Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Ra Ra Riot – Need Your Light

Lançado a dezanove de fevereiro último através da Barsuk Records, Need Your Light é o mais recente registo discográfico dos norte americanos Ra Ra Riot de Milo Bonacci, Wes Miles, Mathieu Santos, Rebecca Zeller, Kenny Bernard e John Pike, uma banda oriunda de Siracusa, nos arredores de Nova Iorque e com mais de uma década de uma já respeitável carreira, que tem merecido cada vez maior atenção da crítica especializada, um efeito que este quarto longa duração do grupo irá certamente ampliar.

Produzido por Rostam Batmanglij e Ryan Hadlock, Need Your Light mantém os Ra Ra Riot no trilho de um indie rock bastante melódico e sentido, que agrega eficazmente guitarras e efeitos sintetizados, uma estratégia de composição simbiótica que se mantém intacta desde o extraordinário The Rhumb Line, o disco de estreia do grupo, editado em 2008.

Álbum após álbum, a concepção sonora dos Ra Ra Riot, parecendo algo estanque, já que a bitola é curta e, instrumentalmente, o grupo não costuma variar demasiado, não deixou que o grupo deixasse de conseguir ir inovando e de apresentar novas nuances, pois houve sempre a busca de uma recomendável versatilidade, principalmente ao nível da panóplia de arranjos e distorções das guitarras que foram sendo sugeridas. Assim, se o ambiente mais festivo de Beta Love, o antecessor deste Need Your Light, entroncou em alguns dos pilares essenciais da pop atual, agora é declaradamente assumido um piscar de olhos a territórios mais experimentais e progressivos, com as batidas e os sintetizadores de Water Call Me Out e o abraço nostálgico que nos é oferecido pelas guitarras de Absolutely e de Every Time I'm Ready To Hug, a destacarem-se num alinhamento que prima também pela versatilidade vocal, na demanda de um equilíbrio nem sempre fácil de obter entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes músicos em testar, sempre dentro da tal baliza, novos arranjos, técnicas e sonoridades.

Os leitores mais atentos e conscientes da realidade musical e identitária dos Ra Ra Riot, ao escutarem a discografia da banda cronologicamente, acabarão por perceber que o conteúdo deste Need Your Light é, de certa forma, um passo lógico, na medida em que o próprio percurso anterior já tinha deixado algumas pistas sobre a vontade do grupo em apostar numa maior primazia dos sintetizadores, até porque estes nova iorquinos sempre provaram ser uma banda inquieta e que não repete a rigor a última rota que percorreu. Espero que aprecies a sugestão...

Ra Ra Riot - Need Your Light

01. Water
02. Absolutely
03. Foreign Lovers
04. I Need Your Light
05. Bad Times
06. Call Me Out
07. Instant Breakup
08. Every Time I’m Ready To Hug
09. Bouncy Castle
10. Suckers


autor stipe07 às 22:02
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016

We Are Scientists – Helter Seltzer

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos com Helter Seltzer, o quinto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Logo no trocadilho entre uma conhecida marca de águas internacional e o clássico dos The Beatles Helter Skelter fica expressa a habitual boa disposição de uma banda que muitas vezes parece pedir para não ser levada demasiado a sério, apesar de já amealhar na sua herança alguns pergaminhos sonoros que apesar de inapelavelmente fazerem alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos e as t-shirts coloridas e convidarem a que se ponha o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa, também são verdadeiros marcos sonoros, já que temas como Nobody Move, Nobody Get Hurt ou The Great Escape e Impatience, são hinos não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

A banda sonora destes We Are Scientists e de Helter Seltzer firma-se, pois, no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, um rock algo inofensivo e que em canções como Buckle ou a rugosa Classic Love se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor às composições.

Cada uma destas novas dez músicas que os We Are Scientists propôem reflete, portanto, um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de canções que vão cair facilmente no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo. O grande segredo dos We Are Scientists reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar, por isso, aproveitem bem o spotify abaixo e se a festa estiver divertida e onde quer que se encontrem, desde que este disco esteja a tocar e a cerveja esteja fresquinha é só avisar-me que se estiver nas redondezas irei ter convosco. Fico à espera de um convite e espero que aprecies a sugestão...

