Quinta-feira, 7 de Setembro de 2017

King Gizzard and the Lizard Wizard - Sketches Of Brunswick East

Quando no início do ano o projeto australiano King Gizzard and the Lizard Wizard de Stu Mackenzie anunciou que iria lançar cinco álbuns em 2017, foram muitos os cépticos que se apressaram a apontar o dedo à impossibilidade deste grupo de rock psicadélico conseguir levar por diante tal desiderato. Mas a verdade é que Sketches Of Brunswick East, treze canções que viram a luz do dia a vinte e cinco de agosto, através da ATO Records, são já o terceiro capítulo desta imponente saga onde detalhes da soul, do jazz, do rock, essencialmente o setentista e sonoridades africanas e até a folk tradicional inglesa se misturam, para dar vida e cor a um alinhamento onde também teve uma importante palavra a dizer Alexander Brettin, outro músico australiano e natural de Brunswick East, bairro dos subúrbios de Melbourne, tal como Stu e fã de Todd Rundgren e Wire, que tem como carapaça pop o projeto Mild High Club.

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Com os King Gizzard and the Lizard Wizard a contarem já com cerca de uma dezena de discos em carteira, a verdade é que este Sketches Of Brunswick East é já o terceiro trabalho que também conta com a participação dos Mild High Club. E Sketches Of Brunswick East, que também alude ao clássico de Miles Davis, Sketches Of Spainresulta na plenitude, porque é profusamente intensa e feliz esta estreita colaboração entre Stu e Alexander, nomeadamente através da modo como trocam trechos de guitarra acústica, que acabam por servir depois de base a um posterior trabalho de aperfeiçoamento e desenvolvimento por parte dos restantes membros dos King Gizzard and the Lizard Wizard, com o resultado final, mais uma vez, a ser verdadeiramente intenso e contagiante.

O disco inicia com um solo de piano lindíssimo por parte de Brettin, secundado por alguns detalhes percurssivos da autoria do baterista Michael Cavanagh e a partir daí o que se escuta é uma verdadeira espiral entusiasta e multicolorida, que nos colocabem no centro de um tornado que, da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se delicia com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Se ao longo da audição deste álbum parece evidente que tudo aquilo que se pode escutar, dos arranjos às melodias passando pelos diferentes detalhes e samples, é cuidadosamente pensado. É curioso constatar que a busca do caos também pareceu fazer parte da filosofia dominante no processo de construção do arquétipo das várias canções. O jazz experimental acaba por ser a base, mas é muito redutor uma catalogação tão objetiva já que, obedecendo a uma filosofia firme de controle instrumental, quer a homenagem descarada à melhor bossa nova em You Can Be Your Silhouette, assim como os devaneios dos sopros divagantes de Sketches Of Brunswick East II e o modo como em The Spider And Me as variações rítmicas também sobressaiem devido ao modo como as cordas se entrelaçam com a voz, são apenas alguns exemplos felizes que nos remetem para um espetro muito mais vasto e abrangente, onde diferentes estruturas e influências submergem e se acotovelam, quase em uníssono, para conseguirem destaque entre si. É, em pouco mais de trinta minutos, o espraiar indulgente e sereno de uma prévia colocação numa máquina de lavar, num programa que permitiu uma espécie de rotação e sobreposição constante de tudo aquilo que a herança musical contemporânea, de índole eminentemente psicadélica, foi agregando e assimilando ao longo das últimas cinco décadas.

Mais uma vez os King Gizzard and the Lizard Wizard conseguem facultar-nos um acervo de canções único e peculiar e que resulta, certamente, da consciência que Stu, o grande mentor do projeto, tem das transformações que abastecem a música psicadélica atual, enquanto tenta ligar-nos umbilicalmente aquela que considera ser a melhor lista de referências essenciais na parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que tem inundado os nossos ouvidos ultimamente. Sendo este seu terceiro disco do ano um tratado sonoro de natureza hermética, também não se furta a quebrar algumas regras da pop, nomeadamente na questão da crueza lo fi, e até de desafiar as mais elementares do bom senso, impressionando, assim, pelo arrojo e mostrando-se genial no modo como dá vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Sketches of Brunswick East artwork

