Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016

Pixies – Head Carrier

Depois de em abril de 2014 ter chegado aos escaparates Indie Cindy, o primeiro disco dos Pixies de Black Francis em vinte e três anos, este projeto formado em 1986 e um nome fundamental para o desenvolvimento do indie rock alternativo, continua a alimentar este segundo fôlego na carreira, ainda sem Kim Deal e com uma nova baixista, Paz Lenchantin. E fá-lo, agora, com doze canções agregadas num novo trabalho, intitulado Head Carrier, que viu a luz do dia no ocaso de setembro último.

Resultado de imagem para pixies 2016

Head Carrier é mais um passo em frente no propósito de Black Francis de apresentar ao público uns Pixies cada vez mais longe do som roqueiro e lo fi do passado, mas sem o renegar totalmente e alinhados com as tendências mais recentes do campo sonoro em que se movimentam, procurando, simultaneamente, aquela salutar contemporaneidade que todos os grupos de sucesso necessitam e precisam, independentemente da riqueza quantitativa e qualitativa da sua herança e também renovar a sua base de seguidores com um público mais jovem, sempre atento e ávido por boas novidades. 

Seja como for, e como de algum modo já referi, o adn dos Pixies não deixa de ser respeitado, mais que não seja pela filosofia melódica e instrumental subjacente ao arquétipo sonoro das canções, um respeito patente no rock cássico de Might As Well Be Gone, no punk de Be Esprit e no rockabilly de Plaster Of Paris . Portanto, não estando propriamente presente em Head Carrier a estética sonora novocentista em todo o seu esplendor, além dos exemplos já citados, canções do calibre da ruidosa Oona ou o riff de guitarra claramente radiofónico de Tenement Song, conseguem, salutarmente, estabelecer pontes e, de certo modo, oferecer novos desafios ao cardápio da banda ao mesmo tempo que não defraudam quem é mais devoto relativamente à história dos Pixies. Aliás, encontrar semelhanças e diferenças entre o clássico Where Is my Mind e All I Think About Now é um exercício particularmente curioso e recompensador.

Head Carrier pode ser, para muitos, apenas mais um sinal de vida de uma banda que insiste em esbracejar sem saber muito bem que rumo seguir e que duas décadas depois achou que poderia voltar a ser relevante já que, tendo em conta o estatuto que construiu, voltar a compôr não pode nunca aspirar a menos que isso, mas há aqui, ainda, acerto criativo, patente na generalidade das canções e que deve ser exaltado por encarnar a coragem do grupo para prosseguir, apesar de todo o historial recente. É um compêndio que demonstra que é capaz de haver ainda uma pequena réstia de esperança para os Pixies e que a opção por continuarem a respirar e a ecoar, se tiver sequência, poderá levá-los a ocupar novamente um lugar de relevo no universo do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Pixies - Head Carrier

01. Head Carrier
02. Classic Masher
03. Baal’s Back
04. Might As Well Be Gone
05. Oona
06. Talent
07. Tenement Song
08. Bel Esprit
09. All I Think About Now
10. Um Chagga Lagga
11. Plaster Of Paris
12. All The Saints


autor stipe07 às 20:58
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Terça-feira, 31 de Maio de 2016

Enemy Planes – Beta Lowdown

Minneapolis, no Minnesota, é o poiso dos Enemy Planes, uma banda formada por Casey Call, Joe Gamble, David LeDuc, Kristine Stresman, Shön Troth, Joe Call e Jessica Anderson e que acaba de se estrear nos discos com Beta Lowdown, onze canções preenchidas com um indie rock cru, rugoso e bastante intenso. Este é, claramente, um dos melhores lançamentos discográficos do ano, dentro do espetro sonoro em que o grupo se insere e que, por exemplo, a ambivalência entre cordas e sintetizadores em Weightless , a canção que determina o ocaso do alinhamento, tão bem explicita.