We Are Scientists - Helter Seltzer

01. Buckle
02. In My Head
03. Too Late
04. Hold On
05. We Need A Word
06. Want For Nothing
07. Classic Love
08. Waiting For You
09. Headlights
10. Forgiveness

 


autor stipe07 às 18:23
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2016

Parquet Courts - Human Performance

Lançado a oito de abril por intermédio da Rough Trade Records, Human Performance é o novo registo de originais dos norte americanos Parquet Courts, uma banda nova iorquina formada pelos guitarristas Andrew Savage e Austin Brown, o baixista Sean Yeaton e o baterista Max Savage e um dos coletivos do universo indie e alternativo mais aclamados da última meia década, muito por culpa de canções que parecem viajar no tempo e que, disco após disco, vão amadurecendo numa simbiose certeira entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

Abrigados numa filosofia instrumental que nos remete facilmente, por exemplo, para a herança dos The Velvet Underground de John Cale, os Parquet Courts servem-se de arranjos sujos e guitarras desenfreadas, às vezes com uma forte índole psicadélica. Este detalhe também aproxima o grupo do lado do lado de cá do atlântico, até à herança de nomes como os Television ou os Talking Heads e até os britânicos Wire. Assim, chegam a Human Performance na fase mais madura da sua curta, mas já rica, carreira e com vontade de bater ensurdecedoramente às portas de um sucesso que materialize numa superior e merecida exposição a um número cada vez maior de ouvintes, já que este quarteto é, sem sombra de dúvidas, um dos coletivos mais excitantes e inovadores do espetro musical em que se movimenta.

Como não podia deixar de ser e tendo em conta os álbuns anteriores, nomeadamente o fabuloso Sunbathing Animal, trabalho que há dois anos tirou os Parquet Courts definitivamente das sombras, Human Performance é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das suas diferentes composições, sempre com o acompanhamento exemplar do baixo, mas é dado, desta vez, um maior relevo à vertente sintética, com Dust, logo na abertura do alinhamento, a cimentar esta nova nuance. Apesar de estar impecavelmente produzido, este é um registo que não deixa de soar a um daqueles trabalhos que parece ter sido gerado por artifícios caseiros de gravação, além de não descurar métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu o rock de finais dos anos setenta, até ao período aúreo do rock alternativo de final do século passado.

Savage continua a escrever canções para ouvir a qualquer hora do dia, sem que necessariamente seja preciso uma solução filosófica para desvendar os seus versos e entrega-se de forma mais incisiva à escrita, com temas como Steady On My Mind ou I Was Just Here a levarem-nos do tédio à euforia, respetivamente, num ápice, não faltando questões relacionadas com o amor (Captive Of The Sun) e sendo também possível visualizar histórias de vida comuns, através da audição de retratos honestos sobre pessoas, percetível em Two Dead Cops, ou sentimentos, bem vincados na ode explosiva de One Man, No City, que é bem capaz de se basear numa Nova Iorque cheia de gente algo inócua, mas que não deixa de ser honesta e de ter o seu encanto.

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Human Performance possa suscitar, este tomo de canções possibilita-nos apreciar uns Parquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, que chegam a 2016 instalados no seu trabalho mais consistente e ousado, uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles e passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Dust
02. Human Performance
03. Outside
04. I Was Just Here
05. Paraphrased
06. Captive Of The Sun
07. Steady On My Mind
08. On Man, No City
09. Berlin Got Blurry
10. Keep It Even
11. Two Dead Cops
12. Pathos Prairie
13. It’s Gonna Happen


autor stipe07 às 21:36
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2016

Bear Hands – You’ll Pay For This

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Bear Hands são Dylan Rau, Ted Feldman, Val Loper, TJ Orsche, uma banda norte americana que editou no último dia quinze e à boleia da Spensive Records, You'll Pay For This, o terceiro disco de uma carreira já com nove anos e que conseguiu cimentar-se numa posição de particular relevo graças ao excelente Distraction, o antecessor deste novo registo, que há pouco de dois anos chamou imenso a atenção junto da crítica especializada e também desta publicação.