01. Sketches Of Brunswick East I
02. Countdown
03. D-Day
04. Tezeta
05. Cranes, Planes, Migraines
06. The Spider And Me
07. Sketches Of Brunswick East II
08. Dusk To Dawn On Lygon Street
09. The Book
10. A Journey To (S)hell
11. Rolling Stoned
12. You Can Be Your Silhouette
13. Sketches Of Brunswick East III


autor stipe07 às 09:27
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2016

The Ocean Party – Restless

Jordan Thompson, Liam Halliwell, Curtis Wakeling, Lachlan Denton, Zac Denton e Crowman, são os The Ocean Party, um projeto australiano de indie pop oriundo de Melbourne e que se move em pardacentas areias sonoras, onde pianos, batidas, sopros e cordas conjuram aventuras e demandas, rumo aquela luz que nunca esmorece e que além de nos aquecer a alma, pode também fazer oferecer sensações físicas que nem sempre conseguimos voluntariamente controlar.

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Restless, um belíssimo tomo de onze canções e que se abre perante nós através do delicioso buliço de um tema homónimo que nos mostra todos os ingredientes de que este projeto se serve, é o mais recente assomo de delicadeza, mas também de desafio, deste sexteto que não se importa nada de nos fazer recuar até aos gloriosos anos oitenta, quer nas asas do baixo e do sintetizador da majestosidade inebriante de Hunters, mas também da subtileza festiva que extravasa da incrível e frenética melodia que conduz Back Bar e, mais adiante, na elegância de West Koast.

Abrigados pela insuspeita Spunk Records!, morada de nomes tão consistentes como Nadia Reid, Ty Segall ou Emma Russack, os The Ocean Party gostam de passear e fazer-nos também passear entre a serenidade e a agitação sem darmos conta, sendo exímios a compôr temas que, frequentemente, contêm um clima simultaneamente misterioso e atraente, algo que Decent Living clarifica com particular bom gosto, balizados por uma indie pop apimentada com uma elevada dose de experimentalismo. Apesar de o clima destas canções ser antagónico ao habitual cinzentismo enigmático do rock de cariz mais sombrio, o baixo é, curiosamente, um instrumento essencial na condução das canções de Restless, com Teachers a ser um excelente exemplo do modo como se servem dele para solidificar o edifício que sustenta o tema e como depois afagam os restantes instrumentos em redor. Logo a seguir, em Better Off, há um timbre de guitarra que vai surgindo e servindo de chamariz para um entra e sai de cordas e sopros, mas o baixo está lá sempre, permanentemente, a guiar toda a trama e a não deixar que toda esta heterogeneidade rítmica e instrumental resvale. Já em Pressure é mesmo o baixo que sobe ao palco em primeiro lugar e o instrumento sobre o qual todos os holofotes se colocam à medida que a canção escorre em arrojo e emoção e transmite o seu ideário.

Em Restless fica clara a capacidade inata dos The Ocean Party em compôr entre a serenidade e a agitação sem perderem sapiência melódica, caraterística que lhes confere uma versatilidade difícil de encontrar na maioria das bandas da atualidade. As canções deste disco não são apenas um simples agregado de efeitos e batidas, entrelaçadas com acordes e sons de cordas, mas algo grandioso, transmitindo um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade melancólica e bastante contemplativa. Reach talvez seja aquela canção que melhor consegue resumir este excelente compêndio de canções que atesta a maturidade o alto nível de excelência, de uma banda que merece chegar ao público ávido de novidades e que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

The Ocean Party - Restless

01. Restless
02. Hunters
03. Back Bar
04. Decent Living
05. Teachers
06. Better Off
07. Pressure
08. Reach
09. Second Guess
10. West Koast
11. Locked Up


autor stipe07 às 18:03
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Sábado, 22 de Outubro de 2016

Coloured Clocks – Test Flight

Uma das bandas mais profícuas e fundamentais do universo sonoro indie e alternativo australiano são os Coloured Clocks de James Wallace, um projeto oriundo de Melbourne, com já meia década de existência e seis lançamentos no cardápio e curioso pelo modo como disponibiliza a sua música, sempre com o formato digital disponível gratuitamente no bandcamp da banda. Mas estes Coloured Clocks merecem destaque principalmente pelo modo inteligente e eficaz como compôem canções. Falo de composições sonoras que, se por um lado não defraudam a herança identitária do ideário sonoro que instiga Wallace a compôr, por outro, mostram um autor e um projeto no auge de uma carreira sustentada por um indie progressivo e psicadélico, com fortes reminiscências do rock da década de setenta, mas sem pôr de lado o que de melhor se propôe atualmente, inspirado nesse universo musical.

