Sábado, 3 de Junho de 2017

Arcade Fire – Everything Now

Arcade Fire - Everything Now

Três anos depois do excelente Reflektor e de dois discos a solo de Will Butler, os canadianos Arcade Fire aproveitaram a tomada de posse de Donald Trump e os seus devaneios para apresentarem ao mundo as primeiras canções do seu próximo álbum, que será um claro manifesto político e de protesto claro, parece-me, ao novo rumo tomado pelo país vizinho.

Assim, a nova canção divulgada pelo grupo chama-se Everything Now e segue um pouco a linha delineada já em Reflektor, ou seja, cada vez mais distante do rock impetuoso dos primórdios. Os Arcade Fire apostam agora na preponderância de sonoridades com outra luminosidade, com o formato eminemtemente pop a ser definitivamente relegado para primeiro plano e com o grupo a ter uma nova aúrea, completamente remodelada.

Infinite Content é o título mais plausível para o novo registo da banda, ainda sem data de lançamento definida. Confere...


autor stipe07 às 00:02
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Heat – Overnight

Montreal, em pleno Quebec, no Canadá, é o habitat natural dos Heat, um trio de post punk formado por Susil Sharma, Matthew Fiorentino e Raphaël Bussières e que acaba de editar Overnight, o longa duração de estreia do projeto, disponivel para audição e aquisição, em formato digital e fisicamente em vinil, na plataforma bandcamp.

Resultado de imagem para heat band montreal

É algures entre uma certa luminosidade épica e um relativo negrume lo fi que estes Heat se sentem confortáveis a dar à luz canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, à medida que deixam as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta bastante saudosista, para criar um cenário musical tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, numa exibição consciente dequela sapiência melódica que fez escola no período aúreo do rock alternativo, em plenos anos oitenta do século passado.

Este desígnio é logo audível na imponência de City Limits e no frenesim vibrante de Sometimes, mas também no clima mais luxuriante e pomposo de Lush, composição de forte cariz orquestral, feita com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, que carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa, rematada por um curioso charme vocal. Este tema, escolhido para single do disco, acaba por ser um exemplo feliz do modo como nestes Heat é possível conferir leves pitadas de shoegaze e post rock, sem levar o tabuleiro onde as diferentes peças se movimentam para um território demasiado experimental.

Na verdade, todos os temas de Overnight têm esta toada eminentemente retro e que exala algo de grandioso e implicitamente sedutor. É um trabalho cheio de belos instantes sonoros pop, que atingem um elevado pico de magnificiência não só nos temas já referidos, mas também, por exemplo, no clássico rock anguloso que abastece Cold Hard Morning Light e na solidez estilística em que guitarra e bateria se envolvem em Long Time Coming.

Além de imprimir com uma áurea melancólica e mágica um projeto que não se envergonha de homenagear algumas referências óbvias de finais do século passado, Overnight tem a mira bem apontada ao nosso âmago, plasmando sonoramente sensações positivas, provocadas por um processo de criação sonora que, no caso deste grupo, deverá ter sido pleno de momentos reconfortantes de incubação melódica. Estes Heat merecem ser vistos, logo à partida, como uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe como se posicionar em posição de destaque no espetro sonoro em que se movimenta. Espero que aprecies a sugestão...

Heat - Overnight

01. City Limits
02. Sometimes
03. Lush
04. The Unknown
05. Rose De Lima
06. Cold Hard Morning Light
07. Still, Soft
08. Long Time Coming
09. Chains


autor stipe07 às 09:11
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

Arcade Fire - I Give You Power

Arcade Fire - I Give You Power

Três anos depois do excelente Reflektor e de dois discos a solo de Will Butler, os canadianos Arcade Fire aproveitaram a tomada de posse de Donald Trump para apresentarem ao mundo aquele que é também um claro manifesto político e de protesto claro, parece-me, ao novo rumo tomado pelo país vizinho. A canção chama-se I Give You Power e conta com a participação especial vocal de Mavis Staples, importante diva do R&B e do gospel norte-americano.