Muito antes disso, começa-se a escutar a opulência de Automatic Catatonic e percebe-se, imediatamente, que Beta Lowdown é um álbum frontal, marcante, elétrico e explosivo. Nesta música sente-se a vibração a aumentar e a diminuir de forma ritmada e damos por nós a desejar que o resto do disco seja assim. E na verdade, o ritmo frenético e empolgante, quer do baixo quer da guitarra de Bare Your Teeth, tem o selo caraterístico daquele rock misterioso e cheio de fechaduras enigmáticas e chaves mestras, mas que, se forem experimentadas com dedicação, acabam por abrir portas para um outro refúgio perfeito. Refiro-me a We Want Blood, tema onde é explorado exaustivamente um hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial e algo lo fi, percetivel quer na elevada dose sintética do tema, quer na míriade de efeitos que o sustentam.

Estes Enemy Planes não defraudam logo à primeira audição e convencem acerca da sua grandiosidade e explendor melódico, sem grandes reservas. Se os temas acima referidos apresentam vários dos pontos fortes de Beta Lowdown, até ao final do alinhamento, a feliz imprecisão rítmica e o clima nostálgico oitocentista de Between Lives, o elevado efeito soporífero, bastante acessível e, certamente, do agrado de um público mais abrangente, de Locks, a explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, em pouco mais de três minutos que são um verdadeiro compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico, em Just A Ghost, atestam que este disco é uma irrepreensível coletânea de rock psicadélico, proposta por um coletivo que aposta numa espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, em completo transe e hipnose.

Assim, da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e por um rock intenso e com uma elevada dose de experimentalismo, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Enemy Planes, que iniciam a sua demanda sonora discográfica de modo confiante, altivo e bastante criativo. Espero que aprecies a sugestão...

Enemy Planes - Beta Lowdown

01. Automatic Catatonic
02. Bare Your Teeth
03. We Want Blood
04. Stranger Danger
05. Between Lives
06. (O’ Ensnared) Swans
07. Devolver
08. Locks
09. Just A Ghost
10. No Strings
11. Weightless


autor stipe07 às 21:52
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016

Animal Flag – Animal Flag EP 2

Boston, Massachussets, é o poiso do projeto norte americano Animal Flag de Matthew Politoski, de regresso aos lançamentos discográficos com Animal Flag EP 2, cinco canções que viram a luz do dia no ocaso de 2015, à boleia da 1997 Recordings e disponíveis para audição e possibilidade de doação de um valor pelas mesmas na plataforma bandcamp.

(Pic by Nick DiNatale)

O indie rock que pisca o olho a ambientes particularmente progressivos e com um pendor melódico algo contemplativo e reflexivo é a pedra de toque deste pequeno cardápio de temas, uma descrição algo generalista, até porque são temas que merecem audição atenta e que palsma diversas nuances, mas que Jealous Lovers, a primeira canção, claramente exemplifica. Se Angels não foge a esta bitola, uma maior amplitude na distorção da guitarra, um rugoso timbre do baixo e algumas variações rítmicas, conferem a esta canção um ambiente ainda mais épico e impulsivo, que faz de Animal Flag, um projeto particularmente íntimo de uma monumentalidade muito vincada.

À medida que avançamos na audição do EP, vai-se tornando evidente que Matthew e a vasta miríade de convidados que agregou à sua volta para gravar estes temas, não recearam, em nenhum instante, convocar alguns detalhes clássicos que alimentaram os primordios do rock alternativo, sem descurar o compromisso com uma estética muito própria e que, no fundo, não deixando de conter a contemporaneidade e o ideal de inovação, conseguem uma mistura feliz entre estes dois opostos. O piscar de olhos aos Placebo em Wayside e ao clássico Swallowed dos Bush em Cathedrals atingem o louvável intuíto de nos fazer regressar ao passado, enquanto nos entregam sensações auditivas perfumadas por uma herança que nos diz muito.