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Já depois de no início deste ano terem chamado a atenção com Particle, estão de regresso ainda antes do ocaso de 2016, com Test Flight, mais doze excelentes temas, inseridos no espetro sonoro acima descrito, da autoria de uns Coloured Clocks que se estrearam nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final de 2012 deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine e logo depois, em 2014, All Is Round, uma espécie de álbum interativo, que pedia para ser escutado na sequência que entendessemos, já que o início pode ser o fim ou o meio, ou seja, as canções circulavam livremente e isso só não era concreto porque estavam presas à realidade lógica da indispensável sequência numérica do disco.

Test Flight deve ser ouvido na íntegra atentamente e apreciado como um todo, apesar de saltar ao ouvido composições como a contemplativa e cósmica Everything's Right, a inebriante e divertida Lose That Girl, ou a sedutora Building A Star, canção que se aconchega nos nossos ouvidos e cola-se à pele com o amparo certo para que se expresse a melíflua melancolia que Wallace certamente quis que deslizasse dela, já que o mistério é, também, um elemento estruturante da filosofia sonora dos Coloured Clocks. A heterogeneidade rítmica de One Tomorrow Away também merece audição dedicada, devido ao modo almofadado como uma bateria em constante vaivém, a voz ecoante e um agregado de guitarras mágicas se manifestam com uma mestria instrumental vintage única. Depois Never Young também aposta em mudanças de ritmo e sobreposições com elementos sintéticos, numa toada mais diversificada, sendo um dos temas onde eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop.

Feito à medida de quem gosta de sonoridades cósmicas e psicadélicas mais ligeiras e sempre com um fundo de epicidade e emoção à flor da pele, Test Flight aposta numa receita simples mas tremendamente efica, onde reina uma estrutura melódica tradicional, riffs de guitarra luminosos, bem acompanhados pela bateria e por sintetizadores flutuantes e poderosos que nos conduzem a um universo lisérgico e tortuoso, mas cheio de cor, numa espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo. Escrito, produzido, gravado e misturado pelo próprio James Wallace, Test Flight contém uma aúrea resplandescente e romântica invulgares e espelha uma feliz revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Coloured Clocks - Test Flight

01. Everything’s Right
02. You Belong There
03. Never Be
04. Lose That Girl
05. Building A Star
06. What Has Happened
07. One Tomorrow Away
08. Never Young
09. If You’ve Lived Your Life
10. The Special Man
11. Saturday
12. Dreaming At Luna Park


autor stipe07 às 14:31
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Domingo, 22 de Novembro de 2015

City Calm Down - In A Restless House

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que estreou nos lançamentos discográficos com A Restless House, um álbum que viu a luz do dia a seis de novembro, através da etiqueta I OH YOU.

Confessor particular regozijo cada vez que dou de caras com uma nova banda que se apresenta ao mundo à boleia de um post rock, com uma elevada toada punk e shoegaze. no caso destes City Calm Down, o deleite aumenta porpeceber que a essa fórmula sempre sedenta de novas renovações, adicionaram eficazmente o chamado krautrock que foi fazendo escola no universo sonoro alternativo desde a década de setenta. Temas como o efusivo, inebriante e inconsolávelmente emotivo Border In Control e a imponente Rabbit Run, o primeiro single de A Restless House, assentam os seus pilares instrumentais e melódicos em algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo de cariz mais sombrio, que fez escola em finais da década de setenta do século passado e que tem atualmente nos nova iorquinos The National um dos expoentes máximos. Mas há que haver algum rigor nesta comparação, já que se a voz dos City Calm Down nos recorda claramente a postura de Matt Berninger, os instrumentos clamam por uma simplicidade incrivelmente sedutora. Seja como for, à medida que a teia sonora se diversifica e se expande, somos confrontados com um conjunto volumoso de versos sofridos, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente épico e nostálgico que se recomenda, mesmo quando em Your Fix os City Calm Down procuram, com uma dança incisiva entre baixo e sintetizador, recriar com inesperada luminosidade aquela pop punk rock sintética e exultante que causou algum caos capilar na penúltima década do século passado.