Tema que deverá fazer parte do novo disco da banda, a editar ainda em 2017, I Give You Power segue um pouco a linha delineada já em Reflektor, ou seja, cada vez mais distantes do rock impetuoso dos primórdios, os Arcade Fire apostam agora na preponderância dos beats, com o formato eminemtemente pop a ser definitivamente relegado para primeiro plano e com o grupo a ter uma nova aúrea, completamente remodelada. Resta acrescentar que esta canção surge após o anúncio da edição do duplo DVD, The Reflektor Tapes + Live at Earls Court, que deverá ver a luz do dia já a vinte e sete de janeiro. Confere...


autor stipe07 às 21:26
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2016

Suuns – Hold/Still

Num momento de enorme e justificada histeria coletiva devido ao novo álbum dos Radiohead, prestes a ver a luz do dia não se sabe bem quando, vindo de onde, como e com o quê, não deve passar em claro e despercebido aquele que poderia ser, para mim, o melhor lançamento discográfico desse grupo de Oxford depois de Kid A. Refiro-me a Hold/Still, um compêndio de onze canções com a chancela da Secretly Canadian e assinado pelo excelente projeto Suuns, um quarteto oriundo de Montreal, no Canadá. Os Suuns apareceram em 2007 pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em 2010 com Zeroes QC, três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, trendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa, sendo este Hold/Still, o terceiro disco, a confirmação de estarmos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

Fall, o primeiro tema do alinhamento de Hold/Still, coloca-nos bem no centro de um noise rock que não deixa de nos fazer recordar experimentações semelhantes ao que foi testado pelos Sonic Youth do início de carreira e logo depois, em Instrument, existe uma implícita dose de punk dance que enquanto nos aproxima de uma sonoridade algo amena e introspetiva, mostra-nos a abrangência destes Suuns e o modo quase impercetível como mesclam orgânico e sintético com propósitos bem definidos.

Na verdade, o que parece ser inicialmente apenas ruído, distorção e gritos desordenados, passa a debitar algo mais brando, com uma proposta de som muito mais voltada para um resultado atmosférico, definição que se amplia com evidência em UN-NO, canção onde o dedilhar e a distorção da guitarra oferece aquele toque experimental que nos faz crer, logo ao terceiro tema, que este é um disco colossal, do melhor que já ouvi este ano! E o pendor hipnótico, intenso e efervescente de Resistance e de Translate, assim como a rugosidade intensa e algo caótica de Brainwash, reforçam tal impressão com racionalidade objetiva, sobre um conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, uma proposta ora banhada por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. 

Com uma estrutura inicialmente lenta no decorrer das primeiras audições, o disco aos poucos revela uma variedade de texturas e transformações que parecem filtradas pelos atmosféricos ensinamentos da banda. É uma espécie de  psicadelia suja, que além da pafernália de sons sintetizados que contém, é banhada, ora por guitarras suaves, ora por loopings de distorção, numa união com uma certa tonalidade minimalista, que costura todas as canções do álbum, evitando excessos e onde tudo é moldado de maneira controlada, com acordes minuciosos e com a voz reduzida ao essencial, com todas as canções a soarem encadeadas, como se todo o disco fosse apenas uma única e extensa canção.

Assertivos e capazes de romper limites, os Suuns oferecem-nos, em Hold/Still, entre belíssimas sonorizações instáveis e pequenas subtilezas, um portento sonoro de invulgar magnificiência, com proporções incrivelmente épicas, um disco bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero a quem se deixar enredar nesta armadilha emocionalmente desconcertante, feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Suuns - Hold-Still

01. Fall
02. Instrument
03. UN-NO
04. Resistance
05. Mortise And Tenon
06. Translate
07. Brainwash
08. Careful
09. Paralyzer
10. Nobody Can Save Me Now
11. Infinity


autor stipe07 às 20:56
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Quarta-feira, 16 de Março de 2016

Elephant Stone - Where I'm Going

Elephant Stone - Where I'm Going

Os canadianos Elephant Stone de Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada pelo primeiro, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde 2009 e logo nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia e, logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de 2011 dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records e agora, quase três anos depois, é anunciado Ship Of Fools, o próximo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