Assim que comecei a escutar este disco achei logo que me soava a algo familiar e que seria um trabalho de fácil assimilação. Mas a verdade é que, poucos instantes depois, percebi que estava na presença de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo, mas também cheio de tiques caraterísticos do pop punk, do eletropop e do rock clássico dos anos oitenta, logo bem presentes nos efeitos, na distorção e no clima soturno e cru de I Won't Pay.

De facto, neste You'll Pay For This os Bear Hands demonstram uma interessante maturidade, quer como escritores de canções mas, principalmente, como criadores de melodias. Se o single 2AM destaca-se por um clima simultaneamente etéreo e majestoso, ampliado pela imponência vocal de Rau, que depois se vai repetir, mas num registo diferente, no curioso piscar de olhos ao hip hop em Déjà Vu, o grande momento de You'll Pay For This acaba por materializar-se na forma como em Like Me Like That esta postura vocal se mistura com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, em simbiose com excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral.

Se em apenas um tema do disco é possível aferir todos os melhores atributos que definem a forma atual destes Bear Hands, além das composições já referidas, não deve passar em claro a luminosidade melódica da intrigante Marathon Man, uma canção que assenta numa densa parede melódica claramente progressiva, assim como a otimista e sedutora Purpose Filled Life, um festim de cordas e efeitos que vão-se enleando e sobrepondo, encerrando da melhor forma um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a canções com um ritmo variado e que tanto sabem aquela urgência do rock dos anos oitenta, como às tendências mais atuais do indie rock que, nitidamente, aposta numa mescla de géneros e estilos sem regras ou convenções.

Hoje em dia, com a multiplicidade de propostas que diariamente chegam aos nossos ouvidos, frequentemente instala-se a confusão e são ténues as fronteiras entre aquilo que é indie ou pop, independentemente da fórmula ser eminentemente orgânica ou sintética. O foco acaba por se direcionar, no meu caso concreto, para a qualidade e para a capacidade que, independentemente do balizamento ou da rotulagem que esteja tentado a fazer, alguns discos têm de transmitir sensações, sejam elas rudes, sinceras, emotivas, simples ou intrincadas. Os Bear Hands são de difícil catalogação, talvez ainda estejam à procura do rumo certo mas, quanto a mim, são bons e serão grandes se optarem sempre por esta miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza You'll Pay For This. Espero que aprecies a sugestão...

Bear Hands - You'll Pay For This

01. I Won’t Pay
02. 2AM
03. Boss
04. Déjà Vu
05. Too Young
06. The Shallows
07. Like Me Like That
08. Chin Ups
09. Marathon Man
10. Winner’s Circle
11. I See You
12. Purpose Filled Life


autor stipe07 às 18:00
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2016

Yeasayer - Amen and Goodbye

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer se mantinham num silêncio que já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas esse compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, já tem finalmente sucessor, um álbum intitulado Amen and Goodbye, editado a um de abril através da insuspeita Mute e, como logo nos mostrou I Am Chemistry, o primeiro single divulgado das treze composições que constam do seu alinhamento, é um disco que reforça não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolida a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais apostados em colocar as fichas todas numa pop de forte cariz eletrónico, mas bastante recomendável, principalmente no modo como se mistura com alguns dos aspetos mais relevantes do típico indie rock alternativo.

A exuberância e majestosidade não só do single acima referido, mas também do modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam em Silly Me e em Dead Sea Scrolls e, em oposição, o piano de Uma e a tonalidade mais rock e, também por isso, mais nostálgica, reflexiva e introvertida de Cold Night, o meu tema preferido do disco, oferecem-nos esta eficaz oscilação e simbiose entre os dois mundos sonoros onde os Yeasayer se movem, com cada vez maior mestria, criatividade, heterogeneidade, charme e bom gosto.