Se o prazer de escutar estes Animal Flag faz-nos sentir fiéis a um outro tempo que, pelos vistos, não conhece fronteiras temporais, é também a indisfarçável modernidade deste projeto que faz com que esta coleção de canções de fortes inspirações noventistas,  possam e devam ser apreciadas com a relevância e o valor que, por direito, merecem. Para ampliar este espírito ainda mais suadosista, este Ep teve direito a uma lindíssima edição em formato cassete, através da Broken World. Espero que aprecies a sugestão...

Animal Flag - Animal Flag EP 2

01. Jealous Lover
02. Angels
03. Wayside
04. Cathedrals
05. Prone

 


autor stipe07 às 18:12
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Sábado, 5 de Setembro de 2015

Lou Barlow – Brace The Wave

Baixista dos Dinosaur Jr. e vocalista dos Sebadoh, o norte americano Lou Barlow, um músico oriundo de Greenfield, no Massachussets e considerado um dos grandes gúrus do indie alternativo desde a década de noventa, tem também uma profícua carreira a solo que acaba de conter mais um disco no seu cardápio. O novo álbum deste autor e compositor notável intitula-se Brace The Wave e chegou às lojas a quatro de setembro através da Joyful Noise Recordings, sendo a primeira obra solo de Barlow desde o lançamento de Goodnight Unknow, em 2009.

Resultado de uma jornada de seis dias no estúdio com o produtor Justin Pizzoferrato, responsável pelos mais recentes discos de Dinosaur Jr, Brace The Wave marca o regresso do autor a um universo mais recatado, através de uma folk intimista, nostálgica e contemplativa e que tem nas cordas do ukelele a principal arma de arremesso, mas onde também não falta uma curiosa exuberância vocal, logo plasmada em Redeemed, canção agridoce que abre com entusiasmo, inspiração e apurada veia criativa um disco que explora a fundo as diversas possibilidades sonoras de um instrumento de cordas com uma tonalidade única e uma capacidade incomum para ajudar quem souber ser exímio no seu manuseamento, a transmitir sentimentos e emoções com uma crueza e uma profundidade simultaneamente vigorosas e profundas.

Sempre com a folk na mira, a incubar da mente incansável de um músico maduro e capaz de nos fazer despertar com um simples dedilhar de cordas aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade, ou, no sentido oposto, de angústia e depressão e a necessitarem de urgente exercicío de exorcização para que consigamos seguir em frente, Barlow é capaz de nos colocar a olhar o sol de frente com um enorme sorriso nos lábios, com a inebriante e àspera Moving ou a delicada Wave, mas também desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal em Pulse e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito na realista e racional Repeat. Mesmo quando Barlow comete o pecado da gula e se liga à corrente em Boundaries, fá-lo com um açúcar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, não deixando assim, em nenhum instante de Brace The Wave, de ser eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atinge um estado superior de consciência e profundidade nos acordes únicos e lindíssimos da confessional C + E.

Brace The Wave é alma e emoção traduzidas à voz e ao ukelele, como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos sussurros do autor, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Lou Barlow - Brace The Wave

01. Redeemed
02. Nerve
03. Moving
04. Pulse
05. Wave
06. Lazy
07. Boundaries
08. C + E
09. Repeat


autor stipe07 às 21:15
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2015

Funeral Advantage – Body Is Dead

Boston, no Massachussets, é o poiso vital dos Funeral Advantage e Body Is Dead o disco de estreia de mais uma banda que aposta num ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, para criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Escritas e gravadas por Tyler Kershaw e misturadas por Ian Van Opijnen, as dez canções de Body Is Dead contaram ainda com a voz de Chelsea Figuerido em alguns dos temas e a receita da arquitetura melódica de todas elas é bastante homogénea e transversal a todo o alinhamento. Trata-se de um indie rock pulsante e insinuante, mas com um charme lo fi único, alicerçado num registo vocal quase sempre sussurrante e até, em alguns casos, pouco perceptível, mas bastante encantador, além de guitarras com efeitos e distorções intrigantes e enleantes e uma percussão bastante vincada, sem ter uma tonalidade exageradamente grave. É, no fundo, um rock sujo e lo fi, uma espécie de surf rock com um pé no post punk e onde também abundam boas letras que nos oferecem uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante dançável.