É claramente recompensador perceber o modo como canções como a intrincada Son ou a mais intimista Wandering crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, entoando um apelo sentido aos nossos sentidos para que se mantenham sempre atentos aquilo que a vida e a natureza têm para nos oferecer diariamente e que a pressa, o medo ou o simples desconforto, não deixam que ouçamos. E este alinhamento de In A Restless House é vigoroso no modo como incita o nosso lado mais humano e profundo a clamar por um óbvio sentido de urgência que nos deixe no final nos limites da nossa capacidade de sofreguidão, enquanto nos desafia a dançar ao som de canções quase sempre assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante, um sintetizador inspirado e uma bateria que nunca se faz rogada no momento de abanar com o nosso âmago.

Para ser devidamente apreciada e entendida, a música destes City Calm Down exige pulso firme e dedicação extrema, sem sacrifício e com disponibilidade total para se aceitar fazer concessões de modo a deixar que o poderoso edifício sentimental que a sustenta nos possa cobrir de fé e crença num amanhã melhor e diferente. Espero que aprecies a sugestão...

City Calm Down - In A Restless House

01. Intro
02. Border On Control
03. Son
04. Rabbit Run
05. Wandering
06. Your Fix
07. Nowhere To Start
08. If There’s A Light On
09. Falling
10. Until I Get By
11. In A Restless House


autor stipe07 às 19:23
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2015

City Calm Down – Rabbit Run

City Calm Down - Rabbit Run

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que se prepara para a estreia nos lançamentos discográficos com A Restless House, um álbum que vai ver a luz do dia a seis de novembro, através da etiqueta I OH YOU.

Rabbit Run é o primeiro avanço divulgado de A Restless House, uma canão que assenta os seus pilares instrumentais e melódicos em algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo de cariz mais sombrio, que fez escola em finais da década de setenta do século passado e que tem atualmente nos nova iorquinos The National um dos expoentes máximos. Se a voz dos City Calm Down nos recorda claramente a postura de Matt Berninger, já os instrumentos clamam pela simplicidade, mas à medida que a teia sonora se diversifica e se expande, dão vida a um conjunto volumoso de versos sofridos, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente épico e nostálgico que se recomenda. Confere...


autor stipe07 às 14:53
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2015

Holy Holy – When The Storms Would Come

A Austrália é o poiso dos Holy Holy, uma dupla formada por Tim Carroll e o guitarrista e compositor Oscar Dawson, dois músicos oriundos de Brisbane e Melbourne, respetivamente e, em tempos, professores de inglês no sudoeste da Ásia. Ambos mudaram-se para a Europa em 2011, com Carroll a fixar-se em Estocolmo, na Suécia e Dawson em Berlim, na Alemanha. Depois, num reencontro de ambos na primeira cidade, resolveram fazer música juntos, tendo sido criadas aí as primeiras demos em conjunto, depois aprimoradas já na Austrália e que deram origem a estes Holy Holy. Em 2014 o baterista Ryan Strathie juntou-se ao projeto assim como o baixista Graham Richie e o convidado especial Matt Redlich, um produtor conceituado com uma fixação única pelos primórdios do rock alternativo do século passado.

Os Holy Holy situam-se então, sonoramente, algures entre Neil Young, Crosby, Stills & Nash, Bruce Springsteen, Pink Floyd e Dire Straits, assim com outros projetos e bandas mais contemporâneoas, como os Midlake, Band Of Horses ou Grizzly Bear e esta miríade de influências está na base de When The Storms Would Come, o novo disco da banda, um conjunto de canções que misturam uma escrita clássica com o indie rock contemporâneo, em dez canções produzidas com um certo instinto, com particular crueza e cheias de melodias sublimes no modo como agregam guitarras poderosas e uma voz imponente com uma percussão densa e ritmada, com uma crueza distinta.

Disco moldado então pelo espírito do rock clássico, When The Storms Come Home inicia com Sentimental and Monday, canção inspirada num diálogo virtual entre Carroll e a sua namorada sueca e que fala daquilo que muitas vezes deixamos para trás quando tomamos opções de vida importantes. Depois, com a guitarra acústica e o piano que conduzem Outside Of The Heart Of It ficamos plenamente convencidos da energia nostálgica e algo vintage deste Holy Holy de olhos e ouvidos afiados e direcionados para aquele período setentista do século passado que hoje, claramente, orienta e está presente em alguns dos melhores trabalhos discográficos que juntam guitarras vibrantes com uma toada psicadélica indisfarçável. Aliás, a incrível mistura de influências que se confere no single You Cannot Call For Love Like A Dog, canção que soa com uma contemporaneidade única, mas que nas suas fundações contém algum do referencial sonoro criado há umas quatro décadas, em especial no que diz respeito ao modo como as guitarras e a bateria ampliam o cariz algo dramático da canção, comprova o modo como estes Holy Holy são exímios em conseguir confundir-nos com um celebração indulgente e inspirada dos melhores sons do passado sem ousar afastar-se do melhor clima indie do rock atual.