O registo vocal inédito de Chris Keating é já uma imagem de marca deste grupo nova iorquino e neste Amen and Goodbye oferece-nos alguns dos melhores instantes da sua interpretação nos Yeasayer, não só em I Am Chemistry, mas também no ênfase que dá a tons mais agudos em Gerson's Whistle e na emoção que transborda em Divine Simulacrum.

Neste Amen and Goodbye fica claro que os Yeasayer continuam a procurar um cada vez maior ecletismo e a tentar estabelecer um óbvio distanciamento relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes de Odd Blood (2010), por exemplo, a ideia é explorar territórios menos imediatos e emotivamente mais intrincados e abrangentes, até porque estes nova iorquinos já perceberam que as grandes bandas atingem elevados patamares quando não se abrigam permanentemente em fórmulas bem sucedidas, mas procuram reinventar-se e explorar outros campos musicais. Espero que aprecies a sugestão...

Yeasayer - Amen And Goodbye

01. Daughters Of Cain
02. I Am Chemistry
03. Silly Me
04. Half Asleep
05. Dead Sea Scrolls
06. Prophecy Gun
07. Computer Canticle 1
08. Divine Simulacrum
09. Child Prodigy
10. Gerson’s Whistle
11. Uma
12. Cold Night
13. Amen And Goodbye


autor stipe07 às 21:08
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

Woods – City Sun Eater In The River Of Light

Editado no passado dia oito de abril através da Woodsist, etiqueta da própria banda, City Sun Eater In The River Of Light é o nono tomo da carreira discográfica dos Woods, uma banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl.

A carreira dos Woods impressiona pelo elevado ritmo de criação musical e publicação de discos, sempre com interessante conteúdo e novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e a grande novidade deste City Sun Eater In The River Of Light é a existência de alguns tiques típicos do reggae e do jazz que conferem ao som da banda o tal inedetismo evolutivo e uma ligeireza e positivismo que merecem audição dedicada.

Logo nas guitarras e nos sopros de Sun City Creeps sente-se este clima mais caliente e efusivo, necessariamente experimentalista e, por isso, de certo modo mais intuitivo. O orgão de Can't See At All e, nesta composição, o cariz lo fi da mistura da componente instrumental com a voz, assim como o bongo e os sopros de The Take reforçam não só a impressão acima descrita, mas também todo esse charme noise que é tão caraterístico dos Woods e que se mantém intacto, até porque este novo tomo de canções também vale pela sua heterogeneidade. Todas as canções soam, claramente, ao perfil psicadélico dos autores, cimentado numa carreira de pouco mais de uma década particularmente profícua, mas valorizam-se ainda mais se forem escutadas individualmente, já que cada uma tem aquele aspeto que carimba o seu próprio encanto, dos quais destaco também o cariz algo delirante das cordas de Hollow Home ou o encanto melódico que sobressai na exuberante e majestosa Politics Of Free, um das melhores canções do já impressionante catálogo do grupo.

Estes Woods são, talvez, uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual, já que servem de uma receita extremamente assertiva e eficaz, que entre cordas, um baixo vibrante, um belo falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, reluz porque assenta num som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção. City Sun Eater River Of Light acaba por valer por tudo isto e, principalmente, pelo modo inspirado como nos oferece exemplares sonoros com um sugestivo pendor pop e que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido. Espero que aprecies a sugestão... 

Woods - City Sun Eater In The River Of Light

01. Sun City Creeps
02. Creature Comfort
03. Morning Light
04. Can’t See At All
05. Hang It On Your Wall
06. The Take
07. I See In The Dark
08. Politics Of Free
09. The Other Side
10. Hollow Home


autor stipe07 às 21:07
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Domingo, 10 de Abril de 2016

Ghost King - Bones

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que viu a luz do dia a vinte e seis de março, podendo ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. Bones é a materialização bem sucedida de tal desiderato,um compêndio sonoro que logo no baixo vigoroso e na guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, oferece-nos uma excelente demonstração da cumplicidade que une os Ghost King e que, felizmente, foi utilizada como veículo de manifestação artística, nomeadamente a composição musical.