Where I'm Going é o mais recente avanço divulgado de Ship Of Fools, uma extraordinária canção com um ritmo vibrante, assente em faustosas guitarras que criam uma melodia incisiva, com um elevado grau de epicidade e esplendor. O próximo álbum dos Elephant Stone deverá ser, de acordo com esta amostra, mais luminoso, elétrico e amplo que tudo aquilo que a banda apresentou até hoje e, certamente, um dos destaques discográficos do ano. Confere...


autor stipe07 às 20:59
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2016

Bravestation - V

Depois de Giants Dreamers, álbum editado em 2012 e do EP IV, os Bravestation dos irmãos Devin Wilson (voz e baixo) e Derek Wilson (guitarra) e Jeremy Rossetti (bateria e percurssão), estão de regresso aos discos com V, um EP editado no passado mês de maio. Este projeto tem raízes em Montreal, a cidade canadiana dos mil lagos e inspira-se na novela Brave New World de Aldous Huxley e no ensaio The Station, da autoria de Robert J. Hasting. No entanto, os Bravestation instalaram-se em Toronto no ano de 2008 e viram este seu mais recente tomo de composições ser editado pela etiqueta local Culvert Music, quatro canções que podem ser escutadas no bandcamp da banda.

Algures entre o R&B, o post punk, a new wave e a eletrónica, os Bravestation convidam-nos a escutar paisagens sonoras com uma atmosfera e abordagem tendencialmente pop. De facto, eles são exímios no modo como conseguem colocar uma elevada dose de groove nas canções, com a batida sintética e os teclados de Haven ou o modo particularmente inspirado como em Gemini nos oferecem uma paisagem contemplativa com um charme e uma delicadez subtis, a serem aspectos lúcidos e sustentados que nos confrontam com o modo inspirado como estes Bravestation compõem e dão vida às suas emoções através da música .

Os anos oitenta estão, como se percebe, bastante presentes em V, quer nos efeitos hipnóticos colocados na voz, como nos sintetizadores, que recriam a sonoridade típica dessa década. E, à semelhança do que acontece com outros projetos similares contemporâneos, é possível sentir aqui que a abordagem a esses gloriosos anos da pop soa, ao mesmo tempo, como um retrocesso temporal, mas também algo sonoramente futurista. Espero que aprecies a sugestão...

Bravestation - V

01. Haven
02. Actors
03. Gemini
04. Operator


autor stipe07 às 15:00
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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015

The High Dials – In The A​.​M. Wilds

Montréal, no Canadá, é o poiso dos The High Dials, banda com uma década de carreira e de regresso aos discos com In The A.M. Wilds, o quinto trabalho do grupo, produzido por Marc Bell e que se inspirou na urbanidade boémia e noturna, que tantas vezes nos oferece o surreal e o inesperado, refletida neste alinhamento com texturas sonoras que privilegiam um punk rock algo sujo e lo fi, mas onde também não faltam texturas eletrónicas particularmente pulsantes e contemporâneas e com um elevado groove e um espírito shoegaze que se saúda.

Neste novo capítulo de uma carreira já com alguns marcos discográficos impressivos, os The High Dials oferecem-nos em canções quase sempre curtas, mas incisivas, um cardápio onde abundam boas letras e arranjos assentes num baixo vibrante, fabuloso em Yestergraves, adornado por uma guitarra jovial e criativa, onde se percebe que há uma forte vertente experimental e uma certa soul e também alguns efeitos e detalhes sintetizados, típicos da pop e do punk dos anos oitenta. A bateria e a secção ritmíca são, quase sempre bastante aceleradas, como se percebe logo na exuberante e luminosa Echoes And Empty Rooms, mas também na festiva e colorida On Again, Off Again. Mas temas como a enigmática Amateur Astronomeur ou a intuitiva Afterparty, canção conduzida por um inédito piano vintage, funcionam como contraponto ao restante conteúdo, graças a um ritmo diferenciado e melodias menos abertas e luminosas, mas claramente profundas e reflexivas. Outro tema com uma tonalidade muito vincada é Evil Twin, composição com uma rugosidade muito própria, onde baixo e sintetizador se cruzam com uma graciosidade incomum, ampliada por algumas cordas que vão deambulando em redor da melodia e que se tornam em excelentes tónicos para  potenciar a capacidade destes The High Dials em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, fazendo o nosso espírito facilmente levitar e provocando um cocktail delicioso de boas sensações.