Body Is Dead começa a todo o gás com a sorridente e otimista Equine e o frenesim encantador de Sisters a mostrarem, com esplendor e intensidade, uma atitude descontraída e jovial que contraria, de certo modo, o nome algo sombrio da banda. Depois, Should Have Just é um convite direto e preciso ao acto de encarar estes últimos dias de verão com esperança, enquanto ficamos envoltos numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, que nos despe de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, onde frequentemente nos refugiamos, para que não tenhamos receio de mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que nos carateriza, enquanto não chega aquele inverno que nos leva tantas vezes à reclusão.

Até ao ocaso de Body Is Dead, a viagem deslumbrante que nos oferece a guitarra de Gardensong, o experimentalismo soturno de That's That e o esplendor sentimental que exala de todos os acordes da oitocentista Then I'll Look, são outros instantes obrigatórios deste alinhamento, exemplos que mostram que, logo no disco que estreia, os Funeral Advantage sabem a fórmula exata para temporizar, adicionar e revolver o seu arsenal instrumental, como se as canções fossem um puzzle e assim originarem, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, peças sonoras sólidas e que comunicam com o nosso íntimo com particular beleza e superior preciosismo. Espero que aprecies a sugestão....

Funeral Advantage - Body Is Dead

01. Equine
02. Sisters
03. Should Have Just
04. Gardensong
05. Back To Sleep
06. That’s That
07. Cemetery Kiss
08. Then I’ll Look
09. You Sat Alone
10. Body Is Dead


autor stipe07 às 18:49
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Sábado, 13 de Junho de 2015

Passion Pit – Kindred

Lançado a vinte e um de abril pela Columbia Records, Kindred é o terceiro álbum dos Passion Pit de Michael Angelakos, uma banda norte americana oriunda de Cambridge, no Massachusetts e da qual também fazem parte Chris Hartz, Aaron Harrison Folb, Giuliano Pizzulo, Pete Cafarella e Ray Suen.

Novamente produzido por Chris Zane, ahbitual colaborados dos Passion Pit, Kindred é mais um disco que cimenta um projeto pop num género nem sempre fácil de rotular. Geralmente um álbum pop bem sucedido é um tratado com um propósito comercial, melódico e acessível a vários públicos, o que faz com que a busca de tal abrangência resvale para rodelas perdidas num universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica. Neste caso e como se entende logo na audição da épica e luminosa Lifted Up (1985) ou do single Until We Can’t (Let’s Go), a banda faz crescer em cada nota, verso ou vocalização, à boleia do sintetizador, todos os ingredientes que definem as referências principais dessa pop, acrescentando ainda, em determinados instantes, aspetos da música negra, brincando, assim, com a eletrónica de forma inédita, enquanto nos conduzem para a audição de mais um disco doce e, na mesma medida, pop.

Disco mais curto dos Passion Pit, Kindred é, talvez, o trabalho mais introspetivo do projeto, apesar de não deixar de ser comovente, conter versos e refrões sedutores e de fácil assimilação e de estar cheio de armadilhas sonoras que nos podem atrair para um universo bastante festivo, mas enganador, não só nas batidas da já citada Lifted Up (1985), como nas de My Brother Taught Me How To Swim. Seja como for, a nostalgia continua a ser uma marca transversal a quase todo o alinhamento, algo que os efeitos e a percussão de Whole Life Story tão bem transparecem, em canções que se debruçam sobre a adolescência conturbada de Angelakos (Dancing On The Grave, Whole Life Story), a saudade (All I Want) ou outros eventos que podem fazer parte da vida de qualquer um de nós, mas que deixam sempre marcas profundas (My Brother Taught Me How to Swim).

A aparente dicotomia concetual e sonora de Kindred faz do álbum um trabalho criativo e versátil, repleto de expressividade, sempre com a eletrónica como pano de fundo e um indisfarçável charme e delicadeza a reforçar o cariz intimista de mais um retato sonoro da existência de Angelakos, expresso em dez canções estimulantes e maduras. Espero que aprecies a sugestão...

