Agora, em abril de 2012, editaram Holiday Life, um álbum que só tive oportunidade de ouvir agora, vários meses depois da edição, mas que, pelo seu conteúdo, não queria que passasse em claro.
Holiday Lifeé um álbum sólido e com uma sonoridade limpa e polida, que se aproxima das raízes da melhor indie pop do continente norte americano. Cada uma das canções é um single em potência. Os Ravens And Chimes são de Nova Iorque, mas está no Canadá, onde residem os Arcade Fire de Win Butler e Régine Chassagne, a sua maior influência, que também ditou as fundações dos Fanfarlo, a resposta britânica a esta sonoridade orquestral, feita de pianos com arranjos delicados, esperança, luz, extravagância e sumptuosidade.
Há por aqui melodias etéreas e letras comoventes (Past Lives, Carousel) que conseguem levar-nos para longe da realidade, canções com um ritmo intenso (The Parting Glass, Hearts Of Palm), cheias de alegria, cor e diversão e que forçam o nosso subconsciente a pensar positivamente e a sorrir, mesmo que para isso, nestes dias conturbados, não haja, aparentemente, um motivo palpável.
De certa forma, Holiday Life, ajuda-nos a afastar as nuvens dos nosso problemas e angústias e a pormos na linha da frente mental aquelas coisas, grandes e pequenas, que nos deixam felizes porque, obrigatoriamente, também fazem parte da nossa vida. É como se a audição deste disco, com um valor sentimental inegável, como o título indica, nos fizesse, naqueles cerca de quarenta minutos, conseguir uma catars e tirar férias daquela vida, por defeito quase sempre difícil que vivemos. O final do disco, com o som de pássaros a cantar, é algo surreal e ao mesmo tempo solene, contagiante, tranquilo e reconfortante. Espero que aprecies a sugestão...
01. Division Street 02. The Parting Glass 03. Past Lives 04. Clarissa Explains It All 05. Night 06. In Rooms 07. Hearts Of Palm 08. Fox Gloves 09. Arrow 10. Carousel
O que não falta ao trabalho de Daniel Johnston são composições caseiras consumidas pela dor e a amargura dos versos. Em mais de trinta anos de carreira o músico já forneceu inspiração e canções para uma infinidade de novos e velhos artistas, músicos como a cantora e compositora Marissa Nadler que apresenta agora uma versão mais elaborada do clássico Devil Town. Originalmente gravada no disco 1990, a canção foi lançada no Soundcloud da artista e pode ser obtida gratuitamente.
Estamos no início de novembro, mas os preparativos para o Natal estão em alta. Dessa vez quem nos presenteia antecipadamente são os norte-americanos The Shins, com Wonderful Christmastime, uma versão da canção com o mesmo nome gravada originalmente por Paul McCartney em 1979. Entre guizos, teclados e vozes em coro, a banda lança uma canção que curiosamente parece relacionar-se com os primeiros discos da banda, principalmente o adorável Chutes To Narrow, de 2003.
A Noise Trade acaba de disponibilizar o último álbum de Josh Rouse, lançado no final de 2011. A rodela chama-se Josh Rouse And The Long Vacationse encontra-se disponível para download gratuito.
Os School Of Seven Bells estão prestes a editar um EP intitulado Put Your Sad Downe que sairá a treze de novembro. Este novo trabalho tem cinco músicas, quatro inéditos e Lovefingers, uma cover dos nova iorquinos Silver Apple, e de acordo com Ben Curtis é o material mais divertido que os School Of Seven Bells já produziram. No entanto, o meu tema preferido do EP é esteSecret Days. Confere...
01. Put Your Sad Down 02. Secret Days 03. Faded Hearts 04. Lovefingers 05. Painting A Memory
A Labrador Records disponibilizou recentemente Memories, o novo single dos suecos Sambassadeur e que tem Hours Awaycomo lado B. Confere...
Logo à primeira audição são evidentes as semelhanças entre Banks e o conteúdo dos lançamentos mais recentes da discografia dos Interpol. As canções aproximam-se do pós punk e das mesmas aproximações climáticas que lhe trouxeram destaque com a sua banda. Este músico britânico, naturalizado norte americano está mais solto e procura também adaptar-se e experimentar a mesma indie pop colorida de alguns artistas europeus. Surgem assim aproximações com o trabalho de bandas como Shout Out Louds e em alguma medida os instantes menos sombrios da obra dos Smiths, o que resultou numa sonoridade menos fria do que o conteúdo da estreia a solo.
A tentativa de estabelecer um novo rumo fica logo plasmada no eixo inicial do álbum; The Baseé a minha música preferida neste trabalho e um tema que constituirá um marco na carreira de Paul. Depois, enquanto Over My Shoulderdelimita a construção de melodias práticas e versos acessíveis, Young Againpuxa o músico para um resultado de claras renovações, com o vocalista dos Interpol a mergulhar em pequenos encaixes eletrónicos, acordes leves, dedilhados e vozes que se mantêm suaves até os últimos instantes. Sobra até para o cantor raspar na fragilidade da folk na abertura da ensolarada e inteiramente instrumental Lisbon, uma das composições mais delicadas e distintas de toda a carreira do artista.