Disco com uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante apelativa, In The A.M. Wilds é um cenario idílico que abarca uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, mas que balizam com notável exatidão o farol que ilumina o percurso musical desta banda, que tem sempre algo de novo e refrescante para nos oferecer e que geralmente recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão....

The High Dials - In The A​.​M. Wilds

01. Echoes And Empty Rooms
02. Desert Tribe
03. Yestergraves
04. Impossible Things
05. The Barroom Fisher King
06. Flower On The Vine
07. Amateur Astronomer
08. D.U.I.
09. On Again, Off Again
10. Afterparty
11. Evil Twin
12. Club Stairs
13. Lake Of Light
14. Blank Spaces On The Map

 


autor stipe07 às 21:04
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2015

Foreign Diplomats – Princess Flash

Élie Raymond, Antoine Lévesque-Roy, Thomas Bruneau Faubert, Charles Primeau e Emmanuel Vallieres, são os Foreign Diplomats, uma banda canadiana oirunda de Montréal, que acaba de se estrear nos lançamntos discográficos com um compêndio de canções que são já um marco imprescindível e obrigatório neste ano repleto de novidades e registos sonoros qualitativamente incomuns. Gravado nos primeiros meses deste ano, o disco a que me refiro chama-se Princess Flash, foi misturado e produzido por Brian Deck e está disponivel através da Indica Records.

Este quinteto canadiano começa agora a traçar o seu percurso sonoro, mas já tem bem definidas as coordenadas para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Élie que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Princess Flash nos oferece vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, num ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Começam, geralmente, por uma base instrumental minimal, aquela que vai sustentar o tema até ao seu ocaso, mas depois acontece sempre uma explosão sónica, feita de exuberância e cor, que do território mais negro e encorpado de Lies (Of November), tema que disserta sobre o dia a dia de um serial killer e alguns dos seus pensamentos mais obscuros, ao tribalismo percussivo de Comfort Design, ou o mais animado e até dançável de Queen+King, ocorre sempre num percurso triunfante e seguro, onde abundam guitarras experimentais, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Princess Flash ruge nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. E fá-lo conduzido por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante da guitarra em que se sustenta Lily's Nice Shoes!, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Princess Flash tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um groove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, mas também comercial, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Diplomats - Princess Flash

01. Lies (Of November)
02. Comfort Design
03. Queen+King
04. Color
05. Flash Sings For Us
06. Lily’s Nice Shoes!
07. Beni Oui Oui
08. Mexico
09. Guns (Of March)
10. Crown
11. Drunk Old Paul (And His Wild Things)


autor stipe07 às 19:13
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2015

Half Moon Run – Sun Leads Me On

Devon Portielje, Conner Molander, Dylan Phillips, Isaac Symonds são os Half Moon Run, um projeto canadiano oriundo de Montreal e que já faz música desde 2009. Estrearam-se nos discos três anos depois com Dark Eyes e agora, após o mesmo hiato temporal, regressaram à boleia de Sun Leads Me On, o novo registo de originais da banda, editado a vinte e três de outubro pelo selo Glassnote Records.