Passion Pit - Kindred

01. Lifted Up (1985)
02. Whole Life Story
03. Where The Sky Hangs
04. All I Want
05. Five Foot Ten (I)
06. Dancing On The Grave
07. Until We Can’t (Let’s Go)
08. Looks Like Rain
09. My Brother Taught Me How To Swim
10. Ten Feet Tall (II)


autor stipe07 às 14:40
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

Speedy Ortiz - Foil Deer

Os Speedy Ortiz de Mike Falcone (bateria), Sadie Dupuis (guitarra, voz), Darl Ferm (baixo) e Devin McKnight (guitarra), uma banda norte-americana de Northampton, no Massachussets. estão de regresso aos discos em 2015 com Foil Deer, um trabalho que chegou aos escaparates a vinte de abril, por intermédio da Carpark Records e que sucede ao EP Real Hair, editado o ano transato.

Foil Deer tem um alinhamento com doze temas e a banda encontra-se já em digressão a promover o conteúdo de um álbum que mantém os Speedy Ortiz na senda de temas plenos de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, como se percebe logo na imponente Good Neck, um tema tipicamente introdutório que baliza firmemente a orientação sonora de uma banda completa, no modo como roça quase sempre a genialidade a nível instrumental e na expressividade que coloca nas suas letras, que exprimem, geralmente, as típicas dores e dilemas do início da vida adulta.

Famosos igualmente pelos concertos impetuosos e pela atitude enérgica e rebelde em palco, os Speedy Ortiz firmam em Foil Deer, o segundo longa duração, uma posição de relevo no indie noise atual, com o produtor Nicolas Vernhes a ter um papel decisivo nesta firme impressão de poder e robustez transversal a todo o disco, muito à custa da cuidada exploração dos timbres da guitarra e uma grande ênfase nos arranjos. As cordas e os ruídos de fundo sintetizados de The Graduates são um claro exemplo deste vigor e desta expressão estética que, olhando de frente para alguns ícones do rock alternativo dos anos noventa, com os Sonic Youth à cabeça, estampa um olhar genuíno e único.

Se esta impressão geral de pujança e elevada amplitude sonora é uma constante, tal não é sinónimo de agressividade ou ausência de bom gosto melódico. Temas como a rugosa Puffer ou Dot X são exemplos óbvios do bom gosto que os Speedy Ortiz colocam na questão da densidade e da diversidade melódica e mesmo quando o red line das guitarras se aproxima de um nível potencialmente perigoso, há sempre a sensação plena de controle, inclusive quando a própria temática das canções que, como já referi, exploram a dura realidade da nossa existência, até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma certa raiva ou descontrole emocional.

Quem espera encontrar nos Speedy Ortiz um ombro amigo para consolar as suas angústias e problemas, escuta My Dead Girl e vai sentir-se defraudado e incompreendido porque eles estão cá para nos plasmar com alguns dos aspetos práticos do lado negro deste mundo e não para nos ensinar como lidar com ele; Em suma, as letras e a guitarra de Sadie Dupuis existem para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...

1. Good Neck
2. Raising the Skate
3. The Graduates
4. Dot X
5. Homonovus
6. Puffer
7. Swell Content
8. Zig
9. My Dead Girl
10. Ginger
11. Mister Difficult
12. Dvrk Wvrld


autor stipe07 às 21:30
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Terça-feira, 7 de Abril de 2015

Speedy Ortiz - Puffer

Os Speedy Ortiz de Mike Falcone (bateria), Sadie Dupuis (guitarra, voz), Darl Ferm (baixo) e Devin McKnight (guitarra), uma banda norte-americana de Northampton, no Massachussets. estão de regresso aos discos em 2015 com Foil Deer, um trabalho que chegará aos escaparates a vinte de abril, por intermédio da Carpark Records e que sucede ao EP Real Hair, editado o ano transato.