Depois de ter contactado inicialmente com estes três temas é que me dediquei, posteriormente, à audição integral do disco e a verdade é que durante a audição do mesmo aquilo que melhor transpareceu foi a leveza onírica das canções e uma clara busca do simples e do prático, assim como a precepção clara de que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e uma inestimável honestidade na escrita e inserção das letras. Quer a crueza da guitarrra de History, a simplicidade pop apenas aparente da rica e intrincada Wanderer, uma canção sobre a beleza que está sempre adjacente a qualquer relação amorosa, o intrincado jogo que se estabelece entre um piano acústico e duas guitarras elétricas em Pretty Strays For Hopeless Lovers e a esponteneidade indisfarçável de The Crowd ampliam e atestam um resultado final que acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável.

É fácil concluir no final da audição de When The Storms Would Come que passou pelos nossos ouvidos um alinhamento de canções com um fôlego ímpar, tipificado por canções marcantes, que impressionam pela alegria e pelo modo poético, corajoso, denso e sofisticado com que os Holy Holy se deram a conhecer ao mundo logo na  estreia. Espero que aprecies a sugestão...

Holy Holy - When The Storms Would Come

01. Sentimental And Monday
02. Outside Of The Heart Of It
03. A Heroine
04. History
05. If I Were You
06. You Cannot Call For Love Like A Dog
07. Wanderer
08. Holy Gin
09. Pretty Strays For Hopeless Lovers
10. The Crowd


autor stipe07 às 20:53
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2015

Courtney Barnett - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

Gravado em Melbourne durante o nosso verão de 2014, Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit é o feliz título do arrebatador disco de estreia de Courtney Barnett, onze canções que viram a luz do dia a vinte e três deste mês atraves da House Anxiety/Marathon Artists e sucessor dos EPs I've Got a Friend Called Emily Ferris (2011) e How to Carve a Carrot into a Rose (2013), editados depois conjuntamente em The Double EP: A Sea of Split Peas, em 2013.

Carregas no play e com o indie rock frenético de Elevator Operator e do single Pedestrian At Best levantas o queixo, franzes o sobrolho, ensaias o teu melhor sorriso eufórico enigmático e passas a língua pelo lábio superior com indisfarçável deleite, enquanto uma voz doce, uma bateria intensa e uma guitarra que brilha daqui ao céu, num vaivém musculado e constante, te fazem abanar as ancas e partir em direção à festa mais próxima, nem que seja aquela que vais obrigatoriamente criar neste preciso instante e em que podes muito bem ser o único convidado. Mas isso pouco importa, porque respirar ao som deste disco é saborear automaticamente um clima festivo sem paralelo e, como referi logo no início, dar de caras com um compêndio sonoro que não poderia ter melhor nome, já que nele Courtney prende hermeticamente nos seus punhos e transmite depois para as letras e finalmente, para o modo como as canta, o turbilhão ruminante de uma qualquer mente quotidiana, criando um universo familair e cativante que facilmente nos enclausura.

Courtney é bastante hábil no modo como expôe aqueles pequenos detalhes da vida vomum e os trasnforma, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância. Da exaltação do ócio criativo de Avant Gardenner até à apologia da rotina na já citada Elevator Operator, são vários os exemplos do modo como a autora exalta romanticamente e com um charme algo displiscente mas feliz, a postura que tem em relação à vida. O blues animado de An Illustration of Loneliness (Sleepless in NY), tema onde salta ao ouvido o excelente improviso da guitarra e, em oposição, o clima mais boémio dos sete minutos experimentais e psicadélicos de Small Poppies, expressam, sintomaticamente, este constante plasmar de paradoxos, de uma constante tensão oscilante entre o tédio e a ansiedade, o rock e a folk, o doce e o amargo e, enfim, entre o meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético.