O clima de Bones não se cinge, naturalmente, aquilo que nos é dado a contemplar na canção que abre este alinhamento de onze composições. A trip deambulante, com intenso travo surf pop, que exala de Ghost In Love e, numa abordagem oposta, o clima mais contemplativo e acústico de Below The Sun e Winter's Air, assim como a visceralidade efusiva e imponente de Skeleton Dance e toda a miríade de tiques e detalhes do melhor rock alternativo de finais do século passado que transbordam das guitarras e da bateria da camposição homónima, dividida em dois capítulos que não sobrevivem isoladamente, são instantes de Bones que carecem de audição dedicada e que comprovam a elevada mestria e bom gosto dos autores.

Imponente, repleto de instantes sonoros ricos em nuances variadas que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, Bones reflete, numa curiosa amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:23
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Quinta-feira, 17 de Março de 2016

School Of Seven Bells – SVIIB

Lançado no passado dia doze à boleia da Vagrant Records, SVIIB é o novo registo de originais dos norte americanos School Of Seven Bells, uma dupla oriunda de Brooklyn, em Nova Iorque e formada por Alejandra de la Deheza e Benjamin Curtis, os elementos que restam de um projeto que encerra as hostilidades com estas nove canções que homenageiam Benjamim Curtis, um antigo membro do grupo que faleceu em 2013, vítima de um linfoma.

SVIIB é um portento de indie rock, mas misturado com algumas das melhores tendências atuais da eletrónica, que tem andado às voltas, curiosamente, com o período aúreo dos anos setenta e oitenta do século passado. A mistura de melodias épicas, expansivas e luxuriantes, suportadas por guitarras com aberturas e riffs angulares e sintetizadores plenos de efeitos agudos e estratosféricos, que parecem planar em redor das cordas, são uma receita que tem feito escola recentemente e que estes School Of Seven Bells não renegam, como se percebe logo na maginficiência de Ablaze. A serenidade de My Heart ajuda a equilibrar um pouco e a colocar águna na fervura, depois de tão eloquente abertura, mas mantém-se o espírito sonoro que usa e abusa da sintetização, com a própria percussão a ser fornecida por uma bateria eletrónica que, no caso desta composição, dá a cadência certa a uma letra que aborda muito a questão do passado e da despedida.

O disco prossegue, e se A Thousand Times More nos mostra que este projeto também sabem como abordar com eficácia aquele lado mais reflexivo do chamado rock progressivo, depois de Open Your Eyes ter-nos feito viajar por universos mais etéreos e contemplativos, típicos de um R&B que procura exalar sedução e charme por todos os poros, já Elias e Signals vagueiam por um cosmos distante e transportam-nos rumo a um registo mais experimental, onde detalhes feitos de batidas irregulares e alguns flashes atestam a firmeza da fórmula que serviu de base a SVIIB.

Disco cheio de paisagens que impressionam pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta, SVIIB é uma despedida competente de um projeto que ficou a dever um pouco mais a si próprio e aos fiéis seguidores, mas não deixa de ser um adeus sentido e que se justifica, tendo em conta o historial mais recente dos School Of Seven Bells. Seja como for, é bom o suave torpor que os teclados de This Is Our Time facilmente provocam, enquanto deixamos para trás uma banda que não deixa de ser uma marca importante na história da música eletrónica contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

School Of Seven Bells - SVIIB

01. Ablaze
02. On My Heart
03. Open Your Eyes
04. A Thousand Times More
05. Elias
06. Signals
07. Music Takes Me
08. Confusion
09. This Is Our Time


autor stipe07 às 21:27
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Quinta-feira, 10 de Março de 2016