Enquanto a primeira metade do álbum concentra o que há de mais raro e diferente em toda a trajetória do músico, na segunda metade Banks vai de encontro ao que há de mais tradicional e obscuro nas suas composições. Surgem assim aproximações diretas ao trabalho com os Interpol, resultado identificado nas guitarras e vozes sóbrias que delimitam toda a mecânica de Paid For That, canção que poderia facilmente ser encontrada no último disco, homónimo, da banda de Nova Iorque. A mesma tonalidade é audível em Summertime Is Coming, canção que mesmo mergulhada em acertos mais acústicos, está sonoramente próxima de tudo o que o músico está habituado a promover. Um dos grandes trunfos de Banks acaba por assentar no registo vocal de Paul que, à semelhança dos Interpol, mantém uma elevada capacidade de atrair o ouvinte.
Com uma proposta menos experimental do que na estreia e canções dotadas de forte delineamento comercial, em Banks, Paul demonstra que está pronto para arriscar novos territórios e experiências. Espero que aprecies a sugestão...
1. The Base 2. Over My Shoulder 3. Arise, Awake 4. Young Again 5. Lisbon 6. I’ll Sue You 7. Paid For That 8. Another Chance 9. No Mistakes 10. Summertime Is Coming
Os Black Marble são Chris Stewart e Ty Kube, uma dupla natural de Brooklyn, que lançou no passado dia nove de outubro, através da Hardly Art, A Different Arrangement, o disco de estreia.Staticé o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.
É imediatamente visível uma forte componente conceptual em A Different Arrangement. O aspecto da capa do disco e depois, o que realmente importa, a sonoridade da banda, tudo remete-nos, no imediato, para o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. A estética não recusa a originalidade a a autenticidade, mas os Black Marble tentam recontextualizar e fazer progredir, neste conjunto de canções, aquela premissa que há trinta anos atrás colocava o sintetizador analógico na linha da frente e a nostalgia na proa das construções melódicas.
A própria postura vocal de Stewart abraça a tonalidade típica de um Ian Curtis que se rege pelo baixo e por batidas insistentes, o que ajuda imenso a criar a tal tensão melancólica. É como se ele estivesse a cantar num beco de Brooklyn, envolvido por uma espessa camada de nicotina.
Neste A Different Arrangement, o post punk transcende-se e sente-se uma emoção histórica que se encaixa também confortavelmente na tradição gótica dos anos oitenta, mas com uma leitura mais contemporânea, com uma produção minimal, mas brilhante. Espero que aprecies a sugestão...
01. Cruel Summer 02. MSQ No-Extra 03. A Great Design 04. A Different Arrangement 05. Limitations 06. UK 07. Static 08. Last 09. Legends 10. Safe MInds 11. Unrelated
Os Suburban Living são o projeto de Wesley Bunch, um músico de Norfolk, na Virgina, com uma sonoridade dream pop, feita de guitarras e sintetizadores e com reminiscências dos anos oitenta. Depois do single Give Up(outubro de 2011), editaram há algumas semanas o EP Cooper's Dream. Confere...
01. I Don’t Fit In 02. Give Up 03. Prom 04. Float In Clouds 05. Cooper’s Dream
Quem também tem novo disco são os Cold Showers. O álbum chama-se Love And Regrete baseia-se num post rock eletrónico, como se os New Order tivessem Nick Cave na voz. BC é o primeiro single já conhecido de Love And Regret e viu a luz do dia a nove de outubro.
01. Alight 02. I Don’t Mind 03. Violent Cries 04. So I Can Grow 05. BC 06. In Terms Of Pleasure 07. New Dawn 08. Seminary
O músico Simon Bonney ressuscitou há alguns dias, para gravarem a primeira canção e álbum em vinte e dois anos, os Crime And The City, uma banda que deu cartas nos anos oitenta e que inclui membros dos The Birthday Party, Swell Maps e Einstürzende Neubauten. O tema chama-se My Love Takes Me There, foi disponibilizado para download gratuíto pela Mute e fará parte de American Twilight, álbum que terá, inclusivé, direito a digressão.
Os nova iorquinos Lazyeyes gostam de se descrever como intérpretes de uma sonoridade surfgaze, ou seja, uma espécie de mistura entre a surf pop e o shoegaze. A partir do momento me que carregamos no play e começamos a escutar as composições deste projeto, percebemos imediatamente o quanto foram felizes na invenção desta terminologia sonora; Nostalgia, tema que os Lazyeyes disponibilizaram para donwload no Bandcamp da banda, é uma canção que soa exatamente a algo feito propositadamente para aquele período de transição entre o verão e o inverno.
Depois de em Curtas... LX ter divulgado que Trent Reznor ressuscitou os How to Destroy Angelse que esta banda edita no próximo dia treze de novembro, através da Columbia Records, o EP An Omen, trabalho que deve manter as mesmos experimentações e sonoridades eletrónicas da estreia em 2010, agora, no soundcloud dos How To Destroy Angels, foi divulgada uma remistura de Dave Sitek, do primeiro single do EP, Keep it Together, disponível para download gratuíto. Confere...