Já completamente seduzidos por este Sometimes I Sit and Think, And Sometimes I Just Sit, em Depreston somos embalados por uma lindíssima balada que nos oferece a possibilidade de viajarmos rumo a um limbo existencial e meditativo ao mesmo tempo que aquelas ancas ainda abanam e depois, se o indie rock de Aqua Profunda! dá-nos coragem para agarrar pelos colarinhos uns quantos incautos que se atravessam no caminho para trazê-los para a nossa festa, a pop dançante de Dead Fox fá-los sentirem-se rapidamente integrados e promete-nos que não nos vai deixar sós durante alguns dias já que assenta num refrão tremendamente aditivo e imbatível, 

Com o ótimo solo de guitarra da punk Nobody Really Cares if You Don't Go to the Party, as certeiras baladas Debbie Downer e Boxing Day Blues e a densa, sombria e tensa Kim's Caravan, chega ao ocaso a audição de onze canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, uma verdadeira explosão de cores e ritmos, personificada num disco arrebatador e real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Elevator Operator
Pedestrian at Best
An Illustration of Loneliness (Sleepless in NY)
Small Poppies
Depreston
Aqua Profunda!
Dead Fox
Nobody Really Cares if You Don't Go to the Party
Debbie Downer
Kim's Caravan
Boxing Day Blues


autor stipe07 às 21:48
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2015

Twerps - Range Anxiety

Marty Frawley, Jules McFarlane, Alex Macfarlane e Gus Lord são os Twerps, uma banda australiana oriunda de Melbourne e uma das coqueluches da conceituada Merge Records. Editado no passado dia vinte e três de janeiro, Range Anxiety é o segundo trabalho do coletivo, um disco gravado por Jack Farley nos Head Gap Studios e misturado por Matt Voigt. Além da Merge Records, este álbum também faz parte do cardápio da Chapter Music, sendo o sucessor de um homónimo editado em 2009.

Em treze canções os Twerps seduzem pela indie pop calorosa, vibrante e de enorme beleza melódica que propôem. Contemplativos, profundos e particularmente inspirados no modo como criam canções que transmitem sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se revê, logo na confessional I Don't Mind, além de plasmarem com fulgor o som retro e vintage onde se revêem, parecem querer dizer-nos que nada mais lhes importa a não ser ficarem um dia famosos por comporem típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico.

Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo, que agora, em Range Anxiety, olha cada vez mais e com maior atenção para o rock alternativo dos anos oitenta e  provam definitivamente serem compositores pop de topo, capazes de soar leves e arejados, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Se o esplendor acústico das cordas irradia nas festivas e solarengas Back To You e Cheap Education e no rock clássico de New Moves, já temas como Stranger, Shoulders ou Simple Feelings, mostram que os Twerps também sabem distorcer as guitarras e usar a bateria com diferentes cadências, dando assim um cunho ritmico que procura a diversidade, sem que isso coloque em causa o propósito claro de criar um álbum sensível e com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente. Esta Simple Feelings e Adrenaline acabam por encarnar uma das melhores sequências de Range Anxiety, já que, de certo modo, representam dois polos totalmente opostos, para um fim comum; Se na primeira escuta-se a voz grave e imponente de Jules, numa melodia amigável, mas algo psicadélica, feita com guitarras distorcidas, a seguinte arrasta-se até ao fim num longo mas sereno diálogo entre a voz doce de Marty e diferentes timbres das cordas e da percussão, que vão crescendo de emoção e intensidade, há medida que a voz feminina vai deixando o protagonismo para os instrumentos. Jules acaba por não querer ficar atrás e em Fem Murdereres adoçica também a sua voz, enquanto a distorce ligeiramente, oferecendo-nos, com a ajuda do baixo e das guitarras, uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável.

Ouvimos cada uma das músicas deste trabalho e conseguimos, com uma certa clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que foram sendo adicionados e que esculpiram as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os arranjos dedilhados a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Num disco que não deixa de ser variado quanto às temáticas que aborda, vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. As distorções são sempre bem controladas, os ruídos minimalistas e os arranjos das cordas estão dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e a subtileza na voz e o modo como Jules e Marty se alternam, denota uma longa aprendizagem e a pecceção do melhor espaço que cada um pode ocupar na busca por uma musicalidade amena, coberta por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Range Anxiety está imbuído de uma enorme beleza melódica, escuta-se com enorme fluidez, há um encadeamento claro entre os vários temas, uma noção de sequencialidade e uma relação clara entre as diferentes composições, mesmo aquelas que, como é o caso de Love At First Sight, parecem instrumentalmente opostos no conceito e na ideia que procuram aflorar.