Ghost King - When The Sky Turns Blue

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se prepara para a estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de março, podendo, desde já, ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. O baixo vigoroso e a guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, a primeira amostra divulgada de Bones e disponível para download, é uma excelente demonstração desta cumplicidade que une os Ghost King, em quase três minutos que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, refletindo, nesta amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:48
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Terça-feira, 8 de Março de 2016

Eleanor Friedberger – New View

A cidade que nunca dorme é o habitat natural de Eleanor Friedberger, de regresso aos lançamentos discográficos com New View, onze canções que viram a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da Frenchkiss Records e que voltam a deliciar-nos com uma simbiose feliz entre as vertentes mais clássicas e alternativas do rock, com a folk a fazer a ponte entre dois universos que, replicados em baladas como Open Season e na luminosa Your World quase se fundem, sem fronteiras claramente definidas, o que faz deste registo uma coleção de canções que superou, na minha opinião, tudo aquilo que a autora já tinha conseguido apresentar no seu catálogo.

pic by Philip Cosores

Gravado do outro lado do continente americano, na cidade dos anjos, New View contém esse aspeto mais solarengo e descontraído da costa do pacífico, em oposição à maior frieza do atlântico que banha a costa leste de onde provém. Esta é logo uma das impressões mais fortes do terceiro registo a solo de uma mulher apaixonada, persistente e impulsiva, que não desiste de perseguir os seus sonhos mais verdadeiros e raramente se envergonha por amar e por usar a música como forma de exorcizar os seus fantasmas e dar vida aos seus maiores devaneios, ela que já foi namorada, por exemplo, de Britt Daniel ds Spoon e Alex Kapranos, vocalista dos Franz Ferdinand. Esta atração pelo lado mais afetivo da música transparece nas suas canções, que letra após letra, verso após verso, servem para a autora abrir-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós.

Na verdade, escuta-se New View e o que mais impressiona é uma enorme sensação de sinceridade e o cariz fortemente genuíno das canções. A cantora construiu belíssimas melodias que se entrelaçaram com as letras e com a sua voz marcante com enorme mestria e, ao mesmo tempo, palpita uma notória sensação instintiva, como se ela tivesse deixado fluir livremente tudo aquilo que sente e assim potenciado a possibilidade de nos emocionarmos genuinamente com estas canções. A cândura folk desarmante de Never Is A Long Time e o sussurro de uma voz que nos adverte para as adversidades e os contratempos da vida e o piano deambulante e a brisa jazzística que sobressai da percussão de Cathy, With The Curly Hair, numa canção sobre o lado mais espontâneo e impulsivo do amor, são duas faces desta mesma moeda chamada sinceridade, provando que neste disco Eleanor deu tudo, não se escondeu nem se poupou, melodicamente e sentimentalmente e, por isso, este é um alinhamento que causa impacto e está carregado de sentimento. Ela foi simples e assertiva, sem deixar de nos tocar e de construir algo que podemos usar para explicar as nossas próprias angústias e dores.

No ocaso do disco, a monumentalidade das teclas de A Long Walk clarifica que às vezes mais difícil do que murmurar sobre o amor é enfrentar o amor em si e aceitar o cariz frequentemente finito do mesmo, enquanto sentimento com contornos tantas vezes ambíguos e irracionais. O amor tem múltiplas facetas e este disco serve para nos nos ensinar como abrir o sotão onde guardamos as nossas dores e receios. Muitas vezes, vivemos uma vida inteira sem tocar nele com receio dos fantasmas que possamos despertar. Talvez seja mais fácil fazê-lo ao som deste disco. A única certeza do amor é mesmo ser sempre incerto. Espero que aprecies a sugestão...

Eleanor Friedberger - New View

01. He Didn’t Mention His Mother
02. Open Season
03. Sweetest Girl
04. Your Word
05. Because I Asked You
06. Never Is A Long Time
07. Cathy With The Curly Hair
08. Two Versions Of Tomorrow
09. All Known Things
10. Does Turquoise Work?
11. A Long Walk


autor stipe07 às 18:48
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