Foil Deer terá um alinhamento com doze temas e a banda encontra-se já em digressão a promover o conteúdo de um álbum que, de acordo com Puffer, a nova amostra divulgada do mesmo, mantém os Speedy Ortiz na senda de temas plenos de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa. Confere...

 


autor stipe07 às 21:14
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Domingo, 29 de Março de 2015

KRILL - A Distant Fist Unclenching

Jonah Furman (baixo, voz), Aaron Ratoff (guitarra) e Ian Becker (bateria) são os Krill, uma banda oriunda de Boston, na costa leste dos Estados Unidos, já com meia década de existência e que a dezassete de fevereiro último lançou A Distant Fist Unclenching, o terceiro álbum da carreira do trio, nove excelentes canções gravadas por Justin Pizzoferrato, em julho e agosto de 2014, nos estúdios Sonelab em Easthampton, Massachusetts e masterizadas por Carl Saff. Editado pela insuspeita Exploding in Sound Records em parceria com a Double Double Whammy e a Steak Club Records, A Distant Fist Unclenching está disponivel em formato digital e em vinil.

Com uma já apreciável reputação no país de origem e digressões com os Deerhoof, os conterrâneos Speedy Ortiz, Big Ups ou The Thermals, os Krill preparam-se para dar o salto para a Europa este ano, trazendo na bagagem estas nove novas canções que encarnam uma verdadeira jornada sentimental, auto-depreciativa e filosófica pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que explora habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão do rock, com outras vertentes sonoras, nomeadamente o post punk e o hardcore, de uma forma direta, mas também densa, sombria, progressiva e marcadamente experimental. Esta é uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, se alia o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros tão bem recriados e reproduzidos há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

A Distant Fist Unclenching são, portanto, nove canções enérgicas, invadidas por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Phantom ou Torturer atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade descontrolada, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim sonoro acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do rock, com a já referida Torturer a ser talvez aquele tema que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Krill. Esta Torturer é um excelente exemplo da exploração de uma ligação estreita entre a psicadelia e o rock progressivo, através de um sentido épico pouco comum e com resultados práticos extraordinários, mas em instantes sonoros do calibre de Mom ou Squirrels a estreita relação entre guitarras carregadas de fuzz e um baixo vigoroso, amplia a intensidade experimental dos Krill e dá-lhes um lado ainda mais humano, orgânico e sentimental. A própria performance de Furman, dono de um registo vocal curioso e desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, é também um dos grandes suportes do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai, como já dei a entender, a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

Com o charme de uma recomendável toada lo fi como pano de fundo de toda esta apenas aparente amálgama, A Distant Fist Unclenching prova que os Krill estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos, como mostra este compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Krill são um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

Phantom

Foot

Fly

Torturer

Tiger

Mom

Squirrels

Brain Problem

It Ends

 


autor stipe07 às 22:31
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2015

Speedy Ortiz - Raising The Skate

Os Speedy Ortiz de Mike Falcone (bateria), Sadie Dupuis (guitarra, voz), Darl Ferm (baixo) e Devin McKnight (guitarra), uma banda norte-americana de Northampton, no Massachussets. estão de regresso aos discos em 2015 com Foil Deer, um trabalho que chegará aos escaparates a vinte de abril, por intermédio da Carpark Records e que sucede ao EP Real Hair, editado o ano transato.

Foil Deer terá um alinhamento com doze temas e a banda encontra-se já em digressão a promover o conteúdo de um álbum que, de acordo com Raising The Skate, a primeira amostra entretanto divulgada, mantém os Speedy Ortiz na senda de temas plenos de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa. Confere o artwork e alinhamento de Foil Deer e o primeiro single do disco...

A mostrar noname

1. Good Neck
2. Raising The Skate
3. The Graduates
4. Dot X
5. Homonovus
6. Puffer
7. Swell Content
8. Zig
9. My Dead Girl
10. Ginger
11. Mister Difficult
12. Dvrk Wvrld


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