Em Range Anxiety os Twerps avançam em passo acelerado em direção à maturidade, num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

1. House Keys
2. I Don't Mind
3. Back to You
4. Stranger
5. New Moves
6. White as Snow
7. Shoulders
8. Simple Feelings
9. Adrenaline
10. Fern Murderers
11. Cheap Education
12. Love at First Sight
13. Empty Road

 


autor stipe07 às 19:04
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

ScotDrakula - Burner & Break Me Up EP

Os ScotDrakula são Matt Neumann (guitarra, voz), Evianne Camille (bateria, voz) e Dove Bailey (baixo, voz), três jovens músicos australianos, oriundos de Melbourne, que gostam de misturar cerveja com o rock de garagem e darem assim asas à devoção que sentem pela música e pela cultura punk. No passado dia dezasseis foi disponibilizado fisicamente, em formato cassete e num único exemplar, Burner, o novo disco do grupo, no lado a, assim como um EP intitulado Break Me Up, no lado b, com a edição a poder ser encomendada através da insuspeita e espetacular Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Para ouvir e apreciar os ScotDrakula é necessário ter fé, sentir a luz do alto e ter a mente aberta e livre de qualquer ideia pré concebida relativamente a um hipotético encontro imediato com canções detentoras de artifícios sonoros intrincados e alicerçados numa receita demasiado complexa. Percebe-se, logo que inicia a audição, que da percussão vibrante de Ain't Scared ao baixo de Burner!, passando pela distorção que orienta Little Jesus, um tema clássico no que diz respeito à conexão feliz entre o fuzz de uma guitarra e a secção rítmica vitaminada que encorpora o rock psicadélico dos anos sessenta, estes nove temas são, apenas e só, mais uma excelente porta de entrada para um universo sonoro feito com guitarras carregadas de fuzz, uma percussão vibrante e ritmada e uma postura vocal jovial e com um encanto lo fi que inicialmente se estranha, mas que depois, rapidamente se entranha.

A maior parte destas canções vive da intimidade psicadélica que se estabelece no baixo e na guitarra, uma conexão algumas vezes com uma toada visceral algo sensual, como se percebe na crueza vintage de Doors & Fours e de Dynopsykism, mas feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência de um rock que nos convida para uma viagem no tempo, do passado ao presente, através de uma banda contagiante e que parece ser mais experiente do que o seu tempo de existência, tal é o grau de maturidade que já demonstra. O hipnotismo desenfrado que se pode conferir em CrazyGoNuts é uma autêntica ode à revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock clássico que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Burner & Break Me Up tem uma forte ligação com o passado e se tivermos a capacidade de confiar nestes ScotDrakula e deixarmos que eles nos mostrem que são também o caminho, a verdade e a vida, conseguimos facilmente viajar e delirar ao som das suas canções. Apreciar o verdadeiro rock clássico é também uma questão de fé e este trio australiano sabe o caminho certo para nos guiar até uma feliz, renovada e efetiva conversão. Espero que aprecies a sugestão.


autor stipe07 às 18:28
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

ScotDrakula- Break Me Up

Os ScotDrakula são Matt Neumann (guitarra, voz), Evianne Camille (bateria, voz) e Dove Bailey (baixo, voz), três jovens músicos australianos, oriundos de Melbourne, que gostam de misturar cerveja com o rock de garagem e darem assim asas à devoção que sentem pela música e pela cultura punk.

Já a dezasseis de dezembro será disponibilizado fisicamente, em formato cassete, Burner, o novo disco do grupo, assim como um EP intitulado Break Me Up, com ambas as edições a serem alvo de revisão muito em breve neste blogue e a poderem ser já encomendadas através da insuspeita e espetacular Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Depois de Stupid Everything, o primeiro avanço que o grupo disponibilizou do disco gratuitamente, agora chegou a vez de os ScotDrakula facultarem o tema homónimo do EP, outra excelente porta de entrada para um universo sonoro feito com guitarras carregadas de fuzz, uma percussão vibrante e ritmada e uma postura vocal jovial e com um encanto lo fi que inicialmente se estranha, mas que depois, rapidamente se entranha. Confere...


autor stipe07 às 17:30
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