Os Graph Rabbit são uma dupla de Brooklyn, Nova Iorque, formada pelo compositor, guitarrista e vocalista Austin Donohu e pelo pianista experimental Shy Kedmi. Snowblind é o disco de estreia, e foi editado no passado dia nove de outubro pela Butterscotch Records.
Este disco, produzido por Allen Farmelo, é a banda sonora perfeita para uma calma e perguiçosa manhã de domingo, em que se tira algum tempo para nós e para parar um pouco e meditar.
As composições que preenchem Snowblind criam um ambiente cinematográfico; Às vezes parece que, ao ouvi-lo, nomeadamente em Only Fields, estamos a abrir aquela caixinha de música que todos vimos na nossa infância, com a bailarina a rodopiar em cima enquanto se absorve também letras encantadoras, que falam muitas vezes de sentimentos ímpares e da ternura humana. Cria-se ao nosso redor uma espécie de névoa celestial, com uma beleza sonora que nos deixa boquiabertos e faz da estreia destes Graph Rabbit uma jóia verdadeiramente preciosa. Para mim, o melhor exemplo de como o conseguem é no inusitado momento de agitação elegante e introspetiva de Falling Snow, onde um falsete etéreo e o xilofone nos obrigam a esquecer tudo o que nos rodeia e a refugiar-nos numa espécie de feliz isolamento auto imposto.
Há aqui algo que nos enfeitiça e uma narrativa às vezes dura e angustiante, o que surpreende porque surge da mente critiva de dois novatos, mas que, consciente ou inconscientemente, conseguiram chegar ao nível de alguns dos melhores momentos criativos de nomes como os Radiohead, Efterklang, Beach House ou os próprios Sigur Rós. São pouco mais de trinta e seis minutos onde Austin e Kedmi parecem ter encontrado o equilíbrio perfeito entre os cenários de sonho de Victoria Legrand, os ambientes etéreos idealizados por Jónsi e a narrativa intrigante e a postura vocal de um Thom Yorke, como é bem audível em Make It Stop.
A dupla tem tocado apenas com equipamento analógico e acústico, para recriar fielmente a aúrea e a simplicidade deste ambiente sonoro enebriante. Estes Graph Rabbit merecem ser escutados e é justo que se passe a palavra e que sejam mais divulgados, já que, na estreia, criaram algo absolutamente raro, deslumbrante e capaz de tocar no íntimo mais profundo que habita em cada um de nós. Espero que aprecies a sugestão...
01. My Name 02. Blackwood Tree 03. Butterscotch 04. White Birds 05. Make It Stop 06. Falling Snow 07. Only Fields 08. White Out
Lonerism, de longe um dos grandes registos de 2012, continua a produzir dividendos aos Tame Impala, nomeadamente na forma de remisturas de alguns dos seus temas mais quentes. E um deles é, sem dúvida Elephant, canção capaz de passear por uma sonoridade densa e que o projeto Canyons Wooly Mammoth pouco profanou, aproveitando-se apenas das expressivas guitarras que passeiam pela canção para gerar um composto ainda mais grandioso, experimental e assim próximo das pistas de dança.
Sem tempo para descanso, o norte americano Chaz Bundick, grande mentor dos Toro Y Moy, anunciou para o começo de 2013, mais precisamente a vinte e três de janeiro, a chegada do terceiro álbum do projeto. Denominado Anything In Return, o sucessor do ótimo Underneath The Pine deve manter a mesma premissa dos lançamentos anteriores do músico, que cada vez mais se afasta das experimentações lo fi de outrora para brincar à sua maneira com a música pop. Repleta de ecos, batidas eletrónicas e os tradicionais sintetizadores,So Many Detailsfoi a escolhida como primeiro single de Anything In Return.
Seguidores confessos dos Daft Punk, a proposta musical da dupla nova-iorquina Holy Ghost! é fazer o ouvinte dançar, ao mesmo tempo que também caminham por vias próximas das que definem o trabalho de bandas como Cut Copy, Alex Frankel e Nicholas Millhiser.
It Gets Darké o novo tema divulgado pelo grupo e continua na linha do que foi explorado o ano passado no disco homónimo de estreia e abre as portas para os próximos inventos da dupla, que em breve deve chegar com um novo disco.
Os Frankie & The Heartstrings acabam de divulgar um novo single intituladoI Still Follow You, o primeiro a ser retirado daquele que será o segundo álbum desta banda, gravado no último verão e produzido por Bernard Butler, guitarrista dos Suede. O novo disco deverá ver a luz do dia em 2013 e este single está disponível para download no sitio da banda.
A DFA disponibilizou recentemente para download gratuíto no soundcloud da editora Runnin, o primeiro single de Mars, disco do coletivo sudanês Sinkane, sedeado em Brooklyn, Nova Iorque. Mars sairá para as lojas em novembro através da DFA (EUA) e da City Slang(Europa)!
Os Sinkane são formados por Ahmed City, Jaytram, Mikey Freedom Hart e Mike Montgomery e esta amostra obriga-me a estar bem atento ao disco que aí vem..