No seio de um indie rock que tanto pode infletir, em determinados momentos, para a folk como para a própria eletrónica, os Half Moon Run parecem não sentir-se confortáveis com o ideal de continuidade e apostam em pequenos detalhes sonoros que fazem ponte entre dois territórios, numa espécie de simbiose de risco, mas particularmente bem sucedida, entre Radiohead e Fleet Foxes, raramente ouvida nas propostas atuais. Esta fusão assenta em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Neste Sun Leads Me On, produzido por Jim Abbiss, o falsete etéreo de Devon é um dos trunfos maiores do alinhamento, como se pecebe desde logo na cândura de Warmest Regards, mas a instrumentação intrincada, os elementos eletrónicos e a própria escrita de algumas canções, exalam uma qualidade hipnótica e aventureira, mas sempre acessível. Os violinos, a bateria insistente e o ambiente progressivo das guitarras de I Can’t Figure Out What’s Going On e os detalhes eletrónicos que vão piscando o olho à guitarra na incandescente Turn Your Love assim como o minimalismo omnipresente da mesma no tema homónimo, são exemplos do modo exemplar como os Half Moon Run complementam a ímpar capacidade vocal do líder da banda, com um arsenal instrumental diversificado e abrangente sempre a postos para criar melodias que recusam ter um comportamento linear, preferindo mostrar-se apoiadas em constantes variações de volume, intensidade e epicidade. As variações de intensidade e ritmo da bateria em It Works Itself Out, assim como a alternância entre detalhes eletrónicos sintetizados e dedilhares acústicos de cordas, nesse mesmo tema, transformam o mesmo numa súmula feliz de todo o ideário intencional destes Half Moon Run e daquilo que os resliza enquanto compositores criativos e intérpretes inspirados.

Melódicos e intencionalmente acessíveis na mesma medida, os Half Moon Run transformaram cada uma das canções de Sun Leads Me On em criações duradouras, ricas em texturas e versos acolhedores que ultrapassam os limites do género, num disco que busca uma abrangência, mas que não resvala para um universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica. Espero que aprecies a sugestão...

Half Moon Run - Sun Leads Me On

01. Warmest Regards
02. I Can’t Figure Out What’s Going On
03. Consider Yourself
04. Hands in the Garden
05. Turn Your Love
06. Narrow Margins
07. Sun Leads Me On
08. It Works Itself Out
09. Everybody Wants
10. Throes
11. Devil May Care
12. The Debt
13. Trust


autor stipe07 às 18:01
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Rob St. John & Woodpigeon - Young Sun / Trouble Comes

5

Disponível em formato digital e vinil através da etiqueta escocesa Song By Toad, Records, de Matthew Young, Young Sun / Trouble Comes é um lindíssimo compêndio de cinco canções lançado no passado dia vinte de abril e resulta de uma colaboração entre Rob St. John e os Woodpigeon, materializada em algumas sessões de gravação realizadas no último ano e com o artwork fabuloso da autoria do artista escocês, natural de Edimburgo, Jake Bee.

Lançamento de pequenas dimensões, mas particularmente bonito, este split de cinco canções agrega uma indie folk com um certo pendor rugoso e psicadélico, abrindo com When You Look For Trouble, Trouble Comes, canção da autoria dos Woodpigeon, com direito a um video editado pelo próprio Rob St. John, com imagens produzidas pela instituição Moody Institute of Science, no longínquo ano de 1951. Aliás, as três primeiras canções do lançamento, inspiradas pela neve e com os Arcade Fire no rolo de influências declaradas, são da autoria dos Woodpigeon de Mark Andrew Hamilton, Graham Lessar e Jonah Fortune e foram todas gravadas numa fria noite de inverno no hotel Hotel2Tango, em Montreal, no Canadá, tendo sido misturadas por Howard Bilerman (The Arcade Fire, Vic Chesnutt, Godspeed You! Black Emperor). Bread Crumbs impressiona pelo som de um telefone antigo e pela harmónica, tocada por Catriona Sturton, uma participação especial neste trabalho.

As duas canções que encerram o split, da autoria de Rob St. John e inspiradas na noções de natureza, lar e família, foram gravadas em Edimburgo, na Escócia, em setembro do ano passado, constando do arsenal instrumental de ambas um orgâo de tubos, uma guitarra com cordas de nylon, um sintetizador analógico e, nas vozes, com as participações especiais de Tom Western, Mark Andrew Hamilton and Ian Humberstone. Confere...

Woodpigeon

When You Look For Trouble, Trouble Comes

The Coldest Winter On Record

Bread Crumbs

 

Rob St. John

Young Sun

Folly


autor stipe07 às 18:30
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